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DECRETO LEI Nº 4.

657/1942
Lei de Introdução às normas do Direito brasileiros, a fim de que passem a
Brasileiro. (Redação dada pela Lei nº § 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já produzir todos os efeitos legais.
12.376, de 2010) consumado segundo a lei vigente ao (Redação dada pela Lei nº 12.036, de
tempo em que se efetuou. (Incluído pela 2009).
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando Lei nº 3.238, de 1957)
da atribuição que lhe confere o artigo 180 § 7o Salvo o caso de abandono, o
da Constituição, decreta: § 2º Consideram-se adquiridos assim os domicílio do chefe da família estende-se
direitos que o seu titular, ou alguém por ao outro cônjuge e aos filhos não
Art. 1o Salvo disposição contrária, a lei êle, possa exercer, como aquêles cujo emancipados, e o do tutor ou curador aos
começa a vigorar em todo o país quarenta comêço do exercício tenha têrmo pré-fixo, incapazes sob sua guarda.
e cinco dias depois de oficialmente ou condição pré-estabelecida inalterável, a
publicada. arbítrio de outrem. (Incluído pela Lei nº § 8o Quando a pessoa não tiver domicílio,
3.238, de 1957) considerar-se-á domiciliada no lugar de
§ 1o § 1o Nos Estados, estrangeiros, a sua residência ou naquele em que se
obrigatoriedade da lei brasileira, quando § 3º Chama-se coisa julgada ou caso encontre.
admitida, se inicia três meses depois de julgado a decisão judicial de que já não
oficialmente publicada. (Vide Lei nº 1.991, caiba recurso. (Incluído pela Lei nº Art. 8o Para qualificar os bens e regular
de 1953) (Vide Lei nº 2.145, de 1953) 3.238, de 1957) as relações a eles concernentes, aplicar-
(Vide Lei nº 2.410, de 1955) (Vide Lei se-á a lei do país em que estiverem
nº 2.770, de 1956) (Vide Lei nº 3.244, de Art. 7o A lei do país em que domiciliada a situados.
1957) (Vide Lei nº 4.966, de 1966) pessoa determina as regras sobre o
(Vide Decreto-Lei nº 333, de 1967) começo e o fim da personalidade, o nome, § 1o Aplicar-se-á a lei do país em que for
(Vide Lei nº 2.807, de 1956) (Vide a capacidade e os direitos de família. domiciliado o proprietário, quanto aos
Lei nº 4.820, de 1965) bens moveis que ele trouxer ou se
§ 1o Realizando-se o casamento no destinarem a transporte para outros
§ 2o (Revogado pela Lei nº Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto lugares.
12.036, de 2009). aos impedimentos dirimentes e às
formalidades da celebração. § 2o O penhor regula-se pela lei do
§ 3o Se, antes de entrar a lei em vigor, domicílio que tiver a pessoa, em cuja
ocorrer nova publicação de seu texto, § 2o O casamento de estrangeiros poderá posse se encontre a coisa apenhada.
destinada a correção, o prazo deste artigo celebrar-se perante autoridades
e dos parágrafos anteriores começará a diplomáticas ou consulares do país de Art. 9o Para qualificar e reger as
correr da nova publicação. ambos os nubentes. (Redação dada obrigações, aplicar-se-á a lei do país em
pela Lei nº 3.238, de 1957) que se constituirem.
§ 4o As correções a texto de lei já em
vigor consideram-se lei nova. § 3o Tendo os nubentes domicílio diverso, § 1o Destinando-se a obrigação a ser
regerá os casos de invalidade do executada no Brasil e dependendo de
Art. 2o Não se destinando à vigência matrimônio a lei do primeiro domicílio forma essencial, será esta observada,
temporária, a lei terá vigor até que outra a conjugal. admitidas as peculiaridades da lei
modifique ou revogue. estrangeira quanto aos requisitos
§ 4o O regime de bens, legal ou extrínsecos do ato.
§ 1o A lei posterior revoga a anterior convencional, obedece à lei do país em
quando expressamente o declare, quando que tiverem os nubentes domicílio, e, se § 2o A obrigação resultante do contrato
seja com ela incompatível ou quando este for diverso, a do primeiro domicílio reputa-se constituida no lugar em que
regule inteiramente a matéria de que conjugal. residir o proponente.
tratava a lei anterior.
§ 5º - O estrangeiro casado, que se Art. 10. A sucessão por morte ou por
§ 2o A lei nova, que estabeleça naturalizar brasileiro, pode, mediante ausência obedece à lei do país em que
disposições gerais ou especiais a par das expressa anuência de seu cônjuge, domiciliado o defunto ou o desaparecido,
já existentes, não revoga nem modifica a requerer ao juiz, no ato de entrega do qualquer que seja a natureza e a situação
lei anterior. decreto de naturalização, se apostile ao dos bens.
mesmo a adoção do regime de comunhão
§ 3o Salvo disposição em contrário, a lei parcial de bens, respeitados os direitos de § 1º A sucessão de bens de estrangeiros,
revogada não se restaura por ter a lei terceiros e dada esta adoção ao situados no País, será regulada pela lei
revogadora perdido a vigência. competente registro. (Redação dada brasileira em benefício do cônjuge ou dos
pela Lei nº 6.515, de 1977) filhos brasileiros, ou de quem os
Art. 3o Ninguém se escusa de cumprir a represente, sempre que não lhes seja
lei, alegando que não a conhece. § 6º O divórcio realizado no estrangeiro, mais favorável a lei pessoal do de cujus.
se um ou ambos os cônjuges forem (Redação dada pela Lei nº 9.047, de 1995)
Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz brasileiros, só será reconhecido no Brasil
decidirá o caso de acordo com a analogia, depois de 1 (um) ano da data da sentença, § 2o A lei do domicílio do herdeiro ou
os costumes e os princípios gerais de salvo se houver sido antecedida de legatário regula a capacidade para
direito. separação judicial por igual prazo, caso suceder.
em que a homologação produzirá efeito
Art. 5o Na aplicação da lei, o juiz atenderá imediato, obedecidas as condições Art. 11. As organizações destinadas a fins
aos fins sociais a que ela se dirige e às estabelecidas para a eficácia das de interesse coletivo, como as sociedades
exigências do bem comum. sentenças estrangeiras no país. O e as fundações, obedecem à lei do Estado
Superior Tribunal de Justiça, na forma de em que se constituirem.
Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e seu regimento interno, poderá reexaminar,
geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o a requerimento do interessado, decisões § 1o Não poderão, entretanto ter no Brasil
direito adquirido e a coisa julgada. já proferidas em pedidos de homologação filiais, agências ou estabelecimentos antes
(Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957) de sentenças estrangeiras de divórcio de de serem os atos constitutivos aprovados
pelo Governo brasileiro, ficando sujeitas à
lei brasileira. Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro
país, bem como quaisquer declarações de
§ 2o Os Governos estrangeiros, bem vontade, não terão eficácia no Brasil,
como as organizações de qualquer quando ofenderem a soberania nacional, a
natureza, que eles tenham constituido, ordem pública e os bons costumes.
dirijam ou hajam investido de funções
públicas, não poderão adquirir no Brasil Art. 18. Tratando-se de brasileiros, são
bens imóveis ou susceptiveis de competentes as autoridades consulares
desapropriação. brasileiras para lhes celebrar o casamento
e os mais atos de Registro Civil e de
§ 3o Os Governos estrangeiros podem tabelionato, inclusive o registro de
adquirir a propriedade dos prédios nascimento e de óbito dos filhos de
necessários à sede dos representantes brasileiro ou brasileira nascido no país da
diplomáticos ou dos agentes consulares. sede do Consulado. (Redação dada
(Vide Lei nº 4.331, de 1964) pela Lei nº 3.238, de 1957)

Art. 12. É competente a autoridade § 1º As autoridades consulares brasileiras


judiciária brasileira, quando for o réu também poderão celebrar a separação
domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser consensual e o divórcio consensual de
cumprida a obrigação. brasileiros, não havendo filhos menores ou
incapazes do casal e observados os
§ 1o Só à autoridade judiciária brasileira requisitos legais quanto aos prazos,
compete conhecer das ações relativas a devendo constar da respectiva escritura
imóveis situados no Brasil. pública as disposições relativas à
descrição e à partilha dos bens comuns e
§ 2o A autoridade judiciária brasileira à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo
cumprirá, concedido o exequatur e quanto à retomada pelo cônjuge de seu
segundo a forma estabelecida pele lei nome de solteiro ou à manutenção do
brasileira, as diligências deprecadas por nome adotado quando se deu o
autoridade estrangeira competente, casamento. (Incluído pela Lei nº
observando a lei desta, quanto ao objeto 12.874, de 2013) Vigência
das diligências.
§ 2o É indispensável a assistência de
Art. 13. A prova dos fatos ocorridos em advogado, devidamente constituído, que
país estrangeiro rege-se pela lei que nele se dará mediante a subscrição de petição,
vigorar, quanto ao ônus e aos meios de juntamente com ambas as partes, ou com
produzir-se, não admitindo os tribunais apenas uma delas, caso a outra constitua
brasileiros provas que a lei brasileira advogado próprio, não se fazendo
desconheça. necessário que a assinatura do advogado
conste da escritura pública. (Incluído
Art. 14. Não conhecendo a lei estrangeira, pela Lei nº 12.874, de 2013) Vigência
poderá o juiz exigir de quem a invoca
prova do texto e da vigência. Art. 19. Reputam-se válidos todos os atos
indicados no artigo anterior e celebrados
Art. 15. Será executada no Brasil a pelos cônsules brasileiros na vigência do
sentença proferida no estrangeiro, que Decreto-lei nº 4.657, de 4 de setembro de
reuna os seguintes requisitos: 1942, desde que satisfaçam todos os
requisitos legais. (Incluído pela Lei nº
a) haver sido proferida por juiz 3.238, de 1957)
competente;
Parágrafo único. No caso em que a
b) terem sido os partes citadas ou haver- celebração dêsses atos tiver sido
se legalmente verificado à revelia; recusada pelas autoridades consulares,
com fundamento no artigo 18 do mesmo
c) ter passado em julgado e estar Decreto-lei, ao interessado é facultado
revestida das formalidades necessárias renovar o pedido dentro em 90 (noventa)
para a execução no lugar em que foi dias contados da data da publicação desta
proferida; lei. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957)

d) estar traduzida por intérprete Rio de Janeiro, 4 de setembro de 1942,


autorizado; 121o da Independência e 54o da
República.
e) ter sido homologada pelo Supremo
Tribunal Federal. (Vide art.105, I, i da GETULIO VARGAS
Constituição Federal). Alexandre Marcondes Filho
Oswaldo Aranha.
Parágrafo único. (Revogado pela Lei
nº 12.036, de 2009). Este texto não substitui o publicado no
DOU de 9.9.1942
Art. 16. Quando, nos termos dos artigos
precedentes, se houver de aplicar a lei
estrangeira, ter-se-á em vista a disposição
desta, sem considerar-se qualquer
remissão por ela feita a outra lei.