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Caderno Processo do Trabalho

FONTES E PRINCÍPIOS

a. Formais (dizem respeito à exteriorização do direito)


- Diretas/imediatas (tem força de criar uma regra)
Ex: lei, constituição

- Indiretas/mediatas (não terá a força normativa)


Ex: Doutrina e Jurisprudência.

- Explicitação/integrativas. Ex: art. 8º da CLT.


Se houver uma lacuna ou obscuridade deve-se utilizar uma forma de integração.

Art. 8º - As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de


disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela
jurisprudência, por analogia, por eqüidade e outros princípios e normas gerais de
direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de acordo com os usos e
costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de
classe ou particular prevaleça sobre o interesse público.

Parágrafo único - O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho,


naquilo em que não for incompatível com os princípios fundamentais deste.

§ 1º O direito comum será fonte subsidiária do direito do trabalho.

§ 2o Súmulas e outros enunciados de jurisprudência editados pelo Tribunal


Superior do Trabalho e pelos Tribunais Regionais do Trabalho não poderão
restringir direitos legalmente previstos nem criar obrigações que não estejam
previstas em lei

§ 3o No exame de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, a Justiça


do Trabalho analisará exclusivamente a conformidade dos elementos essenciais
do negócio jurídico, respeitado o disposto no art. 104 da Lei no 10.406, de 10 de
janeiro de 2002 (Código Civil), e balizará sua atuação pelo princípio da
intervenção mínima na autonomia da vontade coletiva.

b. Materiais (antecedem a edição da norma)


Fatores sociais, políticos e econômicos que forçam a edição de leis e normas.
EFICÁCIA DA LEI PROCESSUAL
2.1 No tempo:
a. Teoria da unidade processual
Observa-se a legislação em vigor da data do ajuizamento que vale. Não é utilizada
no direito processual.

b. Teoria das fases processuais


O processo é divido em fases: postularia, ordinatória, instrutória e decisória. A
nova legislação terá aplicabilidade somente na fase seguinte, posterior ou
subsequente.

c. Teoria do isolamento dos atos processuais


Art. 912 - Os dispositivos de caráter imperativo terão aplicação imediata às relações
iniciadas, mas não consumadas, antes da vigência desta Consolidação.
Para essa teoria o processo é divido em atos. Leva-se em consideração a lei vigente
na prática do ato. Tem aplicação imediata. “TEMPUS REGIT ACTUM”.
Adotado pela CLT. Ex: Reforma Trabalhista.
Obs: IN 41/2018: Direito intertemporal.

1.2 No espaço
Leva-se em consideração o princípio da territorialidade.
PRINCÍPIOS
Os princípios têm função inspiradora, interpretativa e integrativa (quando houver
lacunas ou obscuridade).

3.1 Princípios constitucionais

I. Do devido processo legal (CF, art. 5º, LIV)


II. Do juiz natural (CF, art. 5º, XXXVII)
III. Da Isonomia (art. 5º da CF, art. 7º e art. 139, I, do CPC)
IV. Da inafastabilidade da jurisdição (art. 5º, XXXV da CF e art. 3º do CPC)
V. Do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LV da CF e art. 9º e 10º do CPC)
- Para evitar a decisão supressa. IN n.39 do TST
VI. Da motivação das decisões judiciais (art. 93, IX da CF e art.11 do CPC)
VII. Da publicidade (art. 770 da CLT e art. 5º, LX, da CF)
VIII. Da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII da CF, art. 4º, CPC e art.
765 da CLT)

1.3 Princípios do CPC


a. Princípio da primazia da decisão de mérito (art. 4º do CPC)
b. Princípio da cooperação (art. 6º do CPC)
c. Princípio da boa-fé (art. 5º do CPC)

3.3 Princípios do Direito Processual do Trabalho


a. Da aplicação subsidiária (art. 769 e art. 889 da CLT)
Art. 769 - Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do
direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas
deste Título. Aplica-se ao processo de conhecimento.

Art. 889 - Aos trâmites e incidentes do processo da execução são aplicáveis, naquilo em
que não contravierem ao presente Título, os preceitos que regem o processo dos
executivos fiscais para a cobrança judicial da dívida ativa da Fazenda Pública Federal.
Aplica-se ao processo de execução. Ou seja, CLT, Lei de Execução Fiscal e CPC.
CLT = direito material e processual. Levando em consideração que nem tudo está
tratado na CLT, utiliza-se o CPC de forma subsidiaria (se houver omissão e
aplicabilidade/compatibilidade).
Ex: Litisconsortes não se aplica, pois, a Justiça do Trabalho prima pela celeridade).
b. Princípio da oralidade
Exemplos: reclamação trabalhista (RT) pode ser verbal ou escrita. A defesa pode ser
oral ou escrita e também as razões finais.
c. Princípio da conciliação
Todos os processos estão sujeitos a conciliação, independentemente da fase em que ele
se encontra.
Juiz conciliatório do rito ordinário e sumaríssimo.
No procedimento ordinário deve se ter dois momentos conciliatórios obrigatórios, sob
pena de nulidade.
Art. 850 - Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões finais, em prazo não
excedente de 10 (dez) minutos para cada uma. Em seguida, o juiz ou presidente
renovará a proposta de conciliação, e não se realizando esta, será proferida a decisão.

Já no sumaríssimo só tem um obrigatório (nada impede que possa conciliar as partes


em outro momento).
Art. 852-E. Aberta a sessão, o juiz esclarecerá as partes presentes sobre as vantagens da
conciliação e usará os meios adequados de persuasão para a solução conciliatória do
litígio, em qualquer fase da audiência.

Art. 764 - Os dissídios individuais ou coletivos submetidos à apreciação da Justiça do


Trabalho serão sempre sujeitos à conciliação.
§ 1º - Para os efeitos deste artigo, os juízes e Tribunais do Trabalho empregarão sempre
os seus bons ofícios e persuasão no sentido de uma solução conciliatória dos conflitos.

§ 2º - Não havendo acordo, o juízo conciliatório converter-se-á obrigatoriamente em


arbitral, proferindo decisão na forma prescrita neste Título.

§ 3º - É lícito às partes celebrar acordo que ponha termo ao processo, ainda mesmo
depois de encerrado o juízo conciliatório.

O juiz é obrigado a homologar acordo?


Com a reforma trabalhista tem-se um novo processo que é denominado processo de
jurisdição voluntária, de homologação, de acordo extrajudicial. E também temos os
processos contenciosos.
TST 418. A homologação do acordo é uma faculdade do Juiz.

Súmula nº 418 do TST


MANDADO DE SEGURANÇA VISANDO À HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO
(nova redação em decorrência do CPC de 2015) - Res. 217/2017 - DEJT divulgado em
20, 24 e 25.04.2017
A homologação de acordo constitui faculdade do juiz, inexistindo direito líquido e certo
tutelável pela via do mandado de segurança.

d. Princípio do ius postulandi


Ambas as partes podem postular em juízo (empregado e empregado),
independentemente de estar representado por advogado.
- Art. 791 da CLT
Art. 791 - Os empregados e os empregadores poderão reclamar pessoalmente
perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas reclamações até o final.

- Súmula nº 425 do TST


Súmula n. 425 IUS POSTULANDI NA JUSTIÇA DO TRABALHO.
ALCANCE. Res. 165/2010, DEJT divulgado em 30.04.2010 e 03 e 04.05.2010
O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas
do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação
rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de
competência do Tribunal Superior do Trabalho.

TST: somente se aplica para instancias ordinárias e somente nas varas regionais
do trabalho ou tribunais do trabalho. Exceções: ação rescisória, ação cautelar,
mandado de segurança e recursos de competência do TST. Nessas hipóteses
precisa de advogado.

e. Princípio da normatização coletiva


Regra Geral: não cabe ao Poder Judiciário legislar. Somente aplicar a lei ao
caso concreto.
A justiça do Trabalho é a única que pode criar leis gerais e abstratas de
aplicabilidade da categoria. Exemplo disso é o dissídio coletivo e a sentença
normativa. Sentença que cria leis entre as partes. A JT é a única Justiça que pode
criar regras
ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO
A justiça do Trabalho é um ramo da justiça especializada.
Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho:
I - o Tribunal Superior do Trabalho;
II - os Tribunais Regionais do Trabalho;
III - Juizes do Trabalho.

TST = órgão de cúpula e jurisdição em território nacional.


Papel: uniformizar a interpretação da legislação trabalhista no âmbito de sua
competência.
Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compor-se-á de vinte e sete Ministros,
escolhidos dentre brasileiros com mais de trinta e cinco anos e menos de sessenta e
cinco anos, de notável saber jurídico e reputação ilibada, nomeados pelo Presidente da
República após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal, sendo: 
I um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e
membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício,
observado o disposto no art. 94;      
II os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos da
magistratura da carreira, indicados pelo próprio Tribunal Superior.  
§ 2º Funcionarão junto ao Tribunal Superior do Trabalho
I a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho,
cabendo-lhe, dentre outras funções, regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e
promoção na carreira; 
II o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, cabendo-lhe exercer, na forma da lei, a
supervisão administrativa, orçamentária, financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho
de primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema, cujas decisões terão efeito
vinculante. 
§ 3º  Compete ao Tribunal Superior do Trabalho processar e julgar, originariamente, a
reclamação para a preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas
decisões.   

TRT’s
Atualmente temos 24 TRT’s. Tem na sua composição no mínimo 7 juízes, sendo
nomeados pelo PR e não há sabatina. Para ser juiz do TRT basta ser:
 Brasileiro;
 Maior de 30 anos e menos 60 de idade.

Art. 115. Os Tribunais Regionais do Trabalho compõem-se de, no mínimo, sete juízes, recrutados,
quando possível, na respectiva região, e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com
mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos, sendo:         

I um quinto dentre advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do
Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, observado o disposto no art.
94

II os demais, mediante promoção de juízes do trabalho por antigüidade e merecimento,


alternadamente

§ 1º Os Tribunais Regionais do Trabalho instalarão a justiça itinerante, com a realização de


audiências e demais funções de atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva jurisdição,
servindo-se de equipamentos públicos e comunitários

§ 2º Os Tribunais Regionais do Trabalho poderão funcionar descentralizadamente, constituindo


Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do
processo.  

Juízes do Trabalho

Mediante aprovação em concurso público. Art. 93, inciso I.

Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá


sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios:

I - ingresso na carreira, cujo cargo inicial será o de juiz substituto, mediante


concurso público de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do
Brasil em todas as fases, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de
atividade jurídica e obedecendo-se, nas nomeações, à ordem de classificação;

Competência da JT

Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:

I - as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público


externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios;

Relação de trabalho é gênero. Ela comporta diversas espécies, Então qualquer tipo de
prestação de serviço é uma relação de trabalho. A competência foi alargada.
A justiça NÃO JULGA:

 Matéria penal;

 Relação de consumo;

 Ação de cobrança de profissional liberal contra cliente.

A JT TEM COMPETENCIA PARA JULGAR relação de trabalho de ente direito


público externo.

 Estados estrangeiros;

 Embaixadas;

 repartições consulares;

organismos internacionais

Posicionamento do STF sobre a matéria: Mas deve-se diferenciar os atos de império


(decorre da soberania) ou ato de gestão (equiparado a particular). Mas para executar
somente mediante carta rogatória. A regra geral é de IMUNIDADE de jurisdição e
execução. A imunidade de execução admite exceções quando houver renuncia ou bens
desvinculados.
PROCEDIMENTOS

1. COMUM a. RITO SUMÁRIO

b. SUMARÍSSIMO

c.ORDINÁRIO

Obs: a literalidade do art. 852 fala em até 40 SM

Art. 852-A. Os dissídios individuais cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário
mínimo vigente na data do ajuizamento da reclamação ficam submetidos ao
procedimento sumaríssimo.

a. Procedimento sumário
Decisão irrecorrível: salvo se tratar de matéria constitucional.
b. Procedimento sumaríssimo
Parágrafo único do art. 852-A. Estão excluídas do procedimento sumaríssimo as
demandas em que é parte a Administração Pública direta, autárquica e fundacional.

Art. 852-B. Nas reclamações enquadradas no procedimento sumaríssimo:

I - o pedido deverá ser certo ou determinado e indicará o valor correspondente;


II - não se fará citação por edital, incumbindo ao autor a correta indicação do nome e
endereço do reclamado;

Se os incisos forem descumpridos os processos serão extintos sem resolução do mérito e


arquivados. Importam inclusive em pagamento de custas.
§ 1º O não atendimento, pelo reclamante, do disposto nos incisos I e II deste artigo
importará no arquivamento da reclamação e condenação ao pagamento de custas sobre o
valor da causa

Ao fazer a PI o advogado deverá que cuidar de colocar o endereço atualizado. Durante o


curso do processo se o advogado trocar o local do seu escritório ou a parte mudar de
endereço, é obrigação deles atualizar. Se não atualizar, as intimações será consideradas
válidas. Se informar um local e não

§ 2º As partes e advogados comunicarão ao juízo as mudanças de endereço ocorridas no


curso do processo, reputando-se eficazes as intimações enviadas ao local anteriormente
indicado, na ausência de comunicação.

Audiência no procedimento sumaríssimo é única (uma). Nessa audiência todas as


etapas (A inaugural A de instrução e a de julgamento.) acontecem num único momento.

Art. 852-C. As demandas sujeitas a rito sumaríssimo serão instruídas e julgadas em


audiência única, sob a direção de juiz presidente ou substituto, que poderá ser
convocado para atuar simultaneamente com o titular.

No procedimento sumaríssimo apenas uma sessão de conciliação é obrigatória.

Art. 852-E. Aberta a sessão, o juiz esclarecerá as partes presentes sobre as vantagens da
conciliação e usará os meios adequados de persuasão para a solução conciliatória do
litígio, em qualquer fase da audiência.

Qualquer questão incidental será decidida de imediato, as demais na sentença.

Art. 852-G. Serão decididos, de plano, todos os incidentes e exceções que possam
interferir no prosseguimento da audiência e do processo. As demais questões serão
decididas na sentença.

Todas as provas serão realizadas na AIJ ainda que não requeridas previamente. Já
quanto a prova documental, o juiz irá receber e no mesmo momento abrirá vista para a
parte contrária se manifestar imediatamente.

Art. 852-H. Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento,


ainda que não requeridas previamente.

§ 1º Sobre os documentos apresentados por uma das partes manifestar-se-á


imediatamente a parte contrária, sem interrupção da audiência, salvo absoluta
impossibilidade, a critério do juiz.

As testemunhas serão levadas espontaneamente e se não comparecer a parte deve


comprovar ao juiz que fez o convite. Nesse caso o juiz irá intimar, sob pena de ser
conduzida coercitivamente.
§ 2º As testemunhas, até o máximo de duas para cada parte, comparecerão à audiência
de instrução e julgamento independentemente de intimação.
§ 3º Só será deferida intimação de testemunha que, comprovadamente convidada, deixar
de comparecer. Não comparecendo a testemunha intimada, o juiz poderá determinar sua
imediata condução coercitiva.

Cabe produção de prova pericial no sumaríssimo? Pode quando a prova do fato


exigir ou legalmente imposta.

§ 4º Somente quando a prova do fato o exigir, ou for legalmente imposta, será deferida
prova técnica, incumbindo ao juiz, desde logo, fixar o prazo, o objeto da perícia e
nomear perito.
§ 6º As partes serão intimadas a manifestar-se sobre o laudo, no prazo comum de cinco
dias

A sentença no procedimento sumaríssimo é DISPENSÁVEL !

Art. 852-I. A sentença mencionará os elementos de convicção do juízo, com resumo dos
fatos relevantes ocorridos em audiência, dispensado o relatório.

Fracionada
PT Notificação Audiência
1. Inaugural
2. Instrução
3. Julgamento
Una
1. Inaugural, instrução e
julgamento.
PRAZOS PROCESSUAIS

Aula 21/09 –

Classificação:

1. Legais

São ditados pela lei. São prazos peremptórios.

2. Judiciais

É aquele assinado pelo juiz. Não há previsão legal e o juiz pode arbitrar.

3. Convencionais

Decorre de um consenso entre as partes.

Não havendo nenhum comando acerca de prazos, consigna-se o prazo de 5 dias previsto
no CPC.

Art. 795 - As nulidades não serão declaradas senão mediante provocação das partes, as
quais deverão argüi-las à primeira vez em que tiverem de falar em audiência ou nos
autos.

Nesse caso do artigo 795 o prazo é o momento da audiência. Se o juiz indefere um


petição da Milena, por exemplo, de incompetência de foro, esse julgamento é
irrecorrível. Nesse caso, o que deve ser feito? Lançar o protesto. Qual o prazo? Não tem
prazo, mas deve-se valer do art. 218. Parágrafo 3:

Art. 218. Os atos processuais serão realizados nos prazos prescritos em lei.
§ 3º Inexistindo preceito legal ou prazo determinado pelo juiz, será de 5 (cinco) dias o
prazo para a prática de ato processual a cargo da parte.

Deve ser feito o necessário e respeitoso protesto, sob risco de não prequestionamento.

Contagem dos prazos processuais

Art. 775 da CLT, modificado pela Reforma Trabalhista.


Vigia a ideia, vinculada aos princípios da economia e celeridade, os prazos eram dias
corridos. Mas com lobby forte dos advogados, os prazos na JT também foram dilatados.
Com isso perdeu-se a celeridade, pois os prazos são contados em dia útil.
Art. 775. Os prazos estabelecidos neste Título serão contados em dias úteis, com
exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento. (Redação dada
pela Lei nº 13.467, de 2017)

§ 1o Os prazos podem ser prorrogados, pelo tempo estritamente necessário, nas


seguintes hipóteses: (Incluído dada pela Lei nº 13.467, de 2017)

I - quando o juízo entender necessário; (Incluído dada pela Lei nº 13.467, de


2017)

II - em virtude de força maior, devidamente comprovada. (Incluído dada


pela Lei nº 13.467, de 2017)

§ 2o Ao juízo incumbe dilatar os prazos processuais e alterar a ordem de produção dos


meios de prova, adequando-os às necessidades do conflito de modo a conferir maior
efetividade à tutela do direito. (Incluído dada pela Lei nº 13.467, de 2017).

Mesmo nos prazos peremptórios e legais, podem, extraordinariamente, serem dilatados.


São os casos dos incisos I, II e III.

A reforma trabalhista aumentou bastante o poder discricionário do juiz. Mas esse poder
não poder ser exercido de forma arbitrária. Exemplo: pode alterar a ordem de
testemunho da audiência, mas sempre calcada no princípio da aptidão da prova. O Juiz
deve ser comedido no uso dessa prerrogativa para não ferir a ampla defesa e o
contraditório. Portanto, deve existir toda atenção do advogado. Qualquer desvio dessa
finalidade dever ser imediatamente lançada em protesto (se for no caso de audiência) ou
então valendo-se do prazo de 5 dias do art. 218 do CPC.

Súmula nº 1 do TST
PRAZO JUDICIAL (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003
Quando a intimação tiver lugar na sexta-feira, ou a publicação com efeito de intimação
for feita nesse dia, o prazo judicial será contado da segunda-feira imediata, inclusive,
salvo se não houver expediente, caso em que fluirá no dia útil que se seguir.

Súmula nº 16 do TST
NOTIFICAÇÃO (nova redação) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003
Presume-se recebida a notificação 48 (quarenta e oito) horas depois de sua postagem. O
seu não-recebimento ou a entrega após o decurso desse prazo constitui ônus de prova do
destinatário.

Atentar para o verbo PRESUMIR. Ou seja, é uma presunção iures tantum. Desse
modo, não ocorrendo dessa forma, caberá ao destinatário provar o alegado.
Súmula nº 262 do TST
PRAZO JUDICIAL. NOTIFICAÇÃO OU INTIMAÇÃO EM SÁBADO. RECESSO
FORENSE. (redação do item II alterada na sessão do Tribunal Pleno realizada em
19.05.2014) – Res. 194/2014, DEJT divulgado em 21, 22 e 23.05.2014
I - Intimada ou notificada a parte no sábado, o início do prazo se dará no primeiro dia
útil imediato e a contagem, no subsequente. (ex-Súmula nº 262 - Res. 10/1986, DJ
31.10.1986)
II - O recesso forense e as férias coletivas dos Ministros do Tribunal Superior do
Trabalho suspendem os prazos recursais. (ex-OJ nº 209 da SBDI-1 - inserida em
08.11.2000)

Aqui há uma situação paradoxal com a Súmula 1. Se a intimação ocorrer no sábado, o


início do prazo ocorrerá no primeiro dia imediato e a contagem, no subsequente. Ou
seja, se ocorre no sábado, o prazo só começa a correr na terça-feira.

Quanto aos prazos comuns, tem-se o art. 852-H, p. 6º. Prazo comum para manifestar
sobre o laudo (5 dias).

Art. 852-H. Todas as provas serão produzidas na audiência de instrução e julgamento,


ainda que não requeridas previamente. (Incluído pela Lei nº 9.957, de 2000)
§ 6º As partes serão intimadas a manifestar-se sobre o laudo, no prazo comum de cinco
dias. (Incluído pela Lei nº 9.957, de 2000)

No art. 879, p. 2º. Prazo comum para dar as partes de impugnarem o cálculo de
liquidação.

Art. 879 - Sendo ilíquida a sentença exeqüenda, ordenar-se-á, previamente, a sua


liquidação, que poderá ser feita por cálculo, por arbitramento ou por artigos.
(Redação dada pela Lei nº 2.244, de 23.6.1954)
§ 2o Elaborada a conta e tornada líquida, o juízo deverá abrir às partes prazo comum de
oito dias para impugnação fundamentada com a indicação dos itens e valores objeto da
discordância, sob pena de preclusão. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de
2017)

No art. 884, p. 2º. Nesse caso, não se trata de prazo comum, mas sim de uma preclusão
caso a parte não exerça seu direito de no prazo consignado no art. 879, p. 2º. Seria a
segunda oportunidade que tem o exequente. É caso de preclusão lógica. Se concordar,
não se manifestando nos termos do art. 879, não terá a oportunidade de fazê-lo aqui, no
art. 884, p. 2º.
Art. 884 - Garantida a execução ou penhorados os bens, terá o executado 5 (cinco) dias
para apresentar embargos, cabendo igual prazo ao exeqüente para impugnação.
§ 2º - Se na defesa tiverem sido arroladas testemunhas, poderá o Juiz ou o Presidente do
Tribunal, caso julgue necessários seus depoimentos, marcar audiência para a produção
das provas, a qual deverá realizar-se dentro de 5 (cinco) dias.

Os prazos para os entes públicos também sofreram alterações com o CPC 2015. São as
disposições do art. 183. Os prazos serão contados em dobro e com intimação
pessoal.

Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas


autarquias e fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas
manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal.
§ 1º A intimação pessoal far-se-á por carga, remessa ou meio eletrônico.
§ 2º Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma
expressa, prazo próprio para o ente público.

Os prazos do art. 183 são contados em dobro, mas como operacionalizar isso no prazo
de defesa. O prazo de defesa está consignado no art, 847.

Art. 847 - Não havendo acordo, o reclamado terá vinte minutos para aduzir sua defesa,
após a leitura da reclamação, quando esta não for dispensada por ambas as partes.
(Redação dada pela Lei nº 9.022, de 5.4.1995)
Parágrafo único. A parte poderá apresentar defesa escrita pelo sistema de processo
judicial eletrônico até a audiência.

Para os entes privados o prazo é 20 minutos para os entes públicos será 40 minutos?
Não parece razoável.

Qual a solução? Segundo o professor seria a aplicação da regra do art. 841, caput da
CLT.

Art. 841 - Recebida e protocolada a reclamação, o escrivão ou secretário, dentro de 48


(quarenta e oito) horas, remeterá a segunda via da petição, ou do termo, ao reclamado,
notificando-o ao mesmo tempo, para comparecer à audiência do julgamento, que será a
primeira desimpedida, depois de 5 (cinco) dias.
§ 1º - A notificação será feita em registro postal com franquia. Se o reclamado criar
embaraços ao seu recebimento ou não for encontrado, far-se-á a notificação por edital,
inserto no jornal oficial ou no que publicar o expediente forense, ou, na falta, afixado na
sede da Junta ou Juízo.
§ 2º - O reclamante será notificado no ato da apresentação da reclamação ou na forma
do parágrafo anterior.
§ 3o Oferecida a contestação, ainda que eletronicamente, o reclamante não poderá, sem
o consentimento do reclamado, desistir da ação.
Trata-se do interstício entre a data da notificação e da realização da audiência. Esse
seria o prazo razoável para o reclamado formular sua defesa. Nesse caso o ente público
teria o prazo em dobro. Considera-se para o ente público em vez de 5 dias, 10 dias
úteis.
Outro prazo ou tempo a ser observado art. 815 p. 2º da CLT. Tempo que o juiz deve
aguardar antes do início dos trabalhos. Se o juiz não chegar as partes podem ir embora.

Art. 815 - À hora marcada, o juiz ou presidente declarará aberta a audiência, sendo feita
pelo secretário ou escrivão a chamada das partes, testemunhas e demais pessoas que
devam comparecer. (Vide Leis nºs 409, de 1943 e 6.563, de 1978)

Parágrafo único - Se, até 15 (quinze) minutos após a hora marcada, o juiz ou presidente
não houver comparecido, os presentes poderão retirar-se, devendo o ocorrido constar do
livro de registro das audiências.

No art. 850 estão dispostos os prazos em relação às razões finais que serão detalhados
em outra aula.

PARTES

Aula 26/09/20

Parte é aquele que demanda em seu nome próprio (ou em cujo nome é demandado)
atuação de uma vontade da lei. E aquele em face de quem essa atuação é demandada.

Hipótese de legitimação

Legitimação ordinária = pleiteia o direito em próprio nome. Quer seja pelo ius
postulandi ou por meio de seus procuradores.

Substituição processual

CLT: Art. 842 - Sendo várias as reclamações e havendo identidade de matéria, poderão
ser acumuladas num só processo, se se tratar de empregados da mesma empresa ou
estabelecimento.

Porém, o juiz poderá limitar os números de litigantes em litisconsórcio ativo


conforme art. 113 do CPC.

Art. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa
ou passivamente, quando:
I - entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações relativamente à lide;
II - entre as causas houver conexão pelo pedido ou pela causa de pedir;
III - ocorrer afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito.
§ 1º O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de
litigantes na fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou na execução,
quando este comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa ou o
cumprimento da sentença.
§ 2º O requerimento de limitação interrompe o prazo para manifestação ou resposta, que
recomeçará da intimação da decisão que o solucionar.

O litisconsórcio poderá ser facultativo ou necessário.

  Art. 114. O litisconsórcio será necessário por disposição de lei ou quando, pela
natureza da relação jurídica controvertida, a eficácia da sentença depender da citação de
todos que devam ser litisconsortes.

Das partes e dos procuradores na Justiça do Trabalho

Art. 791 - Os empregados e os empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a


Justiça do Trabalho e acompanhar as suas reclamações até o final.
§ 1º - Nos dissídios individuais os empregados e empregadores poderão fazer-se
representar por intermédio do sindicato, advogado, solicitador, ou provisionado, inscrito
na Ordem dos Advogados do Brasil.
§ 2º - Nos dissídios coletivos é facultada aos interessados a assistência por advogado.
§ 3o  A constituição de procurador com poderes para o foro em geral poderá ser
efetivada, mediante simples registro em ata de audiência, a requerimento verbal do
advogado interessado, com anuência da parte representada.                  (Incluído pela Lei
nº 12.437, de 2011)

A parte pode ingressar independentemente da presença de advogados (assim como pode


ocorrer nas ações de competência dos juizados). A partir da CF/88 muitos pensam que
teriam extinto o ius postulandi. Mas, na verdade está em plena vigência, embora pouco
utilizado.
O ius postulandi é uma faculdade que tem a parte, seja reclamante, seja reclamado.
Contudo, ao mesmo tempo que é uma faculdade é também um risco. Estará melhor
assistido aquele que estiver representado por advogado.
O ius postulandi não legitima a parte para impetrar revista ao TRT.

SÚMULA Nº 425 - JUS POSTULANDI NA JUSTIÇA DO TRABALHO. ALCANCE.


O jus postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se às Varas do
Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não alcançando a ação rescisória, a
ação cautelar, o mandado de segurança e os recursos de competência do Tribunal
Superior do Trabalho.

Recurso para TST, Ação cautelar, manado de segurança e as ações rescisórias não estão
amparadas pelo ius postulandi.

Mandado tácito. Basta a assinatura na ata audiência para formalizar a representação do


cliente pelo advogado. É o que diz o art. 791, p. 3º.
§ 3o  A constituição de procurador com poderes para o foro em geral poderá ser
efetivada, mediante simples registro em ata de audiência, a requerimento verbal do
advogado interessado, com anuência da parte representada

Honorários
Antes da reforma não existiam pagamento de honorários ao procurador da parte. Com o
advento da lei 13467 essa condenação em honorários advocatícios começou a existir.
Mesmo no caso de ser ius postulandi a cobrança de honorários será devida.

Art. 791-A.  Ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos honorários
de sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% (cinco por cento) e o máximo de 15%
(quinze por cento) sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito
econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da
causa.                     (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
§ 1o  Os honorários são devidos também nas ações contra a Fazenda Pública e nas ações
em que a parte estiver assistida ou substituída pelo sindicato de sua
categoria.                  (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
§ 2o  Ao fixar os honorários, o juízo observará:                  (Incluído pela Lei nº 13.467,
de 2017)
I - o grau de zelo do profissional;                  (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
II - o lugar de prestação do serviço;                 (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
III - a natureza e a importância da causa;                     (Incluído pela Lei nº 13.467, de
2017)
IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu
serviço.                   (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
§ 3o  Na hipótese de procedência parcial, o juízo arbitrará honorários de sucumbência
recíproca, vedada a compensação entre os honorários.                   (Incluído pela Lei nº
13.467, de 2017)
§ 4o  Vencido o beneficiário da justiça gratuita, desde que não tenha obtido em juízo,
ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a despesa, as obrigações
decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e
somente poderão ser executadas se, nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado
da decisão que as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação de
insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-se,
passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário.                    (Incluído pela Lei nº
13.467, de 2017)
§ 5o  São devidos honorários de sucumbência na reconvenção. 

Litigância de má-fé, ato atentatório contra o bom andamento da justiça

Art. 80. Considera-se litigante de má-fé aquele que:


I - deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso;
II - alterar a verdade dos fatos;
III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal;
IV - opuser resistência injustificada ao andamento do processo;
V - proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo;
VI - provocar incidente manifestamente infundado;
VII - interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório.

Art. 793-A.  Responde por perdas e danos aquele que litigar de má-fé como reclamante,
reclamado ou interveniente.                (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
  Art. 793-B. Considera-se litigante de má-fé aquele que:                    (Incluído pela Lei
nº 13.467, de 2017)
I - deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato
incontroverso;                   (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
II - alterar a verdade dos fatos;                   (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
III - usar do processo para conseguir objetivo ilegal;                    (Incluído pela Lei nº
13.467, de 2017)
IV - opuser resistência injustificada ao andamento do processo;                  (Incluído pela
Lei nº 13.467, de 2017)
V - proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do
processo;                  (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
VI - provocar incidente manifestamente infundado;                    (Incluído pela Lei nº
13.467, de 2017)
VII - interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório. 

Art. 793-C.  De ofício ou a requerimento, o juízo condenará o litigante de má-fé a pagar
multa, que deverá ser superior a 1% (um por cento) e inferior a 10% (dez por cento) do
valor corrigido da causa, a indenizar a parte contrária pelos prejuízos que esta sofreu e a
arcar com os honorários advocatícios e com todas as despesas que
efetuou.                  (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
§ 1o  Quando forem dois ou mais os litigantes de má-fé, o juízo condenará cada um na
proporção de seu respectivo interesse na causa ou solidariamente aqueles que se
coligaram para lesar a parte contrária.                    (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
§ 2o  Quando o valor da causa for irrisório ou inestimável, a multa poderá ser fixada em
até duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência
Social.                  (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
§ 3o  O valor da indenização será fixado pelo juízo ou, caso não seja possível mensurá-
lo, liquidado por arbitramento ou pelo procedimento comum, nos próprios autos.  

A testemunha também estará submetida à litigância de má-fé:

Art. 793-D.  Aplica-se a multa prevista no art. 793-C desta Consolidação à testemunha
que intencionalmente alterar a verdade dos fatos ou omitir fatos essenciais ao
julgamento da causa.                    (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
Parágrafo único.  A execução da multa prevista neste artigo dar-se-á nos mesmos autos. 

INTERVENÇÃO DE TERCEIROS
Se trata da situação que permite que terceiros interessados ingressem na lide a pedido da
parte ou por oficio. O primeiro caso é a assistência.
Assistência

Art. 119. Pendendo causa entre 2 (duas) ou mais pessoas, o terceiro juridicamente
interessado em que a sentença seja favorável a uma delas poderá intervir no processo
para assisti-la.
Embora diga que ele pode intervir em qualquer grau de jurisdição, podemos dizer que
essa assistência só ocorre na fase cognitiva e não na execução.

Súmula nº 82 do TST
ASSISTÊNCIA (nova redação) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003
A intervenção assistencial, simples ou adesiva, só é admissível se demonstrado o
interesse jurídico e não o meramente econômico.

Ex: Sindicato intervir num processo quando se discute uma representação da base
(disputa sindical). Uma ação que se discute quem representa essa categoria, é possível
um terceiro sindicato ingressar como assistente (litisconsórcio assistencial).
Simples = pedindo a original a adesão.
Adesiva = quando alguém ingressa com deferimento como assistente. Por adesão de
outra entidade.

Oposição

Art. 682. Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que
controvertem autor e réu poderá, até ser proferida a sentença, oferecer oposição contra
ambos.

Na oposição se tem um interesse oposto ao dos litigantes. Ex: disputa sindical. O


oponente tem interesse divergente entre autor e réu. Ex: sindicato A se diz representa da
categoria. O B diz, não só eu o representante. Daí entra um terceiro sindicato, como
oponente, opondo os interesses de A e B, se postulando como verdadeiro representante
da categoria.

Denunciação da lide

Art. 125. É admissível a denunciação da lide, promovida por qualquer das partes:
I - ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi transferido ao
denunciante, a fim de que possa exercer os direitos que da evicção lhe resultam;(não se
aplica ao processo do trabalho)

II - àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação
regressiva, o prejuízo de quem for vencido no processo.(admitível no processo do
trabalho)

§ 1º O direito regressivo será exercido por ação autônoma quando a denunciação da lide
for indeferida, deixar de ser promovida ou não for permitida.

§ 2º Admite-se uma única denunciação sucessiva, promovida pelo denunciado, contra


seu antecessor imediato na cadeia dominial ou quem seja responsável por indenizá-lo,
não podendo o denunciado sucessivo promover nova denunciação, hipótese em que
eventual direito de regresso será exercido por ação autônoma.

O principal objetivo da denunciação da lide é antecipar uma ação que o denunciante


poderia propor após a eventual sucumbência na demanda principal, uma vez que no
mesmo processo surgem duas relações jurídicas processuais. Na denunciação da lide, a
sentença conterá dois títulos, uma vez que julgará tanto a lide entre as partes originárias
quanto a lide que decorre da denunciação. Parece-nos incabível a denunciação da lide
no Processo do Trabalho na hipótese do inciso I do art. 125 do CPC. Há, todavia,
cizânia doutrinária e jurisprudencial no tocante ao inciso II do mesmo artigo, sendo a
hipótese mais citada a prevista no art. 455 da CLT, que trata da responsabilidade
subsidiária do empreiteiro em relação aos débitos trabalhistas não adimplidos pelo
subempreiteiro, pois, se o empreiteiro cumpre a obrigação, a lei lhe assegura direito de
regresso em face
do subempreiteiro.
Pensamos ser incabível a denunciação da lide em tal hipótese, pois a Justiça do
Trabalho é incompetente para processar e julgar a segunda lide, ou seja, aquela que
surge entre o denunciante (empreiteiro) e o denunciado (subempreiteiro), pois ambos se
encontram na relação processual na qualidade de corresponsáveis pelas obrigações
trabalhistas, isto é, como “empregadores”.
Outro exemplo de discutível cabimento da denunciação da lide na seara laboral é o
previsto no art. 486 da CLT, que trata do chamado factum principis. Essa norma,
entretanto, utiliza impropriamente a expressão “chamamento à autoria”, consentânea
com o CPC de 1939. Ressalte-se que a interpretação lógica do art. 486 da CLT autoriza
a conclusão de que a expressão “chamamento à autoria” deve ser substituída por
“denunciação da lide”.

Chamamento ao processo

É modalidade de intervenção de terceiro provocada que estava disciplinada nos arts. 77


a 80 do CPC/73. O CPC regula o instituto do chamamento ao processo nos arts. 130 a
132.
Com efeito, dispõe o art. 130 do CPC que é admissível o chamamento ao processo,
requerido pelo réu:
I – do afiançado, na ação em que o fiador for réu;
II – dos demais fiadores, na ação proposta contra um ou alguns deles;
III – dos demais devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns o
pagamento da dívida comum.

Do Amicus Curiae

Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do


tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão
irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se,
solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade
especializada, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua
intimação.
§ 1º A intervenção de que trata o caput não implica alteração de competência nem
autoriza a interposição de recursos, ressalvadas a oposição de embargos de declaração e
a hipótese do § 3º.
§ 2º Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou admitir a intervenção,
definir os poderes do amicus curiae .
§ 3º O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o incidente de resolução de
demandas repetitivas.

Outra modalidade de intervenção de terceiros introduzida pelo CPC é o amicus curiae.


Trata-se de uma figura que pode contribuir para a democratização do acesso ao
Judiciário e às decisões judiciais, especialmente naquelas situações em que o Direito,
por si só, não se revela suficiente para a resolução justa e adequada dos conflitos
sociais.

É importante ressaltar que, nos termos do § 1º do art. 138 do CPC, a intervenção do


amicus curiae não implica alteração de competência nem autoriza a interposição de
recursos, ressalvadas a oposição de embargos de declaração e o recurso da decisão que
julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas.
Os poderes do amicus curiae na relação processual serão determinados pelo magistrado
que solicitar ou admitir esta modalidade de intervenção de terceiro (CPC, art. 138, § 2º).