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INFORMATIVO esquematizado

Informativo 527 – STJ


Márcio André Lopes Cavalcante

DIREITO ADMINISTRATIVO

Servidor removido em concurso de remoção:


seu cônjuge não tem direito à remoção para acompanhá-lo

O servidor público federal não tem direito de ser removido a pedido, independentemente do
interesse da Administração, para acompanhar seu cônjuge, também servidor público, que fora
removido em razão de aprovação em concurso de remoção.
Processo STJ. 1ª Turma. AgRg no REsp 1.290.031-PE, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 20/8/2013.

Para o STJ, a ação de improbidade contra agentes políticos é de competência do juízo de 1ª instância

Para o STJ, a ação de improbidade administrativa deve ser processada e julgada nas instâncias
ordinárias, ainda que proposta contra agente político que tenha foro privilegiado no âmbito
penal e nos crimes de responsabilidade.
Processo STJ. Corte Especial. AgRg na Rcl 12.514-MT, Rel. Min. Ari Pargendler, julgado em 16/9/2013.

DIREITO CIVIL

Direito ao esquecimento

O STJ admite, a depender do caso concreto, o chamado direito ao esquecimento.


Processo STJ. 4ª Turma. REsp 1.335.153-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 28/5/2013.
REsp 1.334.097-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 28/5/2013.

A convenção condominial estabelece o quórum necessário para se alterar o regimento interno

A alteração de regimento interno de condomínio edilício depende de votação com observância


do quórum estipulado na convenção condominial.
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Processo STJ. 4ª Turma. REsp 1.169.865-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 13/8/2013.
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Prazo prescricional para cobrança de cotas condominiais: 5 anos

O prazo prescricional para cobrança de cotas condominiais é de 5 anos, contados do


vencimento de cada parcela.
Processo STJ. 3ª Turma. REsp 1.366.175-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 18/6/2013.

Decretada a usucapião, extingue-se a hipoteca judicial que gravava o bem

A decisão que reconhece a aquisição da propriedade de bem imóvel por usucapião prevalece
sobre a hipoteca judicial que anteriormente tenha gravado o referido bem.
Processo STJ. 3ª Turma. REsp 620.610-DF, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 3/9/2013.

DIREITO EMPRESARIAL

Cédula de Crédito Bancário é título executivo mesmo na abertura de crédito em conta-corrente

A Cédula de Crédito Bancário é título executivo extrajudicial, representativo de operações de


crédito de qualquer natureza, circunstância que autoriza sua emissão para documentar a
abertura de crédito em conta-corrente, nas modalidades de crédito rotativo ou cheque especial.
O título de crédito (Cédula de Crédito Bancário) deve vir acompanhado de claro demonstrativo
acerca dos valores utilizados pelo cliente.
A Lei n. 10.931/2004 traz, de maneira taxativa, a relação de exigências que o credor deverá
cumprir, de modo a conferir liquidez e exequibilidade à Cédula (art. 28, § 2º, incisos I e II).
Processo STJ. 2ª Seção. REsp 1.291.575-PR, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 14/8/2013 (recurso repetitivo).

Honorários advocatícios na impugnação da habilitação de crédito na recuperação judicial

São devidos honorários advocatícios na hipótese em que apresentada impugnação ao pedido


de habilitação de crédito em recuperação judicial. Isso porque a apresentação de impugnação
ao referido pedido torna litigioso o processo.
Processo STJ. 3ª Turma. REsp 1.197.177-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 3/9/2013.

DIREITO PROCESSUAL CIVIL


Possibilidade de multa diária para obrigar plano de saúde a autorizar tratamento

É possível que o juiz estipule multa diária (art. 461 do CPC) como forma de compelir que a
operadora de plano de saúde autorize que o hospital realize procedimento médico-hospitalar.
Processo STJ. 3ª Turma. REsp 1.186.851-MA, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/8/2013.

Análise de aspectos constitucionais no recurso especial


O STJ, no julgamento de recurso especial, pode buscar na própria Constituição Federal o
fundamento para acolher ou rejeitar alegação de violação do direito infraconstitucional ou
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para conferir à lei a interpretação que melhor se ajuste ao texto constitucional, sem que isso
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importe em usurpação de competência do STF.


Processo STJ. 4ª Turma. REsp 1.335.153-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 28/5/2013.

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Art. 20 da Lei 10.522/02: inaplicabilidade em execuções fiscais propostas por Conselhos Profissionais

Nas execuções fiscais propostas por Conselhos Regionais de Fiscalização Profissional, não é
possível a aplicação do art. 20 da Lei 10.522/2002, cujo teor determina o arquivamento, sem
baixa, das execuções fiscais referentes aos débitos com valor inferior a dez mil reais.
Processo STJ. 1ª Seção. REsp 1.330.473-SP, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 12/6/2013.

Embargos monitórios: réu poderá alegar a invalidade da taxa de condomínio


É possível que o réu alegue, em embargos à ação monitória, a invalidade de taxas condominiais
extraordinárias, sob o argumento de que haveria nulidade na assembleia que as teria
instituído.
Processo STJ. 4ª Turma. REsp 1.172.448-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 18/6/2013.

Cabe reclamação ao STJ, em face de decisão de Turma Recursal dos Juizados Especiais Estaduais
em caso de multa cominatória demasiadamente desproporcional

O STJ entende possível utilizar reclamação contra decisão de Turma Recursal, enquanto não
seja criada a Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais dos
Estados e do Distrito Federal, quando a decisão proferida:
• afrontar jurisprudência do STJ pacificada em recurso repetitivo (art. 543-C do CPC);
• violar súmula do STJ;
• for teratológica.

Assim, cabe reclamação ao STJ em face de decisão de Turma Recursal dos Juizados Especiais
dos Estados ou do Distrito Federal com o objetivo de reduzir o valor de multa cominatória
demasiadamente desproporcional em relação ao valor final da condenação. Isso porque, nesse
caso, o STJ entendeu que a decisão proferida foi teratológica.
Processo STJ. 2ª Seção. Rcl 7.861-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 11/9/2013.

Suspensão dos processos individuais enquanto se aguarda o julgamento da ação coletiva

É possível determinar a suspensão do andamento de processos individuais até o julgamento,


no âmbito de ação coletiva, da questão jurídica de fundo neles discutida.
Processo STJ. 1ª Seção. REsp 1.353.801-RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 14/8/2013.

DIREITO PENAL

Descumprimento de obrigação contratual não consiste, como regra, em crime

O simples descumprimento de uma obrigação contratual, sem que ocorra a indicação de


elementos concretos do ilícito penal, não pode ensejar uma ação penal contra o inadimplente.
Assim, o STJ considerou atípica a conduta do advogado que, contratado para patrocinar os
interesses de determinada pessoa em juízo, não cumpriu o pactuado, apesar do recebimento
de parcela do valor dos honorários contratuais.
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Processo STJ. 6ª Turma. HC 174.013-RJ, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 20/6/2013.


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Se o “olheiro” do tráfico era associado ao grupo criminoso, deverá responder pelo art. 35 e não
pelo art. 37 da Lei de Drogas
É possível que alguém seja condenado pelo art. 35 e, ao mesmo tempo, pelo art. 37, da Lei de
Drogas em concurso material, sob o argumento de que o réu era associado ao grupo criminoso e
que, além disso, atuava também como “olheiro”?
NÃO. Segundo decidiu o STJ, nesse caso, ele deverá responder apenas pelo crime do art. 35
(sem concurso material com o art. 37).
Considerar que o informante possa ser punido duplamente (pela associação e pela colaboração
com a própria associação da qual faça parte), contraria o princípio da subsidiariedade e revela
indevido bis in idem, punindo-se, de forma extremamente severa, aquele que exerce função
que não pode ser entendida como a mais relevante na divisão de tarefas do mundo do tráfico.
Processo STJ. 5ª Turma. HC 224.849-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 11/6/2013.

A conduta prevista no art. 12, § 2º, II, da Lei 6.368/1976 continua sendo crime na atual Lei de Drogas

A conduta prevista no inciso III do § 2º do art. 12 da Lei n. 6.368/1976 continua sendo típica
na vigência da Lei n. 11.343/2006, estando ela espalhada em mais de um artigo da nova lei.
Desse modo, não houve abolitio criminis quanto à conduta do art. 12, § 2º, III, da Lei n.
6.368/76.
O que previa o inciso III do § 2º do art. 12 da Lei n. 6.368/1976?
Responderá por tráfico de drogas quem contribui de qualquer forma para incentivar ou
difundir o uso indevido ou o tráfico ilícito de substância entorpecente ou que determine
dependência física ou psíquica.
Processo STJ. 6ª Turma. HC 163.545-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 25/6/2013.

DIREITO PROCESSUAL PENAL


Calúnia e difamação praticados em disputa pela posição de cacique: competência da Justiça Federal

Compete à Justiça Federal (e não à Justiça Estadual) processar e julgar ação penal referente aos
crimes de calúnia e difamação praticados no contexto de disputa pela posição de cacique em
comunidade indígena (art. 109, XI, da CF/88).
Processo STJ. 3ª Seção. CC 123.016-TO, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 26/6/2013.

Desvio de verbas do SUS: competência da Justiça Federal

Compete à Justiça Federal processar e julgar as ações penais relacionadas com o DESVIO de
verbas originárias do SUS (Sistema Único de Saúde), independentemente de se tratar de
valores repassados aos Estados ou Municípios por meio da modalidade de transferência “fundo
a fundo” ou mediante realização de convênio.
Processo STJ. 3ª Seção. AgRg no CC 122.555-RJ, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 14/8/2013.

Compete à Justiça Estadual o julgamento de sonegação fiscal de ISS


O crime de sonegação fiscal (art. 1º, I, da Lei n. 8.137/90) de imposto sobre serviço (ISSQN),
cometido, em tese, por fundação privada é de competência da Justiça Estadual, considerando
que o ente lesado é o Município ou o Distrito Federal.
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Assim, não há violação a bem, serviço ou interesse da União, de suas autarquias ou empresas
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públicas, o que justificaria a competência da Justiça Federal.


Processo STJ. 3ª Seção. CC 114.274-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/6/2013.

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Art. 184, § 2º do CP: competência em caso de DVDs falsificados oriundos do exterior

O delito de comercializar DVD falsificado é, em regra, de competência da Justiça Estadual.


O fato de o réu ter afirmado que os DVDs encontrados eram oriundos do estrangeiro não é
suficiente para deslocar o crime para a Justiça Federal, especialmente pelo fato de que o laudo
pericial não foi conclusivo quanto à origem das mercadorias.
Assim, não comprovada a procedência estrangeira de DVDs em laudo pericial, a confissão do
acusado de que teria adquirido os produtos no exterior não atrai, por si só, a competência da
Justiça Federal para processar e julgar o crime de violação de direito autoral previsto no art.
184, § 2º, do CP.
Processo STJ. 3ª Seção. CC 127.584-PR, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 12/6/2013.

O magistrado não pode negar a concessão do indulto com base em pressupostos não previstos
no Decreto presidencial, sob pena de violar o princípio da legalidade
O Presidente da República editou um Decreto Presidencial concedendo o “indulto natalino”.
O juiz negou a concessão do indulto, afirmando que o condenado praticou falta grave em 2011.
Ocorre que o Decreto previu que o condenado teria que cumprir todos os requisitos (inclusive
não ter cometido falta grave) até o final de 2010.
Desse modo, o STJ entendeu que não poderia ser negado o benefício ao condenado.
Para o Tribunal, na hipótese em que o Decreto Presidencial de comutação de pena estabeleceu,
como requisito para a concessão desta, o não cometimento de falta grave durante determinado
período, a prática de falta grave pelo apenado em momento diverso não constituirá, por si só,
motivo apto a justificar a negativa de concessão do referido benefício pelo juízo da execução.
Processo STJ. 6ª Turma. RHC 36.925-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 6/6/2013.

DIREITO TRIBUTÁRIO

Imunidade tributária recíproca: existe uma presunção de que os bens das autarquias e
fundações são utilizados em suas finalidades essenciais.

O art. 150, VI, “a”, da CF/88 prevê que a União, os Estados/DF e os Municípios não poderão
cobrar impostos uns dos outros.
Essa imunidade também vale para as autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder
Público no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades
essenciais ou às delas decorrentes (art. 150, § 2º da CF/88).
Existe uma presunção de que os bens das autarquias e fundações são utilizados em suas
finalidades essenciais.
Assim, o ônus de provar que determinado imóvel não está afetado à destinação compatível
com os objetivos e finalidades institucionais de entidade autárquica recai sobre o ente
tributante que pretenda, mediante afastamento da imunidade tributária prevista no § 2º do
art. 150 da CF, cobrar o imposto sobre o referido imóvel.
Processo STJ. 1ª Turma. AgRg no AREsp 304.126-RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 13/8/2013.
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DIREITO PREVIDENCIÁRIO

Forma de cálculo da RMI no caso de aposentadoria por invalidez precedida de auxílio-doença

No caso de benefício de aposentadoria por invalidez precedido de auxílio-doença, a renda


mensal inicial será calculada de acordo com o disposto no art. 36, § 7º, do Decreto 3.048/1999,
exceto quando o período de afastamento tenha sido intercalado com períodos de atividade
laborativa, hipótese em que incidirá o art. 29, § 5º, da Lei 8.213/1991.
Processo STJ. 3ª Seção. AgRg nos EREsp 909.274-MG, Rel. Min. Alderita Ramos de Oliveira (Desembargadora convocada
do TJ-PE), julgado em 12/6/2013.

Pensão por morte: a união estável poderá ser provada no processo por meio de prova
exclusivamente testemunhal
Para a concessão de pensão por morte, é possível a comprovação da união estável por meio de
prova exclusivamente testemunhal.
Processo STJ. 3ª Seção. AR 3.905-PE, Rel. Min. Campos Marques (Des. convocado do TJ-PR), julgado em 26/6/2013.

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