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Introdução

O presente trabalho enquadra-se na disciplina de Antropologia Cultural do curso de Ciências


da Comunicação, com o tema o domínio do simbólico, este que é de extrema importância,
pois aborda sobre os ritos, estes que têm um impacto muito grande na produção social em
particular em Moçambique concretamente nas zonas rurais.

Tendo em conta que rituais são variedade de comportamentos repetitivos que podem ser
observados em praticamente todas as sociedades e culturas, relacionados às mais diversas
situações: cerimónias religiosas, ritos de passagem, funerais, geralmente com um claro
sentido simbólico, com a finalidade de solicitar a protecção da divindade invocada ou de
afastar perigos ou desgraças, ou ainda para garantir sorte (por exemplo, os rituais realizados
na passagem do ano ou na cerimónia do casamento).

Fazendo o uso de uma pesquisa bibliográfica, o trabalho contém seis partes, em que a
primeira aborda sobre os rituais em antropologia, a segunda aborda sobre os ritos de
passagem, a terceira sobre os rituais como mecanismo de reprodução social, a quarta sobre a
feitiçaria, ciência e racionalidade, a quinta sobre cultura, tradição e religiosidade e a última
sobre os modelos religiosos endógenos e exógenos.
O domínio do simbólico

Segundo Canadart (1997), o simbólico repousa sobre um conjunto de representações que nós
fazemos do mundo e através das quais nós o compreendemos. Nossa inteligência não tem
acesso directamente ao mundo real; a este só temos acesso através da mediação das
representações. A língua constitui uma, entre outras, das representações do mundo;
adicionaremos a esta as diversas formas de narração (literária, fílmica, televisual), mais
amplamente, as histórias, as imagens, as vozes transmitidas pela media, etc.

Os valores que definem uma cultura são baseados sobre tais representações. Estas
representações são amplamente colectivas embora elas sejam vividas individualmente na
nossa compreensão e na nossa análise dos fatos e das coisas do mundo.

Para que os valores sociais, baseados nas representações, consigam uma certa permanência,
devem ser constantemente reiterados; daí a importância que tomam, nas nossas culturas, as
diversas formas de representação. Refiro-me aqui tanto ao que diz respeito à literatura, às
artes, às comunicações mediáticas quanto a todos os rituais que marcam a nossa vida
colectiva. Uma integração à sociedade pressupõe um conhecimento dos valores fundamentais
que a definem, portanto, das representações. E tem mais: uma plena integração à sociedade
pressupõe também um conhecimento e uma certa habilidade no que concerne aos processos e
mecanismos de constituição destas representações.

É preciso reconhecer que, na medida em que estas representações são sempre mutantes, todos
os membros da sociedade estão constantemente colocados em uma situação de aprendizagem
da formação do simbólico. Não existe aquisição definitiva. Aceder aos valores estabelecidos
para *conquistar seu espaço na sociedade+ e compreender os processos de constituição destes
valores ou representações* é uma única e mesma tarefa, é participar da vida social.

Para Durkheim:

[...] há na religião algo de eterno destinado a sobreviver a todos os símbolos


particulares nos quais o pensamento religioso se envolveu sucessivamente. Não pode
haver sociedade que não sinta a necessidade de conservar e reafirmar, a intervalos
regulares, os sentimentos colectivos e as ideias colectivas que constituem a sua
unidade e a sua personalidade (DURKHEIM, 1989, p.504-505).
Pode-se observar que para Durkheim, os símbolos não são propriamente o que produz a
coesão nos agrupamentos, mas o sentimento produzido pela manipulação desses símbolos
através dos rituais; os sentimentos e ideias colectivas que são os elementos de coesão, se
conservam e se reafirmam em intervalos regulares. A colectividade ao reafirmar seus
sentimentos através dos rituais pode renovar ou incorporar outros símbolos através da
dinâmica social, mas o sentimento e as ideias permanecem.

Estudo de rituais em antropologia

Segundo Titiev (2009), há muitos anos, surgiu entre os antropólogos culturais a opinião de
que todas as praticais que envolviam uma crença no sobrenatural eram de carácter idêntico. A
fim de exprimir essa diferença, algumas actividades foram denominadas religiosas e outras
classificadas como magia. Contudo, em breve se tornou claro que não se podia fazer nenhuma
distinção rápida e nítida entre religião e magia e no presente um certo número de estudioso
está de tal modo convencido que não há entre elas qualquer linha divisória que desistiu de
distingui-las. Um dos pontos divergentes que primeiro atraio atenção dos estudiosos foi o
facto de certos rituais revestirem aparentemente o carácter mais obrigatório. A religião, tal
como argumentavam alguns, deixa a decisão última relativa a qualquer acção nas mãos de
divindade que pode ou não actuar conforme ache conveniente.

Segundo Mello (2013) ao dos grandes ritos que a comunidade toda é chamada a deles
participar activamente ou como espectadores, existem pequenos rituais particulares também
de uso colectivo. Os antropólogos concordam geralmente em afirmar que o ritual é uma
prescrita, respectiva, pela qual a prescrição pode caminhar desde a rigorosa afirmação da
forma e da sequência até a possibilidade de escolher entre um número de assoes. O carácter
respectivo e de prescrição assumindo pelo ritual, denota claramente a sua condição social. Isto
não impediu a Van Gennep de toma-lo como expressão mágica “ por tratar-se de prática” e
crença como expressão religiosa. É uma função do ritual realçar a importância social de algo
que é mantido como um valor na sociedade que tem um ritual. Se o ritual é um tipo de
linguagem, um modo de dizer coisas.

Os ritos e permeiam todo o agrupamento social desde sociedades primitivas até as modernas.
Os antropólogos contemporâneos afirmam que temos um comportamento ritual quando
amamos e fuzilamos, quando nascemos e morremos, quando noivamos ou casamos, quando
ordenamos ou oramos. Os rituais revelam os valores mais profundos do comportamento
humano e o estudo dos ritos tornou-se a chave para compreender-se a constituição essencial
das sociedades humanas.

Ritos de passagem

Segundo Mello (2013) De modo geral, os ritos de passagem denotam a sensibilidade das
pessoas com relação ao dinamismo da própria existência humana. O peregrinar do homem
através da sua existência envolve uma gama enorme de situações, transformações, de
passagem, de metamorfose. No plano biológico o endividou nasce, cresce, se reproduz,
envelhece e morre. No plano social acontece algo semelhante. As ocupações de em várias
posições sociais implicam modificações substanciais das pessoas. De resto, o dinamismo e o
movimento-a vida-atinge todo o cenário em que tenha lugar a vida social dos povos. Por isso
adquire-se significados a própria transformação cíclica do ambiente: o movimento da lua e do
sol, a mudança dos estacões climáticos (prima vera, verão, Outono e inverno). Como actos
sagrados, os ritos de passagem comportam a prática de tabus a troca de bens, a reciprocidade,
a confraternização, comensalidade e outras práticas. Os ritos de passagem são como os
sacramentos tais como o baptismo, o matrimónio, a confirmação, a eucaristia, são ritos de
passagem.

Ritos de passagem são celebrações que marcam mudança de estado de uma pessoa no seio de
comunidade. Os ritos de passagem podem ter carácter social, comunitário ou religioso. Os
mais comuns são os ligados a nascimento, mortes, casamento. Em nossa sociedade, os ritos
ligados a nascimento, morte e casamento são praticamente monopolizados pelas religiões.

Rituais como Mecanismo de Produção social

Os rituais efectuam uma mudança ontológica no homem, transforma-o. Pelo rito, o homem
entra num novo modo de ser, é inserido no sagrado através da representação do modelo
exemplar. É de salientar que os ritos têm um impacto muito grande na produção social em
particular em Moçambique concretamente nas zonas rurais.
Os ritos de iniciação nas zonas rurais.

São cerimónias especiais de aceitação na sociedade rural, estruturados por simbolismo forte,
em Moçambique existem cerimónias que são muito semelhantes, mas com procedimentos
distintos virados as culturas locais. Cerimónias secretas, longe do olhar de estranhos, de uma
forma geral os ritos têm como base os seguintes procedimentos.
A primeira cerimónia

Está ligada ao nascimento, os pais apresentam a criança aos seus antepassados directos para
serem reconhecidos como parte da linha dos seus ancestrais. Onde o nome escolhido será
pronunciado de forma solene.

A segunda cerimónia

São os ritos de iniciação, é feita após os rapazes e as raparigas se tornarem aptos para a
procriação, estes ritos tem como regra fundamental, o juramento de manter em segredo toda a
aprendizagem. As danças, os cantos e as músicas tradicionais são uma obrigação permanente
durante o tempo em que a cerimónia é realizada.

Em relação a mulher, acontece no surgimento da primeira menstruação, a rapariga torna-se


apta para a procriação. Para a realização desta cerimónia, há todo um ensinamento desde o
questionário da madrinha que obtém as informações detalhadas da jovem.

Em relação aos rapazes, acontece no início da puberdade, a passagem de infância para a idade
adulta.

A terceira cerimónia “O casamento”

Em relação aos rapazes, há todo um processo da escolha da rapariga, após isso, dá-se início as
reuniões demoradas entre familiares, negociações seriam e com testemunhas. Em relação as
raparias, há todo um processo que já vem desde a segunda cerimónia.

Quarta cerimónia
Está ligada aos momentos fúnebres, que são considerados como momentos da última
transição, ou seja, aquela que leva a entrada no reino dos mortos, é respeitado e louvada ao
longo dos tempos.
Feitiçaria, Ciência e Racionalidade

Feitiçaria

A feitiçaria pode ser descrita como uma acção maliciosa, levada a cabo através do recurso a
forças místicas ou mesmo pela violência, resultante de ódios e tensões intensas presentes na
sociedade, e que as pessoas interpretam como actuam sobre si independentemente da sua
vontade (Ashforth, 2005: 87).

Sendo a feitiçaria uma linguagem de poder (Kapferer, 1997), os supostos feiticeiros, como a
maioria dos médicos tradicionais em Moçambique, operam de acordo com normas que
assentam em pilares referenciais que não foram integrados nas políticas do estado, que
emprega termos de análise e instrumentos políticos na resolução de problemas e conflitos
gerados pelo ‘oculto’ que não têm ligação alguma com estes sistemas epistémicas.

As acusações de feitiçaria são uma forma de controlo social face à turbulência das relações
sociais provocadas pelo aumento da mobilidade, o êxodo rural, o colapso das expectativas no
papel facilitador do Estado e na estabilidade do emprego, com o consequente aumento da
insegurança, a desestruturação das relações familiares, a exclusão social, o enriquecimento e o
empobrecimento rápidos, a emergência dos valores do individualismo e da autonomia em
conflito com os valores da família e da comunidade (um conflito que é muitas vezes
geracional), o aumento da concorrência na luta pela ascensão social ou pela promoção no
interior dos aparelhos de Estado, etc. (Gimbel-Sherr e Augusto, 2007).

Sendo um processo dinâmico, o terreno de poder revela-se em permanente mudança, onde os


atores que nele se movem estão constantemente sujeitos a uma avaliação social. As novas
forças económicas e sociais podem exacerbar tensões e hostilidades entre os seus membros,
que se tornaram suspeitos de não só causar, mas também beneficiar dos problemas e aflições
dos outros. Nestes contextos extremamente voláteis, a feitiçaria (re) emerge como uma forma
persuasiva que justifica as doenças, infortúnios ou até mesmo a morte (Meneses, 2000, 2004,
2007).
Ciência

Ciência (lat. scientia: saber, conhecimento). Em seu sentido amplo e clássico, a ciência é um
saber metódico e rigoroso, isto é, um conjunto de conhecimentos metodicamente adquiridos,
mais ou menos sistematicamente organizados, e susceptíveis de serem transmitidos por um
processo pedagógico de ensino.

Mais modernamente, é a modalidade de saber constituída por um conjunto de aquisições


intelectuais que tem por finalidade propor uma explicação racional e objectiva da realidade.
Mais precisamente ainda: é a forma de conhecimento que não somente pretende apropriar-se
do real para explicá-lo de modo racional e objectivo, mas procura estabelecer entre os
fenómenos observados relações universais e necessárias, o que autoriza a previsão de
resultados (efeitos) cujas causas podem ser detecta das mediante procedimentos de controlo
experimental. Japiassú e Marcondes (2001).

Racionalidade

A racionalidade é a característica daquilo que é racional, que está de acordo com a razão Ex.:
princípios racionais, decisão racional. Oposto a irracional.

Do ponto de vista epistemológico e antropológico, questiona-se a universalidade do conceito


de racionalidade e os critérios segundo os quais se caracteriza um procedimento ou uma
decisão como racionais. Esses critérios seriam sempre, em última análise, culturais, variáveis
e relativos portanto, ou pertenceriam à própria natureza da razão humana como tal, Seriam
inatos, próprios do homem apenas, ou corresponderiam a princípios e leis que pertencem à
própria realidade, de carácter ontológico portanto, Max Weber (A ética protestante e o espírito
do capitalismo, 1904) distingue a acção racional valorativa (Wertrational) da acção racional
instrumental (Zweckrational). A primeira caracteriza uma acção que se realiza de acordo com
certos valores e que se autojustifica, como p. ex., os rituais em certas culturas. A segunda
caracteriza como racional uma acção ou procedimento que visa fins ou objectivos específicos,
procurando realizá-los através do cálculo e da adequação dos meios a estes fins; dessa forma,
os fins justificariam os meios mais eficazes para sua obtenção. Weber identifica a razão
instrumental com o capitalismo e o desenvolvimento da técnica e da sociedade industrial. Em
síntese "a racionalidade é o estabelecimento de uma adequação entre uma coerência lógica
(descritiva, explicativa) e uma realidade empírica" (E. Morin,
Scienceavecconscience).Japiassú e Marcondes (2001).
Cultura, Tradição e Religiosidade no Contexto Sociocultural de Moçambique.
Cultura

Segundo Forest (1991), a cultura é um conjunto de conhecimento que rege uma sociedade ou
endividou ao contrário os estereótipos do discurso dominante, importa dizer que a cultura
contemporânea não é tanto um ponto de declínio mais palco de uma metamorfose. Já não é
unitária, mas sim difusa. Deixou de estar segura de si mesmo para descobrir que em evolução.
No termo desse desafio a si próprio não deixou ser um refinado processo de compreender
exercer a vida.

Vários momentos se podem verificar que o homem moçambicano, usando a sua inteligência, a
sua sabedoria filosófica, produziu e produz a sua cultura, a solidifica, apesar de varias
tempestades que tendem a destruir aquilo que ele sabiamente construiu e vai construindo quer
espiritualmente que materialmente. Dai hoje, o discurso académico pode assessorar a
sistematização e alargamento do conhecimento que o homem moçambicano tem das suas
culturas, partindo do princípio do princípio que em Moçambique não temos cultura ainda uma
única cultura, de modo a fortalecer a nossa identidade na diversidade. Cada um dos elementos
das culturas moçambicanas pode ser tomado como objecto de análise e de estudo, sobre tudo
nas universidades, e oferecer modelos assimiláveis para todo território moçambicano.

Moçambique sendo um país rico na sua diversidade e o conhecimento e valorização dessa


diversidade é um factor fundamental de coesão, estabilidade e desenvolvimento e igualmente,
de integração plena de Moçambique nas noções unidas.

Tradição
Falar em tradição remete ao passado e ao presente e porque não dizer ao futuro. Trata-se de
um termo que convida a pensar em hábitos, valores, crenças, rituais, práticas e costumes que
fazem referência a uma herança cultural e que, seguindo a etimologia da palavra, foram
entregues, transmitidos e transferidos sem que se tivesse uma prova de autenticidade ou de
veracidade, além do prestígio e da garantia de pertença a tempos imemoriais.

Para IVALA et all (1999), entende-se por tradição ou tradições as várias formas de normas e
regras de vida conjunta dos homens e os modos do seu relacionamento individual. Estas
normas e regras são estáveis.
Segundo Siliya (1996), tradição é transmissão oral de factos, lendas, dogmas. No contexto
religioso a tradição oral é vista como fonte de revelação divina”. Sobreviventes e
transmissíveis.

As religiões tradicionais em Moçambique, embora com diferenças constantes nos grupos


étnicos, apresentam um certo número de características comuns. As concepções religiosas dos
grupos étnicos exercem uma grande influência sobre sua maneira de pensar e de falar de cada
cidadão, no que bebem, no que fazem. Os antepassados são identificados como espíritos que
prolongam a vida noutra esfera ou domínio.

A sociedade tradicional moçambicana é uma sociedade de produção agrícola em que os seus


membros estão ligados no trabalho da terra através de instrumentos de produção produzidos
por eles próprios. Ligadas à actividade agrícola estão também outras actividades como a
criação de animais, caça, pesca (para os que se localizam nas proximidades dos lagos, lagoas,
rios, costa marítima). Uma das actividades mais relevantes dessa sociedade, que também é
importante para a vida dos seus membros, é o trabalho com o ferro para o fabrico de
instrumentos de produção como facas, catanas, machados, lanças, anzóis e outros materiais
para o uso caseiro.

O conhecimento das plantas e animais permite o uso das plantas medicinais para tratamentos
tradicionais, construção de habitações típicas, colheita de frutos e aproveitamento dos
recursos marinhos. A organização social é baseada em clãs, linhagens e família. Os membros
de um clã, identificam-se na base de um ancestral, um antepassado mitológico ou lendário
(não real), mas não ocupam o mesmo território. Os membros de uma linhagem têm o mesmo
antepassado que normalmente é real, ou seja, pode ser reconhecido através da tradição oral e
ocupam o mesmo espaço geográfico chamado território linhageiro. Os chefes de linhagem e
de famílias assumem o poder tradicional dentro do mundo sócio-político da autoridade
tradicional. Porém, a autoridade tradicional inclui todo o conjunto de elite (grupo importante)
sócio-política, nomeadamente: os chefes tradicionais, os curandeiros, os adivinhos, os
ervanários, oficiante de rituais e transmissores da cultura. A chefia tradicional possui uma
legitimidade (direito e aceitação) que lhe é dada pela comunidade que só, e somente por ela
pode ser retirada.
Religiosidade

Segundo o dicionário universal (1995), religiosidade é a tendência de qualidade do que é


religioso, sentimentos de escrúpulo religioso ou disposição religiosa.

Segundo Martinez (2009), a religião, como outras manifestações da espiritualidade humana, é


um fenómeno comum a todos grupos culturais e encontra-se presente de toda história da
humanidade, em pensar de todos os seres vivos se consideram religiosos, nem sempre ela
mostra exteriormente a mesma forma dentro do mesmo sinal doutrinal.

Segundo o INATUR, os dados fornecidos pelo instituto nacional de estatísticas, revelam que
12% dos Moçambicanos professa a religião cristã, 22% divide-se pelas igrejas protestantes e
20% professam a religião Muçulmana, pelo que cerca de 46%, que neste caso é quase da
metade da população, pratica religião tradicional baseadas em cultos e crenças familiares.

Os novos movimentos religiosos e pequenas igrejas nascem dentro das grandes igrejas
(católicas, anglicanas, Metodistas, etc.); logo se separam por abuso de interpretação e por
dificuldades disciplinares e de organização. Dá-se, de facto, o caso de surgem totalmente á
margem das igrejas existentes. Existe uma série de pessoas que procuram satisfazer os seus
profundos desejos existências nestes grupos religiosos e nas igrejas independentes dentre os
quais destacamos os seguintes: os que buscam uma certa identidade cultural na vivência
religiosa; os enfermos e quem padece qualquer necessidade; os procuram trabalho e uma
profissão estável e as pessoas que vivem sós nas zonas suburbanas das cidades.

Modelos religiosos endógenos e modelos religiosos exógeno

Modelos religiosos endógenos (são aqueles de vem de dentro)

A magia negra

A magia negra é o uso de forças sobrenaturais para o propósitos maléficos e egoístas. Tal
comunicação pode ser feita de várias maneiras, inclusive através da transcendência, que
significa a prática de se tentar que o espírito saia do corpo do praticante e fique flutuando no
ar, procurando contacto com outros espíritos afins. Em relação ao Caminho da Mão Esquerda
e Caminho da Mão Direita, a magia negra seria a "mão esquerda" da benevolente magia
branca.
A magia negra ainda pode confundir com satanismo, porém este é outro sistema oculto, que se
ocupa pela adoração ou realização de pactos ou acordos com Satanás ou Lúcifer. Em todos
esses diversos sistemas mágicos há invocações de espíritos, anjos e demónios que sobre a
autoridade mágica do mago deverá responder à perguntas, revelar passado, presente e futuro e
até mesmo intervir no mundo e em seus acontecimentos em favor do mago.

Modelos religiosos exógeno

Cristianismo

Cristianismo vem da palavra Cristo, que significa Messias, pessoa esperada, o redentor. É
uma doutrina que acredita que Deus é o criador do universo e de toda a vida do planeta. O
Cristianismo é um desdobramento do Judaísmo. Todas as formas de cristianismo obedecem às
mesmas escrituras, veneram o Deus de Israel e consideram Jesus como o Cristo, Filho de
Deus e Salvador da humanidade. O cristianismo tem na Bíblia, o livro sagrado dos cristãos e
na Igreja o local da pregação dos ensinamentos de Cristo, através de seus Sacerdotes. As
principais religiões ligadas ao Cristianismo são o Catolicismo, a Ortodoxa e o Protestantismo.

Muçulmanismo

Islamismo ou islão é uma religião abraâmica monoteísta articulada pelo Alcorão, um texto
considerado pelos seus seguidores como a palavra literal de Deus e pelos ensinamentos e
exemplos normativos de Maomé, considerado pelos fiéis como o último profeta de Deus. Um
adepto do islamismo é chamado de muçulmano.

Os muçulmanos acreditam que Deus é único e incomparável e o propósito da


existência é adorá-lo. Eles também acreditam que o islão é a versão completa e universal de
uma fé primordial que foi revelada em muitas épocas e lugares anteriores, incluindo por meio
de Abraão, Moisés e Jesus, que eles consideram profetas. Os seguidores do islão afirmam que
as mensagens e revelações anteriores foram parcialmente alteradas ou corrompidas ao longo
do tempo mas consideram o Alcorão (ou Corão) como uma versão inalterada da revelação
final de Deus.
Conclusão

Podemos concluir que para que os valores sociais, baseados nas representações, consigam
uma certa permanência, devem ser constantemente reiterados; daí a importância que tomam,
nas nossas culturas, as diversas formas de representação, estas representações se caracterizam
por uma certa estabilidade (que assegura uma coerência aos valores sociais); por outro lado,
elas estão sempre submissas a modificações mais ou menos importantes. Os símbolos se
envolvem com o processo social e o desempenho ritual constitui fases distintas no processo
social. Através desses processos, os grupos se ajustam às mudanças internas e se adaptam ao
mundo externo.

O símbolo requer um consenso que o legitime. Nessa perspectiva, entendemos que dentro do
agrupamento tal consenso pode ser alcançado por fatos e pensamentos comuns ao grupo, para
fora do grupo os símbolos são reconhecidos por analogias. No entanto, torna-se importante
salientar que nem sempre o sentido dado aos símbolos pelo grupo internamente, são o mesmo
do observador externo.
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