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Revista do Projeto Reflexões PUCRS

ANO VII – Nº 7 – 2007

O valor do
conhecimento e
da integração
PÁGINA 6 E 7

Entrevista com
Nilton José Machado
PÁGINAS 4 E 5
Novo compromisso é com
a formação pessoal
PÁGINAS 18 E 19
ÍNDICE

Construção Coletiva
3 Editorial do Vice-Reitor e Coordenador do Projeto Reflexões, Ir. Evilázio Teixeira

A dimensão de dádiva do conhecimento


4e5 Entrevista com o professor Nílson José Machado, professor titular de Educação da USP

o olhar
6a7 Universidade lança olhar sobre o conhecimento e a integração

8 Muito prazer, colega

9 ARTIGO - Compromisso profissional e espiritualidade

10 e 11 Grupos propõem melhorias para a PUCRS

12 e 13 Fotos dos grupos em Bento Gonçalves EXPEDIENTE


Reitor: Joaquim Clotet • Vice-Reitor:

especial Evilázio Teixeira • Professores res-


ponsáveis pelo Projeto Reflexões: Ar-
mando Bortolini, Dóris Haussen, Emílio
Jeckel Neto, Érico Hammes, Jacqueline
14 e 15 Fórum aberto às perguntas e opiniões Poersch Moreira, Maria Emília Engers e
Vera Lúcia Strube de Lima ••• A revis-
ta Reflexões é editada pela Assessoria

a identidade de Comunicação Social da PUCRS. Coor-


denador da Assessoria: Luiz Antônio
Nikão Duarte • Editora: Magda Achutti
• Repórter: Eduardo Borba • Fotógra-
16 e 17 Servir a sociedade é missão de todos fos: Marcos Colombo e Ramon Fernan-
des • Revisão: José Renato Schmaede-
cke • Projeto gráfico: Pense Design •

o compromisso Diagramação: AGEXPP • Impressão:


Epecê-Gráfica

18 e 19 Novo compromisso é com a formação pessoal

momentos
20 e 21 Álbum de fotos dos encontros em Bento Gonçalves e Porto Alegre

memória
22 e 23 Foto do grupo do Projeto Reflexões 2007, em Bento Gonçalves

2 REVISTA DO PROJETO REFLEXÕES PUCRS – 2007


Construção
Coletiva
T
odos os que até agora participaram dos
encontros do Projeto Reflexões merecem
o reconhecimento da PUCRS, porque
deram importantes contribuições ao
longo dos anos e assim tornaram mais
próximos os objetivos permanentes por mais
qualificação, ampliação do conhecimento sobre
a Instituição e comprometimento com os valores
maristas que nos orientam. São centenas de pesso-
as que, nos eventos realizados anualmente, fazem
um constante exercício de aprendizado. Não foi
diferente em 2007, como se poderá observar nesta
edição da revista.
A crescente participação demonstra a impor-
tância da iniciativa. O olhar sobre o nosso espaço
comum de trabalho, o compartilhamento da iden-
tidade que construímos e o compromisso com o
projeto que ajudamos a desenvolver ficam pre-
sentes nas palestras, nas reuniões de trabalho que
consolidaram as propostas dos diversos grupos de
estudo e nas inúmeras manifestações individuais.
Também se evidenciam nos diálogos públicos e nos
depoimentos individuais dos participantes.
Construído sobre essa base sólida que o fez che-
Ir. Evilázio Teixeira, gar este ano à décima edição, o Projeto Reflexões
também se aplica em firme busca por renovação.
Vice-Reitor da PUCRS e coordenador Essa é uma preocupação de sua coordenação, que
do Projeto Reflexões tenho a honra de partilhar com a comissão respon-
sável por sua execução, integrada pelos professores
Armando Bortolini, Dóris Haussen, Emílio Jeckel
Neto, Érico Hammes, Jacqueline Poersch Moreira,
Maria Emília Engers e Vera Lúcia Strube de Lima.
Continuamos contando com os que já estiveram
nas reuniões e os que estão por chegar a elas, para
que os ensinamentos dessa convivência frutifiquem
e alcancem toda a comunidade acadêmica.

REVISTA DO PROJETO REFLEXÕES PUCRS – 2007 3


A dimensão de dádiva
drão para justificar o ensino de qualquer
tema. Eventualmente, podemos ficar
Nílson José Machado felizes com a possibilidade de mostrar
é professor titular da a utilidade de algo que se ensina. Mas
Faculdade de Educação isto é circunstancial, não é generalizá-
da Universidade de São vel. Para que serve um poema? Para que
Paulo (USP), onde leciona serve uma criança? O conhecimento se
justifica pela compreensão que nos pro-
desde 1972 em cursos de vê. Conhecer é conhecer o significado.
graduação e pós-graduação. Cada vez que um aluno nos pergunta
Formado em Matemática, “Para que serve isto?”, devemos, a meu
é mestre em Educação: ver, interpretar a pergunta como se ele
História, Política, Sociedade estivesse querendo saber “o que sig-
e doutor em Educação. nifica isto?”. O significado parece-me
sempre necessário. A utilidade prática
Possui vasta experiência é apenas uma possibilidade, em geral
na área, com ênfase em muito restrita, de mostrar o significado
Fundamentos da Educação, do que aprendemos. Uma criança cons-
atuando principalmente em trói significados, apreende valores ao ler
temas como conhecimento, ou escutar histórias infantis envolvendo
inteligência, alegoria, fadas madrinhas e bruxas malvadas,
heróis e vilões. O que está em jogo aí
ensino, epistemologia e são os valores, são as referências, é o re-
didática. Publicou diversos pertório de ações e de respostas que irão
livros, frutos de seu trabalho acompanhá-la ao longo de toda a vida, e
acadêmico, entre os quais não o senso prático do que se lê ou ouve.
Epistemologia e Didática, Eu diria que o conhecimento somente se
sem ignorar a dimensão dadivosa. Em justifica se pode ser mobilizado para a
Cidadania e Educação, princípio, nada pode ser recriminado em realização dos projetos humanos. E tal
Educação-Projetos e Valores, quem busca o lucro num empreendimen- possibilidade de mobilização repousa
Conhecimento e Valor, Lógica e to. Quando, no entanto, o lucro passa muito mais na existência de significado
Linguagem Cotidiana, em co- a ser a finalidade do empreendimento, naquilo que se estuda do que na simples
autoria com Marisa Cunha, ocorreu o desvio crucial. A questão fun- idéia de aplicação prática.
e Jogo e Projeto, em co- damental é não confundir meio com fim.
autoria com Lino de Macedo. A mediocridade pode ser caracterizada Como o senhor avalia o universo do
justamente por esta identificação entre trabalho, que a cada dia exige maior
É autor ainda de cerca de os fins e os meios. Somos medíocres nível de conhecimento, muitas vezes
duas dezenas de livros quando tornamos o que seria meio para não dando o valor ou a ocupação ade-
paradidáticos para crianças. atingir uma meta plenamente justificá- quada a quem detém esse saber?
vel, uma meta meritória, em finalidade Esta me parece a questão funda-
de nossa ação. A mediocridade é a nega- mental. O universo do trabalho não
Como garantir a dimensão de dádiva ção da existência de um ideal pelo qual atribui valor ao conhecimento de modo
ao conhecimento enquanto muitas se vive, que dá sentido a nossa ação. Em adequado. A dimensão mercantil do
instituições de ensino se multiplicam educação, a mediocridade é inaceitável, conhecimento é superestimada, em
pelo País com clara finalidade co- incompatível com a natureza das tarefas detrimento de seu componente pessoal.
mercial? Essa dádiva não pressupõe que competem aos educadores. O conhecimento é pessoal, está sempre
qualidade? nas pessoas. São limitadas as possibili-
Não existe uma incompatibilidade É possível dizer que o conhecimen- dades de objetivação do conhecimento
radical entre a existência de uma insti- to só é valido quando aplicado? Do em produtos. O universo do trabalho
tuição privada de ensino e a dimensão contrário, seria possível compará-lo confunde amiúde valor com preço. Há o
de dádiva do conhecimento. É possível a um depósito de mercadorias sem que tem preço e há o que tem dignidade,
reconhecer a dimensão mercantil, que utilidade... com bem distinguiu Kant. O mercado
pode estar presente no conhecimento, A utilidade prática não é um bom pa- de trabalho é nécio, “confunde valor y

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do conhecimento
precio”, como frisara o poeta Antonio dos dadivosos”. Por mais que isso pareça Que formas, além dos laços sociais
Machado. contraditório ou utópico, acho que sem que se criam na relação professor-alu-
isso estamos caminhando para um beco no, podem auxiliar para a dimensão
Se informação é um conjunto de da- sem saída, em que as desigualdades so- de dádiva da qual desfruta o conhe-
dos e conhecimento pressupõe teoria mente podem crescer até um ponto em cimento?
e visão que leve à compreensão, qual que um bigue-bangue ao contrário, uma Não existem receitas maravilhosas,
a melhor forma de harmonizá-los para catástrofe social ocorrerá. mas sim princípios inegociáveis. Nós
responder a uma sociedade que cobra nos constituímos como pessoas repre-
resultados cada vez mais rápidos? Que iniciativas seriam possíveis para sentando papéis, junto com os outros.
Não existem regras práticas rápi- tornar o conhecimento acessível à A sociedade é um vasto sistema de dis-
das, algoritmizáveis, para se passar de maior parte da população, observan- tribuição/atribuição de papéis. Nós nos
um monte de informações para uma do que os cursos de licenciatura têm constituímos como um feixe de papéis,
pequena dose de conhecimento. Não se cada vez menos candidatos? que representamos na família, na es-
pode confundir rapidez com pressa em As iniciativas somente podem apon- cola, no trabalho, no lazer etc. Nós nos
tal tarefa. O significado não se mede tar numa direção, a de melhorar as construímos a partir dos laços que nos
em volume e o valor do que se aprende condições de trabalho dos professores unem aos outros. Ninguém existe como
não se pode associar ao seu preço de da Educação Básica. Condições de traba- pessoa sem tais laços. O princípio bási-
mercado. As tecnologias – e o mercado é lho que incluem o salário, mas que vão co, portanto, é o da valorização do laço
movido por tecnologias – superestimam muito além dele. É preciso recuperar socialmente construído. Em alguns dos


a questão da rapidez, sem se questionar o significado, a dignidade da tarefa do papéis que representamos somos prota-
suficientemente sobre para onde esta- professor. Não se sustenta um discurso gonistas. Em outros, somos meros coad-
mos indo. As tecnologias nos possibili- que supostamente valoriza o conhe- juvantes. Não importa se coadjuvante ou
tam ir cada vez mais rapidamente, seja protagonista, temos que fazer o melhor
lá para onde for. Mas se estivermos no em cada situação, dar o melhor de nós.
rumo errado, é melhor ir mais devagar Quem quer que se resigne a fazer menos
e ter tempo para corrigir a rota. Quem do que poderia em qualquer situação,
está indo para o “inferno” e se esmera NÃO IMPORTA SE COADJU- está traindo sua vocação, esgarçando
na rapidez, vai morrer queimado mais VANTE OU PROTAGONISTA, seus laços. Quando não damos o melhor
rapidamente... TEMOS QUE FAZER O MELHOR de nós, não há ética que subsista.
EM CADA SITUAÇÃO, DAR O
Se, a partir de sua análise, os postos
de trabalhos se reduzem a cada dia
MELHOR DE NÓS. QUEM QUER
e a prestação de serviços aumenta QUE SE RESIGNE A FAZER
devido à ampliação do conhecimento, MENOS DO QUE PODERIA EM
é possível dizer que em breve vivere- QUALQUER SITUAÇÃO, ESTÁ
mos a sociedade do empreendedoris- TRAINDO SUA VOCAÇÃO,


mo, sem empregos, mas com muito ESGARÇANDO SEUS LAÇOS.
trabalho?
Não é verdade que falta o que fazer. QUANDO NÃO DAMOS O ME-
Faltam são empregos, ou seja, pacotes LHOR DE NÓS, NÃO HÁ ÉTICA
de ocupações devidamente remuneradas QUE SUBSISTA.
nos quais valha a pena nos ocuparmos.
A idéia de um emprego formal, com
número de horas diárias fixadas, com
salários fixados, com produção ou não, cimento, mas desvaloriza o professor.
atraiu muita gente, mas hoje está em Quando veste a camisa por uma causa,
declínio. A idéia de carreira também está o professor faz milagres. Mas é preciso
em declínio, assim como a de aposenta- tê-lo como parceiro, como sócio numa
doria. Em vez de imiscuir-se em todas empreitada imensa, que é a missão
as áreas da atividade humana, o Estado educacional. Não podemos considerá-
deveria fomentar a criação de espaços lo culpado, nem coitadinho, mas sócio,
em que se pudesse ensinar e aprender, parceiro, co-responsável pelas ações
produzir e receber, verdadeiros “merca- educacionais.

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O OLHAR

Universidade lança olhar sobre


Mariana Daniela Eduardo

O
Vicili Boccardi Feijó
Projeto Reflexões integra no século 21, Gomes da Silva enfocou a técnico-científico.
o planejamento institucio- necessidade das universidades reverem Para Eduardo Feijó, da Gerência de
nal da PUCRS desde 2000 seus papéis e identidades, pois são vistas Recurso Humanos, “o fato de tirar o
– o primeiro encontro foi como provedoras de soluções para os pessoal zona de conforto de Porto Alegre
realizado em Laguna –, e problemas da sociedade. Segundo ele, consegue dar total imersão para atingir
faz parte da qualificação permanente “a instituição precisa continuar apren- o objetivo, que é refletir o meio em que
dos professores e funcionários técnico- dendo, com espírito crítico e inovador, estamos, olhando de fora para dentro”.
administrativos. Seu objetivo é reme- questionando-se constantemente”. A professora Daniela Boccardi, da
ter às funções da educação superior, O encontro O Olhar é uma forma de Faculdade de Educação Física e Ciências
ao ensino, à pesquisa, à extensão e às despertar a atenção dos participantes do Desporto, valorizou as trocas e a
ações comunitárias que, para o seu bom do Projeto Reflexões para uma realidade comunhão de diferentes pensamentos.
desempenho, necessitam competência diferente do cotidiano de trabalho nos Na sua avaliação, foi refletida “a ação do
e comprometimento de todos os envol- campi Central, Viamão e Uruguaiana. educador, principalmente diante das difi-
vidos. Com a décima edição, ocorrida Apesar de afastar as pessoas do convívio culdades que encontramos no ambiente
em 2007, o Projeto envolveu mais de familiar por cerca de três dias, como cos- de sala de aula e todas as mudanças que
cem participantes, permitindo discutir, tuma lembrar o Reitor Joaquim Clotet, a nossa sociedade está exigindo nos dias
refletir e conhecer as origens maristas, a proposta se mostra eficaz, pois cria uma de hoje”.
filosofia e a missão da Universidade. forma de convívio descontraído e, ao O sentimento de proximidade do
A primeira etapa do evento, denomi- mesmo tempo, comprometido. núcleo das decisões foi o ponto alto para
nada O Olhar, ocorreu entre os dia 1º e 3 Os contatos frios por telefone ou e- o professor Rudi Hermann, do Campus
de junho de 2007, no Dall’Onder Hotel, mail dão lugar ao cumprimento cordial, Uruguaiana. Ele participou do evento
em Bento Gonçalves, com as palestras de seja com abraços ou apertos de mãos. precursor do Projeto Reflexões, em La-
José Roberto Gomes da Silva, da PUC-Rio, A passagem rápida pelos prédios ou guna, durante as comemorações dos
e Nílson José Machado, da USP. O pales- corredores, a caminho de reuniões ou 50 anos da Universidade. “Agora, estou
trante de São Paulo abordou o conheci- de salas de aula, é trocada por uma con- comprovando a efetividade e o valor de
mento como uma dádiva, e criticou a versa em frente à lareira situada no hall tudo isso que está sendo desenvolvido
comparação feita com a informação, que do hotel. As gravatas, ternos, taillers e para nos colocar dentro do espírito que
é algo efêmero. Para ele, embora possa sapatos de salto, tradicionais em even- perpassa a PUCRS”, afirmou.
ser negociado, comprado ou vendido em tos de capacitação de lideranças, cedem Cláudio Preza Júnior, que leciona na
transações comerciais, como pagamento espaço a camisas jeans e pares de tênis. Faculdade de Direito, chegou a Bento
de direitos autorais, por exemplo, “a Até o protocolar cafezinho deixa de ser Gonçalves com expectativas criadas
transmissão, a construção e a circulação a preferência da maioria antes ou após pelos colegas que haviam participado
do conhecimento apresentam, inexora- as palestras. Melhor mesmo é o mate, das edições anteriores. “Diziam-me
velmente, uma dimensão com caracterís- que passa de mão em mão aumentando que depois de integrar um encontro do
ticas de doação, de uma dádiva”. o clima de amizade que se reflete no Reflexões eu iria entender a PUCRS de
Entre os desafios do Ensino Superior depoimento de professores e pessoal maneira diferente. E, realmente, isto se

Vera Milene Andréia


Regina da Silva Silveira Mallmann
Maria Conce
6 REVISTA DO PROJETO REFLEXÕES PUCRS – 2007
o conhecimento e a integração
Rudi Arno Cláudio
Hermann Lise Preza Júnior
confirmou”. Os itens que mais lhe agra- dizer isso”. Silveira, da Faculdade de Informática.
daram foram as palestras “bem focadas” O histórico do estilo marista de edu- Para ela, “quanto mais conhecemos o
e a confraternização proporcionada. car, nascido no século 19, foi um dos que é uma universidade católica, seus
Para pessoas experientes, o encontro aspectos que mais marcou os participan- princípios e como é o educador marista,
também reservou novidades. Foi o caso tes. Para Mariana Vicili, repórter da As- temos mais chance interiorizar essa
do professor Arno Lise, da Faculdade sessoria de Comunicação Social, “muitas mensagem e levar para a sala de aula, o
de Biociências. Para ele, tratou-se de vezes, na correria do dia-a-dia, as tarefas que é fantástico”.
uma oportunidade ímpar compartilhar do trabalho se tornam tão automáticas A participação dos gestores da Uni-
opiniões com especialistas de diferentes que acabamos nos esquecendo da es- versidade, do início ao final do evento,
áreas de atuação. “Quando eu comecei sência de tudo o que estamos fazendo. foi valorizada pela professora Maria
na Universidade, há 48 anos, ela era Esquecemos que, independentemente de Conceição Stumpf, da Faculdade de
pequena, todos se conheciam, sabiam sermos professores ou não, somos todos Educação. “Realmente me surpreendi.
onde os colegas trabalhavam e o que educadores, dando continuidade a um Chamou-me atenção toda equipe ad-
faziam. Hoje isso é impraticável. Então, projeto anterior que se tornou tão gran- ministrativa estar presente, inclusive
essa chance de nos reunirmos aqui é boa de quanto Champagnat, seu criador”. o Reitor. Isso deu muita importância e
para a saúde da Universidade. É muito Para ela, o encontro na Serra foi uma boa relevância ao encontro. Crescem todos
positivo”, disse. oportunidade para conhecer e relembrar que participam, pois nos faz sentir im-
Quem compartilhou do mesmo pon- esses valores e compromissos. portantes para a PUCRS”, afirmou.
to-de-vista foi Domingos D’ávila, docente Na percepção da professora Andréia Clainton Heitz, docente da Faculdade
da Faculdade de Medicina há 34 anos. Mallmann, da Faculdade de Comunica- de Odontologia, diz ter tido outra visão
Para ele, o trabalho desenvolvido foi ex- ção Social, conseguiu-se criar algo que da Universidade, justamente devido à
tremamente produtivo. “Sinto-me modi- faz muito sentido dentro da proposta aproximação das lideranças. Segundo
ficado. Esse projeto deveria ser estendido marista, que é o espírito de família. ele, isso “permitiu saber como funcio-
a todos os funcionários, para criar esse Segundo ela, “a PUCRS carrega esse es- nam os mecanismos da PUCRS, as partes
sentimento de pertencer à Instituição. Eu pírito familiar entre seus funcionários de educação e da pesquisa”. Já para Shei-
tenho três décadas de PUCRS e, mesmo e professores, e que no cotidiano não la Peixoto, do Escritório de Transferência
assim, esse foi um evento modificador e temos a oportunidade vivenciar, experi- de Tecnologia, vinculado à Pró-Reitoria
importante para mim”, afirmou. mentar e interagir. Esse é o grande saldo de Pesquisa e Pós-Graduação, foi “muito
A professora Vera Regina da Silva, da positivo do evento, além das informa- legal ver a preocupação demonstrada
Faculdade de Letras, ponderou ao dizer ções, a troca de idéias com os gestores. pela Universidade em se adaptar a novas
que “muito foi dito e muito ficou sem Isso é importantíssimo para crescermos tecnologias e a nova realidade vivida no
ser dito, pois não houve tempo. Muitas como profissionais e como pessoas na País e fora dele”.
das informações eu sabia, mas outras Instituição”.
fiquei conhecendo aqui. Sou mãe de As pegadas culturais deixadas por
aluno marista e trabalho na PUCRS há São Marcelino Champagnat também
40 anos. Tenho bastante segurança para entusiasmaram a professora Milene

Domingos Sheila Clainton


D’ávila Peixoto Heitz
eição Stumpf
REVISTA DO PROJETO REFLEXÕES PUCRS – 2007 7
O OLHAR

Muito prazer,
colega
E
m tom descontraído, colegas e a Universidade”, afirma a quase lotada para o momento de
o Projeto Reflexões ga- professora Milene Silveira, Faculda- reflexão espiritual. A noite, porém,
nhou, entre muitos dos de de Informática. reservou as principais surpresas.
organizadores e partici- Durante o jantar, uma banda for-
pantes, o apelido de “Re- mada por descendentes de coloni-
feições”, na etapa de Bento Gonçal- zadores italianos animou a todos,
ves. E o trocadilho não foi criado à convidando as pessoas a dançarem
toa. Desde a chegada ao Dall’Onder no palco melodias tracionais como
Hotel até a despedida, a tradicional a Tarantela. A bibliotecária Rosaria
culinária italiana é enriquecida com Prenna Geremia, da Biblioteca da Fa-
frutas, sucos, salgados e iogurtes à culdade de Medicina, subiu ao palco
base de leite de cabra. Tudo com a para cantar e arrancou aplausos de
intenção de gerar maior aproxima- As casas de vinhos e de produtos toda platéia.
ção entre as pessoas. coloniais são pontos de encontro
certos. Levar presentes e amostras
do que é produzido na região é
quase um compromisso. Este ano as
frias noites de 1º e 2 de junho, sex-
ta-feira e sábado, foram um convite
especial para reunir as pessoas em
frente à lareira do hotel para brin-
des regados ao vinho tinto da adega
local, acompanhados de música ao Domingo, após as palavras de
Nos coffee-breaks, entre um gole vivo do pianista que se apresentou agradecimento do Reitor Joaquim
de cafezinho e um croissant, muita para entreter os hóspedes. Clotet sobre a importância de cada
gente que não se conhecia ou que um abrir mão de estar com suas fa-
falava apenas por telefone, passa a mílias para dedicarem-se ao exercí-
conversar e a descobrir atividades e cio de proximidade com seu espaço
desafios comuns que, em seguida, de trabalho e convívio profissional,
tornam-se pauta das discussões em o Ir. Roque Salet, da Província Ma-
grupo promovidas pelo Projeto após rista, regeu um coro com 30 vozes
as palestras. numa melodia ensaiada na noite
Nos intervalos da programação, anterior para saudar a todos os par-
pelos corredores do hotel ou do sho- ticipantes da décima edição do Pro-
pping que fica ao lado, é comum ver No sábado, a fotografia oficial do jeto Reflexões. O desfecho musical
grupos interagindo. “É uma oportu- encontro criou um novo momento reforçou o clima de integração que
nidade ótima de conhecer colegas, de integração, repetido no início da permeou toda estadia na serra.
trocar idéias, dúvidas, angústias noite pela celebração eucarística na
até. O maior ganho é conhecer os Igreja São Bento, em forma de Pipa,

8 REVISTA DO PROJETO REFLEXÕES PUCRS – 2007


Ir. Armando Bortolini ARTIGO
Compromisso profissional e a espiritualidade

H
á um conjunto de refe- e dominai sobre os peixes... (Gen intrínsecos e extrínsecos, permite
rências que visam a en- 1,27-28). A compreensão que se ao homem superar, valorosamente,
tender a grande ques- pode ter, emanada do significado, o formalismo da lei comerás o pão
tão do trabalho, como é a da necessidade do trabalho no ao suor do rosto.
atividad e humana e mais amplo sentido. Para o homem O apóstolo Paulo aos Tessaloni-
com as múltiplas implicações. Des- sobreviver e se multiplicar necessi- censes defende a máxima: quem
de a origem, segundo a narrativa ta, obrigatoriamente, utilizar suas não quiser trabalhar não terá o
bíblica, está posta a questão da pro- forças e suas habilidades. Portanto, direito de comer (2Ts 6,10). Significa


fissão no formato de trabalho. Uma deve trabalhar para comer o pão em termos, utilizar as habilidades
referência nesse contexto: E Deus de cada dia e, dependendo, provê- na busca permanente da sabedoria,


acabou no sétimo dia a obra que lo aos dependentes. O que hoje se própria da atividade profissional,
tinha feito; e descansou no sétimo chama profissão é o que está pres- onde cada um, com alegria e satis-
dia de toda a obra que tinha feito crito no Gênesis. Outro elemento fação, pode sentir seu crescimento
(Gen 2,2). É evidente que a lingua- na ordem do Criador: enchei a terra ao realizar algo sempre melhor em
gem utilizada tem benefício dos cidadãos
o objetivo de fazer O grande retorno é conseguir iluminar a mente, abrasar com os quais interage.
compreender aos ho- Sim! E qual o retorno?
mens a intervenção o coração e mover a vontade. O trabalho/compromisso Não é, obviamente,
de Deus na criação. tem algo imanente que permite ao homem uma um mero retorno fi-
No significado literal, nanceiro ou material.
se Deus descansou, percepção do que seja o bem e o verdadeiro como reflexo O grande retorno é
significa que traba- da superação dos bens passageiros, porque materiais. conseguir iluminar a
lhou, isto é, cansou mente, abrasar o cora-
como conseqüência do trabalho. É e dominai-a. Como ser inteligente ção ã e mover a vontade. O trabalho/
apenas um significado figurado. o homem, entre acertos e erros, compromisso tem algo imanente
Todos entendem que é mais no decorrer dos séculos aprendeu que permite ao homem uma percep-
simpático dizer e pensar em com- muito, o que poderia se chamar ção do que seja o bem e o verdadei-
promisso em vez de obrigação; progresso e sabedoria que, aplica- ro como reflexo da superação dos
pensar em profissão em vez de do no contexto da humanidade, bens passageiros, porque materiais.
trabalho obrigatório. Nisso pode possibilitou descobertas e avanços É o componente psico-afetivo e es-
haver equívocos e mal-entendidos. no cultivo das ciências e artes. No piritual, próprio de quem consegue
Em épocas mais próximas, quando aspecto positivo é denominada vida transpor o simples dever profissio-
o homem fora redimido, a doutrina com qualidade. nal e torná-lo um ideal de vida, uma
cristã procurou dar um sentido de Não há quem não admire os verdadeira vocação.
conformidade e resignação à lei do cientistas, pesquisadores e educado-
trabalho. Ao mesmo tempo foram res que, em sua profissão cumprem
praticadas formas de convivência com deveres de horários, rotinas
humana nas quais os detentores próprias, verdadeiras exigências
do poder, reduziram os súditos à sociais. Porém, onde está a sabedo-
escravidão, numa tentativa de su- ria? Ela pode estar em muitos com-
perar, egoisticamente, o imperativo ponentes, um deles deve ser aqui
do trabalho. Em outros ambientes, destacado. É o compromisso pessoal
onde o cristianismo foi levado a um que vai muito além de um simples
nível de radicalidade e sublimação, dever. A dedicação e constante em-
os monges utilizaram a mística do penho do pesquisador, do educador,
ora et labora. Para eles, o trabalho do administrador em trabalhar num
e a oração eram tudo na vida, pois sentido que ultrapassa a obrigação,
conjugavam a lei do trabalho com a tentando e persistindo até conse-
lei do amor. guir algo para o benefício das pes-
Nessa meditação, não se pode soas e da ciência. E para que tudo
esquecer outra prescrição bíblica: E isso? Como entender e vivenciar?
criou Deus o homem à sua imagem.. É muito simples! O compromisso é
e criou-os varão e fêmea. E Deus os um valor e como tal transcende às
abençoou, e disse crescei e multipli- prescrições formais. Assim entendi-
cai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a do e vivenciado em seus aspectos

REVISTA DO PROJETO REFLEXÕES PUCRS – 2007 9


O OLHAR

Grupos propõem
melhorias para
a PUCRS
N
em só de palestras é ferencistas numa plenária dedicada
feito o Projeto Refle- ao esclarecimento de dúvidas. No sá-
xões. Durante a estada bado, um novo encontro serviu para
em Bento Gonçalves, discutir propostas de melhoria para a
no encontro O Olhar, Universidade com base nas apresen-
dois momentos são dedicados à troca tações do Ir. Armando Bortolini e do
de idéias em grupos. As equipes têm professor Érico Hammes, ambos da
característica multidisciplinar, pois Comissão do Projeto Reflexões. Eles
incluem professores e funcionários falaram sobre o Instituto Marista hoje
técnico-científicos de diferentes uni- e o perfil e a história da universidade
dades, explorando a característica católica.
plural existente na Universidade. Do exercício, o melhor saldo é a
Na sexta-feira feira, 1º de junho, interação entre docentes, coordena-
depois das palestras dos professores dores e equipe técnica que propõem,
José Roberto Gomes da Silva e Nílson em conjunto, iniciativas para o cres-
José Machado, 15 grupos se reuniram cimento da PUCRS. Acompanhe a
em diferentes salas e elaboraram seguir as propostas sugeridas pelas
questões para apresentar aos con- equipes.

10 REVISTA DO PROJETO REFLEXÕES PUCRS – 2007


CONCLUSÕES APRESENTADAS EM BENTO GONÇALVES
Propostas dos Grupos 1 ao 5 Propostas dos Grupos 6 ao 10

Como lidar com o paradoxo: mercado/ Educação Marista – Educação cató- Há pragmatismo e falta de tempo –
aluno/clienteX lica – educação confessional; Idéia como retirar a “pressa” dos alunos?
educação/processo/aprendizagem de transmissão da proposta marista Todavia:
dentro da proposta marista? fazendo com que os participantes se Professor deve ser exemplo de valo-
sentissem cada vez mais protagonis- res morais.
A importância do processo de comu- tas do processo, tornando-se multipli- Professor deve conduzir reflexão e
nicação e integração transdisciplinar cadores e não meros coadjuvantes; meditação nas aulas.
para a gestão da Instituição e de Dificuldade de agregar às diversas Professor pode e deve estabelecer
competências. áreas do conhecimento, na trans- relação afetiva.
missão do conhecimento, o caráter Deve haver a prática de religiosidade
A necessidade de educação com in- marista e católico da Universidade; no dia-a-dia do professor. Por exem-
teligência, consciência e moral (de Necessidade do conhecimento do que plo, tomando atitudes pelo bem do
maneira individualizada), mediante é ser Marista e o que está associado semelhante, orientando bem o aluno
as pressões mercadológicas e a sobre- à proposta de educação marista; e praticando bem a profissão.
carga docente. Falta de tempo para refletir sobre Pergunta-se: aluno quer isso? Sim,
as diversas situações que vivemos a sociedade tem deficiência em ati-
Propostas dos Grupos 11 ao 15 no dia-a-dia e que influenciam nos tudes afetivas, humanas, educadas.
resultados diretos do maior ou menor O aluno de hoje é muito carente e
Síntese das idéias engajamento com a proposta católica receptivo a atitudes de fraternidade,
• O dilema entre o mercantilismo e a marista. humanidade. Sala de aula é ambiente
dádiva propício para o “olho no olho”.
• Questão da produção do conhecimento Questão importante a ser destacada
• Valorização do estilo marista de é de como o professor pode ser espi- A questão da identidade e sua rela-
educar ritualizado. ção com a credibilidade da univer-
Professor tem um desafio com a sidade. O estudante precisa estar
Ações práticas questão da fé – pergunta-se como consciente de que está pagando pela
• Se possível compatibilizar as duas fazer para alcançar o aluno, pois a educação e não por um produto!
ações humanização da educação deve ser Isto porque, independentemente
• Construção de canais de comunica- importante. da necessidade de divulgação dos
ção eficientes, tanto internos quanto Verifica-se que: valores da PUCRS, há preocupação
externos Os alunos não têm conhecimento com a questão do preço (competição/
• Integração sobre a fé. mercado).
O OLHAR
ESPECIAL

Fórum aberto
DE QUE MANEIRA O ENSINO
PODE COLABORAR COM A
SOCIEDADE NA QUALIFICAÇÃO
DAS FUTURAS LIDERANÇAS
POLÍTICAS, PARA QUE ASSUMAM

às perguntas
AS RESPONSABILIDADES DA AD-
MINISTRAÇÃO PÚBLICA EMBA-
SADAS EM VALORES MORAIS E
ÉTICOS? E DE QUE MANEIRA SE
PODE PREPARAR CIVICAMENTE

e opiniões
A POPULAÇÃO PARA QUE ELA
PASSE A QUERER PARTICIPAR
DAS QUESTÕES POLÍTICAS?
“Todos nós, numa univer-

P
sidade, por nossas atitudes na
secretaria, no laboratório, na
elo segundo ano conse- lidar como um fór um aberto às sala de aula ou na direção, esta-
cutivo, os participantes manifestações e à troca de infor- mos transmitindo sempre uma
do encontro O Olhar, mações sobre a PUCRS. Conforme mensagem. O professor deixa a
marca nos seus alunos por aquilo
em Bento Gonçalves, a professora Vera Regina Silva,
que ele é. Nem tanto por aquilo
tiveram a oportunidade houve “a oportunidade de falar que ele sabe”, salientou o Reitor
de perguntar e fazer comentários diretamente com a Reitoria, ex- Joaquim Clotet. Essa atitude de
acerca de suas unidades acadê- pondo nossas ansiedades, aquilo correção, de responsabilidade,
micas e da própria Universidade, com o que estamos preocupados trabalho e cidadania é a primeira
mensagem que deveria ser deixa-
dirimindo dúvidas e expondo em relação à nossa Instituição. da para os alunos. A Pró-Reitora
pontos-de-vista aos membros da Sabemos que a Universidade enca- de Assuntos Comunitários, Jaque-
Administração Superior. O painel minhará as solicitações para quem line Moreira, destacou o acom-
Dialogando com a Reitoria foi re- é de direito, pois a idéia é essa, é panhamento das atividades dos
alizado na manhã de domingo, 3 resolver”. Centros Acadêmicos, devido aos
alunos entenderem de forma di-
de junho, terceiro e último dia do Acompanhe a seguir alguns tó- ferenciada a questão política. “O
evento realizado na Serra. picos abordados por professores e diálogo tem ajudado e permitido
O espaço começa a se conso- funcionários. avanços. Há, no entanto, uma
grande maioria silenciosa, o que
é negativo”. Também foi lembra-
do pelos Pró-Reitores que a for-
QUAL O FUTURO DO CAMPUS VIAMÃO? mação cidadã está nos projetos
pedagógicos e é uma marca dos
A Pró-Reitora de Graduação, Solange Medina Ketzer, disse que a capila- currículos das Faculdades, não
rização do ensino superior, com a multiplicação de novas Faculdades tem se restringindo a uma disciplina.
acarretado a redução de alunos. Muitos estudantes também têm buscado Na área de extensão, há cursos
facilidades, como cursos de curta duração. “A criação de cursos tecnológicos específicos para a qualificação
não é vista como solução. O objetivo maior é a qualificação dos cursos exis- de pessoas que trabalham na
tentes”, frisou. Jorge Audy, Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, lembrou gestão pública. A PUCRS também
que uma das alternativas criadas para o Campus Viamão é o novo Centro colabora com a participação de
Tecnológico de Produção Audiovisual e a Fase 3 do Tecnopuc. O objetivo é professores em cargos públicos,
fazer do local um pólo de atração de investimentos. “Os cursos de extensão como é o caso da atual gestão
têm sido uma proposta viável, devido ao perfil econômico local”, observou do governo do Estado, com seis
o Pró-Reitor de Extensão, João Dornelles Jr. docentes da Universidade.

14 REVISTA DO PROJETO REFLEXÕES PUCRS – 2007


COMENTÁRIO DO FUNCIONÁRIO RAUL MARTINS, OS OBJETIVOS DO PLANO ES-
GERENTE CENTRO DE EVENTOS TRATÉGICO 2001-2010 SERÃO
ALCANÇADOS NA ÍNTEGRA?
“Nossa Universidade, que aqui discute a identidade católica, marista, tem
ainda muitas segmentações. Por exemplo: entre os professores doutores, os mes- O Reitor Joaquim Clotet afir-
tres e os outros. Na PUCRS temos os professores e os técnico-científicos. Eu tenho mou que o Plano Estratégico
51 anos, 34 deles vinculados a instituições maristas. Os funcionários técnico- está se adaptando à realidade
científicos não são trazidos para discutir o papel deles. Na minha atividade atual, da Universidade, bem como as
deixei de atuar como professor para assumir uma função de gestor. Vejo a postura unidades acadêmicas. “É um
que assumem nossos monitores, com tratamento diferenciado em relação a pro- processo contínuo de aperfeiçoa-
fessores e funcionários. Circulando em muitas áreas, constato que a Universidade mento”, resumiu. O Pró-Reitor de
tem um corpo técnico-científico dos mais qualificados. Há pessoas com mestrado Administração e Finanças, Paulo
e doutorado trabalhando nas secretarias de algumas unidades. Pergunto: Se o que Franco, destacou que algumas
mais interessa numa instituição católica, marista, são as pessoas, que espaço abri- metas estão sendo alcançadas
mos para discutir isso? Que reflexão vamos fazer sobre isso? Quando nós vamos e outras reelaboradas, como a
entender que não basta somente o professor ser exemplo para os alunos? Isso PUCRS Virtual, que atualmente
deve ter um prosseguimento em todos os funcionários. Precisamos saber qual tem 29 mil alunos e, em breve,
é o papel de todos nós, que não seja tão fragmentado, e saber qual é a função de pode chegar a 35 mil. O profes-
cada um na construção dessa Universidade. sor Jorge Audy disse que a pes-
quisa e a pós-graduação têm um
alinhamento muito grande com
o Plano Estratégico, priorizando
QUE ATIVIDADES DE DESENVOL- COMENTÁRIO DO PROFESSOR PAU- sempre a qualidade e a relevân-
VIMENTO SOCIAL E INTEGRAÇÃO LO CESA FILHO, DA FACULDADE cia. “Exemplo disso é a PUCRS
COM A SOCIEDADE A PUCRS ESTÁ DE ARQUITETURA E URBANISMO estar em primeiro lugar em gru-
PRATICANDO? pos de pesquisa no CNPq entre
“Faço um registro que remete instituições de ensino privadas
Ir. Roque Salet, Ecônomo e a reflexões também. A nova dire- e constar como a terceira maior
Conselheiro da Província Marista ção da Faculdade de Arquitetura universidade particular em ofer-
do RS, afirmou que cerca de 70% e Urbanismo tem proporcionado ta de cursos de pós-graduação”.
dos projetos sociais maristas um ambiente de qualidade e satis-
no Estado são promovidos por fação para trabalhar. Um ambiente
ações da PUCRS, em especial humano, ético, de afetividade. Isso COMENTÁRIO DO PROFESSOR CLÁU-
pelo Centro de Pastoral e Solida- repercute e só vai trazer prosperi- DIO MOTTIN, DA FACULDADE DE
riedade. A União Sul Brasileira dade para a unidade acadêmica.” MEDICINA
de Educação e Ensino presta
cerca de 8 mil atendimentos por “Quem sabe a PUCRS, na sua
dia a pessoas carentes. Segun- discrição, torne-se mais óbvia
do o professor Paulo Franco, os para a sociedade nas suas qualifi-
lucros da Universidade, por sua cações. Como professores, em sala
característica filantrópica, são de aula, sentimos que, embora a
aplicados na manutenção do Universidade tenha ações sociais
patrimônio e em obras sociais. voltadas aos menos favorecidos,
“O projeto de extensão na Vila o nosso aluno, que paga, percebe
Fátima tem papel social impor- a PUCRS de forma diferente, como
tantíssimo. Serve de laboratório uma entidade mercantilista. A
para trabalhos de alunos e pro- comunicação pode resolver isso?
fessores. Recentemente houve Em nosso grupo, chegamos à
a ampliação do espaço físico, conclusão, que na hora de decidir,
visando à qualificação do tra- é a dádiva que deve ser o preceito
balho”, relatou o professor João fundamental, pois ela atende todo
Dornelles Jr. o fundamento.”

REVISTA DO PROJETO REFLEXÕES PUCRS – 2007 15


A IDENTIDADE

Servir a sociedade é
missão de todos
“Q
uando um aluno se
forma na PUCRS ele
recebe um diploma
de médico, enge-
nheiro ou comuni-
cador social, mas deveria receber
também o diploma de membro
ativo na sociedade. A Universida-
de tem uma missão e cabe a nós,
professores e funcionários, nos
empenharmos e a prepararmos o
estudante para servir à sociedade,
ser um ser social”. Com este espírito
e objetivo, o Reitor Joaquim Clotet
(foto), proferiu a palestra de aber-
tura da segunda etapa do Projeto Para ele, os jardineiros, motoris- gratuitos direcionados à instrução e
Reflexões – A Identidade, realizada tas, secretários, responsáveis por preservação da saúde e da qualidade
em agosto. laboratórios, pelos estacionamen- de vida, entre outras.
Os filósofos Platão, Aristóteles, tos, professores, diretores, coorde- O Reitor enfocou também o as-
cientistas, artistas e personalidades nadores e o próprio Reitor da PUCRS pecto religioso, frisando que os
contemporâneas, como a senadora precisam ter os mesmos objetivos e membros católicos da comunidade
americana Hillary Clinton, foram ideais, para não fracassar. “É para universitária devem ter fidelidade à
citados por Clotet para exemplificar isso que precisamos conhecer e tra- Igreja, contando com o respeito dos
o tema e explicar um pouco aos balhar nossa identidade”, definiu. não-católicos, enquanto a Universi-
participantes qual é a identidade da Conforme seu Estatuto, a PUCRS dade precisa respeitar a liberdade
PUCRS e como a Universidade é co- é uma instituição confessional ca- religiosa de cada um. E ressaltou:
nhecida. Para o Reitor, por exemplo, tólica, regida por valores maristas. “A PUCRS não segrega ninguém
a identidade institucional pode ser São essenciais à sua existência a pela sua fé. Todos são bem-vindos,
considerada sob o aspecto teórico, reflexão, fidelidade à mensagem não importa a sua origem e religião.
quando proposta pelo fundador ou cristã e empenho no serviço à famí- Queremos pessoas comprometidas,
entidade fundacional, ou ainda pelo lia, conforme explica a Constituição sérias, engajadas no trabalho, na
aspecto prático, ao avaliar a inte- Apostólica sobre as Universidades formação, na educação de nossos
gração e o agir de quem constitui Católicas. Para que professores, alunos e nos serviços à sociedade”.
a Instituição. Ele lembrou que para funcionários e, principalmente, os No final, Clotet convidou os partici-
haver a identificação do indivíduo e alunos sintam a Universidade como pantes a refletir sobre a harmonia
do grupo com o local em que passa uma parte sua, o Reitor recomenda entre fé, cultura e vida e a sentir-
boa parte do dia e, muitas vezes, participar e desenvolver ações so- se bem crescendo e trabalhando
anos é preciso conhecer o que se faz ciais que beneficiem a comunidade. na PUCRS. E lembrou Michel de
e, em nome do que é feito. “Nossa Entre elas a realização de projetos Montaigne ao refletir sobre a frase:
identidade se formará por meio em vilas carentes, exemplo da Vila “Saber deliciar-se com o fato de ser
de um esforço pela afirmação, um Fátima onde a PUCRS mantém um uma pessoa correta é uma perfeição
trabalho constante que deve ter a Centro de Extensão Universitária, absoluta e virtualmente divina”.
participação de todos” destacou. realização de palestras e cursos

16 REVISTA DO PROJETO REFLEXÕES PUCRS – 2007


MARCO REFERENCIAL É AVALIADO

Os professores Ma- que a técnica gera uma


ria Helena Itaqui Lopes, forma de ver, pensar
da Faculdade de Medici- e agir e que o homem
na, Antônio Hohlfeldt, deve cuidar para não
da Comunicação Social, se tornar somente téc-
e Pergentino Pivatto, da nico e que na ética está
Educação, apresentaram a relação com a técni-
e debateram o Marco Re- ca. O 17º ponto* fala do
ferencial da Universidade tríplice compromisso
no encontro realizado em proposto no Marco: a
agosto. O documento, ela- verdade, a fraternida-
borado em 1979, mostra de e a fé. O professor
a filosofia da Instituição e avalia que o princípio
busca traduzir o espírito do comprometimento é
e o clima a ser vivenciado conhecer para, a partir
pela comunidade acadê- daí, prometer e cum-
mica. A atividade foi di- estudante, incentivo e atualização prir a promessa. Para
vidida em quatro tópicos, mostrando pedagógica de professores e o apoio à ele é importante ainda ter o coração
um pouco o que a PUCRS deseja e participação em congressos e seminá- e a inteligência voltados para a dor
projeta: O Marco Referencial; Relação rios foram lembradas como vitórias. humana e fazer nascer, dessa dor, a
entre Marco Referencial e missão da Pergentino Pivatto ressaltou al- solução para a comunidade.
PUCRS; Projetando o futuro median- guns aspectos humanos do Marco O Marco Referencial ainda reco-
te a avaliação do presente e O que Referencial, como os valores da ética nhece e defende o direito universal à
melhoramos, mas ainda precisamos cristã, apresentados no 4º item* do educação e à livre escolha do indiví-
melhorar mais. documento. O 5º item se refere ao duo quanto ao tipo de educação. Apre-
Hohlfeldt destacou que a Uni- primado do homem sobre as coisas, senta a Universidade como centro de
versidade precisa se autoconhecer, do espírito sobre a matéria, da ética reflexão, estudo, debates, pesquisas
apresentar aos alunos a utilidade sobre a técnica. Pivatto acrescenta e análise da realidade, com espíri-
de seus cursos e criar to crítico e criativo,
nos estudantes a idéia ENTENDENDO MELHOR responsável, lugar
de preservar, conser- em que se questiona
*4º item: Juntamente com os valores comuns a toda Universidade, a
var e valorizar objetos PUCRS se empenha, de modo especial, no cultivo dos valores humanos o tipo de indivíduo e
ou equipamentos da e da ética cristã. de sociedade que se
Instituição. Entre os *17º item: A PUCRS propõe a todos os seus membros um tríplice deseja formar e se
desafios foi apontada compromisso: buscam alternativas
uma maior divulgação 17.1 Um compromisso com a verdade, pelo estudo e a atitude de bus- para a democracia e
do que se vem discu- ca constante mediante a pesquisa científica, o desenvolvimento da criati- a promoção da cul-
tindo e realizando, vidade, a análise e crítica da realidade, à luz dos princípios cristãos. tura nos planos in-
motivação dos pro- 17.2 Um compromisso de vivência profunda da fraternidade reve- telectual, artístico,
fessores, funcionários lada no relacionamento interpessoal; no diálogo, como instrumento de físico, moral e espi-
e alunos e também a compreensão mútua e de superação das dificuldades; na sinceridade e ritual, em função do
simplicidade no agir; no predomínio do bem comum sobre os interesses
necessidade de cons- individuais; no desenvolvimento do espírito de solidariedade e da coope- compromisso com
cientização do acadê- ração em vez da competição; na sensibilidade às necessidades do outro os valores cristãos.
mico para questões e pela disponibilidade em servir. Mais informações
como a conservação 17.3 Um compromisso com a transcendência, pela atitude de pere- no site www.pucrs.
da infra-estrutura. A grinos na fé, comprometidos com as realidades terrestres, mas sem mo- br, clicando no link
oferta de alternativas rada permanente neste mundo, vivendo uma etapa transitória de plena A Universidade, à es-
para a formação do realização humana, na visão da esperança da vida futura. querda da página.
O COMPROMISSO

Novo só podem ser assumidos por pessoas


e não por indivíduos, que são seres
anônimos.

compromisso
Ao final da palestra e do coffe-
break, dez grupos se reuniram para
debater e criar respostas para duas
questões propostas: o papel e com-

é com a
promisso da PUCRS como instituição
no cenário atual e o compromisso
pessoal com a missão e a visão da
Universidade.

formação
As respostas mostraram clareza
dos participantes quanto às funções
da PUCRS e a preocupação com a
mensagem a ser passada em sala de
aula e a necessidade de incentivo à

pessoal
aproximação da família do cotidiano
acadêmico, auxiliando na troca de
informações e busca por uma visão
mais humanizada nas relações.

O
A idéia é, também, que a Univer-
sidade seja vista como um lugar
principal resultado do A palestra de abertura, minis- para trabalhar e construir relações
terceiro encontro do Re- trada pelo professor Érico Hammes, humanas.
flexões, O Compromisso, abordou o significado da palavra Para a professora Maria Concei-
foi a percepção de que, compromisso sob os aspectos cientí- ção Stumpf, da Faculdade de Educa-
do ponto de vista técni- fico, etimológico, histórico e cristão. ção, que participou das três etapas
co, envolvendo a qualidade do corpo Lembrou que as palavras empenho, do Reflexões este ano, a organização
docente e os recursos tecnológicos, engajamento e responsabilidade da atividade foi muito boa, transmi-
a Universidade está trilhando o ca- conduzem ao compromisso e que tindo a mensagem de forma gradati-
minho correto. O principal desafio, comprometimento pressupõe liber- va até chegar ao comprometimento
agora, é centrar o olhar sobre os as- dade. Sob a perspectiva teológica, o de cada um com a instituição. Ela
pectos éticos, morais e de formação ato de comprometer-se está ligado à acredita que todo trabalho auxiliou
pessoal dos alunos. A última etapa imagem de Jesus na cruz, que mos- “a reforçar o sentimento de perten-
do Projeto ocorreu em 27 de outu- trou seu grau de envolvimento com cimento, o que dá muito conforto e
bro, no Campus Central, e reuniu a dor humana, levando-o às últimas amparo em dividir as responsabili-
cerca de 70 pessoas, da 10ª edição e conseqüências. Conforme Hammes, dades com as pessoas que fazem a
de eventos anteriores. obrigações, envolvimentos, vínculos gestão da Universidade”.
18 REVISTA DO PROJETO REFLEXÕES PUCRS – 2007
QUESTÕES PROPOSTAS AOS GRUPOS
No cenário atual, qual é o papel e o compromisso da Qual o meu compromisso com a Missão e Visão da
PUCRS como instituição? PUCRS?

Produzir e difundir conhecimento e promover a for- Compreendê-las e difundi-las;


mação humana e profissional, sem deixar a lógica de Identificação com os princípios maristas;
mercado prevalecer sobre o primado da pessoa;
Entender a modificação do perfil do aluno;
Contribuir para a inserção social e o posicionamento
crítico na sociedade; Ser pró-ativo e participar dos projetos institucionais;

Ampliar o compromisso do aluno com a Universidade Ter responsabilidade e dedicação ao ensino, pesquisa,
por meio da integração com a família; extensão e gestão, fundamentados nos princípios de
qualidade, ética e relevância;
Manter preocupação constante com a sustentabilida-
Ser agente de transformações rumo à excelência da
de;
gestão;
Alicerçar as atividades nos princípios da ética, da mo-
Compromisso forte com a formação profissional e
ral e da missão cristã;
pessoal, atendendo a quesitos como inovação, empre-
Atentar para a inovação ligada à ação solidária; endedorismo, criatividade e amabilidade;
Propor geração de modelos inovadores com criati- Ser coerente com os princípios assumidos pessoal e
vidade, sendo crítico, bom senso e responsabilidade coletivamente;
social; Estimular a adesão da comunidade acadêmica em pro-
Fortalecer as relações humanas e interagir com a so- jetos coletivos que discutam a sociedade desejada;
ciedade; Ser facilitador e motivador de todas as atividades de-
Confirmar o tríplice compromisso com a verdade, a senvolvidas na instituição;
fraternidade e a transcendência; Trabalhar de forma engajada, com ética, fidelidade e
Transmitir valores, ajudando os alunos a ultrapassa- lealdade;
rem o indivíduo (abstrato) para chegarem à pessoa Investir na própria formação e atualização de conhe-
(com identidade), preparando-os para o mundo do cimentos;
trabalho com formação humana completa;
Incentivar a participação dos alunos em trabalhos
Conscientizar para a hipervalorização do “ter” sobre o voluntários de cunho social oferecidos pelos projetos
“ser”. da própria instituição.

REVISTA DO PROJETO REFLEXÕES PUCRS – 2007 19


MOMENTOS
MEMÓRIA

Para marcar

22 REVISTA DO PROJETO REFLEXÕES PUCRS – 2007


a história

REVISTA DO PROJETO REFLEXÕES PUCRS – 2007 23


Projeto
Reflexões
2008

O O L H A R – 30, 31 DE MAIO E 1º DE JUNHO, EM BENTO GONÇALVES


A I D E N T I D A D E – 30 DE AGOSTO, EM PORTO ALEGRE
O C O M P R O M I S S O – 25 DE OUTUBRO, EM PORTO ALEGRE

w w w . p u c r s . b r / r e f l e x o e s