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A DISCIPLINA E SUA CORRELAÇÃO NO PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM

NO COLÉGIO DA POLÍCIA MILITAR UNIDADE HUGO DE CARVALHO RAMOS

CAMILO, Neidimar da Silva 1


COUTO,Luciana de Azevedo²
POLETTO, Lizandro³
REIS JUNIOR, José dos4

RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo mostrar a correlação da disciplina no processo ensino aprendizagem do
Colégio da Polícia Militar Unidade Hugo de Carvalho Ramos, procurando embasamento teórico de estudiosos no
assunto para comprovamos que a disciplina é uma condição indispensável para o aprendizado. Paralelo a isso foi
realizada a pesquisa de campo, através de questionários junto ao corpo docente e discente, para comprovar as
implicações práticas da disciplina adotada pelos colégios administrados pela Polícia Militar. Após os estudos
realizados e análise dos resultados, percebe-se que a disciplina aliada a princípios de civismo e cidadania é fator
positivo na produtividade pedagógica dos alunos. Com isso, vê-se que as unidades escolares da Polícia Militar
crescem a cada ano em face dos bons resultados alcançados e pela aceitação da comunidade.

Palavras-chave: Disciplina. Civismo. Cidadania.

ABSTRACT
This work aims to show the correlation of discipline in the learning process of the Police College of Military
Unit Hugo de Carvalho Ramos, looking for theoretical basis of scholars in the subject to proved that discipline is
a prerequisite for learning. Parallel to this was carried out field research through questionnaires by the faculty
and students, to prove the practical implications of discipline adopted by schools administered by the Military
Police. After the studies and analysis of the results, it is clear that discipline combined with principles of civics
and citizenship is a positive factor in educational productivity of students. Thus, we see that the school units of
the Military Police grow every year in view of the good results achieved and the acceptance of the community.

Keywords: Discipline. Civility. Citizenship.

1
Professor,Especialista em Gestão de Segurança Pública. Diretor do Colégio Militar unidade Miriam
Benchimol.neidimar.camilo@seduc.go.gov.br
² Bacharel em Economia, Mestre em Desenvolvimento Sustentável e ambiental, Especialista em Docência
Universitária, Professora da PUC/GO, Pos graduanda em Ciências da Segurança Pública pela Universidade
Estadual de Goiás.luciana,couto8@hotmail.com
³Professor da Fac UNICAMPS- Graduado em Pedagogia - lizandropoletto@hotmail.com.
4- Professor e Coordenador do Curso de Educação Física Da FAC UNICAMPS – Goiânia, Licenciatura Plena
em Educação Física, Mestre em Ciencias da Saúde, Oficial da PMGO. educadorreis@gmail.com
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1. INTRODUÇÃO
Os Colégios da Polícia Militar do Estado de Goiás (CPMG), tem tido nos últimos anos
um crescimento vertiginoso, e isso, em razão dos bons resultados alcançados pelos alunos,
com grande destaque no cenário estadual e a aceitação da comunidade onde estas unidades
são instaladas.
Diante desse quadro, surge o seguinte questionamento: A disciplina militar tem
contribuído como facilitador no processo ensino aprendizagem nos colégios da polícia
militar? Partindo deste princípio, procuramos entender as influências que a disciplina
proporciona aos alunos, e se o “civismo e cidadania”, que é o lema dos Colégios Militares de
Goiás, aliada a disciplina são as verdadeiras razões para o sucesso dos alunos destas unidades
escolares.
Foi analisado o regimento interno e observado uma ênfase acentuada no resgate de
valores morais, da família, do civismo e cidadania, princípios que ao passar dos anos foram
sendo desvalorizados ou preteridos pela grande parcela da sociedade. O patriotismo e o
exercício da cidadania eram aprendidos na escola desde as primeiras séries, onde cantar o
Hino Nacional era rotina escolar, hoje, praticamente não se vê estas práticas, com isso, se
perde cada vez mais noções tão importantes para a formação do ser humano e o
desenvolvimento moral e ético.
A pesquisa de campo foi realizada pelo processo de amostragem, sendo de extrema
relevância, haja vista, foi realizado um questionário junto ao corpo docente e discente do
Colégio da Polícia Militar Unidade Hugo de Carvalho Ramos, cuja pretensão é verificar se a
disciplina é ou não um facilitador no processo ensino aprendizagem dos alunos, por ser esta
uma característica tão marcante dessa unidade educacional. Foi realizada também pesquisas
de obras publicadas de autores que tratam do assunto, inclusive consultas a artigos em sites,
revistas de um modo geral e o Regimento Interno dos Colégios da Polícia Militar. Os autores
pesquisados foram Piaget (2000), Tedesco (1995), Aquino (1996), Cortella (2014), Nérice
(1993) e Chalita (2004).

2 DESENVOLVIMENTO

Desde o ano de 1976, constava na estrutura organizacional da Polícia Militar do


Estado de Goiás o Colégio Militar, vez que naquela época houve uma modificação na
legislação da PM, conforme a lei n.º 8.125 de 18 de julho de 1976, que dispõe sobre a
Organização Básica da Polícia Militar no seu artigo 23, Inciso I, que torna realidade a partir
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do dia 27 de julho de 1998. O Tenente Coronel PM Carlos Felix do Nascimento foi designado
para acumular as funções de Comandante da Academia da Polícia Militar e Diretor do
Colégio da Polícia Militar e o Capitão PM Geraldo Castro para Secretário Geral, dando início
ao processo de efetivação.
No dia 31 de junho de 1998, foi criada uma comissão para realizar estudos visando a
efetivação do Colégio da Polícia Militar, a qual encaminhou à Secretaria Estadual de
Educação e Cultura (SEDUC) e ao Conselho Estadual de Educação (CEE), o processo n.º
16207955, solicitando a autorização de funcionamento de cursos de ensino fundamental e
médio (não profissionalizante) a serem geridos pela Polícia Militar de Goiás.
As instalações da Academia da Polícia Militar – APM, sediada no setor Universitário
foram escolhidas provisoriamente, para sediar a referida escola, sendo vistoriada pelo CEE e
considerando as instalações adequadas.
A Portaria n.º 0604/98PM, de 19 de novembro de 1998, ativou o Colégio da Polícia
Militar de Goiás, dando início a estrutura para o seu funcionamento a partir de 1999. Já a
Portaria 0605/95/PM-GAB designa a partir de 1º de novembro de 1998, o Major Balthazar
Donizete de Souza para a função de Comandante e Diretor da primeira Unidade do Colégio da
Polícia Militar.
O projeto inicial do Colégio da Polícia Militar do Estado de Goiás – CPMG visava
oferecer aos filhos e dependentes de policiais militares um ensino de qualidade, norteado
pelos princípios de civismo e cidadania, com o desenvolvimento de um novo modelo de
gestão que se ancorava numa parceria entre Polícia Militar, Secretaria de Educação e
comunidade escolar.
Com a mobilização para a ampliação do projeto inicial, em fevereiro de 2000, o
CPMG assumiu as instalações da Unidade Vasco dos Reis, que funcionava com 11 (onze)
salas no setor Sul desta capital.
Pouco tempo depois, em dezembro de 2000, a Polícia Militar foi chamada a assumir a
gestão do colégio estadual Hugo de Carvalho Ramos, que enfrentava graves problemas
relativos à violência e drogas, que comprometiam o desenvolvimento das atividades letivas
naquela escola. A instalação do CPMG Unidade Hugo de Carvalho Ramos foi um sucesso e
seguiu funcionando em conjunto com a Unidade Vasco dos Reis e conquistando mais e mais a
aceitação popular.

Em 21 dezembro de 2001, com a promulgação da Lei nº 14.050, nascem outras 04


(quatro) Unidades do CPMG, o alto desempenho alcançado, aferido em avaliações estaduais e
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nacionais, tais como: Sistema de Avaliação Educacional do Estado de Goiás – SAEGO;


Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM; e Índice de Desenvolvimento da Educação
Básica – IDEB; entre outros, foi aguçando o interesse da comunidade e a demanda pela
criação de novas Unidades foi crescendo ano após ano.
Diante do clamor social, em 2013 o Governador Marconi Perillo idealizou a ampliação
do projeto e lançou um grande desafio que foi prontamente aceito pela Corporação, criando
12 novas unidades do CPMG. No ano de 2015 foram transformados em CPMG, 07 Colégios
Estaduais e passaram a funcionar no segundo semestre daquele ano.
Para que possamos prosseguir em nosso tema, se faz necessário esclarecer a exata
definição de disciplina, pois existem conceitos divergentes e falados por muitos sobre a
questão e que muitas vezes não inferem a realidade da definição. Para Ferreira, Aurélio. B. H.
(2010, p. 257), “Disciplina: 1. Regime de ordem imposta ou mesmo consentida. 2. Ordem
que convém ao bom funcionamento de uma organização”. (Grifo meu).
Segundo a definição do autor, a “ordem” está intrinsecamente associada a disciplina,
pois não há organização sem disciplina, nota-se no cotidiano social mudanças que ocorrem
com um crescimento tão grande que acabam interferindo em muitos aspectos da vida do
indivíduo, onde a educação e os valores morais, os quais deveriam ser passados à criança
incialmente pela família acaba ficando em segundo plano, acarretando problemas de
comportamento, como a indisciplina.

No processo de socialização primária, de responsabilidade da família, que


corresponde à fase da infância, é que o indivíduo se compreende como membro da
sociedade. Nesta fase existe uma carga afetiva na transmissão dos conteúdos e uma
identificação com o mundo da forma como os adultos o apresentam. (TEDESCO,
1995, p. 31)

É fato que a família vem sofrendo alterações em face das constantes mudanças dos
tempos modernos, competitividade no mercado de trabalho, pais que passam longos períodos
longe dos filhos, tendo que trabalhar com uma carga horária maior para atender as demandas
financeiras da família, e isso, impacta diretamente na formação e educação dos filhos, que
sofre alterações profundas, a ausência dos pais no processo educativo da criança fica
seriamente comprometido e deficitário.

Para Piaget (2000, p. 64): “A criança indisciplinada pode ser identificada, como o
indivíduo que não constituiu sua personalidade moral, que ignora o seguimento da regra e
centra as relações sociais em si mesmo”. Verificamos na fala de Piaget, que o indivíduo
indisciplinado não possui personalidade moral plena e não respeita as regras, valores estes,
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por vezes, não vistos ou exercitados no seio familiar da criança, não tendo um referencial ou
quem a ensine, esta mesma criança passa a ter um comportamento centrado no“eu”, onde os
seus interesses suplantam o interesse da coletividade, gerando com isso atos de indisciplina.
Consequentemente, quando esta criança passa a frequentar as salas de aula não vai
aceitar as normas do regimento escolar, pois em muitos casos estes vão ser opostos aos seus
interesses, para ela, o direito da coletividade não é mais importante que o seu direito, e a
indisciplina passa a ser algo comum no cotidiano do estudante.

[...] a primeira forma de relação social é a relação de coação que se origina nos elos
de autoridade e do respeito unilateral e se caracteriza pelas relações entre a criança e
o ambiente adulto. Este tipo de relação é marcado pela imposição externa à criança
de um conjunto de normas, regras, leis que organizam a sociedade e que são
obrigatórias. (PIAGET,1994, p. 294).

Nota-se que em muitas famílias, esta relação de coação não é plenamente exercida,
podemos elencar algumas situações que favorecem esta ausência de autoridade, seja porque
são pais extremamente liberais ou pela ausência destes, pela criação dos filhos por outro
membro da família (irmãos mais velhos, avós), ou por não conseguir impor as regras aos
filhos, muitas vezes tentando compensar esta ausência com presentes ou satisfazendo todas as
vontades da criança.
Neste aspecto o Colégio da Polícia Militar participa com um arcabouço de
regulamentos e regras que faz com que seus os alunos desenvolvam, a princípio, a disciplina
normativa, muitas vezes não encontrada no núcleo familiar, onde o aluno aprende que deve
seguir normas, para que seja aceito em uma comunidade e faça parte de uma organização
social.
Segundo (PIAGET, 1999a, p. 3), “Para que as realidades morais se constituam é
necessária uma disciplina normativa, e para que essa disciplina se constitua é necessário que
os indivíduos estabeleçam relações uns com os outros”. O Colégio da Polícia Militar do
estado de Goiás, adota em sua grade curricular a disciplina de Civismo e Cidadania a qual tem
como princípios, fins e objetivos, transmitir a compreensão do ambiente natural e social,
valores éticos e morais em que se fundamentam a sociedade, aprende valores de cidadania,
civismo, patriotismo, urbanidade, respeito mútuo, solidariedade, tolerância, valorização da
família.
Mesmo que de forma tardia, aprende de maneira paulatina e proveitosa, valores tão
importantes para a formação do indivíduo, que o capacitará se reconhecer como cidadão, que
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possuem direitos, deveres e obrigações perante a sociedade.Pertinente mencionarmos o que


diz Regimento interno do CPMG:

As normas disciplinares devem ser encaradas como um instrumento a serviço da


formação integral do aluno focando nos objetivos da educação, não sendo toleráveis
nem o rigor excessivo, que desvirtua ou deforma, nem a benevolência paternalista,
que a desfibra e degenera” (Regimento Interno título VIII, artigo 158, 2016, p.291).

Ética, civismo, valores morais, respeito e honestidade são hábitos e rotinas que são
aprendidos no seio familiar e estendidos nos Colégios da Polícia Militar. A formalidade da
educação é também uma preocupação, para que haja uma reorganização da sociedade, com
resgate destes valores que é a princípio responsabilidade da família e estendido pela escola,
para formação do cidadão.

3 METODOLOGIA

A pesquisa para a elaboração deste trabalho foi formulada através de obras publicadas
acerca do assunto proposto, inclusive consultas a artigos em sitese revistas de um modo geral.
Também foi realizada pesquisa de campo no Colégio da Polícia Militar do Estado de
Goiás Unidade Hugo de Carvalho Ramos, entre os dias 05 a 09 no mês de setembro de 2016,
através de questionários ao corpo docente e discente para descobrirmos se a disciplina
contribui de forma positiva ou negativa no processo ensino aprendizagem dos alunos.

4 RESULTADOS DA PESQUISA

Gráfico 01

Tempo de Trabalho no CPMG

22%
37%

17%

24%

a. 00 a 05 anos b. 06 a 10 anos d. 11 a 15 anos e. acima de 16 anos


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Gráfico 02

Efetivo ou Contrato
8%

92%

a. Efetivo b. Contrato

Gráfico 03

Preferência Trabalhar em CPMG


10%
3%
18%

69%

a. Condições adequadas para a atividade de docência


b.Segurança
c.Gratificações
d. Outros
8

Gráfico 04

Contribuição da Disciplia no Processo


Ensino Aprendizagem

22%

1%

77%

a.Sim b.Não c.Talvez

Gráfico 05

Satisfação em estudar no CPMG

18%

4%

78%

Sim Não Mais ou Menos


9

Gráfico 06

Rigidez da Disciplina

36%

57%

7%

Sim Não Mais ou Menos

Gráfico 07

Interferência Positiva da Disciplina no


Aprendizado

28%

55%

17%

Sim Não Talvez


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5 DISCUSSÕES

A pesquisa de campo foi realizada no Colégio da Polícia Militar do Estado de Goiás


Unidade Hugo de Carvalho Ramos, é um colégio de grande porte, composta por 27 salas de
aula, atendendo atualmente 2.988 alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e da 1ª a 3ª
série do ensino médio, funcionando nos turnos matutino, vespertino e noturno. Conta com um
efetivo de 30 policiais e bombeiros militares, destes 28 praças e 5 oficiais, 98 professores e 44
servidores administrativos.

5.1.Caracterização dos Participantes da Pesquisa (Professores)

Foi realizado um questionário com corpo docente do CPMG Hugo de Carvalho Ramos
por amostragem, esta unidade foi escolhida por ser a primeira onde o projeto do Colégio
Militar foi implantado na sua plenitude, por ser destaque positivo tanto no âmbito estadual
quanto nacional e ainda, por ter a maior capacidade estrutural e humana dos Colégios da
Polícia Militar do Estado de Goiás, trazendo assim, a fidedignidade da pesquisa.
A aplicação do questionário se dá primeiramente aos professores que foram
interpelados quanto ao tempo de trabalho na Unidade. Os dados obtidos demonstram que dos
60 professores que responderam o questionário, 63% trabalham no colégio há mais de 06
anos, enquanto que 37% até 05 anos (gráfico 01).
Segundo Menezes, (2008, p. 34), “[...] a falta de autoridade do professor e a falta de
comunicação com os alunos desestimulam e distanciam os propósitos educativos e muitas
vezes afetam sua autoestima”. Nota-se que a maior parte dos professores que lá exercem suas
atividades laborais são mais experientes e consequentemente dominam as técnicas de
autoridade e controle de sala, fazendo com que a ordem e a disciplina sejam mantidas,
consequentemente o plano de aula seja aplicado de forma satisfatória e na sua plenitude, isto
torna-se um fator positivo.
O segundo questionamento foi com relação a formação do corpo docente, se é servidor
efetivo ou contrato, obtivemos que 92% dos professores são efetivos, enquanto que apenas
8% são contrato(gráfico 02). Sabemos que nos tempos atuais há uma necessidade cada vez
maior sobre a formação do professor que tem que se adaptar as novas tendências mundiais,
como a tecnologia, redes sociais e ter a capacidade de acompanhar essas mudanças se
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qualificando e tendo uma formação cada vez mais continuada, ante as mudanças
comportamentais da sociedade como um todo.

O professor precisa transformar a matéria que ministra em algo participativo,


gostoso, empolgante, e seduzir os alunos. Todo jovem gosta de aprender o novo,
tudo que é curioso. O que acontece, no entanto, é que ele não consegue perceber de
interessante no conteúdo ou na forma como a é ministrada. (CHALITA, 2004, p.
139).

O professor de contrato geralmente exerce sua profissão nos 03 turnos, isso para
tentar compensar o baixo salário que recebe, não sobrando tempo e nem dinheiro para se
especializar, refletindo diretamente na capacidade de aperfeiçoamento da profissão, muitos
até querem se qualificar, porém, torna-se inviável ante a atual conjuntura enfrentada por
muitos professores de contrato ou efetivo, afetando o processo ensino aprendizagem dos
alunos, ou seja, aulas menos atrativas cooperam para atos de desordem e indisciplina em sala
de aula.
Com relação ao quesito preferência em trabalhar em CPMG(gráfico 03), nota-se que
69% dos professores informaram que a principal motivação para trabalhar nos Colégios da
Polícia Militar, são condições adequadas para a atividade de docência, as quais podemos
considerar: respeito dos alunos e da comunidade escolar em relação ao professor; ter ao seu
dispor recursos midiáticos; ter uma remuneração digna, que possa contribuir para cursos de
especialização, mestrados e doutorados.
Todas as condições acima elencadas são proporcionadas pelo CPMG Hugo de
Carvalho Ramos e ainda podemos incluir nas condições adequadas de trabalho a segurança,
que é proporcionada pelo corpo de Policiais e Bombeiros Militares, a qual está
intrinsecamente ligada as condições adequadas da atividade de docência, trazendo assim
tranquilidade para o professor e assistência disciplinar ao corpo discente.
Realizamos uma pergunta direta e objetiva aos professores dessa Unidade Escolar,
perguntamos se a disciplina tem contribuído no processo ensino aprendizagem dos alunos
(gráfico 04). A resposta foi que 77% considera que a disciplina é um fator positivo no
processo escolar, e que 22% acham que talvez contribua e apenas 1% afirma que não
contribui.

“Aindisciplina seria talvez, o inimigo número um do educador atual, cujo manejo as


correntes teóricas não conseguiriam propor de imediato, uma vez que se trata de
algo que ultrapassa o âmbito estritamente didático- pedagógico, imprevisto ou até
insuspeito no ideário das diferentes teorias pedagógicas. (AQUINO, 1996, p. 40).
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Este resultadoaliado ao pensamento do autor comprova de forma explícita que a


disciplina é fator positivo para o processo ensino aprendizagem, porque a indisciplina é um
dos mais fortes obstáculos para a concretização do trabalho pedagógico.

5.2.Caracterização dos Participantes da Pesquisa (Alunos)

Realizamos também questionamentos a 225 alunos que estudam regularmente no


CPMG Hugo de Carvalho Ramos, os alunos foram selecionados por amostragem em todas as
séries e turnos, e foi perguntado sobre determinados aspectos da disciplina naquela unidade.
Para que possamos medir o grau de satisfação dos alunos frente a unidade e a forma de
trabalho executado, perguntamos aos alunos se eles sentem satisfação em estudar no CPMG
Hugo de Carvalho Ramos (gráfico 05). O resultado apontou que 78% dos alunos estão
contentes em estudar naquela Unidade de Ensino, enquanto 18% estão apáticos e 4% estão
descontentes com a atual condição que se encontram.
Segundo Nérice (1993, p. 75), “A motivação é o processo que se desenvolve no
interior do indivíduo e o impulsiona a agir, mental ou fisicamente, em função de algo. O
indivíduo motivado encontra-se disposto a despender esforços para alcançar seus objetivos”.
Sabemos que as atividades, sejam elas, laborais ou acadêmicas, se forem realizadas de forma
prazerosa traz excelentes resultados e produtividade bem superiores as demais que a realizam
de forma obrigatória, neste aspecto, o CPMG apresenta ótimos resultados.
Questionamos os alunos se a disciplina adotada no CPMG Hugo de Carvalho Ramos é
rígida (gráfico 06), para descobrirmos se a alegria e satisfação dos alunos se dão em face de
um abrandamento de normas, regras e se as atividades realizadas são prioritariamente lúdicas.
O resultado mostra que 57% dos alunos consideram a disciplina rígida, enquanto que 7%
pensam o contrário, e 36% acham que não é tão rígida, isto demonstra que o CPMG Hugo de
Carvalho Ramos possui uma disciplina que é percebida por 93% dos alunos e os 7% que diz
que não é rígida, já estão acostumados com as regras e normas da unidade e acham uma
condição normal.

Foi perguntado também aos alunos se a disciplina interfere positivamente no processo


ensino-aprendizagem (gráfico 07), sendo que 55% responderam que sim, enquanto que 28%
disseram que pode interferir e 17% responderam que não. Apesar da imaturidade de muitos
alunos podemos perceber que já mensuram que a disciplina tem sido um fator que possibilita
um aprendizado eficiente.
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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A característica marcante do CPMG Hugo de Carvalho Ramos é a disciplina, que


aliada a princípios de civismo e cidadania, traz em seu bojo ações que influenciam
diretamente o favorecimento do processo ensino aprendizagem, fazendo que seus alunos
alcancem bons índices pedagógicos e fortalecimento de valores morais.
A notoriedade que os Colégios da Polícia Militar vêm se expandindo, caracteriza um
modelo de gestão de sucesso, o bom desempenho dos alunos matriculados, a aceitação da
comunidade e o clamor social para a criação de mais unidades geridas pela Polícia Militar é
algo cada vez mais concreto e crescente para a administração pública estadual e para a
sociedade.
As tendências mundiais apontam para a degeneração cada vez maior dos valores
morais e éticos, os pais ou responsáveis ficam cada vez mais longe de seus filhos,estes valores
tão importantes não são passados, ou pelo menos não como deveria, esta é uma obrigação dos
pais e os filhos tem o direito de receber estes valores logo nos primeiros anos, para serem
exercitados ao longo da vida, em convívio familiar e social.
Assim, acriança cresce respeitando os interesses da coletividade, as normas e regras
estabelecidas, contrário a isso as crianças tornam-se indisciplinadas, agressivas, rebeldes e
egoístas, valorizando o “eu” em contraposição ao coletivo, não respeitando o próximo e tendo
consequências graves para a vida presente e futura.
Um dos maiores problemas enfrentados em sala de aula é a indisciplina, que tem sua
origem em vários fatores, como por exemplo, a falta de estrutura familiar, condições
econômicas, falta de valores éticos e morais, falta de princípios como civismo, cidadania e
patriotismo, despreparo de professores, dentre outros. A indisciplina tem trazido grandes
dificuldades para a gestão educacional, professores e demais alunos que buscam o
conhecimento se esforçam sobremaneira para tentar construir conhecimento e prejuízos
irreparáveis para os alunos.
Neste cenário, a Polícia Militar do Estado de Goiás, através dos pilares da hierarquia e
a disciplina, adota em suas unidades escolares, com as devidas adaptações, uma disciplina
eficiente e consciente, reduzindo drasticamente os casos de indisciplina escolar, violência, uso
e porte de drogas, consequentemente e naturalmente, esse sistema de gestão tem revertido o
quadro caótico de algumas escolas estaduais, transformando em um eficiente local de ensino e
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aprendizagem, adotando um sistema de normas e regras contidas no regimento interno


próprio. Aliada a isto, o resgate de valores éticos, morais, patriotismo, princípios de civismo e
cidadania têm corrigido a ausência destes valores na vida de muitos estudantes.
A pesquisa de campo realizada corrobora o objeto da pesquisa, haja vista, tanto o
corpo docente quanto o corpo discente afirmam que a disciplina é um facilitador no processo
ensino aprendizagem, juntamente com a agregação de determinadas ações inerentes da gestão
militar, como a segurança, proporcionando melhores condições de trabalho aos professores e
contribuindo para que o estado de disciplina dos alunos seja predominante em salas de aula.
Conclui-se que a afirmação dos estudiosos no assunto, a prática vivenciada pelas
unidades escolares administradas pela polícia militar e a pesquisa realizada, tendo como foco
o corpo docente e discente confirma que o sucesso do CPMG Hugo de Carvalho Ramos é a
disciplina aliada a princípios de civismo e cidadania.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AQUINO, Júlio Groppa, Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas/organização


Júlio Groppa Aquino, - São Paulo: Summus, 1996.
CHALITA, Gabriel.Educação: a solução está no afeto - São Paulo: Editora Gente, 2001, ed.,
2004 edição revista e atualizada.
CORTELLA, Mário Sergio: Papel Da Família na Educação dos Filhos. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=bF0yKlpK2So>. Acesso em 11 de out. 2016>.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda, Mini Aurélio: o dicionário da língua portuguesa.
8. Ed. Ver. Atual. – Curitiba: Positivo, 2010.
MENEZES, Luís Carlos. A Indisciplina a Alcance de todos – Revista Nova Escola, nº 209.
Editora Abril, 2008.
NÉRICI, Imídeo Giuseppe. Didática: uma introdução. São Paulo: Atlas, 1993.
PIAGET, Jean. Para onde vai à educação? 15. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2000.
Regimento interno do Colégio da Polícia Militar de Goiás.
TEDESCO, J. C. O novo pacto educativo: Educação, competitividade e cidadania na
sociedade moderna. São Paulo: ática, 1995.