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ECONOMIA MONETÁRIA

Centro Sócio-Econômico
Graduação em Ciências Econômicas
Atividade Econômica AULA 1

Política Monetária

Política Fiscal

CENÁRIO ECONÔMICO 2016

Crise Política

Mercado Financeiro
Cenário
Econômico
vai aqui

Objetivo da aula é analisar os


números recentes da economia
brasileira, assim como o impacto
dos fatores políticos na atividade
econômica, política fiscal e
monetária. Vamos avaliar também o
comportamento do mercado
financeiro diante deste cenário de
retração econômica, inflação
elevada e o real depreciado.
Atividade Econômica

O PIB declinará novamente em 2016 e com grandes riscos de


ocorrer também em 2017. A contração do PIB será a mais longa e
de maior magnitude desde o início do século passado. O recuo do
PIB em 2016 será em função da retração generalizada da
demanda doméstica, com forte redução dos investimentos e do
consumo das famílias.
A diminuição dos investimentos em 2016 continuará refletindo a
forte incerteza na economia, a baixa confiança de empresários, as
condições desfavoráveis no mercado de crédito doméstico, a
menor demanda doméstica e a redução dos investimentos
públicos. A redução do consumo do governo será consequência
das medidas de ajuste fiscal e do declínio real das receitas
tributárias pelo terceiro ano consecutivo.
A diminuição do consumo das famílias em 2016 será função do
aumento da incerteza dos consumidores, da redução do crédito
bancário e, principalmente, de condições de mercado de trabalho
bem mais adversas.
Atividade Econômica
PIB Brasil – Previsão de forte retração em 2016

7,6%

6,0%
5,7%
5,0%

4,0% 3,9%
3,1% 3,1%
2,7%

1,8%
1,3% 1,2%
0,5%
0,1%

2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
-0,2%

-3,8% -3,5%

Fonte: IBGE / Previsões 2016 e 2017: Boletim Focus


Atividade Econômica
PIB Brasil – Invertendo tendência de longo prazo

Fonte: IBGE / Elaboração: Credit Suisse (2015)


Uma contração do PIB de -3,7% em 2015, -3,5% em 2016 e -2,0% em 2017 conduziria o PIB de 2017 ao mesmo patamar que seria observado caso o País
tivesse mantido, desde 2004, o crescimento médio anual de 2,0% do período entre 1996 e 2003. Isso sinalizaria que todos os ganhos adicionais em
termos de expansão econômica do período entre 2004 e 2010 (crescimento médio anual de 4,4%) seriam revertidos.
Atividade Econômica
PIB Brasil – Podemos ter o pior resultado da história

Fonte: IPEA e IBGE / Elaboração: Credit Suisse (2015)


Fonte: Banco Central do Brasil (Relatório Focus)

Atividade Econômica
PIB Brasil – Mercado ajustando suas previsões
-5,00

-4,00

-3,00

-2,00

-1,00

0,00

1,00

2,00

3,00

4,00

5,00
02/01/2013
02/02/2013
02/03/2013
02/04/2013
02/05/2013
02/06/2013
02/07/2013
02/08/2013
02/09/2013
02/10/2013
02/11/2013
02/12/2013
02/01/2014
02/02/2014
02/03/2014
02/04/2014
02/05/2014
PIB 2015

02/06/2014
02/07/2014
02/08/2014
02/09/2014
PIB 2016

02/10/2014
02/11/2014
02/12/2014
02/01/2015
02/02/2015
02/03/2015
02/04/2015
02/05/2015
02/06/2015
02/07/2015
02/08/2015
02/09/2015
02/10/2015
02/11/2015
02/12/2015
02/01/2016
02/02/2016
02/03/2016
-3,8%
-3,5%
Atividade Econômica
IBC-Br – O indicador do Bacen já indicava retração
Taxa de variação anual
14,0%

12,0%

10,0%

8,0%

6,0%

4,0%

2,0%

0,0%
set-04

set-05

set-06

set-07

set-08

set-09

set-10

set-11

set-12

set-13

set-14

set-15
jan-04
mai-04

jan-05
mai-05

jan-06
mai-06

jan-07
mai-07

jan-08
mai-08

jan-09
mai-09

jan-10
mai-10

jan-11
mai-11

jan-12
mai-12

jan-13
mai-13

jan-14
mai-14

jan-15
mai-15
-2,0%

-4,0%

-6,0%

-6,5%
-8,0%

Fonte: Banco Central do Brasil


Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) - com ajuste sazonal
Atividade Econômica
PIB Mensal Itaú (índice jan/03=100)
O índice do Itaú aponta mesma direção do IBC-Br
160,00 0,14

0,12
140,00
0,1

120,00
0,08

100,00 0,06

0,04
80,00
0,02

60,00 0

-0,02
40,00

-0,04
20,00
-0,06
-6,4%
0,00 -0,08
set-03

set-04

set-05

set-06

set-07

set-08

set-09

set-10

set-11

set-12

set-13

set-14

set-15
jan-03
mai-03

jan-04
mai-04

jan-05
mai-05

jan-06
mai-06

jan-07
mai-07

jan-08
mai-08

jan-09
mai-09

jan-10
mai-10

jan-11
mai-11

jan-12
mai-12

jan-13
mai-13

jan-14
mai-14

jan-15
mai-15
Índice PIB Mensal Taxa Anual

Fonte: ITAÚ BBA


É um índice agregado de atividade econômica que contempla informações dos três grandes setores da economia: agropecuária, indústria e serviços.
Atividade Econômica
Perda do Grau de Investimento sinaliza retração

Fonte: Banco Mundial / Elaboração: Credit Suisse (2015)

As classificações de risco de crédito de 14 países foram rebaixadas pela agência de classificação de risco S&P de BBB-
para BB+ nos últimos anos (1988-2015), situação similar à do Brasil em 2015. O PIB da maioria dessas economias
diminuiu no ano da redução da classificação e também no ano seguinte. A contração média do PIB foi de -1,0% no ano
do rebaixamento, superando -2,0% no ano seguinte.
Atividade Econômica
Contrações por muitos trimestres são comuns
Amostra de 119 países entre 1980 e 2014

Fonte: Banco Mundial / Elaboração: Credit Suisse (2015)

Contrações do PIB superiores a 2,0% são muito frequentes: mais de 85% dos países registraram pelo menos um
episódio nos últimos anos. Recessões por pelo menos dois anos consecutivos são frequentes: 67% dos países
apresentaram ao menos um episódio. Contrações superiores a 2,0% por pelo menos dois anos consecutivos são
episódios razoavelmente frequentes: 40% dos países registraram pelo menos um evento.
Previsões indicam uma Taxa acima de 10% em 2016
Pesquisa Mensal de Emprego (IBGE)
Atividade Econômica
10,0%

12,0%

14,0%
0,0%

2,0%

4,0%

6,0%

8,0%
Fonte: PME IBGE

mar/02
ago/02
jan/03
jun/03
nov/03
abr/04
set/04
fev/05
jul/05
dez/05
mai/06
out/06
mar/07
ago/07
jan/08
jun/08
nov/08
abr/09
set/09
fev/10
jul/10
dez/10
mai/11
out/11
mar/12
ago/12
jan/13
jun/13
nov/13
abr/14
set/14
fev/15
jul/15
dez/15
7,6%
Em 2015 foram destruídas quase 2 milhões de vagas
Criação de Vagas - CAGED (MTE)
Atividade Econômica
-200000

-150000

-100000

100000

150000

200000

250000

300000
-50000
Fonte: CAGED (TEM)

50000
0
jan-02
jun-02
nov-02
abr-03
set-03
fev-04
jul-04
dez-04
mai-05
out-05
mar-06
ago-06
jan-07
jun-07
nov-07
abr-08
set-08
fev-09
jul-09
dez-09
mai-10
out-10
mar-11
ago-11
jan-12
jun-12
nov-12
abr-13
set-13
fev-14
jul-14
dez-14
mai-15
out-15
A indústria sofre no Brasil desde 2010
Produção Industrial - IBGE
Atividade Econômica
-20,0%

-15,0%

-10,0%

10,0%

15,0%

20,0%

25,0%
-5,0%

0,0%

5,0%
Fonte: IBGE

jan/03
mai/03
set/03
jan/04
mai/04
set/04
jan/05
mai/05
set/05
jan/06
mai/06
set/06
jan/07
mai/07
set/07
jan/08
mai/08
set/08
jan/09
mai/09
set/09
jan/10
mai/10
set/10
jan/11
mai/11
set/11
jan/12
mai/12
set/12
jan/13
mai/13
set/13
jan/14
mai/14
set/14
jan/15
mai/15
set/15
-11,4%
O comércio não resistiu mais em 2015
Vendas no Varejo - IBGE
Atividade Econômica
-10,0%

10,0%

15,0%
-5,0%

0,0%

5,0%
Varejo Restrito: não são contabilizados veículos e material de construção
Fonte: IBGE (Pesquisa Mensal do Comércio)

jan/01
mai/01
set/01
jan/02
mai/02
set/02
jan/03
mai/03
set/03
jan/04
mai/04
set/04
jan/05
mai/05
set/05
jan/06
mai/06
set/06
jan/07
mai/07
set/07
jan/08
mai/08
set/08
jan/09
mai/09
set/09
jan/10
mai/10
set/10
jan/11
mai/11
set/11
jan/12
mai/12
set/12
jan/13
mai/13
set/13
jan/14
mai/14
set/14
jan/15
mai/15
set/15
-7,2%
A confiança dos empresários no pior nível do histórico
Índice de Confiança da Indústria (FGV)
Atividade Econômica
100,00

120,00

140,00
20,00

40,00

60,00

80,00
Fonte: ICI (FGV)

jan/99 0,00

jun/99
nov/99
abr/00
set/00
fev/01
jul/01
dez/01
mai/02
out/02
mar/03
ago/03
jan/04
jun/04
nov/04
abr/05
set/05
Índice de Confiança

fev/06
jul/06
dez/06
mai/07
out/07
mar/08
ago/08
jan/09
Média

jun/09
nov/09
abr/10
35% de queda desde 2010

set/10
fev/11
jul/11
dez/11
mai/12
out/12
mar/13
ago/13
jan/14
jun/14
nov/14
abr/15
set/15
74,7

fev/16
A confiança dos consumidores no pior nível do histórico
Índice de Confiança do Consumidor (FGV)
Atividade Econômica
100,0

120,0

140,0
20,0

40,0

60,0

80,0
Fonte: ICC (FGV)

set/05 0,0
dez/05
mar/06
jun/06
set/06
dez/06
mar/07
jun/07
set/07
dez/07
mar/08
jun/08
set/08
dez/08
mar/09
jun/09
set/09
Índice de Confiança

dez/09
mar/10
jun/10
set/10
dez/10
mar/11
jun/11
set/11
Média

dez/11
mar/12
40% de queda desde 2012

jun/12
set/12
dez/12
mar/13
jun/13
set/13
dez/13
mar/14
jun/14
set/14
dez/14
mar/15
jun/15
75,2

set/15
dez/15
-15,0%
-10,0%
-5,0%
0,0%
5,0%
10,0%
15,0%
20,0%
25,0%
30,0%
jan/06
abr/06

Fonte: ABPO
jul/06
out/06
jan/07
abr/07
jul/07
out/07
jan/08
abr/08
jul/08
out/08
jan/09
abr/09
jul/09
out/09
jan/10
abr/10
jul/10
out/10
jan/11

Crescimento Anual
abr/11
jul/11
out/11
jan/12
abr/12

Volume
jul/12
out/12
jan/13
Não indica sinais de melhora na produção
Indicador Antecedente

abr/13
jul/13
out/13
jan/14
Expedição Total de Papel Ondulado (toneladas)

abr/14
jul/14
out/14
jan/15
abr/15
jul/15
out/15
jan/16
0
50.000

-10,7%
100.000
150.000
200.000
250.000
300.000
350.000
Também não indica aquecimento na economia
Fluxo Pedagiado de Veículos Pesados (taxa anual)
Indicador Antecedente
-15,0%

-10,0%

10,0%

15,0%

20,0%
-5,0%

0,0%

5,0%
Fonte: ABCR

jan/00
jun/00
nov/00
abr/01
set/01
fev/02
jul/02
dez/02
mai/03
out/03
mar/04
ago/04
jan/05
jun/05
nov/05
abr/06
set/06
fev/07
jul/07
dez/07
mai/08
out/08
mar/09
ago/09
jan/10
jun/10
nov/10
abr/11
set/11
fev/12
jul/12
dez/12
mai/13
out/13
mar/14
ago/14
jan/15
jun/15
nov/15
-1,4%
Política Monetária

A política adotada nos últimos anos flexibilizou a observância da


Lei de Responsabilidade Fiscal, postergou o cumprimento da meta
de inflação e interveio no regime de câmbio flutuante, sob a
argumentação de que essas ações impediriam um impacto ainda
mais desfavorável sobre a economia doméstica.
Eventual resiliência da inflação é um risco, pois requer a retomada
do ciclo de aperto monetário, o que elevaria ainda mais o
endividamento público no curto prazo e exigiria alta do superávit
primário para evitar o aumento dos riscos fiscais.
A avaliação da maioria dos políticos é de que não há espaço para
aumento de juros no País, e uma eventual alta repercutiria ainda
mais negativamente sobre o apoio ao governo no Congresso.
A alta de juros poderia aprofundar ainda mais a recessão em 2016
e reduzir, sobremaneira, a possibilidade de retomada da atividade.
O maior risco fiscal reduziria a confiança de empresários e
consumidores e, portanto, aprofundaria e prolongaria a recessão.
Taxa Selic
Comportamento dos juros no longo prazo

50

45

40

35

30

25

20

15 14,25%
10

Fonte: Banco Central do Brasil


Taxa Selic
Comportamento dos juros no Governo Dilma

16

14,25%
14

Ciclo de afrouxamento
12 monetário

10
Ciclo de aperto
8 ? monetário

6 7,25%

4 Muitas críticas pelos


economistas em
2 2011/2012

Fonte: Banco Central do Brasil


Taxa Selic
Duração dos Ciclos Monetários (1999-2015)
Estabilidade da Selic em 14,25% até o fim de 2016

Fim do atual Ciclo Monetário


A opção do Copom de não elevar os
juros seria motivada pela avaliação de
que a forte recessão, a deterioração do
mercado de trabalho teriam efeitos
desinflacionários expressivos.

A desaceleração dos preços seria


potencializada pela alta dos juros reais,
decorrentes da redução da inflação ao
consumidor em 2016 ante 2015, e pelos
efeitos defasados da ação de política
monetária já implementada.

Fonte: Banco Central / Elaboração: Credit Suisse (2015)


Inflação
Estouro do teto com forte aceleração nos preços
IPCA – acumulado em 12 meses
10,00%

12,00%
0,00%

2,00%

4,00%

6,00%

8,00%
Fonte: Banco Central do Brasil

jan/04
mai/04
set/04
jan/05
mai/05
set/05
jan/06
mai/06
set/06
jan/07
mai/07
set/07
jan/08
mai/08
IPCA 12 meses

set/08
jan/09
mai/09
set/09
jan/10
Meta

mai/10
set/10
jan/11
mai/11
Teto

set/11
jan/12
mai/12
set/12
jan/13
mai/13
set/13
jan/14
mai/14
set/14
jan/15
mai/15
set/15
10,7%

jan/16
Inflação
Ajuste dos preços Administrados em 2015
IPCA – acumulado em 12 meses
10,00%

12,00%

14,00%

16,00%

18,00%

20,00%
Fonte: Banco Central do Brasil

0,00%

2,00%

4,00%

6,00%

8,00%
jan/04
mai/04
set/04
jan/05
mai/05
set/05
jan/06
mai/06
set/06
jan/07
mai/07
set/07
jan/08
mai/08
IPCA

set/08
jan/09
mai/09
Administrados

set/09
jan/10
mai/10
set/10
jan/11
mai/11
Livres

set/11
jan/12
mai/12
set/12
jan/13
mai/13
set/13
jan/14
mai/14
set/14
jan/15
mai/15
17,2%

set/15
jan/16
Inflação
Nível elevado de difusão
(IPCA) - Índice de difusão - %
100
Medida que verifica quantos dos itens pesquisados tiveram aumento de preços no período
Fonte: Banco Central do Brasil / IBGE

10

20

30

40

50

60

70

80

90
0
ago/99
jan/00
jun/00
nov/00
abr/01
set/01
fev/02
jul/02
dez/02
mai/03
out/03
mar/04
ago/04
jan/05
jun/05
nov/05
abr/06
set/06
fev/07
jul/07
dez/07
mai/08
out/08
mar/09
ago/09
jan/10
jun/10
nov/10
abr/11
set/11
fev/12
jul/12
dez/12
mai/13
out/13
mar/14
ago/14
jan/15
jun/15
nov/15
Curva de Juros
Forte modificação na curva de juros

Janeiro / 2015 Fevereiro / 2016


13,2 16

13
15,5

12,8
15
12,6
14,5
12,4
14
12,2

12 13,5

11,8 13
DI17 DI18 DI19 DI20 DI21 DI23 DI25 DI17 DI18 DI19 DI20 DI21 DI23 DI25

Ano DI17 DI18 DI19 DI20 DI21 DI23 DI25


2016 14,2 14,7 15,22 15,46 15,52 15,61 15,75
2015 12,96 12,82 12,68 12,46 12,38 12,25 12,22

A curva em janeiro de 2015 já indicava uma recessão nos trimestres posteriores


O movimento de inversão da inclinação gerou grandes oportunidades de investimentos

Fonte: BM&FBovespa
Política Fiscal

O resultado primário do setor público permanecerá deficitário nos


próximos anos. O ambiente político em 2016 será marcado por
maior lentidão no processo decisório, dificultando a aprovação de
temas como o da CPMF no Congresso.
Segundo estimativas do mercado, a dívida bruta continuará
crescendo de forma expressiva nos próximos anos, alcançando
65,7% do PIB em 2015, 72,0% do PIB em 2016 e 77,0% do PIB
em 2017.
O ambiente é desfavorável à aprovação de medidas de ajuste
fiscal, pois o governo possui menos trânsito no Congresso para
conduzir o processo. Já os parlamentares temem os custos
políticos de curto prazo, ao defenderem medidas geralmente
impopulares.
Política Fiscal
12 meses como % do PIB
Resultado Primário do Governo Central
-3,00%

-2,00%

-1,00%
Fonte: Tesouro Nacional

0,00%

1,00%

2,00%

3,00%

4,00%
jan/01
mai/01
set/01
jan/02
mai/02
set/02
jan/03
mai/03
set/03
jan/04
mai/04
set/04
jan/05
mai/05
set/05
jan/06
mai/06
set/06
jan/07
mai/07
set/07
jan/08
mai/08
set/08
jan/09
mai/09
set/09
jan/10
mai/10
set/10
jan/11
mai/11
set/11
jan/12
mai/12
set/12
Déficit Primário

jan/13
mai/13
set/13
jan/14
mai/14
set/14
jan/15
mai/15
set/15
Política Fiscal
Receio de uma trajetória explosiva da dívida
Dívida Bruta / PIB (% do PIB)
10,00%

20,00%

30,00%

40,00%

50,00%

60,00%

70,00%
Fonte: Banco Central

0,00%

jan/07
abr/07
jul/07
out/07
jan/08
abr/08
jul/08
out/08
jan/09
abr/09
jul/09
out/09
jan/10
abr/10
jul/10
out/10
jan/11
abr/11
jul/11
out/11
jan/12
abr/12
jul/12
out/12
jan/13
abr/13
jul/13
out/13
jan/14
abr/14
jul/14
out/14
jan/15
abr/15
jul/15
out/15
Política Fiscal
Evolução da Dívida Pública (2004-2015)
Em R$ trilhões

2,79
A dívida cresceu 153% em pouco mais de 10 anos
65% da dívida vence em menos de 5 anos
2,295
2,122
2,007
1,866
1,694
1,497
1,333 1,397
1,236
1,104 1,157

2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015

Fonte: Tesouro Nacional


Política Fiscal
Despesas com Juros (2007-2015)
Em R$ bilhões

Crescimento de 178% com as despesas de juros em poucos anos 367,6


Somente no último ano, houve aumento de 51%

243,3
211,5 218
207,9
195,2
169,1

132,1
113,3

2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015

Fonte: Tesouro Nacional


Política Fiscal
Despesas com Juros/PIB (2014)
Em R$ bilhões
Itália 5,92%
Grécia 5,77%
Brasil 5,64%
India 4,57%
Portugal 4,41%
Irlanda 4,31%
África do Sul 3,13%
Espanha 2,99%
México 2,67%
Colômbia 2,30%
Turquia 2,27%
Polônia 2,20%
Malásia 2,02%
Argentina 1,68%
Indonésia 1,26%
Peru 0,94%
Japão 0,68%
China 0,48%
Rússia 0,44%
Chile 0,01%

Fonte: Gustavo Franco / Teutônio Vilela / Empiricus (2014)


Política Fiscal
Detentores da Dívida Pública Federal
Em Janeiro (2016)
Seguradoras
Outros 5%
5%
Governo Instituições Financeiras
6% 23%

Não-residentes
19%

Previdência
23%

Fundos de Investimento
20%

Fonte: Tesouro Nacional


Política Fiscal
Carga tributária sobre o Produto Interno Bruto
Forte crescimento. Qual é o limite?

36% 36%
35% 35% 35%
34% 35% 35% 34% 34%
33%
33% 33%
31%
30% 30%
29% 29% 29%
27%

25%
25% 25% 25% 25%

22% 22%
20% 20%

1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014

Fonte: Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário


Política Fiscal
O Ajuste Inevitável – Julho de 2015
Mansueto Almeida Jr., Marcos Lisboa e Samuel Pessoa

A despesa pública tem crescido a uma taxa


maior do que a renda nacional.

Artigo: https://mansueto.files.wordpress.com/2015/07/o-ajuste-inevitc3a1vel-vf_2.pdf
Política Fiscal
O Ajuste Inevitável – Julho de 2015
Mansueto Almeida Jr., Marcos Lisboa e Samuel Pessoa

“Para neutralizar este aumento de despesas, será


preciso criar um imposto equivalente a uma nova
CPMF a cada mandato presidencial de quatro
anos (entre este ano e 2030)”.

“Para ficar claro: não se trata de renovar a CPMF


a cada quatro anos, e sim de cobrar uma nova
CPMF em cima da anterior, sucessivamente, a
cada novo governo”.

Artigo: https://mansueto.files.wordpress.com/2015/07/o-ajuste-inevitc3a1vel-vf_2.pdf
Política Fiscal
Uma solução difícil...

Conforme destaque dos analistas da Empiricus Research:

Estamos gastando muito e vamos gastar mais;

Estamos pagando juros elevados sobre uma dívida grande;

Não estamos gerando mais riqueza (PIB) ou aumentando


nossa capacidade de pagar essa dívida crescente.

O que pode ser feito para essa dívida não continuar crescendo?
Política Fiscal
Uma solução difícil...

Precisamos de um superávit primário de 12% do PIB;


(Nunca chegamos perto deste valor)

O PIB começa a crescer de forma significativa;


(O PIB precisa primeiro parar de retrair)
(Crescer de forma sustentável , sem inflação, é necessário investimento)

Reduzir o juro dramaticamente, para amenizar o custo da dívida;


(Deve gerar uma inflação elevada)

Renegociar a dívida com os credores.


(Pode ocasionar uma ruptura no sistema financeiro nacional)

A crise é profunda e requer um ajuste mais severo e estrutural


Nosso sistema político presidencialista ficou inviável
Política Fiscal
Uma solução difícil...

Nosso problema não é de Política Econômica.


Nosso problema é de Economia Política.

“Todos os gastos no Orçamento pareçam


legítimos, o país não tem esses recursos.
É preciso definir prioridades”.

Gustavo Franco
Economista
Política Fiscal
Uma solução difícil...
Política Fiscal
Classificação de Risco
Perda do selo de grau de investimento

Perdemos o Grau de Investimentos


pelas três principais agências de risco.

O fluxo de investimentos em
ativos financeiros deverá
diminuir, assim como o
investimento direto.

O custo de captação para o


governo e as instituições
privadas vai ficar mais
elevado.

Muitos fundos internacionais


são proibidos por regulamento
investirem em títulos de países
classificados como grau
especulativo.

Fonte: Portal G1
Política Fiscal
Investimento direto no Brasil
Em bilhões de dólares

101,2
96,9

88,5
86,6

69,2 70

48
45,1 45

34,6

25,9

18,1 18,8
15,1

2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017

Fonte: Banco Central/Credit Suisse


Crise Política

Aprovação da administração federal continuará baixa em 2016. O


percentual de entrevistados que classifica o governo Dilma
Rousseff como “bom” ou “ótimo” recuou de 40% no 4T14 para 12%
no 1T15 e 10% no 3T15.A inflação elevada e o aumento do
desemprego manterão a aprovação em baixo nível em 2016 e
2017.
O aprofundamento ainda maior da recessão e uma maior
deterioração das condições do mercado de trabalho aumentam
ainda mais a insatisfação da sociedade com o governo. As
manifestações populares contra as políticas do governo passam a
ser frequentes e ter crescente adesão.
O apoio ao governo no Congresso diminui continuamente como
resultado das manifestações populares. Essa dinâmica torna o
ambiente político ainda mais conturbado, com impactos ainda mais
desfavoráveis sobre a dinâmica da atividade no curto prazo. Os
empresários, com tal indefinição política, não investem e os
consumidores também postergam decisões de compra.
Economia
O quadro econômico desfavorável dificulta a
aprovação de medidas de elevação de
impostos e de redução das renúncias
tributárias. Em um cenário de recessão, o
risco de não sustentabilidade da dívida
pública cresce muito. Grande parte da
imprensa destaca isso de forma contínua e já
se fala na “nova década perdida”.
Internacional
A imprensa financeira internacional também
destaca o cenário econômico brasileiro.
Criada, em 2001, pelo então economista do
Goldman Sachs Jim O'Neill para definir a
crença de que Brasil, Índia, Rússia e China
seriam os motores do crescimento mundial, a
sigla Brics sofreu um duro golpe.
Liderança Política
A Presidente Dilma sofre com a baixa
popularidade ao mesmo tempo em que não
tem mais a liderança política no País nem a
maioria no Congresso Nacional. O governo
tentou vários lideres para articular as
votações no Congresso, mas sem sucesso.
Não existe mais convergência nem mesmo no
PT. O cenário não tem solução no curto prazo.
Corrupção e Crise institucional
O processo de impeachment da presidente
Dilma Rousseff será retomado. As acusações
são atos contra a probidade na administração,
contra a lei orçamentária, contra o
cumprimento das leis e das decisões judiciais
e crime contra a guarda e legal emprego dos
dinheiros públicos. A oposição deve travar
todas as votações até instalação do processo.
Mercado Financeiro

O comportamento dos ativos financeiros estão em forte volatilidade


desde o período eleitoral de 2014. Naquele momento, ações, juros
e moeda oscilavam conforme o resultado das pesquisas de
intenção de voto. Qualquer indicativo de que a Presidente Dilma
perderia as eleições o Ibovespa subia e o dólar e juros caiam.
A piora no quadro fiscal e a retração econômica em 2015, levaram
um forte movimento de queda da bolsa brasileira, o real
depreciando em relação às principais moedas e juros longos para
cima. Os episódios recentes da operação Lava Jato e a retomada
do processo de Impeachment contra Dilma, ocasionaram um
movimento de correção no mercado financeiro brasileiro.
Mercado Financeiro
Comportamento do Dólar
O Real é uma das moedas mais depreciadas em 2015
4,5

3,5 R$3,78

2,5

1,5

0,5

Fonte: Banco Central


Mercado Financeiro
Comportamento do Dólar (2015-2016)
Resultado do agravamento da crise brasileira
4,5
R$4,19 R$3,78
4

3,5

2,5
R$2,69
+ 40,5%
2

1,5

0,5

Fonte: Banco Central


LTN 2017 – Volatilidade nas taxas
Comportamento dos Títulos Públicos
Mercado Financeiro
10,00%

12,00%

14,00%

16,00%

18,00%
Fonte: Tesouro Nacional

0,00%

2,00%

4,00%

6,00%

8,00%
14/01/2013
05/02/2013
28/02/2013
21/03/2013
12/04/2013
06/05/2013
27/05/2013
18/06/2013
10/07/2013
31/07/2013
21/08/2013
11/09/2013
02/10/2013
23/10/2013
13/11/2013
05/12/2013
27/12/2013
20/01/2014
10/02/2014
05/03/2014
26/03/2014
16/04/2014
12/05/2014
02/06/2014
24/06/2014
15/07/2014
05/08/2014
26/08/2014
16/09/2014
07/10/2014
28/10/2014
18/11/2014
09/12/2014
31/12/2014
22/01/2015
Prêmio de Risco

12/02/2015
Crise Política

09/03/2015
30/03/2015
22/04/2015
14/05/2015
05/06/2015
26/06/2015
17/07/2015
07/08/2015
16,25%

28/08/2015
Efeito impeachment

21/09/2015
13/10/2015
04/11/2015
25/11/2015
16/12/2015
Dilma

08/01/2016
14,04%

29/01/2016
23/02/2016
NTN-B Principal 2035 – Taxa de Longo Prazo
Comportamento dos Títulos Públicos
Mercado Financeiro
0,00%

1,00%

2,00%

3,00%

4,00%

5,00%

6,00%

7,00%

8,00%

9,00%
Fonte: Tesouro Nacional / NTN-B Principal paga Taxa de Juros + IPCA

02/01/2013
23/01/2013
18/02/2013
11/03/2013
02/04/2013
23/04/2013
15/05/2013
06/06/2013
27/06/2013
19/07/2013
09/08/2013
30/08/2013
20/09/2013
11/10/2013
01/11/2013
25/11/2013
16/12/2013
08/01/2014
29/01/2014
19/02/2014
14/03/2014
04/04/2014
29/04/2014
21/05/2014
11/06/2014
03/07/2014
24/07/2014
14/08/2014
04/09/2014
25/09/2014
16/10/2014
06/11/2014
27/11/2014
Prêmio de Risco

18/12/2014
Crise Política

12/01/2015
02/02/2015
25/02/2015
18/03/2015
09/04/2015
04/05/2015
25/05/2015
16/06/2015
07/07/2015
28/07/2015
18/08/2015
7,8%

09/09/2015
Efeito impeachment

30/09/2015
22/10/2015
13/11/2015
04/12/2015
Dilma

28/12/2015
19/01/2016
11/02/2016
03/03/2016
6,8%
Mercado Financeiro
Comportamento Renda Variável
Índice Ibovespa (2000-2016)
80.000

70.000
-31,5%

+563%
60.000

50.000
Ciclo de alta
Commodities
40.000

30.000
- 60%

20.000
Crise 2008-2009

10.000

Fonte: BM&FBovespa
Mercado Financeiro
Índice Ibovespa Dolarizado
O investidor estrangeiro em busca de oportunidades?
50000

45000

40000
Queda de
35000 70% em
dólares
30000

25000

20000

15000
Crise 2008-2009
10000

10 anos
5000

Fonte: BM&FBovespa
Mercado Financeiro
Comportamento Renda Variável
A Bolsa brasileira está cara ou barata?

O P/L projetado do Ibovespa está na média histórica dos últimos anos.


Portanto, podemos afirmar que não está caro, mas também não está barata.

Fonte: BM&FBovespa
Mercado Financeiro
ICI Commodities (ITAÚ BBA)
Índice composto pelas médias mensais dos preços internacionais das principais commodities.

160,00

140,00

120,00

100,00

80,00

60,00
-61,5%
40,00

20,00 Previsão de melhora nos preços

0,00
ago-91

jul-94

set-95

jun-97

ago-98

jul-01

set-02

jun-04

ago-05

jul-08

set-09

jun-11

ago-12

jul-15

set-16
jan-91

mar-92
out-92
mai-93
dez-93

fev-95

abr-96
nov-96

jan-98

mar-99
out-99
mai-00
dez-00

fev-02

abr-03
nov-03

jan-05

mar-06
out-06
mai-07
dez-07

fev-09

abr-10
nov-10

jan-12

mar-13
out-13
mai-14
dez-14

fev-16
Fonte: ITAÚ BBA
Agrícolas: trigo, milho, soja, açúcar, algodão, café e cacau;
Metais: minério de ferro, cobre, alumínio, níquel, zinco, chumbo e estanho;
Energia: petróleo e gás natural.
Mercado Financeiro
Preço do Ouro (Mercado de Londres)
Procura pelo ativo em momentos de instabilidade
2000
+159%
1800

1600

1400 +20%
1200

1000

800

600

Aversão ao risco
400
Efeito crise 2008/2009
200

Fonte: Banco Central do Brasil e LBMA


Ouro Londres - onça troy US$
Uma Onça Troy = 31,1035 gramas / Na BM&F o ouro está contado em R$154,5/grama = R$154.500,00 (08/03/2016).
Mercado Imobiliário
FipeZAP - Índice de Preços De Imóveis Anunciados
Preços dos imóveis param de subir (taxa anual)
35,00%

30,00%
Período de forte
valorização dos imóveis
25,00%

20,00%

15,00%

10,00%

5,00%

0,00%

-5,00%

Fonte: FIPE
O Índice FipeZap de Preços de Imóveis Anunciados é o primeiro indicador com abrangência nacional que acompanha os preços de venda e locação de
imóveis no Brasil. É calculado pela Fipe com base nos anúncios de apartamentos prontos publicados na página do ZAP Imóveis e em outras fontes da
Internet, formando uma base de dados com mais de 500.000 anúncios válidos por mês
Economia Internacional
Crescimento global ligeiramente maior em 2016

A expansão global aumentará ligeiramente nos próximos anos, com maior


crescimento dos países desenvolvidos e das economias emergentes.
A incerteza sobre essa maior expansão global continuará alta, em particular em
2016. Os Estados Unidos e a Área do Euro crescerão mais em 2016 e 2017,
com uma desaceleração adicional na China sendo um fator de risco importante
para as demais economias, entre as quais o Brasil.
A divergência entre a gestão da política monetária nos Estados Unidos e na Área
do Euro, no Japão e na China continuará presente em 2016. Enquanto a taxa de
juros aumentará nos Estados Unidos, a maioria dos demais países manterá
políticas monetárias mais expansionistas.
O aperto monetário nos EUA, a melhoria das condições do seu mercado de
trabalho e a retomada mais significativa da atividade naquele país contribuirão
para a apreciação do dólar frente à maioria das moedas, em particular as dos
emergentes.
A depreciação adicional da moeda local será consequência da deterioração dos
fundamentos domésticos, com resultados fiscais desfavoráveis, da inflação
doméstica muito superior à média global e da apreciação do dólar americano
frente à maioria das moedas globais.
Previsões

BRASIL 2016 2107


IPCA 7,59% 6,00%
Dólar R$4,30 R$4,40
Selic 14,25% 12,50%
Produção Industrial -4,50% 0,57%
PIB -3,50% 0,50%
Desemprego 11,2% 12,6%
MUNDO
PIB Mundo 3,3% 3,5%
PIB EUA 2,2% 2,1%
PIB Zona do Euro 1,7% 1,6%
PIB Japão 1,0% 0,90%
PIB China 6,3% 6,0%
Previsões: Relatório Focus, Itaú BBA e Credit Suisse.
Professor Thiago Fleith Otuki
Departamento de Economia

3721-2745
thiagootuki@gmail.com
Departamento de Economia
CSE D102