Você está na página 1de 16

A RELEVÂNCIA DA CONTABILIDADE COMO INSTRUMENTO DE

COMBATE A FRAUDE: UM ESTUDO DE CASO EM ESCRITÓRIOS DE


CONTABILIDADE DE MOSSORÓ/RN

Thuany Danielle Sobral de Moura – UERN


E-mail: thuanymoura@hotmail.com
Zilka Valéria Almeida dos Santos – UERN
E-mail: zilka.valeria@hotmail.com
Wênyka Preston Leite Batista da Costa – UERN
E-mail: wenykapreston@hotmail.com

RESUMO

O alarmante número de fraudes vem surgindo diariamente nas organizações. O


profissional contábil além de responsável por qualquer desencadeamento negativo da
saúde da empresa e responsável pela solução de conflitos que venham a existir no setor
financeiro. Por isso deu-se a oportunidade de desenvolver o referido artigo, para
demonstrar a relevância da contabilidade, ao desenvolver mecanismos e ferramentas que
coíbem o surgimento de fraudes. Fez-se necessário o estudo em escritório de
contabilidade para averiguar a intensidade que ocorre as fraudes e qual ferramenta mais
utilizada entre os contadores. Através desse estudo foi possível notar-se quão relevante é
a contabilidade no combate à fraude, os contadores não só demonstram sua importância
através das respostas, como também a significância da auditoria e controle interno como
um dos meios mais eficaz em coibir e prevenir.
Palavra-chave: Auditoria. Fraude. Controle interno. Contabilidade.

1 INTRODUÇÃO

A contabilidade surge para a organização como fonte de controle patrimonial,


nesse sentido a gestão do patrimônio passa a ser instrumento crucial para desenvolver,
organizar e incentivar através de dados e relatórios precisos as tomadas de decisões nas
entidades, neste sentido, a contabilidade de uma entidade é baseada em mecanismos e
técnicas que buscam apurar e organizar toda a informação em números que surja na
empresa, suas receitas e despesas.
Esta tarefa estará englobada com a parceria de todos os setores de uma
organização, desde as informações prestadas da alta administração, dos gestores
intermediários e operários, todos estão em colaboração para que se defina então no setor
contábil a avaliação do real desenvolvimento da instituição em dados.
Mcgee e Prusak (1994, p.3) enfatizam que: Numa economia de informação, a
concorrência entre as organizações baseia-se em sua capacidade de adquirir, tratar,
interpretar e utilizar a informação de forma eficaz. As organizações que lideram essa
competição serão as grandes vencedoras do futuro, enquanto as que não o fizerem serão
facilmente vencidas por seus concorrentes.
As informações contábeis é fundamental na instituição, através dela que os
dirigentes tomam suas decisões, então caso essas informações sejam comprometidas ou
manipuladas, incorrerá em danos negativos na instituição, denominando-se de erro,
quando sem intenção, por simples ato de negligência, imprudência e imperícia, ou fraudes
quando prestou aquela informação ou deixou de prestá-la de forma correta, com intenção
de adquirir vantagem pra si ou outrem, causando além de perdas materiais e financeiras,
desconfianças e insegurança no ambiente de trabalho. Tais condutas resultam na falência
de uma empresa, gerando desemprego, ou aumentos abusivos de taxas e juros para
compensar as organizações.
Considera-se fraude, segundo Ferreira (2004), o ato intencional de omissão ou
manipulação de transações, adulteração de documentos, registros e demonstrações
contábeis. Ao passo que considera erro o ato não intencional resultante de omissão,
desatenção ou má interpretação de fatos na elaboração de registro e demonstrações
contábeis.
De acordo com Kury e Rosa (2001, p. 362), fraudes são: “[...] engano, burla, logro,
má-fé; contrabando; adulteração, falsificação.” E definem erro (2001, p. 300) como: “[...]
ato ou efeito de errar; juízo faltoso, engano; incorreção; desvio do bom caminho, do
caminho reto; falta, culpa; desregramento no proceder”.
A relevância da abordagem do referido tema surge com anseio em demonstrar que
a responsabilidade da contabilidade na instituição vai além de prestar as informações,
relatórios e dados como também, a relevante tarefa em criar técnicas que inibam o
surgimento de condutas fraudulentas nas instituições, pois por erros passamos todos os
seres humanos mais por ocasionar fraudes apenas aquele que não possui ética e
comprometimento com bem social e valorização do seu trabalho.
Neste sentido, abordam-se os casos mais comuns, as formas de coibir as fraudes
em meios às organizações, tendo como escopo identificar a relevância da contabilidade
como instrumento de combate, correlacionando com a análise das amostras obtidas nos
escritórios de contabilidade sobre referido tema.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 CONTABILIDADE

Marion (1995, p. 23) “a história da contabilidade principia com o homem


primitivo inventariando seus rebanhos com a finalidade de medir sua riqueza e a variação
desta ao longo do tempo. Com o tempo, foram sendo aperfeiçoadas as técnicas primitivas
de registro contábil”.
Conforme Augusto (2009) a contabilidade aperfeiçoou-se de acordo com as
necessidades de cada período histórico. O aparecimento da escrita, o surgimento da
moeda, [...] fizeram desencadear o desenvolvimento da ciência contábil.
No Brasil, a contabilidade é uma ciência nova, diferente de vários outros países
europeus e norte-americanos. Iniciou sua trajetória correspondendo a necessidade da
administração do comércio mercante.
De acordo com Iudícibus (1997, p.20) “a principal função da Contabilidade
“permanece inalterada desde seus primórdios”, qual seja a de levar aos usuários das
demonstrações financeiras informações que facilitarão a tomada de decisões”.
Observando que o comércio onde as entidades operam está cada vez mais
complicado e indeterminado, as necessidades de clareza nas informações contábeis são
de suma importância. Isso implica significativamente nas decisões que são
cautelosamente tomadas pela empresa.
Na visão de Menegussi e Ianesko (2008), as informações prestadas pelas
entidades, em algumas ocasiões podem estar distorcidas ou não condizentes com a
situação da empresa.
A auditoria contábil nasce da necessidade de confirmação dos registros contábeis
(CRC-CE, 1999), e tem como objetivo coibir, prevenir e combater as fraudes nas
organizações. A sua evolução sucedeu junto ao crescimento da economia, onde se viu a
necessidade do controle periódico e sistemático da proteção dos bens de entidades.

2.2 FRAUDES CONTÁBEIS

Durante muitos anos ocorreram diversos tipos de fraudes contábeis que


prejudicaram muitas organizações e trabalhadores. As fraudes não são privilégios apenas
do nosso tempo, ou da nossa sociedade, são fatos que vem se perpetuando ao longo da
história.
Com a globalização, as entidades contábeis tentam ao máximo impedir que tais
crimes ocorram. De acordo com Zanna (2014) fraude é todo ato praticado com a intenção
de causar dano a outrem.
Crepaldi (2010) relata que as seguintes ocorrência dos eventos/condições pode
representar aumento no risco de fraude ou erro: a estrutura ou atuação inadequada da
administração da entidade auditada ou de algum de seus membros, as pressões internas e
externas, transações que pareçam anormais, problemas internos no cumprimento dos
trabalhos de auditoria, fatores específicos no ambiente de sistemas de informação
computadorizados.
Com esse pensamento, destacam-se as diferenças entre fraude e erro. Diz-se que
fraude é um ato premeditado, intencional de omissão ou manipulação de transações e
registros contábeis. Já o erro é uma ação involuntária, omissão ou má interpretação de
fatos nas demonstrações contábeis, ocorrem pela falta de conhecimento e pode levarà
empresa a falência.
Segundo Zanna (2014) as fraudes podem ser classificadas em dois tipos: As que
o contador capta e, neste caso, duas situações podem ocorrer: O contador é consciente,
mas não é conivente, é simplesmente omisso; O contador é conivente, mas não participa
do resultado financeiro da fraude. O contador participa do resultado financeiro da fraude
e, por isso, permite sua perpetração sem qualquer escrúpulo profissional. As que o
contador não capta e, neste caso, o problema, geralmente decorre de falta de atenção ou
incompetência do contabilista que não se vale de recursos técnicos como: Controles
internos contábeis; Reconciliação de contas patrimoniais e diferenciais; Revisão e análise
de demonstrações contábeis; Levantamentos físicos periódicos com os quais possa
comprovar a exatidão dos saldos das contas. [...] Cada tipo de fraude requer
conhecimentos técnicos, planejamento e dados diferentes para serem detectadas e para se
avaliar o prejuízo causado ao patrimônio. Quando se trata de trabalho de prevenção é
sempre necessário avaliar a possibilidade de ocorrência de fraude em comparação com o
custo dos controles internos para coibi-las ou, pelo menos, dificulta-las.

2.3TÉCNICAS CONTÁBEIS
2.3.1 Escrituração

Como o objetivo da contabilidade é o controle do patrimônio das organizações,


diversas ferramentas ou técnicas foram criadas para que se desenvolvesse esse trabalho
com maior qualidade e aperfeiçoamento. A mais importante técnica do ramo contábil
chama-se escrituração, que nada mais é do que o armazenamento de todo e qualquer fato
contábil que ocorra na instituição, tendo como validade sua comprovação através de
papéis probatórios.
A escrituração segundo Ribeiro (2002, p. 76) é uma técnica contábil que consiste
no registro, em livros próprios, de todos os fatos administrativos resultantes da gestão do
patrimônio da entidade.
Franco (2006, p. 57) acrescenta que a Escrituração é o elemento histórico que
compreende o registro dos fatos, na ordem cronológica, o que da a contabilidade caráter
de verdadeira história do patrimônio. Sob os aspectos econômicos e financeiros,
entretanto, essa história não apresenta importância objetiva, porquanto a análise e a
interpretação dos fatos, nesses aspectos, não são feitas em face dos fatos isoladamente
considerados, mas da expressão monetária de seus efeitos no conjunto da riqueza
patrimonial.
Entretanto, para Menegussi e Ianesko (2008), as informações prestadas pelas
entidades, em algumas ocasiões podem estar distorcidas ou não condizentes com a
situação da empresa. Para evitar que essa situação ocorra, a Contabilidade dispõe da
Auditoria. Nesse sentido, Jund (2007, p.25) afirma que “[...] para mensurar a adequação
e confiabilidade dos registros e das demonstrações contábeis, a Contabilidade utiliza-se
também de uma técnica que lhe é própria, chamada Auditoria”. Esta técnica surge para
confirmar “que os controles e as rotinas de trabalho estão sendo habilmente executados e
que os dados contábeis, com efetividade, merecem confiança, pois espelham a realidade
econômica e financeira da empresa” (ATTIE, 2009, p.4).

2.3.2Auditoria
E o recurso usado pela contabilidade para averiguação da veracidade das
informações prestadas, ou seja, se a escrituração foi feita de maneira correta, se há
incoerência ou falhas no registro e procedimentos contábeis tendo esse recurso a
finalidade de dar tanto para a organização (auditoria interna) quando para a sociedade
(auditoria externa) a efetiva confiança dos relatórios e resumos e atesta a sua saúde
financeira.
Crepaldi (2004) de forma bastante simples define auditoria “como o
levantamento, estudo e avaliaçaõ sistemática das transações, procedimentos, operações,
rotinas e das demonstrações financeiras de uma entidade”.
Para Crepaldi (2004) a auditoria “Consiste em controlar as áreas-chaves nas empresas
a fim de evitar situações que propiciem fraudes, desfalques e subornos, através de testes
regulares nos controles internos específicos de cada organizaçaõ ”.
Conforme Attie (1998):
O termo auditoria tem sido empregado para diferentes tipos de atividades, mas
com a mesma finalidade, qual seja a de um especialista em sua área de atuaçao
̃
com vistas à emissão de uma opinião. Essa opinião tem de estar abalizada e ser
concreta, não se permitindo a emissão de uma opinião sem que tenha sido
obtidos os elementos comprobatórios que atestem a veracidade de certas
afirmações. A auditoria nao
̃ pode ser alicerçada em dados naõ concretos e de
esparsas informações, mas ser fatual, permitindo correta e inquestionável
opinião sobre dado examinado. (ATTIE, 1998 p.42)
Com isso, pactua-se que a auditoria requer competência e conhecimento do
assunto, o profissional deverá ser especializado sobre a matéria, os resultados da
investigação trazem além da opinião do especialista, a parte comprobatória, ou seja, a
prova que realmente a organização esta atualmente na determinada situação citada sem
aberturas pra indagações.
Segundo CREPALDI (2004), quanto ao objetivo:
Dessa forma, o objetivo principal da auditoria pode ser descrito, em linhas
gerais, como o processo pelo qual o auditor se certifica da veracidade das
demonstrações financeiras preparadas pela companhia auditada. Em se exame,
o auditor por um lado, utiliza os critérios e procedimentos que lhe traduzem
provas que assegurem a efetividade dos valores apostos nas demonstrações
financeiras e, por outro lado, cerca-se dos procedimentos que lhe permitem
assegurar a inexistência de valores ou fatos nao
̃ constantes das demonstrações
financeiras que sejam necessários para seu bom entendimento. (CREPALDI,
2004 p.24)
A auditoria e o controle interno surgem como mecanismo para a contabilidade
utilizar na forma de prevenir e combater as fraudes, e a parceira desses dois mecanismos
poderá incorrer nas convergências com os objetivos da contabilidade e da organização no
todo lembrando, porém que o controle interno está voltado para a execução dos objetivos
da empresa já a auditoria interna relaciona-se com o trabalho organizado de verificação
dos controles internos.

2.3.3 Demonstrações Contábeis

Segundo Marion (2009), os dados coletados pela Contabilidade são apresentados


periodicamente aos interessados de maneira resumida e ordenada, formando assim, os
relatórios contábeis ou demonstrações contábeis. As demonstrações contábeis são
produzidas conforme as exiguidades dos usuários contábeis. Das diversas demonstrações
que existem na Contabilidade, destacam-se aqueles que são obrigatórias de acordo com a
legislação brasileira.
As principais demonstrações contábeis obrigatórias pela Lei 11.638/2007 incluem
os seguintes complementos: balanço patrimonial (BP); demonstração do resultado do
exercício (DRE); demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados (DLPAc), podendo
ser substituída pela demonstração das mutações do patrimônio liquido; demonstrações do
fluxo de caixa (DFC); demonstração do valor adicionado (DVA), se divulgado pela
entidade e notas explicativas, incluindo a descrição das práticas contábeis.
Conforme o § 1º do artigo 176 da Lei 6.404/76, as demonstrações de cada
exercício serão publicadas com a indicação dos valores correspondentes das
demonstrações do exercício anterior.
O balanço patrimonial (BP) é uma demonstração contábil que tem por objetivo
mostrar a situação financeira e patrimonial de uma entidade numa determinada data. O
Balanço apresenta os Ativos (bens e direitos) e Passivos (obrigações) e o Patrimônio
Líquido, que é resultante da diferença entre o total de ativos e passivos, e onde se
concentra o capital próprio da organização. Tanto os ativos quanto os passivos são
demonstrados em função do seu prazo de vencimento, segmentados em Circulantes (para
os vencimentos de curto prazo) e Não Circulantes (para os vencimentos de longo prazo).
A demonstraçãodo resultado do exercício (DRE) destina-se a evidenciar a
formação de resultado líquido do exercício, diante do confronto das receitas, custos e
despesas apuradas segundo o regime de competência, a DR, antes chamada de DRE,
oferece uma síntese econômica dos resultados operacionais de uma empresa em certo
período. Embora sejam elaboradas anualmente para fins de divulgação, em geral são
feitas mensalmente pela administração e trimestralmente para fins fiscais. As
Demonstrações de Resultados podem ser utilizadas como indicadores de auxílio a
decisões financeiras.
A DLPAc evidencia as alterações ocorridas no saldo da conta de lucros ou
prejuízos acumulados, no Patrimônio Líquido.De acordo com o artigo 186, § 2º da Lei nº
6.404/76, adiante transcrito, a companhia poderá, à sua opção, incluir a demonstração de
lucros ou prejuízos acumulados nas demonstrações das mutações do patrimônio líquido.
"A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante do
dividendo por ação do capital social e poderá ser incluída na demonstração das mutações
do patrimônio líquido, se elaborada e publicada pela companhia."A DLPA é obrigatória
para as sociedades anônimas, também denominadas de capital aberto, e outros tipos de
empresas, conforme a legislação do Imposto de Renda (art. 274 do RIR/99).
As demonstrações do fluxo de caixa (DFC), conforme o CFC (2011) visa mostrar
como ocorreram as movimentações das disponibilidades e o Fluxo de Caixa em um dado
período de tempo; para auxiliar os usuários na avaliação da capacidade da entidade de
gerar fluxos de caixa líquidos positivos. Vem substituindo em alguns países a
Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos. O nome demonstração dos fluxos
de caixa já não é mais tão adequado, sendo mais correto fluxos de disponíveis, porém o
nome é usado pela tradição do mesmo.
A demonstração do valor adicionado (DVA) tem como objetivo principal informar
ao usuário o valor da riqueza criada pela empresa e a forma de sua distribuição.Implantada
oficialmente pela Lei n° 11.638/07 no Brasil.

2.4 MÉTODO CONTABIL


2.4.1Controle Interno

De acordo com a FASB (Financial Accounting Standards Board) (2017), controle


interno consiste num conjunto de políticas e procedimentos que são desenvolvidos e
operacionalizados para garantir razoável certeza acerca da confiança que pode ser
depositada nas demonstrações financeiras e nos seus processos correlatos, bem como na
correta apresentação daquelas demonstrações financeiras, garantindo que foram
preparadas de acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitos e que
incluem políticas e procedimentos de manutenção dos registros contábeis, aprovações em
níveis adequados e salvaguarda de ativos.
Segundo
o COSO (CommitteeofSponsoringOrganizationsoftheTreadwayCommission) (2017) os
controles internos asseguram o atingimento dos objetivos, de maneira correta e
tempestiva, com a mínima utilização de recursos.
Os controles internos, tomados como sistema, englobam toda a organizaçaõ e
podem caracterizar-se como controles contábeis e controles administrativos
(CREPALDI, 2000).
Então correlacionada com os pensamentos dos autores acima, o controle interno
existe para a organização como forma de equilíbrio para que haja uma clara e eficiente
prestação de serviço, ou seja, uma conduta positiva de todos os integrantes da instituição
para atingir os objetivos da mesma.
A definição de controle interno, constante das Normas Brasileiras para o
Exercício da Auditoria Interna (2017), diria: "Controles internos devem ser entendidos
como qualquer ação tomada pela administração (assim compreendida tanta a Alta
Administração como os níveis gerenciais apropriados) para aumentar a probabilidade de
que os objetivos e metas estabelecidas sejam atingidos. Essas ações têm a finalidade de
conferir precisão e confiabilidade aos dados contábeis, promover a eficiência operacional
e encorajar a aderência às políticas administrativas prescritas"
Esta definição, como podemos notar, reconhece que um sistema de controle
interno se estende além dos assuntos que se relacionam diretamente com as funções da
contabilidade e dos departamentos financeiros. Mas isso é técnico demais, dito assim
torna impossível para leigos compreender o trabalho desenvolvido por um auditor interno.

3 METODOLOGIA

A metodologia empregada para alcançar os objetivos de o trabalho irar adotar a


forma de abordagem do problema qualitativa, Bogdan (apud TRIVIÑOS, 1987) apresenta
algumas características essenciais para a execução de uma pesquisa qualitativa: No
trabalho de campo, o pesquisador é fundamental no processo de coleta e análise de dados,
por isso não pode ser substituído por nenhuma outra pessoa. É ele quem observa,
seleciona, interpreta e registra os comentários e as informações do mundo natural. O
pesquisador deve ter as seguintes habilidades: capacidade para ouvir; perspicácia para
observar; disciplina para registrar as observações e declarações; capacidade de
observação; organização para registrar, codificar e classificar os dados; paciência;
abertura e flexibilidade; e capacidade de interação com o grupo de investigadores e com
os atores envolvidos na pesquisa. A pesquisa qualitativa é descritiva, dado que se
preocupa em descrever os fenômenos por meio dos significados que o ambiente
manifesta. Assim, os resultados são expressos na forma de transcrição de entrevistas,
narrativas, declarações, fotografias, desenhos, documentos, diários pessoais, dentre outras
formas de coleta de dados e informações;
Em relação aos objetivos dos estudos, adota-se a pesquisa descritiva, onde são
analisados, observado, registrado e correlacionado os aspectos (variáveis) que envolvem
fatos ou fenômenos, sem manipulá-los. Os fenômenos humanos ou naturais são
investigados sem a interferência do pesquisador que apenas “procura descobrir, com a
precisão possível, a frequência com que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com
outros, sua natureza e características. (CERVO; BERVIAN;1983, p. 55).
Procedimentos técnicos aplicados será estudo de caso através de questionário
desenvolvido com perguntas abertas e fechadas, aplicadas em seis escritórios de
contabilidade de Mossoró.
Por fim para atingir melhores resultados o referido assunto será abordado
concatenando com os conceitos e teorias do referencial teórico comanalise de dados
obtidos através do estudo de caso.

4 RESULTADO E DISCUSSÕES

O objetivo desta seção é externar os resultados do questionário que foi usado para
avaliar a relevância da contabilidade no combate as fraudes nos escritórios de
contabilidade.
A seguir apresenta-se a análise dos resultados referente ao perfil dos contadores,
em relação ao seu Gênero afirmaram que: 83% são masculinos e 17% feminino.
Apesar da pesquisa ter demonstrado alto índice de participação masculina,
pesquisas recentes demonstram crescimento de mulheres no ramo contábil.
A força de trabalho feminina representa quase metade dos profissionais de
contabilidade: 41,22% das 492,6 mil vagas no setor são ocupadas por elas. A expectativa
é de que em cinco anos a divisão possa ser igualitária. Segundo dados de 2013 do
Conselho Federal de Contabilidade (CFC), nos últimos 10 anos, mais de 85 mil mulheres
ingressaram na carreira. Na graduação, elas já superaram os homens. O número de
matrículas no curso de ciências contábeis é de 181 mil, em comparação a 132 mil alunos
do sexo masculino, de acordo com dados do Censo da Educação Superior de 2012.

Figura 1 - Gênero dos participantes


0%

17%

Não respondeu
Masculino
Feminino

83%

Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado pelos autores.

Quando a idade dos participantes, 33% possui de 21 a 30 anos e 67% possui de 31


a 40 anos, conforme mostra figura 2.
Figura 2 - Idade
0%
0% 0%

33% Não respondeu


de 21 a 30
de 31 a 40
de 41 a 50
67% de 51 acima

Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado pelos autores.

Conforme demonstrado na Figura 3, referente ao tempo que atuam na função de


contador, 83% disseram q exerce a função de 0 a 5 anos e 17% a mais de 11 anos.

Figura 3 - Tempo que Exerce a função de


Contador

17%
0%

entre 0 a 5 anos
entre 6 a 10 anos
mais de 11 anos

83%

Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado pelos autores.

Na Figura 4, foi questionado quanto a importância da contabilidade em combater


as fraudes, 100% afirmação sem muito importante a contabilidade neste combate.
Figura 4 -Relevância da Contabilidade no
combate as Fraudes
0%

Muito importante
Sem importancia
Parcialmente importante

100%

Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado pelos autores.

Importante também se fez abordar questões que possam resultar em fraudes, os


erros quando intencionais podem sim resultar nas fraudes, neste quesito indagamos qual
a freqüência que ocorre erros nos escritórios de contabilidade e 17% responderam que
diariamente ocorre, e os outros 83 % afirmaram que quase que diariamente, segue dados
na Figura 5.

Figura 5- freguência dos erros


contábeis
0%

17%
Quase que diariamente
Diariamente

83% Nunca ocorre

Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado pelos autores.


Na Figura 6, a abordagem foi no quesito método, ou melhor, Técnica neste
combate, e 83% responderam que a Auditoria é a técnica contábil mais eficaz no combate
as fraudes e 17% afirmaram que o método mais eficaz seria o controle interno.
Figura 6- Técnica /Método contábil mais
eficaz no combate a fraude
0%
Escrituração
17%
0%
Auditoria
0%

Demonstrações contábeis

Analise das Demonstrações


contábeis
83% controle interno

Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado pelos autores.

Para Levi apud Jesus (2000), pouquíssimas Fraudes são descobertas pela
Auditoria, segundo o autor ainda existe um instrumento seguro para que seja detectada a
mesma.
Segundo o sócio líder da firma de auditoria KPMG (2011) Gerônimo Timerman
da área de Forensic & Litigations, “Os controles internos e ações de controle tornan-se
cada vez mais vitais para uma empresa não passar pelos apuros de uma fraude”
Importante também se fez o questionamento subjetivo aos contadores sobre a
qual atitudes adotar quando se detecta divergências no controle interno, e quais
recomendações que devem ser feitas pela auditoria interna, 50% responderam a seguinte
frase: Deve-se primeiramente informar aos responsáveis pela organização após isso tomar
as devidas providencias e os outros 50% afirmaram que o procedimento é verificar todas
as contas, informar gestores, apresentar relatórios, tomar as medidas cabíveis, ou seja,
uma postura totalmente em conformidade.

5 Considerações Finais
Administrar uma organização é uma arte que vai além de uma simples teoria. É
preciso experiência e muita prática, pois cuidar da boa imagem de uma organização é
importante zelar por sua saúde financeira, por isso surge à contabilidade, está ferramenta
não é só importante para a iniciação da empresa, regularização da sua atividade, mais
principalmente para seu excepcional andamento.
No desenvolver do trabalho através do referencial teórico percebe-se que a
contabilidade criou diversos mecanismos, técnicas e métodos para um melhor
desempenho da atividade do profissional contábil, e que essas técnicas vão surgindo e
sendo aprimoradas com o passar do tempo. O profissional contábil atualizado necessita
destas ferramentas para combate de diversos conflitos que venham a surge na
organização, e um dos conflitos existente foi o objeto deste artigo, que é a fraude.
O estudo demonstrou através do referencial teórico juntamente com o questionário
respondido por profissionais contábeis que a contabilidade é de extrema importância para
combater a fraude e que as ferramentas mais adequadas e eficazes para combatê-las
devem ser usadas não só após o acontecimento das fraudes mais antes mesmo do seu
surgimento.
O Controle interno e a auditoria, método e técnica da contabilidade não serão as
únicas soluções para que nunca ocorra as fraudes, mais serão os meios mais eficazes que
a contabilidade dispõe dentre outros para combatê-la.
O presente estudo foi de extrema relevância, porém seu aprimoramento é
necessário pois a várias vertentes que ainda podem ser abordadas e exemplificadas.

6 REFERENCIAS

ATTIE, William. Auditoria interna. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1998.

CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia Científica. 2. ed. São
Paulo: Prentice Hall, 1983.

CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil. 3ª Ed. São Paulo: Atlas, 2004.

CREPALDI, Silvio Aparecido. Auditoria Contábil. 7ª Ed. São Paulo: Atlas, 2010.

CFC - CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Princípios fundamentais de


contabilidade e normas brasileiras de contabilidade. Brasília: CFC, 1999.

CFC. Disponível em: Acesso em 02 de Maio de 2014.

CFC. Disponível em: Acesso em 13 Maio de 2014

CFC. Disponível em: Acesso em 11Maio 2014

CFC. Disponível em: Acesso em 19 Junho de 2014.

FRANCO, Hilário. A Contabilidade Geral, São Paulo, Atlas, 2006.


IUDÍCIBUS, S. Contabilidade Introdutória, 8. ed. São Paulo: Atlas, 1997.

JUND, S. Auditoria: conceitos, normas, técnicas e procedimentos. Rio de Janeiro:


Campus, 2007.

KURY, A.G.; ROSA, U. (Orgs.) Minidicionario GAMA KURY da língua Portuguesa


SA. São Paulo: FTD, 2001.

MARION Jose Carlos. Contabilidade empresarial. São Paulo: Atlas, 2003.

MCGEE, J. e PRUSAK, L. Gerenciamento estratégico da informação: aumente a


competitividade e a eficiência de sua empresa utilizando a informação como uma
ferramenta estratégica. 5ª ed. Tradução de Astrid Beatriz de Figueiredo. Rio de Janeiro:
Campus, 1994.

MENEGUSSI, Elires Marinho de Melo; IANESKO, José Augusto. A importância da


auditoria contábil na prevenção e combate aos erros e às fraudes nas organizações.

RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Geral – Fácil. 11° ed. Saraiva, 2002.

TRIVIÑOS, A. N. S. - Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa


em educação. São Paulo, Atlas, 1987. 175p.

ZANNA, Remo Dalla. Perícia Contábil em Matéria Financeira. 3. Ed. São Paulo: Iob,
2014.