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Fatores que influenciam na variação linguística

Finalidade da aula: Conhecer algumas das variedades da língua, observando que o fenômeno da variação se configura
em decorrência do momento histórico em que a língua é usada, da região, da situação comunicativa e de algumas
características dos falantes

O QUE VOCÊS JÁ OUVIRAM FALAR DA NOSSA LÍNGUA MATERNA?

Perguntar se eles já ouviram alguma das frases abaixo:

A nossa língua é muito difícil;

O Brasil é um país grande, mas apesar disso, falamos uma única língua;

O português falado hoje é pior do que o de antigamente;

Para saber bem uma língua, basta “não cometer erros”.


Conversar sobre esses e outros mitos. Apoiando-se na resposta dos alunos, perceber quais concepções eles têm da
língua materna e quais representações fazem dela.

Depois, conversar sobre o português falado aqui e em Portugal. Ler as questões projetadas no slide: “O Brasil é um
país em que se fala uma única língua? Por que é difícil compreender o português falado em Portugal? Brasileiros das
regiões Norte, Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Sudeste falam exatamente do mesmo jeito? É possível perceber, em
falantes nascidos na mesma cidade, diferenças no modo de falar? Quais diferenças? As pessoas falam do mesmo jeito
que escrevem? Nós nos expressamos da mesma maneira em todos os lugares e momentos? É possível identificar as
características sociais do falante (sua origem geográfica, nível sociocultural, sexo, idade) depois de ouvir algumas
poucas palavras pronunciadas por ele?”.

À medida que os estudantes forem respondendo, registrar as ideias deles no quadro.

A partir dessa conversa, os alunos começam a perceber que uma língua não existe de forma absoluta. A língua
portuguesa, assim como qualquer outra língua do mundo, pode variar. Pode haver variação geográfica (brasileiros do
Norte, do Nordeste, do Sudeste, do Centro-Oeste e do Sul não falam exatamente do mesmo jeito); pode haver
diferenças em função do segmento social do qual o falante procede (se a pessoa é escolarizada, ela fala ou escreve
diferente daquela que não teve essa oportunidade); pode haver também variação em função dos diferentes graus de
intimidade entre as pessoas e da situação comunicativa (entre familiares usamos linguagem informal e, no trabalho,
dependendo da situação, temos de usar uma linguagem formal); também pode haver variação se a modalidade de
linguagem usada for a falada ou a escrita.

30 minutos - Organizar a classe em oito grupos. Para cada grupo, dar um envelope em que há dois textos. Pedir aos
alunos para lerem os dois textos que estão no envelope e tentarem responder às questões colocadas na lousa.

Começar a socialização das respostas. Primeiro, pedir para falarem sobre o texto de Caminha. Explicar que o texto
original da carta é o que está escrito em itálico. Comentar que certamente eles teriam muitas dificuldades de
compreendê-lo, se não fosse adaptado ao português contemporâneo. Contar que Pero Vaz de Caminha era um
escrivão e endereçou a carta ao rei D. Manuel I, rei de Portugal, no princípio de maio de 1500. O texto original, se
comparado ao texto adaptado para o português moderno, dá pistas de que a língua portuguesa mudou muito de 1500
para cá.
Como nem todos os alunos ficaram com os mesmos textos, ler a carta de Olavo para Amélia. Informar que ela foi
publicada no livro “Cartas do coração - Uma antologia do amor”, organizado por Elisabeth Orsini (Rio de Janeiro,
Editora Rocco, 1999, p.41).

Perguntar quais grupos estão com esta carta e pedir para eles comentarem. É importante que os estudantes percebam
se tratar de uma carta de amor. Observar com eles as palavras, expressões e frases que identificam isso: “cegamente”,
“loucamente”, “a mais pura”, “a mais santa”, “serás minha, inteiramente minha, unicamente minha”. Questionar:
Uma carta de amor feita hoje seria parecida com esta escrita no final do século 19? Observar com os alunos a
quantidade de pontos de exclamação que aparece na carta, revelando o ardor dos namorados. Vale comentar também
o uso do pronome “tu”, como na frase: “Amo-te porque és para mim a melhor, a mais pura, a mais santa de todas as
criaturas.” Mencionar que hoje é mais comum usarmos o pronome “você” para referir-se à segunda pessoa (aquela
com quem se fala). Da mesma maneira, o uso da expressão “a gente” em lugar do pronome “nós”.

Informar que o Olavo, que assina a carta, é Olavo Bilac, um poeta muito importante da literatura brasileira. Ele
escreveu para Amélia de Oliveira.

Ler a carta para o Cau. Perguntar quais grupos estão com esta carta e pedir para eles comentarem.

Questionar: Vocês acreditam que a carta foi escrita por uma pessoa jovem ou velha? Como foi possível saber isso?
Quem escreve a carta tem supostamente qual idade? Vocês usam alguma das gírias da carta ou conhecem alguém que
as utilizam? Quais são as gírias atuais? Em quais textos as gírias poderiam ser escritas? Em quais textos não poderiam?
Tudo bem usar gíria em qualquer momento e lugar?

Informar que a carta foi escrita em 1985.

Ler a carta para o subprefeito. Perguntar quais grupos estão com esta carta e pedir para eles comentarem.

Observar com os alunos o uso de pronomes de tratamento (“Exmo. Sr.”, “Vossa Senhoria”). Contar que se trata de
uma carta de solicitação. Explicar que reclamar, reivindicar, formalizar um pedido, fazer um agradecimento, oferecer
um serviço ou exigir o que é de direito, por exemplo, são atos relacionados à vida em sociedade. Uma maneira de
formalizar esses atos é escrevendo cartas. Diferentemente das pessoais, as cartas que circulam em espaços públicos
têm fórmulas mais ou menos fixas de organização e exigem o uso de uma linguagem mais formal. Em consequência,
escolhemos palavras e expressões mais adequadas a essas situações.

Leia o e-mail. Perguntar quais grupos estão com essa mensagem e pedir para eles comentarem.

Informar que se trata de um e-mail datado de janeiro de 2017. Pedir para os alunos observarem os campos “de”,
“para” e “assunto”. Fundamental perceberem também que, diferentemente dos textos anteriores, o e-mail tem mais
de um destinatário. O autor do texto dirige a mensagem a vários amigos.

Perguntar: É possível saber, pelo teor do texto, algo mais sobre o autor da mensagem? É jovem ou velho? Trata-se de
uma pessoa escolarizada ou não? Há gírias no texto? Que outras características sociais do autor do e-mail (origem
geográfica, nível sociocultural, idade) podemos identificar pelas características do texto?

TODA A LÍNGUA ESTÁ IRREMEDIAVELMENTE SUJEITA À VARIAÇÃO E MUDANÇA

Projetar o slide ou escrever no quadro a frase: “Toda a língua está irremediavelmente sujeita à variação e mudança”.

Estimular os alunos, apoiando-se nas cartas analisadas, a mostrar de quais maneiras a mudança e a variação podem
acontecer.

Registrar as contribuições dos estudantes no quadro. É esperado eles perceberem que a língua pode mudar no tempo
e variar no espaço geográfico. A língua pode, também, em um mesmo espaço, variar em função da inserção social dos
interlocutores ou do grau de intimidade entre eles.