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U N I V E R S I D A D E

UNIGRANRIO
Vá além da sala de aula !

Introdução à Psicologia e
Behaviorismo
Núcleo de Educação a Distância U N I V E R S I D A D E
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25 de Agosto – Duque de Caxias - RJ

Reitor
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Pró-Reitor de Administração Acadêmica


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Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-graduação


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Pró-Reitora Comunitária
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Direção geral: Jeferson Pandolfo Desenvolvimento do material: Susana


Revisão: Camila Andrade, Laís Sá e Mariana Baptista Desenvolvimento instrucional: Rayane Moreth
Produção editoração gráfica: Beatriz Serva

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Sumário
Introdução à Psicologia e Behaviorismo
Objetivos ........................................................................................... 04
1. Psicologia e os Tipos de Conhecimentos ............................................. 05
1.2 Conhecimento Popular ........................................................... 05
1.3 Conhecimento Filosófico ........................................................ 06
1.4 Conhecimento Mitológico ....................................................... 06
1.5 Conhecimento Científico – Ciência .......................................... 07
2. Psicologia do Senso Comum e ................................................ 08
Psicologia Científica .............................................................. 08
2.1 Objeto de Estudo da Psicologia ............................................... 09
2.2 Diversidade de Objetos de Estudo da Psicologia ........................ 11
3. A Escola Behaviorista da Psicologia ......................................... 12
4. Condicionamento Operante .................................................... 14
4.1 Os Princípios do Condicionamento Operante ............................. 16
4.2 Generalização de Operantes ................................................... 19
Síntese ............................................................................................. 20
Referências Bibliográficas .................................................................... 21
Objetivos
Ao final desta unidade de aprendizagem, você será capaz de:

▪▪ Conceituar os diferentes tipos de conhecimentos;


▪▪ Diferenciar psicologia científica da psicologia do senso comum;
▪▪ Descrever os objetos de estudo da Psicologia;
▪▪ Descrever o objeto de estudo do Behaviorismo;
▪▪ Explicar a importância do meio ambiente no comportamento do
homem;
▪▪ Compreender a relação entre estímulo reforçador e a mudança de
comportamento.

4 Psicologia Social
1. Psicologia e os Tipos de Conhecimentos
A Psicologia, durante sua trajetória, percorreu longos caminhos até
chegar ao conhecimento científico e se libertar da Filosofia.

Todo conhecimento se inicia com a observação simples, casual, um


certo conhecimento do cotidiano – denominado de senso comum–, que
muito contribui para os outros tipos de saberes, inclusive o conhecimento
da Psicologia Científica. Um conhecimento qualquer não se distingue
do conhecimento científico, nem pela veracidade, nem pela natureza do
objeto conhecido. O que distingue é a forma, o modo ou o método e os
instrumentos do “conhecer”.

Dessa forma, a ciência não é o único caminho de acesso ao conhecimento


da verdade, pois um mesmo objeto ou fenômeno – uma planta, um mineral,
uma comunidade ou relações entre chefes e subordinados – pode ser matéria
de observação tanto para o cientista quanto para o homem comum; o que
difere um conhecimento científico de um vulgar ou popular é a forma de
observação.

Vamos conhecer, agora, os vários tipos de conhecimentos:

1.2 Conhecimento Popular


O conhecimento popular (também conhecido como senso comum,
vulgar e empírico) constrói-se a partir do cotidiano dos povos, do dia a dia das
pessoas, da experiência de vida e da opinião de cada um. Nesse sentido, ele é:

1. Subjetivo, pois são as próprias pessoas que os organizam, segundo


critérios pessoais, ou seja, que não dependem de modelos aceitos
como lógicos, racionais e confiáveis;
2. Superficial, pois baseia-se na experiência imediata, no relato
momentâneo, na aparência, sem quaisquer preocupações com a
investigação dos fatos;
3. Sensitivo, pois depende dos estados de ânimo, de humor e emocional

Psicologia Social 5
dos sujeitos para a sua aceitação, interpretação e codificação;
4. Assistemático, pois não se propõem à construção de estruturas
teóricas explicativas e nem às tentativas de validação racional e/ou
empírica.

1.3 Conhecimento Filosófico


O conhecimento filosófico possui as seguintes características:

1. Valorativo, pois baseia-se em teses, ideias e conclusões. Tais ideias


surgem da experiência do filósofo com que ele percebe como real
(o “bem”, o “belo”, o “justo”, o “ser” etc.);
2. Racional, pois é estruturado e argumentado segundo as regras da
lógica e da razão;
3. Infalível e exato, pois, por não ser verificável, invoca para si a
condição de verdade;
4. Sistemático, pois estabelece teorias explicativas da realidade.

1.4 Conhecimento Mitológico


O conhecimento mitológico, no qual se inserem todos os conhecimentos
religiosos, possui as seguintes características:

1. De origem inspiracional ou de uma revelação sobrenatural ou


divina;
2. Infalível, pois pretende-se verdadeiro, exato (visto sua origem
sobrenatural);
3. Não verificável, pois deve ser aceito principalmente pela fé, e não
pela razão. Seus enunciados têm o caráter dogmático (verdades
inquestionáveis). Não se presta à verificação, ao teste, à dúvida;
4. Sistemático, pois constrói estruturas valorativas–, no caso das

6 Psicologia Social
religiões, os chamados “Corpos Doutrinais”– com finalidades
explicativas de diversas realidades, fatos, circunstâncias etc.

1.5 Conhecimento Científico – Ciência


O conhecimento científico refere-se à ciência (espisteme = conhecimento
verdadeiro).

O conhecimento científico é um tipo de conhecimento que tem uma


garantia consistente de validade, quer do ponto de vista racional, quer do
ponto de vista empírico, sobre os fenômenos da natureza, de uma forma geral.

O conhecimento da Ciência possui as seguintes características:

1. Funda-se no dado real ou factual. A ciência é a busca do


conhecimento daquilo que é fenômeno (manifestação). Nesse
sentido, a ciência é eminentemente empírica;
2. Racional, pois todos os seus enunciados devem se basear na razão
e na lógica;
3. Experimental, pois “suas proposições ou hipóteses têm sua
veracidade ou falsidade conhecida através da experiência, e não
apenas pela razão” (MARCONI; LAKATOS, 1991, p.80);
4. Sistemático, pois é caracterizado por ser um saber estruturado de
ideias (teorias), com finalidades explicativas;
5. Aproximadamente exato, pois não se pretende a verdade absoluta,
mas, sim, a modelos explicativos racionais e verificáveis.

A preocupação da ciência está na descoberta das causas de determinados


fatos, bem como nas regularidades desses mesmos fatos. Por isso, a ciência é
geral, isto é, as observações feitas para determinados fenômenos buscam ser
generalizáveis e expressas pelo enunciado de uma Lei. Uma Lei Científica,
portanto, é um enunciado que procura descrever regularidade em relação
a determinados fenômenos e, com base nessas regularidades, estabelecer
normas (as Leis da Ciência). Uma lei geralmente adota a seguinte forma:

Psicologia Social 7
sempre que houver a propriedade “A”, então haverá a propriedade “B”.

Com base nos conceitos citados até aqui, podemos entender o que
seria Psicologia do Senso Comum e Psicologia Científica.

2. Psicologia do Senso Comum e


Psicologia Científica
A Psicologia do senso comum é entendida como a psicologia do
cotidiano, usada no dia a dia pelas pessoas, ou seja, as pessoas, de um modo
precário, utilizam o conhecimento acumulado da psicologia científica para
explicar e compreender seus problemas, fatos e acontecimentos cotidianos
de uma visão psicológica. O que estamos querendo dizer é que a psicologia
do senso comum é o conhecimento que se acumula no cotidiano, do qual
as pessoas têm um domínio, mesmo que pequeno e superficial, o que lhes
permite explicar seus problemas. No senso comum, alguns termos definidos
pela psicologia científica são utilizados no cotidiano das pessoas, como:

▪▪ “Mulher histérica”;
▪▪ “Professor estressado”;
▪▪ “Aluno complexado”.

O tipo de conhecimento do senso comum percorre um caminho


que vai do hábito à tradição, passado de geração a geração, sem nenhum
conhecimento científico. As pessoas utilizam a psicologia do senso comum,
na tentativa de facilitar a sua vida, tirando suas próprias conclusões e criando
suas próprias teorias.

A psicologia do senso comum aspira à subjetividade, movida pela


maneira de sentir e pensar de cada um. Suas conclusões não são passíveis de
verificações, sendo movidas pelas emoções.

A Psicologia é uma ciência. Mas, para isso, teve que atender a


algumas exigências. Uma delas é que, para ser “ciência”, a psicologia deve

8 Psicologia Social
necessariamente ater-se a manifestações físicas. Tais manifestações devem ser
passíveis de observação, mensuração e, se possível, manipulação por parte de
um cientista. Além disso, esse “algo físico” deve, em algum momento, ser
previsível, racionalmente à luz das pesquisas que se fizeram sobre ele.

A psicologia científica, por ser ciência, apresenta uma característica


específica: ela busca objetividade. Em seus estudos, suas conclusões devem
ser passíveis de verificação e sem qualquer envolvimento emocional. Neles,
devem constar um objeto específico, redigido em uma linguagem precisa
e rigorosa, especificando seu método e técnica, de modo que seus estudos
tornem-se possíveis de verificação.

O que distingue o senso comum da ciência é que o primeiro é uma


opinião baseada em hábitos, preconceitos, tradições cristalizadas, enquanto o
segundo se baseia em pesquisas, investigações metódicas e sistemáticas e na
exigência de que as teorias sejam internamente coerentes e digam a verdade
sobre a realidade. A ciência é conhecimento que resulta de um trabalho
racional.

2.1 Objeto de Estudo da Psicologia


Para ser considerado científico, o estudo deve ter um objeto específico.

O objeto de estudo da psicologia é o homem. Essa definição coloca


a psicologia enquadrada dentro das ciências humanas, mas não especifica
realmente o objeto de estudo da psicologia e nem responde às exigências da
ciência, já que, para ser ciência, a psicologia deve, necessariamente, ater-se a
manifestações físicas.

Diante dessas imposições epistemológicas da ciência, a única


possibilidade lógica de objeto de pesquisa para a psicologia é, inicialmente, o
comportamento. De fato, o comportamento, é algo físico (manifestação), que
pode ser observado, mensurado, testado (por meio das correlações estatísticas
e dos cálculos probabilísticos) e previsto. É claro que as previsões científicas
em psicologia jamais serão tão precisas quanto outras ciências que possuem
objetos de pesquisas mais estáveis, mas isso não desqualifica, de forma alguma,
o status científico das predições da psicologia, bem como da própria psicologia
enquanto ciência.

O grande avanço da Psicologia


Observado A Científica foi com Wundt. Credita-se ao
médico fisiologista Wilhelm Wundt (1832-
Mensurado 1920), a criação, em 1879, na Universidade de
Leipzig, na Alemanha, do primeiro laboratório
Objeto de estudo
da Psicologia
experimental em psicologia. Na época de
Wundt, a psicologia ainda não havia adquirido
o “status” de ciência. Wundt dedicou sua vida
Testado de pesquisa a dar essa identidade científica à
Previsto psicologia, libertando-a da filosofia.

Mas a psicologia só estudaria os comportamentos observáveis?

Se a psicologia ficasse restrita tão somente ao comportamento


observável, ela seria pobre. Mas, e os processos mentais (o pensamento, a
percepção, a memória, a atenção, a inteligência e a aprendizagem)? Embora
não observáveis diretamente, tais processos, de fato, ocorrem na mente (e na
vida) dos seres humanos. Podemos, no entanto, inferir tais processos a partir
do que se convencionou chamar “constructos”; por meio de um processo
intelectual chamado inferência, pode-se chegar a algumas conclusões
utilizando os fatos observados.

Uma inferência é uma ideia sobre algo que não pode ser observada
diretamente e que é derivada dos dados colhidos por meio de observações (“Se
D, então, P”). As ideias construídas dessa maneira pelos pesquisadores são
chamadas de constructos. Esses constructos, tais como o preconceito racial,
são usados como se existissem de fato e como se tivessem uma associação com
eventos reais. Os constructos psicológicos, então, são ideias construídas pelos
pesquisadores, por meio de um processo racional de inferência baseada em
observações empíricas.

Então, poderíamos definir a psicologia como sendo a ciência que estuda


comportamentos observáveis dos seres humanos, bem como os processos
mentais, por meio de seus constructos.

10 Psicologia Social
Entretanto, poderíamos dizer que o objeto da psicologia é o
comportamento observável? Não, pois, dependendo do enfoque teórico, o
objeto de estudo da psicologia será diferente.

2.2 Diversidade de Objetos de Estudo da Psicologia


A psicologia tem uma diversidade de objetos de estudos, ou seja, para
cada escola da psicologia, teremos diferentes objetos de estudos. Se pedíssemos
para um psicólogo comportamentalista para descrever o objeto específico de
estudo da psicologia, ele diria que esse é o comportamento humano. Se a
mesma pergunta for dada a um psicólogo psicanalista, ele responderia: o
inconsciente é o objeto de estudo da psicologia. Se a palavra for dada a um
psicólogo gestaltista, ele diria: o objeto de estudo da psicologia é a percepção.
Para os psicólogos sociais, seu objeto de estudo são os fenômenos sociais
comportamentais e cognitivos decorrentes da interação entre pessoas. Outros
diriam que é a personalidade, a consciência e outros, ainda, as emoções.

Enquanto disciplina científica, a psicologia tem como objeto de estudo


e pesquisa o comportamento, pois ele pode ser observado, experimentado,
mensurado e comprovado.

Essa diversidade de objetos justifica-se porque os fenômenos


psicológicos são tão diversos que não podem ser acessíveis ao mesmo nível
de observação e, portanto, não podem ser submetidos aos mesmos padrões
de descrição, medida, controle e interpretação. O objeto da Psicologia,
considerando suas características, deve ser aquele que reúna as condições
de aglutinar uma ampla variedade de fenômenos psicológicos (BOCK;
FURTADO, 2008).

Considerando toda essa dificuldade em eleger um objeto de estudo


da psicologia, optamos por eleger um único objeto, que é a matéria-prima
da psicologia, que engloba todos os objetos de estudo já citados, que é
o ser humano, em todas as suas expressões, as visíveis (todas as reações
observáveis dos seres humanos as estimulações internas e externas) e as
invisíveis (os sentimentos).

Psicologia Social 11
3. A Escola Behaviorista da Psicologia
A Escola Behaviorista (ou comportamental) teve como seu precursor
o Dr. John Broadus Watson (1878-1958), que fundou uma das correntes
da psicologia mais influentes: o behaviorismo, ou comportamentalismo.
Como o próprio nome sugere, a ênfase metodológica do behaviorismo era a
insistência na primazia do comportamento observável (“behavior”) como a
única possível fonte de dados psicológicos.

A escola behaviorista enfatizou a utilização de uma metodologia


científica (notadamente a experimentação) em suas pesquisas sobre o
comportamento, a exemplo das demais ciências. A experimentação, enquanto
técnica de pesquisa científica, consiste na observação de um fenômeno
específico, em condições que permitam aumentar o conhecimento que se
tenha ou leis que regem esse mesmo fenômeno.

A abordagem Behaviorista dedica-se a pesquisar a interação entre


o indivíduo e o ambiente. Para os behavioristas, todo comportamento, é
influenciado pelo estímulo que o precede, ou seja, o estímulo ambiental exerce
uma força capaz de levar o indivíduo a um determinado comportamento,
e esse comportamento poderá voltar ou não a ocorrer, dependendo da
consequência dessa ação. Analise este exemplo, que ilustra essa relação entre
o estímulo e resposta: onde o cão lambe o gato e, como consequência dessa
ação, sofre uma agressão, ou seja, o meio ambiente (lambida) influenciando
no comportamento (chute).

▪▪ Estímulo Ambiental;
▪▪ Resposta Comportamental.

Outra questão levantada pelos behavioristas diz respeito à importância


atribuída ao meio na formação do comportamento. Se bem que, embora,
em seus primeiros escritos, Watson aceitasse a importância das tendências
comportamentais herdadas, seus trabalhos ulteriores passaram a dar maior
ênfase ao papel do meio na formação do comportamento humano adulto. Ele
declarou que o conceito de instinto já não era necessário em psicologia, mas

12 Psicologia Social
esforçou-se por deixar bem claro que não duvidava do importante papel das
estruturas herdadas. O desempenho dependia do modo como o meio atuava
sobre tais estruturas.

O Behaviorista, ao analisar um comportamento de uma criança com


grandes habilidades na dança, não dirá que ela herdou a capacidade ou talento
de sua mãe para a dança, mas, sim, que ela tem, certamente, o mesmo tipo
de cabelo e olhos, a mesma cor de pele. Ainda dirá que a mãe tem grande
carinho pela sua filha: colocou-lhe desde cedo no curso de dança, quando ela
tinha apenas 3 anos de idade, e quando saiam para passear juntas, falava-lhe
sobre a dança, das grandes bailarinas e seus espetáculos. Esse exemplo nada
mais é do que a confirmação de que o meio ambiente pode ser determinante
no comportamento do ser humano, em que o estímulo ambiental influencia
na resposta (comportamento) dada pelo indivíduo.

Ao enfatizar a importância dos fatores ambientais, Watson assinalou


a grande variedade de características e hábitos humanos associados a
diferentes climas e culturas. Embora reconhecendo as limitações dos
dados existentes, ele entendeu que todo e qualquer bebê humano normal
tinha potencialidades essencialmente semelhantes, e o que ele vai se
tornar dependerá do meio no qual foi criado. Para chamar atenção para
essa conclusão, ele diz:

Gostaria de avançar mais um passo esta noite e dizer: “Deem-me


uma dúzia de crianças saudáveis, bem-formadas, e um ambiente
para criá-las que eu próprio especificarei, e eu garanto que, tomando
qualquer uma delas ao acaso, prepará-la-ei para tornar-se qualquer
tipo de especialista que eu selecione – um médico, advogado, artista,
comerciante e, sim, até um pedinte e ladrão, independentemente de
seus talentos, pendores, tendências, aptidões, vocações e raça de
seus ancestrais. (WATSON, 1925, p.82)

4. Condicionamento Operante
O Dr. Burrhus Frederik Skinner (1904-1990) teve uma das carreiras
mais notáveis nessa área. Sua irrequieta curiosidade intelectual recusou-se
a ser contida nos estreitos limites de uma área especializada. Interessou-se
pela análise da aprendizagem verbal pelo adestramento de pombos
Psicologia para
Social guiar
13
mísseis, pelas máquinas de ensinar e pelo controle do comportamento mediante
o reforço programado. Os engenhosos aparelhos a seu crédito incluem um
dispositivo automático para cuidar de bebês, utilizado primeiro com um de
seus próprios filhos e depois comercializado. Mais tarde, ele utilizou seus
estudos com ratinhos, o que foi considerado um dos seus trabalhos pioneiros
em psicologia experimental.

Para exemplificarmos melhor o condicionamento operante, a Figura


1 nos mostra um ratinho na “caixa de Skinner”, em que, privado 24 horas de
água, sedento e buscando água incessantemente, por acaso, pressiona a barra
e recebe a gota d’água. Inicia-se, assim, o processo de aprendizagem.

Luz ou Som
Barra

Grades que podem dar


choques elétricos
Figura 1: Caixa de Skinner.

O experimento: um rato faminto colocado em uma caixa executa


uma série de ações, como andar ou tentar subir nas paredes. Uma delas
(tocar em uma alavanca) é recompensada pelo pesquisador com uma porção
de alimento ou um pouco de água; depois de certo número de vezes em que
isso ocorre, o rato já fica condicionado a acionar a alavanca toda vez que
sentir fome ou sede. Em outras palavras, o rato ficará condicionado ao
resultado de sua própria ação, e não a um certo estímulo. Essa pode ser
apenas uma ação que se tornou mais frequente em determinada situação,
ou que só ocorre após uma série de aproximações sucessivas. Esse processo,
que Skinner chama de “modelagem” (shaping), seria responsável por tudo
o que os organismos aprendem.

14 Psicologia Social
São vários os fatores envolvidos no processo de modelagem, entre eles:

1. Discriminação: Processo de responder a estímulos cada vez mais sutis;


2. Reforço generalizado: Reforços como dinheiro ou a aprovação
social, que atuam sobre o organismo, independentemente de
qualquer privação específica.

Todos esses fatos formam um tecido de relações entre o comportamento


e as consequências dele advindas, e essas relações podem apresentar diversas
alternativas. Em geral, quanto mais imediata for certa consequência, tanto
maior será seu efeito sobre o comportamento. No entanto, muitas vezes
essas consequências (positivas ou negativas) somente surgem em intervalos
regulares ou irregulares de tempo. A essas relações variáveis, Skinner deu o
nome de esquemas de reforços.

Os esquemas de reforços só começaram a se evidenciar quando Skinner


constatou que o dado fundamental a ser considerado nos processos de mudança
do comportamento deveria ser sua frequência. Dentro dessa perspectiva,
Skinner identificou relações muito parecidas entre o comportamento de
um organismo e as circunstâncias em que eles ocorrem, possibilitando sua
precisão, seu controle e, portanto, sua explicação.

Os primeiros organismos estudados por Skinner foram ratos albinos,


mas os princípios do condicionamento operante pareceram-lhe aplicáveis a
todos os outros animais, inclusive o homem.

Na vida cotidiana, os conceitos da teoria do condicionamento operante


são aplicados a todo o momento: no trabalho, em casa e em todas as situações
sociais. Vejamos o que dizem esses princípios.

4.1 Os Princípios do Condicionamento Operante

▪▪ Reforços
São todos os estímulos consequentes a um operante, que aumentam a
probabilidade desse operante tornar a ocorrer em situações semelhantes.

Psicologia Social 15
▪▪ Reforço Positivo R(+)
É a apresentação de um estímulo após um operante, que aumenta
a probabilidade deste tornar a ocorrer em situações semelhantes
(EP(A)↑E1→Op)3 Por exemplo, o elogio de um Assistente Social
pode fazer com que determinado comportamento de um usuário
se repita.

▪▪ Reforço Negativo R(-)


É a remoção de um estímulo após um operante, que aumenta a
probabilidade deste tornar a ocorrer em situações semelhantes
(EP(R)↑E1→Op). O reforço negativo aumenta a frequência do
comportamento, livrando o sujeito de experiência irritante ou
desagradável (ou seja, do próprio estímulo que o gerou). Por
exemplo: um rato aprende a sempre pressionar uma alavanca após
uma luz ser acesa. Caso não a pressione, logo a seguir à luz, um
choque elétrico é apresentado no soalho da caixa na qual se encontra
o rato; logo, para evitar o choque no soalho, o rato pressiona
rapidamente a alavanca, pois já associou o seu comportamento de
pressionar a alavanca, após o acender da luz, à ausência posterior
do choque.

O reforço negativo pode ser distinguido em:

▪▪ Reforço Negativo de Fuga


Ocorre quando a frequência de um operante é aumentada em
circunstâncias semelhantes porque acaba com um evento
habitual (que o sujeito considera desagradável). Por exemplo, um
adolescente sempre se preocupa em deixar o seu quarto limpo, pois
quer acabar com as constantes repreensões de sua mãe.

▪▪ Reforço Negativo de Evitação


Ocorre quando a frequência de um operante é aumentada em
circunstâncias semelhantes porque adia ou evita a ocorrência de
um evento que o sujeito considera desagradável. Um funcionário
procura chegar sempre na hora em sua empresa, pois quer evitar
16 Psicologia Social
os descontos por atraso ou o não recebimento no final do mês de
qualquer outra vantagem, vinculada à pontualidade na empresa.

Importante
Legenda: (A) = Estímulo Apresentado; (R) = Estímulo Removido; (↑) Fortalece a relação
causal entre...; (↓) Enfraquece a relação causal entre...;
E1 = Estímulo Inicial; Op = Operante.

▪▪ Punição
Quando um operante específico é acompanhado por um estímulo
que reduz ou enfraquece a sua frequência, esse estímulo é chamado
de punição.

▪▪ A Punição Positiva P(+)


Ocorre sempre quando a apresentação de um estímulo consequente
a um operante diminui a frequência do operante em situações
semelhantes (EP(A) ↓ E1→Op). Um funcionário, ao ser pego
fora do seu local de trabalho, em horário de expediente normal,
é advertido pelo seu supervisor, o que o faz retornar ao trabalho.

▪▪ A Punição Negativa P(-)


Ocorre quando a remoção ou o adiamento de um reforçador que
acompanha um operante reduz a frequência do comportamento
em situações semelhantes (EP(R) ↓ E1→Op). Por exemplo: Um
funcionário chegou pontualmente em sua empresa durante todo
o mês, pois sabia que, assim, receberia uma cesta básica; contudo,
não a recebeu por “alegações”, por parte da empresa, de problemas
de caixa.

O termo “reforço” não deve ser confundido com “recompensa”. Há


casos em que um reforço de fato não representaria algo considerado agradável

Psicologia Social 17
para o sujeito (o sentido amplo da palavra “recompensa”). Da mesma forma,
a expressão “punição” não deve ser confundida com “castigo”, pelos mesmos
motivos assinalados anteriormente em relação aos reforços.

O termo “positivo” não deve ser confundido com a ideia de algo


“bom”, “agradável” ou coisa que o valha para o sujeito. Positivo representa,
no condicionamento de Skinner, as seguintes circunstâncias: (1) Quando
EP = E1; (2) Quando o EP, mesmo sendo diferente do E1, representa uma
circunstância “concreta”, “real” que influencia decisivamente o OP apresentado
pelo sujeito.

Por exemplo: Uma criança estimulada pela curiosidade (E1) coloca


o seu dedo em uma tomada elétrica (Op). A consequência disso é levar um
choque na mão (EP).

Tal consequência faz com que a relação entre E1 e OP seja enfraquecida.


Logo, EP é uma punição positiva, porque, mesmo EP sendo diferente de E1, ela
caracteriza um fato real, que influenciou decisivamente o OP daquela criança.

A Extinção de Operantes ocorre nas seguintes circunstâncias:

▪▪ Quando um reforço positivo não é mais apresentado ao sujeito


após um operante;
▪▪ Quando, após um operante, uma punição positiva é apresentada
ao sujeito.

4.2 Generalização de Operantes


Ocorre quando as respostas reforçadas por procedimentos operantes
(dentro de circunstâncias específicas) tendem a se espalhar ou se generalizar
para situações semelhantes.

Quanto mais parecido o ambiente, tanto mais provável a generalização.


Por exemplo: Um funcionário elogiado por seu supervisor pelo desempenho em
uma determinada função, provavelmente, buscará ter o mesmo desempenho,
caso seja transferido de função.

18 Psicologia Social
Fortalece a relação entre o Estímulo inicial e o Operante por ele eliciado

Reforço

Estímulo Inicial Operante Estímulo Posterior


E1 OP EP

Punição
Enfraquece a relação entre o Estímulo Inicial e o Operante por ele eliciado

Figura 2: Generalização de operantes. Fonte: Do autor.

Psicologia Social 19
Síntese
Nesta unidade, estudamos os diversos tipos de conhecimentos: popular
ou senso comum; filosófico, mitológico e científico. Além disso, vimos a
Psicologia como senso comum e como ciência, bem como a diversidade de
seus objetos de estudo.

Vimos, ainda, que o meio ambiente influencia e forma o comportamento


do ser humano, além da teoria do condicionamento operante.

Por fim, analisamos os princípios do condicionamento operante: reforço


positivo e negativo (de fuga e de evitação); punição; extinção; e generalização.

20 Psicologia Social
Referências Bibliográficas
BOCK, A. M. B; FURTADO O. T. L. T. Psicologias: uma introdução ao
estudo da psicologia. São Paulo: Saraiva. 2008.

DAVIDOFF, L. Introdução à psicologia. São Paulo: Makron Books, 2001.

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia


científica. 3 ed. São Paulo: Atlas, 1991.

WATSON, J. B. Behaviorism. New York: W. W. Norton, 1925.

Psicologia Social 21