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DIREITO DAS MINORIAS E DOS GRUPOS VULNERÁVEIS:

pessoas com deficiência mental/intelectual 1

Ana Carolina Jeremias


Acunha2

Blenda Monteiro Freitas3

Eduarda Alexandrino
Borges4

Luiz Henrique dos Santos


Cardoso5

Milena Felisberto de Souza6

Jarbas Freitas da Silva7

Resumo: O presente artigo aborda os direitos dos indivíduos com deficiência, e evidencia
a necessidade de tutelar essa parcela da sociedade. São analisadas as definições e
diferenciações da deficiência mental e intelectual, as políticas públicas de inserção social,
compreendendo a educação inclusiva, os programas de reconhecimento da autonomia
das pessoas com deficiência, e os projetos de lei a respeito desta categoria, sob o viés
democrático consagrado na Constituição Federal. O estudo foi elaborado com o uso de
metodologia qualitativa, analisando o cenário nacional de inclusão, e os efetivos reflexos
sociais obtidos. Constatou as mudanças positivas em relação aos conceitos, recursos e
assistência ao referido grupo, e concluiu que para a conquista igualitária e plena dos
direitos, uma postura participativa dos cidadãos, de forma geral, é indispensável.

Palavras-chave: Minorias. Deficiência. Direito. Vulneráveis. Igualdade. Autodefensoria.

1 INTRODUÇÃO

1
Trabalho apresentado para o Projeto Integrador do Curso de Direito da UNICNEC, na modalidade paper.
2
Acadêmica do 5º semestre do Curso de bacharelado em Direito da UNICNEC. E-mail:
anajeremias1@hotmail.com
3
Acadêmica do 5º semestre do Curso de bacharelado em Direito da UNICNEC. E-mail:
blendamfreitas@hotmail.com
4
Acadêmica do 5º semestre do Curso de bacharelado em Direito da UNICNEC. E-mail:
dudaalexandrino@hotmail.com
5
Acadêmico do 4º semestre do Curso de bacharelado em Direito da UNICNEC. E-mail:
luizcardoso95@hotmail.com
6
Acadêmica do 4º semestre do Curso de bacharelado em Direito da UNICNEC. E-mail:
milena_felisberto@hotmail.com
7
Professor articulador do Projeto Integrador. Mestrando em Desenvolvimento Regional pela FACCAT.
Em nossa sociedade possuímos pessoas com características extremamente
diferentes e indivíduos com diversas formas de deficiências. O corpo social, ao decorrer
do tempo, vai se habituando e se familiarizando e cada vez mais se adequando com as
devidas diferenças e incluindo essas pessoas em questões mais relevantes da sociedade.

É importante lembrarmos que antigamente, a sociedade era excessivamente


preconceituosa com as formas de deficiências e excluíam essas pessoas de assuntos de
grande relevância, como se eles não tivessem “capacidade” suficiente para tais assuntos.
Atualmente, as pessoas com transtornos e deficiências mentais são tratadas de forma
praticamente igual, até possuindo prioridades.

No presente trabalho buscamos analisar projetos de lei relacionados, a legislação


específica, inclusão de pessoas com deficiências, quais seriam suas estatísticas e
observações gerais sobre o tema.

2 CONCEITUAÇÃO, CARACTERIZAÇÃO E OBSERVAÇÕES GERAIS

O termo Deficiência Intelectual, é utilizado para descrever transtornos de


desenvolvimento do indivíduo, no qual apresenta baixo nível cognitivo e comportamental,
esperado pela faixa etária. Pessoas com déficit intelectual, possuem maior dificuldade de
se integrar, e compreender as relações da sociedade. Segundo Pereira8:

A Deficiência intelectual (DI) ou Deficiência mental (DM) como era anteriormente


designada, é caracterizada como uma incapacidade de limitações significativas,
tanto no funcionamento intelectual quando no comportamento adaptativo e se
origina principalmente antes dos dezoito anos de idade.

Muito fatores corroboram com o déficit intelectual, e existem variadas formas de


deficiência. A maior incidência de casos são fatores genéticos, representando
costumeiramente como o principal fato gerador das diversas formas de deficiências.
Conforme Pereira9:

Assim, a deficiência intelectual é um quadro psicopatológico que se refere, de


maneira especial, às funções cognitivas. O que caracteriza a deficiência intelectual
são defasagens e alterações nas estruturas mentais para o conhecimento.
8
PEREIRA, Josiane Eugênio. A Infância e a Deficiência Intelectual: algumas reflexões. 2012.
Dissertação (Mestrado em Educação) –Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade do
Extremo Sul Catarinense, Criciúma, 2012. Disponível em:
http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsul/paper/viewFile/2044/690 Acesso
em: 18 maio 2019.

9
PEREIRA, Josiane Eugênio. A Infância e a Deficiência Intelectual: algumas reflexões. 2012.
Dissertação (Mestrado em Educação) –Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade do
Extremo Sul Catarinense, Criciúma, 2012. Disponível em:
http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsul/paper/viewFile/2044/690 Acesso
em: 18 maio 2019.

(Essas 2 referências acima são no rodapé folha anterior (na conceituação))

Na grande maioria dos casos não existe cura, entretanto, diversos tratamentos são
desenvolvidos e aperfeiçoados, para que reflitam na melhoria de vida dos portadores de
deficiência. A caracterização da expressão deficiência intelectual, apresenta fatores
essenciais para o entendimento da sociedade, fazendo com que o indivíduo que sofra de
algum déficit tenha uma vida digna e com seus direitos assegurados.

Conforme a evolução das legislações, foram incorporados e atualizados vários


conceitos sobre as mais diversas formar de deficiência. Tendo por consequência a
reformulação do termo “Deficiência mental” para “Deficiência intelectual”, menos
pejorativo como explica Medeiros10: “A expressão deficiente mental já não é usada mais
desde 2004, esta foi substituída por deficiência intelectual, expressão mais apropriada
para designar as limitações cognitivas e sociais comuns a esse grupo de pessoas.

A deficiência intelectual ter por principal característica, um quociente de inteligência


inferior a 70, que representa a média da população. Caracteriza-se por limitação
significativa, tanto pelo seu comportamento adaptativo e funcionamento intelectual.

10
MEDEIROS, Derly Lopes Lebrão. Dificuldade de aprendizagem por deficientes intelectuais em
relação à leitura e à escrita. 2013. Trabalho de Conclusão de Curso. (Graduação em Letras). Faculdade
de Pará de Minas, Pará de Minas, 2013. Disponível em:
http://fapam.web797.kinghost.net/admin/monografiasnupe/arquivos/1042014205232DERLY_LOPES.pdf
Acesso em: 18 maio 2019.

(Essa referência acima vai no rodapé dessa mesma folha)

3 DIFERENÇA ENTRE DOENÇA MENTAL E DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

É corriqueiro a falta de compreensão na diferença entre doença mental e a


deficiência intelectual, mesclando as mesmas como se fossem semelhantes. O equívoco
acontece, pois, os cenários e circunstâncias são muito semelhantes, porém, se
distinguem em diversos aspectos significativos que devem ser observados. 8

A doença mental corresponde-se ao transtorno psiquiátrico, que contém um


conjunto de fatores e condições que afetam diretamente o comportamento do indivíduo
em sociedade, provocando mudanças de humor, atenção e senso crítico; por essa razão,
acarreta em alterações na compreensão da realidade. Além disso, a doença mental se
divide em duas partes, neuroses e psicoses.

As neuroses podem ser constatadas em qualquer pessoa, o exemplo disso é a


ansiedade e medo de maneira exagerada. Já as psicoses são episódios incomuns, como
delírios, confusões mentais e até mesmo perseguições. Exemplos de doenças mentais é
a depressão, bipolaridade e esquizofrenia. 9

Nas circunstâncias da deficiência intelectual as condições reúnem dificuldades


intelectuais significativas, que limitam o desempenho de atividades do cotidiano, sendo
capaz de afetar em pelo menos duas destas particularidades: comunicação, auto-
suficiência, capacidades acadêmicas, trabalho, saúde, lazer, entre outros. Caracterizando-
se principalmente na dificuldade de socializar e interagir com os demais, apresentando
como indispensabilidade verificar-se antes dos 18 anos. 10

Entretanto, um indivíduo pode apresentar a deficiência intelectual e a doença


mental, mas seus tratamentos são diferentes. Na deficiência intelectual, é estimulado e
trabalhado todas as principais dificuldades apresentadas e os profissionais que tratam
destes casos, geralmente são psicólogos, terapeutas, educadores especiais e também
fonoaudiólogos. Na doença mental, os profissionais que trabalham com estas disfunções
são psicólogos, terapeutas e psiquiatras.11 Como menciona Ricardo:

Em resumo, a principal diferença entre deficiência intelectual e doença mental é


que, na deficiência intelectual, há uma limitação no desenvolvimento das funções

8
BEVERVANÇO, Rosana. Diferença entre deficiência Mental e Doença Mental e a atuação do
Ministério Público. [s/d]. Disponível em: <http://www.pcd.mppr.mp.br/pagina-343.html>. Acesso em 13 mai.
2019.
9
BEVERVANÇO, Rosana. Diferença entre deficiência Mental e Doença Mental e a atuação do
Ministério Público. [s/d]. Disponível em: <http://www.pcd.mppr.mp.br/pagina-343.html>. Acesso em 13 mai.
2019.
10
COLUNISTA PORTAL – EDUCAÇÃO. Deficiência intelectual e mental, qual a diferença? [s/d].
Disponível em: <https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/deficiencia-intelectual-e-
mental-qual-a-diferenca/53176>. Acesso em: 13 mai. 2019.
11
MARINHO, Luana; OSELAME, Renato. Entenda a diferença entre deficiência intelectual e doença
mental, 10 jun. 2013. Disponível em: <https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/entenda-a-diferenca-
entre-deficiencia-intelectual-e-doenca-mental/>. Acesso em: 13 mai. 2019.
necessárias para compreender e interagia com o meio, enquanto na doença
mental, essas funções existem mas ficam comprometidas pelos fenômenos
psíquicos aumentados ou anormais.12

Deste modo, percebe-se suas diferenças e tratamentos distintos e que por mais
que os nomes sejam parecidos, não se confundem. A ONU deste modo, excluiu o termo
“deficiente mental” para evitar a discriminação e a confusão gerada desta palavra.

4 AUTOGESTÃO E AUTODEFENSORIA

A luta pelo reconhecimento da autonomia das pessoas com deficiência é


sintetizada no lema mundialmente adotado: “nada sobre nós, sem nós”, que significa que
nada sobre pessoas com deficiência será decidido sem que elas opinem. Vieira, Silva e
Lima13 expõem esse chamado modelo social de deficiência, que surgiu a partir dos anos
60 e 70, na busca do reconhecimento dessas pessoas como sujeitos de direitos
fundamentais, sem serem infantilizados, mas sim dotados de autonomia. Esse modelo,
sob influência da Convenção da ONU sobre o tema, está previsto no território brasileiro no
respectivo Estatuto.

O autor Sassaki14, menciona David Werner, autor de um livro sobre tecnologias


desenvolvidas por e para pessoas com deficiência. Ele relata que pela falta de
participação nas decisões sobre a gestão de suas vidas, essas pessoas são prejudicadas
até por erros médicos, a medida que não decidem por si, como caso de David, que usou
aparelhos ortopédicos que pioraram sua limitação, e após ajudar desenvolver de
tecnologias para pessoas com deficiência, encontrou os avanços tecnológicos que
realmente melhoraram sua condição.

(Coloca pra mim dentro do rodapé as referências)

12
SHIMOSAKAI, Ricardo. Deficiência Intelectual e Doença Mental. Qual a diferença? 11 dez. 2011.
Disponível em: <https://turismoadaptado.com.br/deficiencia-intelectual-e-doenca-mental/>. Acesso em 13
mai. 2019.
13
LIMA, Taisa Maria Macena de; VIEIRA, Marcelo de Mello; SILVA, Beatriz de Almeida Borges e. Reflexões
sobre as pessoas com deficiência e sobre os impactos da Lei nº 13.146/2015 no estudo dos planos
do negócio jurídico. Revista Brasileira de Direito Civil – RBDCilvil, Belo Horizonte, v. 14, p. 17-39.
Disponível em: https://rbdcivil.ibdcivil.org.br/rbdc/article/viewFile/164/159 Acesso em: 17 maio 2019.
14
SASSAKI, Romeu Kazumi. Nada sobre nós, sem nós: da integração à inclusão – Parte 1. Revista
Nacional de Reabilitação, ano X, n. 57, jul./ago. 2007, p. 8-16. Disponível em:
http://acervo.plannetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=2072 Acesso em: 17 maio 2019.
No Brasil, uma das vias do engajamento são as ações da APAE 15, que tornam as
pessoas com deficiência autodefensores. Mediante eventos nacionais e regionais, elas
são reunidas para esse reconhecimento de potencial, para que participem da
reivindicação de políticas públicas, e contribuição na luta pelos direitos da categoria. Cabe
ressaltar que não são apenas direitos relativos às limitações, mas também sobre todos os
direitos civis, políticos, sociais, culturais e econômicos, pois além de possuírem alguma
deficiência, essas pessoas são cidadãs, algo comumente ignorado pela sociedade e pelas
próprias pessoas com deficiência.

No âmbito jurídico, através do Estatuto da Pessoa com Deficiência, houve uma


evolução conceitual a respeito do assunto, nas palavras de Stolze 16:

Em verdade, o que o Estatuto pretendeu foi, homenageando o princípio da


dignidade da pessoa humana, fazer com que a pessoa com deficiência deixasse
de ser “rotulada" como incapaz, para ser considerada - em uma perspectiva
constitucional isonômica - dotada de plena capacidade legal, ainda que haja a
necessidade de adoção de institutos assistenciais específicos, como a tomada de
decisão apoiada e, extraordinariamente, a curatela, para a prática de atos na vida
civil.

Conforme Lobo17, foram quase extintos (com exceção de ocasiões necessárias) os


mecanismos que cerceavam a liberdade de escolha do indivíduo com deficiência
intelectual e mental:

Assim, não há que se falar mais de “interdição”, que, em nosso direito, sempre
teve por finalidade vedar o exercício, pela pessoa com deficiência mental ou
intelectual, de todos os atos da vida civil, impondo-se a mediação de seu curador.
Cuidar-se-á, apenas, de curatela específica, para determinados atos.

Ainda, antes do Estatuto, essa categoria, assim desnecessariamente segregada


perante os direitos humanos, não podia constituir casamento sem passar por uma longa

15
ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS (APAE). Autogestão e autodefensoria:
conquistando autonomia e participação. Projeto Sinergia. Brasília: Ideal, 2008. v. 03. Disponível em:
http://apaebrasil.org.br/fl/normal/5144-livro_autodefensoria_final.pdf Acesso em: 17 maio 2019.
16
STOLZE, Pablo. O Estatuto da Pessoa com Deficiência e o sistema jurídico brasileiro de incapacidade
civil. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 20, n. 4411, 30 jul. 2015. Disponível em:
https://jus.com.br/artigos/41381 Aceso em: 17 maio 2019.
17
LÔBO, Paulo. Com avanços legais, pessoas com deficiência mental não são mais incapazes. Revista
Consultor Jurídico, 16 ago. 2015. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2015-ago-16/processo-
familiar-avancos-pessoas-deficiencia-mental-nao-sao-incapazes Acesso em: 17 maio 2019.
batalha judicial, e agora há esse direito conquistado. Não há sentido em restringir os
direitos fundamentais de uma pessoa por ela ter alguma limitação, mesmo que tenha
alguma deficiência, tem junto vontade própria, sonhos, afetos, e necessidade de
sociabilidade, como todo ser humano. Para a efetividade da inclusão através da
recuperação da autonomia desses indivíduos, é necessário que eles sejam respeitados
na posição de cidadãos.

5 ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA

A segregação e exclusão de indivíduos com os mais diversos tipos de deficiência é


um fato inegável que se perpetua ao longo da história humana. Todavia, tais injustiças
trouxeram motivação necessária para que essas pessoas buscassem tratamento
isonômico e reconhecimento de seus direitos apesar de viverem em um corpo social que
frequentemente as tratam como se fossem invisíveis.16

Através da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) foram


reconhecidos alguns direitos das pessoas com deficiência, servindo como fator exordial
para a normatização de múltiplos princípios fundamentais, destacando o princípio da
dignidade da pessoa humana e o princípio da igualdade. Assinada no ano de 2007 em
Nova York, foi reconhecida a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência que visava defender condições básicas de vida com dignidade às pessoas
com deficiência física, motora, intelectual ou sensorial. 17

Algumas garantias aos direitos das pessoas com deficiência foram implantadas a partir da
Constituição Federal de 1988 (CF/88), também conhecida como “Constituição Cidadã”.
Um ano após o reconhecimento da Convenção Internacional sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência (promulgada pelo Decreto Legislativo nº 186 de 09 de julho de
2008), o Brasil a ratificou (Decreto 6.949/2009), possibilitando seu ingresso no

16
VORCARO, Maria Eduarda Guimarães de Carvalho Pereira; GONÇALVES, Bernardo José Drumond.
Análise objetiva das principais alterações advindas do Estatuto da Pessoa com Deficiência (lei
13.146/15). 2018. Disponível em: <https://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI275942,71043-
Analise+objetiva+das+principais+alteracoes+advindas+do+Estatuto+da>. Acesso em: 13 mai. 2019.

17
KOYAMA, Débora Fazolin. Os reflexos da lei 13.146/2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência – no
sistema jurídico brasileiro. [s/d]. Disponível em: <https://www.camarainclusao.com.br/artigos/os-reflexos-
da-lei-13-1462015-estatuto-da-pessoa-com-deficiencia-no-sistema-juridico-brasileiro/>. Acesso em: 13 mai.
2019
ordenamento jurídico brasileiro na forma de emenda constitucional. Sancionada por Dilma
Rousseff em julho de 2015 e tendo como norteador o princípio da dignidade humana além
de objetivar a inclusão social, a Lei 13.146/2015, denominada “Estatuto da Pessoa com
Deficiência” ou Lei Brasileira de Inclusão (LBI), trouxe inúmeros avanços e modificações
que garantiam a proteção dos direitos dessas pessoas, eliminando obstáculos e
assegurando a cidadania.

A referida Convenção, em seu texto final, é composta por 50 artigos e, tem como
princípios norteadores: a autonomia individual, a não discriminação, a igualdade
de oportunidades, o respeito à diferença, a acessibilidade, a participação e a
inclusão das pessoas com deficiência na sociedade.18

Através do sancionamento da Lei 13.146/2015, que entrou em vigor em 02 de


janeiro de 2016, aproximadamente 45 milhões de brasileiros foram beneficiados nas mais
diversas áreas da vida humana, como saúde, educação, trabalho, lazer e acessibilidade,
configurando-se, então, como um importantíssimo instrumento de emancipação social/civil
para essas pessoas. 19

Os ramos do direito também sofreram alterações com a legislação que, no Código


Civil, atuou revogando e alterando alguns artigos no que tange à incapacidade
repercutindo no direito de família e no Código Eleitoral, onde a pessoa com deficiência
passa a usufruir do sufrágio universal, ou seja, do seu direito de votar e ser votado. Todas
as mudanças foram instituídas a partir do ideal de uma sociedade mais acessível e
acolhedora, que permite que o deficiente conduza e administre seus próprios direitos. Os
principais objetivos da referida lei, podem ser encontrados no artigo 1º da LBI, e visam
condições de igualdade, inclusão social e cidadania.

Art. 1o É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto


da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições
de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa
com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.

Parágrafo único. Esta Lei tem como base a Convenção sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, ratificados pelo Congresso
Nacional por meio do Decreto Legislativo no186, de 9 de julho de 2008 ,
em conformidade com o procedimento previsto no § 3odo art. 5oda
Constituição da República Federativa do Brasil , em vigor para o Brasil,
no plano jurídico externo, desde 31 de agosto de 2008, e promulgados pelo

18
CAIADO, Kátia Regina Moreno. Convenção Internacional sobre os direitos das pessoas com
deficiências: destaques para o debate sobre a educação. Revista Educação Especial. pg. 331.
Disponível em http://www.ufsm.br/revistaeducacaoespecial. Acesso em: 13 mai. 2019.
19
FRANCO, Simone. Lei Brasileira de Inclusão entra em vigor e beneficia 45 milhões de pessoas.
2016. Disponível em: <https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/01/21/lei-brasileira-de-inclusao-
entra-em-vigor-e-beneficia-45-milhoes-de-brasileiros>. Acesso em: 13 mai. 2019.
Decreto no 6.949, de 25 de agosto de 2009 , data de início de sua vigência
no plano interno.20

No âmbito das inovações trazidas pelo Estatuto, pode-se notar que estas são
orientadas por políticas de inclusão, cidadania e pelo direito de decidir, não permitindo
que se retire dos deficientes os direitos inerentes à vida humana como exposto em seu
artigo 6º:

Art. 6o A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para:
I – casar-se e constituir união estável;
II – exercer direitos sexuais e reprodutivos;
III – exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a
informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar;
IV – conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória;
V – exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e
VI – exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou
adotando, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. 21

Consoante ao artigo 205 da CF, que afirma que “a educação é um direito de todos
e dever do estado e da família” 22, o Estatuto, em seu artigo 28, reconhece o direito das
pessoas com deficiência a exercerem uma educação longe de discriminações e com a
igualdade de oportunidades bastante presente, sendo dever dos Estados proporcionar
“um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, bem como o aprendizado ao longo
de toda a vida”.23 A problemática da educação inclusiva se dá a partir da percepção de
que não basta somente colocar um aluno deficiente em uma escola, é necessário um
conjunto de adaptações, como, por exemplo, facilitação de acesso a todas as áreas do
ambiente escolar, transporte adequado, e, principalmente, qualificação dos funcionários
da escola e do corpo docente, especialmente quando se trata de alunos com deficiência
mental e intelectual de forma com que possa ser oferecida uma educação de qualidade e
que o respeito entre as diferenças seja levado em consideração, prevendo também, em
seu artigo 88 a criminalização por discriminação de pessoa com deficiência.

Art. 88. Praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão de sua


deficiência:

20
PLANALTO. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com
Deficiência). 2015. Artigo 1°. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2015/lei/l13146.htm>. Acesso em: 13 mai. 2019.
21
PLANALTO. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência)
2015. Artigo 1°. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm>.
Acesso em: 13 mai. 2019.
22
PLANALTO. Constituição Federal. 1988. Artigo 205. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 05 set. 2018.
23
PLANALTO. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com
Deficiência). 2015. Artigo 28. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2015/lei/l13146.htm>. Acesso em: 13 mai. 2019.
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.(…) 24

De tal maneira, fica evidente que a Lei 13.146/2015 foi sancionada com o propósito
de diminuir as desigualdades e oferecer aos deficientes tratamento jurídico isonômico por
meio de princípios utilizados pela Convenção sobre os Direitos da Pessoa com
Deficiência, especialmente a dignidade da pessoa humana, pelo fato de ser conceituada
como princípio basilar dos direitos humanos.

6 APRENDIZAGEM E INCLUSÃO
Ao falar sobre a inclusão de pessoas com deficiência mental e intelectual é
importante que se analise pelo panorama das crianças, pois é logo no ensino infantil que
se compreende noções básicas do cotidiano, são reforçados os valores pessoais e se
desenvolve a capacidade e interesse pelo aprendizado. 25

O movimento pela inclusão visa abranger a possibilidade de todos poderem


aprender sobre a mesma temática juntos, sem qualquer tipo de exclusão ou discriminação
e se fundamenta na concepção dos direitos humanos lutando pela igualdade e visando
um ideal de justiça.26

Embora a Lei 13.146/2015 não permita que o acesso de crianças e jovens


deficientes à educação seja negado, é de extrema importância ressaltar que a inclusão
não se caracteriza por somente aceitar alunos que possuem algum tipo de deficiência e
colocá-los em uma sala e aula com outras crianças, pois dessa forma tem-se somente a
integração e não a inclusão propriamente dita, ou seja, a criança não deve ter que se
adaptar ao ambiente escolar, e sim, a escola que deve se adaptar para receber aquela
criança que necessita de maior atenção e uma forma diferenciada de conduzir e estimular
seu aprendizado.

24
PLANALTO. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com
Deficiência). 2015. Artigo 88. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2015/lei/l13146.htm>. Acesso em: 13 mai. 2019.
25
[s/a]. A Importância da Educação Infantil para o Amplo Desenvolvimento da Criança. Só Pedagogia.
Virtuous Tecnologia da Informação. [s/d]. Disponível em
<http://www.pedagogia.com.br/artigos/desenvolvimentodacrianca/index.php?pagina=3>. Acesso em: 13 mai.
2019.
26
[s/a]. A respeito da inclusão escolar no Brasil. 2016. Disponível em:
<http://fundacaotelefonica.org.br/promenino/trabalhoinfantil/noticia/a-respeito-da-inclusao-escolar-no-
brasil/>. Acesso em: 13 mai. 2019
Com o propósito de promover maior qualidade de educação aos alunos com
deficiência e incluídos no ensino regular, a Política Nacional de Educação Especial na
Perspectiva da Educação Inclusiva trouxe o Atendimento Educacional Especializado
(AEE), que objetiva sanar os obstáculos que dificultam a plena participação,
desenvolvimento e aprendizagem desses alunos através de recursos pedagógicos que
considerem suas necessidades específicas.

A partir das minhas experiências profissionais acredito nos alunos com


deficiência intelectual, acredito em suas possibilidades, em seus
desenvolvimentos cognitivos, em seus desenvolvimentos como seres
humanos. Nós que acreditamos em crianças ou pessoas com deficiência,
vemos que ainda existe muito preconceito.27

Aos profissionais que trabalham diariamente com essas crianças, cabe


compreender que não se trata em exercitá-los ao ponto de atingirem destreza motora e
acuidade excepcionais, e sim, trabalhar na criação de métodos que os incentive a
conhecer novas experiências, e, consequentemente, obter novos aprendizados tendo
consciência de que cada aluno é um indivíduo e que suas particularidades devem ser
consideradas. Quando se deposita credibilidade e essas crianças e são estimuladas e
incentivadas de forma correta, os resultados são surpreendentes.

Ao considerar o deficiente mental a partir do que ele é capaz de ser, de


fazer, de enfrentar, de assumir como pessoa, revelam-se a todos nós e a
ele próprio possibilidades que se escondiam, que não lhe eram creditadas,
por falta de oportunidades de emergirem espontaneamente. Os pais,
professores, especialistas e a sociedade em geral terão clarificados os
quadros de deficiência mental, na medida em que derem um crédito de
confiança para competência e o desempenho dos deficientes, no dia-a-dia
da casa, nos estudos, no esporte, no lazer, nas atividades culturais e
religiosas. É preciso, a um só tempo, reconhecer a especialidade e a
generalidade de cada aluno e, nesse sentido, a educação tem muito ainda
a realizar. Ocorre que os professores, ao trabalharem com alunos
deficientes, prendem-se unicamente ao que é próprio de sua condição;
aqueles que se dedicam ao ensino de alunos normais ficam restritos ao que
é característico da maioria, sem levar em conta que cada aluno é um
indivíduo, com suas particularidades de desenvolvimento. 28

Um aluno que possui deficiência mental/intelectual e é inserido em uma escola de


ensino regular tem de superar inúmeros obstáculos pela frente, sendo muitas vezes um
verdadeiro desafio cotidiano para essa criança. No entanto, o que se espera do professor

27
TÉDDE, Samantha. Crianças com Deficiência Intelectual: a aprendizagem e a inclusão. 2012.
Disponível em: <https://unisal.br/wp-content/uploads/2013/03/Disserta%C3%A7%C3%A3o_Samantha-T
%C3%A9dde.pdf>. Acesso em: 13 mai. 2019.
28
MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Compreendendo a Deficiência Mental: novos caminhos educacionais.
p.161. São Paulo: Scipione, 2001.
que conduz as aulas, além de muita paciência, espírito acolhedor e compreensão, pode
ser brevemente resumido em uma só palavra: especialização.

O professor especializado tem a capacidade de subtrair as dificuldades da criança,


facilitando o processo de aprendizagem e possui melhores condições para enfrentar a
grande tarefa que é promover a inclusão em sala de aula. Como o grande número de
alunos é um fato que torna o trabalho do professor bastante complexo, o ideal seria que
todos os estados e municípios possuíssem professores de apoio, auxiliadores ou
cuidadores, também capacitados para atender as necessidades dos alunos incluídos e
que possam centralizar a atenção ao aluno deficiente. 29

Atendimentos extraescolares também são importantes para os alunos que foram


incluídos e tornariam o trabalho muito mais rico, pois normalmente é necessário o
supervisionamento de psicólogos, fonoaudiólogos, neuropediatras e outros profissionais
da área da saúde, além de materiais adequados e metodologia dinâmica de ensino para
que se obtenha êxito na corrente educativa e na relação entre os profissionais e alunos. 30

Para que a inclusão ocorra de acordo com o que está estabelecido em lei, são
necessários diálogos e discussões dentro das instituições de ensino, e, se necessário, até
mesmo a cobrança e exigência da sociedade para que seja aplicada de forma leal e
beneficie os estudantes que possuem algum tipo de necessidade especial. Apesar do fato
de a escola ter grande relevância no processo de aprendizagem e inclusão da criança
deficiente, o papel da família é indispensável, pois quando há apoio familiar, o avanço é
muito mais significativo. Segundo a Declaração de Salamanca 31, de 1994:

O princípio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças


devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de
quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam ter. Escolas
inclusivas devem reconhecer e responder às necessidades diversas de
seus alunos, acomodando ambos os estilos e ritmos de aprendizagem e
assegurando uma educação de qualidade a todos através de um currículo
apropriado, arranjos organizacionais, estratégias de ensino, uso de recurso
e parceria com as comunidades.

29
CANGLIARI, Vanessa. Professor de educação especial é essencial em escolas. 2016. Disponível em:
<https://www.domboscoead.com.br/pos-graduacao/noticias/professor-de-educacao-especial-e-essencial-
em-escolas-afirma-especialista/532>. Acesso em: 13 mai. 2019.
30
TÉDDE, Samantha. CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: A APRENDIZAGEM E A
INCLUSÃO. 2012. Disponível em: <https://unisal.br/wp-content/uploads/2013/03/Disserta
%C3%A7%C3%A3o_Samantha-T%C3%A9dde.pdf>. Acesso em: 13 mai. 2019.
31
MENEZES, Ebenezer Takuno de; SANTOS, Thais Helena dos. Verbete Declaração de Salamanca.
Dicionário Interativo da Educação Brasileira - Educabrasil. São Paulo: Midiamix, 2001. Disponível em:
<https://www.educabrasil.com.br/declaracao-de-salamanca/>. Acesso em: 18 de mai. 2019.

(Colocar essa ref. no rodapé da pag. anterior)

A inclusão escolar pode ser considerada como um grande avanço na vida das
crianças que possuem algum tipo de deficiência e como um mecanismo que busca
alcançar equidade e maior qualidade de vida. A inclusão funciona positivamente também
para os docentes, pois além de saírem da “área de conforto” e terem contato com um
novo desafio, os traz capacitação e qualificação, além da amplitude do trabalho realizado
com essas crianças, que não limita-se somente a sala de aula, mas também abrange as
atividades extraescolares.

7 PROJETOS DE LEI

Existem diversos projetos de lei beneficiadoras para pessoas com deficiências


mentais/intelectuais, como:

O projeto de lei 697232 de 2017, que já foi arquivado, que institui o mês Setembro
Verde, com a intenção de dar visibilidade à inclusão social da pessoa com deficiência;

O Projeto de Lei 590733 de 2016, já arquivado, que altera a lei 10.216, de 06 de


abril de 2001 que abrange a proteção e os direitos das pessoas portadoras de
deficiências mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental, para
acrescentar direitos e garantias, e dá outras providências;

O Projeto de Lei 1109134 de 2018, que ainda está em tramitação, que altera a Lei nº
10.406, de 10 de janeiro de 2002 do Código Civil e a Lei nº 13.105, de 16 de março de
2015 do Código de Processo Civil para dispor sobre o direito à capacidade civil das
pessoas com deficiência em igualdade de condições com as demais pessoas e sobre as
medidas apropriadas para prover o acesso das pessoas com deficiência ao apoio de que
necessitarem para o exercício de sua capacidade civil;

O Projeto de Lei 77135 de 2011, já arquivado, que aborda sobre a pessoa com
deficiência e altera as Leis nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, nº 8.213, de 24 de julho
de 1991 e nº 11.788, de 25 de setembro de 2008, melhorando-as, de certa forma;
O Projeto de Lei do Senado n° 263 36, de 2017, que está em tramitação. Esse
projeto Altera a Lei de Benefícios da Previdência Social, para estender às funções de
confiança as cotas para beneficiários reabilitados e pessoas com deficiência;

O Projeto de Lei do Senado n° 757, de 2015, já encerrado. O projeto altera o


Código Civil, o Estatuto da Pessoa com Deficiência e o Código de Processo Civil para não
vincular automaticamente a condição de pessoa com deficiência a qualquer presunção de
incapacidade, mas garantindo que qualquer pessoa com ou sem deficiência tenha o apoio
de que necessite para os atos da vida civil.

Ref. dos Projetos de Lei citados:

32
ALVINO, Marcio. Projeto de lei da Câmara nº 6.972, de 2017. Institui o mês Setembro Verde, para dar
visibilidade à inclusão social da pessoa com deficiência. Brasília, DF: Senado Federal, 2017. Disponível em:
https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2124070. Acesso em: 18 maio
2019.

33
FLORIANO, Francisco. Projeto de lei da Câmara nº 5.907, de 2016. Altera a Lei 10.216, de 06 de abril de
2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e
redireciona o modelo assistencial em saúde mental, para acrescentar direitos e garantias, e dá outras
providências. Brasília, DF: Senado Federal, 2016. Disponível em:
https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=209277. Acesso em: 18 maio
2019.

34
VALADARES, Antonio Carlos. Projeto de lei do Senado nº 11.091, de 2018. Altera a Lei nº 10.406, de 10
de janeiro de 2002 (Código Civil), e a Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil),
para dispor sobre o direito à capacidade civil das pessoas com deficiência em igualdade de condições com
as demais pessoas e sobre as medidas apropriadas para prover o acesso das pessoas com deficiência ao
apoio de que necessitarem para o exercício de sua capacidade civil. Senado Federal, 2018. Disponível em:
https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2187924 Acesso em: 18 maio
2019.

35
CARVALHO, Rogério. Projeto de lei da Câmara nº 263, de 2017. Altera o caput do art. 93 da Lei nº
8.213, de 24 de julho de 1991, para dispor que a reserva de vagas nele prevista aplica-se aos beneficiários
reabilitados e às pessoas com deficiência, habilitadas, também no preenchimento das funções de confiança
na empresa. Senado Federal, 2017 Disponível em:
https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=495414 Acesso em: 18 maio
2019.

36
FARIA, Romario de Souza. Projeto de lei do Senado nº 263, de 2017. Altera a Lei de Benefícios da
Previdência Social, para estender às funções de confiança as cotas para beneficiários reabilitados e
pessoas com deficiência. Senado Federal, 2017. Disponível em:
https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/130304 Acesso em: 18 maio 2019.

37
VALADARES, Antonio Carlos. Projeto de lei do Senado nº 757, de 2015. Altera o Código Civil, o
Estatuto da Pessoa com Deficiência e o Código de Processo Civil para não vincular automaticamente a
condição de pessoa com deficiência a qualquer presunção de incapacidade, mas garantindo que qualquer
pessoa com ou sem deficiência tenha o apoio de que necessite para os atos da vida civil. Senado Federal,
2015. Disponível em: https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/124251 Acesso em: 18
maio 2019.

8 POLÍTICAS PÚBLICAS NOS ÂMBITOS NACIONAL, ESTADUAL E MUNICIPAL

Na esfera da União, conforme a Secretaria Nacional de Direitos Humanos 31, a


inserção de políticas públicas para pessoas com deficiência partiu da Constituição de
1988, com a vedação de discriminação salarial envolvendo a categoria, fixando como
competência municipal, estadual e federal a garantia de saúde, proteção e respeito,
estabelecendo uma reserva de vagas nos empregos públicos aos referidos vulneráveis.
Bem como é mencionada a promoção da inclusão na sociedade, incluindo a educação,
como exposto posteriormente, e a concessão do benefício de um salário mínimo aos
indivíduos com deficiência que se encontram inaptos de prover seu sustento, ainda que
com auxílio da família.
Também é elencado31 como dever do Estado o treinamento das pessoas com
deficiência para o trabalho, a adaptação da arquitetura urbana que viabiliza o
deslocamento da categoria, e o dever de possibilitar o uso dos serviços públicos. A partir
do incentivo constitucional, as políticas públicas do presente tema passaram a integrar os
novos programas e projetos do governo federal a fim de efetivar os ideais democráticos,
por meio das atualizações legislativas, como conceder passe livre a elas, e isentar
impostos na obtenção de carros, o uso de cão-guia no ambiente público, indenizar
deficientes pelo uso de talidomida imposto pelos médicos.
Em 2007 a Agenda Social de Inclusão das Pessoas com Deficiência 31 foi criada
pelo governo federal, sendo um programa para financiar, dar visibilidade e prioridade à
pauta, em nível federal, estadual e municipal. A agenda trouxe inovações, como o
requisito da acessibilidade inserido nos financiamentos de habitações pela Caixa
Econômica Federal, dentre outras consolidações desses direitos, voltadas a questão
prática da acessibilidade.
Na esfera estadual, há a FADERS32, Fundação de Articulação e Desenvolvimento
de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e Alta Habilidades no Rio Grande do
Sul, criada em 1973, responsável pela gestão das políticas públicas estaduais da
categoria. Atualmente, em atendimento presencial, a FADERGS presta assistência às
pessoas com deficiência, divulgando vagas de emprego, realizando encaminhamentos
médicos, e encaminhamento na questão educacional inclusiva. Além de articular políticas
públicas estaduais, pesquisa e capacitação, e consequentemente, busca construir uma
rede de representatividade.
32
RIO GRANDE DO SUL. Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para PcD e
PcAH no RS. Perguntas Frequentes. Disponível em:
http://www.portaldeacessibilidade.rs.gov.br/servicos/35/3119 Acesso em: 18 maio 2019.
31
BERNARDES, Liliane Cristina Gonçalves. Avanços das Políticas Públicas para Pessoas com
Deficiência: uma análise a partir das conferências nacionais. Secretaria de Direitos Humanos: 2012.
Disponível em: https://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/publicacoes/livro-avancos-
politicas-publicas-pcd.pdf Acesso em: 18 maio 2019.

(essas 2 referências ACIMA precisam ser colocadas no RODAPÉ da folha ANTERIOR, muito obrigada
colegas. /Blenda)

Existe também o COEPEDE33, Conselho Estadual dos Direitos das Pessoas com
Deficiência, que formula, supervisiona e avalia as políticas públicas, inclusive verifica a
devida aplicação dos recursos orçamentários para essa pauta, também incentiva a
criação de conselhos municipais, e convoca eventos. No portal do COEPEDE verifica-se a
participação do conselho em eventos de várias cidades do estado, levando a temática
adiante, e também em conferências para elaboração de novas políticas públicas.
A APAE, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, tem mais de duas mil
sedes pelo país, e está atuando na proteção e desenvolvimento da pessoa com
deficiência há 50 anos, recebendo turmas de excepcionais diariamente. Não é uma
instituição do governo, embora receba verbas provenientes de doações públicas
estaduais e municipais que valorizam sua atuação, mas ainda dependem de doações de
outras fontes.
A APAE do município de Osório completou 40 anos, e de acordo com o Jornal Bons
Ventos35, possui profissionais da Psicologia, Neurologia, Psiquiatria, Psicopedagogia,
Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, e atende quase 200 alunos. Osório
inaugurou o Centro Especializado em Reabilitação 34 (CER), que atenderá 23 municípios
do litoral norte, visando reabilitar, adaptar e fazer manutenção dos recursos tecnológicos
disponíveis, sendo referência nas ações direcionadas à categoria. A cidade também
concede vagas de estágio da Prefeitura exclusivas para pessoas com deficiência,
asseguradas pela Lei 4.317/200936, e foi reconhecida pelo Prêmio de Acessibilidade 37.
(As próximas 5 referências são no rodapé dessa mesma folha)
33
RIO GRANDE DO SUL. Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência (COEPEDE). Sobre
o COEPEDE. Disponível em: http://www.coepede.rs.gov.br/conteudo/984/sobre-o-coepede Acesso em: 19
maio 2019.
34
OSÓRIO. Prefeitura Municipal. Inaugurado CER em Osório, nova referência de sáude no litoral norte.
Osório: Prefeitura Municipal, 22 mar. 2019. Disponível em:
http://www.osorio.rs.gov.br/site/noticia/visualizar/id/7539/?Inaugurado-CER-de-Osorio-nova-referencia-em-
saude-do-litoral-norte.html Acesso em: 19 maio 2019.
35
SAMPAIO, Anelize. APAE de Osório comemora 40 anos. Jornal Bons Ventos, Osório, ano VIII, n. 358. 26
jun. 2014. Disponível em: http://jornalbonsventos.com.br/apae-de-osorio-comemora-40-anos-2/ Acesso em:
19 maio 2019.
36
BRASIL. Lei nº 4.317, de 18 de março de 2009. Dispõe sobre o estágio de estudantes em órgãos da
administração municipal. Osório: Prefeitura Municipal, 2009. Disponível em:
https://leismunicipais.com.br/a/rs/o/osorio/lei-ordinaria/2009/431/4317/lei-ordinaria-n-4317-2009-dispoe-
sobre-o-estagio-de-estudantes-em-orgaos-da-administracao-municipal Acesso em: 19 maio 2019.
37
OSÓRIO. Prefeitura Municipal. Semana da Pessoa com Deficiência é aberta oficialmente em Osório.
Osório: Prefeitura Municipal, 21 ago. 2018. Disponível em:
http://www.osorio.rs.gov.br/site/noticia/visualizar/idDep/1/id/6769/?Semana-da-Pessoa-com-Deficiencia-e-
aberta-oficialmente-em-Osorio.html Acesso em: 19 maio 2019.

Conclusão

O trajeto da inclusão social das pessoas com deficiência no Brasil foi brevemente
analisado na pesquisa através da observação da legislação, bem como as políticas
públicas aplicadas no país, estimuladas pelos princípios democráticos, e as intenções
sociais vinculadas ao trabalho de inclusão que ganham força, principalmente no âmbito da
busca por autonomia desta categoria. O estudo utilizou dados da administração pública,
referenciais de outras pesquisas acadêmicas e considerações doutrinárias para o
desenvolvimento do teor.
Em suma, conforme as considerações expostas, os apontamentos coletados e as
observações sucintamente propostas apontam para o provável crescimento da inclusão
social efetiva, se todos os setores da sociedade contribuírem de forma ativa. Conforme já
elucidado, trata-se de uma causa que necessita ser abraçada pelo povo como um todo,
pois para que se obtenha êxito, é preciso que o tema seja uma preocupação do Estado,
mas também alvo de cobrança dos cidadãos perante seus representantes eleitos, e uma
reivindicação constante dos próprios protagonistas da categoria, uma vez que, com o
desenvolvimento da autonomia estimulado pelos educadores e demais atores da causa,
ganham voz para participar nas decisões que dignificam suas vidas.

REFERÊNCIAS

Trata-se de elemento pós-textual obrigatório do trabalho acadêmico, é uma lista de


todas as referências (livros, artigos, matérias de jornais, textos físicos ou digitais etc.)
consultados e citados no corpo do trabalho. Consiste numa lista ordenada
alfabeticamente de todos os livros e materiais utilizados e empregados na construção de
sua pesquisa. As referências bibliográficas devem seguir as normas da ABNT 6023 para
trabalhos científicos.
Como o paper deve ser sempre fundamentado cientificamente, deve-se utilizar no
mínimo 5 autores na pesquisa.

Exemplos:

MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito


Constitucional. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2016.

RAMOS, André de Carvalho. Pluralidade das ordens jurídicas: uma nova perspectiva na
relação entre o Direito Internacional e o Direito Constitucional. Revista da Faculdade de
Direito da Universidade de São Paulo, São Paulo, v. 106/107, jan-dez. 2011-2012.