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METODOLOGIAS TRADICIONAIS

Acadêmicos

Ana Paula Ribeiro dos Santos


Janaine Maciel de Souza
Rosimara de Fátima Lopes Dias

Professor-Tutor Externo
Márcia de Paula Vargas

Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI


Curso Pedagogia1653 – Prática do Módulo III
27/11/2018

RESUMO

O presente trabalho busca apresentar a relação existente entre

Palavras-chave: Pedagogia tradicional, Educação, Ensino.

1 INTRODUÇÃO

No início do século IX ??? surgem os primeiros sistemas nacionais de ensino


baseados na concepção de que a educação é direito de todos e dever do estado, desta
maneira a visão pedagógica estava voltada apenas no professor como libertador do povo
conforme Saviani, “o objetivo é transformar os súditos em cidadãos”, fazer com eles se
libertem dessas grilhetas através do esclarecimento e do esforço próprio, fato este que só
poderia ser feito pela escola já que alienação era muito grande em vários sentidos.”
Assim a escola tinha o papel de fazer o aluno crescer a partir de seu próprio mérito,
recebendo apenas do professor todo o conhecimento obtido pela humanidade, muitas
vezes de seu repasse era de forma extremamente mecânica, fria e crua, e de uma forma
generalizadora tornando o professor como sujeito ativo, e o aluno como sujeito passivo,
este que deveria apenas receber o conhecimento e por si só desenvolver suas
potencialidades e os menos capazes ficariam para trás nessa escala de desenvolvimento.

“O caminho cultural em direção ao saber é o mesmo para todos


os alunos, desde que se esforcem. Assim, os menos capazes
devem lutar para superar as dificuldades e conquistar um lugar
junto aos mais capazes. Caso não consigam, devem procurar
um ensina mais profissionalizante.” (GÔNGORA. 1985 p. 23).

Notamos então que educação vinha direta de um professor que não se


preocupava com aluno diretamente e sim com os conhecimentos a serem repassados, os
alunos menos capazes, deveriam procurar um curso que seria mais profissionalizante,
sem desenvolvimento humano. Suas práticas são marcadas por um ensino baseado em
verdades impostas, os conteúdos repassados eram basicamente os valores sociais
acumulados com o passar dos tempos determinados muitas vezes pela sociedade
independente da experiência do aluno e das realidades sociais. “O essencial era contar
com um professor razoavelmente bem preparado.” (Saviani, 1991. p.18). O aluno não
tinha o poder de contestar e nem expressar a sua opinião, sua função era apenas
aprendizagem crua e decorativa, e ao professor a função do ensino direto,
desenvolvendo assim a capacidade de memorização somente devido à decoração de
todo o conteúdo, porém a parte da inteligência em si era muito fraca, o desenvolvimento
dos alunos dependia da vontade própria deles. Marca importante desse período também
podemos destacar o fanatismo religioso, político e econômico, onde pessoas foram
educadas de forma a se transformarem em seres humanos responsáveis, fortes
moralmente, e bem preparados para viver o seu tempo da maneira rígida como
exigência da época. Temos hoje alguns fragmentos existentes da pedagogia tradicional
em pequenas escalas, sua raiz teve grande força e mantém influencia até hoje.
2 PEDAGOGIA TRADICIONAL

A pedagogia tradicional foi introduzida no final do século XIX com a chegada


do movimento renovador, e ainda dura até o século XXI. Reconhecida como tendência
liberal, ela vem sem muitas mudanças e sempre muito bruta, por falta de modificações
drásticas. A pedagogia tradicional foi a primeira a ser aplicada deixando muitas marcas
na história, ela não possibilita interações entre o professor e o aluno, e faz com que
receba críticas, e por isso ela foi considerada ultrapassada nas décadas de 60 e70. Ela
limita o entendimento do aluno em determinados assuntos, forçando-o a decorar os
conteúdos passados em sala. A educação vem passando por constantes mudanças nos
últimos anos, e essas alterações estimularam uma sucessão de novas ideias na educação,
as chamadas "concepções contemporâneas de educação", entre elas a mais antiga que é
a Pedagogia Tradicional. Ela é adotada até hoje em dia nas escolas por se acreditar que
a formação de um aluno criativo e crítico dependem precisamente da quantidade de
informação obtida e do domínio dos conhecimentos assegurados, e gera grande
polêmica por colocar o professor como autoridade máxima, exercendo uma forma de
poder e mantendo uma distância dos alunos que são considerados elementos passivos
onde ele é responsável por transmitir o conhecimento aos alunos os quais devem apenas
ouvir e guardar na memória, sem qualquer interação. A função do professor era vigiar,
aconselhar, corrigir e ensinar a matéria através de aulas expositivas, com muita teoria
cabendo aos alunos prestarem atenção e realizarem exercícios repetitivos para gravarem
e reproduzirem os conteúdos dados. Não há espaço para eles atuarem, agirem ou
reagirem de forma individual e também não existem atividades práticas que permitem
aos alunos interrogar, criar e edificar.
A escola surge para combater a ignorância, resolver o problema da
marginalidade, a educação centraliza no professor que transmite gradativamente o
assunto aos alunos, e a eles cabe assimilar os conhecimentos transmitidos, sem se
preocupar com problemas sociais ou outros que poderão surgir.

“Nesta tendência o papel da escola consiste na preparação


moral e intelectual dos alunos, para assumir sua posição na
sociedade. O compromisso das escolas é com a cultura, os
problemas sociais pertencem a sociedade”. Libanêo (1985,
p.75),
A ideia principal da pedagogia tradicional é manifestada hoje de uma forma
errada.

“O ensino corresponde numa aprendizagem onde o professor


da a matéria e uma lição para o aluno fazer, no qual na
próxima aula faz uma recapitulação da aula anterior corrigindo
os exercícios, se todos fizerem, passa a frente, se ficou duvidas é
preciso que se prolongue mais esta matéria, depois de
solucionar todos os problemas, ai podemos prosseguir com a
matéria”. Libanêo (1985 p.75).

Esta tendência compromete a transformação da sociedade, já que não há


questionamentos e nem pensamentos críticos, os homens e mulheres apenas serão
capazes de repetir o que lhe foi repassado em qualquer disciplina, o que desenvolve
apenas a memória e a retenção de informações. Trabalhar o pensamento crítico e
reflexivo fica em segundo plano, de forma aos alunos não perceberem todo processo
alienatário e excludente presente na sociedade capitalista. Segundo Gentil, (1999 p. 25):

“A situação da escola não pode permanecer como se


apresenta, tanto no aspecto estrutural ou organizacional,
quanto no aspecto de conceber e tratar o conhecimento; é
urgente que seja modificada. São tão grandes os desafios do
mundo de hoje para a educação que é fundamental procurar
caminhos eficientes. Tem-se de agir, não se pode continuar
esperando que as soluções venham de cima para baixo, nem
ficar alheio a todas estas mudanças sociais e culturais que ai
estão e abalam definitivamente as necessidades das pessoas
quanto a sua formação e qualificação para o trabalho.”

Os educadores que almejam superar a Pedagogia Tradicional, tendem a superar


ideologias e utilizar uma linguagem adequada a sua "clientela", isto é, levar o aluno no
caminho do conhecimento , independente de classe social, estimular os alunos na
construção do conhecimento a partir de fatores culturais em permanente reação com a
ambiente e a linguagem, já que para Libâneo (1985, p. 80):

“Os governos estão deixando que a escola permaneça numa


agonia sem fim, não para matá-la, mas para mante-la dentro
dos limites mínimos de sobrevivências, tal como vem fazendo o
povo. Não esta nos planos do governo a elevação da escola
porque não interessa a classe dominante à formação cultural
verdadeira que libertaria os indivíduos e possibilitaria a
tomada de consciência dos mecanismos de dominação
capitalista.”
Educar é um ato de amor, de compreensão, de afetividades. É o processo no qual
se envolvem aqueles que buscam a significação para daquilo que poderá encaminhá-lo a
um futuro de sucesso ou até mesmo para resolver um problema pontual.
A Metodologia de ensino é a exposição verbal por parte do professor e a
preparação do aluno. O foco principal é na resolução de exercícios e na memorização de
fórmulas e conceitos. Desta forma, o professor inicialmente realiza a preparação do
aluno, em seguida formula a apresentação do conteúdo, correlacionando-o com outros
assuntos e por último, faz-se a generalização e aplicação de exercícios.

2 AVALIAÇÃO TRADICIONAL

No método tradicionalista, a avaliação é de forma quantitativa isto é, o aluno é


avaliado pela quantidade de informações que este conseguiu absorver das explicações
do conteúdo, e não é avaliado qualitativamente. O homem não escolhe o que irá
aprender mas sim a sociedade pré-moldada, engessada. Verifica-se uma questão
totalmente política e interesseira, baseando-se no tipo de cidadão que ela deseja formar.
Segundo Mendonça (2009) o aluno é nessa concepção tradicionalista:

”... um receptor passivo até que, repleto das informações


necessárias, e pode repeti-las a outros que ainda não as
possuam, assim como pode ser eficiente em sua profissão,
quando de posse dessas informações e conteúdos. O homem era
considerado tábula rasa, na qual são impressas,
progressivamente, imagens, informações fornecidas pelo
ambiente.”

Na educação EAD (Educação à Distância), tem-se nela uma réplica dos sistemas
presenciais. Pois se vê de que no sistema ao qual se está cursando, o curso segue uma
linha de educação tradicional, e justifica-se pelo fato de não ser levada em conta a
idiossincrasia de cada aluno, a formação se dá pela informação repassada por apenas
uma das pontas, o professor e o tutor à distância. A maioria das avaliações é
quantitativa, visto que não há uma conversa nos fóruns tal qual como proposto. Segundo
Cruz (2008):

“Assim, se os processos educativos são comunicativos, é preciso


apoiar o professor para que ele deixe de ser um emissor e se
constitua como um pesquisador das mídias construindo com os
alunos um conhecimento num processo de recepção que é ativo
e não passivo.” (p.7).

EAD É CONSIDERADA TRADICIONAL?

A EaD também é considerada um recurso que contempla as necessidades de


desenvolvimento da autonomia do aluno. O desenvolvimento da autonomia é
considerado, por teóricos tais como Jean Piaget e Constance Kamii, peça chave do
processo de aprendizagem, no qual o aluno é o foco e o professor possui papel
secundário, pois apenas orienta o aluno que por sua vez escolhe o ritmo e a maneira
como quer estudar e aprender, de acordo com suas necessidades pessoais[2].

O sistema de avaliação sempre foi baseado em notas e provas, que fornece um


resultado mensurável. A LDB preceitua que os professores devem se preocupar com a
aprendizagem dos alunos e acompanhar o rendimento escolar, realizando avaliações
contínuas e cumulativas do desempenho do aluno, que prevaleça a qualidade e não
quantidade. Na avaliação tradicional o aluno é classificado através do processo
corretivo, que elimina a subjetividade, evitando injustiças na soma de erros e acertos.
Nessa concepção, de acordo com Paulo Freire (1987), o professor será sempre o que
sabe, enquanto que o aluno será sempre o que não sabe.
Conforme Hoffmann, esta questão é assim apresentada:

“Na concepção de avaliação classificatória, a qualidade se


refere a padrões preestabelecidos, em bases comparativas:
critérios de promoção (elitista, discriminatório), gabaritos de
respostas às tarefas, padrões de comportamento ideal. Uma
qualidade que se confunde com a quantidade, pelo sistema de
médias, estatísticas, índices numéricos dessa qualidade.
Contrariamente, qualidade, numa perspectiva mediadora de
avaliação, significa desenvolvimento máximo possível, um
permanente “vir a ser”, sem limites preestabelecidos, embora
com objetivos claramente delineados, desencadeadores da ação
educativa. Não se trata aqui, como muitos compreendem, de
não delinearmos pontos de partida, mas, sim, de não
delimitarmos ou padronizarmos pontos de chegada.” (2009 p.
31-32).

4 AVALIAÇÃO OU PUNIÇÃO?
No sistema de educação a avaliação é uma prática que vem com vícios da
pedagogia tradicional. Ao pensar em avaliação no ambiente educativo, a concepção que
pensamos, destacamos e desempenhamos como educadores é de classificar, medir e
quantificar por meio de provas. Através destes processos avaliativos recomendamos o
sucesso individual, que estabelece a função de premiar ou punir intensificando o
individual e a competição.
A avaliação deve ser vinculada ao desafio da aprendizagem e derivada do
esforço de desvinculá-la dos mecanismos de aprovação ou reprovação garantindo a
aprendizagem a todos. A escola deve trabalhar com a realidade do aluno, onde o pensar,
o refletir, o agir das pessoas tenha como objetivo unir saberes e produzir conhecimento.
O saber que o nosso aluno traz de casa e de sua comunidade é um conhecimento rico
culturalmente e envolvido pela diversidade. Muitas dúvidas aparecem quando se amplia
a sala de aula para além dos muros escolares, percebemos que todo o conhecimento do
educando pode ser sistematizado na sala de aula onde o conhecimento científico vai
explicar seus experimentos anteriores que foram construídos sem a teoria, mas não
menos importante. Deve se juntar a prática trazida de casa com a teoria e pensar em
novos caminhos dando um significado novo ao saber já trazido consigo.
A avaliação deve respeitar o aluno em todos os sentidos, não podendo haver
nenhuma espécie de descriminação. A prática avaliativa no modo tradicional está
ultrapassada, pois tende a classificar, exclui e atrapalha o educando no processo de
ensino-aprendizagem, ela não podem apenas ter o objetivo de atribuir notas, devem ser
analisadas com responsabilidade pelo professor: os conhecimentos adquiridos, a
criatividade, a capacidade de aprender fazendo e também avaliar a própria prática de
sala de aula. Nas avaliações devem ser levadas em conta as habilidades e competências
de cada aluno e também valorizarem os conhecimentos prévios.

...“Toda e qualquer produção por parte dos alunos é


significativa, uma fez que reflete um determinado estágio de
desenvolvimento dos conhecimentos, desde que haja
entendimento por parte do professor de como o aluno elaborou
determinadas respostas ou soluções, para definir então, quais
intervenções e atividades coletivas ou individuais deverão ser
realizadas visando dar continuidade ao desenvolvimento”
(Pedagoga Magda Regina Ribeiro Braga (2006), Portal Terra)
A avaliação dos alunos tem a intenção de buscar caminhos para a melhor
aprendizagem de todos os educandos.

..."Para muitos professores, antes valia o ensinar. Hoje a ênfase


está no aprender. Isso significa uma mudança em quase todos
os níveis educacionais: currículo, gestão escolar, organização
da sala de aula, tipos de atividade e, claro, o próprio jeito de
avaliar a turma. O professor deixa de ser aquele que passa as
informações para virar quem, numa parceria com crianças e
adolescentes, prepara todos para que elaborem seu
conhecimento. Em vez de despejar conteúdos em frente à classe,
ele agora pauta seu trabalho no jeito de fazer a garotada
desenvolver formas de aplicar esse conhecimento no dia-a-dia."
Pellegrini (2003)

As avaliações têm como finalidade algo crucial, já que determinam os tipos de


informações considerados pertinentes para analisar os critérios tomados como pontos de
referência os instrumentos utilizados no cotidiano da atividade avaliativa. A avaliação
tem sido um instrumento de poder nas mãos dos professores ao invés de uma resposta
de aprendizagem para os alunos.

"há professores radicais em suas opiniões, só eles sabem, o


aluno é imbecil, cuja presença só serve para garantir o
miserável salário detentor do poder". Sant'Anna (1995, p. 27),

Na verdade, vários educadores fazem uso da avaliação, e cobram conteúdos


aprendidos de formas mecânicas, sem muito significado para o aluno, levando eles a
serem aprovados ou reprovados. O professor deve ver seu aluno como um ser social e
político, construtor do seu próprio conhecimento, deve percebê-lo como alguém capaz
de estabelecer uma relação cognitiva e afetiva com o seu meio, mantendo uma ação
interativa capaz de uma transformação libertadora e propiciando uma vivência
harmoniosa com a realidade pessoal e social que o envolve. O Educador deverá ser o
"mediador" entre o educando e o conhecimento. A escola deve assegurar aprendizagem
com qualidades para todos. Provas e exames, não contribuem para a qualidade do
aprendizado nem para o acesso ao sistema de ensino, são apenas instrumentos de
classificação e seleção.

5 O PAPEL DO PROFESSOR E A RELAÇÃO FAMÍLIA ESCOLA


Na educação tradicionalista a educação é totalmente centrada no professor e na
transmissão dos conhecimentos. Apenas ele detém o saber e a autoridade, dirigindo o
processo de aprendizagem tornando-se o modelo a ser seguido. Sua imagem era tida
como sagrada, o autoritarismo era a base para o ensino, os conteúdos, os procedimentos
didáticos, a relação professor-aluno não tem qualquer relação com o cotidiano do aluno
e muito menos com as realidades sociais. É a predominância da palavra do professor,
das regras impostas, do cultivo exclusivamente intelectual (LIBÂNEO, 1994, p. 55).
Podemos perceber que a relação professor-aluno era vertical, piramidal, pois era
hierárquica e tinha como conseqüência a submissão, o medo do aluno de se expor
perante o público, restrito ou não, numa atitude submissa, sendo considerado como um
componente do conhecimento, o receptor aquele que nada sabe.

Da palavra do mestre jorra a luz para o discípulo que não


somente pode formar o conceito das coisas, mas ainda
compreendê-las, saber a causa porque são assim, reproduzindo
a explicação recebida e pondo em jogo suas próprias atividades
(ANISIO, 1955, p. 515).

Deste modo o professor utiliza-se dos seus exemplos e seus conhecimentos para
assim guiar seu aluno a aprender as verdades desconhecidas por meio da exposição
verbal da matéria (aula expositiva de conteúdos), na qual tanto a exposição quanto a
análise são feitas pelo professor. A sociedade através das famílias, depositava total
confiança na escola e nos educadores, i mantendo uma relação de companheirismo e
contraditoriamente, de distanciamento, confiando no comando e nas determinações
sobre o tipo de educação dos seus filhos ao professor, considera-o possuidor da boa
moral e da tradição cultural e da ética, responsável em ser o formador do caráter e dos
costumes adequados àquela comunidade, executando a transmissão do conhecimento
formal. Trabalhar o pensamento crítico e reflexivo fica em segundo plano, de forma aos
alunos não perceberem todo processo alienatário e excludente presente na sociedade
capitalista. Segundo Gentil, (1999, p. 25). Não era permitido a discussão das propostas
educacionais, os modelos eram determinados pelos docentes e acolhidos pela
comunidade escolar sendo padronizado e adotado igualmente em todas as escolas
brasileiras. Com o avanço da industrialização, a escola passa a ter um papel importante
na difusão das ciências. A influência positivista fica clara ao vermos a ênfase dada ao
estudo de conteúdos enciclopédicos, na tentativa de tratar de assuntos que, direta ou
indiretamente, ajudariam no desenvolvimento das Ciências Naturais. Para ARANHA
(1996, p. 160), "essa tendência é responsável pelo cientificismo que marcou muitas
vezes a escolha dos currículos escolares".
Podemos destacar também o pontualíssimo no horário e o uso do fardamento
escolar eram exigidos e os alunos eram considerados um grupo homogêneo e único.
Não havia preocupação com as diferenças individuais, principalmente as diferenças
culturais, sociais e financeiras. Conforme Libanêo (1985, p.75), nesta tendência o papel
da escola consiste na preparação moral e intelectual dos alunos, para assumir sua
posição na sociedade. O compromisso das escolas é com a cultura, os problemas sociais
pertence a sociedade. O caráter normativo das escolas e o rigor das penalidades
favoreciam a submissão do aluno, a manutenção da disciplina e da ordem era garantida
freqüentemente por meio de castigo corporal, autorizados através de leis:

Art. 1° - É permitido o uso da palmatória nas escolas de 1ª


letras para os casos em que os castigos morais não forem
suficientes. Art. 2° - Esta permissão não excederá a seis
palmatórias em casos graves. Art. 3° - Os professores, em caso
algum, poderão delegar a aplicação destes castigos a seus
alunos. (PROVÍNCIA do Paraná. Lei n. 361 de 1873. In
MIGUEL, 2000, p.170, apud CASTANHA, 2009).

A ordem pela intimidação, o que era considerado normal, além da palmatória era
comum o uso de grãos de milho para o aluno ajoelhar-se, manter a disciplina era
fundamental. Todos os alunos deveriam estar em silêncio, voltados para o professor
mantendo distanciamento bem claro entre professor e aluno.

6 VANTAGENS X DESVANTAGENS DO ENSINO TRADICIONALISTA

Durante mais de um século o método de ensino tradicional foi praticamente


único aplicado, por ser a abordagem mais antiga, ela possui um grande número de
seguidores que ainda acreditam em seu potencial, no Brasil notamos sua presencia mais
forte no ensino público nas escolas municipais e estaduais. Porém grande parte dos
teóricos e especialistas em educação da atualidade discordam dessa linha de ensino, por
irem contra as tendências atuais da educação contemporânea.
A abordagem tradicionalista procura uniformizar os alunos e seu aprendizado,
sendo assim o foco passa a ser o professor e não mais o aluno, isso quer dizer que para
que o estudante seja um sujeito crítico, indagador, independente, ele precisa ter uma
base estruturada de informação. Para que isso ocorra, as escolas tradicionais apresentam
um plano pedagógico centrado em rígidas regras de comportamento. Saviani (1988)
classifica o método tradicional como intelectualista e enciclopédico, visto que trabalha
os conteúdos separadamente da experiência do aluno e das realidades sociais.
A maioria das escolas tradicionais diz formar cidadãos pensantes, mas não é isso
que se vê em suas salas de aula. A intenção é ter um bom posicionamento nos rankings
escolares. E isso só se obtém se todos os alunos tiverem o mesmo alto desempenho.
Para que os alunos obtenham um alto desempenho, eles são vistos pelo professor de
forma igual, assim as habilidades, competências de todos precisam ser as mesmas. Os
interesses individuais não são levados em consideração. A partir disso há um excesso de
conteúdos que devem ser aprendidos, divididos por inúmeras matérias, causando assim
maior estresse e doenças emocionais nos alunos. Há casos de adolescentes com
depressão, crises de ansiedade e de insônia devido à cobrança escolar, familiar e social
que esse tipo de abordagem de ensino aplica. A culpa das falhas é sempre do aluno.

A necessidade de incorporarmos no cotidiano de nossas


escolas o trabalho sistematizado com os sentimentos e afetos,
rompendo com aquelas concepções educacionais que
fragmentam os campos científico e cotidiano do conhecimento, e
as vertentes racional e emocional do pensamento. Para tanto,
precisamos ter coragem para mudar a educação formal e
transformar os sentimentos, as emoções e os afetos em objetos
de ensino e aprendizagem (ARANTES, 2003, p. 124)

A partir dessas considerações, acreditamos que o professor, quando entra na sala


de aula, não pode deixar de lado seus sentimentos, emoções e valores. A sua presença
irá, de qualquer forma, afetar e ser afetada pelo outro. “Ensinar, portanto, é colocar sua
própria pessoa em jogo como parte integrante nas interações com os estudantes.”
(TARDIF; LESSARD, 2007, p. 268). Nessa perspectiva, consideramos as elações de
afetividade são construídas em torno de cumplicidade, respeito e diálogo, levando em
conta o estado emocional do aluno para aprender.
Ao invés de se concentrar e considerar o contexto do aluno no aprendizado como
na educação construtivista, a educação tradicional se concentra em habilidades básicas e
gradualmente constrói um todo. Embora isso simplifique o aprendizado, fornece pouco
conteúdo, o que pode alienar os educandos, além da falta de interatividade enfatizando o
trabalho e projetos individuais do aluno gerando uma fraca preparação para os
empreendimentos futuros, que provavelmente incluirão trabalhar em equipes e colaborar
com colegas. Sobre este modelo de treinamento, os alunos têm poucas oportunidades
para praticarem dinâmicas de grupo e trabalho de equipe.
A eficácia, portanto, depende muito do objetivo dos alunos e dos pais para o
futuro da criança ou adolescente.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sociedade e educação contribuem para o desenvolvimento do ser humano, elas

REFERÊNCIAS

GÔNGORA Francisco Carlos, Tendências Pedagógicas na Pratica Escolar,


Edições Loyola. São Paulo. 1985.
SAVIANI, D. Escola e democracia. 24. ed. S„o Paulo: Cortez, 1991/ 1988.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofia da Educação. São Paulo, Moderna,
1996. 254p.
BRASIL. Educar na Diversidade. Ministério da Educação, Secretaria de
Educação Especial. Brasília, 2005. 266p. _______. Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional. MEC. Brasília, 1996.
FERNANDES, Francisco ett allis. Dicionário Brasileiro Globo. São Paulo:
Globo, 1998. 678p.
LIBÂNEO, José C. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.
ANISIO, Pedro. Tratado de Pedagogia. Rio de Janeiro: Organização Simões,
1955.
GENTIL, Pablo; Pedagogia da Exclusão. Críticas a Educação. Petrópolis,
Vozes, 1999
CASTANHA, André P. A Prática dos Castigos e Prêmios na Escola Primária do
Século XIX: Do Legal ao Real. Unioeste – Francisco Beltrão. Educere et
Educare – Revista de Educação. Vol.4 – N°8 – 2° Semestre de 2009.

ARANTES, V.A Afetividade na escola: alternativas teóricas e práticas. São


Paulo 2003
TARDIF, M; LESSARD, C.; LAHAYE, L. Os professores face ao saber: esboço
de uma problemática do saber docente. Teoria e Educação, n. 4, p. Educação
268, Porto Alegre, 2007