Você está na página 1de 7

A Educação no Brasil e a prática

docente – Algumas reflexões


Marcelo Pereira

A natureza política do Estado Brasileiro e o modelo educacional antirrepublicano

A única finalidade da vida é mais vida.


Se me perguntarem o que é essa vida, eu lhes direi
que é mais liberdade e mais felicidade.
São vagos os termos.
Mas, nem por isso eles deixam de ter sentido para cada um de nós.
À medida que formos mais livres,
que abrangermos em nosso coração e em nossa inteligência mais coisas,
que ganharmos critérios mais finos de compreensão,
nessa medida nos sentiremos maiores e mais felizes.
A finalidade da educação se confunde com a finalidade da vida.
(Anísio Teixeira)

O sistema educacional reforça a fissura social e inviabiliza o desenvolvimento de um projeto político efetivamente republica-
no. A rede pública de ensino, com poucos investimentos, sucateada e considerada de baixa qualidade, fica destinada aos
pobres e “desfavorecidos”.

A formação do Estado brasileiro e a consequente “autono- tenção das estruturas socioeconômicas coloniais, pautadas no la-
mia política” em relação à metrópole portuguesa remontam ao tifúndio monocultor escravista, inviabilizaram a modernização da
processo de expansão do ideário burguês liberal iluminista, dis- economia e a fundação de um Estado democrático. Desenhou-se
seminado a partir do final do século XVIII, por meio das guerras um quadro político a partir do qual a elite apropriou-se do Estado
napoleônicas que redesenharam as fronteiras e subverteram a e passou a desviar os recursos públicos para si. A mesma elite
fisionomia territorial e política da Europa. que consolidou os interesses “da ordem doméstica e familiar” e
Encurralado entre os interesses políticos e econômicos das que tem perpetuado historicamente o “triunfo do particular sobre
duas maiores potências europeias do início do século XIX – Fran- o geral” (HOLANDA, 2005).
ça e Inglaterra –, o “pequeno grande” Estado português viu-se No final do século XIX, os ventos republicanos e positivistas
obrigado a abandonar sua política de neutralidade e, “amparado derrubaram a velha e anacrônica ordem monárquica. O povo
e protegido” pela marinha inglesa, entrincheirou-se na Améri- assistiu “bestializado” a implantação da República. Um Estado
ca portuguesa, transferindo para sua principal colônia todo o “republicano” que continuou a tratar a coisa pública como exten-
aparato burocrático do Estado Monárquico Absolutista. Forja- são dos interesses privados dos grupos economicamente domi-
ram-se, a partir daí, as instituições e a política brasileira. Estava nantes. Da República da espada à República dos coronéis e dos
selado o processo de “metropolização da colônia”, e a imediata bacharéis, as instituições estatais continuaram sendo utilizadas
abertura dos portos brasileiros às “nações amigas” garantiria a indiscriminadamente para salvaguardar os interesses de poucos.
supremacia econômica e a manutenção dos interesses ingleses Uma República verdadeiramente oligárquica. Um Estado patrimo-
no continente americano. nialista e autoritário.
O Estado nacional brasileiro nascera, portanto, de um parto Desse modo, podemos afirmar que o Estado brasileiro nunca
anômalo. Ele antecedera a sociedade civil. As instituições buro- foi inclusivo e, historicamente, suas políticas públicas sociocultu-
cráticas que caracterizavam um modelo de Estado monárquico rais não foram destinadas aos grupos sociais considerados su-
nos moldes absolutistas – já anacrônicos no século XVIII – atra- balternos. Os direitos não foram franqueados e a sociabilização
vessaram o Atlântico e fincaram raízes no “novo mundo”. A revo- republicana ainda parece ser um sonho distante. Segundo Fabio
lução liberal do Porto de 1820 e os descontentamentos da antiga Konder Comparato, “conseguimos, em menos de dois séculos
elite colonial brasileira acabaram forjando a constituição de um de vida independente, encenar um liberalismo de senzala, uma
Estado Nacional incapaz de gerir a coisa pública a partir dos inte- república privatista, uma democracia sem povo e um constitucio-
resses nacionais coletivos. nalismo ornamental”. (COMPARATO, 2008. p. 26)
Um Estado que se constituiria sem povo, ou melhor, um povo Os dados econômicos recentes são reveladores. O Brasil apa-
que teve que se mudar das suas próprias casas para receber a rece entre as 10 maiores economias do mundo, entretanto os ní-
comitiva do Estado. A primeira constituição outorgada e a manu- veis de concentração de renda são elevadíssimos. O relatório da

Capacitação de professores WWW.FTD.COM.BR


A EDUCAÇÃO NO BRASIL E A PRÁTICA DOCENTE – ALGUMAS REFLEXÕES MARCELO PEREIRA | 2

ONU de 2012 confirma que o Brasil é o quarto país da América mercado e sociedade civil redesenharam-se no Brasil nas três úl-
Latina em desigualdade social, ficando atrás apenas da Guate- timas décadas.
mala, de Honduras e da Colômbia. Evidencia-se, assim, que o Como se sabe, esse processo vem redefinindo o papel do Es-
acesso à riqueza produzida não está disponibilizado para a maio- tado com forte redução das políticas públicas sociais. O Estado
ria da população, o que inviabiliza a consolidação de uma demo- ideal passou a ser um Estado enxuto, menos interventor. Por um
cracia social e acaba por colocar em xeque a funcionalidade e as lado essa minimização estimulou, nas últimas décadas, o aumen-
finalidades da democracia política de base participativa indireta. to das organizações da sociedade civil – o chamado terceiro setor
Mesmo após o chamado processo de “redemocratização” –; por outro, deslocou e delegou as responsabilidades no campo
ocorrido em meados da década de 1980, as políticas públicas das políticas públicas universais para outras instituições.
continuam desfavorecendo a grande maioria da população brasi- Nesse contexto, uma pesquisa recente feita nos EUA e na Eu-
leira. O sistema educacional, por exemplo, reforça a fissura social ropa revelou que as ONGs são as novas supermarcas do Planeta.
e inviabiliza o desenvolvimento de um projeto político efetivamen- A Anistia Internacional, o Greenpeace, a Wild World Foundation
te republicano. A rede pública de ensino, com poucos investimen- (ONG ambientalista fundada na Suíça), aparecem com maior cre-
tos, sucateada e considerada de baixa qualidade, fica destinada dibilidade do que empresas como a Microsoft, a Ford e a Bayer
aos pobres e “desfavorecidos”. À classe média e às elites, está (BARBIERI, 2008, p. 32-33). O fato é que muitas empresas envol-
destinado o sistema privado de ensino, situado à margem do caos veram-se com as questões educacionais, culturais e ambientais
educacional e dos péssimos números internacionais da educação – muitas vezes em parcerias com as próprias ONGs ou se apro-
pública brasileira. Assim, a escola, lugar básico e essencial para veitado de isenções fiscais articuladas pelas próprias ações es-
a necessária sociabilização republicana, tem servido apenas para tatais – porque começaram a entender que elas se tornaram uma
consolidar as diferenças de oportunidades oferecidas aos “cida- parte crucial das estratégias globais de seus negócios. Trata-se
dãos” brasileiros. da chamada responsabilidade social das empresas ou, se preferir,
Após 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, puro altruísmo mercadológico na era da globalização.
a grande maioria dos brasileiros ainda está destituída do seu di- A questão é que a redução do Estado veio acompanhada da
reito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, de atividade do fomento a outros mecanismos oriundos da socie-
acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direi- dade civil, ou seja, a legislação passou a permitir a passagem
tos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignida- da resposta às demandas sociais para o terceiro setor e para a
de e ao livre desenvolvimento da sua personalidade (Artigo 22). iniciativa privada. Segundo Barbieri (2008), “isso significa que,
Dentre outros direitos inalienáveis, o parágrafo primeiro do artigo quando indivíduos se reúnem para prestarem para si mesmos um
27, afirma que “toda pessoa tem o direito de participar livremente serviço público, o Estado reconhece, principalmente na forma de
da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do dedução fiscal, que sua iniciativa privada preenche uma função
processo científico e de seus benefícios”. de essência pública”. E é exatamente aí que parece residir o pe-
Todos esses direitos essenciais à felicidade e dignidade hu- rigo da privatização dos serviços públicos essenciais e da produ-
manas só começarão a ser efetivamente adquiridos pelos “cida- ção cultural. Nessa nova lógica do mercado, o interesse público
dãos” quando a sociedade brasileira realizar simultaneamente as desaparece ou fica gravemente enfraquecido e fragilizado.
três tarefas essenciais: superar as mazelas históricas da consti-
tuição do Estado brasileiro e desconstruir urgentemente seu ca- Educação, cultura e a prática docente
ráter autoritário e “familista”; garantir o acesso de todas as ca-
madas sociais a um sistema educacional público democrático e Educação e cultura sempre estiveram inteiramente entrelaça-
de qualidade, que permita a sociabilização republicana; formular das. A escola é, por princípio, um lugar de discussão e de produ-
e implementar políticas públicas de universalização do acesso à ção cultural. Por isso é também lugar de diálogo, criação e recria-
produção e fruição cultural, contribuindo assim para a superação ção do conhecimento e, sobretudo, lugar onde as diferenças se
também das desigualdades simbólicas do país. Trata-se de edifi- encontram e convivem.
car um projeto político que privilegie os interesses gerais, delimi- Segundo Freire (1974, p. 41), “cultura é todo o resultado da
tando fronteiras claras entre o público e o privado e inviabilizando atividade humana, do esforço criador e recriador do homem, de
práticas políticas clientelistas e ilícitas. seu trabalho por transformar e estabelecer relações dialogais com
outros homens”. Assim, cultura constitui a aquisição sistemáti-
Globalização, mercado e estado mínimo: os riscos ca da experiência humana, uma aquisição, por princípio, crítica
da privatização do ensino e da produção cultural e criadora e não apenas o acúmulo e armazenamento de infor-
mações justapostas que não foram vivenciadas e incorporadas.
A partir da década de 1980, uma nova cartilha econômica di- (MIZUKAMI, 1986).
fundida pelos países europeus e pelos EUA passou a propagar Ainda de acordo com Paulo Freire (1974), ao estabelecer rela-
um conjunto de novos princípios: a desregulação da economia, ções, ao responder aos desafios que a natureza coloca, ao exer-
a privatização e a abertura comercial, como únicas saídas para a cer o ato da crítica de incorporar a seu próprio ser e de traduzir
estabilização econômica e o desenvolvimento em novas bases. por uma ação criadora a experiência humana daqueles que o ro-
Para além e para aquém das nossas mazelas históricas, o fato é deiam ou que o precederam, o ser humano cria e recria a cultura.
que, com o processo de globalização, as relações entre Estado, Nesse sentido, a escola e a educação escolar, entendidas como

Capacitação de professores WWW.FTD.COM.BR


A EDUCAÇÃO NO BRASIL E A PRÁTICA DOCENTE – ALGUMAS REFLEXÕES MARCELO PEREIRA | 3

lugares de produção cultural, não devem se pautar em modelos cial e para a necessidade de encontrarmos formas de desenvolvi-
reprodutivos ancorados em receitas prontas para a resolução de mento mais sustentáveis.
desafios que não estejam conectados às especificidades socioe- As experiências pedagógicas que não perdem de vista o di-
conômicas e culturais daquele determinado contexto. Seu papel álogo entre cultura, meio ambiente e educação para a cidadania
deve ser, sobretudo, representar um espaço de reflexão e cria- assumem um papel cada vez mais estimulante e desafiador na
ção, aberto a discutir os desafios que se colocam, bem como a medida em que demandam a emergência e o diálogo de novos
encontrar e considerar múltiplas possibilidades de respostas para saberes para apreender processos socioculturais que se com-
esses desafios. plexificam – decorrentes do acelerado processo de globalização
Além disso, na conjuntura atual, onde há um acelerado pro- –, e riscos ambientais que se intensificam. As ações didáticas e
cesso de homogeneização cultural, a escola torna-se um lugar de as mediações propostas podem abordar um leque de assuntos
resistência a partir do qual as diferentes práticas culturais podem muito amplo: democracia, movimentos culturais da juventude;
ser conhecidas, respeitadas e valorizadas. Trata-se de evidenciar memória e história; cidades sustentáveis, saneamento básico,
a importância do conceito de diversidade tanto no plano cultural cidadania, resíduos sólidos, meio ambiente, problemas urbanos,
como no plano ambiental. entre tantos outros.
Inclusive, o próprio conceito de diversidade é uma das cone- O fundamental, na prática educativa, é envolver o aluno em
xões possíveis entre “Cultura e Meio Ambiente”, um dos temas uma experiência de aprendizagem na qual o processo de cons-
geradores de muitos projetos escolares preocupados em refletir trução de conhecimento esteja integrado às práticas vividas.
sobre as problemáticas edificadas no mundo contemporâneo. O Nessa perspectiva, o aluno deixa de ser apenas um aprendiz do
Artigo 1 – A diversidade cultural, patrimônio comum da humanida- conteúdo de uma área de conhecimento qualquer, pois será esti-
de – da Declaração Universal sobre Diversidade Cultural (Unesco, mulado a mobilizar múltiplos saberes, desenvolver habilidades e
2002) nos apresenta essa conexão claramente: “A cultura adquire competências e tornar-se protagonista da produção do conheci-
formas diversas através do tempo e do espaço. Essa diversidade mento: um sujeito cultural.
se manifesta na originalidade e na pluralidade de identidades que Além disso, as mediações propostas devem ser pensadas de
caracterizam os grupos e as sociedades que compõem a humani- modo a contemplar linguagens de diferentes naturezas, tais como
dade. Fonte de intercâmbios, de inovação e de criatividade, a di- a música, o cinema, a fotografia, a charge, o texto histórico, a
versidade cultural é, para o gênero humano, tão necessária como entrevista, as artes plásticas etc. É importante destacar que a Lei
a diversidade biológica para a natureza. Nesse sentido, constitui de Diretrizes e Bases da Educação tem como questão central a
o patrimônio comum da humanidade e deve ser reconhecida e edificação de um sistema educacional que privilegie o desenvol-
consolidada em beneficio das gerações presentes e futuras”. vimento de competências e habilidades por meio de uma pers-
Assim, evidencia-se a ideia de que educação, cultura e natu- pectiva interdisciplinar, princípios teóricos que precisam estar
reza são categorias interdependentes e dialogam entre si. Portan- presentes durante o processo de construção das mediações no
to, um dos objetivos centrais da educação escolar é desenvolver cotidiano escolar.
um projeto pedagógico que procure articular essas categorias de
modo que professores e alunos participantes reflitam sobre as A Lei de Diretrizes e Bases da Educação e o foco no
possibilidades e as necessidades desse diálogo como forma de desenvolvimento de competências e habilidades
valorização e respeito às diversidades culturais e ambientais.
No mundo contemporâneo, grande parte das questões orbita O marco regulatório mais importante da educação escolar no
em torno dos aspectos ambientais e culturais. Elas potencializam o Brasil contemporâneo é a Lei 9.394 de dezembro de 1996, a Lei
envolvimento dos diversos sistemas de conhecimento numa pers- de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Como uma
pectiva necessariamente interdisciplinar. Desse modo, a produção das leis complementares previstas na Constituição de 1988, sua
do conhecimento escolar deve se pautar nas inter-relações do promulgação marcou a redemocratização e a plena vigência do
meio natural com o sociocultural, de modo que os conhecimentos estado de direito no país. Foi promulgada no governo de Fernan-
específicos das diferentes áreas do saber estejam a serviço do do Henrique Cardoso e tramitou no Congresso Nacional durante
desenvolvimento de competências e habilidades que tornem o oito anos, entre 1988 e 1996. Nesse período, a União Europeia
aluno capaz de solucionar situações-problema por meio de um e os Estados Unidos debatiam reformulações em seus currícu-
espírito científico, investigativo e plural. los escolares, impactados pelas novas formas de organização do
O mundo atual, no qual as distâncias estão cada vez menores trabalho e do conhecimento decorrentes das profundas transfor-
e as mudanças avançam numa velocidade desenfreada, exige re- mações socioculturais e econômicas provenientes do processo
flexões cada vez menos lineares. O modelo de desenvolvimento de globalização.
pautado na destruição dos recursos ambientais, no acúmulo e Esse debate influenciou as disposições da lei sobre o currí-
concentração de bens e riquezas materiais e no consumo exa- culo da Educação Básica no Brasil e permitiu uma conexão entre
cerbado já está obsoleto e não se sustentará por muito mais tem- essas disposições e os novos temas político-culturais, socioeco-
po. Decorre daí a necessidade de evidenciar a inter-relação entre nômicos e ambientais que vêm sendo desenhados desde o final do
saberes e práticas coletivas. Assim, o desafio contemporâneo é século XX. Pautado no direito de aprender, o paradigma curricular
de se formular uma educação socioambiental e cultural que seja passou a ter como foco a aprendizagem e, como referência, as
crítica e inovadora, voltada, sobretudo, para a transformação so- competências a serem desenvolvidas pelos alunos, colocando os

Capacitação de professores WWW.FTD.COM.BR


A EDUCAÇÃO NO BRASIL E A PRÁTICA DOCENTE – ALGUMAS REFLEXÕES MARCELO PEREIRA | 4

conteúdos curriculares não como fins em si mesmos, mas como e inovadora, no momento e de modo necessários. A competên-
recursos para o desenvolvimento dessas competências. cia compreende, portanto, um conjunto de coisas. Já, segundo
As novas diretrizes curriculares dela derivadas procuraram de- a pesquisadora Mello (2010) “as competências são introduzidas
finir as competências que o país espera que a educação escolar como um conjunto de operações mentais que são resultados a
desenvolva em suas crianças e jovens. Pautada nessa concep- ser alcançados nos aspectos mais gerais do desenvolvimento do
ção, rompendo com os antigos rótulos disciplinares, a lei prefere aluno. Em outras palavras, caracterizaram-se, no início, pela sua
usar expressões como componentes curriculares, compreen- generalidade e transversalidade, não relacionadas com nenhum
são do significado da ciência, das letras e das artes; desenvol- conteúdo curricular específico, mas entendidas como indispen-
vimento da capacidade de aprender, acesso ao conhecimento sáveis à aquisição de qualquer conhecimento”.
e exercício da cidadania. Trata-se, portanto, da valorização de Conectado ao paradigma preconizado pela LDB – que privile-
um conhecimento interdisciplinar, que preconiza a relação entre gia a aprendizagem significativa e não o ensino descontextualiza-
teoria e prática sem perder de vista as linguagens específicas de do e compartimentado –, o Ministério da Educação e o Instituto
cada componente curricular, ferramentas necessárias e indispen- Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep) propuse-
sáveis para o desenvolvimento de competências e habilidades ram, por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – utili-
que, mobilizadas, tornem o aluno capaz de enfrentar determina- zado para a avaliação qualitativa do ensino, bem como para o in-
das situações-problema. gresso dos jovens na Universidade –, os eixos cognitivos comuns
Historicamente, a qualidade raramente foi o compromisso para todas as áreas do conhecimento, resultando num conjunto
prioritário da Educação Básica no Brasil. A escola brasileira foi de habilidades e competências conforme quadros a seguir.
programada como lugar para minorias e enquanto apenas essas
minorias tinham acesso aos bancos escolares, havia um padrão AS 5 COMPETÊNCIAS DO ENEM
de qualidade que ficou estagnado no passado. Nos últimos 30
anos, com o rápido processo de urbanização e crescimento po- Dominar Dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso
I linguagens da linguagem matemática, artística e científica.
pulacional, o país viveu um ciclo a partir do qual o aumento quan-
Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhe-
titativo da oferta era urgente. As transformações sociopolíticas II Compreender cimento para a compreensão de fenômenos naturais, de
Fenômenos processos histórico-geográficos, da produção tecnológica
e demográficas pressionaram pela necessidade da expansão do e das manifestações artísticas.
acesso a escola. Enfrentar Selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e infor-
III mações representados de diferentes formas, para tomar
A ausência de políticas públicas coerentes e ininterruptas para Situações-Problema
decisões e enfrentar situações-problema.
a educação pública brasileira gerou a falta de recursos e, con- Relacionar informações, representadas em diferentes
Construir
sequentemente, a inexistência de capacidade técnica para ge- IV Argumentação
formas, e conhecimentos disponíveis em situações con-
cretas, para construir argumentação consistente.
renciar o processo de expansão quantitativa e ao mesmo tempo Recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola
para elaboração de propostas de intervenção solidária na
promover as mudanças de cultura e de modelos de organização V Elaborar
Proposta realidade, respeitando os valores humanos e considerando
pedagógica que a presença dos até então excluídos da escola a diversidade sociocultural.

passou a exigir. Fonte: <www.enem.inep.gov.br/enem.php>


Os especialistas preveem que o ciclo de crescimento quanti-
tativo ainda não se concluiu, mas deverá se completar brevemen-
AS 21 HABILIDADES DO ENEM
te. Pari passu, os problemas de qualidade assumem dimensões
trágicas. Assim, desde o início do século XXI, a Educação Básica 1- Compreender e utilizar variáveis 13- Compreender a importância da
biodiversidade
brasileira, que figura entre as piores do mundo, enfrenta a urgên- 2- Compreender e utilizar gráficos
3- Analisar dados estatísticos 14- Conhecer as formas geométricas
cia de garantir não apenas que todos ingressem na escola, mas
4- Inter-relacionar linguagens 15- Utilizar noções de probabilidade
também que todos tenham acesso a uma Escola com princípios 5- Contextualizar arte e literatura 16- Compreender as causas e
republicanos, pública e de qualidade. 6- Compreender as variantes linguísticas consequências da poluição ambiental
7- Compreender a geração e o uso de energia 17- Entender processos e implicações da
produção de energia
Competências e habilidades 8- Compreender a utilização dos recursos
naturais 18- Valorizar a diversidade cultural
9- Compreender a água e sua importância 19- Compreender diferentes pontos de vista
De acordo com L. A. Martins Garcia (2005), o conceito de ha-
10- Compreender as escalas de tempo 20- Contextualizar processos históricos
bilidade varia de autor para autor. De modo geral, as habilidades 11- Compreender a diversidade da vida 21- Compreender dados históricos
são consideradas como algo menos amplo do que as competên- 12- Utilizar indicadores sociais e geográficos

cias. Assim, a competência estaria constituída por várias habilida- Fonte: <www.enem.inep.gov.br/enem.php>
des. Entretanto, uma habilidade não “pertence” necessariamente
a uma determinada competência, uma vez que essa mesma habi- A respeito desse conjunto de competências transversais para
lidade pode contribuir para competências diferentes. aprender, como as do Enem, Mello (2010) afirma que elas “preci-
Assim, pode-se dizer que uma competência permite mobilizar sam ser articuladas com as competências a serem constituídas
conhecimentos a fim de se enfrentar uma determinada situação. em cada uma das áreas ou disciplinas, que se expressam em
Para Garcia (2005), a competência não é o uso estático de regras expectativas de aprendizagem. Na ausência dessa articulação
mecânicas a serem repetidas e aprendidas, mas uma capacida- instaura-se uma aparente ruptura entre competências e conteúdos
de de lançar mão dos mais variados recursos de forma criativa curriculares, que leva ao entendimento equivocado de que a abor-

Capacitação de professores WWW.FTD.COM.BR


A EDUCAÇÃO NO BRASIL E A PRÁTICA DOCENTE – ALGUMAS REFLEXÕES MARCELO PEREIRA | 5

dagem por competências não valoriza os conteúdos curriculares, lho se sobrepõe ao universo escolar.
quando na verdade eles são nucleares e imprescindíveis para a A taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais era
constituição de competências”. de 8,6%, o que representa 12,9 milhões de brasileiros. Entretanto,
Partindo do princípio de que o currículo é parte de uma escola esse indicador continua apontando disparidades regionais muito
vista como espaço de cultura, ao realizar a opção por vinculá-lo significativas, sendo, por exemplo, no Nordeste, 16,9%, quase o
ao desenvolvimento de competências, torna-se essencial romper dobro do índice nacional. Destaca-se ainda a taxa de analfabe-
com as práticas tradicionais e avançar em direção a uma ação tismo funcional que estava em 20,4%, tendo sido contabilizados
pedagógica interdisciplinar dirigida para a aprendizagem do alu- 30,5 milhões de analfabetos funcionais dentre as pessoas com 15
no-sujeito envolvido no processo não somente com seu potencial anos ou mais.
cognitivo, mas também afetivo e social. Naturalmente, esse quadro é resultado de um conjunto de
De acordo com a pesquisadora Zacharias (2005), os conteú- práticas políticas e econômicas adotadas ao longo da História
dos intercruzados e aqueles unificadores de temas constituem a do Brasil que acabaram por aumentar e consolidar os níveis de
mola mestra da interdisciplinaridade. Os conteúdos impregnados desigualdade. Os dados do primeiro relatório do Programa das
da(s) realidade(s) do aluno demarcam o significado pedagógico Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) sobre a América
da contextualização. E a contextualização, por sua vez, imprime Latina e Caribe, apontam que, apesar do aumento dos gastos
significado e relevância aos conteúdos escolares. sociais nos últimos dez anos, o Brasil tem o terceiro pior índice
de desigualdade no mundo, apresentando uma baixa mobilidade
A Pnad: alguns dados relativos à educação no Brasil social e educacional entre gerações. “A desigualdade de rendi-
mentos, educação, saúde e outros indicadores persiste de uma
O sistema educacional constituiu-se, ao longo do tempo, num geração à outra, e se apresenta num contexto de baixa mobilida-
dos grandes problemas da sociedade brasileira. Apesar dos pe- de socioeconômica”, diz o estudo do órgão da ONU, concluído
quenos avanços verificados nos últimos anos, ainda há milhares de no mês de julho de 2010.
crianças e adolescentes sem direito a uma educação de qualidade. Os dados do Pnud apontam ainda que as mulheres e as po-
De um lado, um sistema de ensino público sucateado, abandona- pulações indígenas e afrodescendentes são as mais prejudica-
do pelo poder público e destinado às camadas desprivilegiadas e das pela desigualdade social. No Brasil, apenas 5,1% dos des-
subalternas. De outro, um sistema de ensino privado destinado a cendentes de europeus vivem com menos de um dólar por dia.
poucos e pautado em uma dinâmica educacional muito mais com- O percentual sobe para 10,6% em relação a índios e afrodes-
promissada com o lucro e os índices de aprovação nos vestibula- cendentes. Evidentemente, os acessos à infraestrutura, saúde e
res do que com uma aprendizagem significativa, transformadora e especialmente a uma educação pública de qualidade poderiam
libertária. Além disso, um universo de professores mal formados e alterar esse cenário.
desestimulados, vítimas de um mecanismo perverso consubstan- Em São Paulo, estado mais rico da Federação, os dados edu-
ciado no tripé: formação pedagógica e específica precárias, péssi- cacionais mais recentes confirmam que nos últimos anos vem
mas condições de trabalho e salários desonrosos. ocorrendo um processo de universalização ao acesso escolar,
Milhões de crianças e adolescentes estão no mercado de tra- porém a qualidade do ensino oferecido ainda é bastante precária.
balho sem o direito ao ensino básico. Muitos outros milhões de Assim, apesar da maioria das crianças e jovens paulistas estar
crianças e adolescentes, sobretudo aqueles das periferias das matriculada nas escolas, isso não tem sido garantia de um apren-
grandes cidades e das regiões mais pobres do país, recebem um dizado real e efetivo.
ensino que mal lhes permite ler e interpretar um texto. A violência, Os resultados do Sistema de Avaliação do Rendimento Esco-
a depredação, a falta de professores qualificados são alguns dos lar do Estado de São Paulo (Saresp/2011) mostram que 17,4%
aspectos do cotidiano da grande maioria das escolas públicas dos alunos de 5 ano do Ensino Fundamental estão no nível abaixo
do país. Como vimos anteriormente, as origens desse conjunto do básico em Língua Portuguesa e 26% em Matemática; 28%
de problemas remontam à constituição e à natureza política do dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental estão no nível abai-
Estado brasileiro. xo do básico em Língua Portuguesa e 33,8% em Matemática;
Segundo o IBGE, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domi- 37,5% dos alunos de 3ª série do Ensino Médio estão no nível
cílios (Pnad 2011) constatou tímidos avanços na realidade edu- abaixo do básico em Língua Portuguesa e 58,4% em Matemática.
cacional brasileira, especialmente nas regiões Norte e Nordeste (O sistema trabalha com quatro níveis de avaliação – Abaixo do
do país. Os dados revelam que precisamos iniciar urgentemente Básico; Básico; Adequado e Avançado).
uma revolução educacional. Em 2011, 3,7 milhões de crianças e Os dados apontam para uma conclusão clara e direta: há ele-
adolescentes trabalhavam, sendo 704 mil do grupo de cinco a vados níveis de matrícula e baixa qualidade da educação. As po-
13 anos de idade. Esses trabalhadores eram, sobretudo, meni- líticas públicas relativas ao setor educacional – nos níveis federal,
nos que estavam principalmente exercendo atividades agrícolas estadual e municipal – devem se preocupar em levar adiante uma
e sem registro. A região Norte apresentou o maior índice de crian- grande reforma educacional que coloque a melhoria da qualidade
ças e adolescentes ocupados, 10,8%, ao passo que o Sudeste da escola pública na força-tarefa primeira de toda a sociedade
teve menor índice, 6,6%. Crianças e jovens lançados indiscrimi- brasileira. Como afirmou Anísio Teixeira, só existirá democracia
nadamente no mercado de trabalho, em condições precárias e no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara
com péssimos rendimentos. Nesse contexto, o mundo do traba- as democracias. Essa máquina é a da escola pública (FERRARI,

Capacitação de professores WWW.FTD.COM.BR


A EDUCAÇÃO NO BRASIL E A PRÁTICA DOCENTE – ALGUMAS REFLEXÕES MARCELO PEREIRA | 6

2008). E a nossa máquina político-administrativa até agora fez- râneo e nas avaliações internacionais os resultados da educação
nos o desfavor de sucatear e desqualificar o ensino no Brasil, brasileira concorrem pelas últimas colocações.
fragilizando ainda mais o nosso regime democrático. Decorrentes desse quadro desastroso e sombrio, novas dispo-
Diante do grave contexto atual, a sociedade brasileira precisa, sições sobre o currículo da Educação Básica no Brasil, originárias
urgentemente, exigir das instituições democráticas e dos poderes da LDB/1996, apontaram para a definição de novos paradigmas.
constituídos que os royalties das novas áreas de petróleo do pré- O paradigma curricular passou a ter como foco a aprendizagem e,
sal sejam inteiramente investidos em educação básica. Trata-se como referência, as competências a serem desenvolvidas pelos
de uma oportunidade histórica para avançarmos na necessária alunos, colocando os conteúdos curriculares não como fins em
revolução do sistema educacional brasileiro. si mesmos e sim como recursos para o desenvolvimento dessas
competências.
Considerações finais A partir dessa nova concepção curricular ocorreu, consequen-
temente, a valorização de um processo de ensino-aprendizagem
A análise do processo histórico de constituição da natureza pautado numa visão interdisciplinar que preconizou a relação en-
política do Estado brasileiro, bem como uma avaliação crítica de tre teoria e prática. Isso sem perder de vista as linguagens espe-
suas ações políticas ao longo do Período Imperial (1822-1889) e cíficas de cada componente curricular, ferramentas necessárias e
do Período Republicano (1889-2011), permite-nos concluir que indispensáveis para o desenvolvimento de competências e habili-
esse Estado mantém-se articulado e estruturado em um conjunto dades que, mobilizadas, permitem que o aluno mobilize múltiplas
de interesses minoritários, impossibilitando que a maioria da po- ferramentas para enfrentar determinadas situações-problema.
pulação brasileira tenha acesso digno a uma parte justa da rique- Como educador do Ensino Básico há 20 anos, já vivenciei
za produzida por toda a nação. múltiplas experiências educacionais. Desde lecionar em esco-
Isso significa dizer que nosso país sustenta índices de desi- las públicas da periferia de São Paulo e de Campinas, passan-
gualdades sociais dentre os maiores do mundo e seus cidadãos do por escolas públicas rurais do interior paulista (Paulínia e
não têm acesso pleno aos direitos básicos e essenciais, como Assis) até escolas da rede de ensino privado da cidade de São
saúde, saneamento básico, transporte, justiça, habitação, segu- Paulo.
rança, liberdade e, antes de tudo, a um sistema educacional efi- Minha experiência prática e cotidiana com elaboração e
ciente e de qualidade que garanta os elementos essenciais para o aplicação de projetos interdisciplinares, pautados no desenvol-
pleno desenvolvimento e exercício da cidadania. vimento de competências e habilidades específicas, levou-me
Os dados relativos à educação no Brasil, analisados nesse a acreditar que a escola precisa abandonar definitivamente o
texto, apontam para uma conclusão clara e direta: nas duas últi- papel atual ao qual está destinada – reproduzir um saber aca-
mas décadas houve um aumento acelerado dos níveis de matrí- dêmico especializado, distanciado e desconectado do univer-
cula que, infelizmente, não foram acompanhados pela eficiência e so escolar – e reconstruir suas práticas com base na certeza
a qualidade do ensino. Desse modo, as políticas públicas atuais, de que o processo ensino-aprendizagem, pautado no diálogo,
relativas ao setor educacional – nos níveis federal, estadual e mu- na resolução de situações-problema, no respeito às diferenças
nicipal –, devem se preocupar em levar adiante uma grande refor- individuais e às diversidades culturais e ambientais, é funda-
ma na Educação que coloque o avanço da qualidade da escola mental para a formação de indivíduos participativos, criativos,
pública como prioridade de toda sociedade brasileira. socialmente responsáveis e, portanto, melhor preparados para
Como sabemos, crescimento econômico que vem dissociado o pleno exercício da cidadania.
do aumento da escolaridade dos cidadãos não é um crescimento Em última análise, como nos ensinou o mestre Anísio Teixeira
que se sustenta no longo prazo. A escola brasileira não tem con- (1994), a finalidade da educação se confunde com a finalidade
seguido formar jovens com competências e habilidades neces- da vida, e nessa vida o que nos interessa é mais liberdade e
sárias para enfrentarem os novos desafios do mundo contempo- mais felicidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARBIERI, C. B. Terceiro setor: desafios e perspectivas constitucionais. Curitiba: Juruá, 2008.
BAVA, S. C. Editorial. Le Monde Diplomatique Brasil. São Paulo ano 3, n. 27, out. 2009.
. Hora de mudar. Le Monde Diplomatique Brasil. São Paulo ano 2, n. 14, set. 2008.

Capacitação de professores WWW.FTD.COM.BR


A EDUCAÇÃO NO BRASIL E A PRÁTICA DOCENTE – ALGUMAS REFLEXÕES MARCELO PEREIRA | 7

BONINO, R. Escola, uma questão de desejo? Educação. São Paulo, ano 12, n. 146, jun. 2009. p. 49.
BRANDÃO, A. C.; DUARTE, M. F. Movimentos culturais da juventude. São Paulo: Moderna (Coleção Polêmica), 2004.
CASTELLANO, E. G. (Org.). (Eco) Turismo e educação ambiental: diálogo e prática interdisciplinar. São Carlos: RiMa, 2007.
CHAUÍ, M. Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas. São Paulo: Moderna, 1981.
COMPARATO, F. K. O Direito e o avesso constitucional. Le Monde Diplomatique Brasil. São Paulo, ano 2, n. 14, set. 2008.
COSTA, A. El Buen Vivir, una oportunidad por construir. Ecuador Debate, 28 dez. 2008.
CUNHA, N. Cultura e ação cultural: uma contribuição a sua história e conceitos. São Paulo: Sesc-SP, 2010.
DIAS, G. F. Atividades interdisciplinares de educação ambiental: práticas inovadoras de educação ambiental. São Paulo: Gaia, 2006.
. Ecopercepção: um resumo didático dos desafios socioambientais. São Paulo: Gaia, 2004.
. Educação ambiental: princípios e práticas. 7. ed. São Paulo: Global, 2002.
DIAS, A. P. Educação ambiental como projeto. Porto Alegre: Artmed, 2002.
EISENBERG, J.; POGREBINSCHI, T. Onde está a democracia? Belo Horizonte: UFMG, 2002.
FAORO, R. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. Rio de Janeiro: Globo, 1989.
FERRARI, M. Anísio Teixeira. O inventor da escola pública no Brasil. Nova Escola. Edição Especial. jul. 2008.
FREIRE, P. Conscientización. Buenos Aires: Ediciones Busqueda, 1974.
GARCIA, L. A. M. Competências e Habilidades: você sabe lidar com isso? Educação e Ciência On-line. Brasília: Universidade de Brasília. Disponível em: <http://uvnt.
universidadevirtual.br/ciencias/002.htm>. Acesso em: 29 jul. 2010.
HOBSBAWN, E. Sobre História. São Paulo: Companhia das letras, 1998.
HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em 29 ago. 2010.
KARNAL, Leandro. Conversas com um jovem professor. São Paulo: Contexto, 2012.
LE GOFF, J. História e memória. Campinas/São Paulo: Editora da Unicamp, 2003.
LOBATO, E. M. (Org.). Educação e participação. São Paulo: Cetesb, 1986.
MELLO, G. R. de. Referenciais Curriculares para a Educação Básica do Século 21. Disponível em: <www.seduc.rs.gov.br/pse/html/refer_curric.jsp?ACAO=acao1>. Acesso em: 12
nov. 2010.
MIRANDA, D. S. de (Org.). Memória e cultura: a importância da memória na formação cultural humana. São Paulo: Sesc-SP, 2007.
MIZUKAMI, M. da G. N. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.
MONTESQUIEU, C. de S. Espírito das leis. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
ONU – Organização das Nações Unidas. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) sobre a América Latina e Caribe. Disponível em: <www.pnud.org.br>.
Acesso em: 29 ago. 2010.
. Organização das Nações Unidas. Declaração dos Direitos Humanos. Disponível em: <http://www.onu-brasil.org.br/documentos_direitoshumanos.php>. Acesso em:
21 jul. 2010.
PEDRINI, A. de G. (Org.). Metodologias em educação ambiental. Rio de Janeiro: Vozes, 2007.
RIBEIRO, R. J. A democracia. 2. ed. São Paulo: Publifolha (Folha Explica), 2002.
SATO, M.; CARVALHO, I. C. M. (Org). Educação ambiental: pesquisa e desafios. Porto Alegre: Artmed, 2005.
SILVA-SÁNCHEZ, S. S. Cidadania ambiental: novos direitos no Brasil. 2. ed. São Paulo: Annablume (Coleção Cidadania e Meio Ambiente), 2010.
TEIXEIRA, A. Educação não é privilégio. 5. Ed. Rio de Janeiro: UFRJ, 1994.
THÉRY, H. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmica do território. São Paulo: Edusp e Imprensa oficial do Estado, 2008.
TOLEDO, G. Saneamento básico: essencial para saúde, economia e produção. Disponível em: <www.sintaema.org.br/artigo.php?cod_conteudo=295&tit= saneamento-basico-
essencial-para-saude-economia-e-producao>. Acesso em: 04 jan. 2011.
UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. Declaração Universal sobre Diversidade Cultural Documento. Disponível em: <http://unesdoc.
unesco.org/images/0012/001271/127160por.pdf.> Acesso em: 10 jan. 2011.
WU, C. Privatização da cultura: a intervenção corporativa na arte desde os anos 1980. São Paulo: Boitempo, 2006.
ZACHARIAS, V. L. C. F. A LDB e o Pedagógico. Revista Projeto Pedagógico. UDEMO, 2005.

SITES
<www.cidadessustentaveis.org.br>. Acesso em: 20 dez. 2012.
<www.cultura.gov.br/pnc>. Site do Ministério da Cultura. Acesso em: 20 dez. 2012.
<www.enem.inep.gov.br>. Site com orientações sobre o Enem. Acesso em: 20 dez. 2012.
<www.nossasaopaulo.org.br>. Site da Rede Nossa São Paulo. Acesso em: 20 dez. 2012.
<www.rededecidades.ning.com>. Acesso em: 20 dez. 2012.
<www.seduc.rs.gov.br>. Site da Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul. Acesso em: 20 dez. 2012.
<www.saresp.fde.gov.br>. Site do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo. Acesso em: 20 dez. 2012.
< www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Lei n. 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos. Acesso em: 20 dez. 2012.
<www.portaldovoluntario.org.br>. Acesso em: 20 dez. 2012.
<www2.camara.leg.br/camaranoticias/tv/materias/PARTICIPACAO-POPULAR/431002-PARTICIPACAO-POPULAR-DEBATE-FALTA-DE-PROFESSORES-EM-ESCOLAS-PUBLICAS-
DO-PAIS.html>. Vídeo para debate. Acesso em: 20 dez. 2012.

FILMES
A Onda. Direção: Dennis Gansel. Alemanha, 2008.
A Voz do Coração. Direção: Chistophe Barratier. EUA, 2003.
Ao mestre com carinho. Direção: James Clavell. EUA, 1967.
Conrack. Direção: Martin Ritt. EUA, 1974.
Duelo de Titãs. Direção: Boaz Yakin. EUA, 1974.
Entre os muros da Escola. Direção: Laurent Cantet. França, 2008.
Escritores da Liberdade. Direção: Freedom Writers. EUA, 2007.
Meu mestre, minha vida. Direção: John G. Avildsen. EUA, 1989.
Nenhum a menos. Direção: Zhang Yimou. China, 1999.
Pro dia Nascer Feliz. Direção: João Jardim. Brasil, 2006.
Sociedade dos Poetas Mortos. Direção: Peter Weir. EUA, 1989.

Marcelo Pereira cursou Licenciatura plena em História, na Unesp – Universidade Estadual Paulista; fez mestrado em História Social do Trabalho, na IFCH/
Unicamp (Instituto de Filosofia e Ciências Humanas) (2001). Tem MBA em Bens Culturais: Cultura, Economia e Gestão (2011); foi professor de História nas
redes municipal e estadual de São Paulo (1991-1997), e hoje leciona no Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo desde 1996.

Capacitação de professores WWW.FTD.COM.BR