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/vestibulares

Tema: O preconceito
linguístico e seus efeitos
em discussão no Brasil

Modelo de redação

Desde o parnasianismo, Olavo Bilac já exaltava a Língua Portuguesa como


a “última flor do Lácio”, uma das heranças do Império Romano. A língua,
como um dos principais instrumentos que sustentam a vida em sociedade, é
responsável pela comunicação e interação entre os indivíduos. No entanto,
ela também pode atuar de maneira negativa, sendo uma das ferramentas de
segregação social. O preconceito linguístico, no Brasil, é muito evidente, e, por
isso, é preciso entender que há diversas variantes na língua, e uma não deveria
ser mais prestigiada em relação às demais.

Em primeiro lugar, é importante destacar que, embora todos os brasileiros


sejam falantes da língua portuguesa, ela apresenta diversas particularidades no
contexto regional, etário, social e histórico. Isso significa que a língua está em
constante transformação, e os responsáveis pelas mudanças são os próprios
falantes, independente de classe social ou nível de escolaridade. Nesse sentido,
não se deve desconsiderar a gramática normativa e suas regras, já que ela serve
como base para o sustento do idioma, mas sim admitir que todas as variações
são inerentes à língua, pois de acordo com o gramático Evanildo Bechara, “um
falante deve ser poliglota em sua própria língua”.

RNK - O preconceito linguístico e seus efeitos em discussão no Brasil


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Além disso, é evidente que o fato de existir uma variante padrão faz com que as
demais sejam desprestigiadas, gerando o preconceito linguístico. Esse tipo de
preconceito – pouco discutido no Brasil – acentua ainda mais a desigualdade
social no país, porque a língua está totalmente ligada à estrutura e aos valores
da sociedade, e os falantes da norma culta são aqueles que apresentam maior
nível de escolaridade e poder aquisitivo. Entretanto, é incoerente pensar como
as músicas de Adoniran Barbosa, que utilizavam a modalidade coloquial, faziam
sucesso e o falar popular é excludente.

Fica claro, portanto, que a língua é um fator decisivo na exclusão social. Por
isso, o preconceito linguístico deve ser admitido e combatido. Primeiramente,
as escolas deveriam fazer uma abordagem mais aprofundada sobre esse tema,
além de abordar, nas aulas de Português, todas as variantes existentes na língua.
A mídia deveria parar de estereotipar os personagens de acordo com a sua
maneira de falar, e poderia investir em campanhas que ajudem a desconstruir o
preconceito linguístico. Dessa forma, podemos abandonar o rigor formal acerca
da Língua como feito pelos Parnasianos e diminuir o preconceito e segregação
na sociedade.

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