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Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás

CREA-GO
Agente de Fiscalização e Assistente

Administrativo

JL081-N9
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Proibida a reprodução, total ou parcialmente, sem autorização prévia expressa por escrito da editora e do autor. Se você
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OBRA

Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás

Agente de Fiscalização e Assistente Administrativo

EDITAL Nº 1, DE 19 DE JULHO DE 2019

AUTORES
Língua Portuguesa - Profª Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco
Noções de Informática - Profº Bruno Chieregatti e Joao de Sá Brasil
Raciocínio Lógico e Matemático - Profº Ovidio Lopes da Cruz Netto
Legislação e Ética na Administração Pública - Profº Ricardo Razaboni
Legislação do Sistema CONFE/CREA - Profª Mariela Cardoso
Sistema de Gestão da Qualidade - Profª Mariela Cardoso

PRODUÇÃO EDITORIAL/REVISÃO
Elaine Cristina
Leandro Filho

DIAGRAMAÇÃO
Thais Regis
Renato Vilela

CAPA
Joel Ferreira dos Santos

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SUMÁRIO
LÍNGUA PORTUGUESA
Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados ................................................................................................... 01
Reconhecimento de tipos e gêneros textuais .................................................................................................................................. 11
Domínio da ortografia oficial .................................................................................................................................................................. 12
Domínio dos mecanismos de coesão textual . Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição,
de conectores e de outros elementos de sequenciação textual ............................................................................................... 18
Emprego de tempos e modos verbais ................................................................................................................................................. 24
Domínio da estrutura morfossintática do período. Emprego das classes de palavras ....................................................... 24
Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração ......................................................................................... 66
Relações de subordinação entre orações e entre termos da oração ....................................................................................... 66
Emprego dos sinais de pontuação ........................................................................................................................................................ 75
Concordância verbal e nominal ............................................................................................................................................................... 78
Regência verbal e nominal ........................................................................................................................................................................ 85
Emprego do sinal indicativo de crase .................................................................................................................................................. 90
Colocação dos pronomes átonos ......................................................................................................................................................... 92
Reescrita de frases e parágrafos do texto ........................................................................................................................................... 92
Significação das palavras .......................................................................................................................................................................... 92
Substituição de palavras ou de trechos de texto ............................................................................................................................. 92
Reorganização da estrutura de orações e de períodos do texto ................................................................................................ 92
Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade ........................................................................................ 92
Correspondência oficial (conforme Manual de Redação da Presidência da República) ................................................. 98
Aspectos gerais da redação oficial ....................................................................................................................................................... 98
Finalidade dos expedientes oficiais ...................................................................................................................................................... 98
Adequação da linguagem ao tipo de documento .......................................................................................................................... 98
Adequação do formato do texto ao gênero ..................................................................................................................................... 98

NOÇÕES DE INFORMÁTICA
Conceitos básicos e modos de utilização de tecnologias, ferramentas, aplicativos e procedimentos de informática: 01
tipos de computadores, conceitos de hardware e de software, instalação de periféricos................................................
Edição de textos, planilhas e apresentações (ambiente Microsoft Office, versões 2010, 2013 e 365)......................... 06
Noções de sistema operacional (ambiente Windows, versões 7, 8 e 10)................................................................................. 35
Redes de computadores: conceitos básicos, ferramentas, aplicativos e procedimentos de Internet e intranet....... 42
Programas de navegação: Mozilla Firefox e Google Chrome....................................................................................................... 42
Programa de correio eletrônico: MS Outlook..................................................................................................................................... 42
Sítios de busca e pesquisa na Internet................................................................................................................................................... 42
Conceitos de organização e de gerenciamento de informações, arquivos, pastas e programas................................... 57
Segurança da informação: procedimentos de segurança.............................................................................................................. 57
Noções de vírus, worms e pragas virtuais............................................................................................................................................. 59
Aplicativos para segurança (antivírus, firewall, antispyware etc.)................................................................................................. 59
Procedimentos de backup........................................................................................................................................................................... 63
SUMÁRIO
RACIOCÍNIO LÓGICO E MATEMÁTICO
Operações, propriedades e aplicações (soma, subtração, multiplicação, divisão, potenciação e radiciação)................ 01
Princípios de contagem e probabilidade. Arranjos e permutações. Combinações................................................................... 19
Conjuntos numéricos (números naturais, inteiros, racionais e reais) e operações com conjuntos..................................... 29
Razões e proporções (grandezas diretamente proporcionais, grandezas inversamente proporcionais, porcentagem
regras de três simples e compostas)........................................................................................................................................................... 33
Equações e inequações..................................................................................................................................................................................... 42
Sistemas de medidas.......................................................................................................................................................................................... 48
Volumes................................................................................................................................................................................................................... 54
Compreensão de estruturas lógicas. Lógica de argumentação (analogias, inferências, deduções e conclusões).
Diagramas lógicos................................................................................................................................................................................................ 57

LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Ética e função pública. Ética no setor público............................................................................................................................................ 01


Lei nº 8.429/1992 e suas alterações............................................................................................................................................................... 05
Lei nº 9.784/1999 e suas alterações (Processo administrativo)........................................................................................................... 07
Acesso à Informação: Lei nº 12.527/2011;................................................................................................................................................... 10
Decreto nº 7.724/2012........................................................................................................................................................................................ 12
Lei nº 8.666/1993: normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços (inclusive
de publicidade), compras, alienações e locações no âmbito dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios.................................................................................................................................................................................................... 24
Decreto nº 5.450/2005 e Lei nº 10.520/2002: Aquisições e contratações por Pregão Eletrônico............................................... 65
Decreto nº 7.892/2013: Sistema de Registro de Preços............................................................................................................................... 73
SUMÁRIO
LEGISLAÇÃO DO SISTEMA CONFEA/CREA
Lei nº 4.950-A/1966...................................................................................................................................................................................................... 01
Lei nº 5.194/1966.......................................................................................................................................................................................................... 01
Lei nº 6.496/1977.......................................................................................................................................................................................................... 03
Lei nº 6.619/1978.......................................................................................................................................................................................................... 04
Lei nº 6.838/1980.......................................................................................................................................................................................................... 05
Lei nº 6.839/1980.......................................................................................................................................................................................................... 05
Lei nº 7.410/1985........................................................................................................................................................................................................... 06
Lei nº 8.195/1991........................................................................................................................................................................................................... 07
Decreto nº 23.196/1933.............................................................................................................................................................................................. 07
Decreto nº 23.569/1933.............................................................................................................................................................................................. 08
Resoluções CONFEA nº 218/1973; nº 336/1989; nº 413/1997; nº 1.002/2002; nº 1.004/2003; nº 1.007/2003; nº
1.008/2004; nº 1.019/2006; nº 1.024/2009; nº 1.025/2009; nº 1.047/2013; nº 1.050/2013; nº 1.059/2014; nº 1.073/2016;
nº 1.090/2017................................................................................................................................................................................................................. 11

SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE

Normas ABNT: NBR ISO 9000:2015 e NBR ISO 9001:2015........................................................................................................................... 01


ÍNDICE

LÍNGUA PORTUGUESA

Compreensão e interpretação de textos de gêneros variados ...................................................................................................................... 01


Reconhecimento de tipos e gêneros textuais ...................................................................................................................................................... 11
Domínio da ortografia oficial ...................................................................................................................................................................................... 12
Domínio dos mecanismos de coesão textual . Emprego de elementos de referenciação, substituição e repetição, de
conectores e de outros elementos de sequenciação textual .......................................................................................................................... 18
Emprego de tempos e modos verbais ........................................................................................................................................................................ 24
Domínio da estrutura morfossintática do período. Emprego das classes de palavras ......................................................................... 24
Relações de coordenação entre orações e entre termos da oração ............................................................................................................. 66
Relações de subordinação entre orações e entre termos da oração ............................................................................................................ 66
Emprego dos sinais de pontuação .............................................................................................................................................................................. 75
Concordância verbal e nominal ................................................................................................................................................................................. 78
Regência verbal e nominal ............................................................................................................................................................................................ 85
Emprego do sinal indicativo de crase ........................................................................................................................................................................ 90
Colocação dos pronomes átonos ............................................................................................................................................................................... 92
Reescrita de frases e parágrafos do texto ............................................................................................................................................................... 92
Significação das palavras ............................................................................................................................................................................................... 92
Substituição de palavras ou de trechos de texto .................................................................................................................................................. 92
Reorganização da estrutura de orações e de períodos do texto .................................................................................................................. 92
Reescrita de textos de diferentes gêneros e níveis de formalidade .............................................................................................................. 92
Correspondência oficial (conforme Manual de Redação da Presidência da República) ...................................................................... 98
Aspectos gerais da redação oficial ............................................................................................................................................................................... 98
Finalidade dos expedientes oficiais .......................................................................................................................................................................... 98
Adequação da linguagem ao tipo de documento .............................................................................................................................................. 98
Adequação do formato do texto ao gênero .......................................................................................................................................................... 98
É sugerido pelo autor que...
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE De acordo com o texto, é correta ou errada a afirma-
TEXTOS DE GÊNEROS VARIADOS. ção...
O narrador afirma...

Interpretação Textual Erros de interpretação

Texto – é um conjunto de ideias organizadas e rela- - Extrapolação (“viagem”) = ocorre quando se sai do
cionadas entre si, formando um todo significativo capaz contexto, acrescentando ideias que não estão no
de produzir interação comunicativa (capacidade de codi- texto, quer por conhecimento prévio do tema quer
ficar e decodificar). pela imaginação.
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. - Redução = é o oposto da extrapolação. Dá-se aten-
Em cada uma delas, há uma informação que se liga com ção apenas a um aspecto (esquecendo que um
a anterior e/ou com a posterior, criando condições para texto é um conjunto de ideias), o que pode ser
a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa in- insuficiente para o entendimento do tema desen-
terligação dá-se o nome de contexto. O relacionamento volvido.
entre as frases é tão grande que, se uma frase for retirada - Contradição = às vezes o texto apresenta ideias
de seu contexto original e analisada separadamente, po- contrárias às do candidato, fazendo-o tirar con-
derá ter um significado diferente daquele inicial. clusões equivocadas e, consequentemente, errar a
Intertexto - comumente, os textos apresentam refe- questão.
rências diretas ou indiretas a outros autores através de
citações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. Observação: Muitos pensam que existem a ótica do
Interpretação de texto - o objetivo da interpretação escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas em
de um texto é a identificação de sua ideia principal. A uma prova de concurso, o que deve ser levado em consi-
partir daí, localizam-se as ideias secundárias (ou fun- deração é o que o autor diz e nada mais.
damentações), as argumentações (ou explicações), que
levam ao esclarecimento das questões apresentadas na Coesão e Coerência
prova.
Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
Normalmente, em uma prova, o candidato deve: relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre
- Identificar os elementos fundamentais de uma ar- si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de
gumentação, de um processo, de uma época (nes- um pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um
te caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o
quais definem o tempo). que se vai dizer e o que já foi dito.
- Comparar as relações de semelhança ou de diferen-
ças entre as situações do texto. São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre
- Comentar/relacionar o conteúdo apresentado com eles, está o mau uso do pronome relativo e do prono-
uma realidade. me oblíquo átono. Este depende da regência do verbo;
- Resumir as ideias centrais e/ou secundárias.
aquele, do seu antecedente. Não se pode esquecer tam-
- Parafrasear = reescrever o texto com outras pala-
bém de que os pronomes relativos têm, cada um, valor
vras.
semântico, por isso a necessidade de adequação ao an-
tecedente.
Condições básicas para interpretar
Os pronomes relativos são muito importantes na in-
Fazem-se necessários: conhecimento histórico-literá- terpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de
rio (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), lei- coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração que
tura e prática; conhecimento gramatical, estilístico (qua- existe um pronome relativo adequado a cada circunstân-
lidades do texto) e semântico; capacidade de observação cia, a saber:
e de síntese; capacidade de raciocínio. que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente,
mas depende das condições da frase.
Interpretar/Compreender qual (neutro) idem ao anterior.
quem (pessoa)
Interpretar significa: cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir. o objeto possuído.
LÍNGUA PORTUGUESA

Através do texto, infere-se que... como (modo)


É possível deduzir que... onde (lugar)
O autor permite concluir que... quando (tempo)
Qual é a intenção do autor ao afirmar que... quanto (montante)
Exemplo:
Compreender significa Falou tudo QUANTO queria (correto)
Entendimento, atenção ao que realmente está escrito. Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria
O texto diz que... aparecer o demonstrativo O).

1
Dicas para melhorar a interpretação de textos Sei que a palavra da moda é precocidade, mas eu acre-
dito em conquistas tardias. Elas têm na minha vida um
- Leia todo o texto, procurando ter uma visão geral do gosto especial.
assunto. Se ele for longo, não desista! Há muitos Quando aprendi a guiar, aos 34 anos, tudo se transfor-
candidatos na disputa, portanto, quanto mais in- mou. De repente, ganhei mobilidade e autonomia. A ci-
formação você absorver com a leitura, mais chan- dade, minha cidade, mudou de tamanho e de fisionomia.
ces terá de resolver as questões. Descer a Avenida Rebouças num táxi, de madrugada, era
- Se encontrar palavras desconhecidas, não interrom- diferente – e pior – do que descer a mesma avenida com
pa a leitura. as mãos ao volante, ouvindo rock and roll no rádio. Pegar
- Leia o texto, pelo menos, duas vezes – ou quantas a estrada com os filhos pequenos revelou-se uma delícia
forem necessárias. insuspeitada.
- Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma Talvez porque eu tenha começado tarde, guiar me pare-
conclusão). ce, ainda hoje, uma experiência incomum. É um ato que,
- Volte ao texto quantas vezes precisar. mesmo repetido de forma diária, nunca se banalizou in-
- Não permita que prevaleçam suas ideias sobre as teiramente.
do autor. Na véspera do Ano Novo, em Ubatuba, eu fiz outra des-
- Fragmente o texto (parágrafos, partes) para melhor coberta temporã.
compreensão. Depois de décadas de tentativas inúteis e frustrantes,
- Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado de num final de tarde ensolarado eu conquistei o dom da
cada questão. flutuação. Nas águas cálidas e translúcidas da praia Bra-
- O autor defende ideias e você deve percebê-las. va, sob o olhar risonho da minha mulher, finalmente con-
- Observe as relações interparágrafos. Um parágra- segui boiar.
fo geralmente mantém com outro uma relação de
continuação, conclusão ou falsa oposição. Identifi- Não riam, por favor. Vocês que fazem isso desde os oito
que muito bem essas relações. anos, vocês que já enjoaram da ausência de peso e esfor-
- Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou seja, ço, vocês que não mais se surpreendem com a sensação
a ideia mais importante. de balançar ao ritmo da água – sinto dizer, mas vocês se
- Nos enunciados, grife palavras como “correto” ou “in-
esqueceram de como tudo isso é bom.
correto”, evitando, assim, uma confusão na hora da
Nadar é uma forma de sobrepujar a água e impor-se a
resposta – o que vale não somente para Interpreta-
ela. Boiar é fazer parte dela – assim como do sol e das
ção de Texto, mas para todas as demais questões!
montanhas ao redor, dos sons que chegam filtrados ao
- Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia principal,
ouvido submerso, do vento que ergue a onda e lança
leia com atenção a introdução e/ou a conclusão.
água em nosso rosto. Boiar é ser feliz sem fazer força, e
- Olhe com especial atenção os pronomes relativos,
isso, curiosamente, não é fácil.
pronomes pessoais, pronomes demonstrativos,
etc., chamados vocábulos relatores, porque reme- Essa experiência me sugeriu algumas considerações so-
tem a outros vocábulos do texto. bre a vida em geral.
Uma delas, óbvia, é que a gente nunca para de apren-
SITES der ou de avançar. Intelectualmente e emocionalmente,
Disponível em: <http://www.tudosobreconcursos. de um jeito prático ou subjetivo, estamos sempre incor-
com/materiais/portugues/como-interpretar-textos> porando novidades que nos transformam. Somos gene-
Disponível em: <http://portuguesemfoco.com/pf/ ticamente elaborados para lidar com o novo, mas não
09-dicas-para-melhorar-a-interpretacao-de-textos-em- só. Também somos profundamente modificados por ele.
-provas> A cada momento da vida, quando achamos que tudo já
Disponível em: <http://www.portuguesnarede. aconteceu, novas capacidades irrompem e fazem de nós
com/2014/03/dicas-para-voce-interpretar-melhor-um. uma pessoa diferente do que éramos. Uma pessoa capaz
html> de boiar é diferente daquelas que afundam como pedras.
Disponível em: <http://vestibular.uol.com.br/cursi- Suspeito que isso tenha importância também para os re-
nho/questoes/questao-117-portugues.htm> lacionamentos.
Se a gente não congela ou enferruja – e tem gente que já
está assim aos 30 anos – nosso repertório íntimo tende a
se ampliar, a cada ano que passa e a cada nova relação.
EXERCÍCIOS COMENTADOS Penso em aprender a escutar e a falar, em olhar o outro,
em tocar o corpo do outro com propriedade e deixar-se
1. (EBSERH – Analista Administrativo – Estatística – tocar sem susto. Penso em conter a nossa própria frustra-
AOCP-2015) ção e a nossa fúria, em permitir que o parceiro floresça,
LÍNGUA PORTUGUESA

em dar atenção aos detalhes dele. Penso, sobretudo, em


O verão em que aprendi a boiar conquistar, aos poucos, a ansiedade e insegurança que
Quando achamos que tudo já aconteceu, novas ca- nos bloqueiam o caminho do prazer, não apenas no sen-
pacidades fazem de nós pessoas diferentes do que tido sexual. Penso em estar mais tranquilo na companhia
éramos do outro e de si mesmo, no mundo.
Assim como boiar, essas coisas são simples, mas preci-
IVAN MARTINS sam ser aprendidas.

2
Estar no interior de uma relação verdadeira é como estar Em “c”: haver sempre tempo para aprender a ser mais
na água do mar. Às vezes você nada, outras vezes você criterioso com seus relacionamentos, a fim de que eles
boia, de vez em quando, morto de medo, sente que pode sejam vividos intensamente = incorreta – ser menos
afundar. É uma experiência que exige, ao mesmo tem- objetivo nos relacionamentos.
po, relaxamento e atenção, e nem sempre essas coisas Em “d”: haver sempre tempo para aprender coisas no-
se combinam. Se a gente se põe muito tenso e cerebral, vas, inclusive agir com o raciocínio nas relações amo-
a relação perde a espontaneidade. Afunda. Mas, largada rosas = incorreta – ser mais emoção.
apenas ao sabor das ondas, sem atenção ao equilíbrio, a Em “e”: ser necessário aprender nos relacionamentos,
relação também naufraga. Há uma ciência sem cálculos porém sempre estando alerta para aquilo de ruim que
que tem de ser assimilada a cada novo amor, por cada pode acontecer = incorreta – estar sempre cuidando,
um de nós. Ela fornece a combinação exata de atenção e não pensando em algo ruim.
relaxamento que permite boiar. Quer dizer, viver de for-
ma relaxada e consciente um grande amor. 2. (BACEN – TÉCNICO – CONHECIMENTOS BÁSICOS –
Na minha experiência, esse aprendizado não se fez ra- ÁREA 1 e 2 – CESPE-2013)
pidamente. Demorou anos e ainda se faz. Talvez porque
eu seja homem, talvez porque seja obtuso para as coi- Uma crise bancária pode ser comparada a um vendaval.
sas do afeto. Provavelmente, porque sofro das limitações Suas consequências sobre a economia das famílias e das
emocionais que muitos sofrem e que tornam as relações empresas são imprevisíveis. Os agentes econômicos rela-
afetivas mais tensas e trabalhosas do que deveriam ser. cionam-se em suas operações de compra, venda e troca
Sabemos nadar, mas nos custa relaxar e ser felizes nas de mercadorias e serviços de modo que cada fato econô-
águas do amor e do sexo. Nos custa boiar. mico, seja ele de simples circulação, de transformação ou
A boa notícia, que eu redescobri na praia, é que tudo se de consumo, corresponde à realização de ao menos uma
aprende, mesmo as coisas simples que pareciam impos- operação de natureza monetária junto a um intermediá-
síveis. rio financeiro, em regra, um banco comercial que recebe
Enquanto se está vivo e relação existe, há chance de me- um depósito, paga um cheque, desconta um título ou
lhorar. Mesmo se ela acabou, é certo que haverá outra antecipa a realização de um crédito futuro. A estabilida-
de do sistema que intermedeia as operações monetárias,
no futuro, no qual faremos melhor: com mais calma, com
portanto, é fundamental para a própria segurança e esta-
mais prazer, com mais intensidade e menos medo.
bilidade das relações entre os agentes econômicos.
O verão, afinal, está apenas começando. Todos os dias se
A iminência de uma crise bancária é capaz de afetar e
pode tentar boiar.
contaminar todo o sistema econômico, fazendo que os
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-mar-
titulares de ativos financeiros fujam do sistema financeiro
tins/noticia/2014/01/overao-em-que-aprendi-boiar.html
e se refugiem, para preservar o valor do seu patrimônio,
em ativos móveis ou imóveis e, em casos extremos, em
De acordo com o texto, quando o autor afirma que “To- estoques crescentes de moeda estrangeira. Para se evitar
dos os dias se pode tentar boiar.”, ele refere-se ao fato de esse tipo de distorção, é fundamental a manutenção da
credibilidade no sistema financeiro. A experiência brasileira
a) haver sempre tempo para aprender, para tentar relaxar com o Plano Real é singular entre os países que adotaram
e ser feliz nas águas do amor, agindo com mais cal- políticas de estabilização monetária, uma vez que a rever-
ma, com mais prazer, com mais intensidade e menos são das taxas inflacionárias não resultou na fuga de capitais
medo. líquidos do sistema financeiro para os ativos reais.
b) ser necessário agir com mais cautela nos relaciona- Pode-se afirmar que a estabilidade do Sistema Financei-
mentos amorosos para que eles não se desfaçam. ro Nacional é a garantia de sucesso do Plano Real. Não
c) haver sempre tempo para aprender a ser mais criterio- existe moeda forte sem um sistema bancário igualmente
so com seus relacionamentos, a fim de que eles sejam forte. Não é por outra razão que a Lei n.º 4.595/1964, que
vividos intensamente. criou o Banco Central do Brasil (BACEN), atribuiu-lhe si-
d) haver sempre tempo para aprender coisas novas, in- multaneamente as funções de zelar pela estabilidade da
clusive agir com o raciocínio nas relações amorosas. moeda e pela liquidez e solvência do sistema financeiro.
e) ser necessário aprender nos relacionamentos, porém Atuação do Banco Central na sua função de zelar pela
sempre estando alerta para aquilo de ruim que pode estabilidade do Sistema Financeiro Nacional. Internet: <
acontecer. www.bcb.gov.br > (com adaptações).

Resposta: Letra A. Ao texto: (...) tudo se aprende, Conclui-se da leitura do texto que a comparação entre
mesmo as coisas simples que pareciam impossíveis. / “crise bancária” e “vendaval” embasa-se na impossibili-
Enquanto se está vivo e relação existe, há chance de dade de se preverem as consequências de ambos os fe-
LÍNGUA PORTUGUESA

melhorar = sempre há tempo para boiar (aprender). nômenos.


Em “a”: haver sempre tempo para aprender, para ten-
tar relaxar e ser feliz nas águas do amor, agindo com ( ) CERTO ( ) ERRADO
mais calma, com mais prazer, com mais intensidade e
menos medo = correta. Resposta: Certo. Conclui-se da leitura do texto que
Em “b”: ser necessário agir com mais cautela nos rela- a comparação entre “crise bancária” e “vendaval” em-
cionamentos amorosos para que eles não se desfaçam basa-se na impossibilidade de se preverem as conse-
= incorreta – o autor propõe viver intensamente. quências de ambos os fenômenos.

3
Voltemos ao texto: Uma crise bancária pode ser com- De acordo com o autor do texto Lastro e o sistema bancá-
parada a um vendaval. Suas consequências sobre a eco- rio, a reserva fracional foi criada com o objetivo de
nomia das famílias e das empresas são imprevisíveis.
a) tornar ilimitada a produção de dinheiro.
3. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018) b) proteger os bens dos clientes de bancos.
c) impedir que os bancos fossem à falência.
Lastro e o Sistema Bancário d) permitir o empréstimo de mais dinheiro
e) preservar as economias das pessoas.
[...]
Até os anos 60, o papel-moeda e o dinheiro deposita- Resposta: Letra D. Ao texto: (...) Com o tempo, os
do nos bancos deviam estar ligados a uma quantidade banqueiros se deram conta de que ninguém estava
de ouro num sistema chamado lastro-ouro. Como esse interessado em trocar dinheiro por ouro e criaram ma-
metal é limitado, isso garantia que a produção de dinhei- nobras, como a reserva fracional, para emprestar mui-
ro fosse também limitada. Com o tempo, os banqueiros to mais dinheiro do que realmente tinham em ouro
se deram conta de que ninguém estava interessado em nos cofres.
trocar dinheiro por ouro e criaram manobras, como a re- Em “a”, tornar ilimitada a produção de dinheiro = in-
serva fracional, para emprestar muito mais dinheiro do correta
que realmente tinham em ouro nos cofres. Nas crises, Em “b”, proteger os bens dos clientes de bancos = in-
como em 1929, todos queriam sacar dinheiro para pagar correta
suas contas e os bancos quebravam por falta de fundos, Em “c”, impedir que os bancos fossem à falência =
deixando sem nada as pessoas que acreditavam ter suas incorreta
economias seguramente guardadas. Em “d”, permitir o empréstimo de mais dinheiro =
Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o padrão- correta
-ouro. Desde então, o dinheiro, na forma de cédulas e Em “e”, preservar as economias das pessoas = incor-
principalmente de valores em contas bancárias, já não reta
tendo nenhuma riqueza material para representar, é cria-
do a partir de empréstimos. Quando alguém vai até o 4. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018)
banco e recebe um empréstimo, o valor colocado em A leitura do texto permite a compreensão de que
sua conta é gerado naquele instante, criado a partir de
uma decisão administrativa, e assim entra na economia. a) as dívidas dos clientes são o que sustenta os bancos.
Essa explicação permaneceu controversa e escondida b) todo o dinheiro que os bancos emprestam é imagi-
por muito tempo, mas hoje está clara em um relatório do nário.
Bank of England de 2014. c) quem pede um empréstimo deve a outros clientes.
Praticamente todo o dinheiro que existe no mundo é d) o pagamento de dívidas depende do “livre-mercado”.
criado assim, inventado em canetaços a partir da conces- e) os bancos confiscam os bens dos clientes endividados.
são de empréstimos. O que torna tudo mais estranho e
perverso é que, sobre esse empréstimo, é cobrada uma Resposta: Letra A.
dívida. Então, se eu peço dinheiro ao banco, ele inventa Em “a”, as dívidas dos clientes são o que sustenta os
números em uma tabela com meu nome e pede que eu bancos = correta
devolva uma quantidade maior do que essa. Para pagar Em “b”, todo o dinheiro que os bancos emprestam é
a dívida, preciso ir até o dito “livre-mercado” e trabalhar, imaginário = nem todo
lutar, talvez trapacear, para conseguir o dinheiro que o Em “c”, quem pede um empréstimo deve a outros
banco inventou na conta de outras pessoas. Esse é o di- clientes = deve ao banco, este paga/empresta a ou-
nheiro que vai ser usado para pagar a dívida, já que a tros clientes
única fonte de moeda é o empréstimo bancário. No fim, Em “d”, o pagamento de dívidas depende do “livre-
os bancos acabam com todo o dinheiro que foi inventa- -mercado” = não só: (...) preciso ir até o dito “livre-
do e ainda confiscam os bens da pessoa endividada cujo -mercado” e trabalhar, lutar, talvez trapacear.
dinheiro tomei. Em “e”, os bancos confiscam os bens dos clientes endi-
Assim, o sistema monetário atual funciona com uma vidados = desde que não paguem a dívida
moeda que é ao mesmo tempo escassa e abundante. Es-
cassa porque só banqueiros podem criá-la, e abundante
porque é gerada pela simples manipulação de bancos de
dados. O resultado é uma acumulação de riqueza e po-
der sem precedentes: um mundo onde o patrimônio de
80 pessoas é maior do que o de 3,6 bilhões, e onde o 1%
LÍNGUA PORTUGUESA

mais rico tem mais do que os outros 99% juntos.


[...]
Disponível em https://fagulha.org/artigos/inventan-
do-dinheiro/
Acessado em 20/03/2018

4
5. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEI- nobres, como o ouro e a prata, os signos monetários pas-
RO GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) Observe a charge saram a ser valorizados também pela nobreza dos metais
abaixo, publicada no momento da intervenção nas ati- neles empregados.
vidades de segurança do Rio de Janeiro, em março de Embora a evolução dos tempos tenha levado à substi-
2018. tuição do ouro e da prata por metais menos raros ou
suas ligas, preservou-se, com o passar dos séculos, a as-
sociação dos atributos de beleza e expressão cultural ao
valor monetário das moedas, que quase sempre, na atua-
lidade, apresentam figuras representativas da história, da
cultura, das riquezas e do poder das sociedades.
A necessidade de guardar as moedas em segurança le-
vou ao surgimento dos bancos. Os negociantes de ouro
e prata, por terem cofres e guardas a seu serviço, passa-
ram a aceitar a responsabilidade de cuidar do dinheiro de
seus clientes e a dar recibos escritos das quantias guar-
dadas. Esses recibos passaram, com o tempo, a servir
como meio de pagamento por seus possuidores, por ser
Há uma série de informações implícitas na charge; NÃO mais seguro portá-los do que portar dinheiro vivo. Assim
pode, no entanto, ser inferida da imagem e das frases a surgiram as primeiras cédulas de “papel moeda”, ou cé-
seguinte informação: dulas de banco; concomitantemente ao surgimento das
cédulas, a guarda dos valores em espécie dava origem a
a) a classe social mais alta está envolvida nos crimes co- instituições bancárias.
metidos no Rio; Casa da Moeda do Brasil: 290 anos de História,
b) a tarefa da investigação criminal não está sendo bem- 1694/1984.
-feita;
c) a linguagem do personagem mostra intimidade com Depreende-se do texto que duas características das
o interlocutor; moedas se mantiveram ao longo do tempo: a veiculação
d) a presença do orelhão indica o atraso do local da char- de formas em sua superfície e a associação de seu valor
ge; monetário a atributos como beleza.
e) as imagens dos tanques de guerra denunciam a pre-
sença do Exército. ( ) CERTO ( ) ERRADO

Resposta: Letra D. Resposta: Errado. Depreende-se do texto que duas


características das moedas se mantiveram ao longo do
tempo: a veiculação de formas em sua superfície e a
associação de seu valor monetário a atributos como
beleza = errado (é o inverso).
Texto: (...) a associação dos atributos de beleza e ex-
pressão cultural ao valor monetário das moedas, que
quase sempre, na atualidade, apresentam figuras re-
NÃO pode ser inferida da imagem e das frases a se- presentativas da história, da cultura, das riquezas e do
guinte informação: poder das sociedades.
Em “a”, a classe social mais alta está envolvida nos cri-
mes cometidos no Rio = inferência correta 7. (Câmara de Salvador-BA – Assistente Legislativo
Em “b”, a tarefa da investigação criminal não está sen- Municipal – FGV-2018-adaptada) “Hoje, esse termo
do bem-feita = inferência correta denota, além da agressão física, diversos tipos de impo-
Em “c”, a linguagem do personagem mostra intimida- sição sobre a vida civil, como a repressão política, familiar
de com o interlocutor = inferência correta ou de gênero, ou a censura da fala e do pensamento de
Em “d”, a presença do orelhão indica o atraso do local determinados indivíduos e, ainda, o desgaste causado
da charge = incorreta pelas condições de trabalho e condições econômicas”. A
Em “e”, as imagens dos tanques de guerra denunciam manchete jornalística abaixo que NÃO se enquadra em
a presença do Exército = inferência correta nenhum tipo de violência citado nesse segmento é:

6. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – NÍVEL SUPERIOR – a) Presa por mensagem racista na internet;
LÍNGUA PORTUGUESA

CONHECIMENTOS BÁSICOS – CESPE-2014) b) Vinte pessoas são vítimas da ditadura venezuelana;


c) Apanhou de policiais por destruir caixa eletrônico;
As primeiras moedas, peças representando valores, ge- d) Homossexuais são perseguidos e presos na Rússia;
ralmente em metal, surgiram na Lídia (atual Turquia), no e) Quatro funcionários ficaram livres do trabalho escravo.
século VII a.C. As características que se desejava ressaltar
eram transportadas para as peças por meio da panca- Resposta: Letra C. Em “a”: Presa por mensagem ra-
da de um objeto pesado, em primitivos cunhos. Com o cista na internet = como a repressão política, familiar
surgimento da cunhagem a martelo e o uso de metais ou de gênero

5
Em “b”: Vinte pessoas são vítimas da ditadura vene- Em “d”: punirem-se os responsáveis por excessos.
zuelana = como a repressão política, familiar ou de gê- Em “e”: concluírem-se as investigações sobre a greve.
nero = incorreto
Em “c”: Apanhou de policiais por destruir caixa eletrô- Ao texto: (...) há sempre o risco de excessos, a serem
nico = não consta na Manchete acima devidamente contidos e seus responsáveis, punidos,
Em “d”: Homossexuais são perseguidos e presos na conforme estabelecido na legislação. / É o que precisa
Rússia = como a repressão política, familiar ou de gê- acontecer... = precisa acontecer a punição dos exces-
nero sos.
Em “e”: Quatro funcionários ficaram livres do trabalho
escravo = o desgaste causado pelas condições de tra- 9. (PC-MA – DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – CES-
balho PE-2018)
8. (MPE-AL – ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO – Texto CG1A1AAA
ÁREA JURÍDICA – FGV-2018)
A paz não pode ser garantida apenas pelos acordos
Oportunismo à Direita e à Esquerda
políticos, econômicos ou militares. Cada um de nós, in-
dependentemente de idade, sexo, estrato social, crença
Numa democracia, é livre a expressão, estão garantidos
religiosa etc. é chamado à criação de um mundo pacifica-
o direito de reunião e de greve, entre outros, obedecidas
leis e regras, lastreadas na Constituição. Em um regime do, um mundo sob a égide de uma cultura da paz.
de liberdades, há sempre o risco de excessos, a serem de- Mas, o que significa “cultura da paz”?
vidamente contidos e seus responsáveis, punidos, con- Construir uma cultura da paz envolve dotar as crianças
forme estabelecido na legislação. e os adultos da compreensão de princípios como liber-
É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos cami- dade, justiça, democracia, direitos humanos, tolerância,
nhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo, da igualdade e solidariedade. Implica uma rejeição, indivi-
ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados em dual e coletiva, da violência que tem sido percebida na
se beneficiar do barateamento do combustível. sociedade, em seus mais variados contextos. A cultura da
Sempre há, também, o oportunismo político-ideológico paz tem de procurar soluções que advenham de dentro
para se aproveitar da crise. Inclusive, neste ano de elei- da(s) sociedade(s), que não sejam impostas do exterior.
ção, com o objetivo de obter apoio a candidatos. Não Cabe ressaltar que o conceito de paz pode ser abordado
faltam, também, os arautos do quanto pior, melhor, para em sentido negativo, quando se traduz em um estado
desgastar governantes e reforçar seus projetos de po- de não guerra, em ausência de conflito, em passividade
der, por mais delirantes que sejam. Também aqui vale o e permissividade, sem dinamismo próprio; em síntese,
que está delimitado pelo estado democrático de direito, condenada a um vazio, a uma não existência palpável,
defendido pelos diversos instrumentos institucionais de difícil de se concretizar e de se precisar. Em sua concep-
que conta o Estado – Polícia, Justiça, Ministério Público, ção positiva, a paz não é o contrário da guerra, mas a
Forças Armadas etc. prática da não violência para resolver conflitos, a prática
A greve atravessou vários sinais ao estrangular as vias de do diálogo na relação entre pessoas, a postura democrá-
suprimento que mantêm o sistema produtivo funcionan- tica frente à vida, que pressupõe a dinâmica da coope-
do, do qual depende a sobrevivência física da população. ração planejada e o movimento constante da instalação
Isso não pode ser esquecido e serve de alerta para que as de justiça.
autoridades desenvolvam planos de contingência. Uma cultura de paz exige esforço para modificar o pen-
O Globo, 31/05/2018. samento e a ação das pessoas para que se promova a
paz. Falar de violência e de como ela nos assola deixa
“É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos ca-
de ser, então, a temática principal. Não que ela vá ser
minhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo,
esquecida ou abafada; ela pertence ao nosso dia a dia e
da ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados
em se beneficiar do barateamento do combustível.” Se- temos consciência disso. Porém, o sentido do discurso, a
gundo esse parágrafo do texto, o que “precisa aconte- ideologia que o alimenta, precisa impregná-lo de pala-
cer” é vras e conceitos que anunciem os valores humanos que
decantam a paz, que lhe proclamam e promovem. A vio-
a) manter-se o direito de livre expressão do pensamento. lência já é bastante denunciada, e quanto mais falamos
b) garantir-se o direito de reunião e de greve. dela, mais lembramos de sua existência em nosso meio
c) lastrear leis e regras na Constituição. social. É hora de começarmos a convocar a presença da
d) punirem-se os responsáveis por excessos. paz em nós, entre nós, entre nações, entre povos.
Um dos primeiros passos nesse sentido refere-se à ges-
LÍNGUA PORTUGUESA

e) concluírem-se as investigações sobre a greve.


tão de conflitos. Ou seja, prevenir os conflitos potencial-
Resposta: Letra D. Em “a”: manter-se o direito de livre mente violentos e reconstruir a paz e a confiança en-
expressão do pensamento. = incorreto tre pessoas originárias de situação de guerra é um dos
Em “b”: garantir-se o direito de reunião e de greve. = exemplos mais comuns a serem considerados. Tal missão
incorreto estende-se às escolas, instituições públicas e outros lo-
Em “c”: lastrear leis e regras na Constituição. = incor- cais de trabalho por todo o mundo, bem como aos par-
reto lamentos e centros de comunicação e associações.

6
Outro passo é tentar erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades, lutando para atingir um desenvolvimento susten-
tado e o respeito pelos direitos humanos, reforçando as instituições democráticas, promovendo a liberdade de expres-
são, preservando a diversidade cultural e o ambiente.
É, então, no entrelaçamento “paz — desenvolvimento — direitos humanos — democracia” que podemos vislumbrar a
educação para a paz.
Leila Dupret. Cultura de paz e ações sócio-educativas: desafios para a escola contemporânea. In: Psicol. Esc. Educ.
(Impr.) v. 6, n.º 1. Campinas, jun./2002 (com adaptações).

De acordo com o texto CG1A1AAA, os elementos “gestão de conflitos” e “erradicar a pobreza” devem ser concebidos
como

a) obstáculos para a construção da cultura da paz.


b) dispensáveis para a construção da cultura da paz.
c) irrelevantes na construção da cultura da paz.
d) etapas para a construção da cultura da paz.
e) consequências da construção da cultura da paz.

Resposta: Letra D. Em “a”: obstáculos para a construção da cultura da paz. = incorreto


Em “b”: dispensáveis para a construção da cultura da paz. = incorreto
Em “c”: irrelevantes na construção da cultura da paz. = incorreto
Em “d”: etapas para a construção da cultura da paz.
Em “e”: consequências da construção da cultura da paz. = incorreto
Ao texto: Um dos primeiros passos nesse sentido refere-se à gestão de conflitos. (...) Outro passo é tentar erradicar a
pobreza e reduzir as desigualdades = etapas para construção da paz.

10. (PC-SP - PAPILOSCOPISTA POLICIAL – VUNESP-2013) Leia o cartum de Jean Galvão

(https://www.facebook.com/jeangalvao.cartunista)

Considerando a relação entre a fala do personagem e a imagem visual, pode-se concluir que o que o leva a pular a
onda é a necessidade de

a) demonstrar respeito às religiões.


b) realizar um ritual místico.
c) divertir-se com os amigos.
d) preservar uma tradição familiar.
e) esquivar-se da sujeira da água.

Resposta: Letra E. Em “a”: demonstrar respeito às religiões. = incorreto


LÍNGUA PORTUGUESA

Em “b”: realizar um ritual místico. = incorreto


Em “c”: divertir-se com os amigos. = incorreto
Em “d”: preservar uma tradição familiar. = incorreto
Em “e”: esquivar-se da sujeira da água.
O personagem pula a onda para que não seja atingido pelo lixo que se encontra no mar.

7
11. (PM-SP - SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR – VUNESP-2015) Leia a tira.

(Folha de S.Paulo, 02.10.2015. Adaptado)

Com sua fala, a personagem revela que

a) a violência era comum no passado.


b) as pessoas lutam contra a violência.
c) a violência está banalizada.
d) o preço que pagou pela violência foi alto.

Resposta: Letra C. Em “a”: a violência era comum no passado. = incorreto


Em “b”: as pessoas lutam contra a violência. = incorreto
Em “c”: a violência está banalizada.
Em “d”: o preço que pagou pela violência foi alto. = incorreto
Infelizmente, a personagem revela que a violência está banalizada, nem há mais “punições” para os agressivos.

12. (PM-SP - ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR [INTERIOR] – VUNESP-2017) Leia a charge.

(Pancho. www.gazetadopovo.com.br)
É correto associar o humor da charge ao fato de que

a) os personagens têm uma autoestima elevada e são otimistas, mesmo vivendo em uma situação de completo confi-
namento.
b) os dois personagens estão muito bem informados sobre a economia, o que não condiz com a imagem de criminosos.
c) o valor dos cosméticos afetará diretamente a vida dos personagens, pois eles demonstram preocupação com a
aparência.
d) o aumento dos preços de cosméticos não surpreende os personagens, que estão acostumados a pagar caro por eles
nos presídios.
e) os preços de cosméticos não deveriam ser relevantes para os personagens, dada a condição em que se encontram.

Resposta: Letra E. Em “a”: os personagens têm uma autoestima elevada e são otimistas, mesmo vivendo em uma
situação de completo confinamento. = incorreto
Em “b”: os dois personagens estão muito bem informados sobre a economia, o que não condiz com a imagem de
LÍNGUA PORTUGUESA

criminosos. = incorreto
Em “c”: o valor dos cosméticos afetará diretamente a vida dos personagens, pois eles demonstram preocupação com
a aparência. = incorreto
Em “d”: o aumento dos preços de cosméticos não surpreende os personagens, que estão acostumados a pagar caro
por eles nos presídios. = incorreto
Em “e”: os preços de cosméticos não deveriam ser relevantes para os personagens, dada a condição em que se
encontram.

8
Pela condição em que as personagens se encontram, o O humor da tira é conseguido através de uma quebra de
aumento no preço dos cosméticos não os afeta. expectativa, que é:

13. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUS- a) o fato de um adulto colecionar figurinhas;
TIÇA AVALIADOR – FGV-2018) b) as figurinhas serem de temas sociais e não esportivos;
c) a falta de muitas figurinhas no álbum;
Texto 1 – Além do celular e da carteira, cuidado com d) a reclamação ser apresentada pelo pai e não pelo filho;
as figurinhas da Copa e) uma criança ajudar a um adulto e não o contrário.
Gilberto Porcidônio – O Globo, 12/04/2018
Resposta: Letra B. Em “a”: o fato de um adulto cole-
A febre do troca-troca de figurinhas pode estar atingindo cionar figurinhas; = incorreto
uma temperatura muito alta. Preocupados que os mais Em “b”: as figurinhas serem de temas sociais e não
afoitos pelos cromos possam até roubá-los, muitos jor- esportivos;
naleiros estão levando seus estoques para casa quando Em “c”: a falta de muitas figurinhas no álbum; = incor-
termina o expediente. Pode parecer piada, mas há até reto
boatos sobre quadrilhas de roubo de figurinha espalha- Em “d”: a reclamação ser apresentada pelo pai e não
dos por mensagens de celular. pelo filho; = incorreto
Sobre a estrutura do título dado ao texto 1, a afirmativa Em “e”: uma criança ajudar a um adulto e não o con-
adequada é: trário. = incorreto
O humor está no fato de o álbum ser sobre um tema
a) as figurinhas da Copa passaram a ocupar o lugar do incomum: assuntos sociais.
celular e da carteira nos roubos urbanos;
b) as figurinhas da Copa se somaram ao celular e à car- 15. (TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FGV-2018) Obser-
teira como alvo de desejo dos assaltantes; ve a charge abaixo.
c) o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros que
vendem as figurinhas da Copa;
d) os ladrões passaram a roubar as figurinhas da Copa
nas bancas de jornais;
e) as figurinhas da Copa se transformaram no alvo prin-
cipal dos ladrões.

Resposta: Letra B. Em “a”: as figurinhas da Copa


passaram a ocupar o lugar do celular e da carteira nos
roubos urbanos; = incorreto
Em “b”: as figurinhas da Copa se somaram ao celular e
à carteira como alvo de desejo dos assaltantes;
Em “c”: o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros
que vendem as figurinhas da Copa; = incorreto
Em “d”: os ladrões passaram a roubar as figurinhas da
Copa nas bancas de jornais; = incorreto
Em “e”: as figurinhas da Copa se transformaram no
alvo principal dos ladrões. = incorreto
O título do texto já nos dá a resposta: além do celular
e da carteira, ou seja, as figurinhas da Copa também
passaram a ser alvo dos assaltantes.
No caso da charge, a crítica feita à internet é:
14. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUS-
TIÇA AVALIADOR – FGV-2018) a) a criação de uma dependência tecnológica excessiva;
b) a falta de exercícios físicos nas crianças;
c) o risco de contatos perigosos;
d) o abandono dos estudos regulares;
e) a falta de contato entre membros da família.

Resposta: Letra A. Em “a”: a criação de uma depen-


dência tecnológica excessiva;
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “b”: a falta de exercícios físicos nas crianças; = in-


correto
Em “c”: o risco de contatos perigosos; = incorreto
Em “d”: o abandono dos estudos regulares; = incorreto
Em “e”: a falta de contato entre membros da família. =
incorreto
Através da fala do garoto chegamos à resposta: de-
pendência tecnológica - expressa em sua fala.

9
16. (TJ-SC – ANALISTA ADMINISTRATIVO – FGV- Resposta: Letra D. As imagens mostram um con-
2018) Observe a charge a seguir: traste entre o desenvolvimento do computador e do
homem; enquanto aquele vai se tornando mais “fino,
elegante”, este fica sedentário, engorda. A palavra
“antitética” significa “oposta, oposição”.

18. (TRF-2.ª REGIÃO – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA


ADMINISTRATIVA – CONSULPLAN-2017)

A charge acima é uma homenagem a Stephen Hawking,


destacando o fato de o cientista:

a) ter alcançado o céu após sua morte;


b) mostrar determinação no combate à doença;
c) ser comparado a cientistas famosos;
d) ser reconhecido como uma mente brilhante;
e) localizar seus interesses nos estudos de Física.

Resposta: Letra D. Em “a”: ter alcançado o céu após A produção da obra acima, Os Retirantes (1944), foi rea-
sua morte; = incorreto lizada seis anos depois da publicação do romance Vidas
Em “b”: mostrar determinação no combate à doença; Secas. Nessa obra, ao abordar a miséria e a seca clara-
= incorreto mente vistas através da representação de uma família de
Em “c”: ser comparado a cientistas famosos; = incor- retirantes, Cândido Portinari
reto
Em “d”: ser reconhecido como uma mente brilhante; a) apresenta uma temática, assim como a descrição dos
Em “e”: localizar seus interesses nos estudos de Física. personagens e do ambiente, de forma sutil e dinâmica.
= incorreto b) permite visualizar a degradação da figura humana e
Usemos a fala de Einstein: “a mente brilhante que es- o retrato da figura da morte afugentada pelos perso-
távamos esperando”. nagens.
c) apresenta elementos físicos presentes no cotidiano
17. (TJ-PE – ANALISTA JUDICIÁRIO – FUNÇÃO ADMI- dos retirantes vítimas da seca e aspectos relacionados
NISTRATIVA – IBFC-2017) à desigualdade social.
d) utiliza a linguagem não verbal com o objetivo de cons-
Texto II truir uma imagem cuja ênfase mística se opõe aos fa-
tos da realidade observável.

Resposta: Letra C. Em “a”: apresenta uma temática,


assim como a descrição dos personagens e do am-
biente, de forma sutil e dinâmica.
Em “b”: permite visualizar a degradação da figura hu-
mana e o retrato da figura da morte afugentada pelos
personagens.
Em “c”: apresenta elementos físicos presentes no co-
A observação dos elementos não verbais do texto é res- tidiano dos retirantes vítimas da seca e aspectos rela-
ponsável pelo entendimento do humor sugerido. Nesse cionados à desigualdade social.
sentido, a evolução do homem e do computador, através Em “d”: utiliza a linguagem não verbal com o objetivo
LÍNGUA PORTUGUESA

de tais elementos, deve ser entendida como: de construir uma imagem cuja ênfase mística se opõe
aos fatos da realidade observável.
a) complementar. A obra retrata, de forma nada sutil, os elementos físi-
b) semelhante. cos de uma família vítima da seca.
c) conflitante.
d) antitética.
e) idealizada.

10
revelados por uma carga ideológica constituída de
RECONHECIMENTO DE TIPOS E GÊNEROS argumentos e contra-argumentos que justificam
a posição assumida acerca de um determinado
TEXTUAIS.
assunto: A mulher do mundo contemporâneo
luta cada vez mais para conquistar seu espaço no
mercado de trabalho, o que significa que os gêneros
TIPOLOGIA E GÊNERO TEXTUAL estão em complementação, não em disputa.

A todo o momento nos deparamos com vários GÊNEROS TEXTUAIS


textos, sejam eles verbais ou não verbais. Em todos
São os textos materializados que encontramos em
há a presença do discurso, isto é, a ideia intrínseca, a
nosso cotidiano; tais textos apresentam características sócio-
essência daquilo que está sendo transmitido entre
comunicativas definidas por seu estilo, função, composição,
os interlocutores. Estes interlocutores são as peças conteúdo e canal. Como exemplos, temos: receita culinária,
principais em um diálogo ou em um texto escrito. e-mail, reportagem, monografia, poema, editorial, piada,
É de fundamental importância sabermos classificar debate, agenda, inquérito policial, fórum, blog, etc.
os textos com os quais travamos convivência no nosso A escolha de um determinado gênero discursivo
dia a dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos depende, em grande parte, da situação de produção,
textuais e gêneros textuais. ou seja, a finalidade do texto a ser produzido, quem são
Comumente relatamos sobre um acontecimento, os locutores e os interlocutores, o meio disponível para
um fato presenciado ou ocorrido conosco, expomos veicular o texto, etc.
nossa opinião sobre determinado assunto, descrevemos Os gêneros discursivos geralmente estão ligados
algum lugar que visitamos, fazemos um retrato a esferas de circulação. Assim, na esfera jornalística, por
verbal sobre alguém que acabamos de conhecer ou exemplo, são comuns gêneros como notícias, reportagens,
ver. É exatamente nessas situações corriqueiras que editoriais, entrevistas e outros; na esfera de divulgação
classificamos os nossos textos naquela tradicional científica são comuns gêneros como verbete de dicionário
tipologia: Narração, Descrição e Dissertação. ou de enciclopédia, artigo ou ensaio científico, seminário,
conferência.
As tipologias textuais se caracterizam pelos
aspectos de ordem linguística REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto
Os tipos textuais designam uma sequência definida Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. –
pela natureza linguística de sua composição. São São Paulo: Saraiva, 2010.
observados aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, Português – Literatura, Produção de Textos &
relações logicas. Os tipos textuais são o narrativo, descritivo, Gramática – volume único / Samira Yousseff Campedelli,
argumentativo/dissertativo, injuntivo e expositivo. Jésus Barbosa Souza. – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
A) Textos narrativos – constituem-se de verbos de
ação demarcados no tempo do universo narrado, SITE
como também de advérbios, como é o caso de http://www.brasilescola.com/redacao/tipologia-
antes, agora, depois, entre outros: Ela entrava em textual.htm
seu carro quando ele apareceu. Depois de muita
conversa, resolveram...
B) Textos descritivos – como o próprio nome indica,
descrevem características tanto físicas quanto EXERCÍCIOS COMENTADOS
psicológicas acerca de um determinado indivíduo
ou objeto. Os tempos verbais aparecem demarcados
1. (TJ-DFT – CONHECIMENTOS BÁSICOS – TÉCNICO
no presente ou no pretérito imperfeito: “Tinha os
cabelos mais negros como a asa da graúna...” JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA – CESPE –
C) Textos expositivos – Têm por finalidade explicar 2015)
um assunto ou uma determinada situação que se
almeje desenvolvê-la, enfatizando acerca das razões Ouro em Fios
de ela acontecer, como em: O cadastramento irá se
prorrogar até o dia 02 de dezembro, portanto, não se A natureza é capaz de produzir materiais preciosos,
esqueça de fazê-lo, sob pena de perder o benefício. como o ouro e o cobre - condutor de ENERGIA ELÉTRICA.
D) Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de uma O ouro já é escasso. A energia elétrica caminha para isso.
LÍNGUA PORTUGUESA

modalidade na qual as ações são prescritas de forma Enquanto cientistas e governos buscam novas fontes de
sequencial, utilizando-se de verbos expressos no energia sustentáveis, faça sua parte aqui no TJDFT:
imperativo, infinitivo ou futuro do presente: Misture - Desligue as luzes nos ambientes onde é possível
todos os ingrediente e bata no liquidificador até criar usar a iluminação natural.
uma massa homogênea. - Feche as janelas ao ligar o ar-condicionado.
E) Textos argumentativos (dissertativo) – Demarcam- - Sempre desligue os aparelhos elétricos ao sair do
se pelo predomínio de operadores argumentativos, ambiente.
- Utilize o computador no modo espera.

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Fique ligado! Evite desperdícios. 2. (INSS – TÉCNICO DO SEGURO SOCIAL – CESPE –
Energia elétrica. 2008) O gênero textual apresentado permite o emprego
A natureza cobra o preço do desperdício. da linguagem coloquial, como ocorre, por exemplo, em
Internet: <www.tjdft.jus.br> (com adaptações) “Qualquer um, não sendo irremediavelmente burro” e “um
tijolo de burrice”.
Há no texto elementos característicos das tipologias ex-
positiva e injuntiva. ( ) CERTO ( ) ERRADO

( ) CERTO ( ) ERRADO O gênero é a crônica, conta fatos do dia a dia de ma-


neira descontraída, o que permite a utilização de uma
Texto injuntivo – ou instrucional – é aquele que passa linguagem mais próxima do leitor; a informalidade.
instruções ao leitor. O texto acima apresenta tal ca- GABARITO OFICIAL: CERTO
racterística.
GABARITO OFICIAL: Certo

DOMÍNIO DA ORTOGRAFIA OFICIAL.


Leia o texto a seguir e responda à questão..

Como nasce uma história


(fragmento) Ortografia

Quando cheguei ao edifício, tomei o elevador que A ortografia é a parte da Fonologia que trata da cor-
serve do primeiro ao décimo quarto andar. Era pelo reta grafia das palavras. É ela quem ordena qual som
menos o que dizia a tabuleta no alto da porta. devem ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma
— Sétimo — pedi. língua são grafados segundo acordos ortográficos.
A porta se fechou e começamos a subir. Minha A maneira mais simples, prática e objetiva de apren-
atenção se fixou num aviso que dizia: der ortografia é realizar muitos exercícios, ver as palavras,
É expressamente proibido os funcionários, no ato da familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras
subida, utilizarem os elevadores para descerem. é necessário, mas não basta, pois há inúmeras exceções
Desde o meu tempo de ginásio sei que se trata e, em alguns casos, há necessidade de conhecimento de
de problema complicado, este do infinito pessoal. etimologia (origem da palavra).
Prevaleciam então duas regras mestras que deveriam ser
rigorosamente obedecidas. Uma afirmava que o sujeito, 1. Regras ortográficas
sendo o mesmo, impedia que o verbo se flexionasse. Da
outra infelizmente já não me lembrava. A) O fonema S
Mas não foi o emprego pouco castiço do infinito São escritas com S e não C/Ç
pessoal que me intrigou no tal aviso: foi estar ele  Palavras substantivadas derivadas de verbos com
concebido de maneira chocante aos delicados ouvidos radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent: pretender
de um escritor que se preza. - pretensão / expandir - expansão / ascender - as-
Qualquer um, não sendo irremediavelmente burro, censão / inverter - inversão / aspergir - aspersão /
entenderia o que se pretende dizer neste aviso. Pois um submergir - submersão / divertir - diversão / im-
tijolo de burrice me baixou na compreensão, fazendo com pelir - impulsivo / compelir - compulsório / repelir
que eu ficasse revirando a frase na cabeça: descerem, no - repulsa / recorrer - recurso / discorrer - discurso /
ato da subida? Que quer dizer isto? E buscava uma forma sentir - sensível / consentir – consensual.
simples e correta de formular a proibição:
É proibido subir para depois descer. São escritos com SS e não C e Ç
É proibido subir no elevador com intenção de descer.  Nomes derivados dos verbos cujos radicais ter-
É proibido ficar no elevador com intenção de descer, minem em gred, ced, prim ou com verbos ter-
quando ele estiver subindo. minados por tir ou - meter: agredir - agressivo /
Se quiser descer, não tome o elevador que esteja imprimir - impressão / admitir - admissão / ceder
subindo. - cessão / exceder - excesso / percutir - percussão /
Mais simples ainda: regredir - regressão / oprimir - opressão / compro-
Se quiser descer, só tome o elevador que estiver meter - compromisso / submeter – submissão.
descendo.  Quando o prefixo termina com vogal que se junta
De tanta simplicidade, atingi a síntese perfeita do que
LÍNGUA PORTUGUESA

com a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simé-


Nelson Rodrigues chamava de óbvio ululante, ou seja, a trico - assimétrico / re + surgir – ressurgir.
enunciação de algo que não quer dizer absolutamente  No pretérito imperfeito simples do subjuntivo.
nada: Se quiser descer, não suba. Exemplos: ficasse, falasse.
Fernando Sabino. A volta por cima. Rio de Janeiro:
Record, São escritos com C ou Ç e não S e SS
1995, p. 137-140. (Com adaptações.)  Vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açú-
car.

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 Vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: São escritas com J e não G
cipó, Juçara, caçula, cachaça, cacique.  Palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.
 Sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça,  Palavras de origem árabe, africana ou exótica:
uçu, uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, car- jiboia, manjerona.
niça, caniço, esperança, carapuça, dentuço.  Palavras terminadas com aje: ultraje.
 Nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção
/ deter - detenção / ater - atenção / reter – retenção. D) O fonema ch
 Após ditongos: foice, coice, traição. São escritas com X e não CH
 Palavras derivadas de outras terminadas em -te,  Palavras de origem tupi, africana ou exótica: aba-
to(r): marte - marciano / infrator - infração / ab- caxi, xucro.
sorto – absorção.  Palavras de origem inglesa e espanhola: xampu,
lagartixa.
B) O fonema z  Depois de ditongo: frouxo, feixe.
São escritos com S e não Z  Depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval.
 Sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é Exceção: quando a palavra de origem não derive de
substantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárqui- outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
cos: freguês, freguesa, freguesia, poetisa, baronesa,
princesa. São escritas com CH e não X
 Sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, me-  Palavras de origem estrangeira: chave, chumbo,
tamorfose. chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, sal-
 Formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, sicha.
quis, quiseste.
 Nomes derivados de verbos com radicais termi- E) As letras “e” e “i”
nados em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão /  Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem.
empreender - empresa / difundir – difusão. Com “i”, só o ditongo interno cãibra.
 Diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís  Verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar
- Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho. são escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue. Es-
 Após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa. crevemos com “i”, os verbos com infinitivo em
 Verbos derivados de nomes cujo radical termina -air, -oer e -uir: trai, dói, possui, contribui.
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar
– pesquisar.
FIQUE ATENTO!
São escritos com Z e não S
 Sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de Há palavras que mudam de sentido quan-
adjetivo: macio - maciez / rico – riqueza / belo – do substituímos a grafia “e” pela grafia “i”:
beleza. área (superfície), ária (melodia) / delatar
Sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de ori- (denunciar), dilatar (expandir) / emergir
gem não termine com s): final - finalizar / concreto (vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de
– concretizar. estância, que anda a pé), pião (brinquedo).
 Consoante de ligação se o radical não terminar
com “s”: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal
Exceção: lápis + inho – lapisinho.
#FicaDica
C) O fonema j
Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto
São escritas com G e não J
à ortografia de uma palavra, há a possibili-
 Palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa,
dade de consultar o Vocabulário Ortográfi-
gesso.
 Estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, co da Língua Portuguesa (VOLP), elaborado
gim. pela Academia Brasileira de Letras. É uma
 Terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com obra de referência até mesmo para a criação
poucas exceções): imagem, vertigem, penugem, de dicionários, pois traz a grafia atualizada
bege, foge. das palavras (sem o significado). Na Internet,
 o endereço é www.academia.org.br.
Exceção: pajem.
LÍNGUA PORTUGUESA

 Terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio, 2. Informações importantes


litígio, relógio, refúgio.
 Verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fu- Formas variantes são as que admitem grafias ou pro-
gir, mugir. núncias diferentes para palavras com a mesma significa-
 Depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, ção: aluguel/aluguer, assobiar/assoviar, catorze/quatorze,
surgir. dependurar/pendurar, flecha/frecha, germe/gérmen, in-
 Depois da letra “a”, desde que não seja radical ter- farto/enfarte, louro/loiro, percentagem/porcentagem, re-
minado com j: ágil, agente. lampejar/relampear/relampar/relampadar.

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Os símbolos das unidades de medida são escritos Aonde = equivale a “para onde”. É usado com verbos
sem ponto, com letra minúscula e sem “s” para indicar que expressam movimento = Aonde você vai?
plural, sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg,
20km, 120km/h. 3. MAU / MAL

Exceção para litro (L): 2 L, 150 L. Mau = é um adjetivo, antônimo de “bom”. Usa-se
como qualificação = O mau tempo passou. / Ele é um
Na indicação de horas, minutos e segundos, não mau elemento.
deve haver espaço entre o algarismo e o símbolo: 14h,
22h30min, 14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três mi- Mal = pode ser usado como
nutos e trinta e quatro segundos). 1. conjunção temporal, equivalente a “assim que”,
O símbolo do real antecede o número sem espaço: “logo que”, “quando” = Mal se levantou, já saiu.
R$1.000,00. No cifrão deve ser utilizada apenas uma bar- 2. advérbio de modo (antônimo de “bem”) = Você foi
ra vertical ($). mal na prova?
3. substantivo, podendo estar precedido de artigo ou
ALGUNS USOS ORTOGRÁFICOS ESPECIAIS pronome = Há males que vêm pra bem! / O mal
não compensa.
1. Por que / por quê / porquê / porque
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
POR QUE (separado e sem acento)
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
É usado em:
1. interrogações diretas (longe do ponto de interro- Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
gação) = Por que você não veio ontem? reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
2. interrogações indiretas, nas quais o “que” equivale Paulo: Saraiva, 2010.
a “qual razão” ou “qual motivo” = Perguntei-lhe por Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
que faltara à aula ontem. ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
3. equivalências a “pelo(a) qual” / “pelos(as) quais” = CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Ignoro o motivo por que ele se demitiu. Produção de Textos & Gramática. Volume único / Samira
Yousseff, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São Paulo:
POR QUÊ (separado e com acento) Saraiva, 2002.

Usos: SITE
1. como pronome interrogativo, quando colocado no http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/
fim da frase (perto do ponto de interrogação) = ortografia
Você faltou. Por quê?
2. quando isolado, em uma frase interrogativa = Por
quê? 4. Hífen

PORQUE (uma só palavra, sem acento gráfico) O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado
para ligar os elementos de palavras compostas (como
Usos: ex-presidente, por exemplo) e para unir pronomes áto-
1. como conjunção coordenativa explicativa (equivale nos a verbos (ofereceram-me; vê-lo-ei). Serve igualmente
a “pois”, “porquanto”), precedida de pausa na escri- para fazer a translineação de palavras, isto é, no fim de
ta (pode ser vírgula, ponto-e-vírgula e até ponto uma linha, separar uma palavra em duas partes (ca-/sa;
final) = Compre agora, porque há poucas peças. compa-/nheiro).
2. como conjunção subordinativa causal, substituível
por “pela causa”, “razão de que” = Você perdeu por- A) Uso do hífen que continua depois da Reforma
que se antecipou. Ortográfica:

PORQUÊ (uma só palavra, com acento gráfico) 1. Em palavras compostas por justaposição que for-
mam uma unidade semântica, ou seja, nos termos
Usos: que se unem para formam um novo significado:
1. como substantivo, com o sentido de “causa”, “ra- tio-avô, porto-alegrense, luso-brasileiro, tenente-
zão” ou “motivo”, admitindo pluralização (porquês). Ge- -coronel, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva,
LÍNGUA PORTUGUESA

ralmente é precedido por artigo = Não sei o porquê da arco-íris, primeiro-ministro, azul-escuro.
discussão. É uma pessoa cheia de porquês. 2. Em palavras compostas por espécies botânicas e
zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer,
2. ONDE / AONDE abóbora-menina, erva-doce, feijão-verde.
3. Nos compostos com elementos além, aquém, re-
Onde = empregado com verbos que não expressam cém e sem: além-mar, recém-nascido, sem-núme-
a ideia de movimento = Onde você está? ro, recém-casado.

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4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas al- 4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando
gumas exceções continuam por já estarem con- o segundo elemento começar com “o”: cooperação,
sagradas pelo uso: cor-de-rosa, arco-da-velha, coobrigação, coordenar, coocupante, coautor, coedi-
mais-que-perfeito, pé-de-meia, água-de-colônia, ção, coexistir, etc.
queima-roupa, deus-dará. 5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram no-
5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte ção de composição: pontapé, girassol, paraquedas,
Rio-Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas paraquedista, etc.
combinações históricas ou ocasionais: Áustria- 6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”: ben-
-Hungria, Angola-Brasil, etc. feito, benquerer, benquerido, etc.
6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e su-
per- quando associados com outro termo que é Os prefixos pós, pré e pró, em suas formas correspon-
iniciado por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super- dentes átonas, aglutinam-se com o elemento seguinte,
-racional, etc. não havendo hífen: pospor, predeterminar, predetermina-
7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-di- do, pressuposto, propor.
retor, ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito. Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccio-
so, auto-observação, contra-ataque, semi-interno, sobre-
-humano, super-realista, alto-mar.
8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-:
Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma,
pré-natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação,
antisséptico, antissocial, contrarreforma, minirrestaurante,
etc.
ultrassom, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus,
9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se,
autoajuda, autoelogio, autoestima, radiotáxi.
abraça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc.
10. Nas formações em que o prefixo tem como se- REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
gundo termo uma palavra iniciada por “h”: sub-he- SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
pático, geo-história, neo-helênico, extra-humano, Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
semi-hospitalar, super-homem.
11. Nas formações em que o prefixo ou pseudopre- SITE
fixo termina com a mesma vogal do segundo ele- http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/
mento: micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, au- ortografia
to-observação, etc.

O hífen é suprimido quando para formar outros ter-


mos: reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar. EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (Polícia Federal – Escrivão de Polícia Federal – Ces-


#FicaDica pe – 2013 – adaptada)
Lembrete da Zê!
A fim de solucionar o litígio, atos sucessivos e concatena-
Ao separar palavras na translineação (mu-
dos são praticados pelo escrivão. Entre eles, estão os atos
dança de linha), caso a última palavra a ser
de comunicação, os quais são indispensáveis para que
escrita seja formada por hífen, repita-o na
os sujeitos do processo tomem conhecimento dos atos
próxima linha. Exemplo: escreverei anti-in-
acontecidos no correr do procedimento e se habilitem a
flamatório e, ao final, coube apenas “anti-”.
exercer os direitos que lhes cabem e a suportar os ônus
Na próxima linha escreverei: “-inflamatório”
que a lei lhes impõe.
(hífen em ambas as linhas). Devido à diagra-
Disponível em: <http://jus.com.br> (com adaptações).
mação, pode ser que a repetição do hífen na
translineação não ocorra em meus conteú-
No que se refere ao texto acima, julgue os itens seguin-
dos, mas saiba que a regra é esta!
tes.
Não haveria prejuízo para a correção gramatical do texto
B) Não se emprega o hífen: nem para seu sentido caso o trecho “A fim de solucionar
1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo o litígio” fosse substituído por Afim de dar solução à de-
termina em vogal e o segundo termo inicia-se em manda e o trecho “tomem conhecimento dos atos acon-
“r” ou “s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas tecidos no correr do procedimento” fosse, por sua vez,
consoantes: antirreligioso, contrarregra, infrassom, substituído por conheçam os atos havidos no transcurso
microssistema, minissaia, microrradiografia, etc. do acontecimento.
LÍNGUA PORTUGUESA

2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudopre-


fixo termina em vogal e o segundo termo inicia-se ( ) CERTO ( ) ERRADO
com vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coedu-
cação, autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétri- Resposta: Errado. “A fim” tem o sentido de “com a
co, plurianual, autoescola, infraestrutura, etc. intenção de”; já “afim”, “semelhança, afinidade”. Se a
3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos primeira substituição fosse feita, o trecho estaria in-
“dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o “h” correto gramatical e coerentemente. Portanto, nem há
inicial: desumano, inábil, desabilitar, etc. a necessidade de avaliar a segunda substituição.

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Acentuação Gráfica i, is: táxi – lápis – júri
us, um, uns: vírus – álbuns – fórum
Quanto à acentuação, observamos que algumas pa- l, n, r, x, ps: automóvel – elétron - cadáver – tórax –
lavras têm acento gráfico e outras não; na pronúncia, ora fórceps
se dá maior intensidade sonora a uma sílaba, ora a outra. ã, ãs, ão, ãos: ímã – ímãs – órfão – órgãos
Por isso, vamos às regras! ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou
não de “s”: água – pônei – mágoa – memória
1. Regras básicas

A acentuação tônica está relacionada à intensida- #FicaDica


de com que são pronunciadas as sílabas das palavras.
Aquela que se dá de forma mais acentuada, conceitua-se Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que
como sílaba tônica. As demais, como são pronunciadas esta palavra apresenta as terminações das
com menos intensidade, são denominadas de átonas. paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U
De acordo com a tonicidade, as palavras são classifi- (aqui inclua UM = fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim
cadas como: ficará mais fácil a memorização!

Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre


a última sílaba: café – coração – Belém – atum – caju –
papel C) Proparoxítona: a palavra é proparoxítona quan-
Paroxítonas – a sílaba tônica recai na penúltima síla- do a sua antepenúltima sílaba é tônica (mais forte).
ba: útil – tórax – táxi – leque – sapato – passível Quanto à regra de acentuação: todas as proparoxí-
Proparoxítonas - a sílaba tônica está na antepenúlti- tonas são acentuadas, independentemente de sua
ma sílaba: lâmpada – câmara – tímpano – médico – ônibus terminação: árvore, paralelepípedo, cárcere.

Há vocábulos que possuem uma sílaba somente: são 2.2 Regras especiais
os chamados monossílabos. Estes são acentuados quan-
do tônicos e terminados em “a”, “e” ou “o”: vá – fé – pó Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
- ré. abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento
de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em
2 Os acentos palavras paroxítonas.

A) acento agudo (´) – Colocado sobre as letras “a”


e “i”, “u” e “e” do grupo “em” - indica que estas FIQUE ATENTO!
letras representam as vogais tônicas de palavras Cuidado: Se os ditongos abertos estiverem
como pá, caí, público. Sobre as letras “e” e “o” indi- em uma palavra oxítona (herói) ou monos-
ca, além da tonicidade, timbre aberto: herói – céu sílaba (céu) ainda são acentuados: dói, es-
(ditongos abertos). carcéu.
B) acento circunflexo – (^) Colocado sobre as letras
“a”, “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fe-
chado: tâmara – Atlântico – pêsames – supôs.
C) acento grave – (`) Indica a fusão da preposição “a” Antes Agora
com artigos e pronomes: à – às – àquelas – àqueles assembléia assembleia
D) trema (¨) – De acordo com a nova regra, foi total-
mente abolido das palavras. Há uma exceção: é idéia ideia
utilizado em palavras derivadas de nomes próprios geléia geleia
estrangeiros: mülleriano (de Müller)
jibóia jiboia
E) til – (~) Indica que as letras “a” e “o” representam
vogais nasais: oração – melão – órgão – ímã apóia (verbo apoiar) apoia
paranóico paranoico
2.1 Regras fundamentais
2.3 Acento Diferencial
A) Palavras oxítonas: acentuam-se todas as oxítonas
terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não do
Representam os acentos gráficos que, pelas regras de
plural(s): Pará – café(s) – cipó(s) – Belém.
acentuação, não se justificariam, mas são utilizados para
LÍNGUA PORTUGUESA

Esta regra também é aplicada aos seguintes casos:


diferenciar classes gramaticais entre determinadas pala-
Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, se-
vras e/ou tempos verbais. Por exemplo:
guidos ou não de “s”: pá – pé – dó – há
Pôr (verbo) X por (preposição) / pôde (pretérito per-
Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos,
seguidas de lo, la, los, las: respeitá-lo, recebê-lo, compô-lo feito do Indicativo do verbo “poder”) X pode (presente do
Indicativo do mesmo verbo).
B) Paroxítonas: acentuam-se as palavras paroxítonas Se analisarmos o “pôr” - pela regra das monossílabas:
terminadas em: terminada em “o” seguida de “r” não deve ser acentuada,

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mas nesse caso, devido ao acento diferencial, acentua-se, Repare:
para que saibamos se se trata de um verbo ou preposi- O menino crê em você. / Os meninos creem em você.
ção. Elza lê bem! / Todas leem bem!
Os demais casos de acento diferencial não são mais Espero que ele dê o recado à sala. / Esperamos que os
utilizados: para (verbo), para (preposição), pelo (substanti- garotos deem o recado!
vo), pelo (preposição). Seus significados e classes grama- Rubens vê tudo! / Eles veem tudo!
ticais são definidos pelo contexto. Cuidado! Há o verbo vir: Ele vem à tarde! / Eles vêm
Polícia para o trânsito para que se realize a operação à tarde!
planejada. = o primeiro “para” é verbo; o segundo, con-
junção (com relação de finalidade). As formas verbais que possuíam o acento tônico na
raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de
“e” ou “i” não serão mais acentuadas:
#FicaDica
Quando, na frase, der para substituir o “por” Antes Depois
por “colocar”, estaremos trabalhando com apazigúe (apaziguar) apazigue
um verbo, portanto: “pôr”; nos demais ca-
averigúe (averiguar) averigue
sos, “por” é preposição: Faço isso por você.
/ Posso pôr (colocar) meus livros aqui? argúi (arguir) argui

Acentuam-se os verbos pertencentes a terceira pes-


2.4 Regra do Hiato
soa do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm
(verbo vir). A regra prevalece também para os verbos
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, segun-
conter, obter, reter, deter, abster: ele contém – eles contêm,
da vogal do hiato, acompanhado ou não de “s”, haverá ele obtém – eles obtêm, ele retém – eles retêm, ele convém
acento: saída – faísca – baú – país – Luís – eles convêm.
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato
quando seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Ra-ul, Lu-iz, sa-ir, ju-iz SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se esti- Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
verem seguidas do dígrafo nh: Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
ra-i-nha, ven-to-i-nha. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vie- Paulo: Saraiva, 2010.
rem precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, forman- SITE
do hiato quando vierem depois de ditongo (nas paroxí- http://www.brasilescola.com/gramatica/acentuacao.
tonas): htm

Antes Agora
bocaiúva bocaiuva EXERCÍCIOS COMENTADOS
feiúra feiura
1. (Polícia Federal – Agente de Polícia Federal – Cespe
Sauípe Sauipe
– 2014) Os termos “série” e “história” acentuam-se em
conformidade com a mesma regra ortográfica.
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi
abolido: ( ) CERTO ( ) ERRADO

Antes Agora Resposta: Certo. “Série” = acentua-se a paroxítona


terminada em ditongo / “história” - acentua-se a pa-
crêem creem
roxítona terminada em ditongo
lêem leem Ambas são acentuadas devido à regra da paroxítona
vôo voo terminada em ditongo.

enjôo enjoo Observação: nestes casos, admitem-se as separações


“sé-ri-e” e “his-tó-ri-as”, o que as tornaria proparoxí-
LÍNGUA PORTUGUESA

tonas.
#FicaDica
2. (Anatel – Técnico Administrativo – cespe – 2012)
Memorize a palavra CREDELEVÊ. São os Nas palavras “análise” e “mínimos”, o emprego do acento
verbos que, no plural, dobram o “e”, mas gráfico tem justificativas gramaticais diferentes.
que não recebem mais acento como antes:
CRER, DAR, LER e VER. ( ) CERTO ( ) ERRADO

17
Resposta: Errado. Análise = proparoxítona / mínimos capítulo ou de uma parte precedida por subtítulo. Nessa
= proparoxítona. Ambas são acentuadas pela mesma situação, pode ter vários parágrafos. Em redações mais
regra (antepenúltima sílaba é tônica, “mais forte”). comuns, que em média têm de 25 a 80 linhas, a introdu-
ção será o primeiro parágrafo.
3. (Ancine – Técnico Administrativo – cespe – 2012)
Os vocábulos “indivíduo”, “diária” e “paciência” recebem Desenvolvimento
acento gráfico com base na mesma regra de acentuação
gráfica. A maior parte do texto está inserida no desenvolvi-
mento, que é responsável por estabelecer uma ligação
( ) CERTO ( ) ERRADO entre a introdução e a conclusão. É nessa etapa que são
elaboradas as ideias, os dados e os argumentos que sus-
Resposta: Certo. Indivíduo = paroxítona terminada tentam e dão base às explicações e posições do autor. É
em ditongo; diária = paroxítona terminada em diton- caracterizado por uma “ponte” formada pela organização
go; paciência = paroxítona terminada em ditongo. Os das ideias em uma sequência que permite formar uma
três vocábulos são acentuados devido à mesma regra. relação equilibrada entre os dois lados.
O autor do texto revela sua capacidade de discutir um
4. (Ibama – Técnico Administrativo – cespe – 2012) As determinado tema no desenvolvimento, e é através desse
palavras “pó”, “só” e “céu” são acentuadas de acordo com que o autor mostra sua capacidade de defender seus pon-
a mesma regra de acentuação gráfica. tos de vista, além de dirigir a atenção do leitor para a con-
clusão. As conclusões são fundamentadas a partir daqui.
( ) CERTO ( ) ERRADO Para que o desenvolvimento cumpra seu objetivo, o
escritor já deve ter uma ideia clara de como será a con-
Resposta: Errado. Pó = monossílaba terminada em clusão. Daí a importância em planejar o texto.
“o”; só = monossílaba terminada em “o”; céu = mo- Em média, o desenvolvimento ocupa 3/5 do texto, no
nossílaba terminada em ditongo aberto “éu”. mínimo. Já nos textos mais longos, pode estar inserido
em capítulos ou trechos destacados por subtítulos. Apre-
sentar-se-á no formato de parágrafos medianos e curtos.
Os principais erros cometidos no desenvolvimento
DOMÍNIO DOS MECANISMOS DE COESÃO são o desvio e a desconexão da argumentação. O primei-
TEXTUAL. EMPREGO DE ELEMENTOS DE ro está relacionado ao autor tomar um argumento se-
REFERENCIAÇÃO, SUBSTITUIÇÃO E REPETI- cundário que se distancia da discussão inicial, ou quando
ÇÃO, DE CONECTORES E DE OUTROS ELE- se concentra em apenas um aspecto do tema e esquece
o seu todo. O segundo caso acontece quando quem re-
MENTOS DE SEQUENCIAÇÃO TEXTUAL.
dige tem muitas ideias ou informações sobre o que está
sendo discutido, não conseguindo estruturá-las. Surge
também a dificuldade de organizar seus pensamentos e
Estrutura Textual definir uma linha lógica de raciocínio.

Primeiramente, o que nos faz produzir um texto é a Conclusão


capacidade que temos de pensar. Por meio do pensa-
mento, elaboramos todas as informações que recebemos Considerada como a parte mais importante do texto,
e orientamos as ações que interferem na realidade e or- é o ponto de chegada de todas as argumentações ela-
ganização de nossos escritos. O que lemos é produto de boradas. As ideias e os dados utilizados convergem para
um pensamento transformado em texto. essa parte, em que a exposição ou discussão se fecha.
Logo, como cada um de nós tem seu modo de pen- Em uma estrutura normal, ela não deve deixar uma
sar, quando escrevemos sempre procuramos uma manei- brecha para uma possível continuidade do assunto; ou
ra organizada do leitor compreender as nossas ideias. A seja, possui atributos de síntese. A discussão não deve
finalidade da escrita é direcionar totalmente o que você ser encerrada com argumentos repetitivos, como por
quer dizer, por meio da comunicação. exemplo: “Portanto, como já dissemos antes...”, “Con-
Para isso, os elementos que compõem o texto se sub- cluindo...”, “Em conclusão...”.
dividem em: introdução, desenvolvimento e conclusão. Sua proporção em relação à totalidade do texto deve
Todos eles devem ser organizados de maneira equilibrada. ser equivalente ao da introdução: de 1/5. Essa é uma das
características de textos bem redigidos.
Introdução Os seguintes erros aparecem quando as conclusões
ficam muito longas:
LÍNGUA PORTUGUESA

Caracterizada pela entrada no assunto e a argumen- � O problema aparece quando não ocorre uma ex-
tação inicial. A ideia central do texto é apresentada nessa ploração devida do desenvolvimento, o que gera
etapa. Essa apresentação deve ser direta, sem rodeios. uma invasão das ideias de desenvolvimento na
O seu tamanho raramente excede a 1/5 de todo o tex- conclusão.
to. Porém, em textos mais curtos, essa proporção não é � Outro fator consequente da insuficiência de fun-
equivalente. Neles, a introdução pode ser o próprio tí- damentação do desenvolvimento está na conclu-
tulo. Já nos textos mais longos, em que o assunto é ex- são precisar de maiores explicações, ficando bas-
posto em várias páginas, ela pode ter o tamanho de um tante vazia.

18
� Enrolar e “encher linguiça” são muito comuns no incoerência é resultado do mau uso dos elementos de
texto em que o autor fica girando em torno de coesão textual. Na organização de períodos e de pará-
ideias redundantes ou paralelas. grafos, um erro no emprego dos mecanismos gramati-
� Uso de frases vazias que, por vezes, são perfeita- cais e lexicais prejudica o entendimento do texto. Cons-
mente dispensáveis. truído com os elementos corretos, confere-se a ele uma
� Quando não tem clareza de qual é a melhor con- unidade formal.
clusão, o autor acaba se perdendo na argumenta- Nas palavras do mestre Evanildo Bechara, “o enun-
ção final. ciado não se constrói com um amontoado de palavras e
orações. Elas se organizam segundo princípios gerais de
Em relação à abertura para novas discussões, a con- dependência e independência sintática e semântica, reco-
clusão não pode ter esse formato, exceto pelos seguin- bertos por unidades melódicas e rítmicas que sedimentam
tes fatores: estes princípios”.
� Para não influenciar a conclusão do leitor so- Não se deve escrever frases ou textos desconexos –
bre temas polêmicos, o autor deixa a conclusão em
é imprescindível que haja uma unidade, ou seja, que as
aberto.
frases estejam coesas e coerentes formando o texto. Re-
� Para estimular o leitor a ler uma possível con-
lembre-se de que, por coesão, entende-se ligação, rela-
tinuidade do texto, o autor não fecha a discussão
de propósito. ção, nexo entre os elementos que compõem a estrutura
� Por apenas apresentar dados e informações so- textual.
bre o tema a ser desenvolvido, o autor não deseja
concluir o assunto. Formas de se garantir a coesão entre os elementos
� Para que o leitor tire suas próprias conclusões, de uma frase ou de um texto
o autor enumera algumas perguntas no final do
texto. � Substituição de palavras com o emprego de sinô-
nimos - palavras ou expressões do mesmo campo
A maioria dessas falhas pode ser evitada se antes o associativo.
autor fizer um esboço de todas as suas ideias. Essa técni- � Nominalização – emprego alternativo entre um
ca é um roteiro, em que estão presentes os planejamen- verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente
tos. Naquele devem estar indicadas as melhores sequên- (desgastar / desgaste / desgastante).
cias a serem utilizadas na redação; ele deve ser o mais � Emprego adequado de tempos e modos verbais:
enxuto possível. Embora não gostassem de estudar, participaram da
aula.
SITE � Emprego adequado de pronomes, conjunções,
Disponível em:
preposições, artigos:
<http://producao-de-textos.info/mos/view/Carac-
ter%C3%ADsticas_e_Estruturas_do_Texto/>
O papa Francisco visitou o Brasil. Na capital brasileira,
Sua Santidade participou de uma reunião com a Presiden-
te Dilma. Ao passar pelas ruas, o papa cumprimentava as
Coesão e Coerência
pessoas. Estas tiveram a certeza de que ele guarda respeito
Na construção de um texto, assim como na fala, usa- por elas.
mos mecanismos para garantir ao interlocutor a com- � Uso de hipônimos – relação que se estabelece
preensão do que é dito, ou lido. Estes mecanismos lin- com base na maior especificidade do significado
guísticos que estabelecem a coesão e retomada do que de um deles. Por exemplo, mesa (mais específico) e
foi escrito - ou falado - são os referentes textuais, que móvel (mais genérico).
buscam garantir a coesão textual para que haja coerên- � Emprego de hiperônimos - relações de um termo
cia, não só entre os elementos que compõem a oração, de sentido mais amplo com outros de sentido mais
como também entre a sequência de orações dentro do específico. Por exemplo, felino está numa relação
texto. Essa coesão também pode muitas vezes se dar de de hiperonímia com gato.
modo implícito, baseado em conhecimentos anteriores � Substitutos universais, como os verbos vicários.
que os participantes do processo têm com o tema.
Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha ima- Verbo vicário é aquele que substitui outro já utilizado
ginária - composta de termos e expressões - que une no período, evitando repetições. Geralmente é o verbo
os diversos elementos do texto e busca estabelecer rela- fazer e ser. Exemplo: Não gosto de estudar. Faço porque
ções de sentido entre eles. Dessa forma, com o emprego preciso. O “faço” foi empregado no lugar de “estudo”,
LÍNGUA PORTUGUESA

de diferentes procedimentos, sejam lexicais (repetição, evitando repetição desnecessária.


substituição, associação), sejam gramaticais (emprego de
pronomes, conjunções, numerais, elipses), constroem-se A coesão apoiada na gramática se dá no uso de co-
frases, orações, períodos, que irão apresentar o contexto nectivos, como pronomes, advérbios e expressões ad-
– decorre daí a coerência textual. verbiais, conjunções, elipses, entre outros. A elipse jus-
Um texto incoerente é o que carece de sentido ou tifica-se quando, ao remeter a um enunciado anterior,
o apresenta de forma contraditória. Muitas vezes essa a palavra elidida é facilmente identificável (Exemplo.: O

19
jovem recolheu-se cedo. Sabia que ia necessitar de todas a) redução da poluição / banimento da circulação de car-
as suas forças. O termo o jovem deixa de ser repetido e, ros / erosão dos monumentos;
assim, estabelece a relação entre as duas orações). b) banimento da circulação de carros / erosão dos monu-
mentos / redução da poluição;
Dêiticos são elementos linguísticos que têm a pro- c) erosão dos monumentos / redução da poluição / bani-
priedade de fazer referência ao contexto situacional ou mento da circulação de carros;
ao próprio discurso. Exercem, por excelência, essa fun- d) redução da poluição / erosão dos monumentos / ba-
ção de progressão textual, dada sua característica: são nimento da circulação de carros;
elementos que não significam, apenas indicam, remetem e) erosão dos monumentos / banimento da circulação de
aos componentes da situação comunicativa. carros / redução da poluição.
Já os componentes concentram em si a significação.
Elisa Guimarães ensina-nos a esse respeito: Resposta: Letra E. “A prefeitura da capital italiana
“Os pronomes pessoais e as desinências verbais in- anunciou que vai banir a circulação de carros a diesel
dicam os participantes do ato do discurso. Os pronomes no centro a partir de 2024. O objetivo é reduzir a po-
demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbiais, luição, que contribui para a erosão dos monumentos”.
bem como os advérbios de tempo, referenciam o momento Primeiro ocorreu a erosão dos monumentos (=1) de-
da enunciação, podendo indicar simultaneidade, anterio- vido à poluição; optou-se pelo banimento da circula-
ridade ou posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste ção dos carros (=2) para que a poluição diminua (=3),
momento (presente); ultimamente, recentemente, ontem, o que preservará os monumentos.
há alguns dias, antes de (pretérito); de agora em diante,
no próximo ano, depois de (futuro).” 2. (BANCO DA AMAZÔNIA – TÉCNICO BANCÁRIO –
CESGRANRIO-2018) A ideia a que o pronome destaca-
A coerência de um texto está ligada: do se refere está adequadamente explicitada entre col-
1. à sua organização como um todo, em que devem chetes em:
estar assegurados o início, o meio e o fim;
2. à adequação da linguagem ao tipo de texto. Um
a) “Ela é produzida de forma descentralizada por mi-
texto técnico, por exemplo, tem a sua coerência
lhares de computadores, mantidos por pessoas que
fundamentada em comprovações, apresentação
‘emprestam’ a capacidade de suas máquinas para criar
de estatísticas, relato de experiências; um texto
bitcoins” [computadores]
informativo apresenta coerência se trabalhar com
b) “No processo de nascimento de uma bitcoin, que é
linguagem objetiva, denotativa; textos poéticos,
chamado de ´mineração´, os computadores conecta-
por outro lado, trabalham com a linguagem figura-
dos à rede competem entre si” [bitcoin]
da, livre associação de ideias, palavras conotativas.
c) “O nível de dificuldade dos desafios é ajustado pela
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa
CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa. limitada, que é de até 21 milhões de unidades” [rede]
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramá- d) “Elas são guardadas em uma espécie de carteira, que
tica – volume único – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002. é criada quando o usuário se cadastra no software.”
[espécie ]
SITE e) “Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha que em
Disponível em: <http://www.mundovestibular.com. algum momento deve estourar.” [bolha]
br/articles/2586/1/COESAO-E-COERENCIA-TEXTUAL/
Paacutegina1.html> Resposta: Letra E. Em “a”: “Ela é produzida de forma
descentralizada por milhares de computadores, man-
tidos por pessoas que (= as quais – retoma o termo
“pessoas”)
Em “b”: “No processo de nascimento de uma bitcoin,
EXERCÍCIOS COMENTADOS que é chamado de ‘mineração’ (= o qual - retoma o
termo “processo de nascimento”)
1. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO Em “c”: “O nível de dificuldade dos desafios é ajustado
GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) pela rede, para que a moeda cresça dentro de uma
faixa limitada, que é de até 21 milhões de unidades” =
Texto 2 retoma o termo “faixa limitada”
Em “d”: “Elas são guardadas em uma espécie de cartei-
LÍNGUA PORTUGUESA

“A prefeitura da capital italiana anunciou que vai banir a ra, que é criada (= a qual – retoma “carteira”)
circulação de carros a diesel no centro a partir de 2024. O Em “e”: “Críticos afirmam que a moeda vive uma bolha
objetivo é reduzir a poluição, que contribui para a erosão que (= a qual) em algum momento deve estourar.”
dos monumentos”. [bolha] = correta
(Veja, 7/3/2018)

A ordem cronológica dos fatos citados no texto 2 é:

20
3. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – CES- No fim das contas, vale um lembrete que pode ajudar a
GRANRIO-2018-ADAPTADA) conter os impulsos na hora de comprar um novo smar-
O vício da tecnologia tphone ou alguma novidade de mercado: compare o efeito
momentâneo da dopamina com o impacto de imaginar
Entusiastas de tecnologia passaram a semana com os como ficarão as faturas do seu cartão de crédito com a
olhos voltados para uma exposição de novidades eletrô- nova compra.
nicas realizada recentemente nos Estados Unidos. Entre O choque ao constatar o rombo em seu orçamento pode
as inovações, estavam produtos relacionados a experi- ser suficiente para que você decida pensar duas vezes a
ências de realidade virtual e à utilização de inteligência respeito da aquisição.
artificial — que hoje é um dos temas que mais desperta DANA, S. O Globo. Economia. Rio de Janeiro, 16 jan. 2018.
interesse em profissionais da área, tendo em vista a am- Adaptado.
pliação do uso desse tipo de tecnologia nos mais diver-
sos segmentos. A ideia a que a expressão destacada se refere está expli-
Mais do que prestar atenção às novidades lançadas no citada adequadamente entre colchetes em:
evento, vale refletir sobre o motivo que nos leva a uma a) “relacionados a experiências de realidade virtual e à
ansiedade tão grande para consumir produtos que pro- utilização de inteligência artificial — que hoje é um
metem inovação tecnológica. Por que tanta gente se dis- dos temas que mais desperta interesse em profissio-
põe a dormir em filas gigantescas só para ser um dos nais da área” [experiências de realidade virtual]
primeiros a comprar um novo modelo de smartphone? b) “tendo em vista a ampliação do uso desse tipo de tec-
Por que nos dispomos a pagar cifras astronômicas para nologia nos mais diversos segmentos” [inteligência
comprar aparelhos que não temos sequer certeza de que artificial]
serão realmente úteis em nossas rotinas? c) “a compra de uma novidade tecnológica atende a essa
A teoria de um neurocientista da Universidade de Oxford última necessidade citada” [segurança]
(Inglaterra) ajuda a explicar essa “corrida desenfreada” d) “O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o
por novos gadgets. De modo geral, em nosso processo mais novo lançamento tecnológico dispara em nosso
evolutivo como seres humanos, nosso cérebro aprendeu cérebro a liberação de um hormônio chamado dopa-
a suprir necessidades básicas para a sobrevivência e a mina” [mapeamento cerebral]
perpetuação da espécie, tais como sexo, segurança e sta- e) “Ele é liberado quando nosso cérebro identifica algo
tus social. que represente uma recompensa.” [impulso cerebral]
Nesse sentido, a compra de uma novidade tecnológica
atende a essa última necessidade citada: nós nos senti- Resposta: Letra B. Ao texto:
mos melhores e superiores, ainda que momentaneamen- Em “a”: “relacionados a experiências de realidade vir-
te, quando surgimos em nossos círculos sociais com um tual e à utilização de inteligência artificial — que hoje
produto que quase ninguém ainda possui. é um dos temas que mais desperta interesse em pro-
Foi realizado um estudo de mapeamento cerebral que fissionais da área” [experiências de realidade virtual]
mostrou que imagens de produtos tecnológicos ativa- Nesse caso, a resposta se encontra na alternativa: in-
vam partes do nosso cérebro idênticas às que são ativa- teligência artificial
das quando uma pessoa muito religiosa se depara com Em “b”: “tendo em vista a ampliação do uso desse tipo
um objeto sagrado. Ou seja, não seria exagero dizer que de tecnologia nos mais diversos segmentos” [inteli-
o vício em novidades tecnológicas é quase uma religião gência artificial]
para os mais entusiastas. Texto: Entre as inovações, estavam produtos relaciona-
O ato de seguir esse impulso cerebral e comprar o mais dos a experiências de realidade virtual e à utilização de
novo lançamento tecnológico dispara em nosso cére- inteligência artificial — que hoje é um dos temas que
bro a liberação de um hormônio chamado dopamina, mais desperta interesse em profissionais da área, tendo
responsável por nos causar sensações de prazer. Ele é em vista a ampliação do uso desse tipo de tecnologia
liberado quando nosso cérebro identifica algo que repre- nos mais diversos segmentos.= correta
sente uma recompensa. Em “c”: “a compra de uma novidade tecnológica aten-
de a essa última necessidade citada” [segurança]
O grande problema é que a busca excessiva por recom-
pensas pode resultar em comportamentos impulsivos, Texto: (...) suprir necessidades básicas para a sobrevi-
que incluem vícios em jogos, apego excessivo a redes vência e a perpetuação da espécie, tais como sexo, se-
sociais e até mesmo alcoolismo. No caso do consumo, gurança e status social. / Nesse sentido, a compra de
podemos observar a situação problematizada aqui: gasto uma novidade tecnológica atende a essa última neces-
excessivo de dinheiro em aparelhos eletrônicos que nem sidade citada... = status social
LÍNGUA PORTUGUESA

sempre trazem novidade –– as atualizações de modelos Em “d”: “O ato de seguir esse impulso cerebral e com-
de smartphones, por exemplo, na maior parte das vezes prar o mais novo lançamento tecnológico dispara em
apresentam poucas mudanças em relação ao modelo nosso cérebro a liberação de um hormônio chamado
anterior, considerando-se seu preço elevado. Em outros dopamina” [mapeamento cerebral]
casos, gasta-se uma quantia absurda em algum aparelho (...) vício em novidades tecnológicas é quase uma re-
novo que não se sabe se terá tanta utilidade prática ou ligião para os mais entusiastas. / O ato de seguir esse
inovadora no cotidiano. impulso cerebral e comprar

21
Em “e”: “Ele é liberado quando nosso cérebro identi- Resposta; Letra D. Ainda hoje é o utilizado o termo
fica algo que represente uma recompensa.” [impulso “patrício” para se referir aos portugueses. “Patrício”
cerebral] significa “da mesma pátria”.
(...) a liberação de um hormônio chamado dopamina,
responsável por nos causar sensações de prazer. Ele é 5. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) To-
liberado = dopamina das as frases abaixo apresentam elementos sublinhados
que estabelecem coesão com elementos anteriores (aná-
4. (PETROBRAS – ENGENHEIRO(A) DE MEIO AMBIEN- fora); a frase em que o elemento sublinhado se refere a
TE JÚNIOR – CESGRANRIO-2018) um elemento futuro do texto (catáfora) é:

Texto I a) “A civilização converteu a solidão num dos bens mais


preciosos que a alma humana pode desejar”;
Portugueses no Rio de Janeiro b) “Todo o problema da vida é este: como romper a pró-
pria solidão”;
O Rio de Janeiro é o grande centro da imigração portu- c) “É sobretudo na solidão que se sente a vantagem de
guesa até meados dos anos cinquenta do século passa- viver com alguém que saiba pensar”;
do, quando chega a ser a “terceira cidade portuguesa do d) “O homem ama a companhia, mesmo que seja apenas
mundo”, possuindo 196 mil portugueses — um décimo a de uma vela que queima”;
de sua população urbana. Ali, os portugueses dedicam- e) “As pessoas que nunca têm tempo são aquelas que
-se ao comércio, sobretudo na área dos comestíveis, produzem menos”.
como os cafés, as panificações, as leitarias, os talhos,
além de outros ramos, como os das papelarias e lojas Resposta: Letra B. Em “a”: “A civilização converteu a
de vestuários. Fora do comércio, podem exercer as mais solidão num dos bens mais preciosos que a alma hu-
variadas profissões, como atividades domésticas ou as de mana pode desejar” = retoma “bens preciosos”
barbeiros e alfaiates. Há, de igual forma, entre os mais Em “b”: “Todo o problema da vida é este: como romper
afortunados, aqueles ligados à indústria, voltados para a própria solidão” = o pronome se refere ao período
construção civil, o mobiliário, a ourivesaria e o fabrico de que virá (= catáfora)
bebidas. Em “c”: “É sobretudo na solidão que se sente a vanta-
A sua distribuição pela cidade, apesar da não formação gem de viver com alguém que saiba pensar” = retoma
de guetos, denota uma tendência para a sua concentra- “solidão”
Em “d”: “O homem ama a companhia, mesmo que seja
ção em determinados bairros, escolhidos, muitas das ve-
apenas a de uma vela que queima” = retoma “com-
zes, pela proximidade da zona de trabalho. No Centro da
panhia”
cidade, próximo ao grande comércio, temos um grupo
Em “e”: “As pessoas que nunca têm tempo são aque-
significativo de patrícios e algumas associações de por-
las que produzem menos” = retoma “pessoas”
te, como o Real Gabinete Português de Leitura e o Liceu
Literário Português. Nos bairros da Cidade Nova, Estácio 6. (MPE-AL - TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO –
de Sá, Catumbi e Tijuca, outro ponto de concentração FGV-2018)
da colônia, se localizam outras associações portuguesas,
como a Casa de Portugal e um grande número de casas Não Faltou Só Espinafre
regionais. Há, ainda, pequenas concentrações nos bairros
periféricos da cidade, como Jacarepaguá, originalmente A crise não trouxe apenas danos sociais e econômicos.
formado por quintas de pequenos lavradores; nos subúr- Mostrou também danos morais.
bios, como Méier e Engenho Novo; e nas zonas mais pri- Aconteceu num mercadinho de bairro em São Paulo. A
vilegiadas, como Botafogo e restante da zona sul carioca, dona, diligente, havia conseguido algumas verduras e
área nobre da cidade a partir da década de cinquenta, avisou à clientela. Formaram-se uma pequena fila e uma
preferida pelos mais abastados. grande discussão. Uma senhora havia arrematado todos
PAULO, Heloísa. Portugueses no Rio de Janeiro: salazaristas e os dez maços de espinafre. No caixa, outras freguesas
opositores em manifestação na cidade. In: ALVES, Ida et alii. 450 perguntaram se ela tinha restaurante. Não tinha. Obser-
Anos de Portugueses no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Ofi cina varam que a verdura acabaria estragada. Ela explicou que
Raquel, 2017, pp. 260-1. Adaptado. ia cozinhar e congelar. Então, foram ao ponto: caramba,
“No Centro da cidade, próximo ao grande comércio, temos havia outras pessoas na fila, ela não poderia levar só o
um grupo significativo de patrícios e algumas associações que consumiria de imediato?
de porte”. No trecho acima, a autora usou em itálico a “Não, estou pagando e cheguei primeiro”, foi a resposta.
LÍNGUA PORTUGUESA

palavra destacada para fazer referência aos Compras exageradas nos supermercados, estoques do-
mésticos, filas nervosas nos postos de combustível – teve
muito comportamento na base de cada um por si.
a) luso-brasileiros
Cabem nessa categoria as greves e manifestações opor-
b) patriotas da cidade
tunistas. Governo, cedendo, também vou buscar o meu
c) habitantes da cidade – tal foi o comportamento de muita gente.
d) imigrantes portugueses Carlos A. Sardenberg, in O Globo, 31/05/2018.
e) compatriotas brasileiros

22
“A crise não trouxe apenas danos sociais e econômicos. para toda a sociedade. Porém, a inovação é verdadeira
Mostrou também danos morais”. A palavra ou expressão somente quando está fundamentada no conhecimento.
do primeiro período que leva à produção do segundo A capacidade de inovação depende da pesquisa, da ge-
período é ração de conhecimento. É necessário investir em pesqui-
sa para devolver resultados satisfatórios à sociedade. No
a) a crise. entanto, os resultados desse tipo de investimento não
b) não trouxe. são necessariamente recursos financeiros ou valores eco-
c) apenas. nômicos, podem ser também a qualidade de vida com
d) danos sociais. justiça social.
e) (danos) econômicos. Luís Afonso Bermúdez. O fermento tecnológico. In: Darcy. Re-
vista de jornalismo científico e cultural da Universidade de Brasília,
Resposta; Letra C. 1.º período: A crise não trouxe novembro e dezembro de 2009, p. 37 (com adaptações).
apenas danos sociais e econômicos.
2.º período: Mostrou também danos morais. Subentende-se da argumentação do texto que o pro-
A expressão que nos dá a ideia de que haverá mais nome demonstrativo, no trecho “desse tipo de investi-
informações que complementarão a primeira “tese” mento”, refere-se à ideia de “fermento do crescimento
apresentada é “apenas”. econômico e social de um país”.

( ) CERTO ( ) ERRADO
7. (IBGE – RECENSEADOR – FGV-2017)
Resposta: Errado. Ao trecho: (...) É necessário inves-
Texto 3 – “Silva, Oliveira, Faria, Ferreira... Todo mundo
tir em pesquisa para devolver resultados satisfatórios
tem um sobrenome e temos de agradecer aos romanos à sociedade. No entanto, os resultados desse tipo de
por isso. Foi esse povo, que há mais de dois mil anos investimento = investir em pesquisa / desse tipo de
ergueu um império com a conquista de boa parte das investimento.
terras banhadas pelo Mediterrâneo, o inventor da moda.
Eles tiveram a ideia de juntar ao nome comum, ou pre- 9. (MPU – ANALISTA DO MPU – CESPE-2015)
nome, um nome.
Por quê? Porque o império romano crescia e eles preci- Texto I
savam indicar o clã a que a pessoa pertencia ou o lugar
onde tinha nascido”. (Ciência Hoje, março de 2014) Na organização do poder político no Estado moderno,
à luz da tradição iluminista, o direito tem por função a
“Todo mundo tem um sobrenome e temos de agradecer preservação da liberdade humana, de maneira a coibir
aos romanos por isso”. (texto 3) O pronome “isso”, nesse a desordem do estado de natureza, que, em virtude do
segmento do texto, se refere a(à): risco da dominação dos mais fracos pelos mais fortes,
exige a existência de um poder institucional. Mas a con-
a) todo mundo ter um sobrenome; quista da liberdade humana também reclama a distri-
b) sobrenomes citados no início do texto; buição do poder em ramos diversos, com a disposição
c) todos os sobrenomes hoje conhecidos; de meios que assegurem o controle recíproco entre eles
d) forma latina dos sobrenomes atuais; para o advento de um cenário de equilíbrio e harmonia
e) existência de sobrenomes nos documentos. nas sociedades estatais. A concentração do poder em um
só órgão ou pessoa viria sempre em detrimento do exer-
Resposta: Letra A. Todo mundo tem um sobrenome cício da liberdade. É que, como observou Montesquieu,
e temos de agradecer aos romanos por isso = ter um “todo homem que tem poder tende a abusar dele; ele vai
sobrenome. até onde encontra limites. Para que não se possa abusar
do poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o
poder limite o poder”.
8. (MPU – ANALISTA – ANTROPOLOGIA – CESPE-2010)
Até Montesquieu, não eram identificadas com clareza
Inovar é recriar de modo a agregar valor e incrementar a
as esferas de abrangência dos poderes políticos: “só se
eficiência, a produtividade e a competitividade nos pro-
concebia sua união nas mãos de um só ou, então, sua
cessos gerenciais e nos produtos e serviços das organi- separação; ninguém se arriscava a apresentar, sob a for-
zações. Ou seja, é o fermento do crescimento econômico ma de sistema coerente, as consequências de conceitos
e social de um país. Para isso, é preciso criatividade, ca- diversos”. Pensador francês do século XVIII, Montesquieu
pacidade de inventar e coragem para sair dos esquemas situa-se entre o racionalismo cartesiano e o empirismo
tradicionais. Inovador é o indivíduo que procura respos- de origem baconiana, não abandonando o rigor das
tas originais e pertinentes em situações com as quais ele certezas matemáticas em suas certezas morais. Porém,
se defronta. É preciso uma atitude de abertura para as
LÍNGUA PORTUGUESA

refugindo às especulações metafísicas que, no plano da


coisas novas, pois a novidade é catastrófica para os mais idealidade, serviram aos filósofos do pacto social para a
céticos. Pode-se dizer que o caminho da inovação é um explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade
percurso de difícil travessia para a maioria das institui- civil, ele procurou ingressar no terreno dos fatos.
ções. Inovar significa transformar os pontos frágeis de Fernanda Leão de Almeida. A garantia institucional do Minis-
um empreendimento em uma realidade duradoura e lu- tério Público em função da proteção dos direitos humanos. Tese de
crativa. A inovação estimula a comercialização de produ- doutorado. São Paulo: USP, 2010, p. 18-9. Internet: <www.teses.usp.
tos ou serviços e também permite avanços importantes br> (com adaptações).

23
No trecho “controle recíproco entre”, o pronome “eles” faz Estes elementos formadores da palavra recebem o
referência a “ramos diversos”. nome de morfemas. Através da união das informações
contidas nos três morfemas de inexplicável, pode-se en-
( ) CERTO ( ) ERRADO tender o significado pleno dessa palavra: “aquilo que não
tem possibilidade de ser explicado, que não é possível tor-
Resposta: Errado. Ao período: (...) reclama a distri- nar claro”.
buição do poder em ramos diversos, com a dispo-
sição de meios que assegurem o controle recíproco Morfemas = são as menores unidades significativas
entre eles para o advento de um cenário de equilíbrio que, reunidas, formam as palavras, dando-lhes sentido.
e harmonia.
1. Classificação dos morfemas
10. (PC-PI – AGENTE DE POLÍCIA CIVIL – 3.ª CLAS-
SE – NUCEPE-2018 - ADAPTADA) Alguém apaixonado A) Radical, lexema ou semantema – é o elemento
sempre atrai novas oportunidades, se destaca do grupo, é portador de significado. É através do radical que
promovido primeiro, é celebrado quando volta de férias, podemos formar outras palavras comuns a um
é convidado para ser padrinho ou madrinha e para ser grupo de palavras da mesma família. Exemplo:
companhia em momentos prazerosos. Quanto melhor vi- pequeno, pequenininho, pequenez. O conjunto de
vemos, mais motivos surgem para vivermos bem. A pros- palavras que se agrupam em torno de um mesmo
peridade é um ciclo que se retroalimenta. O importante é radical denomina-se família de palavras.
decidir fazer parte dele. B) Afixos – elementos que se juntam ao radical antes
Em: O importante é decidir fazer parte dele, a palavra (os prefixos) ou depois (sufixos) dele. Exemplo:
Dele retoma, textualmente, beleza (sufixo), prever (prefixo), infiel (prefixo).
C) Desinências - Quando se conjuga o verbo amar,
a) ciclo. obtêm-se formas como amava, amavas, amava,
b) Alguém. amávamos, amáveis, amavam. Estas modificações
c) padrinho. ocorrem à medida que o verbo vai sendo flexio-
d) grupo. nado em número (singular e plural) e pessoa (pri-
e) apaixonado. meira, segunda ou terceira). Também ocorrem se
modificarmos o tempo e o modo do verbo (ama-
Resposta: Letra A. Voltemos ao período: va, amara, amasse, por exemplo). Assim, podemos
A prosperidade é um ciclo que se retroalimenta. O im-
concluir que existem morfemas que indicam as fle-
portante é decidir fazer parte dele.
xões das palavras. Estes morfemas sempre surgem
no fim das palavras variáveis e recebem o nome de
desinências. Há desinências nominais e desinên-
EMPREGO DE TEMPOS E MODOS VERBAIS. cias verbais.
C.1 Desinências nominais: indicam o gênero e o
número dos nomes. Para a indicação de gênero, o
português costuma opor as desinências -o/-a: ga-
“Prezado Candidato, o tópico acima será aborda- roto/garota; menino/menina. Para a indicação de
do na íntegra no tópico: Domínio da estrutura mor- número, costuma-se utilizar o morfema –s, que in-
fossintática do período. Emprego das classes de pa- dica o plural em oposição à ausência de morfema,
lavras.” que indica o singular: garoto/garotos; garota/ga-
rotas; menino/meninos; menina/meninas. No caso
dos nomes terminados em –r e –z, a desinência de
DOMÍNIO DA ESTRUTURA MORFOSSINTÁ- plural assume a forma -es: mar/mares; revólver/re-
vólveres; cruz/cruzes.
TICA DO PERÍODO. EMPREGO DAS CLASSES
C.2 Desinências verbais: em nossa língua, as desi-
DE PALAVRAS.
nências verbais pertencem a dois tipos distintos.
Há desinências que indicam o modo e o tempo
(desinências modo-temporais) e outras que indi-
ESTRUTURA DAS PALAVRAS cam o número e a pessoa dos verbos (desinência
número-pessoais):
As palavras podem ser analisadas sob o ponto de vis-
ta de sua estrutura significativa. Para isso, nós as dividi- cant-á-va-mos:
LÍNGUA PORTUGUESA

mos em seus menores elementos (partes) possuidores de cant: radical / -á-: vogal temática / -va-: desinência
sentido. A palavra inexplicável, por exemplo, é constituí- modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do in-
da por três elementos significativos: dicativo) / -mos: desinência número-pessoal (caracteriza a
In = elemento indicador de negação primeira pessoa do plural)
Explic – elemento que contém o significado básico da
palavra cant-á-sse-is:
Ável = elemento indicador de possibilidade cant: radical / -á-: vogal temática / -sse-:desinência

24
modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do 2.2. Derivação por Acréscimo de Afixos
subjuntivo) / -is: desinência número-pessoal (caracteriza
a segunda pessoa do plural) É o processo pelo qual se obtêm palavras novas (de-
rivadas) pela anexação de afixos à palavra primitiva. A
D) Vogal temática derivação pode ser: prefixal, sufixal e parassintética.
Entre o radical cant- e as desinências verbais, surge A) Prefixal (ou prefixação): a palavra nova é obtida
sempre o morfema –a. Este morfema, que liga o por acréscimo de prefixo.
radical às desinências, é chamado de vogal temá- In feliz / des leal
tica. Sua função é ligar-se ao radical, constituindo Prefixo radical prefixo radical
o chamado tema. É ao tema (radical + vogal temá-
tica) que se acrescentam as desinências. Tanto os B) Sufixal (ou sufixação): a palavra nova é obtida
verbos como os nomes apresentam vogais temá- por acréscimo de sufixo.
ticas. No caso dos verbos, a vogal temática indica Feliz mente / leal dade
as conjugações: -a (da 1.ª conjugação = cantar), -e Radical sufixo radical sufixo
(da 2.ª conjugação = escrever) e –i (3.ª conjugação
= partir). C) Parassintética: a palavra nova é obtida pelo acrés-
cimo simultâneo de prefixo e sufixo. Por parassín-
D.1 Vogais temáticas nominais: São -a, -e, e -o, tese formam-se principalmente verbos.
quando átonas finais, como em mesa, artista, per- En trist ecer
da, escola, base, combate. Nestes casos, não pode-
Prefixo radical sufixo
ríamos pensar que essas terminações são desinên-
cias indicadoras de gênero, pois mesa e escola, por
En tard ecer
exemplo, não sofrem esse tipo de flexão. É a estas
prefixo radical sufixo
vogais temáticas que se liga a desinência indica-
dora de plural: mesa-s, escola-s, perda-s. Os nomes
Há dois casos em que a palavra derivada é formada
terminados em vogais tônicas (sofá, café, cipó, ca-
qui, por exemplo) não apresentam vogal temática. sem que haja a presença de afixos. São eles: a derivação
regressiva e a derivação imprópria.
D.2 Vogais temáticas verbais: São -a, -e e -i, que
caracterizam três grupos de verbos a que se dá o 2.3. Derivação
nome de conjugações. Assim, os verbos cuja vogal
temática é -a pertencem à primeira conjugação; • Derivação regressiva: a palavra nova é obtida por
aqueles cuja vogal temática é -e pertencem à se- redução da palavra primitiva. Ocorre, sobretudo,
gunda conjugação e os que têm vogal temática -i na formação de substantivos derivados de verbos.
pertencem à terceira conjugação. janta (substantivo) - deriva de jantar (verbo) / pesca
(substantivo) – deriva de pescar (verbo)
E) Interfixos
São os elementos (vogais ou consoantes) que se in- • Derivação imprópria: a palavra nova (derivada) é
tercalam entre o radical e o sufixo, para facilitar ou mes- obtida pela mudança de categoria gramatical da
mo possibilitar a leitura de uma determinada palavra. Por palavra primitiva. Não ocorre, pois, alteração na
exemplo: forma, mas somente na classe gramatical.
Vogais: frutífero, gasômetro, carnívoro. Não entendi o porquê da briga. (o substantivo “por-
Consoantes: cafezal, sonolento, friorento. quê” deriva da conjunção porque)
2. Formação das Palavras Seu olhar me fascina! (olhar aqui é substantivo, deriva
do verbo olhar).
Há em Português palavras primitivas, palavras deriva-
das, palavras simples, palavras compostas.
A) Palavras primitivas: aquelas que, na língua por- #FicaDica
tuguesa, não provêm de outra palavra: pedra, flor.
B) Palavras derivadas: aquelas que, na língua por- A derivação regressiva “mexe” na estrutura
tuguesa, provêm de outra palavra: pedreiro, flori- da palavra, geralmente transforma verbos
cultura. em substantivos: caça = deriva de caçar, sa-
C) Palavras simples: aquelas que possuem um só ra- que = deriva de sacar
dical: azeite, cavalo. A derivação imprópria não “mexe” com a
D) Palavras compostas: aquelas que possuem mais
palavra, apenas faz com que ela pertença a
de um radical: couve-flor, planalto.
uma classe gramatical “imprópria” da qual
As palavras compostas podem ou não ter seus ele-
LÍNGUA PORTUGUESA

mentos ligados por hífen. ela realmente, ou melhor, costumeiramen-


te faz parte. A alteração acontece devido à
2.1. Processos de Formação de Palavras presença de outros termos, como artigos,
por exemplo:
Na Língua Portuguesa há muitos processos de for- O verde das matas! (o adjetivo “verde” pas-
mação de palavras. Entre eles, os mais comuns são a de- sou a funcionar como substantivo devido à
rivação, a composição, a onomatopeia, a abreviação e o presença do artigo “o”)
hibridismo.

25
2.4. Composição b) palavra primitiva
c) palavra derivada
Haverá composição quando se juntarem dois ou mais d) neologismo
radicais para formar uma nova palavra. Há dois tipos de
composição: justaposição e aglutinação. Resposta: Letra C. en + triste + ido (com consoante
A) Justaposição: ocorre quando os elementos que de ligação “c”) = ao radical “triste” foram acrescidos o
formam o composto são postos lado a lado, ou prefixo “en” e o sufixo “ido”, ou seja, “entristecido” é
seja, justapostos: para-raios, corre-corre, guarda- palavra derivada do processo de formação de palavras
-roupa, segunda-feira, girassol. chamado de: prefixação e sufixação. Para o exercício,
B) Composição por aglutinação: ocorre quando os basta “derivada”!
elementos que formam o composto aglutinam-se
e pelo menos um deles perde sua integridade so- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
nora: aguardente (água + ardente), planalto (plano SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
+ alto), pernalta (perna + alta), vinagre (vinho + Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
acre). CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co-
char. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform. –
Onomatopeia – é a palavra que procura reproduzir São Paulo: Saraiva, 2010.
certos sons ou ruídos: reco-reco, tique-taque, fom-fom. AMARAL, Emília... [et al.] Português: novas palavras: li-
teratura, gramática, redação. – São Paulo: FTD, 2000.
Abreviação – é a redução de palavras até o limite
permitido pela compreensão: moto (motocicleta), pneu SITE
(pneumático), metrô (metropolitano), foto (fotografia). Disponível em: http://www.brasilescola.com/gramati-
ca/estrutura-e-formacao-de-palavras-i.htm
Abreviatura: é a redução na grafia de certas palavras,
limitando-as quase sempre à letra inicial ou às letras ini-
ciais: p. ou pág. (para página), Sr. (para senhor). CLASSES DE PALAVRAS

Sigla: é um caso especial de abreviatura, na qual se Adjetivo


reduzem locuções substantivas próprias às suas letras
iniciais (são as siglas puras) ou sílabas iniciais (siglas im- É a palavra que expressa uma qualidade ou caracterís-
puras), que se grafam de duas formas: IBGE, MEC (siglas tica do ser e se relaciona com o substantivo, concordan-
puras); DETRAN ou Detran, PETROBRAS ou Petrobras (si- do com este em gênero e número.
glas impuras). As praias brasileiras estão poluídas.
Praias = substantivo; brasileiras/poluídas = adjetivos
Hibridismo: é a palavra formada com elementos (plural e feminino, pois concordam com “praias”).
oriundos de línguas diferentes: automóvel (auto: grego;
móvel: latim); sociologia (socio: latim; logia: grego); sam- 1. Locução adjetiva
bódromo (samba: dialeto africano; dromo: grego).
Locução = reunião de palavras. Sempre que são ne-
cessárias duas ou mais palavras para falar sobre a mes-
EXERCÍCIOS COMENTADOS ma coisa, tem-se locução. Às vezes, uma preposição +
substantivo tem o mesmo valor de um adjetivo: é a Lo-
cução Adjetiva (expressão que equivale a um adjetivo).
1. (RIOPREVIDÊNCIA – ESPECIALISTA EM PREVIDÊN- Por exemplo: aves da noite (aves noturnas), paixão sem
CIA SOCIAL – SUPERIOR - CEPERJ/2014) A palavra “in- freio (paixão desenfreada).
fraestrutura” é formada pelo seguinte processo:
Observe outros exemplos:
a) sufixação
b) prefixação
c) parassíntese de águia aquilino
d) justaposição de aluno discente
e) aglutinação de anjo angelical
Resposta: Letra B. Infra = prefixo + estrutura – temos de ano anual
a junção de um prefixo com um radical, portanto: de-
LÍNGUA PORTUGUESA

de aranha aracnídeo
rivação prefixal (ou prefixação).
de boi bovino
2. (SECRETARIA DE ESTADO DE DEFESA SOCIAL/MG – de cabelo capilar
AGENTE DE SEGURANÇA SOCIOEDUCATIVO – MÉDIO de cabra caprino
- IBFC/2014) O vocábulo “entristecido” é um exemplo de:
de campo campestre ou rural
a) palavra composta

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Estados e cidades brasileiras:
de chuva pluvial
de criança pueril
Alagoas alagoano
de dedo digital
Amapá amapaense
de estômago estomacal ou gástrico
Aracaju aracajuano ou aracajuense
de falcão falconídeo
Amazonas amazonense ou baré
de farinha farináceo
Belo Horizonte belo-horizontino
de fera ferino
Brasília brasiliense
de ferro férreo
Cabo Frio cabo-friense
de fogo ígneo
Campinas campineiro ou campinense
de garganta gutural
de gelo glacial 4. Adjetivo Pátrio Composto
de guerra bélico Na formação do adjetivo pátrio composto, o primei-
de homem viril ou humano ro elemento aparece na forma reduzida e, normalmente,
erudita. Observe alguns exemplos:
de ilha insular
África afro- / Cultura afro-americana
de inverno hibernal ou invernal
Alemanha germano- ou teuto-/Competições
de lago lacustre
teuto-inglesas
de leão leonino
América américo- / Companhia américo-africana
de lebre l eporino
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses
de lua lunar ou selênico
China sino- / Acordos sino-japoneses
de madeira lígneo
Espanha hispano- / Mercado hispano-português
de mestre magistral
Europa euro- / Negociações euro-americanas
de ouro áureo
França franco- ou galo- / Reuniões franco-italianas
de paixão passional
Grécia greco- / Filmes greco-romanos
de pâncreas pancreático
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
de porco suíno ou porcino
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
dos quadris ciático
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras
de rio fluvial
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros
de sonho onírico
de velho senil 5. Flexão dos adjetivos
de vento eólico O adjetivo varia em gênero, número e grau.
de vidro vítreo ou hialino
6. Gênero dos Adjetivos
de virilha inguinal
de visão óptico ou ótico Os adjetivos concordam com o substantivo a que se
referem (masculino e feminino). De forma semelhante
Observação: aos substantivos, classificam-se em:
Nem toda locução adjetiva possui um adjetivo corres-
pondente, com o mesmo significado: Vi as alunas da 5ª A) Biformes - têm duas formas, sendo uma para o
série. / O muro de tijolos caiu. masculino e outra para o feminino: ativo e ativa, mau e
má.
2. Morfossintaxe do Adjetivo (Função Sintática): Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no
O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função feminino somente o último elemento: o moço norte-a-
LÍNGUA PORTUGUESA

dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuan- mericano, a moça norte-americana.
do como adjunto adnominal ou como predicativo (do Exceção: surdo-mudo e surda-muda.
sujeito ou do objeto).
B) Uniformes - têm uma só forma tanto para o mas-
3. Adjetivo Pátrio (ou gentílico) culino como para o feminino: homem feliz e mulher feliz.
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável
Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. no feminino: conflito político-social e desavença político-
Observe alguns deles: -social.

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7. Número dos Adjetivos Sílvia é menos alta que Tiago. = Comparativo de In-
ferioridade
A) Plural dos adjetivos simples
Os adjetivos simples se flexionam no plural de acordo Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de
com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São
substantivos simples: mau e maus, feliz e felizes, ruim e eles: bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/supe-
ruins, boa e boas. rior, grande/maior, baixo/inferior.
Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça
função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a pa- Observe que:
lavra que estiver qualificando um elemento for, original-  As formas menor e pior são comparativos de su-
mente, um substantivo, ela manterá sua forma primitiva. perioridade, pois equivalem a mais pequeno e mais
Exemplo: a palavra cinza é, originalmente, um substanti- mau, respectivamente.
vo; porém, se estiver qualificando um elemento, funcio-  Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas
nará como adjetivo. Ficará, então, invariável. Logo: cami- (melhor, pior, maior e menor), porém, em compa-
sas cinza, ternos cinza. rações feitas entre duas qualidades de um mesmo
Motos vinho (mas: motos verdes) elemento, deve-se usar as formas analíticas mais
Paredes musgo (mas: paredes brancas). bom, mais mau,mais grande e mais pequeno. Por
Comícios monstro (mas: comícios grandiosos). exemplo:
B) Adjetivo Composto Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois
É aquele formado por dois ou mais elementos. Nor- elementos.
malmente, esses elementos são ligados por hífen. Ape- Pedro é mais grande que pequeno - comparação de
nas o último elemento concorda com o substantivo a que duas qualidades de um mesmo elemento.
se refere; os demais ficam na forma masculina, singular. Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de In-
Caso um dos elementos que formam o adjetivo com- ferioridade
posto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo Sou menos passivo (do) que tolerante.
composto ficará invariável. Por exemplo: a palavra “rosa”
é, originalmente, um substantivo, porém, se estiver qua- B) Superlativo
lificando um elemento, funcionará como adjetivo. Caso O superlativo expressa qualidades num grau muito
se ligue a outra palavra por hífen, formará um adjetivo elevado ou em grau máximo. Pode ser absoluto ou rela-
composto; como é um substantivo adjetivado, o adjetivo
tivo e apresenta as seguintes modalidades:
composto inteiro ficará invariável. Veja:
B.1 Superlativo Absoluto: ocorre quando a quali-
Camisas rosa-claro.
dade de um ser é intensificada, sem relação com outros
Ternos rosa-claro.
seres. Apresenta-se nas formas:
Olhos verde-claros.
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.  Analítica: a intensificação é feita com o auxílio de
Telhados marrom-café e paredes verde-claras. palavras que dão ideia de intensidade (advérbios).
Por exemplo: O concurseiro é muito esforçado.
Observação:  Sintética: nessa, há o acréscimo de sufixos. Por
Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer exemplo: O concurseiro é esforçadíssimo.
adjetivo composto iniciado por “cor-de-...” são sempre
invariáveis: roupas azul-marinho, tecidos azul-celeste, Observe alguns superlativos sintéticos:
vestidos cor-de-rosa.
O adjetivo composto surdo-mudo tem os dois ele- benéfico - beneficentíssimo
mentos flexionados: crianças surdas-mudas.
bom - boníssimo ou ótimo
8. Grau do Adjetivo comum - comuníssimo
cruel - crudelíssimo
Os adjetivos se flexionam em grau para indicar a in-
tensidade da qualidade do ser. São dois os graus do ad- difícil - dificílimo
jetivo: o comparativo e o superlativo. doce - dulcíssimo

A) Comparativo fácil - facílimo


Nesse grau, comparam-se a mesma característica fiel - fidelíssimo
atribuída a dois ou mais seres ou duas ou mais caracte-
LÍNGUA PORTUGUESA

rísticas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser B.2 Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade
de igualdade, de superioridade ou de inferioridade. de um ser é intensificada em relação a um conjunto de
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade seres. Essa relação pode ser:
No comparativo de igualdade, o segundo termo da com-  De Superioridade: Essa matéria é a mais fácil de
paração é introduzido pelas palavras como, quanto ou quão. todas.
 De Inferioridade: Essa matéria é a menos fácil de
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Su-
todas.
perioridade

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O superlativo absoluto analítico é expresso por meio  de igualdade: tão + advérbio + quanto (como):
dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente, Renato fala tão alto quanto João.
antepostos ao adjetivo.  de inferioridade: menos + advérbio + que (do
O superlativo absoluto sintético se apresenta sob que): Renato fala menos alto do que João.
duas formas: uma erudita - de origem latina – e outra  de superioridade:
popular - de origem vernácula. A forma erudita é cons- A.1 Analítico: mais + advérbio + que (do que): Renato
tituída pelo radical do adjetivo latino + um dos sufixos fala mais alto do que João.
-íssimo, -imo ou érrimo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo; A.2 Sintético: melhor ou pior que (do que): Renato
a popular é constituída do radical do adjetivo português fala melhor que João.
+ o sufixo -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
Os adjetivos terminados em –io fazem o superlativo B) Grau Superlativo
com dois “ii”: frio – friíssimo, sério – seriíssimo; os termi- O superlativo pode ser analítico ou sintético:
nados em –eio, com apenas um “i”: feio - feíssimo, cheio B.1 Analítico: acompanhado de outro advérbio: Re-
– cheíssimo. nato fala muito alto.
muito = advérbio de intensidade / alto = advérbio
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS de modo
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- B.2 Sintético: formado com sufixos: Renato fala al-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São tíssimo.
Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Observação:
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. As formas diminutivas (cedinho, pertinho, etc.) são
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- comuns na língua popular.
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. Maria mora pertinho daqui. (muito perto)
A criança levantou cedinho. (muito cedo)
SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/ 2. Classificação dos Advérbios
morf32.php
De acordo com a circunstância que exprime, o advér-
bio pode ser de:
Advérbio A) Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, aco-
lá, atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde,
Compare estes exemplos: perto, aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, de-
O ônibus chegou. fronte, nenhures, adentro, afora, alhures, nenhures,
O ônibus chegou ontem. aquém, embaixo, externamente, à distância, à dis-
tância de, de longe, de perto, em cima, à direita, à
esquerda, ao lado, em volta.
Advérbio é uma palavra invariável que modifica o
B) Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora,
sentido do verbo (acrescentando-lhe circunstâncias de
amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente,
tempo, de modo, de lugar, de intensidade), do adjetivo e
antes, doravante, nunca, então, ora, jamais, agora,
do próprio advérbio.
sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve, constan-
Estudei bastante. = modificando o verbo estudei
temente, entrementes, imediatamente, primeira-
Ele canta muito bem! = intensificando outro advérbio
mente, provisoriamente, sucessivamente, às vezes,
(bem) à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em
Ela tem os olhos muito claros. = relação com um ad- quando, de quando em quando, a qualquer mo-
jetivo (claros) mento, de tempos em tempos, em breve, hoje em
dia.
Quando modifica um verbo, o advérbio pode acres- C) Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior, de-
centar ideia de: pressa, acinte, debalde, devagar, às pressas, às cla-
Tempo: Ela chegou tarde. ras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos
Lugar: Ele mora aqui. poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em
Modo: Eles agiram mal. geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em
Negação: Ela não saiu de casa. vão e a maior parte dos que terminam em “-men-
Dúvida: Talvez ele volte. te”: calmamente, tristemente, propositadamente,
pacientemente, amorosamente, docemente, escan-
1. Flexão do Advérbio dalosamente, bondosamente, generosamente.
LÍNGUA PORTUGUESA

D) Afirmação: sim, certamente, realmente, decerto,


Os advérbios são palavras invariáveis, isto é, não apre- efetivamente, certo, decididamente, deveras, indu-
sentam variação em gênero e número. Alguns advérbios, bitavelmente.
porém, admitem a variação em grau. Observe: E) Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum.
A) Grau Comparativo F) Dúvida: acaso, porventura, possivelmente, pro-
Forma-se o comparativo do advérbio do mesmo vavelmente, quiçá, talvez, casualmente, por certo,
modo que o comparativo do adjetivo: quem sabe.

29
G) Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em ex-
Aonde vai? Perguntei aonde ia.
cesso, bastante, mais, menos, demasiado, quanto,
quão, tanto, assaz, que (equivale a quão), tudo, Donde vens? Pergunto donde vens.
nada, todo, quase, de todo, de muito, por completo, Quando voltas? Pergunto quando voltas.
extremamente, intensamente, grandemente, bem
(quando aplicado a propriedades graduáveis). 5. Locução Adverbial
H) Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão, so-
mente, simplesmente, só, unicamente. Por exemplo: Quando há duas ou mais palavras que exercem fun-
Brando, o vento apenas move a copa das árvores. ção de advérbio, temos a locução adverbial, que pode
I) Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente, tam- expressar as mesmas noções dos advérbios. Iniciam ordi-
bém. Por exemplo: O indivíduo também amadurece nariamente por uma preposição. Veja:
durante a adolescência. A) lugar: à esquerda, à direita, de longe, de perto,
J) Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por para dentro, por aqui, etc.
exemplo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer B) afirmação: por certo, sem dúvida, etc.
aos meus amigos por comparecerem à festa. C) modo: às pressas, passo a passo, de cor, em vão,
em geral, frente a frente, etc.
D) tempo: de noite, de dia, de vez em quando, à tarde,
Saiba que: hoje em dia, nunca mais, etc.
Para se exprimir o limite de possibilidade, antepõe-se A locução adverbial e o advérbio modificam o verbo,
ao advérbio “o mais” ou “o menos”. Por exemplo: Ficarei o adjetivo e outro advérbio:
o mais longe que puder daquele garoto. Voltarei o menos Chegou muito cedo. (advérbio)
tarde possível. Joana é muito bela. (adjetivo)
Quando ocorrem dois ou mais advérbios em -mente, De repente correram para a rua. (verbo)
em geral sufixamos apenas o último: O aluno respondeu Usam-se, de preferência, as formas mais bem e mais
calma e respeitosamente. mal antes de adjetivos ou de verbos no particípio:
Essa matéria é mais bem interessante que aquela.
3. Distinção entre Advérbio e Pronome Indefinido Nosso aluno foi o mais bem colocado no concurso!
Há palavras como muito, bastante, que podem apare- O numeral “primeiro”, ao modificar o verbo, é advér-
cer como advérbio e como pronome indefinido. bio: Cheguei primeiro.
Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo, ou a outro Quanto a sua função sintática: o advérbio e a locução
advérbio e não sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muito. adverbial desempenham na oração a função de adjunto
Pronome Indefinido: relaciona-se a um substantivo adverbial, classificando-se de acordo com as circunstân-
e sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muitos quilômetros. cias que acrescentam ao verbo, ao adjetivo ou ao advér-
bio. Exemplo:
Meio cansada, a candidata saiu da sala. = adjunto ad-
#FicaDica
verbial de intensidade (ligado ao adjetivo “cansada”)
Como saber se a palavra bastante é advérbio Trovejou muito ontem. = adjunto adverbial de intensi-
(não varia, não se flexiona) ou pronome indefi- dade e de tempo, respectivamente.
nido (varia, sofre flexão)? Se der, na frase, para
substituir o “bastante” por “muito”, estamos REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
diante de um advérbio; se der para substituir Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
por “muitos” (ou muitas), é um pronome. Veja: reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
1. Estudei bastante para o concurso. (estudei Paulo: Saraiva, 2010.
muito, pois “muitos” não dá!) = advérbio Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
2. Estudei bastantes capítulos para o concurso. ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
(estudei muitos capítulos) = pronome indefinido SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
4. Advérbios Interrogativos
morf75.php
São as palavras: onde? aonde? donde? quando? como?
por quê? nas interrogações diretas ou indiretas, referen-
tes às circunstâncias de lugar, tempo, modo e causa. Veja: Artigo
LÍNGUA PORTUGUESA

O artigo integra as dez classes gramaticais, definindo-


Interrogação Direta Interrogação Indireta -se como o termo variável que serve para individualizar
Como aprendeu? Perguntei como aprendeu. ou generalizar o substantivo, indicando, também, o gê-
nero (masculino/feminino) e o número (singular/plural).
Onde mora? Indaguei onde morava. Os artigos se subdividem em definidos (“o” e as va-
Por que choras? Não sei por que choras. riações “a”[as] e [os]) e indefinidos (“um” e as variações
“uma”[s] e “uns]).

30
A) Artigos definidos – São usados para indicar se- ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.SAC-
res determinados, expressos de forma individual: O CONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi.
concurseiro estuda muito. Os concurseiros estudam 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
muito. Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
B) Artigos indefinidos – usados para indicar seres de reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
modo vago, impreciso: Uma candidata foi aprova- Paulo: Saraiva, 2010.
da! Umas candidatas foram aprovadas!
SITE
1. Circunstâncias em que os artigos se manifestam: http://www.brasilescola.com/gramatica/artigo.htm

Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do


numeral “ambos”: Ambos os concursos cobrarão tal con- Conjunção
teúdo.
Nomes próprios indicativos de lugar (ou topônimos) Além da preposição, há outra palavra também inva-
admitem o uso do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de riável que, na frase, é usada como elemento de ligação:
Janeiro, Veneza, A Bahia... a conjunção. Ela serve para ligar duas orações ou duas
Quando indicado no singular, o artigo definido pode palavras de mesma função em uma oração:
indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
No caso de nomes próprios personativos, denotando O concurso será realizado nas cidades de Campinas e
a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso São Paulo.
do artigo: Marcela é a mais extrovertida das irmãs. / O A prova não será fácil, por isso estou estudando muito.
Pedro é o xodó da família.
No caso de os nomes próprios personativos estarem 1. Morfossintaxe da Conjunção
no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias,
os Incas, Os Astecas... As conjunções, a exemplo das preposições, não exer-
Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a) cem propriamente uma função sintática: são conectivos.
para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (do
artigo), o pronome assume a noção de “qualquer”. 2. Classificação da Conjunção
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda)
Toda classe possui alunos interessados e desinteressa- De acordo com o tipo de relação que estabelecem,
dos. (qualquer classe) as conjunções podem ser classificadas em coordenati-
Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é fa- vas e subordinativas. No primeiro caso, os elementos
cultativo: Preparei o meu curso. Preparei meu curso. ligados pela conjunção podem ser isolados um do outro.
Esse isolamento, no entanto, não acarreta perda da uni-
A utilização do artigo indefinido pode indicar uma dade de sentido que cada um dos elementos possui. Já
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve no segundo caso, cada um dos elementos ligados pela
ter é uns vinte anos. conjunção depende da existência do outro. Veja:
O artigo também é usado para substantivar palavras Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo.
pertencentes a outras classes gramaticais: Não sei o por- Podemos separá-las por ponto:
quê de tudo isso. / O bem vence o mal. Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo.

2. Há casos em que o artigo definido não pode ser Temos acima um exemplo de conjunção (e, conse-
usado: quentemente, orações coordenadas) coordenativa –
Antes de nomes de cidade (topônimo) e de pessoas “mas”. Já em:
conhecidas: O professor visitará Roma. Espero que eu seja aprovada no concurso!
Não conseguimos separar uma oração da outra, pois
Mas, se o nome apresentar um caracterizador, a pre- a segunda “completa” o sentido da primeira (da oração
sença do artigo será obrigatória: O professor visitará a principal): Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período te-
bela Roma. mos uma oração subordinada substantiva objetiva direta
(ela exerce a função de objeto direto do verbo da oração
Antes de pronomes de tratamento: Vossa Senhoria principal).
sairá agora?
Exceção: O senhor vai à festa? 3. Conjunções Coordenativas
Após o pronome relativo “cujo” e suas variações: Esse
LÍNGUA PORTUGUESA

é o concurso cujas provas foram anuladas?/ Este é o can- São aquelas que ligam orações de sentido completo
didato cuja nota foi a mais alta. e independente ou termos da oração que têm a mesma
função gramatical. Subdividem-se em:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- A) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (= e
Paulo: Saraiva, 2010. não), não só... mas também, não só... como também,
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- bem como, não só... mas ainda.

31
A sua pesquisa é clara e objetiva. B) Concessivas: introduzem uma oração que expres-
Não só dança, mas também canta. sa ideia contrária à da principal, sem, no entanto,
impedir sua realização. São elas: embora, ainda
B) Adversativas: ligam duas orações ou palavras, que, apesar de que, se bem que, mesmo que, por
expressando ideia de contraste ou compensação. mais que, posto que, conquanto, etc.
São elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, Embora fosse tarde, fomos visitá-lo.
no entanto, não obstante.
Tentei chegar mais cedo, porém não consegui. C) Condicionais: introduzem uma oração que indica
a hipótese ou a condição para ocorrência da princi-
C) Alternativas: ligam orações ou palavras, expres- pal. São elas: se, caso, contanto que, salvo se, a não
sando ideia de alternância ou escolha, indicando ser que, desde que, a menos que, sem que, etc.
fatos que se realizam separadamente. São elas: ou, Se precisar de minha ajuda, telefone-me.
ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer, seja... seja, tal-
vez... talvez.
Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário. #FicaDica
Você deve ter percebido que a conjunção
D) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração
condicional “se” também é conjunção inte-
que expressa ideia de conclusão ou consequência.
grante. A diferença é clara ao ler as orações
São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por
que são introduzidas por ela. Acima, ela nos
conseguinte, por isso, assim.
dá a ideia da condição para que recebamos
Marta estava bem preparada para o teste, portanto
um telefonema (se for preciso ajuda). Já na
não ficou nervosa.
oração: Não sei se farei o concurso. Não
Você nos ajudou muito; terá, pois, nossa gratidão.
há ideia de condição alguma, há? Outra coi-
sa: o verbo da oração principal (sei) pede
E) Explicativas: ligam a oração anterior a uma oração
complemento (objeto direto, já que “quem
que a explica, que justifica a ideia nela contida. São
não sabe, não sabe algo”). Portanto, a oração
elas: que, porque, pois (antes do verbo), porquanto.
em destaque exerce a função de objeto di-
Não demore, que o filme já vai começar.
reto da oração principal, sendo classificada
Falei muito, pois não gosto do silêncio!
como oração subordinada substantiva obje-
4. Conjunções Subordinativas
tiva direta.
São aquelas que ligam duas orações, sendo uma de-
las dependente da outra. A oração dependente, intro- D) Conformativas: introduzem uma oração que ex-
duzida pelas conjunções subordinativas, recebe o nome prime a conformidade de um fato com outro. São
de oração subordinada. Veja o exemplo: O baile já tinha elas: conforme, como (= conforme), segundo, con-
começado quando ela chegou. soante, etc.
O baile já tinha começado: oração principal O passeio ocorreu como havíamos planejado.
quando: conjunção subordinativa (adverbial tempo-
ral) E) Finais: introduzem uma oração que expressa a fi-
ela chegou: oração subordinada nalidade ou o objetivo com que se realiza a oração
principal. São elas: para que, a fim de que, que, por-
As conjunções subordinativas subdividem-se em in- que (= para que), que, etc.
tegrantes e adverbiais: Toque o sinal para que todos entrem no salão.

Integrantes - Indicam que a oração subordinada por F) Proporcionais: introduzem uma oração que ex-
elas introduzida completa ou integra o sentido da prin- pressa um fato relacionado proporcionalmente à
cipal. Introduzem orações que equivalem a substantivos, ocorrência do expresso na principal. São elas: à
ou seja, as orações subordinadas substantivas. São elas: medida que, à proporção que, ao passo que e as
que, se. combinações quanto mais... (mais), quanto me-
Quero que você volte. (Quero sua volta) nos... (menos), quanto menos... (mais), quanto me-
nos... (menos), etc.
Adverbiais - Indicam que a oração subordinada exer- O preço fica mais caro à medida que os produtos es-
ce a função de adjunto adverbial da principal. De acordo casseiam.
com a circunstância que expressam, classificam-se em:
Observação:
LÍNGUA PORTUGUESA

A) Causais: introduzem uma oração que é causa da São incorretas as locuções proporcionais à medida
ocorrência da oração principal. São elas: porque, em que, na medida que e na medida em que.
que, como (= porque, no início da frase), pois que,
visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde G) Temporais: introduzem uma oração que acrescen-
que, etc. ta uma circunstância de tempo ao fato expresso na
oração principal. São elas: quando, enquanto, antes
Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios. que, depois que, logo que, todas as vezes que, desde

32
que, sempre que, assim que, agora que, mal (= as- Psiu!
sim que), etc. contexto: alguém pronunciando esta expressão na
rua; significado da interjeição (sugestão): “Estou te cha-
A briga começou assim que saímos da festa. mando! Ei, espere!”

H) Comparativas: introduzem uma oração que ex- Psiu!


pressa ideia de comparação com referência à ora- contexto: alguém pronunciando em um hospital; sig-
ção principal. São elas: como, assim como, tal como, nificado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça silên-
como se, (tão)... como, tanto como, tanto quanto, do cio!”
que, quanto, tal, qual, tal qual, que nem, que (com-
binado com menos ou mais), etc. Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio!
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem. puxa: interjeição; tom da fala: euforia
Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte!
puxa: interjeição; tom da fala: decepção
I) Consecutivas: introduzem uma oração que expres- As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:
sa a consequência da principal. São elas: de sorte
que, de modo que, sem que (= que não), de forma A) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo ale-
que, de jeito que, que (tendo como antecedente na gria, tristeza, dor, etc.: Ah, deve ser muito interes-
oração principal uma palavra como tal, tão, cada, sante!
tanto, tamanho), etc. B) Sintetizar uma frase apelativa: Cuidado! Saia da
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do minha frente.
exame.
As interjeições podem ser formadas por:
 simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô
FIQUE ATENTO!  palavras: Oba! Olá! Claro!
Muitas conjunções não têm classificação  grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu
única, imutável, devendo, portanto, ser clas- Deus! Ora bolas!
sificadas de acordo com o sentido que apre-
sentam no contexto (destaque da Zê!). 1. Classificação das Interjeições

Comumente, as interjeições expressam sentido de:


A) Advertência: Cuidado! Devagar! Calma! Sentido!
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Atenção! Olha! Alerta!
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa B) Afugentamento: Fora! Passa! Rua!
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. C) Alegria ou Satisfação: Oh! Ah! Eh! Oba! Viva!
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- D) Alívio: Arre! Uf! Ufa! Ah!
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São E) Animação ou Estímulo: Vamos! Força! Coragem!
Paulo: Saraiva, 2010. Ânimo! Adiante!
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. F) Aplauso ou Aprovação: Bravo! Bis! Apoiado! Viva!
G) Concordância: Claro! Sim! Pois não! Tá!
SITE H) Repulsa ou Desaprovação: Credo! Ih! Francamen-
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
te! Essa não! Chega! Basta!
morf84.php
I) Desejo ou Intenção: Pudera! Tomara! Oxalá! Quei-
Interjeição ra Deus!
J) Desculpa: Perdão!
Interjeição é a palavra invariável que exprime emo- K) Dor ou Tristeza: Ai! Ui! Ai de mim! Que pena!
ções, sensações, estados de espírito. É um recurso da lin- L) Dúvida ou Incredulidade: Que nada! Qual o quê!
guagem afetiva, em que não há uma ideia organizada de M) Espanto ou Admiração: Oh! Ah! Uai! Puxa! Céus!
maneira lógica, como são as sentenças da língua, mas Quê! Caramba! Opa! Nossa! Hein? Cruz! Putz!
sim a manifestação de um suspiro, um estado da alma N) Impaciência ou Contrariedade: Hum! Raios!
decorrente de uma situação particular, um momento ou Puxa! Pô! Ora!
um contexto específico. Exemplos: O) Pedido de Auxílio: Socorro! Aqui! Piedade!
Ah, como eu queria voltar a ser criança! P) Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!
ah: expressão de um estado emotivo = interjeição Viva! Olá! Alô! Tchau! Psiu! Socorro! Valha-me,
LÍNGUA PORTUGUESA

Hum! Esse pudim estava maravilhoso! Deus!


hum: expressão de um pensamento súbito = inter- Q) Silêncio: Psiu! Silêncio!
jeição R) Terror ou Medo: Credo! Cruzes! Minha nossa!

O significado das interjeições está vinculado à ma- Saiba que:


neira como elas são proferidas. O tom da fala é que dita As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não so-
o sentido que a expressão vai adquirir em cada contexto frem variação em gênero, número e grau como os no-
em que for utilizada. Exemplos: mes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto e

33
voz como os verbos. No entanto, em uso específico, al- palavras consideradas numerais porque denotam quan-
gumas interjeições sofrem variação em grau. Não se trata tidade, proporção ou ordenação. São alguns exemplos:
de um processo natural desta classe de palavra, mas tão década, dúzia, par, ambos(as), novena.
só uma variação que a linguagem afetiva permite. Exem-
plos: oizinho, bravíssimo, até loguinho. 1. Classificação dos Numerais

2. Locução Interjetiva A) Cardinais: indicam quantidade exata ou determi-


nada de seres: um, dois, cem mil, etc. Alguns car-
Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma dinais têm sentido coletivo, como por exemplo:
expressão com sentido de interjeição: Ora bolas!, Virgem século, par, dúzia, década, bimestre.
Maria!, Meu Deus!, Ó de casa!, Ai de mim!, Graças a Deus!
Toda frase mais ou menos breve dita em tom excla- B) Ordinais: indicam a ordem, a posição que alguém
mativo torna-se uma locução interjetiva, dispensando ou alguma coisa ocupa numa determinada se-
análise dos termos que a compõem: Macacos me mor- quência: primeiro, segundo, centésimo, etc.
dam!, Valha-me Deus!, Quem me dera!
1. As interjeições são como frases resumidas, sinté-
ticas. Por exemplo: Ué! (= Eu não esperava por #FicaDica
essa!) / Perdão! (= Peço-lhe que me desculpe)
2. Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é As palavras anterior, posterior, último, ante-
o seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras penúltimo, final e penúltimo também indi-
classes gramaticais podem aparecer como inter- cam posição dos seres, mas são classificadas
jeições. Por exemplo: Viva! Basta! (Verbos) / Fora! como adjetivos, não ordinais.
Francamente! (Advérbios)
3. A interjeição pode ser considerada uma “palavra-
-frase” porque sozinha pode constituir uma men- C) Fracionários: indicam parte de uma quantidade,
sagem. Por exemplo: Socorro! Ajudem-me! Silêncio! ou seja, uma divisão dos seres: meio, terço, dois
Fique quieto! quintos, etc.
4. Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imi- D) Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação
tativas, que exprimem ruídos e vozes. Por exemplo: dos seres, indicando quantas vezes a quantidade
Miau! Bumba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-ta- foi aumentada: dobro, triplo, quíntuplo, etc.
que! Quá-quá-quá!, etc. 2. Flexão dos numerais
5. Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” Os numerais cardinais que variam em gênero são um/
com a sua homônima “oh!”, que exprime admira- uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/
ção, alegria, tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois duzentas em diante: trezentos/trezentas, quatrocentos/
do “oh!” exclamativo e não a fazemos depois do quatrocentas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão,
“ó” vocativo. Por exemplo: “Ó natureza! ó mãe pie- variam em número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais
dosa e pura!” (Olavo Bilac) cardinais são invariáveis.
Os numerais ordinais variam em gênero e número:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa primeiro segundo milésimo
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramá- primeira segunda milésima
tica – volume único / Samira Yousseff Campedelli, Jésus primeiros segundos milésimos
Barbosa Souza. – 3. Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
primeiras segundas milésimas
SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/ Os numerais multiplicativos são invariáveis quando
morf89.php atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do es-
forço e conseguiram o triplo de produção.
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais
NUMERAL flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses
triplas do medicamento.
Numeral é a palavra variável que indica quantidade Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e
numérica ou ordem; expressa a quantidade exata de pes- número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/
soas ou coisas ou o lugar que elas ocupam numa deter- duas terças partes.
LÍNGUA PORTUGUESA

minada sequência. Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma


Os numerais traduzem, em palavras, o que os núme- dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
ros indicam em relação aos seres. Assim, quando a ex- É comum na linguagem coloquial a indicação de grau
pressão é colocada em números (1, 1.º, 1/3, etc.) não se nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização
trata de numerais, mas sim de algarismos. de sentido. É o que ocorre em frases como:
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem “Me empresta duzentinho...”
a ideia expressa pelos números, existem mais algumas É artigo de primeiríssima qualidade!

34
O time está arriscado por ter caído na segundona. (= segunda divisão de futebol)

3. Emprego e Leitura dos Numerais

Os numerais são escritos em conjunto de três algarismos, contados da direita para a esquerda, em forma de cente-
nas, dezenas e unidades, tendo cada conjunto uma separação através de ponto ou espaço correspondente a um ponto:
8.234.456 ou 8 234 456.

Em sentido figurado, usa-se o numeral para indicar exagero intencional, constituindo a figura de linguagem conhe-
cida como hipérbole: Já li esse texto mil vezes.
No português contemporâneo, não se usa a conjunção “e” após “mil”, seguido de centena: Nasci em mil novecentos
e noventa e dois.
Seu salário será de mil quinhentos e cinquenta reais.

Mas, se a centena começa por “zero” ou termina por dois zeros, usa-se o “e”: Seu salário será de mil e quinhentos
reais. (R$1.500,00)
Gastamos mil e quarenta reais. (R$1.040,00)

Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até
décimo e, a partir daí, os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo;

Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

Se o numeral aparece antes do substantivo, será lido como ordinal: XXX Feira do Bordado. (trigésima)

#FicaDica
Ordinal lembra ordem. Memorize assim, por associação. Ficará mais fácil!

Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

Ambos/ambas = numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma
e outra”, “as duas”) e são largamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência. Sua uti-
lização exige a presença do artigo posposto: Ambos os concursos realizarão suas provas no mesmo dia. O artigo só é
dispensado caso haja um pronome demonstrativo: Ambos esses ministros falarão à imprensa.

Quadro de alguns numerais

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
LÍNGUA PORTUGUESA

três terceiro triplo, tríplice terço


quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo

35
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo
ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
LÍNGUA PORTUGUESA

http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf40.php

Preposição

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, nor-
malmente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na

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estrutura da língua, pois estabelecem a coesão textual e 2. Relações semânticas (= de sentido) estabeleci-
possuem valores semânticos indispensáveis para a com- das por meio das preposições:
preensão do texto. Destino = Irei a Salvador.
Modo = Saiu aos prantos.
1. Tipos de Preposição Lugar = Sempre a seu lado.
Assunto = Falemos sobre futebol.
A) Preposições essenciais: palavras que atuam ex- Tempo = Chegarei em instantes.
clusivamente como preposições: a, ante, perante, Causa = Chorei de saudade.
após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, Fim ou finalidade = Vim para ficar.
por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para Instrumento = Escreveu a lápis.
com. Posse = Vi as roupas da mamãe.
B) Preposições acidentais: palavras de outras classes Autoria = livro de Machado de Assis
gramaticais que podem atuar como preposições, Companhia = Estarei com ele amanhã.
ou seja, formadas por uma derivação imprópria: Matéria = copo de cristal.
como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segun- Meio = passeio de barco.
do, senão, visto. Origem = Nós somos do Nordeste.
C) Locuções prepositivas: duas ou mais palavras va- Conteúdo = frascos de perfume.
lendo como uma preposição, sendo que a última Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
palavra é uma (preposição): abaixo de, acerca de, Preço = Essa roupa sai por cinquenta reais.
acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com,
em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de, Quanto à preposição “trás”: não se usa senão nas
graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por locuções adverbiais (para trás ou por trás) e na locução
cima de, por trás de. prepositiva por trás de.
A preposição é invariável e, no entanto, pode unir-se
a outras palavras e, assim, estabelecer concordância em REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
gênero ou em número. Exemplo: por + o = pelo / por + SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
a = pela. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Essa concordância não é característica da preposição, Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce-
mas das palavras às quais ela se une. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
Esse processo de junção de uma preposição com ou- Paulo: Saraiva, 2010.
tra palavra pode se dar a partir dos processos de: Português: novas palavras: literatura, gramática, reda-
 Combinação: união da preposição “a” com o ar- ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
tigo “o”(s), ou com o advérbio “onde”: ao, aonde,
aos. Os vocábulos não sofrem alteração. SITE
 Contração: união de uma preposição com outra http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
palavra, ocorrendo perda ou transformação de fo-
nema: de + o = do, em + a = na, per + os = pelos, Substantivo
de + aquele = daquele, em + isso = nisso.
 Crase: é a fusão de vogais idênticas: à (“a” preposi- Substantivo é a classe gramatical de palavras variá-
ção + “a” artigo), àquilo (“a” preposição + 1.ª vogal veis, as quais denominam todos os seres que existem,
do pronome “aquilo”). sejam reais ou imaginários. Além de objetos, pessoas e
fenômenos, os substantivos também nomeiam:
 lugares: Alemanha, Portugal
#FicaDica  sentimentos: amor, saudade
 estados: alegria, tristeza
O “a” pode funcionar como preposição,  qualidades: honestidade, sinceridade
pronome pessoal oblíquo e artigo. Como  ações: corrida, pescaria
distingui-los? Caso o “a” seja um artigo, virá
precedendo um substantivo, servindo para
1. Morfossintaxe do substantivo
determiná-lo como um substantivo singular
e feminino: A matéria que estudei é fácil!
Nas orações, geralmente o substantivo exerce fun-
ções diretamente relacionadas com o verbo: atua como
Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois núcleo do sujeito, dos complementos verbais (objeto di-
LÍNGUA PORTUGUESA

termos e estabelece relação de subordinação entre eles. reto ou indireto) e do agente da passiva, podendo, ainda,
Irei à festa sozinha. funcionar como núcleo do complemento nominal ou do
Entregamos a flor à professora! = o primeiro “a” é arti- aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do obje-
go; o segundo, preposição. to ou como núcleo do vocativo. Também encontramos
Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e de
lugar e/ou a função de um substantivo: Nós trouxemos a adjuntos adverbiais - quando essas funções são desem-
apostila. = Nós a trouxemos. penhadas por grupos de palavras.

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2. Classificação dos Substantivos
Substantivo coletivo Conjunto de:
A) Substantivos Comuns e Próprios assembleia pessoas reunidas
Observe a definição: alcateia lobos
Cidade: s.f. 1. Povoação maior que vila, com muitas
casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil, acervo livros
toda a sede de município é cidade). 2. O centro de uma antologia trechos literários selecionados
cidade (em oposição aos bairros).
Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas arquipélago ilhas
e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada banda músicos
cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substan- bando desordeiros ou malfeitores
tivo comum.
Substantivo Comum é aquele que designa os seres de banca examinadores
uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino, batalhão soldados
homem, mulher, país, cachorro.
Estamos voando para Barcelona. cardume peixes
caravana viajantes peregrinos
O substantivo Barcelona designa apenas um ser da
espécie cidade. Barcelona é um substantivo próprio – cacho frutas
aquele que designa os seres de uma mesma espécie de cancioneiro canções, poesias líricas
forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil. colmeia abelhas
B) Substantivos Concretos e Abstratos concílio bispos
B.1 Substantivo Concreto: é aquele que designa o congresso parlamentares, cientistas
ser que existe, independentemente de outros seres.
Observação: elenco atores de uma peça ou filme
Os substantivos concretos designam seres do mundo esquadra navios de guerra
real e do mundo imaginário.
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, enxoval roupas
Brasília. falange soldados, anjos
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantas- fauna animais de uma região
ma.
feixe lenha, capim
B.2 Substantivo Abstrato: é aquele que designa se- flora vegetais de uma região
res que dependem de outros para se manifestarem ou
existirem. Por exemplo: a beleza não existe por si só, frota navios mercantes, ônibus
não pode ser observada. Só podemos observar a beleza girândola fogos de artifício
numa pessoa ou coisa que seja bela. A beleza depende
horda bandidos, invasores
de outro ser para se manifestar. Portanto, a palavra bele-
za é um substantivo abstrato. junta médicos, bois, credores, exa-
Os substantivos abstratos designam estados, quali- minadores
dades, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem júri jurados
ser abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida
(estado), rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade legião soldados, anjos, demônios
(sentimento). leva presos, recrutas
 Substantivos Coletivos malta malfeitores ou desordeiros
manada búfalos, bois, elefantes,
Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha,
outra abelha, mais outra abelha. matilha cães de raça
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas. molho chaves, verduras
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame. multidão pessoas em geral
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne- nuvem insetos (gafanhotos, mosqui-
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha, tos, etc.)
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mais outra abelha. No segundo caso, utilizaram-se duas penca bananas, chaves
palavras no plural. No terceiro, empregou-se um subs-
tantivo no singular (enxame) para designar um conjunto pinacoteca pinturas, quadros
de seres da mesma espécie (abelhas). quadrilha ladrões, bandidos
O substantivo enxame é um substantivo coletivo.
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, ramalhete flores
mesmo estando no singular, designa um conjunto de se- rebanho ovelhas
res da mesma espécie.

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repertório peças teatrais, obras musicais Pertencem ao gênero feminino os substantivos que
podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas:
réstia alhos ou cebolas A história sem fim
romanceiro poesias narrativas Uma cidade sem passado
As tartarugas ninjas
revoada pássaros
sínodo párocos 5. Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes
talha lenha
1. Substantivos Biformes (= duas formas): apresen-
tropa muares, soldados tam uma forma para cada gênero: gato – gata, ho-
turma estudantes, trabalhadores mem – mulher, poeta – poetisa, prefeito - prefeita
2. Substantivos Uniformes: apresentam uma única
vara porcos forma, que serve tanto para o masculino quanto
para o feminino. Classificam-se em:
3. Formação dos Substantivos A) Epicenos: referentes a animais. A distinção de sexo
se faz mediante a utilização das palavras “macho”
A) Substantivos Simples e Compostos e “fêmea”: a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a macho e o jacaré fêmea.
terra. B) Sobrecomuns: substantivos uniformes referentes a
O substantivo chuva é formado por um único ele- pessoas de ambos os sexos: a criança, a testemunha,
mento ou radical. É um substantivo simples. a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o indivíduo.
C) Comuns de Dois ou Comum de Dois Gêneros:
A.1 Substantivo Simples: é aquele formado por um indicam o sexo das pessoas por meio do artigo: o
único elemento. colega e a colega, o doente e a doente, o artista e
a artista.
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja
agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois
Substantivos de origem grega terminados em ema
elementos (guarda + chuva). Esse substantivo é compos- ou oma são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o
to. sintoma, o teorema.
A.2 Substantivo Composto: é aquele formado por  Existem certos substantivos que, variando de
dois ou mais elementos. Outros exemplos: beija-flor, pas- gênero, variam em seu significado:
satempo. o águia (vigarista) e a águia (ave; perspicaz); o cabeça
(líder) e a cabeça (parte do corpo); o capital (dinheiro) e
B) Substantivos Primitivos e Derivados a capital (cidade); o coma (sono mórbido) e a coma (ca-
B.1 Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva beleira, juba); o lente (professor) e a lente (vidro de au-
de nenhuma outra palavra da própria língua portuguesa. mento); o moral (estado de espírito) e a moral (ética; con-
B.2 Substantivo Derivado: é aquele que se origina clusão); o praça (soldado raso) e a praça (área pública);
de outra palavra. O substantivo limoeiro, por exemplo, é o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação emissora).
derivado, pois se originou a partir da palavra limão.
6. Formação do Feminino dos Substantivos Bifor-
4. Flexão dos substantivos mes

O substantivo é uma classe variável. A palavra é variá- Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno
- aluna.
vel quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por
 Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a
exemplo, pode sofrer variações para indicar:
ao masculino: freguês - freguesa
Plural: meninos / Feminino: menina / Aumentativo:  Substantivos terminados em -ão: fazem o femini-
meninão / Diminutivo: menininho no de três formas:
1. troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
A) Flexão de Gênero 2. troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
Gênero é um princípio puramente linguístico, não de- 3. troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
vendo ser confundido com “sexo”. O gênero diz respeito Exceções: barão – baronesa, ladrão - ladra, sultão -
a todos os substantivos de nossa língua, quer se refiram sultana
a seres animais providos de sexo, quer designem apenas
“coisas”: o gato/a gata; o banco, a casa.  Substantivos terminados em -or:
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Na língua portuguesa, há dois gêneros: masculino e acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora


feminino. Pertencem ao gênero masculino os substanti- troca-se -or por -triz: = imperador – imperatriz
vos que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns.  Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa:
Veja estes títulos de filmes: cônsul - consulesa / abade - abadessa / poeta - poe-
tisa / duque - duquesa / conde - condessa / profeta
O velho e o mar - profetisa
Um Natal inesquecível  Substantivos que formam o feminino trocando o
Os reis da praia -e final por -a: elefante - elefanta

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 Substantivos que têm radicais diferentes no mas- maracajá, o clã, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o
culino e no feminino: bode – cabra / boi - vaca proclama, o pernoite, o púbis.
 Substantivos que formam o feminino de maneira Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata,
especial, isto é, não seguem nenhuma das regras a cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a
anteriores: czar – czarina, réu - ré libido, a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).

7. Formação do Feminino dos Substantivos Uni- São geralmente masculinos os substantivos de ori-
formes gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o
Epicenos: telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema,
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros. o eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o tra-
coma, o hematoma.
Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
Isso ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma
forma para indicar o masculino e o feminino. Gênero dos Nomes de Cidades - Com raras exce-
Alguns nomes de animais apresentam uma só for- ções, nomes de cidades são femininos: A histórica Ouro
ma para designar os dois sexos. Esses substantivos são Preto. / A dinâmica São Paulo. / A acolhedora Porto Ale-
chamados de epicenos. No caso dos epicenos, quando gre. / Uma Londres imensa e triste.
houver a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
palavras macho e fêmea.
A cobra macho picou o marinheiro. 10. Gênero e Significação
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira.
Muitos substantivos, como já mencionado anterior-
mente, têm uma significação no masculino e outra no fe-
8. Sobrecomuns:
minino. Observe: o baliza (soldado que à frente da tropa,
Entregue as crianças à natureza.
indica os movimentos que se deve realizar em conjunto; o
que vai à frente de um bloco carnavalesco, manejando um
A palavra crianças se refere tanto a seres do sexo mas- bastão), a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite
culino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem ou proibição de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (par-
o artigo nem um possível adjetivo permitem identificar o te do corpo), o cisma (separação religiosa, dissidência), a
sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja: cisma (ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor cinzen-
A criança chorona chamava-se João. ta), a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinheiro),
A criança chorona chamava-se Maria. a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma
(cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro),
Outros substantivos sobrecomuns: a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma na administração da crisma e de outros sacramentos), a
boa criatura. crisma (sacramento da confirmação), o cura (pároco), a
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de cura (ato de curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe
Marcela faleceu (vasta planície de vegetação), o guia (pessoa que guia ou-
tras), a guia (documento, pena grande das asas das aves),
9. Comuns de Dois Gêneros: o grama (unidade de peso), a grama (relva), o caixa (fun-
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois. cionário da caixa), a caixa (recipiente, setor de pagamen-
tos), o lente (professor), a lente (vidro de aumento), o mo-
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher? ral (ânimo), a moral (honestidade, bons costumes, ética),
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma o nascente (lado onde nasce o Sol), a nascente (a fonte),
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme. o maria-fumaça (trem como locomotiva a vapor), maria-
A distinção de gênero pode ser feita através da análi- -fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala (poncho), a
se do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o subs- pala (parte anterior do boné ou quepe, anteparo), o rádio
tantivo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; (aparelho receptor), a rádio (emissora), o voga (remador),
um jovem - uma jovem; artista famoso - artista famosa; a voga (moda).
repórter francês - repórter francesa.
B) Flexão de Número do Substantivo
A palavra personagem é usada indistintamente nos
dois gêneros. Entre os escritores modernos nota-se acen-
Em português, há dois números gramaticais: o singu-
tuada preferência pelo masculino: O menino descobriu
lar, que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural,
nas nuvens os personagens dos contos de carochinha.
LÍNGUA PORTUGUESA

que indica mais de um ser ou grupo de seres. A caracte-


Com referência à mulher, deve-se preferir o feminino: rística do plural é o “s” final.
O problema está nas mulheres de mais idade, que não
aceitam a personagem. 11. Plural dos Substantivos Simples
Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo
fotográfico Ana Belmonte. Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e
Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó “n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã –
)pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural).

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Exceção: cânon - cânones. substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
Os substantivos terminados em “m” fazem o plural substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-per-
em “ns”: homem - homens. feitos
Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-ho-
pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes. mens
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras
O plural de caráter é caracteres.
Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam- B) Flexiona-se somente o segundo elemento,
-se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; quando formados de:
caracol – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males, verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
cônsul e cônsules. palavra invariável + palavra variável = alto-falante e
Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de alto-falantes
duas maneiras: palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-
1. Quando oxítonos, em “is”: canil - canis -recos
2. Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis.
C) Flexiona-se somente o primeiro elemento,
Observação: quando formados de:
substantivo + preposição clara + substantivo = água-
A palavra réptil pode formar seu plural de duas ma-
-de-colônia e águas-de-colônia
neiras: répteis ou reptis (pouco usada).
substantivo + preposição oculta + substantivo = ca-
valo-vapor e cavalos-vapor
Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de substantivo + substantivo que funciona como deter-
duas maneiras: minante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o
1. Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o tipo do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave,
acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses bomba-relógio - bombas-relógio, homem-rã - homens-rã,
2. Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam in- peixe-espada - peixes-espada.
variáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus.
D) Permanecem invariáveis, quando formados de:
Os substantivos terminados em “ão” fazem o plural verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
de três maneiras. verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os
1. substituindo o -ão por -ões: ação - ações saca-rolhas
2. substituindo o -ão por -ães: cão - cães
3. substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos 13. Casos Especiais

Observação: o louva-a-deus e os louva-a-deus


Muitos substantivos terminados em “ão” apresentam
dois – e até três – plurais: o bem-te-vi e os bem-te-vis
aldeão – aldeões/aldeães/aldeãos o bem-me-quer e os bem-me-queres
ancião – anciões/anciães/anciãos
o joão-ninguém e os joões-ninguém.
charlatão – charlatões/charlatães
corrimão – corrimãos/corrimões
14. Plural das Palavras Substantivadas
guardião – guardiões/guardiães
vilão – vilãos/vilões/vilães
As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
classes gramaticais usadas como substantivo apresen-
Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: tam, no plural, as flexões próprias dos substantivos.
o látex - os látex. Pese bem os prós e os contras.
O aluno errou na prova dos noves.
12. Plural dos Substantivos Compostos Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.

A formação do plural dos substantivos compostos Observação:


depende da forma como são grafados, do tipo de pa- Numerais substantivados terminados em “s” ou “z”
lavras que formam o composto e da relação que esta- não variam no plural: Nas provas mensais consegui muitos
belecem entre si. Aqueles que são grafados sem hífen seis e alguns dez.
comportam-se como os substantivos simples: aguar-
dente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/pontapés,
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malmequer/malmequeres. 15. Plural dos Diminutivos

O plural dos substantivos compostos cujos elementos Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” fi-
são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas nal e acrescenta-se o sufixo diminutivo.
e discussões. Algumas orientações são dadas a seguir:
pãe(s) + zinhos = pãezinhos
A) Flexionam-se os dois elementos, quando forma-
dos de: animai(s) + zinhos = animaizinhos

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botõe(s) + zinhos = botõezinhos ovo ovos
chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos poço poços
farói(s) + zinhos = faroizinhos porto portos
tren(s) + zinhos = trenzinhos posto postos
colhere(s) + zinhas = colherezinhas tijolo tijolos
flore(s) + zinhas = florezinhas
Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bol-
mão(s) + zinhas = mãozinhas sos, esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros,
papéi(s) + zinhos = papeizinhos etc.
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas
Observação:
funi(s) + zinhos = funizinhos Distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos molho (ó) = feixe (molho de lenha).
Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o
pai(s) + zinhos = paizinhos norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
pé(s) + zinhos = pezinhos Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames,
as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
pé(s) + zitos = pezitos
Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do
singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probida-
16. Plural dos Nomes Próprios Personativos de, bom nome) e honras (homenagem, títulos).
Usamos, às vezes, os substantivos no singular, mas
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas com sentido de plural:
sempre que a terminação preste-se à flexão. Aqui morreu muito negro.
Os Napoleões também são derrotados. Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas
As Raquéis e Esteres. improvisadas.

17. Plural dos Substantivos Estrangeiros C) Flexão de Grau do Substantivo

Substantivos ainda não aportuguesados devem ser Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir
escritos como na língua original, acrescentando-se “s” as variações de tamanho dos seres. Classifica-se em:
(exceto quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os 1. Grau Normal - Indica um ser de tamanho conside-
shorts, os jazz. rado normal. Por exemplo: casa
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de 2. Grau Aumentativo - Indica o aumento do tama-
acordo com as regras de nossa língua: os clubes, os cho- nho do ser. Classifica-se em:
pes, os jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, Analítico = o substantivo é acompanhado de um ad-
os réquiens. jetivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
Observe o exemplo: Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in-
Este jogador faz gols toda vez que joga. dicador de aumento. Por exemplo: casarão.
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa.
3. Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tama-
18. Plural com Mudança de Timbre nho do ser. Pode ser:
Analítico = substantivo acompanhado de um adjeti-
Certos substantivos formam o plural com mudança vo que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
de timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo in-
fato fonético chamado metafonia (plural metafônico). dicador de diminuição. Por exemplo: casinha.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Singular Plural
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
corpo (ô) corpos (ó) Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
esforço esforços Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
fogo fogos Paulo: Saraiva, 2010.
LÍNGUA PORTUGUESA

forno fornos CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,


Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
fosso fossos
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
imposto impostos São Paulo: Saraiva, 2002.
olho olhos
SITE
osso (ô) ossos (ó) http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
morf12.php

42
Pronome A) Pronome Reto
Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sen-
Pronome é a palavra variável que substitui ou acom- tença, exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos
panha um substantivo (nome), qualificando-o de alguma flores.
forma. Os pronomes retos apresentam flexão de número,
O homem julga que é superior à natureza, por isso o gênero (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa úl-
homem destrói a natureza... tima a principal flexão, uma vez que marca a pessoa do
Utilizando pronomes, teremos: O homem julga que é discurso. Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é
superior à natureza, por isso ele a destrói... assim configurado:
Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de ter- 1.ª pessoa do singular: eu
mos (homem e natureza). 2.ª pessoa do singular: tu
Grande parte dos pronomes não possuem significa- 3.ª pessoa do singular: ele, ela
dos fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação 1.ª pessoa do plural: nós
dentro de um contexto, o qual nos permite recuperar a 2.ª pessoa do plural: vós
referência exata daquilo que está sendo colocado por 3.ª pessoa do plural: eles, elas
meio dos pronomes no ato da comunicação. Com ex-
ceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os de- Esses pronomes não costumam ser usados como
mais pronomes têm por função principal apontar para as complementos verbais na língua-padrão. Frases como
pessoas do discurso ou a elas se relacionar, indicando- “Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu
-lhes sua situação no tempo ou no espaço. Em virtude até aqui”- comuns na língua oral cotidiana - devem ser
dessa característica, os pronomes apresentam uma for- evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for-
ma específica para cada pessoa do discurso. mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon-
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-
[minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala] -me até aqui”.
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada?
Frequentemente observamos a omissão do pronome
[tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se
reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias
fala]
formas verbais marcam, através de suas desinências, as
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.
pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos
[dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem
boa viagem. (Nós)
se fala]
B) Pronome Oblíquo
Em termos morfológicos, os pronomes são palavras
Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na
variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em núme-
ro (singular ou plural). Assim, espera-se que a referência sentença, exerce a função de complemento verbal
através do pronome seja coerente em termos de gênero (objeto direto ou indireto): Ofertaram-nos flores. (ob-
e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto, jeto indireto)
mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado.
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da Observação:
nossa escola neste ano. O pronome oblíquo é uma forma variante do prono-
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordân- me pessoal do caso reto. Essa variação indica a função
cia adequada] diversa que eles desempenham na oração: pronome reto
[neste: pronome que determina “ano” = concordância marca o sujeito da oração; pronome oblíquo marca o
adequada] complemento da oração. Os pronomes oblíquos sofrem
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = con- variação de acordo com a acentuação tônica que pos-
cordância inadequada] suem, podendo ser átonos ou tônicos.

Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, 2. Pronome Oblíquo Átono


demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos.
São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
são precedidos de preposição. Possuem acentuação tô-
nica fraca: Ele me deu um presente.
1. Pronomes Pessoais
Lista dos pronomes oblíquos átonos
São aqueles que substituem os substantivos, indi- 1.ª pessoa do singular (eu): me
2.ª pessoa do singular (tu): te
LÍNGUA PORTUGUESA

cando diretamente as pessoas do discurso. Quem fala


ou escreve assume os pronomes “eu” ou “nós”; usa-se 3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
os pronomes “tu”, “vós”, “você” ou “vocês” para designar 1.ª pessoa do plural (nós): nos
a quem se dirige, e “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer 2.ª pessoa do plural (vós): vos
referência à pessoa ou às pessoas de quem se fala. 3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes
Os pronomes pessoais variam de acordo com as fun-
ções que exercem nas orações, podendo ser do caso reto
ou do caso oblíquo.

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go, conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos
FIQUE ATENTO! frequentemente exercem a função de adjunto adverbial
Os pronomes o, os, a, as assumem formas es- de companhia: Ele carregava o documento consigo.
peciais depois de certas terminações verbais: A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas:
1. Quando o verbo termina em -z, -s ou -r, Ela veio até mim, mas nada falou.
o pronome assume a forma lo, los, la ou las, Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de
ao mesmo tempo que a terminação verbal é inclusão), usaremos as formas retas: Todos foram bem na
suprimida. Por exemplo: prova, até eu! (= inclusive eu)
fiz + o = fi-lo
fazeis + o = fazei-lo As formas “conosco” e “convosco” são substituídas
dizer + a = dizê-la por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pes-
soais são reforçados por palavras como outros, mesmos,
2. Quando o verbo termina em som nasal, o próprios, todos, ambos ou algum numeral.
pronome assume as formas no, nos, na, nas. Você terá de viajar com nós todos.
Por exemplo: Estávamos com vós outros quando chegaram as más
viram + o: viram-no notícias.
repõe + os = repõe-nos Ele disse que iria com nós três.
retém + a: retém-na
tem + as = tem-nas 3. Pronome Reflexivo

São pronomes pessoais oblíquos que, embora fun-


B.2 Pronome Oblíquo Tônico cionem como objetos direto ou indireto, referem-se ao
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedi- sujeito da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe
dos por preposições, em geral as preposições a, para, de a ação expressa pelo verbo.
e com. Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a Lista dos pronomes reflexivos:
função de objeto indireto da oração. Possuem acentua- 1.ª pessoa do singular (eu): me, mim = Eu não me
ção tônica forte. lembro disso.
Lista dos pronomes oblíquos tônicos: 2.ª pessoa do singular (tu): te, ti = Conhece a ti mesmo.
1.ª pessoa do singular (eu): mim, comigo 3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo = Gui-
2.ª pessoa do singular (tu): ti, contigo lherme já se preparou.
3.ª pessoa do singular (ele, ela): si, consigo, ele, ela Ela deu a si um presente.
1.ª pessoa do plural (nós): nós, conosco Antônio conversou consigo mesmo.
2.ª pessoa do plural (vós): vós, convosco
3.ª pessoa do plural (eles, elas): si, consigo, eles, elas 1.ª pessoa do plural (nós): nos = Lavamo-nos no rio.
2.ª pessoa do plural (vós): vos = Vós vos beneficiastes
Observe que as únicas formas próprias do pronome com esta conquista.
tônico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). 3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo = Eles se
As demais repetem a forma do pronome pessoal do caso conheceram. / Elas deram a si um dia de folga.
reto.
As preposições essenciais introduzem sempre prono-
mes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso #FicaDica
reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da
O pronome é reflexivo quando se refere à
língua formal, os pronomes costumam ser usados desta
mesma pessoa do pronome subjetivo (sujei-
forma:
to): Eu me arrumei e saí.
Não há mais nada entre mim e ti.
É pronome recíproco quando indica reci-
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.
procidade de ação: Nós nos amamos. / Olha-
Não há nenhuma acusação contra mim.
mo-nos calados.
Não vá sem mim.
O “se” pode ser usado como palavra exple-
tiva ou partícula de realce, sem ser rigoro-
Há construções em que a preposição, apesar de surgir
samente necessária e sem função sintática: Os
anteposta a um pronome, serve para introduzir uma ora-
exploradores riam-se de suas tentativas. / Será
ção cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o verbo
que eles se foram?
pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um prono-
me, deverá ser do caso reto.
Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
LÍNGUA PORTUGUESA

Não vá sem eu mandar. C) Pronomes de Tratamento


A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!” São pronomes utilizados no tratamento formal, ceri-
está correta, já que “para mim” é complemento de “fá- monioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor (por-
cil”. A ordem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil tanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira
para mim! pessoa. Alguns exemplos:
A combinação da preposição “com” e alguns prono- Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques
mes originou as formas especiais comigo, contigo, consi- Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais

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Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e reli- Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos
giosos em geral seus cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular
Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente supe-
rior à de coronel, senadores, deputados, embaixadores, ou
professores de curso superior, ministros de Estado e de
Tribunais, governadores, secretários de Estado, presiden- Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos
te da República (sempre por extenso) teus cabelos. (correto) = segunda pessoa do singular
Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de universi-
dades 4. Pronomes Possessivos
Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores
Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, ofi- São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical
ciais até a patente de coronel, chefes de seção e funcio- (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo
nários de igual categoria (coisa possuída).
Vossa Meretíssima (sempre por extenso) = para juízes Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1.ª pessoa do
de direito singular)
Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento
cerimonioso NÚMERO PESSOA PRONOME
Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus
singular primeira meu(s), minha(s)
Também são pronomes de tratamento o senhor, a se- singular segunda teu(s), tua(s)
nhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são em-
pregados no tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, singular terceira seu(s), sua(s)
no tratamento familiar. Você e vocês são largamente em- plural primeira nosso(s), nossa(s)
pregados no português do Brasil; em algumas regiões, a plural segunda vosso(s), vossa(s)
forma tu é de uso frequente; em outras, pouco emprega-
da. Já a forma vós tem uso restrito à linguagem litúrgica, plural terceira seu(s), sua(s)
ultraformal ou literária.
Note que:
Observações: A forma do possessivo depende da pessoa gramatical
1. Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes de a que se refere; o gênero e o número concordam com o
tratamento que possuem “Vossa(s)” são emprega- objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição
dos em relação à pessoa com quem falamos: Es- naquele momento difícil.
pero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este
encontro. Observações:
2. Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito 1. A forma “seu” não é um possessivo quando resul-
da pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram tar da alteração fonética da palavra senhor: Muito
que Sua Excelência, o Senhor Presidente da Repúbli- obrigado, seu José.
ca, agiu com propriedade. 2. Os pronomes possessivos nem sempre indicam
3. Os pronomes de tratamento representam uma for- posse. Podem ter outros empregos, como:
ma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlo- A) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha.
cutores. Ao tratarmos um deputado por Vossa Ex- B) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40 anos.
celência, por exemplo, estamos nos endereçando à C) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem
excelência que esse deputado supostamente tem lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
para poder ocupar o cargo que ocupa. 3. Em frases onde se usam pronomes de tratamento,
4. Embora os pronomes de tratamento dirijam-se à o pronome possessivo fica na 3.ª pessoa: Vossa Ex-
2.ª pessoa, toda a concordância deve ser feita celência trouxe sua mensagem?
com a 3.ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes 4. Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi-
possessivos e os pronomes oblíquos empregados vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus
em relação a eles devem ficar na 3.ª pessoa. livros e anotações.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas pro- 5. Em algumas construções, os pronomes pessoais
messas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhe- oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou
cidos. seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos)
5. Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos 6. O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu, pró-
ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, prio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-lo,
para que não ocorra redundância: Coloque tudo
LÍNGUA PORTUGUESA

ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhi-


da inicialmente. Assim, por exemplo, se começa- nos respectivos lugares.
mos a chamar alguém de “você”, não poderemos
usar “te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, ver- 5. Pronomes Demonstrativos
bo na terceira pessoa.
São utilizados para explicitar a posição de certa pa-
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos lavra em relação a outras ou ao contexto. Essa relação
teus cabelos. (errado) pode ser de espaço, de tempo ou em relação ao discurso.

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A) Em relação ao espaço: Também aparecem como pronomes demonstrativos:
Este(s), esta(s) e isto = indicam o que está perto da  o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que”
pessoa que fala: e puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s),
Este material é meu. aquilo.
Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disses-
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o que está perto da te.)
pessoa com quem se fala: Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te
Esse material em sua carteira é seu? indiquei.)

Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam o que está  mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s): va-
distante tanto da pessoa que fala como da pessoa com riam em gênero quando têm caráter reforçativo:
quem se fala: Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem.
Aquele material não é nosso. Eu mesma refiz os exercícios.
Vejam aquele prédio! Elas mesmas fizeram isso.
Eles próprios cozinharam.
B) Em relação ao tempo: Os próprios alunos resolveram o problema.
Este(s), esta(s) e isto = indicam o tempo presente em
relação à pessoa que fala:  semelhante(s): Não tenha semelhante atitude.
Esta manhã farei a prova do concurso!  tal, tais: Tal absurdo eu não cometeria.
1. Em frases como: O referido deputado e o Dr. Alcides
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o tempo passado, po- eram amigos íntimos; aquele casado, solteiro este.
rém relativamente próximo à época em que se situa a (ou então: este solteiro, aquele casado) - este se re-
pessoa que fala: fere à pessoa mencionada em último lugar; aquele,
Essa noite dormi mal; só pensava no concurso! à mencionada em primeiro lugar.
2. O pronome demonstrativo tal pode ter conotação
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam um afastamen- irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
to no tempo, referido de modo vago ou como tempo 3. Pode ocorrer a contração das preposições a, de,
remoto: em com pronome demonstrativo: àquele, àquela,
Naquele tempo, os professores eram valorizados. deste, desta, disso, nisso, no, etc: Não acreditei no
que estava vendo. (no = naquilo)
C) Em relação ao falado ou escrito (ou ao que se
falará ou escreverá): 6. Pronomes Indefinidos
Este(s), esta(s) e isto = empregados quando se quer
fazer referência a alguma coisa sobre a qual ainda se fa- São palavras que se referem à 3.ª pessoa do discur-
lará: so, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando
Serão estes os conteúdos da prova: análise sintática, quantidade indeterminada.
ortografia, concordância. Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-
-plantadas.
Esse(s), essa(s) e isso = utilizados quando se pretende Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pes-
fazer referência a alguma coisa sobre a qual já se falou: soa de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de
Sua aprovação no concurso, isso é o que mais deseja- forma imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um
mos! ser humano que seguramente existe, mas cuja identida-
de é desconhecida ou não se quer revelar. Classificam-se
Este e aquele são empregados quando se quer fazer em:
referência a termos já mencionados; aquele se refere ao
termo referido em primeiro lugar e este para o referido A) Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o
por último: lugar do ser ou da quantidade aproximada de se-
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau- res na frase. São eles: algo, alguém, fulano, sicrano,
lo; este está mais bem colocado que aquele. (= este [São beltrano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo.
Paulo], aquele [Palmeiras]) Algo o incomoda?
Quem avisa amigo é.
ou
B) Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Pau- ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de
lo; aquele está mais bem colocado que este. (= este [São quantidade aproximada. São eles: cada, certo(s),
LÍNGUA PORTUGUESA

Paulo], aquele [Palmeiras]) certa(s).


Cada povo tem seus costumes.
Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou Certas pessoas exercem várias profissões.
invariáveis, observe:
Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), Note que:
aquela(s). Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora pro-
Invariáveis: isto, isso, aquilo. nomes indefinidos adjetivos:

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algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos), demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns,
nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer, quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s),
tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias.
Menos palavras e mais ações.
Alguns se contentam pouco.

Os pronomes indefinidos podem ser divididos em variáveis e invariáveis. Observe:


 Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vário, tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita, pou-
ca, vária, tanta, outra, quanta, qualquer, quaisquer*, alguns, nenhuns, todos, muitos, poucos, vários, tantos, outros,
quantos, algumas, nenhumas, todas, muitas, poucas, várias, tantas, outras, quantas.
 Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada, algo, cada.

*Qualquer é composto de qual + quer (do verbo querer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra cujo plural é
feito em seu interior).
Todo e toda no singular e junto de artigo significa inteiro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as:
Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira)
Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades)
Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro)
Trabalho todo dia. (= todos os dias)

São locuções pronominais indefinidas: cada qual, cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer (que), seja
quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc.
Cada um escolheu o vinho desejado.

7. Pronomes Relativos

São aqueles que representam nomes já mencionados anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem as
orações subordinadas adjetivas.
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros.
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre outros = oração subordinada adjetiva).

O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema” e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra
“sistema” é antecedente do pronome relativo que.
O antecedente do pronome relativo pode ser o pronome demonstrativo o, a, os, as.
Não sei o que você está querendo dizer.
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem expresso.
Quem casa, quer casa.

Observe:
Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas,
quantas.
Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
Note que:
O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego, sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser substi-
tuído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando seu antecedente for um substantivo.
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a qual)
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os quais)
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as quais)

O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente pronomes relativos, por isso são utilizados didaticamente
para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que podem ter várias classificações) são pronomes relativos.
Todos eles são usados com referência à pessoa ou coisa por motivo de clareza ou depois de determinadas preposições:
Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, o qual me deixou encantado. O uso de “que”, neste caso, geraria
ambiguidade. Veja: Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, que me deixou encantado (quem me deixou
LÍNGUA PORTUGUESA

encantado: o sítio ou minha tia?).


Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas dúvidas? (com preposições de duas ou mais sílabas utiliza-se
o qual / a qual)
O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou
de ser poeta, que era a sua vocação natural.
O pronome “cujo”: exprime posse; não concorda com o seu antecedente (o ser possuidor), mas com o consequente
(o ser possuído, com o qual concorda em gênero e número); não se usa artigo depois deste pronome; “cujo” equivale
a do qual, da qual, dos quais, das quais.

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Existem pessoas cujas ações são nobres.
(antecedente) (consequente)

Se o verbo exigir preposição, esta virá antes do pronome: O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui! (referiu-se a)

“Quanto” é pronome relativo quando tem por antecedente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo:

Emprestei tantos quantos foram necessários.


(antecedente)

Ele fez tudo quanto havia falado.


(antecedente)
O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre precedido de preposição.

É um professor a quem muito devemos.


(preposição)

“Onde”, como pronome relativo, sempre possui antecedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A casa
onde morava foi assaltada.
Na indicação de tempo, deve-se empregar quando ou em que: Sinto saudades da época em que (quando) morávamos
no exterior.

Podem ser utilizadas como pronomes relativos as palavras:


 como (= pelo qual) – desde que precedida das palavras modo, maneira ou forma:
Não me parece correto o modo como você agiu semana passada.

 quando (= em que) – desde que tenha como antecedente um nome que dê ideia de tempo:
Bons eram os tempos quando podíamos jogar videogame.

Os pronomes relativos permitem reunir duas orações numa só frase.


O futebol é um esporte. / O povo gosta muito deste esporte.
= O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.
Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de gente
que conversava, (que) ria, observava.

8. Pronomes Interrogativos

São usados na formulação de perguntas, sejam elas diretas ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos,
referem-se à 3.ª pessoa do discurso de modo impreciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual (e variações),
quanto (e variações).
Com quem andas?
Qual seu nome?
Diz-me com quem andas, que te direi quem és.

O pronome pessoal é do caso reto quando tem função de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo
quando desempenha função de complemento.
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia lhe ajudar.
Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso
reto. Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce função de complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo.
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso. O pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para
a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se devia ajudar... Ajudar quem? Você (lhe).
Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição,
diferentemente dos segundos, que são sempre precedidos de preposição.
A) Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que eu estava fazendo.
LÍNGUA PORTUGUESA

B) Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim o que eu estava fazendo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

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CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira nessa viagem.
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – (com presença de palavra que justifique o uso de pró-
São Paulo: Saraiva, 2002. clise: Não fossem os meus compromissos, EU te acompa-
nharia nessa viagem).
SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/ Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo.
morf42.php A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não
forem possíveis:
9. Colocação Pronominal  Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo:
Quando eu avisar, silenciem-se todos.
Colocação Pronominal trata da correta colocação dos  Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal:
pronomes oblíquos átonos na frase. Não era minha intenção machucá-la.

 Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não


#FicaDica se inicia período com pronome oblíquo).
Pronome Oblíquo é aquele que exerce a fun- Vou-me embora agora mesmo.
ção de complemento verbal (objeto). Por isso, Levanto-me às 6h.
memorize:  Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo
OBlíquo = OBjeto! no concurso, mudo-me hoje mesmo!
 Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a
proposta fazendo-se de desentendida.
Embora na linguagem falada a colocação dos prono- 10. Colocação pronominal nas locuções verbais
mes não seja rigorosamente seguida, algumas normas
devem ser observadas na linguagem escrita.  Após verbo no particípio = pronome depois do
verbo auxiliar (e não depois do particípio):
Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo. Tenho me deliciado com a leitura!
A próclise é usada: Eu tenho me deliciado com a leitura!
 Quando o verbo estiver precedido de palavras Eu me tenho deliciado com a leitura!
que atraem o pronome para antes do verbo. São elas:  Não convém usar hífen nos tempos compostos e
nas locuções verbais:
A) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém,
Vamos nos unir!
jamais, etc.: Não se desespere!
Iremos nos manifestar.
B) Advérbios: Agora se negam a depor.
 Quando há um fator para próclise nos tempos
C) Conjunções subordinativas: Espero que me expli-
compostos ou locuções verbais: opção pelo uso
quem tudo!
do pronome oblíquo “solto” entre os verbos = Não
D) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se
esforçou. vamos nos preocupar (e não: “não nos vamos preo-
E) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a oportu- cupar”).
nidade.
F) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito. 11. Emprego de o, a, os, as
 Orações iniciadas por palavras interrogativas:
Quem lhe disse isso?  Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral,
 Orações iniciadas por palavras exclamativas: os pronomes: o, a, os, as não se alteram.
Quanto se ofendem! Chame-o agora.
 Orações que exprimem desejo (orações optativas): Deixei-a mais tranquila.
Que Deus o ajude.
 A próclise é obrigatória quando se utiliza o pro-  Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoan-
nome reto ou sujeito expresso: Eu lhe entregarei o tes finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos:
material amanhã. / Tu sabes cantar? (Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.
(Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.
Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do
verbo. A mesóclise é usada:
Quando o verbo estiver no futuro do presente ou fu-  Em verbos terminados em ditongos nasais (am,
LÍNGUA PORTUGUESA

turo do pretérito, contanto que esses verbos não estejam em, ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se
precedidos de palavras que exijam a próclise. Exemplos: para no, na, nos, nas.
Realizar-se-á, na próxima semana, um grande evento em Chamem-no agora.
prol da paz no mundo. Põe-na sobre a mesa.
Repare que o pronome está “no meio” do verbo “rea-
lizará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração alguma
palavra que justificasse o uso da próclise, esta prevalece-
ria. Veja: Não se realizará...

49
#FicaDica FIQUE ATENTO!
Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que O verbo pôr, assim como seus derivados
significa “antes”! Pronome antes do verbo! (compor, repor, depor), pertencem à 2.ª conju-
Ênclise – “en” lembra, pelo “som”, /Ənd/ (end, gação, pois a forma arcaica do verbo pôr era
em Inglês – que significa “fim, final!). Prono- poer. A vogal “e”, apesar de haver desapareci-
me depois do verbo! do do infinitivo, revela-se em algumas formas
Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do do verbo: põe, pões, põem, etc.
verbo
2. Formas Rizotônicas e Arrizotônicas
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce-
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce- bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acen-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São to tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, amo,
Paulo: Saraiva, 2010. por exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico
não cai no radical, mas sim na terminação verbal (fora do
radical): opinei, aprenderão, amaríamos.
SITE
http://www.portugues.com.br/gramatica/colocacao- 3. Classificação dos Verbos
-pronominal-.html
Classificam-se em:
Observação: Não foram encontradas questões A) Regulares: são aqueles que apresentam o radi-
abrangendo tal conteúdo. cal inalterado durante a conjugação e desinências
idênticas às de todos os verbos regulares da mes-
ma conjugação. Por exemplo: comparemos os ver-
bos “cantar” e “falar”, conjugados no presente do
VERBO
Modo Indicativo:
Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, número,
tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o canto falo
nome de conjugação (por isso também se diz que verbo cantas falas
é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre
canta falas
outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenôme-
no (choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer). cantamos falamos
cantais falais
1. Estrutura das Formas Verbais
cantam falam
Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar
os seguintes elementos:
#FicaDica
A) Radical: é a parte invariável, que expressa o signi-
ficado essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal- Observe que, retirando os radicais, as desi-
-ava; fal-am. (radical fal-) nências modo-temporal e número-pessoal
B) Tema: é o radical seguido da vogal temática que mantiveram-se idênticas. Tente fazer com
indica a conjugação a que pertence o verbo. Por outro verbo e perceberá que se repetirá o
exemplo: fala-r. São três as conjugações: fato (desde que o verbo seja da primeira
1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática conjugação e regular!). Faça com o verbo
- E - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir). “andar”, por exemplo. Substitua o radical
C) Desinência modo-temporal: é o elemento que “cant” e coloque o “and” (radical do verbo
designa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo: andar). Viu? Fácil!
falávamos (indica o pretérito imperfeito do indicativo)
/ falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo) B) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca alte-
D) Desinência número-pessoal: é o elemento que rações no radical ou nas desinências: faço, fiz, farei,
LÍNGUA PORTUGUESA

designa a pessoa do discurso (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e o fizesse.


número (singular ou plural):
Observação:
falamos (indica a 1.ª pessoa do plural.) / falavam Alguns verbos sofrem alteração no radical apenas
(indica a 3.ª pessoa do plural.) para que seja mantida a sonoridade. É o caso de: corrigir/
corrijo, fingir/finjo, tocar/toquei, por exemplo. Tais altera-
ções não caracterizam irregularidade, porque o fonema
permanece inalterado.

50
C) Defectivos: são aqueles que não apresentam conjugação completa. Os principais são adequar, precaver, compu-
tar, reaver, abolir, falir.
D) Impessoais: são os verbos que não têm sujeito e, normalmente, são usados na terceira pessoa do singular. Os
principais verbos impessoais são:

1. Haver, quando sinônimo de existir, acontecer, realizar-se ou fazer (em orações temporais).
Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia = Existiam)
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram)
Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão)
Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz)

2. Fazer, ser e estar (quando indicam tempo)


Faz invernos rigorosos na Europa.
Era primavera quando o conheci.
Estava frio naquele dia.

3. Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, ama-
nhecer, escurecer, etc. Quando, porém, se constrói, “Amanheci cansado”, usa-se o verbo “amanhecer” em sentido
figurado. Qualquer verbo impessoal, empregado em sentido figurado, deixa de ser impessoal para ser pessoal,
ou seja, terá conjugação completa.
Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu)
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos)
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu)
4. O verbo passar (seguido de preposição), indicando tempo: Já passa das seis.

5. Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição “de”, indicando suficiência:


Basta de tolices.
Chega de promessas.

6. Os verbos estar e ficar em orações como “Está bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem referência
a sujeito expresso anteriormente (por exemplo: “ele está mal”). Podemos, nesse caso, classificar o sujeito como
hipotético, tornando-se, tais verbos, pessoais.

7. O verbo dar + para da língua popular, equivalente de “ser possível”. Por exemplo:
Não deu para chegar mais cedo.
Dá para me arrumar uma apostila?

E) Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conjugam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do plural.
São unipessoais os verbos constar, convir, ser (= preciso, necessário) e todos os que indicam vozes de animais
(cacarejar, cricrilar, miar, latir, piar).

Os verbos unipessoais podem ser usados como verbos pessoais na linguagem figurada:
Teu irmão amadureceu bastante.
O que é que aquela garota está cacarejando?
Principais verbos unipessoais:

 Cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário):


Cumpre estudarmos bastante. (Sujeito: estudarmos bastante)
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova)

 Fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, seguidos da conjunção que.
LÍNGUA PORTUGUESA

Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei à Europa)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a vejo. (Sujeito: que não a vejo)

F) Abundantes: são aqueles que possuem duas ou mais formas equivalentes, geralmente no particípio, em que,
além das formas regulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas (particípio irregular).
O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular é
empregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser, ficar e estar. Observe:

51
Infinitivo Particípio Regular Particípio Irregular
Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento
Corrigir Corrigido Correto
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Inserir Inserido Inserto
Limpar Limpado Limpo
Matar Matado Morto
Misturar Misturado Misto
Morrer Morrido Morto
Murchar Murchado Murcho
Pegar Pegado Pego
Romper Rompido Roto
Soltar Soltado Solto
Suspender Suspendido Suspenso
Tingir Tingido Tinto
Vagar Vagado Vago

FIQUE ATENTO!
Estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/
dito, escrever/escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.

G) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Existem apenas dois: ser (sou, sois,
fui) e ir (fui, ia, vades).

H) Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo prin-
cipal (aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo auxiliar, é
expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
Vou espantar todos!
(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora!


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Observação:
Os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

4. Conjugação dos Verbos Auxiliares


LÍNGUA PORTUGUESA

4.1. SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pret. Imp. Pret.mais-que-perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias

52
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

4.2. SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

4.3. SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

4.4. SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

4.5. ESTAR - Modo Indicativo

Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.


estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam
LÍNGUA PORTUGUESA

4.6. ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas

53
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

4.7. ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

4.8. HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

4.9. HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


ja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

4.10. HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
LÍNGUA PORTUGUESA

haverdes
Haverem

54
4.11. TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Preté.mais-q-perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

4.12. TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
Tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

I) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já
implícita no próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:
 Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a refle-
xibilidade já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.

A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela
mesma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula
integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço
da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio verbo. Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respec-
tivos pronomes):
Eu me arrependo, Tu te arrependes, Ele se arrepende, Nós nos arrependemos, Vós vos arrependeis, Eles se arrependem.
 Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto re-
presentado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre ele
mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os
pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa: A garota penteou-me.

Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função
sintática.
Há verbos que também são acompanhados de pronomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente prono-
minais - são os verbos reflexivos. Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa idêntica à
do sujeito, exercem funções sintáticas. Por exemplo:
Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me (objeto direto) – 1.ª pessoa do singular.

5. Modos Verbais
LÍNGUA PORTUGUESA

Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadeiro.
Existem três modos:
A) Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu estudo para o concurso.
B) Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: Talvez eu estude amanhã.
C) Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estude, colega!

55
6. Formas Nominais

Além desses três modos, o verbo apresenta ainda formas que podem exercer funções de nomes (substantivo, adje-
tivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas nominais. Observe:

A) Infinitivo
A.1 Impessoal: exprime a significação do verbo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função de subs-
tantivo. Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)

O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma composta). Por exem-
plo:
É preciso ler este livro.
Era preciso ter lido este livro.

A.2 Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do singular, não
apresenta desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:
2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu)
1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós)
2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós)
3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles)
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.

B) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Por exemplo:


Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de advérbio)
Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo)

Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta (2), uma ação concluída:
Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro.
Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro.

Quando o gerúndio é vício de linguagem (gerundismo), ou seja, uso exagerado e inadequado do gerúndio:
1. Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando futebol.
2. – Sim, senhora! Vou estar verificando!
Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequada, pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no momento da
outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um futuro em andamento,
exigindo, no caso, a construção “verificarei” ou “vou verificar”.

C) Particípio: quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica, geralmente, o re-
sultado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Por exemplo: Terminados os exames,
os candidatos saíram.

Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função
de adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida pela turma.

(Ziraldo)
LÍNGUA PORTUGUESA

8. Tempos Verbais

Tomando-se como referência o momento em que se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos
tempos.

A) Tempos do Modo Indicativo

56
Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste colégio.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.
Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado: Ele
estudou as lições ontem à noite.
Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara as lições
quando os amigos chegaram. (forma simples).
Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele
estudará as lições amanhã.
Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocorrer posteriormente a um determinado fato passado: Se ele
pudesse, estudaria um pouco mais.

B) Tempos do Modo Subjuntivo

Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse
o jogo.
Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier
à loja, levará as encomendas.

FIQUE ATENTO!
Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)

No próximo final de semana, faço a prova!


faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)

Tabelas das Conjugações Verbais

1. Modo Indicativo

1.1. Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

1.2. Pretérito Perfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
LÍNGUA PORTUGUESA

cantaSTE vendeSTE partISTE STE


cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

57
1.3. Pretérito mais-que-perfeito

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

1.4. Pretérito Imperfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3ª. conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

1.5. Futuro do Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

1.6. Futuro do Pretérito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
LÍNGUA PORTUGUESA

cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS


cantarIAM venderIAM partirIAM

58
1.7. Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).

1.ª conjug. 2.ª conjug. 3.ª conju. Desinên. pessoal Des. temporal Des.temporal
1.ª conj. 2.ª/3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

1.8. Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

1.9. Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des. temporal Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
LÍNGUA PORTUGUESA

cantaREM vendeREM partiREM R EM


C) Modo Imperativo

1. Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

59
Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo
Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

2. Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo

Que eu cante ---


Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

 No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem,
pedido ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
 O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

3. Infinitivo Pessoal

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

 O verbo parecer admite duas construções:


Elas parecem gostar de você. (forma uma locução verbal)
Elas parece gostarem de você. (verbo com sujeito oracional, correspondendo à construção: parece gostarem de você).

 O verbo pegar possui dois particípios (regular e irregular):


Elvis tinha pegado minhas apostilas.
Minhas apostilas foram pegas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LÍNGUA PORTUGUESA

SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54.php

60
VOZES DO VERBO

Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta a ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indicando
se este é paciente ou agente da ação. Importante lembrar que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal. São três as
vozes verbais:

A) Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação expressa pelo verbo:
Ele fez o trabalho.
sujeito agente ação objeto (paciente)

B) Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo a ação expressa pelo verbo:


O trabalho foi feito por ele.
sujeito paciente ação agente da passiva

C) Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo, agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação:
O menino feriu-se.

#FicaDica
Não confundir o emprego reflexivo do verbo com a noção de reciprocidade:
Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
Nós nos amamos. (um ama o outro)

1. Formação da Voz Passiva

A voz passiva pode ser formada por dois processos: analítico e sintético.
A) Voz Passiva Analítica = Constrói-se da seguinte maneira:
Verbo SER + particípio do verbo principal. Por exemplo:
A escola será pintada pelos alunos. (na ativa teríamos: os alunos pintarão a escola)
O trabalho é feito por ele. (na ativa: ele faz o trabalho)

Observações:
 O agente da passiva geralmente é acompanhado da preposição por, mas pode ocorrer a construção com a pre-
posição de. Por exemplo: A casa ficou cercada de soldados.
 Pode acontecer de o agente da passiva não estar explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
 A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar (SER), pois o particípio é invariável. Observe a transformação
das frases seguintes:

Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do Indicativo)


O trabalho foi feito por ele. (verbo ser no pretérito perfeito do Indicativo, assim como o verbo principal da voz ativa)

Ele faz o trabalho. (presente do indicativo)


O trabalho é feito por ele. (ser no presente do indicativo)

Ele fará o trabalho. (futuro do presente)


O trabalho será feito por ele. (futuro do presente)

 Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa.
Observe a transformação da frase seguinte:
O vento ia levando as folhas. (gerúndio)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)
LÍNGUA PORTUGUESA

B) Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética - ou pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª pessoa, seguido
do pronome apassivador “se”. Por exemplo:
Abriram-se as inscrições para o concurso.
Destruiu-se o velho prédio da escola.

Observação:
O agente não costuma vir expresso na voz passiva sintética.

61
1.1 Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva Resposta: Letra E. Questão que envolve correlação
verbal. Realizando as alterações solicitadas, segue
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar como ficariam (em destaque):
substancialmente o sentido da frase. Em “a”: tivessem acrescentado – trariam − contribui-
O concurseiro comprou a apostila. (Voz Ativa) riam
Sujeito da Ativa objeto Direto Em “b”: acrescentassem – trariam − contribuiriam
Em “c”: tinham acrescentado – trouxeram − contri-
A apostila foi comprada pelo concurseiro. buíram
(Voz Passiva) Em “d”: acrescentassem – trariam − contribuíram
Sujeito da Passiva Agente da Passiva
Em “e”: tenham acrescentado – trouxeram − Contri-
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva;
buíram = correta
o sujeito da ativa passará a agente da passiva, e o verbo
ativo assumirá a forma passiva, conservando o mesmo
tempo. 2. (TST – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA APOIO
Os mestres têm constantemente aconselhado os alu- ESPECIALIZADO – ESPECIALIDADE MEDICINA DO
nos. TRABALHO – FCC – 2012) Está inadequado o emprego
Os alunos têm sido constantemente aconselhados pe- do elemento sublinhado na seguinte frase:
los mestres.
a) Sou ateu e peço que me deem tratamento similar ao
Eu o acompanharei. que dispenso aos homens religiosos.
Ele será acompanhado por mim. b) A intolerância religiosa baseia-se em preconceitos de
Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não que deveriam desviar-se todos os homens verdadeira-
haverá complemento agente na passiva. Por exemplo: mente virtuosos.
Prejudicaram-me. / Fui prejudicado.
c) A tolerância é uma virtude na qual não podem prescin-
Com os verbos neutros (nascer, viver, morrer, dormir,
dir os que se dizem homens de fé.
acordar, sonhar, etc.) não há voz ativa, passiva ou refle-
xiva, porque o sujeito não pode ser visto como agente, d) O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito de nada
paciente ou agente paciente. fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
e) Respeito os homens de fé, a menos que deixem de
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS fazer o mesmo com aqueles que não a têm.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Resposta: Letra C.Corrigindo o inadequado:
Português linguagens: volume 2 / Wiliam Roberto Ce- Em “a”: Sou ateu e peço que me deem tratamento si-
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São milar ao que dispenso aos homens religiosos.
Paulo: Saraiva, 2010. Em “b”: A intolerância religiosa baseia-se em precon-
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- ceitos de que deveriam desviar-se todos os homens
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. verdadeiramente virtuosos.
Em “c”: A tolerância é uma virtude na qual (de que)
SITE
não podem prescindir os que se dizem homens de fé.
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/
Em “d”: O ateu desperta a ira dos fanáticos, a despeito
morf54.php
de nada fazer que possa injuriá-los ou desrespeitá-los.
Em “e”: Respeito os homens de fé, a menos que dei-
xem de fazer o mesmo com aqueles que não a têm.
EXERCÍCIOS COMENTADOS
3. (TST – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA APOIO
1. (TST – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINIS- ESPECIALIZADO – ESPECIALIDADE MEDICINA DO
TRATIVA – FCC – 2012) As vitórias no jogo interior talvez TRABALHO – FCC – 2012)
não acrescentem novos troféus, mas elas trazem recom- Transpondo-se para a voz passiva a construção Os ateus
pensas valiosas, [...] que contribuem de forma significa- despertariam a ira de qualquer fanático, a forma ver-
tiva para nosso sucesso posterior, tanto na quadra como bal obtida será:
fora dela.
a) seria despertada.
Mantêm-se adequados o emprego de tempos e modos b) teria sido despertada.
verbais e a correlação entre eles, ao se substituírem os
c) despertar-se-á.
LÍNGUA PORTUGUESA

elementos sublinhados na frase acima, na ordem dada,


d) fora despertada.
por:
e) teriam despertado.
a) tivessem acrescentado − trariam − contribuírem
b) acrescentassem − têm trazido − contribuírem Resposta: Letra A. Os ateus despertariam a ira de
c) tinham acrescentado − trarão − contribuiriam qualquer fanático
d) acrescentariam − trariam− contribuíram Fazendo a transposição para a voz passiva, temos: A
e) tenham acrescentado − trouxeram − Contribuíram ira de qualquer fanático seria despertada pelos ateus.

62
4. (TST – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINIS- Em “a”: A nenhuma de nossas escolhas podem deixar
TRATIVA – ESPECIALIDADE SEGURANÇA JUDICIÁ- de corresponder nossos valores éticos mais rigorosos.
RIA – FCC – 2012) Em “b”: Não se poupam os que governam de refletir
...ela nunca alcançava a musa. sobre o peso de suas mais graves decisões.
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma Em “c”: Aos governantes mais responsáveis não ocor-
verbal resultante será: re tomar decisões sem medir suas consequências. =
Isso não ocorre aos governantes – uma oração exerce
a) alcança-se. a função de sujeito (subjetiva)
b) foi alcançada. Em “d”: A toda decisão tomada precipitadamente cos-
c) fora alcançada. tumam sobrevir consequências imprevistas e injustas.
d) seria alcançada. Em “e”: Diante de uma escolha, ganham prioridade,
e) era alcançada. recomenda Gramsci, os critérios que levam em conta
a dor humana.
Resposta: Letra E. Temos um verbo na voz ativa, então
teremos dois na passiva (auxiliar + o verbo da oração 7. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – ANALISTA JUDICIÁRIO –
da ativa, no mesmo tempo verbal, forma particípio): ÁREA ADMINISTRATIVA – FCC – 2016 ) ... para quem
A musa nunca era alcançada por ela. O verbo “alcan- Manoel de Barros era comparável a São Francisco de As-
çava” está no pretérito imperfeito, por isso o auxiliar sis...
tem que estar também (é = presente, foi = pretérito O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da
perfeito, era = imperfeito, fora = mais que perfeito, frase acima está em:
será = futuro do presente, seria = futuro do pretérito).
a) Dizia-se um “vedor de cinema”...
5. (TST – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA APOIO b) Porque não seria certo ficar pregando moscas no es-
ESPECIALIZADO – ESPECIALIDADE MEDICINA DO paço...
TRABALHO – FCC – 2012) Aos poucos, contudo, fui che-
gando à constatação de que todo perfil de rede social é um c) Na juventude, apaixonou-se por Arthur Rimbaud e
Charles Baudelaire.
retrato ideal de nós mesmos.
d) Quase meio século separa a estreia de Manoel de Bar-
Mantendo-se a correção e a lógica, sem que outra al-
ros na literatura...
teração seja feita na frase, o elemento grifado pode ser
e) ... para depois casá-las...
substituído por:
Resposta: Letra A. “Era” = verbo “ser” no pretérito im-
a) ademais.
perfeito do Indicativo. Procuremos nos itens:
b) conquanto.
Em “a”: Dizia-se = pretérito imperfeito do Indicativo
c) porquanto.
Em “b”: Porque não seria = futuro do pretérito do In-
d) entretanto. dicativo
e) apesar. Em “c”: Na juventude, apaixonou-se = pretérito perfei-
to do Indicativo
Resposta: Letra D. Contudo é uma conjunção adver- Em “d”: Quase meio século separa = presente do Indi-
sativa (expressa oposição). A substituição deve utilizar cativo
outra de mesma classificação, para que se mantenha a Em “e”: para depois casá-las = Infinitivo pessoal (casar
ideia do período. A correta é entretanto. elas)
6. (TST – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINIS- 8. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – ANALISTA JUDICIÁRIO –
TRATIVA – FCC – 2012) O verbo indicado entre pa- ÁREA ADMINISTRATIVA – FCC – 2016) Aí conheci o
rênteses deverá flexionar-se no singular para preencher escritor e historiador de sua gente, meu saudoso amigo
adequadamente a lacuna da frase: Alcino Alves Costa. E foi dele que ouvi oralmente a his-
tória de Zé de Julião. Considerando-se a norma-padrão
a) A nenhuma de nossas escolhas...... (poder) deixar de da língua, ao reescrever-se o trecho acima em um único
corresponder nossos valores éticos mais rigorosos. período, o segmento destacado deverá ser antecedido
b) Não se...... (poupar) os que governam de refletir sobre de vírgula e substituído por
o peso de suas mais graves decisões.
c) Aos governantes mais responsáveis não...... (ocorrer) a) perante ao qual
tomar decisões sem medir suas consequências. b) de cujo
d) A toda decisão tomada precipitadamente...... (cos-
LÍNGUA PORTUGUESA

c) o qual
tumar) sobrevir consequências imprevistas e injustas. d) frente à quem
e) Diante de uma escolha,...... (ganhar) prioridade, reco- e) de quem
menda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor
humana. Resposta: Letra E. Voltemos ao trecho: ... meu saudoso
amigo Alcino Alves Costa. E foi dele que ouvi oralmente...
Resposta: Letra C. Flexões em destaque e sublinhei os = a única alternativa que substitui corretamente o tre-
termos que estabelecem concordância: cho destacado é “de quem ouvi oralmente”.

63
9. (TRT 14.ª REGIÃO-RO E AC – TÉCNICO JUDICIÁ- 12. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
RIO – FCC – 2016) “Isto pode despertar a atenção de ou- FCC – 2016) O modelo ainda dominante nas discussões
tras pessoas que tenham documentos em casa e se dis- ecológicas privilegia, em escala, o Estado e o mundo...
ponham a trazer para a Academia, que é a guardiã desse Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
tipo de acervo, que é muito difícil de ser guardado em verbal resultante será:
casa, pois o tempo destrói e aqui temos a melhor técnica
de conservação de documentos”, disse Cavalcanti. a) é privilegiado.
O termo sublinhado faz referência a b) sendo privilegiadas.
c) são privilegiados.
a) pessoas. d) foi privilegiado.
b) acervo. e) são privilegiadas.
c) Academia.
d) tempo. Resposta: Letra C. Há um verbo na ativa, então tere-
e) casa. mos dois na passiva (auxiliar + o particípio de “privi-
legia”) = O Estado e o mundo são privilegiados pelo
Resposta: Letra B. Ao trecho: a guardiã desse tipo de modelo ainda dominante.
acervo, que (o qual) é muito difícil de ser guardado...
13. (TRT 23.ª REGIÃO-MT – TÉCNICO JUDICIÁRIO
10. (TRT 14.ª REGIÃO-RO E AC – TÉCNICO JUDICIÁ- – FCC – 2016) Empregam-se todas as formas verbais de
RIO – FCC – 2016) O marechal organizou o acervo... acordo com a norma culta na seguinte frase:
A forma verbal está corretamente transposta para a voz
passiva em: a) Para que se mantesse sua autenticidade, o documento
não poderia receber qualquer tipo de retificação.
a) estava organizando b) Os documentos com assinatura digital disporam de
b) tinha organizado algoritmos de criptografia que os protegeram.
c) organizando-se c) Arquivados eletronicamente, os documentos poderam
d) foi organizado contar com a proteção de uma assinatura digital.
e) está organizado d) Quem se propor a alterar um documento criptogra-
fado deve saber que comprometerá sua integridade.
Resposta: Letra D. Temos: sujeito (o marechal), verbo e) Não é possível fazer as alterações que convierem sem
na ativa (organizou) e objeto (o acervo). Como há um comprometer a integridade dos documentos.
verbo na ativa, ao passarmos para a passiva teremos
dois (o auxiliar no mesmo tempo que o verbo da ativa Resposta: Letra E. Em “a”: Para que se mantesse
+ o particípio do verbo da voz ativa = organizado). O (mantivesse) sua autenticidade, o documento não po-
objeto exercerá a função de sujeito paciente, e o su- deria receber qualquer tipo de retificação.
jeito da ativa será o agente da passiva (ufa!). A frase Em “b”: Os documentos com assinatura digital dispo-
ficará: O acervo foi organizado pelo marechal. ram (dispuseram) de algoritmos de criptografia que os
protegeram.
11. (TRT 20.ª REGIÃO-SE – TÉCNICO JUDICIÁRIO – Em “c”: Arquivados eletronicamente, os documentos
FCC – 2016) Precisamos de um treinador que nos ajude poderam (puderam) contar com a proteção de uma
a comer... assinatura digital.
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o Em “d”: Quem se propor (propuser) a alterar um docu-
sublinhado acima está também sublinhado em: mento criptografado deve saber que comprometerá
sua integridade.
a) [...] assim que conseguissem se virar sem as mães ou Em “e”: Não é possível fazer as alterações que convie-
as amas... rem sem comprometer a integridade dos documentos
b) Não é por acaso que proliferaram os coaches. = correta
c) [...] país que transformou a infância numa bilionária in-
dústria de consumo... 14. (TRT 21.ª REGIÃO-RN – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
d) E, mesmo que se esforcem muito [...] FCC – 2017) Sessenta anos de história marcam, assim, a
e) Hoje há algo novo nesse cenário. trajetória da utopia no país.
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
Resposta: Letra D. verbal resultante será:
que nos ajude = presente do Subjuntivo
Em “a”: que conseguissem = pretérito do Subjuntivo a) foram marcados.
LÍNGUA PORTUGUESA

Em “b”: que proliferaram = pretérito perfeito (e tam- b) foi marcado.


bém mais-que-perfeito) do Indicativo c) são marcados.
Em “c”: que transformou = pretérito perfeito do Indi- d) foi marcada.
cativo e) é marcada.
Em “d”: que se esforcem = presente do Subjuntivo
Em “e”: há algo novo nesse cenário = presente do In- Resposta: Letra E. Temos um verbo (no tempo pre-
dicativo sente) na ativa, então teremos dois na passiva (auxi-

64
liar [no tempo presente] + particípio de “marcam”) = 17. (PC-SP – ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP –
Assim, a trajetória da utopia do país é marcada pelos 2014) As formas verbais conjugadas no modo impera-
sessenta anos de história. tivo, expressando ordem, instrução ou comando, estão
destacadas em
15. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
– SOLDADO PM 2.ª CLASSE – VUNESP – 2017) Consi- a) Mas há outros cujas marcas acabam ficando bem ní-
dere as seguintes frases: tidas na memória: são aqueles donos de qualidades
Primeiro, associe suas memórias com objetos físicos. incomuns.
Segundo, não memorize apenas por repetição. b) Voltei uns cinquenta minutos depois, cauteloso, e
Terceiro, rabisque! quase não acreditei no que ouvi.
Um verbo flexionado no mesmo modo que o dos verbos c) – Ei rapaz, deixe ligado o microfone, largue isso aí, vá
empregados nessas frases está em destaque em: pro estúdio e ponha a rádio no ar.
d) Bem, o fato é que eu era o técnico de som do horário,
precisava “passar” a transmissão lá para a câmara, e o
a) [...] o acesso rápido e a quantidade de textos fazem
locutor não chegava para os textos de abertura, pu-
com que o cérebro humano não considere útil gravar
blicidade, chamadas.
esses dados [...]
e) ... estremecíamos quando ele nos chamava para qual-
b) Na internet, basta um clique para vasculhar um sem- quer coisa, fazendo-nos entrar na sua sala imensa, já
-número de informações. suando frio e atentos às suas finas e cortantes pala-
c) [...] após discar e fazer a ligação, não precisamos mais vras.
dele...
d) Pense rápido: qual o número de telefone da casa em Resposta: Letra C. Aos itens:
que morou quando era criança? Em “a”: há = presente / acabam = presente / são =
e) É o que mostra também uma pesquisa recente condu- presente
zida pela empresa de segurança digital Kaspersky [...] Em “b”: Voltei = pretérito perfeito / acreditei = preté-
rito perfeito
Resposta: Letra D. Os verbos das frases citadas estão Em “c”: deixe / largue / vá / ponha = verbos no modo
no Modo Imperativo (expressam ordem). Vamos aos imperativo afirmativo (ordens)
itens: Em “d”: era = pretérito imperfeito / precisava = pretéri-
Em “a”: ... o acesso rápido e a quantidade de textos to imperfeito / chegava = pretérito imperfeito
fazem = presente do Indicativo Em “e”: fazendo-nos = gerúndio / suando = gerúndio
Em “b”: Na internet, basta um clique = presente do
Indicativo 18. (PC-SP – AGENTE DE POLÍCIA – VUNESP – 2013)
Em “c”: ... após discar e fazer a ligação, não precisamos Em – O destino me prestava esse pequeno favor: comple-
= presente do Indicativo tava minha identificação com o resto da humanidade, que
Em “d”: Pense rápido: = Imperativo tem sempre para contar uma história de objeto achado;
Em “e”: É o que mostra também uma pesquisa = pre- – o pronome em destaque retoma a seguinte palavra/
sente do Indicativo expressão:

16. (PC-SP – ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLI- a) o resto da humanidade.


CIAL – VUNESP – 2014) Assinale a alternativa em que a b) esse pequeno favor.
c) minha identificação.
palavra em destaque na frase pertence à classe dos adje-
d) O destino.
tivos (palavra que qualifica um substantivo).
e) completava.
a) Existe grande confusão entre os diversos tipos de eu-
Resposta: Letra A. Completava minha identificação
tanásia... com o resto da humanidade, que (a qual) tem sempre
b)... o médico ou alguém causa ativamente a morte... para contar uma história de objeto achado = pronome
c) prolonga o processo de morrer procurando distanciar relativo que retoma o resto da humanidade.
a morte.
d) Ela é proibida por lei no Brasil,... 19. (PC-SP – AGENTE DE POLÍCIA – VUNESP – 2013)
e) E como seria a verdadeira boa morte? Considere o trecho a seguir.
É comum que objetos ____________ esquecidos em locais
Resposta: Letra E. Em “a”: Existe grande confusão = públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados
substantivo
LÍNGUA PORTUGUESA

se as pessoas __________ a atenção voltada para seus per-


Em “b”: o médico ou alguém causa ativamente a mor- tences, conservando-os junto ao corpo.
te = pronome Assinale a alternativa que preenche, correta e respectiva-
Em “c”: prolonga o processo de morrer procurando mente, as lacunas do texto.
distanciar a morte = substantivo
Em “d”: Ela é proibida por lei no Brasil = substantivo a) sejam ... mantesse
Em “e”: E como seria a verdadeira boa morte? = ad- b) sejam ... mantém
jetivo c) sejam ... mantivessem

65
d) seja ... mantivessem Em “b”: Ele tem dezesseis anos = numeral
e) seja ... mantêm Em “c”: Eu queria que ele morresse logo = advérbio
Em “d”: com a crueldade adicional de dar esperança às
Resposta: Letra C. Completemos as lacunas e depois famílias = substantivo
busquemos o item correspondente. A pegadinha aqui Em “e”: E o inferno não atinge só os terminais = subs-
é a conjugação do verbo “manter”, no presente do tantivo
Subjuntivo (mantiver):
É comum que objetos sejam esquecidos em locais pú-
blicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se
as pessoas mantivessem a atenção voltada para seus
RELAÇÕES DE COORDENAÇÃO ENTRE ORA-
pertences, conservando-os junto ao corpo.
ÇÕES E ENTRE TERMOS DA ORAÇÃO. RELA-
20. (PC-SP – ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLI- ÇÕES DE SUBORDINAÇÃO ENTRE ORAÇÕES
CIAL – VUNESP – 2013) Nas frases – Não vou mais à E ENTRE TERMOS DA ORAÇÃO.
escola!… – e – Hoje estão na moda os métodos audio-
visuais. – as palavras em destaque expressam, correta e
respectivamente, circunstâncias de Frase, oração e período

a) dúvida e modo. 1. Sintaxe da Oração e do Período


b) dúvida e tempo.
c) modo e afirmação. Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para
d) negação e lugar. estabelecer comunicação. Normalmente é composta por
e) negação e tempo. dois termos – o sujeito e o predicado – mas não obriga-
toriamente, pois há orações ou frases sem sujeito: Trove-
Resposta: Letra E. jou muito ontem à noite.
“não” – advérbio de negação / “hoje” – advérbio de Quanto aos tipos de frases, além da classificação em
tempo. verbais (possuem verbos, ou seja, são orações) e nomi-
nais (sem a presença de verbos), feita a partir de seus
21. (PC-SP – ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP – elementos constituintes, elas podem ser classificadas a
2013) Assinale a alternativa que completa respectiva- partir de seu sentido global:
mente as lacunas, em conformidade com a norma-pa- A) frases interrogativas = o emissor da mensagem
drão de conjugação verbal. formula uma pergunta: Que dia é hoje?
Há quem acredite que alcançará o sucesso profissional B) frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou
quando __________ um diploma de mestrado, mas há
faz um pedido: Dê-me uma luz!
aqueles que _________ de opinião e procuram investir em
C) frases exclamativas = o emissor exterioriza um es-
cursos profissionalizantes.
tado afetivo: Que dia abençoado!
D) frases declarativas = o emissor constata um fato: A
a) obtiver … divirgem
prova será amanhã.
b) obter … divergem
c) obtesse … devirgem
d) obter … divirgem Quanto à estrutura da frase, as que possuem verbo
e) obtiver … divergem (oração) são estruturadas por dois elementos essenciais:
sujeito e predicado.
Resposta: Letra E. Há quem acredite que alcançará o O sujeito é o termo da frase que concorda com o ver-
sucesso profissional quando obtiver um diploma de bo em número e pessoa. É o “ser de quem se declara
mestrado, mas há aqueles que divergem de opinião e algo”, “o tema do que se vai comunicar”; o predicado é a
procuram investir em cursos profissionalizantes. parte da frase que contém “a informação nova para o ou-
vinte”, é o que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao tema,
22. (PC-SP – AUXILIAR DE NECROPSIA – VUNESP – constituindo a declaração do que se atribui ao sujeito.
2014) Considerando que o adjetivo é uma palavra que Quando o núcleo da declaração está no verbo (que
modifica o substantivo, com ele concordando em gênero indique ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo
e número, assinale a alternativa em que a palavra desta- significativo), temos o predicado verbal. Mas, se o núcleo
cada é um adjetivo. estiver em um nome (geralmente um adjetivo), teremos
um predicado nominal (os verbos deste tipo de predica-
a) ... um câncer de boca horroroso, ... do são os que indicam estado, conhecidos como verbos
de ligação):
LÍNGUA PORTUGUESA

b) Ele tem dezesseis anos...


c) Eu queria que ele morresse logo, ... O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação
d) ... com a crueldade adicional de dar esperança às fa- (predicado verbal)
mílias. A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o nú-
e) E o inferno não atinge só os terminais. cleo é “fácil” (predicado nominal)
Quanto ao período, ele denomina a frase constituída
Resposta: Letra A. por uma ou mais orações, formando um todo, com sen-
Em “a”: um câncer de boca horroroso = adjetivo tido completo. O período pode ser simples ou composto.

66
Período simples é aquele constituído por apenas O sujeito composto é o sujeito determinado que
uma oração, que recebe o nome de oração absoluta. apresenta mais de um núcleo.
Chove. Alimentos e roupas custam caro.
A existência é frágil. Ela e eu sabemos o conteúdo.
Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso. O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda.

Período composto é aquele constituído por duas ou Além desses dois sujeitos determinados, é comum
mais orações: a referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o
Cantei, dancei e depois dormi. “antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo do
Quero que você estude mais. sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido
pela desinência verbal ou pelo contexto.
1.1. Termos da Oração Abolimos todas as regras. = (nós)
Falaste o recado à sala? = (tu)
1.1.1 Termos essenciais Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na pri-
meira pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na se-
O sujeito e o predicado são considerados termos es- gunda do singular (tu) ou do plural (vós), desde que os
senciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis pronomes não estejam explícitos.
para a formação das orações. No entanto, existem ora- Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implíci-
ções formadas exclusivamente pelo predicado. O que to na desinência verbal “-mos”
define a oração é a presença do verbo. O sujeito é o ter- Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na de-
mo que estabelece concordância com o verbo. sinência verbal “-ais”
O candidato está preparado.
Os candidatos estão preparados. Mas:
Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”. “Candida- Nós iremos à festa juntos? = sujeito simples: nós
to” é a principal palavra do sujeito, sendo, por isso, deno- Vós cantais bem! = sujeito simples: vós
minada núcleo do sujeito. Este se relaciona com o verbo, O sujeito indeterminado surge quando não se quer -
estabelecendo a concordância (núcleo no singular, verbo ou não se pode - identificar a que o predicado da oração
no singular: candidato = está). refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso
A função do sujeito é basicamente desempenhada contrário, teríamos uma oração sem sujeito.
por substantivos, o que a torna uma função substantiva Na língua portuguesa, o sujeito pode ser indetermi-
da oração. Pronomes, substantivos, numerais e quais- nado de duas maneiras:
quer outras palavras substantivadas (derivação impró-
pria) também podem exercer a função de sujeito. A) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que
Os dois sumiram. (dois é numeral; no exemplo, subs- o sujeito não tenha sido identificado anteriormen-
tantivo) te:
Um sim é suave e sugestivo. (sim é advérbio; no exem- Bateram à porta;
plo: substantivo) Andam espalhando boatos a respeito da queda do mi-
nistro.
Os sujeitos são classificados a partir de dois elemen-
tos: o de determinação ou indeterminação e o de núcleo Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples
do sujeito. ou composto:
Um sujeito é determinado quando é facilmente iden- Os meninos bateram à porta. (simples)
tificado pela concordância verbal. O sujeito determinado Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto)
pode ser simples ou composto. B) com o verbo na terceira pessoa do singular, acres-
A indeterminação do sujeito ocorre quando não é cido do pronome “se”. Esta é uma construção típi-
possível identificar claramente a que se refere a concor- ca dos verbos que não apresentam complemento
dância verbal. Isso ocorre quando não se pode ou não direto:
interessa indicar precisamente o sujeito de uma oração. Precisa-se de mentes criativas.
Estão gritando seu nome lá fora. Vivia-se bem naqueles tempos.
Trabalha-se demais neste lugar. Trata-se de casos delicados.
O sujeito simples é o sujeito determinado que apre- Sempre se está sujeito a erros.
senta um único núcleo, que pode estar no singular ou no O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice
plural; pode também ser um pronome indefinido. Abai- de indeterminação do sujeito.
xo, sublinhei os núcleos dos sujeitos:
LÍNGUA PORTUGUESA

Nós estudaremos juntos. As orações sem sujeito, formadas apenas pelo pre-
A humanidade é frágil. dicado, articulam-se a partir de um verbo impessoal. A
Ninguém se move. mensagem está centrada no processo verbal. Os princi-
O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve pais casos de orações sem sujeito com:
uma derivação imprópria, tranformando-o em substan-  os verbos que indicam fenômenos da natureza:
tivo) Amanheceu.
As crianças precisam de alimentos saudáveis. Está trovejando.

67
 os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam do sujeito. O predicativo é um nome que se liga a ou-
fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao tro nome da oração por meio de um verbo (o verbo de
tempo em geral: ligação).
Está tarde. Nos predicados nominais, o verbo não é significativo,
Já são dez horas. isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao pre-
Faz frio nesta época do ano. dicativo, indicando circunstâncias referentes ao estado
Há muitos concursos com inscrições abertas. do sujeito: Os dados parecem corretos.
O verbo parecer poderia ser substituído por estar,
Predicado é o conjunto de enunciados que contém andar, ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como
a informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvin- elemento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele
te. Nas orações sem sujeito, o predicado simplesmente relacionadas.
enuncia um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o A função de predicativo é exercida, normalmente, por
predicado é aquilo que se declara a respeito deste su- um adjetivo ou substantivo.
jeito. Com exceção do vocativo - que é um termo à par-
te - tudo o que difere do sujeito numa oração é o seu O predicado verbo-nominal é aquele que apresen-
predicado. ta dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No
Chove muito nesta época do ano. predicado verbo-nominal, o predicativo pode se referir
Houve problemas na reunião. ao sujeito ou ao complemento verbal (objeto).

Em ambas as orações não há sujeito, apenas predi- O verbo do predicado verbo-nominal é sempre sig-
cado. Na segunda oração, “problemas” funciona como nificativo, indicando processos. É também sempre por
objeto direto. intermédio do verbo que o predicativo se relaciona com
As questões estavam fáceis! o termo a que se refere.
Sujeito simples = as questões O dia amanheceu ensolarado;
Predicado = estavam fáceis As mulheres julgam os homens inconstantes.
Passou-me uma ideia estranha pelo pensamento. No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta
Sujeito = uma ideia estranha duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de
Predicado = passou-me pelo pensamento ligação. Este predicado poderia ser desdobrado em dois:
um verbal e outro nominal.
Para o estudo do predicado, é necessário verificar O dia amanheceu. / O dia estava ensolarado.
se seu núcleo é um nome (então teremos um predicado
nominal) ou um verbo (predicado verbal). Deve-se con- No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona
siderar também se as palavras que formam o predicado o complemento homens com o predicativo “inconstan-
referem-se apenas ao verbo ou também ao sujeito da tes”.
oração.
Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres 1.2 Termos integrantes da oração
de opinião.
Predicado Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o
complemento nominal são chamados termos integrantes
O predicado acima apresenta apenas uma palavra da oração.
que se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras se
ligam direta ou indiretamente ao verbo. Os complementos verbais integram o sentido dos
A cidade está deserta. verbos transitivos, com eles formando unidades signifi-
O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere- cativas. Estes verbos podem se relacionar com seus com-
-se ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como plementos diretamente, sem a presença de preposição,
elemento de ligação (por isso verbo de ligação) entre o ou indiretamente, por intermédio de preposição.
sujeito e a palavra a ele relacionada (no caso: deserta = O objeto direto é o complemento que se liga direta-
predicativo do sujeito). mente ao verbo.
Houve muita confusão na partida final.
O predicado verbal é aquele que tem como núcleo Queremos sua ajuda.
significativo um verbo:
Chove muito nesta época do ano. O objeto direto preposicionado ocorre principalmen-
Estudei muito hoje! te:
Compraste a apostila? A) com nomes próprios de pessoas ou nomes comuns
LÍNGUA PORTUGUESA

referentes a pessoas:
Os verbos acima são significativos, isto é, não servem Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais.
apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam (o objeto é direto, mas como há preposição, denomi-
processos. na-se: objeto direto preposicionado)

O predicado nominal é aquele que tem como nú- B) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes
cleo significativo um nome; este atribui uma qualidade de tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero
ou estado ao sujeito, por isso é chamado de predicativo cansar a Vossa Senhoria.

68
C) para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a crise. O poeta português deixou uma obra inacabada.
(sem preposição, o sentido seria outro: O povo prejudica O poeta deixou-a inacabada.
a crise) (inacabada precisou ser repetida, então: predicativo
O objeto indireto é o complemento que se liga indi- do objeto)
retamente ao verbo, ou seja, através de uma preposição.
Gosto de música popular brasileira. Enquanto o complemento nominal se relaciona a um
Necessito de ajuda. substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto nominal se
relaciona apenas ao substantivo.
1.2.1 Objeto Pleonástico O aposto é um termo acessório que permite ampliar,
explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida em um
É a repetição de objetos, tanto diretos como indiretos. termo que exerça qualquer função sintática: Ontem, se-
Normalmente, as frases em que ocorrem objetos gunda-feira, passei o dia mal-humorado.
pleonásticos obedecem à estrutura: primeiro aparece o
objeto, antecipado para o início da oração; em seguida, Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tem-
ele é repetido através de um pronome oblíquo. É à repe- po “ontem”. O aposto é sintaticamente equivalente ao
tição que se dá o nome de objeto pleonástico. termo que se relaciona porque poderia substituí-lo: Se-
“Aos fracos, não os posso proteger, jamais.” (Gonçal- gunda-feira passei o dia mal-humorado.
ves Dias) O aposto pode ser classificado, de acordo com seu
valor na oração, em:
objeto pleonástico A) explicativo: A linguística, ciência das línguas huma-
nas, permite-nos interpretar melhor nossa relação
Ao traidor, nada lhe devemos. com o mundo.
B) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas
O termo que integra o sentido de um nome chama-se coisas: amor, arte, ação.
complemento nominal, que se liga ao nome que comple- C) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e so-
ta por intermédio de preposição: nho, tudo forma o carnaval.
A arte é necessária à vida. = relaciona-se com a pala- D) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fi-
xaram-se por muito tempo na baía anoitecida.
vra “necessária”
Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo”
O vocativo é um termo que serve para chamar, in-
vocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético, não
1.3 Termos acessórios da oração e vocativo
mantendo relação sintática com outro termo da oração.
A função de vocativo é substantiva, cabendo a substan-
Os termos acessórios recebem este nome por serem
tivos, pronomes substantivos, numerais e palavras subs-
explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o ad- tantivadas esse papel na linguagem.
junto adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o voca- João, venha comigo!
tivo – este, sem relação sintática com outros temos da Traga-me doces, minha menina!
oração.
1.4 Períodos Compostos
O adjunto adverbial é o termo da oração que indi- 1.4.1 Período Composto por Coordenação
ca uma circunstância do processo verbal ou intensifica o
sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função O período composto se caracteriza por possuir mais
adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais de uma oração em sua composição. Sendo assim:
exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma ora-
a pé àquela velha praça. ção)
Estou comprando um protetor solar, depois irei à
O adjunto adnominal é o termo acessório que deter- praia. (Período Composto =locução verbal + verbo, duas
mina, especifica ou explica um substantivo. É uma fun- orações)
ção adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções adjetivas Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar um
que exercem o papel de adjunto adnominal na oração. protetor solar. (Período Composto = três verbos, três
Também atuam como adjuntos adnominais os artigos, os orações).
numerais e os pronomes adjetivos. Há dois tipos de relações que podem se estabelecer
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu entre as orações de um período composto: uma relação
amigo de infância. de coordenação ou uma relação de subordinação.
Duas orações são coordenadas quando estão juntas
LÍNGUA PORTUGUESA

O adjunto adnominal se liga diretamente ao subs- em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco
tantivo a que se refere, sem participação do verbo. Já o de informações, marcado pela pontuação final), mas têm,
predicativo do objeto se liga ao objeto por meio de um ambas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
verbo. Estou comprando um protetor solar, depois irei à
O poeta português deixou uma obra originalíssima. praia. (Período Composto)
O poeta deixou-a. Podemos dizer:
(originalíssima não precisou ser repetida, portanto: 1. Estou comprando um protetor solar.
adjunto adnominal) 2. Irei à praia.

69
Separando as duas, vemos que elas são independentes. Tal período é classificado como Período Composto por
Coordenação.
Quanto à classificação das orações coordenadas, temos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas Sindé-
ticas.
A) Coordenadas Assindéticas
São orações coordenadas entre si e que não são ligadas através de nenhum conectivo. Estão apenas justapostas.
Entrei na sala, deitei-me no sofá, adormeci.

B) Coordenadas Sindéticas
Ao contrário da anterior, são orações coordenadas entre si, mas que são ligadas através de uma conjunção coor-
denativa, que dará à oração uma classificação. As orações coordenadas sindéticas são classificadas em cinco tipos:
aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas e explicativas.

Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção!

 Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas: suas principais conjunções são: e, nem, não só... mas também, não
só... como, assim... como.
Nem comprei o protetor solar nem fui à praia.
Comprei o protetor solar e fui à praia.

 Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas: suas principais conjunções são: mas, contudo, todavia, entretanto,
porém, no entanto, ainda, assim, senão.
Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
Li tudo, porém não entendi!

 Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas: suas principais conjunções são: ou... ou; ora...ora; quer...quer; seja...
seja.
Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador.

 Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas: suas principais conjunções são: logo, portanto, por fim, por conse-
guinte, consequentemente, pois (posposto ao verbo).
Passei no concurso, portanto comemorarei!
A situação é delicada; devemos, pois, agir.

 Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas: suas principais conjunções são: isto é, ou seja, a saber, na verdade,
pois (anteposto ao verbo).
Não fui à praia, pois queria descansar durante o Domingo.
Maria chorou porque seus olhos estão vermelhos.

1.4.2 Período Composto Por Subordinação

Quero que você seja aprovado!


Oração principal oração subordinada
Observe que na oração subordinada temos o verbo “seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singular do
presente do subjuntivo, além de ser introduzida por conjunção. As orações subordinadas que apresentam verbo em
qualquer dos tempos finitos (tempos do modo do indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas por conjunção,
chamam-se orações desenvolvidas ou explícitas.

Podemos modificar o período acima. Veja:


Quero ser aprovado.
Oração Principal Oração Subordinada

A análise das orações continua sendo a mesma: “Quero” é a oração principal, cujo objeto direto é a oração su-
bordinada “ser aprovado”. Observe que a oração subordinada apresenta agora verbo no infinitivo (ser). Além disso, a
conjunção “que”, conectivo que unia as duas orações, desapareceu. As orações subordinadas cujo verbo surge numa
das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) são chamadas de orações reduzidas ou implícitas (como no
LÍNGUA PORTUGUESA

exemplo acima).

Observação:
As orações reduzidas não são introduzidas por conjunções nem pronomes relativos. Podem ser, eventualmente,
introduzidas por preposição.
A) Orações Subordinadas Substantivas
A oração subordinada substantiva tem valor de substantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção integran-
te (que, se).

70
Não sei se sairemos hoje.
Oração Subordinada Substantiva

Temos medo de que não sejamos aprovados.


Oração Subordinada Substantiva

Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) também introduzem as orações subordinadas substantivas, bem
como os advérbios interrogativos (por que, quando, onde, como).

O garoto perguntou qual seu nome.


Oração Subordinada Substantiva

Não sabemos quando ele virá.


Oração Subordinada Substantiva

1.4.3 Classificação das Orações Subordinadas Substantivas

Conforme a função que exerce no período, a oração subordinada substantiva pode ser:
1. Subjetiva - exerce a função sintática de sujeito do verbo da oração principal:
É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Sujeito

É fundamental que você compareça à reunião.


Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Subjetiva

#FicaDica
Observe que a oração subordinada substantiva pode ser substituída pelo pronome “isso”. Assim, temos um
período simples:
É fundamental isso ou Isso é fundamental.
Desta forma, a oração correspondente a “isso” exercerá a função de sujeito.

Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na oração principal:


 Verbos de ligação + predicativo, em construções do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece certo
- É claro - Está evidente - Está comprovado
É bom que você compareça à minha festa.
 Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, Soube-se, Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi anunciado,
Ficou provado.
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.
 Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar - importar - ocorrer - acontecer
Convém que não se atrase na entrevista.
Observação:
Quando a oração subordinada substantiva é subjetiva, o verbo da oração principal está sempre na 3.ª pessoa do
singular.

2. Objetiva Direta = exerce função de objeto direto do verbo da oração principal:


Todos querem sua aprovação no concurso.
Objeto Direto

Todos querem que você seja aprovado. (Todos querem isso)


Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta
As orações subordinadas substantivas objetivas diretas (desenvolvidas) são iniciadas por:
 Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e “se”: A professora verificou se os alunos estavam presentes.
 Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: O
LÍNGUA PORTUGUESA

pessoal queria saber quem era o dono do carro importado.


 Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas: Eu
não sei por que ela fez isso.

3. Objetiva Indireta = atua como objeto indireto do verbo da oração principal. Vem precedida de preposição.

Meu pai insiste em meu estudo.


Objeto Indireto

71
Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai insiste nisso)
Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta
Observação:
Em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na oração.
Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta

4. Completiva Nominal = completa um nome que pertence à oração principal e também vem marcada por prepo-
sição.
Sentimos orgulho de seu comportamento.
Complemento Nominal

Sentimos orgulho de que você se comportou. (= Sentimos orgulho disso.)


Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal

As orações subordinadas substantivas objetivas indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto que orações
subordinadas substantivas completivas nominais integram o sentido de um nome. Para distinguir uma da outra, é ne-
cessário levar em conta o termo complementado. Esta é a diferença entre o objeto indireto e o complemento nominal:
o primeiro complementa um verbo; o segundo, um nome.

5. Predicativa = exerce papel de predicativo do sujeito do verbo da oração principal e vem sempre depois do verbo
ser.
Nosso desejo era sua desistência.
Predicativo do Sujeito

Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso desejo era isso)
Oração Subordinada Substantiva Predicativa

6. Apositiva = exerce função de aposto de algum termo da oração principal.


Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade!
Aposto
Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz!
Oração subordinada substantiva apositiva reduzida de infinitivo

(Fernanda tinha um grande sonho: isso)

Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : )

B) Orações Subordinadas Adjetivas


Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale. As
orações vêm introduzidas por pronome relativo e exercem a função de adjunto adnominal do antecedente.
Esta foi uma redação bem-sucedida.
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal)

O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adjetivo “bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos outra
construção, a qual exerce exatamente o mesmo papel:
Esta foi uma redação que fez sucesso.
Oração Principal Oração Subordinada Adjetiva

Perceba que a conexão entre a oração subordinada adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é feita
pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou relacionar) duas orações, o pronome relativo desempenha uma fun-
ção sintática na oração subordinada: ocupa o papel que seria exercido pelo termo que o antecede (no caso, “redação”
é sujeito, então o “que” também funciona como sujeito).
LÍNGUA PORTUGUESA

#FicaDica
Vale lembrar um recurso didático para reconhecer o pronome relativo “que”: ele sempre pode ser substitu-
ído por: o qual - a qual - os quais - as quais
Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta oração é equivalente a: Refiro-me ao aluno o qual estuda.

72
Forma das Orações Subordinadas Adjetivas exerce a função de adjunto adverbial do verbo da ora-
ção principal. Assim, pode exprimir circunstância de tem-
Quando são introduzidas por um pronome relativo e po, modo, fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando
apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as desenvolvida, vem introduzida por uma das conjunções
orações subordinadas adjetivas são chamadas desenvol- subordinativas (com exclusão das integrantes, que intro-
vidas. Além delas, existem as orações subordinadas ad- duzem orações subordinadas substantivas). Classifica-se
jetivas reduzidas, que não são introduzidas por pronome de acordo com a conjunção ou locução conjuntiva que
relativo (podem ser introduzidas por preposição) e apre- a introduz (assim como acontece com as coordenadas
sentam o verbo numa das formas nominais (infinitivo, sindéticas).
gerúndio ou particípio).
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou. Durante a madrugada, eu olhei você dormindo.
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar. Oração Subordinada Adverbial
No primeiro período, há uma oração subordinada ad- A oração em destaque agrega uma circunstância de
jetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada ad-
relativo “que” e apresenta verbo conjugado no pretérito verbial temporal. Os adjuntos adverbiais são termos aces-
perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração su- sórios que indicam uma circunstância referente, via de
bordinada adjetiva reduzida de infinitivo: não há prono- regra, a um verbo. A classificação do adjunto adverbial
me relativo e seu verbo está no infinitivo. depende da exata compreensão da circunstância que ex-
prime.
1. Classificação das Orações Subordinadas Adjeti- Naquele momento, senti uma das maiores emoções de
vas minha vida.
Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de
Na relação que estabelecem com o termo que carac- minha vida.
terizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar
de duas maneiras diferentes. Há aquelas que restringem
ou especificam o sentido do termo a que se referem, in- No primeiro período, “naquele momento” é um ad-
dividualizando-o. Nestas orações não há marcação de
junto adverbial de tempo, que modifica a forma verbal
pausa, sendo chamadas subordinadas adjetivas restriti-
“senti”. No segundo período, este papel é exercido pela
vas. Existem também orações que realçam um detalhe ou
oração “Quando vi o mar”, que é, portanto, uma oração
amplificam dados sobre o antecedente, que já se encon-
subordinada adverbial temporal. Esta oração é desenvol-
tra suficientemente definido. Estas orações denominam-
vida, pois é introduzida por uma conjunção subordina-
-se subordinadas adjetivas explicativas.
tiva (quando) e apresenta uma forma verbal do modo
Exemplo 1:
indicativo (“vi”, do pretérito perfeito do indicativo). Seria
Jamais teria chegado aqui, não fosse um homem que
possível reduzi-la, obtendo-se:
passava naquele momento.
Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de mi-
Oração Subordinada Adjetiva Restritiva
nha vida.
A oração em destaque é reduzida, apresentando uma
No período acima, observe que a oração em desta-
das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não
que restringe e particulariza o sentido da palavra “ho-
é introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por
mem”: trata-se de um homem específico, único. A oração
uma preposição (“a”, combinada com o artigo “o”).
limita o universo de homens, isto é, não se refere a todos
os homens, mas sim àquele que estava passando naque-
Observação:
le momento.
A classificação das orações subordinadas adverbiais
Exemplo 2:
é feita do mesmo modo que a classificação dos adjun-
tos adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela
O homem, que se considera racional, muitas vezes age
oração.
animalescamente.
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa
2. Classificação das Orações Subordinadas Adver-
biais
Agora, a oração em destaque não tem sentido restri-
tivo em relação à palavra “homem”; na verdade, apenas
A) Causal = A ideia de causa está diretamente ligada
explicita uma ideia que já sabemos estar contida no con-
àquilo que provoca um determinado fato, ao motivo do
ceito de “homem”.
que se declara na oração principal. Principal conjunção
subordinativa causal: porque. Outras conjunções e locu-
Saiba que:
LÍNGUA PORTUGUESA

ções causais: como (sempre introduzido na oração ante-


A oração subordinada adjetiva explicativa é separa-
posta à oração principal), pois, pois que, já que, uma vez
da da oração principal por uma pausa que, na escrita,
que, visto que.
é representada pela vírgula. É comum, por isso, que a
As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito
pontuação seja indicada como forma de diferenciar as
forte.
orações explicativas das restritivas; de fato, as explicativas
Já que você não vai, eu também não vou.
vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não.
A diferença entre a subordinada adverbial causal e a
C) Orações Subordinadas Adverbiais
sindética explicativa é que esta “explica” o fato que acon-
Uma oração subordinada adverbial é aquela que

73
teceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela apre- E) Comparativa= As orações subordinadas adverbiais
senta a “causa” do acontecimento expresso na oração à comparativas estabelecem uma comparação com a
qual ela se subordina. Repare: ação indicada pelo verbo da oração principal. Prin-
1. Faltei à aula porque estava doente. cipal conjunção subordinativa comparativa: como.
2. Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos. Ele dorme como um urso. (como um urso dorme)
Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro (causa) Você age como criança. (age como uma criança age)
que o fato expresso na oração anterior, ou seja, o
fato de estar doente impediu-me de ir à aula. No • geralmente há omissão do verbo.
exemplo 2, a oração sublinhada relata um fato que
aconteceu depois, já que primeiro ela chorou, de- F) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou
pois seus olhos ficaram vermelhos. seja, apresenta uma regra, um modelo adotado
para a execução do que se declara na oração prin-
cipal. Principal conjunção subordinativa conforma-
B) Consecutiva = exprime um fato que é consequên- tiva: conforme. Outras conjunções conformativas:
cia, é efeito do que se declara na oração principal. como, consoante e segundo (todas com o mesmo
São introduzidas pelas conjunções e locuções: que, valor de conforme).
de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas Fiz o bolo conforme ensina a receita.
estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que. Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm
Principal conjunção subordinativa consecutiva: que direitos iguais.
(precedido de tal, tanto, tão, tamanho)
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou G) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que
concretizando-os. se declara na oração principal. Principal conjunção
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Redu- subordinativa final: a fim de. Outras conjunções fi-
zida de Infinitivo) nais: que, porque (= para que) e a locução conjun-
tiva para que.
C) Condicional = Condição é aquilo que se impõe Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas.
como necessário para a realização ou não de um Estudarei muito para que eu me saia bem na prova.
fato. As orações subordinadas adverbiais condicio- H) Proporcional = exprime ideia de proporção, ou
nais exprimem o que deve ou não ocorrer para que seja, um fato simultâneo ao expresso na oração
se realize - ou deixe de se realizar - o fato expresso principal. Principal locução conjuntiva subordina-
na oração principal. tiva proporcional: à proporção que. Outras locu-
Principal conjunção subordinativa condicional: se. ções conjuntivas proporcionais: à medida que, ao
Outras conjunções condicionais: caso, contanto que, des- passo que. Há ainda as estruturas: quanto maior...
de que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que, (maior), quanto maior...(menor), quanto menor...
sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo). (maior), quanto menor...(menor), quanto mais...
Se o regulamento do campeonato for bem elaborado, (mais), quanto mais...(menos), quanto menos...
certamente o melhor time será campeão. (mais), quanto menos...(menos).
Caso você saia, convide-me. À proporção que estudávamos mais questões acer-
távamos.
D) Concessiva = indica concessão às ações do verbo À medida que lia mais culto ficava.
da oração principal, isto é, admitem uma contra-
dição ou um fato inesperado. A ideia de conces- I) Temporal = acrescenta uma ideia de tempo ao fato
são está diretamente ligada ao contraste, à quebra expresso na oração principal, podendo exprimir
de expectativa. Principal conjunção subordinativa noções de simultaneidade, anterioridade ou poste-
concessiva: embora. Utiliza-se também a conjun- rioridade. Principal conjunção subordinativa tem-
ção: conquanto e as locuções ainda que, ainda poral: quando. Outras conjunções subordinativas
quando, mesmo que, se bem que, posto que, ape- temporais: enquanto, mal e locuções conjuntivas:
sar de que. assim que, logo que, todas as vezes que, antes que,
Só irei se ele for. depois que, sempre que, desde que, etc.
A oração acima expressa uma condição: o fato de “eu” Assim que Paulo chegou, a reunião acabou.
ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita. Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando ter-
Compare agora com: minou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)
Irei mesmo que ele não vá.
3. Orações Reduzidas
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão:
LÍNGUA PORTUGUESA

irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida. As orações subordinadas podem vir expressas como
A oração destacada é, portanto, subordinada adverbial reduzidas, ou seja, com o verbo em uma de suas formas
concessiva. nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e sem conec-
Observe outros exemplos: tivo subordinativo que as introduza.
Embora fizesse calor, levei agasalho. É preciso estudar! = reduzida de infinitivo
Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / em- É preciso que se estude = oração desenvolvida (pre-
bora não estudasse). (reduzida de infinitivo) sença do conectivo)

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Para classificá-las, precisamos imaginar como seriam sim, ela fica mais perto de nós. E para muitos pode servir
“desenvolvidas” – como no exemplo acima. de caminho não apenas para a vida, que ela serve de
É preciso estudar = oração subordinada substantiva perto, mas para a literatura. Por meio dos assuntos, da
subjetiva reduzida de infinitivo composição solta, do ar de coisa sem necessidade que
É preciso que se estude = oração subordinada subs- costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo
tantiva subjetiva dia. Principalmente porque elabora uma linguagem que
fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua
4. Orações Intercaladas despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permi-
te, como compensação sorrateira, recuperar com a outra
São orações independentes encaixadas na sequência mão certa profundidade de significado e certo acaba-
do período, utilizadas para um esclarecimento, um apar- mento de forma, que de repente podem fazer dela uma
te, uma citação. Elas vêm separadas por vírgulas ou tra- inesperada, embora discreta, candidata à perfeição.
vessões. Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. São
Nós – continuava o relator – já abordamos este as- Paulo: Companhia das Letras, 1993, p. 23 (com adapta-
sunto. ções).
As formas verbais “imagina” (R.1), “atribuir” (R.4) e “ser-
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA vir” (R.8) foram utilizadas como verbos transitivos indi-
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa retos.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, ( ) CERTO ( ) ERRADO
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – Resposta: Errado.
São Paulo: Saraiva, 2002. imagina uma literatura = transitivo direto
atribuir o Prêmio Nobel a um cronista = bitransitivo
(transitivo direto e indireto)
SITE pode servir de caminho = intransitivo
http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/
frase-periodo-e-oracao

EMPREGO DOS SINAIS DE PONTUAÇÃO.


EXERCÍCIOS COMENTADOS
Os sinais de pontuação são marcações gráficas que
1. (CNJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – CESPE – 2013 –
servem para compor a coesão e a coerência textual, além
ADAPTADA) Jogadores de futebol de diversos times en-
de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas.
traram em campo em prol do programa “Pai Presente”,
Um texto escrito adquire diferentes significados quando
nos jogos do Campeonato Nacional em apoio à campanha
pontuado de formas diversificadas. O uso da pontuação
que visa reduzir o número de pessoas que não possuem o
depende, em certos momentos, da intenção do autor do
nome do pai em sua certidão de nascimento. (...)
discurso. Assim, os sinais de pontuação estão diretamen-
A oração subordinada “que não possuem o nome do pai
te relacionados ao contexto e ao interlocutor.
em sua certidão de nascimento” não é antecedida por vír-
gula porque tem natureza restritiva.
1. Principais funções dos sinais de pontuação
( ) CERTO ( ) ERRADO
A) Ponto (.)
 Indica o término do discurso ou de parte dele, en-
Resposta: Certo. A oração restringe o grupo que par-
cerrando o período.
ticipará da campanha (apenas os que não têm o nome
 Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia. (Com-
do pai na certidão de nascimento). Se colocarmos uma panhia). Se a palavra abreviada aparecer em final
vírgula, a oração se tornará “explicativa”, generalizan- de período, este não receberá outro ponto; neste
do a informação, o que dará a entender que TODAS as caso, o ponto de abreviatura marca, também, o fim
pessoas não têm o nome do pai na certidão. de período. Exemplo: Estudei português, matemári-
ca, constitucional, etc. (e não “etc..”)
2. (Instituto Rio Branco – Admissão à Carreira de Di-  Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do
plomata – cespe – 2014 – adaptada) ponto, assim como após o nome do autor de uma
LÍNGUA PORTUGUESA

citação:
A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma 
literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o Haverá eleições em outubro
brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napo-
e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a leão Mendes de Almeida) (ou: Almeida.)
um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mes-  Os números que identificam o ano não utilizam
mo que a crônica é um gênero menor. ponto nem devem ter espaço a separá-los, bem como os
“Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque, sendo as- números de CEP: 1975, 2014, 2006, 17600-250.

75
B) Ponto e Vírgula (;)
 Separa várias partes do discurso, que têm a mesma importância: “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão
pelo pão a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida; os de nenhum espírito dão pelo pão a alma...”
(VIEIRA)
 Separa partes de frases que já estão separadas por vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor; outros, mon-
tanhas, frio e cobertor.
 Separa itens de uma enumeração, exposição de motivos, decreto de lei, etc.
Ir ao supermercado;
Pegar as crianças na escola;
Caminhada na praia;
Reunião com amigos.

C) Dois pontos (:)


 Antes de uma citação = Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto:
 Antes de um aposto = Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à tarde e calor à noite.
 Antes de uma explicação ou esclarecimento: Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo a rotina de
sempre.
 Em frases de estilo direto
Maria perguntou:
- Por que você não toma uma decisão?

D) Ponto de Exclamação (!)


 Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, susto, súplica, etc.: Sim! Claro que eu quero me casar com você!
 Depois de interjeições ou vocativos
Ai! Que susto!
João! Há quanto tempo!

E) Ponto de Interrogação (?)


 Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur Azevedo)

F) Reticências (...)
 Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lápis, canetas, cadernos...
 Indica interrupção violenta da frase: “- Não... quero dizer... é verdad... Ah!”
 Indica interrupções de hesitação ou dúvida: Este mal... pega doutor?
 Indica que o sentido vai além do que foi dito: Deixa, depois, o coração falar...

G) Vírgula (,)

Não se usa vírgula


Separando termos que, do ponto de vista sintático, ligam-se diretamente entre si:
1. Entre sujeito e predicado:
Todos os alunos da sala foram advertidos.
Sujeito predicado

2. Entre o verbo e seus objetos:


O trabalho custou sacrifício aos realizadores.
V.T.D.I. O.D. O.I.

Usa-se a vírgula:

1. Para marcar intercalação:


A) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua abundância, vem caindo de preço.
B) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos.
LÍNGUA PORTUGUESA

C) das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não que-
rem abrir mão dos lucros altos.

2. Para marcar inversão:


A) do adjunto adverbial (colocado no início da oração): Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fecha-
das.
B) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
C) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de maio de 1982.

76
3. Para separar entre si elementos coordenados da cadeira das vítimas, testemunhas e réus para minha
(dispostos em enumeração): cadeira de juíza. A toga não me blindou daqueles relatos
Era um garoto de 15 anos, alto, magro. sofridos, aflitos. As angústias dos que se sentavam à mi-
A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e ani- nha frente, por diversas vezes, me escoltaram até minha
mais. casa e passaram a ser companheiras de noites de insônia.
Não havia outra solução a não ser escrever. Era preciso
4. Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós que- colocar no papel e compartilhar a dor daquelas pessoas
remos comer pizza; e vocês, churrasco. que, mesmo ao fim do processo e com a sentença prola-
tada, não me deixavam esquecê-las.
5. Para isolar: Foram horas, dias, meses, anos de oitivas de mães, filhas,
A) o aposto: São Paulo, considerada a metrópole bra- esposas, namoradas, companheiras, todas tendo em co-
sileira, possui um trânsito caótico. mum a violência no corpo e na alma sofrida dentro de
B) o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem. casa. O lar, que deveria ser o lugar mais seguro para essas
mulheres, havia se transformado no pior dos mundos.
Observações: Quando finalmente chegavam ao Judiciário e se sen-
Considerando-se que “etc.” é abreviatura da expres- tavam à minha frente, os relatos se transformavam em
são latina et coetera, que significa “e outras coisas”, seria desabafos de uma vida inteira. Era preciso explicar, justi-
dispensável o emprego da vírgula antes dele. Porém, o ficar e muitas vezes se culpar por terem sido agredidas.
acordo ortográfico em vigor no Brasil exige que empre- A culpa por ter sido vítima, a culpa por ter permitido, a
guemos etc. predecido de vírgula: Falamos de política, culpa por não ter sido boa o suficiente, a culpa por não
futebol, lazer, etc. ter conseguido manter a família. Sempre a culpa.
As perguntas que denotam surpresa podem ter com- Aquelas mulheres chegavam à Justiça buscando uma for-
binados o ponto de interrogação e o de exclamação: ça externa como se somente nós, juízes, promotores e
Você falou isso para ela?! advogados, pudéssemos não apenas cessar aquele ciclo
de violência, mas também lhes dar voz para reagir àquela
Temos, ainda, sinais distintivos: violência invisível.
 a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014), sepa- Rejane Jungbluth Suxberger. Invisíveis Marias: histórias
ração de siglas (IOF/UPC); além das quatro paredes. Brasília: Trampolim, 2018 (com
 os colchetes ([ ]) = usados em transcrições feitas adaptações).
pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como primeira O trecho “juízes, promotores e advogados” explica o sen-
opção aos parênteses, principalmente na matemá- tido de “nós”.
tica;
 o asterisco (*) = usado para remeter o leitor a ( ) CERTO ( ) ERRADO
uma nota de rodapé ou no fim do livro, para subs-
tituir um nome que não se quer mencionar. Resposta: Certo. Ao trecho: (...) Aquelas mulheres che-
gavam à Justiça buscando uma força externa como se
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS somente nós, juízes, promotores e advogados, pudésse-
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce- mos não apenas cessar aquele ciclo de violência (...). Os
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São termos entre vírgulas servem para exemplificar quem
Paulo: Saraiva, 2010. são os “nós” citados pela autora (juízes, promotores,
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa advogados).
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
2. (SERES-PE – Agente de Segurança Penitenciária –
SITE Cespe – 2017 – adaptada)
http://www.infoescola.com/portugues/pontuacao/
http://www.brasilescola.com/gramatica/uso-da-vir- Texto 1A1AAA
gula.htm
Após o processo de redemocratização, com o fim da di-
tadura militar, em meados da década de 80 do século
passado, era de se esperar que a democratização das
EXERCÍCIOS COMENTADOS instituições tivesse como resultado direto a consolidação
da cidadania — compreendida de modo amplo, abran-
1. (STJ – Conhecimentos Básicos para o Cargo 1 – Ces- gendo as três categorias de direitos: civis, políticos e
LÍNGUA PORTUGUESA

pe – 2018 – adaptada) sociais. Sobressaem, porém, problemas que configuram


mais desafios para a cidadania brasileira, como a violên-
Texto CB1A1CCC cia urbana — que ameaça os direitos individuais — e o
desemprego — que ameaça os direitos sociais.
As audiências de segunda a sexta-feira muitas vezes re- No Brasil, o crime aumentou significantemente a partir
velaram o lado mais sórdido da natureza humana. Eram de 1980, impacto do processo de modernização pelo
relatos de sofrimento, dor, angústia que se transportavam qual o país passou. Isso sugere que o boom do consumo
colocou em circulação bens de alto valor e, consequente-

77
mente, aumentou as oportunidades para o crime, inclusi- gerente executivo de pesquisas da Confederação Nacio-
ve porque a maior mobilidade de pessoas torna o espaço nal da Indústria (CNI), Renato da Fonseca, para explicar
social mais anônimo, menos supervisionado. a melhora das expectativas. O termo em destaque não
Nesse contexto, justiça criminal passa a ser cada vez mais está exercendo a função de vocativo, já que não é uti-
dissociada de justiça social e reconstrução da sociedade. lizado para evocar, chamar o interlocutor do diálogo.
O objetivo em relação à criminalidade torna-se bem me- Sua função é de aposto – explicar quem é o gerente
nos ambicioso: o controle. A prisão ganha mais impor- executivo da CNI.
tância na modernidade tardia, porque satisfaz uma dupla
necessidade dessa nova cultura: castigo e controle do 4. (Caixa Econômica Federal – Médico do Trabalho –
risco. Essa postura às vezes proporciona controle, porém cespe – 2014 – adaptada) A correção gramatical do tre-
não segurança, pois o Estado tem o poder limitado de cho “Entre as bebidas alcoólicas, cervejas e vinhos são as
manter a ordem por meio da polícia, sendo necessário mais comuns em todo o mundo” seria prejudicada, caso
dividir as tarefas de controle com organizações locais e se inserisse uma vírgula logo após a palavra “vinhos”.
com a comunidade.
Jacqueline Carvalho da Silva. Manutenção da ordem ( ) CERTO ( ) ERRADO
pública e garantia dos direitos individuais: os desafios da
polícia em sociedades democráticas. In: Revista Brasileira Resposta: Certo. Não se deve colocar vírgula entre
de Segurança Pública. São Paulo, ano 5, 8.ª ed., fev. – sujeito e predicado, a não ser que se trate de um apos-
mar./2011, p. 84-5 (com adaptações). to (1), predicativo do sujeito (2), ou algum termo que
requeira estar separado entre pontuações. Exemplo: O
No primeiro parágrafo do texto 1A1AAA, os dois-pontos Rio de Janeiro, cidade maravilhosa (1), está em festa!
introduzem Os meninos, ansiosos (2), chegaram!
a) uma enumeração das “categorias de direitos”.
b) resultados da “consolidação da cidadania”.
c) um contra-argumento para a ideia de cidadania como
algo “amplo”. CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL.
d) uma generalização do termo “direitos”.
e) objetivos do “processo de redemocratização”.

Resposta: Letra A. Recorramos ao texto (faça isso Os concurseiros estão apreensivos.


SEMPRE durante seu concurso. O texto é a base para Concurseiros apreensivos.
encontrar as respostas para as questões!): (...) abran-
gendo as três categorias de direitos: civis, políticos e No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra na
sociais. Os dois-pontos introduzem a enumeração dos terceira pessoa do plural, concordando com o seu su-
direitos; apresenta-os. jeito, os concurseiros. No segundo exemplo, o adjetivo
“apreensivos” está concordando em gênero (masculino)
3. (Aneel – Técnico Administrativo – cespe – 2010) Vão e número (plural) com o substantivo a que se refere: con-
surgindo novos sinais do crescente otimismo da indús- curseiros. Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa,
tria com relação ao futuro próximo. Um deles refere-se número e gênero se correspondem. A correspondência
às exportações. “O comércio mundial já está voltando a de flexão entre dois termos é a concordância, que pode
se abrir para as empresas”, diz o gerente executivo de ser verbal ou nominal.
pesquisas da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
Renato da Fonseca, para explicar a melhora das expec-
tativas dos industriais com relação ao mercado externo. 1. Concordância Verbal
Quanto ao mercado interno, as expectativas da indústria
não se modificaram. Mas isso não é um mau sinal, pois É a flexão que se faz para que o verbo concorde com
elas já eram francamente otimistas. Há algum tempo, a seu sujeito.
pesquisa da CNI, realizada mensalmente a partir de 2010,
registra grande otimismo da indústria com relação à de- 1.1. Sujeito Simples - Regra Geral
manda interna. Trata-se de um sentimento generalizado. O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo
Em todos os setores industriais, a expressiva maioria dos em número e pessoa. Veja os exemplos:
entrevistados acredita no aumento das vendas internas. A prova para ambos os cargos será aplicada às 13h.
O Estado de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adapta- 3.ª p. Singular 3.ª p. Singular
ções).
LÍNGUA PORTUGUESA

Os candidatos à vaga chegarão às 12h.


O nome próprio “Renato da Fonseca” está entre vírgulas 3.ª p. Plural 3.ª p. Plural
por tratar-se de um vocativo.
1.1.1. Casos Particulares
( ) CERTO ( ) ERRADO
A) Quando o sujeito é formado por uma expressão
Resposta: Errado. Recorramos ao texto (lembre-se de
partitiva (parte de, uma porção de, o grosso de,
fazer a mesma coisa no dia do seu concurso!): (...) diz o
metade de, a maioria de, a maior parte de, grande

78
parte de...) seguida de um substantivo ou prono- Qual de nós é capaz?
me no plural, o verbo pode ficar no singular ou no Algum de vós fez isso.
plural.
A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia. E) Quando o sujeito é formado por uma expressão
Metade dos candidatos não apresentou / apresenta- que indica porcentagem seguida de substantivo, o
ram proposta. verbo deve concordar com o substantivo.
25% do orçamento do país será destinado à Educação.
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos 85% dos entrevistados não aprovam a administração
dos coletivos, quando especificados: Um bando de vân- do prefeito.
dalos destruiu / destruíram o monumento. 1% do eleitorado aceita a mudança.
1% dos alunos faltaram à prova.
Observação:
Nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a  Quando a expressão que indica porcentagem não
unidade do conjunto; já a forma plural confere destaque é seguida de substantivo, o verbo deve concordar
aos elementos que formam esse conjunto. com o número.
25% querem a mudança.
B) Quando o sujeito é formado por expressão que 1% conhece o assunto.
indica quantidade aproximada (cerca de, mais de,
menos de, perto de...) seguida de numeral e subs-  Se o número percentual estiver determinado por
tantivo, o verbo concorda com o substantivo. artigo ou pronome adjetivo, a concordância far-se-
Cerca de mil pessoas participaram do concurso. -á com eles:
Perto de quinhentos alunos compareceram à solenida- Os 30% da produção de soja serão exportados.
de. Esses 2% da prova serão questionados.
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas últi- F) O pronome “que” não interfere na concordância;
mas Olimpíadas. já o “quem” exige que o verbo fique na 3.ª pessoa
do singular.
Observação: Fui eu que paguei a conta.
Quando a expressão “mais de um” se associar a ver- Fomos nós que pintamos o muro.
És tu que me fazes ver o sentido da vida.
bos que exprimem reciprocidade, o plural é obrigatório:
Sou eu quem faz a prova.
Mais de um colega se ofenderam na discussão. (ofende-
Não serão eles quem será aprovado.
ram um ao outro)
G) Com a expressão “um dos que”, o verbo deve as-
C) Quando se trata de nomes que só existem no plu-
sumir a forma plural.
ral, a concordância deve ser feita levando-se em
Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais encan-
conta a ausência ou presença de artigo. Sem arti- taram os poetas.
go, o verbo deve ficar no singular; com artigo no Este candidato é um dos que mais estudaram!
plural, o verbo deve ficar o plural.
Os Estados Unidos possuem grandes universidades.  Se a expressão for de sentido contrário – nenhum
Estados Unidos possui grandes universidades. dos que, nem um dos que -, não aceita o verbo no
Alagoas impressiona pela beleza das praias. singular:
As Minas Gerais são inesquecíveis. Nenhum dos que foram aprovados assumirá a vaga.
Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira. Nem uma das que me escreveram mora aqui.
D) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou  Quando “um dos que” vem entremeada de subs-
indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos, tantivo, o verbo pode:
muitos, quaisquer, vários) seguido por “de nós” ou 1. ficar no singular – O Tietê é um dos rios que atraves-
“de vós”, o verbo pode concordar com o primeiro sa o Estado de São Paulo. (já que não há outro rio
pronome (na terceira pessoa do plural) ou com o que faça o mesmo).
pronome pessoal. 2. ir para o plural – O Tietê é um dos rios que estão po-
Quais de nós são / somos capazes? luídos (noção de que existem outros rios na mesma
Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso? condição).
Vários de nós propuseram / propusemos sugestões ino-
vadoras. H) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o
verbo fica na 3ª pessoa do singular ou plural.
Observação: Vossa Excelência está cansado?
LÍNGUA PORTUGUESA

Veja que a opção por uma ou outra forma indica a Vossas Excelências renunciarão?
inclusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém diz
ou escreve “Alguns de nós sabíamos de tudo e nada fize- I) A concordância dos verbos bater, dar e soar faz-se
mos”, ele está se incluindo no grupo dos omissos. Isso de acordo com o numeral.
não ocorre ao dizer ou escrever “Alguns de nós sabiam de Deu uma hora no relógio da sala.
tudo e nada fizeram”, frase que soa como uma denúncia. Deram cinco horas no relógio da sala.
Nos casos em que o interrogativo ou indefinido esti- Soam dezenove horas no relógio da praça.
ver no singular, o verbo ficará no singular. Baterão doze horas daqui a pouco.

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Observação: 1.2.1. Casos Particulares
Caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino,
torre, etc., o verbo concordará com esse sujeito.  Quando o sujeito composto é formado por nú-
cleos sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica
O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas. no singular.
Soa quinze horas o relógio da matriz. Descaso e desprezo marca seu comportamento.
A coragem e o destemor fez dele um herói.
J) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum
sujeito, são usados sempre na 3.ª pessoa do sin-  Quando o sujeito composto é formado por núcleos
gular. São verbos impessoais: Haver no sentido de dispostos em gradação, verbo no singular:
existir; Fazer indicando tempo; Aqueles que indi- Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um se-
cam fenômenos da natureza. Exemplos: gundo me satisfaz.
Havia muitas garotas na festa.
Faz dois meses que não vejo meu pai.  Quando os núcleos do sujeito composto são uni-
dos por “ou” ou “nem”, o verbo deverá ficar no
Chovia ontem à tarde.
plural, de acordo com o valor semântico das con-
junções:
1.2. Sujeito Composto
Drummond ou Bandeira representam a essência da
poesia brasileira.
A) Quando o sujeito é composto e anteposto ao ver- Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta.
bo, a concordância se faz no plural: Em ambas as orações, as conjunções dão ideia de
Pai e filho conversavam longamente. “adição”. Já em:
Sujeito Juca ou Pedro será contratado.
Pais e filhos devem conversar com frequência. Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima Olim-
Sujeito píada.

B) Nos sujeitos compostos formados por pessoas Temos ideia de exclusão, por isso os verbos ficam
gramaticais diferentes, a concordância ocorre da seguin- no singular.
te maneira: a primeira pessoa do plural (nós) prevalece
sobre a segunda pessoa (vós) que, por sua vez, prevalece  Com as expressões “um ou outro” e “nem um nem
sobre a terceira (eles). Veja: outro”, a concordância costuma ser feita no sin-
Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão. gular.
Primeira Pessoa do Plural (Nós) Um ou outro compareceu à festa.
Nem um nem outro saiu do colégio.
Tu e teus irmãos tomareis a decisão.
Segunda Pessoa do Plural (Vós)  Com “um e outro”, o verbo pode ficar no plural ou
no singular: Um e outro farão/fará a prova.
Pais e filhos precisam respeitar-se.  Quando os núcleos do sujeito são unidos por
Terceira Pessoa do Plural (Eles) “com”, o verbo fica no plural. Nesse caso, os nú-
cleos recebem um mesmo grau de importância e
Observação: a palavra “com” tem sentido muito próximo ao de
Quando o sujeito é composto, formado por um ele- “e”.
O pai com o filho montaram o brinquedo.
mento da segunda pessoa (tu) e um da terceira (ele), é
O governador com o secretariado traçaram os planos
possível empregar o verbo na terceira pessoa do plural
para o próximo semestre.
(eles): “Tu e teus irmãos tomarão a decisão.” – no lugar
O professor com o aluno questionaram as regras.
de “tomaríeis”.
Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se
C) No caso do sujeito composto posposto ao verbo, a ideia é enfatizar o primeiro elemento.
passa a existir uma nova possibilidade de concordância: O pai com o filho montou o brinquedo.
em vez de concordar no plural com a totalidade do sujei- O governador com o secretariado traçou os planos
to, o verbo pode estabelecer concordância com o núcleo para o próximo semestre.
do sujeito mais próximo. O professor com o aluno questionou as regras.
Faltaram coragem e competência.
Faltou coragem e competência.
LÍNGUA PORTUGUESA

Com o verbo no singular, não se pode falar em sujeito


Compareceram todos os candidatos e o banca. composto. O sujeito é simples, uma vez que as expres-
Compareceu o banca e todos os candidatos. sões “com o filho” e “com o secretariado” são adjuntos
adverbiais de companhia. Na verdade, é como se hou-
D) Quando ocorre ideia de reciprocidade, a concor- vesse uma inversão da ordem. Veja:
dância é feita no plural. Observe: “O pai montou o brinquedo com o filho.”
Abraçaram-se vencedor e vencido. “O governador traçou os planos para o próximo semes-
Ofenderam-se o jogador e o árbitro. tre com o secretariado.”

80
“O professor questionou as regras com o aluno.”
Casos em que se usa o verbo no singular:
Café com leite é uma delícia!
O frango com quiabo foi receita da vovó.

Quando os núcleos do sujeito são unidos por expressões correlativas como: “não só... mas ainda”, “não somente”...,
“não apenas... mas também”, “tanto...quanto”, o verbo ficará no plural.
Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o Nordeste.
Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a notícia.

Quando os elementos de um sujeito composto são resumidos por um aposto recapitulativo, a concordância é feita
com esse termo resumidor.
Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da apatia.
Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante na vida das pessoas.

1.2.2 Outros Casos


O Verbo e a Palavra “SE”
Dentre as diversas funções exercidas pelo “se”, há duas de particular interesse para a concordância verbal:
A) quando é índice de indeterminação do sujeito;
B) quando é partícula apassivadora.
Quando índice de indeterminação do sujeito, o “se” acompanha os verbos intransitivos, transitivos indiretos e de
ligação, que obrigatoriamente são conjugados na terceira pessoa do singular:
Precisa-se de funcionários.
Confia-se em teses absurdas.

Quando pronome apassivador, o “se” acompanha verbos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e indiretos
(VTDI) na formação da voz passiva sintética. Nesse caso, o verbo deve concordar com o sujeito da oração. Exemplos:
Construiu-se um posto de saúde.
Construíram-se novos postos de saúde.
Aqui não se cometem equívocos
Alugam-se casas.

#FicaDica
Para saber se o “se” é partícula apassivadora ou índice de indeterminação do sujeito, tente transformar a
frase para a voz passiva. Se a frase construída for “compreensível”, estaremos diante de uma partícula apas-
sivadora; se não, o “se” será índice de indeterminação. Veja:
Precisa-se de funcionários qualificados.
Tentemos a voz passiva:
Funcionários qualificados são precisados (ou precisos)? Não há lógica. Portanto, o “se” destacado é índice
de indeterminação do sujeito.
Agora:
Vendem-se casas.
Voz passiva: Casas são vendidas. Construção correta! Então, aqui, o “se” é partícula apassivadora. (Dá para
eu passar para a voz passiva. Repare em meu destaque. Percebeu semelhança? Agora é só memorizar!)

O Verbo “Ser”

A concordância verbal dá-se sempre entre o verbo e o sujeito da oração. No caso do verbo ser, essa concordância
pode ocorrer também entre o verbo e o predicativo do sujeito.

Quando o sujeito ou o predicativo for:


LÍNGUA PORTUGUESA

A) Nome de pessoa ou pronome pessoal – o verbo SER concorda com a pessoa gramatical:
Ele é forte, mas não é dois.
Fernando Pessoa era vários poetas.
A esperança dos pais são eles, os filhos.
B) nome de coisa e um estiver no singular e o outro no plural, o verbo SER concordará, preferencialmente, com o
que estiver no plural:
Os livros são minha paixão!
Minha paixão são os livros!

81
Quando o verbo SER indicar Concordância Nominal

 horas e distâncias, concordará com a expressão A concordância nominal se baseia na relação entre
numérica: nomes (substantivo, pronome) e as palavras que a eles se
É uma hora. ligam para caracterizá-los (artigos, adjetivos, pronomes
São quatro horas. adjetivos, numerais adjetivos e particípios). Lembre-se:
Daqui até a escola é um quilômetro / são dois quilô- normalmente, o substantivo funciona como núcleo de
metros. um termo da oração, e o adjetivo, como adjunto adno-
 datas, concordará com a palavra dia(s), que pode minal.
estar expressa ou subentendida: A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as
Hoje é dia 26 de agosto. seguintes regras gerais:
Hoje são 26 de agosto. A) O adjetivo concorda em gênero e número quando
 Quando o sujeito indicar peso, medida, quantida- se refere a um único substantivo: As mãos trêmulas
de e for seguido de palavras ou expressões como denunciavam o que sentia.
pouco, muito, menos de, mais de, etc., o verbo SER
fica no singular:
Cinco quilos de açúcar é mais do que preciso. B) Quando o adjetivo refere-se a vários substantivos,
Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido. a concordância pode variar. Podemos sistematizar
Duas semanas de férias é muito para mim. essa flexão nos seguintes casos:

 Quando um dos elementos (sujeito ou predica-  Adjetivo anteposto aos substantivos:


tivo) for pronome pessoal do caso reto, com este O adjetivo concorda em gênero e número com o
concordará o verbo. substantivo mais próximo.
No meu setor, eu sou a única mulher. Encontramos caídas as roupas e os prendedores.
Aqui os adultos somos nós. Encontramos caída a roupa e os prendedores.
Encontramos caído o prendedor e a roupa.
Observação:
Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) repre- Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de
sentados por pronomes pessoais, o verbo concorda com parentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural.
o pronome sujeito. As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar.
Eu não sou ela. Encontrei os divertidos primos e primas na festa.
Ela não é eu.
 Adjetivo posposto aos substantivos:
O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo
 Quando o sujeito for uma expressão de sentido
ou com todos eles (assumindo a forma masculina
partitivo ou coletivo e o predicativo estiver no plu-
plural se houver substantivo feminino e masculi-
ral, o verbo SER concordará com o predicativo.
no).
A grande maioria no protesto eram jovens.
A indústria oferece localização e atendimento perfeito.
O resto foram atitudes imaturas.
A indústria oferece atendimento e localização perfeita.
A indústria oferece localização e atendimento perfei-
O Verbo “Parecer” tos.
O verbo parecer, quando é auxiliar em uma locução ver- A indústria oferece atendimento e localização perfei-
bal (é seguido de infinitivo), admite duas concordâncias: tos.
 Ocorre variação do verbo PARECER e não se fle-
xiona o infinitivo: As crianças parecem gostar do Observação:
desenho. Os dois últimos exemplos apresentam maior clareza,
pois indicam que o adjetivo efetivamente se refere aos
 A variação do verbo parecer não ocorre e o infini- dois substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi flexionado
tivo sofre flexão: no plural masculino, que é o gênero predominante quan-
As crianças parece gostarem do desenho. do há substantivos de gêneros diferentes.
(essa frase equivale a: Parece gostarem do desenho Se os substantivos possuírem o mesmo gênero, o ad-
aas crianças) jetivo fica no singular ou plural.
A beleza e a inteligência feminina(s).
O carro e o iate novo(s).
LÍNGUA PORTUGUESA

FIQUE ATENTO!
Com orações desenvolvidas, o verbo PARE- C) Expressões formadas pelo verbo SER + adjetivo:
CER fica no singular. Por exemplo: As pare- O adjetivo fica no masculino singular, se o substanti-
des parece que têm ouvidos. (Parece que as vo não for acompanhado de nenhum modificador:
paredes têm ouvidos = oração subordinada Água é bom para saúde.
substantiva subjetiva). O adjetivo concorda com o substantivo, se este for
modificado por um artigo ou qualquer outro determina-
tivo: Esta água é boa para saúde.

82
D) O adjetivo concorda em gênero e número com os  Quando o sujeito destas expressões estiver deter-
pronomes pessoais a que se refere: Juliana encon- minado por artigos, pronomes ou adjetivos, tanto
trou-as muito felizes. o verbo como o adjetivo concordam com ele.
É proibida a entrada de crianças.
E) Nas expressões formadas por pronome indefinido Esta salada é ótima.
neutro (nada, algo, muito, tanto, etc.) + preposição A educação é necessária.
DE + adjetivo, este último geralmente é usado no São precisas várias medidas na educação.
masculino singular: Os jovens tinham algo de mis-
terioso. Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio - Incluso -
F) A palavra “só”, quando equivale a “sozinho”, tem Quite
função adjetiva e concorda normalmente com o
nome a que se refere: Estas palavras adjetivas concordam em gênero e nú-
Cristina saiu só. mero com o substantivo ou pronome a que se referem.
Seguem anexas as documentações requeridas.
Cristina e Débora saíram sós.
A menina agradeceu: - Muito obrigada.
Muito obrigadas, disseram as senhoras.
Observação:
Seguem inclusos os papéis solicitados.
Quando a palavra “só” equivale a “somente” ou “ape- Estamos quites com nossos credores.
nas”, tem função adverbial, ficando, portanto, invariável:
Eles só desejam ganhar presentes. Bastante - Caro - Barato - Longe

Estas palavras são invariáveis quando funcionam


#FicaDica como advérbios. Concordam com o nome a que se refe-
rem quando funcionam como adjetivos, pronomes adje-
Substitua o “só” por “apenas” ou “sozinho”. tivos, ou numerais.
Se a frase ficar coerente com o primeiro, As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio)
trata-se de advérbio, portanto, invariável; se Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho.
houver coerência com o segundo, função de (pronome adjetivo)
adjetivo, então varia: Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio)
Ela está só. (ela está sozinha) – adjetivo As casas estão caras. (adjetivo)
Ele está só descansando. (apenas descan- Achei barato este casaco. (advérbio)
sando) - advérbio Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo)
Mas cuidado! Se colocarmos uma vírgula
depois de “só”, haverá, novamente, um ad- Meio - Meia
jetivo:
Ele está só, descansando. (ele está sozinho e A palavra “meio”, quando empregada como adjetivo,
descansando) concorda normalmente com o nome a que se refere: Pedi
meia porção de polentas.
Quando empregada como advérbio permanece inva-
G) Quando um único substantivo é modificado por riável: A candidata está meio nervosa.
dois ou mais adjetivos no singular, podem ser usa-
das as construções:
 O substantivo permanece no singular e coloca-se #FicaDica
o artigo antes do último adjetivo: Admiro a cultura Dá para eu substituir por “um pouco”, assim
espanhola e a portuguesa. saberei que se trata de um advérbio, não
 O substantivo vai para o plural e omite-se o artigo de adjetivo: “A candidata está um pouco
antes do adjetivo: Admiro as culturas espanhola e nervosa”.
portuguesa.

1. Casos Particulares Alerta - Menos

É proibido - É necessário - É bom - É preciso - É per- Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem
mitido sempre invariáveis.
 Estas expressões, formadas por um verbo mais um Os concurseiros estão sempre alerta.
adjetivo, ficam invariáveis se o substantivo a que se
LÍNGUA PORTUGUESA

Não queira menos matéria!


referem possuir sentido genérico (não vier prece-
dido de artigo). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
É proibido entrada de crianças. Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
Em certos momentos, é necessário atenção. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
No verão, melancia é bom. Paulo: Saraiva, 2010.
É preciso cidadania. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Não é permitido saída pelas portas laterais. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

83
Português: novas palavras: literatura, gramática, reda- Preservando-se a correção gramatical do texto CB3A-
ção / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000. 2BBB, os termos “não há” e “não existem” poderiam ser
substituídos, respectivamente, por
SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint49. a) não existe e não têm.
php b) não existe e inexiste.
c) inexiste e não há.
d) inexiste e não acontece.
e) não tem e não têm.
EXERCÍCIOS COMENTADOS
Resposta: Letra C.
1. (Polícia Federal – Escrivão de Polícia Federal – Ces- Busquemos o contexto:
pe – 2013) Formas de tratamento como Vossa Excelência - sem direitos humanos reconhecidos e protegidos,
e Vossa Senhoria, ainda que sejam empregadas sempre não há democracia = poderíamos substituir por “não
na segunda pessoa do plural e no feminino, exigem fle- existe”, inexiste (verbo “haver” empregado com o sen-
xão verbal de terceira pessoa; além disso, o pronome tido de “existir”)
possessivo que faz referência ao pronome de tratamento - sem democracia, não existem as condições míni-
também deve ser o de terceira pessoa, e o adjetivo que mas para a solução pacífica dos conflitos = sentido
remete ao pronome de tratamento deve concordar em de “existir”. Poderíamos substituir por inexiste, mas no
gênero e número com a pessoa — e não com o pronome plural, já que devemos concordar com “as condições
— a que se refere. mínimas”. A única “troca” adequada seria o verbo “ha-
ver” – que pode ser utilizado com o sentido de “exis-
( ) CERTO ( ) ERRADO tir”. Teríamos: sem direitos humanos reconhecidos e
protegidos, inexiste democracia; sem democracia, não
Resposta: Certo. Afirmações corretas. As concordân- há as condições mínimas para a solução pacífica dos
cias verbal e nominal ao se utilizar pronome de trata- conflitos.
mento devem ser na terceira pessoa e concordar em
gênero (masculino ou feminino) com a pessoa a quem 3. (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Co-
mércio Exterior – Analista Técnico Administrativo –
se dirige: “Vossa Excelência está cansada(o)?” – con-
cespe – 2014) Em “Vossa Excelência deve estar satisfeita
cordará com quem está se falando: uma mulher ou um
com os resultados das negociações”, o adjetivo estará cor-
homem / “Vossa Santidade trouxe seus pertences?” /
retamente empregado se dirigido a ministro de Estado
“Vossas Senhorias gostariam de um café?”.
do sexo masculino, pois o termo “satisfeita” deve con-
cordar com a locução pronominal de tratamento “Vossa
2. (Prefeitura de São Luís-MA – Conhecimentos Bási-
Excelência”.
cos Cargos de Técnico Municipal – Nível Médio – Ces-
pe – 2017) ( ) CERTO ( ) ERRADO
Texto CB3A2BBB Resposta: Errado. Se a pessoa, no caso o ministro, for
do sexo feminino (ministra), o adjetivo está correto;
O reconhecimento e a proteção dos direitos humanos mas, se for do sexo masculino, o adjetivo sofrerá fle-
estão na base das Constituições democráticas modernas. xão de gênero: satisfeito. O pronome de tratamento
A paz, por sua vez, é o pressuposto necessário para o re- é apenas a maneira como tratar a autoridade, não re-
conhecimento e a efetiva proteção dos direitos humanos gendo as demais concordâncias.
em cada Estado e no sistema internacional. Ao mesmo
tempo, o processo de democratização do sistema in- 4. (Abin – Agente Técnico de Inteligência – cespe –
ternacional, que é o caminho obrigatório para a busca 2010 – adaptada) (...) Da combinação entre velocida-
do ideal da paz perpétua, não pode avançar sem uma de, persistência, relevância, precisão e flexibilidade surge
gradativa ampliação do reconhecimento e da proteção a noção contemporânea de agilidade, transformada em
dos direitos humanos, acima de cada Estado. Direitos principal característica de nosso tempo.
humanos, democracia e paz são três elementos funda- A forma verbal “surge” poderia, sem prejuízo gramati-
mentais do mesmo movimento histórico: sem direitos cal para o texto, ser flexionada no plural, para concordar
humanos reconhecidos e protegidos, não há democra- com “velocidade, persistência, relevância, precisão e fle-
cia; sem democracia, não existem as condições mínimas xibilidade”
para a solução pacífica dos conflitos. Em outras palavras,
a democracia é a sociedade dos cidadãos, e os súditos se
LÍNGUA PORTUGUESA

( ) CERTO ( ) ERRADO
tornam cidadãos quando lhes são reconhecidos alguns
direitos fundamentais; haverá paz estável, uma paz que Resposta: Errado. O verbo está concordando com o
não tenha a guerra como alternativa, somente quando termo “combinação”, por isso deve ficar no singular.
existirem cidadãos não mais apenas deste ou daquele
Estado, mas do mundo. 5. (Tribunal de Contas do Distrito Federal-df – Conhe-
Norberto Bobbio. A era dos direitos. Trad. Carlos Nelson Coutinho. cimentos BÁSICOS – ANALISTA DE ADMINISTRAÇÃO
Rio de Janeiro: Elsevier, 2004, p. 1 (com adaptações). PÚBLICA – ARQUIVOLOGIA – cespe – 2014 – adapta-

84
da) (...) Há décadas, países como China e Índia têm envia- A) Verbos Intransitivos
do estudantes para países centrais, com resultados muito Os verbos intransitivos não possuem complemento.
positivos.(...) É importante, no entanto, destacar alguns detalhes re-
A forma verbal “Há” poderia ser corretamente substituída lativos aos adjuntos adverbiais que costumam acompa-
por Fazem. nhá-los.

( ) CERTO ( ) ERRADO Chegar, Ir


Normalmente vêm acompanhados de adjuntos ad-
Resposta: Errado. O verbo “fazer”, quando empre- verbiais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas
gado no sentido de tempo passado, não sofre flexão. para indicar destino ou direção são: a, para.
Portanto, sua forma correta seria: “faz décadas”
Fui ao teatro.
Adjunto Adverbial de Lugar

REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL. Ricardo foi para a Espanha.


Adjunto Adverbial de Lugar

Comparecer
Regência Verbal e Regência nominal O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido
por em ou a.
Dá-se o nome de regência à relação de subordina- Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o
ção que ocorre entre um verbo (regência verbal) ou um último jogo.
nome (regência nominal) e seus complementos.
B) Verbos Transitivos Diretos
1. Regência Verbal = Termo Regente: VERBO Os verbos transitivos diretos são complementados
por objetos diretos. Isso significa que não exigem prepo-
A regência verbal estuda a relação que se estabele- sição para o estabelecimento da relação de regência. Ao
ce entre os verbos e os termos que os complementam empregar esses verbos, lembre-se de que os pronomes
(objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam (ad- oblíquos o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses
juntos adverbiais). Há verbos que admitem mais de uma pronomes podem assumir as formas lo, los, la, las (após
regência, o que corresponde à diversidade de significa- formas verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos,
nas (após formas verbais terminadas em sons nasais),
dos que estes verbos podem adquirir dependendo do
enquanto lhe e lhes são, quando complementos verbais,
contexto em que forem empregados.
objetos indiretos.
A mãe agrada o filho = agradar significa acariciar,
São verbos transitivos diretos, dentre outros: aban-
contentar.
donar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar,
A mãe agrada ao filho = agradar significa “causar admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, au-
agrado ou prazer”, satisfazer. xiliar, castigar, condenar, conhecer, conservar, convidar,
Conclui-se que “agradar alguém” é diferente de defender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, pre-
“agradar a alguém”. judicar, prezar, proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver,
visitar.
O conhecimento do uso adequado das preposições Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente
é um dos aspectos fundamentais do estudo da regência como o verbo amar:
verbal (e também nominal). As preposições são capazes Amo aquele rapaz. / Amo-o.
de modificar completamente o sentido daquilo que está Amo aquela moça. / Amo-a.
sendo dito. Amam aquele rapaz. / Amam-no.
Cheguei ao metrô. Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
Cheguei no metrô.
No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no Observação:
segundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado. Os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos
para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos
A voluntária distribuía leite às crianças. adnominais):
A voluntária distribuía leite com as crianças. Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
Na primeira frase, o verbo “distribuir” foi empregado Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua car-
como transitivo direto (objeto direto: leite) e indireto (ob-
LÍNGUA PORTUGUESA

reira)
jeto indireto: às crianças); na segunda, como transitivo Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau hu-
direto (objeto direto: crianças; com as crianças: adjunto mor)
adverbial). C) Verbos Transitivos Indiretos
Para estudar a regência verbal, agruparemos os ver- Os verbos transitivos indiretos são complementados
bos de acordo com sua transitividade. Esta, porém, não é por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exi-
um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de dife- gem uma preposição para o estabelecimento da relação
rentes formas em frases distintas. de regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de

85
terceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos Informe os novos preços aos clientes.
são o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não se uti- Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os no-
lizam os pronomes o, os, a, as como complementos de vos preços)
verbos transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que Na utilização de pronomes como complementos, veja
não representam pessoas, usam-se pronomes oblíquos as construções:
tônicos de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos prono- Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços.
mes átonos lhe, lhes. Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou
sobre eles)
Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:
Consistir - Tem complemento introduzido pela pre- Observação:
posição “em”: A modernidade verdadeira consiste em di- A mesma regência do verbo informar é usada para os
reitos iguais para todos. seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir.

Obedecer e Desobedecer - Possuem seus comple- Comparar


mentos introduzidos pela preposição “a”: Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite
Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais. as preposições “a” ou “com” para introduzir o comple-
Eles desobedeceram às leis do trânsito. mento indireto: Comparei seu comportamento ao (ou com
o) de uma criança.
Responder - Tem complemento introduzido pela pre-
posição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar Pedir
“a quem” ou “ao que” se responde. Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente
Respondi ao meu patrão. na forma de oração subordinada substantiva) e indireto
Respondemos às perguntas. de pessoa.
Respondeu-lhe à altura. Pedi-lhe favores.
Objeto Indireto Objeto Direto
Observação:
O verbo responder, apesar de transitivo indireto quan-
do exprime aquilo a que se responde, admite voz passiva Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio.
analítica: Objeto Indireto Oração Subordinada Subs-
O questionário foi respondido corretamente. tantiva Objetiva Direta
Todas as perguntas foram respondidas satisfatoria-
mente. A construção “pedir para”, muito comum na lingua-
gem cotidiana, deve ter emprego muito limitado na lín-
Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus comple- gua culta. No entanto, é considerada correta quando a
mentos introduzidos pela preposição “com”. palavra licença estiver subentendida.
Antipatizo com aquela apresentadora.
Simpatizo com os que condenam os políticos que go- Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em
vernam para uma minoria privilegiada. casa.

D) Verbos Transitivos Diretos e Indiretos Observe que, nesse caso, a preposição “para” intro-
duz uma oração subordinada adverbial final reduzida de
Os verbos transitivos diretos e indiretos são acom- infinitivo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa).
panhados de um objeto direto e um indireto. Merecem
destaque, nesse grupo: agradecer, perdoar e pagar. São Preferir
verbos que apresentam objeto direto relacionado a coi- Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto
sas e objeto indireto relacionado a pessoas. indireto introduzido pela preposição “a”:
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais.
Agradeço aos ouvintes a audiência. Prefiro trem a ônibus.
Objeto Indireto Objeto Direto
Observação:
Paguei o débito ao cobrador. Na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado sem
Objeto Direto Objeto Indireto termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil ve-
zes, um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo
O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito prefixo existente no próprio verbo (pre).
com particular cuidado:
Agradeci o presente. / Agradeci-o. Mudança de Transitividade - Mudança de Signifi-
LÍNGUA PORTUGUESA

Agradeço a você. / Agradeço-lhe. cado


Perdoei a ofensa. / Perdoei-a. Há verbos que, de acordo com a mudança de transi-
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
tividade, apresentam mudança de significado. O conhe-
Paguei minhas contas. / Paguei-as.
cimento das diferentes regências desses verbos é um re-
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
curso linguístico muito importante, pois além de permitir
Informar
Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto a correta interpretação de passagens escritas, oferece
indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa. possibilidades expressivas a quem fala ou escreve. Den-
tre os principais, estão:

86
Agradar No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransiti-
Agradar é transitivo direto no sentido de fazer cari- vo ou transitivo indireto, tendo como sujeito uma oração
nhos, acariciar, fazer as vontades de. reduzida de infinitivo.
Sempre agrada o filho quando.
Aquele comerciante agrada os clientes. Muito custa viver tão longe da família.
Verbo Intransitivo Oração Subordinada
Agradar é transitivo indireto no sentido de causar Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo
agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento
introduzido pela preposição “a”. Custou-me (a mim) crer nisso.
O cantor não agradou aos presentes. Objeto Indireto Oração Subordinada Subs-
O cantor não lhes agradou. tantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo

O antônimo “desagradar” é sempre transitivo indire- A Gramática Normativa condena as construções que
to: O cantor desagradou à plateia. atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por
pessoa: Custei para entender o problema.
Aspirar = Forma correta: Custou-me entender o problema.
Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, ins-
pirar (o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o) Implicar
Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos:
como ambição: Aspirávamos a um emprego melhor. (As- A) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes
pirávamos a ele) implicavam um firme propósito.
Como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pes- B) ter como consequência, trazer como consequência,
soa, as formas pronominais átonas “lhe” e “lhes” não são acarretar, provocar: Uma ação implica reação.
utilizadas, mas, sim, as formas tônicas “a ele(s)”, “a ela(s)”.
Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (= Como transitivo direto e indireto, significa compro-
meter, envolver: Implicaram aquele jornalista em questões
Aspiravam a ela)
econômicas.
No sentido de antipatizar, ter implicância, é transiti-
Assistir
vo indireto e rege com preposição “com”: Implicava com
Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, pres-
quem não trabalhasse arduamente.
tar assistência a, auxiliar.
Namorar
As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
Sempre tansitivo direto: Luísa namora Carlos há dois
As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
anos.
Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presen-
Obedecer - Desobedecer
ciar, estar presente, caber, pertencer.
Sempre transitivo indireto:
Assistimos ao documentário.
Todos obedeceram às regras.
Não assisti às últimas sessões.
Ninguém desobedece às leis.
Essa lei assiste ao inquilino.
Quando o objeto é “coisa”, não se utiliza “lhe” nem
No sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é in-
“lhes”: As leis são essas, mas todos desobedecem a elas.
transitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de
lugar introduzido pela preposição “em”: Assistimos numa
Proceder
conturbada cidade.
Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter
cabimento, ter fundamento ou comportar-se, agir. Nessa
Chamar
segunda acepção, vem sempre acompanhado de adjunto
Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, so-
adverbial de modo.
licitar a atenção ou a presença de. As afirmações da testemunha procediam, não havia
Por gentileza, vá chamar a polícia. / Por favor, vá cha- como refutá-las.
má-la. Você procede muito mal.
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
Chamar no sentido de denominar, apelidar pode Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a prepo-
apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere pre- sição “de”) e fazer, executar (rege complemento introdu-
dicativo preposicionado ou não. zido pela preposição “a”) é transitivo indireto.
A torcida chamou o jogador mercenário. O avião procede de Maceió.
A torcida chamou ao jogador mercenário. Procedeu-se aos exames.
A torcida chamou o jogador de mercenário. O delegado procederá ao inquérito.
LÍNGUA PORTUGUESA

A torcida chamou ao jogador de mercenário.


Chamar com o sentido de ter por nome é pronominal: Querer
Como você se chama? Eu me chamo Zenaide. Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter
vontade de, cobiçar.
Custar Querem melhor atendimento.
Custar é intransitivo no sentido de ter determinado Queremos um país melhor.
valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adver- Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição,
bial: Frutas e verduras não deveriam custar muito. estimar, amar: Quero muito aos meus amigos.

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Visar
Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mirar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
O homem visou o alvo.
O gerente não quis visar o cheque.

No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como objetivo é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
O ensino deve sempre visar ao progresso social.
Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar público.

Esquecer – Lembrar
Lembrar algo – esquecer algo
Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal)

No 1.º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja, exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
No 2.º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e exigem complemento com a preposição “de”. São, portanto,
transitivos indiretos:
Ele se esqueceu do caderno.
Eu me esqueci da chave.
Eles se esqueceram da prova.
Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.

Há uma construção em que a coisa esquecida ou lembrada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve alte-
ração de sentido. É uma construção muito rara na língua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos clássicos
tanto brasileiros como portugueses. Machado de Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias vezes.
Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
Não lhe lembram os bons momentos da infância? (= momentos é sujeito)

Simpatizar - Antipatizar
São transitivos indiretos e exigem a preposição “com”:
Não simpatizei com os jurados.
Simpatizei com os alunos.

A norma culta exige que os verbos e expressões que dão ideia de movimento sejam usados com a preposição “a”:
Chegamos a São Paulo e fomos direto ao hotel.
Cláudia desceu ao segundo andar.
Hoje, com esta chuva, ninguém sairá à rua.

Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse
nome. Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em
conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de
um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os
nomes correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.

Se uma oração completar o sentido de um nome, ou seja, exercer a função de complemento nominal, ela será com-
pletiva nominal (subordinada substantiva).

Regência de Alguns Nomes

Substantivos
LÍNGUA PORTUGUESA

Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de


Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

88
Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de
Observação:
Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a; pa-
ralelamente a; relativa a; relativamente a.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São Paulo:
Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.

SITE
http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php

EXERCÍCIO COMENTADO

1. (POLÍCIA FEDERAL – AGENTE DE POLÍCIA FEDERAL – CESPE – 2014 – ADAPTADA)


O uso indevido de drogas constitui, na atualidade, séria e persistente ameaça à humanidade e à estabilidade das
estruturas e valores políticos, econômicos, sociais e culturais de todos os Estados e sociedades. Suas consequências
infligem considerável prejuízo às nações do mundo inteiro, e não são detidas por fronteiras: avançam por todos os
cantos da sociedade e por todos os espaços geográficos, afetando homens e mulheres de diferentes grupos étnicos,
independentemente de classe social e econômica ou mesmo de idade. Questão de relevância na discussão dos efeitos
adversos do uso indevido de drogas é a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos crimes conexos — geralmente
de caráter transnacional — com a criminalidade e a violência. Esses fatores ameaçam a soberania nacional e afetam a
estrutura social e econômica interna, devendo o governo adotar uma postura firme de combate ao tráfico de drogas,
LÍNGUA PORTUGUESA

articulando-se internamente e com a sociedade, de forma a aperfeiçoar e otimizar seus mecanismos de prevenção e
repressão e garantir o envolvimento e a aprovação dos cidadãos.
Internet: <www.direitoshumanos.usp.br>.

Nas linhas 12 e 13, o emprego da preposição “com”, em “com a criminalidade e a violência”, deve-se à regência do
vocábulo “conexos”.

( ) CERTO ( ) ERRADO

89
Resposta: Errado. Ao texto: (...) Questão de relevância Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos ja-
na discussão dos efeitos adversos do uso indevido de mais vividos.
drogas é a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos Nas situações em que o nome geográfico se apresen-
crimes conexos — geralmente de caráter transnacional tar modificado por um adjunto adnominal, a crase está
— com a criminalidade e a violência. confirmada.
O termo está se referindo à associação – associação Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades de suas
do tráfico de drogas e crimes conexos (1) com a crimi- praias.
nalidade (2) (associação daquilo [1] com isso [2])

#FicaDica
Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou
EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE.
A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo: Vou a
Campinas. = Volto de Campinas. (crase pra
quê?)
Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!)
A crase se caracteriza como a fusão de duas vogais
idênticas, relacionadas ao emprego da preposição “a”
com o artigo feminino a(s), com o “a” inicial referente aos
pronomes demonstrativos – aquela(s), aquele(s), aquilo Quando o nome de lugar estiver especificado, ocor-
e com o “a” pertencente ao pronome relativo a qual (as rerá crase. Veja:
quais). Casos estes em que tal fusão encontra-se demar- Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo
cada pelo acento grave ( ` ): à(s), àquela, àquele, àquilo, que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”
à qual, às quais. Irei à Salvador de Jorge Amado.
O uso do acento indicativo de crase está condiciona-
do aos nossos conhecimentos acerca da regência verbal A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s),
e nominal, mais precisamente ao termo regente e termo aquela(s) e aquilo receberão o acento grave se o termo
regido. Ou seja, o termo regente é o verbo - ou nome - regente exigir complemento regido da preposição “a”.
que exige complemento regido pela preposição “a”, e o Entregamos a encomenda àquela menina.
termo regido é aquele que completa o sentido do termo (preposição + pronome demonstrativo)
regente, admitindo a anteposição do artigo a(s).
Refiro-me a (a) funcionária antiga, e não a (a)quela Iremos àquela reunião.
contratada recentemente. (preposição + pronome demonstrativo)
Após a junção da preposição com o artigo (destaca-
dos entre parênteses), temos: Sua história é semelhante às que eu ouvia quando
Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela contrata- criança. (àquelas que eu ouvia quando criança)
da recentemente. (preposição + pronome demonstrativo)

A letra “a” que acompanha locuções femininas (ad-


O verbo referir, de acordo com sua transitividade, verbiais, prepositivas e conjuntivas) recebem o acento
classifica-se como transitivo indireto, pois sempre nos grave:
referimos a alguém ou a algo. Houve a fusão da preposi-  locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às
ção a + o artigo feminino (à) e com o artigo feminino a + pressas, à vontade...
o pronome demonstrativo aquela (àquela).  locuções prepositivas: à frente, à espera de, à pro-
cura de...
Observações importantes:  locuções conjuntivas: à proporção que, à medida
Alguns recursos servem de ajuda para que possamos que.
confirmar a ocorrência ou não da crase. Eis alguns:
 Substitui-se a palavra feminina por uma masculina Cuidado: quando as expressões acima não exercerem
equivalente. Caso ocorra a combinação a + o(s), a a função de locuções não ocorrerá crase. Repare:
crase está confirmada. Eu adoro a noite!
Os dados foram solicitados à diretora.
Os dados foram solicitados ao diretor. Adoro o quê? Adoro quem? O verbo “adoro” requer
objeto direto, no caso, a noite. Aqui, o “a” é artigo, não
 No caso de nomes próprios geográficos, substi- preposição.
tui-se o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso re-
LÍNGUA PORTUGUESA

sulte na expressão “voltar da”, há a confirmação da Casos passíveis de nota:


crase.
 A crase é facultativa diante de nomes próprios fe-
Faremos uma visita à Bahia.
mininos: Entreguei o caderno a (à) Eliza.
Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirmada)
 Também é facultativa diante de pronomes posses-
sivos femininos: O diretor fez referência a (à) sua
Não me esqueço da viagem a Roma.
empresa.

90
 Facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja Os livros foram entregues a mim.
ficará aberta até as (às) dezoito horas. Dei a ela a merecida recompensa.
 Constata-se o uso da crase se as locuções prepo-
sitivas à moda de, à maneira de apresentarem-se  Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos
implícitas, mesmo diante de nomes masculinos: à senhora, senhorita e madame admitirem artigo, o
Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV. (à uso da crase está confirmado no “a” que os antece-
moda de Luís XV) de, no caso de o termo regente exigir a preposição.
 Não se efetiva o uso da crase diante da locução Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia.
adverbial “a distância”: Na praia de Copacabana,  Não ocorre crase antes de nome feminino utiliza-
observamos a queima de fogos a distância. do em sentido genérico ou indeterminado:
Estamos sujeitos a críticas.
Entretanto, se o termo vier determinado, teremos Refiro-me a conversas paralelas.
uma locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O pedes-
tre foi arremessado à distância de cem metros. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
-, faz-se necessário o emprego da crase. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Ensino à distância. Português linguagens: volume 3 / Wiliam Roberto Ce-
Ensino a distância. reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
 Em locuções adverbiais formadas por palavras re- Paulo: Saraiva, 2010.
petidas, não há ocorrência da crase.
Ela ficou frente a frente com o agressor. SITE
Eu o seguirei passo a passo. http://www.portugues.com.br/gramatica/o-uso-cra-
se-.html
Casos em que não se admite o emprego da crase:

Antes de vocábulos masculinos.


As produções escritas a lápis não serão corrigidas.
Esta caneta pertence a Pedro. EXERCÍCIOS COMENTADOS
Antes de verbos no infinitivo. 1. (POLÍCIA FEDERAL – AGENTE DE POLÍCIA FEDE-
Ele estava a cantar. RAL – CESPE – 2014 – ADAPTADA) O acento indicativo
Começou a chover.
de crase em “à humanidade e à estabilidade” é de uso
facultativo, razão por que sua supressão não prejudicaria
Antes de numeral.
a correção gramatical do texto.
O número de aprovados chegou a cem.
Faremos uma visita a dez países.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Observações:
RESPOSTA: Errado. Retomemos o contexto: (...) O
 Nos casos em que o numeral indicar horas – fun-
cionando como uma locução adverbial feminina – uso indevido de drogas constitui, na atualidade, séria e
ocorrerá crase: Os passageiros partirão às dezenove persistente ameaça à humanidade e à estabilidade das
horas. estruturas e valores políticos (...).
 Diante de numerais ordinais femininos a crase está O uso do acento indicativo de crase é obrigatório, já
confirmada, visto que estes não podem ser empre- que os termos “humanidade” e “estabilidade” comple-
gados sem o artigo: As saudações foram direciona- mentam o nome “ameaça” – “ameaça a quê? a quem?”
das à primeira aluna da classe. = a regência nominal pede preposição.
 Não ocorrerá crase antes da palavra casa, quando
essa não se apresentar determinada: Chegamos to- 2. (TCE-PA – CONHECIMENTOS BÁSICOS – AUDI-
dos exaustos a casa. TOR DE CONTROLE EXTERNO – EDUCACIONAL –
CESPE – 2016)
Entretanto, se vier acompanhada de um adjunto
adnominal, a crase estará confirmada: Chegamos todos Texto CB1A1BBB
exaustos à casa de Marcela.
 Não há crase antes da palavra “terra”, quando essa Estranhamente, governos estaduais cujas despesas com
indicar chão firme: Quando os navegantes regressa- o funcionalismo já alcançaram nível preocupante ou que
LÍNGUA PORTUGUESA

ram a terra, já era noite. estouraram o limite de gastos com pessoal fixado pela
Contudo, se o termo estiver precedido por um de- Lei Complementar n.º 101/2000, denominada Lei de Res-
terminante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá crase. ponsabilidade Fiscal (LRF), estão elaborando sua própria
Paulo viajou rumo à sua terra natal. legislação destinada a assegurar, como alegam, maior ri-
O astronauta voltou à Terra. gor na gestão de suas finanças. Querem uma nova lei de
responsabilidade fiscal para, segundo argumentam, for-
 Não ocorre crase antes de pronomes que reque- talecer a estrutura legal que protege o dinheiro público
rem o uso do artigo. do mau uso por gestores irresponsáveis.

91
Examinando-se a situação financeira dos estados que
preparam sua versão da lei de responsabilidade fiscal, COLOCAÇÃO DOS PRONOMES ÁTONOS.
fica difícil aceitar a argumentação. Desde maio de 2000,
quando entrou em vigor a LRF, esses estados, como os
demais, estão sujeitos a regras precisas para a gestão do
dinheiro público, para a criação de despesas e, em par- “Prezado Candidato, o tópico acima foi abordado
ticular, para os gastos com pessoal. Por que, tendo des- na íntegra no tópico: Domínio da estrutura morfos-
cumprido algumas dessas regras, estariam interessados sintática do período. Emprego das classes de pala-
vras.”
em torná-las ainda mais rigorosas?
Não foi a lei que não funcionou, mas os responsáveis
pelo dinheiro público que, por alguma razão, não a cum-
priram. De que adiantaria, então, tornar a lei mais rigoro- REESCRITA DE FRASES E PARÁGRAFOS
sa, se nem nas condições atuais esses responsáveis estão DO TEXTO. SIGNIFICAÇÃO DAS PALA-
sendo capazes de cumpri-la? O problema não está na VRAS. SUBSTITUIÇÃO DE PALAVRAS
lei. Mudá-la pode ser o pretexto não para torná-la mais OU DE TRECHOS DE TEXTO. REORGA-
rigorosa, mas para atribuir-lhe alguma flexibilidade que NIZAÇÃO DA ESTRUTURA DE ORAÇÕES
a desfigure. O verdadeiro problema é a dificuldade do E DE PERÍODOS DO TEXTO. REESCRITA
setor público de adaptar suas despesas às receitas em
DE TEXTOS DE DIFERENTES GÊNEROS E
queda por causa da crise.
NÍVEIS DE FORMALIDADE.
Internet: <http://opiniao.estadao.com.br> (com adapta-
ções).
REESCRITA DE TEXTOS/EQUIVALÊNCIA DE ES-
O emprego do acento grave em “às receitas” decorre da TRUTURAS
regência do verbo “adaptar” e da presença do artigo de-
finido feminino determinando o substantivo “receitas”. “Ideias confusas geram redações confusas”. Esta frase
leva-nos a refletir sobre a organização das ideias em um
texto. Significa dizer que, antes da redação, naturalmente
( ) CERTO ( ) ERRADO
devemos dominar o assunto sobre o qual iremos tratar e,
posteriormente, planejar o modo como iremos expô-lo,
Resposta: Certo. Texto: O verdadeiro problema é a di- do contrário haverá dificuldade em transmitir ideias bem
ficuldade do setor público de adaptar suas despesas às acabadas. Portanto, a leitura, a interpretação de textos e
receitas em queda por causa da crise = quem adapta, a experiência de vida antecedem o ato de escrever.
adapta algo/alguém A algo/alguém. Obtido um razoável conhecimento sobre o que ire-
mos escrever, feito o esquema de exposição da matéria,
3. (FNDE – TÉCNICO EM FINANCIAMENTO E EXE- é necessário saber ordenar as ideias em frases bem es-
CUÇÃO DE PROGRAMAS E PROJETOS EDUCACIO- truturadas. Logo, não basta conhecer bem um determi-
NAIS – CESPE – 2012) O emprego do sinal indicativo de nado assunto, temos que o transmitir de maneira clara
crase em “adequando os objetivos às necessidades” justi- aos leitores.
fica-se pela regência do verbo adequar, que exige com-
O estudo da pontuação pode se tornar um valioso
plemento regido pela preposição “a”, e pela presença de aliado para organizarmos as ideias de maneira clara em
artigo definido feminino antes de “necessidades”. frases. Para tanto, é necessário ter alguma noção de sin-
taxe. “Sintaxe”, conforme o dicionário Aurélio, é a “parte
( ) CERTO ( ) ERRADO da gramática que estuda a disposição das palavras na
frase e a das frases no discurso, bem como a relação ló-
RESPOSTA: Certo. Adequar o quê? – os objetivos gica das frases entre si”; ou em outras palavras, sintaxe
(objeto direto) – adequar o quê a quê? – a + as (=às) quer dizer “mistura”, isto é, saber misturar as palavras de
necessidades – objeto indireto. A explicação do enun- maneira a produzirem um sentido evidente para os re-
ciado está correta. ceptores das nossas mensagens. Observe:
1. A desemprego globalização no Brasil e no na está
Latina América causando.
4. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA-SE – TÉCNICO JUDICIÁ-
2. A globalização está causando desemprego no Brasil
RIO – CESPE – 2014 – ADAPTADA) No trecho “deu e na América Latina.
início à sua caminhada cósmica”, o emprego do acento
LÍNGUA PORTUGUESA

grave indicativo de crase é obrigatório. Ora, no item 1 não temos uma ideia, pois não há uma
frase, as palavras estão amontoadas sem a realização
( ) CERTO ( ) ERRADO de “uma sintaxe”, não há um contexto linguístico nem
relação inteligível com a realidade; no caso 2, a sintaxe
RESPOSTA: Errado. “deu início à sua caminhada ocorreu de maneira perfeita e o sentido está claro para
cósmica” – o uso do acento indicativo de crase, neste receptores de língua portuguesa inteirados da situação
caso, é facultativo (antes de pronome possessivo). econômica e cultural do mundo atual.

92
1. A Ordem dos Termos na Frase A globalização nasceu no século XX. (idem)
Há ainda frases nominais que não possuem verbos:
Leia novamente a frase contida no item 2. Note que cada macaco no seu galho. Nestes tipos de frase, a or-
ela é organizada de maneira clara para produzir sentido. dem direta faz-se naturalmente. Usam-se apenas os ter-
Todavia, há diferentes maneiras de se organizar grama- mos existentes nelas.
ticalmente tal frase, tudo depende da necessidade ou da
vontade do redator em manter o sentido, ou mantê-lo, Levando em consideração a ordem direta, podemos
porém, acrescentado ênfase a algum dos seus termos. estabelecer três regras básicas para o uso da vírgula:
Significa dizer que, ao escrever, podemos fazer uma série
de inversões e intercalações em nossas frases, confor- Se os termos estão colocados na ordem direta não
me a nossa vontade e estilo. Tudo depende da maneira haverá a necessidade de vírgulas. A frase 2 é um exem-
como queremos transmitir uma ideia, do nosso estilo. plo disto:
Por exemplo, podemos expressar a mensagem da frase A globalização está causando desemprego no Brasil e
2 da seguinte maneira: na América Latina.
No Brasil e na América Latina, a globalização está cau-
sando desemprego. Todavia, ao repetir qualquer um dos termos da oração
por três vezes ou mais, então é necessário usar a vírgula,
Neste caso, a mensagem é praticamente a mesma, mesmo que estejamos usando a ordem direta. Esta é a
apenas mudamos a ordem das palavras para dar ênfase regra básica n.º1 para a colocação da vírgula. Veja:
a alguns termos (neste caso: No Brasil e na A. L.). Repa- A globalização, a tecnologia e a “ciranda financeira”
re que, para obter a clareza tivemos que fazer o uso de causam desemprego…
vírgulas. (três núcleos do sujeito)
Entre os sinais de pontuação, a vírgula é o mais usado
e o que mais nos auxilia na organização de um período, A globalização causa desemprego no Brasil, na Améri-
pois facilita as boas “sintaxes”, boas misturas, ou seja, a ca Latina e na África.
vírgula ajuda-nos a não “embolar” o sentido quando pro- (três adjuntos adverbiais)
duzimos frases complexas. Com isto, “entregamos” frases
bem organizadas aos nossos leitores. A globalização está causando desemprego, insatisfa-
O básico para a organização sintática das frases é a ção e sucateamento industrial no Brasil e na América Lati-
ordem direta dos termos da oração. Os gramáticos es- na. (três complementos verbais)
truturam tal ordem da seguinte maneira:
B) Em princípio, não devemos, na ordem direta, sepa-
SUJEITO + VERBO+ COMPLEMENTO VERBAL+ rar com vírgula o sujeito e o verbo, nem o verbo e o seu
CIRCUNSTÂNCIAS
complemento, nem o complemento e as circunstâncias,
ou seja, não devemos separar com vírgula os termos da
A globalização + está causando+ desemprego + no
oração. Veja exemplos de tal incorreção:
Brasil nos dias de hoje.
O Brasil, será feliz.
A globalização causa, o desemprego.
Nem todas as orações mantêm esta ordem e nem
todas contêm todos estes elementos, portanto cabem
Ao intercalarmos alguma palavra ou expressão entre
algumas observações:
A) As circunstâncias (de tempo, espaço, modo, etc.) os termos da oração, cabe isolar tal termo entre vírgulas,
normalmente são representadas por adjuntos adverbiais assim o sentido da ideia principal não se perderá. Esta é
de tempo, lugar, etc. Note que, no mais das vezes, quan- a regra básica n.º 2 para a colocação da vírgula. Dito em
do queremos recordar algo ou narrar uma história, existe outras palavras: quando intercalamos expressões e frases
a tendência a colocar os adjuntos nos começos das fra- entre os termos da oração, devemos isolar os mesmos
ses: com vírgulas. Vejamos:
“No Brasil e na América…” “Nos dias de hoje…” “Nas A globalização, fenômeno econômico deste fim de sé-
minhas férias…”, “No Brasil…”. e logo depois os verbos culo XX, causa desemprego no Brasil.
e outros elementos: “Nas minhas férias fui…”; “No Brasil Aqui um aposto à globalização foi intercalado entre o
existe…” sujeito e o verbo.
Outros exemplos:
Observações: A globalização, que é um fenômeno econômico e cul-
Tais construções não estão erradas, mas rompem com tural, está causando desemprego no Brasil e na América
a ordem direta; Latina.
LÍNGUA PORTUGUESA

É preciso notar que em Língua Portuguesa, há mui- Neste caso, há uma oração adjetiva intercalada.
tas frases que não têm sujeito, somente predicado. Por As orações adjetivas explicativas desempenham fre-
exemplo: Está chovendo em Porto Alegre. Faz frio em Fri- quentemente um papel semelhante ao do aposto expli-
burgo. São quatro horas agora; cativo, por isto são também isoladas por vírgula.
Outras frases são construídas com verbos intransiti- A globalização causa, caro leitor, desemprego no Bra-
vos, que não têm complemento: sil…
O menino morreu na Alemanha. (sujeito +verbo+ ad- Neste outro caso, há um vocativo entre o verbo e o
junto adverbial) seu complemento.

93
A globalização causa desemprego, e isto é lamentável, quando, ocasionalmente, podem ser substituídas,
no Brasil… uma pela outra, em deteminado enunciado (aguadar e
Aqui, há uma oração intercalada (note que ela não esperar).
pertence ao assunto: globalização, da frase principal, tal
oração é apenas um comentário à parte entre o comple- Observação:
mento verbal e os adjuntos). A contribuição greco-latina é responsável pela
Observação: existência de numerosos pares de sinônimos: adversário e
A simples negação em uma frase não exige vírgula: A antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemiciclo;
globalização não causou desemprego no Brasil e na Amé-
contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e diálogo;
rica Latina.
transformação e metamorfose; oposição e antítese.
C) Quando “quebramos” a ordem direta, invertendo-
-a, tal quebra torna a vírgula necessária. Esta é a regra n.º Antônimos
3 da colocação da vírgula.
No Brasil e na América Latina, a globalização está cau- São palavras que se opõem através de seu significado:
sando desemprego… ordem - anarquia; soberba - humildade; louvar - censurar;
No fim do século XX, a globalização causou desempre- mal - bem.
go no Brasil…
Observação:
Nota-se que a quebra da ordem direta frequente- A antonímia pode se originar de um prefixo de
mente se dá com a colocação das circunstâncias antes
sentido oposto ou negativo: bendizer e maldizer;
do sujeito. Trata-se da ordem inversa. Estas circunstân-
cias, em gramática, são representadas pelos adjuntos ad- simpático e antipático; progredir e regredir; concórdia e
verbiais. Muitas vezes, elas são colocadas em orações discórdia; ativo e inativo; esperar e desesperar; comunista
chamadas adverbiais que têm uma função semelhante e anticomunista; simétrico e assimétrico.
a dos adjuntos adverbiais, isto é, denotam tempo, lugar,
etc. Exemplos: Homônimos e Parônimos
Quando o século XX estava terminando, a globalização
começou a causar desemprego. - Homônimos = palavras que possuem a mesma gra-
Enquanto os países portadores de alta tecnologia de- fia ou a mesma pronúncia, mas significados dife-
senvolvem-se, a globalização causa desemprego nos paí- rentes. Podem ser
ses pobres.
Durante o século XX, a Globalização causou desempre-
go no Brasil. A) Homógrafas: são palavras iguais na escrita e
diferentes na pronúncia:
Observação: rego (subst.) e rego (verbo); colher (verbo) e colher
Quanto à equivalência e transformação de estruturas, (subst.); jogo (subst.) e jogo (verbo); denúncia
um exemplo muito comum cobrado em provas é o enun- (subst.) e denuncia (verbo); providência (subst.) e
ciado trazer uma frase no singular e pedir a passagem providencia (verbo).
para o plural, mantendo o sentido. Outro exemplo é a
mudança de tempos verbais. B) Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e
diferentes na escrita:
SITE
acender (atear) e ascender (subir); concertar (harmonizar)
http://ricardovigna.wordpress.com/2009/02/02/estu-
dos-de-linguagem-1-estrutura-frasal-e-pontuacao/ e consertar (reparar); cela (compartimento) e sela
(arreio); censo (recenseamento) e senso ( juízo); paço
(palácio) e passo (andar).
SIGNIFICADO DAS PALAVRAS C) Homógrafas e homófonas simultaneamente
(ou perfeitas): São palavras iguais na escrita e na
Semântica é o estudo da significação das palavras pronúncia:
e das suas mudanças de significação através do tempo caminho (subst.) e caminho (verbo); cedo (verbo) e
ou em determinada época. A maior importância está em cedo (adv.); livre (adj.) e livre (verbo).
distinguir sinônimos e antônimos (sinonímia / antonímia)
e homônimos e parônimos (homonímia / paronímia). - Parônimos = palavras com sentidos diferentes, po-
rém de formas relativamente próximas. São pala-
vras parecidas na escrita e na pronúncia: cesta (re-
LÍNGUA PORTUGUESA

Sinônimos
ceptáculo de vime; cesta de basquete/esporte) e
São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto sesta (descanso após o almoço), eminente (ilustre)
- abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar - e iminente (que está para ocorrer), osso (substan-
abolir. tivo) e ouço (verbo), sede (substantivo e/ou verbo
Duas palavras são totalmente sinônimas quando “ser” no imperativo) e cede (verbo), comprimento
são substituíveis, uma pela outra, em qualquer contexto (medida) e cumprimento (saudação), autuar (pro-
(cara e rosto, por exemplo); são parcialmente sinônimas cessar) e atuar (agir), infligir (aplicar pena) e in-

94
fringir (violar), deferir (atender a) e diferir (diver- Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo
gir), suar (transpirar) e soar (emitir som), aprender percebemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade
(conhecer) e apreender (assimilar; apropriar-se de), de algo. Possibilidades de várias interpretações levando-
tráfico (comércio ilegal) e tráfego (relativo a movi- se em consideração as situações de aplicabilidade. Há
mento, trânsito), mandato (procuração) e mandado uma infinidade de exemplos em que podemos verificar a
(ordem), emergir (subir à superfície) e imergir (mer- ocorrência da polissemia:
gulhar, afundar). O rapaz é um tremendo gato.
O gato do vizinho é peralta.
Hiperonímia e Hiponímia Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua
Hipônimos e hiperônimos são palavras que perten- sobrevivência
cem a um mesmo campo semântico (de sentido), sendo O passarinho foi atingido no bico.
o hipônimo uma palavra de sentido mais específico; o Nas expressões polissêmicas rede de deitar, rede de
hiperônimo, mais abrangente. computadores e rede elétrica, por exemplo, temos em
O hiperônimo impõe as suas propriedades ao hipô- comum a palavra “rede”, que dá às expressões o sentido
nimo, criando, assim, uma relação de dependência se- de “entrelaçamento”. Outro exemplo é a palavra “xadrez”,
mântica. Por exemplo: Veículos está numa relação de hi- que pode ser utilizada representando “tecido”, “prisão”
peronímia com carros, já que veículos é uma palavra de ou “jogo” – o sentido comum entre todas as expressões
significado genérico, incluindo motos, ônibus, caminhões. é o formato quadriculado que têm.
Veículos é um hiperônimo de carros.
Um hiperônimo pode substituir seus hipônimos em Polissemia e homonímia
quaisquer contextos, mas o oposto não é possível. A utili-
zação correta dos hiperônimos, ao redigir um texto, evita A confusão entre polissemia e homonímia é bastante
a repetição desnecessária de termos. comum. Quando a mesma palavra apresenta vários
significados, estamos na presença da polissemia. Por
Parônimos: São palavras parecidas na escrita e na outro lado, quando duas ou mais palavras com origens
pronúncia: Coro e couro, cesta e sesta, eminente e imi- e significados distintos têm a mesma grafia e fonologia,
nente, tetânico e titânico, atoar e atuar, degradar e de- temos uma homonímia.
gredar, cético e séptico, prescrever e proscrever, descri- A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode
ção e discrição, infligir (aplicar) e infringir (transgredir), significar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não
osso e ouço, sede (vontade de beber) e cede (verbo ceder), é polissemia porque os diferentes significados para a
comprimento e cumprimento, deferir (conceder, dar de- palavra “manga” têm origens diferentes. “Letra” é uma
ferimento) e diferir (ser diferente, divergir, adiar), ratificar palavra polissêmica: pode significar o elemento básico
(confirmar) e retificar (tornar reto, corrigir), vultoso (volu- do alfabeto, o texto de uma canção ou a caligrafia de
moso, muito grande: soma vultosa) e vultuoso (congestio- um determinado indivíduo. Neste caso, os diferentes
nado: rosto vultuoso). significados estão interligados porque remetem para o
mesmo conceito, o da escrita.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Polissemia e ambiguidade
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
na interpretação. Na língua portuguesa, um enunciado
Cochar - Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
pode ser ambíguo, ou seja, apresentar mais de uma
– São Paulo: Saraiva, 2010.
interpretação. Esta ambiguidade pode ocorrer devido à
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
colocação específica de uma palavra (por exemplo, um
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
advérbio) em uma frase. Vejamos a seguinte frase:
XIMENES, Sérgio. Minidicionário Ediouro da Lìngua
Pessoas que têm uma alimentação equilibrada
Portuguesa – 2.ª ed. reform. – São Paulo: Ediouro, 2000.
frequentemente são felizes.
Neste caso podem existir duas interpretações
SITE
diferentes:
Disponível em: <http://www.coladaweb.com/
As pessoas têm alimentação equilibrada porque
portugues/sinonimos,-antonimos,-homonimos-e-
são felizes ou são felizes porque têm uma alimentação
paronimos>
equilibrada.
LÍNGUA PORTUGUESA

De igual forma, quando uma palavra é polissêmica,


POLISSEMIA ela pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma
interpretação. Para fazer a interpretação correta é muito
Polissemia é a propriedade de uma palavra adquirir importante saber qual o contexto em que a frase é
multiplicidade de sentidos, que só se explicam dentro de proferida.
um contexto. Trata-se, realmente, de uma única palavra, Muitas vezes, a disposição das palavras na construção
mas que abarca um grande número de significados do enunciado pode gerar ambiguidade ou, até mesmo,
dentro de seu próprio campo semântico. comicidade. Repare na figura abaixo:

95
interpretações, dependendo do contexto em que esteja
inserida, referindo-se a sentidos, associações e ideias que
vão além do sentido original da palavra, ampliando sua
significação mediante a circunstância em que a mesma
é utilizada, assumindo um sentido figurado e simbólico.
Como no exemplo da palavra “pau”: em seu sentido co-
notativo ela pode significar castigo (dar-lhe um pau), re-
provação (tomei pau no concurso).
A conotação tem como finalidade provocar sentimen-
tos no receptor da mensagem, através da expressividade
e afetividade que transmite. É utilizada principalmente
(http://www.humorbabaca.com/fotos/diversas/corto- numa linguagem poética e na literatura, mas também
cabelo-e-pinto. Acesso em 15/9/2014). ocorre em conversas cotidianas, em letras de música, em
Poderíamos corrigir o cartaz de inúmeras maneiras, anúncios publicitários, entre outros. Exemplos:
mas duas seriam:
Você é o meu sol!
Corte e coloração capilar
ou Minha vida é um mar de tristezas.
Faço corte e pintura capilar Você tem um coração de pedra!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza #FicaDica
Cochar. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010. Procure associar Denotação com
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Dicionário: trata-se de definição literal,
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. quando o termo é utilizado com o sentido
que consta no dicionário.
SITE
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/
gramatica/polissemia.htm>
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Exemplos de variação no significado das palavras: Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Ce-
Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido
reja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. – São
literal)
Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido Paulo: Saraiva, 2010.
figurado)
Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado) SITE
As variações nos significados das palavras ocasionam http://www.normaculta.com.br/conotacao-e-denota-
o sentido denotativo (denotação) e o sentido conotativo cao/
(conotação) das palavras.
A) Denotação
Uma palavra é usada no sentido denotativo quando
apresenta seu significado original, independentemente
do contexto em que aparece. Refere-se ao seu significa- EXERCÍCIOS COMENTADOS
do mais objetivo e comum, aquele imediatamente reco-
nhecido e muitas vezes associado ao primeiro significado 1. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) Um
que aparece nos dicionários, sendo o significado mais li- ex-governador do estado do Amazonas disse o seguinte:
teral da palavra. “Defenda a ecologia, mas não encha o saco”. (Gilberto
A denotação tem como finalidade informar o recep- Mestrinho) O vocábulo sublinhado, composto do radi-
tor da mensagem de forma clara e objetiva, assumindo cal-logia (“estudo”), se refere aos estudos de defesa do
um caráter prático. É utilizada em textos informativos, meio ambiente; o vocábulo abaixo, com esse mesmo ra-
como jornais, regulamentos, manuais de instrução, bu- dical, que tem seu significado corretamente indicado é:
las de medicamentos, textos científicos, entre outros. A
LÍNGUA PORTUGUESA

palavra “pau”, por exemplo, em seu sentido denotativo é a) Antropologia: estudo do homem como representante
apenas um pedaço de madeira. Outros exemplos: do sexo masculino;
O elefante é um mamífero. b) Etimologia: estudo das raças humanas;
As estrelas deixam o céu mais bonito! c) Meteorologia: estudo dos impactos de meteoros sobre
a Terra;
B) Conotação d) Ginecologia: estudo das doenças privativas das mu-
Uma palavra é usada no sentido conotativo quando lheres;
apresenta diferentes significados, sujeitos a diferentes e) Fisiologia: estudo das forças atuantes na natureza.

96
Resposta: Letra D. Em “a”: Antropologia: Ciência que 4. (MPU – CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA O CAR-
se dedica ao estudo do homem (espécie humana) em GO 33 – TÉCNICO ADMINISTRATIVO - Nível Médio –
sua totalidade CESPE-2013)
Em “b”: Etimologia: Ciência que investiga a origem das Há um dispositivo no Código Civil que condiciona a edi-
palavras procurando determinar as causas e circuns- ção de biografias à autorização do biografado ou des-
tâncias de seu processo evolutivo cendentes. As consequências da norma são negativas.
Em “c”: Meteorologia: Estudo dos fenômenos atmosfé- Uma delas é a impossibilidade de se registrar e deixar
ricos e das suas leis, principalmente com a intenção de para a posteridade a vida de personagens importantes
prever as variações do tempo. na formação do país, em qualquer ramo de atividade.
Em “d”: Ginecologia: estudo das doenças privativas das Permite-se a interdição de registros de época, em prejuí-
mulheres = correta zo dos historiadores e pesquisadores do futuro.
Em “e”: Fisiologia: Ciência que trata das funções orgâ- Dessa forma, tem sido sonegado, por exemplo,
nicas pelas quais a vida se manifesta o relato da vida do poeta Manoel Bandeira e dos
escritores Mário de Andrade e Guimarães Rosa. Tanto no
2. (CÂMARA DE SALVADOR-BA – ASSISTENTE LEGIS- jornalismo quanto na literatura não pode haver censura
LATIVO MUNICIPAL – FGV-2018) “Na verdade, todos os prévia. Publicada a reportagem (ou biografia), os que
anos a imprensa nacional destaca os inaceitáveis números se sentirem atingidos que recorram à justiça. É preciso
da violência no país”. O vocábulo “inaceitáveis” equivale seguir o padrão existente em muitos países, em que há
ao “que não se aceita”. A equivalência correta abaixo in- biografias “autorizadas” e “não autorizadas”.
dicada é: Reclamações posteriores, quando existem, são
encaminhadas ao foro devido, os tribunais.
a) tinta indelével / que não se apaga; O alegado “direito à privacidade” é argumento frágil
b) ação impossível / que não se possui; para justificar o veto a que a historiografia do país seja
c) trabalho inexequível / que não se exemplifica; enriquecida, como se não bastasse o fato de o poder
d) carro invisível / que não tem vistoria; de censura concedido a biografados e herdeiros ser um
e) voz inaudível / que não possui audiência. atentado à Constituição.
O Globo, 23/9/2013 (com adaptações).
Resposta: Letra A. Em “a”: tinta indelével / que não se
apaga = correta A palavra “sonegado” está sendo empregada com o
Em “b”: ação impossível = que não é possível sentido de reduzido, diminuído.
Em “c”: trabalho inexequível = que não se executa
Em “d”: carro invisível = que não se vê ( ) CERTO ( ) ERRADO
Em “e”: voz inaudível = que não se ouve
Resposta: Errado. (...) Permite-se a interdição de regis-
3. (MPU – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE-2010) tros de época, em prejuízo dos historiadores e pesqui-
A pobreza é um dos fatores mais comumente respon- sadores do futuro.
sáveis pelo baixo nível de desenvolvimento humano Dessa forma, tem sido sonegado, por exemplo, o rela-
e pela origem de uma série de mazelas, algumas das to da vida do poeta Manoel Bandeira e dos escritores
quais proibidas por lei ou consideradas crimes. É o caso Mário de Andrade e Guimarães Rosa = o sentido é o
do trabalho infantil. A chaga encontra terreno fértil nas de “impedido”.
sociedades subdesenvolvidas, mas também viceja onde 5. (PC-SP - ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP-2014) O
o capitalismo, em seu ambiente mais selvagem, obriga termo destacado na passagem do primeiro parágrafo –
crianças e adolescentes a participarem do processo de Mesmo com tantas opções, ainda há resistência na hora
produção. Foi assim na Revolução Industrial de ontem da compra. – tem sentido equivalente a
e nas economias ditas avançadas. E ainda é, nos dias de
hoje, nas manufaturas da Ásia ou em diversas regiões do a) impetuosidade.
Brasil. Enquanto, entre as nações ricas, o trabalho infantil b) empatia.
foi minimizado, já que nunca se pode dizer erradicado, c) relutância.
ele continua sendo grave problema nos países mais po- d) consentimento.
bres. e) segurança.
Jornal do Brasil, Editorial, 1.º/7/2010 (com
adaptações). Resposta: Letra C. Mesmo com tantas opções, ainda há
A palavra “chaga”, empregada com o sentido de ferida resistência na hora da compra.
LÍNGUA PORTUGUESA

social, refere-se, na estrutura sintática do parágrafo, a Em “a”: impetuosidade (força) = incorreto


“pobreza”. Em “b”: empatia = incorreto
Em “c”: relutância (resistência).
( ) CERTO ( ) ERRADO Em “d”: consentimento (aceitação) = incorreto
Em “e”: segurança = incorreto
Resposta: Errado. (...) É o caso do trabalho infantil. A A substituição que manteria o sentido do período é “ain-
chaga encontra terreno = refere-se a “trabalho infantil”. da há relutância”.

97
� Fique focado no enunciado que a banca está
CORRESPONDÊNCIA OFICIAL (CONFOR- pedindo, não redija um texto lindo, mas que está
totalmente fora do tema. Nunca fuja do tema
ME MANUAL DE REDAÇÃO DA PRESIDÊN-
proposto;
CIA DA REPÚBLICA). ASPECTOS GERAIS � Use sinônimos, evite repetir as mesmas palavras;
DA REDAÇÃO OFICIAL. FINALIDADE DOS � Tenha seus argumentos fundamentados. Seja
EXPEDIENTES OFICIAIS. ADEQUAÇÃO DA coeso e coerente;
LINGUAGEM AO TIPO DE DOCUMENTO. � Algo comum no mundo dos concurseiros é o
ADEQUAÇÃO DO FORMATO DO TEXTO AO grande temor pela redação nas provas. Muitas
GÊNERO. vezes o candidato prepara-se para a prova objetiva
e deixa a redação de lado, perdendo grandes
chances de passar. A única maneira eficaz de
aprender a fazer uma boa redação é treinando.
Uma boa redação é aquela que permite uma leitura Faça redações sobre diversos temas, leia e releia
prazerosa, natural, de fácil compreensão. Para fazer bons quantas vezes precisar, e lembre-se: a prática pode
textos é fundamental ter o hábito de leitura, utilizar todas levar à perfeição;
as regras da língua Portuguesa e as técnicas de redação � Além dessas dicas é preciso saber, principalmente,
a seu favor. as regras de acentuação gráfica, pontuação,
� Organize seus argumentos sobre o tema proposto ortografia e concordância.
e os escreva de forma compreensível. Organize os
argumentos em ordem crescente, ou seja, deixe o Estrutura da Redação
argumento mais forte para o final;
� Nas dissertações em que é necessário defender Um texto é composto de três partes essenciais:
algo, não fique “em cima do muro”, coloque introdução, desenvolvimento e conclusão. O correto
claramente sua posição, pois muitas vezes os é haver um elo entre as partes, como se formassem
corretores estão interessados em avaliar sua a costura do texto. Na introdução é onde o tema
capacidade de opinar, refletir e argumentar; abordado é apresentado, não deve ser muito extensa, e
� Escreva com clareza; aconselha-se que tenha apenas um parágrafo de quatro
� Seja objetivo e fiel ao tema; a seis linhas. O desenvolvimento é o “corpo” do texto,
� Escolha sempre a ordem direta das frases (sujeito a parte mais importante dele. É onde se expõe o ponto
+ predicado); de vista, e argumenta de uma forma lógica para que o
� Evite períodos e parágrafos muito longos; leitor acompanhe seu raciocínio. Nesta parte do texto
� Elimine expressões difíceis ou desnecessárias do faz-se uso de, no mínimo, dois parágrafos. A conclusão
é o fechamento. Mas é válido lembrar que a introdução,
texto;
desenvolvimento e conclusão são ligados e dependentes
� Não use termos chulos, gírias e regionalismos;
entre si para que a coesão e coerência textual sejam
� Esteja sempre atualizado em tudo que acontece
mantidas e o texto faça sentido.
no mundo;
� Leia muito. A leitura enriquece o vocabulário, você A) Introdução
olha visualmente as palavras e envia para a sua A introdução (dependendo do número máximo de
memória a forma correta de escrevê-las; linhas) deve ter argumentos, dos quais você falará
� Treine fazer redação com temas que poderão estar no desenvolvimento. Então, deixe para explicar o
relacionados com as provas de concursos públicos, assunto da introdução depois. Apenas coloque os
ou então faça com temas da atualidade e notícias argumentos de forma conexa e, o mais importante,
constantes nos meios de comunicação; apenas os coloque se tiver certeza de que falará
� Seja crítico de si mesmo, revise os textos de treino, sobre eles depois.
retire os excessos, deixe seu texto “enxuto”;
� Cronometre o tempo que é gasto nas suas B) Desenvolvimento
redações de treino e tente sempre diminuir o O desenvolvimento (dependendo do número máximo
tempo gasto na próxima; de linhas) deve ter, no mínimo, dois parágrafos.
� Não ultrapasse as margens, nem o limite de linhas Cada parágrafo deve ter entre 2 a 4 linhas. O
estabelecido na prova; ideal seria três linhas, pois quanto mais linhas,
� Mantenha o mesmo padrão de letra do início maiores as chances de você escrever algo confuso.
ao fim do texto. Não inicie com letra legível e Os parágrafos devem tratar dos argumentos
arredondada, por exemplo, e termine com ela apresentados na introdução. Cada parágrafo, ao
LÍNGUA PORTUGUESA

ilegível e “apressada”. Isso dará uma péssima menos, referente a um deles.


impressão para o examinador da banca quando
for ler; C) Conclusão
� Não faça marcas, rabiscos, não suje e nem amasse A conclusão não traz nenhum argumento novo. Ela
sua redação; Tenha o máximo de asseio possível; ressalta o que já foi dito, ou traz uma POSSÍVEL
� Faça as redações de provas anteriores do concurso solução.
que você prestará;

98
A necessidade de se diminuir a maioridade penal, nas
FIQUE ATENTO! condições atuais, de fato, se mostra gritante. Contudo, no
Na dissertação NUNCA usamos: eu, nós, dia que o país investir em educação e não em formas de
temos, devemos, podemos, iremos, sei, sa- conter os efeitos gerados pela falta desta, talvez, sequer
bemos, e palavras conjugadas da mesma seja necessária qualquer pena.
forma. Isto porque ela deve ser escrita na
3.ª pessoa do singular. O certo seria: sabe- Planejando a Dissertação
-se, deve-se, importante se faz, tem-se.
“Todo mundo”, “todo o planeta”, “todas as Veja a seguir outro tipo de roteiro. Siga os passos:
pessoas”, “todos”: tais palavras devem ser � Interrogue o tema;
evitadas, pois a dissertação não admite ge- � Responda-o de acordo com a sua opinião;
neralização. Logo, devemos usar “a maioria”, � Apresente um argumento básico;
“grande parte”, “parcela da população”, “um � Apresente argumentos auxiliares;
significativo número”, etc. “Com certeza”, � Apresente um fato-exemplo;
“obviamente”, “definitivamente”: são pala- � Conclua.
vras que também devem ser evitadas. A dis-
sertação consiste numa argumentação, na Vamos supor que o tema de redação proposto seja:
qual se é exposto um pensamento, o qual Nenhum homem vive sozinho. Tente seguir o roteiro:
poderá ser refutado por outro pensamento. 1. Transforme o tema em uma pergunta: Nenhum
homem vive sozinho?
2. Procure responder a essa pergunta de um modo
Exemplo de uma redação. O texto trata da redução da simples e claro, concordando ou discordando (ou
maioridade no Brasil. concordando em parte e discordando em parte):
essa resposta é o seu ponto de vista.
A INTRODUÇÃO é a seguinte: 3. Pergunte a você mesmo o porquê de sua resposta,
Na sociedade atual, muitos crimes vêm sendo cometidos uma causa, um motivo, uma razão para justificar
por infratores menores de dezoito anos. As penas a eles sua posição: aí estará o seu argumento principal.
aplicadas são relativamente pequenas e não os inibem de 4. Agora, procure descobrir outros motivos que ajudem
praticar novos delitos. A maioria destes jovens, contudo, a defender o seu ponto de vista, a fundamentar sua
SÃO de regiões periféricas e não têm o devido acesso á posição. Estes serão os argumentos auxiliares.
educação. 5. Em seguida, procure algum fato que sirva de
Lembra-se da regra dos assuntos (pelo menos três) da exemplo para reforçar a sua posição. Este fato-
introdução? Então... vamos ver quais serão os assuntos. exemplo pode vir de sua memória visual, das
Assunto 1: na sociedade atual, muitos crimes vêm coisas que você ouviu, do que você leu. Pode ser
sendo cometidos por infratores menores de dezoito anos um fato da vida política, econômica, social. Pode
Assunto 2: As penas a eles aplicadas são relativamente ser um fato histórico. Ele precisa ser bastante
pequenas e não os inibe de praticar novos delitos expressivo e coerente com o seu ponto de vista.
Assunto 3: A maioria destes jovens, contudo, são de O fato-exemplo geralmente dá força e clareza à
regiões periféricas e não têm o devido acesso á educação argumentação. Além disso, pessoaliza o nosso
texto, diferenciando-o dos demais.
Agora, construamos o texto, abordando cada assunto 6. A partir desses elementos, você terá o rascunho de
em um parágrafo do desenvolvimento. sua redação.
Na sociedade atual, muitos crimes vêm sendo cometidos
por infratores menores de dezoito anos. As penas a eles SITES
aplicadas são relativamente pequenas e não os inibem de Disponível em: <http://www.okconcursos.com.br/
praticar novos delitos. A maioria destes jovens, contudo, como-passar/dicas-para-concurso/330-como-fazer-
É de regiões periféricas e não TEM o devido acesso á uma-boa-redacao#.Upoqg9Kfsfh>
educação. Disponível em: <http://capaciteredacao.forum-livre.
É de se notar que o crescente número de infrações com/t5097-explicacao-como-fazer-uma-redacao>
realizadas por crianças e adolescentes, aparentemente, Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
só tende a aumentar, tal como vem acontecendo. Crimes secoes/Redacao/Redacao2.php>
como roubo e tráfico se mostram cada vez mais presente
nas ações destes jovens. (assunto 1) O que é Redação Oficial
Se, por um lado, o número de crimes praticados por eles
aumenta, por outro, diminui a severidade das medidas. O Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a
LÍNGUA PORTUGUESA

grande problema de medidas tão brandas consiste no fato maneira pela qual o Poder Público redige atos normativos
de estas não cumprirem um de seus importantes deveres: e comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de vista
o de inibir a ocorrência de novas infrações. (assunto 2) do Poder Executivo.
A falta de estudo e de condições sociais favoráveis, A redação oficial deve caracterizar-se pela
certamente, é um ponto que fortalece o envolvimento impessoalidade, uso do padrão culto de linguagem,
com ações infratoras. Dispersos, tratados com descaso e clareza, concisão, formalidade e uniformidade.
sem perspectiva, muitos jovens veem no crime a possível Fundamentalmente esses atributos decorrem da
solução para seus problemas. (assunto 3) Constituição, que dispõe, no artigo 37: “A administração

99
pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Nesse sentido, a redação oficial, da qual se deve
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e extrair uma única interpretação, há de procurar ser
dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, compreensível por todo e qualquer cidadão brasileiro.
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência Com esses cuidados, é possível aprimorar um item
(...)”. Sendo a publicidade e a impessoalidade princípios fundamental na profissionalização do servidor, na
fundamentais de toda administração pública, claro está racionalização do trabalho e na redução dos custos.
que devem igualmente nortear a elaboração dos atos e Em uma frase, pode-se dizer que redação oficial é a
comunicações oficiais. maneira pela qual o Poder Público redige atos normativos
Não se concebe que um ato normativo de qualquer e comunicações. Interessa-nos tratá-la do ponto de vista
natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte ou do Poder Executivo.
impossibilite sua compreensão. A transparência do sentido A redação oficial deve caracterizar-se pela
dos atos normativos, bem como sua inteligibilidade, são impessoalidade, uso do padrão culto de linguagem,
requisitos do próprio Estado de Direito: é inaceitável concisão, formalidade e uniformidade, clareza e
que um texto legal não seja entendido pelos cidadãos. precisão, objetividade, coesão e coerência.
A publicidade implica, pois, necessariamente, clareza e
concisão.
Além de atender à disposição constitucional, a forma FIQUE ATENTO!
dos atos normativos obedece a certa tradição. Há normas
para sua elaboração que remontam ao período de nossa Essas quatro ultimas características foram
história imperial, como, por exemplo, a obrigatoriedade acrescentadas no novo manual de redação ofi-
– estabelecida por decreto imperial de 10 de dezembro cial.
de 1822 – de que se aponha, ao final desses atos, o
número de anos transcorridos desde a Independência. Vejamos:
Essa prática foi mantida no período republicano. Precisão: o atributo da precisão complementa a
Esses mesmos princípios (impessoalidade, clareza, clareza e caracteriza-se Por:
uniformidade, concisão e uso de linguagem formal) - articulação da linguagem comum ou técnica para a
aplicam-se às comunicações oficiais: elas devem sempre perfeita compreensão da ideia veiculada no texto.
permitir uma única interpretação e ser estritamente Mas cuidado, a linguagem técnica é permitida, desde
impessoais e uniformes, o que exige o uso de certo nível que usada de forma que não haja dúvidas na informação.
de linguagem. - manifestação do pensamento ou da ideia com as
Nesse quadro, fica claro também que as comunicações mesmas palavras, evitando o emprego de sinônimos
oficiais são necessariamente uniformes, pois há sempre com proposito meramente estilístico.
um único comunicador (o Serviço Público) e o receptor - escolha de expressão ou palavra que não confira
dessas comunicações ou é o próprio Serviço Público (no duplo sentido ao texto.
caso de expedientes dirigidos por um órgão a outro) –
ou o conjunto dos cidadãos ou instituições tratados de Objetividade: ser objetivo é ir diretamente ao assunto
forma homogênea (o público). que se deseja abordar, sem voltas e sem redundâncias.
Outros procedimentos rotineiros na redação de Para conseguir isso, é fundamental que o redator saiba
comunicações oficiais foram incorporados ao longo do de antemão qual é a ideia principal e quais são as
tempo, como as formas de tratamento e de cortesia, secundarias.
certos clichês de redação, a estrutura dos expedientes,
etc. Mencione-se, por exemplo, a fixação dos fechos para Coesão e coerência: é indispensável que o texto tenha
comunicações oficiais, regulados pela Portaria n.º 1 do coesão e coerência. Tais atributos favorecem a conexão,
Ministro de Estado da Justiça, de 8 de julho de 1937. a ligação, a harmonia entre os elementos de um texto.
Acrescente-se, por fim, que a identificação que se Percebe-se que o texto tem coesão e coerência quando
buscou fazer das características específicas da forma se lê um texto e se verifica que as palavras, as frases e os
oficial de redigir não deve ensejar o entendimento de parágrafos estão entrelaçados, dando continuidade uns
que se proponha a criação – ou se aceite a existência – de aos outros.
uma forma específica de linguagem administrativa, o que
coloquialmente e pejorativamente se chama burocratês.
Este é antes uma distorção do que deve ser a redação #FicaDica
oficial, e se caracteriza pelo abuso de expressões e clichês Todo o texto precisa estar conectado, para
do jargão burocrático e de formas arcaicas de construção isso, fique atento à regência nominal e verbal,
de frases. usando das preposições corretas de acordo
A redação oficial não é, portanto, necessariamente com a intenção do texto.
LÍNGUA PORTUGUESA

árida e infensa à evolução da língua. É que sua finalidade


básica – comunicar com impessoalidade e máxima
clareza – impõe certos parâmetros ao uso que se faz da Fundamentalmente esses atributos decorrem da
língua, de maneira diversa daquele da literatura, do texto Constituição, que dispõe, no artigo 37: “A administração
jornalístico, da correspondência particular, etc. pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos
As comunicações oficiais devem primar pela Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e
objetividade, transparência, clareza, simplicidade e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade. impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência

100
(...)”. Sendo a publicidade e a impessoalidade princípios a linguagem adequada. O mesmo se dá com os
fundamentais de toda administração pública, claro está expedientes oficiais, cuja finalidade precípua é a de
que devem igualmente nortear a elaboração dos atos e informar com clareza e objetividade.
comunicações oficiais. As comunicações que partem dos órgãos públicos
Não se concebe que um ato normativo de qualquer federais devem ser compreendidas por todo e
natureza seja redigido de forma obscura, que dificulte qualquer cidadão brasileiro. Para atingir esse objetivo,
ou impossibilite sua compreensão. A transparência há que evitar o uso de uma linguagem restrita a
do sentido dos atos normativos, bem como sua determinados grupos. Não há dúvida que um texto
inteligibilidade, são requisitos do próprio Estado de marcado por expressões de circulação restrita, como a
Direito: é inaceitável que um texto legal não seja gíria, os regionalismos vocabulares ou o jargão técnico,
entendido pelos cidadãos. A publicidade implica, pois, tem sua compreensão dificultada.
necessariamente, clareza e concisão. Ressalte-se que há necessariamente uma distância
Além de atender à disposição constitucional, a forma entre a língua falada e a escrita. Aquela é extremamente
dos atos normativos obedece a certa tradição. Há normas dinâmica, reflete de forma imediata qualquer alteração
para sua elaboração que remontam ao período de nossa de costumes, e pode eventualmente contar com outros
história imperial, como, por exemplo, a obrigatoriedade elementos que auxiliem a sua compreensão, como os
– estabelecida por decreto imperial de 10 de dezembro gestos, a entoação, etc., para mencionar apenas alguns
de 1822 – de que se aponha, ao final desses atos, o dos fatores responsáveis por essa distância. Já a língua
número de anos transcorridos desde a Independência. escrita incorpora mais lentamente as transformações,
Essa prática foi mantida no período republicano. tem maior vocação para a permanência, e vale-se apenas
Esses mesmos princípios (impessoalidade, clareza, de si mesma para comunicar.
uniformidade, concisão e uso de linguagem formal) A língua escrita, como a falada, compreende
aplicam-se às comunicações oficiais: elas devem sempre diferentes níveis, de acordo com o uso que dela se faça.
permitir uma única interpretação e ser estritamente Por exemplo, em uma carta a um amigo, podemos nos
impessoais e uniformes, o que exige o uso de certo nível valer de determinado padrão de linguagem que incorpore
de linguagem. expressões extremamente pessoais ou coloquiais; em um
Nesse quadro, fica claro também que as comunicações parecer jurídico, não se há de estranhar a presença do
oficiais são necessariamente uniformes, pois há sempre vocabulário técnico correspondente. Nos dois casos, há
um único comunicador (o Serviço Público) e o receptor um padrão de linguagem que atende ao uso que se faz
dessas comunicações ou é o próprio Serviço Público da língua, a finalidade com que a empregamos.
(no caso de expedientes dirigidos por um órgão a outro) O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu
– ou o conjunto dos cidadãos ou instituições tratados de caráter impessoal, por sua finalidade de informar com
forma homogênea (o público). o máximo de clareza e concisão, eles requerem o uso
Acrescente-se, por fim, que a identificação que se do padrão culto da língua. Há consenso de que o
buscou fazer das características específicas da forma padrão culto é aquele em que a) se observam as regras
oficial de redigir não deve ensejar o entendimento de da gramática formal, e b) se emprega um vocabulário
que se proponha a criação – ou se aceite a existência – de comum ao conjunto dos usuários do idioma. É importante
uma forma específica de linguagem administrativa, ressaltar que a obrigatoriedade do uso do padrão culto
o que coloquialmente e pejorativamente se chama na redação oficial decorre do fato de que ele está
burocratês. Este é antes uma distorção do que deve ser a acima das diferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas
redação oficial, e se caracteriza pelo abuso de expressões regionais, dos modismos vocabulares, das idiossincrasias
e clichês do jargão burocrático e de formas arcaicas de linguísticas, permitindo, por essa razão, que se atinja a
construção de frases. pretendida compreensão por todos os cidadãos.
A redação oficial não é, portanto, necessariamente Lembre-se que o padrão culto nada tem contra a
árida e infensa à evolução da língua. É que sua finalidade simplicidade de expressão, desde que não seja confundida
básica – comunicar com impessoalidade e máxima com pobreza de expressão. De nenhuma forma o uso do
clareza – impõe certos parâmetros ao uso que se faz da padrão culto implica emprego de linguagem rebuscada,
língua, de maneira diversa daquele da literatura, do texto nem dos contorcionismos sintáticos e figuras de
jornalístico, da correspondência particular, etc. linguagem próprios da língua literária.
Apresentadas essas características fundamentais da Pode-se concluir, então, que não existe propriamente
redação oficial, passemos à análise pormenorizada de um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso
cada uma delas. do padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É
claro que haverá preferência pelo uso de determinadas
- Uso do padrão culto de linguagem expressões, ou será obedecida certa tradição no
LÍNGUA PORTUGUESA

A necessidade de empregar determinado nível de emprego das formas sintáticas, mas isso não implica,
linguagem nos atos e expedientes oficiais decorre, necessariamente, que se consagre a utilização de uma
de um lado, do próprio caráter público desses atos forma de linguagem burocrática. O jargão burocrático,
e comunicações; de outro, de sua finalidade. Os atos como todo jargão, deve ser evitado, pois terá sempre sua
oficiais, aqui entendidos como atos de caráter normativo, compreensão limitada.
ou estabelecem regras para a conduta dos cidadãos, ou A linguagem técnica deve ser empregada apenas
regulam o funcionamento dos órgãos públicos, o que em situações que a exijam, sendo de evitar o seu uso
só é alcançado se em sua elaboração for empregada indiscriminado. Certos rebuscamentos acadêmicos,

101
e mesmo o vocabulário próprio a determinada área, que adquirimos sobre certos assuntos, em decorrência
são de difícil entendimento por quem não esteja com de nossa experiência profissional, muitas vezes, faz com
eles familiarizado. Deve-se ter o cuidado, portanto, de que os tomemos como de conhecimento geral, o que
explicitá-los em comunicações encaminhadas a outros nem sempre é verdade. Explicite, desenvolva, esclareça,
órgãos da administração e em expedientes dirigidos aos precise os termos técnicos, o significado das siglas e das
cidadãos. abreviações e os conceitos específicos que não possam
ser dispensados.
- Clareza e precisão A revisão atenta exige tempo. A pressa com que
são elaboradas certas comunicações quase sempre
Clareza compromete sua clareza. “Não há assuntos urgentes, há
A clareza deve ser a qualidade básica de todo texto assuntos atrasados”, diz a máxima. Evite-se, pois, o atraso,
oficial. Pode-se definir como claro aquele texto que com sua indesejável repercussão no texto redigido.
possibilita imediata compreensão pelo leitor. Não se A clareza e a precisão não são atributos que se atinjam
concebe que um documento oficial ou um ato normativo por si sós: elas dependem estritamente das demais
de qualquer natureza seja redigido de forma obscura, características da redação oficial, apresentadas a seguir.
que dificulte ou impossibilite sua compreensão. A
transparência é requisito do próprio Estado de Direito: é - Objetividade
inaceitável que um texto oficial ou um ato normativo não Ser objetivo é ir diretamente ao assunto que se deseja
seja entendido pelos cidadãos. O princípio constitucional abordar, sem voltas e sem redundâncias. Para conseguir
da publicidade não se esgota na mera publicação do isso, é fundamental que o redator saiba de antemão qual
texto, estendendo-se, ainda, à necessidade de que o é a ideia principal e quais são as secundárias.
texto seja claro. Procure perceber certa hierarquia de ideias que existe
Para a obtenção de clareza, sugere-se: em todo texto de alguma complexidade: as fundamentais
a) utilizar palavras e expressões simples, em seu sen- e as secundárias. Essas últimas podem esclarecer o
tido comum, salvo quando o texto versar sobre sentido daquelas, detalhá-las, exemplificá-las; mas
assunto técnico, hipótese em que se utilizará no- existem também ideias secundárias que não acrescentam
menclatura própria da área; informação alguma ao texto, nem têm maior relação com
b) usar frases curtas, bem estruturadas; apresentar as fundamentais, podendo, por isso, ser dispensadas, o
as orações na ordem direta e evitar intercalações
que também proporcionará mais objetividade ao texto.
excessivas. Em certas ocasiões, para evitar ambi-
A objetividade conduz o leitor ao contato mais direto
guidade, sugere-se a adoção da ordem inversa da
com o assunto e com as informações, sem subterfúgios,
oração;
sem excessos de palavras e de ideias. É errado supor que
c) buscar a uniformidade do tempo verbal em todo
a objetividade suprime a delicadeza de expressão ou
o texto;
torna o texto rude e grosseiro.
d) não utilizar regionalismos e neologismos;
e) pontuar adequadamente o texto;
- Concisão
f) explicitar o significado da sigla na primeira referên-
cia a ela; e A concisão é antes uma qualidade do que uma
g) utilizar palavras e expressões em outro idioma ape- característica do texto oficial. Conciso é o texto que
nas quando indispensáveis, em razão de serem de- consegue transmitir o máximo de informações com
signações ou expressões de uso já consagrado ou o mínimo de palavras. Não se deve de forma alguma
de não terem exata tradução. Nesse caso, grafe-as entendê-la como economia de pensamento, isto é, não
em itálico, conforme orientações do subitem 10.2 se deve eliminar passagens substanciais do texto com
deste Manual. o único objetivo de reduzi-lo em tamanho. Trata-se,
exclusivamente, de excluir palavras inúteis, redundâncias
Precisão e passagens que nada acrescentem ao que já foi dito.
O atributo da precisão complementa a clareza e Detalhes irrelevantes são dispensáveis: o texto deve
caracteriza-se por: evitar caracterizações e comentários supérfluos, adjetivos
a) articulação da linguagem comum ou técnica para a e advérbios inúteis, subordinação excessiva. A seguir, um
perfeita compreensão da ideia veiculada no texto; exemplo1 de período mal construído, prolixo:
b) manifestação do pensamento ou da ideia com as 1 O exemplo de período mal construído foi elaborado,
mesmas palavras, evitando o emprego de sinonímia com para fins didáticos, a partir do exemplo de período
propósito meramente estilístico; e bem construído, por sua vez, extraído da Exposição de
c) escolha de expressão ou palavra que não confira Motivos Interministerial no 51/MCTI/MRE/MPOG, de 21
duplo sentido ao texto. de dezembro de 2011 (BRASIL, 2011a).
LÍNGUA PORTUGUESA

É indispensável, também, a releitura de todo o texto Exemplo:


redigido. A ocorrência, em textos oficiais, de trechos Apurado, com impressionante agilidade e precisão,
obscuros provém principalmente da falta da releitura, naquela tarde de 2009, o resultado da consulta à população
o que tornaria possível sua correção. Na revisão de acreana, verificou-se que a esmagadora e ampla maioria
um expediente, deve-se avaliar se ele será de fácil da população daquele distante estado manifestou-se
compreensão por seu destinatário. O que nos parece pela efusiva e indubitável rejeição da alteração realizada
óbvio pode ser desconhecido por terceiros. O domínio pela Lei no 11.662/2008. Não satisfeita, inconformada e

102
indignada, com a nova hora legal vinculada ao terceiro - Impessoalidade
fuso, a maioria da população do Acre demonstrou que a A impessoalidade decorre de princípio constitucional
ela seria melhor regressar ao quarto fuso, estando cinco (Constituição, art. 37), e seu significado remete a dois
horas a menos que em Greenwich. aspectos: o primeiro é a obrigatoriedade de que a
Nesse texto, há vários detalhamentos desnecessários, administração pública proceda de modo a não privilegiar
abusou-se no emprego de adjetivos (impressionante, ou prejudicar ninguém, de que o seu norte seja,
esmagadora, ampla, inconformada, indignada), o que lhe sempre, o interesse público; o segundo, a abstração da
confere carga afetiva injustificável, sobretudo em texto pessoalidade dos atos administrativos, pois, apesar de a
oficial, que deve primar pela impessoalidade. Eliminados ação administrativa ser exercida por intermédio de seus
os excessos, o período ganha concisão, harmonia e servidores, é resultado tão-somente da vontade estatal.
unidade: A redação oficial é elaborada sempre em nome do
Exemplo: serviço público e sempre em atendimento ao interesse
Apurado o resultado da consulta à população geral dos cidadãos. Sendo assim, os assuntos objetos
acreana, verificou-se que a maioria da população se dos expedientes oficiais não devem ser tratados de outra
manifestou pela rejeição da alteração realizada pela Lei forma que não a estritamente impessoal.
no 11.662/2008. Não satisfeita com a nova hora legal Percebe-se, assim, que o tratamento impessoal
vinculada ao terceiro fuso, a maioria da população do que deve ser dado aos assuntos que constam das
Acre demonstrou que a ela seria melhor regressar comunicações oficiais decorre:
ao quarto fuso, estando cinco horas menos que em a) da ausência de impressões individuais de quem
Greenwich. comunica: embora se trate, por exemplo, de um
expediente assinado por Chefe de determinada
- Coesão e coerência Seção, a comunicação é sempre feita em nome do
É indispensável que o texto tenha coesão e coerência. serviço público. Obtém-se, assim, uma desejável
Tais atributos favorecem a conexão, a ligação, a harmonia padronização, que permite que as comunicações
entre os elementos de um texto. Percebe-se que o texto elaboradas em diferentes setores da administração
tem coesão e coerência quando se lê um texto e se pública guardem entre si certa uniformidade;
verifica que as palavras, as frases e os parágrafos estão b) da impessoalidade de quem recebe a comunica-
entrelaçados, dando continuidade uns aos outros. ção: ela pode ser dirigida a um cidadão, sempre
Alguns mecanismos que estabelecem a coesão e a concebido como público, ou a uma instituição pri-
coerência de um texto são: referência, substituição, elipse vada, a outro órgão ou a outra entidade pública.
e uso de conjunção. Em todos os casos, temos um destinatário conce-
A referência diz respeito aos termos que se relacionam bido de forma homogênea e impessoal; e
a outros necessários à sua interpretação. Esse mecanismo c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado:
pode dar-se por retomada de um termo, relação com o se o universo temático das comunicações oficiais
que é precedente no texto, ou por antecipação de um se restringe a questões que dizem respeito ao in-
teresse público, é natural não caber qualquer tom
termo cuja interpretação dependa do que se segue.
particular ou pessoal.
Exemplos:
Não há lugar na redação oficial para impressões pes-
O Deputado evitou a instalação da CPI da corrupção.
soais, como as que, por exemplo, constam de uma carta
Ele aguardou a decisão do Plenário.
a um amigo, ou de um artigo assinado de jornal, ou mes-
O TCU apontou estas irregularidades: falta de
mo de um texto literário. A redação oficial deve ser isenta
assinatura e de identificação no documento.
da interferência da individualidade de quem a elabora.
A substituição é a colocação de um item lexical no A concisão, a clareza, a objetividade e a formalidade de
lugar de outro(s) ou no lugar de uma oração. que nos valemos para elaborar os expedientes oficiais
Exemplos: contribuem, ainda, para que seja alcançada a necessária
O Presidente assinou o acordo. O Chefe do Poder impessoalidade.
Executivo federal propôs reduzir as alíquotas.
O ofício está pronto. O documento trata da exoneração - Formalidade e padronização
do servidor. As comunicações administrativas devem ser sem-
Os governadores decidiram acatar a decisão. Em pre formais, isto é, obedecer a certas regras de forma
seguida, os prefeitos fizeram o mesmo. (BRASIL, 2015a). Isso é válido tanto para as comunica-
A elipse consiste na omissão de um termo recuperável ções feitas em meio eletrônico (por exemplo, o e-mail , o
pelo contexto. documento gerado no SEI!, o documento em html etc.),
Exemplo: quanto para os eventuais documentos impressos.
O decreto regulamenta os casos gerais; a portaria, os É imperativa, ainda, certa formalidade de tratamento.
LÍNGUA PORTUGUESA

particulares. (Na segunda oração, houve a omissão do Não se trata somente do correto emprego deste ou da-
verbo “regulamenta”). quele pronome de tratamento para uma autoridade de
Outra estratégia para proporcionar coesão e coerência certo nível, mais do que isso: a formalidade diz respeito
ao texto é utilizar conjunção para estabelecer ligação à civilidade no próprio enfoque dado ao assunto do qual
entre orações, períodos ou parágrafos. cuida a comunicação.
Exemplo: A formalidade de tratamento vincula-se, também,
O Embaixador compareceu à reunião, pois identificou à necessária uniformidade das comunicações. Ora, se
o interesse de seu Governo pelo assunto. a administração pública federal é una, é natural que as

103
comunicações que expeça sigam o mesmo padrão. O es- Registro das entradas
tabelecimento desse padrão, uma das metas deste Ma- Geralmente esta fase da correspondência concentra-
nual, exige que se atente para todas as características da se num só departamento. Tiram-se cópias dos originais
redação oficial e que se cuide, ainda, da apresentação recebidos, para um exemplar ficar no departamento e o
dos textos. outro seguir para o respectivo destino. Mas a tiragem
A digitação sem erros, o uso de papéis uniformes para das cópias não pode ser feita sem antes ser colocado
o texto definitivo, nas exceções em que se fizer necessá- o respectivo carimbo da entrada contendo a data e o
ria a impressão, e a correta diagramação do texto são número da entrada. Nos serviços públicos e nas empresas,
indispensáveis para a padronização. Consulte o Capítulo mas tradicionalistas, utiliza-se o Livro de Registo para a
II, “As comunicações oficiais”, a respeito de normas es- correspondência recebida.
pecíficas para cada tipo de expediente. Em razão de seu
caráter público e de sua finalidade, os atos normativos e Distribuição
os expedientes oficiais requerem o uso do padrão culto A distribuição da correspondência pode ser feita
do idioma, que acata os preceitos da gramática formal de diversas formas, mas sempre de forma a poder ser
e emprega um léxico compartilhado pelo conjunto dos controlada. E, para esse efeito utiliza-se o chamado
usuários da língua. O uso do padrão culto é, portanto, livro de protocolo. Muitas vezes é utilizada uma guia
imprescindível na redação oficial por estar acima das di- de remessa de documentos que os descreve e agrupa
ferenças lexicais, morfológicas ou sintáticas, regionais; por destinos, acompanhando-os até a recepção. Aí é
dos modismos vocabulares e das particularidades lin- assinado um duplicado que comprova a entrega.
guísticas.
Resposta ou Arquivo
Recomendações:
Depois de ser lida, a correspondência deve ser
- a língua culta é contra a pobreza de expressão e não
convenientemente tratada.
contra a sua simplicidade;
O que significa que:
- o uso do padrão culto não significa empregar a lín- • Se não for necessário dar sequência ao assunto,
gua de modo rebuscado ou utilizar figuras de linguagem a correspondência vai imediatamente para o
próprias do estilo literário; arquivo, com a devida indicação no canto superior
- a consulta ao dicionário e à gramática é imperativa esquerdo e a assinatura do ordenante;
na redação de um bom texto. • Se é necessária uma resposta, devem ser feitas
Pode-se concluir que não existe propriamente um pa- as anotações necessárias para a sua execução
drão oficial de linguagem, o que há é o uso da norma ou, então, se for o caso, o próprio destinatário
padrão nos atos e nas comunicações oficiais. É claro que encarregar-se-á de a escrever.
haverá preferência pelo uso de determinadas expressões,
ou será obedecida certa tradição no emprego das formas Não esquecer que:
sintáticas, mas isso não implica, necessariamente, que se • Toda a correspondência urgente deve ter uma
consagre a utilização de uma forma de linguagem bu- resposta imediata;
rocrática. O jargão burocrático, como todo jargão, deve • Não se deve adiar a resolução de assuntos
ser evitado, pois terá sempre sua compreensão limitada. pendentes, tornando-os eternamente esquecidos.
A execução de uma carta resposta implica
Classificação da correspondência disponibilidade de tempo e disponibilidade mental.
• Patente
• Confidencial ou secreta Portanto, a redação da carta deve ser executada
por uma pessoa experiente, de forma a minimizar as
A correspondência confidencial ou secreta nunca perdas de tempo e conseguir uma boa qualidade de
deve ser aberta, mas sim conduzida diretamente á comunicação.
A resposta pode ser executada de diversas formas:
direção. É conveniente, contudo, registrar a sua entrada,
• Ditado direto, em que o processador de texto
de preferência em livro próprio.
executa diretamente o texto que lhe é transmitido;
A correspondência particular, como é lógico, também
• Ditado indireto, onde o processador de texto
não deve ser aberta, mas sim dirigida aos respectivos
executa o texto através de uma minuta, um registro
destinatários.
que estenografou ou um registro gravado.
A correspondência dita patente, é que vai entrar no
circuito de tratamento. Assinatura
Depois de finalizada a correspondência deve ser de
Abertura novo lida e em seguida assinada. A organização das
A abertura da correspondência é importante referir
LÍNGUA PORTUGUESA

grandes empresas implica que o correio e expedição


a forma como se faz e os cuidados a ter para evitar a esteja pronto até determinada hora, de forma a ser
inutilização do conteúdo. levado a despacho.
Antes de se abrir as cartas deve-se colocar o conteúdo
para um dos cantos dos sobrescritos e em seguida Registro de saída
abre-se pelas arestas opostas. Isto porque as cartas são O registro das saídas também é normalmente feito
normalmente mal dobradas e quando são inseridas nos em livro próprio. Devem ser tiradas cópias aos originais e
subscritos ficam, por vezes, coladas no interior. encaminhadas devidamente.

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Expedição e Arquivo b) Comercial: que inclui toda espécie de cartas e do-
Antes da correspondência ser inserida no sobrescrito cumentos ligados a transações comerciais, indus-
deve-se verificar se: triais e também financeiras, tais como assuntos
• A carta está datada e assinada; bancários, investimentos, empréstimos, câmbios,
• Contém o material referido em anexo; etc.
• O endereço corresponde ao do sobrescrito. E por c) Oficial: quando provém de instituições do serviço
fim... público, tanto civis como militares, ou a elas se diri-
• Toda a correspondência que é expedida da empresa ge. Abrange atos dos poderes legislativo, executivo
deve possuir em arquivo a respectiva cópia; e judiciário, requerimento dos cidadãos, avisos à
• Quando a correspondência for registrada, população, etc.
juntamente com a cópia, deve ser arquivado um
exemplar do talão de aceitação; Por vezes, é difícil distinguir o tipo de determinadas
• No caso do registro ser com aviso de recepção, cartas, quando seu assunto concerne a duas esferas sociais
este, após ser devolvido pelo destinatário com a diversas, como uma carta de um cidadão, solicitando um
respectiva assinatura, deve também ser arquivado favor comercial a um amigo pertencente a essa área de
com a cópia da correspondência. atividades. A distinção recomendável é utilizar nas cartas
Para se redigir uma boa correspondência, é necessária particulares uma linguagem mais espontânea, mais rica
objetividade na exposição do pensamento, é preciso em calor humano (salvo em comunicados impressos,
buscar por clareza, coerência, concisão, nas palavras tais como convites, participações, que serão lidos não
empregadas, e assim estabelecer uma melhor relação só pelos interessados, mas por outras pessoas fora do
entre as ideias. círculo de amizade do remetente), deixando para as
cartas comerciais o estilo utilitário, direto, sem apelar para
aspectos afetivos, e para cartas ou documentos oficiais
"Se escrever cartas é um sinal de boa reservar uma formulação impessoal, mais distanciada e
educação, escrever corretamente é prova de formal, que veicule a mensagem de forma clara, mas sem
boa instrução e inteligência". (Jane S. Singer) pessoalizá-la. Dessa forma, um pedido a um governador
de Estado, por exemplo, sempre se fará mencionando-se
o cargo e não familiarmente o “prezado fulano”.
Há vários tipos de correspondência, e cada uma
possui suas características, com suas normas e técnicas. Atos Oficiais
O estilo e as técnicas aplicadas em correspondências Os atos oficiais são entendidos como atos de caráter
se atualizaram, tornando-se muito mais complexas. O normativo, ou estabelecem regras para a conduta dos
estilo depende dos conhecimentos dominados pelo cidadãos, ou regulam o funcionamento dos órgãos
redator, e este é aperfeiçoado pelas técnicas, que serão públicos, o que só é alcançado se em sua elaboração
apresentadas ao longo do trabalho. for empregada a linguagem adequada. O mesmo se dá
Em suma, corresponder-se implica um ato de ir até com os expedientes oficiais, cuja finalidade precípua é a
outrem: seja para expor-lhe problemas, alegrias, seja de informar com clareza e objetividade. A necessidade
para fazer-lhe pedidos, convencer, dar-lhe boas ou más de empregar determinado nível de linguagem nos atos
notícias. Da habilidade social do remetente virá seu e expedientes oficiais decorre, de um lado, do próprio
sucesso com o destinatário. Será preciso conhecer os caráter público desses atos e comunicações; de outro, de
códigos de comportamento deste para que a mensagem sua finalidade.
surta efeito. As comunicações que partem dos órgãos públicos
federais devem ser compreendidas por todo e qualquer
Tipos de Correspondência cidadão brasileiro. Para atingir esse objetivo, há que evitar
Quando se fala de correspondência, pensa-se logo o uso de uma linguagem restrita a determinados grupos.
em uma simples carta, em mensagem escrita para trata- Não há dúvida que um texto marcado por expressões
se de assuntos íntimos entre pessoas cujas relações são de circulação restrita, como a gíria, os regionalismos
bastante estreitas. Contudo a carta hoje tornou outros vocabulares ou o jargão técnico, tem sua compreensão
rumos, não perdendo suas características especiais. A dificultada.
correspondência tomou rumos diferentes, em diversas A língua escrita, como a falada, compreende
áreas. Pode ser utilizada no estabelecimento de contatos diferentes níveis, de acordo com o uso que dela se faça.
utilitários, como os de um industrial e seus compradores, O mesmo ocorre com os textos oficiais: por seu caráter
ou os que dizem respeito à comunicação comercial, impessoal, por sua finalidade de informar com o máximo
bancária, judicial e de tantas instituições sociais. de clareza e concisão, eles requerem o uso do padrão
LÍNGUA PORTUGUESA

Usualmente, divide-se a correspondência em: culto da língua. Há consenso de que o padrão culto é
a) Particular: quando é trocada entre pessoas mais aquele em que:
ou menos íntimas, sobre assuntos da vida priva- Observam-se as regras da gramática formal;
da, tais como notícias do quotidiano, da família, Emprega-se um vocabulário comum ao conjunto dos
de viagens, agradecimentos, convites, pêsames. A usuários do idioma.
espécie mais particular de todas é a chamada carta É importante ressaltar que a obrigatoriedade do uso
de amor, onde se expressam as nuanças do senti- do padrão culto na redação oficial decorre do fato de
mento mais humano de todos. que ele está acima das diferenças lexicais, morfológicas

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ou sintáticas regionais, dos modismos vocabulares, das da Prefeitura ou ainda destes para com a Administração
idiossincrasias linguísticas, permitindo, por essa razão, Estadual, Federal e Empresas Privadas.
que se atinja a pretendida compreensão por todos os Telegrama: Forma de correspondência em que são
cidadãos. transmitidas comunicações de absoluta urgência e com
Lembrar-se que o padrão culto nada tem contra a reduzido número de palavras, uma vez que a sua principal
simplicidade de expressão, desde que não seja confundida característica é a síntese.
com pobreza de expressão. De nenhuma forma o uso do Requerimento – deriva-se do verbo requerer, que, de
padrão culto implica emprego de linguagem rebuscada, acordo com seu sentido denotativo, significa solicitar,
nem dos contorcionismos sintáticos e figuras de pedir, estar em busca de algo. E principalmente, que o
linguagem própria da língua literária. pedido seja deferido, ou seja, aprovado.
Pode-se concluir, então, que não existe propriamente
um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso do ATOS ENUNCIATIVOS
padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É claro que Apostila: Documento que complementa um ato
haverá preferência pelo uso de determinadas expressões, oficial, em geral ligado à vida funcional dos servidores
ou será obedecida certa tradição no emprego das formas públicos, fixando vantagens pecuniárias, retificando ou
sintáticas, mas isso não implica, necessariamente, que alterando nomes ou títulos.
se consagre a utilização de uma forma de linguagem O ato deve ser publicado e registrado no
burocrática. O jargão burocrático, como todo jargão, assentamento funcional. É sempre assinado pelo titular
deve ser evitado, pois terá sempre sua compreensão do órgão expedidor.
limitada. Despacho: Nota escrita pela qual uma autoridade dá
solução a um pedido ou encaminha a outra autoridade
Os atos administrativos são classificados como: pedido para que decida sobre o assunto.
O despacho pode ser interlocutório ou decisório:
ATOS DE CORRESPONDÊNCIA O Interlocutório é breve e baseado em informações ou
Aviso: Comunicação pela qual os titulares de órgãos, parecer, e consta do corpo do processo (quando houver).
entidades e presidentes de comissões da Administração Em geral é manuscrito e assinado pela autoridade
do Município comunicam ao público assunto de seu competente, podendo, contudo, ser elaborado e assinado
interesse e solicitam a sua participação. por outros servidores desde que lhes seja delegada
Carta: Forma de correspondência por meio da qual competência. Nesse caso, inicia-se pela expressão: “De
os dirigentes da Administração Municipal se dirigem a ordem”.
personalidades e entidades públicas e particulares para O decisório defere ou indefere solicitações.
tratar de assunto oficial. Parecer: Manifestação de órgãos ou entidades sobre
Circular: Correspondência oficial de igual teor, assuntos submetidos à sua consideração. É um ato
expedida por dirigentes de órgãos e entidades e chefes administrativo usado com mais frequência por conselhos,
de unidades administrativas a vários destinatários. comissões, assessorias e equivalentes.
Exposição de Motivos: Correspondência por meio da
Relatório: Documento em que se relata ao superior
qual os secretários e autoridades de nível hierárquico
imediato a execução de trabalhos concernentes a
equivalente expõem assuntos da Administração
determinados serviços ou a um período relativo ao
Municipal para serem solucionados por atos do Prefeito.
exercício de cargo, função ou desempenho de atribuições.
Quando a exposição de motivos tratar de assuntos
que envolvam mais de uma Secretaria, esta deverá ser
ATOS NORMATIVOS
assinada pelos Secretários envolvidos.
Decreto: Ato emanado do Poder Público, com força
Além do caráter informativo, a exposição de motivos
obrigatória, que se destina a assegurar ou promover a
pode propor medidas ou submeter projeto de ato
normativo à apreciação da autoridade competente. ordem política, social, jurídica e administrativa. É por
Memorando: Correspondência utilizada pelas chefias meio de decretos que o chefe do Governo determina a
no âmbito de um mesmo órgão ou entidade para expor observância de regras legais.
assuntos referentes a situações administrativas em geral. Ordem de Serviço: Ato pelo qual os titulares
Pode ser usado no mesmo nível hierárquico ou em nível de Coordenações, Departamentos, Presidentes de
hierárquico diferente. Comissões, além de outras autoridades de nível
Mensagem: Instrumento de comunicação oficial do hierárquico equivalente, determinam providências a
Prefeito para o Presidente da Câmara Municipal, expondo serem cumpridas por unidades orgânicas e/ou servidores
sobre matérias que dependem de deliberação da Câmara. subordinados.
A mensagem versa sobre os seguintes assuntos, entre Portaria: Ato pelo qual o Prefeito ou os Secretários
outros: encaminhamento de projeto de lei complementar (por delegação do Prefeito) expedem determinações
LÍNGUA PORTUGUESA

ou financeira; pedido de autorização para o Prefeito e o gerais ou especiais a seus subordinados; ou designam
Vice-Prefeito se ausentarem do Município por mais de 15 servidores para substituições eventuais e execução de
dias; encaminhamento das contas referentes ao exercício atividades.
anterior; abertura da sessão legislativa; comunicação de Resolução: Ato emanado de órgãos colegiados, tendo
sanção de veto. como característica fundamental o estabelecimento de
Ofício: Meio de comunicação utilizado entre normas, diretrizes e orientações para a consecução dos
dirigentes de órgãos e entidades e titulares de unidades objetivos.

106
É válida para assuntos normativos ou de Atestado: Documento em que se comprova um fato
reconhecimento de excepcionalidade. e se afirma a existência ou inexistência de uma situação
Edital: Ato de caráter obrigatório, emitido pelos de direito da qual se tenha conhecimento em favor de
titulares de órgãos e entidades e presidentes de alguém.
comissões, que se destina a fixar condições e prazos Certidão: Documento oficial onde se transcrevem
para a legitimação de ato ou fato administrativo, a ser dados de assentamentos funcionais com absoluta
concretizado pela Administração Municipal. precisão.
Regimento: Ato que indica a categoria e a finalidade A certidão deve ser escrita sem abertura de
dos órgãos e entidades, detalha sua estrutura em unidades parágrafos, emendas ou rasuras. Quando houver engano
organizacionais, especifica as respectivas competências, ou omissão, o certificante o corrigirá com “digo”, colocado
define as atribuições de seus dirigentes e indica seus imediatamente após o erro.
relacionamentos interno e externo. Os regimentos serão Declaração: Documento de manifestação
postos em vigor por decreto do Prefeito, referendado administrativa, declaratório da existência ou não de um
pelo titular da Secretaria a que diga respeito o ato. direito ou de um fato.
Regulamento: Ato que explica a execução de uma lei
ou provê situação ainda não disciplinada por lei. Tem sua Os atos administrativos são compostos pelos
aprovação por decreto do Prefeito. seguintes elementos:
1. Competência - É a condição primeira para a vali-
ATOS DE AJUSTE dade do ato administrativo. Nenhum ato pode ser
Contrato: Acordo bilateral firmado por escrito entre a realizado validamente sem que o agente disponha
administração pública e particulares, vislumbrando, de um de poder legal para praticá-lo.
lado, o objeto do acordo, e de outro, a contraprestação 2. Finalidade - É o objetivo de interesse público a atin-
correspondente (remuneração). gir. Não se compreende ato administrativo sem fim
Convênio: Acordo firmado por entidades públicas, ou público.
entre estas e organizações particulares, para realização 3. Forma - A forma em que se deve exteriorizar o
ato administrativo constitui elemento vinculado
de objetivos de interesse comum dos partícipes.
e indispensável à sua perfeição. A inexistência da
Termo Aditivo: Ato lavrado para complementar um
forma induz à inexistência do ato administrativo.
ato originário - contrato ou convênio - quando verificada
A forma normal do ato administrativo é a escrita,
a necessidade de alteração de uma das condições
embora atos existam consubstanciados em ordens
ajustadas.
verbais, e até mesmo em sinais convencionais,
como ocorre com as instruções momentâneas de
ATOS COMPROBATÓRIOS
superior a inferior hierárquico, com as determi-
Alvará: Documento firmado por autoridade
nações da polícia em casos de urgência e com a
competente, certificando, autorizando ou aprovando sinalização do trânsito. No entanto, a rigor, o ato
atos ou direitos. escrito em forma legal não se exporá à invalidade.
Ata: Documento que registra, com o máximo de 4. Motivo - O motivo ou a causa é a situação de direito
fidelidade, o que se passou em uma reunião, sessão ou de fato que determina ou autoriza a realização
pública ou privada, congresso, encontro, convenção e do ato administrativo. O motivo como elemento
outros eventos, para comprovação, inclusive legal, das integrante da perfeição do ato, pode vir expresso
discussões e resoluções havidas. em lei, como pode ser deixado a critério do admi-
A ata é lavrada por um secretário, indicado pelos nistrador. Em se tratando de motivo vinculado pela
membros da reunião. Sua redação obedece sempre às lei, o agente da administração, ao praticar o ato,
mesmas normas, quer se trate de instituições oficiais ou fica na obrigação de justificar a existência do mo-
entidades particulares. Escreve-se seguidamente, sem tivo, sem o qual o ato será inválido ou pelo menos
rasuras e sem entrelinhas, evitando-se os parágrafos ou invalidável por ausência da motivação.
espaços em branco. 5. Objeto - O objeto do ato administrativo é a criação,
A linguagem utilizada na redação é bastante sumária a modificação ou a comprovação de situações jurí-
e quase sem oportunidade de inovações, exatamente por dicas concernentes a pessoas, coisas ou atividades
sua característica de simples resumo de fatos. Também, sujeitas à atuação do Poder Público. Neste sentido,
em decorrência disso, os verbos são empregados sempre o objeto identifica-se com o conteúdo do ato e por
no tempo passado e, tanto quanto possível, devem ser meio dele a administração manifesta o seu poder
evitados os adjetivos. Os números fundamentais, datas e a sua vontade ou atesta simplesmente situações
e valores, de preferência, são escritos por extenso. A pré-existentes.
redação deve ser fiel, clara e precisa com relação aos
LÍNGUA PORTUGUESA

fatos ocorridos, sem que o relator emita opinião sobre AS COMUNICAÇÕES OFICIAIS
eles. Registra-se, quando for o caso, na ata do dia, as
retificações feitas à anterior. Concordância com os pronomes de tratamento
Para os erros constatados no momento da redação, Os pronomes de tratamento apresentam certas
consoante o tipo de ata, emprega-se a partícula peculiaridades quanto às concordâncias verbal, nominal
retificativa “digo”. Se forem notados erros após a redação, e pronominal. Embora se refiram à segunda pessoa
há o recurso da expressão “em tempo”. gramatical (à pessoa com quem se fala), levam a

107
concordância para a terceira pessoa. Os pronomes Vossa cerimoniosa, empolada, difícil de escrever e pronunciar,
Excelência ou Vossa Senhoria são utilizados para se e em desuso. Já não existe hoje em dia distanciamento
comunicar diretamente com o receptor. tão grande entre a pessoa do reitor e o corpo docente
e discente. É, pois, perfeitamente aceita hoje em dia a
#OBS.: fórmula >Vossa Excelência (V. Exa.). A invocação pode ser
Quanto às formas de tratamento não foi alterado simplesmente Senhor Reitor, Excelentíssimo Senhor Reitor.
nessa última atualização do manual.
Pronomes de Tratamento
Concordância de gênero O uso de pronomes e locuções pronominais de
tratamento tem larga tradição na língua portuguesa.
Com as formas de tratamento, faz-se a concordância De acordo com Said Ali, após serem incorporados ao
com o sexo das pessoas a que se referem: português os pronomes latinos tu e vos, “como tratamento
• Vossa Senhoria está sendo convidado (homem) a direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia à palavra”,
assistir ao III Seminário da NOVA. passou-se a empregar, como expediente linguístico de
• Vossa Excelência será informada (mulher) a respeito distinção e de respeito, a segunda pessoa do plural no
das conclusões do III Seminário da NOVA. tratamento de pessoas de hierarquia superior. Prossegue
o autor:
Concordância de pessoa “Outro modo de tratamento indireto consistiu em
fingir que se dirigia a palavra a um atributo ou qualidade
Embora tenham a palavra “Vossa” na expressão, eminente da pessoa de categoria superior, e não a ela
as formas de tratamento exigem verbos e pronomes própria. Assim aproximavam-se os vassalos de seu rei
referentes a elas na terceira pessoa: com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...);
• Vossa Excelência solicitou... assim usou-se o tratamento ducal de vossa excelência e
• Vossa Senhoria informou... adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência,
• Temos a satisfação de convidar Vossa Senhoria vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade.”
e sua equipe para... Na oportunidade, teremos a A partir do final do século XVI, esse modo de
honra de ouvi-los... tratamento indireto já estava em voga também para
os ocupantes de certos cargos públicos. Vossa mercê
A pessoa do emissor evoluiu para vosmecê, e depois para o coloquial você. E
O emissor da mensagem, referindo-se a si mesmo, o pronome vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa
poderá utilizar a primeira pessoa do singular ou a tradição que provém o atual emprego de pronomes de
primeira do plural (plural de modéstia). Não pode, no tratamento indireto como forma de dirigirmo-nos às
entanto, misturar as duas opções ao longo do texto: autoridades civis, militares e eclesiásticas.
• Tenho a honra de comunicar a Vossa Excelência... Umas das características do estilo da correspondên-
• Temos a honra de comunicar a Vossa Excelência... cia oficial e empresarial é a polidez, entendida como o
• Cabe-me ainda esclarecer a Vossa Excelência... ajustamento da expressão às normas de educação ou
• Cabe-nos ainda esclarecer a Vossa Excelência... cortesia.
A polidez se manifesta no emprego de fórmulas
Emprego de Vossa (Excelência, Senhoria, etc.) Sua de cortesia (“Tenho a honra de encaminhar” e não,
(Excelência, Senhoria, etc.) simplesmente, “Encaminho...”; “Tomo a liberdade de
• Vossa (Excelência, Senhoria, etc.), é tratamento sugerir...” em vez de, simplesmente, “Sugiro...”); no
direto - usa-se para dirigir-se a pessoa com quem se fala, cuidado de evitar frases agressivas ou ásperas (até uma
ou a quem se dirige a correspondência (equivale a você): carta de cobrança pode ter seu tom amenizado, fazendo-
Na expectativa do atendimento do que acaba de ser se menção, por exemplo, a um possível esquecimento...);
solicitado, apresento a Vossa Senhoria nossas atenciosas no emprego adequado das formas de tratamento,
saudações. dispensando sempre atenção respeitosa a superiores,
• Sua (Excelência, Senhoria, etc.): em relação à colegas e subalternos.
pessoa de quem se fala (equivale a ele fala): Na abertura No que diz respeito à utilização das formas de
do Seminário, Sua Excelência o Senhor Reitor da PUCRS tratamento e endereçamento, deve-se considerar não
falou sobre o Plano Estratégico. apenas a área de atuação da autoridade (universitária,
judiciária, religiosa, etc.), mas também a posição
Abreviatura das formas de tratamento hierárquica do cargo que ocupa.
A forma por extenso demonstra maior respeito, maior Breve História dos Pronomes de Tratamento
deferência, sendo de rigor em correspondência dirigida O uso de pronomes e locuções pronominais de
ao Presidente da República. Fique claro, no entanto, tratamento tem larga tradição na língua portuguesa.
LÍNGUA PORTUGUESA

que qualquer forma de tratamento pode ser escrita por De acordo com Said Ali, após serem incorporados ao
extenso, independentemente do cargo ocupado pelo português os pronomes latinos tue vos, “como tratamento
destinatário. direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”,
passou-se a empregar, como expediente linguístico de
Vossa Magnificência distinção e de respeito, a segunda pessoa do plural no
É assim que manuais mais antigos de redação ensinam tratamento de pessoas de hierarquia superior. Prossegue
a tratar os reitores de universidades. Uma forma muito o autor:

108
“Outro modo de tratamento indireto consistiu em
fingir que se dirigia a palavra a um atributo ou qualidade FIQUE ATENTO!
eminente da pessoa de categoria superior, e não a ela Aqui temos outra mudança.
própria. Assim aproximavam-se os vassalos de seu rei O manual atualizado traz a possibilidade de
com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...); se utilizar o vocativo “prezado/a”, quando o ofi-
assim usou-se o tratamento ducal de vossa excelência e cio estiver sendo direcionado para PARTICULAR.
adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência, Senhor Governador... (para autoridades)
vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade.” Prezado fulano de tal... (para particular)
A partir do final do século XVI, esse modo de
tratamento indireto já estava em voga também para
os ocupantes de certos cargos públicos. Vossa mercê Como visto, o emprego destes obedece a secular
evoluiu para vosmecê, e depois para o coloquial você. E tradição. São de uso consagrado:
o pronome vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa Vossa Excelência, para as seguintes autoridades:
tradição que provém o atual emprego de pronomes de
tratamento indireto como forma de dirigirmo-nos às a) do Poder Executivo;
autoridades civis, militares e eclesiásticas. Presidente da República;
Vice-Presidente da República;
Concordância com os Pronomes de Tratamento Ministros de Estado;
Os pronomes de tratamento (ou de segunda pessoa Governadores e Vice-Governadores de Estado e do
indireta) apresentam certas peculiaridades quanto à Distrito Federal;
concordância verbal, nominal e pronominal. Embora Oficiais-Generais das Forças Armadas;
se refiram à segunda pessoa gramatical (à pessoa com Embaixadores;
quem se fala, ou a quem se dirige a comunicação), Secretários-Executivos de Ministérios e demais
levam a concordância para a terceira pessoa. É que o ocupantes de cargos de natureza especial;
verbo concorda com o substantivo que integra a locução Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
como seu núcleo sintático: “Vossa Senhoria nomeará o Prefeitos Municipais.
substituto»; «Vossa Excelência conhece o assunto». b) do Poder Legislativo:
Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos Deputados Federais e Senadores;
a pronomes de tratamento são sempre os da terceira Ministro do Tribunal de Contas da União;
pessoa: “Vossa Senhoria nomeará seu substituto» (e não Deputados Estaduais e Distritais;
«Vossa ... vosso...”). Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais;
Já quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais.
o gênero gramatical deve coincidir com o sexo da
pessoa a que se refere, e não com o substantivo que c) do Poder Judiciário:
compõe a locução. Assim, se nosso interlocutor for Ministros dos Tribunais Superiores;
homem, o correto é “Vossa Excelência está atarefado”, Membros de Tribunais;
“Vossa Senhoria deve estar satisfeito”; se for mulher, Juízes;
“Vossa Excelência está atarefada”, “Vossa Senhoria deve
estar satisfeita”. d) outros: Auditores da Justiça Militar.
O vocativo a ser empregado em comunicações
Emprego dos Pronomes de Tratamento dirigidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor,
Tradicionalmente, o emprego dos pronomes de seguido do cargo respectivo:
tratamento adota a segunda pessoa do plural, de maneira Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
indireta, para referenciar atributos da pessoa à qual se Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso
dirige. Na redação oficial, é necessário atenção para o Nacional,
uso dos pronomes de tratamento em três momentos Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo
distintos: no endereçamento, no vocativo e no corpo Tribunal Federal.
do texto. No vocativo, o autor dirige-se ao destinatário
no início do documento. No corpo do texto, pode-se As demais autoridades serão tratadas com o vocativo
empregar os pronomes de tratamento em sua forma Senhor, seguido do cargo respectivo:
abreviada ou por extenso. O endereçamento é o texto Senhor Senador,
utilizado no envelope que contém a correspondência Senhor Juiz,
oficial. Senhor Ministro,
Senhor Governador,
LÍNGUA PORTUGUESA

Vocativo No envelope, o endereçamento das comunicações


O vocativo é uma invocação ao destinatário. Nas dirigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência,
comunicações oficiais, o vocativo será sempre seguido terá a seguinte forma:
de vírgula.
Em comunicações dirigidas aos Chefes de Poder, A Sua Excelência o Senhor
utiliza-se a expressão Excelentíssimo Senhor ou Fulano de Tal
Excelentíssima Senhora e o cargo respectivo, seguidos Ministro de Estado da Justiça
de vírgula. 70.064-900 – Brasília. DF

109
A Sua Excelência o Senhor
Senador Fulano de Tal
Senado Federal
70.165-900 – Brasília. DF

Senhor Ministro,
Submeto a Vossa Excelência projeto (...)

Em comunicações oficiais, ESTÁ ABOLIDO O USO DO TRATAMENTO DIGNÍSSMO (DD), às autoridades arroladas na
lista anterior. A dignidade é pressuposto para que se ocupe qualquer cargo público, sendo desnecessária sua repetida
evocação.
Vossa Senhoria é empregado para as demais autoridades e para particulares. O vocativo adequado e o
endereçamento que deve constar no envelope são:

Ao Senhor
Fulano de Tal
Rua ABC, no 123
70.123 – Curitiba. PR

Senhor Fulano de Tal,

Escrevo a Vossa Senhoria (...)


Como se depreende do exemplo acima, FICA DISPENSADO O EMPREGO DO SUPERLATIVO ILUSTRÍSSIMO para
as autoridades que recebem o tratamento de Vossa Senhoria e para particulares. É suficiente o uso do pronome de
tratamento Senhor.
Acrescente-se que DOUTOR NÃO É FORMA DE TRATAMENTO, e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamente.
Como regra geral, empregue-o apenas em comunicações dirigidas a pessoas que tenham tal grau por terem concluído
curso universitário de doutorado. É costume indevido designar por doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis
em Direito e em Medicina. Nos demais casos, o tratamento Senhor confere a desejada formalidade às comunicações.
Mencionemos, ainda, a forma Vossa Magnificência, empregada por força da tradição, em comunicações dirigidas a
reitores de universidade.

Corresponde-lhe o vocativo:

Magnífico Reitor,

Agradeço a Vossa Magnificência por (...)

Os pronomes de tratamento e vocativos para religiosos, de acordo com a hierarquia eclesiástica, são:
Em comunicações dirigidas ao Papa:

Santíssimo Padre,

Rogo a Vossa Santidade que (...)

Em comunicações aos Cardeais:


Eminentíssimo Senhor Cardeal, ou
Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal,

Rogo a Vossa Eminência ( Reverendíssima ) que (...)

Em comunicações a Arcebispos e Bispos:


Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor Arcebispo / Bispo,

Rogo a Vossa Excelência Reverendíssima que (...)


LÍNGUA PORTUGUESA

Em comunicações a Monsenhores, Côneco e superiores religiosos:


Reverendíssimo Senhor Monsenhor / Cônego / Superior religioso

Rogo a Vossa ( Senhoria ) Reverendíssima que (...)

Em comunicações a Sacerdotes, Clérigos e Demais religiosos:

110
Reverendo Sacerdote / Clérigo / Demais religiosos,

Rogo a Vossa Reverência que (...)

Veja o quadro a seguir, que:


• Agrupa as autoridades em universitárias, judiciárias, militares, eclesiásticas, monárquicas e civis;
• Apresenta os cargos e as respectivas fórmulas de tratamento (por extenso, abreviatura singular e plural);
• Indica o vocativo correspondente e a forma de endereçamento.

Autoridades Universitárias

Cargo ou
Por Extenso Abreviatura Singular Abreviatura Plural Vocativo Endereçamento
Função
Ao Magnífico Reitor
V. Mag. as
ou V. Magnífico Reitor
ou
Magas.
Vossa Magnificência
V. Mag.ª ou V. Maga. ou
Reitores ou Ao Excelentíssimo
V. Exa. ou V. Ex.ª ou
Vossa Excelência Senhor Reitor
Excelentíssimo
Nome
V.Ex.as ou V.Exas. Senhor Reitor
Cargo
Endereço
Ao Excelentíssimo
Excelentíssimo Senhor Vice-Reitor
Vice-Reitores Vossa Excelência V.Ex.ª, ou V.Exa. V.Ex.as ou V. Exas. Senhor Vice- Nome
Reitor Cargo
Endereço
Assessores
Ao Senhor
Pró-Reitores
V.S.ª ou Nome
Diretores Vossa Senhoria V.S. ou V.Sas.
as
Senhor + cargo
V.Sa. Cargo
Coord. de
Endereço
Departamento

Autoridades Judiciárias

Abreviatura Abreviatura
Cargo ou Função Por Extenso Vocativo Endereçamento
Singular Plural
Auditores
Curadores
Defensores Públicos
Ao Excelentíssimo Senhor
Desembargadores
Vossa V.Ex.as ou V. Excelentíssimo Nome
Membros de Tribunais V.Ex.ª ou V. Exa.
Excelência Exas. Senhor + cargo Cargo
Presidentes de
Endereço
Tribunais
Procuradores
Promotores
Ao Meritíssimo Senhor Juiz
Meritíssimo
Meritíssimo Senhor Juiz ou
Juiz
M.Juiz ou V.Ex.ª, V.
Juízes de Direito ou V.Ex.as ou Ao Excelentíssimo Senhor
Exas.
Vossa Juiz
Excelência Excelentíssimo Nome
Senhor Juiz Cargo
LÍNGUA PORTUGUESA

Endereço

111
Autoridades Militares

Abreviatura
Cargo ou Função Por Extenso Abreviatura Plural Vocativo Endereçamento
Singular
Ao Excelentíssimo Senhor
Oficiais Generais Vossa Excelentíssimo Nome
V.Ex.ª ou V. Exa. V.Ex.as, ou V. Exas.
(até Coronéis) Excelência Senhor Cargo
Endereço
Ao Senhor
Vossa Nome
Outras Patentes V.S.ª ou V. Sa. V.S.as ou V. Sas. Senhor + patente
Senhoria Cargo
Endereço
Autoridades Eclesiásticas

Abreviatura
Cargo ou unção Por Extenso Abreviatura Plural Vocativo Endereçamento
Singular
A Sua Excelência
Reverendíssima
Vossa Excelência V.Ex.ª Rev. ou V.
ma
V.Ex. Rev. ou V.
as mas
Excelentíssimo
Arcebispos Nome
Reverendíssima Exa. Revma. Exas. Revmas. Reverendíssimo
Cargo
Endereço
A Sua Excelência
Reverendíssima
Vossa Excelência V.Ex.ª Rev.maou V. V.Ex.asRev.mas ou V. Excelentíssimo
Bispos Nome
Reverendíssima Exa. Revma. Exas. Revmas. Reverendíssimo
Cargo
Endereço
A Sua Eminência
Vossa Eminência V.Em.ª, V. Ema. V.Em.as, V. Emas. Eminentíssimo
Reverendíssima
ou Vossa ou ou Reverendíssimo
Cardeais Nome
Eminência V.Em.ª Rev.ma, V. V.EmasRev.mas ou V. ou Eminentíssimo
Cargo
Reverendíssima Ema. Revma. Emas. Revmas. Senhor Cardeal
Endereço
Ao Reverendíssimo
Cônego
Vossa V. Rev.ma V. Rev.mas Reverendíssimo
Cônegos Nome
Reverendíssima ou V. Revma. V. Revmas. Cônego
Cargo
Endereço
Ao Reverendíssimo
Frade
Vossa V. Rev.ma V. Rev.mas Reverendíssimo
Frades Nome
Reverendíssima ou V. Revma. ou V. Revmas. Frade
Cargo
Endereço
A Reverendíssima Irmã
Vossa V. Rev.ma V. Rev.mas Reverendíssimo Nome
Freiras
Reverendíssima ou V. Revma. ou V. Revmas. Irmã Cargo
Endereço
Ao Reverendíssimo
Monsenhor
Vossa V. Rev.ma V. Rev.mas Reverendíssimo
Monsenhores Nome
Reverendíssima ou V. Revma. ou V. Revmas. Monsenhor
Cargo
Endereço
A Sua Santidade o
Papa Vossa Santidade V.S. - Santíssimo Padre
Papa
Ao Reverendíssimo
Padre / Pastor
LÍNGUA PORTUGUESA

ou
Sacerdotes em Vossa V. Rev.ma V. Rev.mas Reverendo Padre / Ao Reverendo Padre /
geral e pastores Reverendíssima ou V. Revma. ou V. Revmas. Pastor Pastor
Nome
Cargo
Endereço

112
Autoridades Monárquicas

Cargo ou Abreviatura Abreviatura


Por Extenso Vocativo Endereçamento
Função Singular Plural
A Sua Alteza Real
Nome
Arquiduques Vossa Alteza V.A. VV. AA. Sereníssimo + Título
Cargo
Endereço
A Sua Alteza Real
Nome
Duques Vossa Alteza V.A. VV. AA. Sereníssimo + Título
Cargo
Endereço
A Sua Majestade
Vossa Nome
Imperadores V.M. VV. MM. Majestade
Majestade Cargo
Endereço
A Sua Alteza Real
Nome
Príncipes Vossa Alteza V.A. VV. AA. Sereníssimo + Título
Cargo
Endereço
A Sua Majestade
Vossa Nome
Reis V.M. VV. MM. Majestade
Majestade Cargo
Endereço

Autoridades Civis

Abreviatura Abreviatura
Cargo ou Função Por Extenso Vocativo Endereçamento
Singular Plural
Chefe da Casa Civil e da

Casa Militar

Cônsules

Deputados

Embaixadores

Governadores Ao Excelentíssimo
Senhor
Vossa V.Ex.ª ou V.Ex.as Excelentíssimo
Ministros de Estado Nome
Excelência V. Exa. ou V. Exas. Senhor + Cargo
Cargo
Prefeitos Endereço

Presidentes da
República

Secretários de Estado

Senadores

Vice-Presidentes de
Repúblicas
LÍNGUA PORTUGUESA

Ao Senhor
Demais autoridades
Vossa V.S.ª ou V.S.as Nome
não contempladas com Senhor + Cargo
Senhoria V. Sa. ou V. Sas. Cargo
tratamento específico
Endereço

Forma de Diagramação
Os documentos do padrão ofício devem obedecer à seguinte forma de apresentação:

113
FIQUE ATENTO!
- conforme as ultimas mudanças no manual de redação oficial, deve ser utilizada fonte do tipo Calibri ou
Carlito (antes era a Times New Roman), de corpo 12 no texto em geral, 11 nas citações, e 10 nas notas de
rodapé;
- é obrigatório constar a partir da segunda página o número da página;
- os ofícios, memorandos e anexos destes poderão ser impressos em ambas as faces do papel. Neste caso,
as margens esquerda e direita terão as distâncias invertidas nas páginas pares (“margem espelho”);
- o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm de distância da margem esquerda;
- o campo destinado à margem lateral esquerda terá, no mínimo 3,0 cm de largura;
- o campo destinado à margem lateral direita terá 1,5 cm;
- deve ser utilizado espaçamento simples entre as linhas e de 6 pontos após cada parágrafo, ou, se o editor
de texto utilizado não comportar tal recurso, de uma linha em branco;
- não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra, relevo,
bordas ou qualquer outra forma de formatação que afete a elegância e a sobriedade do documento;
- a impressão dos textos deve ser feita na cor preta em papel branco. A impressão colorida deve ser usada
apenas para gráficos e ilustrações;
- todos os tipos de documento do padrão ofício devem ser impressos em papel de tamanho A4, ou seja,
29,7 x 21,0 cm;
- deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de arquivo Rich Text nos documentos de texto;
- dentro do possível, todos os documentos elaborados devem ter o arquivo de texto preservado para con-
sulta posterior ou aproveitamento de trechos para casos análogos;
- para facilitar a localização, os nomes dos arquivos devem ser formados da seguinte maneira: tipo do docu-
mento + número do documento + palavraschave do conteúdo.

Fechos para Comunicações


O fecho das comunicações oficiais possui, além da finalidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o destinatário.
Os modelos para fecho que vinham sendo utilizados foram regulados pela Portaria no 1 do Ministério da Justiça, de
1937, que estabelecia quinze padrões. Com o fito de simplificá-los e uniformizá-los, este Manual estabelece o emprego
de somente dois fechos diferentes para todas as modalidades de comunicação oficial:
a) para autoridades superiores, inclusive o Presidente da República:
Respeitosamente,
b) para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior:
Atenciosamente,
Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras, que atendem a rito e
tradição próprios, devidamente disciplinados no Manual de Redação do Ministério das Relações Exteriores.

Identificação do Signatário
Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da República, todas as demais comunicações oficiais devem
trazer o nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo do local de sua assinatura. A forma da identificação deve
ser a seguinte:

(espaço para assinatura)


Nome
Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República

(espaço para assinatura)


Nome
Ministro de Estado da Justiça

Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assinatura em página isolada do expediente. Transfira para
essa página ao menos a última frase anterior ao fecho.
LÍNGUA PORTUGUESA

O Padrão Ofício
Antes das ultimas alterações do Manual de Redação, tínhamos 3 tipos de expediente: Ofício, Aviso e Memorando.
A distinção básica anterior entre os três era:
a) aviso: era expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades de mesma hierarquia;
b) ofício: era expedido para e pelas demais autoridades; e
c) memorando: era expedido entre unidades administrativas de um mesmo órgão.

114
FIQUE ATENTO!
De acordo com essas alterações, os tipos memorando e aviso foram abolidos e passou-se a utilizar o termo
ofício nas três hipóteses.

A diagramação proposta para esse expediente é denominada padrão ofício.


A seguir, será apresentada a estrutura do padrão ofício, de acordo com a ordem com que cada elemento aparece
no documento oficial.

Partes do documento no padrão ofício

Cabeçalho
O cabeçalho é utilizado apenas na primeira página do documento, centralizado na área determinada pela formatação.
No cabeçalho deverão constar os seguintes elementos:
a) brasão de Armas da República: no topo da página. Não há necessidade de ser aplicado em cores. O uso de marca
da instituição deve ser evitado na correspondência oficial para não se sobrepor ao Brasão de Armas da República.
b) nome do órgão principal;
c) nomes dos órgãos secundários, quando necessários, da maior para a menor hierarquia; e
d) espaçamento: entrelinhas simples (1,0).

Exemplo:

Os dados do órgão, tais como endereço, telefone, endereço de correspondência eletrônica, sítio eletrônico oficial
da instituição, podem ser informados no rodapé do documento, centralizados.
5.1.2 Identificação do expediente
Os documentos oficiais devem ser identificados da seguinte maneira:
a) nome do documento: tipo de expediente por extenso, com todas as letras maiúsculas;
b) indicação de numeração: abreviatura da palavra “número”, padronizada como No;
c) informações do documento: número, ano (com quatro dígitos) e siglas usuais do setor que expede o documento,
da menor para a maior hierarquia, separados por barra (/); e
d) alinhamento: à margem esquerda da página.

Exemplo:
OFÍCIO N° 652/2018/SAA/SE/MT

Local e data do documento


Na grafia de datas em um documento, o conteúdo deve constar da seguinte forma:
a) composição: local e data do documento;
b) informação de local: nome da cidade onde foi expedido o documento, seguido de vírgula. Não se deve utilizar a
LÍNGUA PORTUGUESA

sigla da unidade da federação depois do nome da cidade;


c) dia do mês: em numeração ordinal se for o primeiro dia do mês e em numeração cardinal para os demais dias do
mês. Não se deve utilizar zero à esquerda do número que indica o dia do mês;
d) nome do mês: deve ser escrito com inicial minúscula;
e) pontuação: coloca-se ponto-final depois da data; e
f) alinhamento: o texto da data deve ser alinhado à margem direita da página.

Exemplo: Brasília, 2 de fevereiro de 2018.

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Endereçamento
O endereçamento é a parte do documento que informa quem receberá o expediente.
Nele deverão constar os seguintes elementos:
a) vocativo: na forma de tratamento adequada para quem receberá o expediente;
b) nome: nome do destinatário do expediente;
c) cargo: cargo do destinatário do expediente;
d) endereço: endereço postal de quem receberá o expediente, dividido em duas linhas:
primeira linha: informação de localidade/logradouro do destinatário ou, no caso de ofício ao mesmo órgão,
informação do setor;
segunda linha: CEP e cidade/unidade da federação, separados por espaço simples. Na separação entre cidade e
unidade da federação pode ser substituída a barra pelo ponto ou pelo travessão. No caso de ofício ao mesmo órgão,
não é obrigatória a informação do CEP, podendo ficar apenas a informação da cidade/unidade da federação; e
e) alinhamento: à margem esquerda da página.

O pronome de tratamento no endereçamento das comunicações dirigidas às autoridades tratadas por Vossa
Excelência terá a seguinte forma: “A Sua Excelência o Senhor” ou “A Sua Excelência a Senhora”.
Quando o tratamento destinado ao receptor for Vossa Senhoria, o endereçamento a ser empregado é “Ao Senhor”
ou “À Senhora”. Ressalte-se que não se utiliza a expressão “A Sua Senhoria o Senhor” ou “A Sua Senhoria a Senhora”.

Exemplos:

A Sua Excelência o Senhor À Senhora Ao Senhor


[Nome] [Nome] [Nome]
Ministro de Estado da Justiça Diretora de Gestão de Pessoas Chefe da Seção de Compras
Esplanada dos Ministérios Bloco T SAUS Q. 3 Lote 5/6 Ed Sede I Diretoria de Material, Seção
70064-900 Brasília/DF 70070-030 Brasília. DF Brasília — DF

Assunto
O assunto deve dar uma ideia geral do que trata o documento, de forma sucinta.
Ele deve ser grafado da seguinte maneira:
a) título: a palavra Assunto deve anteceder a frase que define o conteúdo do documento, seguida de dois-pontos;
b) descrição do assunto: a frase que descreve o conteúdo do documento deve ser escrita com inicial maiúscula, não
se deve utilizar verbos e sugere-se utilizar de quatro a cinco palavras;
c) destaque: todo o texto referente ao assunto, inclusive o título, deve ser destacado em negrito;
d) pontuação: coloca-se ponto-final depois do assunto; e
e) alinhamento: à margem esquerda da página.

Exemplos:
Assunto: Encaminhamento do Relatório de Gestão julho/2018.
Assunto: Aquisição de computadores.

Texto do documento
O texto do documento oficial deve seguir a seguinte padronização de estrutura:
I – nos casos em que não seja usado para encaminhamento de documentos, o expediente deve conter a seguinte
estrutura:
a) introdução: em que é apresentado o objetivo da comunicação. Evite o uso das formas: Tenho a honra de, Tenho
o prazer de, Cumpre-me informar que. Prefira empregar a forma direta: Informo, Solicito, Comunico;
b) desenvolvimento: em que o assunto é detalhado; se o texto contiver mais de uma ideia sobre o assunto, elas
devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere maior clareza à exposição; e
c) conclusão: em que é afirmada a posição sobre o assunto.

II – quando forem usados para encaminhamento de documentos, a estrutura é modificada:


a) introdução: deve iniciar com referência ao expediente que solicitou o encaminhamento. Se a remessa do docu-
mento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a informação do motivo da comunicação, que é encaminhar,
indicando a seguir os dados completos do documento encaminhado (tipo, data, origem ou signatário e assunto
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de que se trata) e a razão pela qual está sendo encaminhado; e

Exemplos:
Em resposta ao Ofício n o 12, de 1o de fevereiro de 2018, encaminho cópia do Ofício no 34, de 3 de abril de 2018,
da Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas, que trata da requisição do servidor Fulano de Tal.
Encaminho, para exame e pronunciamento, cópia do Ofício no 12, de 1o de fevereiro de 2018, do Presidente da
Confederação Nacional da Indústria, a respeito de projeto de modernização de técnicas agrícolas na região Nordeste.

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b) desenvolvimento: se o autor da comunicação de- a) nome: nome da autoridade que as expede, grafado
sejar fazer algum comentário a respeito do docu- em letras maiúsculas, sem negrito. Não se usa linha
mento que encaminha, poderá acrescentar pará- acima do nome do signatário;
grafos de desenvolvimento. Caso contrário, não