Você está na página 1de 393

Universidade Estadual da Paraíba

UEPB
Assistente Técnico
Edital Normativo de Concurso Público Nº 01/2017
OT002-2017
DADOS DA OBRA

Título da obra: Universidade Estadual da Paraíba - UEPB

Cargo: Assistente Técnico

(Baseado no Edital Normativo de Concurso Público Nº 01/2017)

• Língua Portuguesa
• Bases Legais do Ensino Superior/UEPB
• História e Bases Legais da UEPB
• Direito Constitucional
• Direito Administrativo
• Ética
• Direitos Humanos e Cidadania
• Produção Textual
• Conhecimentos Específicos

Gestão de Conteúdos
Emanuela Amaral de Souza

Produção Editorial/Revisão
Elaine Cristina
Igor de Oliveira
Camila Lopes
Suelen Domenica Pereira

Capa
Bruno Fernandes

Editoração Eletrônica
Marlene Moreno

Gerente de Projetos
Bruno Fernandes
APRESENTAÇÃO

PARABÉNS! ESTE É O PASSAPORTE PARA SUA APROVAÇÃO.

A Nova Concursos tem um único propósito: mudar a vida das pessoas.


Vamos ajudar você a alcançar o tão desejado cargo público.
Nossos livros são elaborados por professores que atuam na área de Concursos Públicos. Assim a
matéria é organizada de forma que otimize o tempo do candidato. Afinal corremos contra o tempo,
por isso a preparação é muito importante.
Aproveitando, convidamos você para conhecer nossa linha de produtos “Cursos online”, conteúdos
preparatórios e por edital, ministrados pelos melhores professores do mercado.
Estar à frente é nosso objetivo, sempre.
Contamos com índice de aprovação de 87%*.
O que nos motiva é a busca da excelência. Aumentar este índice é nossa meta.
Acesse www.novaconcursos.com.br e conheça todos os nossos produtos.
Oferecemos uma solução completa com foco na sua aprovação, como: apostilas, livros, cursos on-
line, questões comentadas e treinamentos com simulados online.
Desejamos-lhe muito sucesso nesta nova etapa da sua vida!
Obrigado e bons estudos!

*Índice de aprovação baseado em ferramentas internas de medição.

CURSO ONLINE

PASSO 1
Acesse:
www.novaconcursos.com.br/passaporte

PASSO 2
Digite o código do produto no campo indicado no
site.
O código encontra-se no verso da capa da apostila.
*Utilize sempre os 8 primeiros dígitos.
Ex: FV054-17

PASSO 3
Pronto!
Você já pode acessar os conteúdos online.
SUMÁRIO

Língua Portuguesa

1) Interpretação de textos. ................................................................................................................................................................................... 01


2) Morfologia: ........................................................................................................................................................................................................... 04
a) Ortografia. ........................................................................................................................................................................................................ 40
b) acentuação gráfica. ...................................................................................................................................................................................... 43
3. Denotação e conotação. .................................................................................................................................................................................. 46
4. Variação linguística; ........................................................................................................................................................................................... 51
5) Tipologias e gêneros textuais. ....................................................................................................................................................................... 55
6) Fatores de textualidade. .................................................................................................................................................................................. 56
7) Elementos morfossintáticos do texto: ........................................................................................................................................................ 61
a) termos essenciais da oração (sujeito e predicado). ......................................................................................................................... 61
b) Regências verbal e nominal. ..................................................................................................................................................................... 69
8) Funções da linguagem...................................................................................................................................................................................... 76

Bases Legais do Ensino SuperiorUEPB

BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB: ENSINO SUPERIOR NO BRASIL E NA PARAÍBA- Ensino Superior na Consti-
tuição Federal e na Constituição do Estado da Paraíba. .......................................................................................................................... 01
Autonomia Universitária. ...................................................................................................................................................................................... 04
Lei nº 9.394/1996, de 20 de dezembro de 1996 (LDB). ............................................................................................................................ 07
Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014 (Plano Nacional de Educação - PNE).................................................................................. 23

História e Bases Legais da UEPB

Histórico da Instituição. ........................................................................................................................................................................................ 01


A UEPB na Constituição Estadual. ..................................................................................................................................................................... 02
Lei nº 10.488, de 23 de junho de 2015 (Plano Estadual de Educação). .............................................................................................. 02
A Lei nº 7.643/2004, de 06 de agosto de 2004 (Lei da Autonomia Financeira). ............................................................................. 03
Estatuto da UEPB. – LEI 4.977/87 – Criação da UEPB................................................................................................................................. 04

Direito Constitucional

1. Constituição........................................................................................................................................................................................................... 01
1.1. Conceito e classificação............................................................................................................................................................................ 01
1.2. Dos Princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988............................................................................................... 01
2. Direitos e garantias fundamentais................................................................................................................................................................ 11
2.1 Direitos e deveres individuais e coletivos.......................................................................................................................................... 11
2.2. Direitos fundamentais dos trabalhadores na Constituição Federal de 1988...................................................................... 11
3. Organização político-administrativa............................................................................................................................................................ 46
3.1. União, estados, Distrito Federal, municípios e territórios........................................................................................................... 46
4. Administração pública....................................................................................................................................................................................... 54
4.1 Disposições gerais....................................................................................................................................................................................... 54
5. Da Organização dos Poderes da República............................................................................................................................................... 68
5.1. Poder Legislativo......................................................................................................................................................................................... 68
5.1.1. Congresso Nacional, Câmara dos Deputados, Senado Federal, deputados e senadores.......................................... 68
5.2. Poder Executivo........................................................................................................................................................................................... 81
5.2.2. Atribuições do Presidente da República e dos ministros de Estado................................................................................... 81
6. Poder Judiciário.................................................................................................................................................................................................... 85
6.1. Organização do Poder Judiciário no Brasil....................................................................................................................................... 85
SUMÁRIO

6.2. Competências............................................................................................................................................................................................... 85
7. Da Organização dos Poderes do Estado da Paraíba.............................................................................................................................. 97
7.1. Poder Legislativo......................................................................................................................................................................................... 97
7.1.1. Assembleia Legislativa........................................................................................................................................................................... 97
7.1.2. Dos deputados Estaduais..................................................................................................................................................................... 97
7.2. Poder Executivo........................................................................................................................................................................................... 98
7.2.2. Do Governador e Vice-governador do Estado: Eleição, Posse, Mandato. Atribuições do Governador do Es-
tado.............................................................................................................................................................................................................98
7.3. Poder Judiciário Estadual.......................................................................................................................................................................100
7.3.1. Tribunal de Justiça da Paraíba: Organização, Composição e Competência...................................................................100

Direito Administrativo

1. Servidor Público: conceito, espécies, regimes jurídicos funcionais, atribuições no serviço público................................... 01
2. Servidores Públicos na Constituição Federal de 1988 (artigos 39 a 41)........................................................................................ 05
3. Organização funcional: definições de cargo, função, emprego público, classe, carreira e lotação.................................... 07
4. Criação, Extinção, Transformação e Vacância de cargos públicos.................................................................................................... 14
5. Regime Jurídico dos Servidores Públicos do Estado da Paraíba (Lei Complementar n. 58, de 30 de Dezembro de 2003
e suas alterações)..................................................................................................................................................................................................... 07
5.1. Provimento e investidura do servidor: nomeação, seleção, posse, exercício, estabilidade e estágio probatório......... 07
5.2. Do regime disciplinar: deveres e proibições do servidor............................................................................................................ 07
5.3. Responsabilidades do Servidor Público: Penal, Civil e Administrativa................................................................................... 07
5.4. Das penas aplicadas ao Servidor Público: Advertência, Suspensão, Demissão, Cassação de Aposentadoria ou
Disponibilidade, Destituição da função e em cargo de comissão................................................................................................... 07
5.5. Processo Administrativo Disciplinar.................................................................................................................................................... 07

Ética
1. Ética e moral. ........................................................................................................................................................................................................ 01
2. Ética, princípios e valores. ............................................................................................................................................................................... 03
3. Ética e democracia: exercício da cidadania. ............................................................................................................................................. 05
4. Ética e função pública........................................................................................................................................................................................ 08

Direitos Humanos e Cidadania

1. Teoria geral dos direitos humanos................................................................................................................................................................ 01


1.1. Conceito, terminologia, fundamentação. ......................................................................................................................................... 01
2. Afirmação histórica dos direitos humanos. .............................................................................................................................................. 04
3. A Constituição brasileira e os tratados internacionais de direitos humanos. ............................................................................. 09
4. Direitos políticos na Constituição Federal de 1988: cidadania, elegibilidade e partidos políticos...................................... 09

Produção Textual

Produção de 01 (um) dos gêneros da Redação Oficial, a partir de uma situação-problema hipotética, e com base na
estrutura e finalidade do gênero solicitado, preconizadas pelo Manual de Redação da Presidência da República. ...... 01
1. Redação Oficial: ................................................................................................................................................................................................... 01
a) Conceito. ................................................................................................................................................................................................................ 01
b) Contexto de produção. c) finalidades. ....................................................................................................................................................... 01
2. As comunicações Oficiais: ............................................................................................................................................................................... 01
a) conceito, estrutura, finalidades e especificidades de uso nas mais diferentes circunstâncias sociocomunicativas..... 01
c. Classificação dos Documentos da Redação Oficial a partir do Padrão-Ofício............................................................................. 01
SUMÁRIO

Conhecimentos Específicos

1. Redação Oficial: ................................................................................................................................................................................................... 01


a) Conceito. .......................................................................................................................................................................................................... 01
b) Contexto de produção. .............................................................................................................................................................................. 01
c) finalidades. ....................................................................................................................................................................................................... 01
2. As comunicações Oficiais: ............................................................................................................................................................................... 01
a) conceito, estrutura, finalidades e especificidades de uso nas mais diferentes circunstâncias sociocomunicativas. ............01
c. Classificação a partir do Padrão-Ofício.................................................................................................................................................. 01
LÍNGUA PORTUGUESA

1) Interpretação de textos. ................................................................................................................................................................................... 01


2) Morfologia: ........................................................................................................................................................................................................... 04
a) Ortografia. ....................................................................................................................................................................................................... 40
b) acentuação gráfica. ...................................................................................................................................................................................... 43
3. Denotação e conotação. .................................................................................................................................................................................. 46
4. Variação linguística; ........................................................................................................................................................................................... 51
5) Tipologias e gêneros textuais. ....................................................................................................................................................................... 55
6) Fatores de textualidade. ................................................................................................................................................................................... 56
7) Elementos morfossintáticos do texto: ........................................................................................................................................................ 61
a) termos essenciais da oração (sujeito e predicado). ......................................................................................................................... 61
b) Regências verbal e nominal. ..................................................................................................................................................................... 69
8) Funções da linguagem...................................................................................................................................................................................... 76
LÍNGUA PORTUGUESA

Observação – na semântica (significado das palavras)


1) INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS. incluem--se: homônimos e parônimos, denotação e cono-
tação, sinonímia e antonímia, polissemia, figuras de lingua-
gem, entre outros.
- Capacidade de observação e de síntese e
- Capacidade de raciocínio.
É muito comum, entre os candidatos a um cargo públi-
co, a preocupação com a interpretação de textos. Por isso, Interpretar X compreender
vão aqui alguns detalhes que poderão ajudar no momento
de responder às questões relacionadas a textos. Interpretar significa
- Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir.
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacio- - Através do texto, infere-se que...
nadas entre si, formando um todo significativo capaz de - É possível deduzir que...
produzir interação comunicativa (capacidade de codificar - O autor permite concluir que...
e decodificar ). - Qual é a intenção do autor ao afirmar que...

Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Compreender significa


Em cada uma delas, há uma certa informação que a faz - intelecção, entendimento, atenção ao que realmente
ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando con- está escrito.
dições para a estruturação do conteúdo a ser transmitido. - o texto diz que...
A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que - é sugerido pelo autor que...
o relacionamento entre as frases é tão grande que, se uma - de acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação...
frase for retirada de seu contexto original e analisada se- - o narrador afirma...
paradamente, poderá ter um significado diferente daquele
inicial. Erros de interpretação

Intertexto - comumente, os textos apresentam refe- É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência
rências diretas ou indiretas a outros autores através de ci- de erros de interpretação. Os mais frequentes são:
tações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. - Extrapolação (viagem): Ocorre quando se sai do con-
texto, acrescentado ideias que não estão no texto, quer por
Interpretação de texto - o primeiro objetivo de uma conhecimento prévio do tema quer pela imaginação.
interpretação de um texto é a identificação de sua ideia
principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, - Redução: É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção
ou fundamentações, as argumentações, ou explicações, apenas a um aspecto, esquecendo que um texto é um con-
que levem ao esclarecimento das questões apresentadas junto de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do
na prova. entendimento do tema desenvolvido.

Normalmente, numa prova, o candidato é convidado a: - Contradição: Não raro, o texto apresenta ideias contrá-
rias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivocadas
- Identificar – é reconhecer os elementos fundamen- e, consequentemente, errando a questão.
tais de uma argumentação, de um processo, de uma épo- Observação - Muitos pensam que há a ótica do escritor
ca (neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas numa prova de
quais definem o tempo). concurso, o que deve ser levado em consideração é o que o
- Comparar – é descobrir as relações de semelhança autor diz e nada mais.
ou de diferenças entre as situações do texto.
- Comentar - é relacionar o conteúdo apresentado Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
com uma realidade, opinando a respeito. relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si.
- Resumir – é concentrar as ideias centrais e/ou secun- Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um
dárias em um só parágrafo. pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um pronome
- Parafrasear – é reescrever o texto com outras pala- oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se vai
vras. dizer e o que já foi dito.

Condições básicas para interpretar OBSERVAÇÃO – São muitos os erros de coesão no dia
-a-dia e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo e
Fazem-se necessários: do pronome oblíquo átono. Este depende da regência do
- Conhecimento histórico–literário (escolas e gêneros verbo; aquele do seu antecedente. Não se pode esquecer
literários, estrutura do texto), leitura e prática; também de que os pronomes relativos têm, cada um, valor
- Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do semântico, por isso a necessidade de adequação ao ante-
texto) e semântico; cedente.

1
LÍNGUA PORTUGUESA

Os pronomes relativos são muito importantes na inter- No texto, o substantivo usado para ressaltar o universo
pretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros de coe- reduzido no qual o menino detém sua atenção é
são. Assim sendo, deve-se levar em consideração que existe (A) fresta.
um pronome relativo adequado a cada circunstância, a saber: (B) marca.
- que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente, (C) alma.
mas depende das condições da frase. (D) solidão.
- qual (neutro) idem ao anterior. (E) penumbra.
- quem (pessoa)
- cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois 2-) (ANCINE – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE/2012)
o objeto possuído. O riso é tão universal como a seriedade; ele abarca a to-
- como (modo) talidade do universo, toda a sociedade, a história, a concepção
- onde (lugar) de mundo. É uma verdade que se diz sobre o mundo, que se
quando (tempo) estende a todas as coisas e à qual nada escapa. É, de alguma
quanto (montante) maneira, o aspecto festivo do mundo inteiro, em todos os seus
níveis, uma espécie de segunda revelação do mundo.
Exemplo: Mikhail Bakhtin. A cultura popular na Idade Média e o
Falou tudo QUANTO queria (correto) Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo:
Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria Hucitec, 1987, p. 73 (com adaptações).
aparecer o demonstrativo O ). Na linha 1, o elemento “ele” tem como referente textual “O riso”.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Dicas para melhorar a interpretação de textos
3-) (ANEEL – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE/2010)
- Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do Só agora, quase cinco meses depois do apagão que atingiu
assunto; pelo menos 1.800 cidades em 18 estados do país, surge uma ex-
- Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa plicação oficial satisfatória para o corte abrupto e generalizado
a leitura; de energia no final de 2009.
- Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica
menos duas vezes; (ANEEL), a responsabilidade recai sobre a empresa estatal Fur-
- Inferir; nas, cujas linhas de transmissão cruzam os mais de 900 km que
- Voltar ao texto quantas vezes precisar; separam Itaipu de São Paulo.
- Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor; Equipamentos obsoletos, falta de manutenção e de inves-
- Fragmentar o texto (parágrafos, partes) para melhor timentos e também erros operacionais conspiraram para pro-
compreensão; duzir a mais séria falha do sistema de geração e distribuição
- Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada de energia do país desde o traumático racionamento de 2001.
questão; Folha de S.Paulo, Editorial, 30/3/2010 (com adaptações).
- O autor defende ideias e você deve percebê-las. Considerando os sentidos e as estruturas linguísticas do
texto acima apresentado, julgue os próximos itens.
Fonte: A oração “que atingiu pelo menos 1.800 cidades em 18
http://www.tudosobreconcursos.com/materiais/portu- estados do país” tem, nesse contexto, valor restritivo.
gues/como-interpretar-textos ( ) CERTO ( ) ERRADO

QUESTÕES 4-) (CORREIOS – CARTEIRO – CESPE/2011)


Um carteiro chega ao portão do hospício e grita:
1-) (SABESP/SP – ATENDENTE A CLIENTES 01 – FCC/2014 — Carta para o 9.326!!!
- ADAPTADA) Atenção: Para responder à questão, considere Um louco pega o envelope, abre-o e vê que a carta está em
o texto abaixo. branco, e um outro pergunta:
A marca da solidão — Quem te mandou essa carta?
Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de — Minha irmã.
paralelepípedos, o menino espia. Tem os braços dobrados e a — Mas por que não está escrito nada?
testa pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de — Ah, porque nós brigamos e não estamos nos falando!
penumbra na tarde quente. Internet: <www.humortadela.com.br/piada> (com adaptações).
Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, den-
tro de cada uma delas, um diminuto caminho de terra, com O efeito surpresa e de humor que se extrai do texto
pedrinhas e tufos minúsculos de musgos, formando pequenas acima decorre
plantas, ínfimos bonsais só visíveis aos olhos de quem é capaz A) da identificação numérica atribuída ao louco.
de parar de viver para, apenas, ver. Quando se tem a marca da B) da expressão utilizada pelo carteiro ao entregar a
solidão na alma, o mundo cabe numa fresta. carta no hospício.
(SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Janei- C) do fato de outro louco querer saber quem enviou a carta.
ro: Tinta negra bazar, 2010. p. 47) D) da explicação dada pelo louco para a carta em branco.
E) do fato de a irmã do louco ter brigado com ele.

2
LÍNGUA PORTUGUESA

5-) (DETRAN/RN – VISTORIADOR/EMPLACADOR – FGV 6-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO – VU-
PROJETOS/2010) NESP/2013) No primeiro parágrafo, ao descrever a maneira como
se preparam para suas férias, a autora mostra que seus amigos estão
Painel do leitor (Carta do leitor) (A) serenos.
(B) descuidados.
Resgate no Chile (C) apreensivos.
(D) indiferentes.
Assisti ao maior espetáculo da Terra numa operação de (E) relaxados.
salvamento de vidas, após 69 dias de permanência no fundo
de uma mina de cobre e ouro no Chile. 7-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
Um a um os mineiros soterrados foram içados com – VUNESP/2013) De acordo com o texto, pode-se afirmar
sucesso, mostrando muita calma, saúde, sorrindo e cum- que, assim como seus amigos, a autora viaja para
primentando seus companheiros de trabalho. Não se pode (A) visitar um lugar totalmente desconhecido.
esquecer a ajuda técnica e material que os Estados Unidos, (B) escapar do lugar em que está.
Canadá e China ofereceram à equipe chilena de salvamen- (C) reencontrar familiares queridos.
to, num gesto humanitário que só enobrece esses países. E, (D) praticar esportes radicais.
também, dos dois médicos e dois “socorristas” que, demons- (E) dedicar-se ao trabalho.
trando coragem e desprendimento, desceram na mina para
ajudar no salvamento. 8-) (DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO
(Douglas Jorge; São Paulo, SP; www.folha.com.br – pai- – VUNESP/2013) Ao descrever a Ilha do Nanja como um
nel do leitor – 17/10/2010) lugar onde, “à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio
cresce como um bosque” (último parágrafo), a autora su-
Considerando o tipo textual apresentado, algumas ex- gere que viajará para um lugar
pressões demonstram o posicionamento pessoal do leitor (A) repulsivo e populoso.
diante do fato por ele narrado. Tais marcas textuais podem (B) sombrio e desabitado.
ser encontradas nos trechos a seguir, EXCETO: (C) comercial e movimentado.
A) “Assisti ao maior espetáculo da Terra...” (D) bucólico e sossegado.
B) “... após 69 dias de permanência no fundo de uma (E) opressivo e agitado.
mina de cobre e ouro no Chile.”
C) “Não se pode esquecer a ajuda técnica e material...” 9-) (DNIT – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – ESAF/2013)
D) “... gesto humanitário que só enobrece esses países.” Grandes metrópoles em diversos países já aderiram. E
E) “... demonstrando coragem e desprendimento, des- o Brasil já está falando sobre isso. O pedágio urbano divide
ceram na mina...” opiniões e gera debates acalorados. Mas, afinal, o que é mais
justo? O que fazer para desafogar a cidade de tantos carros?
(DCTA – TÉCNICO 1 – SEGURANÇA DO TRABALHO – Prepare-se para o debate que está apenas começando.
VUNESP/2013 - ADAPTADA) Leia o texto para responder às (Adaptado de Superinteressante, dezembro2012, p.34)
questões de números 6 a 8.
Marque N(não) para os argumentos contra o pedágio
Férias na Ilha do Nanja urbano; marque S(sim) para os argumentos a favor do pe-
dágio urbano.
Meus amigos estão fazendo as malas, arrumando as ( ) A receita gerada pelo pedágio vai melhorar o trans-
malas nos seus carros, olhando o céu para verem que tempo porte público e estender as ciclovias.
faz, pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas, ( ) Vai ser igual ao rodízio de veículos em algumas cida-
fissuras* – sem falar em bandidos, milhões de bandidos entre des, que não resolveu os problemas do trânsito.
as fissuras, as pedras soltas e as barreiras... ( ) Se pegar no bolso do consumidor, então todo mun-
Meus amigos partem para as suas férias, cansados de do vai ter que pensar bem antes de comprar um carro.
tanto trabalho; de tanta luta com os motoristas da contra- ( ) A gente já paga garagem, gasolina, seguro, estacio-
mão; enfim, cansados, cansados de serem obrigados a viver namento, revisão....e agora mais o pedágio?
numa grande cidade, isto que já está sendo a negação da ( ) Nós já pagamos impostos altos e o dinheiro não é
própria vida. investido no transporte público.
E eu vou para a Ilha do Nanja. ( ) Quer andar sozinho dentro do seu carro? Então pa-
Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui. Passarei as gue pelo privilégio!
férias lá, onde, à beira das lagoas verdes e azuis, o silêncio ( ) O trânsito nas cidades que instituíram o pedágio
cresce como um bosque. Nem preciso fechar os olhos: já estou urbano melhorou.
vendo os pescadores com suas barcas de sardinha, e a moça A ordem obtida é:
à janela a namorar um moço na outra janela de outra ilha. a) (S) (N) (N) (S) (S) (S) (N)
(Cecília Meireles, O que se diz e o que se entende. b) (S) (N) (S) (N) (N) (S) (S)
Adaptado) c) (N) (S) (S) (N) (S) (N) (S)
d) (S) (S) (N) (S) (N) (S) (N)
*fissuras: fendas, rachaduras e) (N) (N) (S) (S) (N) (S) (N)

3
LÍNGUA PORTUGUESA

10-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ – 8-)


ADMINISTRADOR - UFPR/2013) Assinale a alternativa que Pela descrição realizada, o lugar não tem nada de ruim.
apresenta um dito popular que parafraseia o conteúdo ex- RESPOSTA: “D”.
presso no excerto: “Se você está em casa, não pode sair. Se
você está na rua, não pode entrar”. 9-)
a) “Se correr o bicho pega, se ficar, o bicho come”. (S) A receita gerada pelo pedágio vai melhorar o trans-
b) “Quando o gato sai, os ratos fazem a festa”. porte público e estender as ciclovias.
c) “Um dia da caça, o outro do caçador”. (N) Vai ser igual ao rodízio de veículos em algumas
d) “Manda quem pode, obedece quem precisa”. cidades, que não resolveu os problemas do trânsito.
(S) Se pegar no bolso do consumidor, então todo
Resolução mundo vai ter que pensar bem antes de comprar um carro.
(N) A gente já paga garagem, gasolina, seguro, esta-
1-) cionamento, revisão....e agora mais o pedágio?
Com palavras do próprio texto responderemos: o mun- (N) Nós já pagamos impostos altos e o dinheiro não é
do cabe numa fresta. investido no transporte público.
RESPOSTA: “A”. (S) Quer andar sozinho dentro do seu carro? Então pa-
gue pelo privilégio!
2-) (S) O trânsito nas cidades que instituíram o pedágio
Vamos ao texto: O riso é tão universal como a serie- urbano melhorou.
dade; ele abarca a totalidade do universo (...). Os termos S - N - S - N - N - S - S
relacionam-se. O pronome “ele” retoma o sujeito “riso”. RESPOSTA: “B”.
RESPOSTA: “CERTO”.
10-)
3-) Dentre as alternativas apresentadas, a que reafirma a
Voltemos ao texto: “depois do apagão que atingiu pelo
ideia do excerto (não há muita saída, não há escolhas) é:
menos 1.800 cidades”. O “que” pode ser substituído por
“Se você está em casa, não pode sair. Se você está na rua,
“o qual”, portanto, trata-se de um pronome relativo (ora-
não pode entrar”.
ção subordinada adjetiva). Quando há presença de vírgula,
RESPOSTA: “A”.
temos uma adjetiva explicativa (generaliza a informação
da oração principal. A construção seria: “do apagão, que
atingiu pelo menos 1800 cidades em 18 estados do país”);
quando não há, temos uma adjetiva restritiva (restringe, 2) MORFOLOGIA:
delimita a informação – como no caso do exercício).
RESPOSTA: “CERTO’.

4-) Adjetivo
Geralmente o efeito de humor desses gêneros textuais
aparece no desfecho da história, ao final, como nesse: “Ah, Adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou
porque nós brigamos e não estamos nos falando”. característica do ser e se relaciona com o substantivo.
RESPOSTA: “D”. Ao analisarmos a palavra bondoso, por exemplo, per-
5-) cebemos que, além de expressar uma qualidade, ela pode
Em todas as alternativas há expressões que represen- ser colocada ao lado de um substantivo: homem bondoso,
tam a opinião do autor: Assisti ao maior espetáculo da moça bondosa, pessoa bondosa.
Terra / Não se pode esquecer / gesto humanitário que só Já com a palavra bondade, embora expresse uma qua-
enobrece / demonstrando coragem e desprendimento. lidade, não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: ho-
RESPOSTA: “B”. mem bondade, moça bondade, pessoa bondade. Bondade,
portanto, não é adjetivo, mas substantivo.
6-)
“pensando nas suas estradas – barreiras, pedras soltas, Morfossintaxe do Adjetivo
fissuras – sem falar em bandidos, milhões de bandidos en-
tre as fissuras, as pedras soltas e as barreiras...” = pensar O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função
nessas coisas, certamente, deixa-os apreensivos. dentro de uma oração) relativas aos substantivos, atuando
RESPOSTA: “C”. como adjunto adnominal ou como predicativo (do sujeito
ou do objeto).
7-)
Eu vou para a Ilha do Nanja para sair daqui = resposta
da própria autora!
RESPOSTA: “B”.

4
LÍNGUA PORTUGUESA

Adjetivo Pátrio (ou gentílico) Número dos Adjetivos

Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. Plural dos adjetivos simples


Observe alguns deles:
Estados e cidades brasileiros: Os adjetivos simples flexionam-se no plural de acor-
Alagoas alagoano do com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos
Amapá amapaense substantivos simples. Por exemplo: mau e maus, feliz e feli-
Aracaju aracajuano ou aracajuense zes, ruim e ruins boa e boas
Amazonas amazonense ou baré
Belo Horizonte belo-horizontino Caso o adjetivo seja uma palavra que também exerça
Brasília brasiliense função de substantivo, ficará invariável, ou seja, se a palavra
Cabo Frio cabo-friense que estiver qualificando um elemento for, originalmente, um
Campinas campineiro ou campinense substantivo, ela manterá sua forma primitiva. Exemplo: a pa-
lavra cinza é originalmente um substantivo; porém, se estiver
Adjetivo Pátrio Composto qualificando um elemento, funcionará como adjetivo. Ficará,
então, invariável. Logo: camisas cinza, ternos cinza.
Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro Veja outros exemplos:
elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, eru- Motos vinho (mas: motos verdes)
dita. Observe alguns exemplos: Paredes musgo (mas: paredes brancas).
África afro- / Cultura afro-americana Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).
Alemanha germano- ou teuto-/Competições teuto
-inglesas Adjetivo Composto
América américo- / Companhia américo-africana
Bélgica belgo- / Acampamentos belgo-franceses É aquele formado por dois ou mais elementos. Normal-
mente, esses elementos são ligados por hífen. Apenas o últi-
China sino- / Acordos sino-japoneses
mo elemento concorda com o substantivo a que se refere; os
Espanha hispano- / Mercado hispano-português
demais ficam na forma masculina, singular. Caso um dos ele-
Europa euro- / Negociações euro-americanas
mentos que formam o adjetivo composto seja um substanti-
França franco- ou galo- / Reuniões franco-italia-
vo adjetivado, todo o adjetivo composto ficará invariável. Por
nas
exemplo: a palavra rosa é originalmente um substantivo, po-
Grécia greco- / Filmes greco-romanos
rém, se estiver qualificando um elemento, funcionará como
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
adjetivo. Caso se ligue a outra palavra por hífen, formará um
Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa
adjetivo composto; como é um substantivo adjetivado, o ad-
Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras jetivo composto inteiro ficará invariável. Por exemplo:
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros Camisas rosa-claro.
Flexão dos adjetivos Ternos rosa-claro.
Olhos verde-claros.
O adjetivo varia em gênero, número e grau. Calças azul-escuras e camisas verde-mar.
Telhados marrom-café e paredes verde-claras.
Gênero dos Adjetivos
Obs.: - Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qual-
Os adjetivos concordam com o substantivo a que se quer adjetivo composto iniciado por cor-de-... são sempre
referem (masculino e feminino). De forma semelhante aos invariáveis.
substantivos, classificam-se em: - Os adjetivos compostos surdo-mudo e pele-vermelha
Biformes - têm duas formas, sendo uma para o mas- têm os dois elementos flexionados.
culino e outra para o feminino. Por exemplo: ativo e ativa,
mau e má, judeu e judia. Grau do Adjetivo
Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no
feminino somente o último elemento. Por exemplo: o moço Os adjetivos flexionam-se em grau para indicar a inten-
norte-americano, a moça norte-americana. sidade da qualidade do ser. São dois os graus do adjetivo: o
Exceção: surdo-mudo e surda-muda. comparativo e o superlativo.

Uniformes - têm uma só forma tanto para o masculino Comparativo


como para o feminino. Por exemplo: homem feliz e mulher
feliz. Nesse grau, comparam-se a mesma característica atri-
Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no buída a dois ou mais seres ou duas ou mais característi-
feminino. Por exemplo: conflito político-social e desavença cas atribuídas ao mesmo ser. O comparativo pode ser de
político-social. igualdade, de superioridade ou de inferioridade. Observe os
exemplos abaixo:

5
LÍNGUA PORTUGUESA

Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade de um
No comparativo de igualdade, o segundo termo da com- ser é intensificada em relação a um conjunto de seres. Essa
paração é introduzido pelas palavras como, quanto ou quão. relação pode ser:
De Superioridade: Clara é a mais bela da sala.
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de Superio- De Inferioridade: Clara é a menos bela da sala.
ridade Analítico
No comparativo de superioridade analítico, entre os dois Note bem:
substantivos comparados, um tem qualidade superior. A for- 1) O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
ma é analítica porque pedimos auxílio a “mais...do que” ou dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente, etc.,
“mais...que”. antepostos ao adjetivo.
2) O superlativo absoluto sintético apresenta-se sob duas
O Sol é maior (do) que a Terra. = Comparativo de Supe- formas : uma erudita, de origem latina, outra popular, de ori-
rioridade Sintético gem vernácula. A forma erudita é constituída pelo radical do
adjetivo latino + um dos sufixos -íssimo, -imo ou érrimo. Por
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de supe- exemplo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo. A forma popular é
rioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. São eles: bom constituída do radical do adjetivo português + o sufixo -íssi-
/melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/superior, grande/ mo: pobríssimo, agilíssimo.
maior, baixo/inferior. 3) Em vez dos superlativos normais seriíssimo, precariís-
Observe que: simo, necessariíssimo, preferem-se, na linguagem atual, as
a) As formas menor e pior são comparativos de superio- formas seríssimo, precaríssimo, necessaríssimo, sem o desa-
ridade, pois equivalem a mais pequeno e mais mau, respec- gradável hiato i-í.
tivamente.
b) Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas Advérbio
(melhor, pior, maior e menor), porém, em comparações feitas
entre duas qualidades de um mesmo elemento, deve-se usar O advérbio, assim como muitas outras palavras existen-
as formas analíticas mais bom, mais mau,mais grande e mais tes na Língua Portuguesa, advém de outras línguas. Assim
pequeno. Por exemplo: sendo, tal qual o adjetivo, o prefixo “ad-” indica a ideia de
proximidade, contiguidade. Essa proximidade faz referência
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois ele- ao processo verbal, no sentido de caracterizá-lo, ou seja, indi-
mentos. cando as circunstâncias em que esse processo se desenvolve.
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de duas O advérbio relaciona-se aos verbos da língua, no senti-
qualidades de um mesmo elemento. do de caracterizar os processos expressos por ele. Contudo,
ele não é modificador exclusivo desta classe (verbos), pois
Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de Infe- também modifica o adjetivo e até outro advérbio. Seguem
rioridade alguns exemplos:
Sou menos passivo (do) que tolerante. Para quem se diz distantemente alheio a esse assunto,
você está até bem informado.
Superlativo Temos o advérbio “distantemente” que modifica o adjeti-
vo alheio, representando uma qualidade, característica.
O superlativo expressa qualidades num grau muito ele-
vado ou em grau máximo. O grau superlativo pode ser abso- O artista canta muito mal.
luto ou relativo e apresenta as seguintes modalidades: Nesse caso, o advérbio de intensidade “muito” modifi-
Superlativo Absoluto: ocorre quando a qualidade de ca outro advérbio de modo – “mal”. Em ambos os exemplos
um ser é intensificada, sem relação com outros seres. Apre- pudemos verificar que se tratava de somente uma palavra
senta-se nas formas: funcionando como advérbio. No entanto, ele pode estar de-
Analítica: a intensificação se faz com o auxílio de pala- marcado por mais de uma palavra, que mesmo assim não
vras que dão ideia de intensidade (advérbios). Por exemplo: deixará de ocupar tal função. Temos aí o que chamamos de
O secretário é muito inteligente. locução adverbial, representada por algumas expressões, tais
Sintética: a intensificação se faz por meio do acréscimo como: às vezes, sem dúvida, frente a frente, de modo algum,
de sufixos. Por exemplo: O secretário é inteligentíssimo. entre outras.
Dependendo das circunstâncias expressas pelos advér-
Observe alguns superlativos sintéticos: bios, eles se classificam em distintas categorias, uma vez ex-
benéfico beneficentíssimo pressas por:
bom boníssimo ou ótimo de modo: Bem, mal, assim, depressa, devagar, às pressas,
comum comuníssimo às claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos pou-
cruel crudelíssimo cos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em geral, frente a
difícil dificílimo frente, lado a lado, a pé, de cor, em vão, e a maior parte dos
doce dulcíssimo que terminam em -”mente”: calmamente, tristemente, propo-
fácil facílimo sitadamente, pacientemente, amorosamente, docemente, es-
fiel fidelíssimo candalosamente, bondosamente, generosamente

6
LÍNGUA PORTUGUESA

de intensidade: Muito, demais, pouco, tão, menos, em Artigo


excesso, bastante, pouco, mais, menos, demasiado, quanto,
quão, tanto, que(equivale a quão), tudo, nada, todo, quase, Artigo é a palavra que, vindo antes de um substantivo,
de todo, de muito, por completo. indica se ele está sendo empregado de maneira definida ou
de tempo: Hoje, logo, primeiro, ontem, tarde outrora, indefinida. Além disso, o artigo indica, ao mesmo tempo, o
amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente, antes, gênero e o número dos substantivos.
doravante, nunca, então, ora, jamais, agora, sempre, já, en-
fim, afinal, breve, constantemente, entrementes, imediata- Classificação dos Artigos
mente, primeiramente, provisoriamente, sucessivamente, às
vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em Artigos Definidos: determinam os substantivos de
quando, de quando em quando, a qualquer momento, de maneira precisa: o, a, os, as. Por exemplo: Eu matei o animal.
tempos em tempos, em breve, hoje em dia Artigos Indefinidos: determinam os substantivos de
de lugar: Aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, maneira vaga: um, uma, uns, umas. Por exemplo: Eu matei
atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, aí, um animal.
abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte, nenhures,
adentro, afora, alhures, nenhures, aquém, embaixo, exter- Combinação dos Artigos
namente, a distância, à distancia de, de longe, de perto, em
cima, à direita, à esquerda, ao lado, em volta É muito presente a combinação dos artigos definidos
de negação : Não, nem, nunca, jamais, de modo algum, e indefinidos com preposições. Veja a forma assumida por
de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum essas combinações:
de dúvida: Acaso, porventura, possivelmente, provavel-
mente, quiçá, talvez, casualmente, por certo, quem sabe Preposições Artigos
de afirmação: Sim, certamente, realmente, decerto, efe- o, os
tivamente, certo, decididamente, realmente, deveras, indubi- a ao, aos
tavelmente (=sem dúvida). de do, dos
de exclusão: Apenas, exclusivamente, salvo, senão, so- em no, nos
mente, simplesmente, só, unicamente por (per) pelo, pelos
de inclusão: Ainda, até, mesmo, inclusivamente, tam- a, as um, uns uma, umas
bém à, às - -
de ordem: Depois, primeiramente, ultimamente da, das dum, duns duma, dumas
de designação: Eis na, nas num, nuns numa, numas
de interrogação: onde? (lugar), como? (modo), quan- pela, pelas - -
do? (tempo), por quê? (causa), quanto? (preço e intensidade),
para quê? (finalidade) - As formas à e às indicam a fusão da preposição a
com o artigo definido a. Essa fusão de vogais idênticas é
Locução adverbial conhecida por crase.

É reunião de duas ou mais palavras com valor de ad- Constatemos as circunstâncias


vérbio. Exemplo: em que os artigos se manifestam
Carlos saiu às pressas. (indicando modo)
Maria saiu à tarde. (indicando tempo) - Considera-se obrigatório o uso do artigo depois do
numeral “ambos”: Ambos os garotos decidiram participar
Há locuções adverbiais que possuem advérbios corres- das olimpíadas.
pondentes. Exemplo: Carlos saiu às pressas. = Carlos saiu
apressadamente. - Nomes próprios indicativos de lugar admitem o uso
Apenas os advérbios de intensidade, de lugar e de do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de Janeiro, Veneza,
modo são flexionados, sendo que os demais são todos in- A Bahia...
variáveis. A única flexão propriamente dita que existe na
categoria dos advérbios é a de grau: - Quando indicado no singular, o artigo definido pode
Superlativo: aumenta a intensidade. Exemplos: longe indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
- longíssimo, pouco - pouquíssimo, inconstitucionalmente -
inconstitucionalissimamente, etc.; - No caso de nomes próprios personativos, denotando
Diminutivo: diminui a intensidade. Exemplos: perto - a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso
pertinho, pouco - pouquinho, devagar - devagarinho. do artigo: O Pedro é o xodó da família.

- No caso de os nomes próprios personativos estarem


no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias,
os Incas, Os Astecas...

7
LÍNGUA PORTUGUESA

- Usa-se o artigo depois do pronome indefinido to- Deste exemplo podem ser retiradas três informações:
do(a) para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele 1-) segurou a boneca 2-) a menina mostrou 3-) viu as
(o artigo), o pronome assume a noção de qualquer. amiguinhas
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda)
Toda classe possui alunos interessados e desinteressa- Cada informação está estruturada em torno de um ver-
dos. (qualquer classe) bo: segurou, mostrou, viu. Assim, há nessa frase três orações:
1ª oração: A menina segurou a boneca 2ª oração: e
- Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é mostrou 3ª oração: quando viu as amiguinhas.
facultativo: A segunda oração liga-se à primeira por meio do “e”, e a
Adoro o meu vestido longo. Adoro meu vestido longo. terceira oração liga-se à segunda por meio do “quando”. As
palavras “e” e “quando” ligam, portanto, orações.
- A utilização do artigo indefinido pode indicar uma Observe: Gosto de natação e de futebol.
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve ter Nessa frase as expressões de natação, de futebol são
é uns vinte anos. partes ou termos de uma mesma oração. Logo, a palavra “e”
está ligando termos de uma mesma oração.
- O artigo também é usado para substantivar palavras
oriundas de outras classes gramaticais: Não sei o porquê de Morfossintaxe da Conjunção
tudo isso.
As conjunções, a exemplo das preposições, não exercem
- Nunca deve ser usado artigo depois do pronome re- propriamente uma função sintática: são conectivos.
lativo cujo (e flexões). Classificação
Este é o homem cujo amigo desapareceu. - Conjunções Coordenativas
Este é o autor cuja obra conheço. - Conjunções Subordinativas

- Não se deve usar artigo antes das palavras casa ( no Conjunções coordenativas
sentido de lar, moradia) e terra ( no sentido de chão firme),
a menos que venham especificadas. Dividem-se em:
Eles estavam em casa. - ADITIVAS: expressam a ideia de adição, soma. Ex. Gosto
Eles estavam na casa dos amigos. de cantar e de dançar.
Os marinheiros permaneceram em terra. Principais conjunções aditivas: e, nem, não só...mas tam-
Os marinheiros permanecem na terra dos anões. bém, não só...como também.

- Não se emprega artigo antes dos pronomes de trata- - ADVERSATIVAS: Expressam ideias contrárias, de opo-
mento, com exceção de senhor(a), senhorita e dona: Vossa sição, de compensação. Ex. Estudei, mas não entendi nada.
excelência resolverá os problemas de Sua Senhoria. Principais conjunções adversativas: mas, porém, contudo,
todavia, no entanto, entretanto.
- Não se une com preposição o artigo que faz parte do
nome de revistas, jornais, obras literárias: Li a notícia em O - ALTERNATIVAS: Expressam ideia de alternância.
Estado de S. Paulo. Ou você sai do telefone ou eu vendo o aparelho.
Principais conjunções alternativas: Ou...ou, ora...ora,
Morfossintaxe quer...quer, já...já.
- CONCLUSIVAS: Servem para dar conclusões às ora-
Para definir o que é artigo é preciso mencionar suas ções. Ex. Estudei muito, por isso mereço passar.
relações com o substantivo. Assim, nas orações da língua Principais conjunções conclusivas: logo, por isso, pois
portuguesa, o artigo exerce a função de adjunto adnominal (depois do verbo), portanto, por conseguinte, assim.
do substantivo a que se refere. Tal função independe da
função exercida pelo substantivo: - EXPLICATIVAS: Explicam, dão um motivo ou razão. Ex.
A existência é uma poesia. É melhor colocar o casaco porque está fazendo muito frio lá
Uma existência é a poesia. fora.
Principais conjunções explicativas: que, porque, pois (an-
tes do verbo), porquanto.
Conjunção
Conjunções subordinativas
Conjunção é a palavra invariável que liga duas orações
ou dois termos semelhantes de uma mesma oração. Por - CAUSAIS
exemplo: Principais conjunções causais: porque, visto que, já que,
A menina segurou a boneca e mostrou quando viu as uma vez que, como (= porque).
amiguinhas. Ele não fez o trabalho porque não tem livro.

8
LÍNGUA PORTUGUESA

- COMPARATIVAS 2º) Na frase “Precisavam enterrar os mortos em outra ci-


Principais conjunções comparativas: que, do que, tão... dade porque não havia cemitério no local.”
como, mais...do que, menos...do que. a) Temos uma OSA Causal, já que a oração subordina-
Ela fala mais que um papagaio. da (parte destacada) mostra a causa da ação expressa pelo
verbo da oração principal. Outra forma de reconhecê-la é
- CONCESSIVAS colocá-la no início do período, introduzida pela conjunção
Principais conjunções concessivas: embora, ainda que, como - o que não ocorre com a CS Explicativa.
mesmo que, apesar de, se bem que. Como não havia cemitério no local, precisavam enterrar
Indicam uma concessão, admitem uma contradição, os mortos em outra cidade.
um fato inesperado. Traz em si uma ideia de “apesar de”. b) As orações são subordinadas e, por isso, totalmente
Embora estivesse cansada, fui ao shopping. (= apesar de dependentes uma da outra.
estar cansada)
Apesar de ter chovido fui ao cinema. Interjeição

- CONFORMATIVAS Interjeição é a palavra invariável que exprime emoções,


Principais conjunções conformativas: como, segundo, sensações, estados de espírito, ou que procura agir sobre o
conforme, consoante interlocutor, levando-o a adotar certo comportamento sem
Cada um colhe conforme semeia. que, para isso, seja necessário fazer uso de estruturas lin-
Expressam uma ideia de acordo, concordância, confor- guísticas mais elaboradas. Observe o exemplo:
midade. Droga! Preste atenção quando eu estou falando!

- CONSECUTIVAS No exemplo acima, o interlocutor está muito bravo.


Expressam uma ideia de consequência. Toda sua raiva se traduz numa palavra: Droga! Ele poderia
Principais conjunções consecutivas: que (após “tal”, ter dito: - Estou com muita raiva de você! Mas usou simples-
“tanto”, “tão”, “tamanho”). mente uma palavra. Ele empregou a interjeição Droga!
Falou tanto que ficou rouco. As sentenças da língua costumam se organizar de forma
lógica: há uma sintaxe que estrutura seus elementos e os
- FINAIS distribui em posições adequadas a cada um deles. As inter-
Expressam ideia de finalidade, objetivo. jeições, por outro lado, são uma espécie de “palavra-frase”,
Todos trabalham para que possam sobreviver. ou seja, há uma ideia expressa por uma palavra (ou um con-
Principais conjunções finais: para que, a fim de que, junto de palavras - locução interjetiva) que poderia ser colo-
porque (=para que), cada em termos de uma sentença. Veja os exemplos:
Bravo! Bis!
- PROPORCIONAIS bravo e bis: interjeição = sentença (sugestão): “Foi mui-
Principais conjunções proporcionais: à medida que, to bom! Repitam!”
quanto mais, ao passo que, à proporção que. Ai! Ai! Ai! Machuquei meu pé... ai: interjeição = sentença
À medida que as horas passavam, mais sono ele tinha. (sugestão): “Isso está doendo!” ou “Estou com dor!”
A interjeição é um recurso da linguagem afetiva, em que
- TEMPORAIS não há uma ideia organizada de maneira lógica, como são as
Principais conjunções temporais: quando, enquanto, sentenças da língua, mas sim a manifestação de um suspiro,
logo que. um estado da alma decorrente de uma situação particular,
Quando eu sair, vou passar na locadora. um momento ou um contexto específico. Exemplos:
Ah, como eu queria voltar a ser criança!
Diferença entre orações causais e explicativas ah: expressão de um estado emotivo = interjeição
Hum! Esse pudim estava maravilhoso!
Quando estudamos Orações Subordinadas Adverbiais hum: expressão de um pensamento súbito = interjeição
(OSA) e Coordenadas Sindéticas (CS), geralmente nos de-
paramos com a dúvida de como distinguir uma oração cau- O significado das interjeições está vinculado à maneira
sal de uma explicativa. Veja os exemplos: como elas são proferidas. Desse modo, o tom da fala é que
1º) Na frase “Não atravesse a rua, porque você pode ser dita o sentido que a expressão vai adquirir em cada contexto
atropelado”: de enunciação. Exemplos:
a) Temos uma CS Explicativa, que indica uma justificati- Psiu! = contexto: alguém pronunciando essa expressão
va ou uma explicação do fato expresso na oração anterior. na rua; significado da interjeição (sugestão): “Estou te cha-
b) As orações são coordenadas e, por isso, indepen- mando! Ei, espere!”
dentes uma da outra. Neste caso, há uma pausa entre as Psiu! = contexto: alguém pronunciando essa expressão
orações que vêm marcadas por vírgula. em um hospital; significado da interjeição (sugestão): “Por
Não atravesse a rua. Você pode ser atropelado. favor, faça silêncio!”
Outra dica é, quando a oração que antecede a OC Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio!
(Oração Coordenada) vier com verbo no modo imperativo, puxa: interjeição; tom da fala: euforia
ela será explicativa. Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte!
Façam silêncio, que estou falando. (façam= verbo imperativo) puxa: interjeição; tom da fala: decepção

9
LÍNGUA PORTUGUESA

As interjeições cumprem, normalmente, duas funções: Locução Interjetiva


1) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo alegria,
tristeza, dor, etc. Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma
Você faz o que no Brasil? expressão com sentido de interjeição. Por exemplo : Ora
Eu? Eu negocio com madeiras. bolas! Quem me dera! Virgem Maria! Meu Deus!
Ah, deve ser muito interessante. Ó de casa! Ai de mim! Valha-me Deus! Graças a Deus!
Alto lá! Muito bem!
2) Sintetizar uma frase apelativa
Cuidado! Saia da minha frente. Observações:
- As interjeições são como frases resumidas, sintéticas.
As interjeições podem ser formadas por: Por exemplo: Ué! = Eu não esperava por essa!, Perdão! =
- simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô. Peço-lhe que me desculpe.
- palavras: Oba!, Olá!, Claro!
- grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu Deus!, - Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é o
Ora bolas! seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras classes
gramaticais podem aparecer como interjeições.
A ideia expressa pela interjeição depende muitas vezes Viva! Basta! (Verbos)
da entonação com que é pronunciada; por isso, pode ocorrer Fora! Francamente! (Advérbios)
que uma interjeição tenha mais de um sentido. Por exemplo:
Oh! Que surpresa desagradável! (ideia de contrariedade) - A interjeição pode ser considerada uma “palavra-fra-
Oh! Que bom te encontrar. (ideia de alegria) se” porque sozinha pode constituir uma mensagem. Ex.:
Socorro!, Ajudem-me!, Silêncio!, Fique quieto!
Classificação das Interjeições
- Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imita-
Comumente, as interjeições expressam sentido de:
tivas, que exprimem ruídos e vozes. Ex.: Pum! Miau! Bum-
- Advertência: Cuidado!, Devagar!, Calma!, Sentido!, Aten-
ba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique-taque! Quá-quá-quá!,
ção!, Olha!, Alerta!
etc.
- Afugentamento: Fora!, Passa!, Rua!, Xô!
- Não se deve confundir a interjeição de apelo “ó” com
- Alegria ou Satisfação: Oh!, Ah!,Eh!, Oba!, Viva!
a sua homônima “oh!”, que exprime admiração, alegria,
- Alívio: Arre!, Uf!, Ufa! Ah!
tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois do” oh!” exclamativo
- Animação ou Estímulo: Vamos!, Força!, Coragem!, Eia!,
e não a fazemos depois do “ó” vocativo.
Ânimo!, Adiante!, Firme!, Toca!
- Aplauso ou Aprovação: Bravo!, Bis!, Apoiado!, Viva!, Boa! “Ó natureza! ó mãe piedosa e pura!” (Olavo Bilac)
- Concordância: Claro!, Sim!, Pois não!, Tá!, Hã-hã! Oh! a jornada negra!” (Olavo Bilac)
- Repulsa ou Desaprovação: Credo!, Irra!, Ih!, Livra!, Safa!,
Fora!, Abaixo!, Francamente!, Xi!, Chega!, Basta!, Ora! - Na linguagem afetiva, certas interjeições, originadas
- Desejo ou Intenção: Oh!, Pudera!, Tomara!, Oxalá! de palavras de outras classes, podem aparecer flexionadas
- Desculpa: Perdão! no diminutivo ou no superlativo: Calminha! Adeusinho!
- Dor ou Tristeza: Ai!, Ui!, Ai de mim!, Que pena!, Ah!, Oh!, Eh! Obrigadinho!
- Dúvida ou Incredulidade: Qual!, Qual o quê!, Hum!, Epa!, Ora!
- Espanto ou Admiração: Oh!, Ah!, Uai!, Puxa!, Céus!, Interjeições, leitura e produção de textos
Quê!, Caramba!, Opa!, Virgem!, Vixe!, Nossa!, Hem?!, Hein?,
Cruz!, Putz! Usadas com muita frequência na língua falada informal,
- Impaciência ou Contrariedade: Hum!, Hem!, Irra!, Raios!, quando empregadas na língua escrita, as interjeições cos-
Diabo!, Puxa!, Pô!, Ora! tumam conferir-lhe certo tom inconfundível de coloquiali-
- Pedido de Auxílio: Socorro!, Aqui!, Piedade! dade. Além disso, elas podem muitas vezes indicar traços
- Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!, Viva!, Adeus!, pessoais do falante - como a escassez de vocabulário, o
Olá!, Alô!, Ei!, Tchau!, Ô, Ó, Psiu!, Socorro!, Valha-me, Deus! temperamento agressivo ou dócil, até mesmo a origem
- Silêncio: Psiu!, Bico!, Silêncio! geográfica. É nos textos narrativos - particularmente nos
- Terror ou Medo: Credo!, Cruzes!, Uh!, Ui!, Oh! diálogos - que comumente se faz uso das interjeições com
o objetivo de caracterizar personagens e, também, graças à
Saiba que: As interjeições são palavras invariáveis, isto é, sua natureza sintética, agilizar as falas. Natureza sintética e
não sofrem variação em gênero, número e grau como os no- conteúdo mais emocional do que racional fazem das inter-
mes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto e voz jeições presença constante nos textos publicitários.
como os verbos. No entanto, em uso específico, algumas in-
terjeições sofrem variação em grau. Deve-se ter claro, neste Fonte:
caso, que não se trata de um processo natural dessa classe http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf89.
de palavra, mas tão só uma variação que a linguagem afetiva php
permite. Exemplos: oizinho, bravíssimo, até loguinho.

10
LÍNGUA PORTUGUESA

Numeral Os numerais ordinais variam em gênero e número:

Numeral é a palavra que indica os seres em termos primeiro segundo milésimo


numéricos, isto é, que atribui quantidade aos seres ou os primeira segunda milésima
situa em determinada sequência. primeiros segundos milésimos
Os quatro últimos ingressos foram vendidos há pouco. primeiras segundas milésimas
[quatro: numeral = atributo numérico de “ingresso”]
Os numerais multiplicativos são invariáveis quando
Eu quero café duplo, e você? atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do esforço
...[duplo: numeral = atributo numérico de “café”] e conseguiram o triplo de produção.
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais
A primeira pessoa da fila pode entrar, por favor! flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses tri-
...[primeira: numeral = situa o ser “pessoa” na sequên- plas do medicamento.
cia de “fila”] Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e
número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/
Note bem: os numerais traduzem, em palavras, o que duas terças partes
os números indicam em relação aos seres. Assim, quando Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma
a expressão é colocada em números (1, 1°, 1/3, etc.) não se dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
trata de numerais, mas sim de algarismos. É comum na linguagem coloquial a indicação de grau
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem a nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização de
ideia expressa pelos números, existem mais algumas pala- sentido. É o que ocorre em frases como:
vras consideradas numerais porque denotam quantidade, “Me empresta duzentinho...”
proporção ou ordenação. São alguns exemplos: década, É artigo de primeiríssima qualidade!
dúzia, par, ambos(as), novena. O time está arriscado por ter caído na segundona. (=
segunda divisão de futebol)
Classificação dos Numerais
Emprego dos Numerais
Cardinais: indicam contagem, medida. É o número bá-
sico: um, dois, cem mil, etc. *Para designar papas, reis, imperadores, séculos e par-
Ordinais: indicam a ordem ou lugar do ser numa série tes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até
dada: primeiro, segundo, centésimo, etc. décimo e a partir daí os cardinais, desde que o numeral
Fracionários: indicam parte de um inteiro, ou seja, a venha depois do substantivo:
divisão dos seres: meio, terço, dois quintos, etc.
Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação dos Ordinais Cardinais
seres, indicando quantas vezes a quantidade foi aumenta- João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
da: dobro, triplo, quíntuplo, etc. D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Leitura dos Numerais Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)
Separando os números em centenas, de trás para fren-
te, obtêm-se conjuntos numéricos, em forma de centenas *Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o or-
e, no início, também de dezenas ou unidades. Entre esses dinal até nono e o cardinal de dez em diante:
conjuntos usa-se vírgula; as unidades ligam-se pela con- Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
junção “e”. Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)
1.203.726 = um milhão, duzentos e três mil, setecentos
e vinte e seis. *Ambos/ambas são considerados numerais. Significam
45.520 = quarenta e cinco mil, quinhentos e vinte. “um e outro”, “os dois” (ou “uma e outra”, “as duas”) e são
largamente empregados para retomar pares de seres aos
Flexão dos numerais quais já se fez referência.
Pedro e João parecem ter finalmente percebido a impor-
Os numerais cardinais que variam em gênero são um/ tância da solidariedade. Ambos agora participam das ativi-
uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/du- dades comunitárias de seu bairro.
zentas em diante: trezentos/trezentas; quatrocentos/quatro- Obs.: a forma “ambos os dois” é considerada enfática.
centas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão, variam Atualmente, seu uso indica afetação, artificialismo.
em número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais cardinais
são invariáveis.

11
LÍNGUA PORTUGUESA

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


um primeiro - -
dois segundo dobro, duplo meio
três terceiro triplo, tríplice terço
quatro quarto quádruplo quarto
cinco quinto quíntuplo quinto
seis sexto sêxtuplo sexto
sete sétimo sétuplo sétimo
oito oitavo óctuplo oitavo
nove nono nônuplo nono
dez décimo décuplo décimo
onze décimo primeiro - onze avos
doze décimo segundo - doze avos
treze décimo terceiro - treze avos
catorze décimo quarto - catorze avos
quinze décimo quinto - quinze avos
dezesseis décimo sexto - dezesseis avos
dezessete décimo sétimo - dezessete avos
dezoito décimo oitavo - dezoito avos
dezenove décimo nono - dezenove avos
vinte vigésimo - vinte avos
trinta trigésimo - trinta avos
quarenta quadragésimo - quarenta avos
cinqüenta quinquagésimo - cinquenta avos
sessenta sexagésimo - sessenta avos
setenta septuagésimo - setenta avos
oitenta octogésimo - oitenta avos
noventa nonagésimo - noventa avos
cem centésimo cêntuplo centésimo
duzentos ducentésimo - ducentésimo
trezentos trecentésimo - trecentésimo
quatrocentos quadringentésimo - quadringentésimo
quinhentos quingentésimo - quingentésimo
seiscentos sexcentésimo - sexcentésimo
setecentos septingentésimo - septingentésimo
oitocentos octingentésimo - octingentésimo
novecentos nongentésimo ou noningentésimo - nongentésimo
mil milésimo - milésimo
milhão milionésimo - milionésimo
bilhão bilionésimo - bilionésimo

Preposição

Preposição é uma palavra invariável que serve para ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, normal-
mente há uma subordinação do segundo termo em relação ao primeiro. As preposições são muito importantes na estrutura
da língua, pois estabelecem a coesão textual e possuem valores semânticos indispensáveis para a compreensão do texto.

Tipos de Preposição

1. Preposições essenciais: palavras que atuam exclusivamente como preposições: a, ante, perante, após, até, com, con-
tra, de, desde, em, entre, para, por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para com.
2. Preposições acidentais: palavras de outras classes gramaticais que podem atuar como preposições: como, durante,
exceto, fora, mediante, salvo, segundo, senão, visto.
3. Locuções prepositivas: duas ou mais palavras valendo como uma preposição, sendo que a última palavra é uma
delas: abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor
de, graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por cima de, por trás de.

A preposição, como já foi dito, é invariável. No entanto pode unir-se a outras palavras e assim estabelecer concordância
em gênero ou em número. Ex: por + o = pelo por + a = pela.

12
LÍNGUA PORTUGUESA

Vale ressaltar que essa concordância não é caracterís- Dicas sobre preposição
tica da preposição, mas das palavras às quais ela se une.
Esse processo de junção de uma preposição com outra 1. O “a” pode funcionar como preposição, pronome pes-
palavra pode se dar a partir de dois processos: soal oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o “a” seja
um artigo, virá precedendo um substantivo. Ele servirá para
1. Combinação: A preposição não sofre alteração. determiná-lo como um substantivo singular e feminino.
preposição a + artigos definidos o, os A dona da casa não quis nos atender.
a + o = ao Como posso fazer a Joana concordar comigo?
preposição a + advérbio onde
a + onde = aonde - Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois
2. Contração: Quando a preposição sofre alteração. termos e estabelece relação de subordinação entre eles.
Cheguei a sua casa ontem pela manhã.
Preposição + Artigos Não queria, mas vou ter que ir à outra cidade para procu-
De + o(s) = do(s) rar um tratamento adequado.
De + a(s) = da(s)
De + um = dum - Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o
De + uns = duns lugar e/ou a função de um substantivo.
De + uma = duma Temos Maria como parte da família. / Nós a temos como
De + umas = dumas parte da família
Em + o(s) = no(s) Creio que conhecemos nossa mãe melhor que ninguém. /
Em + a(s) = na(s) Creio que a conhecemos melhor que ninguém.
Em + um = num
Em + uma = numa 2. Algumas relações semânticas estabelecidas por meio
Em + uns = nuns das preposições:
Destino = Irei para casa.
Em + umas = numas
Modo = Chegou em casa aos gritos.
A + à(s) = à(s)
Lugar = Vou ficar em casa;
Por + o = pelo(s)
Assunto = Escrevi um artigo sobre adolescência.
Por + a = pela(s)
Tempo = A prova vai começar em dois minutos.
Causa = Ela faleceu de derrame cerebral.
Preposição + Pronomes
Fim ou finalidade = Vou ao médico para começar o tra-
De + ele(s) = dele(s)
tamento.
De + ela(s) = dela(s) Instrumento = Escreveu a lápis.
De + este(s) = deste(s) Posse = Não posso doar as roupas da mamãe.
De + esta(s) = desta(s) Autoria = Esse livro de Machado de Assis é muito bom.
De + esse(s) = desse(s) Companhia = Estarei com ele amanhã.
De + essa(s) = dessa(s) Matéria = Farei um cartão de papel reciclado.
De + aquele(s) = daquele(s) Meio = Nós vamos fazer um passeio de barco.
De + aquela(s) = daquela(s) Origem = Nós somos do Nordeste, e você?
De + isto = disto Conteúdo = Quebrei dois frascos de perfume.
De + isso = disso Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
De + aquilo = daquilo Preço = Essa roupa sai por R$ 50 à vista.
De + aqui = daqui
De + aí = daí Fonte:
De + ali = dali http://www.infoescola.com/portugues/preposicao/
De + outro = doutro(s)
De + outra = doutra(s) Pronome
Em + este(s) = neste(s)
Em + esta(s) = nesta(s) Pronome é a palavra que se usa em lugar do nome, ou
Em + esse(s) = nesse(s) a ele se refere, ou que acompanha o nome, qualificando-o
Em + aquele(s) = naquele(s) de alguma forma.
Em + aquela(s) = naquela(s)
Em + isto = nisto A moça era mesmo bonita. Ela morava nos meus sonhos!
Em + isso = nisso [substituição do nome]
Em + aquilo = naquilo
A + aquele(s) = àquele(s) A moça que morava nos meus sonhos era mesmo bonita!
A + aquela(s) = àquela(s) [referência ao nome]
A + aquilo = àquilo
Essa moça morava nos meus sonhos!
[qualificação do nome]

13
LÍNGUA PORTUGUESA

Grande parte dos pronomes não possuem significados - 1ª pessoa do singular: eu


fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação dentro de - 2ª pessoa do singular: tu
um contexto, o qual nos permite recuperar a referência exata - 3ª pessoa do singular: ele, ela
daquilo que está sendo colocado por meio dos pronomes no - 1ª pessoa do plural: nós
ato da comunicação. Com exceção dos pronomes interroga- - 2ª pessoa do plural: vós
tivos e indefinidos, os demais pronomes têm por função prin- - 3ª pessoa do plural: eles, elas
cipal apontar para as pessoas do discurso ou a elas se relacio-
nar, indicando-lhes sua situação no tempo ou no espaço. Em Atenção: esses pronomes não costumam ser usados
virtude dessa característica, os pronomes apresentam uma como complementos verbais na língua-padrão. Frases
forma específica para cada pessoa do discurso. como “Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram
eu até aqui”, comuns na língua oral cotidiana, devem ser
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. evitadas na língua formal escrita ou falada. Na língua for-
[minha/eu: pronomes de 1ª pessoa = aquele que fala] mal, devem ser usados os pronomes oblíquos correspon-
dentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”, “Trouxeram-
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada? me até aqui”.
[tua/tu: pronomes de 2ª pessoa = aquele a quem se fala]
Obs.: frequentemente observamos a omissão do pro-
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada. nome reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as pró-
[dela/ela: pronomes de 3ª pessoa = aquele de quem se fala] prias formas verbais marcam, através de suas desinências,
as pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos
Em termos morfológicos, os pronomes são palavras va- boa viagem. (Nós)
riáveis em gênero (masculino ou feminino) e em número (sin-
gular ou plural). Assim, espera-se que a referência através do Pronome Oblíquo
pronome seja coerente em termos de gênero e número (fe-
nômeno da concordância) com o seu objeto, mesmo quando Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na
este se apresenta ausente no enunciado. sentença, exerce a função de complemento verbal (objeto
direto ou indireto) ou complemento nominal.
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da nossa Ofertaram-nos flores. (objeto indireto)
escola neste ano.
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância Obs.: em verdade, o pronome oblíquo é uma forma
adequada] variante do pronome pessoal do caso reto. Essa variação
[neste: pronome que determina “ano” = concordância indica a função diversa que eles desempenham na oração:
adequada] pronome reto marca o sujeito da oração; pronome oblíquo
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = concor- marca o complemento da oração.
dância inadequada] Os pronomes oblíquos sofrem variação de acordo com
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, a acentuação tônica que possuem, podendo ser átonos ou
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. tônicos.

Pronomes Pessoais Pronome Oblíquo Átono

São aqueles que substituem os substantivos, indicando São chamados átonos os pronomes oblíquos que não
diretamente as pessoas do discurso. Quem fala ou escreve as- são precedidos de preposição. Possuem acentuação tônica
sume os pronomes “eu” ou “nós”, usa os pronomes “tu”, “vós”, fraca: Ele me deu um presente.
“você” ou “vocês” para designar a quem se dirige e “ele”, “ela”, O quadro dos pronomes oblíquos átonos é assim con-
“eles” ou “elas” para fazer referência à pessoa ou às pessoas figurado:
de quem fala. - 1ª pessoa do singular (eu): me
Os pronomes pessoais variam de acordo com as funções - 2ª pessoa do singular (tu): te
que exercem nas orações, podendo ser do caso reto ou do - 3ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
caso oblíquo. - 1ª pessoa do plural (nós): nos
- 2ª pessoa do plural (vós): vos
Pronome Reto - 3ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes

Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sentença, Observações:


exerce a função de sujeito ou predicativo do sujeito. O “lhe” é o único pronome oblíquo átono que já se
Nós lhe ofertamos flores. apresenta na forma contraída, ou seja, houve a união en-
tre o pronome “o” ou “a” e preposição “a” ou “para”. Por
Os pronomes retos apresentam flexão de número, gêne- acompanhar diretamente uma preposição, o pronome
ro (apenas na 3ª pessoa) e pessoa, sendo essa última a prin- “lhe” exerce sempre a função de objeto indireto na oração.
cipal flexão, uma vez que marca a pessoa do discurso. Dessa Os pronomes me, te, nos e vos podem tanto ser objetos
forma, o quadro dos pronomes retos é assim configurado: diretos como objetos indiretos.

14
LÍNGUA PORTUGUESA

Os pronomes o, a, os e as atuam exclusivamente como Atenção: Há construções em que a preposição, apesar


objetos diretos. de surgir anteposta a um pronome, serve para introduzir
Os pronomes me, te, lhe, nos, vos e lhes podem com- uma oração cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, o
binar-se com os pronomes o, os, a, as, dando origem a for- verbo pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um pro-
mas como mo, mos , ma, mas; to, tos, ta, tas; lho, lhos, lha, nome, deverá ser do caso reto.
lhas; no-lo, no-los, no-la, no-las, vo-lo, vo-los, vo-la, vo-las. Trouxeram vários vestidos para eu experimentar.
Observe o uso dessas formas nos exemplos que seguem: Não vá sem eu mandar.
- Trouxeste o pacote?
- Sim, entreguei-to ainda há pouco. - A combinação da preposição “com” e alguns prono-
- Não contaram a novidade a vocês? mes originou as formas especiais comigo, contigo, consigo,
- Não, no-la contaram. conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos tônicos fre-
quentemente exercem a função de adjunto adverbial de
No português do Brasil, essas combinações não são
companhia.
usadas; até mesmo na língua literária atual, seu emprego
Ele carregava o documento consigo.
é muito raro.
- As formas “conosco” e “convosco” são substituídas
Atenção: Os pronomes o, os, a, as assumem formas
especiais depois de certas terminações verbais. Quando o por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais
verbo termina em -z, -s ou -r, o pronome assume a forma são reforçados por palavras como outros, mesmos, próprios,
lo, los, la ou las, ao mesmo tempo que a terminação verbal todos, ambos ou algum numeral.
é suprimida. Por exemplo: Você terá de viajar com nós todos.
fiz + o = fi-lo Estávamos com vós outros quando chegaram as más
fazeis + o = fazei-lo notícias.
dizer + a = dizê-la Ele disse que iria com nós três.

Quando o verbo termina em som nasal, o pronome as- Pronome Reflexivo


sume as formas no, nos, na, nas. Por exemplo:
viram + o: viram-no São pronomes pessoais oblíquos que, embora funcio-
repõe + os = repõe-nos nem como objetos direto ou indireto, referem-se ao sujeito
retém + a: retém-na da oração. Indicam que o sujeito pratica e recebe a ação
tem + as = tem-nas expressa pelo verbo.
O quadro dos pronomes reflexivos é assim configura-
Pronome Oblíquo Tônico do:
- 1ª pessoa do singular (eu): me, mim.
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre precedidos Eu não me vanglorio disso.
por preposições, em geral as preposições a, para, de e com. Olhei para mim no espelho e não gostei do que vi.
Por esse motivo, os pronomes tônicos exercem a função
de objeto indireto da oração. Possuem acentuação tônica - 2ª pessoa do singular (tu): te, ti.
forte. Assim tu te prejudicas.
O quadro dos pronomes oblíquos tônicos é assim con- Conhece a ti mesmo.
figurado:
- 1ª pessoa do singular (eu): mim, comigo
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo.
- 2ª pessoa do singular (tu): ti, contigo
Guilherme já se preparou.
- 3ª pessoa do singular (ele, ela): ele, ela
Ela deu a si um presente.
- 1ª pessoa do plural (nós): nós, conosco
- 2ª pessoa do plural (vós): vós, convosco Antônio conversou consigo mesmo.
- 3ª pessoa do plural (eles, elas): eles, elas
- 1ª pessoa do plural (nós): nos.
Observe que as únicas formas próprias do pronome tô- Lavamo-nos no rio.
nico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa (ti). As
demais repetem a forma do pronome pessoal do caso reto. - 2ª pessoa do plural (vós): vos.
- As preposições essenciais introduzem sempre prono- Vós vos beneficiastes com a esta conquista.
mes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome do caso
reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o uso da - 3ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo.
língua formal, os pronomes costumam ser usados desta Eles se conheceram.
forma: Elas deram a si um dia de folga.
Não há mais nada entre mim e ti.
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela.
Não há nenhuma acusação contra mim.
Não vá sem mim.

15
LÍNGUA PORTUGUESA

A Segunda Pessoa Indireta

A chamada segunda pessoa indireta manifesta-se quando utilizamos pronomes que, apesar de indicarem nosso inter-
locutor (portanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na terceira pessoa. É o caso dos chamados pronomes de tratamento,
que podem ser observados no quadro seguinte:

Pronomes de Tratamento

Vossa Alteza V. A. príncipes, duques


Vossa Eminência V. Ema.(s) cardeais
Vossa Reverendíssima V. Revma.(s) sacerdotes e bispos
Vossa Excelência V. Ex.ª (s) altas autoridades e oficiais-generais
Vossa Magnificência V. Mag.ª (s) reitores de universidades
Vossa Majestade V. M. reis e rainhas
Vossa Majestade Imperial V. M. I. Imperadores
Vossa Santidade V. S. Papa
Vossa Senhoria V. S.ª (s) tratamento cerimonioso
Vossa Onipotência V. O. Deus

Também são pronomes de tratamento o senhor, a senhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” são empregados no
tratamento cerimonioso; “você” e “vocês”, no tratamento familiar. Você e vocês são largamente empregados no português
do Brasil; em algumas regiões, a forma tu é de uso frequente; em outras, pouco empregada. Já a forma vós tem uso restrito
à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária.

Observações:
a) Vossa Excelência X Sua Excelência : os pronomes de tratamento que possuem “Vossa (s)” são empregados em relação
à pessoa com quem falamos: Espero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este encontro.

*Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito da pessoa.
Todos os membros da C.P.I. afirmaram que Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, agiu com propriedade.

- Os pronomes de tratamento representam uma forma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlocutores. Ao tratar-
mos um deputado por Vossa Excelência, por exemplo, estamos nos endereçando à excelência que esse deputado suposta-
mente tem para poder ocupar o cargo que ocupa.

- 3ª pessoa: embora os pronomes de tratamento dirijam-se à 2ª pessoa, toda a concordância deve ser feita com a 3ª pes-
soa. Assim, os verbos, os pronomes possessivos e os pronomes oblíquos empregados em relação a eles devem ficar na 3ª pessoa.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das suas promessas, para que seus eleitores lhe fiquem reconhecidos.

- Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, ao longo do
texto, a pessoa do tratamento escolhida inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos a chamar alguém de “você”, não
poderemos usar “te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na terceira pessoa.
Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (errado)
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos seus cabelos. (correto)
Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos teus cabelos. (correto)

Pronomes Possessivos

São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical (possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo (coisa
possuída).
Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1ª pessoa do singular)

NÚMERO PESSOA PRONOME


singular primeira meu(s), minha(s)
singular segunda teu(s), tua(s)
singular terceira seu(s), sua(s)
plural primeira nosso(s), nossa(s)
plural segunda vosso(s), vossa(s)
plural terceira seu(s), sua(s)

16
LÍNGUA PORTUGUESA

Note que: A forma do possessivo depende da pessoa No tempo:


gramatical a que se refere; o gênero e o número concor- Este ano está sendo bom para nós. O pronome este se
dam com o objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua con- refere ao ano presente.
tribuição naquele momento difícil. Esse ano que passou foi razoável. O pronome esse se
refere a um passado próximo.
Observações: Aquele ano foi terrível para todos. O pronome aquele
1 - A forma “seu” não é um possessivo quando resul- está se referindo a um passado distante.
tar da alteração fonética da palavra senhor: Muito obrigado,
seu José. - Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou
invariáveis, observe:
2 - Os pronomes possessivos nem sempre indicam Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), aque-
posse. Podem ter outros empregos, como: la(s).
a) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha. Invariáveis: isto, isso, aquilo.
b) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40
anos. - Também aparecem como pronomes demonstrativos:
c) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem - o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e
lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela. puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), aquilo.
Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
3- Em frases onde se usam pronomes de tratamento, Essa rua não é a que te indiquei. (Esta rua não é aquela
o pronome possessivo fica na 3ª pessoa: Vossa Excelência que te indiquei.)
trouxe sua mensagem?
- mesmo(s), mesma(s): Estas são as mesmas pessoas
4- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi- que o procuraram ontem.
vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus livros e
anotações. - próprio(s), própria(s): Os próprios alunos resolveram
o problema.
5- Em algumas construções, os pronomes pessoais
oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou seguir- - semelhante(s): Não compre semelhante livro.
lhe os passos. (= Vou seguir seus passos.)
- tal, tais: Tal era a solução para o problema.
Pronomes Demonstrativos
Note que:
Os pronomes demonstrativos são utilizados para ex-
plicitar a posição de uma certa palavra em relação a outras - Não raro os demonstrativos aparecem na frase, em
ou ao contexto. Essa relação pode ocorrer em termos de construções redundantes, com finalidade expressiva, para
espaço, no tempo ou discurso. salientar algum termo anterior. Por exemplo: Manuela, essa
No espaço: é que dera em cheio casando com o José Afonso. Desfrutar
Compro este carro (aqui). O pronome este indica que o das belezas brasileiras, isso é que é sorte!
carro está perto da pessoa que fala. - O pronome demonstrativo neutro ou pode represen-
Compro esse carro (aí). O pronome esse indica que o tar um termo ou o conteúdo de uma oração inteira, caso
carro está perto da pessoa com quem falo, ou afastado da em que aparece, geralmente, como objeto direto, predi-
pessoa que fala. cativo ou aposto: O casamento seria um desastre. Todos o
Compro aquele carro (lá). O pronome aquele diz que pressentiam.
o carro está afastado da pessoa que fala e daquela com - Para evitar a repetição de um verbo anteriormente
quem falo. expresso, é comum empregar-se, em tais casos, o verbo
fazer, chamado, então, verbo vicário (= que substitui, que
Atenção: em situações de fala direta (tanto ao vivo faz as vezes de): Ninguém teve coragem de falar antes que
quanto por meio de correspondência, que é uma moda- ela o fizesse.
lidade escrita de fala), são particularmente importantes o - Em frases como a seguinte, este se refere à pessoa
este e o esse - o primeiro localiza os seres em relação ao mencionada em último lugar; aquele, à mencionada em
emissor; o segundo, em relação ao destinatário. Trocá-los primeiro lugar: O referido deputado e o Dr. Alcides eram
pode causar ambiguidade. amigos íntimos; aquele casado, solteiro este. [ou então: este
Dirijo-me a essa universidade com o objetivo de solicitar solteiro, aquele casado]
informações sobre o concurso vestibular. (trata-se da univer- - O pronome demonstrativo tal pode ter conotação
sidade destinatária). irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
Reafirmamos a disposição desta universidade em parti- - Pode ocorrer a contração das preposições a, de, em
cipar no próximo Encontro de Jovens. (trata-se da universi- com pronome demonstrativo: àquele, àquela, deste, desta,
dade que envia a mensagem). disso, nisso, no, etc: Não acreditei no que estava vendo. (no
= naquilo)

17
LÍNGUA PORTUGUESA

Pronomes Indefinidos Indefinidos Sistemáticos

São palavras que se referem à terceira pessoa do dis- Ao observar atentamente os pronomes indefinidos,
curso, dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando percebemos que existem alguns grupos que criam oposi-
quantidade indeterminada. ção de sentido. É o caso de: algum/alguém/algo, que têm
Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém sentido afirmativo, e nenhum/ninguém/nada, que têm
-plantadas. sentido negativo; todo/tudo, que indicam uma totalidade
afirmativa, e nenhum/nada, que indicam uma totalidade
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa negativa; alguém/ninguém, que se referem à pessoa, e
de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma algo/nada, que se referem à coisa; certo, que particulariza,
imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser hu- e qualquer, que generaliza.
mano que seguramente existe, mas cuja identidade é des- Essas oposições de sentido são muito importantes na
conhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em: construção de frases e textos coerentes, pois delas muitas
vezes dependem a solidez e a consistência dos argumen-
- Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o lu- tos expostos. Observe nas frases seguintes a força que os
gar do ser ou da quantidade aproximada de seres na frase. pronomes indefinidos destacados imprimem às afirmações
São eles: algo, alguém, fulano, sicrano, beltrano, nada, nin- de que fazem parte:
guém, outrem, quem, tudo. Nada do que tem sido feito produziu qualquer resultado
Algo o incomoda? prático.
Quem avisa amigo é. Certas pessoas conseguem perceber sutilezas: não são
pessoas quaisquer.
- Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um ser
expresso na frase, conferindo-lhe a noção de quantidade Pronomes Relativos
aproximada. São eles: cada, certo(s), certa(s).
São aqueles que representam nomes já mencionados
Cada povo tem seus costumes.
anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem
Certas pessoas exercem várias profissões.
as orações subordinadas adjetivas.
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de
Note que: Ora são pronomes indefinidos substantivos,
um grupo racial sobre outros.
ora pronomes indefinidos adjetivos:
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre ou-
algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito, muitos),
tros = oração subordinada adjetiva).
demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum, nenhuns,
O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema”
nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s), qualquer,
e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra
quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, tais, tanto(s), “sistema” é antecedente do pronome relativo que.
tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), vários, várias. O antecedente do pronome relativo pode ser o prono-
Menos palavras e mais ações. me demonstrativo o, a, os, as.
Alguns se contentam pouco. Não sei o que você está querendo dizer.
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem
Os pronomes indefinidos podem ser divididos em va- expresso.
riáveis e invariáveis. Observe: Quem casa, quer casa.
Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, vário,
tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, muita, pouca, Observe:
vária, tanta, outra, quanta, qualquer, quaisquer, alguns, ne- Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os
nhuns, todos, muitos, poucos, vários, tantos, outros, quantos, quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas,
algumas, nenhumas, todas, muitas, poucas, várias, tantas, quantas.
outras, quantas. Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde.
Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada,
algo, cada. Note que:
- O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego,
São locuções pronominais indefinidas: cada qual, sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser subs-
cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer (que), tituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando seu
seja quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal qual (= antecedente for um substantivo.
certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma ou outra, etc. O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
Cada um escolheu o vinho desejado. A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (= a
qual)
Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os
quais)
As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (= as
quais)

18
LÍNGUA PORTUGUESA

- O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente Pronomes Interrogativos


pronomes relativos: por isso, são utilizados didaticamente
para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde” (que São usados na formulação de perguntas, sejam elas diretas
podem ter várias classificações) são pronomes relativos. To- ou indiretas. Assim como os pronomes indefinidos, referem-se
dos eles são usados com referência à pessoa ou coisa por à 3ª pessoa do discurso de modo impreciso. São pronomes in-
motivo de clareza ou depois de determinadas preposições: terrogativos: que, quem, qual (e variações), quanto (e variações).
Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, o qual Quem fez o almoço?/ Diga-me quem fez o almoço.
me deixou encantado. (O uso de “que”, neste caso, geraria Qual das bonecas preferes? / Não sei qual das bonecas
ambiguidade.) preferes.
Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas Quantos passageiros desembarcaram? / Pergunte quantos
dúvidas? (Não se poderia usar “que” depois de sobre.) passageiros desembarcaram.
- O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que, e Sobre os pronomes
se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas deixou
de ser poeta, que era a sua vocação natural. O pronome pessoal é do caso reto quando tem função de
sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso oblíquo quan-
- O pronome “cujo” não concorda com o seu antece- do desempenha função de complemento. Vamos entender,
dente, mas com o consequente. Equivale a do qual, da qual, primeiramente, como o pronome pessoal surge na frase e que
dos quais, das quais. função exerce. Observe as orações:
Este é o caderno cujas folhas estão rasgadas. 1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar.
(antecedente) (consequente) 2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia lhe
ajudar.
- “Quanto” é pronome relativo quando tem por antece-
dente um pronome indefinido: tanto (ou variações) e tudo: Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele”
Emprestei tantos quantos foram necessários. exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao caso
reto. Já na segunda oração, observamos o pronome “lhe”
(antecedente)
exercendo função de complemento, e, consequentemente, é
Ele fez tudo quanto havia falado.
do caso oblíquo.
(antecedente)
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso, o
pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta para a se-
- O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre
gunda pessoa do singular (tu/você): Maria não sabia se devia
precedido de preposição.
ajudar.... Ajudar quem? Você (lhe).
É um professor a quem muito devemos.
(preposição) Importante: Em observação à segunda oração, o em-
prego do pronome oblíquo “lhe” é justificado antes do verbo
- “Onde”, como pronome relativo, sempre possui an- intransitivo “ajudar” porque o pronome oblíquo pode estar
tecedente e só pode ser utilizado na indicação de lugar: A antes, depois ou entre locução verbal, caso o verbo principal
casa onde morava foi assaltada. (no caso “ajudar”) esteja no infinitivo ou gerúndio.
Eu desejo lhe perguntar algo.
- Na indicação de tempo, deve-se empregar quando Eu estou perguntando-lhe algo.
ou em que.
Sinto saudades da época em que (quando) morávamos Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou
no exterior. tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição, di-
ferentemente dos segundos que são sempre precedidos de
- Podem ser utilizadas como pronomes relativos as pa- preposição.
lavras: - Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o que eu
- como (= pelo qual): Não me parece correto o modo estava fazendo.
como você agiu semana passada. - Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para mim o
- quando (= em que): Bons eram os tempos quando po- que eu estava fazendo.
díamos jogar videogame.
Colocação Pronominal
- Os pronomes relativos permitem reunir duas orações
numa só frase. A colocação pronominal é a posição que os pronomes
O futebol é um esporte. pessoais oblíquos átonos ocupam na frase em relação ao ver-
O povo gosta muito deste esporte. bo a que se referem. São pronomes oblíquos átonos: me, te,
O futebol é um esporte de que o povo gosta muito. se, o, os, a, as, lhe, lhes, nos e vos.
O pronome oblíquo átono pode assumir três posições na
- Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode oração em relação ao verbo:
ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de 1. próclise: pronome antes do verbo
gente que conversava, (que) ria, (que) fumava. 2. ênclise: pronome depois do verbo
3. mesóclise: pronome no meio do verbo

19
LÍNGUA PORTUGUESA

Próclise Mesóclise

A próclise é aplicada antes do verbo quando temos: A mesóclise acontece quando o verbo está flexionado
- Palavras com sentido negativo: no futuro do presente ou no futuro do pretérito:
Nada me faz querer sair dessa cama. A prova realizar-se-á neste domingo pela manhã. (= ela
Não se trata de nenhuma novidade. se realizará)
Far-lhe-ei uma proposta irrecusável. (= eu farei uma
- Advérbios: proposta a você)
Nesta casa se fala alemão.
Naquele dia me falaram que a professora não veio. Questões sobre Pronome

- Pronomes relativos: 01. (ESCREVENTE TJ SP – VUNESP/2012).


A aluna que me mostrou a tarefa não veio hoje. Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro, não
Não vou deixar de estudar os conteúdos que me falaram. está claro até onde pode realmente chegar uma política ba-
- Pronomes indefinidos: seada em melhorar a eficiência sem preços adequados para
Quem me disse isso? o carbono, a água e (na maioria dos países pobres) a terra.
Todos se comoveram durante o discurso de despedida. É verdade que mesmo que a ameaça dos preços do carbono
e da água faça em si diferença, as companhias não podem
- Pronomes demonstrativos: suportar ter de pagar, de repente, digamos, 40 dólares por
Isso me deixa muito feliz! tonelada de carbono, sem qualquer preparação. Portanto,
Aquilo me incentivou a mudar de atitude! elas começam a usar preços-sombra. Ainda assim, ninguém
encontrou até agora uma maneira de quantificar adequada-
- Preposição seguida de gerúndio: mente os insumos básicos. E sem eles a maioria das políticas
Em se tratando de qualidade, o Brasil Escola é o site mais de crescimento verde sempre será a segunda opção.
indicado à pesquisa escolar. (Carta Capital, 27.06.2012. Adaptado)

- Conjunção subordinativa: Os pronomes “elas” e “eles”, em destaque no texto, re-


Vamos estabelecer critérios, conforme lhe avisaram. ferem- -se, respectivamente, a
(A) dúvidas e preços.
Ênclise (B) dúvidas e insumos básicos.
(C) companhias e insumos básicos.
A ênclise é empregada depois do verbo. A norma culta (D) companhias e preços do carbono e da água.
não aceita orações iniciadas com pronomes oblíquos áto- (E) políticas de crescimento e preços adequados.
nos. A ênclise vai acontecer quando:
- O verbo estiver no imperativo afirmativo: 02. (AGENTE DE APOIO ADMINISTRATIVO – FCC –
Amem-se uns aos outros. 2013- adap.). Fazendo-se as alterações necessárias, o tre-
Sigam-me e não terão derrotas. cho grifado está corretamente substituído por um prono-
me em:
- O verbo iniciar a oração: A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-lo
Diga-lhe que está tudo bem. B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-
Chamaram-me para ser sócio. lhes desalentado
C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem
- O verbo estiver no infinitivo impessoal regido da pre- de conhecê-lo?
posição “a”: D) ...não parecia ser um importante industrial... − não
Naquele instante os dois passaram a odiar-se. parecia ser-lhe
Passaram a cumprimentar-se mutuamente. E) incomodaram o general... − incomodaram-no

- O verbo estiver no gerúndio: 03.(AGENTE DE DEFENSORIA PÚBLICA – FCC – 2013-


Não quis saber o que aconteceu, fazendo-se de despreo- adap.). A substituição do elemento grifado pelo pronome
cupada. correspondente, com os necessários ajustes, foi realizada
Despediu-se, beijando-me a face. de modo INCORRETO em:
A) mostrando o rio= mostrando-o.
- Houver vírgula ou pausa antes do verbo: B) como escolher sítio= como escolhê-lo.
Se passar no concurso em outra cidade, mudo-me no C) transpor [...] as matas espessas= transpor-lhes.
mesmo instante. D) Às estreitas veredas[...] nada acrescentariam =
Se não tiver outro jeito, alisto-me nas forças armadas. nada lhes acrescentariam.
E) viu uma dessas marcas= viu uma delas.

20
LÍNGUA PORTUGUESA

04. (PAPILOSCOPISTA POLICIAL – VUNESP – 2013). As- 09. (TRF 3ª REGIÃO- TÉCNICO JUDICIÁRIO - /2014)
sinale a alternativa em que o pronome destacado está po- As sereias então devoravam impiedosamente os tripu-
sicionado de acordo com a norma-padrão da língua. lantes.
(A) Ela não lembrava-se do caminho de volta. ... ele conseguiu impedir a tripulação de perder a ca-
(B) A menina tinha distanciado-se muito da família. beça...
(C) A garota disse que perdeu-se dos pais. ... e fez de tudo para convencer os tripulantes...
(D) O pai alegrou-se ao encontrar a filha.
(E) Ninguém comprometeu-se a ajudar a criança. Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos
grifados acima foram corretamente substituídos por um
05. (ESCREVENTE TJ SP – VUNESP 2011). Assinale a pronome, na ordem dada, em:
alternativa cujo emprego do pronome está em conformi- (A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los
dade com a norma padrão da língua. (B) devoravam-lhe − impedi-las − convencer-lhes
(A) Não autorizam-nos a ler os comentários sigilosos. (C) devoravam-no − impedi-las − convencer-lhes
(B) Nos falaram que a diplomacia americana está aba- (D) devoravam-nos − impedir-lhe − convencê-los
lada. (E) devoravam-lhes − impedi-la − convencê-los
(C) Ninguém o informou sobre o caso WikiLeaks.
(D) Conformado, se rendeu às punições. 10. (AGENTE DE VIGILÂNCIA E RECEPÇÃo – VUNESP
(E) Todos querem que combata-se a corrupção. – 2013- adap.). No trecho, – Em ambos os casos, as câmeras
dos estabelecimentos felizmente comprovam os aconteci-
06. (PAPILOSCOPISTA POLICIAL - VUNESP - 2013). As- mentos, e testemunhas vão ajudar a polícia na investiga-
sinale a alternativa correta quanto à colocação pronominal, ção. – de acordo com a norma-padrão, os pronomes que
de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa. substituem, corretamente, os termos em destaque são:
(A) Para que se evite perder objetos, recomenda-se A) os comprovam … ajudá-la.
que eles sejam sempre trazidos junto ao corpo. B) os comprovam …ajudar-la.
(B) O passageiro ao lado jamais imaginou-se na situa- C) os comprovam … ajudar-lhe.
ção de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida. D) lhes comprovam … ajudar-lhe.
(C) Nos sentimos impotentes quando não consegui- E) lhes comprovam … ajudá-la.
mos restituir um objeto à pessoa que o perdeu.
(D) O homem se indignou quando propuseram-lhe GABARITO
que abrisse a bolsa que encontrara.
(E) Em tratando-se de objetos encontrados, há uma 01. C 02. E 03. C 04. D 05. C
tendência natural das pessoas em devolvê-los a seus do- 06. A 07. C 08. E 09. A 10. A
nos.
RESOLUÇÃO
07. (AGENTE DE APOIO OPERACIONAL – VUNESP –
2013). 1-)
Há pessoas que, mesmo sem condições, compram produ- Restam dúvidas sobre o crescimento verde. Primeiro,
tos______ não necessitam e______ tendo de pagar tudo______ não está claro até onde pode realmente chegar uma po-
prazo. lítica baseada em melhorar a eficiência sem preços ade-
Assinale a alternativa que preenche as lacunas, correta quados para o carbono, a água e (na maioria dos países
e respectivamente, considerando a norma culta da língua. pobres) a terra. É verdade que mesmo que a ameaça dos
A) a que … acaba … à preços do carbono e da água faça em si diferença, as com-
B) com que … acabam … à panhias não podem suportar ter de pagar, de repente, di-
C) de que … acabam … a gamos, 40 dólares por tonelada de carbono, sem qualquer
D) em que … acaba … a preparação. Portanto, elas começam a usar preços-som-
E) dos quais … acaba … à bra. Ainda assim, ninguém encontrou até agora uma ma-
neira de quantificar adequadamente os insumos básicos.
08. (AGENTE DE APOIO SOCIOEDUCATIVO – VUNESP E sem eles a maioria das políticas de crescimento verde
– 2013-adap.). Assinale a alternativa que substitui, correta e sempre será a segunda opção.
respectivamente, as lacunas do trecho.
______alguns anos, num programa de televisão, uma jo- 2-)
vem fazia referência______ violência______ o brasileiro estava A) ...sei tratar tipos como o senhor. − sei tratá-los
sujeito de forma cômica. B) ...erguendo os braços desalentado... − erguendo-os
A) Fazem... a ... de que desalentado
B) Faz ...a ... que C) ...que tem de conhecer as leis do país? − que tem de
C) Fazem ...à ... com que conhecê-las ?
D) Faz ...à ... que D) ...não parecia ser um importante industrial... − não
E) Faz ...à ... a que parecia sê-lo

21
LÍNGUA PORTUGUESA

3-) Substantivo
transpor [...] as matas espessas= transpô-las
Tudo o que existe é ser e cada ser tem um nome. Subs-
4-) tantivo é a classe gramatical de palavras variáveis, as quais
(A) Ela não se lembrava do caminho de volta. denominam os seres. Além de objetos, pessoas e fenôme-
(B) A menina tinha se distanciado muito da família. nos, os substantivos também nomeiam:
(C) A garota disse que se perdeu dos pais. -lugares: Alemanha, Porto Alegre...
(E) Ninguém se comprometeu a ajudar a criança -sentimentos: raiva, amor...
-estados: alegria, tristeza...
5-) -qualidades: honestidade, sinceridade...
(A) Não nos autorizam a ler os comentários sigilosos. -ações: corrida, pescaria...
(B) Falaram-nos que a diplomacia americana está aba-
lada.
Morfossintaxe do substantivo
(D) Conformado, rendeu-se às punições.
(E) Todos querem que se combata a corrupção.
Nas orações de língua portuguesa, o substantivo em
geral exerce funções diretamente relacionadas com o ver-
6-)
(B) O passageiro ao lado jamais se imaginou na situa- bo: atua como núcleo do sujeito, dos complementos ver-
ção de ter de procurar a dona de uma bolsa perdida. bais (objeto direto ou indireto) e do agente da passiva. Pode
(C) Sentimo-nos impotentes quando não conseguimos ainda funcionar como núcleo do complemento nominal ou
restituir um objeto à pessoa que o perdeu. do aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do ob-
(D) O homem indignou-se quando lhe propuseram jeto ou como núcleo do vocativo. Também encontramos
que abrisse a bolsa que encontrara. substantivos como núcleos de adjuntos adnominais e de
(E) Em se tratando de objetos encontrados, há uma adjuntos adverbiais - quando essas funções são desempe-
tendência natural das pessoas em devolvê-los a seus do- nhadas por grupos de palavras.
nos.
Classificação dos Substantivos
7-)
Há pessoas que, mesmo sem condições, compram pro- 1- Substantivos Comuns e Próprios
dutos de que não necessitam e acabam tendo de
pagar tudo a prazo. Observe a definição: s.f. 1: Povoação maior que vila,
com muitas casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas
8-) (no Brasil, toda a sede de município é cidade). 2. O centro de
Faz alguns anos, num programa de televisão, uma uma cidade (em oposição aos bairros).
jovem fazia referência à violência a que o brasileiro
estava sujeito de forma cômica. Qualquer “povoação maior que vila, com muitas casas
Faz, no sentido de tempo passado = sempre no sin- e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será chamada
gular cidade. Isso significa que a palavra cidade é um substantivo
comum.
9-) Substantivo Comum é aquele que designa os seres de
devoravam - verbo terminado em “m” = pronome uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino,
oblíquo no/na (fizeram-na, colocaram-no)
homem, mulher, país, cachorro.
impedir - verbo transitivo direto = pede objeto direto;
Estamos voando para Barcelona.
“lhe” é para objeto indireto
convencer - verbo transitivo direto = pede objeto dire-
O substantivo Barcelona designa apenas um ser da es-
to; “lhe” é para objeto indireto
(A) devoravam-nos − impedi-la − convencê-los pécie cidade. Esse substantivo é próprio. Substantivo Pró-
prio: é aquele que designa os seres de uma mesma espécie
10-) de forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil.
– Em ambos os casos, as câmeras dos estabelecimen-
tos felizmente comprovam os acontecimentos, e testemu- 2 - Substantivos Concretos e Abstratos
nhas vão ajudar a polícia na investigação.
felizmente os comprovam ... ajudá-la LÂMPADA MALA
(advérbio)
Os substantivos lâmpada e mala designam seres com
existência própria, que são independentes de outros seres.
São substantivos concretos.

22
LÍNGUA PORTUGUESA

Substantivo Concreto: é aquele que designa o ser que Substantivo coletivo Conjunto de:
existe, independentemente de outros seres.
assembleia pessoas reunidas
Obs.: os substantivos concretos designam seres do alcateia lobos
mundo real e do mundo imaginário. acervo livros
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, antologia trechos literários selecionados
Brasília, etc. arquipélago ilhas
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, fantas- banda músicos
ma, etc. bando desordeiros ou malfeitores
banca examinadores
Observe agora: batalhão soldados
Beleza exposta cardume peixes
Jovens atrizes veteranas destacam-se pelo visual. caravana viajantes peregrinos
cacho frutas
cáfila camelos
O substantivo beleza designa uma qualidade.
cancioneiro canções, poesias líricas
colmeia abelhas
Substantivo Abstrato: é aquele que designa seres que
chusma gente, pessoas
dependem de outros para se manifestar ou existir.
concílio bispos
Pense bem: a beleza não existe por si só, não pode ser congresso parlamentares, cientistas.
observada. Só podemos observar a beleza numa pessoa ou elenco atores de uma peça ou filme
coisa que seja bela. A beleza depende de outro ser para esquadra navios de guerra
se manifestar. Portanto, a palavra beleza é um substantivo enxoval roupas
abstrato. falange soldados, anjos
Os substantivos abstratos designam estados, qualida- fauna animais de uma região
des, ações e sentimentos dos seres, dos quais podem ser feixe lenha, capim
abstraídos, e sem os quais não podem existir: vida (estado), flora vegetais de uma região
rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade (sentimento). frota navios mercantes, ônibus
girândola fogos de artifício
3 - Substantivos Coletivos horda bandidos, invasores
junta médicos, bois, credores, examinadores
Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha, outra júri jurados
abelha, mais outra abelha. legião soldados, anjos, demônios
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas. leva presos, recrutas
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame. malta malfeitores ou desordeiros
manada búfalos, bois, elefantes,
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi ne- matilha cães de raça
cessário repetir o substantivo: uma abelha, outra abelha, molho chaves, verduras
mais outra abelha... multidão pessoas em geral
No segundo caso, utilizaram-se duas palavras no plural. ninhada pintos
No terceiro caso, empregou-se um substantivo no sin- nuvem insetos (gafanhotos, mosquitos, etc.)
gular (enxame) para designar um conjunto de seres da mes- penca bananas, chaves
ma espécie (abelhas). pinacoteca pinturas, quadros
quadrilha ladrões, bandidos
O substantivo enxame é um substantivo coletivo.
ramalhete flores
Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que, mes-
rebanho ovelhas
mo estando no singular, designa um conjunto de seres da
récua bestas de carga, cavalgadura
mesma espécie.
repertório peças teatrais, obras musicais
réstia alhos ou cebolas
romanceiro poesias narrativas
revoada pássaros
sínodo párocos
talha lenha
tropa muares, soldados
turma estudantes, trabalhadores
vara porcos

23
LÍNGUA PORTUGUESA

Formação dos Substantivos Substantivos Uniformes: são aqueles que apresentam


uma única forma, que serve tanto para o masculino quanto
Substantivos Simples e Compostos para o feminino. Classificam-se em:

Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a terra. - Epicenos: têm um só gênero e nomeiam bichos: a co-
O substantivo chuva é formado por um único elemento bra macho e a cobra fêmea, o jacaré macho e o jacaré fêmea.
ou radical. É um substantivo simples. - Sobrecomuns: têm um só gênero e nomeiam pessoas:
a criança, a testemunha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo,
Substantivo Simples: é aquele formado por um único o indivíduo.
elemento. - Comuns de Dois Gêneros: indicam o sexo das pessoas
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja por meio do artigo: o colega e a colega, o doente e a doente,
agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois ele- o artista e a artista.
mentos (guarda + chuva). Esse substantivo é composto.
Substantivo Composto: é aquele formado por dois ou Saiba que: Substantivos de origem grega terminados
mais elementos. Outros exemplos: beija-flor, passatempo. em ema ou oma, são masculinos: o fonema, o poema, o siste-
ma, o sintoma, o teorema.
Substantivos Primitivos e Derivados - Existem certos substantivos que, variando de gênero,
variam em seu significado: o rádio (aparelho receptor) e a rá-
Meu limão meu limoeiro, dio (estação emissora) o capital (dinheiro) e a capital (cidade)
meu pé de jacarandá...
Formação do Feminino dos Substantivos Biformes
O substantivo limão é primitivo, pois não se originou de
nenhum outro dentro de língua portuguesa. - Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno -
Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva de nenhu- aluna.
ma outra palavra da própria língua portuguesa. O substantivo
- Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a ao
limoeiro é derivado, pois se originou a partir da palavra limão.
masculino: freguês - freguesa
Substantivo Derivado: é aquele que se origina de outra
- Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino de
palavra.
três formas:
- troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
Flexão dos substantivos
- troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
O substantivo é uma classe variável. A palavra é variável -troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
quando sofre flexão (variação). A palavra menino, por exem-
plo, pode sofrer variações para indicar: Exceções: barão – baronesa ladrão- ladra sultão -
Plural: meninos Feminino: menina sultana
Aumentativo: meninão Diminutivo: menininho
- Substantivos terminados em -or:
Flexão de Gênero - acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora
- troca-se -or por -triz: = imperador - imperatriz
Gênero é a propriedade que as palavras têm de indicar
sexo real ou fictício dos seres. Na língua portuguesa, há dois - Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa: cônsul
gêneros: masculino e feminino. Pertencem ao gênero mascu- - consulesa / abade - abadessa / poeta - poetisa / duque - du-
lino os substantivos que podem vir precedidos dos artigos o, quesa / conde - condessa / profeta - profetisa
os, um, uns. Veja estes títulos de filmes:
O velho e o mar - Substantivos que formam o feminino trocando o -e
Um Natal inesquecível final por -a: elefante - elefanta
Os reis da praia
- Substantivos que têm radicais diferentes no masculino
Pertencem ao gênero feminino os substantivos que po- e no feminino: bode – cabra / boi - vaca
dem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas:
A história sem fim - Substantivos que formam o feminino de maneira es-
Uma cidade sem passado pecial, isto é, não seguem nenhuma das regras anteriores:
As tartarugas ninjas czar – czarina réu - ré

Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes

Substantivos Biformes (= duas formas): ao indicar nomes


de seres vivos, geralmente o gênero da palavra está relaciona-
do ao sexo do ser, havendo, portanto, duas formas, uma para
o masculino e outra para o feminino. Observe: gato – gata,
homem – mulher, poeta – poetisa, prefeito - prefeita

24
LÍNGUA PORTUGUESA

Formação do Feminino dos Substantivos Uniformes Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata, a
cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a libido,
Epicenos: a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.
- São geralmente masculinos os substantivos de ori-
Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. Isso gem grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilo-
ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma forma grama, o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o
para indicar o masculino e o feminino. telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema, o
Alguns nomes de animais apresentam uma só forma eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o traco-
para designar os dois sexos. Esses substantivos são cha- ma, o hematoma.
mados de epicenos. No caso dos epicenos, quando houver
a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se palavras Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
macho e fêmea.
A cobra macho picou o marinheiro. Gênero dos Nomes de Cidades
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira.
Com raras exceções, nomes de cidades são femininos.
Sobrecomuns: A histórica Ouro Preto.
Entregue as crianças à natureza. A dinâmica São Paulo.
A acolhedora Porto Alegre.
A palavra crianças refere-se tanto a seres do sexo mas- Uma Londres imensa e triste.
culino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse caso, nem Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
o artigo nem um possível adjetivo permitem identificar o
sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja: Gênero e Significação
A criança chorona chamava-se João.
A criança chorona chamava-se Maria. Muitos substantivos têm uma significação no masculi-
no e outra no feminino. Observe: o baliza (soldado que, que
Outros substantivos sobrecomuns: à frente da tropa, indica os movimentos que se deve realizar
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma boa em conjunto; o que vai à frente de um bloco carnavalesco,
criatura. manejando um bastão), a baliza (marco, estaca; sinal que
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de marca um limite ou proibição de trânsito), o cabeça (chefe),
Marcela faleceu a cabeça (parte do corpo), o cisma (separação religiosa, dissi-
dência), a cisma (ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor
Comuns de Dois Gêneros: cinzenta), a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinhei-
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois. ro), a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma
(cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro),
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher? a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado na
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma administração da crisma e de outros sacramentos), a crisma
vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme. (sacramento da confirmação), o cura (pároco), a cura (ato de
A distinção de gênero pode ser feita através da análise curar), o estepe (pneu sobressalente), a estepe (vasta planície
do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o substanti- de vegetação), o guia (pessoa que guia outras), a guia (docu-
vo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; um jovem mento, pena grande das asas das aves), o grama (unidade de
- uma jovem; artista famoso - artista famosa; repórter fran- peso), a grama (relva), o caixa (funcionário da caixa), a caixa
cês - repórter francesa (recipiente, setor de pagamentos), o lente (professor), a lente
- A palavra personagem é usada indistintamente nos (vidro de aumento), o moral (ânimo), a moral (honestidade,
dois gêneros. bons costumes, ética), o nascente (lado onde nasce o Sol), a
a) Entre os escritores modernos nota-se acentuada nascente (a fonte), o maria-fumaça (trem como locomotiva
preferência pelo masculino: O menino descobriu nas nuvens a vapor), maria-fumaça (locomotiva movida a vapor), o pala
os personagens dos contos de carochinha. (poncho), a pala (parte anterior do boné ou quepe, antepa-
b) Com referência a mulher, deve-se preferir o femini- ro), o rádio (aparelho receptor), a rádio (estação emissora), o
no: O problema está nas mulheres de mais idade, que não voga (remador), a voga (moda, popularidade).
aceitam a personagem.
- Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo Flexão de Número do Substantivo
fotográfico Ana Belmonte.
Observe o gênero dos substantivos seguintes: Em português, há dois números gramaticais: o singular,
que indica um ser ou um grupo de seres, e o plural, que
Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó indica mais de um ser ou grupo de seres. A característica
(pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o do plural é o “s” final.
maracajá, o clã, o hosana, o herpes, o pijama, o suéter, o
soprano, o proclama, o pernoite, o púbis.

25
LÍNGUA PORTUGUESA

Plural dos Substantivos Simples - Flexiona-se somente o segundo elemento, quando


formados de:
- Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e “n” verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã – ímãs; hí- palavra invariável + palavra variável = alto-falante e alto-
fen - hifens (sem acento, no plural). Exceção: cânon - cânones. -falantes
- Os substantivos terminados em “m” fazem o plural em palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-recos
“ns”: homem - homens.
- Flexiona-se somente o primeiro elemento, quando
- Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural formados de:
pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes. substantivo + preposição clara + substantivo = água-
de-colônia e águas-de-colônia
Atenção: O plural de caráter é caracteres. substantivo + preposição oculta + substantivo = cavalo-
vapor e cavalos-vapor
- Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam- substantivo + substantivo que funciona como determi-
se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; cara- nante do primeiro, ou seja, especifica a função ou o tipo do
col – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males, cônsul e termo anterior: palavra-chave - palavras-chave, bomba-re-
cônsules. lógio - bombas-relógio, notícia-bomba - notícias-bomba, ho-
mem-rã - homens-rã, peixe-espada - peixes-espada.
- Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de
duas maneiras: - Permanecem invariáveis, quando formados de:
- Quando oxítonos, em “is”: canil - canis verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
- Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis. verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os saca-rolhas

Obs.: a palavra réptil pode formar seu plural de duas ma- - Casos Especiais
o louva-a-deus e os louva-a-deus
neiras: répteis ou reptis (pouco usada).
o bem-te-vi e os bem-te-vis
o bem-me-quer e os bem-me-queres
- Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de
o joão-ninguém e os joões-ninguém.
duas maneiras:
- Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o acrés-
Plural das Palavras Substantivadas
cimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses
- Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam invariá-
As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
veis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus. classes gramaticais usadas como substantivo, apresentam,
no plural, as flexões próprias dos substantivos.
- Os substantivos terminados em “ao” fazem o plural de Pese bem os prós e os contras.
três maneiras. O aluno errou na prova dos noves.
- substituindo o -ão por -ões: ação - ações Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.
- substituindo o -ão por -ães: cão - cães Obs.: numerais substantivados terminados em “s” ou “z”
- substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos não variam no plural: Nas provas mensais consegui muitos
seis e alguns dez.
- Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis: o Plural dos Diminutivos
látex - os látex.
Plural dos Substantivos Compostos Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” final e
acrescenta-se o sufixo diminutivo.
-A formação do plural dos substantivos compostos de- pãe(s) + zinhos = pãezinhos
pende da forma como são grafados, do tipo de palavras que animai(s) + zinhos = animaizinhos
formam o composto e da relação que estabelecem entre si. botõe(s) + zinhos = botõezinhos
Aqueles que são grafados sem hífen comportam-se como os chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
substantivos simples: aguardente/aguardentes, girassol/gi- farói(s) + zinhos = faroizinhos
rassóis, pontapé/pontapés, malmequer/malmequeres. tren(s) + zinhos = trenzinhos
O plural dos substantivos compostos cujos elementos colhere(s) + zinhas = colherezinhas
são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas e dis- flore(s) + zinhas = florezinhas
cussões. Algumas orientações são dadas a seguir: mão(s) + zinhas = mãozinhas
papéi(s) + zinhos = papeizinhos
- Flexionam-se os dois elementos, quando formados nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas
de: funi(s) + zinhos = funizinhos
substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores túnei(s) + zinhos = tuneizinhos
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-perfeitos pai(s) + zinhos = paizinhos
adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-homens pé(s) + zinhos = pezinhos
numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras pé(s) + zitos = pezitos

26
LÍNGUA PORTUGUESA

Plural dos Nomes Próprios Personativos Flexão de Grau do Substantivo

Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas sempre Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir
que a terminação preste-se à flexão. as variações de tamanho dos seres. Classifica-se em:
Os Napoleões também são derrotados. - Grau Normal - Indica um ser de tamanho considera-
As Raquéis e Esteres. do normal. Por exemplo: casa
- Grau Aumentativo - Indica o aumento do tamanho
Plural dos Substantivos Estrangeiros do ser. Classifica-se em:
Analítico = o substantivo é acompanhado de um adje-
Substantivos ainda não aportuguesados devem ser escri- tivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
tos como na língua original, acrescentando-se “s” (exceto quan- Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indi-
do terminam em “s” ou “z”): os shows, os shorts, os jazz. cador de aumento. Por exemplo: casarão.
- Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de acordo do ser. Pode ser:
com as regras de nossa língua: os clubes, os chopes, os jipes, os Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo
esportes, as toaletes, os bibelôs, os garçons, os réquiens. que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
Observe o exemplo: Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo indi-
Este jogador faz gols toda vez que joga. cador de diminuição. Por exemplo: casinha.
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa.
Verbo
Plural com Mudança de Timbre
Verbo é a classe de palavras que se flexiona em pes-
Certos substantivos formam o plural com mudança de tim- soa, número, tempo, modo e voz. Pode indicar, entre outros
bre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um fato fonético processos: ação (correr); estado (ficar); fenômeno (chover);
chamado metafonia (plural metafônico). ocorrência (nascer); desejo (querer).
O que caracteriza o verbo são as suas flexões, e não
Singular Plural os seus possíveis significados. Observe que palavras como
corpo (ô) corpos (ó) corrida, chuva e nascimento têm conteúdo muito próximo
esforço esforços ao de alguns verbos mencionados acima; não apresentam,
fogo fogos porém, todas as possibilidades de flexão que esses verbos
forno fornos possuem.
fosso fossos
imposto impostos Estrutura das Formas Verbais
olho olhos
osso (ô) ossos (ó) Do ponto de vista estrutural, uma forma verbal pode
ovo ovos apresentar os seguintes elementos:
poço poços
porto portos - Radical: é a parte invariável, que expressa o significa-
posto postos do essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; fal-ava; fal-am.
tijolo t ijolos (radical fal-)
- Tema: é o radical seguido da vogal temática que indi-
Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bolsos, ca a conjugação a que pertence o verbo. Por exemplo: fala-r
esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, etc. São três as conjugações: 1ª - Vogal Temática - A - (falar),
Obs.: distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de 2ª - Vogal Temática - E - (vender), 3ª - Vogal Temática - I -
molho (ó) = feixe (molho de lenha). (partir).
- Desinência modo-temporal: é o elemento que de-
Particularidades sobre o Número dos Substantivos signa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo:
falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo.)
- Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o norte, falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo.)
o leste, o oeste, a fé, etc. - Desinência número-pessoal: é o elemento que de-
- Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames, as signa a pessoa do discurso ( 1ª, 2ª ou 3ª) e o número (sin-
espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes. gular ou plural):
- Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do sin- falamos (indica a 1ª pessoa do plural.)
gular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probidade, bom falavam (indica a 3ª pessoa do plural.)
nome) e honras (homenagem, títulos).
- Usamos às vezes, os substantivos no singular, mas com Observação: o verbo pôr, assim como seus derivados
sentido de plural: (compor, repor, depor, etc.), pertencem à 2ª conjugação, pois
Aqui morreu muito negro. a forma arcaica do verbo pôr era poer. A vogal “e”, apesar
Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas im- de haver desaparecido do infinitivo, revela-se em algumas
provisadas. formas do verbo: põe, pões, põem, etc.

27
LÍNGUA PORTUGUESA

Formas Rizotônicas e Arrizotônicas 4. o verbo deu + para da língua popular, equivalente


de “ser possível”. Por exemplo:
Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura Não deu para chegar mais cedo.
dos verbos com o conceito de acentuação tônica, perce- Dá para me arrumar uns trocados?
bemos com facilidade que nas formas rizotônicas o acento
tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam, nutro, por * Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, conju-
exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento tônico não cai gam-se apenas nas terceiras pessoas, do singular e do
no radical, mas sim na terminação verbal: opinei, aprende- plural.
rão, nutriríamos. A fruta amadureceu.
As frutas amadureceram.
Classificação dos Verbos
Obs.: os verbos unipessoais podem ser usados como
Classificam-se em: verbos pessoais na linguagem figurada: Teu irmão amadu-
- Regulares: são aqueles que possuem as desinências receu bastante.
normais de sua conjugação e cuja flexão não provoca alte-
rações no radical: canto cantei cantarei cantava Entre os unipessoais estão os verbos que significam
cantasse. vozes de animais; eis alguns: bramar: tigre, bramir: crocodi-
- Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca altera- lo, cacarejar: galinha, coaxar: sapo, cricrilar: grilo
ções no radical ou nas desinências: faço fiz farei fi-
zesse. Os principais verbos unipessoais são:
- Defectivos: são aqueles que não apresentam conju- 1. cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser
gação completa. Classificam-se em impessoais, unipessoais (preciso, necessário, etc.):
e pessoais: Cumpre trabalharmos bastante. (Sujeito: trabalharmos
* Impessoais: são os verbos que não têm sujeito. Nor- bastante.)
malmente, são usados na terceira pessoa do singular. Os Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover.)
principais verbos impessoais são: É preciso que chova. (Sujeito: que chova.)
** haver, quando sinônimo de existir, acontecer, reali-
zar-se ou fazer (em orações temporais). 2. fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo, segui-
Havia poucos ingressos à venda. (Havia = Existiam) dos da conjunção que.
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram) Faz dez anos que deixei de fumar. (Sujeito: que deixei de
Haverá reuniões aqui. (Haverá = Realizar-se-ão) fumar.)
Deixei de fumar há muitos anos. (há = faz) Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não vejo
Cláudia. (Sujeito: que não vejo Cláudia)
** fazer, ser e estar (quando indicam tempo) Obs.: todos os sujeitos apontados são oracionais.
Faz invernos rigorosos no Sul do Brasil.
Era primavera quando a conheci. * Pessoais: não apresentam algumas flexões por moti-
Estava frio naquele dia. vos morfológicos ou eufônicos. Por exemplo:
** Todos os verbos que indicam fenômenos da natu- - verbo falir. Este verbo teria como formas do presente
reza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, do indicativo falo, fales, fale, idênticas às do verbo falar - o
amanhecer, escurecer, etc. Quando, porém, se constrói, que provavelmente causaria problemas de interpretação
“Amanheci mal- -humorado”, usa-se o verbo “ama- em certos contextos.
nhecer” em sentido figurado. Qualquer verbo impessoal, - verbo computar. Este verbo teria como formas do
empregado em sentido figurado, deixa de ser impessoal presente do indicativo computo, computas, computa - for-
para ser pessoal. mas de sonoridade considerada ofensiva por alguns ouvi-
Amanheci mal-humorado. (Sujeito desinencial: eu) dos gramaticais. Essas razões muitas vezes não impedem o
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos) uso efetivo de formas verbais repudiadas por alguns gra-
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu) máticos: exemplo disso é o próprio verbo computar, que,
com o desenvolvimento e a popularização da informática,
** São impessoais, ainda: tem sido conjugado em todos os tempos, modos e pes-
1. o verbo passar (seguido de preposição), indicando soas.
tempo: Já passa das seis.
2. os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição - Abundantes: são aqueles que possuem mais de uma
de, indicando suficiência: Basta de tolices. Chega de blas- forma com o mesmo valor. Geralmente, esse fenômeno
fêmias. costuma ocorrer no particípio, em que, além das formas re-
3. os verbos estar e ficar em orações tais como Está gulares terminadas em -ado ou -ido, surgem as chamadas
bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal, sem re- formas curtas (particípio irregular). Observe:
ferência a sujeito expresso anteriormente. Podemos, ainda,
nesse caso, classificar o sujeito como hipotético, tornando-
se, tais verbos, então, pessoais.

28
LÍNGUA PORTUGUESA

INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR


Anexar Anexado Anexo
Dispersar Dispersado Disperso
Eleger Elegido Eleito
Envolver Envolvido Envolto
Imprimir Imprimido Impresso
Matar Matado Morto
Morrer Morrido Morto
Pegar Pegado Pego
Soltar Soltado Solto

- Anômalos: são aqueles que incluem mais de um radical em sua conjugação. Por exemplo: Ir, Pôr, Ser, Saber (vou, vais,
ides, fui, foste, pus, pôs, punha, sou, és, fui, foste, seja).

- Auxiliares: São aqueles que entram na formação dos tempos compostos e das locuções verbais. O verbo principal,
quando acompanhado de verbo auxiliar, é expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
Vou espantar as moscas.
(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora do debate.


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Os noivos foram cumprimentados por todos os presentes.


(verbo auxiliar) (verbo principal no particípio)

Obs.: os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo

Presente Pret.Perfeito Pretérito Imp. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.do Pres. Fut. Do Pretérito


sou fui era fora serei seria
és foste eras foras serás serias
é foi era fora será seria
somos fomos éramos fôramos seremos seríamos
sois fostes éreis fôreis sereis seríeis
são foram eram foram serão seriam

SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

29
LÍNGUA PORTUGUESA

SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


ser ser eu sendo sido
seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

ESTAR - Modo Indicativo



Presente Pret. perf. Pret. Imperf. Pret.Mais-Que-Perf. Fut.doPres. Fut.do Preté.
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

ESTAR - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Pret.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

30
LÍNGUA PORTUGUESA

HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


haja houvesse houver
hajas houvesses houveres há hajas
haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
haverem

TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imper. Preté.Mais-Que-Perf. Fut. Do Pres. Fut. Do Preté.
Tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


Tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

- Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já implícita no
próprio sentido do verbo (reflexivos essenciais). Veja:
- 1. Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a reflexibilidade já
está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.
A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela mes-
ma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula integrante
do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de reforço da ideia refle-
xiva expressa pelo radical do próprio verbo.
Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e respectivos pronomes):
Eu me arrependo
Tu te arrependes
Ele se arrepende
Nós nos arrependemos
Vós vos arrependeis
Eles se arrependem

31
LÍNGUA PORTUGUESA

- 2. Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos 2ª pessoa do singular: Radical + ES Ex.: teres(tu)
em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o obje- 1ª pessoa do plural: Radical + MOS Ex.: termos (nós)
to representado por pronome oblíquo da mesma pessoa 2ª pessoa do plural: Radical + DES Ex.: terdes (vós)
do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre 3ª pessoa do plural: Radical + EM Ex.: terem (eles)
ele mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou tran- Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma boa
sitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com os colocação.
pronomes mencionados, formando o que se chama voz
reflexiva. Por exemplo: Maria se penteava. - Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como adjetivo
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ou advérbio. Por exemplo:
ser exercida também sobre outra pessoa. Por exemplo: Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de ad-
Maria penteou-me. vérbio)
Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (função de ad-
Observações: jetivo)
- Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes
oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em
função sintática. curso; na forma composta, uma ação concluída. Por exemplo:
- Há verbos que também são acompanhados de pro- Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro.
nomes oblíquos átonos, mas que não são essencialmente Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro.
pronominais, são os verbos reflexivos. Nos verbos refle-
xivos, os pronomes, apesar de se encontrarem na pessoa - Particípio: quando não é empregado na formação dos
idêntica à do sujeito, exercem funções sintáticas. Por exem- tempos compostos, o particípio indica geralmente o resul-
plo: tado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, nú-
Eu me feri. = Eu(sujeito) - 1ª pessoa do singular me mero e grau. Por exemplo:
(objeto direto) - 1ª pessoa do singular Terminados os exames, os candidatos saíram.

Quando o particípio exprime somente estado, sem ne-


Modos Verbais
nhuma relação temporal, assume verdadeiramente a função
de adjetivo (adjetivo verbal). Por exemplo: Ela foi a aluna es-
Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas
colhida para representar a escola.
pelo verbo na expressão de um fato. Em Português, exis-
tem três modos:
Tempos Verbais
Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu
sempre estudo. Tomando-se como referência o momento em que se fala,
Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em diversos tem-
Talvez eu estude amanhã. pos. Veja:
Imperativo - indica uma ordem, um pedido: Estuda
agora, menino. 1. Tempos do Indicativo
Formas Nominais - Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste co-
légio.
Além desses três modos, o verbo apresenta ainda for- - Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido num
mas que podem exercer funções de nomes (substantivo, momento anterior ao atual, mas que não foi completamente
adjetivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas terminado: Ele estudava as lições quando foi interrompido.
nominais. Observe: - Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido num
- Infinitivo Impessoal: exprime a significação do ver- momento anterior ao atual e que foi totalmente terminado:
bo de modo vago e indefinido, podendo ter valor e função Ele estudou as lições ontem à noite.
de substantivo. Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta) - Pretérito-Mais-Que-Perfeito - Expressa um fato ocor-
É indispensável combater a corrupção. (= combate à) rido antes de outro fato já terminado: Ele já tinha estudado as
lições quando os amigos chegaram. (forma composta) Ele já
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presen- estudara as lições quando os amigos chegaram. (forma sim-
te (forma simples) ou no passado (forma composta). Por ples).
exemplo:
É preciso ler este livro. - Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve ocor-
Era preciso ter lido este livro. rer num tempo vindouro com relação ao momento atual: Ele
estudará as lições amanhã.
- Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às três
pessoas do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não - Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode ocor-
apresenta desinências, assumindo a mesma forma do im- rer posteriormente a um determinado fato passado: Se eu
pessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira: tivesse dinheiro, viajaria nas férias.

32
LÍNGUA PORTUGUESA

2. Tempos do Subjuntivo

- Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
- Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse o
jogo.

Obs.: o pretérito imperfeito é também usado nas construções em que se expressa a ideia de condição ou desejo. Por
exemplo: Se ele viesse ao clube, participaria do campeonato.

- Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier
à loja, levará as encomendas.

Obs.: o futuro do presente é também usado em frases que indicam possibilidade ou desejo. Por exemplo: Se ele vier à
loja, levará as encomendas.

Presente do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

Pretérito Perfeito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

Pretérito mais-que-perfeito

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª/2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

Pretérito Imperfeito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

33
LÍNGUA PORTUGUESA

Futuro do Presente do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

Futuro do Pretérito do Indicativo

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2ª e 3ª conjugação).

1ª conjug. 2ª conjug. 3ª conju. Des. temporal Des.temporal Desinên. pessoal


1ª conj. 2ª/3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
cantE vendA partA E A Ø
cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de número
e pessoa correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

34
LÍNGUA PORTUGUESA

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, ob-
tendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e
pessoa correspondente.

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal


1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM PartiREM R EM

Modo Imperativo

Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Indicativo Imperativo Afirmativo Presente do Subjuntivo


Eu canto --- Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

Imperativo Negativo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.

Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo


Que eu cante ---
Que tu cantes Não cantes tu
Que ele cante Não cante você
Que nós cantemos Não cantemos nós
Que vós canteis Não canteis vós
Que eles cantem Não cantem eles

Observações:

- No modo imperativo não faz sentido usar na 3ª pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois uma ordem, pedido
ou conselho só se aplicam diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa razão, utiliza-se você/vocês.
- O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente: sê (tu), sede (vós).

Infinitivo Pessoal

1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS
cantarDES venderDES partirDES
cantarEM venderEM partirEM

35
LÍNGUA PORTUGUESA

Questões sobre Verbo 05.(POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO ACRE – ALUNO


SOLDADO COMBATENTE – FUNCAB/2012) No trecho: “O
01. (AGENTE POLÍCIA - VUNESP 2013) Considere o crescimento econômico, se associado à ampliação do empre-
trecho a seguir. go, PODE melhorar o quadro aqui sumariamente descrito.”, se
É comum que objetos ___________ esquecidos em locais passarmos o verbo destacado para o futuro do pretérito do
públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se as indicativo, teremos a forma:
pessoas _____________ a atenção voltada para seus pertences, A) puder.
conservando-os junto ao corpo. B) poderia.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respecti- C) pôde.
vamente, as lacunas do texto. D) poderá.
(A) sejam … mantesse E) pudesse.
(B) sejam … mantivessem
(C) sejam … mantém 06. (ESCREVENTE TJ SP VUNESP 2013) Assinale a alter-
(D) seja … mantivessem nativa em que todos os verbos estão empregados de acordo
(E) seja … mantêm com a norma- -padrão.
(A) Enviaram o texto, para que o revíssemos antes da im-
02. (MGS - TÉCNICO CONTÁBIL – IBFC/2017-adapta- pressão definitiva.
da) (B) Não haverá prova do crime se o réu se manter em
Em “Assim, muitos casais têm quatro, seis, dez filhos”, silêncio.
nota--se que o acento do verbo em destaque deve-se a (C) Vão pagar horas-extras aos que se disporem a traba-
uma exigência de concordância. Assinale a alternativa cor- lhar no feriado.
reta em relação ao emprego desse mesmo verbo. (D) Ficarão surpresos quando o verem com a toga...
a) No Brasil, a sociedade têm várias questões. (E) Se você quer a promoção, é necessário que a requera
b) O jovem têm um grande desafio pela frente. a seu superior.
c) As pessoas tem muitos planos.
d) A mentira tem perna curta. 07. (PAPILOSCOPISTA POLICIAL VUNESP 2013-adap.) As-
sinale a alternativa que substitui, corretamente e sem alterar
03. (ESCREVENTE TJ SP VUNESP 2013-adap.) Sem o sentido da frase, a expressão destacada em – Se a criança
querer estereotipar, mas já estereotipando: trata-se de um se perder, quem encontrá-la verá na pulseira instruções para
ser cujas interações sociais terminam, 99% das vezes, diante que envie uma mensagem eletrônica ao grupo ou acione o
da pergunta “débito ou crédito?”. código na internet.
Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de (A) Caso a criança se havia perdido…
(A) considerar ao acaso, sem premeditação. (B) Caso a criança perdeu…
(B) aceitar uma ideia mesmo sem estar convencido (C) Caso a criança se perca…
dela. (D) Caso a criança estivera perdida…
(C) adotar como referência de qualidade. (E) Caso a criança se perda…
(D) julgar de acordo com normas legais.
(E) classificar segundo ideias preconcebidas. 08. (AGENTE DE APOIO OPERACIONAL – VUNESP – 2013-
adap.). Assinale a alternativa em que o verbo destacado está
04. (ESCREVENTE TJ SP VUNESP 2013) Assinale a al- no tempo futuro.
ternativa contendo a frase do texto na qual a expressão A) Os consumidores são assediados pelo marketing …
verbal destacada exprime possibilidade. B) … somente eles podem decidir se irão ou não comprar.
(A) ... o cientista Theodor Nelson sonhava com um sis- C) É como se abrissem em nós uma “caixa de necessida-
tema capaz de disponibilizar um grande número de obras des”…
literárias... D) … de onde vem o produto…?
(B) Funcionando como um imenso sistema de informa- E) Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pessoas…
ção e arquivamento, o hipertexto deveria ser um enorme
arquivo virtual. 09. (AGERBA - TÉCNICO EM REGULAÇÃO – IBFC/2017-a-
(C) Isso acarreta uma textualidade que funciona por daptada)
associação, e não mais por sequências fixas previamente A flexão de alguns verbos, sobretudo os irregulares, pode
estabelecidas. causar confusão. O verbo “quis”, presente em “Minha mãe
(D) Desde o surgimento da ideia de hipertexto, esse sempre quis viajar” é um exemplo típico. Nesse sentido, assi-
conceito está ligado a uma nova concepção de textuali- nale a alternativa em que se indica INCORRETAMENTE a sua
dade... flexão.
(E) Criou, então, o “Xanadu”, um projeto para disponi- a) queres – Presente do Indicativo.
bilizar toda a literatura do mundo... b) queria – Futuro do Pretérito do Indicativo.
c) quisera – Pretérito mais-que-perfeito do Indicativo.
d) queira – Presente do Subjuntivo.
e) quisesse – Pretérito Imperfeito do Subjuntivo.

36
LÍNGUA PORTUGUESA

10. (AGENTE DE ESCOLTA E VIGILÂNCIA PENITENCIÁ- 6-)


RIA – VUNESP – 2013-adap.). Leia as frases a seguir. (B) Não haverá prova do crime se o réu se mantiver em
I. Havia onze pessoas jogando pedras e pedaços de ma- silêncio.
deira no animal. (C) Vão pagar horas-extras aos que se dispuserem a
II. Existiam muitos ferimentos no boi. trabalhar no feriado.
III. Havia muita gente assustando o boi numa avenida (D) Ficarão surpresos quando o virem com a toga...
movimentada. (E) Se você quiser a promoção, é necessário que a re-
Substituindo-se o verbo Haver pelo verbo Existir e este queira a seu superior.
pelo verbo Haver, nas frases, têm-se, respectivamente:
A) Existia – Haviam – Existiam 7-)
B) Existiam – Havia – Existiam Caso a criança se perca…(perda = substantivo: Houve
C) Existiam – Haviam – Existiam uma grande perda salarial...)
D) Existiam – Havia – Existia
E) Existia – Havia – Existia
8-)
A) Os consumidores são assediados pelo marketing =
GABARITO
presente
01. B 02. D 03. E 04. B 05. B C) É como se abrissem em nós uma “caixa de necessi-
06. A 07. C 08. B 09. B 10. D dades”… = pretérito do Subjuntivo
D) … de onde vem o produto…? = presente
RESOLUÇÃO E) Uma pesquisa mostrou que 55,4% das pessoas… =
pretérito perfeito
1-)
É comum que objetos sejam esquecidos em locais 9-)
públicos. Mas muitos transtornos poderiam ser evitados se Vamos aos itens:
as pessoas mantivessem a atenção voltada para seus a) queres – Presente do Indicativo = eu quero, tu que-
pertences, conservando-os junto ao corpo. res - correta.
b) queria – Futuro do Pretérito do Indicativo = eu que-
2-) reria, tu quererias, ele quereria - incorreta.
Analisemos: c) quisera – Pretérito mais-que-perfeito do Indicativo =
a) No Brasil, a sociedade têm várias questões. = a so- eu quisera, ele quisera – correta.
ciedade tem (verbo no singular) d) queira – Presente do Subjuntivo = que eu queira,
b) O jovem têm um grande desafio pela frente. = o que tu queiras, que ele queira - correta
jovem tem (verbo no singular) e) quisesse – Pretérito Imperfeito do Subjuntivo = se eu
c) As pessoas tem muitos planos. = as pessoas têm quisesse, se tu quisesses, se ele quisesse – correta.
(verbo no plural) RESPOSTA: B
d) A mentira tem perna curta. = correta
RESPOSTA: D 10-)
I. Havia onze pessoas jogando pedras e pedaços de
3-) madeira no animal.
Sem querer estereotipar, mas já estereotipando: trata- II. Existiam muitos ferimentos no boi.
se de um ser cujas interações sociais terminam, 99% das
III. Havia muita gente assustando o boi numa avenida
vezes, diante da pergunta “débito ou crédito?”.
movimentada.
Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de
Haver – sentido de existir= invariável, impessoal;
classificar segundo ideias preconcebidas.
existir = variável. Portanto, temos:
4-) I – Existiam onze pessoas...
(B) Funcionando como um imenso sistema de informa- II – Havia muitos ferimentos...
ção e arquivamento, o hipertexto deveria ser um enorme III – Existia muita gente...
arquivo virtual. = verbo no futuro do pretérito

5-)
Conjugando o verbo “poder” no futuro do pretérito do
Indicativo: eu poderia, tu poderias, ele poderia, nós pode-
ríamos, vós poderíeis, eles poderiam. O sujeito da oração
é crescimento econômico (singular), portanto, terceira pes-
soa do singular (ele) = poderia.

37
LÍNGUA PORTUGUESA

Vozes do Verbo Obs.: é menos frequente a construção da voz passiva


analítica com outros verbos que podem eventualmente fun-
Dá-se o nome de voz à forma assumida pelo verbo para cionar como auxiliares. Por exemplo: A moça ficou marcada
indicar se o sujeito gramatical é agente ou paciente da ação. pela doença.
São três as vozes verbais:
2- Voz Passiva Sintética
- Ativa: quando o sujeito é agente, isto é, pratica a ação
expressa pelo verbo. Por exemplo: A voz passiva sintética ou pronominal constrói-se com
Ele fez o trabalho. o verbo na 3ª pessoa, seguido do pronome apassivador SE.
sujeito agente ação objeto Por exemplo:
(paciente) Abriram-se as inscrições para o concurso.
Destruiu-se o velho prédio da escola.
- Passiva: quando o sujeito é paciente, recebendo a Obs.: o agente não costuma vir expresso na voz passiva
ação expressa pelo verbo. Por exemplo: sintética.
O trabalho foi feito por ele. Curiosidade: A palavra passivo possui a mesma raiz la-
sujeito paciente ação agente da pas- tina de paixão (latim passio, passionis) e ambas se relacio-
siva nam com o significado sofrimento, padecimento. Daí vem o
significado de voz passiva como sendo a voz que expressa
- Reflexiva: quando o sujeito é ao mesmo tempo agen- a ação sofrida pelo sujeito. Na voz passiva temos dois ele-
te e paciente, isto é, pratica e recebe a ação. Por exemplo: mentos que nem sempre aparecem: SUJEITO PACIENTE e
O menino feriu-se. AGENTE DA PASSIVA.

Obs.: não confundir o emprego reflexivo do verbo com Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva
a noção de reciprocidade: Os lutadores feriram-se. (um ao
outro) Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar subs-
tancialmente o sentido da frase.
Formação da Voz Passiva Gutenberg inventou a imprensa (Voz Ativa)
Sujeito da Ativa objeto Direto
A voz passiva pode ser formada por dois processos: ana-
lítico e sintético. A imprensa foi inventada por Gutenberg (Voz Pas-
1- Voz Passiva Analítica siva)
Constrói-se da seguinte maneira: Verbo SER + particípio Sujeito da Passiva Agente da Passiva
do verbo principal. Por exemplo:
A escola será pintada. Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva,
O trabalho é feito por ele. o sujeito da ativa passará a agente da passiva e o verbo ati-
vo assumirá a forma passiva, conservando o mesmo tempo.
Obs.: o agente da passiva geralmente é acompanhado Observe mais exemplos:
da preposição por, mas pode ocorrer a construção com a - Os mestres têm constantemente aconselhado os alunos.
preposição de. Por exemplo: A casa ficou cercada de soldados. Os alunos têm sido constantemente aconselhados pelos
- Pode acontecer ainda que o agente da passiva não es- mestres.
teja explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
- A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar - Eu o acompanharei.
(SER), pois o particípio é invariável. Observe a transformação Ele será acompanhado por mim.
das frases seguintes:
a) Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do indicativo) Obs.: quando o sujeito da voz ativa for indeterminado,
O trabalho foi feito por ele. (pretérito perfeito do indi- não haverá complemento agente na passiva. Por exemplo:
cativo) Prejudicaram-me. / Fui prejudicado.

b) Ele faz o trabalho. (presente do indicativo) Saiba que:


O trabalho é feito por ele. (presente do indicativo) - Aos verbos que não são ativos nem passivos ou refle-
xivos, são chamados neutros.
c) Ele fará o trabalho. (futuro do presente) O vinho é bom.
O trabalho será feito por ele. (futuro do presente) Aqui chove muito.

- Nas frases com locuções verbais, o verbo SER assume - Há formas passivas com sentido ativo:
o mesmo tempo e modo do verbo principal da voz ativa. É chegada a hora. (= Chegou a hora.)
Observe a transformação da frase seguinte: Eu ainda não era nascido. (= Eu ainda não tinha nascido.)
O vento ia levando as folhas. (gerúndio) És um homem lido e viajado. (= que leu e viajou)
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)

38
LÍNGUA PORTUGUESA

- Inversamente, usamos formas ativas com sentido 05. (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012) A
passivo: frase que NÃO admite transposição para a voz passiva está em:
Há coisas difíceis de entender. (= serem entendidas) (A) Quando Rodolfo surgiu...
Mandou-o lançar na prisão. (= ser lançado) (B) ... adquiriu as impressoras...
(C) ... e sustentar, às vezes, família numerosa.
- Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido (D) ... acolheu-o como patrono.
cirúrgico) e vacinar-se são considerados passivos, logo o (E) ... que montou [...] a primeira grande folhetaria do Recife ...
sujeito é paciente.
Chamo-me Luís. 06. (TRF - 4ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010)
Batizei-me na Igreja do Carmo. O engajamento moral e político não chegou a constituir um
Operou-se de hérnia. deslocamento da atenção intelectual de Said ...
Vacinaram-se contra a gripe. Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
verbal resultante é:
Fonte: a) se constituiu.
http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf54. b) chegou a ser constituído.
php c) teria chegado a constituir.
Questões sobre Vozes dos Verbos d) chega a se constituir.
e) chegaria a ser constituído.
01. (COLÉGIO PEDRO II/RJ – ASSISTENTE EM ADMI-
NISTRAÇÃO – AOCP/2010) Em “Os dados foram divulgados 07. (METRÔ/SP – TÉCNICO SISTEMAS METROVIÁRIOS CI-
ontem pelo Instituto Sou da Paz.”, a expressão destacada é VIL – FCC/2014 - ADAPTADA) ...’sertanejo’ indicava indistinta-
(A) adjunto adnominal. mente as músicas produzidas no interior do país...
(B) sujeito paciente. Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
(C) objeto indireto. verbal resultante será:
(D) complemento nominal. (A) vinham indicadas.
(B) era indicado.
(E) agente da passiva.
(C) eram indicadas.
(D) tinha indicado.
02. (FCC-COPERGÁS – AUXILIAR TÉCNICO ADMINIS-
(E) foi indicada.
TRATIVO - 2011) Um dia um tufão furibundo abateu-o pela
raiz. Transpondo- -se a frase acima para a voz passiva,
08. (GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – PRO-
a forma verbal resultante será:
CON – AGENTE ADMINISTRATIVO – CEPERJ/2012 - adaptada)
(A) era abatido. Um exemplo de construção na voz passiva está em:
(B) fora abatido. (A) “A Gulliver recolherá 6 mil brinquedos”
(C) abatera-se. (B) “o consumidor pode solicitar a devolução do dinheiro”
(D) foi abatido. (C) “enviar o brinquedo por sedex”
(E) tinha abatido (D) “A empresa também é obrigada pelo Código de Defe-
sa do Consumidor”
03. (TRE/AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2010) (E) “A empresa fez campanha para recolher”
... valores e princípios que sejam percebidos pela socie-
dade como tais. 09. (METRÔ/SP –SECRETÁRIA PLENO – FCC/2010) Trans-
Transpondo para a voz ativa a frase acima, o verbo pas- pondo-se para a voz passiva a construção Mais tarde vim a
sará a ser, corretamente, entender a tradução completa, a forma verbal resultante será:
(A) perceba. (A) veio a ser entendida.
(B) foi percebido. (B) teria entendido.
(C) tenham percebido. (C) fora entendida.
(D) devam perceber. (D) terá sido entendida.
(E) estava percebendo. (E) tê-la-ia entendido.

04. (TJ/RJ – TÉCNICO DE ATIVIDADE JUDICIÁRIA SEM 10. (INFRAERO – CADASTRO RESERVA OPERACIONAL
ESPECIALIDADE – FCC/2012) As ruas estavam ocupadas PROFISSIONAL DE TRÁFEGO AÉREO – FCC/2011 - ADAPTADA)
pela multidão... ... ele empreende, de maneira quase clandestina, a série Mu-
A forma verbal resultante da transposição da frase aci- lheres.
ma para a voz ativa é: Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma
(A) ocupava-se. verbal resultante será:
(B) ocupavam. (A) foi empreendida.
(C) ocupou. (B) são empreendidos.
(D) ocupa. (C) foi empreendido.
(E) ocupava. (D) é empreendida.
(E) são empreendidas.

39
LÍNGUA PORTUGUESA

GABARITO 9-)
Mais tarde vim a entender a tradução completa...
01. E 02. D 03. A 04. E 05. A A tradução completa veio a ser entendida por mim.
06. B 07. C 08. D 09. A 10. D
10-)
RESOLUÇÃO ele empreende, de maneira quase clandestina, a série
Mulheres.
1-) A série de mulheres é empreendida por ele, de maneira
No enunciado temos uma oração com a voz passiva quase clandestina.
do verbo. Transformando-a em ativa, teremos: “O Instituto
Sou da Paz divulgou dados”. Nessa, “Instituto Sou da Paz”
funciona como sujeito da oração, ou seja, na passiva sua
função é a de agente da passiva. O sujeito paciente é “os
dados”. A) ORTOGRAFIA.
2-)
Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz. = Ele
foi abatido...
A ortografia é a parte da língua responsável pela gra-
3-) fia correta das palavras. Essa grafia baseia-se no padrão
... valores e princípios que sejam percebidos pela so- culto da língua.
ciedade como tais = dois verbos na voz passiva, então te- As palavras podem apresentar igualdade total ou par-
remos um na ativa: que a sociedade perceba os valores e cial no que se refere a sua grafia e pronúncia, mesmo ten-
princípios... do significados diferentes. Essas palavras são chamadas
de homônimas (canto, do grego, significa ângulo / canto,
4-)
do latim, significa música vocal). As palavras homônimas
As ruas estavam ocupadas pela multidão = dois verbos
dividem-se em homógrafas, quando têm a mesma grafia
na passiva, um verbo na ativa:
(gosto, substantivo e gosto, 1ª pessoa do singular do verbo
A multidão ocupava as ruas.
gostar) e homófonas, quando têm o mesmo som (paço, pa-
lácio ou passo, movimento durante o andar).
5-)
Quanto à grafia correta em língua portuguesa, devem-
B = as impressoras foram adquiridas...
se observar as seguintes regras:
C = família numerosa é sustentada...
D – foi acolhido como patrono...
E – a primeira grande folhetaria do Recife foi montada... O fonema s:

6-) Escreve-se com S e não com C/Ç as palavras substan-


O engajamento moral e político não chegou a consti- tivadas derivadas de verbos com radicais em nd, rg, rt, pel,
tuir um deslocamento da atenção intelectual de Said = dois corr e sent: pretender - pretensão / expandir - expansão /
verbos na voz ativa, mas com presença de preposição e, ascender - ascensão / inverter - inversão / aspergir aspersão
um deles, no infinitivo, então o verbo auxiliar “ser” ficará no / submergir - submersão / divertir - diversão / impelir - im-
infinitivo (na voz passiva) e o verbo principal (constituir) fi- pulsivo / compelir - compulsório / repelir - repulsa / recorrer
cará no particípio: Um deslocamento da atenção intelectual - recurso / discorrer - discurso / sentir - sensível / consentir
de Said não chegou a ser constituído pelo engajamento... - consensual

7-) Escreve-se com SS e não com C e Ç os nomes deri-


’sertanejo’ indicava indistintamente as músicas produ- vados dos verbos cujos radicais terminem em gred, ced,
zidas no interior do país. prim ou com verbos terminados por tir ou meter: agredir
As músicas produzidas no país eram indicadas pelo - agressivo / imprimir - impressão / admitir - admissão /
sertanejo, indistintamente. ceder - cessão / exceder - excesso / percutir - percussão /
regredir - regressão / oprimir - opressão / comprometer -
8-) compromisso / submeter - submissão
(A) “A Gulliver recolherá 6 mil brinquedos” = voz ativa *quando o prefixo termina com vogal que se junta com
(B) “o consumidor pode solicitar a devolução do di- a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simétrico - assimé-
nheiro” = voz ativa trico / re + surgir - ressurgir
(C) “enviar o brinquedo por sedex” = voz ativa *no pretérito imperfeito simples do subjuntivo. Exem-
(D) “A empresa também é obrigada pelo Código de plos: ficasse, falasse
Defesa do Consumidor” = voz passiva
(E) “A empresa fez campanha para recolher” = voz ativa

40
LÍNGUA PORTUGUESA

Escreve-se com C ou Ç e não com S e SS os vocábulos Escreve-se com J e não com G:


de origem árabe: cetim, açucena, açúcar *as palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.
*os vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó, *as palavras de origem árabe, africana ou exótica: jiboia,
Juçara, caçula, cachaça, cacique manjerona.
*os sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu, *as palavras terminada com aje: aje, ultraje.
uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, caniço,
esperança, carapuça, dentuço O fonema ch:
*nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção /
deter - detenção / ater - atenção / reter - retenção Escreve-se com X e não com CH:
*após ditongos: foice, coice, traição *as palavras de origem tupi, africana ou exótica: abacaxi,
*palavras derivadas de outras terminadas em te, to(r): muxoxo, xucro.
marte - marciano / infrator - infração / absorto - absorção *as palavras de origem inglesa (sh) e espanhola (J): xam-
pu, lagartixa.
O fonema z: *depois de ditongo: frouxo, feixe.
*depois de “en”: enxurrada, enxoval.
Escreve-se com S e não com Z:
*os sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é subs- Observação: Exceção: quando a palavra de origem não
tantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos: freguês, derive de outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
freguesa, freguesia, poetisa, baronesa, princesa, etc.
*os sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, me- Escreve-se com CH e não com X:
tamorfose. *as palavras de origem estrangeira: chave, chumbo,
*as formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis, chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha.
quiseste.
*nomes derivados de verbos com radicais terminados As letras e e i:
em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão / empreender -
*os ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem.
empresa / difundir - difusão
Com “i”, só o ditongo interno cãibra.
*os diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís -
*os verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar são
Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis - lapisinho
escritos com “e”: caçoe, tumultue. Escrevemos com “i”, os ver-
*após ditongos: coisa, pausa, pouso
bos com infinitivo em -air, -oer e -uir: trai, dói, possui.
*em verbos derivados de nomes cujo radical termina
- atenção para as palavras que mudam de sentido quan-
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar - pesquisar
do substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área (superfície),
ária (melodia) / delatar (denunciar), dilatar (expandir) / emer-
Escreve-se com Z e não com S: gir (vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de estância, que
*os sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de adje- anda a pé), pião (brinquedo).
tivo: macio - maciez / rico - riqueza
*os sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de Fonte:
origem não termine com s): final - finalizar / concreto - con- http://www.pciconcursos.com.br/aulas/portugues/ortografia
cretizar
*como consoante de ligação se o radical não terminar Questões sobre Ortografia
com s: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal ≠ lápis +
inho - lapisinho 01. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2013) Assinale a alterna-
tiva que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do
O fonema j: trecho a seguir, de acordo com a norma-padrão.
Além disso, ___certamente ____entre nós ____do fenômeno
Escreve-se com G e não com J: da corrupção e das fraudes.
*as palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa, (A) a … concenso … acerca
gesso. (B) há … consenso … acerca
*estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, gim. (C) a … concenso … a cerca
*as terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com (D) a … consenso … há cerca
poucas exceções): imagem, vertigem, penugem, bege, foge. (E) há … consenço … a cerca

Observação: Exceção: pajem 02. (Escrevente TJ SP – Vunesp/2013). Assinale a alterna-


*as terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio, tiva cujas palavras se apresentam flexionadas de acordo com
litígio, relógio, refúgio. a norma- -padrão.
*os verbos terminados em ger e gir: eleger, mugir. (A) Os tabeliãos devem preparar o documento.
*depois da letra “r” com poucas exceções: emergir, sur- (B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis.
gir. (C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local.
*depois da letra “a”, desde que não seja radical termi- (D) Ao descer e subir escadas, segure-se nos corrimãos.
nado com j: ágil, agente. (E) Cuidado com os degrais, que são perigosos!

41
LÍNGUA PORTUGUESA

03. (Agente de Vigilância e Recepção – VUNESP – 2013). GABARITO


Suponha-se que o cartaz a seguir seja utilizado para informar
os usuários sobre o festival Sounderground. 01. B 02. D 03. C 04. C 05. B 06. C
Prezado Usuário
________ de oferecer lazer e cultura aos passageiros do me- RESOLUÇÃO
trô, ________ desta segunda-feira (25/02), ________ 17h30, co-
meça o Sounderground, festival internacional que prestigia os 1-) O exercício quer a alternativa que apresenta correção
músicos que tocam em estações do metrô. ortográfica. Na primeira lacuna utilizaremos “há”, já que está
Confira o dia e a estação em que os artistas se apresen- empregado no sentido de “existir”; na segunda, “consenso”
tarão e divirta-se! com “s”; na terceira, “acerca” significa “a respeito de”, o que
Para que o texto atenda à norma-padrão, devem-se preen- se encaixa perfeitamente no contexto. “Há cerca” = tem cerca
cher as lacunas, correta e respectivamente, com as expressões (de arame, cerca viva, enfim...); “a cerca” = a cerca está destruí-
A) A fim ...a partir ... as da (arame, madeira...)
B) A fim ...à partir ... às
C) A fim ...a partir ... às 2-)
D) Afim ...a partir ... às (A) Os tabeliãos devem preparar o documento. = tabe-
E) Afim ...à partir ... as liães
(B) Esses cidadões tinham autorização para portar fuzis.
04. Assinale a alternativa que não apresenta erro de or- = cidadãos
tografia: (C) Para autenticar as certidãos, procure o cartório local.
A) Ela interrompeu a reunião derrepente. = certidões
B) O governador poderá ter seu mandato caçado. (E) Cuidado com os degrais, que são perigosos = degraus
C) Os espectadores aplaudiram o ministro.
D) Saiu com descrição da sala. 3-) Prezado Usuário
A fim de oferecer lazer e cultura aos passageiros do me-
05.Em qual das alternativas a frase está corretamente escrita? trô, a partir desta segunda-feira (25/02), às 17h30, começa o
A) O mindingo não depositou na cardeneta de poupansa. Sounderground, festival internacional que prestigia os músi-
B) O mendigo não depositou na caderneta de poupança. cos que tocam em estações do metrô.
C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupanssa. Confira o dia e a estação em que os artistas se apresen-
D) O mendingo não depozitou na carderneta de poupansa. tarão e divirta-se!
A fim = indica finalidade; a partir: sempre separado; antes
06. (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU- de horas: há crase
LO – ADVOGADO - VUNESP/2013) Analise a propaganda do
programa 5inco Minutos. 4-)
A) Ela interrompeu a reunião derrepente. =de repente
B) O governador poderá ter seu mandato caçado. = cas-
sado
D) Saiu com descrição da sala. = discrição

5-)
A) O mindingo não depositou na cardeneta de poupansa.
= mendigo/caderneta/poupança
C) O mindigo não depozitou na cardeneta de poupanssa.
= mendigo/caderneta/poupança
D) O mendingo não depozitou na carderneta de poupan-
sa. =mendigo/depositou/caderneta/poupança

6-) A questão envolve colocação pronominal e ortografia.


Em norma-padrão da língua portuguesa, a frase da pro- Comecemos pela mais fácil: ortografia! A palavra “por isso”
paganda, adaptada, assume a seguinte redação: é escrita separadamente. Assim, já descartamos duas alter-
(A) 5INCO MINUTOS: às vezes, dura mais, mas não ma- nativas (“A” e “E”). Quanto à colocação pronominal, temos a
tem-na porisso. presença do advérbio “não”, que sabemos ser um “ímã” para
(B) 5INCO MINUTOS: as vezes, dura mais, mas não ma- o pronome oblíquo, fazendo-nos aplicar a regra da próclise
tem-na por isso. (pronome antes do verbo). Então, a forma correta é “mas não
(C) 5INCO MINUTOS: às vezes, dura mais, mas não a ma- A matem” (por que A e não LHE? Porque quem mata, mata
tem por isso. algo ou alguém, objeto direto. O “lhe” é usado para objeto
(D) 5INCO MINUTOS: as vezes, dura mais, mas não lhe indireto. Se não tivéssemos a conjunção “mas” nem o advér-
matem por isso. bio “não”, a forma “matem-na” estaria correta, já que, após
(E) 5INCO MINUTOS: às vezes, dura mais, mas não a ma- vírgula, o ideal é que utilizemos ênclise – pronome oblíquo
tem porisso. após o verbo).

42
LÍNGUA PORTUGUESA

acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras “a”,


B) ACENTUAÇÃO GRÁFICA. “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado: Ex.:
tâmara – Atlântico – pêssego – supôs

acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a” com


A acentuação é um dos requisitos que perfazem as re- artigos e pronomes. Ex.: à – às – àquelas – àqueles
gras estabelecidas pela Gramática Normativa. Esta se com-
põe de algumas particularidades, às quais devemos estar trema ( ¨ ) – De acordo com a nova regra, foi total-
atentos, procurando estabelecer uma relação de familia- mente abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado
ridade e, consequentemente, colocando-as em prática na em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros. Ex.:
linguagem escrita. mülleriano (de Müller)
À medida que desenvolvemos o hábito da leitura e a
prática de redigir, automaticamente aprimoramos essas til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam vo-
competências, e logo nos adequamos à forma padrão. gais nasais. Ex.: coração – melão – órgão – ímã

Regras básicas – Acentuação tônica Regras fundamentais:

A acentuação tônica implica na intensidade com que Palavras oxítonas:


são pronunciadas as sílabas das palavras. Aquela que se dá Acentuam-se todas as oxítonas terminadas em: “a”, “e”,
de forma mais acentuada, conceitua-se como sílaba tônica. “o”, “em”, seguidas ou não do plural(s): Pará – café(s) – ci-
As demais, como são pronunciadas com menos intensida- pó(s) – armazém(s)
de, são denominadas de átonas. Essa regra também é aplicada aos seguintes casos:
De acordo com a tonicidade, as palavras são classifi- Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”, se-
cadas como: guidos ou não de “s”. Ex.: pá – pé – dó – há
Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos, se-
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a guidas de lo, la, los, las. Ex. respeitá-lo – percebê-lo – com-
última sílaba. Ex.: café – coração – cajá – atum – caju – papel pô-lo

Paroxítonas – São aquelas em que a sílaba tônica recai Paroxítonas:


na penúltima sílaba. Ex.: útil – tórax – táxi – leque – retrato Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em:
– passível - i, is : táxi – lápis – júri
- us, um, uns : vírus – álbuns – fórum
Proparoxítonas - São aquelas em que a sílaba tônica - l, n, r, x, ps : automóvel – elétron - cadáver – tórax –
está na antepenúltima sílaba. Ex.: lâmpada – câmara – tím- fórceps
pano – médico – ônibus - ã, ãs, ão, ãos : ímã – ímãs – órfão – órgãos

Como podemos observar, os vocábulos possuem mais -- Dica da Zê!: Memorize a palavra LINURXÃO. Para
de uma sílaba, mas em nossa língua existem aqueles com quê? Repare que essa palavra apresenta as terminações
uma sílaba somente: são os chamados monossílabos que, das paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U (aqui inclua
quando pronunciados, apresentam certa diferenciação UM = fórum), R, X, Ã, ÃO. Assim ficará mais fácil a memo-
quanto à intensidade. rização!
Tal diferenciação só é percebida quando os pronun-
ciamos em uma dada sequência de palavras. Assim como -ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou
podemos observar no exemplo a seguir: não de “s”: água – pônei – mágoa – jóquei
“Sei que não vai dar em nada,
Seus segredos sei de cor”. Regras especiais:

Os monossílabos classificam-se como tônicos; os de- Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
mais, como átonos (que, em, de). abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento
de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em
Os acentos palavras paroxítonas.

acento agudo (´) – Colocado sobre as letras «a», «i», * Cuidado: Se os ditongos abertos estiverem em uma
«u» e sobre o «e» do grupo “em” - indica que estas letras palavra oxítona (herói) ou monossílaba (céu) ainda são
representam as vogais tônicas de palavras como Amapá, acentuados. Ex.: herói, céu, dói, escarcéu.
caí, público, parabéns. Sobre as letras “e” e “o” indica, além
da tonicidade, timbre aberto.Ex.: herói – médico – céu (di-
tongos abertos)

43
LÍNGUA PORTUGUESA

Antes Agora Antes Depois


assembléia assembleia apazigúe (apaziguar) apazigue
idéia ideia averigúe (averiguar) averigue
geléia geleia argúi (arguir) argui
jibóia jiboia
apóia (verbo apoiar) apoia Acentuam-se os verbos pertencentes à terceira pessoa do
paranóico paranoico plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles vêm (verbo vir)

Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, acom- A regra prevalece também para os verbos conter, ob-
panhados ou não de “s”, haverá acento. Ex.: saída – faísca ter, reter, deter, abster.
– baú – país – Luís ele contém – eles contêm
ele obtém – eles obtêm
Observação importante: ele retém – eles retêm
Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos, formando ele convém – eles convêm
hiato quando vierem depois de ditongo: Ex.:
Não se acentuam mais as palavras homógrafas que
Antes Agora antes eram acentuadas para diferenciá-las de outras seme-
bocaiúva bocaiuva lhantes (regra do acento diferencial). Apenas em algumas
feiúra feiura exceções, como:
Sauípe Sauipe A forma verbal pôde (terceira pessoa do singular do
pretérito perfeito do modo indicativo) ainda continua sen-
O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi do acentuada para diferenciar-se de pode (terceira pessoa
abolido. Ex.: do singular do presente do indicativo). Ex:
Antes Agora Ela pode fazer isso agora.
crêem creem Elvis não pôde participar porque sua mão não deixou...
lêem leem
vôo voo O mesmo ocorreu com o verbo pôr para diferenciar da
enjôo enjoo preposição por.
- Quando, na frase, der para substituir o “por” por “co-
- Agora memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos locar”, estaremos trabalhando com um verbo, portanto:
que, no plural, dobram o “e”, mas que não recebem mais “pôr”; nos outros casos, “por” preposição. Ex:
acento como antes: CRER, DAR, LER e VER. Faço isso por você.
Posso pôr (colocar) meus livros aqui?
Repare:
1-) O menino crê em você Questões sobre Acentuação Gráfica
Os meninos creem em você.
2-) Elza lê bem! 01. “Cadáver” é paroxítona, pois:
Todas leem bem! A) Tem a última sílaba como tônica.
3-) Espero que ele dê o recado à sala. B) Tem a penúltima sílaba como tônica.
Esperamos que os garotos deem o recado! C) Tem a antepenúltima sílaba como tônica.
4-) Rubens vê tudo! D) Não tem sílaba tônica.
Eles veem tudo!
02. Assinale a alternativa correta.
* Cuidado! Há o verbo vir: A palavra faliu contém um:
Ele vem à tarde! A) hiato
Eles vêm à tarde! B) dígrafo
C) ditongo decrescente
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quan- D) ditongo crescente
do seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z. Ra-ul, ru
-im, con-tri-bu-in-te, sa-ir, ju-iz 03. Em “O resultado da experiência foi, literalmen-
te, aterrador.” a palavra destacada encontra-se acentuada
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se esti- pelo mesmo motivo que:
verem seguidas do dígrafo nh. Ex: ra-i-nha, ven-to-i-nha. A) túnel
B) voluntário
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem C) até
precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba D) insólito
As formas verbais que possuíam o acento tônico na E) rótulos
raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de
“e” ou “i” não serão mais acentuadas. Ex.:

44
LÍNGUA PORTUGUESA

04. Assinale a alternativa correta. RESOLUÇÃO


A) “Contrário” e “prévias” são acentuadas por serem paro-
xítonas terminadas em ditongo. 1-) Separando as sílabas: Ca – dá – ver: a penúltima sílaba
B) Em “interruptor” e “testaria” temos, respectivamente, é a tônica (mais forte; nesse caso, acentuada). Penúltima síla-
encontro consonantal e hiato. ba tônica = paroxítona
C) Em “erros derivam do mesmo recurso mental” as pa-
lavras grifadas são paroxítonas. 2-) fa - liu - temos aqui duas vogais na mesma sílaba,
D) Nas palavras “seguida”, “aquele” e “quando” as partes portanto: ditongo. É decrescente porque apresenta uma vo-
destacadas são dígrafos. gal e uma semivogal. Na classificação, ambas são semivogais,
E) A divisão silábica está correta em “co-gni-ti-va”, “p-si- mas quando juntas, a que “aparecer” mais na pronúncia será
có-lo-ga” e “a-ci-o-na”. considerada “vogal”.

05. Todas as palavras abaixo são hiatos, EXCETO: 3-) ex – pe - ri – ên - cia : paroxítona terminada em di-
A) saúde tongo crescente (semivogal + vogal)
B) cooperar a-) Tú –nel: paroxítona terminada em L
C) ruim b-) vo – lun - tá – rio : paroxítona terminada em ditongo
D) creem c-) A - té – oxítona
E) pouco d-) in – só – li – to : proparoxítona
e-) ró – tu los – proparoxítona
06. “O episódio aconteceu em plena via pública de Assis.
Dez mulheres começaram a cantar músicas pela paz mundial. 4-)
A partir daquele momento outras pessoas que passavam por a-) correta
ali decidiram integrar ao grupo. Rapidamente, uma multidão b-) inteRRuptor: não é encontro consonantal, mas sim
aderiu à ideia. Assim começou a formação do maior coral po- DÍGRAFO
pular de Assis”. O vocábulo sublinhado tem sua acentuação c-) todas são, exceto MENTAL, que é oxítona
gráfica justificada pelo mesmo motivo das palavras: d-) são dígrafos, exceto QUANDO, que “ouço” o som do
A) eminência, ímpio, vácuo, espécie, sério U, portanto não é caso de dígrafo
B) aluá, cárie, pátio, aéreo, ínvio e-) cog – ni - ti – va / psi – có- lo- ga
C) chinês, varíola, rubéola, período, prêmio
D) sábio, sábia, sabiá, curió, sério 5-) sa - ú - de / co - o - pe – rar / ru – im / cre
- em / pou - co (ditongo)
07. Assinale a opção CORRETA em que todas as palavras
estão acentuadas na mesma posição silábica. 6-) e - pi - só - dio - paroxítona terminada em ditongo
A) Nazaré - além - até - está - também. a-) ok
B) Água - início - além - oásis - religião. b-) a – lu –á :oxítona, então descarte esse item
C) Município - início - água - século - oásis c-) chi – nês : oxítona, idem
D) Século - símbolo - água - histórias - missionário d-) sa – bi – á : idem
E) Missionário - símbolo - histórias - século – município
7-)
08. Considerando as palavras: também / revólver / lâm- a-) oxítona – TODAS
pada / lápis. Assinale a única alternativa cuja justificativa de b-) paroxítona – paroxítona – oxítona – paroxítona – não
acentuação gráfica não se refere a uma delas: acentuada
A) palavra paroxítona terminada em - is c-) paroxítona – idem – idem – proparoxítona – paroxítona
B) palavra proparoxítona terminada em - em d-) proparoxítona – idem – paroxítona – idem – idem
C) palavra paroxítona terminada em - r e-) paroxítona – proparoxítona – paroxítona – proparoxí-
D) palavra proparoxítona - todas devem ser acentuadas tona – paroxítona

09. Assinale a alternativa incorreta: 8-) tam – bém: oxítona / re – vól – ver: paroxítona / lâm –
A) Os vocábulos sábio, régua e decência são paroxítonos pa – da: proparoxítona / lá – pis :paroxítona
terminadas em ditongos crescentes. a-) é a regra do LÁPIS
B) O vocábulo armazém é acentuado por ser um oxítono b-) todas as proparoxítonas são acentuadas, independen-
terminado em em. te de sua terminação
C) Os vocábulos baú e cafeína são hiatos. c-) regra para REVÓLVER
D) O vocábulo véu é acentuado por ser um oxítono ter- d-) relativa à palavra lâmpada
minado em u.
9-) As alternativas A, B e C contêm afirmativas corretas.
GABARITO Na D, há erro, pois véu é monossílabo acentuado por ter-
minar em ditongo aberto.
01. B 02. C 03. B 04. A 05. E
06. A 07. A 08. B 09. D

45
LÍNGUA PORTUGUESA

Polissemia e ambiguidade
3. DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO.
Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto na
interpretação. Na língua portuguesa, um enunciado pode
ser ambíguo, ou seja, apresenta mais de uma interpreta-
SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS ção. Essa ambiguidade pode ocorrer devido à colocação
específica de uma palavra (por exemplo, um advérbio) em
Consideremos as seguintes frases: uma frase. Vejamos a seguinte frase: Pessoas que têm uma
Paula tem uma mão para cozinhar que dá inveja! alimentação equilibrada frequentemente são felizes. Neste
Vamos! Coloque logo a mão na massa! caso podem existir duas interpretações diferentes. As pes-
As crianças estão com as mãos sujas. soas têm alimentação equilibrada porque são felizes ou são
Passaram a mão na minha bolsa e nem percebi. felizes porque têm uma alimentação equilibrada.
De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, ela
Chegamos à conclusão de que se trata de palavras idên- pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma inter-
ticas no que se refere à grafia, mas será que possuem o mes- pretação. Para fazer a interpretação correta é muito impor-
mo significado? tante saber qual o contexto em que a frase é proferida.
Existe uma parte da gramática normativa denominada Na língua portuguesa, uma PALAVRA (do latim parabo-
Semântica. Ela trabalha a questão dos diferentes significados la, que por sua vez deriva do grego parabolé) pode ser de-
que uma mesma palavra apresenta de acordo com o contex- finida como sendo um conjunto de letras ou sons de uma
to em que se insere. língua, juntamente com a ideia associada a este conjunto.
Tomando como exemplo as frases já mencionadas, ana- Sentido Próprio e Figurado das Palavras
lisaremos os vocábulos de mesma grafia, de acordo com seu
sentido denotativo, isto é, aquele retratado pelo dicionário. Pela própria definição acima destacada podemos per-
Na primeira, a palavra “mão” significa habilidade, efi- ceber que a palavra é composta por duas partes, uma delas
ciência diante do ato praticado. Nas outras que seguem o
relacionada a sua forma escrita e os seus sons (denominada
significado é de: participação, interação mediante a uma
significante) e a outra relacionada ao que ela (palavra) ex-
tarefa realizada; mão como parte do corpo humano e por
pressa, ao conceito que ela traz (denominada significado).
último simboliza o roubo, visto de maneira pejorativa.
Em relação ao seu SIGNIFICADO as palavras subdivi-
Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo perce-
dem-se assim:
bemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade de algo.
Possibilidades de várias interpretações levando-se em consi-
- Sentido Próprio - é o sentido literal, ou seja, o senti-
deração as situações de aplicabilidade.
Há uma infinidade de outros exemplos em que pode- do comum que costumamos dar a uma palavra.
mos verificar a ocorrência da polissemia, como por exemplo:
O rapaz é um tremendo gato. - Sentido Figurado - é o sentido “simbólico”, “figura-
O gato do vizinho é peralta. do”, que podemos dar a uma palavra.
Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua so- Vamos analisar a palavra cobra utilizada em diferentes
brevivência contextos:
O passarinho foi atingido no bico. 1. A cobra picou o menino. (cobra = réptil peçonhento)
2. A sogra dele é uma cobra. (cobra = pessoa desagra-
Polissemia e homonímia dável, que adota condutas pouco apreciáveis)
3. O cara é cobra em Física! (cobra = pessoa que co-
A confusão entre polissemia e homonímia é bastante nhece muito sobre alguma coisa, “expert”)
comum. Quando a mesma palavra apresenta vários signi- No item 1 aplica-se o termo cobra em seu sentido co-
ficados, estamos na presença da polissemia. Por outro lado, mum (ou literal); nos itens 2 e 3 o termo cobra é aplicado
quando duas ou mais palavras com origens e significados em sentido figurado.
distintos têm a mesma grafia e fonologia, temos uma ho- Podemos então concluir que um mesmo significante
monímia. (parte concreta) pode ter vários significados (conceitos).
A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode
significar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não é Denotação e Conotação
polissemia porque os diferentes significados para a palavra
manga têm origens diferentes, e por isso alguns estudiosos - Denotação: verifica-se quando utilizamos a palavra
mencionam que a palavra manga deveria ter mais do que com o seu significado primitivo e original, com o sentido
uma entrada no dicionário. do dicionário; usada de modo automatizado; linguagem
“Letra” é uma palavra polissêmica. Letra pode significar comum. Veja este exemplo: Cortaram as asas da ave para
o elemento básico do alfabeto, o texto de uma canção ou a que não voasse mais.
caligrafia de um determinado indivíduo. Neste caso, os dife- Aqui a palavra em destaque é utilizada em seu sentido
rentes significados estão interligados porque remetem para próprio, comum, usual, literal.
o mesmo conceito, o da escrita.

46
LÍNGUA PORTUGUESA

MINHA DICA - Procure associar Denotação com Dicio- As palavras destacadas que expressam ideia de tempo
nário: trata-se de definição literal, quando o termo é utiliza- são:
do em seu sentido dicionarístico. (A) algo, especialmente e Quando.
(B) Desde, especialmente e algo.
- Conotação: verifica-se quando utilizamos a palavra (C) especialmente, Quando e depois.
com o seu significado secundário, com o sentido amplo (ou (D) Desde, Quando e depois.
simbólico); usada de modo criativo, figurado, numa lingua- (E) Desde, algo e depois.
gem rica e expressiva. Veja este exemplo:
Seria aconselhável cortar as asas deste menino, antes 4-) (TRF - 5ª REGIÃO - TÉCNICO JUDICIÁRIO - FCC/2012)
que seja tarde demais. A importância de Rodolfo Coelho Cavalcante para o mo-
Já neste caso o termo (asas) é empregado de forma fi- vimento cordelista pode ser comparada à de outros dois
gurada, fazendo alusão à ideia de restrição e/ou controle de grandes nomes...
ações; disciplina, limitação de conduta e comportamento. Sem qualquer outra alteração da frase acima e sem
prejuízo da correção, o elemento grifado pode ser subs-
Fonte: tituído por:
http://www.tecnolegis.com/estudo-dirigido/oficial-de- (A) contrastada.
justica-tjm-sp/lingua-portuguesa-sentido-proprio-e-figu- (B) confrontada.
rado-das-palavras.html (C) ombreada.
(D) rivalizada.
Questões sobre Denotação e Conotação (E) equiparada.

1-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU- 5-) (PREFEITURA DE SERTÃOZINHO – AGENTE COMU-
LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013) O NITÁRIO DE SAÚDE – VUNESP/2012) No verso – Não te
sentido de marmóreo (adjetivo) equivale ao da expressão abras com teu amigo – o verbo em destaque foi emprega-
de mármore. Assinale a alternativa contendo as expressões do em sentido figurado.
com sentidos equivalentes, respectivamente, aos das pala- Assinale a alternativa em que esse mesmo verbo “abrir”
vras ígneo e pétreo. continua sendo empregado em sentido figurado.
(A) De corda; de plástico. (A) Ao abrir a porta, não havia ninguém.
(B) De fogo; de madeira. (B) Ele não pôde abrir a lata porque não tinha um abridor.
(C) De madeira; de pedra. (C) Para aprender, é preciso abrir a mente.
(D) De fogo; de pedra. (D) Pela manhã, quando abri os olhos, já estava em casa.
(E) De plástico; de cinza. (E) Os ladrões abriram o cofre com um maçarico.

2-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU- 6-) (SABESP/SP – ATENDENTE A CLIENTES 01 –
LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013 - FCC/2014 - ADAPTADA) Atenção: Para responder à ques-
ADAPTADO) Para responder à questão, considere a seguinte tão, considere o texto abaixo.
passagem: Sem querer estereotipar, mas já estereotipando:
trata-se de um ser cujas interações sociais terminam, 99% A marca da solidão
das vezes, diante da pergunta “débito ou crédito?”.
Nesse contexto, o verbo estereotipar tem sentido de Deitado de bruços, sobre as pedras quentes do chão de
(A) considerar ao acaso, sem premeditação. paralelepípedos, o menino espia. Tem os braços dobrados e a
(B) aceitar uma ideia mesmo sem estar convencido dela. testa pousada sobre eles, seu rosto formando uma tenda de
(C) adotar como referência de qualidade. penumbra na tarde quente.
(D) julgar de acordo com normas legais. Observa as ranhuras entre uma pedra e outra. Há, den-
(E) classificar segundo ideias preconcebidas. tro de cada uma delas, um diminuto caminho de terra, com
pedrinhas e tufos minúsculos de musgos, formando peque-
3-) (TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAU- nas plantas, ínfimos bonsais só visíveis aos olhos de quem é
LO - ESCREVENTE TÉCNICO JUDICIÁRIO – VUNESP/2013 capaz de parar de viver para, apenas, ver. Quando se tem a
- ADAPTADA) Para responder a esta questão, considere as marca da solidão na alma, o mundo cabe numa fresta.
palavras destacadas nas seguintes passagens do texto: (SEIXAS, Heloísa. Contos mais que mínimos. Rio de Ja-
Desde o surgimento da ideia de hipertexto... neiro: Tinta negra bazar, 2010. p. 47)
... informações ligadas especialmente à pesquisa aca- No primeiro parágrafo, a palavra utilizada em sentido
dêmica, figurado é
... uma “máquina poética”, algo que funcionasse por (A) menino.
analogia e associação... (B) chão.
Quando o cientista Vannevar Bush [...] concebeu a ideia (C) testa.
de hipertexto... (D) penumbra.
... 20 anos depois de seu artigo fundador... (E) tenda.

47
LÍNGUA PORTUGUESA

7-) (UFTM/MG – AUXILIAR DE BIBLIOTECA – VU- RESOLUÇÃO


NESP/2013 - ADAPTADA) Leia o texto para responder à
questão. 1-)
Questão que pode ser resolvida usando a lógica ou asso-
RIO DE JANEIRO – A Prefeitura do Rio está lançando a ciação de palavras! Veja: a ignição do carro lembra-nos fogo,
Operação Lixo Zero, que vai multar quem emporcalhar a ci- combustão... Pedra, petrificado. Encontrou a resposta?
dade. Em primeira instância, a campanha é educativa. Equi- RESPOSTA: “D”.
pes da Companhia Municipal de Limpeza Urbana estão per-
2-)
correndo as ruas para flagrar maus cidadãos jogando coisas
Classificar conforme regras conhecidas, mas não confir-
onde não devem e alertá-los para o que os espera. Em breve,
madas se verdadeiras.
com guardas municipais, policiais militares e 600 fiscais em
ação, as multas começarão a chegar para quem tratar a via RESPOSTA: “E”.
pública como a casa da sogra.
Imagina-se que, quando essa lei começar para valer, os 3-)
recordistas de multas serão os cerca de 300 jovens golpistas As palavras que nos dão a noção, ideia de tempo são:
que, nas últimas semanas, se habituaram a tomar as ruas, desde, quando e depois.
pichar monumentos, vandalizar prédios públicos, quebrar
orelhões, arrancar postes, apedrejar vitrines, depredar ban- RESPOSTA: “D”.
cos, saquear lojas e, por uma estranha compulsão, destruir
lixeiras, jogar o lixo no asfalto e armar barricadas de fogo 4-)
com ele. Ao participar de um concurso, não temos acesso a dicio-
É verdade que, no seu “bullying” político, eles não estão nários para que verifiquemos o significado das palavras, por
nem aí para a cidade, que é de todos – e que, por algum isso, caso não saibamos o que significam, devemos analisá-las
motivo, parecem querer levar ao colapso. dentro do contexto em que se encontram. No exercício acima,
Pois, já que a lei não permite prendê-los por vandalis- a que se “encaixa” é “equiparada”.
mo, saque, formação de quadrilha, desacato à autoridade,
RESPOSTA: “E”.
resistência à prisão e nem mesmo por ataque aos órgãos
públicos, talvez seja possível enquadrá-los por sujar a rua.
5-)
(Ruy Castro, Por sujar a rua. Folha de S.Paulo, 21.08.2013. Em todas as alternativas o verbo “abrir” está empregado
Adaptado) em seu sentido denotativo. No item C, conotativo (“abrir a
mente” = aberto a mudanças, novas ideias).
Na oração – ... parecem querer levar ao colapso. – (3.º
parágrafo), o termo em destaque é sinônimo de RESPOSTA: “C”.
(A) progresso.
(B) descaso. 6-)
(C) vitória. Novamente, responderemos com frase do texto: seu ros-
(D) tédio. to formando uma tenda.
(E) ruína.
RESPOSTA: “E”.
8-) (BNDES – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – BN-
DES/2012) Considere o emprego do verbo levar no trecho: 7-)
“Uma competição não dura apenas alguns minutos. Leva Pela leitura do texto, compreende-se que a intenção do
anos”. A frase em que esse verbo está usado com o mesmo autor ao utilizar a expressão” levar ao colapso” refere-se à
sentido é: queda, ao fim, à ruína da cidade.
(A) O menino leva o material adequado para a escola.
RESPOSTA: “E”.
(B) João levou uma surra da mãe.
(C) A enchente leva todo o lixo rua abaixo. 8-)
(D) O trabalho feito com empenho leva ao sucesso. No enunciado, o verbo “levar” está empregado com o
(E) O atleta levou apenas dez segundos para terminar sentido de “duração/tempo”
a prova. (A) O menino leva o material adequado para a escola. = carrega
(B) João levou uma surra da mãe. = apanhou
(C) A enchente leva todo o lixo rua abaixo. = arrasta
(D) O trabalho feito com empenho leva ao sucesso. =
direciona
(E) O atleta levou apenas dez segundos para terminar a
prova = duração/tempo

RESPOSTA: “E”.

48
LÍNGUA PORTUGUESA

- Sinônimos Questões sobre Significação das Palavras


São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto
- abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar - abolir. 01. Assinale a alternativa que preenche corretamente
Observação: A contribuição greco-latina é responsável as lacunas da frase abaixo:
pela existência de numerosos pares de sinônimos: adver- Da mesma forma que os italianos e japoneses _________
sário e antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e he- para o Brasil no século passado, hoje os brasileiros ________
miciclo; contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e para a Europa e para o Japão, à busca de uma vida melhor;
diálogo; transformação e metamorfose; oposição e antítese. internamente, __________ para o Sul, pelo mesmo motivo.
a) imigraram - emigram - migram
- Antônimos b) migraram - imigram - emigram
São palavras de significação oposta: ordem - anarquia; c) emigraram - migram - imigram.
soberba - humildade; louvar - censurar; mal - bem. d) emigraram - imigram - migram.
Observação: A antonímia pode originar-se de um pre- e) imigraram - migram – emigram
fixo de sentido oposto ou negativo: bendizer e maldizer;
simpático e antipático; progredir e regredir; concórdia e dis- Agente de Apoio – Microinformática – VUNESP – 2013
córdia; ativo e inativo; esperar e desesperar; comunista e an- - Leia o texto para responder às questões de números 02
ticomunista; simétrico e assimétrico. e 03.
O que são Homônimos e Parônimos:
- Homônimos Alunos de colégio fazem robôs com sucata eletrônica
a) Homógrafos: são palavras iguais na escrita e diferen-
tes na pronúncia: Você comprou um smartphone e acha que aquele seu
rego (subst.) e rego (verbo); celular antigo é imprestável? Não se engane: o que é lixo
colher (verbo) e colher (subst.); para alguns pode ser matéria-prima para outros. O CMID
jogo (subst.) e jogo (verbo); – Centro Marista de Inclusão Digital –, que funciona junto
ao Colégio Marista de Santa Maria, no Rio Grande do Sul,
denúncia (subst.) e denuncia (verbo);
ensina os alunos do colégio a fazer robôs a partir de lixo
providência (subst.) e providencia (verbo).
eletrônico.
Os alunos da turma avançada de robótica, por exemplo,
b) Homófonos: são palavras iguais na pronúncia e di-
constroem carros com sensores de movimento que respon-
ferentes na escrita:
dem à aproximação das pessoas. A fonte de energia vem de
acender (atear) e ascender (subir);
baterias de celular. “Tirando alguns sensores, que precisa-
concertar (harmonizar) e consertar (reparar);
mos comprar, é tudo reciclagem”, comentou o instrutor de
cela (compartimento) e sela (arreio);
robótica do CMID, Leandro Schneider. Esses alunos também
censo (recenseamento) e senso ( juízo);
aprendem a consertar computadores antigos. “O nosso pro-
paço (palácio) e passo (andar). jeto só funciona por causa do lixo eletrônico. Se tivéssemos
que comprar tudo, não seria viável”, completou.
c) Homógrafos e homófonos simultaneamente: São Em uma época em que celebridades do mundo digital
palavras iguais na escrita e na pronúncia: fazem campanha a favor do ensino de programação nas es-
caminho (subst.) e caminho (verbo); colas, é inspirador o relato de Dionatan Gabriel, aluno da
cedo (verbo) e cedo (adv.); turma avançada de robótica do CMID que, aos 16 anos, já
livre (adj.) e livre (verbo). sabe qual será sua profissão. “Quero ser programador. No
início das aulas, eu achava meio chato, mas depois fui me
- Parônimos interessando”, disse.
São palavras parecidas na escrita e na pronúncia: coro e (Giordano Tronco, www.techtudo.com.br, 07.07.2013.
couro; cesta e sesta; eminente e iminente; osso e ouço; sede Adaptado)
e cede; comprimento e cumprimento; tetânico e titânico; au-
tuar e atuar; degradar e degredar; infligir e infringir; deferir 02. A palavra em destaque no trecho –“Tirando alguns
e diferir; suar e soar. sensores, que precisamos comprar, é tudo reciclagem”... –
pode ser substituída, sem alteração do sentido da mensa-
http://www.coladaweb.com/portugues/sinonimos,-an- gem, pela seguinte expressão:
tonimos,-homonimos-e-paronimos A) Pelo menos
B) A contar de
C) Em substituição a
D) Com exceção de
E) No que se refere a

49
LÍNGUA PORTUGUESA

03. Assinale a alternativa que apresenta um antônimo 07. Assinale o único exemplo cuja lacuna deve ser preen-
para o termo destacado em – …“No início das aulas, eu chida com a primeira alternativa da série dada nos parênteses:
achava meio chato, mas depois fui me interessando”, disse. A) Estou aqui _______ de ajudar os flagelados das enchen-
A) Estimulante. tes. (afim- a fim).
B) Cansativo. B) A bandeira está ________. (arreada - arriada).
C) Irritante. C) Serão punidos os que ________ o regulamento. (inflin-
D) Confuso. girem - infringirem).
E) Improdutivo. D) São sempre valiosos os ________ dos mais velhos.
(concelhos - conselhos).
04. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU- E) Moro ________ cem metros da praça principal. (a cerca
NESP – 2013). Analise as afirmações a seguir. de - acerca de).
I. Em – Há sete anos, Fransley Lapavani Silva está preso
por homicídio. – o termo em destaque pode ser substituí- 08. Assinale a alternativa correta, considerando que à di-
do, sem alteração do sentido do texto, por “faz”. reita de cada palavra há um sinônimo.
II. A frase – Todo preso deseja a libertação. – pode ser a) emergir = vir à tona; imergir = mergulhar
reescrita da seguinte forma – Todo preso aspira à liberta- b) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país)
ção. c) delatar = expandir; dilatar = denunciar
III. No trecho – ... estou sendo olhado de forma dife- d) deferir = diferenciar; diferir = conceder
rente aqui no presídio devido ao bom comportamento. – e) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação
pode-se substituir a expressão em destaque por “em razão
do”, sem alterar o sentido do texto. GABARITO
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa,
está correto o que se afirma em 01. A 02. D 03. A 04. A
A) I, II e III. 05. D 06. E 07. E 08. A
B) III, apenas.
C) I e III, apenas. RESOLUÇÃO
D) I, apenas.
E) I e II, apenas. 1-) Da mesma forma que os italianos e japoneses imigra-
ram para o Brasil no século passado, hoje os brasileiros emi-
05. Leia as frases abaixo: gram para a Europa e para o Japão, à busca de uma vida me-
1 - Assisti ao ________ do balé Bolshoi; lhor; internamente, migram para o Sul, pelo mesmo motivo.
2 - Daqui ______ pouco vão dizer que ______ vida em
Marte. 2-) “Com exceção de alguns sensores, que precisamos
3 - As _________ da câmara são verdadeiros programas comprar, é tudo reciclagem”...
de humor.
4 - ___________ dias que não falo com Alfredo. 3-) antônimo para o termo destacado : “No início das
aulas, eu achava meio chato, mas depois fui me interessando”
Escolha a alternativa que oferece a sequência correta “No início das aulas, eu achava meio estimulante, mas
de vocábulos para as lacunas existentes: depois fui me interessando”
a) concerto – há – a – cessões – há;
b) conserto – a – há – sessões – há; 4-)
c) concerto – a – há – seções – a; I. Em – Há sete anos, Fransley Lapavani Silva está preso
d) concerto – a – há – sessões – há; por homicídio. – o termo em destaque pode ser substituído,
e) conserto – há – a – sessões – a . sem alteração do sentido do texto, por “faz”. = correta
II. A frase – Todo preso deseja a libertação. – pode ser
06. (Agente de Escolta e Vigilância Penitenciária – VU- reescrita da seguinte forma – Todo preso aspira à libertação.
NESP – 2013-adap.). Considere o seguinte trecho para res- = correta
ponder à questão. III. No trecho – ... estou sendo olhado de forma diferente
aqui no presídio devido ao bom comportamento. – pode-se
Adolescentes vivendo em famílias que não lhes trans- substituir a expressão em destaque por “em razão do”, sem
mitiram valores sociais altruísticos, formação moral e não alterar o sentido do texto. = correta
lhes impuseram limites de disciplina.
5-)
O sentido contrário (antônimo) de altruísticos, nesse 1 - Assisti ao concerto do balé Bolshoi;
trecho, é: 2 - Daqui a pouco vão dizer que há (= existe)
A) de desprendimento. vida em Marte.
B) de responsabilidade. 3 – As sessões da câmara são verdadeiros progra-
C) de abnegação. mas de humor.
D) de amor. 4- Há dias que não falo com Alfredo. (=
E) de egoísmo. tempo passado)

50
LÍNGUA PORTUGUESA

6-) Adolescentes vivendo em famílias que não lhes trans- Veio me visitar um amigo que eu morei na casa dele faz
mitiram valores sociais altruísticos, formação moral e não tempo.
lhes impuseram limites de disciplina. Veio visitar-me um amigo em cuja casa eu morei há anos.
O sentido contrário (antônimo) de altruísticos, nesse tre- Qualquer falante do português reconhecerá que os dois
cho, é de egoísmo enunciados pertencem ao seu idioma e têm o mesmo senti-
Altruísmo é um tipo de comportamento encontrado nos do, mas também que há diferenças. Pode dizer, por exemplo,
seres humanos e outros seres vivos, em que as ações de um que o segundo é de gente mais “estudada”.
indivíduo beneficiam outros. É sinônimo de filantropia. No Isso é prova de que, ainda que intuitivamente e sem sa-
sentido comum do termo, é muitas vezes percebida, tam- ber dar grandes explicações, as pessoas têm noção de que
bém, como sinônimo de solidariedade. Esse conceito opõe- existem muitas maneiras de falar a mesma língua. É o que os
se, portanto, ao egoísmo, que são as inclinações específica e teóricos chamam de variações linguísticas.
exclusivamente individuais (pessoais ou coletivas). As variações que distinguem uma variante de outra se
manifestam em quatro planos distintos, a saber: fônico, mor-
7-) fológico, sintático e lexical.
A) Estou aqui a fim de de ajudar os flagelados das
enchentes. (afim = O adjetivo “afim” é empregado para in- Variações Fônicas
dicar que uma coisa tem afinidade com a outra. Há pessoas
que têm temperamentos afins, ou seja, parecidos) São as que ocorrem no modo de pronunciar os sons
B) A bandeira está arriada . (arrear = colocar constituintes da palavra. Os exemplos de variação fônica são
arreio no cavalo) abundantes e, ao lado do vocabulário, constituem os domí-
C) Serão punidos os que infringirem o regulamento. nios em que se percebe com mais nitidez a diferença entre
(inflingirem = aplicarem a pena) uma variante e outra. Entre esses casos, podemos citar:
D) São sempre valiosos os conselhos dos mais ve- - a queda do “r” final dos verbos, muito comum na lin-
lhos; (concelhos= Porção territorial ou parte administrativa guagem oral no português: falá, vendê, curti (em vez de cur-
de um distrito). tir), compô.
E) Moro a cerca de cem metros da praça principal. - o acréscimo de vogal no início de certas palavras: eu
(acerca de = Acerca de é sinônimo de “a respeito de”.). me alembro, o pássaro avoa, formas comuns na linguagem
clássica, hoje frequentes na fala caipira.
8-) - a queda de sons no início de palavras: ocê, cê, ta, tava,
b) emigrar = entrar (no país); imigrar = sair (do país) = marelo (amarelo), margoso (amargoso), características na lin-
significados invertidos guagem oral coloquial.
c) delatar = expandir; dilatar = denunciar = significa- - a redução de proparoxítonas a paroxítonas: Petrópis
dos invertidos (Petrópolis), fórfi (fósforo), porva (pólvora), todas elas formam
d) deferir = diferenciar; diferir = conceder = significa- típicas de pessoas de baixa extração social.
dos invertidos - A pronúncia do “l” final de sílaba como “u” (na maio-
e) dispensa = cômodo; despensa = desobrigação = ria das regiões do Brasil) ou como “l” (em certas regiões do
significados invertidos Rio Grande do Sul e Santa Catarina) ou ainda como “r” (na
linguagem caipira): quintau, quintar, quintal; pastéu, paster,
pastel; faróu, farór, farol.
4. VARIAÇÃO LINGUÍSTICA; - deslocamento do “r” no interior da sílaba: largato, pre-
guntar, estrupo, cardeneta, típicos de pessoas de baixa extra-
ção social.

“Há uma grande diferença se fala um deus ou um herói; Variações Morfológicas


se um velho amadurecido ou um jovem impetuoso na flor da
idade; se uma matrona autoritária ou uma dedicada; se um São as que ocorrem nas formas constituintes da palavra.
mercador errante ou um lavrador de pequeno campo fértil (...)” Nesse domínio, as diferenças entre as variantes não são tão
numerosas quanto as de natureza fônica, mas não são des-
Todas as pessoas que falam uma determinada língua co- prezíveis. Como exemplos, podemos citar:
nhecem as estruturas gerais, básicas, de funcionamento po- - o uso do prefixo hiper- em vez do sufixo -íssimo para
dem sofrer variações devido à influência de inúmeros fatores. criar o superlativo de adjetivos, recurso muito característico
Tais variações, que às vezes são pouco perceptíveis e outras da linguagem jovem urbana: um cara hiper-humano (em vez
vezes bastantes evidentes, recebem o nome genérico de va- de humaníssimo), uma prova hiper difícil (em vez de dificíli-
riedades ou variações linguísticas. ma), um carro hiper possante (em vez de possantíssimo).
Nenhuma língua é usada de maneira uniforme por todos - a conjugação de verbos irregulares pelo modelo dos
os seus falantes em todos os lugares e em qualquer situação. regulares: ele interviu (interveio), se ele manter (mantiver), se
Sabe-se que, numa mesma língua, há formas distintas para ele ver (vir) o recado, quando ele repor (repuser).
traduzir o mesmo significado dentro de um mesmo contexto. - a conjugação de verbos regulares pelo modelo de
Suponham-se, por exemplo, os dois enunciados a seguir: irregulares: vareia (varia), negoceia (negocia).

51
LÍNGUA PORTUGUESA

- uso de substantivos masculinos como femininos ou vice- Designações das Variantes Lexicais:
versa: duzentas gramas de presunto (duzentos), a champanha
(o champanha), tive muita dó dela (muito dó), mistura do cal - Arcaísmo: diz-se de palavras que já caíram de uso
(da cal). e, por isso, denunciam uma linguagem já ultrapassada e
- a omissão do “s” como marca de plural de substantivos e envelhecida. É o caso de reclame, em vez de anúncio publi-
adjetivos (típicos do falar paulistano): os amigo e as amiga, os citário; na década de 60, o rapaz chamava a namorada de
livro indicado, as noite fria, os caso mais comum. broto (hoje se diz gatinha ou forma semelhante), e um ho-
- o enfraquecimento do uso do modo subjuntivo: Espero mem bonito era um pão; na linguagem antiga, médico era
que o Brasil reflete (reflita) sobre o que aconteceu nas últimas designado pelo nome físico; um bobalhão era chamado de
eleições; Se eu estava (estivesse) lá, não deixava acontecer; Não coió ou bocó; em vez de refrigerante usava-se gasosa; algo
é possível que ele esforçou (tenha se esforçado) mais que eu. muito bom, de qualidade excelente, era supimpa.

Variações Sintáticas - Neologismo: é o contrário do arcaísmo. Trata-se de


palavras recém-criadas, muitas das quais mal ou nem es-
Dizem respeito às correlações entre as palavras da frase. traram para os dicionários. A moderna linguagem da com-
No domínio da sintaxe, como no da morfologia, não são tan- putação tem vários exemplos, como escanear, deletar, prin-
tas as diferenças entre uma variante e outra. Como exemplo, tar; outros exemplos extraídos da tecnologia moderna são
podemos citar: mixar (fazer a combinação de sons), robotizar, robotização.
- o uso de pronomes do caso reto com outra função que
não a de sujeito: encontrei ele (em vez de encontrei-o) na rua; - Estrangeirismo: trata-se do emprego de palavras
não irão sem você e eu (em vez de mim); nada houve entre tu emprestadas de outra língua, que ainda não foram apor-
(em vez de ti) e ele. tuguesadas, preservando a forma de origem. Nesse caso,
- o uso do pronome lhe como objeto direto: não lhe (em há muitas expressões latinas, sobretudo da linguagem ju-
vez de “o”) convidei; eu lhe (em vez de “o”) vi ontem. rídica, tais como: habeas-corpus (literalmente, “tenhas o
- a ausência da preposição adequada antes do pronome corpo” ou, mais livremente, “estejas em liberdade”), ipso
relativo em função de complemento verbal: são pessoas que facto (“pelo próprio fato de”, “por isso mesmo”), ipsis lit-
(em vez de: de que) eu gosto muito; este é o melhor filme que teris (textualmente, “com as mesmas letras”), grosso modo
(em vez de a que) eu assisti; você é a pessoa que (em vez de (“de modo grosseiro”, “impreciso”), sic (“assim, como está
em que) eu mais confio. escrito”), data venia (“com sua permissão”).
- a substituição do pronome relativo “cujo” pelo pronome As palavras de origem inglesas são inúmeras: insight
“que” no início da frase mais a combinação da preposição “de” (compreensão repentina de algo, uma percepção súbita),
com o pronome “ele” (=dele): É um amigo que eu já conhecia feeling (“sensibilidade”, capacidade de percepção), briefing
a família dele (em vez de ...cuja família eu já conhecia). (conjunto de informações básicas), jingle (mensagem pu-
- a mistura de tratamento entre tu e você, sobretudo quan- blicitária em forma de música).
do se trata de verbos no imperativo: Entra, que eu quero falar Do francês, hoje são poucos os estrangeirismos que
com você (em vez de contigo); Fala baixo que a sua (em vez de ainda não se aportuguesaram, mas há ocorrências: hors-
tua) voz me irrita. concours (“fora de concurso”, sem concorrer a prêmios),
- ausência de concordância do verbo com o sujeito: Eles tête-à-tête (palestra particular entre duas pessoas), esprit
chegou tarde (em grupos de baixa extração social); Faltou na- de corps (“espírito de corpo”, corporativismo), menu (car-
quela semana muitos alunos; Comentou-se os episódios. dápio), à la carte (cardápio “à escolha do freguês”), phy-
sique du rôle (aparência adequada à caracterização de um
Variações Léxicas personagem).

É o conjunto de palavras de uma língua. As variantes - Jargão: é o lexo típico de um campo profissional
do plano do léxico, como as do plano fônico, são muito como a medicina, a engenharia, a publicidade, o jorna-
numerosas e caracterizam com nitidez uma variante em lismo. No jargão médico temos uso tópico (para remédios
confronto com outra. Eis alguns, entre múltiplos exemplos que não devem ser ingeridos), apneia (interrupção da res-
possíveis de citar: piração), AVC ou acidente vascular cerebral (derrame cere-
- a escolha do adjetivo maior em vez do advérbio muito bral). No jargão jornalístico chama-se de gralha, pastel ou
para formar o grau superlativo dos adjetivos, características caco o erro tipográfico como a troca ou inversão de uma
da linguagem jovem de alguns centros urbanos: maior legal; letra. A palavra lide é o nome que se dá à abertura de uma
maior difícil; Esse amigo é um carinha maior esforçado. notícia ou reportagem, onde se apresenta sucintamente o
- as diferenças lexicais entre Brasil e Portugal são tantas e, assunto ou se destaca o fato essencial. Quando o lide é
às vezes, tão surpreendentes, que têm sido objeto de piada de muito prolixo, é chamado de nariz-de-cera. Furo é notícia
lado a lado do Oceano. Em Portugal chamam de cueca aquilo dada em primeira mão. Quando o furo se revela falso, foi
que no Brasil chamamos de calcinha; o que chamamos de fila uma barriga. Entre os jornalistas é comum o uso do verbo
no Brasil, em Portugal chamam de bicha; café da manhã em repercutir como transitivo direto: __ Vá lá repercutir a notícia
Portugal se diz pequeno almoço; camisola em Portugal traduz de renúncia! (esse uso é considerado errado pela gramática
o mesmo que chamamos de suéter, malha, camiseta. normativa).

52
LÍNGUA PORTUGUESA

- Gíria: é o lexo especial de um grupo (originariamen- Por outro lado, a frase 2 é mais comum aos falantes
te de marginais) que não deseja ser entendido por outros que tiveram possibilidades socioeconômicas melhores e
grupos ou que pretende marcar sua identidade por meio puderam, por isso, ter um contato mais duradouro com
da linguagem. Existe a gíria de grupos marginalizados, de a escola, com a leitura, com pessoas de um nível cultural
grupos jovens e de segmentos sociais de contestação, so- mais elevado e, dessa forma, “aperfeiçoaram” o seu modo
bretudo quando falam de atividades proibidas. A lista de de utilização da língua.
gírias é numerosíssima em qualquer língua: ralado (no Convém ficar claro, no entanto, que a diferenciação fei-
sentido de afetado por algum prejuízo ou má sorte), ir pro ta acima está bastante simplificada, uma vez que há diver-
brejo (ser malsucedido, fracassar, prejudicar-se irremedia- sos outros fatores que interferem na maneira como o fa-
velmente), cara ou cabra (indivíduo, pessoa), bicha (homos- lante escolhe as palavras e constrói as frases. Por exemplo,
sexual masculino), levar um lero (conversar). a situação de uso da língua: um advogado, num tribunal
de júri, jamais usaria a expressão “tá na cara”, mas isso não
- Preciosismo: diz-se que é preciosista um léxico ex- significa que ele não possa usá-la numa situação informal
cessivamente erudito, muito raro, afetado: Escoimar (em (conversando com alguns amigos, por exemplo).
vez de corrigir); procrastinar (em vez de adiar); discrepar Da comparação entre as frases 1 e 2, podemos concluir
(em vez de discordar); cinesíforo (em vez de motorista); ob- que as condições sociais influem no modo de falar dos in-
nubilar (em vez de obscurecer ou embaçar); conúbio (em divíduos, gerando, assim, certas variações na maneira de
vez de casamento); chufa (em vez de caçoada, troça). usar uma mesma língua. A elas damos o nome de variações
socioculturais.
- Vulgarismo: é o contrário do preciosismo, ou seja,
o uso de um léxico vulgar, rasteiro, obsceno, grosseiro. É - Geográfica: é, no Brasil, bastante grande e pode ser
o caso de quem diz, por exemplo, de saco cheio (em vez facilmente notada. Ela se caracteriza pelo acento linguís-
de aborrecido), se ferrou (em vez de se deu mal, arruinou- tico, que é o conjunto das qualidades fisiológicas do som
se), feder (em vez de cheirar mal), ranho (em vez de muco, (altura, timbre, intensidade), por isso é uma variante cujas
secreção do nariz). marcas se notam principalmente na pronúncia. Ao conjun-
to das características da pronúncia de uma determinada
Tipos de Variação região dá-se o nome de sotaque: sotaque mineiro, sota-
que nordestino, sotaque gaúcho etc. A variação geográfica,
Não tem sido fácil para os estudiosos encontrar para além de ocorrer na pronúncia, pode também ser percebida
as variantes linguísticas um sistema de classificação que no vocabulário, em certas estruturas de frases e nos sen-
seja simples e, ao mesmo tempo, capaz de dar conta de tidos diferentes que algumas palavras podem assumir em
todas as diferenças que caracterizam os múltiplos modos diferentes regiões do país.
de falar dentro de uma comunidade linguística. O principal Leia, como exemplo de variação geográfica, o trecho
problema é que os critérios adotados, muitas vezes, se su- abaixo, em que Guimarães Rosa, no conto “São Marcos”, re-
perpõem, em vez de atuarem isoladamente. cria a fala de um típico sertanejo do centro-norte de Minas:
As variações mais importantes, para o interesse do
concurso público, são os seguintes: “__ Mas você tem medo dele... [de um feiticeiro chamado
Mangolô!].
- Sócio-Cultural: Esse tipo de variação pode ser per- __ Há-de-o!... Agora, abusar e arrastar mala, não faço.
cebido com certa facilidade. Por exemplo, alguém diz a se- Não faço, porque não paga a pena... De primeiro, quando eu
guinte frase: era moço, isso sim!... Já fui gente. Para ganhar aposta, já fui,
de noite, foras d’hora, em cemitério... (...). Quando a gente é
“Tá na cara que eles não teve peito de encará os ladrão.” novo, gosta de fazer bonito, gosta de se comparecer. Hoje,
(frase 1) não, estou percurando é sossego...”
- Histórica: as línguas não são estáticas, fixas, imutá-
Que tipo de pessoa comumente fala dessa maneira? veis. Elas se alteram com o passar do tempo e com o uso.
Vamos caracterizá-la, por exemplo, pela sua profissão: um Muda a forma de falar, mudam as palavras, a grafia e o
advogado? Um trabalhador braçal de construção civil? Um sentido delas. Essas alterações recebem o nome de varia-
médico? Um garimpeiro? Um repórter de televisão? ções históricas.
E quem usaria a frase abaixo? Os dois textos a seguir são de Carlos Drummond de
Andrade. Neles, o escritor, meio em tom de brincadeira,
“Obviamente faltou-lhe coragem para enfrentar os la- mostra como a língua vai mudando com o tempo. No texto
drões.” (frase 2) I, ele fala das palavras de antigamente e, no texto II, fala das
palavras de hoje.
Sem dúvida, associamos à frase 1 os falantes perten-
centes a grupos sociais economicamente mais pobres.
Pessoas que, muitas vezes, não frequentaram nem a escola
primária, ou, quando muito, fizeram-no em condições não
adequadas.

53
LÍNGUA PORTUGUESA

Texto I Só? Não. Tem seu lugar ao sol a metalinguagem, o ser-


vomecanismo, as algias, a coca-cola, o superego, a Futurolo-
Antigamente gia, a homeostasia, a Adecif, a Transamazônica, a Sudene, o
Incra, a Unesco, o Isop, a Oea, e a ONU.
Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e Estão reclamando, porque não citei a conotação, o con-
eram todas mimosas e prendadas. Não fazia anos; comple- glomerado, a diagramação, o ideologema, o idioleto, o ICM,
tavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo não a IBM, o falou, as operações triangulares, o zoom, e a gui-
sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes, arrastando a asa, tarra elétrica.
mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levantam Olhe aí na fila – quem? Embreagem, defasagem, barra
tábua, o remédio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em tensora, vela de ignição, engarrafamento, Detran, poliéster,
outra freguesia. (...) Os mais idosos, depois da janta, faziam o filhotes de bonificação, letra imobiliária, conservacionismo,
quilo, saindo para tomar a fresca; e também tomava cautela carnet da girafa, poluição.
de não apanhar sereno. Os mais jovens, esses iam ao ani- Fundos de investimento, e daí? Também os de incentivos
matógrafo, e mais tarde ao cinematógrafo, chupando balas fiscais. Knon-how. Barbeador elétrico de noventa microrra-
de alteia. Ou sonhavam em andar de aeroplano; os quais, de nhuras. Fenolite, Baquelite, LP e compacto. Alimentos super
pouco siso, se metiam em camisas de onze varas, e até em congelados. Viagens pelo crediário, Circuito fechado de TV
calças pardas; não admira que dessem com os burros n’agua. Rodoviária. Argh! Pow! Click!
(...) Embora sem saber da missa a metade, os presun- Não havia nada disso no Jornal do tempo de Vences-
çosos queriam ensinar padre-nosso ao vigário, e com isso lau Brás, ou mesmo, de Washington Luís. Algumas coisas
punham a mão em cumbuca. Era natural que com eles se começam a aparecer sob Getúlio Vargas. Hoje estão ali na
perdesse a tramontana. A pessoa cheia de melindres ficava esquina, para consumo geral. A enumeração caótica não é
sentida com a desfeita que lhe faziam quando, por exemplo, uma invenção crítica de Leo Spitzer. Está aí, na vida de todos
insinuavam que seu filho era artioso. Verdade seja que às os dias. Entre palavras circulamos, vivemos, morremos, e pa-
vezes os meninos eram mesmo encapetados; chegavam a pi- lavras somos, finalmente, mas com que significado?
tar escondido, atrás da igreja. As meninas, não: verdadeiros (Carlos Drummond de Andrade, Poesia e prosa,
cromos, umas teteias. Rio de Janeiro, Nova Aguiar, 1988)
(...) Antigamente, os sobrados tinham assombrações, os
meninos, lombrigas; asthma os gatos, os homens portavam - De Situação: aquelas que são provocadas pelas al-
ceroulas, bortinas a capa de goma (...). Não havia fotógrafos, terações das circunstâncias em que se desenrola o ato de
mas retratistas, e os cristãos não morriam: descansavam. comunicação. Um modo de falar compatível com determi-
Mas tudo isso era antigamente, isto é, doutora. nada situação é incompatível com outra:

Texto II Ô mano, ta difícil de te entendê.

Entre Palavras Esse modo de dizer, que é adequado a um diálogo em


situação informal, não tem cabimento se o interlocutor é o
Entre coisas e palavras – principalmente entre palavras professor em situação de aula.
– circulamos. A maioria delas não figura nos dicionários de Assim, um único indivíduo não fala de maneira unifor-
há trinta anos, ou figura com outras acepções. A todo mo- me em todas as circunstâncias, excetuados alguns falantes
mento impõe-se tornar conhecimento de novas palavras e da linguagem culta, que servem invariavelmente de uma
combinações de. linguagem formal, sendo, por isso mesmo, considerados
Você que me lê, preste atenção. Não deixe passar ne- excessivamente formais ou afetados.
nhuma palavra ou locução atual, pelo seu ouvido, sem regis- São muitos os fatores de situação que interferem na
trá-la. Amanhã, pode precisar dela. E cuidado ao conversar fala de um indivíduo, tais como o tema sobre o qual ele
com seu avô; talvez ele não entenda o que você diz. discorre (em princípio ninguém fala da morte ou de suas
O malote, o cassete, o spray, o fuscão, o copião, a Ve- crenças religiosas como falaria de um jogo de futebol ou
maguet, a chacrete, o linóleo, o nylon, o nycron, o ditafone, de uma briga que tenha presenciado), o ambiente físico
a informática, a dublagem, o sinteco, o telex... Existiam em em que se dá um diálogo (num templo não se usa a mesma
1940? linguagem que numa sauna), o grau de intimidade entre
Ponha aí o computador, os anticoncepcionais, os mísseis, os falantes (com um superior, a linguagem é uma, com um
a motoneta, a Velo-Solex, o biquíni, o módulo lunar, o anti- colega de mesmo nível, é outra), o grau de comprometi-
biótico, o enfarte, a acumputura, a biônica, o acrílico, o ta le- mento que a fala implica para o falante (num depoimento
gal, a apartheid, o som pop, as estruturas e a infraestrutura. para um juiz no fórum escolhem-se as palavras, num rela-
Não esqueça também (seria imperdoável) o Terceiro to de uma conquista amorosa para um colega fala-se com
Mundo, a descapitalização, o desenvolvimento, o unissex, o menos preocupação).
bandeirinha, o mass media, o Ibope, a renda per capita, a As variações de acordo com a situação costumam ser
mixagem. chamadas de níveis de fala ou, simplesmente, variações de
estilo e são classificadas em duas grandes divisões:

54
LÍNGUA PORTUGUESA

- Estilo Formal: aquele em que é alto o grau de refle-


xão sobre o que se diz, bem como o estado de atenção e 5) TIPOLOGIAS E GÊNEROS TEXTUAIS.
vigilância. É na linguagem escrita, em geral, que o grau de
formalidade é mais tenso.
- Estilo Informal (ou coloquial): aquele em que se fala
com despreocupação e espontaneidade, em que o grau de A todo o momento nos deparamos com vários textos,
reflexão sobre o que se diz é mínimo. É na linguagem oral sejam eles verbais ou não verbais. Em todos há a presença
íntima e familiar que esse estilo melhor se manifesta. do discurso, isto é, a ideia intrínseca, a essência daquilo que
está sendo transmitido entre os interlocutores. Esses inter-
Como exemplo de estilo coloquial vem a seguir um locutores são as peças principais em um diálogo ou em
pequeno trecho da gravação de uma conversa telefônica um texto escrito, pois nunca escrevemos para nós mesmos,
entre duas universitárias paulistanas de classe média, trans- nem mesmo falamos sozinhos.
crito do livro Tempos Linguísticos, de Fernando Tarallo. AS É de fundamental importância sabermos classificar os
reticências indicam as pausas. textos com os quais travamos convivência no nosso dia a
dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos textuais
Eu não sei tem dia... depende do meu estado de espíri- e gêneros textuais.
to, tem dia que minha voz... mais ta assim, sabe? taquara Comumente relatamos sobre um acontecimento, um
rachada? Fica assim aquela voz baixa. Outro dia eu fui lê fato presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa opi-
um artigo, lê?! Um menino lá que faiz pós-graduação na, nião sobre determinado assunto, ou descrevemos algum
na GV, ele me, nóis ficamo até duas hora da manhã ele me lugar que visitamos, ou fazemos um retrato verbal sobre
explicando toda a matéria de economia, das nove da noite. alguém que acabamos de conhecer ou ver. É exatamente
nessas situações corriqueiras que classificamos os nossos
Como se pode notar, não há preocupação com a pro- textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição
núncia nem com a continuidade das ideias, nem com a es- e Dissertação.
colha das palavras. Para exemplificar o estilo formal, eis um
trecho da gravação de uma aula de português de uma pro- As tipologias textuais caracterizam-se pelos aspec-
fessora universitária do Rio de Janeiro, transcrito do livro de tos de ordem linguística
Dinah Callou. A linguagem falada culta na cidade do Rio de
Janeiro. As pausas são marcadas com reticências. - Textos narrativos – constituem-se de verbos de ação
demarcados no tempo do universo narrado, como também
...o que está ocorrendo com nossos alunos é uma frag- de advérbios, como é o caso de antes, agora, depois, entre
mentação do ensino... ou seja... ele perde a noção do todo... outros:
e fica com uma série... de aspectos teóricos... isolados... que Ela entrava em seu carro quando ele apareceu. Depois
ele não sabe vincular a realidade nenhuma de seu idioma... de muita conversa, resolveram...
isto é válido também para a faculdade de letras... ou seja...
né? há uma série... de conceitos teóricos... que têm nomes - Textos descritivos – como o próprio nome indica,
bonitos e sofisticados... mas que... na hora de serem em- descrevem características tanto físicas quanto psicológicas
pregados... deixam muito a desejar... acerca de um determinado indivíduo ou objeto. Os tempos
verbais aparecem demarcados no presente ou no pretérito
Nota-se que, por tratar-se de exposição oral, não há o imperfeito:
grau de formalidade e planejamento típico do texto escrito, “Tinha os cabelos mais negros como a asa da graúna...”
mas trata-se de um estilo bem mais formal e vigiado que o
da menina ao telefone. - Textos expositivos – Têm por finalidade explicar um
assunto ou uma determinada situação que se almeje de-
senvolvê-la, enfatizando acerca das razões de ela aconte-
cer, como em:
O cadastramento irá se prorrogar até o dia 02 de de-
zembro, portanto, não se esqueça de fazê-lo, sob pena de
perder o benefício.

- Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de uma


modalidade na qual as ações são prescritas de forma se-
quencial, utilizando-se de verbos expressos no imperativo,
infinitivo ou futuro do presente.
Misture todos os ingrediente e bata no liquidificador até
criar uma massa homogênea.

55
LÍNGUA PORTUGUESA

- Textos argumentativos (dissertativo) – Demarcam-se Canção do Exílio


pelo predomínio de operadores argumentativos, revelados
por uma carga ideológica constituída de argumentos e con- Minha terra tem macieiras da Califórnia
tra-argumentos que justificam a posição assumida acerca de onde cantam gaturamos de Veneza.
um determinado assunto. Os poetas da minha terra
A mulher do mundo contemporâneo luta cada vez mais são pretos que vivem em torres de ametista,
para conquistar seu espaço no mercado de trabalho, o que os sargentos do exército são monistas, cubistas,
significa que os gêneros estão em complementação, não em os filósofos são polacos vendendo a prestações.
disputa. gente não pode dormir
com os oradores e os pernilongos.
Em se tratando de gêneros textuais, a situação não é Os sururus em família têm por testemunha a
diferente, pois se conceituam como gêneros textuais as di- [Gioconda
versas situações sociocomunicativas que participam da nos- Eu morro sufocado
sa vida em sociedade. Como exemplo, temos: uma receita em terra estrangeira.
culinária, um e-mail, uma reportagem, uma monografia, um Nossas flores são mais bonitas
poema, um editorial, e assim por diante. nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.

6) FATORES DE TEXTUALIDADE. Ai quem me dera chupar uma carambola de 


[verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade! 

INTERTEXTUALIDADE (Murilo Mendes)

A Intertextualidade pode ser definida como um diálogo Nota-se que há correspondência entre os dois textos.
entre dois textos. Observe os dois textos abaixo e note como A paródia piadista de Murilo Mendes é um exemplo de in-
Murilo Mendes (século XX) faz referência ao texto de Gonçal- tertextualidade, uma vez que seu texto foi criado tomando
ves Dias (século XIX): como ponto de partida o texto de Gonçalves Dias.
Na literatura, e até mesmo nas artes, a intertextualidade
Canção do Exílio   é persistente. Sabemos que todo texto, seja ele literário ou
não, é oriundo de outro, seja direta ou indiretamente. Qual-
Minha terra tem palmeiras, quer texto que se refere a assuntos abordados em outros
Onde canta o Sabiá; textos é exemplo de intertextualização.
As aves, que aqui gorjeiam, A intertextualidade está presente também em outras
Não gorjeiam como lá. áreas, como na pintura, veja as várias versões da famosa pin-
Nosso céu tem mais estrelas, tura de Leonardo da Vinci, Mona Lisa:
Nossas várzeas têm mais flores, Mona Lisa, Leonardo da Vinci. Óleo sobre tela, 1503.
Nossos bosques têm mais vida, Mona Lisa, Marcel Duchamp, 1919.
Nossa vida mais amores. Mona Lisa, Fernando Botero, 1978.
Mona Lisa, propaganda publicitária.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,


Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá. Pode-se definir então a intertextualidade como sendo a
criação de um texto a partir de um outro texto ja existente.
Não permita Deus que eu morra, Dependendo da situação, a intertextualidade tem funções
Sem que eu volte para lá; diferentes que dependem muito dos textos/contextos em
Sem que desfrute os primores que ela é inserida.
Que não encontro por cá; Evidentemente, o fenômeno da intertextualidade está
Sem qu’inda aviste as palmeiras, ligado ao “conhecimento do mundo”, que deve ser compar-
Onde canta o Sabiá.” tilhado, ou seja, comum ao produtor e ao receptor de textos.
O diálogo pode ocorrer em diversas áreas do conhecimento,
(Gonçalves Dias) não se restringindo única e exclusivamente a textos literários.

56
LÍNGUA PORTUGUESA

Na pintura tem-se, por exemplo, o quadro do pintor Assim como Bandeira


barroco italiano Caravaggio e a fotografia da americana
Cindy Sherman, na qual quem posa é ela mesma. O qua- O que amo em ti
dro de Caravaggio foi pintado no final do século XVI, já o não são esses olhos doces
trabalho fotográfico de Cindy Sherman foi produzido qua- delicados
se quatrocentos anos mais tarde. Na foto, Sherman cria o nem esse riso de anjo adolescente.
mesmo ambiente e a mesma atmosfera sensual da pintura,
reunindo um conjunto de elementos: a coroa de flores na O que amo em ti
cabeça, o contraste entre claro e escuro, a sensualidade do não é só essa pele acetinada
ombro nu etc. A foto de Sherman é uma recriação do qua- sempre pronta para a carícia renovada
dro de Caravaggio e, portanto, é um tipo de intertextuali- nem esse seio róseo e atrevido
dade na pintura. a desenhar-se sob o tecido.
Na publicidade, por exemplo, a que vimos sobre anún-
cios do Bom Bril, o ator se veste e se posiciona como se O que amo em ti
fosse a Mona Lisa de Leonardo da Vinci e cujo slogan era não é essa pressa louca
“Mon Bijou deixa sua roupa uma perfeita obra-prima”. Esse de viver cada vão momento
enunciado sugere ao leitor que o produto anunciado deixa nem a falta de memória para a dor.
a roupa bem macia e mais perfumada, ou seja, uma ver-
dadeira obra-prima (se referindo ao quadro de Da Vinci). O que amo em ti
Nesse caso pode-se dizer que a intertextualidade assume não é apenas essa voz leve
a função de não só persuadir o leitor como também de di- que me envolve e me consome
fundir a cultura, uma vez que se trata de uma relação com nem o que deseja todo homem
a arte (pintura, escultura, literatura etc). flor definida e definitiva
Intertextualidade é a relação entre dois textos caracte- a abrir-se como boca ou ferida
rizada por um citar o outro.
nem mesmo essa juventude assim perdida.
Tipos de Intertextualidade
O que amo em ti
enigmática e solidária:
Pode-se destacar sete tipos de intertextualidade:
É a Vida!
- Epígrafe: constitui uma escrita introdutória.
(Geraldo Chacon, Meu Caderno de Poesia,
- Citação: é uma transcrição do texto alheio, marcada
Flâmula, 2004, p. 37)
por aspas.
- Paráfrase: é a reprodução do texto do outro com a
palavra do autor. Ela não se confunde com o plágio, pois o Madrigal Melancólico
autor deixa claro sua intenção e a fonte.
- Paródia: é uma forma de apropriação que, em lugar O que eu adoro em ti
de endossar o modelo retomado, rompe com ele, sutil ou não é a tua beleza.
abertamente. Ela perverte o texto anterior, visando a ironia A beleza, é em nós que ela existe.
ou a crítica. A beleza é um conceito.
- Pastiche: uma recorrência a um gênero. E a beleza é triste.
- Tradução: está no campo da intertextualidade porque Não é triste em si,
implica a recriação de um texto. mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.
- Referência e alusão.
(...)
Para ampliar esse conhecimento, vale trazer um exem-
plo de intertextualidade na literatura. Às vezes, a superpo- O que eu adoro em tua natureza,
sição de um texto sobre outro pode provocar uma certa não é o profundo instinto maternal
atualização ou modernização do primeiro texto. Nota-se em teu flanco aberto como uma ferida.
isso no livro “Mensagem”, de Fernando Pessoa, que retoma, nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
por exemplo, com seu poema “O Monstrengo” o episódio O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
do Gigante Adamastor de “Os Lusíadas” de Camões. Ocorre O que eu adoro em ti, é a vida.
como que um diálogo entre os dois textos. Em alguns ca- (Manuel Bandeira, Estrela da Vida Inteira,
sos, aproxima-se da paródia (canto paralelo), como o poe- José Olympio, 1980, p. 83)
ma “Madrigal Melancólico” de Manuel Bandeira, do livro
“Ritmo Dissoluto”, que seguramente serviu de inspiração e A relação intertextual é estabelecida, por exemplo, no
assim se refletiu no seguinte poema: texto de Oswald de Andrade, escrito no século XX, “Meus
oito anos”, quando este cita o poema , do século XIX, de
Casimiro de Abreu, de mesmo nome.

57
LÍNGUA PORTUGUESA

Meus oito anos Este texto de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio”, é mui-
to utilizado como exemplo de paráfrase e de paródia, aqui
Oh! Que saudade que tenho o poeta Carlos Drummond de Andrade retoma o texto pri-
Da aurora da minha vida, mitivo conservando suas ideias, não há mudança do senti-
Da minha infância querida do principal do texto que é a saudade da terra natal.
Que os anos não trazem mais
Que amor, que sonhos, que flores A paródia é uma forma de contestar ou ridicularizar
Naquelas tardes fagueiras outros textos, há uma ruptura com as ideologias impostas
À sombra das bananeiras e por isso é objeto de interesse para os estudiosos da lín-
Debaixo dos laranjais! gua e das artes. Ocorre, aqui, um choque de interpretação,
(Casimiro de Abreu) a voz do texto original é retomada para transformar seu
sentido, leva o leitor a uma reflexão crítica de suas ver-
“Meus oito anos” dades incontestadas anteriormente, com esse processo
há uma indagação sobre os dogmas estabelecidos e uma
Oh! Que saudade que tenho busca pela verdade real, concebida através do raciocínio e
Da aurora da minha vida, da crítica. Os programas humorísticos fazem uso contínuo
Da minha infância querida dessa arte, frequentemente os discursos de políticos são
Que os anos não trazem mais abordados de maneira cômica e contestadora, provocando
Naquele quintal de terra risos e também reflexão a respeito da demagogia praticada
Da rua São Antonio pela classe dominante. Com o mesmo texto utilizado ante-
Debaixo da bananeira riormente, teremos, agora, uma paródia.
Sem nenhum laranjais!
Texto Original
A intertextualidade acontece quando há uma referência Minha terra tem palmeiras
explícita ou implícita de um texto em outro. Também pode
Onde canta o sabiá,
ocorrer com outras formas além do texto, música, pintura, fil-
As aves que aqui gorjeiam
me, novela etc. Toda vez que uma obra fizer alusão à outra
Não gorjeiam como lá.
ocorre a intertextualidade.
Apresenta-se explicitamente quando o autor informa o
(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”)
objeto de sua citação. Num texto científico, por exemplo, o au-
tor do texto citado é indicado, já na forma implícita, a indicação
Paródia
é oculta. Por isso é importante para o leitor o conhecimento de
mundo, um saber prévio, para reconhecer e identificar quando Minha terra tem palmares
há um diálogo entre os textos. A intertextualidade pode ocor- onde gorjeia o mar
rer afirmando as mesmas ideias da obra citada ou contestando os passarinhos daqui
-as. Vejamos duas das formas: a Paráfrase e a Paródia. não cantam como os de lá.
Na paráfrase as palavras são mudadas, porém a ideia
do texto é confirmada pelo novo texto, a alusão ocorre para (Oswald de Andrade, “Canto de regresso à pátria”)
atualizar, reafirmar os sentidos ou alguns sentidos do texto ci-
tado. É dizer com outras palavras o que já foi dito. Temos um O nome Palmares, escrito com letra minúscula, subs-
exemplo citado por Affonso Romano Sant’Anna em seu livro titui a palavra palmeiras, há um contexto histórico, social
“Paródia, paráfrase & Cia” : e racial neste texto, Palmares é o quilombo liderado por
Texto Original Zumbi, foi dizimado em 1695, há uma inversão do sentido
Minha terra tem palmeiras do texto primitivo que foi substituído pela crítica à escravi-
Onde canta o sabiá, dão existente no Brasil.
As aves que aqui gorjeiam Na literatura relativa à Linguística Textual, é frequente
Não gorjeiam como lá. apontar-se como um dos fatores de textualidade a refe-
rência - explícita ou implícita - a outros textos, tomados
(Gonçalves Dias, “Canção do exílio”) estes num sentido bem amplo (orais, escritos, visuais - ar-
tes plásticas, cinema - , música, propaganda etc.) A esse
Paráfrase “diálogo”entre textos dá-se o nome de intertextualidade.
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos Evidentemente, a intertextualidade está ligada ao “co-
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’. nhecimento de mundo”, que deve ser compartilhado, ou
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’? seja, comum ao produtor e ao receptor de textos.
Eu tão esquecido de minha terra… A intertextualidade pressupõe um universo cultural
Ai terra que tem palmeiras muito amplo e complexo, pois implica a identificação / o
Onde canta o sabiá! reconhecimento de remissões a obras ou a textos / trechos
mais, ou menos conhecidos, além de exigir do interlocutor
(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e a capacidade de interpretar a função daquela citação ou
Bahia”) alusão em questão.

58
LÍNGUA PORTUGUESA

Entre os variadíssimos tipos de referências, há provér- - a que se associa ao caráter formal, que pode ou não
bios, ditos populares, frases bíblicas ou obras / trechos de estar ligado à tipologia textual como, por exemplo, textos que
obras constantemente citados, literalmente ou modificados, “imitam” a linguagem bíblica, jurídica, linguagem de relatório
cujo reconhecimento é facilmente perceptível pelos interlo- etc. ou que procuram imitar o estilo de um autor, em que co-
cutores em geral. Por exemplo, uma revista brasileira ado- menta o seriado da TV Globo, baseado no livro de Guimarães
tou o slogan: “Dize-me o que lês e dir-te-ei quem és”. Voltada Rosa, procurando manter a linguagem e o estilo do escritor);
fundamentalmente para um público de uma determinada - a que remete a tipos textuais (ou “fatores tipológicos”),
classe sociocultural, o produtor do mencionado anúncio es- ligados a modelos cognitivos globais, às estruturas e superes-
pera que os leitores reconheçam a frase da Bíblia (“Dize-me truturas ou a aspectos formais de caráter linguístico próprios
com quem andas e dir-te-ei quem és”). Ao adaptar a senten- de cada tipo de discurso e/ou a cada tipo de texto: tipologias
ça, a intenção da propaganda é, evidentemente, angariar a ligadas a estilos de época. Por superestrutura entendem-se,
confiança do leitor (e, consequentemente, a credibilidade entre outras, estruturas argumentativas (Tese anterior), pre-
das informações contidas naquele periódico), pois a Bíblia missas - argumentos (contra-argumentos - síntese), conclu-
costuma ser tomada como um livro de pensamentos e en- são (nova tese), estruturas narrativas (situação - complicação
sinamentos considerados como “verdades” universalmente - ação ou avaliação – resolução), moral ou estado final etc.;
assentadas e aceitas por diversas comunidades. Outro tipo Um outro aspecto que é mencionado muito superficial-
comum de intertextualidade é a introdução em textos de mente é o da intertextualidade linguística. Ela está ligada ao
provérbios ou ditos populares, que também inspiram con- que o linguista romeno, Eugenio Coseriu, chama de formas
fiança, pois costumam conter mensagens reconhecidas do “discurso repetido”:
como verdadeiras. São aproveitados não só em propaganda - “textemas” ou “unidades de textos”: provérbios, ditados
mas ainda em variados textos orais ou escritos, literários e populares; citações de vários tipos, consagradas pela tradição
não-literários. Por exemplo, ao iniciar o poema “Tecendo a cultural de uma comunidade etc.;
manhã”, João Cabral de Melo Neto defende uma ideia: “Um - “sintagmas estereotipados”: equivalentes a expressões
galo sozinho não tece uma manhã”. Não é necessário muito idiomáticas;
esforço para reconhecer que por detrás dessas palavras está
- “perífrases léxicas”: unidades multivocabulares, empre-
o ditado “Uma andorinha só não faz verão”. O verso inicial
gadas frequentemente mas ainda não lexicalizadas (ex. “gra-
funciona, pois, como uma espécie de “tese”, que o texto irá
vemente doente”, “dia útil”, “fazer misérias” etc.).
tentar comprovar através de argumentação poética.
A intertextualidade tem funções diferentes, dependendo
Há, no entanto, certos tipos de citações (literais ou
dos textos/contextos em que as referências (linguísticas ou
construídas) e de alusões muito sutis que só são compar-
culturais) estão inseridas. Chamo a isso “graus das funções da
tilhadas por um pequeno número de pessoas. É o caso de
referências utilizadas em textos científicos ou jornalísticos intertextualidade”.
(Seções de Economia, de Informática, por exemplo) e em Didaticamente pode-se dizer que a referência cultural
obras literárias, prosa ou poesia, que às vezes remetem a e/ou linguística pode servir apenas de pretexto, é o caso de
uma forma e/ou a um conteúdo bastante específico(s), per- “epígrafes” longinquamente vinculadas a um trabalho e/ou a
cebido(s) apenas por um leitor/interlocutor muito bem in- um texto. Sem dizer com isso que todas as epígrafes funcio-
formado e/ou altamente letrado. Na literatura, podem-se nem apenas como pretextos. Em geral, o produtor do texto
citar, entre muitos outros, autores estrangeiros, como James elege algo pertinente e condizente com a temática de que
Joyce, T.S. Eliot, Umberto Eco. trata. Existam algumas, todavia, que estão ali apenas para
A remissão a textos e para-textos do circuito cultural mostrar “conhecimento” de frases famosas e/ou para servir
(mídia, propaganda, outdoors, nomes de marcas de produ- de “decoração” no texto. Neste caso, o “intertexto” não tem
tos etc.) é especialmente recorrente em autores chamados um papel específico nem na construção nem na camada se-
pós-modernos. Para ilustrar, pode-se mencionar, entre ou- mântica do texto.
tros escritores brasileiros, Ana Cristina Cesar, poetisa cario- Outras vezes, o autor parte de uma frase ou de um verso
ca, que usa e “abusa” da intertextualidade em seus textos, a que ocorreu a ele repentinamente (texto “A última crônica”,
tal ponto que, sem a identificação das referências, o poema em que o autor confessa estar sem assunto e tem de escre-
se torna, constantemente, ininteligível e chega a ser consi- ver). Afirma então:
derado por algumas pessoas como um “amontoado aleató-
rio de enunciados”, sem coerência e, portanto, desprovido “Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu
de sentido. café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: assim
Os teóricos costumam identificar tipos de intertextuali- eu quereria meu último poema.”
dade, entre os quais se destacam:
- a que se liga ao conteúdo (por exemplo, matérias Descreve então uma cena passada em um botequim, em
jornalísticas que se reportam a notícias veiculadas anterior- que um casal comemora modestamente o aniversário da filha,
mente na imprensa falada e/ou escrita: textos literários ou com um pedaço de bolo, uma coca cola e três velinhas bran-
não-literários que se referem a temas ou assuntos contidos cas. O pai parecia satisfeito com o sucesso da celebração, até
em outros textos etc.). Podem ser explícitas (citações entre que fica perturbado por ter sido observado, mas acaba por
aspas, com ou sem indicação da fonte) ou implícitas (pará- sustentar a satisfação e se abre num sorriso. O autor termina
frases, paródias etc.); a crônica, parafraseando o verso de Manuel Bandeira: “Assim

59
LÍNGUA PORTUGUESA

eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse Questão da Objetividade
sorriso”. O verso de Bandeira não pode ser considerado, nessa
crônica, um mero pretexto. A intertextualidade desempenha As Ciências Humanas invadem hoje todo o nosso espaço
o papel de conferir uma certa “literariedade” à crônica, além mental. Até parece que nossa cultura assinou um contrato com
de explicar o título e servir de “fecho de ouro” para um texto tais disciplinas, estipulando que lhes compete resolver tecni-
que se inicia sem um conteúdo previamente escolhido. Não é, camente boa parte dos conflitos gerados pela aceleração das
contudo, imprescindível à compreensão do texto. atuais mudanças sociais. É em nome do conhecimento objetivo
O que parece importante é que não se encare a intertex- que elas se julgam no direito de explicar os fenômenos huma-
tualidade apenas como a “identificação” da fonte e, sim, que nos e de propor soluções de ordem ética, política, ideológica
se procure estudá-la como um enriquecimento da leitura e ou simplesmente humanitária, sem se darem conta de que,
da produção de textos e, sobretudo, que se tente mostrar a fazendo isso, podem facilmente converter-se em “comodidades
função da sua presença na construção e no(s) sentido(s) dos teóricas” para seus autores e em “comodidades práticas” para
textos. sua clientela. Também é em nome do rigor científico que ten-
Como afirmam Koch & Travaglia, “todas as questões liga- tam construir todo o seu campo teórico do fenômeno humano,
das à intertextualidade influenciam tanto o processo de pro- mas através da ideia que gostariam de ter dele, visto terem
dução como o de compreensão de textos”. renunciado aos seus apelos e às suas significações. O equívo-
Considerada por alguns autores como uma das condições co olhar de Narciso, fascinado por sua própria beleza, estaria
para a existência de um texto, a intertextualidade se destaca substituído por um olhar frio, objetivo, escrupuloso, calculista e
por relacionar um texto concreto com a memória textual co- calculador: e as disciplinas humanas seriam científicas!
letiva, a memória de um grupo ou de um indivíduo específico. (Introdução às Ciências Humanas. Hilton Japiassu.
Trata-se da possibilidade de os textos serem criados a São Paulo, Letras e Letras, 1994, pp.89/90)
partir de outros textos. As obras de caráter científico remetem
explicitamente a autores reconhecidos, garantindo, assim, a Comentário: Neste texto, temos um bom exemplo do
veracidade das afirmações. Nossas conversas são entrelaça- que se define como intertextualidade. As relações entre tex-
das de alusões a inúmeras considerações armazenadas em tos, a citação de um texto por outro, enfim, o diálogo entre
textos. Muitas vezes, para entender um texto na sua totalida-
nossas mentes. O jornal está repleto de referências já suposta-
de, é preciso conhecer o(s) texto(s) que nele fora(m) citado(s).
mente conhecidas pelo leitor. A leitura de um romance, de um
No trecho, por exemplo, em que se discute o papel das
conto, novela, enfim, de qualquer obra literária, nos aponta
Ciências Humanas nos tempos atuais e o espaço que estão
para outras obras, muitas vezes de forma implícita.
ocupando, é trazido à tona o mito de Narciso. É preciso, en-
A nossa compreensão de textos (considerados aqui da
tão, dispor do conhecimento de que Narciso, jovem dota-
forma mais abrangente) muito dependerá da nossa expe-
do de grande beleza, apaixonou-se por sua própria imagem
riência de vida, das nossas vivências, das nossas leituras. De- quando a viu refletida na água de uma fonte onde foi matar
terminadas obras só se revelam através do conhecimento de a sede. Suas tentativas de alcançar a bela imagem acabaram
outras. Ao visitar um museu, por exemplo, o nosso conheci- em desespero e morte.
mento prévio muito nos auxilia ao nos depararmos com cer- O último parágrafo, em que o mito de Narciso é citado,
tas obras. demonstra que, dado o modo como as Ciências Humanas
A noção de intertextualidade, da presença contínua de são vistas hoje, até o olhar de Narciso, antes “fascinado por
outros textos em determinado texto, nos leva a refletir a res- sua própria beleza”, seria substituído por um “olhar frio, obje-
peito da individualidade e da coletividade em termos de cria- tivo, escrupuloso, calculista e calculador”, ou seja, o olhar de
ção. Já vimos anteriormente que a citação de outros textos se Narciso perderia o seu tom de encantamento para se trans-
faz de forma implícita ou explícita. Mas, com que objetivo? formar em algo material, sem sentimentos. A comparação se
Um texto remete a outro para defender as ideias nele estende às Ciências Humanas, que, de humanas, nada mais
contidas ou para contestar tais ideias. Assim, para se definir teriam, transformando-se em disciplinas científicas.
diante de determinado assunto, o autor do texto leva em con-
sideração as ideias de outros “autores” e com eles dialoga no Em vez das células, as cédulas
seu texto.
Ainda ressaltando a importância da intertextualidade, Nesses tempos de clonagem, recomenda-se assistir ao
remetemos às considerações de Vigner: “Afirma-se aqui a documentário Arquitetura da destruição, de Peter Cohen. A
importância do fenômeno da intertextualidade como fator fantástica história de Dolly, a ovelha, parece saída do filme,
essencial à legibilidade do texto literário, e, a nosso ver, de que conta a aventura demente do nazismo, com seus sonhos
todos os outros textos. O texto não é mais considerado só nas de beleza e suas fantasias genéticas, seus experimentos de
suas relações com um referente extra-textual, mas primeiro na eugenia e purificação da raça.
relação estabelecida com outros textos”. Os cientistas são engraçados: bons para inventar e pés-
Como exemplo, temos um texto “Questão da Objetivida- simos para prever. Primeiro, descobrem; depois se assustam
de” e uma crônica de Zuenir Ventura, “Em vez das células, as com o risco da descoberta e aí então passam a gritar “cuida-
cédulas” para concretizar um pouco mais o conceito de inter- do, perigo”. Fizeram isso com quase todos os inventos, inclu-
textualidade. sive com a fissão nuclear, espantando-se quando “o átomo
para a paz” tornou-se uma mortífera arma de guerra. E estão
fazendo o mesmo agora.

60
LÍNGUA PORTUGUESA

(...) Desde muito tempo se discute o quanto a ciência, - Arte/Beleza - Arte/Destruição: estética, sonhos de be-
ao procurar o bem, pode provocar involuntariamente o mal. leza, crueldade, tirano artista ditador de gênio, nietzschiano,
O que a Arquitetura da destruição mostra é como a arte e a wagneriano, grandiosa ópera, diretor, protagonista, espetácu-
estética são capazes de fazer o mesmo, isto é, como a beleza los de massa e tochas acesas.
pode servir à morte, à crueldade e à destruição. - Corrupção: laranjas, clonagem financeira, cédulas, fan-
Hitler julgava-se “o maior ator da Europa” e acreditava tasmas.
ser alguma coisa como um “tirano-artista” nietzschiano ou
um “ditador de gênio” wagneriano. Para ele, “a vida era arte,” Esses campos semânticos se entrecruzam, porque englo-
e o mundo, uma grandiosa ópera da qual era diretor e pro- bam referências múltiplas dentro do texto.
tagonista.
O documentário mostra como os rituais coletivos, os
grandes espetáculos de massa, as tochas acesas (...) tudo
isso constituía um culto estético - ainda que redundante (...) 7) ELEMENTOS MORFOSSINTÁTICOS DO
E o pior - todo esse aparato era posto a serviço da perver- TEXTO:
sa utopia de Hitler: a manipulação genética, a possibilida- A) TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO
de de purificação racial e de eliminação das imperfeições, (SUJEITO E PREDICADO).
principalmente as físicas. Não importava que os mais ilustres
exemplares nazistas, eles próprios, desmoralizassem o que
pregavam em termos de eugenia.
O que importava é que as pessoas queriam acreditar Frase, período e oração:
na insensatez apesar dos insensatos, como ainda há quem
continue acreditando. No Brasil, felizmente, Dolly provoca Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para
mais piada do que ameaça. Já se atribui isso ao fato de que estabelecer comunicação. Expressa juízo, indica ação, esta-
a nossa arquitetura da destruição é a corrupção. Somos cra- do ou fenômeno, transmite um apelo, ordem ou exterioriza
ques mesmo é em clonagem financeira. O que seriam nos- emoções.
sos laranjas e fantasmas senão clones e replicantes virtuais? Normalmente a frase é composta por dois termos – o
Aqui, em vez de células, estamos interessados é em mani- sujeito e o predicado – mas não obrigatoriamente, pois em
pular cédulas. Português há orações ou frases sem sujeito: Há muito tempo
(Zuenir Ventura, JB, 1997) que não chove.

Comentário: Tendo como ponto de partida a alusão ao Enquanto na língua falada a frase é caracterizada pela
documentário Arquitetura da destruição, o texto mantém entoação, na língua escrita, a entoação é reduzida a sinais
sua unidade de sentido na relação que estabelece com ou- de pontuação.
tros textos, com dados da História. Quanto aos tipos de frases, além da classificação em
Nesta crônica, duas propriedades do texto são facilmen- verbais e nominais, feita a partir de seus elementos consti-
te perceptíveis: a intertextualidade e a inserção histórica. tuintes, elas podem ser classificadas a partir de seu sentido
O texto se constrói, à medida que retoma fatos já co- global:
nhecidos. Nesse sentido, quanto mais amplo for o repertório - frases interrogativas: o emissor da mensagem formula
do leitor, o seu acervo de conhecimentos, maior será a sua uma pergunta: Que queres fazer?
competência para perceber como os textos “dialogam uns - frases imperativas: o emissor da mensagem dá uma or-
com os outros” por meio de referências, alusões e citações. dem ou faz um pedido: Dê-me uma mãozinha! Faça-o sair!
Para perceber as intenções do autor desta crônica, ou - frases exclamativas: o emissor exterioriza um estado
seja, a sua intencionalidade, é preciso que o leitor tenha co- afetivo: Que dia difícil!
nhecimento de fatos atuais, como as referências ao docu- - frases declarativas: o emissor constata um fato: Ele já
mentário recém lançado no circuito cinematográfico, à ove- chegou.
lha clonada Dolly, aos “laranjas” e “fantasmas”, termos que
dizem respeito aos envolvidos em transações econômicas Quanto à estrutura da frase, as frases que possuem ver-
duvidosas. É preciso que conheça também o que foi o nazis- bo (oração) são estruturadas por dois elementos essenciais:
mo, a figura de Hitler e sua obsessão pela raça pura, e ainda sujeito e predicado. O sujeito é o termo da frase que concor-
tenha conhecimento da existência do filósofo Nietzsche e do da com o verbo em número e pessoa. É o “ser de quem se
compositor Wagner. declara algo”, “o tema do que se vai comunicar”. O predicado
O vocabulário utilizado aponta para campos semânticos é a parte da frase que contém “a informação nova para o
relacionados à clonagem, à raça pura, aos binômios arte/ ouvinte”. Ele se refere ao tema, constituindo a declaração do
beleza, arte/destruição, corrupção. que se atribui ao sujeito.
- Clonagem: experimentos, avanços genéticos, ovelhas, Quando o núcleo da declaração está no verbo, temos o
cientistas, inventos, células, clones replicantes, manipulação predicado verbal. Mas, se o núcleo estiver num nome, tere-
genética, descoberta. mos um predicado nominal:
- Raça Pura: aventura, demente do nazismo, fantasias Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres de
genéticas, experimentos de eugenia, utopia perversa, mani- opinião.
pulação genética, imperfeições físicas, eugenia.

61
LÍNGUA PORTUGUESA

A existência é frágil. A função do sujeito é basicamente desempenhada por


A oração, às vezes, é sinônimo de frase ou período (sim- substantivos, o que a torna uma função substantiva da oração.
ples) quando encerra um pensamento completo e vem limi- Pronomes, substantivos, numerais e quaisquer outras palavras
tada por ponto-final, ponto de interrogação, ponto de excla- substantivadas (derivação imprópria) também podem exercer
mação e por reticências. a função de sujeito.
Ele já partiu;
Um vulto cresce na escuridão. Clarissa encolhe-se. É Vasco. Os dois sumiram;
Um sim é suave e sugestivo.
Acima temos três orações correspondentes a três perío-
dos simples ou a três frases. Mas, nem sempre oração é frase: Os sujeitos são classificados a partir de dois elementos: o
“convém que te apresses” apresenta duas orações, mas uma de determinação ou indeterminação e o de núcleo do sujeito.
só frase, pois somente o conjunto das duas é que traduz um Um sujeito é determinado quando é facilmente identi-
pensamento completo. ficável pela concordância verbal. O sujeito determinado pode
Outra definição para oração é a frase ou membro de fra- ser simples ou composto.
se que se organiza ao redor de um verbo. A oração possui A indeterminação do sujeito ocorre quando não é pos-
sempre um verbo (ou locução verbal), que implica na exis- sível identificar claramente a que se refere a concordância ver-
tência de um predicado, ao qual pode ou não estar ligado bal. Isso ocorre quando não se pode ou não interessa indicar
um sujeito. precisamente o sujeito de uma oração.
Assim, a oração é caracterizada pela presença de um ver- Estão gritando seu nome lá fora;
bo. Dessa forma: Trabalha-se demais neste lugar.
Rua! = é uma frase, não é uma oração.
Já em: “Quero a rosa mais linda que houver, para enfeitar O sujeito simples é o sujeito determinado que possui um
a noite do meu bem.” Temos uma frase e três orações: As duas único núcleo. Esse vocábulo pode estar no singular ou no plu-
últimas orações não são frases, pois em si mesmas não satis- ral; pode também ser um pronome indefinido.
fazem um propósito comunicativo; são, portanto, membros Nós nos respeitamos mutuamente;
de frase. A existência é frágil;
Ninguém se move;
Quanto ao período, ele denomina a frase constituída O amar faz bem.
por uma ou mais orações, formando um todo, com sen- O sujeito composto é o sujeito determinado que possui
tido completo. O período pode ser simples ou composto. mais de um núcleo.
Período simples é aquele constituído por apenas uma Alimentos e roupas andam caríssimos;
oração, que recebe o nome de oração absoluta. Ela e eu nos respeitamos mutuamente;
Chove. O amar e o odiar são tidos como duas faces da mesma
A existência é frágil. moeda.
Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres de
opinião. Além desses dois sujeitos determinados, é comum a re-
ferência ao sujeito oculto ( ou elíptico), isto é, ao núcleo do
Período composto é aquele constituído por duas ou sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido pela de-
mais orações: sinência verbal ou pelo contexto.
“Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver.” Abolimos todas as regras. = (nós)
Cantei, dancei e depois dormi.
O sujeito indeterminado surge quando não se quer ou
Termos essenciais da oração: não se pode identificar claramente a que o predicado da ora-
ção refere--se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso
O sujeito e o predicado são considerados termos es- contrário, teríamos uma oração sem sujeito.
senciais da oração, ou seja, sujeito e predicado são termos Na língua portuguesa o sujeito pode ser indeterminado
indispensáveis para a formação das orações. No entanto, de duas maneiras:
existem orações formadas exclusivamente pelo predicado. O - com verbo na terceira pessoa do plural, desde que o su-
que define, pois, a oração, é a presença do verbo. jeito não tenha sido identificado anteriormente:
O sujeito é o termo que estabelece concordância com o Bateram à porta;
verbo. Andam espalhando boatos a respeito da queda do ministro.
“Minha primeira lágrima caiu dentro dos teus olhos.”
“Minhas primeiras lágrimas caíram dentro dos teus olhos”. - com o verbo na terceira pessoa do singular, acrescido do
pronome se. Esta é uma construção típica dos verbos que não
Na primeira frase, o sujeito é minha primeira lágrima. Mi- apresentam complemento direto:
nha e primeira referem-se ao conceito básico expresso em Precisa-se de mentes criativas;
lágrima. Lágrima é, pois, a principal palavra do sujeito, sendo, Vivia-se bem naqueles tempos;
por isso, denominada núcleo do sujeito. O núcleo do sujeito Trata-se de casos delicados;
relaciona-se com o verbo, estabelecendo a concordância. Sempre se está sujeito a erros.

62
LÍNGUA PORTUGUESA

O pronome se funciona como índice de indeterminação O predicado nominal é aquele que tem como núcleo
do sujeito. significativo um nome; esse nome atribui uma qualidade ou
estado ao sujeito, por isso é chamado de predicativo do su-
As orações sem sujeito, formadas apenas pelo predica- jeito. O predicativo é um nome que se liga a outro nome da
do, articulam-se a partir de um verbo impessoal. A mensa- oração por meio de um verbo.
gem está centrada no processo verbal. Os principais casos de Nos predicados nominais, o verbo não é significativo, isto
orações sem sujeito com: é, não indica um processo. O verbo une o sujeito ao predica-
- os verbos que indicam fenômenos da natureza: tivo, indicando circunstâncias referentes ao estado do sujeito:
Amanheceu repentinamente; “Ele é senhor das suas mãos e das ferramentas.”
Está chuviscando.
Na frase acima o verbo ser poderia ser substituído por
- os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam fenô- estar, andar, ficar, parecer, permanecer ou continuar, atuando
menos meteorológicos ou se relacionam ao tempo em geral: como elemento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele
Está tarde. relacionadas.
Ainda é cedo. A função de predicativo é exercida normalmente por um
Já são três horas, preciso ir; adjetivo ou substantivo.
Faz frio nesta época do ano;
Há muitos anos aguardamos mudanças significativas; O predicado verbo-nominal é aquele que apresenta
Faz anos que esperamos melhores condições de vida; dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No predi-
cado verbo-nominal, o predicativo pode referir-se ao sujeito
O predicado é o conjunto de enunciados que numa ou ao complemento verbal.
dada oração contém a informação nova para o ouvinte. Nas O verbo do predicado verbo-nominal é sempre significa-
orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia um tivo, indicando processos. É também sempre por intermédio
fato qualquer: do verbo que o predicativo se relaciona com o termo a que
se refere.
Chove muito nesta época do ano;
O dia amanheceu ensolarado;
Houve problemas na reunião.
As mulheres julgam os homens inconstantes
Nas orações que surge o sujeito, o predicado é aquilo
No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta
que se declara a respeito desse sujeito.
duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de ligação.
Com exceção do vocativo, que é um termo à parte, tudo
Esse predicado poderia ser desdobrado em dois, um verbal
o que difere do sujeito numa oração é o seu predicado.
e outro nominal:
Os homens (sujeito) pedem amor às mulheres (predicado);
O dia amanheceu;
Passou-me (predicado) uma ideia estranha (sujeito) pelo O dia estava ensolarado.
pensamento (predicado).
No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona o
Para o estudo do predicado, é necessário verificar se seu complemento homens como o predicativo inconstantes.
núcleo está num nome ou num verbo. Deve-se considerar
também se as palavras que formam o predicado referem-se Termos integrantes da oração:
apenas ao verbo ou também ao sujeito da oração.
Os homens sensíveis (sujeito) pedem amor sincero às mu- Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o
lheres de opinião. complemento nominal são chamados termos integrantes da
oração.
O predicado acima apresenta apenas uma palavra que se Os complementos verbais integram o sentido dos verbos
refere ao sujeito: pedem. As demais palavras ligam-se direta transitivos, com eles formando unidades significativas. Esses
ou indiretamente ao verbo. verbos podem se relacionar com seus complementos direta-
A existência (sujeito) é frágil (predicado). mente, sem a presença de preposição ou indiretamente, por
intermédio de preposição.
O nome frágil, por intermédio do verbo, refere-se ao O objeto direto é o complemento que se liga diretamen-
sujeito da oração. O verbo atua como elemento de ligação te ao verbo.
entre o sujeito e a palavra a ele relacionada. Os homens sensíveis pedem amor às mulheres de opinião;
Os homens sinceros pedem-no às mulheres de opinião;
O predicado verbal é aquele que tem como núcleo sig- Dou-lhes três.
nificativo um verbo: Houve muita confusão na partida final.
Chove muito nesta época do ano;
Senti seu toque suave; O objeto direto preposicionado ocorre principalmente:
O velho prédio foi demolido. - com nomes próprios de pessoas ou nomes comuns re-
Os verbos acima são significativos, isto é, não servem ferentes a pessoas:
apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam pro- Amar a Deus;
cessos. Adorar a Xangô;
Estimar aos pais.

63
LÍNGUA PORTUGUESA

- com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes de O adjunto adnominal é o termo acessório que deter-
tratamento: mina, especifica ou explica um substantivo. É uma função
Não excluo a ninguém; adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções adjetivas que
Não quero cansar a Vossa Senhoria. exercem o papel de adjunto adnominal na oração. Também
atuam como adjuntos adnominais os artigos, os numerais
- para evitar ambiguidade: e os pronomes adjetivos.
Ao povo prejudica a crise. (sem preposição, a situação O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu
seria outra) amigo de infância.

O objeto indireto é o complemento que se liga indireta- O adjunto adnominal liga-se diretamente ao substan-
mente ao verbo, ou seja, através de uma preposição. tivo a que se refere, sem participação do verbo. Já o predi-
Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres; cativo do objeto liga-se ao objeto por meio de um verbo.
Os homens pedem-lhes amor sincero; O poeta português deixou uma obra originalíssima.
Gosto de música popular brasileira. O poeta deixou-a.
(originalíssima não precisou ser repetida, portanto: ad-
O termo que integra o sentido de um nome chama-se junto adnominal)
complemento nominal. O complemento nominal liga-se O poeta português deixou uma obra inacabada.
ao nome que completa por intermédio de preposição: O poeta deixou-a inacabada.
Desenvolvemos profundo respeito à arte; (inacabada precisou ser repetida, então: predicativo do
A arte é necessária à vida; objeto)
Tenho-lhe profundo respeito. Enquanto o complemento nominal relaciona-se a um
substantivo, adjetivo ou advérbio; o adjunto nominal rela-
Termos acessórios da oração e vocativo: ciona-se apenas ao substantivo.
Os termos acessórios recebem esse nome por serem aci-
O aposto é um termo acessório que permite ampliar,
dentais, explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o
explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida num termo
adjunto adverbial, adjunto adnominal, o aposto e o vocativo.
que exerça qualquer função sintática.
Ontem, segunda-feira, passei o dia mal-humorado.
O adjunto adverbial é o termo da oração que indica
uma circunstância do processo verbal, ou intensifica o senti-
Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de tempo
do de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função adver-
ontem. Dizemos que o aposto é sintaticamente equivalen-
bial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais exerce-
rem o papel de adjunto adverbial. te ao termo que se relaciona porque poderia substituí-lo:
Amanhã voltarei de bicicleta àquela velha praça. Segunda-feira passei o dia mal-humorado.
O aposto pode ser classificado, de acordo com seu va-
As circunstâncias comumente expressas pelo adjunto lor na oração, em:
adverbial são: a) explicativo: A linguística, ciência das línguas huma-
- acréscimo: Além de tristeza, sentia profundo cansaço. nas, permite-nos interpretar melhor nossa relação com o
- afirmação: Sim, realmente irei partir. mundo.
- assunto: Falavam sobre futebol. b) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas
- causa: Morrer ou matar de fome, de raiva e de sede… coisas: amor, arte, ação.
- companhia: Sempre contigo bailando sob as estrelas. c) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e sonho,
- concessão: Apesar de você, amanhã há de ser outro dia. tudo isso forma o carnaval.
- conformidade: Fez tudo conforme o combinado. d) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes, fixa-
- dúvida: Talvez nos deixem entrar. ram-se por muito tempo na baía anoitecida.
- fim: Estudou para o exame.
- frequência: Sempre aparecia por lá. O vocativo é um termo que serve para chamar, invocar
- instrumento: Fez o corte com a faca. ou interpelar um ouvinte real ou hipotético.
- intensidade: Corria bastante. A função de vocativo é substantiva, cabendo a subs-
- limite: Andava atabalhoado do quarto à sala. tantivos, pronomes substantivos, numerais e palavras subs-
- lugar: Vou à cidade. tantivadas esse papel na linguagem.
- matéria: Compunha-se de substâncias estranhas. João, venha comigo!
- meio: Viajarei de trem. Traga-me doces, minha menina!
- modo: Foram recrutados a dedo.
- negação: Não há ninguém que mereça.
- preço: As casas estão sendo vendidas a preços exorbi-
tantes.
- substituição ou troca: Abandonou suas convicções por
privilégios econômicos.
- tempo: Ontem à tarde encontrou o velho amigo.

64
LÍNGUA PORTUGUESA

PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas: suas


principais conjunções são: mas, contudo, todavia, entretanto,
O período composto caracteriza-se por possuir mais porém, no entanto, ainda, assim, senão.
de uma oração em sua composição. Sendo assim: Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante.
- Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma Ainda que a noite acabasse, nós continuaríamos dançando.
oração) Não comprei o protetor solar, mas mesmo assim fui à praia.
- Estou comprando um protetor solar, depois irei à
praia. (Período Composto =locução verbal, verbo, duas Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas: suas
orações) principais conjunções são: ou... ou; ora...ora; quer...quer; seja...
- Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar um seja.
protetor solar. (Período Composto = três verbos, três ora- Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador.
ções). Ora sei que carreira seguir, ora penso em várias carreiras
diferentes.
Cada verbo ou locução verbal corresponde a uma Quer eu durma quer eu fique acordado, ficarei no quarto.
oração. Isso implica que o primeiro exemplo é um perío-
do simples, pois tem apenas uma oração, os dois outros Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas: suas
exemplos são períodos compostos, pois têm mais de uma principais conjunções são: logo, portanto, por fim, por conse-
oração. guinte, consequentemente, pois (posposto ao verbo)
Há dois tipos de relações que podem se estabelecer Passei no concurso, portanto irei comemorar.
entre as orações de um período composto: uma relação de Conclui o meu projeto, logo posso descansar.
coordenação ou uma relação de subordinação. Tomou muito sol, consequentemente ficou adoentada.
Duas orações são coordenadas quando estão juntas A situação é delicada; devemos, pois, agir
em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco de
informações, marcado pela pontuação final), mas têm, am- Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas: suas
principais conjunções são: isto é, ou seja, a saber, na verdade,
bas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
pois (anteposto ao verbo).
Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
Só passei na prova porque me esforcei por muito tempo.
(Período Composto)
Só fiquei triste por você não ter viajado comigo.
Podemos dizer:
Não fui à praia, pois queria descansar durante o Domingo.
1. Estou comprando um protetor solar.
2. Irei à praia.
PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO
Separando as duas, vemos que elas são independentes.
É esse tipo de período que veremos agora: o Período
Observe o exemplo abaixo de Vinícius de Moraes:
Composto por Coordenação. “Eu sinto que em meu gesto existe o teu
Quanto à classificação das orações coordenadas, te- gesto.”
mos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas Oração Principal Oração Subordinada
Sindéticas.
Observe que na oração subordinada temos o verbo “exis-
Coordenadas Assindéticas te”, que está conjugado na terceira pessoa do singular do pre-
São orações coordenadas entre si e que não são liga- sente do indicativo. As orações subordinadas que apresentam
das através de nenhum conectivo. Estão apenas justapos- verbo em qualquer dos tempos finitos (tempos do modo do
tas. indicativo, subjuntivo e imperativo), são chamadas de orações
desenvolvidas ou explícitas.
Coordenadas Sindéticas Podemos modificar o período acima. Veja:
Ao contrário da anterior, são orações coordenadas en- Eu sinto existir em meu gesto o teu gesto.
tre si, mas que são ligadas através de uma conjunção coor- Oração Principal Oração Subordinada
denativa. Esse caráter vai trazer para esse tipo de oração
uma classificação. As orações coordenadas sindéticas são A análise das orações continua sendo a mesma: “Eu sinto”
classificadas em cinco tipos: aditivas, adversativas, alterna- é a oração principal, cujo objeto direto é a oração subordi-
tivas, conclusivas e explicativas. nada “existir em meu gesto o teu gesto”. Note que a oração
subordinada apresenta agora verbo no infinitivo. Além disso,
Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas: suas prin- a conjunção “que”, conectivo que unia as duas orações, desa-
cipais conjunções são: e, nem, não só... mas também, não pareceu. As orações subordinadas cujo verbo surge numa das
só... como, assim... como. formas nominais (infinitivo - flexionado ou não -, gerúndio ou
Não só cantei como também dancei. particípio) chamamos orações reduzidas ou implícitas.
Nem comprei o protetor solar, nem fui à praia. Obs.: as orações reduzidas não são introduzidas por
Comprei o protetor solar e fui à praia. conjunções nem pronomes relativos. Podem ser, eventual-
mente, introduzidas por preposição.

65
LÍNGUA PORTUGUESA

1) ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS Obs.: quando a oração subordinada substantiva é sub-


jetiva, o verbo da oração principal está sempre na 3ª. pes-
A oração subordinada substantiva tem valor de subs- soa do singular.
tantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção inte-
grante (que, se). b) Objetiva Direta
Suponho que você foi à biblioteca hoje. A oração subordinada substantiva objetiva direta exer-
Oração Subordinada Substantiva ce função de objeto direto do verbo da oração principal.
Todos querem sua aprovação no concurso.
Você sabe se o presidente já chegou? Objeto Direto
Oração Subordinada Substantiva
Todos querem que você seja aprovado. (Todos
Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) também querem isso)
introduzem as orações subordinadas substantivas, bem
Oração Principal oração Subordinada Substantiva
como os advérbios interrogativos (por que, quando, onde,
Objetiva Direta
como). Veja os exemplos:
O garoto perguntou qual seu nome.
As orações subordinadas substantivas objetivas dire-
Oração Subordinada Substantiva
tas desenvolvidas são iniciadas por:
Não sabemos por que a vizinha se mudou. - Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e
Oração Subordinada Substantiva “se”: A professora verificou se todos alunos estavam pre-
Classificação das Orações sentes.
Subordinadas Substantivas - Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às
vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas:
De acordo com a função que exerce no período, a ora- O pessoal queria saber quem era o dono do carro importa-
ção subordinada substantiva pode ser: do.

a) Subjetiva - Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às


É subjetiva quando exerce a função sintática de sujeito vezes regidos de preposição), nas interrogações indiretas:
do verbo da oração principal. Observe: Eu não sei por que ela fez isso.
É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Sujeito c) Objetiva Indireta
A oração subordinada substantiva objetiva indireta
É fundamental que você compareça à reunião. atua como objeto indireto do verbo da oração principal.
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Vem precedida de preposição.
Subjetiva
Meu pai insiste em meu estudo.
Atenção: Objeto Indireto
Observe que a oração subordinada substantiva pode
ser substituída pelo pronome “ isso”. Assim, temos um pe- Meu pai insiste em que eu estude. (Meu pai in-
ríodo simples: siste nisso)
É fundamental isso. ou Isso é fundamental.
Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta
Dessa forma, a oração correspondente a “isso” exercerá
Obs.: em alguns casos, a preposição pode estar elípti-
a função de sujeito
ca na oração.
Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na oração
principal: Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
Oração Subordinada Substantiva Objetiva
- Verbos de ligação + predicativo, em construções do Indireta
tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece certo - É
claro - Está evidente - Está comprovado d) Completiva Nominal
É bom que você compareça à minha festa. A oração subordinada substantiva completiva nomi-
nal completa um nome que pertence à oração principal e
- Expressões na voz passiva, como: Sabe-se - Soube-se também vem marcada por preposição.
- Conta-se - Diz-se - Comenta-se - É sabido - Foi anunciado Sentimos orgulho de seu comportamento.
- Ficou provado Complemento Nominal
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro.
Sentimos orgulho de que você se comportou. (Sen-
- Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar - timos orgulho disso.)
importar - ocorrer - acontecer Oração Subordinada Substantiva Completiva No-
Convém que não se atrase na entrevista. minal

66
LÍNGUA PORTUGUESA

Lembre-se: as orações subordinadas substantivas obje- Perceba que a conexão entre a oração subordinada ad-
tivas indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto que jetiva e o termo da oração principal que ela modifica é feita
orações subordinadas substantivas completivas nominais in- pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou relacio-
tegram o sentido de um nome. Para distinguir uma da outra, nar) duas orações, o pronome relativo desempenha uma
é necessário levar em conta o termo complementado. Essa função sintática na oração subordinada: ocupa o papel que
é, aliás, a diferença entre o objeto indireto e o complemento seria exercido pelo termo que o antecede.
nominal: o primeiro complementa um verbo, o segundo, um Obs.: para que dois períodos se unam num período
nome. composto, altera-se o modo verbal da segunda oração.
Atenção: Vale lembrar um recurso didático para reco-
e) Predicativa nhecer o pronome relativo que: ele sempre pode ser subs-
A oração subordinada substantiva predicativa exerce papel tituído por: o qual - a qual - os quais - as quais
de predicativo do sujeito do verbo da oração principal e vem Refiro-me ao aluno que é estudioso.
sempre depois do verbo ser. Essa oração é equivalente a:
Nosso desejo era sua desistência. Refiro-me ao aluno o qual estuda.
Predicativo do Sujeito
Forma das Orações Subordinadas Adjetivas
Nosso desejo era que ele desistisse. (Nosso desejo era
Quando são introduzidas por um pronome relativo e
isso)
apresentam verbo no modo indicativo ou subjuntivo, as
Oração Subordinada Substantiva Predicativa
orações subordinadas adjetivas são chamadas desenvolvi-
das. Além delas, existem as orações subordinadas adjetivas
Obs.: em certos casos, usa-se a preposição expletiva “de”
reduzidas, que não são introduzidas por pronome relativo
para realce. Veja o exemplo: A impressão é de que não fui bem
(podem ser introduzidas por preposição) e apresentam o
na prova.
verbo numa das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou
f) Apositiva
particípio).
A oração subordinada substantiva apositiva exerce função
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
de aposto de algum termo da oração principal. Ele foi o primeiro aluno a se apresentar.
Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade! No primeiro período, há uma oração subordinada ad-
Aposto jetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome
relativo “que” e apresenta verbo conjugado no pretérito
(Fernanda tinha um grande sonho: isso.) perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração subor-
dinada adjetiva reduzida de infinitivo: não há pronome re-
Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz! lativo e seu verbo está no infinitivo.
Oração Subordinada Substantiva Apositiva
reduzida de infinitivo Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas

* Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : ) Na relação que estabelecem com o termo que caracte-
rizam, as orações subordinadas adjetivas podem atuar de
2) ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS duas maneiras diferentes. Há aquelas que restringem ou
especificam o sentido do termo a que se referem, indivi-
Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui va- dualizando-o. Nessas orações não há marcação de pausa,
lor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale. As orações sendo chamadas subordinadas adjetivas restritivas. Existem
vêm introduzidas por pronome relativo e exercem a função de também orações que realçam um detalhe ou amplificam
adjunto adnominal do antecedente. Observe o exemplo: dados sobre o antecedente, que já se encontra suficien-
temente definido, as quais denominam-se subordinadas
Esta foi uma redação bem-sucedida. adjetivas explicativas.
Substantivo Adjetivo (Adjunto Adno- Exemplo 1:
minal) Jamais teria chegado aqui, não fosse a gentileza de um
homem que passava naquele momento.
Note que o substantivo redação foi caracterizado pelo ad-
jetivo bem-sucedida. Nesse caso, é possível formarmos outra Oração Subordinada Adjetiva Restritiva
construção, a qual exerce exatamente o mesmo papel. Veja:
Nesse período, observe que a oração em destaque res-
Esta foi uma redação que fez sucesso. tringe e particulariza o sentido da palavra “homem”: trata-
Oração Principal Oração Subordinada Ad- se de um homem específico, único. A oração limita o uni-
jetiva verso de homens, isto é, não se refere a todos os homens,
mas sim àquele que estava passando naquele momento.

67
LÍNGUA PORTUGUESA

Exemplo 2: Circunstâncias Expressas


pelas Orações Subordinadas Adverbiais
O homem, que se considera racional, muitas vezes age
animalescamente. a) Causa
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa A ideia de causa está diretamente ligada àquilo que
provoca um determinado fato, ao motivo do que se declara
Nesse período, a oração em destaque não tem sentido na oração principal. “É aquilo ou aquele que determina um
restritivo em relação à palavra “homem”; na verdade, essa acontecimento”.
oração apenas explicita uma ideia que já sabemos estar con- Principal conjunção subordinativa causal: PORQUE
tida no conceito de “homem”. Outras conjunções e locuções causais: como (sempre
Saiba que: A oração subordinada adjetiva explicativa é introduzido na oração anteposta à oração principal), pois,
separada da oração principal por uma pausa que, na escrita, é pois que, já que, uma vez que, visto que.
representada pela vírgula. É comum, por isso, que a pontua- As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito forte.
ção seja indicada como forma de diferenciar as orações ex- Como ninguém se interessou pelo projeto, não houve al-
plicativas das restritivas; de fato, as explicativas vêm sempre ternativa a não ser cancelá-lo.
isoladas por vírgulas; as restritivas, não. Já que você não vai, eu também não vou.
3) ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS b) Consequência
As orações subordinadas adverbiais consecutivas ex-
Uma oração subordinada adverbial é aquela que exerce primem um fato que é consequência, que é efeito do que
a função de adjunto adverbial do verbo da oração principal. se declara na oração principal. São introduzidas pelas con-
Dessa forma, pode exprimir circunstância de tempo, modo, junções e locuções: que, de forma que, de sorte que, tanto
fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando desenvolvida, que, etc., e pelas estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...
vem introduzida por uma das conjunções subordinativas que.
(com exclusão das integrantes). Classifica-se de acordo com
Principal conjunção subordinativa consecutiva: QUE
a conjunção ou locução conjuntiva que a introduz.
(precedido de tal, tanto, tão, tamanho)
É feio que dói. (É tão feio que, em consequência, causa
Durante a madrugada, eu olhei você dormindo.
dor.)
Oração Subordinada Adverbial
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou con-
cretizando-os.
Observe que a oração em destaque agrega uma circuns-
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração Reduzi-
tância de tempo. É, portanto, chamada de oração subordi-
nada adverbial temporal. Os adjuntos adverbiais são termos da de Infinitivo)
acessórios que indicam uma circunstância referente, via de
regra, a um verbo. A classificação do adjunto adverbial de- c) Condição
pende da exata compreensão da circunstância que exprime. Condição é aquilo que se impõe como necessário para
Observe os exemplos abaixo: a realização ou não de um fato. As orações subordinadas
Naquele momento, senti uma das maiores emoções de adverbiais condicionais exprimem o que deve ou não ocor-
minha vida. rer para que se realize ou deixe de se realizar o fato expres-
Quando vi a estátua, senti uma das maiores emoções de so na oração principal.
minha vida. Principal conjunção subordinativa condicional: SE
Outras conjunções condicionais: caso, contanto que,
No primeiro período, “naquele momento” é um adjunto desde que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que,
adverbial de tempo, que modifica a forma verbal “senti”. No sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo).
segundo período, esse papel é exercido pela oração “Quan- Se o regulamento do campeonato for bem elaborado,
do vi a estátua”, que é, portanto, uma oração subordinada certamente o melhor time será campeão.
adverbial temporal. Essa oração é desenvolvida, pois é intro- Uma vez que todos aceitem a proposta, assinaremos o
duzida por uma conjunção subordinativa (quando) e apre- contrato.
senta uma forma verbal do modo indicativo (“vi”, do pretérito Caso você se case, convide-me para a festa.
perfeito do indicativo). Seria possível reduzi-la, obtendo-se:
Ao ver a estátua, senti uma das maiores emoções de mi- d) Concessão
nha vida. As orações subordinadas adverbiais concessivas in-
dicam concessão às ações do verbo da oração principal,
A oração em destaque é reduzida, pois apresenta uma isto é, admitem uma contradição ou um fato inesperado. A
das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não é ideia de concessão está diretamente ligada ao contraste, à
introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por uma quebra de expectativa.
preposição (“a”, combinada com o artigo “o”). Principal conjunção subordinativa concessiva: EMBORA
Obs.: a classificação das orações subordinadas adverbiais Utiliza-se também a conjunção: conquanto e as locu-
é feita do mesmo modo que a classificação dos adjuntos ad- ções ainda que, ainda quando, mesmo que, se bem que, pos-
verbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela oração. to que, apesar de que.

68
LÍNGUA PORTUGUESA

Só irei se ele for. h) Proporção


A oração acima expressa uma condição: o fato de “eu” As orações subordinadas adverbiais proporcionais expri-
ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita. mem ideia de proporção, ou seja, um fato simultâneo ao ex-
Compare agora com: presso na oração principal.
Irei mesmo que ele não vá. Principal locução conjuntiva subordinativa proporcional:
A distinção fica nítida; temos agora uma concessão: À PROPORÇÃO QUE
irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida. A Outras locuções conjuntivas proporcionais: à medi-
oração destacada é, portanto, subordinada adverbial con- da que, ao passo que. Há ainda as estruturas: quanto maior...
cessiva. (maior), quanto maior...(menor), quanto menor...(maior), quan-
Observe outros exemplos: to menor...(menor), quanto mais...(mais), quanto mais...(menos),
Embora fizesse calor, levei agasalho. quanto menos...(mais), quanto menos...(menos).
Conquanto a economia tenha crescido, pelo menos me- À proporção que estudávamos, acertávamos mais ques-
tões.
tade da população continua à margem do mercado de con-
Visito meus amigos à medida que eles me convidam.
sumo.
Quanto maior for a altura, maior será o tombo.
Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse / embo-
ra não estudasse). (reduzida de infinitivo)
i) Tempo
As orações subordinadas adverbiais temporais acrescen-
e) Comparação tam uma ideia de tempo ao fato expresso na oração principal,
As orações subordinadas adverbiais comparativas esta- podendo exprimir noções de simultaneidade, anterioridade
belecem uma comparação com a ação indicada pelo verbo ou posterioridade.
da oração principal. Principal conjunção subordinativa temporal: QUANDO
Principal conjunção subordinativa comparativa: COMO Outras conjunções subordinativas temporais: enquanto,
Ele dorme como um urso. mal e locuções conjuntivas: assim que, logo que, todas as vezes
Saiba que: É comum a omissão do verbo nas orações que, antes que, depois que, sempre que, desde que, etc.
subordinadas adverbiais comparativas. Por exemplo: Quando você foi embora, chegaram outros convidados.
Agem como crianças. (agem) Sempre que ele vem, ocorrem problemas.
Oração Subordinada Adverbial Comparativa Mal você saiu, ela chegou.
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando termi-
No entanto, quando se comparam ações diferentes, nou a festa) (Oração Reduzida de Particípio)
isso não ocorre. Por exemplo: Ela fala mais do que faz.
(comparação do verbo falar e do verbo fazer).
B) REGÊNCIAS VERBAL E NOMINAL.
f) Conformidade
As orações subordinadas adverbiais conformativas in-
dicam ideia de conformidade, ou seja, exprimem uma re-
gra, um modelo adotado para a execução do que se decla- Dá-se o nome de regência à relação de subordinação
ra na oração principal. que ocorre entre um verbo (ou um nome) e seus comple-
Principal conjunção subordinativa conformativa: CON- mentos. Ocupa-se em estabelecer relações entre as palavras,
FORME criando frases não ambíguas, que expressem efetivamente o
sentido desejado, que sejam corretas e claras.
Outras conjunções conformativas: como, consoante e
segundo (todas com o mesmo valor de conforme).
Regência Verbal
Fiz o bolo conforme ensina a receita.
Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm
Termo Regente: VERBO
direitos iguais.
A regência verbal estuda a relação que se estabelece entre
g) Finalidade os verbos e os termos que os complementam (objetos diretos
As orações subordinadas adverbiais finais indicam a e objetos indiretos) ou caracterizam (adjuntos adverbiais).
intenção, a finalidade daquilo que se declara na oração O estudo da regência verbal permite-nos ampliar nossa
principal. capacidade expressiva, pois oferece oportunidade de conhe-
Principal conjunção subordinativa final: A FIM DE QUE cermos as diversas significações que um verbo pode assumir
Outras conjunções finais: que, porque (= para que) e a com a simples mudança ou retirada de uma preposição. Ob-
locução conjuntiva para que. serve:
Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigos. A mãe agrada o filho. -> agradar significa acariciar, con-
Felipe abriu a porta do carro para que sua namorada tentar.
entrasse. A mãe agrada ao filho. -> agradar significa “causar agrado
ou prazer”, satisfazer.
Logo, conclui-se que “agradar alguém” é diferente de
“agradar a alguém”.

69
LÍNGUA PORTUGUESA

Saiba que: Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente


O conhecimento do uso adequado das preposições é como o verbo amar:
um dos aspectos fundamentais do estudo da regência ver- Amo aquele rapaz. / Amo-o.
bal (e também nominal). As preposições são capazes de Amo aquela moça. / Amo-a.
modificar completamente o sentido do que se está sendo Amam aquele rapaz. / Amam-no.
dito. Veja os exemplos: Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.
Cheguei ao metrô.
Cheguei no metrô. Obs.: os pronomes lhe, lhes só acompanham esses ver-
bos para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos
No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no se- adnominais).
gundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado. A Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto)
oração “Cheguei no metrô”, popularmente usada a fim de Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua car-
indicar o lugar a que se vai, possui, no padrão culto da lín- reira)
gua, sentido diferente. Aliás, é muito comum existirem di- Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau hu-
vergências entre a regência coloquial, cotidiana de alguns mor)
verbos, e a regência culta.
Para estudar a regência verbal, agruparemos os verbos Verbos Transitivos Indiretos
de acordo com sua transitividade. A transitividade, porém,
não é um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de Os verbos transitivos indiretos são complementados
diferentes formas em frases distintas. por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos exi-
gem uma preposição para o estabelecimento da relação de
Verbos Intransitivos regência. Os pronomes pessoais do caso oblíquo de ter-
ceira pessoa que podem atuar como objetos indiretos são
Os verbos intransitivos não possuem complemento. É o “lhe”, o “lhes”, para substituir pessoas. Não se utilizam
importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos
os pronomes o, os, a, as como complementos de verbos
aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los.
transitivos indiretos. Com os objetos indiretos que não re-
presentam pessoas, usam-se pronomes oblíquos tônicos
- Chegar, Ir
de terceira pessoa (ele, ela) em lugar dos pronomes átonos
Normalmente vêm acompanhados de adjuntos adver-
lhe, lhes.
biais de lugar. Na língua culta, as preposições usadas para
Os verbos transitivos indiretos são os seguintes:
indicar destino ou direção são: a, para.
- Consistir - Tem complemento introduzido pela pre-
Fui ao teatro.
Adjunto Adverbial de Lugar posição “em”: A modernidade verdadeira consiste em direi-
tos iguais para todos.
Ricardo foi para a Espanha.
Adjunto Adverbial de Lugar - Obedecer e Desobedecer - Possuem seus comple-
mentos introduzidos pela preposição “a”:
- Comparecer Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais.
O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido por Eles desobedeceram às leis do trânsito.
em ou a.
Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o - Responder - Tem complemento introduzido pela pre-
último jogo. posição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para indicar “a
quem” ou “ao que” se responde.
Verbos Transitivos Diretos Respondi ao meu patrão.
Respondemos às perguntas.
Os verbos transitivos diretos são complementados por Respondeu-lhe à altura.
objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição
para o estabelecimento da relação de regência. Ao empre- Obs.: o verbo responder, apesar de transitivo indireto
gar esses verbos, devemos lembrar que os pronomes oblí- quando exprime aquilo a que se responde, admite voz pas-
quos o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses prono- siva analítica. Veja:
mes podem assumir as formas lo, los, la, las (após formas O questionário foi respondido corretamente.
verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos, nas (após Todas as perguntas foram respondidas satisfatoriamen-
formas verbais terminadas em sons nasais), enquanto lhe e te.
lhes são, quando complementos verbais, objetos indiretos.
São verbos transitivos diretos, dentre outros: abando- - Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus complemen-
nar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar, acusar, ad- tos introduzidos pela preposição “com”.
mirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar, auxiliar, Antipatizo com aquela apresentadora.
castigar, condenar, conhecer, conservar,convidar, defender, Simpatizo com os que condenam os políticos que gover-
eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir, prejudicar, prezar, nam para uma minoria privilegiada.
proteger, respeitar, socorrer, suportar, ver, visitar.

70
LÍNGUA PORTUGUESA

Verbos Transitivos Diretos e Indiretos Observe que, nesse caso, a preposição “para” introduz
uma oração subordinada adverbial final reduzida de infinitivo
Os verbos transitivos diretos e indiretos são acompanha- (para ir entregar-lhe os catálogos em casa).
dos de um objeto direto e um indireto. Merecem destaque,
nesse grupo: Agradecer, Perdoar e Pagar. São verbos que - A construção “dizer para”, também muito usada popu-
apresentam objeto direto relacionado a coisas e objeto indire- larmente, é igualmente considerada incorreta.
to relacionado a pessoas. Veja os exemplos:
Agradeço aos ouvintes a audiência. Preferir
Objeto Indireto Objeto Direto Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto indire-
to introduzido pela preposição “a”. Por Exemplo:
Paguei o débito ao cobrador. Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais.
Objeto Direto Objeto Indireto Prefiro trem a ônibus.

- O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito com Obs.: na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado
particular cuidado. Observe: sem termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil vezes,
um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo prefixo exis-
Agradeci o presente. / Agradeci-o. tente no próprio verbo (pre).
Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
Perdoei a ofensa. / Perdoei-a. Mudança de Transitividade X Mudança de Significado
Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe. Há verbos que, de acordo com a mudança de transitivida-
Paguei minhas contas. / Paguei-as. de, apresentam mudança de significado. O conhecimento das
Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes. diferentes regências desses verbos é um recurso linguístico
muito importante, pois além de permitir a correta interpreta-
Informar ção de passagens escritas, oferece possibilidades expressivas a
- Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto quem fala ou escreve. Dentre os principais, estão:
indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
Informe os novos preços aos clientes. AGRADAR
Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os novos - Agradar é transitivo direto no sentido de fazer carinhos,
preços) acariciar.
- Na utilização de pronomes como complementos, veja as Sempre agrada o filho quando o revê. / Sempre o agrada
construções: quando o revê.
Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos preços. Cláudia não perde oportunidade de agradar o gato. / Cláu-
Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou sobre dia não perde oportunidade de agradá-lo.
eles)
- Agradar é transitivo indireto no sentido de causar agrado
Obs.: a mesma regência do verbo informar é usada para a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento introduzido
os seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir. pela preposição “a”.
O cantor não agradou aos presentes.
Comparar O cantor não lhes agradou.
Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as
preposições “a” ou “com” para introduzir o complemento in- ASPIRAR
direto. - Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspirar (o
Comparei seu comportamento ao (ou com o) de uma criança. ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)

Pedir - Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, ter


Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente na for- como ambição: Aspirávamos a melhores condições de vida.
ma de oração subordinada substantiva) e indireto de pessoa. (Aspirávamos a elas)
Pedi-lhe favores.
Objeto Indireto Objeto Direto Obs.: como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pes-
soa, mas coisa, não se usam as formas pronominais átonas
Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio. “lhe” e “lhes” e sim as formas tônicas “a ele (s)”, “ a ela (s)”. Veja
Objeto Indireto Oração Subordinada Substantiva o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (= Aspiravam
Objetiva Direta a ela)

Saiba que: ASSISTIR


- A construção “pedir para”, muito comum na linguagem - Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, prestar
cotidiana, deve ter emprego muito limitado na língua culta. No assistência a, auxiliar. Por exemplo:
entanto, é considerada correta quando a palavra licença estiver As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos.
subentendida. As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em casa.

71
LÍNGUA PORTUGUESA

- Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, presenciar, PROCEDER


estar presente, caber, pertencer. Exemplos: - Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter cabimen-
Assistimos ao documentário. to, ter fundamento ou portar-se, comportar-se, agir. Nessa segunda
Não assisti às últimas sessões. acepção, vem sempre acompanhado de adjunto adverbial de modo.
Essa lei assiste ao inquilino. As afirmações da testemunha procediam, não havia como
refutá-las.
Obs.: no sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é intran- Você procede muito mal.
sitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial de lugar intro-
duzido pela preposição “em”: Assistimos numa conturbada cidade. - Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a preposi-
ção” de”) e fazer, executar (rege complemento introduzido pela
CHAMAR preposição “a”) é transitivo indireto.
- Chamar é transitivo direto no sentido de convocar, solici- O avião procede de Maceió.
tar a atenção ou a presença de. Procedeu-se aos exames.
Por gentileza, vá chamar sua prima. / Por favor, vá chamá-la. O delegado procederá ao inquérito.
Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.
QUERER
- Chamar no sentido de denominar, apelidar pode apre- - Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter von-
sentar objeto direto e indireto, ao qual se refere predicativo tade de, cobiçar.
preposicionado ou não. Querem melhor atendimento.
A torcida chamou o jogador mercenário. Queremos um país melhor.
A torcida chamou ao jogador mercenário.
A torcida chamou o jogador de mercenário. - Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, es-
A torcida chamou ao jogador de mercenário. timar, amar.
Quero muito aos meus amigos.
CUSTAR
Ele quer bem à linda menina.
- Custar é intransitivo no sentido de ter determinado valor
Despede-se o filho que muito lhe quer.
ou preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial: Frutas e
verduras não deveriam custar muito.
VISAR
- Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mirar,
- No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo ou
fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
transitivo indireto.
Muito custa viver tão longe da família. O homem visou o alvo.
Verbo Oração Subordinada Substantiva O gerente não quis visar o cheque.
Subjetiva
Intransitivo Reduzida de Infinitivo - No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como ob-
jetivo, é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
Custa-me (a mim) crer que tomou realmente aquela O ensino deve sempre visar ao progresso social.
atitude. Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar público.
Objeto Oração Subordinada Substantiva
Subjetiva ESQUECER – LEMBRAR
Indireto Reduzida de Infinitivo - Lembrar algo – esquecer algo
- Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal)
Obs.: a Gramática Normativa condena as construções No 1º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja, exi-
que atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado gem complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
por pessoa. Observe: No 2º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e
Custei para entender o problema. exigem complemento com a preposição “de”. São, portanto,
Forma correta: Custou-me entender o problema. transitivos indiretos:
- Ele se esqueceu do caderno.
IMPLICAR - Eu me esqueci da chave.
- Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos: - Eles se esqueceram da prova.
a) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes im- - Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.
plicavam um firme propósito. Há uma construção em que a coisa esquecida ou lembrada
b) Ter como consequência, trazer como consequência, passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve alteração
acarretar, provocar: Liberdade de escolha implica amadureci- de sentido. É uma construção muito rara na língua contempo-
mento político de um povo. rânea, porém, é fácil encontrá-la em textos clássicos tanto bra-
sileiros como portugueses. Machado de Assis, por exemplo, fez
- Como transitivo direto e indireto, significa comprometer, uso dessa construção várias vezes.
envolver: Implicaram aquele jornalista em questões econômicas. - Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
Obs.: no sentido de antipatizar, ter implicância, é transitivo - Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
indireto e rege com preposição “com”: Implicava com quem O verbo lembrar também pode ser transitivo direto e indire-
não trabalhasse arduamente. to (lembrar alguma coisa a alguém ou alguém de alguma coisa).

72
LÍNGUA PORTUGUESA

SIMPATIZAR
Transitivo indireto e exige a preposição “com”: Não simpatizei com os jurados.

NAMORAR
É transitivo direto, ou seja, não admite preposição: Maria namora João.
Obs: Não é correto dizer: “Maria namora com João”.

OBEDECER
É transitivo indireto, ou seja, exige complemento com a preposição “a” (obedecer a): Devemos obedecer aos pais.
Obs: embora seja transitivo indireto, esse verbo pode ser usado na voz passiva: A fila não foi obedecida.

VER
É transitivo direto, ou seja, não exige preposição: Ele viu o filme.

Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse nome.
Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em conta que vá-
rios nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de um verbo significa,
nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os nomes correspondentes:
todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.

Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da preposição ou preposições que os regem. Observe-os atenta-
mente e procure, sempre que possível, associar esses nomes entre si ou a algum verbo cuja regência você conhece.

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
Desejoso de Natural de Vazio de
Advérbios
Longe de Perto de

Obs.: os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a;
paralelamente a; relativa a; relativamente a.

Fonte: http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint61.php

73
LÍNGUA PORTUGUESA

Questões sobre Regência Nominal e Verbal 05. (Escrevente TJ SP – Vunesp 2012) Assinale a alter-
nativa em que o período, adaptado da revista Pesquisa
01. (Administrador – FCC – 2013-adap.). Fapesp de junho de 2012, está correto quanto à regência
... a que ponto a astronomia facilitou a obra das outras nominal e à pontuação.
ciências ... (A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapida-
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que mente, seu espaço na carreira científica ainda que o avanço
o grifado acima está empregado em: seja mais notável em alguns países, o Brasil é um exemplo,
A) ...astros que ficam tão distantes ... do que em outros.
B) ...que a astronomia é uma das ciências ... (B) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam ra-
C) ...que nos proporcionou um espírito ... pidamente seu espaço na carreira científica; ainda que o
D) ...cuja importância ninguém ignora ... avanço seja mais notável, em alguns países, o Brasil é um
E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro ... exemplo!, do que em outros.
(C) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam ra-
02.(Agente de Apoio Administrativo – FCC – 2013- pidamente seu espaço, na carreira científica, ainda que o
adap.). avanço seja mais notável, em alguns países: o Brasil é um
... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito nos exemplo, do que em outros.
filhos do sueco. (D) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapida-
O verbo que exige, no contexto, o mesmo tipo de com- mente seu espaço na carreira científica, ainda que o avanço
plementos que o grifado acima está empregado em: seja mais notável em alguns países – o Brasil é um exemplo
A) ...que existe uma coisa chamada exército... – do que em outros.
B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra? (E) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapida-
C) ...compareceu em companhia da mulher à delega- mente, seu espaço na carreira científica, ainda que, o avan-
cia... ço seja mais notável em alguns países (o Brasil é um exem-
D) Eu ensino o senhor a cumprir a lei, ali no duro... plo) do que em outros.
E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atre-
vimento. 06. (Papiloscopista Policial – VUNESP – 2013). Assina-
le a alternativa correta quanto à regência dos termos em
03.(Agente de Defensoria Pública – FCC – 2013-adap.). destaque.
... constava simplesmente de uma vareta quebrada em (A) Ele tentava convencer duas senhoras a assumir a
partes desiguais... responsabilidade pelo problema.
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que (B) A menina tinha o receio a levar uma bronca por ter
o grifado acima está empregado em: se perdido.
A) Em campos extensos, chegavam em alguns casos a (C) A garota tinha apenas a lembrança pelo desenho
extremos de sutileza. de um índio na porta do prédio.
B) ...eram comumente assinalados a golpes de macha- (D) A menina não tinha orgulho sob o fato de ter se
do nos troncos mais robustos. perdido de sua família.
C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados deso- (E) A família toda se organizou para realizar a procura
rientam, não raro, quem... à garotinha.
D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho
na serra de Tunuí... 07. (Analista de Sistemas – VUNESP – 2013). Assinale
E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o a alternativa que completa, correta e respectivamente, as
gentio, mestre e colaborador... lacunas do texto, de acordo com as regras de regência.
Os estudos _______ quais a pesquisadora se reportou já
04. (Agente Técnico – FCC – 2013-adap.). assinalavam uma relação entre os distúrbios da imagem
... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça... corporal e a exposição a imagens idealizadas pela mídia.
O verbo que exige o mesmo tipo de complemento que A pesquisa faz um alerta ______ influência negativa que
o da frase acima se encontra em: a mídia pode exercer sobre os jovens.
A) A palavra direito, em português, vem de directum, A) dos … na
do verbo latino dirigere... B) nos … entre a
B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das C) aos … para a
sociedades... D) sobre os … pela
C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado E) pelos … sob a
pela justiça.
D) Essa problematicidade não afasta a força das aspi- 08. (Analista em Planejamento, Orçamento e Finanças
rações da justiça... Públicas – VUNESP – 2013). Considerando a norma-padrão
E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o da língua, assinale a alternativa em que os trechos desta-
sentimento de justiça. cados estão corretos quanto à regência, verbal ou nominal.
A) O prédio que o taxista mostrou dispunha de mais
de dez mil tomadas.

74
LÍNGUA PORTUGUESA

B) O autor fez conjecturas sob a possibilidade de haver 4-) ... para lidar com as múltiplas vertentes da justiça...
um homem que estaria ouvindo as notas de um oboé. Lidar = transitivo indireto
C) Centenas de trabalhadores estão empenhados de B) ...o Direito tem uma complexa função de gestão das
criar logotipos e negociar. sociedades... =transitivo direto
D) O taxista levou o autor a indagar no número de to- C) ...o de que o Direito [...] esteja permeado e regulado
madas do edifício. pela justiça. =ligação
E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor repa- D) Essa problematicidade não afasta a força das aspira-
rasse a um prédio na marginal. ções da justiça... =transitivo direto e indireto
E) Na dinâmica dessa tensão tem papel relevante o
09. (Assistente de Informática II – VUNESP – 2013). As- sentimento de justiça. =transitivo direto
sinale a alternativa que substitui a expressão destacada na
frase, conforme as regras de regência da norma-padrão da 5-) A correção do item deve respeitar as regras de pon-
língua e sem alteração de sentido. tuação também. Assinalei apenas os desvios quanto à re-
Muitas organizações lutaram a favor da igualdade de gência (pontuação encontra-se em tópico específico)
direitos dos trabalhadores domésticos. (A) Não há dúvida de que as mulheres ampliam,
A) da (B) Não há dúvida de que (erros quanto à pon-
B) na tuação)
C) pela (C) Não há dúvida de que as mulheres, (erros quanto
D) sob a à pontuação)
E) sobre a (E) Não há dúvida de que as mulheres ampliam rapi-
damente, seu espaço na carreira científica, ainda que, o
GABARITO avanço seja mais notável em alguns países (o Brasil é um
exemplo) do que em outros.
01. D 02. D 03. A 04. A 05. D
06. A 07. C 08. A 09. C
6-)
RESOLUÇÃO
(B) A menina tinha o receio de levar uma bronca por
ter se perdido.
1-) ... a que ponto a astronomia facilitou a obra das ou-
(C) A garota tinha apenas a lembrança do desenho de
tras ciências ...
um índio na porta do prédio.
Facilitar – verbo transitivo direto
(D) A menina não tinha orgulho do fato de ter se per-
A) ...astros que ficam tão distantes ... = verbo de ligação
B) ...que a astronomia é uma das ciências ... = verbo de dido de sua família.
ligação (E) A família toda se organizou para realizar a procura
C) ...que nos proporcionou um espírito ... = verbo transi- pela garotinha.
tivo direto e indireto
E) ...onde seu corpo não passa de um ponto obscuro = 7-) Os estudos aos quais a pesquisadora se re-
verbo transitivo indireto portou já assinalavam uma relação entre os distúrbios da
imagem corporal e a exposição a imagens idealizadas pela
2-) ... pediu ao delegado do bairro que desse um jeito mídia.
nos filhos do sueco. A pesquisa faz um alerta para a influência negativa
Pedir = verbo transitivo direto e indireto que a mídia pode exercer sobre os jovens.
A) ...que existe uma coisa chamada EXÉRCITO... = tran-
sitivo direto 8-)
B) ...como se isso aqui fosse casa da sogra? =verbo de ligação B) O autor fez conjecturas sobre a possibilidade de ha-
C) ...compareceu em companhia da mulher à delegacia... ver um homem que estaria ouvindo as notas de um oboé.
=verbo intransitivo C) Centenas de trabalhadores estão empenhados em
E) O delegado apenas olhou-a espantado com o atrevi- criar logotipos e negociar.
mento. =transitivo direto D) O taxista levou o autor a indagar sobre o número de
tomadas do edifício.
3-) ... constava simplesmente de uma vareta quebrada E) A corrida com o taxista possibilitou que o autor re-
em partes desiguais... parasse em um prédio na marginal.
Constar = verbo intransitivo
B) ...eram comumente assinalados a golpes de machado 9-) Muitas organizações lutaram pela igualdade de
nos troncos mais robustos. =ligação direitos dos trabalhadores domésticos.
C) Os toscos desenhos e os nomes estropiados deso-
rientam, não raro, quem... =transitivo direto
D) Koch-Grünberg viu uma dessas marcas de caminho
na serra de Tunuí... = transitivo direto
E) ...em que tão bem se revelam suas afinidades com o
gentio, mestre e colaborador...=transitivo direto

75
LÍNGUA PORTUGUESA

Pela linguagem, as pessoas são induzidas a fazer de-


8) FUNÇÕES DA LINGUAGEM. terminadas coisas, a crer em determinadas ideias, a sen-
tir determinadas emoções, a ter determinados estados de
alma (amor, desprezo, desdém, raiva, etc.). Por isso, pode-
se dizer que ela modela atitudes, convicções, sentimentos,
FUNÇÕES DE LINGUAGEM emoções, paixões. Quem ouve desavisada e reiteradamente
a palavra negro pronunciada em tom desdenhoso aprende
Quando se pergunta a alguém para que serve a lingua- a ter sentimentos racistas; se a todo momento nos dizem,
gem, a resposta mais comum é que ela serve para comuni- num tom pejorativo, “Isso é coisa de mulher”, aprendemos
car. Isso está correto. No entanto, comunicar não é apenas os preconceitos contra a mulher.
transmitir informações. É também exprimir emoções, dar Não se interfere no comportamento das pessoas ape-
ordens, falar apenas para não haver silêncio. Para que serve nas com a ordem, o pedido, a súplica. Há textos que nos
a linguagem? influenciam de maneira bastante sutil, com tentações e
- A linguagem serve para informar: Função Referencial. seduções, como os anúncios publicitários que nos dizem
como seremos bem sucedidos, atraentes e charmosos se
“Estados Unidos invadem o Iraque” usarmos determinadas marcas, se consumirmos certos
produtos. Por outro lado, a provocação e a ameaça expres-
Essa frase, numa manchete de jornal, informa-nos so- sas pela linguagem também servem para fazer fazer.
bre um acontecimento do mundo. Com essa função, a linguagem modela tanto bons ci-
Com a linguagem, armazenamos conhecimentos na dadãos, que colocam o respeito ao outro acima de tudo,
memória, transmitimos esses conhecimentos a outras pes- quanto espertalhões, que só pensam em levar vantagem,
soas, ficamos sabendo de experiências bem-sucedidas, so- e indivíduos atemorizados, que se deixam conduzir sem
mos prevenidos contra as tentativas mal sucedidas de fazer questionar.
alguma coisa. Graças à linguagem, um ser humano recebe Emprega-se a expressão função conativa da linguagem
de outro conhecimentos, aperfeiçoa-os e transmite-os. quando esta é usada para interferir no comportamento das
Condillac, um pensador francês, diz: “Quereis aprender pessoas por meio de uma ordem, um pedido ou uma su-
ciências com facilidade? Começai a aprender vossa própria gestão. A palavra conativo é proveniente de um verbo la-
língua!” Com efeito, a linguagem é a maneira como apren- tino (conari) que significa “esforçar-se” (para obter algo).
demos desde as mais banais informações do dia a dia até
as teorias científicas, as expressões artísticas e os sistemas - A linguagem serve para expressar a subjetividade:
filosóficos mais avançados. Função Emotiva.
A função informativa da linguagem tem importância
central na vida das pessoas, consideradas individualmente “Eu fico possesso com isso!”
ou como grupo social. Para cada indivíduo, ela permite co-
nhecer o mundo; para o grupo social, possibilita o acúmulo Nessa frase, quem fala está exprimindo sua indignação
de conhecimentos e a transferência de experiências. Por com alguma coisa que aconteceu. Com palavras, objetiva-
meio dessa função, a linguagem modela o intelecto. mos e expressamos nossos sentimentos e nossas emoções.
É a função informativa que permite a realização do Exprimimos a revolta e a alegria, sussurramos palavras de
trabalho coletivo. Operar bem essa função da linguagem amor e explodimos de raiva, manifestamos desespero,
possibilita que cada indivíduo continue sempre a aprender. desdém, desprezo, admiração, dor, tristeza. Muitas vezes,
A função informativa costuma ser chamada também de falamos para exprimir poder ou para afirmarmo-nos social-
função referencial, pois seu principal propósito é fazer com mente. Durante o governo do presidente Fernando Henri-
que as palavras revelem da maneira mais clara possível as que Cardoso, ouvíamos certos políticos dizerem “A intenção
coisas ou os eventos a que fazem referência. do Fernando é levar o país à prosperidade” ou “O Fernando
tem mudado o país”. Essa maneira informal de se referirem
- A linguagem serve para influenciar e ser influenciado: ao presidente era, na verdade, uma maneira de insinuarem
Função Conativa. intimidade com ele e, portanto, de exprimirem a importân-
cia que lhes seria atribuída pela proximidade com o poder.
“Vem pra Caixa você também.” Inúmeras vezes, contamos coisas que fizemos para afir-
marmo-nos perante o grupo, para mostrar nossa valentia
Essa frase fazia parte de uma campanha destinada a ou nossa erudição, nossa capacidade intelectual ou nossa
aumentar o número de correntistas da Caixa Econômica competência na conquista amorosa.
Federal. Para persuadir o público alvo da propaganda a Por meio do tipo de linguagem que usamos, do tom
adotar esse comportamento, formulou-se um convite com de voz que empregamos, etc., transmitimos uma imagem
uma linguagem bastante coloquial, usando, por exemplo, a nossa, não raro inconscientemente.
forma vem, de segunda pessoa do imperativo, em lugar de Emprega-se a expressão função emotiva para designar
venha, forma de terceira pessoa prescrita pela norma culta a utilização da linguagem para a manifestação do enuncia-
quando se usa você. dor, isto é, daquele que fala.

76
LÍNGUA PORTUGUESA

- A linguagem serve para criar e manter laços sociais: - A linguagem serve para criar outros universos.
Função Fática.
A linguagem não fala apenas daquilo que existe, fala
__Que calorão, hein? também do que nunca existiu. Com ela, imaginamos novos
__Também, tem chovido tão pouco. mundos, outras realidades. Essa é a grande função da arte:
__Acho que este ano tem feito mais calor do que nos mostrar que outros modos de ser são possíveis, que outros
outros. universos podem existir. O filme de Woody Allen “A rosa
__Eu não me lembro de já ter sentido tanto calor. púrpura do Cairo” (1985) mostra isso de maneira bem ex-
pressiva. Nele, conta-se a história de uma mulher que, para
Esse é um típico diálogo de pessoas que se encontram consolar-se do cotidiano sofrido e dos maus-tratos infligi-
num elevador e devem manter uma conversa nos poucos dos pelo marido, refugia-se no cinema, assistindo inúmeras
instantes em que estão juntas. Falam para nada dizer, ape- vezes a um filme de amor em que a vida é glamorosa, e o
nas porque o silêncio poderia ser constrangedor ou pare- galã é carinhoso e romântico. Um dia, ele sai da tela e am-
cer hostil. bos vão viver juntos uma série de aventuras. Nessa outra
Quando estamos num grupo, numa festa, não pode- realidade, os homens são gentis, a vida não é monótona, o
mos manter-nos em silêncio, olhando uns para os outros. amor nunca diminui e assim por diante.
Nessas ocasiões, a conversação é obrigatória. Por isso,
quando não se tem assunto, fala-se do tempo, repetem-se - A linguagem serve como fonte de prazer: Função
histórias que todos conhecem, contam-se anedotas velhas. Poética.
A linguagem, nesse caso, não tem nenhuma função que
não seja manter os laços sociais. Quando encontramos al- Brincamos com as palavras. Os jogos com o sentido
guém e lhe perguntamos “Tudo bem?”, em geral não que- e os sons são formas de tornar a linguagem um lugar de
remos, de fato, saber se nosso interlocutor está bem, se prazer. Divertimo-nos com eles. Manipulamos as palavras
está doente, se está com problemas. para delas extrairmos satisfação.
A fórmula é uma maneira de estabelecer um vínculo Oswald de Andrade, em seu “Manifesto antropófago”,
social. diz “Tupi or not tupi”; trata-se de um jogo com a frase sha-
Também os hinos têm a função de criar vínculos, seja kespeariana “To be or not to be”. Conta-se que o poeta Emí-
entre alunos de uma escola, entre torcedores de um time lio de Menezes, quando soube que uma mulher muito gor-
de futebol ou entre os habitantes de um país. Não importa da se sentara no banco de um ônibus e este quebrara, fez
que as pessoas não entendam bem o significado da letra o seguinte trocadilho: “É a primeira vez que vejo um banco
do Hino Nacional, pois ele não tem função informativa: o quebrar por excesso de fundos”.
importante é que, ao cantá-lo, sentimo-nos participantes A palavra banco está usada em dois sentidos: “móvel
da comunidade de brasileiros. comprido para sentar-se” e “casa bancária”. Também está
Na nomenclatura da linguística, usa-se a expressão empregado em dois sentidos o termo fundos: “nádegas” e
função fática para indicar a utilização da linguagem para “capital”, “dinheiro”.
estabelecer ou manter aberta a comunicação entre um fa-
lante e seu interlocutor. Observe-se o uso do verbo bater, em expressões diver-
sas, com significados diferentes, nesta frase do deputado
- A linguagem serve para falar sobre a própria lingua- Virgílio Guimarães:
gem: Função Metalinguística.
“ACM bate boca porque está acostumado a bater: bateu
Quando dizemos frases como “A palavra ‘cão’ é um continência para os militares, bateu palmas para o Collor e
substantivo”; “É errado dizer ‘a gente viemos’”; “Estou usan- quer bater chapa em 2002. Mas o que falta é que lhe bata
do o termo ‘direção’ em dois sentidos”; “Não é muito elegan- uma dor de consciência e bata em retirada.”
te usar palavrões”, não estamos falando de acontecimen- (Folha de S. Paulo)
tos do mundo, mas estamos tecendo comentários sobre a
própria linguagem. É o que chama função metalinguística. Verifica-se que a linguagem pode ser usada utilitaria-
A atividade metalinguística é inseparável da fala. Falamos mente ou esteticamente. No primeiro caso, ela é utilizada
sobre o mundo exterior e o mundo interior e ao mesmo para informar, para influenciar, para manter os laços so-
tempo, fazemos comentários sobre a nossa fala e a dos ciais, etc. No segundo, para produzir um efeito prazero-
outros. Quando afirmamos como diz o outro, estamos co- so de descoberta de sentidos. Em função estética, o mais
mentando o que declaramos: é um modo de esclarecer que importante é como se diz, pois o sentido também é cria-
não temos o hábito de dizer uma coisa tão trivial como a do pelo ritmo, pelo arranjo dos sons, pela disposição das
que estamos enunciando; inversamente, podemos usar a palavras, etc.
metalinguagem como recurso para valorizar nosso modo Na estrofe abaixo, retirada do poema “A Cavalgada”,
de dizer. É o que se dá quando dizemos, por exemplo, Pa- de Raimundo Correia, a sucessão dos sons oclusivos /p/,
rodiando o padre Vieira ou Para usar uma expressão clássi- /t/, /k/, /b/, /d/, /g/ sugere o patear dos cavalos:
ca, vou dizer que “peixes se pescam, homens é que se não
podem pescar”.

77
LÍNGUA PORTUGUESA

E o bosque estala, move-se, estremece... - Função informativa (ou referencial): função usada
Da cavalgada o estrépito que aumenta quando o emissor informa objetivamente o receptor de
Perde-se após no centro da montanha... uma realidade, ou acontecimento.
- Função fática: pretende conseguir e manter a atenção
Apud: Lêdo Ivo. Raimundo Correia: Poesia. 4ª ed. dos interlocutores, muito usada em discursos políticos e
Rio de Janeiro, Agir, p. 29. Coleção Nossos Clássicos. textos publicitários (centra-se no canal de comunicação).
- Função poética: embeleza, enriquecendo a mensa-
Observe-se que a maior concentração de sons oclusivos gem com figuras de estilo, palavras belas, expressivas, rit-
ocorre no segundo verso, quando se afirma que o barulho mos agradáveis, etc.
dos cavalos aumenta.
Quando se usam recursos da própria língua para acres- Também podemos pensar que as primeiras falas cons-
centar sentidos ao conteúdo transmitido por ela, diz-se que cientes da raça humana ocorreu quando os sons emitidos
estamos usando a linguagem em sua função poética. evoluíram para o que podemos reconhecer como “interjei-
ções”. As primeiras ferramentas da fala humana.
Para melhor compreensão das funções de linguagem,
torna-se necessário o estudo dos elementos da comunicação. A função biológica e cerebral da linguagem é aquilo
Antigamente, tinha-se a ideia que o diálogo era desen- que mais profundamente distingue o homem dos outros
volvido de maneira “sistematizada” (alguém pergunta - al- animais.
guém espera ouvir a pergunta, daí responde, enquanto outro
escuta em silêncio, etc). Podemos considerar que o desenvolvimento desta
Exemplo: função cerebral ocorre em estreita ligação com a bipedia e
a libertação da mão, que permitiram o aumento do volume
Elementos da comunicação do cérebro, a par do desenvolvimento de órgãos fonadores
e da mímica facial
- Emissor - emite, codifica a mensagem;
- Receptor - recebe, decodifica a mensagem;
Devido a estas capacidades, para além da linguagem
- Mensagem - conteúdo transmitido pelo emissor;
falada e escrita, o homem, aprendendo pela observação de
- Código - conjunto de signos usado na transmissão e
animais, desenvolveu a língua de sinais adaptada pelos sur-
recepção da mensagem;
dos em diferentes países, não só para melhorar a comuni-
- Referente - contexto relacionado a emissor e receptor;
cação entre surdos, mas também para utilizar em situações
- Canal - meio pelo qual circula a mensagem.
Porém, com os estudos recentes dos linguistas, essa teo- especiais, como no teatro e entre navios ou pessoas e não
ria sofreu uma modificação, pois, chegou-se a conclusão que animais que se encontram fora do alcance do ouvido, mas
quando se trata da parole, entende-se que é um veículo de- que se podem observar entre si.
mocrático (observe a função fática), assim, admite-se um novo
formato de locução, ou, interlocução (diálogo interativo):

- locutor - quem fala (e responde);


- locutário - quem ouve e responde;
- interlocução - diálogo

As respostas, dos “interlocutores” podem ser gestuais, fa-


ciais etc. por isso a mudança (aprimoração) na teoria.
As atitudes e reações dos comunicantes são também re-
ferentes e exercem influência sobre a comunicação

Lembramo-nos:

- Emotiva (ou expressiva): a mensagem centra-se no “eu”


do emissor, é carregada de subjetividade. Ligada a esta função
está, por norma, a poesia lírica.
- Função apelativa (imperativa): com este tipo de men-
sagem, o emissor atua sobre o receptor, afim de que este
assuma determinado comportamento; há frequente uso do
vocativo e do imperativo. Esta função da linguagem é fre-
quentemente usada por oradores e agentes de publicidade.
- Função metalinguística: função usada quando a lín-
gua explica a própria linguagem (exemplo: quando, na aná-
lise de um texto, investigamos os seus aspectos morfossin-
táticos e/ou semânticos).

78
LÍNGUA PORTUGUESA

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES (A) O acaso ou a intencionalidade foi a causa da desco-


berta do Brasil.
01-) (BNDES – PROFISSIONAL BÁSICO (FORMAÇÃO (B) Haviam (havia) 60% de possibilidades de o Brasil ter
DE ADMINISTRAÇÃO) – CESGRANRIO/2011 - ADAPTA- sido descoberto por acaso.
DA) A transformação da oração “[...] e quando veio a (C) Eu e vocês acreditam (acreditamos) na descoberta ca-
noite [...]” de afirmativa para hipótese faz com que o sual do nosso país.
verbo destacado se escreva como (D) Não gastava a corte tempo com as preocupações
(A) vir que ocupava (ocupavam) os historiadores.
(B) vier (E) Devem (deve) haver mais evidências para a tese de
(C) vem descoberta casual do Brasil.
(D) vêm
(E) vim RESPOSTA: “A”.

Os verbos que representam hipótese pertencem ao 04-) (CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DE MINAS
Modo Subjuntivo. “e quando vier a noite...”. GERAIS – FUMARC/2014) Em “Talvez seja necessário que
famílias e escolas revejam a parte que lhes cabe nesse
RESPOSTA: “B”. processo.”, os verbos destacados estão flexionados no
(A) imperativo afirmativo – imperativo afirmativo
02-) (BNDES – PROFISSIONAL BÁSICO (FORMAÇÃO (B) presente do indicativo – presente do subjuntivo
DE ADMINISTRAÇÃO) – CESGRANRIO/2011) O sinal (C) presente do subjuntivo – imperativo afirmativo
indicativo da crase está empregado de acordo com a (D) presente do subjuntivo – presente do subjuntivo
norma-padrão em:
(A) Depois de aportar no Brasil, Cabral retomou à Se você começar a conjugar o verbo “ser” no presente do
viagem ao Oriente. Subjuntivo, verificará que se trata da alternativa apresentada:
“que eu seja, que tu sejas...”
(B) O capitão e sua frota obedeceram às ordens do
*Observação: lembre-se de que não existe a forma “seje”.
rei de Portugal.
Agora conjuguemos o verbo “rever” – “que eu reveja,
(C) O ponto de partida da frota ficava no rio Tejo à
que tu revejas...”.
alguns metros do mar.
(D) O capitão planejou sua rota à partir da medição
RESPOSTA: “D”.
de marinheiros experientes.
(E) Navegantes anteriores a Cabral haviam feito 05-) (MPE/RJ – TÉCNICO ADMINISTRATIVO –
menção à terras a oeste do Atlântico. FUJB/2011 - ADAPTADA) “Se o povo nas ruas derrubou
a ditadura, derrubará também a inflação” (Franco Mon-
(A) Depois de aportar no Brasil, Cabral retomou à via- toro, 1986). Nessa frase de Franco Montoro, o conectivo
gem = a viagem “se”, no início da frase, tem valor semântico de:
(B) O capitão e sua frota obedeceram às ordens do rei A) condição;
de Portugal. B) causa;
(C) O ponto de partida da frota ficava no rio Tejo à al- C) consequência;
guns metros do mar. = a alguns D) comparação;
(D) O capitão planejou sua rota à partir = a partir E) tempo.
(E) Navegantes anteriores a Cabral haviam feito men-
ção à terras = a terras O “se” é uma conjunção condicional, com sentido de
condição para que determinada ação aconteça.
RESPOSTA: “B”.
RESPOSTA: “A”.
03-) (BNDES – PROFISSIONAL BÁSICO (FORMAÇÃO
DE ADMINISTRAÇÃO) – CESGRANRIO/2011) A senten- 06-) (MPE/RJ – TÉCNICO ADMINISTRATIVO –
ça em que o verbo está corretamente flexionado de FUJB/2011) Assinale a alternativa em que a frase NÃO
acordo com a norma-padrão, sem provocar contradi- contraria a norma culta:
ção de significado, é: A) Entre eu e a vida sempre houve muitos infortú-
(A) O acaso ou a intencionalidade foi a causa da nios, por isso posso me queixar com razão.
descoberta do Brasil. B) Sempre houveram várias formas eficazes para ul-
(B) Haviam 60% de possibilidades de o Brasil ter trapassarmos os infortúnios da vida.
sido descoberto por acaso. C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes que
(C) Eu e vocês acreditam na descoberta casual do vermos a pobreza e a miséria fazerem parte de nossa vida.
nosso país. D) É difícil entender o por quê de tanto sofrimento,
(D) Não gastava a corte tempo com as preocupa- principalmente daqueles que procuram viver com dig-
ções que ocupava os historiadores. nidade e simplicidade.
(E) Devem haver mais evidências para a tese de des- E) As dificuldades por que passamos certamente nos
coberta casual do Brasil. fazem mais fortes e preparados para os infortúnios da vida.

79
LÍNGUA PORTUGUESA

Fiz as correções entre parênteses: (C) Enquanto esperávamos = pretérito imperfeito do In-
A) Entre eu (mim) e a vida sempre houve muitos infor- dicativo / fomos = pretérito perfeito do Indicativo
túnios, por isso posso me queixar com razão. (D) banhava = pretérito imperfeito do Indicativo / se pu-
B) Sempre houveram (houve) várias formas eficazes desse = pretérito do Subjuntivo
para ultrapassarmos os infortúnios da vida. (E) soubemos = pretérito perfeito do Indicativo / que
C) Devemos controlar nossas emoções todas as vezes tínhamos – pretérito imperfeito do Indicativo
que vermos (virmos) a pobreza e a miséria fazerem parte
de nossa vida. RESPOSTA: “A”.
D) É difícil entender o por quê (o porquê) de tanto so-
frimento, principalmente daqueles que procuram viver com 09-) (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE
dignidade e simplicidade. JANEIRO – TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO EM BI-
E) As dificuldades por que (= pelas quais; correto) pas- BLIOTECONOMIA – FGV PROJETOS /2014) “se você qui-
samos certamente nos fazem mais fortes e preparados ser ir mais longe”; a única forma dessa frase que NÃO
para os infortúnios da vida. apresenta um equivalente semântico corretamente ex-
presso é
RESPOSTA: “E”. (A) caso você queira ir mais longe.
(B) na hipótese de você querer ir mais longe.
07-) (ANS – ATIVIDADE TÉCNICA DE SUPORTE – DI- (C) no caso de você querer ir mais longe.
REITO – FUNCAB/2013 - ADAPTADA) O segmento em (D) desde que você queira ir mais longe.
destaque no período “Esse neurotransmissor age numa (E) conquanto você queira ir mais longe.
região do cérebro chamada mesolímbica, LIGADA AO
PRAZER, à motivação e à gratificação.” está entre vír- Conquanto = conjunção utilizada para relacionar duas
gulas para marcar: orações, sendo que a oração subordinada contém um fato
A) a mudança de personagem. contrário ao que foi afirmado na oração principal; embora, se
bem que: Continuou trabalhando, conquanto exausto. Apa-
B) uma citação.
renta riqueza, conquanto seja pobre.
C) um desvio do discurso.
(fonte: http://www.dicio.com.br/conquanto/)
D) a voz do protagonista.
E) uma explicação.
RESPOSTA: “E”.
Um aposto, uma explicação sobre o termo anterior-
10-) (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE
mente citado.
JANEIRO – TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO EM BI-
BLIOTECONOMIA – FGV PROJETOS /2014) Na frase “se
RESPOSTA: “E”. você quiser ir mais longe”, a forma verbal empregada
tem sua forma corretamente conjugada. A frase abaixo
08-) (TER/PE –TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011) em que a forma verbal está ERRADA é
Nos meses de verão, saíamos para um arrabalde mais (A) se você se opuser a esse desejo.
afastado do bulício da Cidade, quase sempre Monteiro (B) se você requerer este documento.
ou Caxangá. (C) se você ver esse quadro.
A frase em que ambos os verbos grifados estão fle- (D) se você provier da China.
xionados nos mesmos tempo e modo em que se encon- (E) se você se entretiver com o jogo.
tra o grifado acima é:
(A) Atrás de casa, na funda ribanceira, corria o rio, à (A) se você se opuser a esse desejo.
cuja beira se especava o banheiro de palha. (B) se você requerer este documento.
(B) Talvez tivéssemos que voltar para o Recife, as (C) se você ver esse quadro.= se você vir
águas tinham subido muito durante a noite ... (D) se você provier da China.
(C) Enquanto esperávamos o trem na Estação de (E) se você se entretiver com o jogo.
Caxangá, fomos dar uma espiada ao rio à entrada da
ponte. RESPOSTA: “C”.
(D) ... que o riozinho manso onde eu me banhava
sem medo todos os dias se pudesse converter naquele 11-) (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE
caudal furioso de águas sujas. JANEIRO – TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO EM BI-
(E) No dia seguinte, soubemos que tínhamos saído BLIOTECONOMIA – FGV PROJETOS /2014 - ADAPTADA)
a tempo. Ao dizer que os shoppings são “cidades”, o autor do texto
faz uso de um tipo de linguagem figurada denominada
Saíamos – pretérito imperfeito do Indicativo (A) metonímia.
(A) corria o rio, à cuja beira se especava = ambos os (B) eufemismo.
verbos: pretérito imperfeito do Indicativo (C) hipérbole.
(B) Talvez tivéssemos – pretérito do Subjuntivo / as (D) metáfora.
águas tinham = pretérito imperfeito do Indicativo (E) catacrese.

80
LÍNGUA PORTUGUESA

A metáfora consiste em retirar uma palavra de seu con- 14-) (MPE/RJ – TÉCNICO ADMINISTRATIVO –
texto convencional (denotativo) e transportá-la para um novo FUJB/2011)
campo de significação (conotativa), por meio de uma compa-
ração implícita, de uma similaridade existente entre as duas. TEXTO
(Fonte:http://educacao.uol.com.br/disciplinas/portugues/ Samba do Arnesto – Adoniran Barbosa
metafora-figura-de-palavra-variacoes-e-exemplos.htm)
O Arnesto nos convidou prum samba, ele mora no
RESPOSTA: “D”. Brás
Nós fumo não encontremo ninguém
12-) (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE Nós voltermo com uma baita de uma reiva
JANEIRO – TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO EM BI- Da outra vez nós num vai mais
BLIOTECONOMIA – FGV PROJETOS /2014 - ADAPTADA) Nós num semo tatu!
Há, no texto, três ocorrências do acento grave indicativo
No outro dia encontremo com o Arnesto
da crase
Que pediu discurpa mas nós num aceitemo
I. “...dedicadas exclusivamente às compras e ao lazer”
Isso não se faz, Arnesto, nós não se importa
II. “Os xópis são civilizações à parte...”
Mas você devia ter ponhado um recado na porta
III. “...pode vê-las como ataque (...) à civilização dos
xópis”.
As ocorrências em que o acento grave da crase é re- Embora não haja conector ligando as orações do
sultante da junção de uma preposição solicitada por um trecho “Nós fumo não encontremo ninguém”, podemos
termo anterior + artigo definido são: afirmar que a coesão é estabelecida por uma relação
(A) I-II-III. semântica de:
(B) apenas I-II. A) adversidade;
(C) apenas I-III. B) consequência;
(D) apenas II-III. C) finalidade;
(E) apenas II. D) concessão;
E) alternância.
A questão quer saber se a preposição faz parte da regên-
cia ou não: Nós fumo (mas, porém, entretanto)não encontremo
I. “...dedicadas exclusivamente às compras e ao lazer” = ninguém = usaríamos conjunções adversativas, que ex-
faz parte (dedicada a quê?) pressam contrariedade, adversidade.
II. “Os xópis são civilizações à parte...” = não faz parte
III. “...pode vê-las como ataque (...) à civilização dos xó- RESPOSTA: “A”.
pis”. = faz parte (ataque a quê? A quem?)
15-) (POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DE ALAGOAS –
RESPOSTA: “C”. AGENTE DE POLÍCIA – CESPE/2012) O vocativo a ser
empregado em comunicações dirigidas ao chefe do Po-
13-) (TER/PE –TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011) Ain- der Executivo da República Federativa do Brasil é Exce-
da que riqueza [...] à custa do trabalho escravo ... A socie- lentíssimo Senhor.
dade colonial no Brasil [...] desenvolveu-se [...] à sombra
das grandes plantações de açúcar ... (...) O vocativo a ser empregado em comunicações diri-
Do mesmo modo que nas frases acima, está correto o
gidas aos Chefes de Poder é Excelentíssimo Senhor, seguido
emprego da crase em:
do cargo respectivo:
(A) combate à fome.
Excelentíssimo Senhor Presidente da República (...)
(B) vendas à prazo.
(Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/
(C) escrito à lápis.
(D) avião à jato. manual.htm)
(E) defender à unhas e dentes.
RESPOSTA: “CERTO”.
(A) combate à fome. (regência nominal. Diferente do ver-
bo “combater”, que pede objeto direto: Ele combateu a fome)
(B) vendas à prazo = a prazo (masculina)
(C) escrito à lápis. = a lápis (masculina)
(D) avião à jato. = a jato (palavra masculina)
(E) defender à unhas e dentes.= unhas (palavra no plural)

RESPOSTA: “A”.

81
LÍNGUA PORTUGUESA

16-) (POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO A) “Mas pela astúcia que têm certas coisas passadas de
– OFICIAL DE CARTÓRIO – IBFC/2013) fazer balancê...” – (astúcia)
Fé - Esperança - Caridade = incorreta – concorda com certas coisas
(Sérgio Milliet) B) “... uns com outros acho que nem se misturam (...)” –
(uns com outros)
É preciso ter fé nesse Brasil C) “Toda saudade é uma espécie de velhice.” – (velhice) =
nesse pau-brasil no caso, concorda com toda saudade
nessas matas despovoadas D) “... não como um filme em que a vida acontece no
nessas praias sem pescadores tempo,...” – (filme) = incorreta – concorda com a vida
É preciso ter fé E) “... em cuja memória se encontram as coisas eternas,
Nesse norte de secas que permanecem...” – (memória)
e de literatura = incorreta – concorda com as coisas eternas
A esperança vem do sul
Vem de mansinho RESPOSTA: “B”.
contagiosa e sutil
vem no café que produzimos 18-) (DETRAN/RN – VISTORIADOR/EMPLACADOR –
vem nas indústrias que criamos FGV PROJETOS/2010) No período: “Demorará, mas não
A esperança vem do sul importa o quanto demore para termos um final feliz,”
do coração calmo de São Paulo “mas” e “para” estabelecem relações de sentido que in-
É preciso ter caridade dicam, respectivamente:
e ter carinho A) Conclusão, explicação.
perdoar o ódio que nos cerca B) Explicação, consequência.
que nos veste C) Oposição, finalidade.
e trabalhar para os irmãos pobres... D) Causa, consequência.
E) Causa, explicação.
(Poetas do Modernismo. INL-MEC, Rio de Janeiro, 1972)
Mas = conjunção adversativa (ideia contrária à exposta
É recorrente, no poema, a construção “É preciso”,
anteriormente) / para = conjunção final.
sempre relacionada a uma outra oração. Sobre essa outra
oração, é correto afirmar que se trata de:
RESPOSTA: “C”.
a) uma oração subordinada adverbial.
b) uma oração coordenada assindética.
c) uma oração subordinada substantiva. (DETRAN/RN – VISTORIADOR/EMPLACADOR – FGV
d) uma oração coordenada sindética. PROJETOS/2010)
e) uma oração subordinada adjetiva.
Painel do leitor (Carta do leitor)
É preciso ter fé nesse Brasil; É preciso ter fé; É preciso ter
caridade. Se substituirmos as orações grifadas pelo pronome Resgate no Chile
“isso”, veremos que não perderão o sentido, ou seja, esta-
mos trabalhando com subordinadas substantivas. Geralmente Assisti ao maior espetáculo da Terra numa operação
quando a oração principal inicia-se com verbo de ligação é sinal de salvamento de vidas, após 69 dias de permanência no
de que a subordinada exercerá a função de sujeito da oração fundo de uma mina de cobre e ouro no Chile.
principal: Isso é preciso. Portanto, as orações que completam a Um a um os mineiros soterrados foram içados com
construção “É preciso” funcionam como “sujeito” = subjetivas. sucesso, mostrando muita calma, saúde, sorrindo e cum-
primentando seus companheiros de trabalho. Não se
RESPOSTA: “C”. pode esquecer a ajuda técnica e material que os Estados
Unidos, Canadá e China ofereceram à equipe chilena de
17-) (DETRAN/RN – VISTORIADOR/EMPLACADOR salvamento, num gesto humanitário que só enobrece es-
– FGV PROJETOS/2010) Assinale a alternativa em que a ses países. E, também, dos dois médicos e dois “socor-
forma verbal em destaque concorda com a expressão in- ristas” que, demonstrando coragem e desprendimento,
dicada entre parênteses: desceram na mina para ajudar no salvamento.
A) “Mas pela astúcia que têm certas coisas passadas (Douglas Jorge; São Paulo, SP; www.folha.com.br – pai-
de fazer balancê...” – (astúcia) nel do leitor – 17/10/2010)
B) “... uns com outros acho que nem se misturam (...)”
– (uns com outros) 19-) (DETRAN/RN – VISTORIADOR/EMPLACADOR –
C) “Toda saudade é uma espécie de velhice.” – (ve- FGV PROJETOS/2010) No 2º§, em “ofereceram à equipe
lhice) chilena de salvamento,...”, o emprego do acento grave:
D) “... não como um filme em que a vida acontece no A) É justificado pela regência de “ofereceram” e pela
tempo,...” – (filme) presença de artigo definido feminino antes de “equipe”.
E) “... em cuja memória se encontram as coisas eter- B) É considerado facultativo por estar diante de subs-
nas, que permanecem...” – (memória) tantivo coletivo.

82
LÍNGUA PORTUGUESA

C) Tem a mesma função em: “Eu não ia perder tempo 22-) (EMPLASA/SP – ANALISTA JURÍDICO – DIREITO –
com quem ganhou muito dinheiro à custa de mentiras”. VUNESP/2014)
D) Antecede uma locução adverbial que expressa uma
circunstância. A ministra de Direitos Humanos instituiu grupo de tra-
E) Não se manteria caso “ofereceram” fosse substituído balho para proceder _____ medidas necessárias _____ exuma-
por “deram”. ção dos restos mortais do ex-presidente João Goulart, se-
pultado em São Borja (RS), em 1976. Com a exumação de
Dentre os itens, o que contém a justificativa para o acento Jango, o governo visa esclarecer se o ex-presidente morreu
grave – indicativo de crase – no termo “à equipe” é a presença de causas naturais, ou seja, devido ____ uma parada cardía-
do artigo definido feminino antes de equipe.. ca – que tem sido a versão considerada oficial até hoje –, ou
se sua morte se deve ______ envenenamento.
RESPOSTA: “A”.
(http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,governo-
20-) (DETRAN/RN – VISTORIADOR/EMPLACADOR – cria-grupo-exumar--restos-mortais-de- jango,1094178,0.htm
FGV PROJETOS/2010) 07. 11.2013. Adaptado)
Considerando o tipo textual apresentado, algumas
expressões demonstram o posicionamento pessoal do Segundo a norma-padrão da língua portuguesa, as la-
leitor diante do fato por ele narrado. Tais marcas textuais cunas da frase devem ser completadas, correta e respecti-
podem ser encontradas nos trechos a seguir, EXCETO: vamente, por
A) “Assisti ao maior espetáculo da Terra...” (A) a ... à ... a ... a
B) “... após 69 dias de permanência no fundo de uma (B) as ... à ... a ... à
mina de cobre e ouro no Chile.” (C) às ... a ... à ... a
C) “Não se pode esquecer a ajuda técnica e material...” (D) à ... à ... à ... a
D) “... gesto humanitário que só enobrece esses paí- (E) a ... a ... a ... à
ses.”
E) “... demonstrando coragem e desprendimento, A ministra de Direitos Humanos instituiu grupo de trabalho
desceram na mina...” para proceder a medidas (palavra no plural, generalizando) ne-
cessárias à (regência nominal pede preposição) exumação dos
Em todas as alternativas há expressões que representam restos mortais do ex-presidente João Goulart, sepultado em
São Borja (RS), em 1976. Com a exumação de Jango, o governo
a opinião do autor: Assisti ao maior espetáculo da Terra / Não
visa esclarecer se o ex-presidente morreu de causas naturais,
se pode esquecer / gesto humanitário que só enobrece / de-
ou seja, devido a uma (artigo indefinido) parada cardíaca – que
monstrando coragem e desprendimento.
tem sido a versão considerada oficial até hoje –, ou se sua mor-
te se deve a (regência verbal) envenenamento. A / à / a / a
RESPOSTA: “B”.
RESPOSTA: “A”.
21-) (EMPLASA/SP – ANALISTA JURÍDICO – DIREITO –
VUNESP/2014) A frase redigida em conformidade com a 23-) (EMPLASA/SP – ANALISTA JURÍDICO – DIREITO –
norma-padrão da língua portuguesa é: VUNESP/2014) Segundo a norma-padrão da língua portu-
(A) A velhice, contra a qual muitos lutam, é inevitável. guesa, a pontuação está correta em:
(B) O Leblon, que fica o Baixo Vovô, é um bairro fes- (A) Como há suspeita, por parte da família de que João
tivo do Rio. Goulart tenha sido assassinado; a Comissão da Verdade de-
(C) O rock, que muitos jovens se dedicam, também cidiu reabrir a investigação de sua morte, em maio deste
agrada aos velhos. ano, a pedido da viúva e dos filhos.
(D) Há 60 anos, os idosos, de cujas vidas eram mais (B) Em maio deste ano, a Comissão da Verdade acatou
pacatas, viviam menos. o pedido da família do ex-presidente João Goulart e rea-
(E) Jovens e velhos gostam de esportes, os quais os briu a investigação da morte deste, visto que, para a viúva
benefícios são visíveis. e para os filhos, Jango pode ter sido assassinado.
(C) A investigação da morte de João Goulart, foi rea-
(A) A velhice, contra a qual muitos lutam, é inevitável. berta, em maio deste ano pela Comissão da Verdade, para
(B) O Leblon, que (onde) fica o Baixo Vovô, é um bairro apuração da causa da morte do ex-presidente uma vez
festivo do Rio. que, para a família, Jango pode ter sido assassinado.
(C) O rock, que (ao qual) muitos jovens se dedicam, tam- (D) A Comissão da Verdade, a pedido da família de
bém agrada aos velhos. João Goulart, reabriu em maio deste ano a investigação de
(D) Há 60 anos, os idosos, de (X) (sem a preposição) cujas sua morte, porque, a hipótese de assassinato não é descar-
vidas eram mais pacatas, viviam menos. tada, pela viúva e filhos.
(E) Jovens e velhos gostam de esportes, os quais os (cujos) (E) Como a viúva e os filhos do ex-presidente João
benefícios são visíveis. Goulart, suspeitando que ele possa ter sido assassinado pe-
diram a reabertura da investigação de sua morte, à Comis-
RESPOSTA: “A”. são da Verdade, esta, atendeu o pedido em maio deste ano.

83
LÍNGUA PORTUGUESA

Assinalei com (X) as pontuações inadequadas e/ou fal- refere-se à = regência verbal exige preposição.
tantes: A) O funcionário chegou às sete horas = locução ad-
(A) Como há suspeita, por parte da família (X) de que verbial de tempo
João Goulart tenha sido assassinado ; (X) a Comissão da B) A cliente pagou à vista = locução adverbial de modo
Verdade decidiu reabrir a investigação de sua morte, em C) Os alunos assistiram integralmente à aula = regência
maio deste ano, a pedido da viúva e dos filhos. verbal exige preposição.
(B) Em maio deste ano, a Comissão da Verdade acatou D) O projeto de trabalho foi concluído à custa = locu-
o pedido da família do ex-presidente João Goulart e rea- ção adverbial de modo
briu a investigação da morte deste, visto que, para a viúva E) Um dos convidados saiu à francesa da festa. = locu-
e para os filhos, Jango pode ter sido assassinado. ção adverbial de modo
(C) A investigação da morte de João Goulart, (X) foi
reaberta, em maio deste ano (X) pela Comissão da Verda- RESPOSTA: “C”.
de, para apuração da causa da morte do ex-presidente (X)
uma vez que, para a família, Jango pode ter sido assassi- 26-) (RIOPREVIDÊNCIA/RJ – ESPECIALISTA EM PRE-
nado. VIDÊNCIA SOCIAL – CEPERJ/2014)
(D) A Comissão da Verdade, a pedido da família de A palavra “conteúdo” recebe acentuação pela mes-
João Goulart, reabriu (X) em maio deste ano (X) a investi- ma razão de:
gação de sua morte, porque , (X) a hipótese de assassinato A) juízo
não é descartada, (X) pela viúva e filhos. B) espírito
(E) Como a viúva e os filhos do ex-presidente João C) jornalístico
Goulart, suspeitando que ele possa ter sido assassinado (X) D) mínimo
pediram a reabertura da investigação de sua morte ,(X) à E) disponíveis
Comissão da Verdade, esta ,(X) atendeu o pedido (X) em
maio deste ano. Conteúdo = regra do hiato
A) juízo = regra do hiato
B) espírito = proparoxítona
RESPOSTA: “B”.
C) jornalístico = proparoxítona
D) mínimo = proparoxítona
24-) (RIOPREVIDÊNCIA – ESPECIALISTA EM PREVI-
E) disponíveis = paroxítona terminada em ditongo
DÊNCIA SOCIAL – CEPERJ/2014) A palavra “infraestru-
tura” é formada pelo seguinte processo:
RESPOSTA: “A”.
A) sufixação
B) prefixação
27-) (FUNASA – CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA
C) parassíntese ESPECIALIDADES 1 E 2 – CESPE/2013) O emprego do
D) justaposição acento em “Uberlândia” e “água” justifica-se com base
E) aglutinação na mesma regra ortográfica.
( ) Certo
Infra = prefixo + estrutura – temos a junção de um pre- ( ) Errado
fixo com um radical, portanto: derivação prefixal (ou prefi-
xação). Uberlândia = paroxítona terminada em ditongo / água
= paroxítona terminada em ditongo
RESPOSTA: “B”.
RESPOSTA: “CERTO”.
25-) (RIOPREVIDÊNCIA/RJ – ESPECIALISTA EM PRE-
VIDÊNCIA SOCIAL – CEPERJ/2014) 28-) (TRE/PE –TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011)
“Um dos pontos básicos do projeto – e o que mais ... as casas de Portugal enviaram ramos para o ul-
está em risco – refere-se à neutralidade de rede”. A mes- tramar ...
ma regra para o emprego do acento grave é observada O verbo que também é empregado com a mesma
em: regência do grifado acima está em:
A) O funcionário chegou às sete horas no trabalho. (A) Observa Oliveira Martins que a população colo-
B) A cliente pagou à vista por todas as encomendas. nial no Brasil ...
C) Os alunos assistiram integralmente à aula inau- (B) ... iniciaram os portugueses a colonização em
gural. larga escala dos trópicos ...
D) O projeto de trabalho foi concluído à custa de (C) ... importou numa nova fase e num novo tipo de
muito esforço. colonização ...
E) Um dos convidados saiu à francesa da festa. (D) ... perversão de instinto econômico que cedo
desviou o português da atividade ...
(E) O colonizador português do Brasil foi o primei-
ro, dentre ...

84
LÍNGUA PORTUGUESA

Enviaram = transitivo direto (pede objeto direto) e in- No primeiro período há um conselho (ou uma ordem),
direto (objeto indireto) portanto, modo Imperativo; no segundo, há uma hipóte-
(A) Observa Oliveira Martins que a população = tran- se = modo Subjuntivo (que eu seja, que tu sejas, que ele
sitivo direto seja...).
(B) ... iniciaram os portugueses a colonização = transi-
tivo direto RESPOSTA: “D”.
(C) ... importou numa nova fase e num novo tipo =
transitivo indireto 32-) (DETRAN/SE – VISTORIADOR DE TRÂNSITO –
(D) ... perversão de instinto econômico que cedo des- FUNCAB/2010) Marque a opção que completa, correta
viou o português da atividade e respectivamente, as lacunas da frase abaixo.
= transitivo direto (pede objeto direto) e indireto (ob- ____ habilidade do motorista ao volante deve estar
jeto indireto) associada ___ obediência ___ leis de trânsito.
(E) O colonizador português do Brasil foi = verbo de ligação A) À- a - às.
B) A- à - às.
RESPOSTA: “D”. C) À- a - as.
D) A- a - as.
29-) (INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E) A- à - as.
E TECNOLOGIA/RR – JORNALISTA – FUNCAB/2013 -
ADAPTADA) Grafam-se, respectivamente, com “ss” e A habilidade do motorista ao volante deve estar asso-
com “ç” como os sufixos dos substantivos destacados ciada à obediência às leis de trânsito.
em “[...] gerou diversas DISCUSSÕES éticas sobre as (artigo + substantivo) (regência verbal pede
PERCEPÇÕES biossociais [...]” – os sufixos de: preposição, em ambos os casos)
A) conten__ão (de gastos) – remi __ ão (da pena).
B) conce__ão (de privilégios) – ascen__ão (ao poder). RESPOSTA: “B”.
C) ce__ ão (de direitos) – extin__ão (do cargo).
D) apreen__ão (da carteira) – reten__ão (do veículo).
33-) (STF – ANALISTA JUDICIÁRIO – CESPE/2013 -
E) mo__ão (de apoio) – admi__ão (de funcionário).
ADAPTADA) Na oração “guiava-me a promessa do li-
vro”, o pronome “me” exerce a função de complemento
A) contenção (de gastos) – remissão (da pena).
da forma verbal “guiava”.
B) concessão (de privilégios) – ascensão (ao poder).
( ) Certo
C) cessão (de direitos) – extinção (do cargo).
( ) Errado
D) apreensão (da carteira) – retenção (do veículo).
E) moção (de apoio) – admissão (de funcionário).
guiava-me a promessa do livro = a promessa do livro
RESPOSTA: “C”. guiava “eu”, “guiava a mim”, guiava-me

30-) (PODER JUDICIÁRIO – STF – TÉCNICO JUDICIÁ- RESPOSTA: “CERTO”.


RIO - CESPE/2013) O emprego do acento gráfico nos
vocábulos “próprio” e “decorrência” atende à mesma 34-) (PREFEITURA DE BELO HORIZONTE/MG
regra de acentuação gráfica. – TÉCNICO NÍVEL SUPERIOR – INFORMÁTICA – FU-
( ) Certo MARC/2014) Na frase “Pelo menos 4,7 milhões de apo-
( ) Errado sentados e pensionistas têm pouco mais de um mês
para recadastrar a senha bancária”, o acento gráfico
Próprio = paroxítona terminada em ditongo / decor- do verbo “ter” se justifica pela seguinte regra:
rência = paroxítona terminada em ditongo (A) Acentua-se com circunflexo a 3ª pessoa do plu-
ral do presente do indicativo do verbo “ter”.
RESPOSTA: “CERTO”. (B) O verbo “ter”, no presente do subjuntivo, assu-
me a forma “têm” (com acento) na terceira pessoa do
31-) (DETRAN/SE – VISTORIADOR DE TRÂNSITO – FUN- plural.
CAB/2010) Nos trechos abaixo, as duas ocorrências do verbo (C) O acento circunflexo é empregado para marcar
encontram-se flexionadas, respectivamente, nos modos: a oposição entre a 3ª pessoa do singular e a 2ª pessoa
Sejamos sensatos, leitor, tem cabimento ingerir do plural.
uma droga que altera os reflexos motores...” (D) Todas as palavras oxítonas são acentuadas
“Ainda que você não seja ridículo a ponto de afir- quando empregadas na terceira pessoa do plural.
mar que dirige melhor quando bebe...”
A) indicativo e subjuntivo.
B) subjuntivo e imperativo.
C) indicativo e imperativo.
D) imperativo e subjuntivo.
E) imperativo e indicativo.

85
LÍNGUA PORTUGUESA

(A) Acentua-se com circunflexo a 3ª pessoa do plural 38-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉC-
do presente do indicativo do verbo “ter”. NICO FORENSE - CESPE/2013) Na parte superior do
(B) O verbo “ter”, no presente do subjuntivo, assume a ofício, do aviso e do memorando, antes do assunto,
forma “têm” (com acento) na terceira pessoa do plural. (que devem constar o nome e o endereço da autoridade a
eles tenham) quem é direcionada a comunicação.
(C) O acento circunflexo é empregado para marcar a ( ) Certo
oposição entre a 3ª pessoa do singular e a 2ª pessoa do ( ) Errado
plural.
3ª pessoa do singular = ele tem / 2ª pessoa do plural O aviso, o ofício e o memorando devem conter as se-
= vós tendes guintes partes:
(D) Todas as palavras oxítonas são acentuadas quando a) tipo e número do expediente, seguido da sigla do ór-
empregadas na terceira pessoa do plural. gão que o expede:
“Tem” não é oxítona, mas sim, monossílaba. As palavras b) local e data em que foi assinado, por extenso, com
oxítonas recebem acento apenas quando terminadas em alinhamento à direita:
“a”, “e” ou “o”, seguidas ou não de “s”. c) assunto: resumo do teor do documento
d) destinatário: o nome e o cargo da pessoa a quem é
RESPOSTA: “A”. dirigida a comunicação. No caso do ofício deve ser incluído
também o endereço.
35-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉCNI- e) texto;
CO FORENSE - CESPE/2013) As palavras “patrimônio” f) fecho;
e “convivência” acentuam-se segundo a mesma regra g) assinatura do autor da comunicação; e
ortográfica. h) identificação do signatário
( ) Certo (Fonte: http://webcache.googleusercontent.com/
( ) Errado search?q=cache:omaLJnt2UtQJ:www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/manual/Manual_Rich_RedPR2aEd.rtf+&cd=1&hl=pt-
-BR&ct=clnk&gl=br)
Patrimônio = paroxítona terminada em ditongo / con-
vivência = paroxítona terminada em ditongo
RESPOSTA: “ERRADO”.
RESPOSTA: “CERTO”.
39-) (MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚS-
TRIA E COMÉRCIO EXTERIOR – ANALISTA TÉCNICO
36-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉCNI-
ADMINISTRATIVO – CESPE/2014) Em “Vossa Excelência
CO FORENSE - CESPE/2013 - adaptada) Uma variante
deve estar satisfeita com os resultados das negocia-
igualmente correta do termo “autópsia” é autopsia. ções”, o adjetivo estará corretamente empregado se
( ) Certo dirigido a ministro de Estado do sexo masculino, pois
( ) Errado o termo “satisfeita” deve concordar com a locução pro-
nominal de tratamento “Vossa Excelência”.
autopsia s.f., autópsia s.f.; cf. autopsia ( ) Certo
(fonte: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/ ( ) Errado
sys/start.htm?sid=23)
Se a pessoa, no caso o ministro, for do sexo femini-
RESPOSTA: “CERTO”. no (ministra), o adjetivo está correto; mas, se for do sexo
masculino, o adjetivo sofrerá flexão de gênero: satisfeito. O
37-) (GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS – TÉCNI- pronome de tratamento é apenas a maneira como tratar a
CO FORENSE - CESPE/2013) A concisão, uma das quali- autoridade, não regendo as demais concordâncias.
dades essenciais ao texto oficial, para a qual concorrem
o domínio do assunto tratado e a revisão textual, con- RESPOSTA: “ERRADO”.
siste em se transmitir, no texto escrito, o máximo de
informações empregando-se um mínimo de palavras.
( ) Certo
( ) Errado

É a qualidade esperada de um bom texto, assim ele não


se torna prolixo: “fala, fala, mas não diz nada!”.

RESPOSTA: “CERTO”.

86
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB: ENSINO SUPERIOR NO BRASIL E NA PARAÍBA- Ensino Superior na Consti-
tuição Federal e na Constituição do Estado da Paraíba. .......................................................................................................................... 01
Autonomia Universitária. ...................................................................................................................................................................................... 04
Lei nº 9.394/1996, de 20 de dezembro de 1996 (LDB). ............................................................................................................................ 07
Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014 (Plano Nacional de Educação - PNE).................................................................................. 23
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

II - progressiva universalização do ensino médio gra-


ENSINO SUPERIOR NA CONSTITUIÇÃO tuito; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de
FEDERAL E NA CONSTITUIÇÃO 1996)
DO ESTADO DA PARAÍBA. III - atendimento educacional especializado aos porta-
dores de deficiência, preferencialmente na rede regular de
ensino;
IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crian-
CAPÍTULO III ças até 5 (cinco) anos de idade; (Redação dada pela Emenda
DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO Constitucional nº 53, de 2006)
Seção I V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesqui-
DA EDUCAÇÃO sa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às con-
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e dições do educando;
da família, será promovida e incentivada com a colaboração da VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da
sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu educação básica, por meio de programas suplementares de
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o material didáticoescolar, transporte, alimentação e assistên-
trabalho. cia à saúde. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes 59, de 2009)
princípios: § 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito
I - igualdade de condições para o acesso e permanência público subjetivo.
na escola; § 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Po-
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o der Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade
pensamento, a arte e o saber; da autoridade competente.
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e § 3º Compete ao Poder Público recensear os educandos
coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos aos pais ou responsáveis, pela frequência à escola.
oficiais; Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as
V - valorização dos profissionais da educação escolar, ga- seguintes condições:
rantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso ex- I - cumprimento das normas gerais da educação na-
clusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das cional;
redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Pú-
53, de 2006) blico.
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o en-
VII - garantia de padrão de qualidade. sino fundamental, de maneira a assegurar formação básica
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais
da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluí- e regionais.
do pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) § 1º O ensino religioso, de matrícula facultativa, consti-
Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de traba- tuirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de
lhadores considerados profissionais da educação básica e so- ensino fundamental.
bre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus § 2º O ensino fundamental regular será ministrado em
planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas
Federal e dos Municípios. (Incluído pela Emenda Constitucional também a utilização de suas línguas maternas e processos
nº 53, de 2006) próprios de aprendizagem.
Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático- Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Mu-
científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, nicípios organizarão em regime de colaboração seus siste-
e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, mas de ensino.
pesquisa e extensão. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e
§ 1º É facultado às universidades admitir professores, téc- o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públi-
nicos e cientistas estrangeiros, na forma da lei. (Incluído pela cas federais e exercerá, em matéria educacional, função re-
Emenda Constitucional nº 11, de 1996) distributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade
pesquisa científica e tecnológica. (Incluído pela Emenda Cons- do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Esta-
titucional nº 11, de 1996) dos, ao Distrito Federal e aos Municípios; (Redação dada pela
Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado Emenda Constitucional nº 14, de 1996)
mediante a garantia de: § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) fundamental e na educação infantil. (Redação dada pela
aos 17 (dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua Emenda Constitucional nº 14, de 1996)
oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritaria-
idade própria; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº mente no ensino fundamental e médio. (Incluído pela Emen-
59, de 2009) (Vide Emenda Constitucional nº 59, de 2009) da Constitucional nº 14, de 1996)

1
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

§ 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação,
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios definirão formas de duração decenal, com o objetivo de articular o sistema na-
de colaboração, de modo a assegurar a universalização do en- cional de educação em regime de colaboração e definir diretri-
sino obrigatório. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº zes, objetivos, metas e estratégias de implementação para as-
59, de 2009) segurar a manutenção e desenvolvimento do ensino em seus
§ 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente diversos níveis, etapas e modalidades por meio de ações inte-
ao ensino regular. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, gradas dos poderes públicos das diferentes esferas federativas
de 2006) que conduzam a: (Redação dada pela Emenda Constitucional
Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de nº 59, de 2009)
dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e I - erradicação do analfabetismo;
cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de impostos, II - universalização do atendimento escolar;
compreendida a proveniente de transferências, na manutenção III - melhoria da qualidade do ensino;
e desenvolvimento do ensino. IV - formação para o trabalho;
§ 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela V - promoção humanística, científica e tecnológica do País.
União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pe- VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos
los Estados aos respectivos Municípios, não é considerada, para públicos em educação como proporção do produto interno
efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que bruto. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009)
a transferir.
§ 2º Para efeito do cumprimento do disposto no «caput» CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DA PARAÍBA
deste artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal,
estadual e municipal e os recursos aplicados na forma do art. CAPÍTULO II
213. DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO
§ 3º A distribuição dos recursos públicos assegurará priori- seção I
dade ao atendimento das necessidades do ensino obrigatório, Da Educação
no que se refere a universalização, garantia de padrão de qua-
lidade e equidade, nos termos do plano nacional de educa- Art. 207. A educação, direito de todos e dever do Estado e
ção. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009) da família, será promovida e incentivada com a colaboração da
§ 4º Os programas suplementares de alimentação e assis- sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu
tência à saúde previstos no art. 208, VII, serão financiados com preparo para o exercício da cidadania, sua qualificação para o
recursos provenientes de contribuições sociais e outros recur- trabalho, objetivando a construção de uma sociedade demo-
sos orçamentários. crática, justa e igualitária, com base nos seguintes princípios:
§ 5º A educação básica pública terá como fonte adicional I - igualdade de condições para o acesso e permanência
de financiamento a contribuição social do salário-educação, na escola;
recolhida pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o
Emenda Constitucional nº 53, de 2006) pensamento, a arte e o saber;
§ 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e
contribuição social do salário-educação serão distribuídas pro- coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
porcionalmente ao número de alunos matriculados na educa- IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos
ção básica nas respectivas redes públicas de ensino.(Incluído oficiais; V - gestão democrática do ensino público, na forma
pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) da lei;
Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas VI - garantia de padrão unitário de qualidade;
públicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confes- VII - valorização dos profissionais do ensino, garantindo,
sionais ou filantrópicas, definidas em lei, que: na forma da lei, planos de carreira, piso salarial profissional e
I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus ingresso exclusivamente por concurso público de provas e tí-
excedentes financeiros em educação; tulos.
II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra es- § 1º Para atingir estes objetivos, o Estado e Municípios, em
cola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Pú- regime de colaboração com o Governo Federal, organizarão
blico, no caso de encerramento de suas atividades. os seus sistemas de educação, assegurando:
§ 1º - Os recursos de que trata este artigo poderão ser des- I - ensino público gratuito nos estabelecimento oficiais;
tinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e mé- II - ensino fundamental obrigatório, inclusive para os que
dio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de não frequentaram a escola na idade escolar;
recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da III - oferta de ensino noturno regular e de programas e
rede pública na localidade da residência do educando, ficando cursos de educação paraescolar;
o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expan- IV - oferta obrigatória de ensino religioso nas escolas, de
são de sua rede na localidade. matrícula facultativa aos alunos;
§ 2º As atividades de pesquisa, de extensão e de estímulo V - atendimento à criança de até seis anos de idade, em
e fomento à inovação realizadas por universidades e/ou por creches e em instituições pré-escolares, que propiciem condi-
instituições de educação profissional e tecnológica poderão re- ções de êxito posterior no processo de alfabetização;
ceber apoio financeiro do Poder Público. (Redação dada pela VI - apoio ao educando no que diz respeito à saúde, trans-
Emenda Constitucional nº 85, de 2015) porte, alimentação e material didático;

2
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

VII - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuida- Art. 210. O Estado e os Municípios aplicarão anualmente,
de do ensino médio; no mínimo, vinte e cinco por cento de sua receita de imposto,
VIII - promoção da educação especial, preferencialmente inclusive a resultante de transferências, na manutenção e de-
na rede regular de ensino; senvolvimento do ensino.
IX - atendimento educacional especializado aos portado- § 1º A parcela de arrecadação de impostos, transferida
res de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. pela União ao Estado e aos Municípios e pelo Estado aos Mu-
§ 2º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito nicípios, não é considerada receita do governo que a transferir,
público subjetivo e o seu não oferecimento pelo Poder Público para efeito do cálculo previsto neste artigo.
ou sua oferta irregular importam em responsabilidade da au- § 2º A distribuição dos recursos públicos assegurará prio-
toridade competente. ridade ao atendimento das necessidades do ensino público
§ 3º Caberá ao Estado e aos Municípios recensearem os obrigatório, buscando a universalização do ensino fundamen-
educandos para o ensino básico e procederem à chamada tal e a expansão do ensino médio.
anual, zelando pela frequência à escola. Art. 211. A lei estabelecerá o plano estadual de educação,
§ 4º O Estado diligenciará para que os estudantes carentes de duração plurianual, visando à articulação e ao desenvolvi-
tenham possibilidade de acesso aos graus mais elevados de mento do ensino em seus diversos níveis e à integração das
ensino, inclusive desenvolvendo programas de concessão de ações do Poder Público que conduzam à:
bolsas de estudo em todos os níveis. I - erradicação do analfabetismo;
Art. 208. O Estado poderá criar instituições de ensino su- II - universalização do ensino fundamental e expansão
perior, mantidas as seguintes características: progressiva do ensino médio;
I - unidade de patrimônio e de administração; III - melhoria da qualidade de ensino;
II - desenvolvimento de áreas fundamentais do conheci- IV - formação humanística, científica e tecnológica volta-
mento humano; da para o desenvolvimento da consciência crítica e da aptidão
III - autonomia científica, didático - pedagógica, adminis- para o trabalho;
trativa e de gestão financeira; V - promoção da educação para-escolar sob forma de
IV - plano de cargos e salários para os servidores, assim programas, cursos e estágios de educação e de formação com
como carreira unificada para o corpo docente. objetivos específicos, tendo em vista o caráter permanente da
Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as educação.
seguintes condições: I - cumprimento das normas gerais da § 1º Os Municípios alocarão recursos, prioritariamente,
educação nacional; para ensino pré-escolar e fundamental.
II - a autorização e avaliação da qualidade de ensino pelo § 2º O Estado, em articulação com os Municípios, promo-
Poder Público. verá o mapeamento escolar, estabelecendo critérios para a
§ 1º Caberá ao Poder Público a verificação da capacidade ampliação e a interiorização da rede escolar pública.
material, financeira e Art. 212. O Conselho Estadual de Educação é órgão norma-
pedagógica das instituições privadas de ensino, e deverão tivo e deliberativo superior em matéria educacional, no âmbito do
ser asseguradas: sistema estadual de educação, devendo ser composto, paritaria-
I - garantia de padrões salariais que levem em conta pisos mente, por profissionais da educação, obedecendo ao seguinte:
salariais profissionais e I - representantes do Poder Público, indicados pelo Poder
planos de carreira, ressalvada a exigência nas escolas co- Executivo Estadual;
munitárias; II - representantes de instituições educativas em todos os
II - atividades docentes complementares à sala de aula, níveis de ensino, indicados através das suas entidades de re-
obrigatórias e remuneradas, não exigidas para as escolas da presentação;
comunidade. III - representantes de sindicatos e associações de profissio-
§ 2º Os recursos públicos serão destinados às escolas pú- nais de educação, indicados por seus órgãos de representação;
blicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confes- IV - representantes de entidades da sociedade civil e co-
sionais ou filantrópicas, definidas em lei, que: munitária que desenvolvam atividades educativas;
I - comprovem finalidade não lucrativa e apliquem seus V - representantes do corpo discente, maiores de dezoito
excedentes financeiros em educação; anos, indicados através das suas entidades de representação.
II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra § 1º A composição do Conselho Estadual de Educação será
escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder regulamentada pela lei de diretrizes e bases da educação estadual.
Público, no caso de encerramento de suas atividades; § 2º Compete ao Conselho Estadual de Educação:
III - os recursos de que trata este artigo poderão ser desti- I - elaborar, em primeira instância, o plano estadual de
nados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, educação a ser aprovado pelo
na forma da lei, para os que demostrarem insuficiência de re- Poder Legislativo, assim como realizar o acompanhamen-
cursos, quando houver falta de vagas e de cursos regulares da to e a avaliação da sua execução; II - fixar normas complemen-
rede pública, na localidade da residência do educando, ficando tares à legislação do ensino estadual;
o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expan- III - elaborar, evitando multiplicidade e pulverização de maté-
são de sua rede na localidade; rias, as diretrizes curriculares adequadas às especificidades regionais;
IV - as atividades universitárias de pesquisa e de ex- IV - estabelecer as diretrizes de participação da comunida-
tensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público. de escolar e da sociedade na elaboração das propostas peda-
gógicas das escolas.

3
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

Art. 213. O Poder Legislativo, obedecendo às disposi- a União aplicara anualmente, nunca menos de dezoito por
ções da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, desta cento, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nunca
e da Constituição Federal, fixará as diretrizes e bases da edu- menos de vinte e cinco por cento da receita resultante de im-
cação estadual, em lei complementar, que regulamentará: postos, compreendida a receita proveniente de transferências
I - o sistema estadual de educação; tributárias (cf, art., 166, § 3°, II, c: ‘As emendas ao projeto de
II - a administração do sistema de ensino do Estado; lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem so-
III - as bases da política de valorização dos profissionais mente podem ser aprovados caso indiquem os recursos ne-
da educação; cessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de
IV - a criação e o funcionamento do Conselho de Educa- despesas, excluídas as que incidam sobre TRANSFERÊNCIAS
ção em âmbito estadual; TRIBUTÁRIAS CONSTITUCIONAIS para Estados, Municípios e
V - as diretrizes do plano estadual de educação. Distrito Federal”) (J, Cretella Júnior, Comentários à Constitui-
ção de 1988, arts. 170 a 232, Editora Forense Universitária, Rio
de Janeiro, 1.993, pág, 425).
O conceito de autonomia tem sido tratado pela doutri-
AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA.
na, que na sua maior parte, retira-o dos próprios elementos
definidos na Constituição:  “a autonomia da universidade é
assim o poder que possui esta entidade de estabelecer normas
A Universidade, como Instituição, deita as suas raízes e regulamentos que são o ordenamento vital da própria insti-
ainda no período medieval. Para Marilena Chauí, desde seu tuição, dentro da esfera da competência atribuída pelo Estado,
surgimento, que remota ao século XIII, na Europa, a univer- e que este repute como lícitos e jurídicos. A autonomia pode ser
sidade sempre foi uma instituição social, isto é, uma ação exercida em diversas esferas: no plano político, com o direito
social, uma prática social fundada no reconhecimento públi- de as universidades e faculdades elegerem a sua lista sêxtupla
co de sua legitimidade e de suas atribuições, num princípio de reitores ou diretores; no plano administrativo, dentro dos
de diferenciação, que lhe confere autonomia perante outras limites do seu peculiar interesse; no plano financeiro, com as
instituições sociais, e estruturada por ordenamentos, regras, suas verbas e o seu patrimônio próprio; no plano didático, es-
normas e valores de reconhecimento e legitimidade internos tabelecendo os seus currículos; no plano disciplinar, a fim de
a ela. A legitimidade da universidade moderna fundou-se na manter a estrutura da sua ordem. A autonomia pode ser plena
conquista da ideia de autonomia do saber diante da religião ou limitada, segundo a sua extensão, e será exercida tanto pela
e do Estado, portanto na ideia de um conhecimento guia- universidade como pelas unidades que a integram (faculdades,
do por sua própria lógica, por necessidades imanentes a ele, escolas e institutos)”. A autonomia plena não significa, entre-
tanto do ponto de vista de sua invenção ou descoberta como tanto, que a Universidade, que dela desfruta, posse esmagar e
de sua transmissão. Por isso mesmo, a universidade europeia anular a autonomia limitada de que gozam as unidades in-
tornou-se inseparável das ideias de formação, reflexão, cria- tegrantes da universidade. A autonomia plena será exercida
ção e crítica [1]. pela universidade; a autonomia limitada será exercida pelas
Ainda para essa autora, uma organização difere de uma unidades que a integram. A autonomia plena não significa o
instituição por definir-se por uma outra prática social, qual poder de tudo fazer, mas ela mesma está condicionada pe-
seja, a de sua instrumentalidade: está referida ao conjunto de los limites com que a legislação a enclausurou, estabelecendo
meios particulares para obtenção de um objetivo particular. competências privativas e exclusivas tanto para a universidade
Não está referida a ações articuladas às ideias de reconheci- como para as suas unidades integrantes. Cada uma delas tem
mento externo e interno, de legitimidade interna e externa, autonomia no campo de suas atividades especificas e exclusi-
mas a operações definidas como estratégias balizadas pelas vas, competências que não deverão e não poderão ser anula-
ideias de eficácia e de sucesso no emprego de determinados das pelo poder central da universidade. Tudo se resume, pois,
meios para alcançar o objetivo particular que a define. É regi- em uma questão de competências, de atribuição e exercício
dos pelas ideias de gestão, planejamento, previsão, controle de competência”. (Pinto Ferreira, Comentários à Constituição
e êxito. Não lhe compete discutir ou questionar sua própria Brasileira, 7° volume, Art.s, 193 a 245, ADCT - Art., 1° a 70 -
existência, sua função, seu lugar no interior da luta de classes, EC.1/92, 2/92, 3/93, 4/93, ECR-1/94, 2/94, 3194, 4194, 5/94,
pois isso, que para a instituição social universitária é crucial, é, 6/94, Editora Saraiva, São Paulo, 1995, pág, 207).
para a organização, um dado de fato, sintetiza dizendo: “Ela É preciso que examinemos princípios básicos do ensino,
sabe (ou julga saber) por que, para que e onde existe” [2]. a configuração do ensino público, a diferenciação entre en-
A Constituição atual, em seu art. 207, definiu as carac- sino pago e ensino gratuito. Quando se fala na preferência
terísticas essenciais da autonomia didático-cientifica, admi- constitucional pelo ensino público, devemos ressaltar que
nistrativa, bem como de gestão financeira e patrimonial. A o poder público organiza os sistemas de ensino, mediante
liberdade de gestão financeira e patrimonial é necessária prestações estatais que garantam a progressiva extensão das
para a concepção integral da autonomia universitária. O arti- tarefas educacionais, possibilitando o acesso aos níveis mais
go acima mencionado não pode ser examinado de maneira elevados do ensino: “Não e o caso de reviver aqui as vicissi-
isolada, pois a Constituição tem que ser vista na sua inte- tudes históricas da autonomia universitária. Basta configurar
gralidade e interpretada de maneira sistemática. O art. 212 que a Constituição firmou a autonomia didático-cientifica,
que trata dos recursos públicos destinados ao ensino público administrativa e de gestão financeira das Universidades, que
e privado, no que se refere a sua aplicação, deve ser assim obedecerão a principio de indissociabilidade entre o ensino,
interpretado: “na manutenção e desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão (art. 207). Não poderá ser de outro modo.

4
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

Se consagrou a liberdade de aprender, de ensinar, de pesquisar A autonomia universitária, embora com características
e de divulgar o pensamento, a arte e o saber, como um prin- semelhantes às autonomias acima mencionadas, tem ca-
cípio basilar do ensino (art. 206, II), a coerência exigia uma racterísticas especiais que fazem com que possamos clas-
manifestação normativa expressa em favor da autonomia das sificá-las como autonomias de garantia de democracia ao
Universidades, autonomia que não é “apenas a independência lado do Ministério Público, (Magalhães, José Luiz Quadros,
da instituição universitária mas a do próprio saber humano”, Novos Paradigmas para o Estado Constitucional Brasileiro
pois “as universidades não serão o que devem ser se não culti- (Poder Municipal), Tese de doutorado na FDUFMG).
varem a consciência da independência do saber e se não sou- Desta forma, podemos visualizar a autonomia univer-
berem que a supremacia do saber, graças a essa independên- sitária em uma situação especial no texto de 1988, onde,
cia é levar a um novo saber. E para isto precisam de viver em como o Ministério Público, e mais recentemente através da
uma atmosfera de autonomia e estímulos vigorosos de experi- Emenda Constitucional 045/2004, as Defensorias Públicas,
mentação, ensaio e renovação. Não é por simples acidente que desvincula-se a universidade do governo, permitindo que
as universidades se constituem em comunidades de mestres e esta permaneça produzindo de forma livre o saber plural,
discípulos, casando a experiência de uns com o ardor e a mo- longe de interferências diretas ou indiretas, mais ou menos
cidade dos outros. Elas não são para efeito apenas instituições autoritárias.
de ensino e de pesquisas, mas sociedades devotadas ao livre, Portanto, não se trata apenas de uma autonomia con-
desinteressado e deliberado cultivo da inteligência e do espírito ferida as autarquias, mas sim de uma autonomia que su-
e fundadas na esperança do progresso humano pelo progresso gere a desvinculação do governo, mas não do Estado, seja
da razão” (José Afonso da Silva Curso de Direito Constitucio- para as Universidades Públicas Federais, estaduais, munici-
nal Positivo, 10ª edição revista Malheiros Editores, São Paulo, pais ou privadas.
1995, pág, 766 e 767). A autonomia das universidades tem como titular a co-
munidade universitária na forma que a lei e as universida-
AUTONOMIA DAS UNIVERSIDADES des definirem, desde que mantido o principio constitucio-
nal inarredável da democracia na gestão do ensino, seja
A Constituição Federal estabelece diferentes autonomias público ou privado. Essa autonomia universitária encontra
no seu texto, que variam bastante na sua amplitude, desta
limites, por isso mesmo em nome dessa autonomia, a Uni-
forma, encontramos as autonomias políticas que caracteri-
versidade não pode fazer tudo.
zam um federalismo de três níveis com a capacidade de auto
Compreendemos que na ausência de melhor definição
-organização recebida pelos Municípios e o Distrito Federal,
do alcance da autonomia universitária, esta fica adstrita aos
mantida a autonomia política dos Estados Membros. Os en-
limites legais. E embora, conserve grande poder de deci-
tes federados têm sua autonomia caracterizada pela capaci-
são/ação, não está acima da lei, nem imune a esta, deven-
dade de elaborar suas Constituições, que no nível municipal
e distrital recebem o nome de leis orgânicas. do observar em sua gestão os princípios da administração
Nas Constituições estaduais e nas leis orgânicas dos Mu- pública e entre eles o da legalidade.
nicípios e do Distrito Federal se encontram os seus poderes, E neste aspecto é que se diferencia, notoriamente, do
a organização de seu serviço público e a distribuição de com- restante da Administração Pública que também é obedien-
petência de seus órgãos, sempre se respeitando os limites da te ao Princípio da Legalidade, todavia de uma forma mais
Constituição Federal. rigorosa e menos flexível, só podendo agir naquilo que a
Encontramos ainda na Constituição Federal a previsão de lei autorizar. Enquanto a Universidade, estando autorizada
descentralização meramente administrativas, muito mais res- pelo texto constitucional a agir com autonomia didático-
tritas que as autonomias políticas que caracterizam a federa- científica, administrativa e de gestão financeira e patrimo-
ção, e que podem ocorrer em todas as esferas da federarão. nial, poderá fazer tudo que a lei autoriza, e ainda aquilo
Estas autonomias administrativas são representadas que ela não vedar, desde que obediente aos princípios
pelas administrações indiretas, exercidas pelas autarquias, da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, e
fundações públicas e conforme previsto no titulo referente ainda em conformidade, com o princípio da qualidade de
à ordem econômica e financeira, as empresas públicas e so- ensino, além de outros princípios gerais como o da morali-
ciedade de economia mista, que são entidades de natureza dade e demais insertos no caput do art. 37 da CF.
pública e personalidade de direito privado, com a finalidade Ou seja, a autonomia universitária lhe consagra liber-
de exercer atividades econômicas. dade de ação, muita além daquelas pertinentes a Admi-
Esta descentralização administrativa implica na criação nistração Pública em geral, e isto para que possa formar
de órgãos autônomos na administração federal, estadual ou profissionais e cidadãos, conscientes e eficientes, aptos a
municipal, onde naquela área de atuação permite-se decisão ajudarem a sociedade e a nação na conquista do equilíbrio
sem interferência do poder central. A atual política do gover- entre o saber e o viver.
no federal viola a autonomia destes órgãos com constantes e Nesta ótica, a autonomia universitária encontra verda-
ilegais intervenções no âmbito de decisão autônoma. deiras limitações, inclusive na própria Constituição Federal,
A autonomia de decisão sem intervenção do poder como, por exemplo, o art. 167, inciso VI, que veda, sem pré-
central e o que difere a idéia de autonomia, cada vez mais via autorização legislativa, a transposição, remanejamento
forte na administração pública em todo o mundo, da mera ou transferência de recursos de uma categoria para outra.
desconcentrarão administrativa, que parece ser a política do A doutrina já tratou de traçar limitações à autonomia
atual governo, no que se refere a sua administração indireta. universitária, vejamos o que diz o Professor Pinto Ferreira:

5
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

“A autonomia da universidade é assim o poder que possui esta III - ADEMAIS, O ENSINO UNIVERSITARIO, ADMINISTRADO
entidade de estabelecer normas e regulamentos que são o ordena- PELA INICIATIVA PRIVADA, HA DE ATENDER AOS REQUISITOS,
mento vital da própria instituição, dentro da esfera da competên- PREVISTOS NO ART. 209 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL: CUM-
cia atribuída pelo Estado, e que este repute como lícitos e jurídicos”. PRIMENTO DAS NORMAS DE EDUCAÇÃO NACIONAL E AUTO-
A autonomia pode ser exercida em diversas esferas: no RIZAÇÃO E AVALIAÇÃO DE QUALIDADE PELO PODER PUBLICO.
plano político, com o direito de as universidades e faculdades IV - MANDADO DE SEGURANÇA DENEGADO”.
elegerem a sua lista sêxtupla de reitores ou diretores; no pla- (MS 3318/DF, Rel. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEI-
no administrativo, dentro dos limites do seu peculiar interesse; RO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 31.05.1994, DJ 15.08.1994
no plano financeiro, com as suas verbas e o seu patrimônio p. 20271)
próprio; no plano didático, estabelecendo os seus currículos; Seguindo esta linha de raciocínio, conclui-se que a auto-
no plano disciplinar, a fim de manter a estrutura da sua or- nomia universitária encontra limites.
dem. A autonomia pode ser plena ou limitada, segundo a sua
extensão, e será exercida tanto pela universidade como pelas GESTÃO FINANCEIRA DAS IFES
unidades que a integram (faculdades, escolas e institutos). A
autonomia plena não significa, entretanto, que a Universidade, Atualmente, os recursos financeiros destinados à ma-
que dela desfruta, posse esmagar e anular a autonomia limi- nutenção e ao desenvolvimento das IFES são originários da
tada de que gozam as unidades integrantes da universidade. receita federal e da receita própria da universidade, sendo
A autonomia plena será exercida pela universidade; a esta última consequência do potencial e esforço de cada Ins-
autonomia limitada será exercida pelas unidades que a in- tituição. Registre-se, nesse aspecto, que o aumento da receita
tegram. A autonomia plena não significa o poder de tudo própria da universidade não tem se revertido em ganhos no
fazer, mas ela mesma está condicionada pelos limites com orçamento, ao contrário, os incrementos na receita própria
que a legislação a enclausurou, estabelecendo competências não têm provocado o correspondente aumento no orçamen-
privativas e exclusivas tanto para a universidade como para as to para o ano seguinte.
suas unidades integrantes. Cada uma delas tem autonomia No bojo da proposta de Autonomia Universitária está a
no campo de suas atividades especificas e exclusivas, com-
pretensão do governo de transferir para as IFES parte da res-
petências que não deverão e não poderão ser anuladas pelo
ponsabilidade pelo financiamento do ensino superior.
poder central da universidade.
A LDB, em seu art. 69, estabelece que a União aplique,
Tudo se resume, pois, em uma questão de competências, de
anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Dis-
atribuição e exercício de competência.’ (Pinto Ferreira, Comentá-
trito Federal e os Municípios, vinte e cinco por cento, ou que
rios à Constituição Brasileira, 7° volume, Art.s, 193 a 245, ADCT
consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas, da
- Art., 1° a 70 - EC.1/92, 2/92, 3/93, 4/93, ECR-1/94, 2/94, 3194,
4194, 5/94, 6/94, Editora Saraiva, São Paulo, 1995, pág, 207”. receita resultantes de impostos, compreendidas as transfe-
O Doutor Elias de Oliveira Motta, em recente obra – Di- rências constitucionais, na manutenção e desenvolvimento
reito Educacional e Educação no Século XXI - leciona sobre os do ensino público. O art. 211 da CF estabelece que a União
limites da autonomia universitária, verbis: organize e financie o sistema federal de ensino e preste assis-
“A autonomia universitária não se confunde com sobera- tência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e
nia ou liberdade para se desrespeitar as leis; é, antes, um poder aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de
jurídico inerente à condição de ser de uma universidade”. ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória.
Por outro lado, os tribunais pátrios já se manifestaram no O financiamento das universidades federais brasileiras
sentido de reconhecer a limitação e alcance da autonomia está contemplado na LDB, em seu Título II - Dos Princípios e
universitária, vejamos: Fins da Educação Nacional, artigo 3º, inciso V - coexistência
“UNIVERSIDADE BRAZ CUBAS. CURSO DE ODONTOLO- de instituições públicas e privadas de ensino e no inciso VI -
GIA. FECHAMENTO POR INOBSERVANCIA DA LEGISLAÇÃO gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais e,
DE REGENCIA. PORTARIA N. 196, DE 3-2-94, DO MINISTRO no Capítulo IV - Da Educação Superior, artigo 45 - a educação
DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO. superior será ministrada em instituições de ensino superior,
I - O ATO MINISTERIAL ATACADO, APOIADO NO ART. N. públicas e privadas, com variados graus de abrangência ou
209, II, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NO ART. 2. DO DECRE- especialização.
TO N. 359, DE 9-12-91, NO ART. 2. DO DECRETO N. 98.377, A LDB em seu art. 4º, do Título III - Do Direito à Educação
DE 8-11-89, E NO ART. 3. DO DECRETO N. e do Dever de Educar, estabelece, no inciso I, que o dever do
77.797, DE 9-6-76, ESTA AO AMPARO DA LEGISLAÇÃO Estado com a educação escolar pública será efetivada me-
DE REGENCIA E OS DECRETOS QUE LHE SERVEM DE FUN- diante a garantia de ensino fundamental, obrigatório e gra-
DAMENTO NÃO INFRINGEM O PRINCIPIO DA LEGALIDADE, tuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade
NÃO VIOLAM O PRINCIPIO DA AUTONOMIA UNIVERSITA- própria.
RIA, NEM EXORBITAM O PODER REGULAMENTAR. As políticas governamentais, após vigorar a nova Cons-
II - A AUTONOMIA UNIVERSITARIA, PREVISTA NO ART. 207 tituição e LDB, não têm correspondido às exigências dessas
DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, NÃO PODE SER INTERPRETADA leis. No setor da educação superior, a oferta de vagas nos
COMO INDEPENDENCIA E, MUITO MENOS, COMO SOBERA- estabelecimentos oficiais apresenta um enorme déficit. En-
NIA. A SUA CONSTITUCIONALIZAÇÃO NÃO TEVE O CONDÃO quanto a demanda por vagas cresce, as verbas para a univer-
DE ALTERAR O SEU CONCEITO OU AMPLIAR O SEU ALCANCE, sidade pública brasileira diminuem. Esta situação não apenas
NEM DE AFASTAR AS UNIVERSIDADES DO PODER NORMATI- tem limitado a expansão do ensino superior como afetado a
VO E DE CONTROLE DOS ORGÃOS FEDERAIS COMPETENTES. sua qualidade.

6
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

Estudos mostram que cerca de 70% dos universitários


encontram-se no setor privado. Se o encargo de parte do
LEI Nº 9.394/1996, DE 20 DE DEZEMBRO
financiamento das universidades públicas brasileiras passar
para elas, como está cada vez mais evidenciado através da DE 1996 (LDB).
política restritiva de verbas para o setor e esta receita origi-
nar-se de mensalidades dos estudantes, a democratização da
educação superior será ainda mais comprometida. LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996.
Outra fonte de receita para financiar a universidade, na
parte que lhe cabe, poderia originar-se da prestação de ser- Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
viços pela própria universidade. Assim, parte da energia que
deveria ser empregada para o desenvolvimento do ensino, O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Con-
pesquisa e extensão seria canalizada para a obtenção de gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
recursos financeiros, é o que ocorre, por exemplo, na Uni-
versidade Federal de Rondônia, através de sua Fundação de TÍTULO I
apoio (RIOMAR), que celebra convênios junto ao Governo do Da Educação
Estado e Prefeituras, para capacitar professores, ao mesmo
tempo em que contribui com a comunidade, aufere receita Art. 1º A educação abrange os processos formativos
que são revestidas para a própria Universidade. que se desenvolvem na vida familiar, na convivência huma-
A inserção da universidade na comunidade, através da na, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos
prestação de serviços, é muito bem vinda, principalmente
movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas
com a finalidade de transferência do conhecimento e sua
manifestações culturais.
realimentação com vistas à definição de suas políticas.
§ 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se de-
Agora exigir que as universidades públicas prestem ser-
senvolve, predominantemente, por meio do ensino, em
viços com a finalidade de auto-sustentação é uma incoerên-
instituições próprias.
cia face ao quadro nacional em que estatais, mesmo rentá-
§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo
veis, estão sendo privatizadas. A negação dessa incoerência
do trabalho e à prática social.
remete a universidade pública federal brasileira ao processo
de privatização. Entre os conceitos, princípios e deveres rela-
tivos à educação contidos na LDB podem-se citar: TÍTULO II
• A educação abrange os processos formativos que se Dos Princípios e Fins da Educação Nacional
desenvolvem nos movimentos sociais, nas organizações da
sociedade e nas manifestações culturais; Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspi-
• A educação vincula-se à prática social; rada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidarie-
• A educação inspira-se nos princípios de liberdade e dade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento
nos ideais de solidariedade humana. do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e
No mundo da economia globalizada, a disputa por espa- sua qualificação para o trabalho.
ço no meio empresarial é cada vez mais acirrada. A exigência Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguin-
de capacitação, cada vez maior, possui atributos que podem tes princípios:
levar o homem a desviar-se de um dos mais nobres ideais - a I - igualdade de condições para o acesso e permanên-
solidariedade humana. E a universidade privada, em suas po- cia na escola;
líticas, também são afetadas pela competição e lucratividade. II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar
Nas universidades públicas, onde a geração de recursos a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
próprios é uma prática recente, já se constata que a solida- III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
riedade está sendo afetada pelos privilégios materiais ou de IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância;
oportunidades que nem sempre contemplam as prioridades V - coexistência de instituições públicas e privadas de
da universidade. ensino;
Desta maneira, a autonomia universitária, como já abor- VI - gratuidade do ensino público em estabelecimen-
damos, é uma autonomia relativa, pois seu parâmetro é a tos oficiais;
própria Constituição, estando em consonância com o orde- VII - valorização do profissional da educação escolar;
namento jurídico pátrio, pode-se afirmar ainda que sua auto- VIII - gestão democrática do ensino público, na forma
nomia está situada no mesmo patamar do Ministério Públi- desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino;
co e mais recente, as Defensorias públicas, por quanto, não IX - garantia de padrão de qualidade;
concorda-se com outros setores da sociedade interferindo X - valorização da experiência extra-escolar;
claramente em sua autonomia, quando estabelecem critérios XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e
“avaliativos” para permitirem o livre exercício da profissão, as práticas sociais.
que o cidadão é preparado, durante, pelo menos, cinco anos, XII - consideração com a diversidade étnico-racial. (In-
como é o caso das “provas” da OAB para os Bacharéis em cluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
Direito.
Fonte: http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/2682/
Autonomia-universitaria

7
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

TÍTULO III § 2º Em todas as esferas administrativas, o Poder Público


Do Direito à Educação e do Dever de Educar assegurará em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório,
nos termos deste artigo, contemplando em seguida os de-
Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública mais níveis e modalidades de ensino, conforme as prioridades
será efetivado mediante a garantia de: constitucionais e legais.
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) § 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste ar-
aos 17 (dezessete) anos de idade, organizada da seguinte for- tigo tem legitimidade para peticionar no Poder Judiciário, na
ma: (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) hipótese do § 2º do art. 208 da Constituição Federal, sendo
a) pré-escola; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) gratuita e de rito sumário a ação judicial correspondente.
b) ensino fundamental; (Incluído pela Lei nº 12.796, de § 4º Comprovada a negligência da autoridade competen-
2013) te para garantir o oferecimento do ensino obrigatório, poderá
c) ensino médio; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) ela ser imputada por crime de responsabilidade.
II - educação infantil gratuita às crianças de até 5 (cinco) § 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de
anos de idade; (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) ensino, o Poder Público criará formas alternativas de acesso
III - atendimento educacional especializado gratuito aos aos diferentes níveis de ensino, independentemente da esco-
educandos com deficiência, transtornos globais do desen- larização anterior.
volvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal Art. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícu-
a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente la das crianças na educação básica a partir dos 4 (quatro) anos
na rede regular de ensino; (Redação dada pela Lei nº 12.796, de idade. (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013)
de 2013) Art. 7º O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as
IV - acesso público e gratuito aos ensinos fundamental e seguintes condições:
médio para todos os que não os concluíram na idade própria; I - cumprimento das normas gerais da educação nacional
(Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) e do respectivo sistema de ensino;
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesqui- II - autorização de funcionamento e avaliação de qualida-
sa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; de pelo Poder Público;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às con- III - capacidade de autofinanciamento, ressalvado o pre-
dições do educando; visto no art. 213 da Constituição Federal.
VII - oferta de educação escolar regular para jovens e
adultos, com características e modalidades adequadas às TÍTULO IV
suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se aos que Da Organização da Educação Nacional
forem trabalhadores as condições de acesso e permanência
na escola; Art. 8º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Muni-
VIII - atendimento ao educando, em todas as etapas da cípios organizarão, em regime de colaboração, os respectivos
educação básica, por meio de programas suplementares de sistemas de ensino.
material didático-escolar, transporte, alimentação e assistên- § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional
cia à saúde; (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) de educação, articulando os diferentes níveis e sistemas e
IX - padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos exercendo função normativa, redistributiva e supletiva em re-
como a variedade e quantidade mínimas, por aluno, de insu- lação às demais instâncias educacionais.
mos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de en- § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organiza-
sino-aprendizagem. ção nos termos desta Lei.
X – vaga na escola pública de educação infantil ou de Art. 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento)
ensino fundamental mais próxima de sua residência a toda I - elaborar o Plano Nacional de Educação, em colabora-
criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de ção com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
idade. (Incluído pela Lei nº 11.700, de 2008). II - organizar, manter e desenvolver os órgãos e institui-
Art. 5o O acesso à educação básica obrigatória é direito ções oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios;
público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cida- III - prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ao
dãos, associação comunitária, organização sindical, entidade Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de
de classe ou outra legalmente constituída e, ainda, o Minis- seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolari-
tério Público, acionar o poder público para exigi-lo. (Redação dade obrigatória, exercendo sua função redistributiva e supletiva;
dada pela Lei nº 12.796, de 2013) IV - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Dis-
§ 1o O poder público, na esfera de sua competência fe- trito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para
derativa, deverá: (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio,
I - recensear anualmente as crianças e adolescentes em que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de
idade escolar, bem como os jovens e adultos que não con- modo a assegurar formação básica comum;
cluíram a educação básica; (Redação dada pela Lei nº 12.796, IV-A - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Dis-
de 2013) trito Federal e os Municípios, diretrizes e procedimentos para
II - fazer-lhes a chamada pública; identificação, cadastramento e atendimento, na educação bá-
III - zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência sica e na educação superior, de alunos com altas habilidades
à escola. ou superdotação; (Incluído pela Lei nº 13.234, de 2015)

8
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

V - coletar, analisar e disseminar informações sobre a V - oferecer a educação infantil em creches e pré-es-
educação; colas, e, com prioridade, o ensino fundamental, permitida a
 VI - assegurar processo nacional de avaliação do rendi- atuação em outros níveis de ensino somente quando estive-
mento escolar no ensino fundamental, médio e superior, em rem atendidas plenamente as necessidades de sua área de
colaboração com os sistemas de ensino, objetivando a defi- competência e com recursos acima dos percentuais mínimos
nição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino; vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desen-
VII - baixar normas gerais sobre cursos de graduação e volvimento do ensino.
pós-graduação; VI - assumir o transporte escolar dos alunos da rede mu-
 VIII - assegurar processo nacional de avaliação das ins- nicipal. (Incluído pela Lei nº 10.709, de 31.7.2003)
tituições de educação superior, com a cooperação dos siste- Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, por
mas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino; se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele
IX - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e ava- um sistema único de educação básica.
liar, respectivamente, os cursos das instituições de educação Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as
superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a in-
(Vide Lei nº 10.870, de 2004) cumbência de:
§ 1º Na estrutura educacional, haverá um Conselho Na- I - elaborar e executar sua proposta pedagógica;
cional de Educação, com funções normativas e de supervisão II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e
e atividade permanente, criado por lei. financeiros;
§ 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX, III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-au-
a União terá acesso a todos os dados e informações neces- la estabelecidas;
sários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais. IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada
§ 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser docente;
delegadas aos Estados e ao Distrito Federal, desde que man- V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor
tenham instituições de educação superior. rendimento;
Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de: VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e institui- processos de integração da sociedade com a escola;
ções oficiais dos seus sistemas de ensino; VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus
II - definir, com os Municípios, formas de colaboração na filhos, e, se for o caso, os responsáveis legais, sobre a frequên-
oferta do ensino fundamental, as quais devem assegurar a cia e rendimento dos alunos, bem como sobre a execução da
distribuição proporcional das responsabilidades, de acordo proposta pedagógica da escola; (Redação dada pela Lei nº
com a população a ser atendida e os recursos financeiros dis- 12.013, de 2009)
poníveis em cada uma dessas esferas do Poder Público; VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao
III - elaborar e executar políticas e planos educacionais, juiz competente da Comarca e ao respectivo representante
em consonância com as diretrizes e planos nacionais de edu- do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem
cação, integrando e coordenando as suas ações e as dos seus quantidade de faltas acima de cinquenta por cento do per-
Municípios; centual permitido em lei. (Incluído pela Lei nº 10.287, de 2001)
IV - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e ava- Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
liar, respectivamente, os cursos das instituições de educação I - participar da elaboração da proposta pedagógica do
superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino; estabelecimento de ensino;
V - baixar normas complementares para o seu sistema II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a pro-
de ensino; posta pedagógica do estabelecimento de ensino;
VI - assegurar o ensino fundamental e oferecer, com III - zelar pela aprendizagem dos alunos;
prioridade, o ensino médio a todos que o demandarem, res- IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alu-
peitado o disposto no art. 38 desta Lei; (Redação dada pela nos de menor rendimento;
Lei nº 12.061, de 2009) V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos,
VII - assumir o transporte escolar dos alunos da rede es- além de participar integralmente dos períodos dedicados
tadual. (Incluído pela Lei nº 10.709, de 31.7.2003) ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento pro-
Parágrafo único. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as fissional;
competências referentes aos Estados e aos Municípios. VI - colaborar com as atividades de articulação da es-
Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de: cola com as famílias e a comunidade.
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e institui- Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da
ções oficiais dos seus sistemas de ensino, integrando-os às gestão democrática do ensino público na educação básica,
políticas e planos educacionais da União e dos Estados; de acordo com as suas peculiaridades e conforme os se-
II - exercer ação redistributiva em relação às suas escolas; guintes princípios:
III - baixar normas complementares para o seu sistema I - participação dos profissionais da educação na ela-
de ensino; boração do projeto pedagógico da escola;
IV - autorizar, credenciar e supervisionar os estabeleci- II - participação das comunidades escolar e local em
mentos do seu sistema de ensino; conselhos escolares ou equivalentes.

9
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unida- TÍTULO V


des escolares públicas de educação básica que os integram Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino
progressivos graus de autonomia pedagógica e adminis- CAPÍTULO I
trativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais Da Composição dos Níveis Escolares
de direito financeiro público.
Art. 16. O sistema federal de ensino compreende: (Re- Art. 21. A educação escolar compõe-se de:
gulamento) I - educação básica, formada pela educação infantil, ensi-
I - as instituições de ensino mantidas pela União; no fundamental e ensino médio;
II - as instituições de educação superior criadas e man- II - educação superior.
tidas pela iniciativa privada;
III - os órgãos federais de educação. CAPÍTULO II
Art. 17. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito DA EDUCAÇÃO BÁSICA
Federal compreendem: Seção I
I - as instituições de ensino mantidas, respectivamente, Das Disposições Gerais
pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal;
II - as instituições de educação superior mantidas pelo Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvol-
Poder Público municipal; ver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispen-
III - as instituições de ensino fundamental e médio cria- sável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para
das e mantidas pela iniciativa privada; progredir no trabalho e em estudos posteriores.
IV - os órgãos de educação estaduais e do Distrito Fe- Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries
deral, respectivamente. anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de pe-
Parágrafo único. No Distrito Federal, as instituições de ríodos de estudos, grupos não-seriados, com base na idade,
educação infantil, criadas e mantidas pela iniciativa privada, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de
integram seu sistema de ensino. organização, sempre que o interesse do processo de aprendi-
zagem assim o recomendar.
Art. 18. Os sistemas municipais de ensino compreen-
§ 1º A escola poderá reclassificar os alunos, inclusive
dem:
quando se tratar de transferências entre estabelecimentos
I - as instituições do ensino fundamental, médio e de
situados no País e no exterior, tendo como base as normas
educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal;
curriculares gerais.
II - as instituições de educação infantil criadas e manti-
§ 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculia-
das pela iniciativa privada;
ridades locais, inclusive climáticas e econômicas, a critério do
III – os órgãos municipais de educação.
respectivo sistema de ensino, sem com isso reduzir o número
Art. 19. As instituições de ensino dos diferentes níveis de horas letivas previsto nesta Lei.
classificam-se nas seguintes categorias administrativas: Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e mé-
(Regulamento) (Regulamento) dio, será organizada de acordo com as seguintes regras co-
I - públicas, assim entendidas as criadas ou incorpora- muns:
das, mantidas e administradas pelo Poder Público; I - a carga horária mínima anual será de oitocentas horas
II - privadas, assim entendidas as mantidas e adminis- para o ensino fundamental e para o ensino médio, distribuí-
tradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. das por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho es-
Art. 20. As instituições privadas de ensino se enquadra- colar, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando
rão nas seguintes categorias: (Regulamento) (Regulamen- houver; (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017)
to) II - a classificação em qualquer série ou etapa, exceto a
I - particulares em sentido estrito, assim entendidas as primeira do ensino fundamental, pode ser feita:
que são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas a) por promoção, para alunos que cursaram, com apro-
físicas ou jurídicas de direito privado que não apresentem veitamento, a série ou fase anterior, na própria escola;
as características dos incisos abaixo; b) por transferência, para candidatos procedentes de ou-
II - comunitárias, assim entendidas as que são insti- tras escolas;
tuídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais c) independentemente de escolarização anterior, median-
pessoas jurídicas, inclusive cooperativas educacionais, sem te avaliação feita pela escola, que defina o grau de desenvol-
fins lucrativos, que incluam na sua entidade mantenedora vimento e experiência do candidato e permita sua inscrição
representantes da comunidade; (Redação dada pela Lei nº na série ou etapa adequada, conforme regulamentação do
12.020, de 2009) respectivo sistema de ensino;
III - confessionais, assim entendidas as que são insti- III - nos estabelecimentos que adotam a progressão re-
tuídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais gular por série, o regimento escolar pode admitir formas de
pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e progressão parcial, desde que preservada a sequência do cur-
ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior; rículo, observadas as normas do respectivo sistema de ensino;
IV - filantrópicas, na forma da lei. IV - poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos
de séries distintas, com níveis equivalentes de adiantamento
na matéria, para o ensino de línguas estrangeiras, artes, ou
outros componentes curriculares;

10
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

V - a verificação do rendimento escolar observará os se- II – maior de trinta anos de idade; (Incluído pela Lei nº
guintes critérios: 10.793, de 1º.12.2003)
a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que,
aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os em situação similar, estiver obrigado à prática da educação
quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os física; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
de eventuais provas finais; IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de outu-
b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos bro de 1969; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
com atraso escolar; V – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries me- VI – que tenha prole. (Incluído pela Lei nº 10.793, de
diante verificação do aprendizado; 1º.12.2003)
d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito; § 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as con-
e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de pre- tribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do
ferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo povo brasileiro, especialmente das matrizes indígena, africana
rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições e europeia.
de ensino em seus regimentos; § 5o No currículo do ensino fundamental, a partir do sexto
VI - o controle de frequência fica a cargo da escola, con- ano, será ofertada a língua inglesa. (Redação dada pela Lei nº
forme o disposto no seu regimento e nas normas do respecti- 13.415, de 2017)
vo sistema de ensino, exigida a frequência mínima de setenta § 6o As artes visuais, a dança, a música e o teatro são as lin-
e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação; guagens que constituirão o componente curricular de que trata
VII - cabe a cada instituição de ensino expedir históricos es- o § 2o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 13.278, de 2016)
colares, declarações de conclusão de série e diplomas ou certi- § 7o A integralização curricular poderá incluir, a critério
ficados de conclusão de cursos, com as especificações cabíveis. dos sistemas de ensino, projetos e pesquisas envolvendo os
§ 1º A carga horária mínima anual de que trata o inciso I temas transversais de que trata o caput. (Redação dada pela
do caput deverá ser ampliada de forma progressiva, no ensi- Lei nº 13.415, de 2017)
no médio, para mil e quatrocentas horas, devendo os sistemas § 8º A exibição de filmes de produção nacional consti-
de ensino oferecer, no prazo máximo de cinco anos, pelo me- tuirá componente curricular complementar integrado à pro-
nos mil horas anuais de carga horária, a partir de 2 de março posta pedagógica da escola, sendo a sua exibição obrigatória
de 2017. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) por, no mínimo, 2 (duas) horas mensais. (Incluído pela Lei nº
§ 2o Os sistemas de ensino disporão sobre a oferta de 13.006, de 2014)
educação de jovens e adultos e de ensino noturno regular, § 9o Conteúdos relativos aos direitos humanos e à pre-
adequado às condições do educando, conforme o inciso VI venção de todas as formas de violência contra a criança e o
do art. 4o. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) adolescente serão incluídos, como temas transversais, nos
Art. 25. Será objetivo permanente das autoridades res- currículos escolares de que trata o caput deste artigo, tendo
ponsáveis alcançar relação adequada entre o número de alu- como diretriz a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto
nos e o professor, a carga horária e as condições materiais do da Criança e do Adolescente), observada a produção e distri-
estabelecimento. buição de material didático adequado. (Incluído pela Lei nº
Parágrafo único. Cabe ao respectivo sistema de ensino, à 13.010, de 2014)
vista das condições disponíveis e das características regionais § 10. A inclusão de novos componentes curriculares de
e locais, estabelecer parâmetro para atendimento do disposto caráter obrigatório na Base Nacional Comum Curricular de-
neste artigo. penderá de aprovação do Conselho Nacional de Educação e
Art. 26. Os currículos da educação infantil, do ensino fun- de homologação pelo Ministro de Estado da Educação. (In-
damental e do ensino médio devem ter base nacional comum, cluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e
estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o
pelas características regionais e locais da sociedade, da cultu- estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. (Reda-
ra, da economia e dos educandos. (Redação dada pela Lei nº ção dada pela Lei nº 11.645, de 2008).
12.796, de 2013) § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo
§ 1º Os currículos a que se refere o caput devem abran- incluirá diversos aspectos da história e da cultura que carac-
ger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da terizam a formação da população brasileira, a partir desses
matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África
realidade social e política, especialmente do Brasil. e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no
§ 2o O ensino da arte, especialmente em suas expressões Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio
regionais, constituirá componente curricular obrigatório da na formação da sociedade nacional, resgatando as suas con-
educação básica. (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) tribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à
§ 3o A educação física, integrada à proposta pedagógica história do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008).
da escola, é componente curricular obrigatório da educação § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-bra-
básica, sendo sua prática facultativa ao aluno: (Redação dada sileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no
pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de
I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a educação artística e de literatura e história brasileiras. (Reda-
seis horas; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) ção dada pela Lei nº 11.645, de 2008).

11
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

Art. 27. Os conteúdos curriculares da educação básica ob- Seção III


servarão, ainda, as seguintes diretrizes: Do Ensino Fundamental
I - a difusão de valores fundamentais ao interesse social,
aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem co- Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração
mum e à ordem democrática; de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos
II - consideração das condições de escolaridade dos alu- 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do
nos em cada estabelecimento; cidadão, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006)
III - orientação para o trabalho; I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo
IV - promoção do desporto educacional e apoio às práti- como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e
cas desportivas não-formais. do cálculo;
Art. 28. Na oferta de educação básica para a população II - a compreensão do ambiente natural e social, do siste-
rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações ne- ma político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se
cessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de fundamenta a sociedade;
cada região, especialmente: III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem,
I - conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e
reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural; a formação de atitudes e valores;
II - organização escolar própria, incluindo adequação do IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de
calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se as-
climáticas; senta a vida social.
III - adequação à natureza do trabalho na zona rural. § 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensi-
Parágrafo único. O fechamento de escolas do campo, no fundamental em ciclos.
indígenas e quilombolas será precedido de manifestação do § 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular
órgão normativo do respectivo sistema de ensino, que consi- por série podem adotar no ensino fundamental o regime de
derará a justificativa apresentada pela Secretaria de Educação, progressão continuada, sem prejuízo da avaliação do processo
de ensino-aprendizagem, observadas as normas do respectivo
a análise do diagnóstico do impacto da ação e a manifestação
sistema de ensino.
da comunidade escolar. (Incluído pela Lei nº 12.960, de 2014)
§ 3º O ensino fundamental regular será ministrado em
língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas a
Seção II
utilização de suas línguas maternas e processos próprios de
Da Educação Infantil
aprendizagem.
§ 4º O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino
Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação
a distância utilizado como complementação da aprendizagem
básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da ou em situações emergenciais.
criança de até 5 (cinco) anos, em seus aspectos físico, psicoló- § 5o O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigato-
gico, intelectual e social, complementando a ação da família riamente, conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos
e da comunidade. (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) adolescentes, tendo como diretriz a Lei no 8.069, de 13 de julho
Art. 30. A educação infantil será oferecida em: de 1990, que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente,
I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de observada a produção e distribuição de material didático ade-
até três anos de idade; quado. (Incluído pela Lei nº 11.525, de 2007).
II - pré-escolas, para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) § 6º O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído
anos de idade. (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 2013) como tema transversal nos currículos do ensino fundamental.
Art. 31. A educação infantil será organizada de acordo (Incluído pela Lei nº 12.472, de 2011).
com as seguintes regras comuns: (Redação dada pela Lei nº Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte
12.796, de 2013) integrante da formação básica do cidadão e constitui discipli-
I - avaliação mediante acompanhamento e registro do na dos horários normais das escolas públicas de ensino funda-
desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa
mesmo para o acesso ao ensino fundamental; (Incluído pela do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo. (Redação
Lei nº 12.796, de 2013) dada pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997)
II - carga horária mínima anual de 800 (oitocentas) horas, § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedi-
distribuída por um mínimo de 200 (duzentos) dias de trabalho mentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso
educacional; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos
III - atendimento à criança de, no mínimo, 4 (quatro) ho- professores. (Incluído pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997)
ras diárias para o turno parcial e de 7 (sete) horas para a jorna- § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, consti-
da integral; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) tuída pelas diferentes denominações religiosas, para a defini-
IV - controle de frequência pela instituição de educação ção dos conteúdos do ensino religioso. (Incluído pela Lei nº
pré-escolar, exigida a frequência mínima de 60% (sessenta por 9.475, de 22.7.1997)
cento) do total de horas; (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá
V - expedição de documentação que permita atestar os pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula,
processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança. sendo progressivamente ampliado o período de permanência
(Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) na escola.

12
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

§ 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das § 6o A União estabelecerá os padrões de desempenho
formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei. esperados para o ensino médio, que serão referência nos pro-
§ 2º O ensino fundamental será ministrado progressiva- cessos nacionais de avaliação, a partir da Base Nacional Co-
mente em tempo integral, a critério dos sistemas de ensino. mum Curricular. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
§ 7o Os currículos do ensino médio deverão considerar a
Seção IV formação integral do aluno, de maneira a adotar um trabalho
Do Ensino Médio voltado para a construção de seu projeto de vida e para sua
formação nos aspectos físicos, cognitivos e socioemocionais.
Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
com duração mínima de três anos, terá como finalidades: § 8o Os conteúdos, as metodologias e as formas de ava-
I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimen- liação processual e formativa serão organizados nas redes de
tos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o pros- ensino por meio de atividades teóricas e práticas, provas orais
seguimento de estudos; e escritas, seminários, projetos e atividades on-line, de tal for-
II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do ma que ao final do ensino médio o educando demonstre: (In-
educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz cluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupa- I - domínio dos princípios científicos e tecnológicos que
ção ou aperfeiçoamento posteriores; presidem a produção moderna; (Incluído pela Lei nº 13.415,
III - o aprimoramento do educando como pessoa huma- de 2017)
na, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da auto- II - conhecimento das formas contemporâneas de lingua-
nomia intelectual e do pensamento crítico; gem. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnoló- Art. 36. O currículo do ensino médio será composto pela
gicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a Base Nacional Comum Curricular e por itinerários formativos,
prática, no ensino de cada disciplina. que deverão ser organizados por meio da oferta de diferentes
Art. 35-A. A Base Nacional Comum Curricular definirá arranjos curriculares, conforme a relevância para o contexto
direitos e objetivos de aprendizagem do ensino médio, con- local e a possibilidade dos sistemas de ensino, a saber: (Reda-
forme diretrizes do Conselho Nacional de Educação, nas se- ção dada pela Lei nº 13.415, de 2017)
guintes áreas do conhecimento: (Incluído pela Lei nº 13.415, I - linguagens e suas tecnologias; (Redação dada pela Lei
de 2017) nº 13.415, de 2017)
I - linguagens e suas tecnologias; (Incluído pela Lei nº II - matemática e suas tecnologias; (Redação dada pela Lei
13.415, de 2017) nº 13.415, de 2017)
II - matemática e suas tecnologias; (Incluído pela Lei nº III - ciências da natureza e suas tecnologias; (Redação
13.415, de 2017) dada pela Lei nº 13.415, de 2017)
III - ciências da natureza e suas tecnologias; (Incluído pela IV - ciências humanas e sociais aplicadas; (Redação dada
Lei nº 13.415, de 2017) pela Lei nº 13.415, de 2017)
IV - ciências humanas e sociais aplicadas. (Incluído pela V - formação técnica e profissional. (Incluído pela Lei nº
Lei nº 13.415, de 2017) 13.415, de 2017)
§ 1o A parte diversificada dos currículos de que trata § 1o A organização das áreas de que trata o caput e das
o caput do art. 26, definida em cada sistema de ensino, deve- respectivas competências e habilidades será feita de acordo
rá estar harmonizada à Base Nacional Comum Curricular e ser com critérios estabelecidos em cada sistema de ensino. (Re-
articulada a partir do contexto histórico, econômico, social, dação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) 
ambiental e cultural. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) I - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017) 
§ 2o A Base Nacional Comum Curricular referente ao en- II - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.415, de 2017)
sino médio incluirá obrigatoriamente estudos e práticas de III – (revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.684, de
educação física, arte, sociologia e filosofia. (Incluído pela Lei 2008)
nº 13.415, de 2017) § 2º (Revogado pela Lei nº 11.741, de 2008)
§ 3o O ensino da língua portuguesa e da matemática será § 3o A critério dos sistemas de ensino, poderá ser com-
obrigatório nos três anos do ensino médio, assegurada às posto itinerário formativo integrado, que se traduz na compo-
comunidades indígenas, também, a utilização das respectivas sição de componentes curriculares da Base Nacional Comum
línguas maternas. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) Curricular - BNCC e dos itinerários formativos, considerando
§ 4o Os currículos do ensino médio incluirão, obrigatoria- os incisos I a V do caput. (Redação dada pela Lei nº 13.415,
mente, o estudo da língua inglesa e poderão ofertar outras de 2017)
línguas estrangeiras, em caráter optativo, preferencialmente o § 4º (Revogado pela Lei nº 11.741, de 2008)
espanhol, de acordo com a disponibilidade de oferta, locais e § 5o Os sistemas de ensino, mediante disponibilidade
horários definidos pelos sistemas de ensino. (Incluído pela Lei de vagas na rede, possibilitarão ao aluno concluinte do en-
nº 13.415, de 2017) sino médio cursar mais um itinerário formativo de que trata
§ 5o A carga horária destinada ao cumprimento da Base o caput. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
Nacional Comum Curricular não poderá ser superior a mil e § 6o A critério dos sistemas de ensino, a oferta de for-
oitocentas horas do total da carga horária do ensino médio, mação com ênfase técnica e profissional considerará: (In-
de acordo com a definição dos sistemas de ensino. (Incluído cluído pela Lei nº 13.415, de 2017)
pela Lei nº 13.415, de 2017)

13
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

I - a inclusão de vivências práticas de trabalho no setor Seção IV-A


produtivo ou em ambientes de simulação, estabelecendo Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio
parcerias e fazendo uso, quando aplicável, de instrumentos (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
estabelecidos pela legislação sobre aprendizagem profis-
sional; (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)  Art. 36-A. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste
II - a possibilidade de concessão de certificados inter- Capítulo, o ensino médio, atendida a formação geral do edu-
mediários de qualificação para o trabalho, quando a forma- cando, poderá prepará-lo para o exercício de profissões téc-
ção for estruturada e organizada em etapas com terminali- nicas. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
dade. (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)  Parágrafo único. A preparação geral para o trabalho e, fa-
§ 7o A oferta de formações experimentais relacionadas cultativamente, a habilitação profissional poderão ser desen-
ao inciso V do caput, em áreas que não constem do Catá- volvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou
logo Nacional dos Cursos Técnicos, dependerá, para sua em cooperação com instituições especializadas em educação
continuidade, do reconhecimento pelo respectivo Conse- profissional. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
lho Estadual de Educação, no prazo de três anos, e da inser- Art. 36-B. A educação profissional técnica de nível médio
ção no Catálogo Nacional dos Cursos Técnicos, no prazo de será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº
cinco anos, contados da data de oferta inicial da formação. 11.741, de 2008)
(Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017) I - articulada com o ensino médio; (Incluído pela Lei nº
§ 8o A oferta de formação técnica e profissional a que 11.741, de 2008)
se refere o inciso V do caput, realizada na própria insti- II - subsequente, em cursos destinados a quem já tenha
tuição ou em parceria com outras instituições, deverá ser concluído o ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11.741, de
aprovada previamente pelo Conselho Estadual de Educa- 2008)
ção, homologada pelo Secretário Estadual de Educação e Parágrafo único. A educação profissional técnica de nível
certificada pelos sistemas de ensino. (Incluído pela Lei nº médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
13.415, de 2017)  I - os objetivos e definições contidos nas diretrizes cur-
§ 9o As instituições de ensino emitirão certificado com riculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de
validade nacional, que habilitará o concluinte do ensino Educação; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
médio ao prosseguimento dos estudos em nível superior II - as normas complementares dos respectivos sistemas
ou em outros cursos ou formações para os quais a conclu- de ensino; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
são do ensino médio seja etapa obrigatória. (Incluído pela III - as exigências de cada instituição de ensino, nos ter-
Lei nº 13.415, de 2017) mos de seu projeto pedagógico. (Incluído pela Lei nº 11.741,
§ 10. Além das formas de organização previstas no art. de 2008)
23, o ensino médio poderá ser organizado em módulos e Art. 36-C. A educação profissional técnica de nível médio
adotar o sistema de créditos com terminalidade específica. articulada, prevista no inciso I do caput  do art. 36-B desta
(Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)  Lei, será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº 11.741,
§ 11. Para efeito de cumprimento das exigências cur- de 2008)
riculares do ensino médio, os sistemas de ensino poderão I - integrada, oferecida somente a quem já tenha concluí-
reconhecer competências e firmar convênios com institui- do o ensino fundamental, sendo o curso planejado de modo
ções de educação a distância com notório reconhecimento, a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível
mediante as seguintes formas de comprovação: (Incluído médio, na mesma instituição de ensino, efetuando-se matrí-
pela Lei nº 13.415, de 2017) cula única para cada aluno; (Incluído pela Lei nº 11.741, de
I - demonstração prática; (Incluído pela Lei nº 13.415, 2008)
de 2017) II - concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino
II - experiência de trabalho supervisionado ou outra médio ou já o esteja cursando, efetuando-se matrículas dis-
experiência adquirida fora do ambiente escolar; (Incluído tintas para cada curso, e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei
pela Lei nº 13.415, de 2017) nº 11.741, de 2008)
III - atividades de educação técnica oferecidas em ou- a) na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as
tras instituições de ensino credenciadas; (Incluído pela Lei oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº
nº 13.415, de 2017)  11.741, de 2008)
IV - cursos oferecidos por centros ou programas ocu- b) em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as
pacionais; (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)  oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº
V - estudos realizados em instituições de ensino nacio- 11.741, de 2008)
nais ou estrangeiras; (Incluído pela Lei nº 13.415, de 2017)  c) em instituições de ensino distintas, mediante convê-
VI - cursos realizados por meio de educação a distância nios de intercomplementaridade, visando ao planejamento
ou educação presencial mediada por tecnologias. (Incluído e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado. (In-
pela Lei nº 13.415, de 2017)  cluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
§ 12. As escolas deverão orientar os alunos no proces- Art. 36-D. Os diplomas de cursos de educação profissio-
so de escolha das áreas de conhecimento ou de atuação nal técnica de nível médio, quando registrados, terão valida-
profissional previstas no caput. (Incluído pela Lei nº 13.415, de nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na
de 2017) educação superior. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)

14
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

Parágrafo único. Os cursos de educação profissional téc- § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de
nica de nível médio, nas formas articulada concomitante e graduação e pós-graduação organizar-se-ão, no que concerne
subsequente, quando estruturados e organizados em etapas a objetivos, características e duração, de acordo com as diretri-
com terminalidade, possibilitarão a obtenção de certificados zes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacio-
de qualificação para o trabalho após a conclusão, com apro- nal de Educação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
veitamento, de cada etapa que caracterize uma qualificação Art. 40. A educação profissional será desenvolvida em ar-
para o trabalho. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) ticulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias
de educação continuada, em instituições especializadas ou no
Seção V ambiente de trabalho. (Regulamento)(Regulamento) (Regula-
Da Educação de Jovens e Adultos mento)
Art. 41. O conhecimento adquirido na educação profissio-
Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada nal e tecnológica, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de
àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos avaliação, reconhecimento e certificação para prosseguimento
no ensino fundamental e médio na idade própria. ou conclusão de estudos. (Redação dada pela Lei nº 11.741,
§ 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente de 2008)
aos jovens e aos adultos, que não puderam efetuar os estudos Art. 42. As instituições de educação profissional e tecnoló-
na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, gica, além dos seus cursos regulares, oferecerão cursos espe-
consideradas as características do alunado, seus interesses, ciais, abertos à comunidade, condicionada a matrícula à capa-
condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames. cidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de
§ 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a escolaridade. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008)
permanência do trabalhador na escola, mediante ações inte-
gradas e complementares entre si. CAPÍTULO IV
§ 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se, DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
preferencialmente, com a educação profissional, na forma do
regulamento. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
Art. 43. A educação superior tem por finalidade:
Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames su-
I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do es-
pletivos, que compreenderão a base nacional comum do currícu-
pírito científico e do pensamento reflexivo;
lo, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular.
II - formar diplomados nas diferentes áreas de conheci-
§ 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão:
mento, aptos para a inserção em setores profissionais e para
I - no nível de conclusão do ensino fundamental, para os
a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e
maiores de quinze anos;
colaborar na sua formação contínua;
II - no nível de conclusão do ensino médio, para os maio-
res de dezoito anos. III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação cien-
§ 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos tífica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e
educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o
mediante exames. entendimento do homem e do meio em que vive;
IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais,
CAPÍTULO III científicos e técnicos que constituem patrimônio da humani-
DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL dade e comunicar o saber através do ensino, de publicações
Da Educação Profissional e Tecnológica ou de outras formas de comunicação;
(Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cul-
tural e profissional e possibilitar a correspondente concretiza-
Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cum- ção, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos
primento dos objetivos da educação nacional, integra-se aos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento
diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões de cada geração;
do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo
Lei nº 11.741, de 2008) presente, em particular os nacionais e regionais, prestar servi-
§ 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica po- ços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma
derão ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando relação de reciprocidade;
a construção de diferentes itinerários formativos, observadas VII - promover a extensão, aberta à participação da popu-
as normas do respectivo sistema e nível de ensino. (Incluído lação, visando à difusão das conquistas e benefícios resultan-
pela Lei nº 11.741, de 2008) tes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica
§ 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os geradas na instituição.
seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) VIII - atuar em favor da universalização e do aprimora-
I – de formação inicial e continuada ou qualificação pro- mento da educação básica, mediante a formação e a capacita-
fissional; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) ção de profissionais, a realização de pesquisas pedagógicas e
II – de educação profissional técnica de nível médio; o desenvolvimento de atividades de extensão que aproximem
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) os dois níveis escolares. (Incluído pela Lei nº 13.174, de 2015)
III – de educação profissional tecnológica de gradua- Art. 44. A educação superior abrangerá os seguintes
ção e pós-graduação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) cursos e programas: (Regulamento)

15
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

I - cursos sequenciais por campo de saber, de dife- § 4o É facultado ao Ministério da Educação, mediante
rentes níveis de abrangência, abertos a candidatos que procedimento específico e com a aquiescência da insti-
atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de tuição de ensino, com vistas a resguardar o interesse dos
ensino, desde que tenham concluído o ensino médio ou estudantes, comutar as penalidades previstas nos § 1o e §
equivalente; (Redação dada pela Lei nº 11.632, de 2007). 3o em outras medidas, desde que adequadas para a su-
II - de graduação, abertos a candidatos que tenham peração das deficiências e irregularidades constatadas. (In-
concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido cluído pela Medida Provisória nº 785, de 2017)
classificados em processo seletivo; Art. 47. Na educação superior, o ano letivo regular, in-
III - de pós-graduação, compreendendo programas de dependente do ano civil, tem, no mínimo, duzentos dias
mestrado e doutorado, cursos de especialização, aperfei- de trabalho acadêmico efetivo, excluído o tempo reservado
çoamento e outros, abertos a candidatos diplomados em aos exames finais, quando houver.
cursos de graduação e que atendam às exigências das ins- § 1o As instituições informarão aos interessados, antes
tituições de ensino; de cada período letivo, os programas dos cursos e demais
IV - de extensão, abertos a candidatos que atendam componentes curriculares, sua duração, requisitos, qualifi-
aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas institui- cação dos professores, recursos disponíveis e critérios de
ções de ensino. avaliação, obrigando-se a cumprir as respectivas condi-
§ 1º. Os resultados do processo seletivo referido no ções, e a publicação deve ser feita, sendo as 3 (três) primei-
inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos ras formas concomitantemente: (Redação dada pela lei nº
pelas instituições de ensino superior, sendo obrigatória a 13.168, de 2015)
divulgação da relação nominal dos classificados, a respec- I - em página específica na internet no sítio eletrônico
tiva ordem de classificação, bem como do cronograma das oficial da instituição de ensino superior, obedecido o se-
chamadas para matrícula, de acordo com os critérios para guinte: (Incluído pela lei nº 13.168, de 2015)
preenchimento das vagas constantes do respectivo edital. a) toda publicação a que se refere esta Lei deve ter
(Incluído pela Lei nº 11.331, de 2006) (Renumerado do pa- como título “Grade e Corpo Docente”; (Incluída pela lei nº
rágrafo único para § 1º pela Lei nº 13.184, de 2015)
13.168, de 2015)
§ 2º No caso de empate no processo seletivo, as ins-
b) a página principal da instituição de ensino superior,
tituições públicas de ensino superior darão prioridade de
bem como a página da oferta de seus cursos aos ingres-
matrícula ao candidato que comprove ter renda familiar
santes sob a forma de vestibulares, processo seletivo e ou-
inferior a dez salários mínimos, ou ao de menor renda fa-
tras com a mesma finalidade, deve conter a ligação desta
miliar, quando mais de um candidato preencher o critério
com a página específica prevista neste inciso; (Incluída pela
inicial. (Incluído pela Lei nº 13.184, de 2015)
lei nº 13.168, de 2015)
§ 3o O processo seletivo referido no inciso II conside-
rará as competências e as habilidades definidas na Base c) caso a instituição de ensino superior não possua sí-
Nacional Comum Curricular. (Incluído pela lei nº 13.415, de tio eletrônico, deve criar página específica para divulgação
2017) das informações de que trata esta Lei; (Incluída pela lei nº
Art. 45. A educação superior será ministrada em insti- 13.168, de 2015)
tuições de ensino superior, públicas ou privadas, com varia- d) a página específica deve conter a data completa de
dos graus de abrangência ou especialização. (Regulamen- sua última atualização; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015)
to) (Regulamento) II - em toda propaganda eletrônica da instituição de
Art. 46. A autorização e o reconhecimento de cursos, ensino superior, por meio de ligação para a página referida
bem como o credenciamento de instituições de educação no inciso I; (Incluído pela lei nº 13.168, de 2015)
superior, terão prazos limitados, sendo renovados, periodi- III - em local visível da instituição de ensino superior e
camente, após processo regular de avaliação. (Regulamen- de fácil acesso ao público; (Incluído pela lei nº 13.168, de
to) (Regulamento) (Vide Lei nº 10.870, de 2004) 2015)
§ 1º Após um prazo para saneamento de deficiências IV - deve ser atualizada semestralmente ou anualmen-
eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere te, de acordo com a duração das disciplinas de cada cur-
este artigo, haverá reavaliação, que poderá resultar, con- so oferecido, observando o seguinte: (Incluído pela lei nº
forme o caso, em desativação de cursos e habilitações, em 13.168, de 2015)
intervenção na instituição, em suspensão temporária de a) caso o curso mantenha disciplinas com duração di-
prerrogativas da autonomia, ou em descredenciamento. ferenciada, a publicação deve ser semestral; (Incluída pela
(Regulamento) (Regulamento) (Vide Lei nº 10.870, de 2004) lei nº 13.168, de 2015)
§ 2º No caso de instituição pública, o Poder Executivo b) a publicação deve ser feita até 1 (um) mês antes do
responsável por sua manutenção acompanhará o processo início das aulas; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015)
de saneamento e fornecerá recursos adicionais, se necessá- c) caso haja mudança na grade do curso ou no corpo
rios, para a superação das deficiências. docente até o início das aulas, os alunos devem ser comu-
§ 3o No caso de instituição privada, além das sanções nicados sobre as alterações; (Incluída pela lei nº 13.168, de
previstas no § 1o, o processo de reavaliação poderá resultar 2015)
também em redução de vagas autorizadas, suspensão tem- V - deve conter as seguintes informações: (Incluído
porária de novos ingressos e de oferta de cursos. (Incluído pela lei nº 13.168, de 2015)
pela Medida Provisória nº 785, de 2017)

16
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

a) a lista de todos os cursos oferecidos pela instituição Art. 52. As universidades são instituições pluridisciplinares
de ensino superior; (Incluída pela lei nº 13.168, de 2015) de formação dos quadros profissionais de nível superior, de
b) a lista das disciplinas que compõem a grade curricu- pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber huma-
lar de cada curso e as respectivas cargas horárias; (Incluída no, que se caracterizam por: (Regulamento) (Regulamento)
pela lei nº 13.168, de 2015) I - produção intelectual institucionalizada mediante o
c) a identificação dos docentes que ministrarão as au- estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes,
las em cada curso, as disciplinas que efetivamente minis- tanto do ponto de vista científico e cultural, quanto regional
trará naquele curso ou cursos, sua titulação, abrangendo a e nacional;
qualificação profissional do docente e o tempo de casa do II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titula-
docente, de forma total, contínua ou intermitente. (Incluída ção acadêmica de mestrado ou doutorado;
pela lei nº 13.168, de 2015) III - um terço do corpo docente em regime de tempo in-
§ 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveita- tegral.
mento nos estudos, demonstrado por meio de provas e Parágrafo único. É facultada a criação de universidades
outros instrumentos de avaliação específicos, aplicados especializadas por campo do saber. (Regulamento) (Regula-
por banca examinadora especial, poderão ter abreviada a mento)
duração dos seus cursos, de acordo com as normas dos Art. 53. No exercício de sua autonomia, são asseguradas
sistemas de ensino. às universidades, sem prejuízo de outras, as seguintes atribui-
§ 3º É obrigatória a frequência de alunos e professores, ções:
salvo nos programas de educação a distância. I - criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e pro-
§ 4º As instituições de educação superior oferecerão, gramas de educação superior previstos nesta Lei, obedecen-
no período noturno, cursos de graduação nos mesmos do às normas gerais da União e, quando for o caso, do respec-
padrões de qualidade mantidos no período diurno, sendo tivo sistema de ensino; (Regulamento)
obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas, ga- II - fixar os currículos dos seus cursos e programas, obser-
rantida a necessária previsão orçamentária. vadas as diretrizes gerais pertinentes;
Art. 48. Os diplomas de cursos superiores reconhe- III - estabelecer planos, programas e projetos de pesquisa
cidos, quando registrados, terão validade nacional como científica, produção artística e atividades de extensão;
prova da formação recebida por seu titular. IV - fixar o número de vagas de acordo com a capacidade
§ 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão institucional e as exigências do seu meio;
por elas próprias registrados, e aqueles conferidos por ins- V - elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em
tituições não-universitárias serão registrados em universi- consonância com as normas gerais atinentes;
dades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação. VI - conferir graus, diplomas e outros títulos;
§ 2º Os diplomas de graduação expedidos por univer- VII - firmar contratos, acordos e convênios;
sidades estrangeiras serão revalidados por universidades VIII - aprovar e executar planos, programas e projetos de
públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou equi- investimentos referentes a obras, serviços e aquisições em
valente, respeitando-se os acordos internacionais de reci- geral, bem como administrar rendimentos conforme dispo-
procidade ou equiparação. sitivos institucionais;
§ 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expe- IX - administrar os rendimentos e deles dispor na forma
didos por universidades estrangeiras só poderão ser reco- prevista no ato de constituição, nas leis e nos respectivos es-
nhecidos por universidades que possuam cursos de pós- tatutos;
graduação reconhecidos e avaliados, na mesma área de X - receber subvenções, doações, heranças, legados e
conhecimento e em nível equivalente ou superior. cooperação financeira resultante de convênios com entidades
Art. 49. As instituições de educação superior aceitarão públicas e privadas.
a transferência de alunos regulares, para cursos afins, na Parágrafo único. Para garantir a autonomia didático-cien-
hipótese de existência de vagas, e mediante processo se- tífica das universidades, caberá aos seus colegiados de ensino
letivo. e pesquisa decidir, dentro dos recursos orçamentários dispo-
Parágrafo único. As transferências ex officio dar-se-ão níveis, sobre:
na forma da lei. (Regulamento) I - criação, expansão, modificação e extinção de cursos;
Art. 50. As instituições de educação superior, quando II - ampliação e diminuição de vagas;
da ocorrência de vagas, abrirão matrícula nas disciplinas III - elaboração da programação dos cursos;
de seus cursos a alunos não regulares que demonstrarem IV - programação das pesquisas e das atividades de ex-
capacidade de cursá-las com proveito, mediante processo tensão;
seletivo prévio. V - contratação e dispensa de professores;
Art. 51. As instituições de educação superior creden- VI - planos de carreira docente.
ciadas como universidades, ao deliberar sobre critérios e Art. 54. As universidades mantidas pelo Poder Público
normas de seleção e admissão de estudantes, levarão em gozarão, na forma da lei, de estatuto jurídico especial para
conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do en- atender às peculiaridades de sua estrutura, organização e
sino médio, articulando-se com os órgãos normativos dos financiamento pelo Poder Público, assim como dos seus
sistemas de ensino. planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. (Re-
gulamento) (Regulamento)

17
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

§ 1º No exercício da sua autonomia, além das atribui- § 3º A oferta de educação especial, dever constitucio-
ções asseguradas pelo artigo anterior, as universidades pú- nal do Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos,
blicas poderão: durante a educação infantil.
I - propor o seu quadro de pessoal docente, técnico e Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos edu-
administrativo, assim como um plano de cargos e salários, candos com deficiência, transtornos globais do desenvolvi-
atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos dis- mento e altas habilidades ou superdotação: (Redação dada
poníveis; pela Lei nº 12.796, de 2013)
II - elaborar o regulamento de seu pessoal em confor- I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e
midade com as normas gerais concernentes; organização específicos, para atender às suas necessida-
III - aprovar e executar planos, programas e projetos de des;
investimentos referentes a obras, serviços e aquisições em II - terminalidade específica para aqueles que não pu-
geral, de acordo com os recursos alocados pelo respectivo derem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino
Poder mantenedor; fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração
IV - elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais; para concluir em menor tempo o programa escolar para os
V - adotar regime financeiro e contábil que atenda às superdotados;
suas peculiaridades de organização e funcionamento; III - professores com especialização adequada em nível
VI - realizar operações de crédito ou de financiamento, médio ou superior, para atendimento especializado, bem
com aprovação do Poder competente, para aquisição de como professores do ensino regular capacitados para a in-
bens imóveis, instalações e equipamentos; tegração desses educandos nas classes comuns;
VII - efetuar transferências, quitações e tomar outras IV - educação especial para o trabalho, visando a sua
providências de ordem orçamentária, financeira e patrimo- efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condi-
nial necessárias ao seu bom desempenho. ções adequadas para os que não revelarem capacidade
§ 2º Atribuições de autonomia universitária poderão de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação
ser estendidas a instituições que comprovem alta qualifica- com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que
ção para o ensino ou para a pesquisa, com base em avalia-
apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, in-
ção realizada pelo Poder Público.
telectual ou psicomotora;
Art. 55. Caberá à União assegurar, anualmente, em seu
V - acesso igualitário aos benefícios dos programas so-
Orçamento Geral, recursos suficientes para manutenção e
ciais suplementares disponíveis para o respectivo nível do
desenvolvimento das instituições de educação superior por
ensino regular.
ela mantidas.
Art. 59-A.  O poder público deverá instituir cadastro
Art. 56. As instituições públicas de educação superior
nacional de alunos com altas habilidades ou superdotação
obedecerão ao princípio da gestão democrática, assegura-
da a existência de órgãos colegiados deliberativos, de que matriculados na educação básica e na educação superior, a
participarão os segmentos da comunidade institucional, fim de fomentar a execução de políticas públicas destina-
local e regional. das ao desenvolvimento pleno das potencialidades desse
Parágrafo único. Em qualquer caso, os docentes ocupa- alunado. (Incluído pela Lei nº 13.234, de 2015)
rão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegia- Parágrafo único. A identificação precoce de alunos com
do e comissão, inclusive nos que tratarem da elaboração altas habilidades ou superdotação, os critérios e procedi-
e modificações estatutárias e regimentais, bem como da mentos para inclusão no cadastro referido no caput deste
escolha de dirigentes. artigo, as entidades responsáveis pelo cadastramento, os
Art. 57. Nas instituições públicas de educação superior, mecanismos de acesso aos dados do cadastro e as políti-
o professor ficará obrigado ao mínimo de oito horas sema- cas de desenvolvimento das potencialidades do alunado
nais de aulas. (Regulamento) de que trata o caput serão definidos em regulamento.
Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino
CAPÍTULO V estabelecerão critérios de caracterização das instituições
DA EDUCAÇÃO ESPECIAL privadas sem fins lucrativos, especializadas e com atuação
exclusiva em educação especial, para fins de apoio técnico
Art. 58. Entende-se por educação especial, para os e financeiro pelo Poder Público.
efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar ofe- Parágrafo único. O poder público adotará, como alter-
recida preferencialmente na rede regular de ensino, para nativa preferencial, a ampliação do atendimento aos edu-
educandos com deficiência, transtornos globais do desen- candos com deficiência, transtornos globais do desenvolvi-
volvimento e altas habilidades ou superdotação. (Redação mento e altas habilidades ou superdotação na própria rede
dada pela Lei nº 12.796, de 2013) pública regular de ensino, independentemente do apoio às
§ 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio es- instituições previstas neste artigo. (Redação dada pela Lei
pecializado, na escola regular, para atender às peculiarida- nº 12.796, de 2013)
des da clientela de educação especial.
§ 2º O atendimento educacional será feito em classes,
escolas ou serviços especializados, sempre que, em função
das condições específicas dos alunos, não for possível a sua
integração nas classes comuns de ensino regular.

18
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

TÍTULO VI § 3º A formação inicial de profissionais de magistério


Dos Profissionais da Educação dará preferência ao ensino presencial, subsidiariamente fa-
zendo uso de recursos e tecnologias de educação a distân-
Art. 61. Consideram-se profissionais da educação esco- cia. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009).
lar básica os que, nela estando em efetivo exercício e ten- § 4o A União, o Distrito Federal, os Estados e os Mu-
do sido formados em cursos reconhecidos, são: (Redação nicípios adotarão mecanismos facilitadores de acesso e
dada pela Lei nº 12.014, de 2009) permanência em cursos de formação de docentes em nível
I – professores habilitados em nível médio ou superior superior para atuar na educação básica pública. (Incluído
para a docência na educação infantil e nos ensinos funda- pela Lei nº 12.796, de 2013)
mental e médio; (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009) § 5o A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municí-
II – trabalhadores em educação portadores de diploma pios incentivarão a formação de profissionais do magistério
de pedagogia, com habilitação em administração, plane- para atuar na educação básica pública mediante programa
jamento, supervisão, inspeção e orientação educacional, institucional de bolsa de iniciação à docência a estudantes
bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas matriculados em cursos de licenciatura, de graduação ple-
mesmas áreas; (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009) na, nas instituições de educação superior. (Incluído pela Lei
III – trabalhadores em educação, portadores de diplo- nº 12.796, de 2013)
ma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou § 6o O Ministério da Educação poderá estabelecer
afim. (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) nota mínima em exame nacional aplicado aos concluintes
IV - profissionais com notório saber reconhecido pelos do ensino médio como pré-requisito para o ingresso em
respectivos sistemas de ensino, para ministrar conteúdos cursos de graduação para formação de docentes, ouvido
de áreas afins à sua formação ou experiência profissional, o Conselho Nacional de Educação - CNE. (Incluído pela Lei
atestados por titulação específica ou prática de ensino em nº 12.796, de 2013)
unidades educacionais da rede pública ou privada ou das § 7o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
corporações privadas em que tenham atuado, exclusiva- § 8o Os currículos dos cursos de formação de docen-
mente para atender ao inciso V do caput do art. 36; (Incluí- tes terão por referência a Base Nacional Comum Curricular.
do pela lei nº 13.415, de 2017) (Incluído pela lei nº 13.415, de 2017) (Vide Lei nº 13.415,
V - profissionais graduados que tenham feito comple- de 2017)
mentação pedagógica, conforme disposto pelo Conselho Art. 62-A. A formação dos profissionais a que se re-
Nacional de Educação. (Incluído pela lei nº 13.415, de 2017) fere o inciso III do art. 61 far-se-á por meio de cursos de
Parágrafo único. A formação dos profissionais da edu- conteúdo técnico-pedagógico, em nível médio ou superior,
cação, de modo a atender às especificidades do exercício incluindo habilitações tecnológicas. (Incluído pela Lei nº
de suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes 12.796, de 2013)
etapas e modalidades da educação básica, terá como fun- Parágrafo único. Garantir-se-á formação continuada
damentos: (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) para os profissionais a que se refere o  caput, no local de
I – a presença de sólida formação básica, que propicie trabalho ou em instituições de educação básica e superior,
o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de incluindo cursos de educação profissional, cursos superio-
suas competências de trabalho; (Incluído pela Lei nº 12.014, res de graduação plena ou tecnológicos e de pós-gradua-
de 2009) ção. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
II – a associação entre teorias e práticas, mediante es- Art. 62-B. O acesso de professores das redes públicas
tágios supervisionados e capacitação em serviço; (Incluído de educação básica a cursos superiores de pedagogia e
pela Lei nº 12.014, de 2009) licenciatura será efetivado por meio de processo seletivo
III – o aproveitamento da formação e experiências an- diferenciado. (Incluído pela Lei nº 13.478, de 2017)
teriores, em instituições de ensino e em outras atividades. § 1º Terão direito de pleitear o acesso previsto
(Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) no  caput  deste artigo os professores das redes públicas
Art. 62. A formação de docentes para atuar na educa- municipais, estaduais e federal que ingressaram por con-
ção básica far-se-á em nível superior, em curso de licen- curso público, tenham pelo menos três anos de exercício
ciatura plena, admitida, como formação mínima para o da profissão e não sejam portadores de diploma de gra-
exercício do magistério na educação infantil e nos cinco duação. (Incluído pela Lei nº 13.478, de 2017)
primeiros anos do ensino fundamental, a oferecida em ní- § 2o As instituições de ensino responsáveis pela ofer-
vel médio, na modalidade normal. (Redação dada pela lei ta de cursos de pedagogia e outras licenciaturas definirão
nº 13.415, de 2017) critérios adicionais de seleção sempre que acorrerem aos
§ 1º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Mu- certames interessados em número superior ao de vagas
nicípios, em regime de colaboração, deverão promover a disponíveis para os respectivos cursos. (Incluído pela Lei nº
formação inicial, a continuada e a capacitação dos profis- 13.478, de 2017)
sionais de magistério. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009). § 3o Sem prejuízo dos concursos seletivos a serem de-
§ 2º A formação continuada e a capacitação dos pro- finidos em regulamento pelas universidades, terão priori-
fissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecno- dade de ingresso os professores que optarem por cursos
logias de educação a distância. (Incluído pela Lei nº 12.056, de licenciatura em matemática, física, química, biologia e
de 2009). língua portuguesa. (Incluído pela Lei nº 13.478, de 2017)

19
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

Art. 63. Os institutos superiores de educação manterão: TÍTULO VII


(Regulamento) Dos Recursos financeiros
I - cursos formadores de profissionais para a educa-
ção básica, inclusive o curso normal superior, destinado à Art. 68. Serão recursos públicos destinados à educação
formação de docentes para a educação infantil e para as os originários de:
primeiras séries do ensino fundamental; I - receita de impostos próprios da União, dos Estados, do
II - programas de formação pedagógica para porta- Distrito Federal e dos Municípios;
dores de diplomas de educação superior que queiram se II - receita de transferências constitucionais e outras
dedicar à educação básica; transferências;
III - programas de educação continuada para os profis- III - receita do salário-educação e de outras contribui-
sionais de educação dos diversos níveis. ções sociais;
Art. 64. A formação de profissionais de educação para IV - receita de incentivos fiscais;
administração, planejamento, inspeção, supervisão e orien- V - outros recursos previstos em lei.
tação educacional para a educação básica, será feita em Art. 69. A União aplicará, anualmente, nunca menos de
cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós- dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, vinte
graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, e cinco por cento, ou o que consta nas respectivas Consti-
nesta formação, a base comum nacional. tuições ou Leis Orgânicas, da receita resultante de impostos,
Art. 65. A formação docente, exceto para a educação compreendidas as transferências constitucionais, na manu-
superior, incluirá prática de ensino de, no mínimo, trezentas tenção e desenvolvimento do ensino público.
horas. § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela
Art. 66. A preparação para o exercício do magistério União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Es-
superior far-se-á em nível de pós-graduação, prioritaria- tados aos respectivos Municípios, não será considerada, para efeito
mente em programas de mestrado e doutorado. do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir.
Parágrafo único. O notório saber, reconhecido por uni- § 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impos-
tos mencionadas neste artigo as operações de crédito por an-
versidade com curso de doutorado em área afim, poderá
tecipação de receita orçamentária de impostos.
suprir a exigência de título acadêmico.
§ 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos
Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valoriza-
mínimos estatuídos neste artigo, será considerada a receita
ção dos profissionais da educação, assegurando-lhes, in-
estimada na lei do orçamento anual, ajustada, quando for o
clusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira
caso, por lei que autorizar a abertura de créditos adicionais,
do magistério público:
com base no eventual excesso de arrecadação.
I - ingresso exclusivamente por concurso público de
§ 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e
provas e títulos; as efetivamente realizadas, que resultem no não atendimento
II - aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive dos percentuais mínimos obrigatórios, serão apuradas e cor-
com licenciamento periódico remunerado para esse fim; rigidas a cada trimestre do exercício financeiro.
III - piso salarial profissional; § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa
IV - progressão funcional baseada na titulação ou habi- da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
litação, e na avaliação do desempenho; ocorrerá imediatamente ao órgão responsável pela educação,
V - período reservado a estudos, planejamento e ava- observados os seguintes prazos:
liação, incluído na carga de trabalho; I - recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de
VI - condições adequadas de trabalho. cada mês, até o vigésimo dia;
§ 1o A experiência docente é pré-requisito para o exer- II - recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo
cício profissional de quaisquer outras funções de magis- dia de cada mês, até o trigésimo dia;
tério, nos termos das normas de cada sistema de ensino. III - recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao fi-
(Renumerado pela Lei nº 11.301, de 2006) nal de cada mês, até o décimo dia do mês subsequente.
§ 2o Para os efeitos do disposto no § 5º do art. 40 e § 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção
no  § 8o do art. 201 da Constituição Federal, são conside- monetária e à responsabilização civil e criminal das autorida-
radas funções de magistério as exercidas por professores des competentes.
e especialistas em educação no desempenho de ativida- Art. 70. Considerar-se-ão como de manutenção e de-
des educativas, quando exercidas em estabelecimento de senvolvimento do ensino as despesas realizadas com vistas à
educação básica em seus diversos níveis e modalidades, consecução dos objetivos básicos das instituições educacio-
incluídas, além do exercício da docência, as de direção de nais de todos os níveis, compreendendo as que se destinam a:
unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pe- I - remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e
dagógico. (Incluído pela Lei nº 11.301, de 2006) demais profissionais da educação;
§ 3o A União prestará assistência técnica aos Estados, II - aquisição, manutenção, construção e conservação de
ao Distrito Federal e aos Municípios na elaboração de con- instalações e equipamentos necessários ao ensino;
cursos públicos para provimento de cargos dos profissio- III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino;
nais da educação. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013) IV - levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas vi-
sando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à
expansão do ensino;

20
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

V - realização de atividades-meio necessárias ao funcio- § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exer-
namento dos sistemas de ensino; cida em favor do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios
VI - concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas se estes oferecerem vagas, na área de ensino de sua responsa-
públicas e privadas; bilidade, conforme o inciso VI do art. 10 e o inciso V do art. 11
VII - amortização e custeio de operações de crédito desti- desta Lei, em número inferior à sua capacidade de atendimento.
nadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo; Art. 76. A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo
VIII - aquisição de material didático-escolar e manuten- anterior ficará condicionada ao efetivo cumprimento pelos Es-
ção de programas de transporte escolar. tados, Distrito Federal e Municípios do disposto nesta Lei, sem
Art. 71. Não constituirão despesas de manutenção e de- prejuízo de outras prescrições legais.
senvolvimento do ensino aquelas realizadas com: Art. 77. Os recursos públicos serão destinados às escolas
I - pesquisa, quando não vinculada às instituições de en- públicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, con-
sino, ou, quando efetivada fora dos sistemas de ensino, que fessionais ou filantrópicas que:
não vise, precipuamente, ao aprimoramento de sua qualidade I - comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam
ou à sua expansão; resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcela
II - subvenção a instituições públicas ou privadas de cará- de seu patrimônio sob nenhuma forma ou pretexto;
ter assistencial, desportivo ou cultural; II - apliquem seus excedentes financeiros em educação;
III - formação de quadros especiais para a administração III - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra
pública, sejam militares ou civis, inclusive diplomáticos; escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder
IV - programas suplementares de alimentação, assistên- Público, no caso de encerramento de suas atividades;
cia médico-odontológica, farmacêutica e psicológica, e outras IV - prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos.
formas de assistência social; § 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser des-
V - obras de infraestrutura, ainda que realizadas para be- tinados a bolsas de estudo para a educação básica, na forma
neficiar direta ou indiretamente a rede escolar; da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos,
VI - pessoal docente e demais trabalhadores da educa- quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pú-
ção, quando em desvio de função ou em atividade alheia à blica de domicílio do educando, ficando o Poder Público obri-
manutenção e desenvolvimento do ensino. gado a investir prioritariamente na expansão da sua rede local.
Art. 72. As receitas e despesas com manutenção e desen- § 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão
volvimento do ensino serão apuradas e publicadas nos ba- poderão receber apoio financeiro do Poder Público, inclusive
lanços do Poder Público, assim como nos relatórios a que se mediante bolsas de estudo.
refere o § 3º do art. 165 da Constituição Federal.
Art. 73. Os órgãos fiscalizadores examinarão, prioritaria- TÍTULO VIII
mente, na prestação de contas de recursos públicos, o cum- Das Disposições Gerais
primento do disposto no art. 212 da Constituição Federal,
no art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitó- Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração
rias e na legislação concernente. das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos
Art. 74. A União, em colaboração com os Estados, o Dis- índios, desenvolverá programas integrados de ensino e pes-
trito Federal e os Municípios, estabelecerá padrão mínimo de quisa, para oferta de educação escolar bilíngue e intercultural
oportunidades educacionais para o ensino fundamental, ba- aos povos indígenas, com os seguintes objetivos:
seado no cálculo do custo mínimo por aluno, capaz de asse- I - proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a
gurar ensino de qualidade. recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação de suas
Parágrafo único. O custo mínimo de que trata este artigo identidades étnicas; a valorização de suas línguas e ciências;
será calculado pela União ao final de cada ano, com validade II - garantir aos índios, suas comunidades e povos, o aces-
para o ano subsequente, considerando variações regionais no so às informações, conhecimentos técnicos e científicos da so-
custo dos insumos e as diversas modalidades de ensino. ciedade nacional e demais sociedades indígenas e não-índias.
Art. 75. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados Art. 79. A União apoiará técnica e financeiramente os sis-
será exercida de modo a corrigir, progressivamente, as disparidades temas de ensino no provimento da educação intercultural às
de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino. comunidades indígenas, desenvolvendo programas integra-
§ 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fór- dos de ensino e pesquisa.
mula de domínio público que inclua a capacidade de atendi- § 1º Os programas serão planejados com audiência das
mento e a medida do esforço fiscal do respectivo Estado, do comunidades indígenas.
Distrito Federal ou do Município em favor da manutenção e § 2º Os programas a que se refere este artigo, incluídos nos
do desenvolvimento do ensino. Planos Nacionais de Educação, terão os seguintes objetivos:
§ 2º A capacidade de atendimento de cada governo será I - fortalecer as práticas socioculturais e a língua materna
definida pela razão entre os recursos de uso constitucionalmen- de cada comunidade indígena;
te obrigatório na manutenção e desenvolvimento do ensino e o II - manter programas de formação de pessoal especializa-
custo anual do aluno, relativo ao padrão mínimo de qualidade. do, destinado à educação escolar nas comunidades indígenas;
§ 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º, III - desenvolver currículos e programas específicos, neles
a União poderá fazer a transferência direta de recursos a cada incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respecti-
estabelecimento de ensino, considerado o número de alunos vas comunidades;
que efetivamente frequentam a escola.

21
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

IV - elaborar e publicar sistematicamente material didático Art. 86. As instituições de educação superior constituídas
específico e diferenciado. como universidades integrar-se-ão, também, na sua condição
§ 3o No que se refere à educação superior, sem prejuízo de de instituições de pesquisa, ao Sistema Nacional de Ciência e
outras ações, o atendimento aos povos indígenas efetivar-se Tecnologia, nos termos da legislação específica.
-á, nas universidades públicas e privadas, mediante a oferta de
ensino e de assistência estudantil, assim como de estímulo à TÍTULO IX
pesquisa e desenvolvimento de programas especiais. (Incluído Das Disposições Transitórias
pela Lei nº 12.416, de 2011)
Art. 79-A. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.639, de  Art. 87. É instituída a Década da Educação, a iniciar-se um
9.1.2003) ano a partir da publicação desta Lei.
Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novem- § 1º A União, no prazo de um ano a partir da publicação
bro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’. (Incluído pela desta Lei, encaminhará, ao Congresso Nacional, o Plano Na-
Lei nº 10.639, de 9.1.2003) cional de Educação, com diretrizes e metas para os dez anos
Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e seguintes, em sintonia com a Declaração Mundial sobre Edu-
a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os cação para Todos.
níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada. § 2º (Revogado). (Redação dada pela lei nº 12.796, de 2013)
(Regulamento) (Regulamento) § 3o O Distrito Federal, cada Estado e Município, e, suple-
§ 1º A educação a distância, organizada com abertura e tivamente, a União, devem: (Redação dada pela Lei nº 11.330,
regime especiais, será oferecida por instituições especifica- de 2006)
mente credenciadas pela União. I - (revogado); (Redação dada pela lei nº 12.796, de 2013)
§ 2º A União regulamentará os requisitos para a realização a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006)
de exames e registro de diploma relativos a cursos de educa- b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006)
ção a distância. c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006)
§ 3º As normas para produção, controle e avaliação de II - prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e
programas de educação a distância e a autorização para sua
adultos insuficientemente escolarizados;
implementação, caberão aos respectivos sistemas de ensino,
III - realizar programas de capacitação para todos os pro-
podendo haver cooperação e integração entre os diferentes
fessores em exercício, utilizando também, para isto, os recur-
sistemas. (Regulamento)
sos da educação a distância;
§ 4º A educação a distância gozará de tratamento diferen-
IV - integrar todos os estabelecimentos de ensino funda-
ciado, que incluirá:
mental do seu território ao sistema nacional de avaliação do
I - custos de transmissão reduzidos em canais comer-
ciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens e em outros rendimento escolar.
meios de comunicação que sejam explorados mediante auto- § 4º (Revogado). (Redação dada pela lei nº 12.796, de
rização, concessão ou permissão do poder público; (Redação 2013)
dada pela Lei nº 12.603, de 2012) § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a
II - concessão de canais com finalidades exclusivamente progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino
educativas; fundamental para o regime de escolas de tempo integral.
III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Pú- § 6º A assistência financeira da União aos Estados, ao Dis-
blico, pelos concessionários de canais comerciais. trito Federal e aos Municípios, bem como a dos Estados aos
Art. 81. É permitida a organização de cursos ou institui- seus Municípios, ficam condicionadas ao cumprimento do art.
ções de ensino experimentais, desde que obedecidas as dis- 212 da Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes
posições desta Lei. pelos governos beneficiados.
Art. 82. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de Art. 87-A. (VETADO). (Incluído pela lei nº 12.796, de 2013)
realização de estágio em sua jurisdição, observada a lei federal Art. 88. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Mu-
sobre a matéria. (Redação dada pela Lei nº 11.788, de 2008) nicípios adaptarão sua legislação educacional e de ensino às
 Parágrafo único. (Revogado). (Redação dada pela Lei nº disposições desta Lei no prazo máximo de um ano, a partir da
11.788, de 2008) data de sua publicação. (Regulamento) (Regulamento)
Art. 83. O ensino militar é regulado em lei específica, ad- § 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos
mitida a equivalência de estudos, de acordo com as normas e regimentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respec-
fixadas pelos sistemas de ensino. tivos sistemas de ensino, nos prazos por estes estabelecidos.
Art. 84. Os discentes da educação superior poderão ser § 2º O prazo para que as universidades cumpram o dis-
aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa pelas respec- posto nos incisos II e III do art. 52 é de oito anos.
tivas instituições, exercendo funções de monitoria, de acordo Art. 89. As creches e pré-escolas existentes ou que venham
com seu rendimento e seu plano de estudos. a ser criadas deverão, no prazo de três anos, a contar da pu-
Art. 85. Qualquer cidadão habilitado com a titulação pró- blicação desta Lei, integrar-se ao respectivo sistema de ensino.
pria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e Art. 90. As questões suscitadas na transição entre o regime
títulos para cargo de docente de instituição pública de ensi- anterior e o que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Con-
no que estiver sendo ocupado por professor não concursado, selho Nacional de Educação ou, mediante delegação deste,
por mais de seis anos, ressalvados os direitos assegurados pe- pelos órgãos normativos dos sistemas de ensino, preservada a
los arts. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposi- autonomia universitária.
ções Constitucionais Transitórias. Art. 91. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

22
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

Art. 92. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4.024, de Parágrafo único.  O poder público buscará ampliar o es-
20 de dezembro de 1961, e 5.540, de 28 de novembro de copo das pesquisas com fins estatísticos de forma a incluir
1968, não alteradas pelas Leis nºs 9.131, de 24 de novembro informação detalhada sobre o perfil das populações de 4
de 1995 e 9.192, de 21 de dezembro de 1995 e, ainda, as Leis (quatro) a 17 (dezessete) anos com deficiência.
nºs 5.692, de 11 de agosto de 1971 e 7.044, de 18 de outubro Art. 5o  A execução do PNE e o cumprimento de suas me-
de 1982, e as demais leis e decretos-lei que as modificaram e tas serão objeto de monitoramento contínuo e de avaliações
quaisquer outras disposições em contrário. periódicas, realizados pelas seguintes instâncias:
Brasília, 20 de dezembro de 1996; 175º da Independência I - Ministério da Educação - MEC;
e 108º da República. II - Comissão de Educação da Câmara dos Deputados e
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal;
Paulo Renato Souza III - Conselho Nacional de Educação - CNE;
Este texto não substitui o publicado no DOU de 23.12.1996 IV - Fórum Nacional de Educação.
§ 1o  Compete, ainda, às instâncias referidas no caput:
I - divulgar os resultados do monitoramento e das avalia-
ções nos respectivos sítios institucionais da internet;
LEI Nº 13.005, DE 25 DE JUNHO DE 2014 II - analisar e propor políticas públicas para assegurar a
(PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO - PNE). implementação das estratégias e o cumprimento das metas;
III - analisar e propor a revisão do percentual de investi-
mento público em educação.
§ 2o  A cada 2 (dois) anos, ao longo do período de vigência
LEI Nº 13.005, DE 25 DE JUNHO DE 2014. deste PNE, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Edu-
cacionais Anísio Teixeira - INEP publicará estudos para aferir a
Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras evolução  no cumprimento das metas estabelecidas no Anexo
providências. desta Lei, com informações organizadas por ente federado e
consolidadas em âmbito nacional, tendo como referência os
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Con- estudos e as pesquisas de que trata o art. 4o, sem prejuízo de
gresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: outras fontes e informações relevantes.
Art. 1o  É aprovado o Plano Nacional de Educação - PNE, § 3o  A meta progressiva do investimento público em
com vigência por 10 (dez) anos, a contar da publicação desta educação será avaliada no quarto ano de vigência do PNE e
Lei, na forma do Anexo, com vistas ao cumprimento do dis- poderá ser ampliada por meio de lei para atender às necessi-
posto no art. 214 da Constituição Federal. dades financeiras do cumprimento das demais metas.
Art. 2o  São diretrizes do PNE: § 4o  O investimento público em educação a que se refe-
I - erradicação do analfabetismo; rem o inciso VI do art. 214 da Constituição Federal e a meta
II - universalização do atendimento escolar; 20 do Anexo desta Lei engloba os recursos aplicados na forma
III - superação das desigualdades educacionais, com ên- do art. 212 da Constituição Federal e do art. 60 do Ato das
fase na promoção da cidadania e na erradicação de todas as Disposições Constitucionais Transitórias, bem como os recur-
formas de discriminação; sos aplicados nos programas de expansão da educação pro-
IV - melhoria da qualidade da educação; fissional e superior, inclusive na forma de incentivo e isenção
V - formação para o trabalho e para a cidadania, com fiscal, as bolsas de estudos concedidas no Brasil e no exterior,
ênfase nos valores morais e éticos em que se fundamenta a os subsídios concedidos em programas de financiamento es-
sociedade; tudantil e o financiamento de creches, pré-escolas e de edu-
VI - promoção do princípio da gestão democrática da cação especial na forma do art. 213 da Constituição Federal.
educação pública; § 5o  Será destinada à manutenção e ao desenvolvimento
VII - promoção humanística, científica, cultural e tecnoló- do ensino, em acréscimo aos recursos vinculados nos termos
gica do País; do art. 212 da Constituição Federal, além de outros recursos
VIII - estabelecimento de meta de aplicação de recursos previstos em lei, a parcela da participação no resultado ou da
públicos em educação como proporção do Produto Interno compensação financeira pela exploração de petróleo e de gás
Bruto - PIB, que assegure atendimento às necessidades de ex- natural, na forma de lei específica, com a finalidade de asse-
pansão, com padrão de qualidade e equidade; gurar o cumprimento da meta prevista no inciso VI do art. 214
IX - valorização dos (as) profissionais da educação; da Constituição Federal.
X - promoção dos princípios do respeito aos direitos hu- Art. 6o  A União promoverá a realização de pelo menos
manos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental. 2 (duas) conferências nacionais de educação até o final do
Art. 3o  As metas previstas no Anexo desta Lei serão cum- decênio, precedidas de conferências distrital, municipais e
pridas no prazo de vigência deste PNE, desde que não haja estaduais, articuladas e coordenadas pelo Fórum Nacional
prazo inferior definido para metas e estratégias específicas. de Educação, instituído nesta Lei, no âmbito do Ministério
Art. 4o  As metas previstas no Anexo desta Lei deverão ter da Educação.
como referência a Pesquisa Nacional por Amostra de Domi- § 1o  O Fórum Nacional de Educação, além da atribui-
cílios - PNAD, o censo demográfico e os censos  nacionais da ção referida no caput:
educação básica e superior mais atualizados, disponíveis na I - acompanhará a execução do PNE e o cumprimento
data da publicação desta Lei. de suas metas;

23
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

II - promoverá a articulação das conferências nacionais de § 2o  Os processos de elaboração e adequação dos planos
educação com as conferências regionais, estaduais e munici- de educação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municí-
pais que as precederem. pios, de que trata o caput deste artigo, serão realizados com
§ 2o  As conferências nacionais de educação realizar-se-ão ampla participação de representantes da comunidade educa-
com intervalo de até 4 (quatro) anos entre elas, com o obje- cional e da sociedade civil.
tivo de avaliar a execução deste PNE e subsidiar a elaboração Art. 9o  Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios de-
do plano nacional de educação para o decênio subsequente. verão aprovar leis específicas para os seus sistemas de ensino,
Art. 7o  A União, os Estados, o Distrito Federal e os Muni- disciplinando a gestão democrática da educação pública nos
cípios atuarão em regime de colaboração, visando ao alcance respectivos âmbitos de atuação, no prazo de 2 (dois) anos
das metas e à implementação das estratégias objeto deste contado da publicação desta Lei, adequando, quando for o
Plano. caso, a legislação local já adotada com essa finalidade.
§ 1o  Caberá aos gestores federais, estaduais, municipais Art. 10.  O plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e
e do Distrito Federal a adoção das medidas governamentais os orçamentos anuais da União, dos Estados, do Distrito Fede-
necessárias ao alcance das metas previstas neste PNE. ral e dos Municípios serão formulados de maneira a assegurar
§ 2o  As estratégias definidas no Anexo desta Lei não eli- a consignação de dotações orçamentárias compatíveis com as
dem a adoção de medidas adicionais em âmbito local ou de diretrizes, metas e estratégias deste PNE e com os respectivos
instrumentos jurídicos que formalizem a cooperação entre os planos de educação, a fim de viabilizar sua plena execução.
entes federados, podendo ser complementadas por mecanis- Art. 11.  O Sistema Nacional de Avaliação da Educação
mos nacionais e locais de coordenação e colaboração recí- Básica, coordenado pela União, em colaboração com os Esta-
proca. dos, o Distrito Federal e os Municípios, constituirá fonte de in-
§ 3o  Os sistemas de ensino dos Estados, do Distrito Fede- formação para a avaliação da qualidade da educação básica e
ral e dos Municípios criarão mecanismos para o acompanha- para a orientação das políticas públicas desse nível de ensino.
mento local da consecução das metas deste PNE e dos planos § 1o  O sistema de avaliação a que se refere o caput pro-
previstos no art. 8o. duzirá, no máximo a cada 2 (dois) anos:
§ 4o  Haverá regime de colaboração específico para a im- I - indicadores de rendimento escolar, referentes ao de-
plementação de modalidades de educação escolar que ne- sempenho dos (as) estudantes apurado em exames nacionais
cessitem considerar territórios étnico-educacionais e a utili- de avaliação, com participação de pelo menos 80% (oitenta
zação de estratégias que levem em conta as identidades e por cento) dos (as) alunos (as) de cada ano escolar periodi-
especificidades socioculturais e linguísticas de cada comuni- camente avaliado em cada escola, e aos dados pertinentes
dade envolvida, assegurada a consulta prévia e informada a apurados pelo censo escolar da educação básica;
essa comunidade. II - indicadores de avaliação institucional, relativos a ca-
§ 5o  Será criada uma instância permanente de negocia- racterísticas como o perfil do alunado e do corpo dos (as)
ção e cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal profissionais da educação, as relações entre dimensão do cor-
e os Municípios. po docente, do corpo técnico e do corpo discente, a infraes-
§ 6o  O fortalecimento do regime de colaboração entre os trutura das escolas, os recursos pedagógicos disponíveis e os
Estados e respectivos Municípios incluirá a instituição de ins- processos da gestão, entre outras relevantes.
tâncias permanentes de negociação, cooperação e pactuação § 2o  A elaboração e a divulgação de índices para ava-
em cada Estado. liação da qualidade, como o Índice de Desenvolvimento da
§ 7o  O fortalecimento do regime de colaboração entre os Educação Básica - IDEB, que agreguem os indicadores men-
Municípios dar-se-á, inclusive, mediante a adoção de arranjos cionados no inciso I do § 1o não elidem a obrigatoriedade de
de desenvolvimento da educação. divulgação, em separado, de cada um deles.
Art. 8o  Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios de- § 3o  Os indicadores mencionados no § 1o serão estimados
verão elaborar seus correspondentes planos de educação, ou por etapa, estabelecimento de ensino, rede escolar, unidade
adequar os planos já aprovados em lei, em consonância com da Federação e em nível agregado nacional, sendo ampla-
as diretrizes, metas e estratégias previstas neste PNE, no prazo mente divulgados, ressalvada a publicação de resultados in-
de 1 (um) ano contado da publicação desta Lei. dividuais e indicadores por turma, que fica admitida exclusi-
§ 1o  Os entes federados estabelecerão nos respectivos vamente para a comunidade do respectivo estabelecimento e
planos de educação estratégias que: para o órgão gestor da respectiva rede.
I - assegurem a articulação das políticas educacionais § 4o  Cabem ao Inep a elaboração e o cálculo do Ideb e
com as demais políticas sociais, particularmente as culturais; dos indicadores referidos no § 1o.
II - considerem as necessidades específicas das popula- § 5o  A avaliação de desempenho dos (as) estudantes em
ções do campo e das comunidades indígenas e quilombolas, exames, referida no inciso I do § 1o, poderá ser diretamente
asseguradas a equidade educacional e a diversidade cultural; realizada pela União ou, mediante acordo de cooperação, pe-
III - garantam o atendimento das necessidades específi- los Estados e pelo Distrito Federal, nos respectivos sistemas
cas na educação especial, assegurado o sistema educacional de ensino e de seus Municípios, caso mantenham sistemas
inclusivo em todos os níveis, etapas e modalidades; próprios de avaliação do rendimento escolar, assegurada a
IV - promovam a articulação interfederativa na imple- compatibilidade metodológica entre esses sistemas e o nacio-
mentação das políticas educacionais. nal, especialmente no que se refere às escalas de proficiência
e ao calendário de aplicação.

24
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

Art. 12.  Até o final do primeiro semestre do nono ano de 1.7) articular a oferta de matrículas gratuitas em creches
vigência deste PNE, o Poder Executivo encaminhará ao Con- certificadas como entidades beneficentes de assistência so-
gresso Nacional, sem prejuízo das prerrogativas deste Poder, cial na área de educação com a expansão da oferta na rede
o projeto de lei referente ao Plano Nacional de Educação a escolar pública;
vigorar no período subsequente, que incluirá diagnóstico, di- 1.8) promover a formação inicial e continuada dos (as)
retrizes, metas e estratégias para o próximo decênio. profissionais da educação infantil, garantindo, progressiva-
Art. 13.  O poder público deverá instituir, em lei específi- mente, o atendimento por profissionais com formação supe-
ca, contados 2 (dois) anos da publicação desta Lei, o Sistema rior;
Nacional de Educação, responsável pela articulação entre os 1.9) estimular a articulação entre pós-graduação, núcleos
sistemas de ensino, em regime de colaboração, para efetiva- de pesquisa e cursos de formação para profissionais da edu-
ção das diretrizes, metas e estratégias do Plano Nacional de cação, de modo a garantir a elaboração de currículos e pro-
Educação. postas pedagógicas que incorporem os avanços de pesqui-
Art. 14.  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. sas ligadas ao processo de ensino-aprendizagem e às teorias
Brasília,  25  de  junho de 2014; 193o da Independência e educacionais no atendimento da população de 0 (zero) a 5
126o da República. (cinco) anos;
DILMA ROUSSEFF 1.10) fomentar o atendimento das populações do cam-
Guido Mantega po e das comunidades indígenas e quilombolas na educação
José Henrique Paim Fernandes infantil nas respectivas comunidades, por meio do redimen-
Miriam Belchior sionamento da distribuição territorial da oferta, limitando a
Este texto não substitui o publicado no DOU de nucleação de escolas e o deslocamento de crianças, de forma
26.6.2014 - Edição extra  a atender às especificidades dessas comunidades, garantido
consulta prévia e informada;
ANEXO 1.11) priorizar o acesso à educação infantil e fomentar
METAS E ESTRATÉGIAS  a oferta do atendimento educacional especializado comple-
mentar e suplementar aos (às) alunos (as) com deficiência,
Meta 1: universalizar, até 2016, a educação infantil na pré
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades
-escola para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade
ou superdotação, assegurando a educação bilíngue para
e ampliar a oferta de educação infantil em creches de forma
crianças surdas e a transversalidade da educação especial
a atender, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das crianças
nessa etapa da educação básica;
de até 3 (três) anos até o final da vigência deste PNE.
1.12) implementar, em caráter complementar, programas
de orientação e apoio às famílias, por meio da articulação das
Estratégias:
1.1) definir, em regime de colaboração entre a União, os áreas de educação, saúde e assistência social, com foco no
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, metas de expan- desenvolvimento integral das crianças de até 3 (três) anos de
são das respectivas redes públicas de educação infantil se- idade;
gundo padrão nacional de qualidade, considerando as pecu- 1.13) preservar as especificidades da educação infantil na
liaridades locais; organização das redes escolares, garantindo o atendimento
1.2) garantir que, ao final da vigência deste PNE, seja in- da criança de 0 (zero) a 5 (cinco) anos em estabelecimentos
ferior a 10% (dez por cento) a diferença entre as taxas de fre- que atendam a parâmetros nacionais de qualidade, e a arti-
quência à educação infantil das crianças de até 3 (três) anos culação com a etapa escolar seguinte, visando ao ingresso do
oriundas do quinto de renda familiar per capita mais elevado (a) aluno(a) de 6 (seis) anos de idade no ensino fundamental;
e as do quinto de renda familiar per capita mais baixo; 1.14) fortalecer o acompanhamento e o monitoramento
1.3) realizar, periodicamente, em regime de colaboração, do acesso e da permanência das crianças na educação infantil,
levantamento da demanda por creche para a população de em especial dos beneficiários de programas de transferência
até 3 (três) anos, como forma de planejar a oferta e verificar o de renda, em colaboração com as famílias e com os órgãos
atendimento da demanda manifesta; públicos de assistência social, saúde e proteção à infância;
1.4) estabelecer, no primeiro ano de vigência do PNE, nor- 1.15) promover a busca ativa de crianças em idade corres-
mas, procedimentos e prazos para definição de mecanismos pondente à educação infantil, em parceria com órgãos públi-
de consulta pública da demanda das famílias por creches; cos de assistência social, saúde e proteção à infância, preser-
1.5) manter e ampliar, em regime de colaboração e res- vando o direito de opção da família em relação às crianças de
peitadas as normas de acessibilidade, programa nacional de até 3 (três) anos;
construção e reestruturação de escolas, bem como de aqui- 1.16) o Distrito Federal e os Municípios, com a colabora-
sição de equipamentos, visando à expansão e à melhoria da ção da União e dos Estados, realizarão e publicarão, a cada
rede física de escolas públicas de educação infantil; ano, levantamento da demanda manifesta por educação in-
1.6) implantar, até o segundo ano de vigência deste PNE, fantil em creches e pré-escolas, como forma de planejar e ve-
avaliação da educação infantil, a ser realizada a cada 2 (dois) rificar o atendimento;
anos, com base em parâmetros nacionais de qualidade, a fim 1.17) estimular o acesso à educação infantil em tempo
de aferir a infraestrutura física, o quadro de pessoal, as condi- integral, para todas as crianças de 0 (zero) a 5 (cinco) anos,
ções de gestão, os recursos pedagógicos, a situação de aces- conforme estabelecido nas Diretrizes Curriculares Nacionais
sibilidade, entre outros indicadores relevantes; para a Educação Infantil.

25
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

Meta 2: universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) 2.12) oferecer atividades extracurriculares de incentivo
anos para toda a população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos aos (às) estudantes e de estímulo a habilidades, inclusive me-
e garantir que pelo menos 95% (noventa e cinco por cento) diante certames e concursos nacionais;
dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada, até 2.13) promover atividades de desenvolvimento e estí-
o último ano de vigência deste PNE. mulo a habilidades esportivas nas escolas, interligadas a um
plano de disseminação do desporto educacional e de desen-
Estratégias: volvimento esportivo nacional.
2.1) o Ministério da Educação, em articulação e colabo-
ração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, de- Meta 3: universalizar, até 2016, o atendimento escolar
verá, até o final do 2o (segundo) ano de vigência deste PNE, para toda a população de 15 (quinze) a 17 (dezessete) anos
elaborar e encaminhar ao Conselho Nacional de Educação, e elevar, até o final do período de vigência deste PNE, a taxa
precedida de consulta pública nacional, proposta de direitos líquida de matrículas no ensino médio para 85% (oitenta e
e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para os (as) cinco por cento).
alunos (as) do ensino fundamental;
2.2) pactuar entre União, Estados, Distrito Federal e Mu- Estratégias:
nicípios, no âmbito da instância permanente de que trata o § 3.1) institucionalizar programa nacional de renovação do
5º do art. 7º desta Lei, a implantação dos direitos e objeti- ensino médio, a fim de incentivar práticas pedagógicas com
vos de aprendizagem e desenvolvimento que configurarão a abordagens interdisciplinares estruturadas pela relação entre
base nacional comum curricular do ensino fundamental; teoria e prática, por meio de currículos escolares que organi-
2.3) criar mecanismos para o acompanhamento indivi- zem, de maneira flexível e diversificada, conteúdos obrigatórios
dualizado dos (as) alunos (as) do ensino fundamental; e eletivos articulados em dimensões como ciência, trabalho,
2.4) fortalecer o acompanhamento e o monitoramento linguagens, tecnologia, cultura e esporte, garantindo-se a aqui-
do acesso, da permanência e do aproveitamento escolar dos sição de equipamentos e laboratórios, a produção de material
beneficiários de programas de transferência de renda, bem didático específico, a formação continuada de professores e a
como das situações de discriminação, preconceitos e vio- articulação com instituições acadêmicas, esportivas e culturais;
lências na escola, visando ao estabelecimento de condições 3.2) o Ministério da Educação, em articulação e colabora-
adequadas para o sucesso escolar dos (as) alunos (as), em ção com os entes federados e ouvida a sociedade mediante
colaboração com as famílias e com órgãos públicos de as- consulta pública nacional, elaborará e encaminhará ao Con-
sistência social, saúde e proteção à infância, adolescência e selho Nacional de Educação - CNE, até o 2o (segundo) ano
juventude; de vigência deste PNE, proposta de direitos e objetivos de
2.5) promover a busca ativa de crianças e adolescentes aprendizagem e desenvolvimento para os (as) alunos (as) de
fora da escola, em parceria com órgãos públicos de assis- ensino médio, a serem atingidos nos tempos e etapas de or-
tência social, saúde e proteção à infância, adolescência e ju- ganização deste nível de ensino, com vistas a garantir forma-
ventude; ção básica comum;
2.6) desenvolver tecnologias pedagógicas que combi- 3.3) pactuar entre União, Estados, Distrito Federal e Mu-
nem, de maneira articulada, a organização do tempo e das nicípios, no âmbito da instância permanente de que trata o §
atividades didáticas entre a escola e o ambiente comunitário, 5o do art. 7o desta Lei, a implantação dos direitos e objeti-
considerando as especificidades da educação especial, das vos de aprendizagem e desenvolvimento que configurarão a
escolas do campo e das comunidades indígenas e quilom- base nacional comum curricular do ensino médio;
bolas; 3.4) garantir a fruição de bens e espaços culturais, de
2.7) disciplinar, no âmbito dos sistemas de ensino, a or- forma regular, bem como a ampliação da prática desportiva,
ganização flexível do trabalho pedagógico, incluindo ade- integrada ao currículo escolar;
quação do calendário escolar de acordo com a realidade lo- 3.5) manter e ampliar programas e ações de correção de
cal, a identidade cultural e as condições climáticas da região; fluxo do ensino fundamental, por meio do acompanhamento
2.8) promover a relação das escolas com instituições e individualizado do (a) aluno (a) com rendimento escolar de-
movimentos culturais, a fim de garantir a oferta regular de fasado e pela adoção de práticas como aulas de reforço no
atividades culturais para a livre fruição dos (as) alunos (as) turno complementar, estudos de recuperação e progressão
dentro e fora dos espaços escolares, assegurando ainda que parcial, de forma a reposicioná-lo no ciclo escolar de maneira
as escolas se tornem polos de criação e difusão cultural; compatível com sua idade;
2.9) incentivar a participação dos pais ou responsáveis 3.6) universalizar o Exame Nacional do Ensino Médio -
no acompanhamento das atividades escolares dos filhos por ENEM, fundamentado em matriz de referência do conteúdo
meio do estreitamento das relações entre as escolas e as fa- curricular do ensino médio e em técnicas estatísticas e psico-
mílias; métricas que permitam comparabilidade de resultados, arti-
2.10) estimular a oferta do ensino fundamental, em espe- culando-o com o Sistema Nacional de Avaliação da Educação
cial dos anos iniciais, para as populações do campo, indíge- Básica - SAEB, e promover sua utilização como instrumento
nas e quilombolas, nas próprias comunidades; de avaliação sistêmica, para subsidiar políticas públicas para
2.11) desenvolver formas alternativas de oferta do ensino a educação básica, de avaliação certificadora, possibilitando
fundamental, garantida a qualidade, para atender aos filhos e aferição de conhecimentos e habilidades adquiridos dentro e
filhas de profissionais que se dedicam a atividades de caráter fora da escola, e de avaliação classificatória, como critério de
itinerante; acesso à educação superior;

26
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

3.7) fomentar a expansão das matrículas gratuitas de en- 4.2) promover, no prazo de vigência deste PNE, a univer-
sino médio integrado à educação profissional, observando-se salização do atendimento escolar à demanda manifesta pelas
as peculiaridades das populações do campo, das comunida- famílias de crianças de 0 (zero) a 3 (três) anos com deficiência,
des indígenas e quilombolas e das pessoas com deficiência; transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades
3.8) estruturar e fortalecer o acompanhamento e o mo- ou superdotação, observado o que dispõe a Lei no 9.394, de
nitoramento do acesso e da permanência dos e das jovens 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases
beneficiários (as) de programas de transferência de renda, no da educação nacional;
ensino médio, quanto à frequência, ao aproveitamento escolar 4.3) implantar, ao longo deste PNE, salas de recursos
e à interação com o coletivo, bem como das situações de dis- multifuncionais e fomentar a formação continuada de pro-
criminação, preconceitos e violências, práticas irregulares de fessores e professoras para o atendimento educacional es-
exploração do trabalho, consumo de drogas, gravidez precoce, pecializado nas escolas urbanas, do campo, indígenas e de
em colaboração com as famílias e com órgãos públicos de as- comunidades quilombolas;
sistência social, saúde e proteção à adolescência e juventude; 4.4) garantir atendimento educacional especializado em
3.9) promover a busca ativa da população de 15 (quinze) salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou servi-
a 17 (dezessete) anos fora da escola, em articulação com os ços especializados, públicos ou conveniados, nas formas
serviços de assistência social, saúde e proteção à adolescên- complementar e suplementar, a todos (as) alunos (as) com
cia e à juventude; deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas
3.10) fomentar programas de educação e de cultura para habilidades ou superdotação, matriculados na rede pública
a população urbana e do campo de jovens, na faixa etária de de educação básica, conforme necessidade identificada por
15 (quinze) a 17 (dezessete) anos, e de adultos, com qualifi- meio de avaliação, ouvidos a família e o aluno;
cação social e profissional para aqueles que estejam fora da 4.5) estimular a criação de centros multidisciplinares de
escola e com defasagem no fluxo escolar; apoio, pesquisa e assessoria, articulados com instituições
3.11) redimensionar a oferta de ensino médio nos tur- acadêmicas e integrados por profissionais das áreas de saú-
nos diurno e noturno, bem como a distribuição territorial das de, assistência social, pedagogia e psicologia, para apoiar o
escolas de ensino médio, de forma a atender a toda a de- trabalho dos (as) professores da educação básica com os (as)
manda, de acordo com as necessidades específicas dos (as) alunos (as) com deficiência, transtornos globais do desenvol-
alunos (as); vimento e altas habilidades ou superdotação;
3.12) desenvolver formas alternativas de oferta do ensi- 4.6) manter e ampliar programas suplementares que
no médio, garantida a qualidade, para atender aos filhos e promovam a acessibilidade nas instituições públicas, para
filhas de profissionais que se dedicam a atividades de caráter garantir o acesso e a permanência dos (as) alunos (as) com
itinerante; deficiência por meio da adequação arquitetônica, da oferta
3.13) implementar políticas de prevenção à evasão moti- de transporte acessível e da disponibilização de material di-
vada por preconceito ou quaisquer formas de discriminação, dático próprio e de recursos de tecnologia assistiva, assegu-
criando rede de proteção contra formas associadas de exclusão; rando, ainda, no contexto escolar, em todas as etapas, níveis
3.14) estimular a participação dos adolescentes nos cur- e modalidades de ensino, a identificação dos (as) alunos (as)
sos das áreas tecnológicas e científicas. com altas habilidades ou superdotação;
4.7) garantir a oferta de educação bilíngue, em Língua
Meta 4: universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 Brasileira de Sinais - LIBRAS como primeira língua e na moda-
(dezessete) anos com deficiência, transtornos globais do de- lidade escrita da Língua Portuguesa como segunda língua, aos
senvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso (às) alunos (as) surdos e com deficiência auditiva de 0 (zero) a
à educação básica e ao atendimento educacional especializa- 17 (dezessete) anos, em escolas e classes bilíngues e em esco-
do, preferencialmente na rede regular de ensino, com a ga- las inclusivas, nos termos do art. 22 do Decreto no 5.626, de 22
rantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos de dezembro de 2005, e dos arts. 24 e 30 da Convenção sobre
multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, os Direitos das Pessoas com Deficiência, bem como a adoção
públicos ou conveniados. do Sistema Braille de leitura para cegos e surdos-cegos;
4.8) garantir a oferta de educação inclusiva, vedada a ex-
Estratégias: clusão do ensino regular sob alegação de deficiência e pro-
4.1) contabilizar, para fins do repasse do Fundo de Ma- movida a articulação pedagógica entre o ensino regular e o
nutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valori- atendimento educacional especializado;
zação dos Profissionais da Educação - FUNDEB, as matrículas 4.9) fortalecer o acompanhamento e o monitoramento
dos (as) estudantes da educação regular da rede pública que do acesso à escola e ao atendimento educacional especializa-
recebam atendimento educacional especializado comple- do, bem como da permanência e do desenvolvimento escolar
mentar e suplementar, sem prejuízo do cômputo dessas ma- dos (as) alunos (as) com deficiência, transtornos globais do
trículas na educação básica regular, e as matrículas efetivadas, desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação bene-
conforme o censo escolar mais atualizado, na educação es- ficiários (as) de programas de transferência de renda, junta-
pecial oferecida em instituições comunitárias, confessionais mente com o combate às situações de discriminação, precon-
ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com o poder ceito e violência, com vistas ao estabelecimento de condições
público e com atuação exclusiva na modalidade, nos termos adequadas para o sucesso educacional, em colaboração com
da Lei no 11.494, de 20 de junho de 2007; as famílias e com os órgãos públicos de assistência social, saú-
de e proteção à infância, à adolescência e à juventude;

27
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

4.10) fomentar pesquisas voltadas para o desenvolvi- 4.19) promover parcerias com instituições comunitárias,
mento de metodologias, materiais didáticos, equipamentos confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas
e recursos de tecnologia assistiva, com vistas à promoção do com o poder público, a fim de favorecer a participação das
ensino e da aprendizagem, bem como das condições de aces- famílias e da sociedade na construção do sistema educacional
sibilidade dos (as) estudantes com deficiência, transtornos glo- inclusivo.
bais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação;
4.11) promover o desenvolvimento de pesquisas inter- Meta 5: alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o
disciplinares para subsidiar a formulação de políticas públicas final do 3o (terceiro) ano do ensino fundamental.
intersetoriais que atendam as especificidades educacionais de
estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvol- Estratégias:
vimento e altas habilidades ou superdotação que requeiram 5.1) estruturar os processos pedagógicos de alfabetiza-
medidas de atendimento especializado; ção, nos anos iniciais do ensino fundamental, articulando-os
4.12) promover a articulação intersetorial entre órgãos e com as estratégias desenvolvidas na pré-escola, com qualifi-
políticas públicas de saúde, assistência social e direitos huma- cação e valorização dos (as) professores (as) alfabetizadores e
nos, em parceria com as famílias, com o fim de desenvolver com apoio pedagógico específico, a fim de garantir a alfabe-
modelos de atendimento voltados à continuidade do atendi- tização plena de todas as crianças;
mento escolar, na educação de jovens e adultos, das pessoas 5.2) instituir instrumentos de avaliação nacional periódi-
com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento cos e específicos para aferir a alfabetização das crianças, apli-
com idade superior à faixa etária de escolarização obrigatória, cados a cada ano, bem como estimular os sistemas de ensino
de forma a assegurar a atenção integral ao longo da vida; e as escolas a criarem os respectivos instrumentos de avalia-
4.13) apoiar a ampliação das equipes de profissionais da ção e monitoramento, implementando medidas pedagógicas
educação para atender à demanda do processo de escolarização para alfabetizar todos os alunos e alunas até o final do terceiro
dos (das) estudantes com deficiência, transtornos globais do de- ano do ensino fundamental;
senvolvimento e altas habilidades ou superdotação, garantindo 5.3) selecionar, certificar e divulgar tecnologias educa-
cionais para a alfabetização de crianças, assegurada a diver-
a oferta de professores (as) do atendimento educacional espe-
sidade de métodos e propostas pedagógicas, bem como o
cializado, profissionais de apoio ou auxiliares, tradutores (as) e in-
acompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em
térpretes de Libras, guias-intérpretes para surdos-cegos, profes-
que forem aplicadas, devendo ser disponibilizadas, preferen-
sores de Libras, prioritariamente surdos, e professores bilíngues;
cialmente, como recursos educacionais abertos;
4.14) definir, no segundo ano de vigência deste PNE, indi-
5.4) fomentar o desenvolvimento de tecnologias educa-
cadores de qualidade e política de avaliação e supervisão para
cionais e de práticas pedagógicas inovadoras que assegurem
o funcionamento de instituições públicas e privadas que pres- a alfabetização e favoreçam a melhoria do fluxo escolar e a
tam atendimento a alunos com deficiência, transtornos glo- aprendizagem dos (as) alunos (as), consideradas as diversas
bais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação; abordagens metodológicas e sua efetividade;
4.15) promover, por iniciativa do Ministério da Educação, 5.5) apoiar a alfabetização de crianças do campo, indí-
nos órgãos de pesquisa, demografia e estatística competentes, genas, quilombolas e de populações itinerantes, com a pro-
a obtenção de informação detalhada sobre o perfil das pessoas dução de materiais didáticos específicos, e desenvolver ins-
com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas trumentos de acompanhamento que considerem o uso da
habilidades ou superdotação de 0 (zero) a 17 (dezessete) anos; língua materna pelas comunidades indígenas e a identidade
4.16) incentivar a inclusão nos cursos de licenciatura e nos cultural das comunidades quilombolas;
demais cursos de formação para profissionais da educação, 5.6) promover e estimular a formação inicial e continuada
inclusive em nível de pós-graduação, observado o disposto de professores (as) para a alfabetização de crianças, com o
no caput do art. 207 da Constituição Federal, dos referenciais conhecimento de novas tecnologias educacionais e práticas
teóricos, das teorias de aprendizagem e dos processos de en- pedagógicas inovadoras, estimulando a articulação entre pro-
sino-aprendizagem relacionados ao atendimento educacional gramas de pós-graduação stricto sensu e ações de formação
de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvi- continuada de professores (as) para a alfabetização;
mento e altas habilidades ou superdotação; 5.7) apoiar a alfabetização das pessoas com deficiência,
4.17) promover parcerias com instituições comunitárias, considerando as suas especificidades, inclusive a alfabetiza-
confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas ção bilíngue de pessoas surdas, sem estabelecimento de ter-
com o poder público, visando a ampliar as condições de apoio minalidade temporal.
ao atendimento escolar integral das pessoas com deficiência,
transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou Meta 6: oferecer educação em tempo integral em, no
superdotação matriculadas nas redes públicas de ensino; mínimo, 50% (cinquenta por cento) das escolas públicas, de
4.18) promover parcerias com instituições comunitárias, forma a atender, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento)
confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas dos (as) alunos (as) da educação básica.
com o poder público, visando a ampliar a oferta de formação
continuada e a produção de material didático acessível, assim Estratégias:
como os serviços de acessibilidade necessários ao pleno aces- 6.1) promover, com o apoio da União, a oferta de educa-
so, participação e aprendizagem dos estudantes com deficiên- ção básica pública em tempo integral, por meio de atividades
cia, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilida- de acompanhamento pedagógico e multidisciplinares, inclu-
des ou superdotação matriculados na rede pública de ensino; sive culturais e esportivas, de forma que o tempo de perma-

28
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

nência dos (as) alunos (as) na escola, ou sob sua responsabi- Estratégias:
lidade, passe a ser igual ou superior a 7 (sete) horas diárias 7.1) estabelecer e implantar, mediante pactuação inter-
durante todo o ano letivo, com a ampliação progressiva da federativa, diretrizes pedagógicas para a educação básica e a
jornada de professores em uma única escola; base nacional comum dos currículos, com direitos e objetivos
6.2) instituir, em regime de colaboração, programa de de aprendizagem e desenvolvimento dos (as) alunos (as) para
construção de escolas com padrão arquitetônico e de mobiliá- cada ano do ensino fundamental e médio, respeitada a diver-
rio adequado para atendimento em tempo integral, prioritaria- sidade regional, estadual e local;
mente em comunidades pobres ou com crianças em situação 7.2) assegurar que:
de vulnerabilidade social; a) no quinto ano de vigência deste PNE, pelo menos 70%
6.3) institucionalizar e manter, em regime de colaboração, (setenta por cento) dos (as) alunos (as) do ensino fundamen-
programa nacional de ampliação e reestruturação das esco- tal e do ensino médio tenham alcançado nível suficiente de
las públicas, por meio da instalação de quadras poliesportivas, aprendizado em relação aos direitos e objetivos de aprendi-
laboratórios, inclusive de informática, espaços para atividades
zagem e desenvolvimento de seu ano de estudo, e 50% (cin-
culturais, bibliotecas, auditórios, cozinhas, refeitórios, banhei-
quenta por cento), pelo menos, o nível desejável;
ros e outros equipamentos, bem como da produção de mate-
b) no último ano de vigência deste PNE, todos os (as) es-
rial didático e da formação de recursos humanos para a edu-
cação em tempo integral; tudantes do ensino fundamental e do ensino médio tenham
6.4) fomentar a articulação da escola com os diferentes alcançado nível suficiente de aprendizado em relação aos di-
espaços educativos, culturais e esportivos e com equipamen- reitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento de seu
tos públicos, como centros comunitários, bibliotecas, praças, ano de estudo, e 80% (oitenta por cento), pelo menos, o nível
parques, museus, teatros, cinemas e planetários; desejável;
6.5) estimular a oferta de atividades voltadas à ampliação 7.3) constituir, em colaboração entre a União, os Estados,
da jornada escolar de alunos (as) matriculados nas escolas da o Distrito Federal e os Municípios, um conjunto nacional de
rede pública de educação básica por parte das entidades pri- indicadores de avaliação institucional com base no perfil do
vadas de serviço social vinculadas ao sistema sindical, de forma alunado e do corpo de profissionais da educação, nas condi-
concomitante e em articulação com a rede pública de ensino; ções de infraestrutura das escolas, nos recursos pedagógicos
6.6) orientar a aplicação da gratuidade de que trata o art. disponíveis, nas características da gestão e em outras dimen-
13 da Lei no 12.101, de 27 de novembro de 2009, em atividades sões relevantes, considerando as especificidades das modali-
de ampliação da jornada escolar de alunos (as) das escolas da dades de ensino;
rede pública de educação básica, de forma concomitante e em 7.4) induzir processo contínuo de autoavaliação das es-
articulação com a rede pública de ensino; colas de educação básica, por meio da constituição de ins-
6.7) atender às escolas do campo e de comunidades indí- trumentos de avaliação que orientem as dimensões a serem
genas e quilombolas na oferta de educação em tempo inte- fortalecidas, destacando-se a elaboração de planejamento
gral, com base em consulta prévia e informada, considerando- estratégico, a melhoria contínua da qualidade educacional, a
se as peculiaridades locais; formação continuada dos (as) profissionais da educação e o
6.8) garantir a educação em tempo integral para pessoas aprimoramento da gestão democrática;
com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e al- 7.5) formalizar e executar os planos de ações articuladas
tas habilidades ou superdotação na faixa etária de 4 (quatro) dando cumprimento às metas de qualidade estabelecidas
a 17 (dezessete) anos, assegurando atendimento educacional para a educação básica pública e às estratégias de apoio téc-
especializado complementar e suplementar ofertado em salas nico e financeiro voltadas à melhoria da gestão educacional, à
de recursos multifuncionais da própria escola ou em institui-
formação de professores e professoras e profissionais de ser-
ções especializadas;
viços e apoio escolares, à ampliação e ao desenvolvimento de
6.9) adotar medidas para otimizar o tempo de permanên-
recursos pedagógicos e à melhoria e expansão da infraestru-
cia dos alunos na escola, direcionando a expansão da jornada
para o efetivo trabalho escolar, combinado com atividades re- tura física da rede escolar;
creativas, esportivas e culturais. 7.6) associar a prestação de assistência técnica financeira
à fixação de metas intermediárias, nos termos estabelecidos
Meta 7: fomentar a qualidade da educação básica em to- conforme pactuação voluntária entre os entes, priorizando sis-
das as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e temas e redes de ensino com Ideb abaixo da média nacional;
da aprendizagem de modo a atingir as seguintes médias na- 7.7) aprimorar continuamente os instrumentos de avalia-
cionais para o Ideb: ção da qualidade do ensino fundamental e médio, de forma a
englobar o ensino de ciências nos exames aplicados nos anos
finais do ensino fundamental, e incorporar o Exame Nacional
IDEB 2015 2017 2019 2021
do Ensino Médio, assegurada a sua universalização, ao sistema
Anos iniciais do 5,2 5,5 5,7 6,0 de avaliação da educação básica, bem como apoiar o uso dos
ensino fundamental resultados das avaliações nacionais pelas escolas e redes de
Anos finais do 4,7 5,0 5,2 5,5 ensino para a melhoria de seus processos e práticas pedagó-
ensino fundamental gicas;
7.8) desenvolver indicadores específicos de avaliação da
Ensino médio 4,3 4,7 5,0 5,2 qualidade da educação especial, bem como da qualidade da
educação bilíngue para surdos;

29
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

7.9) orientar as políticas das redes e sistemas de ensino, 7.17) ampliar programas e aprofundar ações de atendi-
de forma a buscar atingir as metas do Ideb, diminuindo a mento ao (à) aluno (a), em todas as etapas da educação bá-
diferença entre as escolas com os menores índices e a média sica, por meio de programas suplementares de material di-
nacional, garantindo equidade da aprendizagem e reduzin- dático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde;
do pela metade, até o último ano de vigência deste PNE, as 7.18) assegurar a todas as escolas públicas de educação
diferenças entre as médias dos índices dos Estados, inclusive básica o acesso a energia elétrica, abastecimento de água
do Distrito Federal, e dos Municípios; tratada, esgotamento sanitário e manejo dos resíduos sóli-
7.10) fixar, acompanhar e divulgar bienalmente os re- dos, garantir o acesso dos alunos a espaços para a prática
sultados pedagógicos dos indicadores do sistema nacional esportiva, a bens culturais e artísticos e a equipamentos e
de avaliação da educação básica e do Ideb, relativos às es- laboratórios de ciências e, em cada edifício escolar, garantir a
colas, às redes públicas de educação básica e aos sistemas acessibilidade às pessoas com deficiência;
de ensino da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 7.19) institucionalizar e manter, em regime de colabo-
Municípios, assegurando a contextualização desses resulta- ração, programa nacional de reestruturação e aquisição de
dos, com relação a indicadores sociais relevantes, como os equipamentos para escolas públicas, visando à equalização
de nível socioeconômico das famílias dos (as) alunos (as), e a regional das oportunidades educacionais;
transparência e o acesso público às informações técnicas de 7.20) prover equipamentos e recursos tecnológicos di-
concepção e operação do sistema de avaliação; gitais para a utilização pedagógica no ambiente escolar a
7.11) melhorar o desempenho dos alunos da educação todas as escolas públicas da educação básica, criando, inclu-
básica nas avaliações da aprendizagem no Programa Inter- sive, mecanismos para implementação das condições neces-
nacional de Avaliação de Estudantes - PISA, tomado como sárias para a universalização das bibliotecas nas instituições
instrumento externo de referência, internacionalmente reco- educacionais, com acesso a redes digitais de computadores,
nhecido, de acordo com as seguintes projeções: inclusive a internet;
7.21) a União, em regime de colaboração com os entes
federados subnacionais, estabelecerá, no prazo de 2 (dois)
PISA 2015 2018 2021
anos contados da publicação desta Lei, parâmetros mínimos
Média dos resultados em 438 455 473 de qualidade dos serviços da educação básica, a serem uti-
matemática, leitura e ciências lizados como referência para infraestrutura das escolas, re-
cursos pedagógicos, entre outros insumos relevantes, bem
7.12) incentivar o desenvolvimento, selecionar, certificar e como instrumento para adoção de medidas para a melhoria
divulgar tecnologias educacionais para a educação infantil, o da qualidade do ensino;
ensino fundamental e o ensino médio e incentivar práticas pe- 7.22) informatizar integralmente a gestão das escolas
dagógicas inovadoras que assegurem a melhoria do fluxo esco- públicas e das secretarias de educação dos Estados, do Dis-
lar e a aprendizagem, assegurada a diversidade de métodos e trito Federal e dos Municípios, bem como manter programa
propostas pedagógicas, com preferência para softwares livres e nacional de formação inicial e continuada para o pessoal téc-
recursos educacionais abertos, bem como o acompanhamento nico das secretarias de educação;
dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas; 7.23) garantir políticas de combate à violência na escola,
7.13) garantir transporte gratuito para todos (as) os (as) inclusive pelo desenvolvimento de ações destinadas à ca-
estudantes da educação do campo na faixa etária da educa- pacitação de educadores para detecção dos sinais de suas
ção escolar obrigatória, mediante renovação e padronização causas, como a violência doméstica e sexual, favorecendo a
integral da frota de veículos, de acordo com especificações adoção das providências adequadas para promover a cons-
definidas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e trução da cultura de paz e um ambiente escolar dotado de
Tecnologia - INMETRO, e financiamento compartilhado, com segurança para a comunidade;
participação da União proporcional às necessidades dos en- 7.24) implementar políticas de inclusão e permanência
tes federados, visando a reduzir a evasão escolar e o tempo na escola para adolescentes e jovens que se encontram em
médio de deslocamento a partir de cada situação local; regime de liberdade assistida e em situação de rua, assegu-
7.14) desenvolver pesquisas de modelos alternativos de rando os princípios da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990
atendimento escolar para a população do campo que consi- - Estatuto da Criança e do Adolescente;
derem as especificidades locais e as boas práticas nacionais 7.25) garantir nos currículos escolares conteúdos sobre
e internacionais; a história e as culturas afro-brasileira e indígenas e imple-
7.15) universalizar, até o quinto ano de vigência deste mentar ações educacionais, nos termos das Leis nos 10.639,
PNE, o acesso à rede mundial de computadores em banda de 9 de janeiro de 2003, e 11.645, de 10 de março de 2008,
larga de alta velocidade e triplicar, até o final da década, a assegurando-se a implementação das respectivas diretrizes
relação computador/aluno (a) nas escolas da rede pública de curriculares nacionais, por meio de ações colaborativas com
educação básica, promovendo a utilização pedagógica das fóruns de educação para a diversidade étnico-racial, conse-
tecnologias da informação e da comunicação; lhos escolares, equipes pedagógicas e a sociedade civil;
7.16) apoiar técnica e financeiramente a gestão escolar 7.26) consolidar a educação escolar no campo de po-
mediante transferência direta de recursos financeiros à es- pulações tradicionais, de populações itinerantes e de comu-
cola, garantindo a participação da comunidade escolar no nidades indígenas e quilombolas, respeitando a articulação
planejamento e na aplicação dos recursos, visando à am- entre os ambientes escolares e comunitários e garantindo:
pliação da transparência e ao efetivo desenvolvimento da o desenvolvimento sustentável e preservação da identidade
gestão democrática; cultural; a participação da comunidade na definição do mo-

30
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

delo de organização pedagógica e de gestão das instituições, Meta 8: elevar a escolaridade média da população de 18
consideradas as práticas socioculturais e as formas particula- (dezoito) a 29 (vinte e nove) anos, de modo a alcançar, no
res de organização do tempo; a oferta bilíngue na educação mínimo, 12 (doze) anos de estudo no último ano de vigên-
infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, em língua cia deste Plano, para as populações do campo, da região de
materna das comunidades indígenas e em língua portuguesa; menor escolaridade no País e dos 25% (vinte e cinco por cen-
a reestruturação e a aquisição de equipamentos; a oferta de to) mais pobres, e igualar a escolaridade média entre negros
programa para a formação inicial e continuada de profissio- e não negros declarados à Fundação Instituto Brasileiro de
nais da educação; e o atendimento em educação especial; Geografia e Estatística - IBGE.
7.27) desenvolver currículos e propostas pedagógicas es-
pecíficas para educação escolar para as escolas do campo e Estratégias:
para as comunidades indígenas e quilombolas, incluindo os 8.1) institucionalizar programas e desenvolver tecnologias
conteúdos culturais correspondentes às respectivas comuni- para correção de fluxo, para acompanhamento pedagógico
dades e considerando o fortalecimento das práticas socio-
individualizado e para recuperação e progressão parcial, bem
culturais e da língua materna de cada comunidade indígena,
como priorizar estudantes com rendimento escolar defasado,
produzindo e disponibilizando materiais didáticos específicos,
considerando as especificidades dos segmentos populacio-
inclusive para os (as) alunos (as) com deficiência;
7.28) mobilizar as famílias e setores da sociedade civil, nais considerados;
articulando a educação formal com experiências de educa- 8.2) implementar programas de educação de jovens e
ção popular e cidadã, com os propósitos de que a educação adultos para os segmentos populacionais considerados, que
seja assumida como responsabilidade de todos e de ampliar estejam fora da escola e com defasagem idade-série, asso-
o controle social sobre o cumprimento das políticas públicas ciados a outras estratégias que garantam a continuidade da
educacionais; escolarização, após a alfabetização inicial;
7.29) promover a articulação dos programas da área da 8.3) garantir acesso gratuito a exames de certificação da
educação, de âmbito local e nacional, com os de outras áreas, conclusão dos ensinos fundamental e médio;
como saúde, trabalho e emprego, assistência social, esporte e 8.4) expandir a oferta gratuita de educação profissional
cultura, possibilitando a criação de rede de apoio integral às técnica por parte das entidades privadas de serviço social e de
famílias, como condição para a melhoria da qualidade edu- formação profissional vinculadas ao sistema sindical, de for-
cacional; ma concomitante ao ensino ofertado na rede escolar pública,
7.30) universalizar, mediante articulação entre os órgãos para os segmentos populacionais considerados;
responsáveis pelas áreas da saúde e da educação, o atendi- 8.5) promover, em parceria com as áreas de saúde e as-
mento aos (às) estudantes da rede escolar pública de edu- sistência social, o acompanhamento e o monitoramento do
cação básica por meio de ações de prevenção, promoção e acesso à escola específicos para os segmentos populacionais
atenção à saúde; considerados, identificar motivos de absenteísmo e colabo-
7.31) estabelecer ações efetivas especificamente voltadas rar com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios para a
para a promoção, prevenção, atenção e atendimento à saúde garantia de frequência e apoio à aprendizagem, de maneira a
e à integridade física, mental e emocional dos (das) profissio- estimular a ampliação do atendimento desses (as) estudantes
nais da educação, como condição para a melhoria da quali- na rede pública regular de ensino;
dade educacional; 8.6) promover busca ativa de jovens fora da escola per-
7.32) fortalecer, com a colaboração técnica e financeira da tencentes aos segmentos populacionais considerados, em
União, em articulação com o sistema nacional de avaliação, os parceria com as áreas de assistência social, saúde e proteção
sistemas estaduais de avaliação da educação básica, com par-
à juventude.
ticipação, por adesão, das redes municipais de ensino, para
orientar as políticas públicas e as práticas pedagógicas, com o
fornecimento das informações às escolas e à sociedade; Meta 9: elevar a taxa de alfabetização da população com
7.33) promover, com especial ênfase, em consonância 15 (quinze) anos ou mais para 93,5% (noventa e três inteiros
com as diretrizes do Plano Nacional do Livro e da Leitura, a e cinco décimos por cento) até 2015 e, até o final da vigência
formação de leitores e leitoras e a capacitação de professo- deste PNE, erradicar o analfabetismo absoluto e reduzir em
res e professoras, bibliotecários e bibliotecárias e agentes da 50% (cinquenta por cento) a taxa de analfabetismo funcional.
comunidade para atuar como mediadores e mediadoras da
leitura, de acordo com a especificidade das diferentes etapas Estratégias:
do desenvolvimento e da aprendizagem; 9.1) assegurar a oferta gratuita da educação de jovens e
7.34) instituir, em articulação com os Estados, os Municí- adultos a todos os que não tiveram acesso à educação básica
pios e o Distrito Federal, programa nacional de formação de na idade própria;
professores e professoras e de alunos e alunas para promover 9.2) realizar diagnóstico dos jovens e adultos com ensino
e consolidar política de preservação da memória nacional; fundamental e médio incompletos, para identificar a deman-
7.35) promover a regulação da oferta da educação básica da ativa por vagas na educação de jovens e adultos;
pela iniciativa privada, de forma a garantir a qualidade e o 9.3) implementar ações de alfabetização de jovens e adul-
cumprimento da função social da educação; tos com garantia de continuidade da escolarização básica;
7.36) estabelecer políticas de estímulo às escolas que me- 9.4) criar benefício adicional no programa nacional de
lhorarem o desempenho no Ideb, de modo a valorizar o mé- transferência de renda para jovens e adultos que frequenta-
rito do corpo docente, da direção e da comunidade escolar. rem cursos de alfabetização;

31
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

9.5) realizar chamadas públicas regulares para educação 10.3) fomentar a integração da educação de jovens e
de jovens e adultos, promovendo-se busca ativa em regime adultos com a educação profissional, em cursos planejados,
de colaboração entre entes federados e em parceria com or- de acordo com as características do público da educação
ganizações da sociedade civil; de jovens e adultos e considerando as especificidades das
9.6) realizar avaliação, por meio de exames específicos, populações itinerantes e do campo e das comunidades indí-
que permita aferir o grau de alfabetização de jovens e adultos genas e quilombolas, inclusive na modalidade de educação
com mais de 15 (quinze) anos de idade; a distância;
9.7) executar ações de atendimento ao (à) estudante da 10.4) ampliar as oportunidades profissionais dos jovens
educação de jovens e adultos por meio de programas suple- e adultos com deficiência e baixo nível de escolaridade, por
mentares de transporte, alimentação e saúde, inclusive aten- meio do acesso à educação de jovens e adultos articulada à
dimento oftalmológico e fornecimento gratuito de óculos, em educação profissional;
articulação com a área da saúde; 10.5) implantar programa nacional de reestruturação e
9.8) assegurar a oferta de educação de jovens e adultos, aquisição de equipamentos voltados à expansão e à melho-
nas etapas de ensino fundamental e médio, às pessoas priva- ria da rede física de escolas públicas que atuam na educação
das de liberdade em todos os estabelecimentos penais, asse- de jovens e adultos integrada à educação profissional, ga-
gurando-se formação específica dos professores e das pro- rantindo acessibilidade à pessoa com deficiência;
fessoras e implementação de diretrizes nacionais em regime 10.6) estimular a diversificação curricular da educação
de colaboração; de jovens e adultos, articulando a formação básica e a pre-
9.9) apoiar técnica e financeiramente projetos inovadores paração para o mundo do trabalho e estabelecendo inter
na educação de jovens e adultos que visem ao desenvolvi- -relações entre teoria e prática, nos eixos da ciência, do tra-
mento de modelos adequados às necessidades específicas balho, da tecnologia e da cultura e cidadania, de forma a
desses (as) alunos (as); organizar o tempo e o espaço pedagógicos adequados às
9.10) estabelecer mecanismos e incentivos que integrem características desses alunos e alunas;
os segmentos empregadores, públicos e privados, e os siste- 10.7) fomentar a produção de material didático, o de-
mas de ensino, para promover a compatibilização da jornada senvolvimento de currículos e metodologias específicas, os
de trabalho dos empregados e das empregadas com a oferta instrumentos de avaliação, o acesso a equipamentos e labo-
das ações de alfabetização e de educação de jovens e adultos; ratórios e a formação continuada de docentes das redes pú-
9.11) implementar programas de capacitação tecnológica blicas que atuam na educação de jovens e adultos articulada
da população jovem e adulta, direcionados para os segmen- à educação profissional;
tos com baixos níveis de escolarização formal e para os (as) 10.8) fomentar a oferta pública de formação inicial e
alunos (as) com deficiência, articulando os sistemas de ensino, continuada para trabalhadores e trabalhadoras articulada à
a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnoló- educação de jovens e adultos, em regime de colaboração e
gica, as universidades, as cooperativas e as associações, por com apoio de entidades privadas de formação profissional
meio de ações de extensão desenvolvidas em centros voca- vinculadas ao sistema sindical e de entidades sem fins lucra-
cionais tecnológicos, com tecnologias assistivas que favore- tivos de atendimento à pessoa com deficiência, com atuação
çam a efetiva inclusão social e produtiva dessa população; exclusiva na modalidade;
9.12) considerar, nas políticas públicas de jovens e adultos, 10.9) institucionalizar programa nacional de assistência
as necessidades dos idosos, com vistas à promoção de políti- ao estudante, compreendendo ações de assistência social,
cas de erradicação do analfabetismo, ao acesso a tecnologias financeira e de apoio psicopedagógico que  contribuam
educacionais e atividades recreativas, culturais e esportivas, à para garantir o acesso, a permanência, a aprendizagem e a
implementação de programas de valorização e compartilha- conclusão com êxito da educação de jovens e adultos arti-
mento dos conhecimentos e experiência dos idosos e à inclu- culada à educação profissional;
são dos temas do envelhecimento e da velhice nas escolas. 10.10) orientar a expansão da oferta de educação de jo-
vens e adultos articulada à educação profissional, de modo
Meta 10: oferecer, no mínimo, 25% (vinte e cinco por cen- a atender às pessoas privadas de liberdade nos estabele-
to) das matrículas de educação de jovens e adultos, nos en- cimentos penais, assegurando-se formação específica dos
sinos fundamental e médio, na forma integrada à educação professores e das professoras e implementação de diretrizes
profissional. nacionais em regime de colaboração;
10.11) implementar mecanismos de reconhecimento de
Estratégias: saberes dos jovens e adultos trabalhadores, a serem con-
10.1) manter programa nacional de educação de jovens e siderados na articulação curricular dos cursos de formação
adultos voltado à conclusão do ensino fundamental e à for- inicial e continuada e dos cursos técnicos de nível médio.
mação profissional inicial, de forma a estimular a conclusão da
educação básica;
10.2) expandir as matrículas na educação de jovens e
adultos, de modo a articular a formação inicial e continuada
de trabalhadores com a educação profissional, objetivando a
elevação do nível de escolaridade do trabalhador e da traba-
lhadora;

32
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

Meta 11: triplicar as matrículas da educação profissional 11.13) reduzir as desigualdades étnico-raciais e regionais
técnica de nível médio, assegurando a qualidade da oferta no acesso e permanência na educação profissional técnica de
e pelo menos 50% (cinquenta por cento) da expansão no nível médio, inclusive mediante a adoção de políticas afirma-
segmento público. tivas, na forma da lei;
11.14) estruturar sistema nacional de informação profis-
Estratégias: sional, articulando a oferta de formação das instituições es-
11.1) expandir as matrículas de educação profissional pecializadas em educação profissional aos dados do mercado
técnica de nível médio na Rede Federal de Educação Pro- de trabalho e a consultas promovidas em entidades empresa-
fissional, Científica e Tecnológica, levando em consideração riais e de trabalhadores 
a responsabilidade dos Institutos na ordenação territorial,
sua vinculação com arranjos produtivos, sociais e culturais Meta 12: elevar a taxa bruta de matrícula na educação
locais e regionais, bem como a interiorização da educação superior para 50% (cinquenta por cento) e a taxa líquida para
profissional; 33% (trinta e três por cento) da população de 18 (dezoito) a
11.2) fomentar a expansão da oferta de educação pro- 24 (vinte e quatro) anos, assegurada a qualidade da oferta e
fissional técnica de nível médio nas redes públicas estaduais expansão para, pelo menos, 40% (quarenta por cento) das
de ensino; novas matrículas, no segmento público.
11.3) fomentar a expansão da oferta de educação pro-
fissional técnica de nível médio na modalidade de educação Estratégias:
a distância, com a finalidade de ampliar a oferta e demo- 12.1) otimizar a capacidade instalada da estrutura física e
cratizar o acesso à educação profissional pública e gratuita, de recursos humanos das instituições públicas de educação
assegurado padrão de qualidade; superior, mediante ações planejadas e coordenadas, de for-
11.4) estimular a expansão do estágio na educação pro- ma a ampliar e interiorizar o acesso à graduação;
fissional técnica de nível médio e do ensino médio regular, 12.2) ampliar a oferta de vagas, por meio da expansão e
preservando-se seu caráter pedagógico integrado ao itine- interiorização da rede federal de educação superior, da Rede
rário formativo do aluno, visando à formação de qualifica- Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e
ções próprias da atividade profissional, à contextualização do sistema Universidade Aberta do Brasil, considerando a
curricular e ao desenvolvimento da juventude; densidade populacional, a oferta de vagas públicas em re-
11.5) ampliar a oferta de programas de reconhecimen- lação à população na idade de referência e observadas as
to de saberes para fins de certificação profissional em nível características regionais das micro e mesorregiões definidas
técnico; pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -
11.6) ampliar a oferta de matrículas gratuitas de educa- IBGE, uniformizando a expansão no território nacional;
ção profissional técnica de nível médio pelas entidades pri- 12.3) elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos
vadas de formação profissional vinculadas ao sistema sindi- cursos de graduação presenciais nas universidades públicas
cal e entidades sem fins lucrativos de atendimento à pessoa para 90% (noventa por cento), ofertar, no mínimo, um terço
com deficiência, com atuação exclusiva na modalidade; das vagas em cursos noturnos e elevar a relação de estudan-
11.7) expandir a oferta de financiamento estudantil à tes por professor (a) para 18 (dezoito), mediante estratégias
educação profissional técnica de nível médio oferecida em de aproveitamento de créditos e inovações acadêmicas que
instituições privadas de educação superior; valorizem a aquisição de competências de nível superior;
11.8) institucionalizar sistema de avaliação da qualidade 12.4) fomentar a oferta de educação superior pública e
da educação profissional técnica de nível médio das redes gratuita prioritariamente para a formação de professores e
escolares públicas e privadas; professoras para a educação básica, sobretudo nas áreas de
11.9) expandir o atendimento do ensino médio gratuito ciências e matemática, bem como para atender ao défice de
integrado à formação profissional para as populações do profissionais em áreas específicas;
campo e para as comunidades indígenas e quilombolas, de 12.5) ampliar as políticas de inclusão e de assistência es-
acordo com os seus interesses e necessidades; tudantil dirigidas aos (às) estudantes de instituições públicas,
11.10) expandir a oferta de educação profissional téc- bolsistas de instituições privadas de educação superior e be-
nica de nível médio para as pessoas com deficiência, trans- neficiários do Fundo de Financiamento Estudantil - FIES, de
tornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou que trata a Lei no 10.260, de 12 de julho de 2001, na educação
superdotação; superior, de modo a reduzir as desigualdades étnico-raciais
11.11) elevar gradualmente a taxa de conclusão média e ampliar as taxas de acesso e permanência na educação
dos cursos técnicos de nível médio na Rede Federal de Edu- superior de estudantes egressos da escola pública, afro-
cação Profissional, Científica e Tecnológica para 90% (no- descendentes e indígenas e de estudantes com deficiência,
venta por cento) e elevar, nos cursos presenciais, a relação transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades
de alunos (as) por professor para 20 (vinte); ou superdotação, de forma a apoiar seu sucesso acadêmico;
11.12) elevar gradualmente o investimento em progra- 12.6) expandir o financiamento estudantil por meio do
mas de assistência estudantil e mecanismos de mobilidade Fundo de Financiamento Estudantil - FIES, de que trata a Lei
acadêmica, visando a garantir as condições necessárias à no 10.260, de 12 de julho de 2001, com a constituição de fun-
permanência dos (as) estudantes e à conclusão dos cursos do garantidor do financiamento, de forma a dispensar pro-
técnicos de nível médio; gressivamente a exigência de fiador;

33
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

12.7) assegurar, no mínimo, 10% (dez por cento) do total 12.21) fortalecer as redes físicas de laboratórios multi-
de créditos curriculares exigidos para a graduação em progra- funcionais das IES e ICTs nas áreas estratégicas definidas pela
mas e projetos de extensão universitária, orientando sua ação, política e estratégias nacionais de ciência, tecnologia e ino-
prioritariamente, para áreas de grande pertinência social; vação.
12.8) ampliar a oferta de estágio como parte da formação
na educação superior; Meta 13: elevar a qualidade da educação superior e am-
12.9) ampliar a participação proporcional de grupos his- pliar a proporção de mestres e doutores do corpo docente
toricamente desfavorecidos na educação superior, inclusive em efetivo exercício no conjunto do sistema de educação su-
mediante a adoção de políticas afirmativas, na forma da lei; perior para 75% (setenta e cinco por cento), sendo, do total,
12.10) assegurar condições de acessibilidade nas institui- no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) doutores.
ções de educação superior, na forma da legislação;
12.11) fomentar estudos e pesquisas que analisem a ne- Estratégias:
cessidade de articulação entre formação, currículo, pesquisa e 13.1) aperfeiçoar o Sistema Nacional de Avaliação da
mundo do trabalho, considerando as necessidades econômi- Educação Superior - SINAES, de que trata a Lei no 10.861, de
cas, sociais e culturais do País; 14 de abril de 2004, fortalecendo as ações de avaliação, re-
12.12) consolidar e ampliar programas e ações de incenti- gulação e supervisão;
vo à mobilidade estudantil e docente em cursos de graduação 13.2) ampliar a cobertura do Exame Nacional de Desem-
e pós-graduação, em âmbito nacional e internacional, tendo penho de Estudantes - ENADE, de modo a ampliar o quanti-
em vista o enriquecimento da formação de nível superior; tativo de estudantes e de áreas avaliadas no que diz respeito
12.13) expandir atendimento específico a populações do à aprendizagem resultante da graduação;
campo e comunidades indígenas e quilombolas, em relação 13.3) induzir processo contínuo de autoavaliação das ins-
a acesso, permanência, conclusão e formação de profissionais tituições de educação superior, fortalecendo a participação
para atuação nessas populações; das comissões próprias de avaliação, bem como a aplicação
12.14) mapear a demanda e fomentar a oferta de forma- de instrumentos de avaliação que orientem as dimensões a
ção de pessoal de nível superior, destacadamente a que se re- serem fortalecidas, destacando-se a qualificação e a dedica-
fere à formação nas áreas de ciências e matemática, conside-
ção do corpo docente;
rando as necessidades do desenvolvimento do País, a inova-
13.4) promover a melhoria da qualidade dos cursos de
ção tecnológica e a melhoria da qualidade da educação básica;
pedagogia e licenciaturas, por meio da aplicação de instru-
12.15) institucionalizar programa de composição de acer-
mento próprio de avaliação aprovado pela Comissão Nacio-
vo digital de referências bibliográficas e audiovisuais para os
nal de Avaliação da Educação Superior - CONAES, integran-
cursos de graduação, assegurada a acessibilidade às pessoas
do-os às demandas e necessidades das redes de educação
com deficiência; 
12.16) consolidar processos seletivos nacionais e regio- básica, de modo a permitir aos graduandos a aquisição das
nais para acesso à educação superior como forma de superar qualificações necessárias a conduzir o processo pedagógico
exames vestibulares isolados; de seus futuros alunos (as), combinando formação geral e
12.17) estimular mecanismos para ocupar as vagas ocio- específica com a prática didática, além da educação para as
sas em cada período letivo na educação superior pública; relações étnico-raciais, a diversidade e as necessidades das
12.18) estimular a expansão e reestruturação das institui- pessoas com deficiência;
ções de educação superior estaduais e municipais cujo ensi- 13.5) elevar o padrão de qualidade das universidades,
no seja gratuito, por meio de apoio técnico e financeiro do direcionando sua atividade, de modo que realizem, efetiva-
Governo Federal, mediante termo de adesão a programa de mente, pesquisa institucionalizada, articulada a programas
reestruturação, na forma de regulamento, que considere a sua de pós-graduação stricto sensu;
contribuição para a ampliação de vagas, a capacidade fiscal e 13.6) substituir o Exame Nacional de Desempenho de Es-
as necessidades dos sistemas de ensino dos entes mantene- tudantes - ENADE aplicado ao final do primeiro ano do curso
dores na oferta e qualidade da educação básica; de graduação pelo Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM,
12.19) reestruturar com ênfase na melhoria de prazos e a fim de apurar o valor agregado dos cursos de graduação;
qualidade da decisão, no prazo de 2 (dois) anos, os procedi- 13.7) fomentar a formação de consórcios entre insti-
mentos adotados na área de avaliação, regulação e supervisão, tuições públicas de educação superior, com vistas a poten-
em relação aos processos de autorização de cursos e institui- cializar a atuação regional, inclusive por meio de plano de
ções, de reconhecimento ou renovação de reconhecimento de desenvolvimento institucional integrado, assegurando maior
cursos superiores e de credenciamento ou recredenciamento visibilidade nacional e internacional às atividades de ensino,
de instituições, no âmbito do sistema federal de ensino; pesquisa e extensão;
12.20) ampliar, no âmbito do Fundo de Financiamento 13.8) elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos
ao Estudante do Ensino Superior - FIES, de que trata a Lei nº cursos de graduação presenciais nas universidades públicas,
10.260, de 12 de julho de 2001, e do Programa Universidade de modo a atingir 90% (noventa por cento) e, nas instituições
para Todos - PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de ja- privadas, 75% (setenta e cinco por cento), em 2020, e fomen-
neiro de 2005, os benefícios destinados à concessão de finan- tar a melhoria dos resultados de aprendizagem, de modo
ciamento a estudantes regularmente matriculados em cursos que, em 5 (cinco) anos, pelo menos 60% (sessenta por cento)
superiores presenciais ou a distância, com avaliação positiva, dos estudantes apresentem desempenho positivo igual ou
de acordo com regulamentação própria, nos processos con- superior a 60% (sessenta por cento) no Exame Nacional de
duzidos pelo Ministério da Educação; Desempenho de Estudantes - ENADE e, no último ano de

34
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

vigência, pelo menos 75% (setenta e cinco por cento) dos es- 14.14) estimular a pesquisa científica e de inovação e
tudantes obtenham desempenho positivo igual ou superior promover a formação de recursos humanos que valorize a
a 75% (setenta e cinco por cento) nesse exame, em cada área diversidade regional e a biodiversidade da região amazônica
de formação profissional; e do cerrado, bem como a gestão de recursos hídricos no
13.9) promover a formação inicial e continuada dos (as) semiárido para mitigação dos efeitos da seca e geração de
profissionais técnico-administrativos da educação superior. emprego e renda na região;
14.15) estimular a pesquisa aplicada, no âmbito das IES e
Meta 14: elevar gradualmente o número de matrículas das ICTs, de modo a incrementar a inovação e a produção e
na pós-graduação stricto sensu, de modo a atingir a titulação registro de patentes.
anual de 60.000 (sessenta mil) mestres e 25.000 (vinte e cinco
mil) doutores. Meta 15: garantir, em regime de colaboração entre a
União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no pra-
Estratégias: zo de 1 (um) ano de vigência deste PNE, política nacional de
14.1) expandir o financiamento da pós-graduação stricto formação dos profissionais da educação de que tratam os
sensu por meio das agências oficiais de fomento; incisos I, II e III do caput do art. 61 da Lei no 9.394, de 20 de
14.2) estimular a integração e a atuação articulada en- dezembro de 1996, assegurado que todos os professores e
tre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível as professoras da educação básica possuam formação espe-
Superior - CAPES e as agências estaduais de fomento à pes- cífica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na
quisa; área de conhecimento em que atuam.
14.3) expandir o financiamento estudantil por meio do
Fies à pós-graduação stricto sensu; Estratégias:
14.4) expandir a oferta de cursos de pós-graduação stric- 15.1) atuar, conjuntamente, com base em plano estraté-
to sensu, utilizando inclusive metodologias, recursos e tecno- gico que apresente diagnóstico das necessidades de formação
logias de educação a distância; de profissionais da educação e da capacidade de atendimento,
14.5) implementar ações para reduzir as desigualdades por parte de instituições públicas e comunitárias de educação
étnico-raciais e regionais e para favorecer o acesso das po- superior existentes nos Estados, Distrito Federal e Municípios,
pulações do campo e das comunidades indígenas e quilom- e defina obrigações recíprocas entre os partícipes;
bolas a programas de mestrado e doutorado; 15.2) consolidar o financiamento estudantil a estudantes
14.6) ampliar a oferta de programas de pós-gradua- matriculados em cursos de licenciatura com avaliação positi-
ção stricto sensu, especialmente os de doutorado, nos cam- va pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior
pi novos abertos em decorrência dos programas de expan- - SINAES, na forma da Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004,
são e interiorização das instituições superiores públicas; inclusive a amortização do saldo devedor pela docência efe-
14.7) manter e expandir programa de acervo digital de tiva na rede pública de educação básica;
referências bibliográficas para os cursos de pós-graduação, 15.3) ampliar programa permanente de iniciação à do-
assegurada a acessibilidade às pessoas com deficiência; cência a estudantes matriculados em cursos de licenciatura,
14.8) estimular a participação das mulheres nos cursos a fim de aprimorar a formação de profissionais para atuar no
de pós-graduação stricto sensu, em particular aqueles liga- magistério da educação básica;
dos às áreas de Engenharia, Matemática, Física, Química, In- 15.4) consolidar e ampliar plataforma eletrônica para or-
formática e outros no campo das ciências; ganizar a oferta e as matrículas em cursos de formação inicial
14.9) consolidar programas, projetos e ações que obje- e continuada de profissionais da educação, bem como para
tivem a internacionalização da pesquisa e da pós-graduação divulgar e atualizar seus currículos eletrônicos;
brasileiras, incentivando a atuação em rede e o fortalecimen- 15.5) implementar programas específicos para formação de
to de grupos de pesquisa; profissionais da educação para as escolas do campo e de comu-
14.10) promover o intercâmbio científico e tecnológico, nidades indígenas e quilombolas e para a educação especial;
nacional e internacional, entre as instituições de ensino, pes- 15.6) promover a reforma curricular dos cursos de licen-
quisa e extensão; ciatura e estimular a renovação pedagógica, de forma a asse-
14.11) ampliar o investimento em pesquisas com foco gurar o foco no aprendizado do (a) aluno (a), dividindo a car-
em desenvolvimento e estímulo à inovação, bem como incre- ga horária em formação geral, formação na área do saber e
mentar a formação de recursos humanos para a inovação, de didática específica e incorporando as modernas tecnologias
modo a buscar o aumento da competitividade das empresas de informação e comunicação, em articulação com a base
de base tecnológica; nacional comum dos currículos da educação básica, de que
14.12) ampliar o investimento na formação de doutores tratam as estratégias 2.1, 2.2, 3.2 e 3.3 deste PNE;
de modo a atingir a proporção de 4 (quatro) doutores por 15.7) garantir, por meio das funções de avaliação, regula-
1.000 (mil) habitantes; ção e supervisão da educação superior, a plena implementa-
14.13) aumentar qualitativa e quantitativamente o de- ção das respectivas diretrizes curriculares;
sempenho científico e tecnológico do País e a competitivi- 15.8) valorizar as práticas de ensino e os estágios nos
dade internacional da pesquisa brasileira, ampliando a coo- cursos de formação de nível médio e superior dos profissio-
peração científica com empresas, Instituições de Educação nais da educação, visando ao trabalho sistemático de articu-
Superior - IES e demais Instituições Científicas e Tecnológicas lação entre a formação acadêmica e as demandas da educa-
- ICTs; ção básica;

35
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

15.9) implementar cursos e programas especiais para as- 16.6) fortalecer a formação dos professores e das profes-
segurar formação específica na educação superior, nas res- soras das escolas públicas de educação básica, por meio da
pectivas áreas de atuação, aos docentes com formação de implementação das ações do Plano Nacional do Livro e Leitura
nível médio na modalidade normal, não licenciados ou licen- e da instituição de programa nacional de disponibilização de
ciados em área diversa da de atuação docente, em efetivo recursos para acesso a bens culturais pelo magistério público.
exercício;
15.10) fomentar a oferta de cursos técnicos de nível mé- Meta 17: valorizar os (as) profissionais do magistério das re-
dio e tecnológicos de nível superior destinados à formação, des públicas de educação básica de forma a equiparar seu ren-
nas respectivas áreas de atuação, dos (as) profissionais da dimento médio ao dos (as) demais profissionais com escolarida-
educação de outros segmentos que não os do magistério; de equivalente, até o final do sexto ano de vigência deste PNE.
15.11) implantar, no prazo de 1 (um) ano de vigência
desta Lei, política nacional de formação continuada para os Estratégias:
(as) profissionais da educação de outros segmentos que não 17.1) constituir, por iniciativa do Ministério da Educação,
os do magistério, construída em regime de colaboração en- até o final do primeiro ano de vigência deste PNE, fórum
tre os entes federados; permanente, com representação da União, dos Estados, do
15.12) instituir programa de concessão de bolsas de es- Distrito Federal, dos Municípios e dos trabalhadores da edu-
tudos para que os professores de idiomas das escolas públi- cação, para acompanhamento da atualização progressiva do
cas de educação básica realizem estudos de imersão e aper- valor do piso salarial nacional para os profissionais do magis-
feiçoamento nos países que tenham como idioma nativo as tério público da educação básica;
línguas que lecionem; 17.2) constituir como tarefa do fórum permanente o
15.13) desenvolver modelos de formação docente para acompanhamento da evolução salarial por meio de indicado-
a educação profissional que valorizem a experiência prática, res da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD,
por meio da oferta, nas redes federal e estaduais de educação periodicamente divulgados pela Fundação Instituto Brasileiro
profissional, de cursos voltados à complementação e certifi- de Geografia e Estatística - IBGE;
cação didático-pedagógica de profissionais experientes. 17.3) implementar, no âmbito da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, planos de Carreira para os
Meta 16: formar, em nível de pós-graduação, 50% (cin- (as) profissionais do magistério das redes públicas de edu-
quenta por cento) dos professores da educação básica, até o cação básica, observados os critérios estabelecidos na Lei
último ano de vigência deste PNE, e garantir a todos (as) os no 11.738, de 16 de julho de 2008, com implantação gradual
(as) profissionais da educação básica formação continuada do cumprimento da jornada de trabalho em um único esta-
em sua área de atuação, considerando as necessidades, de- belecimento escolar;
mandas e contextualizações dos sistemas de ensino. 17.4) ampliar a assistência financeira específica da União
aos entes federados para implementação de políticas de va-
Estratégias: lorização dos (as) profissionais do magistério, em particular o
16.1) realizar, em regime de colaboração, o planejamento piso salarial nacional profissional.
estratégico para dimensionamento da demanda por forma-
ção continuada e fomentar a respectiva oferta por parte das Meta 18: assegurar, no prazo de 2 (dois) anos, a existên-
instituições públicas de educação superior, de forma orgâ- cia de planos de Carreira para os (as) profissionais da educa-
nica e articulada às políticas de formação dos Estados, do ção básica e superior pública de todos os sistemas de ensino
Distrito Federal e dos Municípios; e, para o plano de Carreira dos (as) profissionais da educação
16.2) consolidar política nacional de formação de profes- básica pública, tomar como referência o piso salarial nacional
sores e professoras da educação básica, definindo diretrizes profissional, definido em lei federal, nos termos do inciso VIII
nacionais, áreas prioritárias, instituições formadoras e pro- do art. 206 da Constituição Federal.
cessos de certificação  das atividades formativas;
16.3) expandir programa de composição de acervo de Estratégias:
obras didáticas, paradidáticas e de literatura e de dicionários, 18.1) estruturar as redes públicas de educação básica de
e programa específico de acesso a bens culturais, incluindo modo que, até o início do terceiro ano de vigência deste PNE,
obras e materiais produzidos em Libras e em Braille, sem pre- 90% (noventa por cento), no mínimo, dos respectivos profis-
juízo de outros, a serem disponibilizados para os professores sionais do magistério e 50% (cinquenta por cento), no mínimo,
e as professoras da rede pública de educação básica, favo- dos respectivos profissionais da educação não docentes se-
recendo a construção do conhecimento e a valorização da jam ocupantes de cargos de provimento efetivo e estejam em
cultura da investigação; exercício nas redes escolares a que se encontrem vinculados;
16.4) ampliar e consolidar portal eletrônico para subsi- 18.2) implantar, nas redes públicas de educação básica e
diar a atuação dos professores e das professoras da educação superior, acompanhamento dos profissionais iniciantes, super-
básica, disponibilizando gratuitamente materiais didáticos e visionados por equipe de profissionais experientes, a fim de fun-
pedagógicos suplementares, inclusive aqueles com formato damentar, com base em avaliação documentada, a decisão pela
acessível; efetivação após o estágio probatório e oferecer, durante esse
16.5) ampliar a oferta de bolsas de  estudo  para pós-gra- período, curso de aprofundamento de estudos na área de atua-
duação dos professores e das professoras e demais profissio- ção do (a) professor (a), com destaque para os conteúdos a se-
nais da educação básica; rem ensinados e as metodologias de ensino de cada disciplina;

36
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

18.3) realizar, por iniciativa do Ministério da Educação, a 19.5) estimular a constituição e o fortalecimento de con-
cada 2 (dois) anos a partir do segundo ano de vigência deste selhos escolares e conselhos municipais de educação, como
PNE, prova nacional para subsidiar os Estados, o Distrito Fe- instrumentos de participação e fiscalização na gestão escolar e
deral e os Municípios, mediante adesão, na realização de con- educacional, inclusive por meio de programas de formação de
cursos públicos de admissão de profissionais do magistério da conselheiros, assegurando-se condições de funcionamento au-
educação básica pública; tônomo;
18.4) prever, nos planos de Carreira dos profissionais da 19.6) estimular a participação e a consulta de profissionais
educação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da educação, alunos (as) e seus familiares na formulação dos
licenças remuneradas e incentivos para qualificação profissio- projetos político-pedagógicos, currículos escolares, planos de
nal, inclusive em nível de pós-graduação stricto sensu; gestão escolar e regimentos escolares, assegurando a participa-
18.5) realizar anualmente, a partir do segundo ano de vi- ção dos pais na avaliação de docentes e gestores escolares;
gência deste PNE, por iniciativa do Ministério da Educação, em 19.7) favorecer processos de autonomia pedagógica, admi-
regime de colaboração, o censo dos (as) profissionais da edu- nistrativa e de gestão financeira nos estabelecimentos de ensino;
cação básica de outros segmentos que não os do magistério; 19.8) desenvolver programas de formação de diretores e ges-
18.6) considerar as especificidades socioculturais das es- tores escolares, bem como aplicar prova nacional específica, a fim
colas do campo e das comunidades indígenas e quilombolas de subsidiar a definição de critérios objetivos para o provimento
no provimento de cargos efetivos para essas escolas; dos cargos, cujos resultados possam ser utilizados por adesão.
18.7) priorizar o repasse de transferências federais voluntá-
rias, na área de educação, para os Estados, o Distrito Federal e Meta 20: ampliar o investimento público em educação
os Municípios que tenham aprovado lei específica estabelecen- pública de forma a atingir, no mínimo, o patamar de 7%
do planos de Carreira para os (as) profissionais da educação; (sete por cento) do Produto Interno Bruto - PIB do País no
18.8) estimular a existência de comissões permanentes 5o (quinto) ano de vigência desta Lei e, no mínimo, o equi-
de profissionais da educação de todos os sistemas de ensino, valente a 10% (dez por cento) do PIB ao final do decênio.
em todas as instâncias da Federação, para subsidiar os órgãos
competentes na elaboração, reestruturação e implementação Estratégias:
dos planos de Carreira. 20.1) garantir fontes de financiamento permanentes e
sustentáveis para todos os níveis, etapas e modalidades da
Meta 19: assegurar condições, no prazo de 2 (dois) anos, educação básica, observando-se as políticas de colaboração
para a efetivação da gestão democrática da educação, asso- entre os entes federados, em especial as decorrentes do art.
ciada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à consulta 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e do §
pública à comunidade escolar, no âmbito das escolas públicas, 1o do art. 75 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996,
prevendo recursos e apoio técnico da União para tanto. que tratam da capacidade de atendimento e do esforço fiscal
de cada ente federado, com vistas a atender suas demandas
Estratégias: educacionais à luz do padrão de qualidade nacional;
19.1) priorizar o repasse de transferências voluntárias da 20.2) aperfeiçoar e ampliar os mecanismos de acompa-
União na área da educação para os entes federados que tenham nhamento da arrecadação da contribuição social do salário
aprovado legislação específica que regulamente a matéria na -educação;
área de sua abrangência, respeitando-se a legislação nacional, e 20.3) destinar à manutenção e desenvolvimento do ensi-
que considere, conjuntamente, para a nomeação dos diretores e no, em acréscimo aos recursos vinculados nos termos do art.
diretoras de escola, critérios técnicos de mérito e desempenho, 212 da Constituição Federal, na forma da lei específica, a
bem como a participação da comunidade escolar; parcela da participação no resultado ou da compensação fi-
19.2) ampliar os programas de apoio e formação aos (às) nanceira pela exploração de petróleo e gás natural e outros
conselheiros (as) dos conselhos de acompanhamento e controle recursos, com a finalidade de cumprimento da meta prevista
social do Fundeb, dos conselhos de alimentação escolar, dos con- no inciso VI do caput do art. 214 da Constituição Federal;
selhos regionais e de outros e aos (às) representantes educacionais 20.4) fortalecer os mecanismos e os instrumentos que
em demais conselhos de acompanhamento de políticas públicas, assegurem, nos termos do parágrafo único do art. 48 da Lei
garantindo a esses colegiados recursos financeiros, espaço físico Complementar no 101, de 4 de maio de 2000, a transparência
adequado, equipamentos e meios de transporte para visitas à e o controle social na utilização dos recursos públicos aplica-
rede escolar, com vistas ao bom desempenho de suas funções; dos em educação, especialmente a realização de audiências
19.3) incentivar os Estados, o Distrito Federal e os Muni- públicas, a criação de portais eletrônicos de transparência e a
cípios a constituírem Fóruns Permanentes de Educação, com capacitação dos membros de conselhos de acompanhamen-
o intuito de coordenar as conferências municipais, estaduais to e controle social do Fundeb, com a colaboração entre o
e distrital bem como efetuar o acompanhamento da execu- Ministério da Educação, as Secretarias de Educação dos Esta-
ção deste PNE e dos seus planos de educação; dos e dos Municípios e os Tribunais de Contas da União, dos
19.4) estimular, em todas as redes de educação básica, Estados e dos Municípios;
a constituição e o fortalecimento de grêmios estudantis e 20.5) desenvolver, por meio do Instituto Nacional de Es-
associações de pais, assegurando-se-lhes, inclusive, espaços tudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP, estudos
adequados e condições de funcionamento nas escolas e fo- e acompanhamento regular dos investimentos e custos por
mentando a sua articulação orgânica com os conselhos esco- aluno da educação básica e superior pública, em todas as suas
lares, por meio das respectivas representações; etapas e modalidades;

37
BASES LEGAIS DO ENSINO SUPERIOR/UEPB

20.6) no prazo de 2 (dois) anos da vigência deste PNE, EXERCICIOS


será implantado o Custo Aluno-Qualidade inicial - CAQi,
referenciado no conjunto de padrões mínimos estabeleci- 01) Considerando as bases legais da educação nacional
dos na legislação educacional  e cujo financiamento será  Constituição Federal de 1988 e Lei de Diretrizes e Bases da
calculado com base nos respectivos insumos indispensá- Educação Nacional (LDB) julgue os itens seguintes.
veis ao processo de ensino-aprendizagem e será progres- Compete aos estados autorizar, reconhecer, creden-
sivamente reajustado até a implementação plena do Custo ciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, os cursos das
Aluno Qualidade - CAQ; instituições de educação superior e os criados e mantidos
20.7) implementar o Custo Aluno Qualidade - CAQ pelos poderes municipais.
como parâmetro para o financiamento da educação de C. Certo
todas etapas e modalidades da educação básica, a partir E. Errado
do cálculo e do acompanhamento regular dos indicadores
Resposta: Certo
de gastos educacionais com investimentos em qualificação
e remuneração do pessoal docente e dos demais profis-
02) Nos termos da Lei de Diretrizes e Bases − LDB, Lei
sionais da educação pública, em aquisição, manutenção,
no 9.394/1996, são atribuições docentes:
construção e conservação de instalações e equipamentos I. Participar da elaboração da proposta pedagógica do
necessários ao ensino e em aquisição de material didático estabelecimento de ensino.
-escolar, alimentação e transporte escolar; II. Elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a
20.8) o CAQ será definido no prazo de 3 (três) anos e proposta do Conselho Tutelar do Município.
será continuamente ajustado, com base em metodologia III. Zelar pela aprendizagem dos alunos.
formulada pelo Ministério da Educação - MEC, e acompa- IV. Estabelecer estratégias de recuperação para os alu-
nhado pelo Fórum Nacional de Educação - FNE, pelo Con- nos de menor rendimento.
selho Nacional de Educação - CNE e pelas Comissões de Está correto o que se afirma APENAS em
Educação da Câmara dos Deputados e de Educação, Cultu- A. I e II.
ra e Esportes do Senado Federal; B. I, II e III.
20.9) regulamentar o parágrafo único do art. 23 e o art. C. II e IV.
211 da Constituição Federal, no prazo de 2 (dois) anos, por D. I, III e IV.
lei complementar, de forma a estabelecer as normas de E. III e IV.
cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e
os Municípios, em matéria educacional, e a articulação do Resposta: D
sistema nacional de educação em regime de colaboração,
com equilíbrio na repartição das responsabilidades e dos 03) A Educação à Distância − EaD é normatizada pela Lei de
recursos e efetivo cumprimento das funções redistributiva Diretrizes e Bases da Educação Nacional e tem, como características
e supletiva da União no combate às desigualdades educa- básicas, a separação física entre o professor e o aluno e a utilização
cionais regionais, com especial atenção às regiões Norte e de meios técnicos para a comunicação. São tecnologias utilizadas
Nordeste; nas diversas gerações de EaD, usualmente narradas na literatura:
20.10) caberá à União, na forma da lei, a complementa- A. distributivas, interativas e colaborativas.
ção de recursos financeiros a todos os Estados, ao Distrito B. padronizadas, individualizadas e customizadas.
Federal e aos Municípios que não conseguirem atingir o C. fechadas, compartilhadas e abertas.
D. segmentadas, integradas e globais.
valor do CAQi e, posteriormente, do CAQ;
E. de massa, por grupo de interesse e individualizadas.
20.11) aprovar, no prazo de 1 (um) ano, Lei de Respon-
sabilidade Educacional, assegurando padrão de qualidade
Resposta: A
na educação básica, em cada sistema e rede de ensino,
aferida pelo processo de metas de qualidade aferidas por 04) Acerca da legislação educacional brasileira, julgue os itens
institutos oficiais de avaliação educacionais; a seguir. No ensino fundamental, o aluno pode optar por cursar
20.12) definir critérios para distribuição dos recursos ou a língua inglesa ou a língua espanhola a partir do sexto ano.
adicionais dirigidos à educação ao longo do decênio, que C. Certo
considerem a equalização das oportunidades educacionais, E. Errado
a vulnerabilidade socioeconômica e o compromisso técni-
co e de gestão do sistema de ensino, a serem pactuados na Resposta: Errado
instância prevista no § 5o do art. 7o desta Lei.
05) Acerca da legislação educacional brasileira, julgue
os itens a seguir. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional, ações educativas oriundas de movi-
mentos como o hip-hop também são processos formativos.
C. Certo
E. Errado

Resposta: Certo

38
HISTÓRIA E BASES LEGAIS DA UEPB

Histórico da Instituição. ........................................................................................................................................................................................ 01


A UEPB na Constituição Estadual. ..................................................................................................................................................................... 02
Lei nº 10.488, de 23 de junho de 2015 (Plano Estadual de Educação). .............................................................................................. 02
A Lei nº 7.643/2004, de 06 de agosto de 2004 (Lei da Autonomia Financeira). ............................................................................. 03
Estatuto da UEPB. – LEI 4.977/87 – Criação da UEPB.................................................................................................................................. 04
HISTÓRIA E BASES LEGAIS DA UEPB

Foi no primeiro reitorado do professor Sebastião Gui-


HISTÓRICO DA INSTITUIÇÃO. marães Vieira, que a Lei nº 4.977, de 11 de outubro de
1987, sancionada pelo então governador Tarcísio Burity,
transformou a deficitária URNe em Universidade Estadual
da Paraíba. A partir de então, novos caminhos se descor-
Investido das funções de prefeito constitucional, o ad- tinaram para a UEPB. A assinatura da lei foi o coroamento
vogado Williams de Souza Arruda, criou a Universidade da mobilização envolvendo as entidades dos professores,
Regional do Nordeste, cuja mantenedora seria a Fundação funcionários e alunos, lideranças políticas e entidades de
Universidade Regional do Nordeste. A primeira reunião do classe.
Conselho Universitário ocorreu em 13 de abril de 1966, Reconhecimento pelo MEC
com o objetivo de eleger o presidente da FURNe. O reconhecimento pelo Conselho Nacional de Educa-
Dessa reunião participaram Williams de Souza Arruda, ção do MEC pode ser encarado como um dos importantes
Francisco Chaves Brasileiro, Edvaldo de Souza do Ó, Ma- fatos da história da Universidade Estadual da Paraíba. O re-
nuel Figueiredo e José Lopes de Andrade, além do pro- conhecimento veio, exatamente, quando a UEPB celebrava
fessor Francisco Maia, na condição de diretor da Faculdade os 30 anos de criação daquela que lhe deu origem, a Uni-
de Filosofia, a mais antiga das faculdades que passaram a versidade Regional do Nordeste.
integrar a URNe. Em 1º de novembro de 1996, nove anos depois da es-
Por unanimidade, foi escolhido o nome do prefeito Wil- tadualização da URNe, a UEPB já era uma cristalina reali-
liams Arruda para presidir a Fundação e, ao mesmo tempo, dade, com mais de 11 mil alunos, 890 professores e 691
exercer o cargo de primeiro reitor. Tratava-se, evidente- servidores técnico-administrativos; atuando em 26 cursos
mente, de um reconhecimento, de uma honra ao mérito, de graduação, vários cursos de especialização, dois cursos
apesar de ser quase impossível ao então prefeito assumir a de mestrado, além de duas escolas agrotécnicas, reunindo
direção superior da Universidade, face à responsabilidade quase 400 alunos.
que pesava sobre os seus ombros. No final do segundo reitorado do professor Itan Pereira
Como vice-reitor foi eleito o economista Edvaldo de da Silva, o ato de reconhecimento foi assinado em Campi-
Souza do Ó, que terminou assumindo a Reitoria em julho na Grande pelo então ministro da Educação, Paulo Renato
de 1966. Edvaldo exerceu o reitorado até 10 de abril de Souza, ex-reitor da Universidade Estadual de Campinas –
1969, quando se abateu sobre a URNe a fúria da interven- Unicamp. Com a assinatura do Decreto de Reconhecimento
ção federal, consequência do golpe militar que já vigorava pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, a UEPB
no país desde 1964. passou à condição de Instituição de Ensino Superior conso-
Em 1969, fruto da ação realizadora de Edvaldo do Ó e lidada e definitiva, cujos méritos foram reconhecidos pela
de um grupo de abnegados colaboradores, a Universidade instância governamental responsável pelo ensino em todo
Regional do Nordeste, hoje UEPB, já era uma realidade irre- o país.
versível. Cabia aos que viriam em seguida, dar continuida- As providências objetivando o reconhecimento da Uni-
de à obra iniciada em 1966. versidade Estadual da Paraíba começaram, de fato, dois
Estadualização: Vitória da Comunidade Acadêmica anos antes, em 1994, quando o então reitor Itan Pereira
Acompanhados pelas lideranças políticas, classistas e encaminhou ao Conselho Federal de Educação, transfor-
comunitárias, os representantes de professores, estudantes mado depois em Conselho Nacional de Educação, toda a
e funcionários da URNe articularam uma vigorosa mobili- documentação da UEPB. Era o início da fase decisiva da
zação que levou o Governo do Estado a promover a esta- tramitação do processo.
dualização da Universidade. Depois da criação e da auto- Do trabalho executado, resultou um relatório que ser-
rização para que a URNe funcionasse, a estadualização foi viu para instruir a análise do processo de reconhecimento
um fato de grande repercussão na história da Instituição. da UEPB pelo Conselho Federal de Educação.
Apesar de todas as dificuldades, num primeiro mo- Autonomia Financeira: um marco na história da UEPB
mento, o que se pretendia, era a federalização da URNe. O Século 21 chegou e com ele o coroamento do pro-
Enquanto os dirigentes da URNe batalhavam pela absor- cesso de consolidação da Universidade Estadual da Paraíba,
ção da área de Saúde pela UFPB ou federalização pura e representado pela expansão e pela conquista da Autono-
simples, não esqueciam que a Estadualização poderia ser mia Financeira da Instituição. Com a Autonomia concedida
mais um caminho. Em 1982, o então reitor Vital do Rêgo, através da Lei n° 7.643, de 6 de agosto de 2004, sancionada
tentaria, sem êxito, a Estadualização da URNe junto ao go- pelo então governador Cássio Cunha Lima, a UEPB inaugu-
vernador Clóvis Bezerra, sucessor, no cargo, do professor rou uma nova fase em sua história. (Ver Diário Oficial)
Tarcísio Burity. Para todas as lideranças envolvidas na luta por esta
Posteriormente, os reitores Luiz Ribeiro, Sérgio Dantas conquista, a Autonomia Financeira representou uma vitória
e Guilherme Cruz buscaram a mesma solução, mas não ob- do ensino público e gratuito. Com a Autonomia, a Univer-
tiveram êxito em suas tentativas junto ao Governo do Esta- sidade Estadual da Paraíba, por direcionar sua ação a quase
do. O reitor Guilherme Cruz chegou a apresentar, em 1985, todos os municípios, passou a poder fazer muito mais pelo
a proposta para que o Governo do Estado colaborasse com Estado.
50% do orçamento da URNe. Mais uma tentativa infrutífera.

1
HISTÓRIA E BASES LEGAIS DA UEPB

Com os devidos recursos financeiros para desenvolver as Art. 2º São diretrizes do PEE:
suas ações nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, a UEPB I – erradicação do analfabetismo;
pode contribuir de forma decisiva para as soluções dos graves II – universalização do atendimento escolar;
problemas que assolam a Paraíba, entre eles, os setores educa- III – superação das desigualdades educacionais, com
cional e saúde. A Instituição empreendeu esforços para a unifi- ênfase na promoção da cidadania e na erradicação de todas
cação do pensamento de todos os segmentos da comunidade as formas de discriminação;
universitária para uma maior compreensão da Autonomia Fi- IV – melhoria da qualidade da educação;
nanceira e maior consciência do papel da Universidade Pública. V – formação para o trabalho e para a cidadania, com
Com sua Autonomia, a UEPB passou a ter condições de ênfase nos valores morais e éticos em que se fundamenta
expandir-se e melhorar a qualidade do ensino de graduação, a sociedade;
investir na pós-graduação e nas atividades de pesquisa e VI – promoção do princípio da gestão democrática da
extensão. Mas, apesar da Lei concedendo a Autonomia da educação pública;
UEPB só ter sido, de fato, sancionada em 2006, a luta pela VII – promoção humanística, científica, cultural e tecno-
Autonomia não é recente. Nove anos antes, o então gover- lógica do País;
nador Ronaldo Cunha Lima assinava o decreto que concedia VIII – estabelecimento de meta de aplicação de recursos
a autonomia didático-científica, administrativa e de gestão públicos em educação como proporção do Produto Interno
financeira da Universidade Estadual da Paraíba, sonho aca- Bruto - PIB, que assegure atendimento às necessidades de
lentado por muitas universidades públicas do país. expansão, com padrão de qualidade e equidade;
IX – valorização dos profissionais da educação; e
Fonte: http://www.uepb.edu.br/a-uepb/historico/ X – promoção dos princípios do respeito aos direitos
humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental
Art. 3º As metas e as estratégias previstas no Anexo
Único desta Lei deverão ser cumpridas no prazo de vigên-
A UEPB NA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL. cia do PEE, desde que não haja prazo inferior definido para
metas e estratégias específicas.
Art. 4º As metas e as estratégias previstas no Anexo
Art. 284. O Estado da Paraíba manterá o seu sistema de Único integrante desta Lei deverão ter como referência o
ensino superior através da Universidade Estadual da