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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFAVIP WYDEN

DIREITO

GABRIELE SOUZA RIBEIRO


PALOMA OLIVEIRA DA SILVA
THAYNÁ EVELLYN LIMA DOS SANTOS

TEORIA DA JUSTIÇA (LIBERAIS E COMUNITARISTAS)

CARUARU-PE
2019
GABRIELE SOUZA RIBEIRO
PALOMA OLIVEIRA DA SILVA
THAYNÁ EVELLYN LIMA DOS SANTOS

TEORIA DA JUSTIÇA (LIBERAIS E COMUNITARISTAS)

Trabalho apresentado ao Curso de Direito do Centro


Universitário Unifavip Wyden para a obtenção de nota.
Prof° Taiza Maria

CARUARU
2019
INTRODUÇÃO

O presente trabalho visa abordar a dualidade existente entre os liberalistas e os comunitaristas


no que diz respeito ao trabalho exposto pelo filósofo político com caráter liberalista John
Rawls. O autor citado teve sua carreira marcada após a publicação da obra "Uma Teoria de
Justiça" onde contêm seu pensamento acerca da justiça tendo como base a equidade: "Teoria
da Justiça como equidade". Esse encontro ocorrido entre os comunitaristas e a teoria de Rawls
é explicitado através de criaticas efetuadas pelos mesmos em relação ao posicionamento do
autor em sua obra no que diz respeito a forma de aplicabilidade da justiça dentro da
sociedade.
JOHN RAWLS : TEORIA DA JUSTIÇA

John Bordley Rawls foi um filósofo norte-americano, nascido em 1921, em


Baltimore, e frequentou as Universidades de Oxford e de Havard, tendo mais tarde lecionado
nesta última, e veio a falecer em 24 de novembro de 2002. Rawls teve sua carreira marcada
principalmente com a publicação da obra "Uma teoria de justiça" contendo em suas palavras a
teoria da justiça como equidade. A teoria da justiça como equidade foi apresentada por John
Rawls em 1971 com a publicação da obra "Uma Teoria de Justiça", estabelecendo um novo
marco em filosofia política na segunda metade do século XX. A teoria de Rawls parte de um
pressuposto ético motivacional tendo como questionamento a função e compromisso de cada
integrante em dada sociedade moral. Para Rawls a primeira e mais importante virtude dentro
das instituições sociais seria a justiça. Justiça essa que deveria ser obtida através de um
contrato social estabelecido entre o estado e os indivíduos, onde existiria uma igualdade entre
as partes tendo como base articuladora desse senso de justo a equidade. Rawls afirmava que o
homem por si só detinha de uma busca por essa equidade necessária entre as pessoas, no
entanto, também tinha ciência que o ser humano é um ser racional e razoável que busca agir
em prol do seu bem de acordo com o que, na sua concepção, seria o ideal para a sua vivência.
Em decorrência desse estado natural do ser humano, Rawls acreditava em sua teoria
denominada de "teoria do véu da ignorância" a qual os seres humanos estariam em um estado
chamado de posição original e não detinham de conhecimento em relação ao lugar que
ocupavam dentro de determinada sociedade. Assim, no pensamento de John, poderiam agir de
forma justa já que não saberiam sua posição social e em decorrência disso não poderiam
tomar decisões baseadas em resultados voltados para si próprios. Essa posição original,
proporcionada pelo véu da ignorância, dos indivíduos juntamente com a ação do estado de
equiparação de posições e necessidades, resultaria na justiça para Rawls.
A teoria apresentada por Rawls conta ainda com dois princípios: o "princípio da
liberdade" e o "princípio da diferença". O primeiro citado está diretamente ligado com a
questão da igualdade. A igualdade de oportunidades, no mínimo em relação aos bens
primários, torna a condição inicial justa. O segundo princípio vem como um complemento
inverso do primeiro, onde as desigualdades ainda existentes após essa equiparação de
oportunidades não é vista como injusta. A seguinte fala de Rawls em sua obra é um excelente
resumo de seu pensamento em relação à tais princípios: "igualdade de oportunidades é um
certo conjunto de instituições que assegura igualmente boa educação e chances de cultura para
todos e que mantém aberta a competição para posições com base em qualidades
razoavelmente relacionadas à performance."
Também se explicita nessa obra a intenção do autor em fornecer uma teoria, ao
mesmo tempo, crítica e opositora à concepção do utilitarismo tradicional. Na teoria utilitarista
o bem se apresenta como independente do justo, definida como teoria teleológica, o objetivo
de Rawls com a criação de sua teoria era buscar uma alternativa para contornar esse
utilitarismo estabelecendo através do seu contratualismo uma prioridade do justo em relação
ao bem, o que se conhece como teoria deontológica. No entanto, ao se analisar as duas
doutrinas (teleológica e deontológica) é possível identificar-se semelhanças entre a teoria da
justiça como equidade e outros modelos teleológicos, chegando assim a concepção de que a
teoria de Rawls não é totalmente deontológica. Dentre os elementos teleológicos encontrados
na obra pode-e destacar o consequencionalismo que busca entender os funcionamentos da
ética e moral a partir das consequências obtidas através das ações.

1. CONTRATUALISMO

O contrato social ou contratualismo foi uma corrente de pensamentos filosóficos


baseado em 3 autores que buscavam explicar a origem da sociedade e o fundamento do poder
em um contrato social, acabando com o estado de natureza em que os indivíduos se
encontravam. Hobbes, Rousseau e Locke afirmavam que as pessoas possuem uma essência
humana, para hobbes ‘’O homem é o lobo do próprio homem’’, para Rousseau ‘’O homem é
essencialmente bom, as a sociedade o corrompe’’ e para Locke, considerado o pai do
liberalismo, o homem era uma criatura naturalmente “racional e social”.

2.1 LIBERALISMO
Pode-se dizer que o liberalismo nasce na Inglaterra do século XVII, na luta da
população inglesa, dos setores da pequena nobreza inglesa (chamados de Gentlemans) contra
o rei, e foi base para a revolução inglesa e revolução gloriosa. Baseado em John Locke e Sam
Smith, considerados os pais do liberalismo político e econômico, respectivamente, o termo
liberalismo deriva do latim ‘’líber’’ que significa livre ou não-escravo. É um fundamento que
tem como base a busca da liberdade e para eles, a liberdade tem ‘’um fim em si próprio’’ ou
seja, eles defendem que não exista um grupo seja o estado ou a maioria, que lhe imponha
oque deve ser feito ou seguido.
O liberalismo político teve como base a obra ‘’O segundo tratado sobre a
sociedade Civil’’ do filosofo John Locke, onde nela ele negava a origem divina do poder e
dizia que as leis que devem reger uma comunidade política vêm da natureza e por isso ele é
denominado um Jusnaturalista, esse pensamento se perpetua pela maioria dos liberalistas
clássicos. Tais direitos que o ser humano tem naturalmente seriam o de liberdade, a vida,
igualdade e propriedade privada. Locke defendia um pensamento oposto ao do modelo
monárquico, pois para ele as ideias do rei não englobavam o direito de todos os cidadãos e
sim o de si próprio e por isso não permite um crescimento econômico e social, indo de
encontro as suas vertentes de liberdade e igualdade, prioridades do pensamento liberalista.

2.2 LIBERDADE NEGATIVA E LIBERDADE POSITIVA


Isaiah Berlin diz que existem duas liberdades, a liberdade negativa e a liberdade
positiva. A liberdade positiva seria a ‘’Liberdade para’’ ou seja, a liberdade para governar,
liberdade para se alto governar. E a ‘’Liberdade de’’, que não necessariamente é uma
liberdade ruim e sim uma ‘’Liberdade de’’ que seria a liberdade de estar livre do estado, livre
das interferências, liberdade do absolutismo e etc, as duas são complementares uma para outra
dando a ideia da liberdade perfeita.
2.3 INDIVIDUALISMO x UNIVERSALISMO
Universalismo é a posição de que algum sistema de justiça se aplica
universalmente, ou seja, para "todos os indivíduos em situação semelhante",
independentemente de raça, cultura, sexo, religião, nacionalidade, sexualidade e etc. Já o
individualismo é uma corrente que se opõe a toda forma de autoridade ou controle sobre os
indivíduos, especialmente quando exercidas pelo estado. Valoriza a liberdade pessoal, a
autoconfiança, a privacidade e o respeito pelos outros indivíduos.

2. COMUNITARISMO
O comunitarismo designa-se como uma corrente teórica que surgiu na década de
1980, com o objetivo de resgatar a importância da “ideia” de comunidade que havia sido
deixada a partir da globalização no século XX, e da ascensão do capitalismo. A globalização
trouxe inúmeros benefícios e progressos para o mundo, no entanto, trouxera também
desigualdades, conflitos e miséria. Inspirado por Aristóteles, Hegel e Marx, o movimento
ganha força após a Guerra Fria, e tem sua maior movimentação nos Estados Unidos.
A corrente comunitarista surge como um movimento de crítica às teorias
individualistas propostas pelo liberalismo. Pois, o comunitarismo discorda que possam haver
teorias ou princípios universais, que não respeitem a influência histórica e cultural. Logo,
tornara-se impossível determinar os princípios de justiça de forma a não considerar as
particularidades de cada povo.
O comunitarismo entende o indivíduo como membro que está ou é inserido em
uma comunidade, sendo assim, o mesmo seria influenciado por suas raízes históricas e valores
culturais. O movimento opõe-se diretamente ao individuo autônomo proposto pelo
liberalismo, pois prioridade a comunidade, e entende que está deve se sobrepor aos interesses
individuais.
Para o comunitarismo, faz-se necessário reconhecer as divergências existentes em
cada sociedade, é preciso entender que leis universais e imparciais não deveriam ser
aplicadas, pois aplica-las seria negar a diversidade social e o particularismo histórico presente
em cada região. Fazer uso da Universalidade dos Princípios da Justiça, proposta por Rawls,
seria criar um mecanismo que não condiz com a sociedade real, trazendo consequências, entre
elas a predominância dos direitos individuais em relação aos direitos sociais. Logo, entende-
se que o movimento opõe-se veementemente á imparcialidade e o universalismo.
O particularismo defendido pelos comunitaristas, crítica e contesta a ideia de um
suposto individuo abstrato, não situado historicamente. O homem é moldado por valores e
pela cultura da comunidade em que vivem, sendo impossível acreditar que os indivíduos da
comunidade não levariam em conta na hora de escolher seus princípios de justiça, pois uma
pessoa sem experiência seria incapaz de realizar escolhas morais, como desejava Rawls e sua
teoria do véu da ignorância.
Com base no particularismo histórico que os comunitaristas afirmam que a justiça
está nos valores culturais, e que a justiça fundamenta-se com base nestes. Logo, entende-se
que qualquer definição de justo ou injusto depende intrinsecamente do significado de tal
atribuído por cada comunidade. Desta maneira, para os comunitaristas o bem e o justo são
inseparáveis, ou seja, não se pode fazer entendimento do justo sem previamente entender o
bem. Logo, uma sociedade justa, é aquela em que o processo distributivo dos bens sociais é
realizado de acordo com a significação social da comunidade para com aquele bem. A
sociedade descrita como injusta, seria aquela em que determinado grupo social detém o poder
ou o monopólio de um determinado bem.
O comunitarismo valoriza a autonomia pública, ou seja, as teorias comunitaristas
defendem que o estado seja mais atuante, pois segundo os comunitaristas, a teoria liberal que
propõe a valorização da autonomia privada liga-se diretamente ao processo de fragmentação
da sociedade, a teoria pretende resgatar o individuo da apatia politica, valorizar o espaço
publico para que ele possa exercer sua liberdade. Vale ressaltar que, o comunitarismo não
defende a extinção dos valores individuais ou privados, o comunitarismo entende que se faz
de suma importância a valorização destes, contudo, visa o equilíbrio que deve ser estabelecido
entre os direitos individuais e a responsabilidade social.
O comunitarismo entende que a constituição de um Estado não pode ser neutra e
expressar apenas direitos individuais, ela deve expressar a vontade e os valores
compartilhados entre determinada sociedade, permitindo a participação política do cidadão.
CONCLUSÃO

Após analisarmos as colocações feitas pelos autores comunitaristas e


compararmos com a obra de Rawls, podemos concluir que o debate entre liberalistas e
comunitaristas visa desconstruir e reconstruir conceitos econômicos, políticos, sociais e de
justiça. Abordando também, de maneira altamente crítica não apenas os conceitos
fundamentados em sua teoria, como também debates atuais e de suma importância como o
multiculturalismo e a identidade regional, estes que são negligenciados pelo liberalismo.
REFERÊNCIAS

GAMA, Eduardo Pereira Nogueira da. Liberalismo de Rawls x comunitarismo:


Diferenças, compatibilidades e condições para implantação dos ideais comunitaristas-liberais
no Brasil. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 23, n. 5472, 25 jun. 2018.
Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/64770>.
ROCHA, Rogério. Uma apreciação crítica a respeito dos princípios da Liberdade
e da Diferença na obra “Uma Teoria da Justiça” de John Rawls. Jus Brasil, 08/2014.
https://jus.com.br/artigos/31069/uma-apreciacao-critica-a-respeito-dos-principios-da-
liberdade-e-da-diferenca-na-obra-uma-teoria-da-justica-de-john-rawls
TAYLOR, Charles. A Política de Reconhecimento, in Charles Taylor et al.,
Multiculturalismo. Examinando a Política de Reconhecimento. Lisboa: Instituto Piaget, p.45-
94, 1994. https://jus.com.br/amp/artigos/36907/1
VASQUES DA CUNHA, Martins. O que diz "Uma teoria da Justiça", de Jonh
Rawls, que moldou a discussão política atual. Gazeta do povo, 17/04/2018.
https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/o-que-dizuma-teoria-da-justica-de-john-rawls-que-
moldou-a-discussao-politica-atual-cdm84kxulw0k7i765zxy51np8/
MATTEUCCI, Nicola. Contratualismo. In: BOBBIO, Norberto; MATTEUCCI,
Nicola; PASQUINO, Gianfranco. Dicionário de Política. 11. ed. Brasília: Editora
Universidade de Brasília, 1998, v. 1, p. 272.