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CASOS PRÁTICOS

DIREITO DOS MERCADOS FINANCEIROS

Caso 1 - Zidani Most

Aproveitando o bom negócio de uma empresa multinacional sua cliente, o Banco de Investimento
Nacional (BIN), com sede em Portugal, começou a realizar um conjunto de operações bancárias em
Zidani Most, na Eslovénia.

Tendo contribuído para o sucesso da região e tendo, consequentemente, alcançado alguma


reputação no país, o BIN decide abrir uma filial na Eslovénia, no sentido de aí iniciar atividade
bancária, nos termos em que o faz em Portugal.

Posteriormente, tendo ouvido falar do potencial de crescimento económico da Polónia e


ligeiramente desapontado com a dimensão do mercado esloveno, Jordan Belfort, administrador do
BIN, decide abrir uma sucursal do seu Banco em Cracóvia.

Quid iuris?

Caso 2 - O Lobo do Atlântico

Imagine que a instituição de crédito Atlantic Wolf (“AW”), com sede em Nova Iorque, pretende abrir
uma sucursal em Portugal. O Banco de Portugal, tendo em contas as consequências que o sistema
financeiro português sofreu em resultado dos escândalos ocorridos na banca norte-americana,
rejeita o pedido de autorização para o efeito.

Pouco depois, a instituição de crédito AW abre uma filial no Reino Unido, em plena city, e torna-se
um dos bancos mais importantes da Europa.

No entanto, fixada com o milagre económico português, a AW decide novamente tentar entrar no
mercado português, desta vez através da abertura de sucursal da sua filial no Reino Unido.

Quid iuris?

Caso 3 – Perigo

O Banco de los Peligrosos, com sede em Madrid, pretende abrir uma sucursal em Portugal, apesar de
ser reconhecido pelo mercado como um Banco que atravessa grandes dificuldades e enfrenta sérios
riscos. Não obstante, o Banco de España, autoridade supervisora do setor bancário em Espanha, faz
uma comunicação ao Banco de Portugal nos termos do 49.º do RGICSF.

O que pode o Banco de Portugal fazer?

E se aquele Banco, devidamente habilitado, iniciar as suas atividades e posteriormente se verificar


que constitui uma situação de elevado risco para o sistema financeiro português, o que faz o Banco
de Portugal?

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Por último, o que sucede se a situação chegar ao ponto de a autoridade de supervisão do país de
origem revogar a autorização para o exercício da atividade do Banco de Los Peligrosos?

Caso 4 – Uma família feliz

Bernardo Insosso sempre foi um apaixonado pela alta finança, pelo que decide desenvolver o seu
próprio negócio na área da banca.

Para tal, pede-lhe conselhos acerca das seguintes pretensões:

a. Pretende apresentar ao Ministro das Finanças, seu amigo pessoal, o pedido de autorização
para a constituição de uma instituição de crédito;

b. A sociedade que constituirá para exercer a atividade será a Insosso e irmãos, Lda.;

c. Com vista a reservar a marca já constituiu uma sociedade chamada Banco do Insosso e
família;

d. Pretende que a empresa tenha sede nas ilhas Caimão, para obter vantagens fiscais;

e. A gerir o banco irá colocar as seguintes pessoas:

(i) O seu filho, já que acabou de se licenciar em Gestão pelo ISEG/UL, com média de 18 valores
e tem já uma pós-graduação em mercados financeiros do IDEFF; e
(ii) um primo seu em segundo grau, que trabalhou anteriormente numa instituição de crédito. 

f. Relativamente a este último membro, e já após o início de funções, o Banco de Portugal


toma conhecimento – através de denúncia anónima – de que tinha saído recentemente da
prisão, onde cumpriu pena por burla qualificada.

Quid iuris?

Caso 5 - Venezuela

A Cristobal Risquez SGPS pretende participar na atividade bancária. Para tal, tenciona adquirir ações
especiais equivalentes a 5% do capital social do Banco do Sul a uma das entidades fundadoras,
sendo que essa participação corresponde a 12% dos direitos de votos em Assembleia Geral.

Em alternativa a esta solução, adquirindo 5% de ações sem direitos especiais, a CR SGPS tenta fazer
um acordo parassocial com três outras sociedades, mediante o qual estas conferem os seus direitos
de voto àquela, correspondentes a 2%, 3% e 3% respetivamente, do capital social do Banco de Sul.

Perante o impasse nas negociações a CR SGPS acabou por não concretizar nenhum dos referidos
negócios.

Quid iuris?

Caso 6 – Sr. Bashir

O Sr. Bashir, conhecido Emir da Arábia Saudita, detém, na sua ampla carteira de ações, uma
participação correspondente a 3% do capital social do Banco TICK, que tem sede em Lisboa.

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Com o agravar da crise na Europa e o desenvolvimento dos países asiáticos, o Sr. Bashir foi uma peça
fundamental para o Banco, na medida em que os seus contactos permitiram a diversificação de
investimentos por parte da Instituição de Crédito, contribuindo para o sucessivo aumento dos lucros
do TICK. O envolvimento do Emir no Banco levou a que este adquirisse uma grande importância no
TICK, sendo sempre consultado pela administração do Banco a propósito da maior parte dos
negócios realizados.

Que possibilidade tem o Banco de Portugal ao seu dispor para confirmar a capacidade do Sr. Bashir
para influenciar os negócios do Banco TICK?

Por último, o Sr. Bashir sugere para administrador o seu filho de 25 anos. As razões que aponta a seu
favor são o facto de ser uma pessoa da sua confiança e que conhece muito bem os clientes do
Banco, apesar de não ter experiência na área da banca.

Quis Iuris?

Caso 7 – Banco da Cidade

O Presidente do conselho de administração do Banco da Cidade, S.A., um banco de grande dimensão


e importância no setor bancário português, pede-lhe aconselhamento jurídico relativamente às
seguintes questões:

(i) Um dos membros do conselho de administração está prestes a cessar funções e o Presidente
considera que não é necessário substitui-lo, sendo suficiente ter dois administradores no conselho
de administração, um dos quais asseguraria a gestão corrente da instituição. Pode fazê-lo?

(ii) Em que medida a resposta anterior seria diferente se o Banco da Cidade fosse uma instituição
com atividade mais simples e de menor dimensão?

(iii) O seu cliente pede-lhe informação acerca dos critérios de adequação que os membros do órgão
de administração têm de cumprir e, ainda, se em relação aos membros do órgão de fiscalização se
aplicam os mesmos critérios.

(iv) Por último, preocupado com o respeito pelas normas existentes em matéria de remuneração no
setor bancário, o conselho de administração pretende confirmar se a constituição de um comité de
remunerações é obrigatória ou facultativa, por um lado, e como deve ser composto o referido
comité, por outro. 

Quid iuris?

Caso 8 – Banco compadrio

O Banco Compadrio, com sede em Lisboa, é titular de ações correspondentes a 51% do capital social
da Sociedade Lusa de Desnegócios, as quais detém há 6 anos.

No sentido de alargar a sua atividade a outros mercados, decide proceder à abertura de uma
sucursal em São Paulo.

Em Portugal, o Ministério Público solicita ao Banco Compadrio que lhe forneça informação relativa a
um cliente, em relação ao qual tem suspeitas de práticas criminosas relacionadas com
branqueamento de capitais.

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O Banco recusa fornecer as informações solicitadas, fundamentando a recusa com exigências de
dever de segredo.

Por outro lado, um funcionário do mesmo banco revela a um amigo as negociações que se
encontram em curso para a concretização de uma transação muito importante para a instituição,
que irá fazer o valor das ações do banco subir acentuadamente.

Quid Iuris?

Caso 9 – Informação

O Senhor António dirige-se ao seu Banco com o intuito de subscrever um produto de poupança
tradicional.

No entanto, perante as reduzidas taxas de juro oferecidas, opta por subscrever um depósito com
características mais complexas – um depósito estruturado – na expectativa de que este lhe
proporcione um retorno mais elevado.

Entusiasmado, o Senhor António celebra de imediato o contrato relativo ao depósito estruturado em


causa.

Mais tarde, em conversa com um amigo, tomou conhecimento de que lhe devia ter sido
apresentado pela instituição de crédito o documento de informação fundamental, que constitui
informação pré-contratual relativa ao produto financeiro em causa, o que não sucedeu.

A que entidade pode o Senhor António dirigir uma reclamação sobre esta situação?

Em resultado da reclamação, e para além de ser exigido à instituição de crédito que corrija a
irregularidade detetada, é possível que lhe seja também aplicada uma coima?

Se, diferentemente, o Senhor António tivesse optado por adquirir, junto do seu banco, ações de uma
empresa, qual seria a autoridade competente para supervisionar o cumprimento das normas
aplicáveis?

Questões – Intervenção corretiva, administração provisória e resolução

(i) Instituição de crédito enfrenta dificuldades ao nível da liquidez que a levam a incumprir
os limites legais aplicáveis. Que pode a autoridade de supervisão fazer?

(ii) Se, na hipótese descrita na alínea anterior, o Banco de Portugal considerar que a
situação é tao crítica que justifica a aplicação de medidas ainda mais graves, pode fazê-
lo desde logo? Nesse caso, que outras medidas tem ao dispor?

(iii) Quais os pressupostos de aplicação das medidas de resolução?

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(iv) Que efeito tem a aplicação de medidas de resolução ao nível do funcionamento do
órgão de administração da instituição de crédito?

(v) Quem detém o capital social do banco de transição?

(vi) O banco de transição, enquanto banco, encontra-se sujeito ao processo de autorização


pelo Banco de Portugal para o exercício da atividade?

(vii) Decorridos dois anos após a constituição de um banco de transição ainda não foi
possível vendê-lo, encontrando-se em curso negociações para venda de ativos, passivo e
elementos extra-patrimoniais. O que se pode fazer nesta situação?

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