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SÉRGIO RODRIGUES

Sobre Palavras
Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta,
foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

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Todo incluso é incluído, mas nem todo incluído é


incluso
Por Sérgio Rodrigues
 16 fev 2017, 12h07 - Publicado em 5 dez 2013, 12h42

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“Qual é a forma correta: incluso ou incluído?”
(Guilherme Mendes)

Ambas estão corretas, Guilherme – o que não quer dizer que não faça diferença empregar uma ou
Ambas estão corretas, Guilherme – o que não quer dizer que não faça diferença empregar uma ou
outra. Vamos começar recuando um pouco na história das duas palavras.
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Incluir é um daqueles verbos que os gramáticos chamam de abundantes, como aceitar, eleger e
gastar. Isso signi ca que têm dois particípios: um regular (incluído, aceitado, elegido, gastado) e
outro irregular (incluso, aceito, eleito, gasto).

Particípios regulares, formados segundo as regras do próprio português, e irregulares, em geral


formas cultas derivadas diretamente do latim, travaram ao longo dos séculos de formação do
português moderno uma guerra discreta. Houve casos em que o irregular caiu em desuso,
sobrevivendo apenas como substantivo – como ocorreu com a palavra cinto, nascida como
particípio irregular do verbo cingir.

Em compensação, houve particípios irregulares que, a princípio ignorados, terminaram por se


impor, fazendo a forma regular soar deselegante. Até o século XV os grandes autores portugueses
só conheciam “elegido”, mesmo na voz passiva. Foi a partir do XVI que “eleito” o destronou.

Não existe uma regra que abarque todos os empregos de todos os verbos abundantes. Como
diretriz geral, vale ter em mente que o particípio regular é mais usado na voz ativa (“ter gastado, ter
aceitado”) e o irregular, na passiva (“ser ou estar gasto, ser ou estar aceito”).

O caso de incluído/incluso tem algumas peculiaridades. Incluir nem consta da lista (não exaustiva)
de verbos abundantes da gramática de Evanildo Bechara, por exemplo. A razão para isso é
simples: embora incluso seja palavra dicionarizada desde o século XV, derivada do latim inclusus,

até alguns anos atrás era bem raro que desse as caras na linguagem comum. Quando o fazia, na
maioria das vezes vinha ao lado do substantivo “siso”, para designar aquele dente que não
despontou.

Incluso era, como “sito” (particípio irregular de situar), uma joia vocabular do juridiquês, a língua
empolada falada nos tribunais. Não é mais. Em algum momento inde nido, provavelmente
próximo do m do século passado, passou a circular com desenvoltura na linguagem do comércio
próximo do m do século passado, passou a circular com desenvoltura na linguagem do comércio
e da burocracia: “pilhas não inclusas”; “frete incluso”; “imposto incluso”.
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A princípio isso me soava meio besta e pernóstico (ainda soa, na verdade), mas parece que a
moda está pegando. O que pode ser visto como prova de que ainda não terminou a tal guerra
surda no reino dos verbos abundantes. Só uma observação: se você gosta de incluso, tome
cuidado para usá-lo apenas como adjetivo ou, vá lá, em construções na voz passiva.

Exemplo: é considerado correto dizer que “O imposto está incluso no preço” e aceitável, embora
menos comum, que “O imposto foi incluso no preço”, mas nunca que “O vendedor tinha incluso o
imposto no preço” – neste caso, deve-se dizer que ele “tinha incluído”. Já incluído tem a vantagem
de poder ser empregado em todas essas construções.

Envie sua dúvida sobre palavra, expressão, dito popular, gramática etc. Às segundas e quintas-
feiras o colunista responde ao leitor na seção Consultório. E-mail:
sobrepalavras@todoprosa.com.br

Comentários
Veri cando usuário logado ...

Comentado por:  06 fev 2014 - 18h54

Ise
Infelizmente quem com uma tremenda dor de cabeça de dúvida: lendo outros sites, lá dizem que o verbo
INCLUIR não é um verbo abundante, e incluso é usado somente como um adjetivo e não nos verbos
compostos ou na voz passiva. Achei que tinha chegado ao nal da dúvida, mas um site contradiz o outro
(ou enriquece). Desculpa e agradeço.
Ise
Comentado por:  06 fev 2014 - 18h55

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Desculpe, correção: FIQUEI com uma tremenda…

Comentado por:  13 fev 2014 - 14h22

sergiorodrigues
Cara Ise: incluir é um verbo abundante, sim. Respondi à sua pergunta aqui:
https://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/consultorio/a-volta-do-incluso-o-que-faltou-incluir/

Comentado por:  27 fev 2014 - 14h21

Andrews
Qual a de nição dessa relação? Porque todu isso é aquilo, mas nem todo aquilo é isso? Todo x é y, mas
nem todo y é x? Qual é o nome dessa matéria? Alguém me dá um substantivo aew?????????

Comentado por:  09 set 2014 - 14h16

Maicon Almeida
O verbo trazer admite qual pronúncia na primeira pessoa do singular (presente do indicativo)? Já que trago
vem do verbo tragar.
É ‘trago’ mesmo, do verbo trazer (neste caso há coincidência com tragar). Só o que se questiona é o ‘trago’
usado como particípio.

Comentado por:  29 nov 2014 - 14h00

Alessandra
e pagar? Eu tinha pagado ou pago?

Comentado por:  09 set 2015 - 10h37

Abba Doucoure
Eu quero saber que esta serto entro tudo e todo
ou porque se escreve tudo e todo?

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