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Direito Tributário para o TCE/PR

Teoria e exercícios comentados


Prof. Aluisio Neto Aula 01

AULA 01: Tributos

SUMÁRIO PÁGINA
Apresentação Inicial 01
Conceito de Tributos 03
Natureza Jurídica Específica dos Tributos 16
Classificação dos Tributos 24
Espécies Tributárias 43
Impostos 43
Taxas 51
Contribuições de Melhoria 79
Contribuições Especiais 90
Empréstimos Compulsórios 125
Questões Propostas 132
Gabaritos 169

Olá, amigo concurseiro e futuro servidor!

Chegamos à primeira aula do nosso curso de direito tributário para concurso


de Auditor do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE/PR). E os
estudos, a todo vapor? Hoje vamos iniciar uma matéria decisiva na sua
aprovação, responsável por uma boa parte dos pontos a serem
conquistados pelos futuros aprovados.

Nessa aula iremos tratar do seguinte tema:

 Tributos: conceitos e classificação.

Os tributos, os conceitos e eles relativos e as classificações a eles dadas são


um dos temas preferidos pelas bancas organizadoras de concursos, tendo
grande chance de serem cobradas em sua prova de Direito tributário.

Esse tema é muito importante para a compreensão de muitos outros temas


em direito tributário, bem como para conhecer o “caroço” dessa deliciosa
fruta chamada direito tributário.

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Qualquer dúvida que surgir, peço que a envie o mais breve possível ao
nosso fórum de dúvidas para que ela seja sanada e não ocorram atrasos em
seus estudos. Seguem ainda os meus dois e-mails:

aluisioalneto@gmail.com

www.facebook.com/aluisioalneto

www.facebook.com/prosatributaria

Boa sorte! E bons estudos!

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Conceito de Tributo

Não há nada mais elementar em direito tributário do que conhecer o que vem
a ser um tributo, bem como suas características e espécies. Saber isso é o
mesmo que saber o que é uma bola para um jogo de futebol.

Iniciaremos essa aula com o conceito do que ver a ser tributo. Para tanto,
devemos ter inicialmente em mente que existem uma variedade de definições
presentes tanto na doutrina quanto na jurisprudência do nosso país, podendo
definir esse, digamos, coração do direito tributário de diversas formas.

Os vários conceitos que podemos extrair dos homens que fazem o direito
tributário do nosso país não são muito relevantes para concurso
individualmente falando, mas sim aquele que consta no Código Tributário
Nacional, que é a definição que todos os doutrinadores e juristas, de um jeito
ou de outro, “mudam” para criar um conceito próprio.

A definição de tributo está presente no famoso artigo 3º do CTN:

“Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em


moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não
constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada
mediante atividade administrativa plenamente vinculada.”

Acredite em mim: apenas com esse pequeno artigo poderíamos fazer


meia prova de direito tributário. Sentiu a pressão quanto ao pequeno
grande tamanho do texto do CTN? A partir de agora, fique em dúvida quanto
a como deve ser seu nome completo, mas tenha esse conceito na ponta da
língua. DECORE!

Veja uma resumão com os termos vitais do conceito apresentado:

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Veja como isso é cobrado em prova. Apenas para esquentar os motores!

(Questão 01) No Sistema Tributário Nacional, é característica essencial dos


tributos:

(A) a compulsoriedade.

(B) a destinação vinculada a determinadas despesas.

(C) a aplicação para punir prática de atos ilícitos.

(D) serem destituídos de caráter coativo.

(E) a cobrança instituída por lei e cobrada mediante atividade administrativa


desvinculada.

De acordo com a figura acima, podemos notar que é característica


fundamental/essencial dos tributos a sua compulsoriedade, ou seja, são
exigidos e cobrados dos sujeitos passivos independentemente da vontade
destes, tendo caráter estritamente coercitivo.

Assim, resta como correta a alternativa "a", gabarito da questão.

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Quanto à alternativa “b”, e conforme veremos adiante na aula, temos que


nem todos os tributos têm a arrecadação vinculada a determinadas pessoas
ou despesas, como é o caso dos impostos.

A alternativa “c” evidencia uma das principais características dos tributos: não
são instituídos para punir a prática de atos ilícitos. Quanto à alternativa “d”,
vale a mesma explicação dada à alternativa “a”. Por fim, a alternativa “e”
também está incorreta, uma vez que a atividade administrativa de cobrança
de qualquer tributo é sempre vinculada.

(Questão 02) Tributo é:

1. instituído em lei e cobrado mediante atividade administrativa plenamente


vinculada.
2. sanção de ato ilícito.

3. toda prestação pecuniária compulsória em moeda ou cujo valor nela se


possa exprimir.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

a) É correta apenas a afirmativa 1.

b) São corretas apenas as afirmativas 1 e 2.

c) São corretas apenas as afirmativas 1 e 3.

d) São corretas apenas as afirmativas 2 e 3.

e) São corretas as afirmativas 1, 2 e 3.

Só com a figura apresentada na página anterior já é possível responder essa


questão, embora os conceitos presentes nela ainda não tenham sido
estudados a fundo, o que faremos adiante. Decorou o que consta no texto do
artigo 3º do CTN?? Tributo nunca será uma sanção pela prática de um ato
ilícito, mas sim uma vontade do legislador em determinar que você tire um
pouco do que você tem para financiar a sociedade. 

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Assim, somente o item 2 é incorreto, sendo os outros dois corretos. Logo,


resta como correta a alternativa “c”, gabarito da questão.

Analisaremos agora cada um dos conceitos apresentados e constantes no


texto do artigo 3º. Vamos em frente! E muita atenção!

1. PRESTAÇAO COMPULSÓRIA

Todo tributo é impositivo, não cabendo ao sujeito passivo a faculdade


de querer ou não pagá-lo, sendo, assim, de prestação compulsória
(obrigatória) por parte destes. A obrigação decorre de disposição expressa de
lei, ou de outra espécie normativa que a faças as vezes dessa.

No direito tributário não há exceções à compulsoriedade do dever de


pagar tributo, não havendo margem para a voluntariedade negativa
de pagar uma exação (Se quiser pagar tributo que não está sendo cobrado,
fique à vontade.  Só não pode escolher deixar de pagar, sendo um péssimo
exemplo vindo de um futuro servidor)

Independente de ser uma taxa, um imposto ou uma contribuição, o dever de


pagar é imperativo, decorrente da imposição de uma obrigação imposta pelo
Estado (sujeito ativo detentor da capacidade tributária) ao sujeito passivo. É
o chamado poder de império do Estado. Assim, a relação tributária
Estado-sujeito passivo configura-se numa obrigação de dar. GUARDE
BEM ISSO!

Assim, podemos dizer que, quanto aos tributos e à sua exigibilidade, temos
que uma das suas características fundamentais se funda na coercibilidade do
cumprimento da prestação frente ao Estado tributante.

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2. PRESTAÇAO PECUNIÁRIA, EM MOEDA OU CUJO VALOR NELA SE


POSSA EXPRIMIR

Já que, como vimos anteriormente, a relação tributária configura-se numa


obrigação de dar, o que é dado afinal? Para que possa saldar seus tributos
frente ao Estado, o sujeito passivo terá que dispor do seu patrimônio em
favor daquele.

Quase que regra geral, essa satisfação é realizada por meio da entrega de
moeda/dinheiro ou de outro meio que faça as vezes desta (cheque,
transferência bancária, ordem de pagamento, entre outras).

O adjetivo pecuniário refere-se a dinheiro, sendo assim indevido o


pagamento por outros meios, como, por exemplo, a entrega de bens
(pagamento in natura) e a prestação de trabalho ou serviços por
parte do sujeito passivo (pagamento in labore).

Veja o que nos diz o CTN em seu artigo 162, quanto ao pagamento do crédito
tributário, uma das hipóteses de extinção do crédito tributário:

““Art. 162. O pagamento é efetuado:

I - em moeda corrente, cheque ou vale postal;

II - nos casos previstos em lei, em estampilha, em papel


selado, ou por processo mecânico.” (Grifos nosso)

Assim, não poderemos pagar o IPI, imposto sobre produtos industrializados,


dando ao Estado tributante (no caso, a União) bens industrializados, mas,
sim, pagamento em moeda, ou equivalentes desta.

Embora o inciso XI do artigo 156 do CTN, acrescentado pela lei complementar


nº 104, de 2001, permita e extinção do crédito tributário por meio da dação
em pagamento de bens IMÓVEIS, essa previsão não desconfigura a
prestação pecuniária em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir como
forma de pagamento de tributo.

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Se o próprio CTN autoriza a situação, esse tipo de extinção deve ser


considerado como uma forma de prestação pecuniária apta a extinguir
débitos tributários do sujeito passivo frente ao estado.

Caso clássico é a da lei distrital que possibilitou o pagamento de créditos


tributários, devidos por microempresas, empresas de pequeno porte e médias
empresas, por meio da dação em pagamento de materiais destinados ao
atendimento de programas do GDF (Governo do Distrito Federal). No
julgamento do caso, o STF declarou a lei inconstitucional, tendo em vista a
criação de nova hipótese de extinção do crédito tributário por lei distrital.
Essa decisão foi dada na ADI 1.917, de 26/04/2007, cujo texto é o seguinte:

“I - Lei ordinária distrital - pagamento de débitos tributários


por meio de dação em pagamento. II - Hipótese de criação
de nova causa de extinção do crédito tributário. III -
Ofensa ao princípio da licitação na aquisição de materiais pela
administração pública. IV - Confirmação do julgamento
cautelar em que se declarou a inconstitucionalidade da
lei ordinária distrital 1.624/1997. (ADI 1917, de
18/12/1997).”

O artigo 1º da lei nos dizia o seguinte:

“Art. 1º As empresas do Distrito Federal classificadas como


microempresas, empresas de pequeno porte e médias
empresas cujas obrigações tributárias com a Fazenda Pública
do Distrito Federal estejam inscritas na dívida ativa até a
data da promulgação desta Lei poderão solvê-las
mediante dação em pagamento exclusivamente de
materiais destinados a programas do Governo do
Distrito Federal.” (Grifos nosso)

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Somente a lei complementar federal poderá definir novas hipóteses


de extinção de crédito tributário, não sendo autorizado a nenhum ente
que não a União o poder legislativo para tanto, conforme dispõe o artigo 146,
III, que assim nos diz:

“Art. 146. Cabe à lei complementar: (...)

III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação


tributária, especialmente sobre: (...)”

Entretanto, existe posicionamento do STF afirmando exatamente o contrário,


ou seja, a possibilidade dos entes criarem novas hipóteses de extinção do
crédito tributário por meio de suas próprias leis, ainda que ordinárias. Veja a
seguinte decisão:

“(...) I - Extinção de crédito tributário criação de nova


modalidade (dação em pagamento) por lei estadual:
possibilidade do Estado-membro estabelecer regras
específicas de quitação de seus próprios créditos tributários.
Alteração do entendimento firmado na ADInMC 1917-DF,
18.12.98, Marco Aurélio, DJ 19.09.2003: conseqüente
ausência de plausibilidade da alegação de ofensa ao art. 146,
III, b, da Constituição Federal, que reserva à lei
complementar o estabelecimento de normas gerais
reguladoras dos modos de extinção e suspensão da
exigibilidade de crédito tributário. (...) (ADI 2405 MC/RS, de
06/11/2002).”

Para fins de concurso, devemos adotar como regra geral a primeira


interpretação, de que leis dos Estados, Distrito Federal e Municípios não
podem prever novas hipóteses de extinção do crédito tributário que não as
previstas no CTN. Caso sejam cobrados posicionamentos expressos do STF,
deve-se analisar caso a caso, podendo ser dado como certo os dois
posicionamentos, a depender do enunciado da questão.

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Como exemplo para o termo “ou em cujo valor nela se possa exprimir”,
temos os chamados títulos da dívida pública, que podem vir a ser utilizados
como forma de pagamento de créditos tributários, embora existam
divergências quanto a isso no meio doutrinário e jurisprudencial.

Outro exemplo seriam os extintos indexadores inflacionários, como a famosa


UFIR (Unidade Fiscal de Referência). A UFIR era fixada dia-a-dia, atualizando-
se o valor monetário da moeda nacional em razão da inflação. Para tanto, os
valores dos tributos poderiam ser fixados em UFIR, uma vez que, por simples
cálculo algébrico, teríamos o valor devido em moeda. Vamos a outro ponto
muito importante da definição contida no artigo 3º. MUITO COBRADO EM
PROVAS!

3. NÃO CONSTITUI SANÇÃO POR ATO ILÍCITO

O dever de pagar um tributo jamais pode ser confundido com uma


sanção por um ato ilícito praticado pelo contribuinte. Se ocorre um
sanção por ato ilícito, não estamos diante de um tributo, mas de uma
penalidade, geralmente de natureza pecuniária.

A prestação pecuniária imputada ao sujeito passivo decorre de disposição


expressa em lei, a qual surge com a ocorrência do fato gerador de
determinada obrigação tributário relativa ao tributo.

Por exemplo, ao fazer circular mercadorias de um Estado para o outro, ato


perfeitamente válido e lícito, o sujeito passivo faz nascer o fato gerador do
ICMS, imposto de competência dos Estados e do Distrito Federal. Nessa linha,
ao descrever o tributo com todos os seus atributos (fato gerador, base de
cálculo, alíquotas, sujeito passivo, entre outros), o legislador estadual ou
distrital cominou também as penalidades quanto ao descumprimento das
disposições expressas na lei e relativas ao tributo que instituiu (ou que venha
a instituir posteriormente).

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Caso esteja previsto que deixar de entregar determinadas informações


quanto ao volume de mercadorias circuladas (fato gerador do tributo estadual
denominado ICMS) faz nascer para o contribuinte uma multa de R$ 500,00
por declaração, essa obrigação não tem natureza tributária, mas, sim,
punitiva. Caso o contribuinte sempre preste as informações, jamais poderá
ser punido com essa penalidade (perdoe a eventual redundância, foi apenas
força de expressão).

Quanto ao tributo, nada pode ser feito. Circulou, pagou. Regra geral, já que
pode haver hipóteses de isenção ou imunidade para a operação, o que afasta
a obrigação de pagamento do tributo.

Fato curioso se mostra em relação à obrigação de pagamento de tributo


decorrente de um ato ilícito. Entretanto, antes que você diga que estou me
contradizendo, vou explicar isso.

Como exemplo, devemos ter inicialmente em mente que a aquisição da


disponibilidade jurídica de renda (auferir renda) é fato gerador do nosso
querido e amado imposto sobre a renda (IR), tributo de competência federal.

Imagine agora que um traficante domiciliado na Favela Sovaco da Cobra, em


Jaboatão dos Guararapes/PE), em razão do seu “negócio” de circulação de
drogas e entorpecentes de elevada estima e qualidade, tenha auferido renda
de R$ 100.000,00. Nada mais claro do que a ilicitude do tráfico de drogas e
entorpecentes proibidos, sendo considerado, inclusive, um crime inafiançável.

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Mesmo que oriunda de uma atividade ilícita, a renda auferida está sujeita à
incidência do IR, uma vez que houve o seu fato gerador (qual seja, a
circulação de mercadorias), qual seja: auferir renda. Assim, igualmente a
todos os trabalhadores que auferem renda em razão da labuta diária, o
“prezado” traficante também está obrigado ao pagamento do IR.

Observe que o motivo da tributação não é o tráfico de drogas, mas sim a


aquisição da renda decorrente deste, que dá origem à obrigação tributária.
Não há qualquer sanção com o tributo em decorrência do ato ilícito. Esse
deverá ser punido em outra esfera, como a penal, mas jamais na tributária.

Caso o nobre traficante deixe de entregar sua declaração anual de IR, ficará
sujeito a multa em razão do não cumprimento de uma obrigação tributária
acessória, que é uma punição. Mas, mais uma vez, a punição não é em razão
do ato ilícito de traficar entorpecentes, e sim por não cumprir uma obrigação
instrumental, qual seja, entregar declaração anual de rendimentos. (Agora
fiquei pensando com meus botões: como seria atender, lá na Delegacia da
RFB, os traficantes de Jaboatão e região...)

Esse exemplo relativo ao traficante também tem outro motivo de ser,


presente no artigo 118, I, do CTN, cuja redação é a seguinte:

“Art. 118. A definição legal do fato gerador é


interpretada abstraindo-se:

I - da validade jurídica dos atos efetivamente


praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros,
bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos;
(...)” (Grifos nosso)

Abstraia o fato de o nobre contribuinte ser um traficante. Isso não importa


para a tributação e para a arrecadação de tributos. O que importa é a renda e
o IR dela decorrente.

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Essa irrelevância da atividade do contribuinte para fins de tributação, bem


como da ilicitude ou não da operação/prestação tributada, remete-nos ao
famoso princípio do “pecúnia non olet” (dinheiro não tem cheiro). Nesse caso,
seria dinheiro não tem caráter.  A expressão “pecúnia non olet” foi criada
pelo imperador romano Vespasiano ao responder ao seu filho sobre a
instituição de tributo sobre o uso de mictórios públicos, no qual este não
concordava em ter um tributo com fato gerador tão malcheiroso.

Finalizando esse subitem, temos que o fato da prestação pecuniária não


constituir uma sanção de ato ilícito está diretamente relacionada ao princípio
do não-confisco, vendando aos Entes instituir tributos com efeitos
confiscatórios, conforme é estudado em tópico relativo aos princípios
tributários contidos no Sistema Tributário Nacional da nossa CF/88.

4. INSTITUÍDO EM LEI

Todo e qualquer tributo deve ser sempre criado por meio de lei ou
instrumento normativo que faça as vezes dessa, tendo a mesma força
normativa, como é o caso das medidas provisórias e das lei delegadas.
Jamais por ato normativo infralegal.

Nenhuma imposição deve ser imputada ao sujeito passivo (contribuintes e


responsáveis), no campo tributário, que não seja por meio de lei ou medida
provisória. Quanto a essa regra, não há exceção. Todo tributo deve ser
criado ou extinto por lei.

(Questão 03) “Não é preciso lei para exigir um tributo”.

Incorreto. É sempre necessária uma lei para instituir um tributo.

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5. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA PLENAMENTE VINCULADA

O lançamento do tributo, que é o ato administrativo de mensurar o valor


devido e formaliza-lo por meio de um ato administrativo praticado por
servidor competente, é atividade privativa da autoridade administrativa,
somente podendo ser realizado, regra geral, por essa.

Veja o que nos diz o artigo 142 do CTN:

“Art. 142. Compete privativamente à autoridade


administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento,
assim entendido o procedimento administrativo tendente a
verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação
correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o
montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e,
sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.

Parágrafo único. A atividade administrativa de


lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de
responsabilidade funcional.” (Grifos nosso)

Além disso, o lançamento é insuscetível de ponderação sobre a sua


oportunidade ou conveniência, sendo uma atividade vinculada. DEVE SER
FEITO pela autoridade administrativa! Não há espaço para qualquer tipo de
discricionariedade por parte da Autoridade lançadora.

Uma vez previsto em lei que cria o tributo, a atividade de cobrança nasce
juntamente com este, cabendo às autoridades administrativas efetivarem o
animus mecanis da cobrança. Não cabe à autoridade ponderar juízos de valor
ou equidade na hora de lançar e cobrar valores previstos em lei.

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(Questão 04) Tributo, definido como prestação pecuniária compulsória em


moeda, pode constituir sanção de ato ilícito, cobrada mediante atividade
judicial ou administrativa.

( ) Certo ( ) Errado

Conforme já vimos na aula e nas questões anteriores, quanto ao que consta


no texto do artigo 3º do CTN, um tributo JAMAIS será uma sanção pela
prática de um ato ilícito do contribuinte, embora a atividade que dê causa à
incidência do tributo seja ilícita, como, por exemplo, auferir renda em razão
do tráfico de drogas e entorpecentes proibidos. Tanto o traficante quanto
aquele que ganha seus rendimentos legalmente são obrigados a pagar o
imposto de renda, não sendo a nenhum deles imposta uma penalidade em
razão da atividade por eles desenvolvida.

Assim, resta incorreta a assertiva apresentada.

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Natureza Jurídica Específica dos Tributos

A natureza jurídica específica dos tributos pode ser verificada pelo que nos
diz o CTN em seu artigo 4º, cuja redação é a seguinte:

“Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é


determinada pelo fato gerador da respectiva
obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la:

I - a denominação e demais características formais


adotadas pela lei;

II - a destinação legal do produto da sua


arrecadação.” (Grifos nosso)

(Questão 05) A determinação da natureza jurídica específica do tributo, de


acordo com o Código Tributário Nacional, decorre, especificamente:

a) do fato gerador da respectiva obrigação.

b) da destinação legal do produto da arrecadação.

c) da denominação.

d) da fixação do agente arrecadador.

e) das peculiaridades dos sujeitos ativo e passivo da obrigação.

Questão que cobrou a literalidade do que consta no CTN. Para a


determinação da natureza jurídica específica de um tributo, é relevante,
CONFORME O CTN, apenas o fato gerador da respectiva obrigação
tributária, de acordo com o que nos diz o caput do artigo 4º. Desse modo,
somente o que consta na alternativa “a” atende ao enunciado da questão.

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O fato gerador de determinado tributo pode ser definido com a situação
ocorrida no mundo dos fatos que se ajusta ao que prevê a lei, dando origem
à obrigação de pagar o tributo, fazendo nascer assim a chamada obrigação
tributária.

O fato gerador (in abstrato), quando previsto na lei, é chamado de hipótese


de incidência. Ao ser observado no mundo dos fatos, o fato gerador faz,
como falamos, nascer a obrigação tributária, onde teremos o que
chamamos de subsunção do fato à norma jurídica.

Ao instituir um tributo, o legislador define uma série de características da


exação, entre elas, o fato gerador, a base de cálculo, a alíquota e os
contribuintes.

Para o CTN, é suficiente para a determinação da natureza jurídica


específica de um tributo o seu fato gerador, devendo ser
desconsideradas a denominação e demais características formais adotadas
na lei e a destinação que será dada ao produto da arrecadação do tributo,
conforme o artigo 4º.

Assim, se determinado imposto é chamado de contribuição para as


atividades circenses e tenha como fato gerador a realização de espetáculos
itinerantes, uma situação que independa de qualquer contraprestação por
parte do Estado (característica que mais define um imposto e os distingue
das demais espécies tributárias), ainda assim teremos um imposto, já que
seu fato gerador foi precisamente definido. A denominação dada é
irrelevante para a definição da natureza jurídica do tributo, mas sim, repito,
apenas o seu fato gerador.

Caso o mesmo imposto do exemplo tenha destinação do produto da sua


arrecadação prevista em lei, ainda assim isso será irrelevante para a
descaracterização da natureza jurídica específica do tributo. Para o caso
especifico dos impostos, ainda temos o óbice constitucional que veda
qualquer vinculação da arrecadação dos mesmos a atividades específicas,
exceto nos casos expressamente previstos na CF/88. Veremos isso adiante.

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Entretanto, com o advento da CF/88, o artigo 4º não mais conseguiu
acompanhar a divisão das espécies tributarias e a natureza jurídica
específica de duas novas espécies tributárias, conforme veremos mais
adiante ao estudarmos a teoria pentapartite, adotado pelo STF.

Para a definição da natureza jurídica específica de um tributo, conforme o


STF, devemos passar a considerar também a sua base de cálculo e o
destino do produto da sua arrecadação, não sendo mais suficiente apenas
sabermos o seu o fato gerador, uma vez que dois tributos de natureza
distintas, com o advento da CF/88, passaram a poder ter o mesmo fato
gerador.

(Questão 06) A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo


fato gerador da respectiva obrigação, sendo:

a) relevantes para qualificá-la apenas a denominação e demais


características formais adotadas pela lei.

b) relevante para qualificá-la apenas a destinação legal do produto da sua


arrecadação.

c) relevantes para qualificá-la a denominação e demais características


formais adotadas pela lei e a destinação legal do produto da sua
arrecadação.

d) relevante para qualificá-la apenas a correta destinação do valor


arrecadado.

e) irrelevantes para qualificá-la a denominação e demais características


formais adotadas pela lei e a destinação legal do produto da sua
arrecadação.

Mais uma questão que cobrou apenas a pura e simples literalidade do que
consta nos artigos do CTN, mas dessa vez o constante no artigo 4º, que
trata da natureza jurídica específica dos tributos e dos fatores que serão

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considerados relevantes ou irrelevantes para a sua definição. Contudo,
lembre-se que esse conceito é atualmente aceito em parte, uma vez que
não são mais aplicados às novas espécies tributárias instituídas com o
advento da CF/88, quais sejam: os empréstimos compulsórios e as
contribuições especiais.

“Caramba, professor. Sabendo o texto do artigo 4º do CTN eu só precisaria


saber a palavrinha irrelevante para matar quarto alternativas da
questão!?!?!”

Exatamente. Como todas as alternativas de “a” a “d” dizem que será


relevante, o candidato mais “chegado” com a literalidade do artigo não ia
nem perder tempo lendo as quatro primeiras alternativas. Iria direto para a
alternativa “e”, gabarito da questão.

A relevância da base de cálculo de um tributo passou a ser importante na


definição da sua natureza em virtude de dois normativos constantes na
CF/88, quais sejam:

“Art. 145 (...)

§ 2º - As taxas não poderão ter base de cálculo própria de


impostos.

“ Art. 154. A União poderá instituir:

I - mediante lei complementar, impostos não previstos no


artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e não
tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos
discriminados nesta Constituição; (...)” (Grifos nosso)

Observe que, para os impostos ditos residuais (artigo 154, I), esses deverão
sempre ter fato gerador e base de cálculo DIFERENTES dos já previstos
para outros impostos. Diante do que determina a CF/88, para a
definição da natureza jurídica de um tributo, faz-se necessário o

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cotejo entre seu fato gerador e sua base de cálculo. Para o CTN,
apenas o primeiro é relevante para qualificá-lo. Guarde bem isso!

Outro ponto muito importante para a definição da natureza jurídica de um


tributo é saber o destino a ser dado à sua arrecadação, uma vez que apenas
o conhecimento deste pode ser suficiente para diferenciar dois tributos
aparentemente idênticos.

As contribuições sociais, por exemplo, têm como uma das suas principais
características a previsão legal do destino a ser dado ao montante dos
valores arrecadados com elas. Exemplo disso é a Contribuição Social sobre
o lucro líquido (CSLL), a ser utilizada para o financiamento da seguridade
social. Esse tributo tem ainda como fato gerador o lucro auferido pelas
pessoas jurídicas, a mesma hipótese de incidência prevista para o imposto
sobre a renda das pessoas jurídicas (IRPJ). Sem que se saiba o destino a
ser dado à arrecadação de cada um dos tributos, não é possível definir a
natureza de cada um, uma vez que o fato gerador, nas duas situações, é
idêntico.

Assim, diante do exemplo clássico quanto ao IR e à CSLL, fica superado o


que consta no artigo 4º quanto ao fato gerador e à irrelevância da
destinação legal do produto da arrecadação, uma vez que a diferença básica
entre os dois tributos federais (CSLL e IR) será dada em razão dessa
destinação, vez que o fato gerador já não é suficiente, sozinho, para
distingui-los.

Para o IR, uma vez que se trata de um imposto, não teremos destinação
específica do produto da sua arrecadação, uma vez que os impostos
possuem caráter não vinculado (não dependem de uma contraprestação do
Estado), e entre os quais se inclui o IR.

Para a CSLL, haverá uma destinação específica, típica das contribuições


para a seguridade social. Esse é outro ponto que distingue os dois tributos
federais, em razão da semelhança entre seus fatos geradores.

Diante do que foi exposto, poderemos ter as seguintes situações em prova:

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1) Cobrança literal do que consta no CTN, em que a natureza jurídica
específica de um tributo é determinada pelo seu fato gerador, sendo
irrelevante o que consta nos incisos I e II do artigo 4º do mesmo;

2) Necessidade da inclusão da base de cálculo na definição a ser


encontrada por meio do artigo 4º do CTN, ou seja, é necessário o
cotejo base de cálculo x fato gerador;

3) Cobrança literal do que consta na CF/88, ficando superado o que


consta no CTN em seu artigo 4º, I e II.

O regramento estabelecido pelo CTN, e que acabamos de estudar, adota a


chamada teoria tripartida ou tripartite, em que estão previstas apenas três
espécies tributárias no nosso ordenamento jurídico nacional: impostos,
taxas e contribuições de melhoria. Veja o que nos diz o artigo 5º do Código
de Exações:

“Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de


melhoria.”

Entretanto, nosso atual Sistema Tributário Nacional apresenta outras


duas espécies tributárias além dos impostos, das taxas e das
contribuições de melhoria. São elas: as contribuições especiais e os
empréstimos compulsórios. Diante disso, e como afirma o STF, a
previsão constante no artigo 5º do CTN encontra-se superada pela atual
ordem constitucional vigente.

Diante das duas novas espécies tributárias (contribuições especiais e


empréstimos compulsórios), e tendo em vista a impossibilidade da definição
da natureza específica dos tributos conforme o artigo 4º do CTN, o STF,
bem como a maior parte da doutrina, passou a adotar a Teoria
Pentapartite, Pentapartida ou Quinquipartite, no qual o atual sistema
tributário nacional é composto por cinco tipos de exações em espécies,
quais sejam:

 Impostos;

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 Taxas;

 Contribuições de melhoria;

 Contribuições especiais;

 Empréstimos compulsórios.

O artigo 145 da CF/88 nos diz o seguinte:

“Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os


Municípios poderão instituir os seguintes tributos:

I - impostos;

II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela


utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos
específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos
a sua disposição;

III - contribuição de melhoria, decorrente de obras


públicas.”

Embora o que consta na CF/88 pareça ir de encontro à teoria do STF (ou


este é que está indo de encontro ao que consta na CF/88), o artigo 145 não
deve ser assim interpretado, uma vez que veicula apenas os tributos
atribuídos de maneira comum a todos os entes, significando que todos os
Entes políticos podem criar essas três espécies tributárias, deixando os
tributos previstos na competência tributária específica para outros artigos
da CF/88, como é o caso do artigo 148, relativo aos empréstimos
compulsórios, tributo previsto na competência exclusiva da União.

Dessa maneira, o artigo 145 da CF/88 não é norma exaustiva das espécies
tributárias atualmente existentes, mas um mero dispositivo de atribuição de
competência tributária comum. Assim, podemos resumir os elementos
tributários constantes nas duas teorias na seguinte figura:

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Assim, quanto ao destino legal da arrecadação, ao fato gerador, à base de


cálculo e aos novos tributos previstos no Sistema Tributário Nacional, ficam
superados os artigos 4º e 5º do CTN.

Por sua vez, devemos citar que existem ainda mais duas teorias: a bipartite,
que sustenta a tese apenas da existência de duas espécies tributarias
(impostos e taxas) e a quadripartite, que sustenta a existência de apenas
quatro espécies tributárias nacionais (impostos, taxas, empréstimos
compulsórios e contribuições – sem distinguir essas últimas em de melhoria
e em especiais).

Por fim, como você deve ter notado, tributo é termo genérico, enquanto as
espécies tributárias são termos específicos. Não confunda os conceitos de
tributo e imposto, já que são conceitos diferentes. Este está contido
naquele.

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Classificação dos Tributos

Os tributos podem ser agrupados em uma série de classificações possíveis,


conforme a natureza e características que alguns deles possuem em comum.
Estudaremos aquelas que são mais importantes e cobradas em concursos
públicos, uma vez que é a eles a que se destina o nosso curso.

Podemos classificar as espécies tributarias conforme os seguintes critérios:

1) Quanto ao número de espécies tributárias existentes: teoria


pentapartite e tripartite;

2) Quanto à discriminação por ente político competente: tributos


pertencentes à União, aos Estados, ao Distrito Federal ou aos
Municípios;

3) Quanto à natureza da hipótese de incidência do tributo: tributo


vinculado e não-vinculado;

4) Quanto ao destino a ser dado ao produto da sua arrecadação:


tributos de arrecadação vinculada e tributos de arrecadação não-
vinculada;

5) Quanto à finalidade ou à função a ser dada ao tributo: tributos


fiscais, tributos extrafiscais e tributos parafiscais;

6) Quanto à repercussão econômica ou financeira do ônus


tributário junto aos contribuintes: tributos diretos e tributos
indiretos;

7) Quanto aos aspectos objetivos e subjetivos da hipótese de


incidência: tributos reais e tributos pessoais;

8) Quanto à base econômica de incidência: tributos sobre o comércio


exterior, sobre o patrimônio e a renda, sobre a produção e a circulação
e extraordinários (classificação contida no CTN);

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9) Quanto à forma de quantificação relativamente à alíquota
aplicada: tributos proporcionais, progressivos, regressivos e fixos.

1. Quanto ao número de espécies tributárias existentes

Nesse aspecto de classificação, temos as duas teorias estudadas


anteriormente, nas quais o CTN considera haver apenas três espécies
tributárias (impostos, taxas e contribuições de melhoria), hipótese em que
falamos da divisão tripartite; e na que o STF considera haver cinco espécies
tributarias, situação em que nos reportamos à teoria pentapartite (impostos,
taxas, contribuições de melhoria, contribuições sociais e empréstimos
compulsórios).

Temos ainda mais duas teorias: a bipartite e a quadripartite, considerando a


existência de, respectivamente, apenas duas e quatro espécies tributárias.

2. Quanto à discriminação por ente político competente

Essa forma de classificação distingue as espécies tributarias conforme o ente


político ao qual pertencem, existindo espécies previstas nas competências
tributárias comum (taxas e contribuições de melhoria, por exemplo),
cumulativa (que ocorre quanto à União nos territórios federais e ao Distrito
Federal), exclusiva (impostos previstos no corpo da CF/88), residual
(impostos e contribuições residuais, da União) e extraordinária (impostos
extraordinários, da União), conforme vimos ao estudar a competência
tributária.

Os tributos afetos à União são os seguintes:

 Imposto sobre importação de produtos estrangeiros (II);

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 Imposto de exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou
nacionalizados (IE);

 Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza (IR);

 Imposto sobre produtos industrializados (IPI);

 Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a


títulos ou valores mobiliários (IOF);

 Imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR);

 Imposto sobre grandes fortunas, nos termos de lei complementar


(IGF);

 Impostos residuais previstos no artigo 154, I;

 Impostos Extraordinários de guerra (IEG);

 Taxas de Polícia e Taxas de Serviços;

 Empréstimos Compulsórios;

 Contribuições de Melhoria;

 Contribuições para a Seguridade Social;

 Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE);

 Contribuições das Categorias Profissionais e Econômicas;

 Contribuições Sociais;

 Tributos que vierem a ser instituídos em razão da criação de territórios


federais, no exercício da sua competência tributária cumulativa (artigo
147, da CF/88), podendo instituir tanto tributos estaduais quanto
municipais, conforme o território seja ou não dividido em municípios.

Quanto aos Estados e ao Distrito Federal, este no exercício da sua


competência estadual, estão previstos os seguintes tributos:

 Imposto sobre transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens


ou direitos (ITCMD);

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 Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre
prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de
comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no
exterior (ICMS);

 Imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA);

 Taxas de Polícia e Taxas de Serviços;

 Contribuições de Melhoria;

 Contribuição Previdenciária.

Por fim, quanto aos Municípios e ao Distrito Federal, este no exercício de sua
competência cumulativa municipal, temos os seguintes tributos:

 Imposto sobre propriedade predial e territorial urbana (IPTU);

 Imposto sobre transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato


oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos
reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de
direitos a sua aquisição (ITBI);

 Imposto sobre serviços de qualquer natureza, não compreendidos no


art. 155, II, definidos em lei complementar (ISS);

 Taxas de Polícia e Taxas de Serviços;

 Contribuições de Melhoria;

 Contribuição Previdenciária.

 Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP).

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(Questão 07) São tributos de competência da União, EXCETO a
contribuição:

a) de melhoria.

b) social para a seguridade social.

c) para o custeio do serviço de energia elétrica.

d) de intervenção no domínio econômico.

e) de interesse de categorias profissionais.

Conforme vimos na primeira enumeração apresentada, apenas a contribuição


para o custeio de iluminação pública (COSIP) não se insere entre os tributos
passíveis de serem instituídos pela União Federal, uma vez que é tributo,
regra geral, de competência exclusiva dos municípios e do Distrito Federal,
uma vez que a União poderá institui-lo caso determinado território federal
não seja dividido em municípios.

Assim, resta como correta a alternativa "c", gabarito da questão.

3. Quanto à natureza da hipótese de incidência do tributo

A natureza da hipótese de incidência de um tributo está relacionada ao seu


fato gerador in abstrato, aquele que é previsto na lei de criação e incidência
do tributo. Quanto a esse aspecto, teremos os tributos vinculados e os
tributos não-vinculados, conforme haja ou não contraprestação por parte do
Ente político tributante.

Para o tributo dito vinculado, ocorrera uma contraprestação do Ente


político por meio de uma atividade estatal específica relativa ao
contribuinte, tendo como exemplo as taxas e as contribuições de melhoria.
Esses tributos são também chamados de tributos RETRIBUTIVOS.

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Os tributos ditos vinculados somente poderão ser cobrados do particular caso
seja dado “algo em troca”, e de imediato. Para as contribuições de melhoria,
temos a valorização imobiliária decorrente de obra publica, a qual acarreta a
exigência da contribuição. Caso não seja verificada a valorização, não será
devido o tributo.

Por exemplo, as taxas têm como fato gerador uma atividade estatal específica
relativa ao contribuinte, somente por meio do qual esse tributo poderá ser
cobrado. Nesse caso, sempre será devida uma contraprestação por parte do
Ente político instituidor em razão da contraprestação pecuniária do sujeito
passivo.

Veja o que nos diz o artigo 77 do CTN, prevendo a hipótese de incidência das
taxas, tanto das taxas de polícia quanto das de serviços, subespécies da
espécie taxa:

“Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo


Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas
respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício
regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou
potencial, de serviço público específico e divisível,
prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição.”
(Grifos nosso)

Assim, quando pagamos a taxa de bombeiros, por exemplo, estamos


"adquirindo" um serviço que poderemos utilizar a hora que quisermos (espero
que você realmente nunca precise ). O mesmo acontece com as
contribuições de melhoria, em que "pagamos" para que nosso imóvel tenha
uma valorização imobiliária decorrente da realização de uma obra pública.

Por sua vez, os tributos não-vinculados são aqueles em que, ao


contrário dos vinculados, não há nenhuma contraprestação por parte
do ente político, sendo pago independentemente de qualquer
atividade estatal específica relativa ao contribuinte. Como exemplo de
tributos não-vinculados, temos todos os impostos previstos na CF/88, assim

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como as contribuições sociais. Esses tributos podem ser chamados de NÃO-
RETRIBUTIVOS.

Para os tributos não-vinculados, pagamos e não recebemos nada em troca.


Pelo menos à primeira vista. Ao pagarmos determinado imposto, o Estado
apenas nos dá um "muito obrigado, contribuinte". Não há uma
contraprestação do Ente tributante. Nada. Claro: eles serão, após
arrecadados, utilizados em alguma coisa para a sociedade (assim se espera).
A contraprestação, aqui, é apenas mediata, e não imediata, como ocorre para
os tributos vinculados.

Quanto ao tema, temos os empréstimos compulsórios, que poderão ser


vinculados ou não vinculados, conforme esteja previsto na lei
complementar de sua criação. A lei complementar que definirá o tributo é que
determinará a natureza vinculada ou não do empréstimo compulsório a uma
atividade estatal específica relativa ao contribuinte. Guarde bem isso. O
empréstimo compulsório pode ou não ser vinculado, dependendo da
lei que o instituir.

Por fim, todos os demais tributos, quais sejam, as contribuições sociais,


previdenciárias, de intervenção no domínio econômico, para custeio do
serviço de iluminação publica e das categorias profissionais e econômicas são
todos tributos NÃO-VINCULADOS. Para estes, pesa ainda alguma discussão
quanto à hipótese de serem ou não tributos vinculados, com alguns
doutrinadores entendendo ser e outros não serem tributos não-vinculados.

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4. Quanto ao destino a ser dado ao produto da sua arrecadação

Os tributos podem ser classificados também tomando por base o destino a ser
dado ao produto da sua arrecadação, hipótese em que falamos de tributos de
arrecadação vinculada e tributos de arrecadação não vinculada.

Os de arrecadação vinculada são aqueles em que o montante arrecadado já


está previamente destinado a uma despesa ou ação estatal, não podendo ser
utilizado em outra finalidade que não a prevista na CF/88 ou em lei.

Como exemplo de tributo de arrecadação vinculada, temos os empréstimos


compulsórios, cujo destino a ser dado ao montante com ele arrecadado já
está previamente determinado no texto constitucional. Veja o texto do
parágrafo único do artigo 148 da CF/88:

“Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá


instituir empréstimos compulsórios: (...)

Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes


de empréstimo compulsório será vinculada à despesa que
fundamentou sua instituição.” (Grifos nosso)

Outro exemplo de tributo de arrecadação vinculada são as contribuições


sociais para o financiamento da seguridade social (CSLL, PIS, PASEP,
COFINS), de competência da União.

Por sua vez, os tributos de arrecadação não vinculada são aqueles em


que os recursos oriundos da sua arrecadação não possuem despesas
previamente a eles vinculadas. Para esses tributos, cabe ao Ente
tributante definir em que situação, despesa ou ação irá utilizar a
receita recebida. Exemplo mais do que clássico são os impostos, que,
REGRA GERAL, não possuem despesas fixas atreladas à sua arrecadação.

A regra é geral por que apenas a CF/88 pode prever casos de vinculação de
receitas de impostos, sendo vedada qualquer ação por meio de legislação

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infraconstitucional nesse sentido, tornando qualquer lei assim editada
inconstitucional.

Assim, os impostos não poderão ter suas receitas vinculadas a


nenhum órgão, fundo ou despesas previamente estabelecidos,
ressalvadas as hipóteses previstas no texto da CF/88. Essas ressalvas
estão contidas no artigo 167, IV e §4º, da CF/88:

“Art. 167. São vedados: (...)

IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou


despesa, ressalvadas a repartição do produto da
arrecadação dos impostos a que se referem os arts.
158 e 159, a destinação de recursos para as ações e
serviços públicos de saúde, para manutenção e
desenvolvimento do ensino e para realização de
atividades da administração tributária, como
determinado, respectivamente, pelos arts. 198, § 2º, 212 e
37, XXII, e a prestação de garantias às operações de
crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165,
§ 8º, bem como o disposto no § 4º deste artigo; (...)

§ 4.º É permitida a vinculação de receitas próprias geradas


pelos impostos a que se referem os arts. 155 e 156, e dos
recursos de que tratam os arts. 157, 158 e 159, I, a e b, e II,
para a prestação de garantia ou contragarantia à União
e para pagamento de débitos para com esta.”

Veja o que nos diz o STF sobre a vinculação de impostos fora das hipóteses
de exceção previstas na CF/88:

“É inconstitucional a lei complementar distrital que cria


programa de incentivo às atividades esportivas mediante
concessão de benefício fiscal às pessoas jurídicas,
contribuintes do IPVA, que patrocinem, façam doações e
investimentos em favor de atletas ou pessoas jurídicas. 2. O

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ato normativo atacado a faculta vinculação de receita de
impostos, vedada pelo artigo 167, inciso IV, da CB/88.
Irrelevante se a destinação ocorre antes ou depois da
entrada da receita nos cofres públicos. 3. Ação Direta de
Inconstitucionalidade julgada procedente para declarar a
inconstitucionalidade da vinculação do imposto sobre
propriedade de veículos automotores --- IPVA, contida
na LC 26/97 do Distrito Federal. (ADI 1750/DF, de
20/09/2006)”

Quanto às taxas, nada impede a vinculação de suas receitas aos serviços ao


quais estão afetas, uma vez que não há proibição alguma na CF/88,
diferentemente da que existe para os impostos. Veja o que diz o STF sobre o
tema:

“Preceito de lei estadual que destina 5% [cinco por cento]


dos emolumentos cobrados pelas serventias extrajudiciais e
não oficializadas ao Fundo Estadual de Reaparelhamento e
Modernização do Poder Judiciário - FUNDESP não ofende o
disposto no art. 167, IV, da Constituição do Brasil
Precedentes. 2. A norma constitucional veda a vinculação da
receita dos impostos, não existindo, na Constituição, preceito
análogo pertinente às taxas. (RE 570513 AgR/Go, de
16/12/2008).”

“A vinculação das taxas judiciárias e dos emolumentos a


entidades privadas ou mesmo a serviços públicos
diversos daqueles a que tais recursos se destinam
subverte a finalidade institucional do tributo. (ADI 2040,
de 15/12/1999).”

Outras decisões importantes versaram sobre a vinculação de taxas às


atividades notariais e de registro:

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“O inciso V do art. 28 da Lei Complementar 166/99 do Estado
do Rio Grande do Norte criou taxa em razão do poder de
polícia. Pelo que não incide a vedação do inciso IV do art.
167 da Carta Magna, que recai apenas sobre os impostos. 3.
O produto da arrecadação de taxa de polícia sobre as
atividades notariais e de registro não está restrito ao
reaparelhamento do Poder Judiciário, mas ao
aperfeiçoamento da jurisdição. (ADI 3028, de
26/05/2010).“

“É constitucional a destinação do produto da arrecadação da


taxa de polícia sobre as atividades notariais e de registro, ora
para tonificar a musculatura econômica desse ou daquele
órgão do Poder Judiciário, ora para aportar recursos
financeiros para a jurisdição em si mesma. O inciso IV do art.
167 da Constituição passa ao largo do instituto da taxa,
recaindo, isto sim, sobre qualquer modalidade de imposto.
(ADI 3643/RJ, de 08/11/2006).”

Por sua vez, o artigo 98, §2º, da CF/88, dispõe o seguinte:

“Art. 98 (...)

§ 2º As custas e os emolumentos serão destinados


exclusivamente ao custeio dos serviços afetos às atividades
específicas da Justiça.”

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(Questão 08) Existem inúmeras classificações para os tributos. Duas podem
ser citadas como muito usuais. A primeira considera o tributo como vinculado
e não vinculado. A outra considera o tributo quanto à destinação específica do
produto da arrecadação. Recebe a classificação como não vinculado e sem
destinação específica do produto da arrecadação

a) o imposto.

b) a taxa.

c) a contribuição de melhoria.

d) o empréstimo compulsório.

e) as contribuições especiais.

Conforme vimos, os impostos são tributos não-vinculados a uma atividade


estatal específica e que possuem, regra geral, as receitas com ele
arrecadados sem destinação específica, sendo portanto tributo de
arrecadação não-vinculada.

Assim, resta como correta a alternativa "a", gabarito da questão.

5. Quanto à finalidade ou à função a ser dada ao tributo

Outro aspecto que marca a classificação dos tributos é a finalidade ou a


função a ser dada ao tributo em si, podendo os mesmos ser classificados em
tributos FISCAIS, EXTRAFISCAIS E PARAFISCAIS.

Os tributos fiscais são aqueles que têm como finalidade principal, ou


primária, apenas prover recursos para o ente tributante, ou seja, de
arrecadar recursos para o financiamento da máquina estatal. São exemplos o
ITBI, o IPVA, o ISS, o IR, o ICMS e o IPTU.

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Por sua vez, os tributos extrafiscais têm como finalidade precípua regular
a intervenção do estado no domínio econômico ou na sociedade, tendo
a função arrecadatória caráter secundário. O tributo extrafiscal pode ser
utilizado para regular a economia, interferir na produção e no consumo ou em
atividades financeiras, incentivar ou desestimular setores industriais, entre
outros objetivos. Como exemplo de tributos extrafiscais, temos o II, o IE, o
IOF e o IPI.

Já os tributos parafiscais são aqueles em que a arrecadação e a


fiscalização dos mesmos foram delegadas a entidade pertencente ao
terceiro setor, cujas entidades possuem autonomia administrativa e
financeira. Os recursos arrecadados por essas pessoas são destinados à
execução das atividades que lhes são próprias, relacionadas a ações e
iniciativas de interesse público.

Como exemplo desses tributos, temos as contribuições devidas aos Conselhos


Regionais de Fiscalização de Profissões regulamentadas, como o CRM
(Conselho Regional de Medicina), o CRC (contabilidade) e aos órgãos como o
SENAI, o SESC, o SENAC, entre outros.

Por sua vez, podemos ter tributos com as duas funções (fiscal e extrafiscal),
como é o caso do ICMS e do IPI, que possuem caráter nitidamente
arrecadatório, mas podendo ser utilizado também para regulação da
economia, tendo em vista a previsão de seletividade a eles conferida no texto
constitucional (obrigatória para o IPI e facultativa para o ICMS).

O mesmo ocorre para o ISS, que pode funcionar tanto como imposto direito,
mais comum, quanto como indireto.

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6. Quanto à repercussão econômica ou financeira do ônus tributário
junto aos contribuintes

A repercussão econômica do tributo diz respeito ao sujeito que efetivamente


arcará com a subtração do seu patrimônio para o pagamento de tributos,
situação que permite a classificação dos tributos em DIRETOS e
INDIRETOS.

Por tributo direto podemos entender aquele em que o contribuinte eleito na


lei de incidência é também aquele que arcará com os custos efetivos da
tributação, não permitindo o repasse do ônus da tributação para outras
cadeias posteriores do ciclo de produção e circulação.

Como exemplo de tributos direitos, temos o IPVA, o IPTU, o IR e o ITBI. Para


esses tributos, o próprio contribuinte arcará com os valores devidos de
maneira integral, regra geral. Ou, no mínimo, sua repercussão econômica é
de difícil execução.

Por sua vez, os tributos indiretos são aqueles que permitem o repasse do
ônus da tributação às cadeias posteriores, fazendo repercutir o encargo dos
tributos a outras pessoas.

Para esses tributos, o contribuinte eleito na norma jurídica (contribuinte de


direito) repassa para o terceiro (contribuinte de fato) o ônus financeiro da
tributação. Nesses casos, sempre teremos os contribuintes de direito (aqueles
previsto na norma jurídica e sobre os quais recai apenas o encargo de
recolher os tributos pagos, sem que este arque com o encargo econômico, ou
ao menos apenas com parte dele) e os contribuintes de fato (estes não estão
previstos na norma jurídica, não pertencem à relação jurídico-tributária e
apenas suportam diretamente o ônus financeiro da tributação).

Como exemplo de tributos indiretos, temos o IPI e o ICMS, nos quais o


encargo tributário real é repassado ao consumidor final, o contribuinte de
fato. Tanto é assim que, caso não venha a ocorrer o fato gerador, cabe aos

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contribuintes de fato o direito à restituição de valores pagos. Veja o que nos
diz o artigo 166 do CTN:

“Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua


natureza, transferência do respectivo encargo financeiro
somente será feita a quem prove haver assumido o referido
encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por
este expressamente autorizado a recebê-la.”

7. Quanto aos aspectos objetivos e subjetivos da hipótese de


incidência

Quanto aos aspectos objetivos e subjetivos da base econômica de incidência


dos tributos, esses podem ser classificados em REAIS E PESSOAIS.

Os tributos reais são aqueles que, ao incidirem, levam em


consideração apenas a coisa, o bem ou a operação/prestação
tributada, desconsiderando as características pessoais do
contribuinte ou responsável. Como exemplo de tributos reais, temos o
IPVA, o ITCMD, o ITBI, o IPTU e o II.

Por exemplo, tanto o milionário quanto o trabalhador de classe média, ao


possuírem (seja lá como for) um Lamborghini, pagarão o mesmo valor de
IPVA aos cofres estaduais ou distrital. O mesmo ocorre em relação ao IPTU
devido quanto a imóveis situados à beira-mar no Leblon, Rio de Janeiro/RJ,
possuídos por um rico empresário carioca e por um mendigo que o herdou de
uma senhora caridosa e sem familiares. Será devido o mesmo valor de IPTU
para ambos.

Por sua vez, os tributos pessoais levam em consideração


características dos contribuintes ao tributarem seu patrimônio,
evidenciando o princípio da pessoalidade da tributação, presente no

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artigo 145, §1º, da CF/88. Como exemplo de tributos pessoais, temos o IR,
que levam em conta características pessoais do contribuinte.

Por exemplo, considere duas pessoas que ganhem o mesmo salário: R$


10.000,00. Uma delas gasta 60% disso com farras, bebidas, viagens e
despesas pessoais estéticas. A outra gasta o mesmo percentual com plano de
saúde para os filhos, escolas, medicações e ajuda de custo para os pais
economicamente dependentes.

As duas serão tributadas no mesmo valor? Certamente não, ou pelo menos


não deveriam ser. Para a primeira pessoa, a tributação deve ser bem mais
acentuada do que em relação à segunda, devendo-se permitir a essa segunda
pessoa hipóteses de abatimento do valor do imposto devido em razão de suas
despesas mais essenciais.

8. Quanto à base econômica de incidência

Essa classificação leva em consideração a divisão apresentada no CTN, em


que os tributos incidem sobre os seguintes aspectos:

 Sobre o comércio exterior: II e IE;

 Sobre a produção e a circulação: ICMS, IPI, ISS e IOF;

 Sobre o patrimônio e as rendas: IR, ITR, IPTU, IPVA, ITBI, IGF e


ITCMD;

 Extraordinários: Imposto extraordinário de Guerra (IEG).

Por seu turno, não constam no CTN o ITBI, o ITCMD, o IPVA e o IGF, por
serem tributos criados apenas com o advento da CF/88, não tendo sido
previstos à época da edição do Código Tributário Nacional, que é de 1966.

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9. Quanto à forma de quantificação relativamente à alíquota aplicada

Outra classificação dos tributos leva em conta a aplicação de suas alíquotas


na determinação do valor a ser pago em razão do valor maior ou menor da
base de cálculo do tributo. Para esses casos, temos os tributos FIXOS,
PROPORCIONAIS, PROGRESSIVOS E REGRESSIVOS.

Os tributos fixos são aqueles em que a lei previamente já determinou o


quantum a ser pago pelo contribuinte. Os valores a pagar são fixos, somente
sendo alterado em virtude de lei nova ou de alteração do texto da lei fixadora
inicial. Como exemplo, temos a taxa de serviço judicial, que poderá ser fixada
em R$ 100,00/autenticação.

Já os tributos proporcionais são aqueles em que o montante a ser pago


cresce à medida que a base de cálculo cresce, mas em percentuais iguais.
Assim, considerando uma alíquota de 10% e duas bases de cálculos no valor
de R$ 1.000,00 e R$ 10.000,00, o tributo a ser pago proporcionalmente a
cada uma delas será igual, por mais que em termos absolutos a segunda base
de cálculo gere maior valor de tributo a pagar do que a primeira.

Para esse tipo de tributo, a alteração na base de cálculo não é significativa,


uma vez que a alíquota é sempre fixa e aplicada de maneira equânime para
todas as bases de cálculo. Como exemplo, temos o II, o IPVA e o ISS.

Por sua vez, os tributos progressivos são aqueles em que o montante do


tributo a ser pago cresce à medida que se aumenta a base de cálculo. Para
provocar esse efeito, teremos alíquotas variadas crescentes a serem aplicadas
sobre a base de cálculo, conforme essa aumenta. Essa é a chamada
progressividade fiscal.

A título de exemplo, temos o IR. Considere a tabela de alíquotas progressivas


do IR mensal para o exercício 2010, ano-calendário 2011, que aumentam
com o aumento da base de cálculo:

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Outro exemplo de progressividade de alíquotas é quanto ao IPTU, que poderá


ter alíquotas progressivas no tempo com o intuito de implementar
mecanismos para o cumprimento da função social da propriedade urbana,
conforme dispõe o artigo 182, §4º, II, da CF/88:

“Art. 182. (...)

§ 4º - É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei


específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos
termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não
edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu
adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:
(...)

II - imposto sobre a propriedade predial e territorial


urbana progressivo no tempo;”

Outro exemplo de imposto progressivo é o ITR, que será fixado de forma a


desestimular a manutenção de propriedades improdutivas, devendo suas
alíquotas obrigatoriamente ser progressivas, conforme o artigo 153, §4º, I,
da CF/88, prevendo ainda um caráter extrafiscal ao imposto federal:

“Art. 153. (...)

§ 4º O imposto previsto no inciso VI do caput:

I - será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de


forma a desestimular a manutenção de propriedades
improdutivas;”

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Nos dois casos anteriores, temos a chamada progressividade extrafiscal, uma
vez que a função primordial das alíquotas diferenciadas é a intervenção na
sociedade.

Por fim, temos os tributos regressivos, em que o montante do tributo a ser


pago diminui com o aumento da base de cálculo. Para provocar esse efeito,
teremos alíquotas variadas decrescentes a serem aplicadas sobre a base de
cálculo conforme essa aumenta.

Tudo bem até agora, caro aluno? Espero que sim. Se não, abra o e-mail e
mande algo para mim para que eu tente solucionar sua dúvida, ok? Vamos
em frente! Dessa vez com as espécies tributárias.

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Espécies de Tributo

Os tributos previstos no atual Sistema Tributário Nacional podem ser divididos


nas seguintes espécies, seguindo o que o STF chama de teoria pentapartite:

 Impostos
 Taxas
 Contribuições de Melhoria
 Contribuições Especiais
 Empréstimos Compulsórios

Sendo assim, vamos ao estudo de cada espécie! Esse item da nossa aula, e
do nosso curso, é de fundamental importância, tanto para o aprendizado do
direito tributário quanto para a sua prova.

Impostos

Os impostos serão as primeiras espécies tributárias que estudaremos, sendo


os tributos com o maior número de disposições a eles relativas no corpo da
CF/88.

Esses tributos estão previstos da maneira genérica no artigo 145, I, da CF/88,


que assim nos diz:

“Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os


Municípios poderão instituir os seguintes tributos:

I - impostos;” (Grifos nosso)

Como podemos notar, os impostos fazem parte da competência


tributária de todos os entes federativos, sendo permitidas a todos
esses a instituição e a cobrança dessa espécie tributária. Contudo,

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todos devem observar estritamente a competência outorgada expressamente
a cada um deles pela CF/88, conforme nos dizem os artigos 153 a 156 da
própria Carta Federal, os quais veremos mais adiante. Eles discriminam quais
impostos são reservados privativamente a cada um dos Entes políticos.

O artigo 16 do CTN nos diz o seguinte quanto a essa espécie tributária:

“Art. 16. Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato


gerador uma situação independente de qualquer atividade
estatal específica, relativa ao contribuinte.” (Grifos nosso)

Assim, os impostos são tributos em que não há qualquer tipo de


contraprestação por parte do Estado tributante em favor do
contribuinte, seja em relação ao seu patrimônio, à suas rendas ou às suas
atividades. Diretamente falando, apenas uma parte da relação “sai
ganhando”: o Estado, que impõe ao sujeito passivo a subtração do seu
patrimônio em favor da sociedade.

Nessa linha, já podemos definir a primeira característica marcante dos


impostos: são tributos não-vinculados, pois não há contraprestação do
Estado, nem qualquer atuação desse a favor do contribuinte. Assim, podemos
chamá-lo também de tributo unilateral, uma vez que apenas uma parte
obtém algo de maneira direta. Claro que, indiretamente, todos os sujeitos
passivos recebem uma atuação estatal em troca. Ou pelo menos era para ser
assim. 

Veja uma definição “porreta” para imposto dada na questão 47 da prova


cobrada pela URCA/CE no concurso para o cargo de Auditor Fiscal de Juazeiro
do Norte/CE:

“O imposto é uma exação desvinculada de qualquer


contraprestação estatal, decretada exclusivamente em função
do jus imperi do estado“

Ou seja, não é necessário que o Estado preste nada em troca em razão do


pagamento de IR, IPTU, IPVA, ou qualquer outro imposto. É doloroso aos
ouvidos fiscais ouvir alguém dizer: “É obrigação do Estado conservar as

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estradas em perfeita ordem, já que pagamos um absurdo em IPVA para nada.
Se eu pago, eu quero estrada boa, sem buracos.”

Realmente, é dever de todo Estado ou Governo a manutenção de estradas de


boa qualidade para todos os cidadãos que delas dependem para trafegar,
passear, trabalhar, entre outras atividades. A favor disso, eu também
reclamarei com você.

Contudo, o pagamento de IPVA, seja lá em que valor for, não gera aos
contribuintes o direito imediato de obter estradas de boa qualidade.
Pasmem, o Estado pode não utilizar um centavo da arrecadação do IPVA para
colocar um grama de asfalto sequer. E ainda assim estará amparado na
legalidade.

(Questão 09) Consiste na espécie de tributo cuja obrigação tem por fato
gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica,
relativa ao contribuinte. Trata-se do (a)

(A) taxa.

(B) contribuição de melhoria.

(C) contribuição social.

(D) imposto.

(E) tarifa.

De acordo com o que acabamos de ver, os impostos são tributos


desvinculados de qualquer atividade estatal específica relativa ao
contribuinte. Essa questão, no entanto, deixou a desejar, uma vez que as
contribuições sociais também são desvinculadas de qualquer atividade estatal
específica relativa ao contribuinte, vindo a beneficiar, em sua grande parte,
pessoas que estão fora da relação jurídico-tributária.

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A banca, no entanto, considerou como gabarito a alternativa “d”, uma vez
que todos os impostos possuem a característica que acabamos de mencionar.

Com esse exemplo podemos notar a qualidade de tributo não-vinculado e


outra, nova: os impostos possuem arrecadação não-vinculada. Ou seja,
os valores arrecadados com os impostos não serão destinados a nenhum
fundo, despesa ou órgão, seja ele qual for, exceto nos casos
EXPRESSAMENTE previstos na CF/88.

“E quais são esses casos, professor?”

Essas ressalvas estão contidas no artigo 167 da CF/88, as quais quero que
grave com muito carinho, caro aluno:

“Art. 167. São vedados: (...)

IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou


despesa, ressalvadas a repartição do produto da
arrecadação dos impostos a que se referem os arts.
158 e 159, a destinação de recursos para as ações e
serviços públicos de saúde, para manutenção e
desenvolvimento do ensino e para realização de
atividades da administração tributária, como
determinado, respectivamente, pelos arts. 198, § 2º, 212 e
37, XXII, e a prestação de garantias às operações de
crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165,
§ 8º, bem como o disposto no § 4º deste artigo; (...)

§ 4.º É permitida a vinculação de receitas próprias geradas


pelos impostos a que se referem os arts. 155 e 156, e dos
recursos de que tratam os arts. 157, 158 e 159, I, a e b, e II,
para a prestação de garantia ou contragarantia à União
e para pagamento de débitos para com esta.”

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 Repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem
os arts. 158 e 159;

 Destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde;

 Manutenção e desenvolvimento do ensino;

 Realização de atividades da administração tributária;

 Prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de


receita;

 Prestação de garantia ou contragarantia à União;

 Pagamento de débitos para com a União.

Veja o que diz o STF sobre o tema da não vinculação das receitas
arrecadadas com impostos:

“EMENTA: - Majoração de alíquota de ICMS. Vinculação a


órgão, fundo ou despesa. Inconstitucionalidade. - O Plenário
desta Corte (...) declarou a inconstitucionalidade (....) das
Leis ns. 7.003 (...), todas do Estado de São Paulo, por haver
entendido que "a teor do disposto no inciso IV do artigo 167
da Constituição Federal, é vedado vincular receita de
impostos a órgão, fundo ou despesa. A regra apanha
situação concreta em que lei local implicou majoração do
ICMS, destinando-se o percentual acrescido a um certo
propósito - aumento de capital de Caixa Econômica,
para financiamento de programa habitacional".(RE
194050/SP, de 07/12/1999).”

Por sua vez, o STJ diz o seguinte quanto a outro caso de vinculação:

“1. Os impostos, diversamente das taxas, têm como nota


característica sua desvinculação a qualquer atividade
estatal específica em benefício do contribuinte.

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2. Consectariamente, o Estado não pode ser coagido à
realização de serviços públicos, como contraprestação
ao pagamento de impostos, quer em virtude da
natureza desta espécie tributária, quer em função da
autonomia municipal, constitucionalmente outorgada, no que
se refere à destinação das verbas públicas.” (REsp
478958/PR, de 24/06/2003).”

Assim, vemos que os impostos têm como marca o custeio de despesas gerais
ou universais do Estado, não sendo destinados, regra geral, a despesas
previamente estabelecidas. Esse é o chamado princípio da não afetação
dos impostos. Eles não são destinados a nenhuma despesa específica pré-
determinada, exceto os casos que apresentamos, expressamente previstos no
texto da CF/88.

Por sua vez, os impostos podem ser criados por algumas espécies
normativas, sendo mais comum a lei ordinária e a lei complementar. Podem
ainda ser criados por medida provisória ou por lei delegada, atendendo os
requisitos constitucionais e as restrições estabelecidas na CF/88 quanto ao
uso dessas duas espécies normativas. Em especial, não podem, em ambos os
casos, versar sobre matéria reservada à lei complementar.

Para alguns impostos, será sempre exigida lei complementar, como é o caso
do imposto sobre grandes fortunas, de competência da União (art. 153, VII),
e dos impostos residuais previstos na competência tributária residual,
também da União (art. 154, I, da CF/88).

Para o restante dos impostos, é necessário, regra geral, lei ordinária do ente
político competente para instituir o tributo, como é caso da União quanto ao
IR e ao ITR, por exemplo; dos Estados e do Distrito Federal, quanto ao IPVA,
ICMS e ITCMD; e dos Municípios, quanto ao ISS, ao ITBI e ao IPTU.

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(Questão 10) Existem inúmeras classificações para os tributos. Duas podem
ser citadas como muito usuais. A primeira considera o tributo como vinculado
e não vinculado. A outra considera o tributo quanto à destinação específica do
produto da arrecadação. Recebe a classificação como não vinculado e sem
destinação específica do produto da arrecadação

a) o imposto.

b) a taxa.

c) a contribuição de melhoria.

d) o empréstimo compulsório.

e) as contribuições especiais.

Conforme vimos, os impostos são tributos não-vinculados a uma atividade


estatal específica e que possuem as receitas com ele arrecadados sem
destinação específica, sendo portanto tributo de arrecadação não-vinculada.

Assim, resta como correta a alternativa "a", gabarito da questão.

Os impostos atribuídos pela CF/88 a cada ente político são os constantes nos
artigos 153 a 156 da CF/88. Quanto à União:

 Imposto sobre importação de produtos estrangeiros (II);

 Imposto de exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou


nacionalizados (IE);

 Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza (IR);

 Imposto sobre produtos industrializados (IPI);

 Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a


títulos ou valores mobiliários (IOF);

 Imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR);

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 Imposto sobre grandes fortunas, nos termos de lei complementar
(IGF);

 Impostos residuais previstos no artigo 154, I;

 Impostos Extraordinários de guerra (IEG);

 Impostos que vierem a ser instituídos em razão da criação de territórios


federais, no exercício da sua competência tributária cumulativa (artigo
147, da CF/88), podendo instituir tanto tributos estaduais quanto
municipais.

Quanto aos Estados e ao Distrito Federal:

 Imposto sobre transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens


ou direitos (ITCMD);

 Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre


prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de
comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no
exterior (ICMS);

 Imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA).

Por fim, quanto aos Municípios e ao Distrito Federal, este no exercício de sua
competência cumulativa municipal:

 Imposto sobre propriedade predial e territorial urbana (IPTU);

 Imposto sobre transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato


oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos
reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de
direitos a sua aquisição (ITBI);

 Imposto sobre serviços de qualquer natureza, não compreendidos no


art. 155, II, definidos em lei complementar (ISS).

Segue abaixo um quadro resumo com as principais características dos


impostos:

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Vamos em frente com o estudo das espécies tributárias. Veremos agora as


taxas.

Taxas

A taxa é um tributo previsto na competência legislativa e tributária


comum dos entes políticos, podendo ser instituída por qualquer um
deles, desde que dentro dos limites e atribuições previstas no corpo
da CF/88. Desse modo, as taxas podem ser cobradas pela União, pelos
Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas
respectivas atribuições. Essa previsão consta no inciso II do artigo 145 da
CF/88:

“Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os


Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...)

II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela


utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos
específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a
sua disposição;” (Grifos nosso)

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Vamos começar vendo uma questão que pode ser respondida apenas com o
que consta no enunciado acima? Veja logo em seguida.

(Questão 11) O exercício regular do poder de polícia, nos termos em que é


definido pelo Código Tributário Nacional, constitui-se em fato gerador de:

(A) imposto.

(B) preço público.

(C) tarifa.

(D) taxa.

(E) contribuição social.

Exercício regular do poder de polícia é fato gerador das taxas, conforme nos
diz o artigo 145 da CF/88 que acabamos de visualizar. Assim, resta como
correta a alternativa "d", gabarito da questão.

Antes de entrarmos em detalhes sobre o normativo magno acima, vamos a


algumas características importantes das taxas para fins de concursos.

Primeiramente, e em oposição direta aos impostos, as taxas são tributos


VINCULADOS a uma atividade estatal específica relativa ao
contribuinte, sendo também chamadas de retributivas ou
contraprestacionais. Ou seja, para que venha a ser paga uma determinada
taxa, deve haver uma contraprestação por parte do Estado instituidor do
tributo, sem a qual resta indevido o pagamento deste.

Um exemplo seria a taxa para expedição de um alvará de funcionamento


(competência municipal); ou a taxa paga ao DETRAN quando da regularização
de um veículo automotor (de competência dos Estados e do Distrito Federal);

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ou ainda a taxa para a expedição de passaporte (competência da União). Nos
três casos, o sujeito passivo, aquele que pagará a taxa, obtém uma
contraprestação do ente político, seja em razão da prestação de um serviço,
seja em razão do exercício do poder de polícia, conceitos que veremos mais
adiante.

Em relação ao meio normativo de instituição, as taxas são instituídas por lei


em sentido estrito do ente competente, não possuindo normatização
específica na CF/88 nesse sentido. Desse modo, os entes políticos são livres
para dispor do modo que entenderem necessário, observando apenas os
limites impostos no texto constitucional. Em regra, são criadas por lei
ordinária de cada ente político.

Quanto à destinação das receitas arrecadadas com as taxas, nada impede a


vinculação aos serviços ao quais estão afetas, uma vez que não há
proibição alguma na CF/88, assim como há para os impostos. Logo, as
taxas poder ser tributos de arrecadação vinculada ou não-vinculada. Veja o
que diz o STF sobre o tema:

“Preceito de lei estadual que destina 5% [cinco por cento]


dos emolumentos cobrados pelas serventias extrajudiciais e
não oficializadas ao Fundo Estadual de Reaparelhamento e
Modernização do Poder Judiciário - FUNDESP não ofende o
disposto no art. 167, IV, da Constituição do Brasil
Precedentes. 2. A norma constitucional veda a
vinculação da receita dos impostos, não existindo, na
Constituição, preceito análogo pertinente às taxas. (RE
570513 AgR/Go, de 16/12/2008).”

Terminada essa rápida apresentação das taxas, vamos ao que nos dizem os
normativos constitucionais e os constantes no CTN.

As taxas, em razão do que consta no inciso II do artigo 145 da CF/88, estão


divididas em duas espécies:

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 Taxas de Polícia;

 Taxas de Serviço.

O artigo 77 do CTN, importante para fins de estudo das taxas, nos diz o
seguinte quanto a esse tributo:

“Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo


Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas
respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício
regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou
potencial, de serviço público específico e divisível, prestado
ao contribuinte ou posto à sua disposição.

Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato


gerador idênticos aos que correspondam a imposto nem ser
calculada em função do capital das empresas.” (Grifos nosso)

Observe que o fato gerador das taxas pode ser dividido em duas espécies:

 O exercício regular do poder de polícia (Taxa de Polícia);

 A utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e


divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição
(Taxa de Serviços).

A figura abaixo sintetiza as duas espécies e as hipóteses em que elas serão


cobradas.

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As duas espécies em que se dividem os fatos geradores das taxas merecem
estudo em separado, uma vez que comportam particularidades que lhe são
características. Em seguida, estudaremos a base de cálculo das taxas e sua
relação com a dos impostos, bem como as diferenças entre as taxas e outras
espécies legais normalmente confundidas com aquelas (preço público, tarifa,
pedágio).

Taxas de Polícia

Essa espécie de taxa é devida em razão do exercício do poder de polícia


estatal, o qual se encontra definido no caput do artigo 78 do nosso CTN.
Essa taxa é também conhecida como taxa de fiscalização ou taxa de licença,
tendo em vista ser instituída em razão da fiscalização exercida pelos Entes
políticos sobre os sujeitos passivos, atestando o fiel cumprimento da
legislação por parte destes.

O texto do citado artigo é o seguinte:

“Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da


administração pública que, limitando ou disciplinando
direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou
abstenção de fato, em razão de interesse público
concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos
costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao
exercício de atividades econômicas dependentes de
concessão ou autorização do Poder Público, à tranqüilidade
pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais
ou coletivos.

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Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de
polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos
limites da lei aplicável, com observância do processo
legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como
discricionária, sem abuso ou desvio de poder.” (Grifos
nosso)

Assim, o poder de polícia administrativo, diferentemente do exercido


pelas polícias (militar, civil e federal, que fazem parte da chamada polícia
judiciária ou ostensiva), é aquele prestado pela Administração Pública no seu
mister de limitar ou disciplinar direitos, interesse e liberdades, regulando a
prática de atos ou a abstenção desses, sempre fundado no interesse público.

As polícias civis, militares ou federal, por exemplo, não poderão cobrar


nenhuma taxa em razão das atividades finalísticas destas, qual seja, a
manutenção da segurança e da ordem pública. Caso a polícia militar seja
chamada para resolver uma ocorrência, ninguém será obrigado a pagar uma
taxa por isso. Diferentemente é a cobrança de alguma taxa em razão de um
serviço por ela prestado, como a emissão de uma certidão, de um atestado
ou de um documento sobre porte de arma. São coisas, ou serviços,
diferentes.

Assim, ao exigir dos contribuintes taxas para a expedição de alvará de


funcionamento, por exemplo, o Município estará disciplinando uma atividade
exercida pelo contribuinte, que deverá cumprir o que determinada a
legislação referente às suas atividades (praticar uma ato, como, por exemplo,
a abertura de um bar, que necessita de um alvará da prefeitura para poder
funcionar como tal, ou a taxa de bombeiros) e se abster de praticar qualquer
ato que venha a ser contrário ao interesse público (por exemplo, uma bar que
coloque mesas e cadeiras em espaço destinado a pedestres pode ser multado
por desrespeitar o código de posturas do Município).

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Dessa maneira, a atividade de fiscalização exercida por meio do poder de
polícia, e que pode ser tributado por meio de taxas, será sempre devida em
razão da regulação do interesse público, e relativo:

 À segurança;

 À higiene;

 À ordem;

 Aos costumes;

 À disciplina da produção e do mercado;

 Ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou


autorização do Poder Público;

 À tranquilidade pública;

 Ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos;

Como exemplo de taxas de polícia, temos as seguintes:

 Taxa de Fiscalização de Estabelecimentos;

 Taxa de Ocupação do Solo;

 Taxa de Fiscalização de Anúncios;

 Taxa de Fiscalização de Mercados e Títulos e Valores Mobiliários pela


CVM (Súmula STF 665: “É constitucional a taxa de fiscalização dos
mercados de títulos e valores mobiliários instituída pela lei
7940/1989”);

 Taxa de Alvará ou Funcionamento;

 Taxa de Fiscalização Ambiental;

 Taxa de Vigilância Sanitária;

 Taxa de Emissão de Passaporte.

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Outro ponto importante sobre as taxas de polícia diz respeito ao exercício
regular do poder de polícia, contido no parágrafo único do artigo 77 do
CTN, sendo aquele entendido como o que é prestado:

 Por órgão competente nos limites da lei aplicável;

 Com observância do processo legal;

 Sem abuso ou desvio de poder, quando se tratar de atividade


que a lei tenha como discricionária.

Para que seja possível a cobrança da taxa de polícia, a Administração Pública


deve exercer efetivamente o poder de polícia sobre os administrados,
sob pena de ser ilegítima a cobrança. Para isso, deve existir órgão
criado para essa tarefa de fiscalização, sendo presumido o exercício do
poder de polícia pela simples existência do órgão fiscalizador, ainda
que este não tenha realizado nenhuma fiscalização efetiva, in loco,
sobre o contribuinte sujeito à incidência do tributo. É o que podemos observar
na decisão do STF em seu RE 588322/RO, de 16 de junho de 2010:

“(...) A cobrança da taxa de localização e funcionamento,


pelo Município de São Paulo, prescinde da efetiva
comprovação da atividade fiscalizadora, diante da
notoriedade do exercício do poder de polícia pelo aparato
administrativo dessa municipalidade. (...)” (RE 222252 AgR /
SP, de 17/04/2001)

“Recurso Extraordinário 1. Repercussão geral reconhecida. 2.


Alegação de inconstitucionalidade da taxa de
renovação de localização e de funcionamento do
Município de Porto Velho. 3. Suposta violação ao artigo
145, inciso II, da Constituição, ao fundamento de não existir
comprovação do efetivo exercício do poder de polícia. 4. O
texto constitucional diferencia as taxas decorrentes do
exercício do poder de polícia daquelas de utilização de
serviços específicos e divisíveis, facultando apenas a estas a

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prestação potencial do serviço público. 5. A regularidade do
exercício do poder de polícia é imprescindível para a cobrança
da taxa de localização e fiscalização. 6. À luz da
jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal, a
existência do órgão administrativo não é condição para
o reconhecimento da constitucionalidade da cobrança
da taxa de localização e fiscalização, mas constitui um
dos elementos admitidos para se inferir o efetivo
exercício do poder de polícia, exigido
constitucionalmente. Precedentes. 7. O Tribunal de Justiça
de Rondônia assentou que o Município de Porto Velho, que
criou a taxa objeto do litígio, é dotado de aparato fiscal
necessário ao exercício do poder de polícia. 8. Configurada a
existência de instrumentos necessários e do efetivo exercício
do poder de polícia. 9. É constitucional taxa de renovação
de funcionamento e localização municipal, desde que
efetivo o exercício do poder de polícia, demonstrado
pela existência de órgão e estrutura competentes para
o respectivo exercício, tal como verificado na espécie
quanto ao Município de Porto Velho/RO” (Grifo nosso)

Ou seja, a simples existência e o funcionamento efetivo do órgão


fiscalizador (e não a simples existência do órgão, sem qualquer
estrutura para fiscalização) já são suficientes para a cobrança da taxa
dos contribuintes sujeitos à ação policial administrativa, ainda que
nem todos os reais contribuintes venham a sofre fiscalizações
efetivas. O contribuinte pode “nascer, viver e morrer” sem que as
autoridades fiscais o fiscalizem efetivamente, in loco, indo até o seu
estabelecimento, por exemplo, mas ainda assim será devida a taxa, vez que
essa, em razão da existência do órgão e da estrutura administrativa com
potencial para empreender uma fiscalização pode vir a “sofrer” uma
fiscalização.

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Entenda bem: se um determinado município, por lei, cria um órgão com
competência para exercer determinado poder de polícia, criando também um
taxa, a simples existência formal desse órgão não é suficiente para essa
cobrança. Somente com a real criação do órgão, materialmente falando, com
prédio, servidores, aparelhamento técnico e logístico, por exemplo, é que
justifica e autoriza a cobrança da taxa criada.

Veja outro julgamento da Corte Suprema:

“Taxa de Fiscalização de Localização e Funcionamento.


Cobrança. Legitimidade. Jurisprudência assentada sobre a
matéria. Agravo regimental provido. Não pode o contribuinte
furtar-se à exigência tributária sob a alegação de o ente
público não exercer a fiscalização devida, não dispondo
sequer de órgão incumbido desse mister, sendo, pois,
irrelevante a falta de prova do efetivo exercício do poder de
polícia. (RE 396846 AgR/MG, de 05/08/2008).”

Nesse caso acima, a taxa não é devida, vez que não há, sequer, estrutura
administrativa apta a exercer a fiscalização efetiva do contribuinte, ainda que
potencialmente. Não há, sequer, o órgão público encarregado desse mister.

Vamos agora ao estudo da Taxa de Serviços, outra espécie do gênero Taxas,


também muito importante para fins de concurso.

Taxas de Serviço

As taxas de serviços são aquelas cobradas em razão da prestação de


determinado serviço pelo Estado ao contribuinte. Essa espécie de taxa está
regulada no artigo 79 do CTN, que assim nos diz:

Art. 79. Os serviços públicos a que se refere o artigo 77


consideram-se:

I - utilizados pelo contribuinte:

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a) efetivamente, quando por ele usufruídos a qualquer
título;

b) potencialmente, quando, sendo de utilização


compulsória, sejam postos à sua disposição mediante
atividade administrativa em efetivo funcionamento;

II - específicos, quando possam ser destacados em


unidades autônomas de intervenção, de unidade, ou de
necessidades públicas;

III - divisíveis, quando suscetíveis de utilização,


separadamente, por parte de cada um dos seus
usuários.” (Grifos nosso)

Esse artigo, nos seus três incisos, possui uma série de conceitos relativos aos
serviços a serem prestados pelo ente político e que podem demandar a
cobrança de taxas, devendo ser bem assimilados por você. Você não faz ideia
de quantas questões de prova de concurso existem apenas utilizando esses
três incisos. E muitas vezes de modo literal.

Quanto às taxas de serviço, estas devem ser cobradas em relação aos


serviços:

 Utilizados pelo contribuinte, seja efetivamente ou apenas


potencialmente.

Os serviços utilizados efetivamente são aqueles em que o contribuinte


da taxa os utilizou materialmente, tendo, como exemplo, conseguido a
expedição de um alvará de funcionamento para o seu estabelecimento
em razão do pagamento prévio da taxa de fiscalização de
estabelecimento ou se utilizado, infelizmente, dos serviços dos
bombeiros.

Quando falamos em utilização potencial de um serviço, temos os


casos em que este fica à disposição do contribuinte, caso esse venha a
necessitar um dia. É o caso do serviço de bombeiros, remunerado

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mediante taxa de serviço (ou taxa de bombeiros). Nós pagamos a
taxa, mas rezamos para nunca termos que precisar do serviço destes
competentes profissionais. Mas se precisarmos, o serviço será
prestado. Nem que seja para tirar um gatinho do alto de uma árvore.

Atente bem: a potencialidade é em relação à utilização do


serviço, e não em relação à prestação do serviço. O serviço já
está sendo prestado, estando perfeitamente disponibilizado (ao menos
na teoria) e esperando ser utilizado. A taxa de bombeiros é devida em
razão da existência de corpo de bombeiros e da sua potencial
utilização, e não da potencialidade da existência de um futuro corpo de
bombeiros. 

“Art. 77 do CTN. Se o acórdão recorrido firmou a premissa de


que a CEDAE não dispõe de sistema de tratamento de esgoto
que atenda ao imóvel da autora, torna-se indevida qualquer
contraprestação, em virtude, inclusive, de suposta utilização
potencial do serviço. (STJ, REsp 1032975/RJ, de
15/04/2008).”

 Serviços Específicos são aqueles que podem ser destacados em


unidades autônomas de intervenção, de utilidade ou de
necessidades públicas. Nesse tipo de serviço, os sujeitos passivos
podem identificar precisamente, e discriminadamente, o serviço pelo
qual estão pagando para fins de incidência do tributo.

São os serviços em que o contribuinte, ao pagar o tributo, sabe


exatamente por qual serviço está pagando, como, por exemplo, no
pagamento de taxa de vistoria de veículo no DETRAN. Nesse conceito,
temos os serviços em que os destinatários podem ser discriminados e
quantificados.

Nesse conceito, pode-se dizer que o legislador especificou as


características do serviço em si, determinando a sua natureza para fins

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de incidência do tributo, ao passo que características relacionadas aos
sujeitos passivos são descritas no conceito seguinte.

 Serviços divisíveis são aqueles que podem ser suscetíveis de


utilização, separadamente, por cada um dos seus usuários.

Inicialmente, consideram-se serviços públicos divisíveis, também (sob


a ótica do ente tributante), os que podem ser prestados por uma só
pessoa jurídica de direito público, no qual o órgão público é
expressamente indicado como executor daqueles.

Nesse tipo de serviço, não há a generalidade do serviço prestado, mas


sim a divisibilidade em relação a cada um dos beneficiários, não sendo
passível de utilização por todo e qualquer cidadão, mas apenas por
aqueles descritos na lei de instituição, com características próprias.

Nesse tipo de serviço, a administração pode identificar,


individualmente, cada contribuinte da taxa, precisando aqueles que
efetivamente utilizam ou podem vir a utilizar o serviço. São os
chamados serviços públicos singulares (ou uti singuli, ou específicos)

É o caso, por exemplo, da taxa de coleta de lixo domiciliar, em que


cada contribuinte paga pelo serviço efetivamente cobrado e prestado
em relação à sua residência. São os casos em que é possível a
identificação de cada contribuinte, precisa e individualmente.

“Taxa de coleta de lixo domiciliar. Município de Franca.


Improcedência. Precedentes. 1. O Supremo Tribunal Federal
firmou entendimento no sentido da legitimidade da taxa de
coleta de lixo proveniente de imóveis, entendendo como
específico e divisível o serviço público de coleta e tratamento
de lixo domiciliar prestado ao contribuinte ou posto à sua
disposição. (AI 311693 AgR/SP, de 06/12/2011).”

“As taxas cobradas em razão dos serviços públicos de


coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou
resíduos provenientes de imóveis, desde que

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dissociadas da cobrança de outros serviços públicos de
limpeza são constitucionais (...). 3. As taxas que, na
apuração do montante devido, adotem um ou mais
elementos que compõem a base de cálculo própria de
determinado imposto, desde que não se verifique identidade
integral entre uma base e outra são constitucionais. (RE
613287 AgR/RS, de 02/08/2011).”

Diferentemente é a taxa de limpeza de logradouros públicos, que não pode


ter seus beneficiários identificados precisamente, uma vez que a limpeza de
um determinada rua pela municipalidade beneficia diversas pessoas e de
forma indiscriminada, não sendo possível mensurar o benefício e, repito,
aqueles que foram beneficiados. O mesmo ocorre quanto à prestação de
serviços de segurança pública e de iluminação pública. Quanto a esse tema
último, o STF editou a seguinte Súmula:

“Súmula STF 670: “O serviço de iluminação pública não pode


ser remunerado mediante taxa”

Por sua vez, os requisitos a serem observados em relação aos serviços a


serem tributados por meio de taxas são cumulativos, devendo ser observados
quando da instituição de uma nova taxa. Caso o serviço não possua o atributo
de divisibilidade, não poderá ser cobrada taxa. Exemplo disso é, como já
comentamos, a taxa de limpeza de vias e logradouros públicos, que possuem
usuários indeterminados, portanto, indivisível, insuscetível de ser remunerada
por meio de taxas.

Assim, não é cabível a cobrança de taxas em relação a serviços prestados de


maneira geral (os chamados serviços uti universi, ou gerais), em que não
seja possível a identificação precisa dos seus beneficiários, como, por
exemplo, na limpeza de vias públicas. Nesse caso, como falamos, não poderá
haver a instituição de taxas, uma vez que o serviço prestado beneficia a
todos, sem que se possa distinguir precisamente os beneficiários, aqueles que
realmente se utilizam do serviço.

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Limpar uma via pública beneficia a todos, inclusive aqueles que estão
passando pelo logradouro apenas de passagem para outro município, por
exemplo.

Ao realizar a limpeza de determinada rua, não apenas as pessoas que moram


nela serão beneficiadas, mas todas aquelas que nela transitam, diariamente,
esporadicamente ou apenas uma vez na vida. Todos são beneficiários. A
mesma interpretação deve ser dada à prestação de serviço de iluminação
pública, que também não pode ser remunerado por meio de taxas, uma vez
que não se pode determinar com precisão os seus beneficiários. O
serviço, para ser remunerado por meio de taxas, deve ser prestado
para pessoas determinadas, e não para a coletividade.

Atente bem:

 Taxa de limpeza pública  não pode ser remunerado por meio de


taxas;

 Taxa de coleta domiciliar de lixo  pode ser remunerado por taxas.

São indevidas as taxas instituídas em relação aos seguintes serviços


prestados pelo Estado:

 Taxa de Segurança Pública, uma vez que é dever do Estado a


manutenção da segurança pública a todos os cidadãos, não sendo um
serviço passível de mensuração dos seus beneficiários;
“Impossibilidade de cobrança de taxa de segurança pública
de eventos abertos ao público, ainda que tal serviço seja
solicitado por particular para a sua segurança ou para a de
terceiros. Visto que incumbe ao Estado prestá-la a toda a
população, essa atividade somente pode ser sustentada por
imposto. (RE 269374 AgR/MG, de 02/08/2011).”

 Taxa de Iluminação Pública, uma vez que não é possível


mensurar seus beneficiários, e tendo em vista ainda a criação da
Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública
(COSIP), a ser vista mais adiante.

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 Taxa de Coleta de lixo e limpeza pública, uma vez que existe a
prestação de um serviço prestado de maneira geral (limpeza
pública), impossível de ser remunerado por meio de taxas, ainda
que existente a parcela prestada a usuários determinados (taxa de
coleta de lixo domiciliar).

Tendo em vista esse raciocínio, o STF editou ainda as seguintes Súmulas:

“Súmula vinculante nº 19: “A taxa cobrada exclusivamente


em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e
tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de
imóveis, não viola o artigo 145, II da Constituição Federal”

Por fim, são válidas as seguintes taxas de serviços, tendo em vista


posicionamento do STF em sentido favorável:

 Taxa de serviços notariais e de registro (custas e emolumentos);

“Custas e emolumentos: serventias judiciais e extrajudiciais:


natureza jurídica. É da jurisprudência do Tribunal que as
custas e os emolumentos judiciais ou extrajudiciais tem
caráter tributário de taxa. (ADI 3694/AP, de 20/09/2006).”

 Taxas judiciárias, em razão da prestação de serviços pelos órgãos


judiciários;

 Taxa de coleta de resíduos sólidos de serviços de saúde.

Vamos agora à base de cálculo das taxas!

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Base de Cálculo das Taxas

Quanto à base de cálculo (base imponível) das taxas, a CF/88 traz o seguinte
normativo:

“Art. 145 (...)

§ 2º - As taxas não poderão ter base de cálculo própria de


impostos.” (Artigo 145, §2º da CF/88)

O §2º acima dispõe que as taxas não poderão ter base de cálculo já
utilizada para os impostos. Assim, o Estado de Pernambuco não pode
instituir, por exemplo, uma taxa sobre licenciamento de veículos que tenha
como base de cálculo o valor venal do veículo, uma vez que este valor já é
base de cálculo do imposto sobre a propriedade de veículos automotores
(IPVA).

Enunciado semelhante é encontrado no parágrafo único do artigo 77 do CTN:

“Art .77 (...)

Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato


gerador idênticos aos que correspondam a imposto
nem ser calculada em função do capital das empresas.”
(Grifos nosso)

As duas previsões (CF/88 e CTN) fazem valer a diferença existente entre as


taxas e os impostos, uma vez que:

 Enquanto os impostos são tributos que não dependem de uma atividade


estatal específica relativa ao contribuinte, denotando a sua
característica de tributo não-vinculado, a taxa é exatamente o
contrário, mostrando-se como um tributo vinculado a uma
contraprestação estatal para que possa ser cobrado;

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 Deve existir correlação entre a atividade estatal e a base de cálculo
adotada para a taxa que ira remunerá-la, atentando-se ao princípio da
razoabilidade e da proporcionalidade.

Assim, não devem ser adotadas para as taxas bases de calculo ou fatos
geradores já previstos como pertencentes a impostos. Veja o que diz o STF
sobre o tema:

“A base imponível da taxa ha de refletir correspondência com


a hipótese de incidência. Assim, a fixação do quantum
debeatur não pode levar em consideração circunstâncias
estranhas à taxa, pena de confundir-se o que e imposto com
taxa ou contribuição de melhoria. (REsp 2220/SP, de
12/09/1990).”

Com base nessa orientação, o STF editou as seguintes Súmulas:

“Súmula STF nº 595: É inconstitucional a taxa municipal de


conservação de estradas de rodagem cuja base de cálculo
seja idêntica à do imposto territorial rural”

“Súmula Vinculante STF nº 29: É constitucional a adoção,


no cálculo do valor de taxa, de um ou mais elementos da
base de cálculo própria de determinado imposto, desde que
não haja integral identidade entre uma base e outra.”
(Grifo nosso)

Assim, quanto à Súmula Vinculante nº 29, o STF entende constitucional a


taxa que possua base de cálculo com alguns elementos semelhantes aos
previstos para um imposto, desde que esses elementos não sejam, em sua
totalidade, idênticos entre si.

Por exemplo, se o imposto “A” possui três elementos que determinam sua
base de calculo: X, Y, e W; e a taxa “B” possui os seguintes elementos
definidores da sua base de calculo: W, Z e P; não haverá identidade integral

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dos elementos, mas apenas de forma parcial, o que autoriza a instituição da
taxa e a observância dos mandamentos contidos na CF/88 e no CTN.

Observe outras decisões sobre o tema base de cálculo impostos x taxas:

“Taxa de Segurança contra Incêndio do Estado. Sua


inconstitucionalidade, por identidade de base de cálculo
(valor unitário do metro quadrado) com a do Imposto Predial
e Território Urbano. (RE 120954, de 14/03/1996).”

“TAXA DE LICENCIAMENTO DE IMPORTAÇÃO. ART. 10 DA LEI


2.145/53, REDAÇÃO DADA PELO ART. 1. DA LEI N. 7.690/88.
Tributo cuja base de cálculo coincide com a que corresponde
ao imposto de importação, ou seja, o valor da mercadoria
importada. Inconstitucionalidade que se declara do
dispositivo legal em referencia, em face da norma do art.
145, par. 2., da Constituição Federal de 1988. (RE 167992,
de 23/11/1994).”

“(...)TAXA DE COLETA DE LIXO: BASE DE CÁLCULO. IPTU.


MUNICÍPIO DE SÃO CARLOS, S.P. I. - O fato de um dos
elementos utilizados na fixação da base de cálculo do IPTU -
a metragem da área construída do imóvel - que é o valor do
imóvel (CTN, art. 33), ser tomado em linha de conta na
determinação da alíquota da taxa de coleta de lixo, não quer
dizer que teria essa taxa base de cálculo igual à do IPTU: o
custo do serviço constitui a base imponível da taxa. Todavia,
para o fim de aferir, em cada caso concreto, a alíquota,
utiliza-se a metragem da área construída do imóvel, certo
que a alíquota não se confunde com a base imponível do
tributo. Tem-se, com isto, também, forma de realização da
isonomia tributária e do princípio da capacidade contributiva:
C.F., artigos 150, II, 145, § 1º. II.” (RE 232393 / SP, de
12/08/1999)

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Muito comum, por sua vez, é a fixação de taxas (com valor fixo) tendo por
parâmetro grandezas que, a principio, pudessem ser consideradas como base
de cálculo relativa a impostos, como acontece para o caso da taxa de
fiscalização dos mercados de títulos e valores mobiliários instituída pela lei
federal nº 7940/1989. A taxa fixada por essa lei leva em consideração, para
determinar o valor fixa da taxa a ser paga, o patrimônio líquido das
empresas.

Por exemplo, suponha que a lei citada na Súmula estabeleceu que, para
empresas com patrimônio liquido de até R$ 100.000,00, a taxa será de R$
1.000,00. Para patrimônios líquidos de R$ 100.000,01 em diante, a taxa será
de R$ 2.000,00. Observe que não temos a fixação da taxa em função direta
do patrimônio liquido considerado, sendo esses apenas parâmetros de
referência para se fixar a taxa. Não há a multiplicação de uma alíquota pelo
valor do patrimônio liquido, a exemplo do que ocorre para os impostos.

Quanto à proibição de as taxas terem sua base de cálculo dada em função do


capital das empresas, temos a seguinte Súmula do STF:

“É constitucional a taxa de fiscalização dos mercados de


títulos e valores mobiliários instituída pela lei 7940/1989.”

A razão da Súmula acima seria que a fixação de valores maiores de taxas


para contribuintes que possuíssem maior porte econômico não se mostrou
incoerente com a vedação expressa do CTN e da CF/88, uma vez que visou
apenas cumprir o princípio da capacidade contributiva, e não instituir uma
taxa em função do capital das empresas. A lei federal nº 7.940/89 fixou
valores fixos de taxas a serem pagos em razão de faixas de valores de
capitais das empresas fiscalizadas, porém diferenciados para cada porte
empresarial.

Observe uma decisão do STF sobre o tema:

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“A taxa de fiscalização da CVM, instituída pela Lei nº
7.940/89, qualifica-se como espécie tributária cujo fato
gerador reside no exercício do Poder de polícia legalmente
atribuído à Comissão de Valores Mobiliários. A base de
cálculo dessa típica taxa de polícia não se identifica
com o patrimônio líquido das empresas, inocorrendo,
em consequência, qualquer situação de ofensa à
cláusula vedatória inscrita no art. 145, § 2º, da
Constituição da República. O critério adotado pelo
legislador para a cobrança dessa taxa de polícia busca
realizar o princípio constitucional da capacidade
contributiva, também aplicável a essa modalidade de
tributo, notadamente quando a taxa tem, como fato gerador,
o exercício do poder de polícia. (RE 216259 AgR/CE, de
09/05/2000).” (Grifos nosso)

Outra importante decisão do STF quanto ao tema foi relativa à fixação da


base de cálculo da taxa de serviços notariais e de registro, fixada em razão
em determinados valores fixos, mas levando em consideração o valor do
imóvel objeto da negociação. Observe que, nesses casos, para cada faixa de
valores de imóveis, há um valor de taxa, e não que a respectiva taxa foi
fixado em razão do valor do imóvel, não tomando esta como base de cálculo
a incidir qualquer alíquota. Esse é o mesmo pensamento utilizado para a taxa
de fiscalização dos mercados de títulos e valores mobiliários, só que dessa
vez tomando por base o valor dos imóveis transmitidos.

Se assim não fosse, estaríamos diante de um imposto, qual seja, o IPTU, que
adota essa mesma base de cálculo na apuração do montante a ser cobrado
dos contribuintes.

Além disso, o valor da taxa a ser cobrado, em regra, deve possuir um valor
máximo, vez que, se assim não for fixado, permitirá a desconexão entre o
valor da taxa e o valor suportado pelo estado quando da prestação do
serviço, indo de encontro ao princípio da proporcionalidade.

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“Súmula nº 667: Viola a garantia constitucional de acesso à
jurisdição a taxa judiciária calculada sem limite sobre o valor
da causa.”

Outra observação importante quanto às taxas é a de que o valor cobrado


deva guardar identidade com o serviço ou fiscalização prestada pelo
Estado, em obediência aos princípios da razoabilidade e da
proporcionalidade.

Deve-se apurar, dentro de certos limites e requisitos, o custo efetivamente


despendido com a atividade fiscalizatória ou com a prestação do serviço pelo
Estado, para que não haja o enriquecimento sem causa deste, e vindo a
confundir a taxa com o imposto. Deve-se guardar uma relação razoável entre
o valor cobrado e o custo do serviço prestado. Esse ponto de vista, inclusive,
afirma uma das características principais das taxas, que é a vinculação do seu
pagamento a uma contraprestação estatal, e esse é realizada por meio da
prestação de um serviço.

Veja algumas taxas consideradas inconstitucionais pelo STF e pelo STJ, tendo
em consideração esse ponto de vista:

“A taxa de licença de publicidade não pode ter como base de


cálculo" o espaço ocupado pelo anuncio na fachada externa
do estabelecimento", porque o trabalho da fiscalização
independe do tamanho da placa de publicidade (CTN,
art. 78). ( STJ: REsp 78048/SP, de 09/12/1997).”

“A taxa, enquanto contraprestação a uma atividade do Poder


Público, não pode superar a relação de razoável equivalência
que deve existir entre o custo real da atuação estatal referida
ao contribuinte e o valor que o Estado pode exigir de cada
contribuinte, considerados, para esse efeito, os elementos
pertinentes às alíquotas e à base de cálculo fixadas em lei.
(...) (ADI 2551, de 02/04/2003).”

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Taxas x Preço Público (tarifas)

Iniciaremos esse tópico com a famosa decisão do STF sobre o tema,


constante na sua Súmula 545, cuja redação é a seguinte:

“Preços de serviços públicos e taxas não se confundem,


porque estas, diferentemente daqueles, são compulsórias e
têm sua cobrança condicionada à prévia autorização
orçamentária, em relação à lei que as instituiu.”

A parte final da Súmula diz respeito ao princípio da anualidade, que,


conforme é estudado em tema relativo aos princípios constitucionais, não
possui mais aplicação na atual CF/88.

Pode-se notar na súmula acima a principal diferença entre os dois institutos


(taxa e preço público): a compulsoriedade de sua cobrança, uma vez que a
taxa apresenta essa característica, não estando a mesma presente
nos chamados preço públicos. Apesar disto, ambas se referem à prestação
de serviços públicos, sendo, portanto, contraprestacionais e retributivas,
muito embora apenas a primeira seja de cobrança coercitiva.

Por serem, contudo, contraprestacionais em razão de remunerarem uma


atividade prestada pelo estado, suscitam muita confusão quanto aos seus
conceitos a ponto de, algumas vezes, serem considerados como institutos
idênticos, algo que não é verdade. Entretanto, taxas são diferentes de preços
públicos e tarifas.

Para o STF, preço público e tarifa são a mesma coisa - embora alguns autores
entendam ser esta (tarifa) uma espécie daquele (preço público), uma vez que
remuneram a prestação de determinado serviço de caráter público prestado
por concessionárias e permissionárias de serviços públicos.

O ponto chave que distingue a cobrança das taxas e dos preços públicos (e
das tarifas) sobre determinados serviços públicos se refere à natureza do
serviço a ser prestado. Caso o serviço seja considerado como de

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prestação exclusiva pelo Estado, ou esteja revestido de caráter de
essencialidade ao interesse público, será devida uma taxa. Caso não
sejam essenciais (telefonia, distribuição de gás, energia elétrica,
entre outros) ou privativos, podendo ser prestados livremente por
particulares, os serviços poderão ensejar a cobrança de preço público.

Além do que foi comentado no parágrafo anterior, a melhor forma de


distinguir se a natureza de determinada cobrança é taxa ou preço público é
saber o regime jurídico a que se submete o instituto. Se estivermos diante do
regime jurídico de direito público, estaremos diante de uma taxa, vez que
estaremos diante de um regime jurídico tributário, que decorre sempre de lei
e no qual não há a autonomia de vontade por parte do sujeito passivo.

Caso seja identificado o regime jurídico de direito privado, estaremos diante


de um regime contratual, não possuindo natureza tributária (e, portanto, sem
coercibilidade), havendo ainda a autonomia de vontade por parte do
administrado.

Não é demais anotar ainda que tanto a taxa quanto o preço público podem
ser cobrados pelas pessoas jurídicas de direito público, enquanto as pessoas
jurídicas de direito privado somente podem cobrar os preços públicos.

No mais, temos que as taxas são consideradas sempre receitas derivadas,


vez que não decorrem diretamente da utilização do patrimônio do ente
político competente, ao passo que o preço público e/ou as tarifas são
consideradas como receitas originárias, sendo oriundas da exploração do
patrimônio público.

As taxas e os preços públicos possuem muitas diferenças que o distinguem


uns dos outros, as quais podem ser resumidas no quadro abaixo:

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TAXA PREÇO PÚBLICO

DECORREM SEMPRE DE LEI DECORRE DE CONTRATO

POSSUEM NATUREZA NÃO POSSUEM NATUREZA


TRIBUTÁRIA TRIBUTÁRIA
REGIME DE NATUREZA
SUBMETE-SE AO REGIME
CONTRATUAL E
JURÍDICO TRIBUTÁRIO
ADMINISTRATIVA
NÃO HÁ AUTONOMIA DE
HÁ AUTONOMIA DE VONTADE
VONTADE

SÃO DEVIDAS EM RAZÃO DA


SÃO DEVIDOS APENAS EM
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OU
RAZÃO DA PRESTAÇÃO DE
DO EXERCICIO DO PODER DE
SERVIÇOS
POLÍCIA

É INADMISSÍVEL A RESCISÃO DA A RELAÇÃO PODE SER


RELAÇÃO RESCINDIDA

SOMENTE COBRADA EM RAZÃO


PODE SER COBRADA EM RAZÃO
DA EFETIVA PRESTAÇÃO DO
DA PRESTAÇÃO POTENCIAL
SERVIÇO
RECEITA DERIVADA RECEITA ORIGINÁRIA

NÃO ESTÁ SUJEITA A


ESTÁ SUJEITA AOS PRINCÍPIOS
PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS,
TRIBUTÁRIOS
APENAS ADMINISTRATIVOS

É COMPULSÓRIA NÃO É COMPULSÓRIO

SOMENTE PODE SER EXIGIDA PODE SER EXIGIDA POR PESSOA


POR PESSOA JURÍDICA DE JURICIDA DE DIREITO PÚBLICO
DIREITO PÚBLICO OU PRIVADO

NÃO TEM FINS LUCRATIVOS POSSUI FINS LUCRATIVOS

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Quanto a alguns serviços, o STF e o STJ entendem o seguinte:

“A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido


de que não se trata de tributo, mas de preço público, a
cobrança a título de água e esgoto. (STF: RE 447536/SC,
de 28/06/2005).”

“A natureza jurídica da remuneração dos serviços de


água e esgoto, prestados por concessionária de serviço
público, é tarifária, consubstanciando, assim,
contraprestação de caráter não tributário. (STJ: AgRg no
REsp 1193729/RJ, de 16/09/2012).”

Por fim, quanto ao instituto do pedágio, temos que este remunera serviços
explorados e prestados tanto por pessoas jurídicas de direito público, hipótese
em que estaremos diante de uma taxa, quanto por pessoas jurídicas de
direito privado, situação em que será observada a cobrança de uma tarifa ou
preço público.

(Questão 12) O valor cobrado pelo Estado do particular, por meio de


contrato e sob regime de direito privado, pela exploração de serviços públicos
é um(a):

a) receita derivada.

b) taxa.

c) preço público, que é uma receita originária.

d) tarifa, que é uma receita extraorçamentária.

e) tributo, que é uma receita originária.

Características básicas que não pertencem às taxas: regime de direito privado


(contratual), uma vez que são tributos e às quais se aplica o regime público e
são instituídas por meio de uma relação tributária, por meio de lei, e não por

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meio de contrato, típicas características dos preços públicos (receita
originária). Assim, resta como correta a alternativa "c", gabarito da questão.

(Questão 13) Foi instituída, por parte do município, cobrança obrigatória de


valor para uso de espaço público por estabelecimento comercial. A respeito
dessa situação, assinale a alternativa correta.

a) Essa cobrança é preço público.

b) O valor cobrado tem natureza de imposto, por ser obrigatório.

c) A cobrança instituída tem fundamento no poder de polícia do ente da


Federação; portanto, trata-se de taxa.

d) Os municípios não têm competência para instituir cobrança obrigatória de


valor para concessão de uso de área pública.

e) Trata-se de taxa de serviço imposta em função de que a utilização do


serviço público é efetiva ou potencial.

Questão capciosa da banca, que tentou induzir o candidato a erro em razão


da utilização do termo “cobrança obrigatória”. Embora tenha sido utilizado o
termo, não se trata de algo compulsório, tendo em vista que ninguém é
obrigado a pagar nada caso não queira utilizar o espaço público.

A cobrança do valor não pode ter natureza tributária, uma vez que não se
reveste de caráter coercitivo, típico dessa espécie jurídica, sendo ainda regido
por uma relação contratual entre o interessado e o poder público concedente
do espaço.

Por simples percepção, podemos notar que não se trata de empréstimos


compulsórios, contribuição especial ou contribuição de melhoria, sendo
descartadas todas as alternativas que possuem esses tributos.

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Também não se mostra coerente classificar o valor cobrado como sendo um
imposto, uma vez que este possui caráter obrigatório e não vinculado, típico
dessas espécies tributárias. Nos impostos, não há qualquer atividade estatal
especifica por parte do Estado relativa ao contribuinte.

Por sua vez, também não estamos diante de uma taxa, já que esta também
apresenta caráter obrigatório, sendo cobrado do contribuinte em razão de
uma relação jurídico tributária. Para a instituição de uma taxa, deve existir o
poder de polícia do Estado ou a prestação, efetiva ou potencial, de um serviço
publico especifico e divisível, o que não ocorre quando da cobrança do valor
para uso do espaço público.

Taxas e preço público não se confundem, uma vez que aquela possui
natureza tributária, enquanto estas não possuem essa prerrogativa.

Assim, resta como correta a alternativa "a", gabarito da questão.

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Contribuições de Melhoria

A contribuição de melhoria é tributo presente na competência tributária de


todos os Entes Federativos, a chamada competência tributária comum.
Assim, tanto a União quanto os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
poderão instituir o tributo. Por sua vez, esse é talvez o tributo que tenha a
mais negativa das repercussões políticas junto aos cidadãos, quando cobrado
na prática, já que é pouco comum ser efetivamente instituída uma
contribuição de melhoria.

A contribuição de melhoria está prevista genericamente no artigo 145, III, da


CF/88, que dispõe o seguinte:

“Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os


Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...)

III - contribuição de melhoria, decorrente de obras


públicas.”

Como podemos observar no texto do artigo acima, a contribuição de melhoria


é decorrente de obras públicas, sem a qual não poderá ser exigida do ente
que a institui. Como veremos adiante, não é o simples fato de haver uma
obra pública que permitirá a cobrança do tributo.

“Esse conceito ficou muito vago, professor. Decorrente de obras públicas


como? Em que sentido.”

Essa pergunta não é respondida pela CF/88, que apenas se limitou a dizer
isso que consta no inciso III do artigo 145. Quem nos responde essa pergunta
e outras que possam vir a surgir é o Código Tributário Nacional (CTN) e o
Decreto-Lei federal nº 195, de 24 de fevereiro de 1967.

As principais características da contribuição de melhoria, presentes nos dois


normativos federais, são as seguintes (guarde bem):

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 Tem como fato gerador o acréscimo do valor do imóvel
localizado nas áreas beneficiadas direta ou indiretamente por
obras públicas, ou seja, seu fato gerador é a valorização
imobiliária dos imóveis beneficiados pela obra pública, e não
a realização da obra pública em si, que pode ou não trazer
valorização imobiliária para os imóveis circunvizinhos à obra
realizada;

“Art 1º A Contribuição de Melhoria, prevista na


Constituição Federal tem como fato gerador o
acréscimo do valor do imóvel localizado nas áreas
beneficiadas direta ou indiretamente por obras
públicas.” (art. 1 do Decreto-Lei n 195/67).

“Esta Corte consolidou o entendimento no sentido de que a


contribuição de melhoria incide sobre o quantum da
valorização imobiliária. (STF: AI 694836, de 24/11/2009)”

“(...) a valorização imobiliária decorrente de obra pública -


requisito ínsito a contribuição de melhoria - persiste como
fato gerador dessa espécie tributaria. Hipótese de
recapeamento de via pública ja asfaltada: simples
serviço de manutenção e conservação que não acarreta
valorização do imóvel, não rendendo ensejo a
imposição desse tributo.(STF: RE 115863, de
29/10/1991).”

“1. A entidade tributante, ao exigir o pagamento de


contribuição de melhoria, tem de demonstrar o amparo
das seguintes circunstâncias: a) a exigência fiscal decorre
de despesas decorrentes de obra pública realizada; b) a
obra pública provocou a valorização do imóvel; c) a
base de cálculo é a diferença entre dois momentos: o

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primeiro, o valor do imóvel antes da obra ser iniciada;
o segundo, o valor do imóvel após a conclusão da obra.

2. “É da natureza da contribuição de melhoria a valorização


imobiliária” (Geraldo Ataliba). (...)

4. (...), no trato da contribuição da melhoria, adota o


critério de mais valia para definir o seu fato gerador ou
hipótese de incidência (no ensinamento de Geraldo
Ataliba, de saudosa memória).(STJ: REsp 614595/RS, de
17/05/2004).”

 É instituída para fazer frente aos custos decorrentes da obra pública,


adotando-se como critério o benefício resultante da obra;

 A apuração do valor da contribuição de melhoria devida,


dependendo da natureza das obras, far-se-á levando em conta a
situação do imóvel, sua testada, área, finalidade de exploração
econômica e outros elementos a serem considerados, isolada ou
conjuntamente;

 A determinação da contribuição de melhoria far-se-á rateando,


proporcionalmente, o custo parcial ou total das obras, entre
todos os imóveis incluídos nas respectivas zonas de influência da
obra;

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 Será cobrada dos proprietários de imóveis situados nas áreas direta
e indiretamente beneficiadas pela obra;

 A cobrança terá, como limite total, o custo das obras realizadas


pelo poder público (despesas realizadas, e não a despesa
orçada, que poderá ser menor ou maior do que aquela),
computadas as despesas de estudos, projetos, fiscalização,
desapropriações, administração, execução e financiamento;

 Não poderá ser cobrado um valor total de contribuição de


melhoria maior que o despendido na obra, ainda que o valor da
valorização seja maior que o efetivamente gasto;

 Terá, como limite individual, o acréscimo de valor percebido


pelo imóvel, resultante da diferença entre o valor venal do imóvel
após a conclusão da obra e o valor venal antes de iniciada a obra
pública.

 Não poderão ser exigidos valores de contribuição de melhoria


maiores do que aqueles decorrentes dos melhoramentos advindos
ao imóvel beneficiado pela obra. Se a obra, apesar de custosa, não
resultou em melhoramentos, ou resultou em valores menores do
que o custo da obra, nada a mais poderá ser exigido dos
contribuintes.

A título de ilustração dos normativos presentes no CTN, temos o seguinte:

“Art. 81. A contribuição de melhoria cobrada pela União,


pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no
âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para
fazer face ao custo de obras públicas de que decorra
valorização imobiliária, tendo como limite total a
despesa realizada e como limite individual o acréscimo
de valor que da obra resultar para cada imóvel
beneficiado.

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Art. 82. A lei relativa à contribuição de melhoria observará os
seguintes requisitos mínimos:

I - publicação prévia dos seguintes elementos:

a) memorial descritivo do projeto;

b) orçamento do custo da obra;

c) determinação da parcela do custo da obra a ser financiada


pela contribuição;

d) delimitação da zona beneficiada;

e) determinação do fator de absorção do benefício da


valorização para toda a zona ou para cada uma das áreas
diferenciadas, nela contidas;

II - fixação de prazo não inferior a 30 (trinta) dias,


para impugnação pelos interessados, de qualquer dos
elementos referidos no inciso anterior;

III - regulamentação do processo administrativo de instrução


e julgamento da impugnação a que se refere o inciso
anterior, sem prejuízo da sua apreciação judicial.

§ 1º A contribuição relativa a cada imóvel será


determinada pelo rateio da parcela do custo da obra a
que se refere a alínea c, do inciso I, pelos imóveis situados
na zona beneficiada em função dos respectivos fatores
individuais de valorização.

§ 2º Por ocasião do respectivo lançamento, cada contribuinte


deverá ser notificado do montante da contribuição, da forma
e dos prazos de seu pagamento e dos elementos que
integram o respectivo cálculo.” (Grifos nosso)

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Quanto ao limite total e individual, talvez o tema mais importante para fins de
prova constante no CTN e relativo à contribuição de melhoria, temos o
seguinte exemplo que ajudará a ilustrar melhor os dois limites.

Como exemplo, imagine que determinada obra pública tenha custado R$


1.000.000,00 aos cofres da prefeitura de Recife/PE. A obra resultou em
valorização imobiliária de R$ 10.000,00 para cada um dos 50 imóveis
situados à Rua da Amizade, no bairro das Graças.

Assim, a valorização total dos imóveis foi de R$ 500.000,00. Esse valor é


apenas metade do total gasto com a obra pública. Diante disso, o poder
público recifense não poderá ratear entre os proprietários do imóvel os R$
500.000,00 restantes, nada a mais podendo ser cobrado, uma vez que a
valorização máxima obtida pelo imóvel foi de apenas R$ 10.000,00. Entendeu
a sistemática? Os R$ 10.000,00 devidos por cada contribuinte será o limite
individual a ser levado em consideração, sendo descartado o limite total, que
seria R$ 20.000,00 (R$ 1.000.000,00 / 50).

Imagine agora a situação contrária. O custo da obra foi de R$ 1.000.000,00,


mas a valorização individual de cada um dos 50 imóveis foi de R$ 50.000,00.
Assim, teremos valorização total de R$ 2.500.00,00. Ou seja, R$
1.500.000,00 a mais de valorização imobiliária do que o valor devido como
custo total da obra. Logo, o poder público poderá cobrar contribuição de
melhoria em razão da valorização total do imóvel. Correto? Errado. O valor
total a ser cobrado será proporcional ao custo da obra, de R$ 1.000.000,00.
Nenhum valor a mais será cobrado caso excedente a esse valor.

A contribuição de melhoria é instituída para fazer frente ao custo da obra.


Atente bem: O CUSTO DA OBRA! E não para fazer frente à valorização
obtida pelos imóveis. Nem para financiar a obra realizada.

Dividindo R$ 1.000.000,00 por 50 imóveis, teremos R$ 20.000,00 para cada


um dos imóveis, sendo esse o valor a ser pago por cada um dos contribuintes
no segundo exemplo dado, ainda que a valorização percebida por cada um
dos imóveis tenha sido de R$ 50.000,00. Para esse caso, o custo total da

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obra será o limite total da contribuição de melhoria, sendo desprezado o
limite individual.

Observe que, do confronto entre o limite individual e o limite total, deverá


ser adotado aquele que resulte em menor valor de contribuição de
melhoria a ser paga pelos contribuintes. MUITA ATENÇÃO A ESSE
DETALHE: O MENOR VALOR!

Que espécie normativa é competente para instituir a contribuição de


melhoria? Poderá ser qualquer lei em sentido estrito dos Entes políticos
previstos na CF/88, não sendo exigido por essa nenhum normativo específico.

Por sua vez, a contribuição de melhoria é tributo sujeito a todos os


princípios constitucionais presentes na CF/88, em especial os
princípios da anterioridade anual e nonagesimal.

Uma vez que são instituídas para fazer frente ao custo de uma obra pública a
ser realizada pelo Ente político instituidor, as contribuições de melhoria
são tributos vinculados, uma vez que há uma contraprestação estatal junto
ao contribuinte: a obra pública realizada.

Os valores arrecadados com a contribuição de melhoria poderão ser utilizados


em qualquer despesa pública, não existindo mandamento constitucional que
vincule suas receitas a determinada despesa. Diante disso, podemos dizer
que a arrecadação do tributo é não-vinculada.

“Ora, professor. E ela não é para financiar a obra pública não?”

Essa é lógica mesmo. Mas não é assim que ocorre em termos financeiros. O
valor arrecadado não é destinado de maneira exclusiva à obra, uma vez que
primeiro a obra é realizada para que depois sejam arrecadados os valores,
regra geral.

Por sua vez, a arrecadação e a cobrança dos valores devem ser feito
posteriormente à realização da obra, ainda que parcial (em alguns casos,
poderá ser cobrada durante a realização da obra pública). Logo, nenhum

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valor poderá ser cobrado sem que exista obra finalizada ou em curso, e das
quais já resulte valorização imobiliária.

Já quanto à sujeição passiva, temos o Ente político no polo ativo e o


proprietário, o titular do domínio útil ou o possuidor do imóvel no polo
passivo da relação tributária.

“Professor, uma pergunta ficou me martelando aqui: e que tipo de obra


enseja a cobrança de uma contribuição de melhoria? Quem define são os
entes políticos competentes?”

Não. Essa previsão está contida no artigo 2º do Decreto-Lei nº 195/67. Uma


parte da lista segue abaixo, mas quero pedir veementemente que não decore
um inciso sequer, ok? É apenas a título ilustrativo.

“Art 2º Será devida a Contribuição de Melhoria, no caso de


valorização de imóveis de propriedade privada, em virtude de
qualquer das seguintes obras públicas:

I - abertura, alargamento, pavimentação, iluminação,


arborização, esgotos pluviais e outros melhoramentos de
praças e vias públicas;

II - construção e ampliação de parques, campos de


desportos, pontes, túneis e viadutos; (...)

VII - construção de aeródromos e aeroportos e seus acessos;

VIII - aterros e realizações de embelezamento em geral,


inclusive desapropriações em desenvolvimento de plano de
aspecto paisagístico.”

Por fim, temos um pequeno resumo das principais características da


contribuição de melhoria:

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(Questão 14) A realização de obras públicas, que transformaram uma região


anteriormente pantanosa em um belo e aprazível parque, ocasionou a
valorização da maior parte dos imóveis localizados em suas proximidades, da
seguinte maneira:

- o imóvel "A", que valia R$ 4.000.000,00 antes das obras, teve fator de
absorção do benefício de valorização de 200%, passando a valer R$
12.000.000,00.

- o imóvel "B", que valia R$ 3.000.000,00 antes das obras, teve fator de
absorção do benefício da valorização de 100%, passando a valer R$
6.000.000,00.

- o imóvel "C", que valia R$ 2.000.000,00 antes das obras, teve fator de
absorção do benefício da valorização de 50%, passando a valer R$
3.000.000,00.

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- o imóvel "D" não teve valorização alguma em decorrência das obras
realizadas.

Obs.: Todos os quatro imóveis têm a mesma área de terreno e o que


determinou a diferença nos fatores de absorção do benefício da valorização
foram elementos alheios à dimensão do terreno. O custo total da obra foi
orçado em R$ 6.000.000,00 e a referida contribuição deverá custeá-la
integralmente.

Com base nessas informações e considerando que o município em questão


editou lei ordinária estabelecendo a cobrança de contribuição de melhoria
para fazer face ao custo dessa obra, é correto afirmar que

(A) a municipalidade poderá exigir do proprietário do imóvel "C" contribuição


de melhoria no valor de R$ 500.000,00, mesmo que seu imóvel tenha sido
valorizado em R$ 1.000.000,00, desde que o limite total da exigência
referente ao custo da obra não ultrapasse R$ 6.000.000,00.

(B) os proprietários dos imóveis "A", "B", "C" e "D" deverão pagar
contribuição de melhoria, pois estão na zona beneficiada.

(C) os proprietários dos imóveis "A", "B" e "C" deverão pagar contribuição de
melhoria, desde que a fixação das bases de cálculo e dos fatos geradores
respectivos sejam estabelecidos por lei complementar.

(D) os proprietários dos imóveis "A", "B" e "C", que tiveram seus imóveis
efetivamente valorizados com a obra, deverão ratear integralmente o valor de
custo da obra, com base na área do terreno de cada um deles, cabendo a
cada um o valor de R$ 2.000.000,00.

(E) a municipalidade poderá exigir, cumulativamente, de todos os quatro


proprietários, contribuição de melhoria em valor igual ao da valorização de
seus respectivos imóveis, cabendo ao imóvel "A" pagar R$ 8.000.000,00, ao
imóvel "B" pagar R$ 3.000.000,00, ao imóvel "C" pagar R$ 1.000.000,00 e
não cabendo nada a "D", perfazendo um total de R$ 12.000.000,00.

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Para responder essa questão, primeiramente temos que organizar os dados
relativos às valorizações imobiliárias e ao custo da obra, principalmente.
Depois, encontrar o valor máximo devido por cada um deles e relativo à
contribuição de melhoria. Vejamos.

Custo Total da Obra: R$ 6.000.000,00.

Quantidade de Imóveis: 04.

Valorização Imobiliária do Imóvel “A”: R$ 8.000.000,00

Valorização Imobiliária do Imóvel “B”: R$ 3.000.000,00

Valorização Imobiliária do Imóvel “C”: R$ 1.000.000,00

Valorização Imobiliária do Imóvel “D”: R$ 0,00.

Valorização Total dos Imóveis: R$ 12.000.000,00.

Como se observa, o valor total da valorização imobiliária foi superior ao custo


da obra em R$ 6.000.000,00. Desse modo, essa parcela não poderá ser
cobrada dos contribuintes. O limite total, assim, será o custo da obra.

Devemos agora dividir o valor da obra proporcionalmente à parcela de


valorização que o imóvel sofreu em relação ao total da valorização sofrida por
todos os imóveis. Para obter esses valores, basta apenas álgebra.

Para o imóvel “A”, teremos o percentual de 2/3 (R$ 8.000.000,00 / R$


12.000.000,00). Para o “B”, de 1/4 (R$ 3.000.000,00 / R$ 12.000.000,00).
Para “C”, de 1/12 (R$ 1.000.000,00 / R$ 12.000.000,00). Multiplicando cada
um dos valores percentuais por R$ 6.000.000,00, obteremos os seguintes
valores máximos de Contribuição de melhoria para cada um dos imóveis:

“A”  2/3 x R$ 6.000.000,00 = R$ 4.000.000,00.

“B”  1/4 x R$ 6.000.000,00 = R$ 1.500.000,00.

“C”  1/12 x R$ 6.000.000,00 = R$ 500.000,00

“D”  0 x R$ 6.000.000,00 = R$ 0,00.

Assim, resta como correta a alternativa "a", gabarito da questão.

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Contribuições Especiais

Nesse item da aula veremos as contribuições especiais, gênero do qual são


espécies as seguintes contribuições:

 Contribuições Sociais:

 Contribuições para a Seguridade Social;

 Contribuições Sociais Gerais;

 Outras contribuições sociais;

 Contribuições sociais residuais;

 Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE);

 Contribuições Corporativas;

 Contribuição de Iluminação Pública (COSIP).

As três primeiras espécies tributárias que veremos nesse item da aula, em


regra, estão afetas à competência tributária da União, conforme nos diz o
artigo 149 da nossa CF/88:

“Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir


contribuições sociais, de intervenção no domínio
econômico e de interesse das categorias profissionais ou
econômicas, como instrumento de sua atuação nas
respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III,
e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º,
relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.

§ 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios


instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para
o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de
que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da
contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da
União.

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§ 2º As contribuições sociais e de intervenção no
domínio econômico de que trata o caput deste artigo:

I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de


exportação;

II - incidirão também sobre a importação de produtos


estrangeiros ou serviços;

III - poderão ter alíquotas:

a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita


bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o
valor aduaneiro;

b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada.

§ 3º A pessoa natural destinatária das operações de


importação poderá ser equiparada a pessoa jurídica, na
forma da lei.

§ 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições


incidirão uma única vez.” (Grifos nosso)

Observe que a regra somente é excepcionada em razão do que consta no §1º


do artigo, que possibilitou aos Estados, Distrito Federal e Municípios a
instituição de contribuição previdenciária a ser cobrada dos seus respectivos
servidores, em benefícios destes, e desde que a alíquota cobrada não seja
inferior à prevista para a contribuição dos servidores titulares de cargos
efetivos da União.

Observe que essa contribuição é destinada APENAS AO FINANCIMENTO


DO SISTEMA PREVIDÊNCIÁRIO DESSES ENTES. Logo, não abrange
outras áreas normalmente oferecidas por regimes dessa natureza, como
assistência odontológica, assistência social, entre outros. Veremos essa
contribuição mais adiante.

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Exceto em relação a essa contribuição, a competência da União é plena em
relação às demais contribuições constantes no caput do artigo 149 da CF/88,
uma vez que estão compreendidas na chamada competência tributária
exclusiva. Atente bem: a competência é exclusiva, exceto quanto ao que
comentamos anteriormente quanto à contribuição previdenciária dos
servidores públicos dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Por sua vez, a COSIP está prevista no artigo 149-A da CF/88, tendo sido
acrescentado pela emenda constitucional nº 39/2003, atribuindo aos
Municípios e ao Distrito Federal a instituição dessa contribuição:

“Art. 149-A Os Municípios e o Distrito Federal poderão


instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o
custeio do serviço de iluminação pública, observado o
disposto no art. 150, I e III.

Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que


se refere o caput, na fatura de consumo de energia elétrica.”

Em ambos os casos (artigo 149 e 149-A), o produto resultante da


arrecadação das contribuições serão destinadas a uma finalidade específica
previamente estabelecida, sendo assim consideradas tributos de
arrecadação vinculada, vez que se destinam a financiar despesas
específicas. No primeiro caso , o regime previdenciário. No segundo, o
custeio do serviço de iluminação pública.

As contribuições previstas nos artigos 149 e 149-A se submetem aos


princípios da legalidade e da anterioridade, tanto anual quando
nonagesimal. As exceções aos princípios são relativas apenas às
contribuições sociais para a seguridade social e à CIDE-combustíveis.

Quanto ao princípio da legalidade, em regra, todas as contribuições sociais


devem ser instituídas por meio de lei ordinária, seja da União ou dos demais
entes políticos, exceto em relação às contribuições residuais criadas pela
União, que necessitam de lei complementar, da mesma forma que ocorre
para os impostos residuais (artigo 195, §4º, da CF/88). Por sua vez, devem

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ainda obedecer ao que consta na CF/88 em relação à lei complementar que
estabelece normas gerais em matéria de legislação tributária.

A exceção ao princípio da legalidade fica por conta da alteração das


alíquotas da CIDE-combustíveis, que poderão ser reduzidas e
restabelecidas por ato do Poder Executivo, conforme o artigo 177, §4º,
da CF/88. Estudaremos melhor esse tema aos vermos a CIDE-combustíveis.

Por sua vez, apenas o princípio da anterioridade anual possui exceções


quanto às contribuições, e apenas em relação:

 às contribuições para a seguridade social, previstas no artigo 195,


I a IV, que devem aguardar apenas o prazo de noventa dias para que
possam produzir efeitos; as residuais, por sua vez, DEVEM OBEDIÊNCIA
TOTAL AO PRINCÍPIO DA NOVENTENA. (artigo 195, §6º, da CF/88)

 novamente, à CIDE-combustíveis, conforme o artigo 177, §4º,


quanto à redução e restabelecimentos de alíquotas, que somente
devem obediência ao prazo de noventa dias (princípio da
noventena) para começarem a surtir efeito junto aos
contribuintes.

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Por fim, as contribuições especiais são ainda chamadas de contribuições
parafiscais por alguns doutrinadores, por mais que a expressão já se encontre
em desuso. Essas contribuições, quando foram instituídas originalmente,
tinham como um dos seus objetivos a arrecadação de recursos em prol de
determinadas entidades não integrantes da Administração Pública, porém,
que realizavam atividades de interesse público.

Atualmente, algumas das contribuições do artigo 149 e a do 149-A são


destinadas à própria administração pública, motivo pelo qual já não é mais
correta a aplicação da nomenclatura a todas as espécies de contribuições
especiais. Como exemplo, temos a COSIP.

Da mesma maneira, é irrelevante a pessoa jurídica arrecadadora para


fins de classificação da espécie tributária como contribuição ou não,
uma vez que essas contribuições especiais possuem arrecadação vinculada.
Se destinada ao financiamento de alguma atividade, em especial a seguridade
social, serão contribuições especiais.

Vamos ver agora cada uma dessas espécies tributárias.

Contribuições Sociais

Contribuição social é a espécie no qual estão contidas três subespécies:

 Contribuições para a Seguridade Social;

 Contribuições Sociais Gerais;

 Outras Contribuições Sociais.

É oportuno lembrar que temos também as contribuições criadas em razão da


competência residual da União no que se refere à criação de contribuições
residuais para a seguridade social, conforme nos diz o artigo 195, §4º, da
CF/88:

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“Art .195 (...)

§ 4º - A lei poderá instituir outras fontes destinadas a


garantir a manutenção ou expansão da seguridade social,
obedecido o disposto no art. 154, I.”

As contribuições residuais previstas no artigo 195, §4º, da CF/88 são


classificadas como outras contribuições sociais, conforme classificação
adotada pelo STF.

Conforme previsão constante na parte final do §4º, remetendo ao artigo 154,


I, da CF/88, e segundo o que foi comentado anteriormente, essas novas
contribuições para a seguridade social serão instituídas por lei
complementar, não podendo ter base de cálculo ou fato geradores
idênticos aos já previstos para outras contribuições, devendo ainda
ser não cumulativas.

“Art. 154. A União poderá instituir:

I - mediante lei complementar, impostos não previstos no


artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e não
tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos
discriminados nesta Constituição;”

“Professor, mas esse item fala de impostos, e não de contribuições. Não seria
o caso de as contribuições não terem fato gerador ou base de calculo própria
de impostos já discriminados na CF/88, ao invés de outras contribuições? De
onde você tirou isso?”

Quem me disse isso foi o STF, entendendo que a interpretação contida no


inciso I deve ser adaptada caso a caso. Quando falamos em impostos, é
imposto. Quando contribuições, será relativamente a contribuições. Assim,
UMA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL RESIDUAL PODERÁ TER FATOS
GERADORES OU BASES DE CÁLCULOS DE IMPOSTOS JÁ PREVISTOS
NA CF/88, UMA VEZ QUE NÃO HÁ PROIBIÇÃO ALGUMA PARA TANTO.

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Por sua vez, nenhuma disposição do texto constitucional confere exceção a
nenhum princípio da CF/88. Diante disso, AS CONTRIBUIÇÕES RESIDUAIS
PARA A SEGURIDADE SOCIAL ESTÃO SUBMETIDAS AO PRINCÍPIO DA
ANTERIORIDADE, AO DA NOVENTENA E AO DA LEGALIDADE, bem
como aos demais princípios.

Vista essa apresentação das contribuições residuais, vamos às contribuições


sociais previstas no texto constitucional.

Contribuições Sociais para a Seguridade Social

As contribuições sociais para a seguridade social estão previstas no artigo 149


da CF/88, visto anteriormente, possuindo ainda disposições mais específicas
contidas no artigo 195 da mesma Carta Federal. Nesse artigo estão
discriminadas diversas fontes de financiamento (base de incidência) da
seguridade social, por meio de contribuições previstas nos incisos I a IV. Seu
texto é o seguinte:

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“Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a
sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei,
mediante recursos provenientes dos orçamentos da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das
seguintes contribuições sociais:

I - do empregador, da empresa e da entidade a ela


equiparada na forma da lei, incidentes sobre:

a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho


pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que
lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;

b) a receita ou o faturamento;

c) o lucro;

II - do trabalhador e dos demais segurados da


previdência social, não incidindo contribuição sobre
aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de
previdência social de que trata o art. 201;

III - sobre a receita de concursos de prognósticos.

IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou


de quem a lei a ele equiparar.” (Grifos nosso)

De pronto, temos que saber que todas as contribuições sociais previstas


nos incisos do artigo 195 poderão ser instituídas por meio de lei
ordinária, uma vez que não há a necessidade de lei complementar
para tanto. Essa necessidade se verifica apenas para as novas contribuições,
as contribuições sociais residuais, conforme vimos anteriormente.

Assim, caso a base de incidência das contribuições sociais para a


seguridade social já esteja previsto no corpo da CF/88, será
necessário apenas lei ordinária da União. Caso não esteja previsto,
enquadrando-se como contribuição residual, será necessária lei
complementar.

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Por sua vez, a criação e a fixação das alíquotas das contribuições sociais para
a seguridade social previstas no texto da CF/88 são exceções à anterioridade
anual, devendo obediência apenas ao princípio da noventena.

Ou seja, ao serem instituídas ou majoradas (o texto do artigo 195, §6º,


fala em instituídas ou modificadas, mas possuindo o mesmo alcance do
artigo 150, III, conforme entendimento do STF), há necessidade apenas de
aguardar 90 dias contados da data da publicação da lei para que possam
surtir efeitos juntos aos contribuintes. Porém, como vimos, as contribuições
sociais para seguridade social RESIDUAIS submetem-se a todos os princípios
constitucionais tributários, inclusive da anterioridade. Separe bem os dois
grupos.

Nessa linha, deve-se atentar bem para as bases de incidência das


contribuições sociais para a seguridade social previstas nos incisos I a IV do
artigo 195:

 Contribuição do empregador, das empresas e das entidades a


eles equiparados, podendo incidir em três situações:

 Sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho PAGOS


OU CREDITADOS a pessoa física que lhe presta serviço, mesmo sem
vinculo empregatício, podendo o pagamento ser a qualquer título
(Contribuições Patronais para a seguridade social);

 Sobre a receita ou o faturamento (PIS e COFINS);

 Sobre o lucro obtido (CSLL);

 Contribuição social a cargo do trabalhador e dos demais


segurados da previdência social (RGPS), exceto em relação às
aposentadorias e pensões concedidas pelo Regime Geral de Previdência
Social, que ficarão imunes a contribuições sociais (são as contribuições
pagas pelos empregados sobre os seus rendimentos, sobre os quais
incidem as alíquotas de 8%, 9% e 11%, conforme lei federal nº 8.212,
de 1991);

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 Contribuições sociais incidentes sobre a receita obtida com os
concursos de prognósticos (Loterias, apostas em corridas de
cavalos, entre outros);

 Contribuições sociais devidas pelo importador de bens ou


serviços do exterior, ou quem a lei a ele equiparar (PIS e COFINS
importação).

Guarde bem essas hipóteses, elas são muito importantes para fins de prova.
Observe também que a obrigação de contribuir com a seguridade social é
independente do grau de relação dos colaboradores com os
destinatários dos benefícios.

A seguridade social é instituto de caráter solidário, devendo toda a sociedade


contribuir para o seu financiamento, conforme consta no caput do artigo 195,
exigindo participação do Estado, dos empregadores e dos trabalhadores,
ainda que direta ou indiretamente. Muitos dos contribuintes são eleitos pelas
normas instituidoras das contribuições sem que jamais venham a ser
destinatários de um beneficio sequer da seguridade social, como é o caso das
empresas em geral, que financiam a seguridade social e que, por óbvio, não
serão beneficiárias da mesma.

Por sua vez, as contribuições sociais relativas às empresas,


empregadores e entidades equiparadas poderão (NÃO É UMA
OBRIGATORIEDADE!!!) ter alíquotas ou bases de cálculo
diferenciadas, em razão (artigo 195, §9º, da CF/88):

 Da atividade econômica;

 Da utilização intensiva de mão-de-obra;

 Do porte da empresa;

 Da condição estrutural do mercado de trabalho.

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De outro modo, a lei definirá os setores de atividade econômica para os
quais as contribuições incidentes sobre a receita e o faturamento e
sobre o importador de bens ou serviços do exterior serão não-
cumulativas (é uma imposição da CF/88). Essa previsão será aplicada
também no caso de substituição gradual, total ou parcial, das contribuições
devidas pelas empresas e empregadores sobre a folha de salários e
rendimentos pela contribuição incidente sobre a receita ou o faturamento.
(Artigo 195, §§12 e 13, da CF/88)

Por sua vez, são imunes a contribuições sociais para a seguridade


social as entidades beneficentes de assistência social que atendam
aos requisitos estabelecidos em lei.

Essa previsão de imunidade visa proteger da tributação as entidades


beneficentes que prestam serviços de assistência social, uma das vertentes
da Seguridade Social no nosso país. Muitas delas são as próprias beneficiárias
dos recursos obtidos com a arrecadação das contribuições sociais, não sendo
razoável cobrar contribuições sociais dessas entidades, somado ao fato de
possuírem recursos diminutos para o desempenho de suas atividades.

Quanto às contribuições sociais para a seguridade social temos ainda o


seguinte na CF/88:

 As receitas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios destinadas


à seguridade social constarão dos respectivos orçamentos, não
integrando o orçamento da União.

 A proposta de orçamento da seguridade social será elaborada de forma


integrada pelos órgãos responsáveis pela saúde, previdência social e
assistência social, tendo em vista as metas e prioridades estabelecidas
na lei de diretrizes orçamentárias, assegurada a cada área a gestão de
seus recursos.

 A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como


estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem
dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.

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 Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser
criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de
custeio total.

 O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador


artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas
atividades em regime de economia familiar, sem empregados
permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a
aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização
da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei.

 A lei definirá os critérios de transferência de recursos para o sistema


único de saúde e ações de assistência social da União para os Estados,
o Distrito Federal e os Municípios, e dos Estados para os Municípios,
observada a respectiva contrapartida de recursos.

 É vedada a concessão de remissão ou anistia das contribuições


sociais incidentes sobre a folha de salário e rendimentos (inciso I, a) e
devidas pelos trabalhadores e segurados do RGPS (inciso II), para
débitos em montante superior ao fixado em lei complementar.

Vamos agora às contribuições sociais gerais.

Contribuições Sociais Gerais

As contribuições sociais gerais são as que se destinam a financiar a atuação


da União em outras áreas que não a da seguridade social. Essas contribuições
são regidas pelas mesmas normas aplicadas às demais contribuições
elencadas no artigo 149 da CF/88, sem qualquer distinção de caráter geral.

Uma vez que previstas no artigo 149, são, pois, tributos, submetendo-se aos
princípios aplicáveis aos demais tributos, sem exceções, devendo assim ser
instituídos por meio de lei ordinária da União, ente com competência
tributária exclusiva para instituí-los.

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As principais contribuições que fazem parte das chamadas contribuições
sociais gerais são as seguintes:

 Contribuição para o Salário-Educação, prevista no artigo 212, §5º,


da CF/88:
“Art. 212. (...)
§5º A educação básica pública terá como fonte adicional de
financiamento a contribuição social do salário-educação,
recolhida pelas empresas na forma da lei.”
“A CF/88 acolheu o salário-educação, havendo mantido de
forma expressa -- e, portanto, constitucionalizado --, a
contribuição, então vigente, a exemplo do que fez com o
PIS-PASEP (art. 239) e com o FINSOCIAL (art. 56 do ADCT),
valendo dizer que a recepcionou nos termos em que a
encontrou, em outubro/88. Conferiu-lhe, entretanto, caráter
tributário, por sujeitá-la, como as demais contribuições
sociais, à norma do seu art. 149, sem prejuízo de havê-la
mantido com a mesma estrutura normativa do Decreto-Lei
n.º 1.422/75 (mesma hipótese de incidência, base de
cálculo e alíquota)(...) (STF: RE 290079, de 17/10/2001)”.
“Súmula STF nº 732: É constitucional a cobrança da
contribuição do salário-educação, seja sob a carta de 1969,
seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei
9424/1996”.
 Contribuições destinadas aos Serviços Sociais Autônomos, o
chamado Sistema “S” (SENAI, SESC, SESI, SENAT, SENAC, SENAR,
SEST, entre outros), estando previstas nos artigos 240 da atual CF/88 e
no artigo 62 da ADCT:
“Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as
atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a
folha de salários, destinadas às entidades privadas de

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serviço social e de formação profissional vinculadas ao
sistema sindical.”
“Art. 62. A lei criará o Serviço Nacional de Aprendizagem
Rural (SENAR) nos moldes da legislação relativa ao Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço
Nacional de Aprendizagem do Comércio (SENAC), sem
prejuízo das atribuições dos órgãos públicos que atuam na
área.”
Deve ser ressaltado que, embora o SEBRAE faça parte desse
sistema S, a contribuição a ele devida não é uma contribuição
social geral, mas uma Contribuição de Intervenção no Domínio
Econômico (CIDE), conforme decisão do STF. Veja alguns
julgamentos:
“O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE n.
396.266, relator Ministro Carlos Velloso, fixou entendimento
de que a contribuição para o SEBRAE configura contribuição
de intervenção no domínio econômico. (RE 443449/PR, de
30/08/2011).”
“1. Autonomia da contribuição para o SEBRAE alcançando
mesmo entidades que estão fora do seu âmbito de atuação,
dado o caráter de intervenção no domínio econômico de que
goza. Precedentes. 2. É legítima a disciplinação
normativa mediante lei ordinária, dado o tratamento
dispensado à contribuição. (AI 650194/PR, de
04/08/2009).”
 Contribuição Social devida pelos empregadores em caso de
despedida de empregado sem justa causa, à alíquota de 10%,
incidente sobre o montante de todos os depósitos devidos, referentes
ao FGTS, durante a vigência do contrato de trabalho, acrescido das
remunerações aplicáveis às contas vinculadas, conforme lei
complementar federal nº 110/2001.

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Contribuições Previdenciárias dos Demais Entes Políticos

A CF/88 conferiu competência tributária quanto a uma única hipótese de


instituição de contribuições sociais por entes que não a União, prevista no §1º
do artigo 149.

“Art. 149. (...)

§ 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios


instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para
o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de
que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da
contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da
União.”

Caso assim desejem, os demais entes políticos, por meio de lei própria
poderão instituir regime previdenciário de caráter contributivo e solidário,
mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e
inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio
financeiro e atuarial.

Para tanto, instituirão também contribuição previdenciária para o respectivo


custeio, cobrada dos seus servidores titulares de cargos efetivos. Entretanto,
a alíquota da contribuição não poderá ser INFERIOR àquela cobrada
da União, para a mesma situação, dos seus servidores titulares de
cargos efetivos, cujo valor, atualmente, é de 11%, considerando o regime
próprio de seguridade social.

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Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE)

Nesse item da nossa aula estudaremos as Contribuições de Intervenção no


Domínio Econômico (CIDE), prevista genericamente no artigo 149 da nossa
CF/88. Esse artigo nos diz o seguinte:

“Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir


contribuições sociais, de intervenção no domínio
econômico e de interesse das categorias profissionais ou
econômicas, como instrumento de sua atuação nas
respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III,
e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º,
relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...)

§ 2º As contribuições sociais e de intervenção no


domínio econômico de que trata o caput deste artigo:

I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de


exportação;

II - incidirão também sobre a importação de produtos


estrangeiros ou serviços;

III - poderão ter alíquotas:

a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita


bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o
valor aduaneiro;

b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada.

§ 3º A pessoa natural destinatária das operações de


importação poderá ser equiparada a pessoa jurídica, na
forma da lei.

§ 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições


incidirão uma única vez.” (Grifos nosso)

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Primeiro ponto importante: A INSTITUIÇÃO DE CIDE’S COMPETE
EXCLUSIVAMENTE A UNIÃO. Somente este ente político detém
competência tributária para instituir, cobrar e regular o tributo, e ainda assim
dentro do que prevê a CF/88.

Como seu próprio nome nos diz, as contribuições são instituídas para permitir
a intervenção estatal na economia, regulando situações anômalas ou
prevenindo a sua ocorrência danosa na economia nacional, caracterizando-se
como um típico instrumento do Estado intervencionista.

A atividade intervencionista por meio das CIDE pode se dar tanto em termos
fiscalizatórios, exercendo o controle sobre determinados setores e situações,
quanto por meio da atividade de fomento a determinados setores da
economia, como forma de incentivo ao seu melhoramento e crescimento.

Diante disso, vemos o nítido caráter extrafiscal do tributo, uma vez que
sua função precípua é a de intervir na economia, regulando, fiscalizando e
planejando-a, e não a função meramente arrecadatória, típica dos impostos.
A função arrecadatória, quando à CIDE, é secundária.

A CIDE é um tributo de arrecadação vinculada, uma vez que os recursos


oriundos serão destinados a atividades previstas na lei instituidora de cada
uma das contribuições.

Por sua vez, é um tributo não-vinculado, uma vez que não há uma
contraprestação estatal quando da ocorrência do seu fato gerador. O dever de
pagar o tributo decorre de disposição expressa de lei, que não prevê
nenhuma atividade estatal específica relativa ao contribuinte, como se
observa quanto às taxas e às contribuições de melhoria.

Em regra, a CIDE está sujeita aos princípios da anterioridade, da


noventena e da legalidade, sendo exceção, atualmente, apenas a
CIDE-combustíveis (instituída por meio da lei federal nº 10.336/01)
quanto aos princípios da legalidade, em relação à redução e ao
restabelecimento de alíquotas, e da anterioridade, uma vez que as
alterações de alíquotas somente devem obediência ao princípio da

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noventena, estando as exceções previstas expressamente no texto
constitucional (artigo 177, §4º).

Segundo ponto importante: a CIDE é instituída por meio de lei


ordinária, uma vez que não há qualquer menção no texto constitucional à
necessidade de lei complementar para a instituição desse tributo.

Entretanto, a hipótese de criação por meio de lei ordinária não significa que
as CIDE’s não estejam sujeitas às leis de normas gerais tributárias, estas sim
instituídas por meio de lei complementar e à qual as CIDE’s devem
obediência, conforme prevê o próprio texto do artigo 149: “... observado o
disposto nos arts. 146, III ...”

O artigo 146, III, da CF/88, por sua vez, nos diz o seguinte:

“Art. 146. Cabe à lei complementar: (...)

III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação


tributária, especialmente sobre:

a) definição de tributos e de suas espécies, bem como,


em relação aos impostos discriminados nesta
Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases
de cálculo e contribuintes;

(...)” (Grifos nosso)

Observe o que dispõe o STF sobre o assunto em dois julgados seus:

“As contribuições de intervenção no domínio econômico


podem ser criadas por lei ordinária e não exigem vinculação
direta entre o contribuinte e a aplicação dos recursos
arrecadados. (RE 449233 AgR/RS, de 08/02/2011).”

“O Supremo Tribunal Federal fixou entendimento no sentido


da dispensabilidade de lei complementar para a criação das
contribuições de intervenção no domínio econômico e de
interesse das categorias profissionais. (AI 739715 AgR/RJ,
de 26/05/2009).”

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Os incisos I a III do §2º do artigo 149 nos falam sobre uma hipótese de
incidência e de uma de não-incidência, dispondo ainda sobre a natureza das
alíquotas a incidirem sobre uma determinada base de cálculo.

Segundo o inciso I, a CIDE não incidirá sobre as receitas decorrentes de


exportação, abrangendo tanto a exportação de mercadorias quanto a de
serviços. Essa é mais uma hipótese de desoneração tributária conferida às
exportações, que inclui ainda uma grande variedade de impostos e outras
contribuições.

Por sua vez, o inciso II define que a CIDE INCIDIRÁ sobre a importação
de mercadorias ou serviços oriundos do exterior, não dispondo sobre
nenhuma exceção. Assim, em regra, qualquer mercadorias ou serviço
poderá ser tributado com uma CIDE, conforme vier a prever a lei de
instituição.

As alíquotas da CIDE a serem aplicadas poderão ser do tipo ad valorem ou


específica. As alíquotas ad valorem são aquelas que incidem
proporcionalmente ao valor da transação ou outro valor que defina a
operação tributada, como o faturamento, a receita bruta ou o valor da
operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro.

Por sua vez, a alíquota específica é aquela que toma em consideração valores
relativos ao objeto transacionado, como o peso, volume, unidades, tamanho,
entre outros (R$/Kg, R$/unidade, etc.)

Já o §3º do artigo 149 da CF/88 atribui à lei ordinária a possibilidade de


equiparação da pessoa física a uma jurídica quando destinatária de
operações de importação. Nessas situações, as pessoas físicas
estarão sujeitas às mesmas regras a serem cumpridas pelas pessoas
jurídicas em relação à CIDE .

Por fim, cabe também à lei ordinária definir as hipóteses em que a CIDE
incidirá apenas uma única vez, conforme disposto no §4º. Ou seja, somente
uma etapa da circulação ou da produção será onerada pela CIDE, impedindo
a tributação em cascata ou cumulativa.

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Atualmente existem duas CIDE’s importantes: CIDE-Combustíveis e CIDE-
Royalties.

A CIDE-Combustíveis foi instituída por meio da lei ordinária federal nº


10.336/01, e incide sobre a importação e a comercialização de petróleo,
gás natural e seus derivados e sobre o álcool etílico combustível. Incide tanto
sobre mercadorias nacionais quanto importadas.

Os recursos obtidos com a CIDE-combustiveis serão destinados para as


seguintes finalidades, conforme o artigo 1º, §1º, da lei federal:

“Art. 1º (...)

§ 1o O produto da arrecadação da CIDE será destinada, na


forma da lei orçamentária, ao:

I - pagamento de subsídios a preços ou transporte de


álcool combustível, de gás natural e seus derivados e
de derivados de petróleo;

II - financiamento de projetos ambientais relacionados


com a indústria do petróleo e do gás; e

III - financiamento de programas de infra-estrutura de


transportes.” (Grifos nosso)

Nesse sentido, o STF decidiu ser inconstitucional a destinação da CIDE-


combustíveis a outras finalidades que não as constantes nos casos acima,
uma vez que se trata de tributo de arrecadação vinculada:

“CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO


ECONÔMICO - IMPORTAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE
PETRÓLEO E DERIVADOS, GÁS NATURAL E DERIVADOS E
ÁLCOOL COMBUSTÍVEL - CIDE - DESTINAÇÃO - ARTIGO 177,
§ 4º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. É inconstitucional
interpretação da Lei Orçamentária nº 10.640, de 14 de
janeiro de 2003, que implique abertura de crédito
suplementar em rubrica estranha à destinação do que

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arrecadado a partir do disposto no § 4º do artigo 177
da Constituição Federal, ante a natureza exaustiva das
alíneas "a", "b" e "c" do inciso II do citado parágrafo. (ADI
2925, 19/12/2003).” (Grifos nosso)

A CIDE-combustíveis é a única que possui disposições específicas contidas na


CF/88, mais precisamente no §4º do artigo 177, que assim dispõe:

“Art. 177 (...)

§ 4º A lei que instituir contribuição de intervenção no domínio


econômico relativa às atividades de importação ou
comercialização de petróleo e seus derivados, gás
natural e seus derivados e álcool combustível deverá
atender aos seguintes requisitos:

I - a alíquota da contribuição poderá ser:

a) diferenciada por produto ou uso;

b)reduzida e restabelecida por ato do Poder Executivo, não se


lhe aplicando o disposto no art. 150,III, b;

II - os recursos arrecadados serão destinados:

a) ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de


álcool combustível, gás natural e seus derivados e derivados
de petróleo;

b) ao financiamento de projetos ambientais relacionados com


a indústria do petróleo e do gás;

c) ao financiamento de programas de infra-estrutura de


transportes”

Observe que a previsão do inciso II é idêntica à que consta na lei federal,


regulando o destino a ser dado com a arrecadação da contribuição.

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O inciso I nos fala sobre as alíquotas da contribuição. Na alínea “a” está
prevista a possibilidade de diferenciação das alíquotas em razão do
uso a ser dado aos combustíveis, previsão que foi seguida na lei
federal. Assim, poderemos ter determinado combustível destinados à
indústria têxtil com alíquotas de 10%, enquanto o mesmo combustível, se for
ser utilizado na produção de agrotóxicos, poderá ter alíquota de 12%, por
exemplo.

Já a alínea “b” trata de uma das características mais marcantes da CIDE-


combustíveis para fins de concurso: a possibilidade da redução e do
restabelecimento de alíquotas da contribuição por meio de ato do poder
executivo, sem que se tenha que obedecer ao princípio da anterioridade,
configurando-se como mais uma exceção ao princípio.

Assim, as REDUÇÕES E RESTABELECIMENTOS (E NÃO AUMENTOS) DE


ALIQUOTAS DA CIDE-COMBUSTÍVEIS NÃO SE SUJEITAM AO
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E NEM AO DA ANTERIORIDADE ANUAL.
Entretanto, submetem-se ao princípio da noventena, devendo esperar o prazo
de noventa dias, contados da publicação da lei, para que possam vir a ser
cobradas as novas alíquotas.

Observe que a CF/88 fala em restabelecimento de alíquotas, que é o ato


posterior à redução, em que os valores retornam a, no máximo, àqueles que
foram estipulados inicialmente na lei de criação.

Por exemplo, imagine que uma lei federal tenha estipulado uma determinada
alíquota máxima de 20% para um combustível qualquer. Por meio de ato
próprio, o poder executivo reduziu essa alíquota para 10%, sendo
perfeitamente válido.

Caso o mesmo Poder Executivo queira restabelecer a alíquota, ele somente


poderá fazer isso até o teto de 20%, que é o constante na lei. NUNCA EM
NÍVEL SUPERIOR A ESSE PERCENTUAL.

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Por fim, quanto a CIDE-combustíveis, temos como contribuintes desse tributo
as pessoas previstas no artigo 3º da lei federal, quais sejam: o produtor, o
formulador e o importador, seja ele pessoa física ou jurídica, quanto aos
combustíveis a serem tributados com a contribuição.

Por sua vez, a CIDE-Royalties foi instituída por meio da lei federal nº
10.168/00, instituindo também o Programa de Estimulo à Interação
Universidade-Empresa para o apoio à inovação.

A CIDE-Royalties é devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso


ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela
signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia,
firmados com residentes ou domiciliados no exterior.

Será devida ainda pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que


tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e
semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior,
bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem,
empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários
residentes ou domiciliados no exterior.

A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues,


empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no
exterior, a título de remuneração, nos quais será aplicada a alíquota de 10%
sobra a respectiva base de cálculo.

Assim como a relativa aos combustíveis, a CIDE-Royalties também tem seus


recursos vinculados a despesas específicas, e destinados ao desenvolvimento
tecnológico do país, confirmando, mais uma vez, seu caráter de tributo de
arrecadação vinculada.

Por sua vez, a contribuição será recolhida ao Tesouro Nacional e destinada ao


Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT,
devendo ser alocados em categoria de programação específica. Por sua vez,
do total dos recursos, trinta por cento, no mínimo, serão aplicados em
programas de fomento à capacitação tecnológica e ao amparo à pesquisa

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científica e ao desenvolvimento tecnológico nas regiões Norte, Nordeste e
Centro-Oeste.

Por fim, diferentemente da CIDE-combustíveis, essa contribuição está sujeita


aos princípios constitucionais tributários, sem exceção.

As demais CIDE instituídas pela União são as seguintes:

 Contribuição para o SEBRAE (lei federal nº 8.029/90), embora a lei


de instituição a ela se refira como uma adicional às alíquotas das
contribuições sociais destinadas a entidades específicas (SESI, SENAC,
entre outros);

 Adicional de Tarifa Portuária (ATP), criado pela lei federal nº


7.700/88);

 Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante


(AFRMM), criado pela lei federal nº 10.893/04:

“Súmula STF nº 556: O adicional ao frete para renovação da


marinha mercante (AFRMM) é contribuição parafiscal, não
sendo abrangido pela imunidade prevista na letra "d", iii, do
art. 19 da constituição federal.”
 Contribuições exigidas pelos extintos IAA (Instituto do Açúcar e do
Álcool) e IBC (Instituto Brasileiro do Café).

(Questão 15) Com relação aos tributos e às suas espécies, assinale a


opção incorreta.

a) A contribuição de intervenção no domínio econômico é utilizada pela União


quando ela atua como agente normativo e regulador da ordem econômica,
exercendo as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, nos termos
da CF.

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b) Sobre as receitas decorrentes de exportação incide a contribuição social,
mas não incide a contribuição de intervenção no domínio econômico.

c) As contribuições no interesse de categorias profissionais ou econômicas,


conhecidas também por contribuições corporativas, incluem as contribuições
sindicais e as contribuições para os conselhos de fiscalização profissional.

d) A contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública deve


obedecer tanto aos princípios da anterioridade quanto aos da noventena.

e) Apenas os municípios e o DF podem instituir contribuição para custear o


serviço de iluminação pública.

Alternativa a) Correta. Como seu próprio nome nos diz, as contribuições


são instituídas para permitir a intervenção estatal na economia, regulando
situações anômalas ou as prevenindo a sua ocorrência danosa na economia
nacional, caracterizando-se como um típico instrumento do Estado
intervencionista. Diante disso, vemos o nítido caráter extrafiscal do tributo.

Alternativa b) Incorreta. Em ambos os casos, não incidirá nenhuma das


contribuições previstas no texto da alternativa. Essa previsão está contida
expressamente no texto do §2º do artigo 149 da CF/88, que assim nos diz:

“Art. 149. (...)

§ 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio


econômico de que trata o caput deste artigo:

I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;


(...)”

Alternativa c) Correta. As contribuições de interesse das categorias


profissionais ou econômicas, também chamadas de contribuições
corporativas, são instituídas exclusivamente pela União, a qual detém a
chamada competência tributária exclusiva. Essas espécies normativas têm
como objetivo o financiamento de atividades de interesse de entidades que
realizam fiscalizações e representação de categorias profissionais ou
econômicas, atuando de forma paralela ao Estado (atividade parafiscal). São

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exemplos clássicos dessas contribuições a Contribuição Sindical (categorias
profissionais) e as Contribuições de Interesse dos Órgãos de Fiscalização do
Exercício de Profissões Regulamentadas, como e o caso da CRM e do CREA.

Alternativa d) Correta. A COSIP não é exceção a nenhum dos princípios


constitucionais previstos atualmente na nossa Carta Federal, estando
submetida integralmente aos princípios da anterioridade quanto da
noventena.

Alternativa e) Correta. Exatamente o que prevê o artigo 149-A da nossa


CF/88, atribuindo competência para a instituição desse tributo apenas a esses
dois entes políticos da nossa federação.

“Art. 149-A Os Municípios e o Distrito Federal poderão


instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o
custeio do serviço de iluminação pública, observado o
disposto no art. 150, I e III.

Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que


se refere o caput, na fatura de consumo de energia elétrica.”

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Contribuições Corporativas

As chamadas contribuições corporativas estão também previstas no artigo


149 da CF/88, que assim dispõe em seu texto:

“Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir


contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico
e de interesse das categorias profissionais ou
econômicas, como instrumento de sua atuação nas
respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146,
III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §
6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.”
(Grifos nosso)

As contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas,


também chamadas de contribuições corporativas, são instituídas
exclusivamente pela União, a qual detém a chamada competência
tributária exclusiva quanto a esse tributo.

Essas espécies normativas têm como objetivo o financiamento de atividades


de interesse de entidades que realizam a fiscalização e a representação de
categorias profissionais ou econômicas, atuando de forma paralela ao Estado
(atividade parafiscal).

São exemplos clássicos dessas contribuições a Contribuição Sindical


(categorias profissionais) e as Contribuições de Interesse dos Órgãos de
Fiscalização do Exercício de Profissões Regulamentadas, como e o caso da
CRM e do CREA.

Essas contribuições, por sua vez, são tributos de arrecadação vinculada, uma
vez que toda a receita oriunda da tributação possui uma finalidade específica.
São ainda tributos não-vinculados, uma vez que não há uma
contraprestação por parte do Estado. Por fim, estão sujeitas a todos os
princípios tributários, em especial os da legalidade, irretroatividade,
anterioridade e noventena, uma vez que a parte final do artigo 149,

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relativa à exceção ao princípio da noventena, refere-se apenas às
contribuições sociais para a seguridade social.

Contribuição Sindical

A contribuição sindical, também conhecida indevidamente como imposto


sindical, é aquela devida pelos trabalhadores e paga, regra geral,
anualmente, em virtude destes pertencerem a uma determinada categoria
profissional ou econômica, ou ainda em razão do exercício de profissional
liberal.

Essa contribuição é compulsória e exigida por meio de lei, sendo destinada


ao Sindicato Representativa da categoria profissional ou econômica respectiva
do trabalhador ou profissional liberal. Caso não exista sindicado, os valores
serão destinados à Federação da mesma categoria econômica ou profissional.
Não existindo essa, à Confederação respectiva.

Essa contribuição é devida em razão do que consta no artigo 8º, IV, da


CF/88, in fine, que assim nos diz:

“Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical,


observado o seguinte: (...)

IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em se


tratando de categoria profissional, será descontada em folha,
para custeio do sistema confederativo da representação
sindical respectiva, independentemente da contribuição
prevista em lei;” (Grifos nosso)

Nesse inciso IV estão previstas duas contribuições sindicais:

 a contribuição sindical, de natureza compulsória, fixada em lei e


cobrada de todos os trabalhadores, possuindo natureza tributária e
sujeita aos princípios tributários contidos no Sistema Tributário
Nacional; ou seja, É UM TRIBUTO;

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 a contribuição facultativa, fixada por meio de assembléia-geral dos
trabalhadores filiados ao respectivo sindicato, não possuindo natureza
tributária, destinada ao financiamento do sistema confederativo. Essa
contribuição não é compulsória e não é criada por lei, sendo cobrada
apenas dos trabalhadores filiados.

“Súmula STF nº 666: A contribuição confederativa de que


trata o art. 8º, IV, da constituição, só é exigível dos filiados
ao sindicato respectivo”

A contribuição sindical compulsória é devida independentemente de


filiação sindical. Essa espécie tributária possui ainda disposições a ela
relativas no artigo 580 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que assim
dispõe em seu texto:

“Art. 580. A contribuição sindical será recolhida, de uma só


vez, anualmente, e consistirá:

I - Na importância correspondente à remuneração de um dia


de trabalho, para os empregados, qualquer que seja a forma
da referida remuneração;

III - para os empregadores, numa importância proporcional


ao capital social da firma ou empresa, registrado nas
respectivas Juntas Comerciais ou órgãos equivalentes,
mediante a aplicação de alíquotas, conforme a seguinte
tabela progressiva: (...)”

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Contribuições de Interesse dos Órgãos de Fiscalização do Exercício de
Profissões Regulamentadas

A segunda espécie de contribuição corporativa diz respeito àquelas devidas


aos órgãos de fiscalização do exercício de profissões regulamentadas, as
quais têm por base o que consta no artigo 5º, XIII, da CF/88:

“Art. 5º (...)

XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou


profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei
estabelecer;“

Diante do exercício de algumas profissões regulamentadas por lei, foi


necessária também a criação de órgãos fiscalizadores dessas atividades,
sendo a eles destinados recursos para que venham a financiar a atividade a
eles incumbida.

Diante disso, as atividades exercidas por essas entidades possuem caráter


notadamente de interesse público, consistindo ainda numa atividade
paraestatal, uma vez que prestada por entidades descentralizadas. Foram
assim criadas as contribuições e tendo o produto com ela arrecadado
destinado a essas entidades. São exemplos dessas entidades o CREA, CRM,
CRC, OAB, entre outras.

Veja algumas decisões do STF sobre o tema:

“As contribuições anualmente devidas aos conselhos de


fiscalização profissional possuem natureza tributária e, desse
modo, sujeitam-se ao princípio da legalidade tributária,
previsto no art. 150, I, da Lei Maior. II – O Plenário desta
Corte, no julgamento da ADI 1.717/DF, Rel. Min. Sidney
Sanches, declarou a inconstitucionalidade de dispositivo legal
que autorizava os conselhos de fiscalização profissional a

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fixar suas contribuições anuais. (ARE 640937 AgR/PR, de
23/08/2011).”

Nesse sentido, as contribuições aqui estudadas possuem natureza tributária,


devem ser criadas por lei em sentido estrito e se submetem aos princípios
constitucionais tributários.

Entretanto, grande discussão existe em relação à contribuição devida à OAB,


com alguns entendendo ter natureza tributária e outros não ter essa
natureza. Diante disso, também, muitos autores separam a natureza jurídica
das demais entidades da conferida à OAB, o que fez com que o STJ concluísse
que a contribuição devida à OAB não teria natureza tributária. Veja a seguinte
decisão:

“(...) As contribuições para os Conselhos Profissionais, à


exceção da OAB, possuem natureza tributária.(...)” (REsp
963115 / RS, de 20/09/2007)

“1. Embora definida como autarquia profissional de regime


especial ou sui generis, a OAB não se confunde com as
demais corporações incumbidas do exercício profissional.

2. As contribuições pagas pelos filiados à OAB não têm


natureza tributária. (REsp 572080/PR, de 03/10/2005).”

Essa decisão se alinha ao que pensa o STF em relação à OAB, como pode ser
visto na decisão abaixo:

“A OAB não é uma entidade da Administração Indireta da


União. A Ordem é um serviço público independente, categoria
ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes no
direito brasileiro. (...) A Ordem dos Advogados do Brasil,
cujas características são autonomia e independência, não
pode ser tida como congênere dos demais órgãos de
fiscalização profissional. A OAB não está voltada
exclusivamente a finalidades corporativas. Possui finalidade
institucional. (ADI 3026/DF, de 08/06/2006).”

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Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP)

Neste item da nossa aula estudaremos um dos mais polêmicos e


controvertidos tributos presentes no nosso sistema tributário: a COSIP
(Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública). Esse tributo
foi instituído pela Emenda Constitucional nº 39, de 2002, ano a partir do qual
passou a constar no rol das espécies tributárias nacionais, e teve sua criação
motivada por um extenso debate que se instaurou sobre a possibilidade ou
não de cobrança de taxa de iluminação pública.

A jurisprudência do STF era no sentido de que o serviço de iluminação pública


não poderia ser remunerado mediante taxas, segundo determina a sua
Súmula nº 670:

“O serviço de iluminação pública não poderá ser remunerado


mediante taxa.”

Conforme a Suprema Corte, o serviço não poderia ser classificado como


específico e divisível, atributos principais para que determinada exação seja
classificada e instituída por meio de taxa, sendo prestado a beneficiários que
não poderiam ser identificados com precisão, o qual, por essa característica,
deveria ser prestado com recursos provenientes da arrecadação de impostos.

Entretanto, os Municípios e o Distrito Federal alegavam o alto custo envolvido


com a prestação do serviço de iluminação, o que consumia grande quantia de
recursos dos tesouros municipal e distrital. Assim, recorreram à alteração do
texto da Carta Magna para a inclusão da COSIP entre os tributos a serem
instituídos em razão da sua competência tributária. Essa foi, ao final, a forma
encontrada para dividir com a população o ônus do custeio do serviço.

Entretanto, na visão da doutrina, o novo tributo deveria de pronto ser


declarado inconstitucional, desrespeitando flagrantes regras de direito
tributário e o que consta no nosso atual Sistema Tributário Nacional. Porém, o
debate em torna em torno da constitucionalidade ou não do tributo não é

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muito importante para fins de prova. O que importa é que a COSIP está viva
e forte! E sendo cobrada normalmente.

Diante disso, vamos ao que consta na CF/88 quando à COSIP, incluído pela
emenda constitucional nº 39/02. Essa emenda incluiu o artigo 149-A ao texto
da Carta Federal, cujo texto é o seguinte:

“Art. 149-A Os Municípios e o Distrito Federal poderão


instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para
o custeio do serviço de iluminação pública, observado o
disposto no art. 150, I e III.

Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a


que se refere o caput, na fatura de consumo de energia
elétrica.” (Grifos nosso)

A previsão do artigo constitucional é apenas uma faculdade atribuída aos


Municípios e ao Distrito Federal, que poderão decidir pela instituição ou não
do tributo para o custeio do serviço de iluminação pública no âmbito dos seus
territórios. Até ai, nada de novo, já que a instituição de tributos é apenas o
exercício da competência tributária, conferida constitucionalmente.

O segundo ponto importante é a possibilidade de instituição por meio de


lei própria do ente municipal ou distrital, sem que haja a necessidade
de lei federal regulando nenhum dos atributos principais do tributo,
como o fato gerador e os contribuintes.

Cabe apenas aos Municípios e ao Distrito Federal a definição do fato


gerador, contribuintes, alíquotas, base de cálculo e demais
normativos relativos à exação criada. Assim, foi dada total liberdade
normativa a esses entes, outro motivo ferozmente atacado pela doutrina para
declarar o tributo inconstitucional, afastando por completo o que determina o
artigo 146, III, a, da CF/88.

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E qual a finalidade da instituição da COSIP? Custear os serviços de iluminação
pública. Ou seja, o tributo possui ARRECADAÇÃO VINCULADA, devendo
ter, em teoria, todo a sua arrecadação destinada ao custeio do serviço, não
podendo ser usado em despesas que não esta. Por sua vez, como se presta a
remunerar uma prestação, o tributo possui também caráter vinculado.

Por sua vez, quanto ao parágrafo único do artigo 149-A, temos a


possibilidade de os Municípios e o Distrito Federal cobrarem o tributo na
fatura de energia elétrica paga pelos consumidores. Atente bem: é uma
FACULDADE, não uma obrigatoriedade. Nada impede que um Município
institua a cobrança por meio de um documento de arrecadação próprio e o
envie ao domicílio do contribuinte eleito na lei instituidora do tributo.

Por fim, veja uma emblemática decisão do STF quanto ao tema, em que
pontos importantes quanto ao novo tributo são tratados:

“EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. (...) CONTRIBUIÇÃO


PARA O CUSTEIO DO SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA - COSIP.
ART. 149-A DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. LEI COMPLEMENTAR
7/2002, DO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ, SANTA CATARINA.
COBRANÇA REALIZADA NA FATURA DE ENERGIA ELÉTRICA.
UNIVERSO DE CONTRIBUINTES QUE NÃO COINCIDE COM O DE
BENEFICIÁRIOS DO SERVIÇO. BASE DE CÁLCULO QUE LEVA EM
CONSIDERAÇÃO O CUSTO DA ILUMINAÇÃO PÚBLICA E O CONSUMO
DE ENERGIA. PROGRESSIVIDADE DA ALÍQUOTA QUE EXPRESSA O
RATEIO DAS DESPESAS INCORRIDAS PELO MUNICÍPIO. OFENSA
AOS PRINCÍPIOS DA ISONOMIA E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA.
INOCORRÊNCIA. EXAÇÃO QUE RESPEITA OS PRINCÍPIOS DA
RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE.

I - Lei que restringe os contribuintes da COSIP aos consumidores de


energia elétrica do município não ofende o princípio da
isonomia, ante a impossibilidade de se identificar e tributar
todos os beneficiários do serviço de iluminação pública.

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II - A progressividade da alíquota, que resulta do rateio do custo
da iluminação pública entre os consumidores de energia elétrica,
não afronta o princípio da capacidade contributiva.

III - Tributo de caráter sui generis, que não se confunde com um


imposto, porque sua receita se destina a finalidade específica, nem
com uma taxa, por não exigir a contraprestação individualizada de
um serviço ao contribuinte.

IV - Exação que, ademais, se amolda aos princípios da


razoabilidade e da proporcionalidade. (RE 573675/SC, de
25/03/2009).”

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Empréstimos Compulsórios

Os empréstimos compulsórios são tributos previstos no artigo 148 da CF/88,


cuja redação é a seguinte:

“Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá


instituir empréstimos compulsórios:

I - para atender a despesas extraordinárias,


decorrentes de calamidade pública, de guerra externa
ou sua iminência;

II - no caso de investimento público de caráter urgente


e de relevante interesse nacional, observado o disposto
no art. 150, III, "b".

Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de


empréstimo compulsório será vinculada à despesa que
fundamentou sua instituição.” (Grifos nosso)

O CTN também dispõe sobre os empréstimos compulsórios, regulando o


seguinte:

“Art.15. Somente a União, nos seguintes casos


excepcionais, pode instituir empréstimos compulsórios:

I - guerra externa, ou sua iminência;

II - calamidade pública que exija auxílio federal impossível


de atender com os recursos orçamentários disponíveis;

III - conjuntura que exija a absorção temporária de poder


aquisitivo.

Parágrafo único. A lei fixará obrigatoriamente o prazo


do empréstimo e as condições de seu resgate,
observando, no que for aplicável, o disposto nesta Lei.”
(Grifos nosso)

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Esse tributo está previsto na chamada competência exclusiva da União,
uma vez que apenas ela detém a competência tributária e legislativa para a
sua instituição e cobrança, bem como para a edição de legislação relativa ao
tributo.

Outra importante previsão é quanto ao meio legislativo apto para introduzir


empréstimos compulsórios no nosso ordenamento tributário: APENAS LEI
COMPLEMENTAR. Assim, nenhuma outra espécie normativa poderá criar
empréstimos compulsórios, nem mesmo lei delegada ou medida provisória.

Quem definirá as hipóteses de incidência do tributo é a lei complementar,


que poderá, inclusive, utilizar uma base econômica já prevista
expressamente para outro tributo, seja ele federal, estadual ou
municipal, ou prever uma situação nova no ordenamento jurídico,
como, por exemplo, um empréstimo compulsório sobre a realização de
provas de concursos. (Vamos estudar muito para passar e não correr o risco
de ter que pagar esse empréstimo compulsório, caro aluno). Para a primeira
situação, estaremos diante do chamado bis in iden, estudado
anteriormente, e constitucionalmente autorizado pela Carta Federal de
1988.

Assim como os impostos extraordinários, os empréstimos compulsórios


somente podem ser instituídos em decorrência de situações expressamente
previstas na CF/88, e em nenhuma outra situação mais. São elas:

 Despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de


guerra externa ou sua iminência;

 Investimento público de caráter urgente e de relevante


interesse nacional.

ATENÇÃO! ESSAS DUAS HIPÓTESES NÃO SÃO OS FATOS GERADORES


DO EMPRESTIMO COMPULSÓRIO, MAS APENAS AS SITUAÇÕES QUE
AUTORIZAM A SUA INSTITUIÇÃO.

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O fato gerador do empréstimo compulsório instituído em razão de guerra
externa não é o conflito internacional, mas sim causa que autoriza a
instituição. Quem irá definir o fato gerador será a lei complementar de
criação. Muita atenção a esse detalhe que costuma pegar candidatos menos
atentos.

Fora das três situações acima, os empréstimos compulsórios não poderão


ser instituídos, sob pena de afronta aos mandamentos constitucionais. Da
mesma maneira, não é mais hipótese de instituição do tributo o previsto no
inciso III do artigo 15 do CTN, que dispõe sobre a criação do tributo em
casos de conjuntura que exija absorção temporária do poder
aquisitivo. Essa previsão não foi recepcionada pela atual CF/88.
Repito: somente os casos previstos na CF/88 autorizam a criação do
tributo.

Por sua vez, quanto aos princípios da legalidade, da noventena e da


anterioridade, os empréstimos compulsórios possuem regras diferenciadas
conforme a hipótese que ensejará a criação do tributo.

Caso estejamos diante da ocorrência de calamidade pública, de guerra


externa ou de sua iminência, O TRIBUTO CRIADO SERÁ EXCEÇÃO AOS
DOIS PRINCÍPIOS, PODENDO SER COBRADO DE IMEDIADO, SEM
TER QUE ESPERAR 90 DIAS DA DATA DA PUBLICAÇÃO DA LEI OU O
PRIMEIRO DIA DO EXERCICIO SEGUINTE.

Caso estejamos diante da criação do tributo em razão de investimento


público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, DEVERÃO
SER OBSERVADOS OS DOIS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS, TENDO
QUE ESPERAR 90 DIAS DA DATA DA PUBLICAÇÃO DA LEI OU O
PRIMEIRO DIA DO EXERCICIO SEGUINTE, OU AMBOS.

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Quanto ao princípio da legalidade, nenhuma exceção é prevista no texto


constitucional quanto aos empréstimos compulsórios, devendo ser
observado por inteiro em todas as situações, ou seja, sempre será criado
por lei complementar da União.

Por sua vez, cabe à lei complementar definir se um empréstimo


compulsório terá ou não caráter vinculado relativamente a uma
contraprestação da União junto aos contribuintes eleitos na lei.

A lei complementar é livre para estipular essas condições. Tanto


poderá ser criado um empréstimo compulsório sem que nenhuma atividade
estatal seja prestada em troca, como ocorre para os impostos; quanto
poderá ser criado um em que ocorra uma contraprestação estatal vinculada,
como ocorre para as taxas e as contribuições de melhoria.

Quem irá definir se um empréstimo compulsório é vinculado ou não será o


fato gerador escolhido pelo legislador federal ao criar o tributo. Guarde bem
isso! O empréstimo compulsório poderá ser vinculado ou não vinculado.

“O nome dado é apenas uma nomenclatura ou realmente é um empréstimo,


professor? Há devolução ou essa é feita apenas em agosto (de Deus )?”

Não. Não iremos precisar, em tese, da ajuda divina para termos de volta os
valores entregues emprestados “de boa vontade” ao nosso governo. Os
valores arrecadados deverão ser devolvidos posteriormente, uma vez que,
com o próprio nome diz, são empréstimos.

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Assim, temos o que chamamos de tributo dotado de restituibilidade,
característica somente presente quanto a esse tributo, não sendo
observado em nenhum outro do nosso atual sistema tributário.

Essa previsão consta expressamente no parágrafo único do artigo 15 do


CTN, o qual foi recepcionado pela atual CF/88, determinando que a lei
complementar OBRIGATORIAMENTE deva fixar o praz do empréstimo (por
quanto tempo teremos que emprestar) e as condições de resgate do mesmo
(se em dinheiro ou títulos públicos, o prazo para resgate, de que forma
serão comprovados, entre outros).

Um dos poucos empréstimos compulsórios criados no Brasil foi instituído


pela lei ordinária federal (na época não era exigido lei complementar) nº
4.156, de 1962, que dispõe o seguinte em seu artigo 4º:

“Art. 4º Até 30 de junho de 1965, o consumidor de energia


elétrica tomará obrigações da ELETROBRÁS, resgatáveis
em 10 (dez) anos, a juros de 12% (doze por cento) ao
ano, correspondentes a 20% (vinte por cento) do valor de
suas contas. A partir de 1º de julho de 1965, e até o
exercício de 1968, inclusive, o valor da tomada de tais
obrigações será equivalente ao que fôr devido a título de
impôsto único sôbre energia elétrica.” (Grifos nosso)

Por fim, temos que, por expressa disposição constitucional, os recursos


arrecadas com os empréstimos compulsórios serão vinculados à despesa
que fundamentou sua instituição, não podendo ser utilizados em
despesas que não as relacionadas à calamidade pública, à guerra
externa, à sua iminência ou a investimento público de caráter
urgente e de relevante interesse nacional.

Podemos fazer uma pequena síntese do tema por meio da figura abaixo:

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(Questão 16) Alguns tributos só podem ser instituídos por lei
complementar, por disposição constitucional expressa. Se enquadram nesta
hipótese:

a) os impostos extraordinário e residual.

b) a contribuição de intervenção no domínio econômico e o empréstimo


compulsório.

c) o imposto residual e o empréstimo compulsório.

d) o empréstimo compulsório e o imposto extraordinário.

e) a contribuição social e a contribuição de interesse das categorias


profissionais ou econômicas.

A normatização de alguns tributos, por expressa disposições constitucional,


deverá ser feita por meio de lei complementar, uma vez que esse foi o
desejo do legislador constituinte originário.

Entre os tributos que exigem a edição de lei complementar para a sua


instituição, temos o imposto sobre grandes fortunas, os impostos e as
contribuições sociais residuais a serem instituídos pela União e os
empréstimos compulsórios, também de competência da União.

O imposto extraordinário de guerra (IEG), assim como as CIDE, podem ser


instituídas por meio de lei ordinária da União, não exigindo lei
complementar.

Assim, dentre as alternativas, apenas a alternativa “c” se molda ao que nos


diz a Carta de 1988, sendo o gabarito da questão.

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Questões Propostas

1 - (CESPE - 2011 - Correios - Analista de Correios - Advogado)


Julgue o item a seguir, acerca do Sistema Tributário Nacional, da
competência tributária e dos tributos.

Tributo, definido como prestação pecuniária compulsória em moeda, pode


constituir sanção de ato ilícito, cobrada mediante atividade judicial ou
administrativa.

( ) Certo ( ) Errado

Conforme já vimos na aula e nas questões anteriores quanto ao que consta


no texto do artigo 3º do CTN, um tributo JAMAIS será uma sanção pela
prática de um ato ilícito do contribuinte, embora a atividade que dê causa à
incidência do tributo seja ilícita, como, por exemplo, auferir renda em razão
do tráfico de drogas e entorpecentes proibidos. Tanto o traficante quanto
aquele que ganha seus rendimentos legalmente são obrigados a pagar o
imposto de renda, não sendo nem um nem outro penalidade em razão da
atividade por eles desenvolvida.

Assim, resta incorreta a assertiva apresentada.

2 - (CESPE - 2009 - ANTAQ - Especialista em Regulação - Engenharia


Civil) Julgue os itens a seguir relativos à definição, às finalidades básicas e
à natureza jurídica do tributo.

Tributo é toda prestação pecuniária sancionatória de ato ilícito.

( ) Certo ( ) Errado

Vale a mesma explicação dada na questão anterior. Um tributo JAMAIS,


NUNCA, será instituído para penalizar uma atividade ou conduta ilícita de

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um determinado sujeito passivo. Ele poderá ser punido normalmente pela
prática de um ato ilícito, mas nunca por meio da cobrança de tributos.

Assim, resta também incorreta a assertiva apresentada.

3 - (CESPE - 2009 - TCE-ES - Procurador Especial de Contas) Com


relação aos tributos e às suas espécies, assinale a opção incorreta.

a) A contribuição de intervenção no domínio econômico é utilizada pela


União quando ela atua como agente normativo e regulador da ordem
econômica, exercendo as funções de fiscalização, incentivo e planejamento,
nos termos da CF.

b) Sobre as receitas decorrentes de exportação incide a contribuição social,


mas não incide a contribuição de intervenção no domínio econômico.

c) As contribuições no interesse de categorias profissionais ou econômicas,


conhecidas também por contribuições corporativas, incluem as contribuições
sindicais e as contribuições para os conselhos de fiscalização profissional.

d) A contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública deve


obedecer tanto aos princípios da anterioridade quanto aos da noventena.

e) Apenas os municípios e o DF podem instituir contribuição para custear o


serviço de iluminação pública.

Alternativa a) Correta. Como seu próprio nome nos diz, as contribuições


de intervenção no domínio econômico são instituídas para permitir a
intervenção estatal na economia, regulando situações anômalas ou
prevenindo a sua ocorrência danosa na economia nacional, caracterizando-
se como um típico instrumento do Estado intervencionista. Diante disso,
vemos o nítido caráter extrafiscal do tributo.

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Alternativa b) Incorreta. Em ambos os casos, não incidirá nenhuma das
contribuições previstas no texto da alternativa. Essa previsão está contida
expressamente no texto do §2º do artigo 149 da CF/88, que assim nos diz:

“Art. 149. (...)

§ 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio


econômico de que trata o caput deste artigo:

I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de


exportação;”

Alternativa c) Correta. As contribuições de interesse das categorias


profissionais ou econômicas, também chamadas de contribuições
corporativas, são instituídas exclusivamente pela União, a qual detém a
chamada competência tributária exclusiva. Essas espécies normativas têm
como objetivo o financiamento de atividades de interesse das entidades que
realizam fiscalizações e a representação de categorias profissionais ou
econômicas, atuando de forma paralela ao Estado (atividade parafiscal).
São exemplos clássicos dessas contribuições a Contribuição Sindical
(categorias profissionais) e as Contribuições de Interesse dos Órgãos de
Fiscalização do Exercício de Profissões Regulamentadas, como e o caso da
CRM e do CREA.

Alternativa d) Correta. A COSIP não é exceção a nenhum dos princípios


constitucionais previstos atualmente na nossa Carta Federal, estando
submetida integralmente aos princípios da anterioridade e da noventena,
previstos no artigo 150, III, “b” e “c”, da CF/88.

Alternativa e) Correta. Exatamente o que prevê o artigo 149-A da nossa


CF/88, atribuindo competência para a instituição desse tributo apenas a
esses dois entes políticos da nossa federação.

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“Art. 149-A Os Municípios e o Distrito Federal poderão
instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o
custeio do serviço de iluminação pública, observado o
disposto no art. 150, I e III.

Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a


que se refere o caput, na fatura de consumo de energia
elétrica.”

4 - (CESPE - 2011 - TRF - 5ª REGIÃO - Juiz) A respeito do Sistema


Tributário Nacional, assinale a opção correta.

a) Consoante a jurisprudência do STF, as custas, a taxa judiciária e os


emolumentos constituem espécies de preço público. Assim, é admissível que
parte da arrecadação obtida com essas espécies seja destinada a
instituições privadas, entidades de classe e caixas de assistência dos
advogados.

b) Compete aos entes federativos instituir contribuições sociais, de


intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias
profissionais ou econômicas, como instrumento de atuação nas respectivas
áreas, observado o princípio da anterioridade.

c) A cobrança de taxa exclusivamente em razão dos serviços públicos de


coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos
provenientes de imóveis não viola o texto constitucional.

d) A receita proveniente da arrecadação de empréstimo compulsório


instituído para atender a despesa extraordinária decorrente de calamidade
pública ocorrida no sul do país pode ser destinada para a construção de
escolas públicas na região Nordeste, uma vez que é vedada a vinculação de
receita de tributos a órgão, fundo ou despesa.

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e) Segundo o STF, a existência de órgão administrativo constitui condição
suficiente para o reconhecimento da constitucionalidade da cobrança da
taxa de localização e fiscalização, sendo um dos elementos para se inferir o
efetivo exercício do poder de polícia, exigido constitucionalmente.

Alternativa a) Incorreta. Taxas e preço público não se confundem, uma


vez que aquelas possuem natureza tributária, enquanto este não possui
essa prerrogativa. As taxas e os preços públicos possuem muitas diferenças
que o distinguem entre si, as quais podem ser resumidas no quadro abaixo:

TAXA PREÇO PÚBLICO


DECORREM SEMPRE DE
DECORRE DE CONTRATO
LEI
POSSUEM NATUREZA NÃO POSSUEM NATUREZA
TRIBUTÁRIA TRIBUTÁRIA
REGIME DE NATUREZA
SUBMETE-SE AO REGIME
CONTRATUAL E
JURÍDICO TRIBUTÁRIO
ADMINISTRATIVA
NÃO HÁ AUTONOMIA DE HÁ AUTONOMIA DE
VONTADE VONTADE

SÃO DEVIDAS EM RAZÃO


DA PRESTAÇÃO DE SÃO DEVIDOS APENAS EM
SERVIÇOS OU DO RAZÃO DA PRESTAÇÃO DE
EXERCICIO DO PODER DE SERVIÇOS
POLÍCIA

É INADMISSÍVEL A A RELAÇAO PODE SER


RESCISÃO DA RELAÇÃO RESCINDIDA
PODE SER COBRADA EM SOMENTE COBRADA EM
RAZÃO DA PRESTAÇÃO RAZÃO DA EFETIVA
POTENCIAL PRESTAÇÃO DO SERVIÇO
RECEITA DERIVADA RECEITA ORIGINÁRIA

NÃO ESTÁ SUJEITA A


ESTÁ SUJEITA AOS
PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS,
PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS
APENAS ADMINISTRATIVOS

É COMPULSÓRIA NÃO É COMPULSÓRIO

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SOMENTE PODE SER PODE SER EXIGIDA POR


EXIGIDA POR PESSOA PESSOA JURICIDA DE
JURÍDICA DE DIREITO DIREITO PÚBLICO OU
PÚBLICO PRIVADO
NÃO TEM FINS
POSSUI FINS LUCRATIVOS
LUCRATIVOS

Por fim, são válidas as seguintes taxas de serviços, tendo em vista


posicionamento do STF em sentido favorável:

 Taxa de serviços notariais e de registro (as custas e os


emolumentos);

 Taxas judiciárias, em razão da prestação de serviços pelos órgãos


judiciários;

 Taxa de coleta de resíduos sólidos de serviços de saúde.

Alternativa b) Incorreta. Essas espécies tributárias estão previstas na


competência exclusiva da União, e não de todos os entes políticos. Somente
esta poderá instituir os tributos previstos no artigo 149 da CF/88. Veja
novamente o que nos diz o artigo:

“Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir


contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico
e de interesse das categorias profissionais ou econômicas,
como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas,
observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e
sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às
contribuições a que alude o dispositivo.”

A única exceção a essa previsão consta no §1º do mesmo artigo, que assim
nos diz em seu texto:

“Art. 149 (...)

§ 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios


instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o
custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de

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que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da
contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da
União.”

Alternativa c) Correta. Essa alternativa cobrou o conhecimento constante


no texto da Súmula Vinculante nº 18 do STF, que assim nos diz em seu
texto:

“Súmula vinculante nº 19: “A taxa cobrada exclusivamente


em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e
tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes
de imóveis, não viola o artigo 145, II, da Constituição
Federal”

Alternativa d) Incorreta. Toda e qualquer receita proveniente da


arrecadação dos empréstimos compulsórios será destinado à despesa que
fundamentou a sua instituição, não sendo possível a utilização em outras
despesas, conforme nos diz o parágrafo único do artigo 148 da nossa
CF/88:

“Art. 148. (...)

Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de


empréstimo compulsório será vinculada à despesa que
fundamentou sua instituição.”

Alternativa e) Incorreta. Para que seja possível a cobrança da taxa de


polícia, a Administração Pública deve exercer efetivamente o poder de
polícia sobre os administrados, sob pena de ser ilegítima a cobrança. Logo,
deve existir órgão criado para essa tarefa de fiscalização, sendo presumido
o exercício do poder de polícia pela simples existência do órgão fiscalizador,
ainda que este não tenha realizado nenhuma fiscalização efetiva sobre o
contribuinte sujeito à incidência do tributo. Ou seja, não basta apenas a
criação do tributo, devendo também estar o órgão em exercício
funcionamento para que seja devida a taxa de fiscalização. Porém, a
exigência é legal, não estando presente expressamente no corpo da CF/88.

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5 - (CESPE - 2010 - TRE-BA - Técnico Judiciário - Contabilidade)
Acerca dos tributos e seus impactos nas operações das empresas, julgue os
próximos itens: O imposto é uma espécie de tributo.

Questão simples, que cobrou apenas o conhecimento das espécies


tributárias. Tanto pela teoria tripartite presente no CTN, quanto pela teoria
pentapartite adotada pelo STF, os impostos são espécies tributárias.

TRIPARTITE PENTAPARTITE

IMPOSTOS IMPOSTOS

TAXAS TAXAS

CONTRIBUIÇÕES CONTRIBUIÇÕES DE
DE MELHORIA MELHORIA

CONTRIBUIÇÕES
ESPECIAIS

EMPRESTIMOS
COMPULSÓRIOS

Assim, resta correta a assertiva apresentada.

6 - (CESPE - 2009 - ANTAQ - Especialista em Regulação - Economia)


Julgue os itens a seguir acerca de taxas e preços públicos.

Taxas sujeitam-se aos princípios tributários, o que não ocorre com preços
públicos.

Os preços públicos não estão sujeitos aos princípios constitucionais


tributários, uma vez que não são tributos, diferentemente das taxas,
sujeitas a todos eles. Essa é uma das características mais marcantes que
diferenciam as taxas dos preços públicos, tendo em vista a razoável
semelhança que as espécies apresentam.

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TAXA PREÇO PÚBLICO
DECORREM SEMPRE DE
DECORRE DE CONTRATO
LEI
POSSUEM NATUREZA NÃO POSSUEM NATUREZA
TRIBUTÁRIA TRIBUTÁRIA
REGIME DE NATUREZA
SUBMETE-SE AO REGIME
CONTRATUAL E
JURÍDICO TRIBUTÁRIO
ADMINISTRATIVA
NÃO HÁ AUTONOMIA DE HÁ AUTONOMIA DE
VONTADE VONTADE

SÃO DEVIDAS EM RAZÃO


DA PRESTAÇÃO DE SÃO DEVIDOS APENAS EM
SERVIÇOS OU DO RAZÃO DA PRESTAÇÃO DE
EXERCICIO DO PODER DE SERVIÇOS
POLÍCIA

É INADMISSÍVEL A A RELAÇAO PODE SER


RESCISÃO DA RELAÇÃO RESCINDIDA

PODE SER COBRADA EM SOMENTE COBRADA EM


RAZÃO DA PRESTAÇÃO RAZÃO DA EFETIVA
POTENCIAL PRESTAÇÃO DO SERVIÇO
RECEITA DERIVADA RECEITA ORIGINÁRIA

NÃO ESTÁ SUJEITA A


ESTÁ SUJEITA AOS
PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS,
PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS
APENAS ADMINISTRATIVOS

É COMPULSÓRIA NÃO É COMPULSÓRIO

SOMENTE PODE SER PODE SER EXIGIDA POR


EXIGIDA POR PESSOA PESSOA JURICIDA DE
JURÍDICA DE DIREITO DIREITO PÚBLICO OU
PÚBLICO PRIVADO
NÃO TEM FINS
POSSUI FINS LUCRATIVOS
LUCRATIVOS

Assim, resta correta a assertiva apresentada.

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7 - (CESPE - 2009 - ANTAQ - Especialista em Regulação - Economia)
Julgue os itens que se seguem acerca das espécies de tributo.

É facultado ao Distrito Federal instituir taxa com a mesma base de cálculo


utilizada em imposto de sua competência.

Ainda lembra o que falamos sobre as taxas não poderem ter base de cálculo
própria das já atribuídas aos impostos? Isso é um mandamento
constitucional, presente no texto do artigo 145, §2º, da nossa CF/88. Por
exemplo, não pode ser base de cálculo de nenhuma taxa o valo venal de um
veículo automotor, uma vez que este já é base de cálculo do IPVA, imposto
de competência dos Estados e do Distrito Federal.

Logo, é vedada ao Distrito Federal essa possibilidade, tendo em vista


imposição constitucional. Veja o texto do normativo constitucional que
comentei anteriormente:

“Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os


Municípios poderão instituir os seguintes tributos:

I - impostos;

II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia


ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços
públicos específicos e divisíveis, prestados ao
contribuinte ou postos a sua disposição;

III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas.

§ 1º - Sempre que possível, os impostos terão caráter


pessoal e serão graduados segundo a capacidade
econômica do contribuinte, facultado à administração
tributária, especialmente para conferir efetividade a esses
objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e
nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as
atividades econômicas do contribuinte.

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§ 2º - As taxas não poderão ter base de cálculo
própria de impostos.” (Grifos nosso)

Assim, resta incorreta a assertiva apresentada.

8 - (CESPE - 2009 - ANTAQ - Especialista em Regulação - Economia)


Julgue os itens que se seguem acerca das espécies de tributo.

Ao contrário do que ocorre com os impostos, as taxas são conhecidas como


tributos não-vinculados.

É justamente o contrário, sendo os impostos tributos não vinculados e as


taxas tributos vinculados a uma atividade estatal específica relativa aos
contribuintes. Para que possam ser cobradas taxas, deve haver uma
contraprestação por parte do Estado tributante, seja em razão da prestação,
efetiva ou potencial, de um serviço público específico e divisível, seja em
razão do exercício do poder de polícia, o mesmo não ocorrendo com os
impostos, que não têm caráter retributivo.

Assim, resta incorreta a assertiva apresentada.

9 - (CESPE - 2009 - ANTAQ - Especialista em Regulação - Economia)


As taxas cobradas pelos estados, no âmbito de suas respectivas atribuições,
podem ter como fato gerador a utilização, efetiva ou potencial, de serviço
público específico e divisível, prestado ao contribuinte.

Essa é a redação literal do artigo 77 do CTN, que nos fala sobre as hipóteses
de incidência das taxas, sendo este tributo previsto na competência comum
de todos os entes políticos, conforme consta no artigo 145, II, da CF/88.
Veja o que diz o texto do artigo:

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“Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo
Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas
respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício
regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou
potencial, de serviço público específico e divisível, prestado
ao contribuinte ou posto à sua disposição.

Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou


fato gerador idênticos aos que correspondam a imposto
nem ser calculada em função do capital das empresas.”

Assim, resta correta a assertiva apresentada.

10 - (CESPE - 2007 - MPE-AM - Promotor de Justiça ) Se um indivíduo


é notificado a pagar um tributo, por natureza, não-vinculado, é correto
afirmar que essa exação é um(a)

a) imposto.

b) taxa.

c) contribuição de melhoria.

d) empréstimo compulsório.

e) contribuição parafiscal.

Tributo não vinculado é aquele que é cobrado independentemente de uma


atividade estatal especifica por parte do Estado tributante e relativa ao
contribuinte. São cobrados exclusivamente em decorrência do Poder de
Império do Estado frente aos seus subordinados. Como exemplo clássico de
tributo não vinculado, temos os impostos, o que já torna correta a
alternativa “a”, gabarito da questão.

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Por sua vez, as taxas, as contribuições parafiscais e as contribuições de
melhoria são tributos, por excelência, vinculados a uma atividade estatal
especifica, somente podendo ser cobrados caso exista uma contraprestação
por parte do Estado ao contribuinte das três exações.

Por fim, temos o empréstimo compulsório, que poderá ser tanto vinculado
como não vinculado, a depender do que dispõe a lei de instituição do
tributo. Cabe ao legislador federal dispor sobre a natureza do novo tributo,
devendo obediência apenas ao que determina a CF/88 em seu artigo 148.

11 - (CESPE - 2010 - MPE-ES - Promotor de Justiça ) Assinale a opção


correta com relação aos conceitos e à classificação dos tributos.

a) A contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública é de


competência dos estados e do DF.

b) Para atender a despesas extraordinárias decorrentes de calamidade


pública, a União pode instituir empréstimo compulsório, mediante lei
complementar, sem a observância dos princípios da anterioridade e da
irretroatividade.

c) A taxa pode ter como fato gerador a utilização potencial de serviço


público específico e divisível, posto à disposição do contribuinte mediante
atividade administrativa em efetivo funcionamento, desde que tal serviço
seja de utilização compulsória.

d) A contribuição de melhoria, cujo fundamento ético-jurídico é o não


enriquecimento injusto, tem como fato gerador a realização de obra pública.

e) O imposto sobre a transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens


ou direitos, de competência dos estados e do DF, tem suas alíquotas
máxima e mínima fixadas pelo Senado Federal.

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Alternativa a) Incorreta. Conforme o artigo 149-A da CF/88, a
competência tributária para a instituição de contribuição para o custeio do
serviço de iluminação pública foi atribuída apenas aos municípios e ao
Distrito Federal, não cabendo a sua instituição por parte dos Estados. O
Distrito Federal pode instituir o tributo em razão da sua competência
cumulativa, tendo em vista a sua natureza anômala.

Alternativa b) Incorreta. Os empréstimos compulsórios podem ser


instituídos em razão de duas situações, previstas nos incisos I e II do artigo
149, quais sejam:

 Para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade


pública, de guerra externa ou sua iminência;

 No caso de investimento público de caráter urgente e de relevante


interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III, "b".

Apenas na segunda situação é que se deve obediência aos princípios da


anterioridade e da noventena, não sendo necessária a obediência quando da
instituição do tributo nas situações presentes no primeiro item.

Entretanto, a alternativa fala em não atendimento ao princípio da


irretroatividade, o qual não comporta exceções quando o assunto é
instituição de tributos, seja em relação ao primeiro item ou ao segundo.

Alternativa c) Correta. Para que seja possível a cobrança de taxas é


imprescindível que haja a prestação de serviço público ou o exercício do
poder de policia estatal. No caso da prestação de serviço público, este, para
que possa ser devida a taxa, pode se dar tanto em razão da prestação
efetiva do serviço quanto em razão da sua disponibilização ao contribuinte
(utilização potencial), como é o caso da taxa de bombeiros. O contribuinte
da taxa em questão pode passar toda a sua existência terrena sem se
utilizar do serviço, mas, caso precise, ele estará lá para ser prestado.

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Alternativa d) Incorreta. O fato gerador da contribuição da melhoria é
exclusivamente a valorização imobiliária decorrente de obra pública, sem a
qual não é devido nenhum valor de tributo. A simples realização da obra
não é suficiente para a cobrança da exação. Ainda que o custo da obra seja
superior à valorização imobiliária observada, nada mais poderá ser cobrado
além do valor desta. Veja o que diz o artigo 81 do CTN:

“Art. 81. A contribuição de melhoria cobrada pela União,


pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no
âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para
fazer face ao custo de obras públicas de que decorra
valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa
realizada e como limite individual o acréscimo de valor que
da obra resultar para cada imóvel beneficiado.”

Alternativa e) Incorreta. Conforme o artigo 155, §1º, IV, da CF/88,


caberá ao Senado Federal APENAS A FIXAÇÃO DAS ALIQUOTAS MÁXIMAS
DO ITCMD. Não há a obrigação de fixação das alíquotas mínimas.

12 - (CESPE - 2009 - TRF - 5ª REGIÃO - Juiz) Suponha que uma


empresa de combustíveis, além de produzir álcool e combustíveis fósseis e
realizar compras e vendas de petróleo e desses combustíveis no mercado
internacional, também possua um laboratório que preste serviços de análise
da qualidade de combustíveis para outras empresas. Nessa situação,
assinale a opção que apresenta um tributo que deve ser aplicado à empresa
e o seu correspondente fato gerador.

a) taxa, pela prestação do serviço de análise laboratorial, desde que


específico, divisível e efetivamente prestado

b) IPI em razão da venda de gasolina para as distribuidoras

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c) contribuição de intervenção no domínio econômico, em razão da
exportação de álcool

d) contribuição de intervenção no domínio econômico, em razão da


importação de petróleo

e) contribuição social sobre o lucro, em razão do faturamento, na hipótese


de a empresa apurar seu imposto de renda sobre o lucro real

A CIDE-Combustíveis foi instituída por meio da lei ordinária federal nº


10.336/01 e incide sobre a importação e a comercialização de petróleo, gás
natural e seus derivados e sobre o álcool etílico combustível. Logo, uma vez
que a empresa em questão compra petróleo oriundo do exterior, estará
sujeito à incidência da CIDE-combustíveis.

Não seria devida taxa alguma, uma vez que estas são cobradas pelos entes
políticos, e não por pessoas de direito privado. Já o IPI não é devido em
razão da venda de gasolina para os distribuidores, uma vez que não foi dito
na questão que a empresa realiza esse tipo de atividade.

Por sua vez, por expressa disposição constitucional contida no artigo 149,
§2º, I, da CF/88, as contribuições de intervenção no domínio econômico não
incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação.

Por fim, como o seu próprio nome nos diz, a contribuição social sobre o
lucro líquido incidirá apenas sobre o lucro, e não sobre o faturamento,
contábil e tecnicamente diferente daquele.

Assim, resta como correta a alternativa "d", gabarito da questão.

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13 - (CESPE - 2009 - PGE-AL - Procurador de Estado - Prova
Objetiva) O valor cobrado pela prestação de um serviço público feito por
uma concessionária ou permissionária corresponde:

a) a um tributo.

b) a uma taxa.

c) a um tributo, na modalidade de taxa.

d) apenas a um imposto.

e) tão-somente a um preço público.

As concessionárias e permissionárias são pessoas jurídicas de direito


privado, não podendo, em situação alguma, serem sujeitos ativos em
qualquer relação tributária, uma vez que a elas não pode ser delegada a
capacidade tributária ativa. Dessa forma, não podem cobrar tributo algum
pela prestação de serviço público. Dessa maneira, somente podemos falar
na cobrança de preço público, presente na alternativa “e”, gabarito da
questão apresentada.

O candidato mais conhecedor já eliminaria de cara as alternativas “a” a “c”,


uma vez que todas falam da mesma coisa, de certa forma. A alternativa “c”,
resume as alternativas “a” e “b”. Por sua vez, já que estamos diante da
prestação de um serviço público, a alternativa “d” já poderia ser descartada,
mesmo que não estivéssemos diante de uma prestação estatal a ensejar a
instituição de um tributo.

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14. (CESPE/SEFAZ-ES/Auditor Fiscal da Receita Estadual/2013) No
que se refere à instituição de contribuição parafiscal, assinale a opção
correta.

A) O Distrito Federal poderá instituir contribuição parafiscal que não seja


somente para o custeio do sistema de previdência e assistência social, a ser
cobrada de seus servidores.

B) Empréstimos compulsórios são espécies de contribuições parafiscais.

C) Compete à União, exclusivamente, instituir contribuições sociais, com


exceção do custeio da previdência e assistência social dos servidores
públicos das demais unidades da Federação.

D) Compete aos estados e aos municípios instituir contribuições de


intervenção no domínio econômico.

E) Para instituição de qualquer contribuição parafiscal, no âmbito da União,


aplica-se o princípio da anterioridade anual.

Alternativa a) Incorreta. De acordo com o artigo 149, §1º, da CF/88, os


Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada
de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime
previdenciário de que trata o artigo 40 da CF/88, cuja alíquota não será
inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da
União. Observe que a regra da CF/88 somente prevê o regime
previdenciário, não contemplando o custeio do sistema de assistência social
dos servidores.

Antes da publicação da emenda constitucional nº 41, de 19 de dezembro de


2003, a contribuição a ser paga pelos servidores previa o custeio, também,
do regime de assistência social, outra vertente da seguridade social,
juntamente com a previdência social e a saúde.

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Alternativa b) Incorreta. De acordo com a teoria pentapartite, adotada
pelo STF, os empréstimos compulsórios são espécies tributárias de natureza
distintas das demais, não sendo classificada como uma contribuição
parafiscal. Os empréstimos compulsórios estão previstos no artigo 148 da
CF/88, enquanto as contribuições parafiscais estão reguladas em outros
artigos ao longo do texto da CF/88, em especial em seus artigos 149 e 195.

Alternativa c) Correta. De acordo com o artigo 149, caput, da CF/88,


compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de
intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias
profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas
respectivas áreas.

Entretanto, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão


contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício
destes, do regime previdenciário de que trata o artigo 40 da CF/88, cuja
alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de
cargos efetivos da União, conforme o artigo 149, §1º, da CF/88.

Ou seja, a regra é a exclusividade da União quanto à competência para a


criação das contribuições sociais, excetuado o previsto no §1º do artigo
149, que é a única exceção à regra quanto a essa espécie tributária.

Alternativa d) Incorreta. Vale a mesma explicação dada na alternativa


anterior. Essa competência é exclusiva da União, conforme o caput do artigo
149 da CF/88.

Alternativa e) Incorreta. Não. As contribuições sociais para a seguridade


social não estão sujeitas ao princípio da anterioridade anual, apenas ao da
noventena tributária, conforme nos diz o artigo 195, §6º, da CF/88. Esse
normativo estabelece que as contribuições sociais de que trata o artigo 195
(contribuições sociais para a seguridade social) só poderão ser exigidas
depois de decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as
houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art.
150, III, "b" (princípio da anterioridade anual).

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15. (CESPE/SEFAZ-ES/Auditor Fiscal da Receita Estadual/2013)
Consideram-se divisíveis os serviços públicos justificadores da cobrança de
taxas quando:

A) forem de utilização compulsória e postos à disposição mediante atividade


estatal.

B) puderem ser usufruídos a qualquer título.

C) forem suscetíveis de utilização, separadamente, pelos usuários.

D) forem suscetíveis de utilização efetiva pela coletividade, e não somente


pelo usuário.

E) puderem ser destacados em unidades autônomas de atuação da


administração.

Questão fácil, que cobrou apenas a literalidade do que consta no artigo 79


do CTN. De acordo com esse artigo, os serviços públicos a que se refere o
artigo 77 do mesmo CTN, e suscetíveis de serem tributados com taxas,
consideram-se:

I - utilizados pelo contribuinte:

a) efetivamente, quando por ele usufruídos a qualquer título;

b) potencialmente, quando, sendo de utilização compulsória, sejam


postos à sua disposição mediante atividade administrativa em efetivo
funcionamento;

II - específicos, quando possam ser destacados em unidades autônomas


de intervenção, de utilidade, ou de necessidades públicas;

III - divisíveis, quando suscetíveis de utilização, separadamente,


por parte de cada um dos seus usuários.

E por que a alternativa “a” não está correta? Embora o conceito esteja
correto isoladamente, ele não se refere à divisibilidade da prestação do
serviço público, e sim à coercitividade e à colocação deles à disposição dos
usuários.

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As alternativas “b” e “e” estão incorretas porque se relacionam aos
conceitos presentes nos incisos I e II do artigo 79, enquanto a “d” traz
conceito incorreto quanto às taxas, uma vez que essas são cobradas em
razão, também, da prestação de serviços públicos suscetíveis de utilização
pelo contribuinte de maneira singular, e não por toda a coletividade. Nesse
último caso, o serviço não poderá ser remunerado por meio de taxas, uma
vez que os seus destinatários não são identificáveis (serviços de natureza
uti universi).

Assim, resta como correta a alternativa "c", gabarito da questão.

16. (CESPE/AGU/Procurador Federal/2013) Enquanto determinado


aeroporto for administrado pela INFRAERO, a taxa de embarque que o
consumidor pagar classificar-se-á como uma taxa, no sentido de espécie
tributária; se for transferida a administração do citado aeroporto para
concessionário privado, o referido pagamento passará a ter natureza
jurídica de preço público.

Taxa de embarque, ou tarifa aeroportuária, é um tributo cobrado de cada


passageiro que utiliza as facilidades dos aeroportos no nosso país. No Brasil,
elas são destinadas aos órgãos que gerem os aeroportos. Ela é obrigatória e
é destinada, em regra, à Infraero. No caso de aeroportos administrados por
empresas privadas, o repasse será efetuado a essas respectivas pessoas
jurídicas, uma vez que a taxa se destina ao melhoramento e aparelhamento
do aeroporto.

Essa tarifa aeroportuária é fixa e é cobrada de acordo com o padrão do


aeroporto. Ela sempre será cobrada por intermédio das companhias aéreas
e repassada à Infraero, regra geral. Ela não é cobrada apenas do passageiro
quanto ao voo, mas sim por toda a estrutura e facilidades que o aeroporto
oferece, e que geram um custo que poderia sair da máquina pública.

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Por sua vez, os Aeroportos de Guarulhos, de Viracopos e de Brasília são
exemplos de aeroportos geridos pela iniciativa privada desde novembro de
2012, tendo, assim, taxas de embarque diferenciadas, fixadas pelas
operadoras dos mesmos.

A Taxa de Embarque, por sua vez, está regulada, assim como todo tributo,
por meio de lei, mais precisamente, para o caso da taxa, na Lei Federal nº
6.009, de 26 de dezembro de 1973. A taxa está prevista em seu artigo 3º,
I. De acordo com esse inciso, a Taxa de Embarque é aquela devida pela
utilização das instalações e serviços de despacho e embarque da Estação de
Passageiros, e incide sobre o passageiro do transporte aéreo.

Assim, resta incorreta a assertiva apresentada.

17. (CESPE/DPE-TO/Defensor Público/2013) No que concerne às


contribuições, assinale a opção correta.

A) As contribuições sociais do empregador incidentes sobre a receita


poderão ser não cumulativas, conforme o setor da atividade econômica.

B) Com relação às empresas, a CF proíbe a substituição da contribuição


incidente sobre folha de salário pela incidente sobre o faturamento.

C) As contribuições residuais para a seguridade social são cumulativas e de


competência da União, instituídas por lei complementar, desde que não
tenham fato gerador próprio de impostos.

D) As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidirão


sobre as receitas decorrentes de exportação.

E) As contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas


são de competência da União, dos estados, do DF e dos municípios.

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Alternativa a) Correta. De acordo com o artigo 195, §§12 e 13, da CF/88,
a lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as
contribuições incidentes sobre a receita e o faturamento, bem como a
devida pelo importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a
ele equiparar, serão não-cumulativas.

Alternativa b) Incorreta. De acordo com o artigo 195, §§12 e 13, da


CF/88, novamente, a lei definirá os setores de atividade econômica para os
quais as contribuições incidentes sobre a receita e o faturamento, bem
como a devida pelo importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem
a lei a ele equiparar, serão não-cumulativas.

Essa previsão se aplica inclusive na hipótese de substituição gradual, total


ou parcial, da contribuição incidente do empregador, da empresa e da
entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a folha de
salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer
título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo
empregatício, pela incidente sobre a receita ou o faturamento.

Alternativa c) Incorreta. De acordo com o artigo 195, §4º, da CF/88, a


lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou
expansão da seguridade social (contribuições residuais), obedecido o
disposto no art. 154, I, que determina que as contribuições residuais devem
ser criadas por meio de lei complementar, não podendo ter fato gerador ou
base de cálculo já utilizada para outra contribuição, devendo ainda ser não-
cumulativa.

Alternativa d) Incorreta. De acordo com o artigo 149, §2º, I, da CF/88,


as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico não
incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação.

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Alternativa e) Incorreta. De acordo com o artigo 149, caput, da CF/88,
as compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de
intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias
profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas
respectivas áreas.

18. (CESPE/TCE-ES/Direito/2013) Considere que uma lei federal,


publicada em 20 de março de 2013, tenha criado taxa de fiscalização
sanitária no comércio, com base de cálculo idêntica a do imposto de
circulação de mercadorias, itens com uma alíquota de 17% sobre o valor
das vendas. Com base nessa situação hipotética, é correto afirmar que essa
taxa

A) poderá ser cobrada a partir de 2014, pois, antes disso, sua cobrança é
considerada inconstitucional.

B) é inconstitucional, haja vista que o valor cobrado não tem como base de
cálculo o custo da fiscalização.

C) é inconstitucional, em razão de sua cobrança ser restrita aos estados e


municípios.

D) é constitucional, pois sua instituição está compreendida na competência


da União.

E) pode ser cobrada pelo ente da federação no exercício financeiro de 2013.

Essa questão tem como fundamento apenas o que consta no artigo 145,
§2º, da CF/88, que assim determina:

“Art. 145 (...)

§ 2º - As taxas não poderão ter base de cálculo própria de


impostos.”

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Uma vez que o ICMS é um imposto que incide, dentre outras situações,
sobre a circulação de mercadorias e sobre a prestação de serviços
constantes no artigo 155, II, da CF/88, uma eventual taxa de fiscalização
sanitária no comércio não poderá ter como base de cálculo uma situação
idêntica à que corresponda ao ICMS. Além disso, o valor cobrado não
guarda qualquer relação com a atividade de fiscalização.

Desse modo, a referida taxa de fiscalização sanitária do comércio criada por


meio de lei federal é inconstitucional, haja vista que o valor cobrado não
tem como base de cálculo o custo da fiscalização.

Assim, resta como correta a alternativa "b", gabarito da questão.

19. (CESPE/TEM/Contador/2014) O imposto encontra justificativa para


sua pretensão de validade na necessidade de que o poder público
desenvolva, em relação ao contribuinte, atividade de caráter específico.

Não há essa necessidade de uma atividade de caráter específico frente ao


contribuinte, uma vez que os impostos são, por natureza, tributos não
vinculados a uma contraprestação direta do Estado frente ao contribuinte e
nem a qualquer atuação daquele em favor deste, característica presente
quanto às taxas, por exemplo.

Assim, podemos chamá-lo também de tributo unilateral, uma vez que


apenas uma parte obtém algo de maneira direta, qual seja, o ente político
tributante. Claro que, indiretamente, todos os sujeitos passivos recebem
uma atuação estatal em troca, mas de forma indireta. O que não há, repito,
é o imediatismo da contraprestação estatal em razão do pagamento do
imposto

Assim, resta incorreta a assertiva apresentada.

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20. (CESPE/TEM/Contador/2014) A contribuição de melhoria deve levar
em conta, para sua instituição, a valorização do imóvel urbano ou rural
causada pela obra pública. Dessa forma, obras públicas que provoquem a
depreciação do valor do imóvel não podem fundamentar a incidência do
tributo.

De acordo com o artigo 81 do CTN, a contribuição de melhoria cobrada pela


União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito
de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao custo de
obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite
total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que
da obra resultar para cada imóvel beneficiado.

Ou seja, uma obra pública que venha a desvalorizar o imóvel considerado,


seja de natureza urbana ou rural, não é justificativa legal para a instituição
do tributo e nem a sua incidência. Ainda que não tenha havido valorização,
nem desvalorização, ficando o imóvel com o mesmo valor do início da obra,
a contribuição de melhoria não será devida. Ela apenas é devida quando há
valorização imobiliária do imóvel, e ainda assim, limitado aos valores
descritos no artigo do CTN citado.

Assim, resta correta a assertiva apresentada.

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21. (CESPE/TEM/Contador/2014) Taxas são tributos que têm por
hipótese de incidência uma atuação estatal diretamente referida ao
contribuinte. Essa atuação estatal pode consistir em um serviço público
(taxa de serviço) ou em um ato de polícia (taxa de polícia).

Em oposição direta aos impostos, as taxas são tributos VINCULADOS a uma


atividade estatal específica relativa ao contribuinte, sendo também
chamadas de retributivas ou contra-prestacionais. Ou seja, para que seja
paga uma determinada taxa, deve haver uma contraprestação por parte do
Estado instituidor do tributo, sem a qual resta indevido o pagamento deste.

Por sua vez, de acordo com o artigo 77 do CTN, as taxas cobradas pela
União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito
de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício regular
do poder de polícia (taxa de polícia), ou a utilização, efetiva ou potencial, de
serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à
sua disposição (taxa de serviço).

Assim, resta correta a assertiva apresentada.

22. (CESPE/TEM/Contador/2014) No Brasil, tributo é o gênero do qual


imposto, taxa, contribuição de melhoria e empréstimo compulsório são
espécies. A União, os estados e os municípios têm competência para
instituir todas essas modalidades tributárias.

O regramento estabelecido pelo CTN adota a chamada teoria tripartida ou


tripartite, em que estão previstas apenas três espécies tributárias no nosso
ordenamento jurídico nacional: impostos, taxas e contribuições de melhoria.
Veja o que nos diz o artigo 5º do Código de Exações:

“Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de


melhoria.”

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Entretanto, nosso atual Sistema Tributário Nacional apresenta outras duas
espécies tributárias além dos impostos, das taxas e das contribuições de
melhoria: as contribuições (especiais, de iluminação pública, corporativas e
de intervenção no domínio econômico) e os empréstimos compulsórios.
Diante disso, e como afirma o STF, a previsão constante no artigo 5º do
CTN encontra-se superada pela atual ordem constitucional vigente.

Diante das duas novas espécies tributárias (contribuições especiais e


empréstimos compulsórios), e tendo em vista a impossibilidade da definição
da natureza específica dos tributos conforme prescreve o artigo 4º do CTN,
o STF passou a adotar a Teoria Pentapartite, Pentapartida ou Quinquipartite,
no qual o atual sistema tributário nacional é composto por cinco tipos de
exações em espécie, quais sejam:

 IMPOSTOS;
 TAXAS;
 CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA;
 CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS;
 EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS.

Desse modo, no Brasil, tributo é o gênero do qual imposto, taxa,


contribuição de melhoria e empréstimo compulsório são espécies.

Entretanto, nem todos os entes políticos podem instituir todas essas


espécies tributárias, uma vez que alguns tributos estão adstritos à
competência exclusiva conferida expressamente pela CF/88 em seu texto,
como é o caso, por exemplo, do empréstimo compulsório e os impostos
extraordinários de guerra, que somente podem ser instituídos pela União
Federal, conforme dispõem, respectivamente, os artigos 148 e 154, I, da
CF/88.

Assim, resta incorreta a assertiva apresentada.

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23. (CESPE/TEM/Contador/2014) A CSLL é destinada à arrecadação da
contribuição ao financiamento da seguridade social e tem como
contribuintes as pessoas jurídicas domiciliadas no país e os entes a elas
equiparados pela legislação tributária.

A lei federal que criou e regula atualmente a contribuição social sobre o


lucro líquido é a lei nº 7.689, de 15 de novembro de 1988. De acordo com o
artigo 1º dessa lei, fica instituída contribuição social sobre o lucro das
pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Por sua
vez, o artigo 4º da mesma lei dispõe serem contribuintes da CSLL as
pessoas jurídicas domiciliadas no País e as que lhes são equiparadas pela
legislação tributária.

Assim, resta correta a assertiva apresentada.

24. (CESPE/TEM/Contador/2014) A COFINS é devida pelas pessoas


jurídicas, inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de
renda, e destina-se, enquanto uma de suas finalidades, às despesas com
atividades-fim das áreas de habitação e segurança pública.

A COFINS, com a incidência não-cumulativa, tem como fato gerador o


faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela
pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação
contábil, sendo que o total das receitas compreende a receita bruta da
venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas
as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.

Entretanto, como o seu próprio nome nos fala, a COFINS é destinada


exclusivamente ao financiamento da seguridade social (ou pelo menos
assim era para ser ).

Assim, resta incorreta a assertiva apresentada.

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25. (CESPE/TEM/Contador/2014) Aos empregados que percebam até
dois salários mínimos de remuneração mensal de empregadores que
contribuem para o PIS, é assegurado o pagamento de um salário mínimo
anual, desde que cumpridos os demais requisitos exigidos pela legislação.

De acordo com o artigo 1º da lei federal nº 7.859, de 1989, é assegurado o


recebimento de abono anual, no valor de um salário mínimo vigente na data
do respectivo pagamento, aos empregados que:

 perceberem de empregadores, que contribuem para o Programa de


Integração Social (PIS) ou para o Programa de Formação do
Patrimônio do Servidor Público (Pasep), até dois salários mínimos
médios de remuneração mensal no período trabalhado, e que tenham
exercido atividade remunerada pelo menos durante trinta dias no ano-
base;
 estejam cadastrados, há pelo menos cinco anos no Fundo de
Participação PIS-Pasep ou no Cadastro Nacional do Trabalhador.

Assim, resta correta a assertiva apresentada.

26. (CESPE/Câmara dos Deputados/Consultor legislativo/2014) O


fato gerador da contribuição de melhoria não é a realização da obra em si,
mas sua consequência. Com isso, para efeito de cobrança do tributo, deve-
se considerar melhoria como sinônimo de valorização do imóvel beneficiado.

De acordo com o artigo 81 do CTN, a contribuição de melhoria cobrada pela


União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito
de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao custo de
obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como
limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor
que da obra resultar para cada imóvel beneficiado.

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Desse modo, somente pode ser cobrada a contribuição de melhoria caso
tenha havido valorização imobiliária do imóvel considerado na região
abrangida pela obra pública. Desse modo, o fato gerador da contribuição de
melhoria não é a realização da obra em si, mas sua consequência.

Assim, resta correta a assertiva apresentada.

27. (CESPE/Câmara dos Deputados/Consultor legislativo/2014)


Segundo o STF, o custeio do serviço de iluminação pública constitui um tipo
de contribuição de caráter sui generis, em que podem ser eleitos
contribuintes os consumidores de energia elétrica, a base de cálculo pode
ser definida conforme o consumo e, ainda, podem ser impostas alíquotas
progressivas que consideram a quantidade de consumo e as características
dos diversos tipos de consumidor.

O STF possui a seguinte decisão:

“(...)Lei que restringe os contribuintes da COSIP aos


consumidores de energia elétrica do município não ofende o
princípio da isonomia, ante a impossibilidade de se
identificar e tributar todos os beneficiários do serviço de
iluminação pública. II - A progressividade da alíquota, que
resulta do rateio do custo da iluminação pública entre os
consumidores de energia elétrica, não afronta o princípio da
capacidade contributiva. III - Tributo de caráter sui generis,
que não se confunde com um imposto, porque sua receita
se destina a finalidade específica, nem com uma taxa, por
não exigir a contraprestação individualizada de um serviço
ao contribuinte. IV - Exação que, ademais, se amolda aos
princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. (...)”
(RE 573675/SC, de 25/03/2009)

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Desse modo, a COSIP se constitui em um tipo de contribuição de caráter sui
generis, em que podem ser eleitos contribuintes os consumidores de
energia elétrica, a base de cálculo pode ser definida conforme o consumo e,
ainda, podem ser impostas alíquotas progressivas que consideram a
quantidade de consumo e as características dos diversos tipos de
consumidor.

Assim, resta correta a assertiva apresentada.

28. (CESPE/Câmara dos Deputados/Consultor legislativo/2014) A


restituição de empréstimo compulsório pode ser feita mediante a
transferência de ações de empresa pública ou sociedade de economia mista,
ainda que o recolhimento do tributo tenha ocorrido mediante valor
pecuniário.

De acordo com a melhor doutrina, uma vez que o empréstimo compulsório


é realizado em dinheiro, somente em dinheiro ele poderá ser restituído ao
sujeito passivo, atualizado monetariamente. Assim, resta incorreta a
assertiva apresentada.

29. (CESPE/Polícia Federal/Contador/2014) O regime monofásico de


tributação da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS)
consiste em um método de apuração em que o tributo é exigido por inteiro
sempre que ocorre a hipótese de incidência, não havendo a possibilidade de
crédito sobre os valores pagos em operações anteriores.

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A descrição feita no enunciado corresponde ao regime cumulativo de
tributação do Programa de Integração Social (PIS). No regime monofásico,
por outro lado, atribui-se a um único contribuinte da cadeia produtiva a
responsabilidade pela contribuição devida por toda a cadeia. Assim, resta
incorreta a assertiva apresentada.

30. (CESPE/TC-DF/Analista/2014) O DF, por ser um ente federativo


híbrido, pode instituir contribuição social ou de intervenção no domínio
econômico, desde que os seus valores, direta ou indiretamente, sejam
revertidos aos servidores públicos.

De acordo com o artigo 149 da CF/88, compete exclusivamente à União


instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de
interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de
sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III,
e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às
contribuições a que alude o dispositivo.

Assim, resta incorreta a assertiva apresentada.

31. (CESPE/TC-DF/Analista/2014) O DF é competente para instituir a


contribuição de melhoria, tributo que tem por finalidade fazer face ao custo
de obras públicas das quais decorram valorização imobiliária.

De acordo com o artigo 145, III, da CF/88, a União, os Estados, o Distrito


Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos:

 impostos;
 taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização,
efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis,
prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição;

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 contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas.

Por sua vez, o artigo 81 do CTN estabelece que a contribuição de melhoria


cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios,
no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao
custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como
limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor
que da obra resultar para cada imóvel beneficiado.

Assim, resta correta a assertiva apresentada.

32. (CESPE - 2010 - TRE-BA - Técnico Judiciário - Contabilidade)


Acerca dos tributos e seus impactos nas operações das empresas, julgue os
próximos itens: O imposto é uma espécie de tributo.

Os tributos previstos no atual Sistema Tributário Nacional podem ser


divididos nas seguintes espécies, seguindo o que o STF chama de teoria
pentapartite:

 Impostos

 Taxas

 Contribuições de Melhoria

 Contribuições Especiais

 Empréstimos Compulsórios

Por meio de uma simples visualização da relação de tributos acima, já


podemos assinalar como correta a assertiva acima, uma vez que, entre
outros, os impostos são espécies de tributos previstos no nosso atual
sistema tributário nacional.

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33. (CESPE/ANATEL/Especialista/2014) Segundo o STF, é
constitucional a cobrança de taxa em razão dos serviços públicos de coleta,
remoção e tratamento ou destinação de lixo e resíduos provenientes de
imóveis.

Essa questão decorre do que consta na famosa Súmula Vinculante nº 19, do


STF, cujo texto é o seguinte:

“Súmula vinculante nº 19: “A taxa cobrada exclusivamente


em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e
tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes
de imóveis, não viola o artigo 145, II da Constituição
Federal”

Assim, resta correta a assertiva apresentada.

34. (CESPE/ANATEL/Especialista/2014) Os tributos indiretos são


aqueles cuja configuração jurídica permite a transferência de seu encargo
financeiro para pessoa diferente daquela definida em lei como sujeito
passivo. Por sua vez, tributos diretos não permitem tal transferência, já que
a pessoa definida em lei como sujeito passivo é a mesma que sofre o
impacto financeiro.

A repercussão econômica do tributo diz respeito ao sujeito que efetivamente


arcará com a subtração do seu patrimônio para o pagamento de tributos,
situação que permite a classificação dos tributos em DIRETOS e
INDIRETOS.

Por tributo direto podemos entender aquele em que o contribuinte eleito na


lei de incidência é também aquele que arcará com os cursos efetivos da
tributação, não permitindo o repasse do ônus da tributação para outras
cadeias posteriores do ciclo de produção e circulação.

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Por sua vez, os tributos indiretos são aqueles que permitem o repasse do
ônus da tributação às cadeias posteriores, fazendo repercutir o encargo dos
tributos a outras pessoas.

Assim, resta correta a assertiva apresentada.

35. (CESPE/ANATEL/Especialista/2014) De acordo com entendimento


do STF, a criação de contribuições de intervenção no domínio econômico
deve ser feita por meio de edição de lei complementar.

De acordo com o texto da própria CF/88, as CIDES são criadas por meio de
lei ordinária da União, não havendo necessidade de utilização de lei
complementar para tanto. Artigo 177, §4º, da CF/88. Assim, resta incorreta
a assertiva apresentada.

36. (CESPE/MPU/Analista/2015) O valor cobrado por empresa pública


concessionária de serviço público de fornecimento de energia elétrica é
considerado como preço privado.

O valor cobrado por uma concessionária de serviço público, decorrente de


uma concessão realizada pelo poder público, tem caráter contratual, o que a
descaracteriza como tributo. Nesses casos, por não possuir natureza
tributária, mas remunerar um serviço de natureza pública, o valor cobrado
se encaixa nos moldes estabelecidas para os chamados preços privados,
não se classificando, por consequência, como taxas, que possuem natureza
tributária.

As principais diferenças entre os dois institutos são as seguintes:

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TAXA PREÇO PÚBLICO
DECORREM SEMPRE DE
DECORRE DE CONTRATO
LEI
POSSUEM NATUREZA NÃO POSSUEM NATUREZA
TRIBUTÁRIA TRIBUTÁRIA
REGIME DE NATUREZA
SUBMETE-SE AO REGIME
CONTRATUAL E
JURÍDICO TRIBUTÁRIO
ADMINISTRATIVA
NÃO HÁ AUTONOMIA DE HÁ AUTONOMIA DE
VONTADE VONTADE

SÃO DEVIDAS EM RAZÃO


DA PRESTAÇÃO DE SÃO DEVIDOS APENAS EM
SERVIÇOS OU DO RAZÃO DA PRESTAÇÃO DE
EXERCICIO DO PODER DE SERVIÇOS
POLÍCIA

É INADMISSÍVEL A A RELAÇAO PODE SER


RESCISÃO DA RELAÇÃO RESCINDIDA

PODE SER COBRADA EM SOMENTE COBRADA EM


RAZÃO DA PRESTAÇÃO RAZÃO DA EFETIVA
POTENCIAL PRESTAÇÃO DO SERVIÇO
RECEITA DERIVADA RECEITA ORIGINÁRIA

NÃO ESTÁ SUJEITA A


ESTÁ SUJEITA AOS
PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS,
PRINCÍPIOS TRIBUTÁRIOS
APENAS ADMINISTRATIVOS

É COMPULSÓRIA NÃO É COMPULSÓRIO

SOMENTE PODE SER PODE SER EXIGIDA POR


EXIGIDA POR PESSOA PESSOA JURICIDA DE
JURÍDICA DE DIREITO DIREITO PÚBLICO OU
PÚBLICO PRIVADO
NÃO TEM FINS
POSSUI FINS LUCRATIVOS
LUCRATIVOS

Assim, resta correta a assertiva apresentada.

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Gabarito

1 E 14 C 27 C
2 E 15 C 28 E
3 B 16 E 29 E
4 C 17 A 30 E
5 C 18 B 31 C
6 C 19 E 32 C
7 E 20 C 33 C
8 E 21 C 34 C
9 C 22 E 35 E
10 A 23 C 36 C
11 C 24 E
12 D 25 C
13 E 26 C

Aluisio de Andrade Lima Neto


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