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VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM – LITERATURA

PROFESSOR SILVIO LÚCIO

1) O Classicismo é a face literária do Renascimento, movimento de renovação científica, artística e cultural que
marcou o fim da Idade Média e o nascimento da Idade Moderna na Europa. Teve início em 1527, e suas
principais características foram o culto aos valores universais – o Belo, o Bem, a Verdade e a Perfeição – e a
preocupação com a forma. Tais valores aproximaram o Classicismo de duas escolas posteriores.
São elas:
a) Barroco e Simbolismo;
b) Arcadismo e Parnasianismo;
c) Romantismo e Modernismo;
d) Trovadorismo e Humanismo;
e) Realismo e Naturalismo.

2) Estão, entre os principais representantes do Classicismo português:


a) Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa.
b) Florbela Espanca e Almeida Garrett.
c) Antero de Quental e Almada Negreiros.
d) Francisco de Sá de Miranda e Luís Vaz de Camões.
e) Eça de Queiroz e Miguel Torga.

3) Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmação seguinte:


O movimento desenvolveu-se no apogeu político de Portugal; consiste numa concepção artística baseada na
imitação dos modelos clássicos gregos e latinos. Nele, o pensamento lógico predomina sobre a emoção, e a
estrutura da composição poética obedece a formas fixas, com a introdução da medida nova, que convive com a
medida velha das formas tradicionais.
Trata-se do:
a) Modernismo.
b) Barroco.
c) Romantismo.
d) Classicismo.
e) Realismo.

4) Leia o soneto de Luís Vaz de Camões para responder à questão:


Alma minha gentil, que te partiste
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta sida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cd me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"
No poema de Camões, podemos perceber algumas características do Classicismo. São elas:
a) equilíbrio entre os transes existenciais do poeta com a disciplina clássica: emoção e razão, expressão
pessoal e imitação são concebidas por meio de uma dicção sóbria, contida, mas nem por isso menos
comovente. No poema também podemos perceber que, embora o homem sempre queira atingir o ideal e
a perfeição, ele sempre encontra em seu caminho a restrição imposta pela própria condição humana.
b) o assunto principal do poema é o sofrimento amoroso do eu lírico perante uma mulher idealizada e distante.
Há uma ambientação aristocrática da corte e uma forte influência provençal na lírica camoniana.
c) predomínio da musicalidade e grande influência da tradição oral ibérica. O assunto principal do poema é o
lamento da moça cujo namorado partiu. Os paralelismos semânticos, o refrão, reiterações e estribilho estão
presentes em seus versos: esses elementos tinham como finalidade facilitar a memorização do texto para que ele
fosse cantado.
d) O poema de Camões é marcado por uma linguagem rebuscada, permeada por figuras de linguagem de difícil
compreensão. Seu tema principal é a luta entre classes sociais e as crises religiosas.

5. Identifique a alternativa que não contenha ideais clássicos de arte:


a) Universalismo e racionalismo.
b) Formalismo e perfeccionismo.
c) Obediência às regras e modelos e contenção do lirismo.
d) Valorização do homem (do aventureiro, do soldado, do sábio e do amante) e verossimilhança (imitação da
verdade e da natureza).
e) Liberdade de criação e predomínio dos impulsos pessoais.

6. (UFV) Leia a estrofe abaixo e faça o que se pede:


Dos vícios já desligados / nos pajés não crendo mais, / nem suas danças rituais, / nem seus mágicos cuidados.
(ANCHIETA, José de. O auto de São Lourenço)
Assinale a afirmativa verdadeira, considerando a estrofe acima, pronunciada pelos meninos índios em
procissão:
a) Os meninos índios representam o processo de aculturação em sua concretude mais visível, como
produto final de todo um empreendimento do qual participaram com igual empenho a Coroa Portuguesa
e a Companhia de Jesus. 
b) A presença dos meninos índios representa uma síntese perfeita e acabada daquilo que se convencionou
chamar de literatura informativa.
c) Os meninos índios estão afirmando os valores de sua própria cultura, ao mencionar as danças rituais e as
magias praticadas pelos pajés.
d) Os meninos índios são figuras alegóricas cuja construção como personagens atende a todos os requintes da
dramaturgia renascentista.
e) Os meninos índios representam a revolta dos nativos contra a catequese trazida pelos jesuítas, de quem
querem libertar-se tão logo seja possível.

7. (CESMAZON) O culto a natureza, característica da literatura brasileira, tem sua origem nos textos da
literatura de informação. Assinale o fragmento da carta de Caminha que já revela a mencionada característica.
a) “Viu um deles umas contas rosário, brancas; acenou que lhes dessem, folgou muito com elas, e lanço-as ao
pescoço.”
b) “Assim, quando o batel chegou a foz do rio, estavam ali dezoito ou vinte homens pardos todos nus sem
nenhuma roupa que lhes cobrisse suas vergonhas.”
c) Mas a terra em si é muito boa de ares, tão frios e temperados como os de Entre-Douro e Minho,
porque, neste tempo de agora, assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas e indefinidas. De tal
maneira é graciosa e querendo aproveita-las, dar-se-à nela tudo por bem das águas que tem.”
d) “Porém o melhor fruto, que dela se pode tirar, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a
principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.”
e) “Mostrara-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo, tornaram-no logo na mão e acenaram para a
terra, como quem diz que os estavam ali.”

(Mackenzie/SP-2007) Texto para as questões 18 e 19


Quando morre algum dos seus põem-lhe sobre a sepultura pratos, cheios de viandas, e uma rede (…) mui bem
lavada. Isto, porque creem, segundo dizem, que depois que morrem tornam a comer e descansar sobre a
sepultura. Deitam-nos em covas redondas, e, se são principais, fazem-lhes uma choça de palma. Não têm
conhecimento de glória nem inferno, somente dizem que depois de morrer vão descansar a um bom lugar. (…)
Qualquer cristão, que entre em suas casas, dá-lhe a comer do que têm, e uma rede lavada em que durma. São
castas as mulheres a seus maridos.
Padre Manuel da Nóbrega

8. (Mackenzie/SP-2007) Assinale a alternativa correta a respeito do texto.


a) A narração acerca das festividades de um grupo indígena é verossímil na medida em que nasce da
observação direta do autor, isenta de outros testemunhos que poderiam pôr em dúvida a credibilidade do relato.
b) O autor disserta sobre as superstições, a bondade e a harmoniosa relação dos cônjuges de um grupo de
indígenas que vivenciam um processo de aculturação.
c) O texto tem como foco principal narrar os rituais praticados por uma sociedade que, embora de cultura
diferente, adota os princípios religiosos do cristianismo.
d) Ao escolher determinados aspectos do comportamento dos indígenas, como a hospitalidade, por
exemplo, o jesuíta revela que a comunidade, embora não catequizada, lhe é simpática.
e) No relatório sobre os índios brasileiros, o ritual funerário ao qual o jesuíta se refere reflete o tratamento
igualitário que essa sociedade dispensa a seus membros.

9. (Mackenzie/SP-2007) O texto, escrito no Brasil colonial,


a) pertence a um conjunto de documentos da tradição histórico-literária brasileira, cujo objetivo
principal era apresentar à metrópole as características da colônia recém-descoberta.
b) já antecipa, pelo tom grandiloquente de sua linguagem, a concepção idealizadora que os românticos
brasileiros tiveram do indígena.
c) é exemplo de produção tipicamente literária, em que o imaginário renascentista transfigura os dados de uma
realidade objetiva.
d) é exemplo característico do estilo árcade, na medida em que valoriza poeticamente o “bom selvagem”,
motivo recorrente na literatura brasileira do século XVIII.
e) insere-se num gênero literário específico, introduzido nas terras americanas por padres jesuítas com o
objetivo de catequizar os indígenas brasileiros.

10. (UEPB) “A Carta de Caminha, que não foi escrita para ser publicada e cuja primeira edição é somente de
1817, tinha características adequadas para ocupar posto estratégico no que se queria que fosse a formação e a
determinação do cânone da literatura brasileira, onde costuma ser vista como o seu grande momento inaugural.
Isso é estranho, pois a Carta sequer é um texto literário nem de autor brasileiro. Descoberta no século XIX, ela
não estava ‘no início’: este foi construído, inventado, ‘reconstruído’ a posteriori.
Não estando no começo, mas nele posta, postada, determina uma visão e um caminho: colocada no começo,
determina um perfil e uma orientação, a visão do Brasil como utopia portuguesa, documentando que, embora
não seja verdade, o território foi descoberto primeiro por Cabral […] Se um texto é convertido
institucionalmente em algo que não corresponde à sua natureza, é porque atende a uma secreta necessidade, que
precisa ser definida, ainda que sua vocação íntima seja não se desvelar para, assim, ser mais eficaz.”
Flávio Rene Kothe
Considerando o fragmento citado:
I. Textos literários são construídos em contextos políticos e econômicos e servem também como instrumento de
propaganda de ideias das classes que os produzem para os estratos sociais consumidores de tal mercadoria.
II. Textos literários condensam em si vários significados e valores construídos no tempo e no espaço por
sujeitos que os querem com determinados propósitos, como ocorreu com a Carta de Caminha, texto não-
autorizado para configurar como literário, de acordo com a natureza estética da arte, mas forçou-se a entrada de
tal produção no rol do que é considerado literatura.
III. Considerar a Carta de Caminha texto literário parece ser perigoso de um ponto de vista mais acurado e
preciso porque se assim o for é possível que outros textos de igual “textura” tenham sido considerados literários
e outros excluídos dessa relação, porque não atenderam às expectativas político-ideológicas de quem determina
o que é literatura e qual texto deve servir como exemplo dessa produção.
É correto afirmar que:
a) Nenhuma proposição está correta.           
b) Apenas as proposições II e III estão corretas.
c) Todas as proposições estão corretas.
d) Apenas as proposições I e II estão corretas.
e) Apenas as proposições I e III estão corretas.