INTRODUÇÃO
Existem muitos relatos, ao longo da história, de tentativas de solucionar as
alterações refrativas, sendo descritas desde medicações “miraculosas” até tratamentos
cirúrgicos extremos. Durante muito tempo, na antiguidade, o indivíduo portador de
algum erro de refração importante, e de consequente baixa na acuidade visual, via-se
limitado em suas possibilidades de exercício profissional.
Erros de refrativos são diferentes problemas funcionais do aparelho visual,
resultantes de incompatibilidade da córnea e o cristalino na focalização dos objetos;
fazendo com que a imagem não se forme na retina.
Neste trabalho nos propomos a falar de erros de refração; onde procuramos fazer
Avaliação Optométrica aos pescadores da Mabunda, tentando relacionar esta
actividade aos problemas visuais (erros de refractivos).
Justificativa
A escolha da temática, deu-se em procurar a relação dos erros refrativos com
atividade de pesca, visto que á uma superexposição em ambientes com elevado nível de
radiação ultravioleta; e que a presença de erros refrativos, quando não corrigidos,
podem condicionar negativamente as atividades diárias do ser humano, tanto a nível
pessoal como profissional; por isso nos submetemos a fazer a avaliação optométrica aos
pescadores da Mabunda.
Motivação
O processo de formação do Técnico em Optometria a partir de seu ingresso em
cursos deve propiciar e capacitar o futuro profissional a pensar a realidade social e fazer
buscas que visam uma compreensão ampla do sistema visual, para poder intervir nela
por meio de sólida formação cultural e científica, consubstanciando a identidade
profissional.
Objetivos
Geral
Avaliar aos pescadores da Mabunda (peixeiras)
Específicos
Aprofundar teoricamente o tema
Descrever os principais sinais e sintomas dos erros refrativos
Identificar os principais erros refrativos relacionados a profissão
Problema: Existe uma relação entre atividade de pesca com os erros refrativos?
Hipótese: partindo do pressuposto de que o clima ou o ambiente é um dos fatores
apontado como contribuinte no processo etiológico dos erros refrativos, acreditamos
que a pesca assim como as demais atividades possam ter uma relação com os erros
refrativos.
METODOLOGIA: A pós uma definição concreta da temática a desenvolver, das
questões de investigação, da revisão da literatura, dos objetivos traçados e da hipótese
surge a colheita de dados, organizada conforme ao enquadramento dos pressupostos
anteriores.
Amostra: Neste estudo foram incluídos 115 indivíduos que os procuramos
espontaneamente com o objetivo de serem submetidos a uma consulta de optometria
devido a diferentes causas
Os critérios de inclusão foram: idade entre 18 e 63 anos; pescadores; peixeiras e
vendedores.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A refração é a alteração da trajetória e velocidade que um raio luminoso
experimenta ao passar de um meio a outro. O poder refrativo do olho é resultante da
interação geométrica do poder refrativo da córnea, poder refrativo do cristalino,
profundidade da câmara anterior e comprimento axial do olho.
O olho é composto por um sistema ótico que faz chegar a luz à retina. A imagem
produzida na retina será uma imagem real, invertida e de menor tamanho.
O olho emetrope é aquele que, estando em repouso, sem acomodar, ao receber
os raios luminosos paralelos provenientes do infinito, forma a sua imagem no plano
retiniano; Sendo que olho ametrope é aquele que recebendo a luz nas mesmas
circunstâncias não consegue formar a sua imagem na retina.
Erros refrativos, em visão de longe, podem ser definidos como um estado em
que o sistema ótico do olho sem acomodação falha em levar os raios paralelos de luz até
à fóvea;
São condições adversas a visão tais como: Hipermetropia; Miopia, o Astigmatismo
os erros de refração podem ocorrer sutilmente e por isso não interferem com gravidade
na saúde ocular. Quando ocorrem em níveis mais altos, podem apresentar sintomas
graves deixando o paciente desconfortável.
São frequentes na população e são as principais causas da diminuição da
acuidade visual, podendo estes serem resolvidos através de compensação óptica; a não
compensação dos mesmos tem impacto na qualidade de vida dos indivíduos.
A alta prevalência dos erros refrativos e o custo de uma compensação refrativa
adequada torna estas condições, um problema de saúde pública e económica em vários
países no mundo, em particularmente em Angola.
Hipermetropia
A hipermetropia é um erro refrativo em que o feixe de raios de luz paralelos, ao
atravessarem a córnea, obtém o seu foco de imagem para além da retina. São
necessárias lentes convergentes (aumentar a potência do olho) para colocar o foco de
raio de luz sobre o plano da retina.
Trata-se de um comum erro refrativo em crianças e adultos. O efeito que produz
é variável. Depende da sua magnitude, da idade do indivíduo, do sistema de
acomodação e de convergência, e ainda das exigências do indivíduo sobre o sistema
visual.
Uma hipermetropia não corrigida poderá provocar visão turva, astenopia, disfunção
acomodativa disfunção binocular, ambliopia e estrabismo.
A sua deteção precoce pode ajudar a prevenir complicações como estrabismo e
ambliopia em crianças pequenas; Em crianças mais velhas a hipermetropia não
corrigida pode afetar a capacidade de aprendizagem, prejudicando o aproveitamento
escolar das mesmas. Em indivíduos com idades superiores, pode contribuir para o
desconforto ocular e insuficiência visual.
A hipermetropia é o erro refrativo mais comum à nascença com exceção dos recém-
nascidos prematuros.
Miopia
A miopia é um erro refrativo onde o feixe de raios paralelos que atravessam a córnea
vai encontrar o seu foco antes da retina. Para que o feixe de raio de luz fique sobre o
plano da retina serão necessárias lentes divergentes (diminuir a potência do olho.)
Ao contrário da hipermetropia, a miopia manifesta-se em visão de longe
desfocada, limitando os indivíduos nas suas atividades diárias. Não é compensada pela
acomodação, manifestando-se em todas as idades.
Astigmatismo
O astigmatismo é uma condição refrativa provocado pela existência de uma potência
dióptrica diferente nos vários meridianos oculares.
Ao contrário da hipermetropia e da miopia, o astigmatismo não pode ser
compensado pela acomodação nem pela aproximação de objetos, só é possível obter
uma visão nítida com o auxílio de compensação ótica.
É uma condição visual comum, valores pequenos de astigmatismo geralmente
não afetam muito a visão e não requerem compensação. No entanto, valores mais
elevados causam visão turva e desconforto ocular. A causa específica do astigmatismo é
desconhecida. Pode ser hereditária e está geralmente presente desde o nascimento.
Acomodação e Presbiopia
Acomodação é o fenómeno pelo qual o cristalino pode aumentar a sua potência como
lente. O poder acomodativo é máximo na infância e vai diminuído com a idade. A
presbiopia é um defeito fisiológico da acomodação que se manifesta, no olho emetrope,
pelos quarenta e cinco anos e que dificulta a visão para perto.
Embora o nosso estudo refere-se somente em erros refrativos, não poderiamos
deixar de falar da acomodação e presbiopia visto que com o nosso publico alvo foi de se
esperar individuos presbitas como consequencia a perda da acomodação relativamente
ao factor idade;
A presbiopia corrige-se com lentes convexas de valor progressivo com a idade
até perto dos 60 anos quando o poder acomodativo é quase nulo. A avaliação do erro
refrativo é pois parte fundamental do exame de optometria sendo, frequentemente,
consequência de variada patologia que não sendo diagnosticada e tratada oportunamente
poderá comprometer a saúde ocular do doente. A necessidade de correção ótica é a
razão principal de procura do optometrista para 85% dos pacientes.
A etiologia dos erros refrativos não está totalmente definida e provavelmente
terá origem multifatorial.
No caso da miopia não se conhece verdadeiramente a causa deste erro refrativo,
mas estudos epidemiológicos mostram que fatores genéticos como a etnia e a história
familiar, fatores ambientais, como a educação e o nível económico-social e até mesmo a
região são fatores de risco para a miopia.
O astigmatismo a causa mais comum é a diferença de curvatura das superfícies
refrativas do meio ocular provocadas pela córnea ou cristalino.
Vários fatores como a etnia, nível de educação, idade, sexo e nível económico-
social têm sido estudados para entender a origem e o desenvolvimento dos erros
refrativos.
No entanto, os fatores ambientais e genéticos representam a maior parte dos
esforços atuais para compreender a etiologia dos erros refrativos.
Vários estudos indicam uma tendência para o aumento da prevalência da miopia
em adolescentes e jovens adultos, principalmente nos que têm níveis mais elevados de
educação e que se submetem, por isso, a trabalhos prolongados de perto.
Estes estudos apontam também para um aumento da prevalência da miopia em
grupos mais jovens o que sugere que os fatores de risco ambientais para a miopia se
tornaram mais prevalentes.
Sintomatologia Dos Erros Refrativos
Hipermetropia
Fadiga ocular e dores de cabeça. O esforço permanente de acomodação pode ser
a causa destas manifestações, mais frequentes ao fim da tarde e depois do trabalho. Uma
fraca hipermetropia passa frequentemente despercebida até os 35/40 anos, pois o olho
“acomoda” para estabelecer uma imagem nítida.
Miopia
Um dos sintomas que podemos considerar como um dos primeiros de um olho
míope é a má visão ao longe, estando a visão ao perto preservada. No entanto, é
evidente que se um indivíduo é míope de muitas dioptrias, para ver bem de perto teria
que se aproximar muito, o que é um fator muito cansativo e incômodo.
O sintoma que mais é relatado e que com frequência anuncia o aparecimento de
miopia é a visão turva dos objetos distantes. É frequente que nos primeiros estágios do
problema, o indivíduo não se dê conta da perda de visão.
Astigmatismo
O portador de astigmatismo apresenta dificuldades de enxergar nitidamente tanto
de longe, como também de perto, variando conforme o grau da doen
Tal como referimos no capítulo introdutório, o nosso estudo focalizar-se-á na avaliação
optométrica dos pescadores da Mabunda, no segundo capítulo do nosso trabalho,
faremos análise, interpretação e apresentação dos resultados do nosso estudo.
ANALISE INTERPRETAÇÃO E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Conforme referido no capitulo anterior o nosso estudo teve como público-alvo os
pescadores da Mabunda (peixeras) onde foram inquiridos 115 pacientes masculinos e
femininos; como o resumo abaixo ilustra;
A amostra de 115 indivíduos apresentou maior porcentagem de indivíduos do sexo
feminino comforme a tabela abaixo ilustra;
Tabela nº 1 pacientes inquiridos/sexo
Sexo Fr %
Masculino 38,26%
Feminino 61,73
Total 100%
A tabela aseguir resume a faixa etária dos pacientes que aderiram as nossas consultas de
optometria
Tabela nº 2 Faixa etária / consultas realizadas
Idade Fr %
18/20 8 9%
20/25 12 13,64%
30/40 34 38,63%
45/55 30 34%
55/63 4 4,54%
Total 88 100%
Tabela nº 3 representação dos pacientes prescritos, não prescritos, encaminhados e
abandonos de consultas
Prescritos 57 49;57%
Não prescritos 29 24,34%
Abandonos de consultas 27 23,48%
Encaminhados/oftalmo 3 2,6%
Total 115 100%
A seguinte tabela ilustra os erros de refração como resultado final das nossas consultas
de ptometria, tendo em conta os 88 pacientes que foram avaliados.
Tabela nº 4 prevalencia do erros refrativos
Astigmatismo 4 7%
Hiperm + astigmatismo 37 64,91%
Miopia 1 1,75%
Hipermetropia 14 24,55%
Miopia + astigmatismo 5 8,7%
Total 57 100%
CONCLUSÃO
Em suma, ao terminarmos com a pesquisa do tema: a AVALIAÇÃO OPTOMETRICA
AOS PESCADORES DA MABUNDA, o grupo concluiou que todo e qualquer
procedimento no campo do exercicio profissional deve ser em torno dos principios
ético-profissional e dentro das bases legais.
Foi muito gratificante podermos aprender um pouco mais das condutas éticas
ligadas a profissaão, e sabemos que muito ficou por se dizer, e que deixamos uma porta
aberta para um posterior estudo mais profundo e esperamos contribuir para uma melhor
compreensão desta, pelo menos junto dos nossos colegas.
Por fim podemos afirmar que