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Integração das

Demonstrações Contábeis

Professora Me. Regiane Lopes Rodrigues


E-mail: rlrodrigues@ufu.br
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Demonstrações contábeis
 Os dados coletados pela Contabilidade são
apresentados periodicamente aos interessados de
maneira resumida e ordenada, formando, assim, os
relatórios contábeis.
 Dos inúmeros relatórios que há em Contabilidade,
destacam-se aqueles que são obrigatórios de acordo
com a legislação brasileira.
 Esses relatórios são conhecidos como demonstrações
financeiras ou, ainda, demonstrações contábeis.
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Demonstrações contábeis

 O conjunto de informações que deve ser divulgado por


uma sociedade por ações representando sua
“prestação de contas” abrange o Relatório de
Administração, as Demonstrações Contábeis e as Notas
Explicativas que as acompanham, o Relatório dos
Auditores Independentes (se houver), o Parecer do
Conselho Fiscal e o relatório do Comitê de Auditoria (se
existirem).
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Demonstrações contábeis
 As demonstrações contábeis para as companhias de
capital aberto são:
 Balanço Patrimonial;
 Demonstração do Resultado do Exercício;
 Demonstração do Resultado Abrangente;
 Demonstração do Fluxo de Caixa;
 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
 Demonstração do Valor Adicionado
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Demonstrações contábeis
 O conjunto completo das demonstrações contábeis
(inclusive informações comparativas) deve ser apresentado
pelo menos anualmente.
 Caso a entidade altere a data de encerramento das
demonstrações contábeis ou apresente-as em um período
superior ou inferior a um ano, além do período abrangido
pelas demonstrações, deve divulgar:
 a) o motivo por utilizar um período mais longo ou mais curto; e
 b) o fato de que não são inteiramente comparáveis os
montantes apresentados nessas demonstrações.
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Demonstrações Comparativas

 A Lei das Sociedades por Ações obriga à comparação


das demonstrações contábeis dos dois exercícios.
 O grande objetivo da comparação é que a análise de
uma empresa é feita sempre com vista no futuro. Por
isso, é fundamental verificar a evolução passada, e não
apenas a situação de um momento.
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Balanço Patrimonial

 O balanço tem por finalidade apresentar a posição


financeira e patrimonial da empresa em determinada
data, representando, portanto, uma posição estática.
 No entanto, pelas relevantes informações de
tendências que podem ser extraídas de seus diversos
grupos de contas, o balanço servirá como elemento de
partida indispensável para o conhecimento da situação
econômica e financeira de uma empresa.
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Balanço Patrimonial
 Conforme o art. 178 da Lei nº 6.404/76, “no balanço, as
contas serão classificadas segundo os elementos do
patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a
facilitar o conhecimento e a análise da situação
financeira da companhia’’.
 É importante que as contas sejam classificadas no
balanço de forma ordenada e uniforme, para permitir
aos usuários uma adequada análise e interpretação da
situação patrimonial e financeira.
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Balanço Patrimonial

 O Balanço é composto por três elementos básicos:


 ATIVO – Compreende os recursos controlados por uma
entidade e dos quais se esperam benefícios econômicos
futuros.
 PASSIVO – Compreende as exigibilidades e obrigações.
 PATRIMÔNIO LÍQUIDO – Representa a diferença entre o
ativo e passivo, ou seja, o valor líquido da empresa.
10 Balanço
Patrimonial

A palavra balanço
decorre do equilíbrio:
Ativo, Passivo e PL.
11 Balanço
Patrimonial

 Cada um desses elementos


apresenta suas diversas
contas classificadas em
“grupos”, os quais, por sua
vez, são dispostos em ordem
decrescente de grau de
liquidez para o ativo e em
ordem decrescente de
exigibilidade para o passivo.
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Balanço Patrimonial

 Ou seja,
 no Ativo, são apresentadas em primeiro lugar as contas
mais rapidamente conversíveis em disponibilidade,
iniciando com o disponível (caixa e bancos), contas a
receber, estoques, e assim sucessivamente;
 no Passivo, classificam-se em primeiro lugar as contas cuja
exigibilidade ocorre antes.
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Balanço Patrimonial

 Assim, no Ativo as contas são classificadas em dois


grupos:
 Ativos Circulantes, e
 Ativos não Circulantes.
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Balanço Patrimonial

 Os ativos circulantes são assim denominados por


apresentarem alta rotação, como:
 Disponível
 Aplicações Financeiras
 Valores a Receber a Curto Prazo
 Estoques
 Despesas Antecipadas
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Balanço Patrimonial

 Os ativos não circulantes possuem os seguintes grupos


de contas:
 realizável a longo prazo,
 investimentos,
 imobilizado e
 intangível.
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Balanço Patrimonial

 Somente compõem o Ativo de uma entidade os itens


que prometem a geração de benefícios econômicos
futuros.
 Por exemplo, bens nos quais não se visualiza nenhum
comprador potencial no mercado, e que também não
possam representar um benefício para a empresa, não
são classificados no Ativo.
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Balanço Patrimonial

 Os recursos dos passivos são classificados como


curto prazo e longo prazo, sendo definidos,
respectivamente, por
passivo circulante e
passivo não circulante.
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Balanço Patrimonial

 O passivo é composto de todas as obrigações


atuais da entidade, geradas por eventos ocorridos
no passado, e cuja liquidação futura irá exigir um
desembolso de caixa da empresa.
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Balanço Patrimonial
 O patrimônio líquido é representado pela diferença entre o
total do Ativo e do Passivo em determinado momento.
 Identifica os recursos próprios da empresa, sendo formado
pelo capital investido pelos acionistas (ou sócios), mais os
lucros gerados nos exercícios e que foram retidos na
empresa (lucros não distribuídos).
 A legislação vigente prevê que o patrimônio líquido é
constituído por Capital Social, Reservas de Capital, Ajustes de
Avaliação Patrimonial, Reservas de Lucros, Ações em
Tesouraria e Prejuízos Acumulados.
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Balanço Patrimonial

 Para efeito de identificação de curto prazo e longo


prazo, a legislação baseou-se no exercício social da
empresa.
 Assim, todos os direitos e obrigações vencíveis no
exercício seguinte ao encerramento do balanço serão
classificados como curto prazo. Em caso contrário,
serão considerados como longo prazo.
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Balanço Patrimonial

 Entretanto, se o ciclo operacional da empresa apresentar


duração superior a seu exercício social, a conceituação de
curto prazo e longo prazo obedecerá ao prazo de duração
desse ciclo. Deve-se notar que esta última situação não é
muito comum, estando restrita a alguns poucos casos como
estaleiros, atividades na pecuária, agricultura etc.
 Por outro lado, o exercício social de uma empresa é fixado
em um ano, sendo a data de seu término determinada pelos
estatutos sociais.
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Balanço Patrimonial

 O ciclo operacional de uma entidade é o tempo entre


a aquisição de ativos para processamento e sua
realização em caixa ou seus equivalentes.
 Quando o ciclo operacional normal da entidade não
for claramente identificável, pressupõe-se que sua
duração seja de doze meses.
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Balanço Patrimonial
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Balanço Patrimonial
 O Balanço Patrimonial é uma demonstração que
evidencia todo o patrimônio de uma entidade em um
determinado momento, ou seja ela vai mostrar todos os
BENS, DIREITOS E OBRIGAÇÕES numa certa data.
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Balanço Patrimonial

 Bens: todos os objetos que uma empresa possui, seja


para uso, troca ou consumo.
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Balanço Patrimonial

 Direitos: todos os valores que a empresa tem a receber


de terceiros (clientes, inquilinos etc.).
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Balanço Patrimonial
 Obrigações: todos os valores que a empresa tem a
pagar para terceiros (fornecedores, proprietários de
imóveis, empregados, Governo, bancos etc.).
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Balanço Patrimonial
 O patrimônio é um conjunto de Bens, Direitos e
Obrigações de uma empresa, avaliado em moeda.
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Balanço Patrimonial
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Balanço Patrimonial

 Todos os recursos que entram na empresa passam pelo


passivo e patrimônio líquido.
 Os recursos (financeiros ou materiais) são originados dos
proprietários, fornecedores, governo, bancos,
financeiras etc. que representam as origens de recursos.
 Origens de recursos: passivo + patrimônio líquido
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Balanço Patrimonial

 O ativo, por sua vez, evidencia todas as aplicações de


recursos: aplicação no caixa, em estoque, em
máquinas, em imóveis etc.
 Aplicações: ativo.
32 Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE)
 A Demonstração de Resultados do Exercício (DRE) visa
fornecer, de maneira esquematizada, os resultados (lucro ou
prejuízo) auferidos pela empresa em determinado exercício
social, os quais são transferidos para contas do patrimônio
líquido.
 O lucro (ou prejuízo) é resultante de receitas, custos e
despesas incorridos pela empresa no período e apropriados
segundo o regime de competência, ou seja,
independentemente de que tenham sido esses valores
pagos ou recebidos.
33 Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE)

 A DRE retrata as principais operações realizadas por


uma empresa em determinado período (exercício
social), destacando as receitas e despesas realizadas e
o resultado líquido.
34 Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE)
 As receitas e despesas do período são consideradas na DRE
de forma independente de sua realização financeira. Assim,
as receitas de vendas são registradas quando de suas
realizações; a despesa de pessoal é considerada no próprio
mês da prestação dos serviços, mesmo que ainda não tenha
sido paga; a despesa de imposto de renda é inserida na
demonstração de resultados (DRE) no exercício a que se
refere quando o imposto é declarado.
 Estes aspectos contidos na legislação societária reforçam o
conceito de “regime de competência” para apuração do
resultado do exercício.
35 Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE)

 Os custos dos produtos vendidos (e também dos


serviços prestados) são reconhecidos na DRE em
conjunto com as receitas do mesmo período.
 Assim, os custos e despesas contabilizados
correspondem às receitas de vendas apuradas no
período.
36 Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE)
37 Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE)
 A demonstração do resultado do período deve, no mínimo, incluir as seguintes
rubricas, obedecidas também as determinações legais:
 a) receitas;
 b) custo dos produtos, das mercadorias ou dos serviços vendidos;
 c) lucro bruto;
 d) despesas com vendas, gerais, administrativas e outras despesas e receitas
operacionais;
 e) parcela dos resultados de empresas investidas reconhecida por meio do método de
equivalência patrimonial;
 f) resultado antes das receitas e despesas financeiras;
38 Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE)

 g) despesas e receitas financeiras;


 h) resultado antes dos tributos sobre o lucro;
 i) despesa com tributos sobre o lucro;
 j) resultado líquido das operações continuadas;
 k) valor líquido dos seguintes itens:
 i) resultado líquido após tributos das operações descontinuadas;
 ii) resultado após os tributos decorrente da mensuração ao valor justo menos despesas de venda
ou na baixa dos ativos ou do grupo de ativos à disposição para venda que constituem a unidade
operacional descontinuada;

 l) resultado líquido do período;”


39 Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE)
 A Receita Bruta refere-se ao valor nominal total das
vendas de bens ou dos serviços prestados pela empresa,
no exercício social considerado, antes de qualquer
dedução.
 Da receita bruta devem ser deduzidos diversos valores
que efetivamente não pertencem à empresa, tais como
impostos indiretos (ICMS, IPI etc.), descontos e
abatimentos, devoluções de mercadorias etc. Com isso,
obtém-se a receita líquida de vendas e serviços.
40 Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE)
 Custo dos produtos vendidos e dos serviços prestados
 Representam todos os custos incorridos pela empresa em seu
processo de fabricação, venda ou prestação de serviços.
Este custo assume diferentes denominações de acordo com
a natureza da atividade da empresa:
 Empresas Industriais: “Custo do Produto Vendido (CPV)”.
 Empresas Comerciais: “Custo da Mercadoria Vendida (CMV)”.
 Empresas Prestadoras de Serviços: “Custo dos Serviços
Prestados”.
41 Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE)
 Além dos custos dos produtos que se verificam na atividade
fabril, as empresas incorrem também em determinadas
despesas oriundas da promoção, distribuição e venda de
seus produtos ou mercadorias, e da gestão (administração)
de seus negócios.
 Essas despesas, definidas genuinamente como operacionais,
são classificadas, basicamente, em despesas de
vendas e despesas administrativas.
42 Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE)
 Despesas operacionais
 As Despesas Operacionais incluem todos os gastos realizados
no exercício para a venda de produtos e/ou serviços, e a
administração da empresa. Estas despesas estão associadas
à manutenção da atividade operacional da empresa.
 As Despesas Operacionais são segregadas, em resumo, em:
 Despesas com Vendas.
 Despesas Gerais e Administrativas.
 Outras Receitas e Despesas Operacionais.
43 Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE)
 Nas despesas de vendas constam, entre outras, as comissões
sobre vendas, despesas com salários dos vendedores e do
pessoal administrativo (interno) envolvido com as vendas,
encargos sociais, promoção e publicidade, provisão para
devedores duvidosos (crédito de liquidação duvidosa) etc.
 As despesas administrativas, por outro lado, incluem salários
do pessoal da administração, encargos sociais, honorários da
diretoria, despesas legais e judiciais, material de escritório
etc.
44 Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE)
 Despesas gerais
 É outro subgrupo comum às Despesas de Vendas e Administrativas.
 O Plano de Contas apresenta o seguinte rol de contas classificáveis:
 Viagens e Representações
 Material de Escritório
 Materiais Auxiliares e de Consumo
 Higiene e Limpeza
 Copa, Cozinha e Refeitório
 Conduções e Lanches
 Revistas e Publicações
 Serviços Profissionais e Contratados
45 Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE)
 Outras receitas/despesas operacionais
 Compõem-se de itens que não se enquadram como
despesas de vendas, administrativas e financeiras. No sentido
restrito, podem ainda não ser identificadas como
operacionais.
 Nesse grupo estão incluídos, entre outros, dividendos
recebidos de investimentos societários, variações nos
investimentos avaliados pelo método de equivalência
patrimonial, receitas de vendas de sucatas etc.
46 Demonstração do Resultado do
Exercício (DRE)
 Receitas e despesas financeiras
 a) DESPESAS FINANCEIRAS
 Juros pagos ou incorridos
 Descontos concedidos
 Comissões e despesas bancárias
 Variação monetária prefixada de obrigações
 b) RECEITAS FINANCEIRAS
 Descontos obtidos
 Juros recebidos ou auferidos
 Receitas de títulos vinculados ao mercado aberto
 Receitas sobre outros investimentos temporários
 Prêmio de resgate de títulos e debêntures
47 Demonstração de Lucros ou
Prejuízos Acumulados (DLPA)

 A DLPA promove a integração entre o Balanço Patrimonial


e a Demonstração de Resultados do Exercício (DRE).

 Seu objetivo básico é o de demonstrar a destinação do


lucro líquido do exercício: parcela distribuída aos
acionistas e aquela retida pela empresa para
reinvestimento.
48 Demonstração de Lucros ou
Prejuízos Acumulados
 A DRE não deve ser confundida com a conta de Lucros Acumulados.
 A DRE apura o lucro líquido do exercício e a DLPA destaca como foi
decidida a sua destinação. A parcela retida (não distribuída) é
mantida como origem de recursos no balanço da empresa,
compondo seu patrimônio líquido.
 Pela lei atual das sociedades por ações, a conta “Lucros
Acumulados” não pode apresentar saldo positivo ao final do
exercício social. Os resultados apurados no exercício que não foram
pagos aos acionistas – permaneceram retidos na empresa para
reinvestimentos em seus ativos – devem obrigatoriamente ser
destinados a reservas próprias.
Balanço x DRE x Lucros e Prejuízos
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Acumulados
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Fatos Relevantes
 As demonstrações contábeis não são a única fonte de informação
sobre a empresa. Atos e fatos relevantes devem ser informados aos
interessados, principalmente no caso das companhias abertas ou
com obrigação ou vontade de prestação pública de contas, pois
poderão causar variações na posição da empresa no mercado.
 Tais atos e fatos relacionam-se a decisões de acionistas, de
assembleia, ou outras que possam influir na cotação dos valores
mobiliários ou nas decisões dos investidores e credores. Tais
informações são divulgadas em jornais de grande circulação e na
rede mundial de computadores – Internet.
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Fatos Relevantes
 No caso das companhias abertas, o art. 2º da a Instrução CVM
nº 358/02 considera relevante: “qualquer decisão de acionista
controlador, deliberação da assembleia geral ou dos órgãos de
administração da companhia aberta, ou qualquer outro ato ou
fato de caráter político-administrativo, técnico, negocial ou
econômico-financeiro ocorrido”.
 A divulgação de ato ou fato relevante deve ser feita pelo
diretor de relações com investidores, que deverá divulgá-los
simultaneamente ao mercado por qualquer meio de
comunicação, inclusive informação à imprensa, ou em reuniões
de entidades de classe, investidores, analistas ou com público
selecionado, no país ou no exterior.