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Resumo para a frequência de Direito Internacional Público

Direito Internacional Público


O Direito Internacional surge no século XVIII, anteriormente falava-se de Ius Gentium
e Ius Civiles e encontra-se dividido em duas fases:
 Período Pré- Histórico: desde o século XV até 1919.
 Período Moderno: que se divide em:
o Direito Internacional Clássico: inicia com a 1ª Guerra Mundial, em 1919.
o Direito Internacional Moderno: a partir de 1919 até agora.

O Direito Internacional conheceu a sua origem na Antiguidade Clássica: Ius Gentium.


No século XV surgem vestígios de Estado e impõe-se dois poderes: o poder espiritual e
o poder temporal.

 Conceito de Direito Internacional na comunidade histórica


 Descobrimentos;
 Difusão de conhecimentos entre povos diferentes;
 Relacionamento de povos diferentes;
 Movimento da reforma (deu origem às Guerras Religiosas: os Cristãos queriam
dominar os Protestantes).

 Características do Direito Internacional do século XV


 Regula as relações entre Estados;
 Considera apenas os Estados como sujeitos e as fontes eram Tratados (Tratado de
Paz, Comercio, Aliança) e Tratados Bilaterais (entre dois Estados).

 Direito Internacional Clássico


Após a 1ª Guerra Mundial surgem fenómenos como:
1. A Proliferação dos Sujeitos de Direito Internacional , assim surgem novos
sujeitos:
 Organizações Internacionais;
 Santa Sé;
 O Papa é tratado como chefe de Estado;
 O Vaticano é considerado Estado embora não o seja, pois mesmo tendo o Papa como
poder político soberano, necessita de território e povo. É considerado Estado por mera
cortesia Internacional;
 Movimentos de Libertação e Beligerantes quando assim reconhecidos (movimento
de indivíduos, como a UNITA);
 O próprio individuo (Refugiados);
 Empresas Privadas – Multinacionais;

2. A Proliferação das Fontes de Direito Internacional


 Tratados passam de Bilaterais para Multilaterais;
 Tratados deixam de resolver questões comerciais, para resolver questões económicas,
ambientais, de proteção, de desenvolvimento tecnológico e outras fontes de Direito
Internacional;
 As Decisões das Organizações Internacionais podem produzir efeitos apenas a nível
interno (decisões autonormadoras) ou externo (decisões heteronormadoras);
 Atos jurídicos unilaterais estaduais (promessa, notificação, renúncia,
reconhecimento, protesto);

 Direito Internacional Moderno


Constituído por três momentos:
 Primeiro momento: desde a 1ª Guerra Mundial até à 2ª Guerra Mundial (surgiu a
ONU);
 Segundo momento: desde 1945 até 1989 (Guerra Fria);
 Terceiro momento: desde 1989 até hoje (Queda do Muro de Berlim);
Desde o 11 de Setembro que, os Estados começaram a abordar os assuntos com outra
arrogância.

 Direito Internacional
O Direito Internacional é um direito dinâmico e evolutivo, visto que à medida que o
conceito de Estado evolui, o Direito Internacional acompanha essa evolução. Desta
forma, o conceito de Direito Internacional pode ser dado através de três critérios:
 Critério dos Sujeitos: o Direito Internacional regulava as relações entre Estados.
Este critério deixou de fazer sentido desde o final do século XIX, pois surgiram outros
sujeitos. Assim, este critério não é suficiente para definir Direito Internacional.
 Critério do Objeto das Normas: segundo este critério, que seria simplista, a Ordem
seria Interna e o Direito Internacional regularia situações que transcendem as fronteiras
internacionais. Não é por si só um critério suficiente pois é cada vez mais difícil definir
o domínio reservado do Estado.
 Critério da Forma de Produção das Normas: é um critério de natureza formal.
Enquanto na Ordem Interna encontra-se legisladores definidos, no Direito Internacional
não e nem as regras tem as mesmas características.

 Fontes do Direito Internacional


 O costume internacional: é a fonte mais antiga e mais importante.
 Convenções internacionais.
 Princípios Gerais de Direito Internacional.
 Decisões das Organizações Internas.
 Atos Jurídicos Estaduais Autónomos.
As três primeiras fontes encontram-se no artigo 38º do Estatuto do Tribunal
Internacional de Justiça. Enquanto as ultimas duas fontes são resultado de formas de
produção próprias da comunidade interna, totalmente distintas da forma de produção
legislativa interna.

 Definição de Direito Internacional


Conjunto das regras jurídicas produzidas no seio da comunidade internacional que
regulam as relações de natureza internacional entre sujeito de Direito Internacional
agindo nessa qualidade.
Não se deve confundir Direito Internacional com relações de Politica Internacional e
relações de Mera Cortesia Internacional.

 Juridicidade do Direito Internacional


Questiona-se acerca do verdadeiro direito. Será o Direito Internacional? Bem, muitos
entendem que no Direito Internacional não existe um legislador nem Tribunais (Juiz) e
não existe sanção.
O Direito Internacional é diferente do Direito Interno e por isso, não pode ter os
mesmos elementos, assim:
 Legislador Interno é diferente do Legislador Internacional (Estados).
 Tribunais são diferentes da Ordem Internacional (Tribunal Internacional de Justiça/
Tribunal Europeu/ Tribunal da União Europeia).
 Sanções Internas são diferentes de Sanções Internacionais, na medida em que são
difíceis de fazer cumprir. Embora com as polícias internacionais, as intervenções nem
sempre são pacíficas.
De facto, o Direito Internacional Público existe, mas tem características próprias que
não correspondem ao Direito Interno dos Estados.

 Classificação do Direito Internacional


Fundamentos da Obrigatoriedade – duas teses:
1ª Tese da corrente Voluntarista: Teoria do Direito Estadual Externo e Doutrinas
Soviéticas (entre as quais a do Fim Comum de TunRin). Esta teoria defende que a
obrigatoriedade do Direito Internacional reside na vontade dos Estados. Na medida em
que, o Direito Internacional resulta da vontade dos Estados e porque estes o quiseram.
Porque não serve para justificar a obrigatoriedade do Direito? Porque o respeito deixa
de ser obrigatório. O que significa que os Estados respeitariam o Direito Internacional
quando quisessem e não fariam quando não quisessem.

2ª Tese da corrente Anti- voluntarista: Teoria Jusnaturalista vai fundamentar a


obrigatoriedade do Direito Internacional em valores éticos que transcendem o domínio
interno dos Estados. As Voluntaristas em última instância conduzem à negação do
próprio Direito Internacional, porque para que o Direito Internacional vigore na ordem
interna, tem de ser transformado em Direito Interno. Perdendo assim, a sua
característica internacional.
Portugal não defende a tese voluntarista, mas sim a tese anti- voluntarista. Para Portugal
apenas existe um ordenamento jurídico, coexistindo nele regras de Direito Internacional
e regras de Direito Interno.
 Relação entre o Direito Internacional e Direito Interno
 Dualismo (Voluntarista)
 Monismo:
o Primado de Direito Interno (Voluntarista)
o Primado de Direito Internacional (Anti- voluntarista):
 Moderado (CRP)
 Racional

O Dualismo e o Primado do Direito Interno conduzem à negação do Direito


Internacional.
Para os Dualistas existem dois Ordenamentos Jurídicos: o Direito Interno e o Direito
Internacional. No Monismo tem um único ordenamento jurídico: o Direito Interno, que
permanece sempre, mesmo quando a norma interna se encontra em conflito com a
norma internacional. Assim, o Direito Interno prevalece sobre o Direito Internacional,
logo significa que não há nada acima do Estado.
Também no Primado do Direito Internacional só há um Ordenamento Jurídico, em que
o Direito Internacional prevalece sobre o Direito Interno. Se a contradição entre o
Direito Internacional e o Direito Interno determinar a nulidade seria Monismo Radical.
Se a contradição entre o Direito Interno e Direito Internacional determinar a
inaplicabilidade seria Monismo Radical.
É Moderado porque só vigoram na Ordem Jurídica Interna depois de aprovadas e
retificadas (artigo 8º/2). Nesse momento, o Presidente da República pode requerer a
Fiscalização Preventiva de Convenções Internacionais (278º/1). Há uma submissão à
CRP quanto às convenções internacionais.

 CRP: artigo 8º - Relação entre o Direito Internacional e o Direito Português

Nº 1: Direito Internacional Geral ou Comum:


 Costume Geral
Incorporação/ Receção automática
 Convenção para- universais
 Princípios Gerais de Direito

Nº2: Direito Convencional Particular – receção plena nas condicionadas


 Infra- constitucional e supra- legal
 Regular ratificação e aprovação
 Publicação no Diário da República

Nº4: Direito da União Europeia: aplicabilidade direta


 Supra- constitucional: primado DVE

 Artigo 38º: ETIG – Fontes


Fontes Principais:
 Convenção Internacionais
 Costume Internacional
 Princípios Gerais do Direito
Fontes Auxiliares (para ajudar a definir as fontes principais):
 Doutrina
 Jurisprudência
Não é considerado Fonte:
 Equidade
E ainda:
 Decisões de Organizações Internacionais.
 Atos jurídicos unilaterais Estaduais.

Os diferentes números do artigo 38º relacionam-se com as determinadas fontes. Esses


números dão primazia ao Direito Internacional, embora no número 2 tenha questões
formais. Assim, no número 1: trata o Direito Internacional Geral ou Comum e tem o
costume geral como fonte juntamente com a convenção para- universais e princípios
gerais de direito. A partir do momento que vigoram na Ordem Jurídica Internacional,
vigoram na Ordem Interna. Não há qualquer condicionante de vigência interna às
fontes.
Já no número 2: diz respeito ao Direito Convencional Particular. As convenções só
vigoram na Ordem Jurídica de Portugal depois de aprovadas e publicadas no Diário da
República. Nesta fase, pode o Presidente da República requerer a fiscalização
Preventiva. Ocupam uma posição Infra- constitucional e Supra- legal, havendo uma
contradição entre a lei/ decreto-lei e convenção, opta-se pela Convenção.
Por fim, no número 4: respeita a União Europeia. Tem tratamento específico porque
existe um conceito novo: aplicabilidade direta, que é a suscetibilidade de uma
disposição de direito da União produzir efeitos na Ordem Interna dos Estados membros
e que estes tenham de adotar quaisquer atos internos de receção formal ou material.
Inerente ao conceito de aplicabilidade direta é o de efeito direto, que é a suscetibilidade
de uma disposição de direito de União Europeia poder ser invocada por um particular
num Tribunal Nacional para defesa de um interesse/ direito que dela resulta. Ocupa uma
posição Supra- constitucional porque resulta da vinculação dos Estados à União
Europeia. Quando se tornam membros foram obrigados a respeitar o acervo
comunitário.

 Costume Internacional
Fonte mais antiga e mais importante. Forma espontânea de criação de Direito. Divide-se
em razão do seu alcance e vincula toda a comunidade. Pode ser:
Local: surge entre dois Estados normalmente “vizinhos”.
Regional: surge numa determinada região do globo. Por exemplo: Regime Patriota da
América Latina.
Geral: fruto da intensidade da sua prática que se torna obrigatória para todos os sujeitos
de Direito Internacional, mesmo aqueles que não participaram na sua formação. Por
exemplo: a convenção de Viena.

Convenção de Viena
Conjunto de regras jurídicas que fase á sua frequente e generalizada utilização foi
compilada e reduzida a escrito em 1969. As regras costumeiras foram acrescentadas
outras inovadas, como é o exemplo o art.8º, 53º, 64º. Só vincula os Estados que
ratificaram o tratado. Os artigos que não são inovadores vinculam toda a comunidade
internacional na medida em que são costume. O Costume tem dois elementos:
 Elemento material: se não for acompanhado pelo psicológico não da lugar à
formação de um costume/ regra jurídica mas a um uso/ hábito. Corresponde a uma
prática reiterada (repete-se), uniforme (repete-se no mesmo sentido, não é
contraditório) e constante (prolonga-se por um período de tempo considerável).
Cinco, dez ou cem anos porque o importante quanto à duração do tempo é que ao
longo dos tempos os Estados tenham adotado importantes uniformes em relação a
determinada matéria ou situação sempre que para isso tiverem oportunidade.
Vestígio dessa pratica esta nos atos do chefe de Estado/ Governo; atos do Ministério
dos Negócios Estrangeiros. Nas leis/ decretos do Governo e Assembleia da
República, Decisões dos Tribunais Nacionais e Internacionais, Decisões das
Organizações Internacionais de que os Estados fazem parte. Doutrinas que estudam e
se refere às práticas adotadas entre Estados.
 Elemento psicológico: “Opinio Iuris” convicção da obrigatoriedade.

No acórdão lotus está explícito que quando se verifica a existência do elemento


material/ prática presume-se a convicção da obrigatoriedade.
Não é o Estado que invoca o costume a seu favor que tem de provar que o mesmo é
obrigatório, é o Estado que pretende que não lhe seja aplicado costume que tem de
provar que não esta obrigado pelo mesmo. Esta questão da prova só se coloca nos
costumes regionais e locais que só vinculam os Estados que consentiram na formação
do costume.

 Processo de conclusão de Convenções Internacionais


Acordos em forma simplificada e Tratado Solene.
 Negociação (artigo 7º e 8º)
 Assinatura (artigo 9º e 10º)
 Processo de vinculação internacional de cada Estado.
 Ratificação (artigo 14º)
 Entrada em vigor (artigo 24º e 25º)
 Registro e Publicação (artigo 80º CV e 102º CNU)

 Particularidades das Convenções Multilaterais


 Negociação (artigo 9º, nº2)
 Reserva (artigo 2º, d) e (artigo 9º ao 23º)
 Depositário (artigo 16º, 76º e 77º)
 Adesão (artigo 15º)

 Conceito de Tratado
Acordo internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo Direito
Internacional (artigo 2º - CV).
A Convenção de Viena aplica-se a acórdãos entre Estados. Existe outra Convenção que
celebra entre Estados e Organizações Internacionais e entre Organizações Internacionais
com outras Organizações Internacionais. É irrelevante a designação atribuída a outras
convenções internacionais.

 Conceito de Convenção Internacional

Uma convenção é um conjunto de acordos, padrões geralmente aceites. No entanto, no


direito internacional o termo convenção é usado para referir-se a uma lei internacional
que rege princípios a serem seguidos pelos países que assinam a convenção.

 Classificações de Convenções Internacionais

1) Quanto ao Objeto das Normas as convenções distinguem-se:

o Tratados: apenas celebrados entre dois Estados, com natureza económica que
preveem uma prestação para uma das partes e a respetiva contraprestação para a
outra. Extinguem-se no momento do comprimento das prestações.
o Contratos de Tratados Normativos ou Tratados Lei: estabelecem o regime
jurídico de determinado assunto, que terá de ser cumprida de igual forma por todas
as partes.
o Tratado Constituição: regra geral são tratados constitutivos de uma
Organização Internacional. Tem regime específico relativamente a determinadas
questões (artigo 20º, nº3).

2)Quanto à forma
A CRP refere Convenções Internacionais e distingue acordo em forma
simplificada de tratado solene (considera-se tratado solene quando existe
ratificação).

3) Quanto ao número de partes


Bilaterais e multilaterais (restritos e gerais).
Tratados Bilaterais: entre dois Estados.
Tratados Multilaterais: entre vários Estados. Podem ser:
 Restritos: diz respeito a mais de dois Estados mas ainda assim, a um
número reservado.
 Gerais: aglomeram um número alargado de Estados e por isso, tem
regras específicas para a sua conclusão.

4)Quanto á Possibilidade de adesão


o Abertos: permitem a adesão de qualquer outro Estado.
o Semi- abertos: só permitem a adesão de Estados que preenchem determinados
requisitos.
o Fechados: não permitem a adesão de nenhum outro Estado.

Nos acordos entre Estados, o consentimento tem de ser expresso de forma livre e
voluntária caso contrário será nulo. Esse consentimento há-de ser expresso no decurso
do processo de conclusão de uma convenção que obedece a várias fases:

Negociação
Elaborar o texto da Convenção e nesta fase os Estados têm de se fazer representar. O
texto da convenção é composto por três partes:
o Preâmbulo: são identificadas as partes da Convenção; as razões que levaram à
celebração daquela Convenção e o que se pretende com a Convenção.
o Dispositivo ou Articulado: estabelece os diferentes artigos que compões a
convenção.
o Anexo: anexos que têm valor jurídico nas que vêm com valor à parte.
Os Estados têm de se fazer representar? Quem são os seus representantes? Aqueles
que vêm no artigo 7º da Convenção de Viena. Existe dois mandatos: no número 1
temos o mandato Específico, por regra, os representantes dos Estados têm para se
identificar, exibir uma carta de plenos poderes (significa que é uma credencial em
que se identifica o representante, a Convenção em que está a intervir e os poderes
específicos que lhe são atribuídos) – Carta de Plenos Poderes: PLENI
POTENCIÁRIOS (pessoas que tem a carta). No número 2 temos o mandato
Funcional, a capacidade para concluir a convenção é inerente às funções
desempenhadas por determinados indivíduos (chefes de Estados, de Governo, de
Ministros de Negócios Estrangeiros, chefes das Missões Diplomáticas, etc). É
genérica logo o nosso PR não tem competência para negociar uma Convenção
Internacional. Quem tem essa competência é o Governo e em particular o 1º Ministro
(197º, 1, b – CRP).
A adoção do texto tem de ser feita pelas partes participantes (artigo 9º), assim:
Nº 1: Convenções Bilaterais e Multilaterais Restritas: via diplomacia tradicional, isto
é, unanimidade (é preciso o consentimento de todos os Estados).
Nº 2: Convenções Multilaterais Gerais: via uma conferência internacional. Para o
texto ser adotado basta reunir 1/3 dos Estados presentes e votados, pois ainda não
existe uma vinculação. Só partir desta fase é que os Estados se podem vincular. Não
é importante que todos participem na adoção, pois o tratado pode não vir a existir.

 Autenticação
O texto da convenção corresponde à vontade das partes. A partir daqui a negociação
terminou e não se pode alterar mais o texto.

 Processo de vinculação interna de cada Estado: esse processo está previsto na


Constituição de cada Estado. Como Portugal se vincula a uma convenção? Se for:
o Um acordo em forma simplificada: é preciso a aprovação da Assembleia da
República ou do Governo e a assinatura do Presidente da República.
o Tratado Solene: é necessário a aprovação da Assembleia da República e a
ratificação do Presidente da República.
 Troca/ Depósito de Vinculação de cada Estado: artigo 16º. A Troca é para
Tratados Bilaterais, enquanto o Depósito é para Tratados Multilaterais.

 Entrada em Vigor
Os Estados já se vincularam, já assinaram e já fizeram as trocas de vinculações.
Tendo os Estados noção das vinculações é necessário saber sobre a entrada em vigor das
convenções (artigo 24º). Entra, por regra, em vigor na data prevista ou nas condições
nela assinadas, senão entra em vigor de acordo com certas disposições (aplicação
provisória – artigo 25º). Sobre a entrada em vigor – artigo 84º.

 Registo e Publicação
(artigo 80º CV/ artigo 102º, nº2 CNU). Qualquer convenção tem de ser registrada e
publicada perante o Secretário das Nações Unidas sob pena do tratado ser inoponível
perante terceiros, isto é, não pode ser invocado e sendo considerado um Tratado
Secreto. Caso exista algum problema, os Estados do Tratado não podem reivindicar os
seus Direitos ao Tribunal, pois é como se não existisse.

Reservas

Conceito de reserva
Uma reserva é uma declaração unilateral, feita por um Estado quando assina, ratifica,
aceita ou aprova um tratado ou a ele adere, pela qual visa modificar o efeito jurídico de
certas disposições do tratado (artigo 2º, d). A nível formal: a reserva deve ser feita no
momento em que o Estado se vincula qualquer que seja a forma de vinculação (artigo
19º) e deve ser feita por escrito inserida em instrumento diplomático e notificada às
mais partes (artigo 23º).
Convenções Internacionais
 Bilaterais
 Multilaterais
o Reserva
o Negociação (9º/2)
o Adesão (15º)
o Depósito (14º- 76º e 77º)

De acordo com o artigo 20º, as multilaterais podem ser restritas (20º/2) ou multilaterais
gerais (20º/4). Nas restritas, a reserva tem de ser aceite por unanimidade (basta uma
rejeição para a reserva não ser aceite). Nas gerais, basta que um aceite para ter a reserva.

Processo de vinculação de Portugal a uma Convenção


Internacional

Convenção Internacional pode ser:


o Tratado Solene (AR)
o Acordo celebrado em forma simplificada (AR e Governo)

 Quem dita como Portugal entra uma Organização Internacional?


É a Constituição da República Portuguesa com duas ordens competentes: Governo e
Assembleia da República (161º/ i). Este artigo divide-se em três partes:
1ª Parte: “Aprovar os tratados… a assuntos militares” – Trata matéria de defesa, paz,
amizade, participação de Portugal em Organizações Internacionais, retificação de
fronteiras e assuntos militares. Estas matérias traduzem-se sob a forma de Tratados
Solenes.
2ª Parte: “bem como… competência reservada” – Competência reservada da AR (164º
e 165º): podem ser tratados solenes ou acordos de forma simplificada.
3ª Parte: “ou que… sua apreciação” – São matérias que apesar da competência do
Governo, este entende submeter-lhe. São acordos de forma simplificada.

 Negociação (197º/b)
Negociar e ajustar (assinatura). O Governo tem uma competência genérica (Ministério
dos Negócios Jurídicos). Decreto-Lei 48/94 de 24/2 – artigo 2º/c e Resolução 17/88 de
11/5.

 Assembleia da República (Tratado Solene)


Texto é enviado para a AR (artigo 161º/i – 1ª e 2ª parte). Aprovado sob a forma de
resolução 166º/5 e ratificado pelo Presidente da República (135/b), que pode ratificar,
recusar a ratificação ou requerer a fiscalização preventiva (134º/g e 278º/1).
O texto é enviado ao Governo para referenda Ministerial – 14º/1 (contra assinatura. O
PR verifica a assinatura). A publicação deverá ser feita no Diário da República – artigo
119º/1/b.

 Assembleia da República (Acordo em forma simplificada)


A negociação é igual à anterior. O texto vai para o PR para assinatura (135º/b).
Novamente, o PR pode assinar, não assinar ou requerer a fiscalização preventiva (134º/g
e 278º/1).
 Governo (Acordo em forma simplificada): não há leis de autorização em
matéria de aprovação de convenção internacional.
A negociação é igual. A aprovação deverá ser feita pelo Conselho de Ministros segundo
o artigo 197º/1/c e 200º/1/c e através do decreto 197/2.
A assinatura é feita pelo Presidente da República (134º/b). É enviado por referendo
Ministerial ao Primeiro-ministro (14º/2).

A existência de um vício orgânico (formal) no processo de vinculação português não


inviabiliza a vigência da convenção internacional na nossa ordem interna desde que
vigore na ordem internacional (artigo 277º/2 e 46º - CV).
O Presidente da República não pode concluir/ negociar. Só o Governo (Ministério dos
Negócios Estrangeiros). Quem conclui a negociação é o Primeiro-ministro com a
assinatura. Não se encontra em nenhum destes artigos (161º, 164º 4 165º) a competência
do Governo (161º/i).

Em conclusão, no processo de vinculação do Estado Português, quando temos uma hipótese a


primeira coisa que temos que fazer é ver qual é a matéria e quem tem legitimidade para aprovar
essa matéria. Por exemplo:
 O governo, numa convenção de cooperação económica (art.161º alínea i, com remissão
para o artigo 164º e 165º que remete para o artigo 197º alínea e).
A negociação é feita pelo governo (art.197º\1 alínea b), dentro do governo temos o
ministério dos negócios estrangeiros com legitimidade (competência genérica DL 48\94
art.2º alínea e) mas pode assinar tratados\acordos? Não, só pode assinar com
autorização prévia do conselho (resolução 17\88 de 11 de Maio), porque quem assina
sempre é o primeiro-ministro. Quando se trata de uma convenção dos Açores e da
Madeira estas podem participar n negociação mas como observadoras.
Desta negociação vai resultar o texto da convenção, que será aprovado pelo governo
(art.197º alínea c e art.200º alínea d). Deste texto vai resultar o decreto (art.197º\2) mais
o texto que é assinado pelo presidente da república (art.134º alínea b).
O presidente da república pode assinar, pode não assinar como pode pedir a fiscalização
preventiva (art.134º alínea g e art.278º alínea i).
Depois temos a referenda ministerial que é feita pelo primeiro-ministro (art.140º alínea
i) e depois a fase da publicação no diário da republica (art.119º alínea b) sob pena de
ineficácia.
Imaginemos que quem aprova é a Assembleia da República, estamos perante um vício orgânico
que tem consequências a nível internacional (art.46º da convenção de Viena) e a nível interno
(art.277º\2). Internacionalmente Portugal vincula-se no momento de aprovação\ratificação, é
certo que só produz efeitos depois da publicação.
 Se for uma convenção sobre direitos fundamentais a aprovação é por parte da
Assembleia da República (art.165º alínea b) sob a forma de resolução (art.166º nº5). A
fase da negociação não se altera.

Competência do Governo (197º/c): é uma competência residual. Resulta ainda deste


artigo que o Governo só aprova acordos em forma simplificada.
Assim, o ato através do qual a Assembleia da República diz aprovar é uma Resolução
(166º/ 5).
E o ato através do qual o Governo diz aprovar é um Decreto (197º/ 2).
o Se estas formas não forem respeitadas é um vício formal.
o Se não for órgãos competentes é um vício orgânico.
Assim, a convenção internacional resulta de Tratados Solenes e Acordos Simplificados.

Mas, ainda existe outro órgão competente: o Presidente da República que tem uma
participação que varia de acordo com a forma de convenção. Assim:
Nos acordos simplificados, o PR assina os atos internos de aprovação (resolução e
decreto) – (134º/ b). Se o pretender, o PR pode requerer a Fiscalização Preventiva da
Constitucionalidade nesse momento (134º/ g) e (278º/1).
Nos tratados solenes, o processo é mais complexo. Implica ratificação pelo PR que é
feita através de um decreto presidencial (135º/b). A ratificação é um ato de natureza
politica in discricionária e in sindicável. O PR não é obrigado a ratificar uma convenção
a qual não concorda. Só a partir do momento da ratificação é que Portugal se considera
vinculado a um Tratado Solene/ Organização Internacional.
No processo de vinculação do Estado Português não se fala de promulgação nem veto.
Também no Direito Internacional, o que prevalece nas relações internacionais é a
vontade dos Estados.
A convenção de Viena sobre direitos de tratados estabelece o Regime Supletivo que
será aplicado na ausência de acordo da parte, na ausência de convenção entre as partes
ou aquando o acordado não é lícito, ou seja, quando atenta as regras fundamentais do
Direito Internacional (artigo 53º).
 Artigo 26º e seguintes significam que os tratados devem ser respeitados de boa-fé
 Artigo 27º o estado não pode invocar o direito interno para não cumprir o tratado
 Artigo 28º os tratados não têm aplicação retroativa
 Artigo 30º Tratados sucessivos, quando se sucedem no tempo dois tratados sobre a
mesma matéria ou coincidentes e em que pelo menos uma parte do 1º tratado é também
parte do 2º tratado, por exemplo A e B são partes do 1º tratado sobre amizade, B e C são
partes do 2º tratado sobre amizade, o Estado B é parte nos dois. Neste mesmo artigo no
nº5 a parte do 1º ou do 2º tratado que vê o seu artigo tratado pode recorrer ao artigo 60º
para por termo ao mesmo e pedir uma indemnização de responsabilidade internacional.
A convenção que deve ser respeitada é a 1ª, apesar de não estar previsto na lei (art.26º
mais o artigo 59º a ao contrário (este artigo prevê uma revogação tácita).
 Artigo 31º faz-se tendo em conta vários elementos: elemento literal (texto do tratado),
elemento teleológico (tendo em conta o seu objeto e fim, art.31º\1), elemento histórico
(contexto com as circunstâncias em que a convenção foi celebrada e, em caso de dúvida
devem ser analisados os trabalhos preparatórios.

A regra é a de boa-fé, tendo em conta a totalidade de tratados e não pode conduzir a um


resultado absoluto. Tem como efeitos (art.34º e seguintes) o principio da relatividade (um
tratado não produz nem deveres nem direitos para terceiros estados salvo nos casos
previstos- art.35º)
 Artigo 35º tratados que prevêm obrigações para terceiros estados- o consentimento para
o terceiro estado tem de ser dado por este por escrito, caso contrário não se produz.
 Artigo 36º tratados que criam direitos para terceiros estados- presume-se o
consentimento do 3º estado. Fala-se na cláusula da noção mais favorecida (mecanismo
que é utilizado para permitir a atualização das convenções sem que os Estados tenham
que proceder a revisões formais.

Validade das Convenções Internacionais

 Capacidade das Partes


 Regularidades do Consentimento (Irregularidades:
o Formais – ratificação imperfeita (46º CV)
o Materiais – erro (48º), dolo (49º), corrupção (50º), coação exercida sobre o
representante (51º) e coação exercida sobre o estado (52º).
 Licitude do Objeto: violação das normas Ius Cogens.

Invocáveis a todo o tempo:  46º a 50º: nulidade relativa – sanáveis 44º/45º –


Têm de ocorrer até ao protege interesses particulares do Estado. Só podem
momento em que o Estado ser invocados pelos Estados afetados.
se vincula. Depois já é  51º/52º/53º e 64º: causas da nulidade absoluta.
motivo para cessação
 Capacidade das de
partes Insanáveis porque protegem interesses gerais.
vigência.
Os Invocável por
únicos sujeitos que têm capacidade internacional todos
plena que
são os fazem parte
Estados da Convenção
soberanos.
Internacional
Sujeitos do Direito Internacional dividem-se 65º/1 e 69º
em capacidade plena (Estado Soberano –
art.6º da convenção de Viena) e em capacidade limitada que pode ter base territorial
(Estados semissoberanos) ou pode ser sem base territorial (organizações internacionais).
O princípio pertencente ás organizações internacionais é o princípio da especialidade,
que diz que as organizações só podem celebrar convenções para a prossecução dos fins
que lhe estão atribuídos. Portugal é um Estado semissoberano na medida em que é parte
de uma convenção internacional, que por seu turno pertence a uma organização
internacional, á qual foram atribuídas competências exclusivas em determinadas
matérias, por exemplo, tudo o que é política comunitária Portugal não pode legislar a
nível interno nem celebrar convenções.
Há muitos autores que defendem que a falta de capacidade das partes enquanto requisito
de validade das convenções internacionais é causa de nulidade, contudo aqui não a
vamos tratar assim, para esta cadeira a falta de capacidade das partes será causa de
ineficácia.

 Regularidade do consentimento
O consentimento de um Estado a vincular-se a um tratado deve ser prestado de forma
livre e voluntária. Quando tal não acontece estamos perante uma irregularidade do
consentimento ou vício do consentimento. Quando o consentimento está viciado a
consequência é a nulidade. Distinguimos irregularidades formais de irregularidades
materiais, e quanto às consequências distinguimos nulidades relativas de nulidades
absolutas.
 Artigo 46º: Ratificação Imperfeita (277º, nº2): a existência de vícios quanto à
competência no processo de vinculação nos Estados, não pode ser invocada a
menos que se trate de uma violação de regras fundamentais – estão em causa
vícios materiais.

 Artigo 48º: situação de Erro quando o próprio Estado se engana. Abrange erro
de facto e de direito. Não se aplica ao chamado erro grosseiro, nem aos
chamados erros de escrito (resolvem-se através do 79º da CV).

 Artigo 49º: Dolo: no erro é o próprio Estado que se engana. No dolo, o Estado é
enganado ou induzido em erro pela atitude fraudulenta de outro Estado.

 Artigo 50º: Corrupção: temos um Estado a oferecer ao representante de outro


Estado certas vantagens ou privilégios em troca de vincular o Estado que
representa a situação que não lhe são favoráveis. Só é relevante a corrupção
praticada por Estado parte da convenção. Também não são relevantes para este
artigo as situações de meio cortesia (meios favores).

A ratificação imperfeita, erro, dolo, corrupção, são causas da nulidade relativa,


protegem interesses particulares dos Estados, por isso mesmo só pode ser invocado pelo
Estado cujo consentimento está afetado pela irregularidade em causa. São sanáveis, ou
seja, apesar da sua existência a convenção pode manter-se em vigor, ou porque nos
termos do artigo 44º se elimina a disposição da convenção afetada pelo vício em causa,
ou se nos termos do artigo 45ºapesar da sua existência o Estado cujo consentimento se
encontra viciado declara expressamente ser seu desejo manter a convenção em vigor, ou
se tal resulta do seu comportamento (artigo 45º, b).
As causas da nulidade relativa são invocadas a todo o tempo tal como as causas de
nulidade absoluta. Estas causas de nulidade absoluta afetam interesses gerais da
comunidade internacional, logo podem ser invocados por qualquer parte da convenção,
há até quem defenda que dada a natureza dos interesses que protegem até os Estados
que não são parte podem invocar.
São insanáveis, uma vez que não está completada no seu caso a possibilidade de divisão
dos dispositivos do tratado (44º, nº5) nem a perda do direito de as invocar como resulta
do artigo 45º para as causas de nulidade relativa. Como causas de nulidade absoluta
temos:
1. Coação exercida sobre o representante do Estado; é importante para efeitos do
artigo 51º, a coação ou ameaça de coação.
2. Coação exercida sobre o próprio representante, como seus familiares.
3. Coação física tal como a psicológica. Exemplo: ameaça da publicação dos factos
da vida do representante, ainda que verdadeiras.

Quanto à coação sobre o próprio Estado: o artigo 52º prevê a coação militar de um
Estado sobre outro. Tal como no artigo 51º é relevante para efeitos do 52º não só a
coação, como a ameaça de coação militar.
O artigo 52º vem no fundo concretizar o princípio que consta da Carta das Nações
Unidas (artigo 2º, nº4 – principio da proibição do uso da força nas relações entre
Estados). As nações Unidas já adotaram uma resolução em que equipararam a equação
militar, politica e económica.

 Licitude do objeto
O objeto de uma convenção internacional é considerado lícito quando está em
conformidade com as regras de Ius Cogem. A CV prevê duas causas de nulidade a este
respeito:
1) Artigo 53º: proíbe a conclusão de uma convenção que viola regra de Ius Cogem já
existentes.
2) Artigo 64º: quando uma convenção é celebrada e posteriori. Surge uma regra de Ius
Cogens que a contraria, a convenção torna-se nula.
A diferença entre o artigo 53º e 64º é que a nulidade do 53º tem efeitos retroativos
(artigo 71º, nº1). No artigo 64º a nulidade tem efeitos prospetivos. Por ter efeitos
prospetivos, é que o artigo 64º é considerada uma causa da cessação de vigência da
convenção, enquanto o artigo 53º é considerado uma causa de nulidade pura.
Vida do Tratado

Vigência do Tratado

Conclusão dos Tratados Causas de Cessação (54º a 64º): efeitos


retroativos
Exteriores à vontade das partes:
Vinculação dos Estados  Impossibilidade superveniente de
execução.
 Alteração fundamental das circunstâncias.
Vícios do Consentimento  Rutura das relações diplomáticas.
Ocorrem até à vinculação.  Violação de regras de Ius Cogens
Antes da entrada em vigor. Dependentes da vontade das partes:
 Acordo das partes.
 Denúncia.
Causas de Nulidade
 Celebração de tratado posterior.
Efeitos retroativos.
 Violação de disposições do tratado.

 Causas dependentes da vontade das partes


 Acordo das partes: ou por acordo anterior, previsto na convenção internacional
(54º/a), por exemplo: condição resolutiva ou termo. Ou por acordo posterior, posto em
qualquer momento, de mútuo acordo (54º/b). Também é motivo de cessação de
vigência quando o número de partes se torna inferior ao necessário para entrada em
vigor.

 Denúncia VS Renúncia: artigo 56º: a denuncia é um ato jurídico unilateral não


autónomo, enquanto a renuncia é um ato jurídico unilateral autónomo (por isso é fonte
de direito). A denuncia é o ato pelo qual um Estado se desvincula de uma convenção
internacional, enquanto a renuncia é um ato extintivo de um direito do seu autor. Só
podemos renunciar a direitos. Assim, para os tratados bilaterais utiliza-se a denúncia,
enquanto para os tratados multilaterais utiliza-se o termo recesso. Para que se possa
denunciar a convenção internacional tem de se verificar dois requisitos não
cumulativos: essa possibilidade está expressa/ prevista na convenção internacional
(56º/1/a), e se tal se puder deduzir da natureza da convenção internacional. Em
qualquer destas situações há um requisito obrigatório.
A intenção de denúncia/recesso tem de ser comunicada com pelo menos, 12 meses de
antecedência para permitir às outras partes decidir o que fazer e que adaptações serão
necessários à vigência da convenção internacional sem o Estado que se pretende
retirar.
Para que a denúncia produza efeitos imediatos:
 Justa causa (violação da convenção internacional).
 Denúncia, espera 12 meses.

 Celebração de tratado posterior: artigo 59º: tem de haver identidade de partes: as


partes da primeira convenção internacional são as mesmas da segunda convenção. O
segundo tratado põe termo ao primeiro quando no segundo as partes exprimem essa
intenção ou então quando os tratados são incompatíveis.

 Violação de disposições do tratado: artigo 60º número 1: aplica-se a convenções


internacionais bilaterais, havendo violação de uma disposição só pode haver duas
consequências: suspensão ou cessação.
Artigo 60º número 2: aplica-se às convenções internacionais multilaterais.
Consequências: exceção de não cumprimento (se A não cumpre, B também não). As
outras partes podem excluir o prevaricador e manter a convenção internacional entre
os que ficam ou podem pôr termo à convenção internacional exceto no número 5.
 Causas exteriores á vontade das partes
 Impossibilidade superveniente de execução: artigo 61º: não dá luar a
responsabilidade das partes.
 Alteração fundamental das circunstâncias: artigo 62º: “rebus sic stantibus”: as
coisas mantêm-se de pé. A alteração fundamental das circunstâncias não é causa de
cessação de vigência (62º/2º/a/b). Aqui, nas convenções internacionais sob fronteiras e
quando alteração das circunstâncias resulte da violação da convenção internacional
pela parte que a pretende invocar, não pode ser invocada. Quantas circunstâncias
alteradas foram base essencial do consentimento das partes e a alteração em causa teve
como consequência a modificação radical das obrigações inicialmente assumidas, as
circunstâncias causam a cessação.
Estando preenchidos os requisitos do nº1, a) e b), é mais razoável que os Estados em
vez desta optem pela suspensão da vigência que permite que mais tarde restabelecidas
as circunstâncias, os Estados possam continuar a cumprir a convenção internacional
(62º/3).

 Rutura das relações diplomáticas: artigo 63º: a rutura das relações diplomáticas
não produz efeitos nas relações entre Estados no que diz respeito ao cumprimento de
convenções internacionais a menos que a existência dessas relações seja essencial para
o cumprimento da convenção internacional.

 Consequências das causas de nulidade e cessação de vigência


Artigo 65º e ss: a impugnação de uma convenção internacional: a parte que pretende
obter nulidade ou cessar vigência tem de notificar as restantes partes dessa sua intenção
(art. 65º/1).
Artigo 67º/1: essa notificação tem de ser feita por escrito.
Artigo 65º/2: as outras partes têm três meses pelo menos para opor. Se não houver
oposição a notificação produz os efeitos pretendidos por quem formulou. Se houver
oposição passamos para o art. 66º da CV que é semelhante ao art. 33º da CNU, isto é,
tenta-se dirimir o conflito através dos meios de resolução pacífica (resolução judicial,
conciliação, arbitragem, inquérito, mediação, tudo menos força).
Artigo 69º: consequências da nulidade: efeitos retroativos (restabelece a situação que
existia entre as partes à data anterior da celebração da convenção internacional).
Salvaguardam-se os actos praticados de boa-fé (art. 69º/2/a). Não podem beneficiar
desta situação nos termos do art. 69º/3, as partes que praticaram os vícios.
Artigo 70º: efeitos das causas de cessação previstos para o futuro.
Artigo 71º: violação de regras Ius Cogens. O nº1 produz efeitos retroativos.
Artigo 71º/2: refere-se ao 64º dos efeitos prospetivos.

Atos jurídicos unilaterais: fontes de direito


 Reconhecimento
Ato pelo qual um Estado constata a existência de uma determinada situação jurídica e
declara que a considera conforme ao direito. Tem-se dois tipos de reconhecimento:
o Reconhecimento declarativo: o ato é formal e não atributivo de direitos ou
deveres, por exemplo: reconhecimento de Estados e de Direito Internacional.
o Reconhecimento constitutivo: reconhece os outros sujeitos de Direito
Internacional.

 Protesto
Ato que se opõe ao reconhecimento, um Estado constata a existência de determinado
facto ou situação e declara que não o considera conforme ao direito.

 Promessa
Ato pelo qual um Estado se compromete perante outro a adotar um determinado
comportamento a que é atribuído efeito jurídico. Só são relevantes enquanto fonte de
direito os atos jurídicos que sejam autónomos/ independentes de outras fontes. Tem de
respeitar o Princípio da boa-fé senão haverá responsabilidade internacional.

 Notificação
Ato através do qual um Estado leva ao conhecimento de outro determinado facto a que
atribui efeitos jurídicos. Não são notificação: art. 23º e 67º/1. Por exemplo, declaração
de guerra e rutura de relações diplomáticas.

 Renúncia
Ato extintivo do direito do seu autor. É utilizada para direitos e não deveres.
Sujeito de Direito Internacional

 Com capacidade plena: Estado Soberano.


 Com capacidade limitada e com base territorial: Estados semi-soberanos,
Beligerantes e Santa Sé.
 Com capacidade limitada e sem base territorial: Indivíduo e Multinacionais.

 Competências externas do Estado Soberano


Ius tractum: direito de celebrar uma convenção internacional (art. 6º).
Ius lega tionis: direito de enviar e receber representantes diplomáticos. Núncios
representantes diplomáticos da Santa Sé.
Ius belli: direito de fazer guerra (art. 2º/4, CNU) – só é prevista legitima defesa (art.
52º, CNU).
Direito de reclamação internacional: utilizando o protesto.

 Estados semi-soberanos
Estados exíguos: devido à sua diminuta área territorial e pouca população transferem
para estados com fronteiras comuns algumas das suas competências internacionais, por
exemplo: ius legationis e belli.
Estados membros de confederação.
Estados neutralizados.

Parte Prática
Caso Prático 1
A _ B _ C _ D (+ 150 Estados)
A apõe uma reserva à cláusula 15ª, B não se pronuncia, C objeta, D objeta
declarando que considera que aquela reserva põe em causa a vigência da
Convenção.
Tem-se que analisar a relação entre:
A _ B (21º, a e b): o tratado vigora mas A não cumpre o 15º (por causa da reserva e
como B não falou nada, significa que houve uma aceitação tácita (20º/5).
A_ C (21º, 3): o tratado vigora mas nem A nem C cumprem 15º (reciprocidade).
A_ D (21, 3): ao contrário, o tratado não vigora entre A e D.
B _ C _ D _ (+150 Estados) (21º, 2): tratado vigora na íntegra.
No fundo, a Reserva funciona mais nas Multilaterais Gerais. E permite, que através do
Instituto das Reservas, os Estados possam escolher cláusulas que os forneçam. Não
podem colocar em causa o fim e o objeto do tratado (Condição de Validade). A reserva
não pode violar uma lei de Ius Cogem (53º e 54º - Convenção de Viana.

Caso Prático 2
Os Presidentes da República dos Estados A, B e C celebraram entre si uma
convenção com vista a fixar um programa de desarmamento nuclear. A convenção
foi assinada por todos e ratificada, e mais tarde entra em vigor.
No momento da ratificação, o Estado A apôs uma Reserva ressalvando a
possibilidade de usar armas nucleares em casa de legítima defesa. O B objetou a
referida reserva. Quid Iuris?
Está aqui presente uma Reserva Multilateral Restrita. São negociadas em reuniões
diplomáticas pela chamada via diplomática tradicional (artigo 9º, nº2 – CV).
Objeto da Convenção: desarmamento nuclear. Nota: se Portugal fosse parte da
convenção seria um tratado solene (artigo 161º, i), parte 1ª).
O que é uma reserva: quando um dos Estados não quer cumprir um artigo (definição no
artigo 2º, d) – CV).
Condições de validade formal: (artigo 19º) no momento de ratificação.
A reserva tinha de ser aceite por unanimidade (artigo 20º, nº2) pois é uma Convenção
Multilateral Restrita.
Prazo para a objeção (12 meses a contar do momento da reserva) – artigo 20º, nº5.
Havendo objeção que pode A fazer? Ou se vincula ao tratado na integra ou não pode
participar na Convenção.

Caso Prático 3
O Presidente da República Português numa viagem oficial ao Brasil negociou
juntamente com outros Estados da América Latina uma convenção Internacional
com vista à circulação entre Estados de Turistas.
No momento da vinculação, a Colômbia apôs uma reserva a uma das cláusulas da
convenção salvaguardando a possibilidade de restringir a circulação de pessoas
por razões de segurança nacional. A generalidade dos Estados não levantou
qualquer objeção com exceção da Argentina que considerando que, na América do
Sul a segurança nacional era uma preocupação constante, objetou a referida
reserva por entender que esta prejudicava a vigência da Convenção.
No momento em que comunicou a sua objeção declarou ainda que considerava
desnecessário o registro e publicação da mesma. Quid Iuris?
Trata-se de uma convenção multilateral restrita, um acordo em forma simplificada, ou
seja, um tratado normativo. O Presidente da República (artigo 7º, nº2/ a) seria
plenipotenciário no exercício do mandato funcional. De acordo com a CRP seria um
vício, mas de acordo com a Convenção de Viena não.
Uma reserva é uma declaração unilateral, feita por um Estado quando assina, ratifica,
aceita ou aprova um tratado ou a ele adere, pela qual visa modificar o efeito jurídico de
certas disposições do tratado (artigo 2º, d). A nível formal: a reserva deve ser feita no
momento em que o Estado se vincula qualquer que seja a forma de vinculação (artigo
19º) e deve ser feita por escrito inserida em instrumento diplomático e notificada às
mais partes (artigo 23º). Quanto ao nível material (artigo 19º, a/b/c).
Para a aceitação da reserva seria necessário unanimidade entre os Estados, isto é, não
podia haver uma única objeção (artigo 20º, nº2) pelo que, a Colômbia ou aceitava o
Tratado na sua totalidade ou não fazia parte. Assim, fazia parte do Tratado sem a
Reserva. Resta saber se a Argentina objetou dentro do prazo (artigo 25º). Ela teria 12
meses para objetar.
O não registro e publicação não afeta o tratado mas este não produzirá efeitos perante
terceiros (artigo 80º CV, artigo 102º, nº2 CNU).

Caso Prático 4
Grande parte dos Estados da comunidade internacional celebraram uma
convenção com vista à regularidade das trocas comerciais. No momento da
vinculação o Estado A apôs uma reserva salvaguardando a possibilidade de
restringir as referidas trocas por razões de saúde pública. A generalidade dos
Estados não se pronunciou, o Estado B objetou 2 meses após, o Estado C objetou
declarando que considerava que uma reserva dessa natureza inviabilizava a
vigência da convenção internacional e o Estado D acabou por objetar dois anos
depois.
Trata-se de uma convenção multilateral geral – basta que um Estado aceite (artigo 20º,
nº4), portanto, como a generalidade dos Estados não se pronunciou, a reserva foi aceite.
Em relação ao Estado A e os que aceitaram a reserva aplica-se o artigo 20º, nº1. Entre o
Estado A e B tem-se o princípio da reciprocidade (artigo 21º, nº3). Entre A e C não
vigora a convenção (21º, nº3). Já a objeção do Estado D não é válida – aceitação tácita.
A relação entre B, C e D vigora o tratado na íntegra (21º, nº2).

Caso Prático 5
Vários Estados da América do Sul celebraram entre si uma convenção sobre asilo
político. Depois de adotada por 75% dos Estados que participaram na negociação
a Convenção foi devidamente aprovada e ratificada.
Dois dos Estados apresentaram reservas. A essas reservas, um Estado objetou nos
6 meses seguintes e outro 15 meses depois.
Trata-se de uma convenção Multilateral Restrita, sob forma de Tratado solene porque
foi ratificado, portanto, é um Tratado Normativo. A negociação é feita por conferência
internacional (artigo 9º, nº2). Tem de ter 2/3 de adoção, ou seja, 66,6% pelo que a
Convenção foi bem adotada.
A adoção de um texto está definitiva, não pode mais ser alterado. Assim, cria para os
Estados o direito de se vincularem.
Quanto à validade formal das reservas: artigo 19º e 23º e quanto à validade material:
artigo 19º, a/b/c. A objeção feita à reserva no prazo de 6 meses é valida pois, encontra-
se dentro do tempo, já a objeção feita 15 meses depois não é valida. Deveria ter sido
feita nos 12 meses seguintes ao consentimento da reserva (artigo 20º, nº5).
Assim, havendo uma objeção valida à reserva ou o Estado se vincula na totalidade do
Tratado ou então não se vincula. Seria necessário unanimidade quanto à aceitação da
reserva, como tal não aconteceu, o Estado terá de optar pela sua participação na íntegra
ou não participa (artigo 20º, nº2).

Caso Prático 6
O Presidente da República Português em viagem oficial a África do Sul concluiu
uma convenção com o chefe do Governo daquele Estado mediante a qual a Africa
do Sul se comprometeu a garantir a segurança dos portugueses aí residentes conter
condições tributárias especiais para os Sul-africanos que pretendessem investir em
Portugal.
A Convenção Internacional foi regularmente aprovada em Portugal tendo entrado
em vigor. Um ano mais tarde porque os investigadores sul-africanos se queixaram
da insuficiência das vantagens fiscais para eles criadas a Africa do Sul veio
impugnar a Convenção Internacional com base na falta de competência do PR
para a concluir.
Convenção Internacional: bilateral, T. contrato prestações, acordo em forma
simplificada (regular/ aprovadas) 161º, 164º, 165º - é matéria do Governo.
Aprovação pelo Governo (197º/1/c), submetida à AR (161/i – ultima parte).
O PR não podia negociar, só em mandato específico (carta de plenos poderes dada pelo
Governo que é quem tem o poder negociador).
Não existindo a Carta temos um vicio orgânico que se reconduz a um vicio formal.
Convenção Internacional vigora em Portugal depois da publicação (sem esta o ato é
ineficaz). Convenção Internacional vigora internacionalmente artigo 24º - CV, a
publicação serve para dar publicidade às organizações internacionais (80º CI, 102º
CNU). Sanção: não é oponível a terceiros.
Vício orgânico: nulidade relativa: protege interesses particulares (de Portugal). A Africa
não tem legitimidade para impugnar a convenção.
Artigo 46º: só considera que a ratificação imperfeita só leva à nulidade da Convenção
Internacional por parte de Portugal se violar Ius Cogem.
Artigo 8º CV: Portugal pode confirmar o ato feito pelo PR sem poderes.

Caso prático 7
Vários Estados da Comunidade Internacional resolveram encetar negociações com
vista á celebração de uma convenção internacional que regulasse a produção e
comercialização do volfrâmio. No momento da celebração da convenção o Estado
A apôs uma reserva a uma das cláusulas, o Estado B pressionou o representante do
Estado C com ameaças veladas á sua família e aliciou o representante do Estado D
com um belo ferrari.
A convenção entrou em vigor normalmente até que estas situações se tornaram do
conhecimento público, o representante do Estado A indignado pretende impugnar
a convenção mas os representantes dos Estados C e D satisfeitos com as vantagens
que daí advieram para os seus Estados respetivamente declararam expressamente
ser sua intenção continuar a cumprir a mesma. Quid Iuris?
Para efeitos de reserva, temos que classificar a convenção, trata-se de uma convenção
multilateral restrita, acordo em forma simplificada, portanto é um tratado normativo.
Sendo multilateral restrita a reserva tem que ser aceite por unanimidade (art.20º\2).
No momento da conclusão da convenção propriamente dita temos o Estado B a
pressionar a família de C, trata-se de coação (art.51º da CV) e dá um ferrari a D, trata-se
de corrupção (art.50º CV). Os Estados C e D viram o seu consentimento viciado
(irregularidades materiais) que tem como consequência a nulidade (art.69º e seguintes
da CV). Estes vícios são da mesma natureza? Não, um é sanável e o outro não (art.44º e
45º da CV). Os estados C e D querem manter a convenção, é possível? No caso das
ameaças á família não é possível porque se trata de uma nulidade absoluta. No caso do
Estado D seria possível sanar a nulidade porque é uma nulidade relativa e nesse aspeto o
art.45º já se aplica.
O Estado A pode impugnar a vinculação do Estado D? Não, como se trata de uma
nulidade relativa só poderia impugnar o Estado que vê o seu consentimento viciado,
neste caso só o D poderia impugnar-se a si próprio. No caso de nulidade absoluta já
todos os Estados poderiam impugnar, isto é, aqui A já poderia impugnar a vinculação
do Estado C.

Caso Prático 8
Suponha que durante a recente viagem do nosso Presidente da República ao Japão
surgia a oportunidade de celebrar com as autoridades japonesas uma convenção
em matéria de transferência de tecnologia.
Neste enquadramento responda às seguintes questões:
a) Poderia a convenção ser negociada e assinada pelo Presidente da República?
Não, a negociação deve ser feita pelo Governo ou Ministro dos negócios estrangeiros
(197º/1/b – CRP), portanto, o Presidente da República não tem competência para tal. A
assinatura também deveria ser feita pelo Governo no momento dos ajustamentos
(197º/1/b).

b) Quem tinha competência para aprovar a convenção?


Quem pode aprovar a convenção é o Governo. Primeiro, seria preciso ver o artigo
161º/i/1ª parte e depois a 2ª parte. Após isto, deve-se ver o artigo 164º e 165º. Caso a
matéria não seja da Assembleia da Republica, será do Governo, pelo que deve-se
verificar o artigo 197º/1/c. Portanto, o Governo é o órgão competente para esta matéria
e ele aprova sob forma de decreto (197º/2).

c) A convenção poderia revestir a forma de acordo em forma simplificada?


Tinha que revestir a forma de acordo em forma simplificada pois é da competência do
Governo e ele só aprova esses acordos (197º/1/c).

d) Caso o Tribunal Constitucional declare a inconstitucionalidade de alguma das


disposições da convenção, em sede de controlo preventivo, que mecanismos existem
para poder ser ultrapassada a situação?
Para poder ser ultrapassada a situação poderia ser aposta uma reserva (instituto que
permite adequar as incompatibilidades da constituição portuguesa com as leis
internacionais). O órgão que aprova a convenção é o mesmo órgão que aprova a reserva,
depois o Presidente da República assina.

Caso Prático 9
Suponha que os Estados A, B e C concluíram uma convenção que uniformizava
regras técnicas relativas à produção e comercialização de aço.
a) Classifique esta convenção.
Multilateral Restrita sob forma de Tratado Normativo.
b) Poderia o Estado B questionar a validade da convenção com base no facto de o
representante do Estado A ter sido pressionado a assinar?
Coação exercida sobre o representante A (artigo 50º). O Estado B pode impugnar a
convenção conforme esse vício? Sim, pode. Ter-se-ia a nulidade absoluta, logo qualquer
Estado parte podia invocar a validade da convenção (artigo 65º/b).

c) Poderá o governo do Estado A, dois anos após a tomada de conhecimento,


invocar tais factos para arguir a nulidade da convenção.
O artigo 45º só se refere até ao artigo 50º, como se trata de um vicio do artigo 51º, trata-
se de nulidade absoluta, pelo que, pode ser invocada a todo o tempo, não tendo o limite
do artigo 45º e por não ser sanável.
Se fosse uma nulidade relativa por causa da corrupção, passado dois anos, já não
poderia ser invocada.

Caso Prático 10
Suponha que preocupados com a crescente desflorestação da região, os Estados A,
B, C, D e E assinaram, a capital da A, em 2006, sob reserva de ratificação, mas a
aplicar imediatamente uma convenção que impunha uma proibição genérica do
abate de arvores em zonas não urbanas, e criava uma comissão técnica
internacional que deveria avaliar qualquer exceção que fosse solicitada.
Neste enquadramento responda às seguintes questões:
1. Ocorrendo no Estado A uma mudança de Governo (e sendo que este tem uma
perspetiva diversa da do anterior na matéria) pode – o novo governo – conceder
autorizações de abate, invocando não estar ainda vinculado?
Principio da Continuidade dos Estados, ou seja, as principais alterações do Governo não
se refletem nos compromissos internacionais assumidos anteriormente pelos Estados.

2. Suponha que no Estado B surge na imprensa um aceso debate uma vez que
certos sectores consideravam a convenção aplicável a um território ultramarino
(cuja principal riqueza era a exportação de madeiras exóticas) ao passo que o
Governo garante não ser essa a sua intenção nem entendimento. Como pode o
Governo garantir que a sua posição fique salvaguardada no quadro convencional?
No momento da ratificação fazia-se uma reserva dizendo que não se aplica ao território
ultramarino.

3. Se os Estados signatários pretendessem ver alargado tao cedo quanto possível o


regime a todos os Estados da região, que mecanismos convencionais deveriam
estar previstos na convenção para facilitar o futuro alargamento dos regimes?
Devia estar prevista a possibilidade de adesão (pode não estar prevista no tratado, mas
se todos estiverem de acordo não haverá problema).

4. Se, na vigência da convenção, os governos de B e C, se recusassem a entregar a


D e E os montantes das compensações financeiras acordadas (face à maior
importância da silvicultura e à relativa debilidade económica destes) podiam estes
questionar a validade da convenção?
As causas da nulidade têm de ser invocados até ao momento da vinculação. O que surge
depois são as causas de cessação e não de anulabilidade (artigo 60º CV).

5. Poderia o Governo regional do território ultramarino de B questionar a


validade da convenção junto do Tribunal Internacional de Justiça?
Não. Só o Governo do Estado é que o representa internacionalmente.
6. Se A e B celebrassem com X e Y um novo tratado que garantia o fornecimento à
indústria de mobiliário destes uma determinada quantia de madeiras exóticas,
como deveriam reagir os restantes Estados parte da primeira convenção?
Tratados Sucessivos (artigo 30º/5). Primeiro estaria o tratado se A, B, C, D e E (26º e
59º à contrário), isto é, se as partes não forem as mesmas, ou ainda para por termo à
convenção ou para se desvincularem da mesma ou para se excluírem (60º).

7. Não sendo a questão expressamente tratada na convenção, a quem caberia


exercer as funções do depositário?
Artigo 76º, o Estado A por ser o sítio onde se celebrou o tratado.

8. Face ao regime aplicável em Portugal, esta convenção teria de ser um tratado


solene ou poderia ser um acordo em forma simplificada?
Ver no artigo 161º/i, saber se é competência da AR (164º e 165º), caso não seja, ver o
197º, tratando-se de matéria do Governo e por isso, é um acordo sob forma
simplificada. As matérias do 164º e 165º não têm exigência de forma. Só há duas, no
161º relativamente à AR sendo tratado solene e no 197º relativamente ao Governo
tratando-se de acordo em forma simplificada.

9. A quem competiria aprová-la, se Portugal tivesse participado?


O Governo (197/1/c e 200º/1/d).
10. Qual teria sido a intervenção do Presidente da Republica no processo?
Assinatura do decreto- lei (197º/2 e 134º/b) ou requerer a Fiscalização Preventiva
(234º/g e 278º/1).

Caso Prático 11
Portugal e Espanha celebraram entre si uma convenção internacional através da
qual Espanha se competia a desviar o curso do Guadiana para permitir a irrigação
de terras Portuguesas do Alto Alentejo, em troca Portugal aceitara retificar a
fronteira com aquele Estado por forma a eliminar uma pequena curva que existia
na definição da fronteira no interior Espanhol.
Espanha cumpriu mas o resultado pretendido não foi alcançado em virtude de
uma seca grave ocorrida que diminui o caudal do Guadiana.
Face a isso, Portugal recusou-se a manter a sua parte do acordado alargando de
novo o domínio Português aos marcos anteriormente estabelecidos.
Tratado Contrato
161º: retificação de fronteiras – tratado solene. Não há nenhum vício do consentimento
– causas de cessação (62º/nº2/a). Não se pode aplicar aqui. As coisas mantem-se de pé,
este artigo não derroga a convenção internacional exceto quando a) e b) se verificam
comutativamente.
Exceção à exceção: não se aplica o anterior se verificar o número 2.
Artigo 65º: efeitos do artigo 69º (nulidade) ou efeitos do artigo 70º (cessação de
vigência).

Caso Prático 12
A Colômbia, Argentina e Chile celebraram uma convenção internacional com vista
a estabelecer um regime comum de proteção da população civis vítimas de crimes
praticados por rebeldes que aturam em vários Estados Sul-americanos. O Chile
apôs uma reserva à cláusula que proibia a execução sumária de rebeldes autores
de crimes de sangue. Entretanto, as FARC pediram a adesão à convenção
internacional, facto que para indignação da Colômbia foi de imediato aceite pela
Argentina o que levou ao corte das relações diplomáticas entre os dois Estados.
Querendo manter-se à margem da questão, o Chile notificou a Colômbia e a
Argentina da sua desvinculação à Convenção Internacional com efeitos imediatos
até porque o novo Governo saído de eleições recentes não concordava com a
mesma.
Convenção Internacional Multilateral Restrita Normativa. A reserva aposta tem que
obedecer os critérios de validade formal e material (art. 19º/a/b/c), mas a reserva não
pode contrariar o Ius Cogens, pois será nula.
FARC pede adesão, como é multilateral, à partida permitem a adesão mas tem de ser
aceite por todos (art. 15º) a menos que a convenção internacional preveja algo diferente.
FARC tem competência para celebrar convenção internacional que protege populações
civis logo pertence à capacidade limitada dos beligerantes (consegue aceitação da
Argentina). A violação da proibição da ingerência nos assuntos internos dos Estados
(Colômbia) gera responsabilidade internacional. Fez-se o reconhecimento tácito das
FARC (reconhecimento constitutivo – FARC ganha capacidade jurídica internacional).
Desresponsabilização da Colômbia pelos prejuízos causados pela FARC aos nacionais
do Estado da Argentina.
O corte das relações diplomáticas é realizado por notificação que é um ato jurídico
unilateral e fonte de direito com consequências jurídicas, mas neste caso, nenhuma por
regra do artigo 63º.
A notificação (67º/1 e 65º/1) não é fonte de direito e por isso, não pode ter efeitos
imediatos. Desvinculação (56º) = denúncia: requisitos: essa possibilidade tem de
resultar da convenção internacional e obriga um pré-aviso de 12 meses.
Princípio da Continuidade dos Estados – Ius Cogens – As alterações políticas internas
não produzem alteração nos compromissos internacionais assumidos pelos Governos
anteriores.