Você está na página 1de 1

Displasia de Desenvolvimento da Anca.

Protocolo de Rasteio Clínico Combinado e Ecografia dos casos em Risco.


Experiência de 14 Anos.
Nuno Craveiro Lopes, Carolina Escalda, Carlo Villacreses
Serviço de Ortopedia, Hospital Garcia de Orta, Almada, Portugal

A eficácia do rasteio ecográfico na diminuição dos casos de diagnóstico tardio de luxação congénita da anca
está bem documentado.
Os protocolos de rasteio ecográfico sistemático de todos os nados vivos diminuiu a taxa de falsos negativos,
mas aumentou substancialmente o número de crianças tratadas conservadoramente sem necessidade para tal
(falsos positivos). Por outro lado, este tipo de protocolo tem um baixo nível de custo/benefício, por ser muito
dispendioso e difícil de implementar.
Por esse motivo, tal como outros Autores, aconselhamos a utilização do rasteio ecográfico apenas nas crianças
onde foram detectados factores de risco ou sinais de suspeição, num rasteio clínico sistemático em todos os
nados vivos.
O protocolo de rasteio que implementámos no Serviço tem a particularidade do rasteio clínico ser feito em 2
tempos: na 1ª visita pós-natal e na consulta de desenvolvimento.
Apresentamos o resultado de 14 anos de experiência com o presente protocolo com um estudo comparativo de
2 períodos, um entre 1992 e 1994 (3 anos) no início da implementação do protocolo em que foram rasteadas
318 crianças num total de 8761 nados vivos e o segundo período, entre 2005 e 2006 (2 anos), incluindo 537
crianças rasteadas em 7828 nados vivos.
O nosso protocolo de rasteio mostrou ter uma sensibilidade (falsos negativos) equivalente aos restantes
protocolos do mesmo tipo (0,26/1000) mas a existência de uma segunda fase de rasteio efectuado na consulta
de desenvolvimento, constituindo uma autêntica “rede de segurança” detecta os casos que escaparam ao
rasteio clínico pós-natal. Este facto veio a melhorar a sensibilidade do nosso protocolo para valores iguais ao
do rasteio ecográfico sistemático (0/1000).
No que diz respeito á especificidade (falsos positivos), o nosso protocolo de rasteio mostrou inicialmente um
valor cerca de metade do rasteio ecográfico sistemático (3,4/1000). A experiência ganha na execução e
interpretação do exame ecográfico ao longo dos anos, veio a baixar este valor para níveis de cerca de ¼ do
rasteio ecográfico sistemático (1,8/1000).
O resultado da implementação deste protocolo de rasteio no Serviço, levou ao longo destes 14 anos, ao
desaparecimento progressivo dos casos de diagnóstico tardio que necessitavam de cirurgia, incluindo reduções
cruentas, osteotomias femorais e do ilíaco, assim como das sequelas de tratamento, nomeadamente necrose
asséptica da cabeça femoral.

RC-F-2 semanas Diag.- DDA RC-F-8 semanas Trat.- F.Fredjka RC-F-16 semanas
Ecografia – Ancas instáveis Ecografia – Ancas estáveis Ecografia – Normal
α- dto- 50,2º ; esq- 46,8º α- dto- 57,6º ; esq- 50,6º α- dto- 68,4º ; esq- 62,7º
β- dto- 60,7º ; esq- 74,9º β- dto- 42,2º ; esq- 28,6º β- dto- 32,4º ; esq- 33,8º