Histórico da Psicologia Jurídica No início do século XIX, na França, os médicos foram chamados pelos juízes da época para desvendarem

o µµenigma¶¶ que certos crimes apresentavam. Eram ações criminosas sem razão aparente e que, também ³não partiam de indivíduos que se encaixavam nos quadros clássicos da loucura´ (CARRARA, 1998, p.70). Segundo Carrara (1998), estes crimes que clamaram pelas considerações médicas não eram motivados por lucros financeiros ou paixões, pareciam possuir uma outra estrutura, pois diziam respeito à subversão escandalosa de valores tão básicos que se imagina que estejam enraizados na própria ³natureza humana´, como o amor filial, o amor materno, ou a piedade frente à dor e ao sofrimento humano. Conforme Castel (1978), estas foram as primeiras incursões dos alienistas franceses para fora dos asilos de alienados. Mas, e a Psicologia, que lugar viria ocupar nesta relação entre a criminalidade e a justiça? De acordo com Bonger (1943), a Psicologia só viria aparecer no cenário das ciências que auxiliam a justiça em 1868, com a publicação do livro Psychologie Naturelle, do médico francês Prosper Despine, que apresenta estudos de casos dos grandes criminosos (somente delinquentes graves) daquela época. Ele obteve seu material de estudo das detalhadas informações contidas na La Gazette des Tribunaux e de outras publicações análogas. Despine dividiu o material em grupos de acordo com os motivos que desencadearam os crimes e, logo em seguida, investigou as particularidades psicológicas de cada um dos membros dos vários grupos. Concluiu ao final que o delinquente, com exceção de poucos casos, não apresenta enfermidade física e nem mental. Segundo ele, as anomalias apresentadas pelos delinquentes situam-se em suas tendências e seu comportamento moral e não afetam sua capacidade intelectual (que poderá ser inferior em alguns casos e enormemente superior em outros). Conforme suas observações, o delinquente age com frequência motivado por tendências nocivas, como o ódio, a vingança, a avareza, a aversão ao trabalho, entre outras. Na opinião de Despine, o delinquente possui uma deficiência ou carece em absoluto de verdadeiro interesse por si mesmo, de simpatia para com seus semelhantes, de consciência moral e de sentimento de dever. Não é prudente, nem simpático e nem é capaz de arrependimento. O próprio Despine considera que sua obra era somente uma iniciativa e incitou as demais pessoas para que prossigam nesta mesma linha de investigação. Despine passou então a ser considerado o fundador da Psicologia Criminal - denominação dada naquela época às práticas psicológicas voltadas para o estudo dos aspectos psicológicos do criminoso. Em 1875, a criminologia surge no cenário das ciências humanas como o saber que viria dar conta do estudo da relação entre o crime e o criminoso, tendo como campo de pesquisa ³as causas (fatores determinantes) da criminalidade, bem como a personalidade e a conduta do delinquente e a maneira de ressocializá (OLIVEIRA, -lo´ 1992, p. 31). A criminologia: ³em sua tentativa para chegar ao diagnóstico etiológico do crime, e, assim, compreender e interpretar as causas da criminalidade, os mecanismos do crime e os móveis do ato criminal, conclui que tudo se resumia em um problema especial de conduta, que é a expressão imediata e direta da personalidade. Assim, antes do crime, é o criminoso o ponto fundamental da Criminologia contemporânea´ (MACEDO, 1977, P. 16). Neste momento a Psicologia Criminal passa a ocupar uma posição de maior destaque como uma ciência que viria contribuir para a compreensão da conduta e da personalidade do criminoso. Para García-Pablos de Molina (2002, p. 253), ³corresponde à Psicologia o estudo da estrutura, gênese e desenvolvimento da conduta criminal´. O crime passa a ser visto como um problema que não é apenas ³do criminoso, mas também, do Juiz, do advogado, do psiquiatra, do psicólogo e do sociólogo´ (DOURADO, 1965, p.7). Na visão de Dourado (1965, P. 7), atualmente: ³não se concebe, no processo penal, que se omitam os conhecimentos científicos da Psicologia, no sentido de se obter maior perfeição no julgamento de cada caso em particular. (...) Para se compreender o delinquente, mister se faz que se conheçam as forças psicológicas que o levaram ao crime. Esta compreensão só se pode obter examinando os aspectos -se psicológico-psiquiátricos do criminoso e de seu crime´. Seguindo esta mesma linha de raciocínio, Segre (1996, p.27) destaca que ³o que deve prevalecer no estudo criminológico é a tentativa de esclarecimento do ato humano anti-social, visando à sua prevenção e, tanto quanto possível, a evitar a sua reiteração (terapêutica criminal)´. De acordo com Bonger (1943), a Psicologia Criminal é importante para todos os profissionais de Direito Penal. Para a polícia é útil saber quais são os tipos psicológicos mais suscetíveis ao cometimento de determinado tipo de delito. Também é importante que os promotores e juizes conheçam o grau de perigo para a segurança pública que é inerente a certos tipos de delinquentes, a fim de fixarem as penas e demais medidas corretivas. Por último, o conhecimento da Psicologia Criminal é de utilidade especial para todas aquelas pessoas que trabalham em presídios e manicômios. Na opinião de Bonger (1943), encontramos entre os delinquentes todos os tipos humanos possíveis, não existe uma tipologia psicológica específica do delinquente. Para ele, o que diferencia o delinquente das demais pessoas é uma deficiência moral associada a uma exagerada tendência materialista.Bonger (1943), ao descrever o surgimento da psicologia criminal, cita alguns autores anteriores a Despine que, segundo ele, fazem parte da pré-história da psicologia criminal, como Pitaval, na França, em 1734; Richer, na França, em 1772; Schaumann, na Alemanha, em 1792; Feuerbach, na Alemanha, em 1808; Lauvergne, na França, em 1841; Häring e Hitizig, na Alemanha, em 1842 e Avé-Lallemant, na Alemanha, em 1858. Na sua opinião, apesar de apresentarem uma preocupação em descrever aspectos psicológicos dos delitos e dos delinquentes, estes autores pecaram por não haver um rigor metodológico na escolha dos casos e nem uma preocupação em construir uma teoria sobre os dados encontrados. Com relação à história propriamente dita da psicologia criminal, Bonger (1943) conseguiu fazer uma pesquisa bibliográfica bastante expressiva, envolvendo autores de diversos países, como Lomb roso, na Itália, em 1876; Marro,

constituição corporal. quanto à constituição corporal. em 1887. Segundo ele. publicou um estudo bastante extenso sobre Psicologia Criminal onde menciona os seguintes traços como sendo característicos dos delinquentes: parasitismo. Gross fundou o Archiv fur Kriminalantropologie und Kriminalistik. em 1893. presunçoso. Segundo ele. ou seja. o delinquente representa um caso extremo das características psíquicas que mais abundam na classe social de onde ele procede. como médico de prisioneiros. numa tentativa de compreender como as pessoas reagem em situações de conflito. O fator morfológico origina na pessoa um obscuro sentimento de superioridade ou inferioridade física em frente às situações e influencia a determinação do seu modo de reagir. teve grandes e variadas oportunidades para estudar a personalidade do delinquente.Mira Y Lopez (2008). Aschaffenburg.na Itália. Aschaffenburg. psiquiatra. Mira Y Lopez utiliza o termo Psicologia Jurídica ao publicar o Manual de Psicologia Jurídica. crueldade. seguido o exemplo de Gross. falta de piedade. presunção e veemente ânsia de prazeres. é considerado um autêntico tesouro para a criminologia e. Baer e Gross. descuidado. tatuagem e religiosidade. assim como estudos de casos separados. Para ele. podemos definir o temperamento como a resultante funcional direta da constituição corporal. Segundo sua opinião. -se Laurent. abreviadamente conhecido como Gross¶Archiv. na Alemanha. Apesar de superficialmente. pai da criminologia e criador da antropologia criminal (ciência que estuda a relação entre as características físicas do indivíduo e a criminalidade). o temperamento e a inteligência. A partir do final do século XIX. uma crítica vinda de um jovem adolescente não será recebida da mesma forma se for feita por um idoso. ele cita um ou dois exemplos e discute os mais diversos temas. Se por constituição corporal entendemos o conjunto de propriedades morfológicas e bioquímicas transmitidas ao indivíduo por herança. valente (e às vezes. na Alemanha. assim como. Gross trata em seus dois livros da Psicologia Criminal aplicada. a Psicologia Criminal começou a ser dona do seu próprio destino. o delinquente é um indivíduo de inteligência inferior à média. Com mais de noventa volumes. enumerou nove fatores que. sendo responsável pela nossa tendência mais primitiva de reação em frente dos estímulos ambientais. o delinquente se caracteriza principalmente por um defeito em sua capacidade de refletir e de impressionar as pessoas. ao jogo e às mulheres. seriam responsáveis pela reação de uma pessoa em um dado momento. Kurella. Seu grande mérito consiste em ser o primeiro a produzir uma crítica da prova e do testemunho. A Alemanha foi o país que mais se destacou. preguiçoso. presunçoso e pobre de vontade. para a Psicologia Criminal. Ao longo dos seus dezesseis capítulos o autor procura discutir o papel da Psicologia no campo do Direito e oferecer conhecimentos sobre o comportamento humano que auxiliem os juristas em suas decisões. dos fatores psíquicos que podem tomar parte na investigação e no julgamento dos delitos. Figura 1 . também se ocupou da Psicologia do delinquente. a constituição corporal imprime um selo característico na pessoa e condiciona em grande parte o seu jeito de ser. De acordo com Mira Y Lopez (2008). adquiridos e mistos f (Figura 1). fez significativas observações sobre a importância da influência que o meio ambiente exerce sobre as tendências psíquicas de uma pessoa. na França. biógrafo de Lombroso. E com relação . a reação de um homem corpulento difere da de um homem magro e baixo. os fatores herdados que influenciam o modo de reação da pessoa são a . falta de sentimento de honra. O alemão Kurella. cruel e se caracteriza por uma tendência a entregar-se à bebida.Lombroso. inconstante. Em outras palavras. tendência a mentir. Em 1950. Suas investigações realizaram-se com mais frequência e como um maior rigor metodológico. segundo ele. em 1904. Baer. em 1904 e Laurent. classi icando-os em herdados. na qual haveria de desenvolver mais tarde como uma ramificação da Psicologia Criminal. em muitos aspectos. covarde). o delinquente é insensível. tais como a gíria dos delinquentes. ao analisar o comportamento do delinquente. segundo Mira Y Lopez.Fatores gerais responsáveis pela reação pessoal em um dado momento. em 1908. Já para Marro. de pouca simpatia. publicou uma revista que contém igualmente uma grande quantidade de material de interesse para a Psicologia Criminal.

de vazio. apenas. Em 1887. p. que se encontra relacionando à sua própria maneira de existir´. mas. os fatores adquiridos que influenciam a forma como a pessoa reage são a prévia experiência de situações análogas. pensamentos.199). Psicologia e sociedade. E. o desafio que a vida em sociedade apresenta não se limita a apontar uma única e simplificada explicação do ³porquê´ o homem mata outro homem. baseado em sua experiência clínica. a biologia prevalece´. A pessoa cujo insight é prejudicado apresenta uma dificuldade de compreensão e de reflexão ante a realidade. A explicação não pode estar em supostos instintos humanos. De acordo com Mira Y Lopez (2008). os fatores endógenos impulsionam o indivíduo para uma conduta puramente animal. um defeito em sua capacidade de reflexão. complementa: ³as situações que alguém vivencia não possuem. Já os exógenos. conduzem o indivíduo à completa submissão ao meio externo. Estas diversas formas de compreender o fenômeno podem até se complementar ou ser totalmente antagônicas. Forghieri (1993. podendo vir a ter comportamentos autodestrutivos. objetivando a satisfação de seus anseios. Pontes (1997) apresenta uma importante correlação entre baixo nível intelectual e ³insight prejudicado´.à inteligência. visando a resolver os problemas que a vida impõe´. principalmente. mas de descobrir o ³porquê´. de Direito e de deveres e de bem e de mal. p. havia apontado como uma das características de personalidade do delinquente. A experiência prévia de situações análogas seria o primeiro fator a considerar puramente exógeno. outro socorre e um terceiro finge que nada viu. isto é. De fato. Para Mira Y Lopez (2008). ou seja. um homem mata. a pessoa é considerada psicótica. as vivências. um registro. fantasias. De acordo com as idéias de Pontes (1997). Portanto. Sem dúvida alguma. impulsivos e agressivos. assimilar. quando enumeramos as características pessoais de um sujeito. Entretanto. Pontes denomina de falsa normalidade (são as pessoas portadoras de transtornos de personalidade). Pontes (1995. adquirido em vida. Para ele. cujas consequências vão do suicídio ao homicídio. para uma pessoa pouco dotada do ponto de vista intelectual. nas grandes alterações deste. Cohen (1996. o comportamento individual reflete a toda hora aspectos da conduta social. Neste sentido. em se tratando de ciências humanas.126). de tal forma que não há perda total do contato com a realidade. o exemplo vivido. A situação externa atual representa a causa. de certo e de errado. dar abrigo e morada às experiências da vida: percepções. Mira Y Lopez (2008) defende a idéia de que ela nos fornece subsídios para uma adaptação melhor à realidade e uma melhor compreensão dela. os recursos de adaptação a uma situação acabarão mais rápido do que para outra um pouco mais inteligente. Na visão de Mira Y Lopez (2008). Segundo Pontes (1997.199). ele defende a idéia de que o insight ³é estruturado pela integração da biologia. dizemos que o ³caracterizamos´. p. Ele diz respeito à subjetividade do ser humano: como o sujeito está percebendo aquele conflito? Quais as impressões. Um único fenômeno psíquico remete-nos a diversas leituras e modos de compreensão.74). Quando o insight é bastante prejudicado ou ausente. um significado em si mesmas. Para ele. sentimentos´. define a inteligência como sendo uma ³capacidade para adquirir e acumular experiências. as leis não são universais. O caráter constitui o término das transações entre os fatores endógenos e os exógenos integrantes da personalidade e representa o resultado desta luta. as pessoas que possuem um baixo nível intelectual em concomitância com um insight prejudicado tendem a delirar nos atos e não nas idéias. Na sua opinião. p. que tenderiam a dirigir sempre todos os homens numa única direção. Contudo. p. a experiência anterior influenciam de modo decisivo a determinação da reação atual. é comum dizermos que o caráter é o fator mais importante na descrição da personalidade de uma pessoa. p. como foi comentado anteriormente. É o modo como refletimos sobre as coisas que ocorrem no nosso dia-a-dia. seguindo esta mesma linha de pensamento. Essa clássica disputa entre o endógeno e o exógeno tem como produto final o tipo de conduta externa que a pessoa apresenta. Segundo Fernandes (2002. a subjetividade seria ³uma espécie de envergadura interior. seguindo esta mesma linha de raciocínio. capaz de acolher. em circunstâncias similares. o tipo médio de reação social (coletiva) e o modo de percepção da situação. mas adquirem um sentido para quem as experiencia. apresentando sérios transtornos de conduta. 34). O Insight é a capacidade da pessoa para perceber. que damos conta do seu caráter. ou seja. compreender e elaborar a realidade e os acontecimentos em sua volta. p. o caráter é um fator importantíssimo na reação pessoal porque ele costuma definir e determinar a conduta. quando o insight se encontra prejudicado. que variam amplamente de uma pessoa para outra. 1995.10) defende a idéia de que ³melhor do que procurar rotular ou classificar µtipos criminosos¶ seria . a subjetividade representaria as ³diferentes expressões de como somos afetados pelo mundo´ (NAFFAH NETO. É evidente que uma pessoa que sai de um concerto de música ou de um sermão religioso não está com igual disposição para agredir do que quando acaba de ver uma luta de boxe ou uma partida de futebol. o estímulo desencadeador da reação pessoal e o tipo médio de reação social diz respeito ao modo como a maioria das pessoas reagiriam a uma dada situação. os sentimentos e os pensamentos suscitados nele pela situação? Até que ponto ele está sentindo-se agredido ou violentado? Entendemos por subjetividade o modo como o ser humano se relaciona com o mundo e consigo mesmo. e isto representaria o seu caráter. de modo que a experiência da realidade de um fenômeno pertence unicamente ao domínio de quem a está experienciando e o que o outro pode fazer é tentar compreender.58). Na visão de Naffah Neto (1995. Ele denomina de constelação a influência que a vivência ou a experiência imediatamente antecedente exerce na determinação da resposta à situação atual. o modo de percepção da situação seria o fator mais importante de todos na determinação da reação pessoal. Contudo. Segundo Mira Y Lopez Mira Y Lopez (2008). a situação externa atual. a constelação. nas experiências de suas vidas inteiras. sendo difícil assimilar noções de limites. há em todo momento uma influência recíproca entre o sujeito e seu meio social. o modo como o insight se origina é uma incógnita. Marro. a subjetividade seria um espaço psíquico onde as experiências humanas podem encontrar um lugar de expressão. ao contrário.

portanto. em um determinado contexto.27). não existe um perfil criminoso. chegou ao Rio de Janeiro com 14 anos.. levando em conta a relatividade das leis. na época. revolucionários[.] seu famoso laudo sobre Febrônio Índio do Brasil. entre outros. O que se pretende no estudo criminológico é o vislumbre de algo que dê alguma explicação. covardia. mas à utilização dos dados fornecidos por esse serviço (da Antropologia Criminal) para contribuir com o avanço da ciência [. e sobrevivia de práticas ilícitas de menor importância. o criminoso é o objeto do estudo criminológico. vários trabalhos simultâneos registram fatos importantes no campo da Psicologia: Ulisses Pernambucano fundou o Instituto de Psicologia de Recife e reestruturou o trabalho de Assistência às Psicopatas de Pernambuco. apoiado em noções de uma normalidade idealmente cientifizada. foram identificados profissionais que atuam nessa área desde 1970. pois a medida de segurança que lhe fora imposta só permitiu que saísse de lá morto. 1996). em alguns estados. à época. ferocidade. um intrigante fato registra o ingresso do preso de número 00001 na instituição Manicômio Judiciário do Brasil. Radecki. às vezes altamente contraditórios ± muitos. Quando em liberdade. no período de 1890 a 1950.]´. feito pelo médico Heitor Carrilho. Jacó-Vilela (1999).. seu comportamento sexual e a possibilidade de regeneração. principalmente das técnicas projetivas. no Rio de Janeiro. o relator buscou dados que revelam a inteligência e a memória dos detentos. Diz ela: ³[. junto aos psicólogos que trabalham no sistema prisional dos diferentes estados. sua insensibilidade moral e ausência de remorso. amplamente utilizadas em outras áreas do conhecimento. ao passar se por médico ginecologista e cirurgião-dentista. No mesmo período. faz uma análise do laudo de trinta e três páginas. A Psicologia serviu somente como mais uma das técnicas de exame. um entendimento que reordena a loucura. hegemônico no século (1897). Os laboratórios. de Mira Y Lópes (1945 A história da Psicologia no Sistema Judicial brasileiro Na coleta de dados realizada em 2005. a partir do recorte e condensação de saberes diversos. emitido por solicitação da defesa. sobre Febrônio Índio do Brasil. um menor de idade. seus vícios.. a primeira aos 21 anos de idade. representa a plena penetração dos saberes ³psi´ nos recônditos antes reservados exclusivamente ao Direito. aos 89 anos. Fraudes de diversas ordens e roubos foram ocorrendo até seu caso se tornar famoso a partir do episódio de abusos sexuais e estrangulamento de dois rapazes. sabemos que o trabalho começou muito antes. que tinha como prática tatuar todas as suas vítimas. vaidade.]´. ganhando força. Relatos sobre a história de Febrônio encontrados em diversos textos pesquisados revelam que ele foi preso várias vezes. evoluindo para outras modalidades criminais mais ousadas. foi ele quem permaneceu o maior tempo encarcerado. Na perspectiva de Segre (1996. foi criado o primeiro Laboratório de Psicologia no Hospital de Alienados do Rio de Janeiro. Nascido em Minas Gerais. suas novas propostas de tratamento penal e medidas de segurança. Na história do sistema penal brasileiro. em 1906.. já que quase todos os livros foram queimados pela Polícia Federal. da pesquisa e da Psicologia Experimental. E é exatamente esta relação o ponto central de investigação da Psicologia Jurídica.] ele reconhecia a seriedade de sua investigação e a colocava entre as primeiras realizadas no país com o intuito de clarificar a questão do comportamento criminoso [. A leitura foucaultiana de que a Psicologia é a superfície do mundo moral em que o homem se aliena ao buscar a sua verdade é aqui mu ito pertinente. Investigou também suas relações com os familiares e com a religião. Um exemplo desta visão centrada na psicopatologia objetivando a manutenção da inquestionável ordem pública pode ser encontrada no livro Manual de Psicologia Jurídica. entretanto. na década de 20. que se ocupavam principalmente de exames em doentes mentais. absolutamente incorporadas. como impostor. Trata-se do lendário Febrônio Índio do Brasil..] mas uma caracterização não estaria completa sem englobar também a dimensão psicológica dos detentos. Havia. Logo. Febrônio viveu no manicômio judiciário até morrer. Menores e loucos: estes os principais clientes que o Direito encaminhou à Psicologia. [. ao organizar e dirigir o Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro. influenciados pelo pensamento positivista. p. em 1984.. O início do século XX é marcado por um período que registra a criação de laboratórios de Psicologia no Brasil. desenvolveram práticas psicológicas.procurar estabelecer possíveis relações entre uma condição humana. baseado no título do livro de caráter místico e religioso que o próprio Febrônio escreveu e publicou em 1926: As Revelações do Príncipe do Fogo. a introdução de procedimentos e práticas da Psicologia.. A utilização de testes. após . De acordo com os estudos de Lhullier (2003. todavia.. a atividade de médico não deveria se restringir aos cuidados com os presos. em 1923. a prática da Psicologia Aplicada. cujo caso terminou em prisão perpétua. Calil encontrou um exemplar dessa publicação na biblioteca de Mário de Andrade ± fato raro. Um livro reeditado em 1923 do eminente jurista Tobias Barreto tinha justamente este título: "Menores e Loucos". Mecanismos esses que já são terrivelmente complexos por se relacionar com o universo do homem e cujo enfoque se fará sob as óticas mais diversificadas. Esse é. O tratamento fora à base de eletrochoques e fortes medicamentos. criados para justificar a Psicologia como ciência. ao referir-se ao processo de consolidação do Direito Positivo no Brasil. Segundo Gomes (2003). o psicólogo polonês W. p. após quase sessenta anos de prisão. registros anteriores de outros dez rapazes que sofreram abuso sexual por parte de Febrônio. procedimento que substituiu cientificamente o inquérito na produção da verdade jurídica (Foucault. Carlos Augusto Calil. que entrou para a história como o primeiro caso de inimputabilidade no país. durante a gestão do médico Juliano Moreira. num projeto de compreensão dos mecanismos que o levam a descumprir a lei. O cineasta e professor da USP. de edema pulmonar e completamente senil. Desse modo. lançou um curta-metragem intitulado O Príncipe do Fogo. portanto. No Brasil.. previsibilidade. pelo CFP. com a prática de ilicitudes´. e. como pesquisas e prestação de serviços psicológicos. em 1927. 68-71) vários registros marcam. também marcaram o ingresso do psicólogo no sistema penal brasileiro e foram. à realização do ato criminoso. seus sentimentos de crueldade.. passou para a história da Psicologia no Brasil.

muitos deles responsáveis pelo prolongamento indefinido da execução da pena. basicamente. colaborando. toda vez que o discurso positivista se mostrava persuasivo no que dizia respeito ao combate à criminalidade e à ordem social.. Outro dado histórico importante foi a criação do Núcleo de Atendimento à Família (NAF).] no entanto. O Manicômio Judiciário Heitor Carrilho deu o suporte básico à doutrina positivista da produção científica. de outro. e que cumpriam. assim. a Lei nº 500 do CPC instituiu a contratação do Psicólogo. em 1921. determinada passagem do laudo. p. Apesar de quase todo ele ter sido estruturado em torno das questões psíquicas em . 1999). considerados inimputáveis diante da lei. Segundo ainda Ferla: ³[. sempre oscilou entre dois pólos: de um lado. esses profissionais faziam suas residências acadêmicas integrando o corpo técnico que trabalhava com os chamados ³loucos infratores´. a medida de segurança. portanto. tornando se um curso de especialização independente do departamento de clínica. destituído de noção de seus atos. área em que o psicólogo iniciou sua atuação no então denominado Juizado de Menores.] portador de uma psicopatia caracterizada por desvios éticos.]´.. a retórica humanista de regeneração do delinqüente..210/84) Brasil (1984).] Heitor Carrilho e Manoel Clemente Reyio assinaram o laudo médico-psicológico em 20 de fevereiro de 1929.. logo após a regulamentação da profissão no Brasil (1962). que. dentro do curso de especialização em psicologia clínica. eventualmente. O caso mais emblemático é o de Febrônio... no período de 1967 a 1976.. podendo ser recontratado após esse período.. Apesar das particularidades decada estado brasileiro. implantado no Foro Central de Porto Alegre e pioneiro na justiça brasileira. Esse histórico inicial reforça a aproximação da Psicologia e do Direito através da área criminal e a importância dada à avaliação psicológica.. E foi a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).. Porém.] Em outras palavras. a tarefa dos setores de psicologia era. acompanhamentos e aplicação das medidas de proteção ou medidas socioeducativas (Tabajaski. para a celeridade do Sistema Judiciário (Silva & Polanczyk. Febrônio foi diagnosticado como: ³[.1954). que possibilitassem a exclusão do convívio social de indivíduos perigosos [. Ainda dentro do Direito Civil.. passou a se chamar Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. 2002). No Manicômio Judiciário Heitor Carrilho. o ingresso dos primeiros psicólogos no sistema penal brasileiro ocorreu no Rio de Janeiro. denominada ³Psicodiagnóstico para Fins Jurídicos´ (Brito. 1998). O trabalho do psicólogo foi ampliado.. e. procurando atender demanda do poder judiciário. revestindo a fórmula da loucura moral e perversões instintivas. por um ano. a reivindicação de mecanismos mais eficientes de defesa da sociedade. o que significou a consolidação do posto de psicólogo no sistema judiciário.. Outro campo em ascensão até os dias atuais é a participação do psicólogo nos processos de Direito Civil. professores da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro). estado esse a que se juntam idéias delirantes de imaginação. em 1980. em última análise. sendo registradas as medidas de seu crânio [. destaca-se o Direito da Infância e Juventude. constituindo-se num curso de especialização em . envolvendo atividades na área pericial.. a participação do psicólogo nas questões judiciais começou em 1980. que é µabsolvido¶ [. basicamente apoio a questões familiares. buscaram se especializar nas técnicas de exame. uma área de concentração. reformularam a proposta existente. indigno de castigo.. Em 1985. encontramos os registros antropométricos.várias passagens pela polícia. São exemplos a criação do cargo de psicólogo nos Tribu nais de Justiça dos estados de Minas Gerais (1992). Gaiger & Rodrigues. nos processos de adoção. e.170) sobre o laudo de Febrônio: ³[. à investigação e explicação dos fenômenos psíquicos naturais..] a Antropometria se fez presente em laudos periciais célebres do período. não era apenas no campo do Direito Penal que existia a demanda pelo trabalho dos psicólogos.]´. posteriormente. Atentos a esta realidade. ficando ligado ao departamento de psicologia social. a perícia psicológica nos processos cíveis. expressas no homossexualismo com impulsões sádicas. Com a implantação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Brasil (1990). irresponsável pelos seus atos. Isto influenciou também o ensino universitário. naquele estabelecimento hospitalar. de car áter místico[. seus métodos e evolução enquanto ciência. ganhava adeptos e respaldo social [. de crime e. 1998). a título precário. inaugurado no Rio de Janeiro. Febrônio foi considerado inimputável4 pela Justiça.] o discurso positivista. Segundo comentários do historiador Ferla (2005. No estado de São Paulo. por conseguinte.. no Tribunal de Justiça. quando um grupo de psicólogos voluntários orientava pessoas que lhes eram encaminhadas pelo Serviço Social. Mais tarde. em outubro de 1997. Contudo.]´ Segundo informações contidas no trabalho Resgate histórico da Psicologia no Sistema Penitenciário do estado do Rio de Janeiro. que o psicólogo passou a ser reconhecido legalmente pela instituição penitenciária (Fernandes. Febrônio vendia o livro nas ruas do Rio de Janeiro. o Juizado de Menores passou a ser denominado Juizado da Infância e Juventude. tendo como objetivo principal sua reestruturação e manutenção da criança no lar. 1998). foi a partir da promulgação da Lei de Execução Penal (Lei Federal nº 7. Rio Grande do Sul (1993) e Rio de Janeiro (1998) (Rovinski. em homenagem ao seu primeiro diretor (1921. Segundo ainda o mesmo autor. encaminhado para internação no primeiro manicômio judiciário do Brasil.. em meados da década de 60. o presidente do Tribunal de Justiça apresentou à Assembléia Legislativa um projeto criando o cargo de psicólogo judiciário. o seu programa de intervenção social. que atendeu a esta reivindicação criando. Os psicólogos. realizado pelos psicólogos do sistema penitenciário desse estado. Em 1986 passou por uma reformulação. em 1990. nenhuma delas guardava qualquer relação com o laudo[. pela primeira vez no Rio de Janeiro. O trabalho objetiva oferecer a casais e famílias com dificuldades de resolver seus conflitos um espaço terapêutico que os auxilie a assumir o controle sobre suas vidas. Essa expansão do campo de atuação do psicólogo gerou um aumento do número de profissionais em instituições judiciárias mediante a legalização dos cargos pelos concursos públicos.

guarda de filhos. atingir o consenso para a separação. ao concluir o processo da avaliação. define este Código : O psicólogo atuará na instituição de forma a promover ações para que esta possa se tornar um lugar de crescimento dos indivíduos. Esta mudança favoreceu uma ênfase muito menor às preocupações da clínica (ao psicodiagnóstico. Não são muito comuns os casos em que os cônjuges consegu em. o psicólogo pode atuar como mediador. Nos casos em que julgar necessário. ao psicólogo pode ser solicitada uma avaliação de uma das partes ou do casal. No capítulo que trata ³Das responsabilidades e relações com instituições empregadoras e outras´. Contudo. mantendo uma posição crítica que garanta o desenvolvimento da instituição e da sociedade. Processos de separação e divórcio englobam partilha de bens. a Psicologia Forense e. Incluem as intervenções exercidas pelo psicólogo criminal.³psicologia jurídica´. pressupondo-se que compete à Psicologia uma atividade de cunho avaliativo e de subsídio aos magistrados. não compete ao psicólogo incumbir-se desta tarefa. de maneira racional. apenas conclui a partir dos dados levantados mediante a avaliação e pode. Direito Civil. O termo Psicologia Jurídica é uma denominação genérica das aplicações da Psicologia relacionadas às práticas jurídicas. É aqui que se exerce a função pericial. A Psicologia Forense é o subconjunto em que se incluem as práticas psicológicas relacionadas aos procedimentos forenses. O que passou a nortear esta formação é um dos indicadores dispostos no Código de Ética Profissional dos Psicólogos. ligando então -se ao departamento de psicologia social. pelo psicólogo judiciário. a Psicologia Jurídica corresponde a toda aplicação do saber psicológico às questões relacionadas ao saber do Direito. estabelecimento de pensão alimentícia e direito à visitação. Separação e divórcio: os processos de separação e divórcio que envolvem a participação do psicólogo são na sua maioria litigiosos. artigo 4. Psicólogo jurídico e o direito de família : destaca--se a participação dos psicólogos nos processos de separação e divórcio. parágrafo 1º. Desta forma. A Psicologia Judiciária corresponde à prática profissional do psicólogo judiciário. pareceres e relatórios. nos meandros dos relacionamentos humanos. A Psicologia Judiciária também é um subconjunto da Psicologia Forense e corresponde a toda prática psicológica realizada a mando e a serviço da justiça. A Psicologia Judiciária está contida na Psicologia Forense. seja como avaliador ou mediador. Ao juiz cabe a decisão judicial. que está contida na Psicologia Jurídica. romper com o vínculo afetivo -emocional (Silveira. ou seja. como também o psicólogo judiciário que elabora uma dissertação de mestrado a partir de sua prática cotidiana no Foro. 2006). Principais campos de atuação Na Psicologia Jurídica há uma predominância das atividades de confecções de laudos. em particular). Portanto. A Psicologia Criminal. nos casos em que os litigantes se disponham a tentar um acordo ou. Direito Penal e Direito do Trabalho. não sendo mais uma área de concentração dentro de departamento de clínica. conforme se apresenta a seguir. É aqui que se encontra o assistente técnico. sugerir encaminhamento para tratamento psicológico ou psiquiátrico da(s) parte(s). RAMIFICAÇÕES E ÁREAS DE ATUAÇÃO DA PSICOLOGIA JURÍDICA Conceitualmente. disputa de guarda e regulamentação de visitas. . a Psicologia Judiciária estão nela contidas. Porém. reforçando a ideia de que o psicólogo não decide. por conseguinte. É preciso deixar clara esta distinção. assim. por ser também didaticamente coerente. enquanto Psicologia Criminal. acrescidas daquelas realizadas pelo psicólogo assistente técnico. a Psicologia do delito e a Psicologia das testemunhas. estuda as condições psíquicas do criminoso e o modo pelo qual nele se origina e se processa a ação criminosa. O acadêmico que produz um artigo discutindo as interfaces entre a Psicologia e o Direito. A Psicologia Criminal é um subconjunto da Psicologia Forense e. inclusive. voltando-se para questões pertinentes à psicologia social. todos são praticantes da Psicologia Jurídica. mas jamais determinar os procedimentos jurídicos que deverão ser tomados. nem sempre o trabalho do psicólogo jurídico está ligado à questão da avaliação e consequente elaboração de documentos. ou seja. Cabe observar que o Direito de Família e o Direito da Criança e do Adolescente fazem parte do Direito Civil. pode recomendar soluçõespara os conflitos apresentados. Seu campo de atuação abrange a Psicologia do delinquente. sendo que toda ela ocorre sob imediata subordinação à autoridade judiciária. são processos em que as partes não conseguiram acordar em relação às questões que um processo desse cunho envolve. o psicólogo assistente técnico que questiona as conclusões de um estudo psicológico elaborado por um psicólogo judiciário. a toda a Psicologia aplicada no âmbito de um processo ou procedimento em andamento no Foro (ou realizada vislumbrando tal objetivo). Isso implica resolver o conflito que está ou que ficou nas entrelinhas. segundo Bruno (1967). A Psicologia Forense corresponde a toda aplicação do saber psicológico realizada sobre uma situação que se sabe estar (ou estará) sob apreciação judicial. optou-se por fazer essa divisão. ou seja. Psicologia Forense e Psicologia Judiciária são especificidades aí reconhecíveis e discrimináveis. o psicólogo poderá. como na prática as ações são ajuizadas em varas diferenciadas. Os ramos do Direito que frequentemente demandam a participação do psicólogo são: Direito da Família. o psicólogo buscará os motivos que levaram o casal ao litígio e os conflitos subjacentes que impedem um acordo em relação aos aspectos citados. Toda e qualquer prática da Psicologia relacionada às práticas jurídicas podem ser nomeadas como Psicologia Jurídica. sugerir e/ou indicar possibilidades de solução da questão apresentada pelo litígio judicial. quando o juiz não considerar viável a mediação. Cabe ressaltar que o psicólogo. Direito da Criança e do Adolescente.

ainda que influenciado pelo primeiro. O alienador caracteriza-se como uma figura superprotetora. Disputa de guarda: nos processos de separação ou divórcio é preciso definir qual dos ex-cônjuges deterá a guarda dos filhos.350/2002. os estilos de temperamento. Nesses casos. Dias (2006) observa que o detentor da guarda. as disputas pré e pós-divórcio. com todas as partes envolvidas e em todas as combinações possíveis. falsas acusações de abuso sexual e síndrome de alienação parental podem estar envolvidos nesses processos. a qualidade dos relacionamentos pais-filhos. foi sancionado pelo Presidente da República o projeto de lei que prevê a inclusão da guarda compartilhada na legislação brasileira. a mediação não é uma prática comum. o direito à visitação é uma das questões a ser definida a partir do processo de separação ou divórcio. o foco aqui apresentado será nas alegações de abuso sexual que envolvem a disputa de guarda. nesses casos. psicologia do desenvolvimento e psicodinâmica do casal. sentindo-se no ³dever´ de proteger o alienador. atendendo ao melhor interesse da criança (Brasil. Este termo foi criado pelo psiquiatra norte-americano Richard Gardner. de forma que a autonomia da vontade das partes seja preservada (Schabbel. Esse conjunto de aspectos é que será determinante para o sucesso ou fracasso da guarda compartilhada. n. 1994). A guarda exclusiva ainda é predominante no Brasil. incluídos na investigação. Além dos conhecimentos sobre avaliação. com sugestões das medidas que poderiam ser tomadas. Na guarda compartilhada. o juiz pode solicitar uma perícia psicológica para que se avalie qual dos genitores tem melhores condições de exercer esse direito. Para o diagnóstico da síndrome de alienação parental. Contudo. ainda. atuar como mediador. Contudo. 2005). Síndrome de alienação parental: Este fenômeno tem sido comumente visto no contexto de disputas de guarda (Gardner. mas as decisões recaem sobre o pai guardião. a idade dos filhos. coloca-se como vítima de um tratamento injusto e cruel por parte do outro genitor. Gardner (2002) constatou não apenas que o genitor alienador incutia no filho idéias negativas em relação ao ex-cônjuge. que faz com que o filho demonstre medo em desagradar ou em opor se ao genitor guardião. ficando os filhos normalmente sob a custódia da mãe. após a decisão judicial podem surgir questões de ordem prática ou até mesmo novos conflitos que tornem necessário recorrer mais uma vez ao Judiciário. O psicólogo pode. assuntos atuais como a guarda compartilhada. Geralmente. Nesses casos. que é um perfil não só dos abusadores mas também dos falsos acusados. mas que havia também uma contribuição dos filhos para essa desmoralização. A guarda compartilhada não implica alternância de lares. A atitude deve ser de respeito e de busca de evidências. procurando apontar a interferência de conflitos intrapessoais na dinâmica interpessoal dos cônjuges. ao destruir a relação do filho com o outro. Assim. A partir daí. Calçada (2005) observa que não se deve iniciar uma avaliação de abuso sexual considerando que a denúncia seja válida. um intruso a ser afastado a qualquer preço. define a guarda compartilhada e estabelece os casos em que a mesma será possível. 2006). e sim uma co-responsabilização de dever familiar entre os pais. Contudo. de autoria do Deputado T ilden Santiago. Falsas acusações de abuso sexual: É sabido que situações de abuso sexual intrafamiliar são freqüentes e apresentam conseqüências danosas às vítimas (Flores & Caminha. na esperança de que isso o favoreça na disputa judicial. É necessário investigar o entorno histórico e social da família. que pode ficar cego de raiva ou animar-se por um espírito de vingança provocado pela inveja ou pela cólera. Há que se atentar também para o fenômeno da negação. em junho de 2008. Cabe observar que o sistema da guarda compartilhada não é aplicável a todos os casos de separação conjugal. objetivando esclarecer os conflitos e informar ao juiz a dinâmica presente nesta família. jamais levando em consideração apenas o relato da criança.d. É fa preciso analisar a história do casal. Guarda compartilhada: De acordo com Trindade (2004). O Projeto de Lei nº 6. a guarda exclusiva ou simples é aquela em que ambos os genitores mantêm o poder familiar. Em casos mais graves. o psicólogo jurídico contribui por meio de avaliações com a família.Regulamentação de visitas: conforme exposto acima. estabelece-se um pacto de lealdade em função da dependência emocional e material. Dessa forma. que devem ser checados e. se necessário. unindo-se ao filho. De acordo com Kaplan e Sadock (1990). Portanto. conforme observa Silva (2006). com divisões de tempo que podem variar de dias a anos alternados. Há também diferenças entre guarda alternada e guarda compartilhada. A primeira implica a possibilidade de cada um dos pais deter a guarda do filho alternadamente. Seu objetivo é distanciar o filho do outro genitor (Simão. com o objetivo de produzir um acordo pautado na colaboração. as habilidades de coping e o exercício da co-parentalidade. 2005). aproximadamente 50% do abuso é cometido por membros da família. psicopatologia. o filho absorve essa negatividade em relação ao genitor aliena do. na tentativa de atingir ou magoar o ex-companheiro. podem ocorrer disputas judiciais pela guarda (Silva. o que exige do psicólogo uma postura mais crítica sobre o assunto. Pais que colocam os interesses e vaidade pessoal acima do sofrimento que uma disputa judicial pode acarretar aos filhos. Myers (1992) ressalta que a entrevista com a vítima .). 1999). o que pode nos levar ao erro de entrar na sua fantasia. O pai não-guardião passa a ser considerado um invasor. não é possível falar em SAP. revelam-se com problemas para exercer a parentalidade de forma madura e responsável (Castro. pois a mesma só se estabelece mediante a complementaridade entre destruição da imagem pelo genitor e pelo próprio filho. Gardner (2002) ressalta a importância de realizar entrevistas conjuntas. Saposnek (1991) destaca que definir se a guarda compartilhada funciona ou não é uma tare muito complexa. assume o controle total. Sem essa contribuição da criança. ressaltando que a guarda poderá ser modificada a qualquer momento. solicitando uma revisão nos dias e horários ou forma de visitas. ambos os pais detêm o poder familiar e a tomada de decisões. 2007) por meio de interceptação de ligações e de correspondências e pelo uso de termos pejorativos e críticas ostensivas ao estilo de vida. O acusado fornecerá informações e documentos importantes. do qual tenta vingar-se fazendo crer aos filhos que aquele não é merecedor de nenhum afeto. O referido autor observou um aumento significativo das situações em que um dos genitores programa o filho para alienar-se do outro. independentemente do tempo em que os filhos passem com cada um deles. dado o alto nível de conflitos existentes entre os ex-cônjuges e que os fazem disputar seus filhos judicialmente. Esse conjunto de manobras confere prazer ao alienador em sua trajetória de promover a destruição do antigo parceiro.

A equipe técnica dos Juizados da Infância e da Juventude deve saber recrutar candidatos para as crianças que precisam de uma família e ajudar os postulantes a se tornarem pais capazes de satisfazer às necessidades de um filho adotivo (Weber. Os peritos podem ser de diversas áreas do conhecimento: engenheiros. O papel do psicólogo nesses casos é fundamental. abandono. Como a adoção é um vínculo irrevogável. representadas pelo acolhimento institucional que abriga os que aguardam uma possibilidade de inclusão em família substituta.também é muito complicada por inúmeros fatores. os pais perdem todos os direitos sobre o filho. no mínimo com a mesma atenção que deve dar aos outros elementos trazidos ao processo. sem nenhuma distinção ou preferência. envolver a família e a comunidade com atividades que respeitem o princípio da não discriminação e não estigmatização. quanto as operações realizadas durante a perícia. de posse de seu referencial teórico e instrumental técnico. diferenciando as funções profissionais. a legislação brasileira prevê casos em que esse direito pode ser suspenso. prioritariamente. são decisivas para o desenlace do processo de adoção (Albornoz. não há uma história a ser contada. Destituição do poder familiar: o poder familiar é um direito concedido a ambos os pais. Psicólogo jurídico e o direito civil: o psicólogo atua nos processos em que são requeridas indenizações em virtude de danos psíquicos e também nos casos de interdição judicial. O juiz pode determinar o trabalho de um perito em questões técnicas que estão fora de sua área do conhecimento e que são importantes para melhor subsidiar sua sentença.a transferência da responsabilidade para estranhos jamais deve ser feita sem muita reflexão (Cesca. Cabe ao psicólogo. uma vez que se estabelece e se mantém nos mesmos a capacidade de vincular-se afetivamente. É importante acessar a memória. Calçada. Pode-se dizer que o dano está presente quando são gerados efeitos traumáticos na organização psíquica e/ou no repertório comportamental da vítima. além de impedi-los de superar as dificuldades na inclusão social. avaliar a real presença desse dano. o estudo psicossocial torna-se primordial para garantir o cumprimento da lei. pautada na ética e no conhecimento técnico. que podem expressar não apenas interesses diversos mas também pontos de vista diferentes a respeito da mesma questão. Independentemente da causa da remoção . Os vínculos estabelecidos com os monitores que cuidam delas são facilitadores do vínculo posterior na adoção. Sua operacionalização deve. . 2001). ineficiência ou morte dos pais . bem como a formação de valores positivos de participação na vida social. Para auxiliá-las a debater as questões técnicas envolvidas. e possuem aspectos eminentemente educativos. 2004). 2000). a rejeição ou a devolução. Porém. Esse direito é assistido aos genitores. A partir desta determinação judicial. Entretanto. para citar alguns exemplos. A relação entre o Assistente Técnico e o Perito deve ser de colaboração. e não apenas ³selecionar´ os mais aptos (Weber. É preciso considerar que a decisão de separar uma criança de sua família é muito séria. Assim. no sentido da proteção integral. podemos ter no mesmo processo laudos divergentes. ou até mesmo destituído. Cavaggioni e Neri (2001) sugerem que a entrevista seja conduzida de maneira que a criança se sinta livre o suficiente para relatar o que desejar. ou seja. prevenindo assim a negligência. Adolescentes autores de atos infracionais: o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê medidas socioeducativas que comportam aspectos de natureza coercitiva. para que eles determinem a assistência. 1997). Isto significa que é dada a cada uma das partes do processo a possibilidade de discutir todos os documentos produzidos. cabe mencionar que a relação entre o Assistente Técnico e o Juiz é indireta. Além do trabalho desenvolvido junto aos Juizados da Infância e Juventude. abuso sexual. 2004). evitando rótulos que marquem os adolescentes e os exponham a situações vexatórias. ainda que separados e a guarda conferida a apenas um dos dois. Significa debater tanto a conclusão a que o expert chegou . As relações substitutas provisórias. de forma irrevogável. o abuso. proporcionando às crianças e aos adolescentes abrigados uma vivência que se aproxima à realidade familiar. que poderá ficar sob a tutela de uma família até a maioridade civil. com oportunidade de acesso à formação e à informação. Adoção: os psicólogos participam do processo de adoção por meio de uma assessoria constante para as famílias adotivas. habilidade para distinguir entre realidade e fantasia e a veracidade das afirmações. existe também o dos psicólogos que trabalham nas Fundações de Proteção Especial. pois desencadeia uma série de acontecimentos que afetarão. negligência. Perguntas diretivas do avaliador podem ocasionar sugestionabilidade da criança e talvez prejudicá-la permanentemente. em maior ou menor grau. maus-tratos. sugestionabilidade. São medidas punitivas no sentido de que responsabilizam socialmente os infratores. no entanto. do perito e assistentes. Os psicólogos que desenvolvem seu trabalho junto aos adolescentes infratores devem lhes propiciar a superação de sua condição de exclusão. Assistente técnico: O Código de Processo Civil prevê a figura do perito. toda a sua vida futura. criação e educação dos filhos. Essas instituições têm como objetivo oferecer um cuidado especial capaz de minorar os efeitos da institucionalização. médicos. Psicólogo jurídico e o direito da criança e do adolescente : destaca-se o trabalho dos psicólogos junto aos processos de adoção e destituição de poder familiar e também o desenvolvimento e aplicação de medidas socioeducativas dos adolescentes autores de ato infracional. elaborado especialmente para assessorar. A primeira tarefa de uma equipe de adoção é garantir que os candidatos estejam dentro dos limites das disposições legais e a segunda é iniciar um programa de trabalho com os postulantes aceitos. de um fato particular traumatizante (Evangelista & Menezes. Finalmente. como memória. Dano psíquico: o dano psíquico pode ser definido como a sequela.doença. O Código de Processo Civil é regido pelo Princípio do Contraditório. e não aquilo que foi instruído ou ouvido repetidamente. o que não quer dizer que eles devam necessariamente concordar. psicólogos e assistentes sociais. tanto as partes quanto o promotor podem contratar um assistente técnico com a finalidade de ³acompanhar o trabalho do perito´. Espera-se que o Juiz considere suas colocações. na esfera emocional ou psicológica. tanto antes quanto depois da colocação da criança. informar e avaliar os interessados.

As questões levantadas em um processo de interdição incluem a validade. 2004). foi um marco no trabalho dos psicólogos no sistema prisional. Além de abrigar esses doentes mentais. 2007). as avaliações técnicas estão voltando a ser uma exigência para a concessão dos benefícios legais (Sá. Além dessas. são inviáveis nos presídios brasileiros em razão das superpopulações existentes. A fim de atingir tais objetivos. ficam prejudicadas a contração de deveres e aquisição de direitos. sabe-se que o ser humano é capaz de armazenar e recordar informações que não ocorreram. Chalub & Abdalla-Filho. das condições de discernimento ou sanidade mental das partes em litígio ou em julgamento (Arantes. Uma área recente e relacionada à Psicologia do Testemunho que vem ganhando espaço é o Depoimento sem Dano. os IPF são responsáveis pela realização de perícias oficiais na área criminal e pelo atendimento psiquiátrico à rede penitenciária. No entanto. casos de afastamento e aposentadoria por sofrimento psicológico. conhecer acerca da dinâmica do abuso e. assim. no qual irá traduzir. O chamado fenômeno das falsas memórias tem assumido um papel muito importante na área da Psicologia do Testemunho. ou não. A perícia a ser realizada nesses casos serve como uma vistoria para avaliar o nexo entre as condições de trabalho e a repercussão na saúde mental do indivíduo. a aptidão para o trabalho. Interdição: a interdição refere-se à incapacidade de exercício por si mesmo dos atos da vida civil. Nesses casos. preferencialmente. Psicologia Penitenciária ou Carcerária: estudos sobre reeducandos. as únicas exigências previstas são o lapso de tempo já cumprido e a boa conduta. Para a concessão de benefícios legais. prevenção de DST/AIDS em população carcerária. os sujeitos de direito não tenham o necessário discernimento para a prática dos atos da vida civil. demonstre paciência. é importante que o técnico entrevistador possua habilidade em ouvir. Psicólogo jurídico e o direito penal: o psicólogo pode ser solicitado a atuar como perito para averiguação de periculosidade. à reparação de danos causados pelo delito. compete ao psicólogo nomeado perito pelo juiz realizar avaliação que comprove ou não tal enfermidade mental. internos e/ou seus familiares são tarefas difíceis para os psicólogos que trabalham junto ao sistema carcerário (Kolker. penas alternativas (penas de prestação de serviço à comunidade). Psicólogo jurídico e o direito do trabalho: o psicólogo pode atuar como perito em processos trabalhistas. Vitimologia: objetiva a avaliação do comportamento e da personalidade da vítima. O técnico deve. ainda. Uma das possibilidades de interdição previstas pelo código civil são os casos em que. Cabe ao psicólogo atuante nessa área traçar o perfil e compreender as reações das vítimas perante a infração penal. As avaliações psicológicas individualizadas. nulidade ou anulabilidade de negócios jurídicos. Trata-se da possibilidade de crianças e jovens. É preciso desenvolver pesquisas na área que possam contribuir para a elucidação dos mecanismos responsáveis pelas falsas memórias e. 2005). em 1984. auxiliar o aprimoramento de técnicas para avaliação de testemunhos (Stein. trabalho com egressos. testamentos e casamentos. a capacidade de testemunhar e a possibilidade de ele próprio assumir tutela ou curatela de incapaz e exercer o poder familiar (Taborda. Esses sujeitos recebem medida de segurança. Além disso. a análise é feita desde a ocorrência até as consequências do crime (Brega Filho. A intenção é averiguar se a prática do crime foi estimulada pela atitude da vítima. pois a partir dela o cargo de psicólogo passou a existir oficialmente (Carvalho. há uma pressão por parte do Ministério Público e Poder Judiciário pela continuidade das avaliações técnicas. que objetiva proteger psicologicamente crianças e adolescentes vítimas de abusos sexuais e outras infrações penais que deixam graves sequelas no âmbito da estrutura da personalidade. serem inquiridos em processos judiciais por psicólogos ou assistentes sociais. 2004). acomodados em salas especialmente projetadas com câmeras e microfones. Existe ainda o trabalho dos psicólogos junto aos doentes mentais que cometeram algum delito. Esse projeto foi criado no Segundo Juizado da Infância e Juventude de Porto Alegre. Na maioria das vezes.792/2003 trouxe mudanças à LEP. possuir experiência em situações de perícia. Portanto. 2004). por enfermidade ou deficiência mental. de forma a colaborar com os operadores da justiça. a natureza dos processos psicológicos sob investigação (Cruz & Maciel. Hoje. após as rebeliões ocorridas no sistema penitenciário. com suas habilidades e conhecimento. assim. As falsas memórias podem resultar da repetição de informações consistentes e inconsistentes no depoimento de testemunhas sobre o mesmo evento. intervenção junto ao recluso. e são encaminhados para Institutos Psiquiátricos Forenses (IPF). À justiça interessa saber se a doença mental de que o paciente é portador o torna incapaz de reger sua pessoa e seus bens (Monteiro. 2006). Psicologia do testemunho : os psicólogos podem ser solicitados a avaliar a veracidade dos depoimentos de testemunhas e suspeitos. 2004). o que pode denotar uma cumplicidade passiva ou ativa para com o criminoso. atuação do psicólogo. uma vez que extinguiu o exame criminológico feito para instruir pedidos de benefícios e o parecer da Comissão Técnica de Classificação Brasil (2003). já que está em suas mãos a recomendação. destaca-se o papel dos psicólogos junto ao Sistema Penitenciário e aos Institutos Psiquiátricos Forenses. 2000). No estado de São Paulo. são solicitadas verificações de possíveis danos psicológicos supostamente causados por acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. proporcionar um ³tratamento penal´ aos apenados ou estabelecer outro tipo de relações institucionais com os demais funcionários. decretada pelo juiz. em razão das dificuldades enfrentadas pela justiça na tomada de depoimentos de crianças e adolescentes (Cezar. Cabe ao psicólogo a elaboração de um laudo. A Lei 10. a vitimologia dedica-se também à aplicação de medidas preventivas e à prestação de assistência às vítimas. de um ressarcimento financeiro (Rovinski. disposição para o acolhimento e capacidade de deixar o depoente à vontade durante a audiência. Atualmente existem no Brasil 28 instituições psiquiátricas forenses e cerca de 4 mil internos (Piccinini. visando.o psicólogo deve estar atento a possíveis manipulações dos sintomas. trabalho com agentes de segurança. previstas em lei. stress em agentes de segurança penitenciária. Pelo mesmo motivo. A criação da Lei de Execução Penal (LEP). 1999). empatia. o que facilita a compreensão e interação de todos os envolvidos no ato judicial . 2007). 2004). 2005). Para tanto.

não mais de inves tigador. µmarginal¶. avaliação pericial em instituição militar. junto ao Juizado da Comarca do Rio de Janeiro. difícil¶´. µperigoso¶. sem diminuir o conflito e a dor dos envolvidos . O resultado desta confusão é que o conflito retornará com igual ou maior força. o grupo de estudo (para aprofundamento de questões teóricas que a prática cotidiana coloca). como forma de diminuir as demandas ao Poder Judiciário. na Psicologia e os Direitos Humanos e na autópsia psíquica há uma carência muito grande de psicólogos jurídicos. ao invés de ser um profissional que se limita a fazer parecer para o juiz aplicar a lei. assim. com o contexto social e político que as definem´(Bernardi 1999: 108). o estudo de caso. em artigo em que falam de maneira muito interessante sobre o desenvolvimento do Núcleo de Psicologia. de acordo com um levantamento realizado por França (2004). 2007). junto aos adolescentes a quem se atribui a prática de atos infracionais. da Costa Belém. escrevem ainda estas psicólogas (Teixeira e Belém. µabusador¶. as atividades de integração e de intercâmbio com outros profissionais (da Justiça. mas alertar para a confusão e o tratamento indevido que está sendo dado aos conflitos. a inserção de uma equipe psicossocial no âmbito da justiça respeita e preserva o estado emocional da vítima. Tem-se priorizado a formação de equipe interdisciplinar. na Psicologia e o Direito Civil.lugar de adolescente µinfrator¶. mas o de construir. quando os pais não chegam a um acordo sobre a guarda de filhos. como também de criar condições que visem a eliminar a opressão e a marginalização. A Mediação e Conciliação não podem ser mal utilizadas. em que pode se fazer crer que o trabalho está sendo realizado num nível mais profundo de uma Mediação. o acompanhamento psicológico. Há uma preocupação praticamente inexistente antes com a promoção de saúde mental dos que estão envolvidos em causas junto à Justiça. Ou seja. na Psicologia policial e militar. cabendo ao outro o direito de visitação´(Brito. a Psicologia Jurídica está presente em quase todas as áreas de atuação. as particularidades dos sujeitos e das relações nos problemas psicossociais. µlugar de mãe ou pai negligente¶. psicólogas com longa experiência nas Varas da Infância e Juventude. desde então ganhou novas modalidades. a resolução de um impasse. ³parecendo muitas vezes como um sobrenome. defendem também. µabusada¶. junto ao adolescente uma possibilidade de escuta. de pais e de casais guardiões e adotantes. à infância e à juventude. que muitas vezes não é cumprida. na proteção de testemunhas.³repousa na possibilidade desse profissional abordar as questões da subjetividade humana. a escola.1999). Desta forma. a importância de se fazer grupo de adolescentes. que estão na verdade fazendo Conciliações. que é feita pelos psicólogos? Ela defende também que a equipe de psicologia assessore o atendimento à criança e ao jovem envolvidos numa disputa judicial. Seu trabalho tem sido também o de informar. Na Vara de Família. ressaltando-se que ³a criança não pode ter o dever de depor na Justiça´. que o trabalho do psicólogo auxilie na resolução dos conflitos que fazem com que a família recorra ao poder judiciário. implantação do curso de direitos humanos para policiais civis e militares. especialista em questões referentes a esta área. lugar de criança µincapaz¶. A Conciliação é um instituto que tem seu grande valor desde que diferenciado do da Mediação Interdisciplinar. Maria de Fátima da Silva Teixeira e Ruth C. na Psicologia e o atendimento aos juízes e promotores. defende que a equipe de psicólogos deve priorizar o trabalho com os pais com o objetivo de chegar a um acordo sobre os cuidados e a guarda dos filhos. enquanto que na Psicologia do testemunho. E como saber quem tem mais condições ? Quais os critérios para esta avaliação. Uma outra oportunidade que tem surgido para a atuação dos profissionais da Psicologia é a Mediação Interdisciplinar. num processo que se alonga por vários anos. Todavia. 1999: 66). e daquele que faz um laudo que pode funcionar como um ³pré-veredicto judicial´. F. permitindo. o trabalho do psicólogo quase que se restringia a fazer perícia e parecer. o juiz ³deve deferir a guarda ao responsável que reúna condições mais apropriadas para educar as crianças. Atualmente vemos um movimento em que são recrutados Mediadores voluntários. na verdade. como a saúde e a educação . tal a carga identificatória que adquirem ³. o Jornal do Conselho Federal de Psicologia apresenta a matéria ³CFP é contra Depoimento Sem Dano´. Deve-se tomar cuidado com a confusão entre Conciliação e Mediação. RELAÇÃO ENTRE DIREITO E PSICOLOGIA JURÍDICA . mas também o meio acadêmico) para permitir uma visão mais ampliada dos diferentes serviços disponíveis e estabelecer parcerias e procedimentos de encaminhamento. ´descontruindo lugares já marcados para cada parte envolvida´. elas atentam para a função do psicólogo como sendo. e também de instituições externas. um processo menos oneroso e mais justo para o caso. visando somente desafogar o Judiciário. A Mediação não tem como finalidade o acordo e sim o estabelecimento ou restabelecimento da comunicação e a ampliação da responsabilidade na tomada de decisões. acompanhar e dar orientação pertinente a cada caso atendido nos diversos âmbitos do sistema judiciário. µvítima da sociedade¶. auxiliando-os na procura por respostas próprias dentro de suas possibilidades e história familiar. Isto porque. antes da década de 90. No Brasil. No entanto.(Cezar. A psicóloga jurídica do Tribunal de Justiça de São Paulo Dayse C.neste caso. está se colocando ³a sujeira embaixo do tapete´ se não houver uma conscientização do significado deste conflito. e o caso retorna à Justiça. em maio de 2008. expressando a repetição de problemas familiares não elaborados. a autora destaca que há uma grande concentração de psicólogos jurídicos atuando na Psicologia penitenciária e nas questões relacionadas à família. Brito. No trabalho na 2ª Vara. Se. expressos nas Varas da Infância e Juventude. Fundamental distinguir a atividade de Conciliação e Mediação: a Conciliação tem como finalidade o acordo. Estes adjetivos funcionam como estigmas fortes. quando. Não cabe aqui um posicionamento contra a finalidade destas empreitadas. apoiar. Bernardi resume de maneira clara a importância da atuação do psicólogo na instância judiciária . Psicologia Policial/Militar: treinamento e formação básica em Psicologia Policial.

é importante levantarmos a questão sobre a função e atribuições do psicólogo na área jurídica. aqueles do campo do direito. No entanto. por um lado. com certeza favorece que o psicólogo. o trabalho implica numa parceria com os outros profissionais. Portanto. o responsável pela avaliação é o médico. e não o psicólogo. nosso cliente é o sujeito que atendemos. a modalidade de relação entre o Judiciário e a Psicologia é de subordinação.Segundo Popolo (1996). o psicólogo atua como auxiliar do médico e contribui com a elaboração do diagnóstico clínico. todas as perguntas lançadas pelo jurídico. Por fim. assumindo a função de assessor. E isto em relação direta com uma prática situada dentro de um contexto histórico e cultural. em particular. pode haver diálogo e interação entre os saberes. Nesses termos. O mesmo tipo de subordinação ocorre entre Psicologia e Psiquiatria forense. principalmente. juízes chegam a indicar o instrumento a ser utilizado numa avaliação psicológica. assim. tenha autonomia para definir suas funções dentro do sistema judiciário. no entanto. a questão é não permitir a estagnação da Psicologia jurídica nesse tipo de relação. quem é o cliente do psicólogo ? A instituição que lhe demanda o trabalho ou o sujeito que por algum motivo foi inserido no discurso institucional ? Sem desconsiderar a importância que ocupa a instituição em nosso trabalho. Nesse caso. nem de responder às suas perguntas. Dessa forma. Um se traduz no outro. com a legitimidade que lhe confere seu campo específico de saber. uma modalidade de relação entre a Psicologia jurídica e o Direito é o modelo de subordinação. Se. Também importa refletir sobre a possibilidade de responder. Esse mesmo autor (POLOLO. Muitas vezes. sob o ponto de vista psicológico. por outro. a Psicologia jurídica torna-se uma Psicologia aplicada para atender à demanda jurídica e. em contínua transformação. Afinal. a partir dos anos 90. importa ao pensamento psicológico transcender às solicitações do mundo jurídico. contribuir para o melhor exercício do Direito. Mesmo que a prática psicológica seja limitada numa instituição jurídica. focalizando a área penal. a outra modalidade de relação entre a Psicologia jurídica e o Direito é a de complementaridade. Vejamos então como. na qual o saber psicológico está a serviço da Psiquiatria. 1996) não identifica problema no fato de a Psicologia jurídica atender às demandas do mundo jurídico. esta prática se diversificou e ampliou o seu campo de ação junto ao sistema judiciário. . a questão a ser considerada diz respeito à correspondência entre prática submetida e conhecimento submetido. caracterizada pela interseção entre o conhecimento psicológico e o jurídico. Frente às mudanças que aqui abordamos.

‡ Funcionamento global ‡ Peculiaridades (ex: cópia de desenho) Levanta-se dados para uma avaliação de personalidade. . ‡ Uso de técnicas psicológicas Relaciona-se os resultados e faz-se análise dos dados apurados ‡ Descrição minuciosa da avaliação Etapa conclusiva: ‡ Relacionar todas as informações colhidas ‡ Elaboração do Laudo ou Parecer.: ‡ Data do delito ‡ Data da notificação ‡ Versão do acusado ‡ Versão da vítima ‡ Versão das testemunhas Na seqüência a importância da Entrevista Psicológica investigando-se: ‡ Peculiaridades ‡ Contrato ‡ Relato do ocorrido ‡ Dados de anamnese Posteriormente ocorre a avaliação das funções cognitivas. Inicia-se com Estudo das partes do processo.Na atuação da Psicologia Forense na elaboração do laudo e na pericia psicologica deve ser abservado algumas etapas necessárias para elaboração do processo.

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