AULA ANTERIOR
MECÂNICA QUÂNTICA ATRAVÉS DOS POSTULADOS
Uma forma prática de introduzir as ideais fundamentais da mecânica
quântica é através de postulados.
Esse conjunto de regras é originado de diversos trabalhos de cientistas já
citados e organizados de modo a formar uma base da teoria.
POSTULADO I: A FUNÇÃO DE ONDA
O estado de um sistema de N partículas pode ser completamente descrito
por uma função de onda bem comportada Ψ 𝑟1 , 𝑟2 , … , 𝑟𝑁 , 𝑡 .
Onde:
𝑟𝑁 contém as coordenadas espaciais de uma partícula N;
𝑡 é a coordenada de tempo;
POSTULADO I: A FUNÇÃO DE ONDA
Uma função é dita bem comportada quando apresenta as seguintes
características:
É contínua;
Possui derivada contínua;
Ou seja, possui inclinação contínua.
É unívoca;
Para um dado valor da coordenada há um único valor associado da função.
É quadraticamente integrável;
POSTULADO II: A INTERPRETAÇÃO PROBABILÍSTICA
Para um sistema descrito pela função de onda 𝜓 𝑟 , a probabilidade de se
encontrar a partícula no elemento de volume 𝑑𝑣 no ponto 𝑟 é
proporcional a 𝜓 𝑟 2 𝑑𝑣.
POSTULADO II: A INTERPRETAÇÃO PROBABILÍSTICA
A densidade de probabilidade é uma alternativa para a interpretação do
significado dos valores de uma função de onda, eliminando seus valores
negativos e imaginários.
POSTULADO II: A INTERPRETAÇÃO PROBABILÍSTICA
Para manter a proporcionalidade entre probabilidades de diferentes funções de
onda, uma outra característica importante da mesma é que seja normalizada à
unidade:
∞
𝜓 ∗ 𝑟 𝜓 𝑟 𝑑𝑟 = 1
−∞
Assim, podemos pensar em uma função 𝜓 𝑟 = 𝑁𝜓′ 𝑟 , onde 𝑁 é a constante
de normalização. Dessa forma:
∞
𝑁2 𝜓′∗ 𝑟 𝜓′ 𝑟 𝑑𝑟 = 1
−∞
POSTULADO III: OPERADORES
Para cada propriedade observável 𝛺de um sistema, existe um operador
correspondente 𝛺. O operador 𝛺 é construído a partir dos operadores de
posição, 𝑥 , e momento linear, 𝑝𝑥 :
𝑥=𝑥×
ħ 𝑑
𝑝𝑥 =
𝑖 𝑑𝑥
POSTULADO IV: EQUAÇÃO DE AUTOVALOR
Se a função de onda do sistema, Ψ 𝑟, 𝑡 , for autofunção de um operador
𝛺, de autovalor 𝜔, que representa o valor da observável, ou seja:
𝛺Ψ 𝑟, 𝑡 = 𝜔Ψ 𝑟, 𝑡
então o valor de uma medida da observável 𝛺 será dado pelo autovalor 𝜔.
POSTULADO IV: EQUAÇÃO DE AUTOVALOR
Todos os operadores utilizados em mecânica quântica são ditos
hermitianos. Operadores hermitianos são operadores lineares que
obedecem a seguinte relação:
𝑓 ∗ 𝛺𝑔𝑑𝑥 = 𝑔∗ 𝛺𝑓𝑑𝑥
A propriedade interessante por trás dos operadores hermitianos é que os
seus autovalores são sempre números reais.
POSTULADO V: VALOR ESPERADO
Quando o valor de uma observável 𝛺 é medido para um sistema, o valor
esperado para a mesma é dado pela equação:
𝛺 = 𝜓 ∗ 𝑟 𝛺𝜓 𝑟 𝑑𝑟
POSTULADO V: VALOR ESPERADO
Outra propriedade importante que as funções de onda utilizadas devem
ter é a da ortogonalidade. Autofunções correspondentes a diferentes
autovalores do mesmo operador hermitiano são ortogonais:
𝜓𝑖∗ 𝑟 𝜓𝑗 𝑟 𝑑𝑟 = 0
−∞
POSTULADO VI: EQUAÇÃO DE SCHROEDINGER
A função de onda Ψ 𝑟, 𝑡 se desenvolve no tempo de acordo com a
seguinte equação:
𝜕
𝑖ħ Ψ 𝑟, 𝑡 = 𝐻 Ψ 𝑟, 𝑡
𝜕𝑡
Onde:
𝐻 é o operador Hamiltoniano, relacionado com a energia total do
sistema;
POSTULADO VI: EQUAÇÃO DE SCHROEDINGER
Fazendo o tratamento para estados estacionários, onde a energia independe da
evolução temporal da função de onda, obtemos chamada de equação de
Schroedinger independente do tempo:
𝐻 𝜓 𝑟 = 𝐸𝜓 𝑟
Onde:
𝐻 é o operador Hamiltoniano, relacionado com a energia total do sistema;
𝐸 é o autovalor da equação e representa a energia do sistema;
Note que esta é uma equação de autovalor, como as discutidas anteriormente,
onde operador Hamiltoniano é um operador Hermitiano.
PARTÍCULA EM MOVIMENTO LIVRE
PARTÍCULA EM MOVIMENTO LIVRE
Um problema muito simples é a descrição do movimento de uma partícula de
massa 𝑚 em uma única dimensão, 𝑥.
OBTENÇÃO DA FUNÇÃO DE ONDA
Como discutido anteriormente, a Equação de Schroedinger é a única relação matemática
postulada que nos permite obter a função de onda que descreve um sistema. Utilizaremos a
formulação independente do tempo, uma vez que não estamos avaliando processos com evolução
temporal. Assim:
𝐻 𝜓 𝑥 = 𝐸𝜓 𝑥
O operador Hamiltoniano, 𝐻 , que se relaciona com a energia total do sistema, pode ser separado
em dois termos: Energia cinética, 𝑇, e energia potencial, 𝑉 .
𝐻𝜓 𝑥 = 𝑇 + 𝑉 𝜓 𝑥
No caso de uma partícula em movimento livre, o operador 𝑉 é nulo pois não há nenhum
potencial atuando. Desta maneira:
𝐻 𝜓 𝑥 = 𝑇𝜓 𝑥
OBTENÇÃO DA FUNÇÃO DE ONDA
Assim, a Equação de Schroedinger toma a seguinte forma:
𝑇𝜓 𝑥 = 𝐸𝜓 𝑥
ħ2 𝑑2 𝜓 𝑥
− = 𝐸𝜓 𝑥
2𝑚 𝑑𝑥 2
𝑑2 𝜓 𝑥 2𝑚
+ 𝐸𝜓 𝑥 = 0
𝑑𝑥 2 ħ2
Por fim, obtemos uma equação diferencial ordinária de segunda ordem:
𝑑2 𝜓 𝑥
+ 𝑘2𝜓 𝑥 = 0
𝑑𝑥 2
2𝑚𝐸
Onde temos a constante: 𝑘 =
ħ
OBTENÇÃO DA FUNÇÃO DE ONDA
Podemos propor uma função de onda que satisfaça esta equação. Observando que a derivada
segunda da função deve retornar a mesma, imaginamos que a solução é da forma:
𝜓𝑘 𝑥 = 𝐴𝑒 𝑖𝑘𝑥 + 𝐵𝑒 −𝑖𝑘𝑥
Esta função pode ser reescrita sob a forma de funções trigonométricas se utilizarmos a fórmula
de Euler:
𝜓𝑘 𝑥 = 𝐶 cos 𝑥 + 𝑖𝐷 sen 𝑥
OBTENÇÃO DA ENERGIA
Uma vez obtida a função de onda para este sistema, podemos obter a expressão da energia
através da Equação de Schroedinger:
ħ2 𝑑 2
− 2 [𝐴𝑒 𝑖𝑘𝑥 + 𝐵𝑒 −𝑖𝑘𝑥 ] = 𝐸𝑘 [𝐴𝑒 𝑖𝑘𝑥 + 𝐵𝑒 −𝑖𝑘𝑥 ]
2𝑚 𝑑𝑥
ħ2
− [𝐴(𝑖𝑘)(𝑖𝑘)𝑒 𝑖𝑘𝑥 + 𝐵(−𝑖𝑘)(−𝑖𝑘)𝑒 −𝑖𝑘𝑥 ] = 𝐸𝑘 𝜓𝑘 𝑥
2𝑚
ħ2
− [𝐴(−𝑘 2 )𝑒 𝑖𝑘𝑥 + 𝐵(−𝑘 2 )𝑒 −𝑖𝑘𝑥 ] = 𝐸𝑘 𝜓𝑘 𝑥
2𝑚
ħ2 𝑘 2
𝐴𝑒 𝑖𝑘𝑥 + 𝐵𝑒 −𝑖𝑘𝑥 = 𝐸𝑘 𝐴𝑒 𝑖𝑘𝑥 + 𝐵𝑒 −𝑖𝑘𝑥
2𝑚
ħ2 𝑘 2
= 𝐸𝑘
2𝑚
PARTÍCULA EM MOVIMENTO LIVRE
Concluindo, como solução para a partícula livre, obtemos:
𝜓𝑘 𝑥 = 𝐴𝑒 𝑖𝑘𝑥 + 𝐵𝑒 −𝑖𝑘𝑥
ħ2 𝑘 2
𝐸𝑘 =
2𝑚
Observe que surge o índice 𝑘, que, como já vimos, podemos entender como o número de
onda. A energia do sistema e a forma da função de onda dependem desse valor.
Cada valor do índice representa um estado do sistema. Estes estados forma um contínuo
de energias, uma vez que não há restrições quanto aos valores que o número 𝑘 pode ter.
AULA 06
O Problema da Partícula na Caixa
O PROBLEMA DA PARTÍCULA NA CAIXA
O PROBLEMA DA PARTÍCULA NA CAIXA
O problema se resume a descrever uma partícula de massa 𝑚 em um espaço
unidimensional e confinada entre duas barreiras.
O PROBLEMA DA PARTÍCULA NA CAIXA
A partícula ocupa a região entre 𝑥 = 0
e 𝑥 = 𝐿.
Nesta região do espaço, a energia
potencial sobre a partícula é nula.
Na região da barreira, para 𝑥 < 0 e
𝑥 > 𝐿, o valor da energia potencial é
infinito.
CONDIÇÕES DE CONTORNO
Analisaremos, inicialmente, a região de energia potencial infinita.
Podemos imaginar que nesta região a probabilidade de se encontrar a partícula
é nula, uma vez que este potencial representa uma barreira impenetrável.
Usando o postulado da interpretação probabilística de Bohr, onde a
probabilidade é proporcional a 𝜓 𝑥 2 , podemos deduzir que o valor da
função de onda nesse espaço também será nulo.
Assim, para os intervalos de −∞ < 𝑥 ≤ 0 e L ≤ 𝑥 < ∞, teremos 𝜓 𝑥
= 0.
OBTENÇÃO DA FUNÇÃO DE ONDA
Para a região do interior da caixa, onde a energia potencial é nula, podemos
propor utilizar uma função de onda na mesma forma da função obtida para a
partícula livre.
Essa proposta é válida uma vez que no espaço onde a função existe não há
nenhum potencial atuando sobre a mesma.
Assim, admitimos como partida:
𝜓𝑘 𝑥 = 𝐴𝑒 𝑖𝑘𝑥 + 𝐵𝑒 −𝑖𝑘𝑥
OBTENÇÃO DA FUNÇÃO DE ONDA
Temos, ainda, que introduzir algumas condições de contorno à esta função, para que a
mesma seja bem comportada.
Desta forma, para que a função de onda seja contínua devemos impor a esta função do
interior da caixa que seja igual à da barreira na região de fronteira. Assim:
𝜓𝑘 0 = 0
𝜓𝑘 𝐿 = 0
OBTENÇÃO DA FUNÇÃO DE ONDA
Utilizando a primeira condição de contorno, temos:
𝜓𝑘 0 = 0
𝜓𝑘 0 = 𝐴𝑒 𝑖𝑘0 + 𝐵𝑒 −𝑖𝑘0 = 𝐴𝑒 0 + 𝐵𝑒 0 = 𝐴 + 𝐵
Assim, podemos obter a relação:
𝐴+𝐵 =0
𝐴 = −𝐵
Logo, reescrevemos a equação como:
𝜓𝑘 𝑥 = 𝐴 [𝑒 𝑖𝑘𝑥 − 𝑒 −𝑖𝑘𝑥 ]
OBTENÇÃO DA FUNÇÃO DE ONDA
Faremos, novamente, uso da fórmula de Euler:
𝑒 𝑖𝑥 = cos(𝑥) + 𝑖 sen(𝑥)
𝑒 −𝑖𝑥 = cos(𝑥) − 𝑖 sen 𝑥
Substituindo na nossa função de onda:
𝜓𝑘 𝑥 = 𝐴 𝑒 𝑖𝑘𝑥 − 𝑒 −𝑖𝑘𝑥 = 𝐴 cos(𝑘𝑥) + 𝑖 sen(𝑘𝑥) − cos 𝑘𝑥 + 𝑖 sen(𝑘𝑥)
𝜓𝑘 𝑥 = 𝐴 2𝑖 sen(𝑘𝑥)
Que podemos reescrever a parte constante como:
𝜓𝑘 𝑥 = 𝐶 sen(𝑘𝑥)
OBTENÇÃO DA FUNÇÃO DE ONDA
Aplicando agora a condição de contorno estabelecida para 𝑥 = 𝐿:
𝜓𝑘 𝐿 = 𝐶 sen(𝑘𝐿) = 0
sen(𝑘𝐿) = 0
Conhecemos a função seno e sabemos que a mesma é igual a zero quando o
ângulo possui valor múltiplo de 𝜋. Podemos propor uma expressão para 𝑘 como:
𝑛𝜋
𝑘=
𝐿
Onde n é um número inteiro qualquer.
Assim, escrevemos a função de onda como:
𝑛𝜋𝑥
𝜓𝑛 𝑥 = 𝐶 sen
𝐿
NORMALIZAÇÃO DA FUNÇÃO DE ONDA
Conformes vimos anteriormente, é essencial normalizar a função de onda:
𝜓 ∗ 𝑥 𝜓 𝑥 𝑑𝑥 = 1
−∞
Integramos, então, a função do interior da caixa em todo o seu espaço, de 0 até 𝐿:
𝐿
𝑛𝜋𝑥 𝑛𝜋𝑥
𝐶 sen 𝐶 sen 𝑑𝑥 = 1
𝐿 𝐿
0
𝐿
𝑛𝜋𝑥
𝐶2 𝑠𝑒𝑛2 𝑑𝑥 = 1
𝐿
0
NORMALIZAÇÃO DA FUNÇÃO DE ONDA
Utilizando a propriedade trigonométrica:
1
sen² 𝑥 = 1 − cos 2𝑥
2
Substituindo:
𝐿 𝐿
𝑛𝜋𝑥 1 2𝑛𝜋𝑥
𝐶2 𝑠𝑒𝑛2 𝑑𝑥 = 𝐶 2 1 − cos( ) 𝑑𝑥 = 1
𝐿 2 𝐿
0 0
𝐿 𝐿
1 2 2𝑛𝜋𝑥
𝐶 𝑑𝑥 − cos( ) 𝑑𝑥 = 1
2 𝐿
0 0
1 2 2𝑛𝜋𝐿 2𝑛𝜋0 1
𝐶 𝐿 − 𝑠𝑒𝑛 − 𝑠𝑒𝑛 = 𝐶 2 𝐿 − 𝑠𝑒𝑛 2𝑛𝜋 − 𝑠𝑒𝑛 0
2 𝐿 𝐿 2
1 2 𝐿
𝐶 𝐿 − 0 − 0 = 𝐶2 = 1
2 2
NORMALIZAÇÃO DA FUNÇÃO DE ONDA
Assim, teremos:
𝐿 2
𝐶2 =1 →𝐶=
2 𝐿
E, assim, temos a função de onda normalizada:
2 𝑛𝜋𝑥
𝜓𝑛 𝑥 = sen
𝐿 𝐿
OBTENÇÃO DA FUNÇÃO DE ONDA
Concluindo, obtemos uma função de onda:
Para −∞ < 𝑥 ≤ 0:
𝜓𝑛 𝑥 = 0
Para L ≤ 𝑥 < ∞:
𝜓𝑛 𝑥 = 0
Para 0 ≤ 𝑥 ≤ 𝐿:
2 𝑛𝜋𝑥
𝜓𝑛 𝑥 = sen
𝐿 𝐿
OBTENÇÃO DA EXPRESSÃO DA ENERGIA
Utilizando a equação de Schroedinger na função de onda obtida, na região onde não há energia potencial:
2 𝑛𝜋𝑥
𝐻 𝜓𝑛 𝑥 = 𝐻 sen
𝐿 𝐿
2 𝑛𝜋𝑥 ħ2 𝑑 2 2 𝑛𝜋𝑥
𝐻 sen =− sen
𝐿 𝐿 2𝑚 𝑑𝑥 2 𝐿 𝐿
Resolvendo a derivada:
𝑑2 2 𝑛𝜋𝑥 𝑑 𝑑 2 𝑛𝜋𝑥
sen = sen
𝑑𝑥 2 𝐿 𝐿 𝑑𝑥 𝑑𝑥 𝐿 𝐿
𝑑 𝑑 2 𝑛𝜋𝑥 𝑑 2 𝑛𝜋 𝑛𝜋𝑥 2 𝑛𝜋 𝑛𝜋 𝑛𝜋𝑥
sen = c𝑜𝑠 =− 𝑠𝑒𝑛
𝑑𝑥 𝑑𝑥 𝐿 𝐿 𝑑𝑥 𝐿 𝐿 𝐿 𝐿 𝐿 𝐿 𝐿
𝑑2 2 𝑛𝜋𝑥 2 𝑛𝜋 2 𝑛𝜋𝑥
sen =− 𝑠𝑒𝑛
𝑑𝑥 2 𝐿 𝐿 𝐿 𝐿 𝐿
OBTENÇÃO DA EXPRESSÃO DA ENERGIA
Substituindo:
2 𝑛𝜋𝑥 ħ2 2 𝑛𝜋 2 𝑛𝜋𝑥
𝐸𝑛 sen =− − 𝑠𝑒𝑛
𝐿 𝐿 2𝑚 𝐿 𝐿 𝐿
2 𝑛𝜋𝑥 ħ2 𝑛 2 𝜋 2 2 𝑛𝜋𝑥
𝐸𝑛 sen = 𝑠𝑒𝑛
𝐿 𝐿 2𝑚𝐿2 𝐿 𝐿
Assim:
ħ2 𝑛 2 𝜋 2 ℎ2 𝑛 2 𝜋 2 ℎ2 𝑛 2
𝐸𝑛 = = 2 =
2𝑚𝐿2 4𝜋 2𝑚𝐿2 8𝑚𝐿2
Onde:
ℎ é a constante de Planck;
𝑚 é a massa da partícula;
𝐿 é a largura da caixa;
𝑛 é um número inteiro diferente de zero: 𝑛 = 1,2,3 …
PROPRIEDADES DA SOLUÇÃO
Observando a expressão da função de onda
obtida:
2 𝑛𝜋𝑥
𝜓𝑛 𝑥 = sen
𝐿 𝐿
Lembrando que:
𝑛 é um número inteiro do tipo:
𝑛 = 1,2,3 …
A densidade de probabilidade é o quadrado
desta função de onda. Observe que, ao
contrário do caso clássico, a probabilidade
não é igual em todos o espaço!
PROPRIEDADES DA SOLUÇÃO
Observando a expressão da energia:
ℎ 2 𝑛2
𝐸𝑛 =
8𝑚𝐿2
Lembrando que:
𝑛 é um número inteiro do tipo:
𝑛 = 1,2,3 …
Podemos observar a diferença entre
o tratamento quântico e clássico. A
energia obtida tem valores discretos
e não contínuos, como no
tratamento clássico!
PROPRIEDADES DA SOLUÇÃO
Aqui temos mais uma relação curiosa. Se
observarmos, cada função cruza 𝑛 − 1 vezes o
eixo x. Cada cruzamento desses é chamado de
nó.
A partir da expressão obtida para a energia,
podemos concluir que o número de nós de uma
função deste tipo é um indicativo de sua energia.
Assim, quantos maior o número de nós que
possuir, maior a energia da partícula naquele
estado.
Esta característica se manifesta em diversos
outros problemas da mecânica quântica.
EXERCÍCIO 07
Obtenha uma expressão para a diferença de energia entre dois estados adjacentes
𝑛 e 𝑛 + 1 do problema da partícula na caixa unidimensional.
Lembrando que a energia de um estado 𝑛 é dada por:
ℎ2 𝑛2
𝐸𝑛 =
8𝑚𝐿2
EXERCÍCIO 07
Podemos calcular a diferença de energia entre dois estados definidos pelos números
quânticos 𝑛 e 𝑛 + 1 da seguinte forma:
ℎ2 𝑛 + 1 2
ℎ 2 𝑛2
∆𝐸 = 𝐸𝑛+1 − 𝐸𝑛 = −
8𝑚𝐿2 8𝑚𝐿2
ℎ2 𝑛2 + 2𝑛 + 1 ℎ 2 𝑛2 ℎ2
∆𝐸 = 2
− 2
= 2
𝑛2 + 2𝑛 + 1 − 𝑛2
8𝑚𝐿 8𝑚𝐿 8𝑚𝐿
ℎ2
∆𝐸 = 2𝑛 + 1
8𝑚𝐿2
Note que a diferença entre os níveis de energia cresce de acordo com o valor de 𝑛.
EXERCÍCIO 08
Calcule o valor esperado da posição de uma partícula na caixa unidimensional.
Lembrando que a função de onda de um estado 𝑛 e o operador posição são dados
por:
2 𝑛𝜋𝑥
𝜓𝑛 𝑥 = sen
𝐿 𝐿
𝑥=𝑥×
EXERCÍCIO 08
Aplicando o postulado do valor esperado para a posição da partícula, teremos:
𝑥 = 𝜓 ∗ 𝑥 𝑥 𝜓 𝑥 𝑑𝑥
0
𝐿
2 𝑛𝜋𝑥 2 𝑛𝜋𝑥
𝑥 = sen 𝑥 sen 𝑑𝑥
𝐿 𝐿 𝐿 𝐿
0
𝐿
2 𝑛𝜋𝑥
𝑥 = 𝑥 sen² 𝑑𝑥
𝐿 𝐿
0
EXERCÍCIO 08
Para poder resolver esta integral, utilizamos a seguinte relação trigonométrica:
1
sen² 𝑥 = 1 − cos 2𝑥
2
𝐿 𝐿
2 𝑛𝜋𝑥 21 2𝑛𝜋𝑥
𝑥 = 𝑥 sen² 𝑑𝑥 = 𝑥 1 − cos 𝑑𝑥
𝐿 𝐿 𝐿2 𝐿
0 0
𝐿 𝐿
1 1 2𝑛𝜋𝑥
𝑥 = 𝑥𝑑𝑥 − 𝑥 cos 𝑑𝑥
𝐿 𝐿 𝐿
0 0
EXERCÍCIO 08
𝐿 𝐿
1 1 2𝑛𝜋𝑥
𝑥 = 𝑥𝑑𝑥 − 𝑥 cos 𝑑𝑥
𝐿 𝐿 𝐿
0 0
Ficamos, então, com duas integrais a serem resolvidas. A primeira integral é mais
simples:
𝐿
𝑥 2 𝐿 𝐿2 𝐿2
𝑥𝑑𝑥 = = −0=
2 0 2 2
0
EXERCÍCIO 08
Para a segunda integral devemos aplica a solução por partes:
𝑢 𝑑𝑣 = 𝑢𝑣 − 𝑣 𝑑𝑢
Assim:
𝐿 𝑢=𝑥 𝑑𝑢 = 𝑑𝑥
2𝑛𝜋𝑥 2𝑛𝜋𝑥
𝑥 cos 𝑑𝑥 = = 𝐿 2𝑛𝜋𝑥
𝐿 𝑑𝑣 = cos 𝑣=− sen
0 𝐿 2𝑛𝜋 𝐿
𝐿 𝐿
2𝑛𝜋𝑥 𝐿 2𝑛𝜋𝑥 𝐿 𝐿 2𝑛𝜋𝑥
𝑥 cos 𝑑𝑥 = 𝑥 sen + sen 𝑑𝑥
𝐿 2𝑛𝜋 𝐿 0 2𝑛𝜋 𝐿
0 0
EXERCÍCIO 08
Continuando a resolução da segunda integral:
𝐿
2𝑛𝜋𝑥 𝐿 2𝑛𝜋𝑥 𝐿 𝐿 2𝑛𝜋𝑥 𝐿
𝑥 cos 𝑑𝑥 = 𝑥 sen + cos
𝐿 2𝑛𝜋 𝐿 0 2𝑛𝜋 𝐿 0
0
𝐿
2𝑛𝜋𝑥 𝐿2 𝐿 𝐿
𝑥 cos 𝑑𝑥 = sen 2𝑛𝜋 − 0 + cos 2𝑛𝜋 − cos 0
𝐿 2𝑛𝜋 2𝑛𝜋 2𝑛𝜋
0
𝐿
2𝑛𝜋𝑥 𝐿2 𝐿 𝐿
𝑥 cos 𝑑𝑥 = sen 2𝑛𝜋 + cos 2𝑛𝜋 −
𝐿 2𝑛𝜋 2𝑛𝜋 2𝑛𝜋
0
EXERCÍCIO 08
Observe a expressão obtida para a segunda integral novamente:
𝐿
2𝑛𝜋𝑥 𝐿2 𝐿 𝐿
𝑥 cos 𝑑𝑥 = sen 2𝑛𝜋 + cos 2𝑛𝜋 −
𝐿 2𝑛𝜋 2𝑛𝜋 2𝑛𝜋
0
Uma vez que 𝑛 é um número inteiro, as funções seno e cosseno só poderão
assumir múltiplos inteiros de 2𝜋. Desta maneira:
sen 2𝑛𝜋 = 0
cos 2𝑛𝜋 = 1
𝐿
2𝑛𝜋𝑥 𝐿 𝐿
𝑥 cos 𝑑𝑥 = − =0
𝐿 2𝑛𝜋 2𝑛𝜋
0
EXERCÍCIO 08
Retornando à expressão do valor esperado da posição, podemos substituir os
valores das integrais calculadas:
𝐿 𝐿
1 1 2𝑛𝜋𝑥 1 𝐿2 𝐿
𝑥 = 𝑥𝑑𝑥 − 𝑥 cos 𝑑𝑥 = −0=
𝐿 𝐿 𝐿 𝐿2 2
0 0
Assim, o valor esperado para a posição de uma partícula na caixa é sempre no
centro da caixa:
𝐿
𝑥 =
2
CONCLUSÕES DA AULA DE HOJE
CONCLUSÕES
Os problemas da partícula livre e partícula na caixa são de resolução relativamente simples
e fornecem importantes características da mecânica quântica. Para resolver estes problemas,
é necessária a aplicação direta das ideais enunciadas nos postulados.
No caso da partícula na caixa, em especial, observamos que a energia tem valores discretos,
ditos quantizados, dependente de um número inteiro que representa um determinado
estado do sistema. O entendimento do que representa o estado de um sistema quântico é
muito importante.
Observamos uma característica curiosa, que é a relação entre o número de nós da função e a
sua energia. Os nós podem ser entendidos como fatores desestabilizantes.
PRÓXIMAS AULAS
PRÓXIMAS AULAS
Na próxima aula, resolveremos o problema da partícula na caixa de duas e
três dimensões. A partir disso, veremos o aparecimento da
degenerescência entre estados.
Também discutiremos um importante fenômeno surgido na mecânica
quântica, sem qualquer analogia com a mecânica clássica: o tunelamento.
ATÉ A PRÓXIMA AULA!