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Fisiologia Do Exercício No Esporte de Alto Rendimento

O artigo aborda a fisiologia do exercício no esporte de alto rendimento, destacando a importância da capacidade aeróbica, anaeróbica e da força muscular para o desempenho atlético. Também discute as adaptações fisiológicas ao treinamento e os desafios enfrentados pelo corpo humano durante a atividade física intensa. Além disso, enfatiza a relevância da recuperação e dos métodos utilizados para otimizar o desempenho dos atletas.
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Fisiologia Do Exercício No Esporte de Alto Rendimento

O artigo aborda a fisiologia do exercício no esporte de alto rendimento, destacando a importância da capacidade aeróbica, anaeróbica e da força muscular para o desempenho atlético. Também discute as adaptações fisiológicas ao treinamento e os desafios enfrentados pelo corpo humano durante a atividade física intensa. Além disso, enfatiza a relevância da recuperação e dos métodos utilizados para otimizar o desempenho dos atletas.
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FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO NO

ESPORTE DE ALTO RENDIMENTO


LUCIANO SALES PRADO
ALEXANDER FERRAUTI
JONATO PRESTES
RAMIRES ALSAMIR TIBANA
THIMO WIEWELHOVE
RAUNO ÁLVARO DE PAULA SIMOLA

 INTRODUÇÃO
O desempenho no esporte de alto rendimento busca extrair o máximo do corpo de um ser
humano, levando-o ao limite de suas possibilidades. Isso pode ocorrer tanto de forma aguda, no
momento da execução do exercício, quanto de forma crônica – considerando a capacidade de
adaptação do esportista no sentido de melhorar os seus sistemas biológicos e, por conseguinte,
o rendimento atlético.
Tratar, em apenas um artigo, de um campo tão vasto – os aspectos fisiológicos da prática de
atividades físicas com vistas ao alto rendimento – é um desafio. Para elucidar o tema, serão
abordadas as bases fisiológicas das principais qualidades físicas, bem como as adaptações
fisiológicas ao treinamento físico, que se dividem em:

 capacidade aeróbica;
 capacidade anaeróbica;
 força muscular.
Desse tripé de atributos extrai-se praticamente todo o desempenho físico humano. Por
considerar que a recuperação dos atletas representa, atualmente, um dos maiores desafios à
melhora do desempenho humano no contexto do alto rendimento esportivo, é apresentada ao
leitor uma abordagem dos mecanismos fisiológicos envolvidos nesse processo. Também serão
apresentadas algumas evidências sobre a eficiência de alguns métodos de recuperação.
Espera-se, com isso, tratar de pontos específicos e nevrálgicos da fisiologia do exercício no
esporte de alto rendimento que possibilitem uma concepção mais cientificamente fundamentada
de programas de treinamento adequados.

 OBJETIVOS
Após a leitura deste artigo, espera-se que o leitor esteja apto a:

 identificar os fatores fisiológicos determinantes das principais qualidades físicas


associadas ao desempenho de atletas no alto rendimento;
 reconhecer as adaptações desses fatores fisiológicos ao treinamento específico;
 reconhecer as respostas fisiológicas associadas ao estresse crônico imposto
pelo treinamento;
 identificar as características das diferentes estratégias utilizadas para a
recuperação do atleta.

 ESQUEMA CONCEITUAL
 DESAFIOS DO CORPO HUMANO EM MOVIMENTO
Um corpo em movimento é colocado diante de uma série de desafios biológicos agudos,
algumas vezes muito breves e intensos, e outras, de intensidade moderada, mas de duração
extremamente longa, de modo que os músculos são solicitados a transformar energia química,
oriunda da degradação dos substratos energéticos disponíveis em todo o corpo, em energia
mecânica.
O cérebro gera o estímulo, o qual é conduzido por vias nervosas até o tecido muscular por um
complexo sistema de transmissão de impulsos elétricos.

Os substratos energéticos precisam ser degradados no fluxo necessário a fim de cobrir uma
demanda específica de energia, e essa relação finamente sintonizada entre necessidade e oferta
é determinada pela intensidade e duração da atividade, bem como pela extensão de massa
muscular envolvida.
Independente das vias energéticas utilizadas – e utilizando uma estrutura proteica e colágena de
músculos, tendões e ligamentos que precisam acomodar toda a sobrecarga mecânica sobre eles
–, o corpo, de forma inteligente e eficaz, procura fornecer a quantidade adequada de oxigênio
para o tecido muscular no intuito de possibilitar a produção aeróbica de energia. Para tanto, são
desencadeados os seguintes processos:

 o coração aumenta a frequência de seus batimentos e a sua força de contração,


obtendo, assim, o fluxo sanguíneo de que necessita;
 os vasos sanguíneos periféricos, nos órgãos e músculos, adaptam-se para
possibilitar o fornecimento aumentado de sangue nas regiões onde o oxigênio e os
nutrientes se fazem mais necessários, em detrimento do fluxo sanguíneo em outras
regiões do corpo menos solicitadas no momento;
 o tórax expande-se, aumentando a frequência por minuto, no sentido de
aumentar o volume de ar ventilado para os pulmões;
 as glândulas aumentam e inibem a produção de hormônios que regulam todas
essas funções e modulam o uso dos substratos energéticos.

A atividade física representa um significativo transtorno do equilíbrio interno do corpo. O


exercício físico inerente à prática esportiva no alto rendimento, portanto, implica em perturbações
na homeostase que margeiam os limites biológicos do ser humano. A compreensão dos
mecanismos envolvidos nesse processo é condição sine qua non para a prescrição
adequada de programas de treinamento visando alcançar os limites do desempenho humano.
Quando as perturbações na homeostase ocorrem de maneira crônica e sistemática, o corpo se
adapta no sentido de aprimorar as funções agudamente solicitadas. Tal fenômeno é conhecido,
na fisiologia do exercício e na ciência do treinamento esportivo, como o princípio
da adaptabilidade biológica.
É fundamental notar, ainda, que somente há melhora progressiva nas funções biológicas
associadas ao aumento do rendimento esportivo e do desempenho humano se as perturbações
no equilíbrio interno do organismo estão acima daquilo que o sistema biológico é capaz de
promover devido ao fato de já estar adaptado à demanda a que comumente é submetido. Isso
equivale a dizer que o corpo humano necessita de constantes desafios fisiológicos para melhorar
seu desempenho. É o princípio da sobrecarga.

A relação entre estímulos de treinamento (perturbações de funções biológicas, estruturas


anatômicas e sistemas de energia específicos) e a recuperação entre os estímulos deve ser
cuidadosamente planejada no intuito de propiciar ao organismo a melhora de desempenho
almejada.
A distribuição inadequada de estímulos de treinamento e períodos de recuperação, bem como a
aplicação indevida dos próprios estímulos – considerando variáveis como volume, intensidade,
frequência ou densidade –, podem levar à incapacidade de adaptação do organismo ao
treinamento, impossibilitando a melhora do desempenho físico e esportivo.

 CAPACIDADE E POTÊNCIA ANAERÓBICA


A realização de exercícios de curta duração e alta intensidade, principalmente das atividades em
intensidade máxima subjetiva, depende da geração da maior quantidade possível de energia
através das vias metabólicas anaeróbicas. O objetivo é manter, em níveis fisiológicos, a
concentração intracelular de trifosfato de adenosina (ATP), o composto que, em
última instância, ao ser hidrolisado, gera a energia necessária para a realização de todos os
processos ativos celulares.
Durante a realização de atividades dessa natureza, os níveis intracelulares de ATP mantêm-se
relativamente estáveis, mas isso ocorre devido à pronunciada degradação dos substratos
envolvidos na geração anaeróbica de energia, quais sejam:

 fosfocreatina (metabolismo anaeróbico alático);


 glicose;
 glicogênio muscular (metabolismo anaeróbico lático).
A capacidade de extração da maior quantidade de energia possível por unidade de tempo, para
a ressíntese de ATP, através do elevado fluxo dessas reações durante o exercício de curta
duração em intensidade máxima subjetiva, é conhecida como potência
anaeróbica,1 embora alguns autores considerem que a capacidade hipotética total do
sistema em gerar energia para o exercício intenso constituiria o que se denomina de capacidade
anaeróbica.

Exercícios com duração superior a, aproximadamente, 3 minutos, embora intensos, são


predominantemente aeróbicos, apesar de a produção de energia pelas vias anaeróbicas ser
ainda fundamental para o desempenho.1
É necessário, portanto, considerar duas diferentes potências anaeróbicas: a alática e a lática.

POTÊNCIA ANAERÓBICA ALÁTICA

A potência anaeróbica alática refere-se à obtenção rápida de energia pela degradação de


fosfocreatina e concomitante ressíntese de ATP.
O sistema ATP-CP é predominante como via energética em exercícios realizados em
intensidade máxima subjetiva de até, aproximadamente, 15 segundos de duração.1 São
determinantes da potência anaeróbica alática, portanto, as próprias concentrações
intramusculares de ATP e fosfocreatina, bem como a atividade das enzimas envolvidas no
processo de degradação dos substratos, ou seja, ATP sintase
(ATPase) e creatinofosfoquinase (CPK), respectivamente.

O treinamento de força máxima e potência contrarresistência, velocidade cíclica, resistência de


velocidade ou potência (em atividades cíclicas como corrida, natação e ciclismo) leva a
adaptações específicas – aumento da concentração intracelular de ATP e CP no músculo
esquelético, bem como da atividade das enzimas ATPase e CPK –, possibilitando o aumento
do fluxo das reações e da produção de energia através desta via, por unidade de tempo.
Não existem marcadores fisiológicos conhecidos da potência anaeróbica alática. Entretanto, a
concentração de amônia no sangue pode variar após o treinamento envolvendo exercícios de
alta intensidade e curta duração.2
Como esse metabólito, durante o exercício supramáximo de curta duração, é oriundo do ciclo
da purina nucleotídeo (CPN), uma via metabólica que, nessas condições de
exercício, é ativada no sentido de reduzir os níveis intracelulares de adenosina monofosfato
(AMP) e, com isso, manter a carga energética da célula, o treinamento de potência anaeróbica
pode causar uma redução da concentração plasmática de amônia pós-exercício. Normalmente, a
evolução dessa qualidade física pode ser aferida por testes de desempenho validados e
aplicados de forma padronizada, como o teste anaeróbico de Wingate, o teste de potência de
Margaria e os testes de salto vertical ou horizontal.1

POTÊNCIA ANAERÓBICA LÁTICA

A potência anaeróbica lática refere-se à obtenção rápida de energia através da glicólise, com
subsequente formação de ácido lático, processo predominante como via energética em
exercícios com duração de até, aproximadamente, 150-180 segundos, quando realizados em
intensidade máxima subjetiva. Tal situação é fortemente associada ao surgimento de fadiga
devido à acidose que surge em decorrência da formação de ácido lático.
O modelo teórico do surgimento da fadiga pela acidose nessas condições vem sendo criticado
por alguns autores,1 segundo os quais o produto final da glicólise, ácido pirúvico, em ácido lático
atua predominantemente como receptor de íons de hidrogênio, não sendo esta via, portanto,
responsável pela acidose no músculo.
De qualquer forma, o meio intracelular torna-se consideravelmente ácido, o que inibe a atividade
de vários processos enzimáticos da própria glicólise, da formação de pontes cruzadas entre
os miofilamentos ou, ainda, a liberação e a reabsorção de cálcio das cisternas terminais
durante a contração muscular.

A capacidade de tamponamento dos íons de hidrogênio (H+) formados quando da dissociação


do ácido lático, tanto no meio intracelular (através de íons fosfato ou proteínas intracelulares),
quanto no plasma (através do bicarbonato, principalmente), é fundamental para o bom
desempenho em exercícios nos quais a potência anaeróbica lática é fator determinante.
O treinamento de potência anaeróbica também proporciona adaptações específicas na geração
de energia rápida pela via, de modo que mais energia pode ser produzida por unidade de tempo
através dessa mesma via. Sendo assim, verifica-se um possível aumento:

 das concentrações intramusculares de glicogênio;


 das concentrações de adrenalina durante o exercício;
 da atividade das enzimas envolvidas no processo, sobretudo das denominadas
“enzimas-chave” do fluxo glicolítico: a fosfofrutoquinase (PFK) e a lactato
desidrogenase (LDH);
 da produção máxima de ácido lático, o que ocorre por meio de mais
pronunciadas reduções do pH intracelular e plasmático e maiores concentrações pós-
exercício de lactato no sangue;
 da capacidade de tamponamento, através da melhor atuação de tampões
intracelulares e/ou maior capacidade de tamponamento no plasma.

Concentrações plasmáticas de lactato pós-exercício têm sido utilizadas como marcador indireto
da atividade glicolítica e da potência anaeróbica. Sua precisão como marcador é limitada, uma
vez que o lactato, medido no plasma, é resultante do fluxo a partir das fibras musculares ativas e
da remoção através do miocárdio, do fígado e das fibras musculares oxidativas em todo o corpo.
A potência anaeróbica lática normalmente é medida através de testes de
desempenho específicos. O mais amplamente utilizado em todo o mundo é o teste
anaeróbico de Wingate, que, por ser realizado em cicloergômetro, torna possível minimizar a
influência da técnica de movimento na realização do exercício.

1. É uma adaptação morfológica ao treinamento de força muscular e determinante da


capacidade do músculo em gerar tensão:

A) o aumento do volume sarcoplasmático.


B) o aumento da densidade mitocondrial.
C) a redução do teor de colágeno em ligamentos e tendões.
D) o aumento do número de miofilamentos contráteis.
Confira aqui a resposta

2. O termo potência anaeróbica lática se refere a:

A) obtenção rápida de energia através da glicólise.


B) obtenção rápida de energia pela degradação de
fosfocreatina e concomitante ressíntese de ATP.
C) capacidade de extração da maior quantidade de energia
possível, por unidade de tempo, para a ressíntese de ATP.
D) capacidade de tamponamento dos íons H+ formados
quando da dissociação do ácido lático.
Confira aqui a resposta

 ADAPTAÇÕES NEUROMUSCULARES AO TREINAMENTO DE FORÇA

O treinamento de força (TF) é um meio específico de condicionamento físico que envolve a


execução de exercícios de contrarresistência progressiva, bem como diferentes modelos e
métodos de treinamento.
Delorme, de acordo com Todd e colaboradores,3 foi o primeiro pesquisador a demonstrar a
importância do TF sobre o aumento da força muscular na reabilitação de militares no período
pós-Segunda Guerra Mundial. Nesse aspecto, o TF tornou-se uma das formas mais conhecidas
e eficazes de aprimoramento do treinamento físico de atletas e de melhora da saúde de adultos
não atletas, idosos e crianças.
O aumento da força muscular é uma forma de ajuste do organismo à sobrecarga do treinamento,
por meio da qual ocorrem alterações fisiológicas e estruturais. São dois os determinantes diretos
para o aumento da força muscular: os fatores neurais e os fatores morfológicos (Figuras 1A e B).
AST: área de secção transversal proximal do quadríceps; MCV: máxima contração
voluntária; EMG: atividade eletromiográfica.
**Diferença significativa em relação ao momento inicial.
Figura 1 – A) Teoria clássica para o aumento progressivo da força
muscular decorrente das adaptações fisiológicas (neurais e
hipertrofia muscular) ao treinamento de força. B) Mudanças
na AST, MCV e EMG.
**Diferença significativa em relação ao momento inicial.
Figura 1 – A) Teoria clássica para o aumento progressivo da força
muscular decorrente das adaptações fisiológicas (neurais e
hipertrofia muscular) ao treinamento de força. B) Mudanças
na AST, MCV e EMG.
Fonte: Adaptada de Seynnes e colaboradores (2007).4
Os fatores neurais relacionados aos ganhos iniciais na força muscular são devidos aos seguintes
processos:

 aumento do número de unidades motoras voluntariamente recrutadas;


 aumento da sincronização das unidades motoras;
 incremento da ativação dos agonistas;
 redução da ativação dos antagonistas;
 coordenação de todas as unidades motoras e dos músculos envolvidos no
movimento; e
 inibição dos mecanismos musculares protetores (órgãos tendinosos de Golgi).
Já em relação à hipertrofia muscular, diversos estudos5,6 utilizando técnicas de avaliação
como ultrassom, tomografia computadorizada e, mais recentemente, imagem de ressonância
nuclear magnética têm encontrado hipertrofia apenas após 8-12 semanas de TF.
Seynnes e colaboradores4 analisaram, durante 35 dias (10, 20 e 35 dias de treinamento de
força), os ganhos de força e hipertrofia (área de secção transversal do quadríceps) em jovens
que não possuíam experiência no treinamento de força. Os voluntários foram submetidos a 3
sessões semanais de extensão de joelhos realizada em um ergômetro independente da
gravidade (YoYo Technology) com 3 séries de 7 repetições submáximas como aquecimento e,
posteriormente, 4 séries de 7 repetições máximas concêntricas e excêntricas com 2 minutos de
intervalo.
Os autores da análise observaram ganhos na área de secção transversal do músculo (3,5-5,2%)
após apenas 20 dias de treinamento. Esses dados demonstram que a hipertrofia muscular
ocorre de maneira precoce, podendo contribuir com os ganhos iniciais da força muscular
(conforme visto na Figura 1B).
Não obstante, a tensão mecânica e o estresse metabólico são os dois fatores primários
postulados para mediar adaptações hipertróficas no TF,7 conforme o Quadro 1.
ADAPTAÇÕES HIPERTRÓFICAS NO TF – FATORES PRIMÁRIOS

Tensão A tensão sobre os músculos desencadeia um fenômeno chamado de mecanotransdução em que os


mecânica mecanorreceptores do músculo ultrapassam o sarcolema, tais como as integrinas, e convertem a energia
mecânica em sinais químicos que medeiam vários processos intracelulares anabólicos e catabólicos de forma
a favorecer a síntese sobre a degradação proteica. A tensão mecânica estimula diretamente o alvo de
rapamicina em mamíferos (mTOR).

Estresse Oriundo do exercício de força, é resultante da produção de energia (ATP) por meio da glicólise anaeróbica,
metabólic responsável pelo acúmulo de metabólitos, como, por exemplo, o lactato, o fosfato inorgânico e os íons H+.
o Um dos métodos mais conhecidos, devido ao fato de propiciar grande estresse metabólico, é a restrição de
fluxo sanguíneo (oclusão vascular parcial).
Quadro 1
Os mecanismos primários associados à efetividade do treinamento com restrição de fluxo para
estimular o crescimento muscular incluem:

 o estresse metabólico, que possui papel importante no recrutamento muscular


de fibras de contração rápida;
 a liberação de hormônios anabólicos;
 o aumento da síntese proteica com ativação das vias associadas à mTOR.
Por fim, é geralmente aceito que o treinamento de força ocorre em função da combinação de
algumas variáveis, que, de acordo com o tipo de periodização (linear, não linear ou blocada),
podem propiciar estímulos adequados para ganhos de força, hipertrofia, resistência e potência
muscular. São elas:

 o número de exercícios;
 as séries;
 a intensidade de esforço;
 a velocidade de execução;
 o tipo de contração muscular;
 o intervalo de recuperação;
 a ordem dos exercícios selecionados.

3. É uma adaptação neural ao treinamento de força muscular:

A) o aumento das concentrações intracelulares de glicogênio.


B) o aumento da vascularização da musculatura esquelética.
C) a redução da ação inibitória de órgãos tendinosos de Golgi.
D) a hiperplasia no tecido muscular esquelético.
Confira aqui a resposta

4. O treinamento de força ocorre em função da combinação das variáveis a seguir,


EXCETO:

A) número de exercícios.
B) intensidade de esforço.
C) liberação de hormônios anabólicos.
D) velocidade de execução.
Confira aqui a resposta

5. “Acontece quando a tensão sobre os músculos inicia um fenômeno chamado de


mecanotransdução.” A definição apresentada se refere a:

A) estresse metabólico.
B) tensão mecânica.
C) intervalo de recuperação.
D) adaptações hipertróficas.
Confira aqui a resposta
 CAPACIDADE OU POTÊNCIA AERÓBICA

A potência aeróbica está relacionada à capacidade de gerar energia através das vias
metabólicas oxidativas, utilizando-se os substratos carboidratos e lipídios durante exercícios
dinâmicos e cíclicos, o que permite que o indivíduo realize tais atividades na maior intensidade
possível. Trata-se de uma das qualidades físicas mais associadas ao desempenho físico e
esportivo.
A capacidade ou potência aeróbica é fundamental para o sucesso, tanto em modalidades de
longa duração (entre 3 minutos e 5 horas de duração),8 quanto em modalidades intermitentes,
nas quais, mesmo havendo uma predominância da participação do metabolismo anaeróbico nos
momentos decisivos da modalidade (esportes coletivos de quadra, como o futsal, o handebol, o
basquetebol, o voleibol, o futebol de campo e as lutas, como judô e tae kwon do), a
capacidade de recuperação entre momentos de alta intensidade pode ser determinante para o
alto rendimento. Além disso, está relacionada à possibilidade de se manter um determinado
percentual da capacidade máxima de trabalho pelo maior tempo possível.8

Bons níveis de capacidade aeróbica são diretamente associados à saúde cardiovascular.


Sendo assim, inúmeros fatores são determinantes da capacidade ou potência aeróbica. De uma
forma geral, o consumo máximo de oxigênio (VO2máx) de um indivíduo
exprime a capacidade fisiológica de ventilar os pulmões, captar o oxigênio, transportá-lo no
sangue até os capilares da musculatura esquelética em exercício e utilizá-lo nos processos
oxidativos celulares para a produção de energia.
O VO2máx, em geral, se correlaciona de forma positiva com o desempenho em exercícios
prolongados de indivíduos pouco ou moderadamente condicionados, sendo que, em pessoas
altamente condicionadas, outros fatores passam a ganhar importância no alto rendimento na
medida em que se eleva o nível de desempenho do indivíduo.8 Desse modo, pode-se dizer que
são determinantes da potência aeróbica os fatores fisiológicos descritos no Quadro 2.
Quadro 2
DETERMINANTES DA POTÊNCIA AERÓBICA
Fatores Expressam a capacidade central do sistema circulatório em bombear sangue para a musculatura
centrais esquelética.

Fatores de Determinam a capacidade do sangue em transportar oxigênio.


transporte
Fatores Estão associados à capacidade de captar o oxigênio que chega aos capilares na musculatura esquelética e,
periféricos em seguida, utilizá-lo no meio intracelular para a produção de energia através da oxidação dos substratos
energéticos.

Dentre os fatores centrais, o padrão-ouro é o débito cardíaco máximo, que, por sua vez, é
determinado pela frequência cardíaca máxima e pelo volume sistólico máximo, como demonstra
a seguinte equação:
DCmáx = FCmáx x VSmáx
A frequência cardíaca máxima, em condições fisiológicas, varia apenas de acordo com a idade
do indivíduo e não costuma sofrer alterações significativas com o treinamento físico. Entretanto,
o volume sistólico é altamente sujeito a alterações em decorrência de estímulos crônicos de
exercício, uma vez que é determinado pelas dimensões cardíacas, principalmente do ventrículo
esquerdo e do volume plasmático, variáveis que se adaptam ao treinamento.
Em resposta ao treinamento aeróbico, observa-se um aumento do débito cardíaco máximo (os
valores de repouso e os submáximos não se alteram significativamente) em decorrência de uma
expansão do volume plasmático e, em atletas de alto nível, hipertrofia de cavidade do ventrículo
esquerdo – que costuma ser uma adaptação de longo prazo.
Os fatores que determinam a capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue são o número
de hemácias e a concentração de hemoglobina. São variáveis de extrema relevância e
costumam explicar, ainda que parcialmente, as diferenças entre homens e mulheres quanto à
potência aeróbica máxima (em relação às mulheres, os homens, em geral, possuem maiores
concentrações de hemoglobina).

Como resposta ao treinamento aeróbico, o número de hemácias aumenta. Entretanto, devido à


expansão proporcionalmente maior do volume plasmático, o hematócrito costuma diminuir em
indivíduos submetidos a programas de treinamento aeróbico, o que costuma ser favorável à
circulação periférica.
Perifericamente, determinam a capacidade de extração e a utilização do oxigênio – atuando, em
conjunto, e determinando o consumo máximo de oxigênio de uma pessoa e, por conseguinte,
sua potência aeróbica máxima:

 o grau de vascularização da musculatura esquelética a ser exercitada – quanto


mais vascularizado o tecido muscular, maior a área para a passagem dos gases por
difusão;
 a concentração de mioglobina, responsável por ligar-se ao oxigênio e mantê-lo
no interior da célula muscular esquelética;
 a concentração e a atividade das enzimas oxidativas;
 o número e o tamanho das mitocôndrias;
 a capacidade de redistribuição de fluxo sanguíneo quando da transição repouso-
exercício.

O desempenho em atividades predominantemente aeróbicas não é determinado exclusivamente


pelo VO2máx, mas costuma ser também influenciado pela economia de movimento e pelo limiar
anaeróbico, fatores que, em conjunto, determinam a fração de utilização do VO2máx.
A fração de utilização8 refere-se ao porcentual da potência aeróbica máxima ou do VO2máx
que pode ser utilizado por um longo período de exercício. Em atletas de alto nível, a fração de
utilização aproxima-se consideravelmente do VO2máx.
Por sua vez, a fração de utilização depende da economia de movimento, que pode ser definida
como o consumo de oxigênio ou a produção aeróbica de energia em um dado percentual da
potência aeróbica máxima.8 Por exemplo, considerando dois indivíduos com VO2máx
semelhantes, quando estiverem correndo a 10km/h – o que representaria uma intensidade
submáxima de exercício para ambos –, um deles estará consumindo menos oxigênio naquele
momento e intensidade. Isso equivale a dizer que este indivíduo possui uma melhor economia de
movimento.
A economia de movimento depende de:

 fatores antropométricos;
 técnica específica para o movimento executado; e
 força muscular.
O limiar anaeróbico de lactato representa a maior intensidade de exercício que
pode ser mantida ainda dentro de valores estáveis de lactato sanguíneo. Normalmente, os
valores de lactato nessa intensidade giram em torno de 4mmol/L de sangue, com significativas
diferenças individuais. Sendo assim, a intensidade de exercício que corresponde a
concentrações sanguíneas de aproximadamente 4mmol/L (uma vez mais, guardadas as
diferenças individuais) costuma estar fortemente associada ao desempenho em atividades
predominantemente aeróbicas.

O limiar anaeróbico é uma variável para a avaliação indireta da capacidade aeróbica de um


indivíduo, sendo que a curva de concentrações de lactato obtida durante o exercício de
intensidade progressiva em condições laboratoriais ou de campo costuma apresentar
deslocamento à direita com resposta ao treinamento da capacidade aeróbica.
Embora o limiar anaeróbico de lactato seja determinado pela capacidade do organismo em
fornecer oxigênio para a musculatura esquelética durante o exercício (e utilizá-lo no local), é
possível que ele também sofra influência de outros fatores, como:2

 a economia de movimento;
 a capacidade de tamponamento intracelular e extracelular de íons de hidrogênio;
 a capacidade de remoção de lactato e sua metabolização no fígado, no coração
e nas fibras musculares do tipo I da musculatura em repouso.
Outros fatores não associados à potência aeróbica são determinantes para o desempenho
sobretudo em exercícios mais prolongados (embora seja difícil definir o que seria “mais
prolongado” dentro do espectro de demanda fisiológica em constante mudança ao longo dos
exercícios dinâmicos, cíclicos, com predominância de metabolismo aeróbico para a geração de
energia). São eles:

 a capacidade metabólica de utilizar as reservas intramusculares e subcutâneas


de gordura, com consequente economia das reservas de glicogênio muscular;
 a magnitude das reservas musculares e hepáticas de glicogênio muscular;
 a resistência de força – que depende, por sua vez, da força muscular máxima;
 a capacidade termorregulatória no calor.

6. É uma adaptação ao treinamento da capacidade aeróbica determinante do consumo


máximo de oxigênio:

A) o aumento das concentrações intramusculares de


glicogênio.
B) o aumento do volume plasmático.
C) o aumento da taxa de sudorese total.
D) o aumento do limiar anaeróbico.
Confira aqui a resposta

7. É uma adaptação ao treinamento da capacidade aeróbica associado à capacidade do


indivíduo em se manter por um tempo prolongado em exercício de intensidade
submáxima:

A) o aumento das concentrações intramusculares de


glicogênio.
B) o aumento da vascularização no miocárdio.
C) o aumento da capacidade de tamponamento.
D) o aumento da capacidade ventilatória máxima.
Confira aqui a resposta

8. O limiar anaeróbico de lactato:

A) é uma variável de controle da capacidade anaeróbica.


B) é fator determinante do consumo máximo de oxigênio.
C) apresenta a intensidade de exercício onde começa a
predominância de metabolismo anaeróbico em atividades de
intensidade progressiva.
D) é fator importante na determinação da fração de utilização
do VO2máx.
Confira aqui a resposta

9. Qual a definição de potência aeróbica?

 A FISIOLOGIA DOS PROCESSOS DE RECUPERAÇÃO APÓS TREINAMENTOS E


COMPETIÇÕES
Para compreender a fisiologia dos processos de recuperação após treinamentos e competições,
é fundamental abordar alguns tópicos, como o significado da recuperação nos esportes, as
demandas de recuperação após treinamentos e competições, bem como a medida dessas
demandas – levando em conta os parâmetros bioquímicos, o diagnóstico da função muscular, a
frequência cardíaca, as medidas de desempenho e os instrumentos psicométricos.

O SIGNIFICADO DA RECUPERAÇÃO NOS


ESPORTES

Em geral, a recuperação é definida apenas como um processo de compensação de déficit


orgânico gerado pela atividade realizada anteriormente. Entretanto, sabe-se, atualmente, que a
recuperação é um fenômeno complexo, influenciado pelo tipo do exercício, bem como pela
intensidade e duração da sessão de treinamento.
O aumento da capacidade física ocorre basicamente em função da realização repetitiva e
sistemática de exercícios físicos. O processo de adaptação às cargas de treinamento é
comumente descrito por meio da síndrome da adaptação geral (SAG),9 e
está representado na Figura 2, na qual também é demonstrada a importância do processo de
recuperação para o aumento do desempenho físico.

Figura 2 – SAG aplicada ao contexto esportivo e importância da recuperação para o


aumento do desempenho.
Fonte: Adaptada de Fry e colaboradores (2005).9
Durante a realização do exercício físico (estresse), ocorre a chamada fase de alarme, e
adaptações agudas possibilitam que o indivíduo suporte e complete o exercício físico. Nessa
fase, são comuns a manifestação de sinais de fadiga, bem como a diminuição da capacidade de
desempenho do indivíduo.
Após várias sessões de treinamento, ocorre a fase de resistência da SAG, na qual níveis
superiores de desempenho (supercompensação) podem ser atingidos (T2 – ver Figura 2).
Entretanto, adaptações contínuas dependem da relação ótima entre as reações causadas pelos
estímulos de treinamento e a recuperação do indivíduo. Uma recuperação incompleta impede a
realização das próximas sessões de treinamento em intensidades pré-determinadas, o que pode
prejudicar o nível das adaptações pretendidas.
Caso essa condição de desequilíbrio entre estresse e recuperação se repita de forma contínua, o
organismo não é capaz de reagir adequadamente, podendo ocorrer a fase de exaustão
da SAG (overtraining), acompanhada de vários sinais e sintomas fisiológicos e
psicológicos, além da queda do desempenho esportivo de forma crônica.9
Ao contrário, uma recuperação otimizada permite que o indivíduo se restabeleça mais
rapidamente (T1 – ver Figura 2) para a próxima sessão de treinamento, tolerando, assim,
estímulos de carga elevada. Em vista disso, diferentes métodos de recuperação pós-exercício
são comumente utilizados por praticantes de diversas modalidades esportivas.
De acordo com Bishop e colaboradores,10 a recuperação pode ser categorizada de acordo com
a duração da pausa entre os estímulos (recuperação imediata, de curto prazo e entre sessões de
treinamento), os quais definem os processos fisiológicos envolvidos na restauração da
capacidade funcional. Segundo Kellmann e colaboradores,11 componentes psicológicos e
sociais podem ser determinantes no processo de recuperação.
A seguir, são apresentadas algumas recomendações para o diagnóstico das demandas de
recuperação, bem como os possíveis benefícios de diferentes métodos de recuperação
utilizados entre sessões de treinamento por praticantes de distintas modalidades esportivas.

AS DEMANDAS DE RECUPERAÇÃO APÓS


TREINAMENTOS E COMPETIÇÕES

As demandas de recuperação aumentam após situações reais de competição devido às suas


elevadas exigências metabólicas, neuromusculares e psicológicas. Isso é válido especialmente
em situações nas quais o indivíduo se submete a vários dias consecutivos de competição.
Entretanto, o treinamento diário também pode induzir a demandas especiais de recuperação.
No treinamento de força, a demanda de recuperação aumenta especialmente após a realização
de ações musculares excêntricas de intensidades elevadas – casos em que tem sido observada
uma redução da função muscular por até 72 horas após a realização do exercício. Nessas
condições, nas quais há um alongamento ativo dos sarcômeros e um menor número de
unidades motoras recrutadas, a tensão gerada sobre cada fibra muscular ativa é maior,
favorecendo o surgimento de microlesões no tecido muscular.

As reduções da função muscular podem ocorrer também após estímulos/corridas intermitentes


de alta intensidade com mudanças de direção (condições típicas em jogos coletivos), assim
como depois de sequências de saltos, como no voleibol, por exemplo.
Devido às elevadas exigências mecânicas observadas durante estímulos intensos de
treinamento intervalado, as demandas de recuperação após esse tipo de treinamento são
comumente superiores em relação às suas formas extensivas.12 Contudo, depois de estímulos
de treinamento caracterizados por volumes muito elevados, as demandas de recuperação
também podem ser bastante elevadas.
Atividades como corrida e ciclismo de longa duração se distinguem por uma alta demanda
energética, e as exigências frequentes de treinamentos e competições podem provocar
desequilíbrios na relação anabolismo x catabolismo celular.

A idade também é fator determinante para as demandas de recuperação. Curiosamente, ao


contrário do que pregam os conceitos tradicionais sobre a tolerância de crianças e adolescentes
ao exercício físico, as demandas de recuperação, nessa faixa etária, são menores em relação
àquelas dos adultos. Exercícios intermitentes de alta intensidade são mais facilmente tolerados
por crianças, as quais apresentam baixas concentrações plasmáticas de CPK, assim como
níveis menores de dor muscular.13 Atletas de idade avançada necessitam, claramente, de uma
fase maior de recuperação.

A MEDIDA DAS DEMANDAS DE


RECUPERAÇÃO
Diferentes parâmetros bioquímicos, neuromusculares e psicométricos são descritos na literatura
com o objetivo de avaliar as demandas da recuperação.

Parâmetros bioquímicos
Parâmetros bioquímicos (normalmente, concentrações sanguíneas ou urinárias de metabólitos
determinadas através de exames laboratoriais) possuem elevados níveis de fidedignidade e
objetividade. Por meio deles, é possível diferenciar entre as demandas relacionadas à
sobrecarga mecânica (CPK), processos inflamatórios (proteína C-reativa [PCR], interleucinas e
TNF-alfa) e aquelas associadas a um gasto energético extremo, resultando em um estado
predominantemente catabólico (ureia, testosterona e cortisol). A sensibilidade desses
parâmetros depende, contudo, do tipo de exigência da modalidade esportiva.

A análise da ureia e da testosterona é sugerida no monitoramento de modalidades de resistência


de longa duração, enquanto a CPK é mais recomendada em esportes de força e potência ou
após estímulos intervalados de alta intensidade. Já a PCR responde de forma não específica a
qualquer demanda física elevada.14

Diagnóstico da função muscular


Também têm sido investigadas as propriedades mecânicas musculares e sua relação com a
fadiga e a recuperação após a realização de exercícios de força, resistência e jogos
coletivos.15
Recentemente, a tensiomiografia – método não invasivo de avaliação da função
muscular com base no deslocamento radial do ventre muscular por meio de estimulações
elétricas – foi introduzida no contexto esportivo e terapêutico. São analisadas, por meio desse
método, a rigidez muscular, a duração e a velocidade de contração muscular.15 Reduções na
capacidade contrátil de diferentes musculaturas já foram observadas após uma competição de
triatlo, bem como depois de distintos protocolos de força muscular.15 Isso pode estar associado
a microlesões musculares decorrentes do exercício físico e a uma menor ativação das fibras
musculares.

Frequência cardíaca
O registro da frequência cardíaca fornece, de maneira não invasiva, informações sobre a
regulação do sistema nervoso autônomo. Ao lado das frequências cardíacas de repouso e
submáxima, a variabilidade da frequência cardíaca tem sido considerada um possível método
para o monitoramento do processo de adaptação às cargas de treinamento e às demandas de
recuperação.16
O monitoramento, de tempos em tempos, da variabilidade da frequência cardíaca durante
períodos relativamente curtos de tempo (3 dias consecutivos até 1 semana) pode proporcionar
importantes informações para a prevenção do overtraining ou do overreaching não
funcional.
Com relação às diferentes variáveis fornecidas, o registro da RMSSD (root mean square
of the successive differences) merece atenção especial.

Medidas de desempenho
Testes de desempenho motor realizados em campo são altamente específicos e apresentam
elevados valores de fidedignidade. Dentre eles, destaca-se o salto
contramovimento (CMJ)17 (countermovement jump).
Além do CMJ, há outros testes de saltos, os quais não causam fadiga e não interferem
negativamente no processo de adaptação às cargas de treinamento e de recuperação. Nesse
contexto, saltos em profundidade (drop jump), realizados por meio de uma
única ou de várias repetições de forma consecutiva, oferecem, por intermédio do registro da
altura do salto e do tempo de contato com o solo, importantes informações sobre o estado de
treinamento do sistema neuromuscular.

Instrumentos psicométricos
Além de outros instrumentos psicométricos, o questionário de Perfil dos Estados de Humor
(POMS)18 e o questionário de Estresse e Recuperação para Altetas (RESTQ-Sport)11 são
internacionalmente reconhecidos (Figura 3).
Figura 3 – Análise do estado de estresse e recuperação por meio do programa RESTQ-
Sport de dois atletas hipotéticos. Atleta 1: elevados níveis de estresse e baixos níveis de
recuperação. Atleta 2: elevados níveis de recuperação e baixos níveis de estresse. O atleta 1
apresenta uma grande demanda de recuperação nos níveis físico, mental e social.
Fonte: Adaptada de Kellmann e colaboradores (2009).11
Entretanto, devido ao extenso número de itens, o uso diário desses instrumentos é limitado. Em
razão da facilidade de registro e da elevada relevância prática, a avaliação da dor muscular
tardia (DMT) a partir de uma escala visual tem se mostrado muito eficiente.19

Nem todos os procedimentos para registro das necessidades de recuperação são viáveis e
aplicam-se em condições práticas. Outro aspecto a ser considerado é a sensibilidade do
parâmetro utilizado em função da especificidade do esporte. Parâmetros neuromusculares,
bioquímicos e relacionados ao sistema nervoso autônomo podem apresentar um padrão de
comportamento individual. Logo, são indispensáveis a coleta e a análise de variáveis e
instrumentos psicométricos, bem como a comunicação clara e efetiva entre atletas e técnicos.

10. Como ocorre o aumento da capacidade física?

11. O monitoramento da variabilidade da frequência cardíaca por curtos períodos de


tempo pode proporcionar:

A) maior resistência física.


B) prevenção da mecanotransdução.
C) prevenção do overtraining.
D) aumento da potência aeróbica.
Confira aqui a resposta

12. “Em geral, a __________ é definida apenas como um processo de compensação de


____________ orgânico gerado pela atividade realizada anteriormente.” Assinale a
alternativa que preenche corretamente as lacunas:

A) recuperação – déficit.
B) intensidade – overtraining.
C) atividade física – estresse.
D) sessão de treinamento – ciclo.
Confira aqui a resposta

13. Sobre os testes de desempenho motor realizados em campo, é possível afirmar que:
A) necessitam de instrumentos psicométricos para sua
realização.
B) são considerados parâmetros bioquímicos.
C) são inconclusivos para medidas de demanda de
recuperação.
D) são altamente específicos e de elevados valores de
fidedignidade.
Confira aqui a resposta

 EVIDÊNCIAS SOBRE A EFICIÊNCIA DE DIFERENTES MÉTODOS DE


RECUPERAÇÃO
Diversos são os métodos e as estratégias de recuperação observados no meio esportivo, tais
como a reposição de líquidos e nutrientes utilizando ou não suplementos nutricionais, o sono, a
recuperação ativa incluindo exercícios de alongamento, os banhos de contraste, a crioterapia, a
sauna, a massagem, as roupas de compressão, os procedimentos psicológicos, a acupuntura e
a terapia com LED (light emitting diode). Entretanto, grande parte desses métodos ainda
necessita de comprovação científica. A seguir, são abordados brevemente alguns métodos de
recuperação de grande popularidade na prática esportiva.

RECUPERAÇÃO ATIVA
Podem ser consideradas como métodos de recuperação ativa:

 atividades aeróbicas de baixa intensidade envolvendo grandes grupos


musculares (por exemplo, corrida e ciclismo) com o objetivo de acelerar a remoção de
metabólitos gerados pela contração muscular;
 técnicas de mobilização ou exercícios de alongamentos com o objetivo de aliviar
a tensão muscular; ou
 atividades como hidroginástica e pequenos jogos de caráter lúdico, por meio dos
quais pode ser estimulado o treinamento da coordenação e da cognição.
Ainda existem, todavia, divergências quanto à eficiência da recuperação ativa, especialmente
quando relacionada ao desempenho motor. De fato, observa-se a remoção mais eficaz do
lactato sanguíneo, bem como o restabelecimento do equilíbrio ácido-base. Por outro lado, os
depósitos de glicogênio muscular podem ser reduzidos em função de um maior gasto
energético.20 Em saltos e sprints, esses métodos não têm proporcionado alterações da
capacidade de desempenho muscular, assim como permanecem, por parte dos atletas, queixas
de dores musculares na maioria dos casos.21
São necessárias mais pesquisas que investiguem os efeitos de diferentes intensidades de
recuperação ativa após os mais variados tipos de exercícios físicos e ações musculares. É
importante alertar também para um possível prejuízo no processo de adaptação por conta de um
restabelecimento mais rápido da homeostase ou uma remoção mais rápida do lactato
sanguíneo.22

CRIOTERAPIA
Na maioria das vezes, a crioterapia é realizada por meio de imersão
em água fria. Os protocolos de imersão sugeridos variam com relação
à duração e à temperatura da água, tendo os mais comuns duração
entre 2 e 20min e temperaturas entre 5 e 15ºC.
A pressão hidrostática garantiria um maior retorno venoso e volume sistólico.23 Além disso, a
crioterapia promoveria drenagem dos líquidos acumulados durante o exercício e ação anti-
inflamatória.24 De fato, algumas pesquisas demonstraram alívio da dor muscular e redução nas
concentrações séricas de CPK e em marcadores de inflamação.23 Entretanto, os efeitos
desse método de recuperação sobre o desempenho motor ainda estão sendo investigados.
Reduções no desempenho motor também têm sido observadas logo após a aplicação dessa
terapia.25 Por fim, ainda é necessário verificar a aceitação da crioterapia em diferentes
situações de treinamento e competição, bem como em distintas condições climáticas (por
exemplo, em ambientes frio e quente).

SAUNA
Embora a sauna seja um método de recuperação amplamente divulgado no contexto esportivo,
poucas informações científicas relevantes sobre a sua eficácia constam na literatura atual, sendo
que a maioria das pesquisas sobre o tema não foi metodologicamente controlada.

Em razão de os efeitos da sauna, no contexto esportivo, ainda não terem sido suficientemente
esclarecidos, a sua utilização como método de recuperação em crianças e
adolescentes é questionável, principalmente considerando-se diferenças na capacidade
termorregulatória dessas populações.
Reduções na capacidade física poderiam ocorrer por conta da desidratação devido à exposição
ao calor. Por outro lado, já foram descritas reduções na sensação da dor muscular após a
utilização desse método.26 A sauna é praticada como forma de relaxamento e,
consequentemente, com o objetivo de melhorar o nível da qualidade do sono.
Também para essa modalidade, necessidades específicas relacionadas ao perfil da modalidade
esportiva e preferências individuais podem influenciar na avaliação da eficácia do método.

MASSAGEM
A massagem tem sido amplamente divulgada, há algumas décadas, como meio facilitador da
recuperação em diferentes modalidades esportivas. A sua aplicação se justifica pelo
aquecimento dos tecidos locais, bem como pelo aumento do fluxo sanguíneo.
Entretanto, antes e depois de treinamentos e competição,27,28 esse método não tem
resultado em alterações significativas no fluxo sanguíneo, bem como na amplitude de
movimento, nos níveis de força e dor muscular. Em contraponto a isso, estudos têm registrado
melhora do humor e do bem-estar nos praticantes, assim como aumento nos níveis de
relaxamento.29

USO DE ROUPAS DE COMPRESSÃO


Recentemente, o uso de roupas de compressão (meias e calças) tem se tornado popular no
meio esportivo. Seu uso pode ser profilático, aumentar o desempenho esportivo e auxiliar no
processo de recuperação.

Devido à sua praticabilidade, o uso de roupas de compressão tem sido sugerido, juntamente
com a imersão em água, imediatamente após a prática de exercício.
Os fundamentos científicos para o uso de roupas de compressão são o aumento do retorno
venoso, a aceleração da remoção do lactato sanguíneo e a redução da dor muscular. Em
situações de treino e competição, entretanto, existem poucas evidências sobre o aumento do
desempenho dos esportistas após a adoção desse método.30

14. Com relação à imersão em água fria após o exercício intenso, é correto afirmar que:

A) diminui a dor muscular de início tardio por reduzir os níveis


de acidose.
B) pode diminuir o surgimento de processos inflamatórios por
aumentar o fluxo sanguíneo local.
C) pode diminuir a dor muscular de início tardio por reduzir a
magnitude de processos inflamatórios.
D) pode inibir o surgimento de processos inflamatórios por
melhorar o retorno venoso.
Confira aqui a resposta

15. Qual método de recuperação tem seu uso contraindicado para crianças e
adolescentes?

A) Massagem.
B) Sauna.
C) Recuperação ativa.
D) Uso de roupas de compressão.
Confira aqui a resposta

16. Com relação à aplicação da massagem como método de recuperação, analise as


alternativas a seguir.
I – Proporciona aumento do fluxo sanguíneo.
II – Proporciona aquecimento dos tecidos locais.
III – Causa desidratação devido à exposição ao calor.
IV – Contribui para melhorar o humor e o bem-estar, bem como aumenta os níveis de
relaxamento.
Qual(is) está(ão) correta(s)?

A) Apenas a I.
B) Apenas a I e a II.
C) Apenas a II e a III.
D) Apenas a I, a II e a IV.
Confira aqui a resposta

17. Com relação à crioterapia, analise as alternativas a seguir.


I – Promove drenagem dos líquidos acumulados durante o exercício.
II – Tem ação anti-inflamatória.
III – Na maioria das vezes é realizada por meio de imersão em água fria.
IV – Os efeitos desse método de recuperação sobre o desempenho motor ainda estão
sendo investigados.
Qual(is) está(ão) correta(s)?

A) Apenas a I.
B) Apenas a III.
C) Apenas a I e a IV.
D) A I, a II, a III e a IV.
Confira aqui a resposta

18. Com relação aos marcadores fisiológicos da carga de treinamento, é possível afirmar
que:

A) as concentrações plasmáticas de cortisol e a testosterona


são indicadores do grau de sobrecarga mecânica e desgaste
estrutural do músculo esquelético.
B) as concentrações aumentadas de cortisol e testosterona
estão associadas ao surgimento do overtraining.
C) as concentrações aumentadas pós-exercício de CPK são
indicadoras do nível aumentado de estresse geral do
organismo.
D) as concentrações de CPK são indicadoras do nível de dano
celular no músculo esquelético e da capacidade de suportar
cargas mecânicas pela musculatura.
Confira aqui a resposta

 CASOS CLÍNICOS
CASO CLÍNICO 1

Um jogador de futebol de campo profissional, atuante na primeira divisão do campeonato


brasileiro, tem sua concentração plasmática de CPK determinada sempre depois dos jogos
(normalmente entre 24 e 36 horas após o fim dos jogos) e no dia do próximo jogo (algumas
horas antes do evento, de forma geral).
As concentrações pré-jogo costumam variar entre 250 e 300UI, e as pós-jogo variam entre
900 e 1.200UI. Os jogos costumam acontecer sempre aos fins de semana, de modo que a
equipe tem as semanas abertas, com todos os dias disponíveis para recuperação e
treinamento.
Em um dado momento da temporada, a frequência de jogos aumenta, sendo que, durante
várias semanas seguidas, há jogos não só nos fins de semana, como também nas quartas
ou quintas-feiras. As concentrações pós-jogo continuam na mesma faixa de concentração
(isto é, entre 900 e 1.200UI), mas as concentrações pré-jogo variam entre 500 e 600UI.

19. Com base no estudo desse caso, pode-se dizer que o aumento das concentrações
pré-jogo ocorreu devido:

A) ao fato de as concentrações pós-jogo não terem


aumentado.
B) à dificuldade do organismo em recuperar a microestrutura
muscular.
C) ao fato de o atleta estar tentando “se poupar” durante os
jogos, realizando, voluntariamente, um número menor de
ações táticas no intuito de reduzir a sobrecarga mecânica
total sobre o seu corpo.
D) ao fato de o jogador ter sua concentração plasmática
de CPK determinada sempre depois dos jogos.
Confira aqui a resposta

CASO CLÍNICO 2

Um corredor de provas de longa distância utiliza o limiar anaeróbico de lactato determinado


através de corridas de 1.000m em intensidade progressiva, realizadas na pista de atletismo, até
ocorrer a fadiga voluntária. O atleta costuma atingir a concentração sanguínea de lactato de
4mmol/L quando corre a 16km/h, sendo esse o seu limiar anaeróbico. Na velocidade de corrida
em seu limiar, a frequência cardíaca registrada é de, aproximadamente, 145-150 batimentos por
minuto (bpm).
Em uma reavaliação com corridas progressivas de 1.000m, ao atingir a velocidade de
16km/h, o atleta registra uma concentração de lactato de 3mmol/L. Seu treinador, contente
com o desempenho, comemora o rendimento e o desvio à direita da curva de lactato.
Entretanto, o atleta apresenta, nessa intensidade, uma frequência cardíaca de 160bpm;
queixando-se de cansaço, interrompe o teste quando chega a 17km/h. Os testes foram
feitos na mesma hora do dia e em condições ambientais semelhantes.

20. Como interpretar e como o fisioterapeuta esportivo deve atuar sobre o caso clínico 2?
Confira aqui a resposta

 CONCLUSÃO
É evidente que o treinamento de atletas visando o alto nível de desempenho envolve o profundo
conhecimento de todas as intrincadas, e inter-relacionadas, respostas fisiológicas ao exercício
crônico de diferentes naturezas.
Para que os princípios do treinamento da sobrecarga e a especificidade sejam atendidos e
propiciem o esgotamento das máximas possibilidades do organismo em termos de desempenho,
é necessário que os fatores fisiológicos determinantes do desempenho sejam diagnosticados e
os mecanismos biológicos envolvidos na produção de trabalho sejam apropriadamente
estimulados.
Além disso, manter o nível de função de um organismo no limite de suas possibilidades constitui
um desafio para treinadores, atletas e equipe multidisciplinar envolvidos no contexto. Não há
uma única forma, ou a mais indicada, para se recuperar um atleta envolvido no treinamento de
alto rendimento, assim como não há uma única variável fisiológica indicadora do nível de
estresse ao qual o indivíduo encontra-se exposto. No treinamento moderno de alto nível,
entretanto, a elaboração de programas normalmente contempla o monitoramento de diferentes
variáveis indicadoras de estresse, bem como dispõe sobre a aplicação de distintas estratégias
de recuperação, específicas para as mais diversas demandas.

 RESPOSTAS ÀS ATIVIDADES E COMENTÁRIOS


Atividade 1
Resposta: D
Comentário: O aumento do número de miofilamentos contráteis e das miofibrilas, ou seja, do
número de sarcômeros em série, constitui a hipertrofia miofibrilar, diretamente associada à
melhora da força muscular.
Atividade 2
Resposta: A
Comentário: A potência anaeróbica lática refere-se à obtenção rápida de energia através da
glicólise, com subsequente formação de ácido lático, processo predominante como via
energética em exercícios com duração de até, aproximadamente, 150-180 segundos, quando
realizados em intensidade máxima subjetiva.
Atividade 3
Resposta: C
Comentário: As adaptações neurais se referem ao processo de geração do estímulo neural para
o recrutamento das unidades motoras e seu controle. Corresponde a uma adaptação neural ao
treinamento de força muscular a redução da ação inibitória de órgãos tendinosos de Golgi.
Atividade 4
Resposta: C
Comentário: É geralmente aceito que o treinamento de força ocorre em função da combinação
das diversas variáveis como: número de exercícios; séries; intensidade de esforço; velocidade
de execução; tipo de contração muscular; intervalo de recuperação; ordem dos exercícios
selecionados.
Atividade 5
Resposta: B
Comentário: A tensão mecânica acontece quando a tensão sobre os músculos inicia um
fenômeno chamado de mecanotransdução, em que os mecanorreceptores do músculo
ultrapassam o sarcolema, tais como as integrinas, e convertem a energia mecânica em sinais
químicos que medeiam vários processos intracelulares anabólicos e catabólicos de forma a
favorecer a síntese sobre a degradação proteica.
Atividade 6
Resposta: B
Comentário: O aumento do volume plasmático leva a um aumento do volume sistólico máximo e,
por conseguinte, do débito cardíaco máximo.
Atividade 7
Resposta: A
Comentário: O aumento das reservas do substrato energético glicogênio não causa melhora da
potência aeróbica máxima, mas permite ao indivíduo permanecer mais tempo em exercício em
dada intensidade relativa.
Atividade 8
Resposta: D
Comentário: O limiar anaeróbico de lactato representa a maior intensidade de exercício que pode
ser mantida sem que haja um aumento exponencial da concentração plasmática de lactato.
Atividade 11
Resposta: C
Comentário: O monitoramento da variabilidade da frequência cardíaca durante períodos
relativamente curtos de tempo (três dias consecutivos até uma semana) pode proporcionar
importantes informações para a prevenção do overtraining, bem como
do overreaching não funcional.
Atividade 12
Resposta: A
Comentário: Em geral, a recuperação é definida apenas como um processo de compensação de
déficit orgânico gerado pela atividade realizada anteriormente. Entretanto, sabe-se, atualmente,
que a recuperação é um fenômeno complexo, influenciada pelo tipo do exercício, pela
intensidade e pela duração da sessão de treinamento.
Atividade 13
Resposta: D
Comentário: Os testes de desempenho motor realizados em campo são altamente específicos e
apresentam elevados valores de fidedignidade. Dentre eles, destaca-se o CMJ.
Atividade 14
Resposta: C
Comentário: O processo inflamatório originado pelos danos microscópicos na estrutura proteica
do tecido muscular (causado pela sobrecarga mecânica da atividade) é associado ao surgimento
de dor horas ou dias após a realização do exercício. A vasoconstrição local causada pela
imersão em água fria pode reduzir momentaneamente o fluxo sanguíneo e, por conseguinte,
inibir a magnitude do processo inflamatório e a percepção de dor.
Atividade 15
Resposta: B
Comentário: Em razão de os efeitos da sauna, no contexto esportivo, ainda não terem sido
suficientemente esclarecidos, a sua utilização como método de recuperação em crianças e
adolescentes é totalmente contraindicada.
Atividade 16
Resposta: D
Comentário: Há algumas décadas, a massagem tem sido amplamente divulgada como meio
facilitador da recuperação em diferentes modalidades esportivas. A sua aplicação proporciona o
aquecimento dos tecidos locais, o aumento de fluxo sanguíneo, bem como a melhora do humor e
do bem-estar, além de um aumento nos níveis de relaxamento.
Atividade 17
Resposta: D
Comentário: Na maioria das vezes, a crioterapia é realizada por meio de imersão em água fria. A
pressão hidrostática garantiria um maior retorno venoso e volume sistólico e, consequentemente,
maior fluxo sanguíneo nos tecidos musculares. Além disso, a crioterapia promoveria drenagem
dos líquidos acumulados durante o exercício e ação anti-inflamatória. Entretanto, os efeitos
desse método de recuperação sobre o desempenho motor ainda estão sendo investigados.
Atividade 18
Resposta: D
Comentário: A atuação das cargas mecânicas durante a atividade física sobre o tecido muscular
pode causar rompimento da membrana celular e extravasamento de conteúdo sarcoplasmático.
A enzima CPK é uma substância que surge aumentada no plasma sanguíneo em decorrência
desse processo.
Atividade 19
Resposta: B
Comentário: O aumento das concentrações pré-jogo pode estar relacionado à dificuldade do
organismo em recuperar a microestrutura muscular, ou seja, o nível de regeneração do tecido
muscular não pode ser mantido em função do aumento da frequência dos jogos. Observa-se que
as concentrações pós-jogo não aumentaram. Isso pode significar que o atleta está tentando “se
poupar” durante os jogos, realizando, voluntariamente, um número menor de ações táticas no
intuito de reduzir a sobrecarga mecânica total sobre o seu corpo e a magnitude do desgaste
estrutural da musculatura. Nesse caso, não há possibilidade de reduzir a carga de jogos imposta
pela estrutura da modalidade. Logo, devem ser considerados os seguintes aspectos: a melhora
das intervenções que facilitam e aceleram o processo de recuperação, como a imersão em água
fria após as atividades; o cuidado ao distribuir e aplicar as cargas de treinamento entre os jogos
para evitar que os estímulos de treinamento, em vez de promoverem adaptação ao atleta, levem-
no à fadiga crônica com redução do rendimento esportivo (overtraining) e a lesões do
sistema locomotor; a atenção especial, durante a pré-temporada e o período de “semanas
abertas”, no sentido de enfatizar o desenvolvimento da força muscular e a eliminação de
desequilíbrios nas relações de força – fator predisponente à lesão, principalmente se associado
à fadiga e a altas cargas de exercício em treinamentos e competições.
Atividade 20
Resposta: A concentração de lactato sanguíneo realmente diminuiu para a mesma intensidade
absoluta e submáxima de exercício (corrida a 16km/h). Tal fato pode ser interpretado como a
melhora da capacidade aeróbica do atleta. Entretanto, o atleta apresenta uma frequência
cardíaca 10bpm superior à frequência normalmente registrada naquela intensidade. Além disso,
apresenta cansaço, interrompendo o teste em uma intensidade por ele ainda considerada
moderada. Esse conjunto de fatores indica, no mínimo, que o atleta está com suas reservas de
glicogênio muscular gravemente depletadas, o que impede a formação adequada de lactato
sanguíneo, impedindo que as concentrações no sangue aumentem da forma esperada. Isso,
associado à frequência cardíaca aumentada, indica que o atleta não está recuperado. Além do
cuidado para não se interpretar erroneamente o desvio à direita da curva de lactato, é
imprescindível que o atleta não permaneça tempo em demasia nessa condição de fadiga, na
qual ele não apenas torna-se incapaz de assimilar novos estímulos de treinamento e de se
adaptar, como também pode desenvolver a síndrome do overtraining. Nesse caso,
recomenda-se a diminuição da intensidade e do volume total do treinamento, bem como a
observação das respostas fisiológicas e do desempenho do indivíduo. A dosagem regular das
concentrações salivares de cortisol e testosterona (em homens) pode lançar luz sobre o estado
de estresse e recuperação do indivíduo. No caso clínico 2, concentrações de cortisol elevadas,
principalmente se associadas à diminuição das concentrações de testosterona, podem ser
indicadoras da dificuldade de recuperação e de eventual overtraining.

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Como citar a versão impressa deste documento

Prado LS, Ferrauti A, Prestes J, Tibana RA, Wiewelhove T, Simola RAP. Fisiologia do exercício
no esporte de alto rendimento. In: Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva; Oliveira RR,
Macedo CSG, organizadores. PROFISIO Programa de Atualização em Fisioterapia Esportiva e
Traumato-Ortopédica: Ciclo 5. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2015. p. 09-40. (Sistema de
Educação Continuada a Distância, v. 1).

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