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O nome, a taxonomia e o

campo do
Aconselhamento
psicológico
O que significa aconselhar?

 Aconselhar: diferentes sentidos: mostrar, indicar, sugerir,


recomendar, orientar, troca de opiniões sobre algum assunto.

 Na esfera da Psicologia ou Pedagogia, aconselhamento nomeia


auxílio ou orientação que um profissional presta ao paciente nas
decisões que este deve tomar quanto a escolha de alguma
profissão, cursos ou quanto a resolução de pequenos
desajustamentos de conduta.

 Imagem perturbadora para os alunos – prática psicológica


obrigada a fornecer solução de pequenos desajustamentos de
conduta ou direções claras para decisões a serem tomadas por
um paciente – isto tem raízes nas práticas iniciais do
Aconselhamento psicológico.
História do aconselhamento

 Sheffer – no livro “Aconselhamento Psicológico” de


1976: localização das teorias Traço e Fator e Centrada
no Cliente como tradicionais para o campo.

 Livro também define e defende a distinção entre


Aconselhamento psicológico e psicoterapia.

 Apresentação sistemática feita pela autora: responde a


migração da esfera da prática eclética de vários
indivíduos com ou sem formação para uma prática
controlada pelos dispositivos científicos.
História do aconselhamento: Teoria
Traço e Fator
 Teoria Traço e Fator: considerada o ponto inicial da afirmação do
Aconselhamento psicológico como prática especializada e área de atuação e
conhecimento da Psicologia.

 Nasce ligada a psicometria e à orientação vocacional.


 Duas concepções centrais nesta teoria: a de que cada indivíduo é portador
de um conjunto de capacidades e potencialidades passíveis de medição, as
quais podem ser correlacionadas com habilidades e características exigidas
por diferentes profissões, derivando daí sua íntima proximidade com o
desenvolvimento de testes psicológicos, bem como a orientação vocacional
e profissional; e de unidade entre organismo e ambiente, com o
reconhecimento da influência do ambiente social no organismo, remetendo a
função de ajustamento do aconselhamento.

 Prática cujos objetivos são educacionais e normativos e cujas técnicas


combinam a aplicação de testes psicológicos com a sugestão e persuasão
exercida pelo conselheiro sob o orientando.
História do aconselhamento: Teoria
Traço e Fator
 Atuação se baseia na confiança e no poder da educação como meio para atingir
boa adaptação social do jovem e na crença preditiva dos testes de aptidões e
personalidade.

 Isto pressupõe auxílio para o desenvolvimento das potencialidades: Este auxílio se


baseia no diagnóstico do indivíduo e de seus conhecimentos sobre o contexto
social.

 Apelo a um trabalho racional cognitivo de convencimento por parte do conselheiro


e de aceitação por parte do aconselhando.

 Priorizando a adaptação e ajustamento do indivíduo à sociedade, especialmente


às instituições escolares e de trabalho, a Teoria do Traço e Fator define o
aconselhamento como distinto da psicoterapia.

 Esta Teoria suscita representação prescritiva do Aconselhamento


Teoria traço e fator
• Vocação para responder demandas
institucionais e sociais através de
dispositivos psicológicos e educacionais;

• Atuação mais ampla dos psicólogos.

• Colaboração deste profissional –


interdisciplinaridade.
História do aconselhamento:
Entrada de Rogers nesse campo
 Publicação em 1942, “Aconselhamento e Psicoterapia” de Rogers: primeiros
passos da teoria centrada no cliente.

 Rogers: formado em agronomia, inicia estudos teológicos e mais tarde se


interessa pela Psicologia, obtendo doutorado nessa área em 1931, na
Universidade de Columbia.

 Entre 1928 e 1940, trabalhou como psicólogo num Departamento de Prevenção


de Violência contra criança em Nova York e atuou de acordo com o modelo
hegemônico de Aconselhamento baseado na teoria Traço e Fator.

 Na época: diagnóstico funcionava como um divisor de águas. Diferenciava


indivíduos que podiam se beneficiar do aconselhamento e aqueles que deveriam
ir para psicoterapia por apresentarem distúbios mais graves.

 Aos psicólogos fica destinada a tarefa do diagnóstico, enquanto que aos médicos
cabia o tratamento baseada na psicanálise.
História do aconselhamento:
Entrada de Rogers nesse campo
 Teoria Traço e Fator, articulou a vertente experimental dos estudos
psicométricos a um conjunto de práticas de atendimento que guardavam
espécie de distancia ótima em relação às práticas médicas e ao mesmo
tempo apropriava-se de uma prática costumeira do senso comum – ato de
aconselhar, atribuindo-lhe aura de cientificidade.

 É nesta região que Rogers se instala. E ela mesma será transformada pela
emergência a teoria centrada no cliente.

 Rogers:insatisfação com os procedimentos e resultados do


aconselhamento aliado a alguns efeitos colaterais positivos resultantes de
sua presença acolhedora e respeitosa em relação a alguns pais de
crianças: disparador de deslocamento nos focos de atuação de Rogers.

 Prioridade pela abordagem psicométrica ao problema, ao instrumental de


avaliação e aos resultados foi substituída pela focalização na pessoa do
cliente, da relação cliente-conselheiro e do processo.
História do aconselhamento:Fase da
psicoterapia não diretiva
 Primeiro período de elaboração de suas idéias – livro Aconselhamento e Psicoterapia –
fase da psicoterapia não-diretiva.

 Expressão não-diretiva – polêmica – sinônimo de ausência de interferência do


psicoterapeuta: Na verdade surge como uma reação a diretividade presente nas práticas
de aconselhamento.

 Conselheiro: aparece então como ouvinte interessado e compreensivo, que por meio
técnica da reflexão poderia propiciar exploração pessoal do cliente e que esta
exploração se configurasse o mais próximo de suas vivências e percepções atuais e
conscientes.

 Função do conselheiro: propor atmosfera permissiva, não autoritária no sentido de


proporcionar completa liberdade para o cliente estabelecer o seu próprio andamento e
direção. Objetivo de liberar o outro de suas defesas. Conselheiro tinha respostas
clarificadoras e de aceitação.

 Técnica da reflexão foi objeto de pesquisas empíricas, dentro do modelo positivista de


pesquisa. A atenção aos conteúdos semânticos da comunicação entre terapeuta e
cliente e o interesse pragmático em provar a eficácia da técnica da reflexão,
obscureceram as dimensões político-ideológicas que a terapia não-diretiva ensaiava
colocar em pauta.
História do aconselhamento:As
atitudes facilitadoras

 Publicação de cartilhas ou manuais de como atuar de modo não


diretivo. Foi alvo de piadas que associavam a não-diretividade à
mera repetição. Esta técnica é colocada em suspeição pelo próprio
Rogers.

 Rogers passa a se interessar pela presença da pessoa do


terapeuta por meio da noção de autentidade.

 A partir de 1957, Rogers passou a elaborar o que viria a ser um


dos pilares de sua formulação teórica: as atitudes básicas e sua
relação com a criação de um clima ou atmosfera facilitadores do
crescimento humano: origem da psicoterapia centrada no cliente.
História do aconselhamento:As
atitudes facilitadoras
 A pressuposição da existência de potencialidades humanas que se desdobram
por meio de certas condições favoráveis presente na teoria do traço e fator,
traduz-se em Rogers em tendência atualizante.

 Rogers se preocupa com as condições necessárias e suficientes para que a


atualização da tendência a maior complexidade e integração dos organismos
ocorra nos seres humanos. – Chega a equação básica segundo a qual a
presença de atitudes como congruência, aceitação positiva incondicional e
empatia, permitem a ocorrência da aprendizagem subjacente ao crescimento e
à mudança.

 Esta equação básica é transposta para outros campos além do consultório a


partir dos anos 70 – passagem para a Abordagem Centrada da Pessoa.
História do aconselhamento: Rogers –
transformações no campo tanto do
aconselhamento como da psicoterapia.
 Estas formulações de Rogers, destrói as diferenças entre aconselhamento
e psicoterapia. Isto permite uma liberdade para uma atuação mais ampla –
atuação propriamente clinica dos psicólogos, barrada até então pela
psiquiatrização da psicanálise.

 Outra questão posta: o lugar da aprendizagem no entendimento da


psicoterapia. No livro “Psicoterapia Centrada no Cliente” define a
psicoterapia como um processo de aprendizagem – aprendizagem
significativa que integra dimensões afetivas e cognitivas.

 Conceito de aprendizagem significativa define a psicoterapia como


processo de aprendizagem, sem contudo caracterizá-la como prática
pedagógica.

 Ampliação e diversificação do Aconselhamento psicológico para além das


práticas psicoterápicas.
História do aconselhamento: Rogers –
transformações no campo tanto do
aconselhamento como da psicoterapia.

 Há um apagamento das fronteiras entre psicoterapia e aconselhamento. A separação


que se dava localizando a psicoterapia no campo saúde/doença mental perseguindo
objetivos curativos e do aconselhamento no eixo da adaptação/desadaptação social
desaparece. Sem se identificar com objetivos educacionais, a proposta rogeriana
também se distancia do modelo médico-curativo: não busca nem ensinar, nem
curar,mas proporcionar uma experiência auto-reveladora e produtora de mudanças
na consciência e na conduta.

 O esmaecimento das fronteiras entre aconselhamento e psicoterapia e conceito de


aprendizagem significativa amplia a aconselhamento baseado na teoria centrada no
cliente para além das práticas psicoterápicas.

 Idéias de Rogers acenam para a possibilidade de uma clínica ampliada para os


psicólogos, no entanto abre para participação de leigos e profissionais ligados aos
assuntos humanos, na construção de práticas propícias à aprendizagem significativa.
Nesta perspectiva introduz o questionamento do poder do especialista.
A figura do conselheiros em
Rogers
 Facilitador para Rogers configura o conselheiro que pode ser ou não o
especialista, uma vez que sua função é a capacidade de viver e traduzir em
palavras e gestos, enfim pela sua presença pessoal e pelas atitudes básicas.

 Facilitador define-se politicamente pela busca de compartilhar e/ou abandonar


o poder de controle e tomada de decisão.

 Radicalidade na posição de Rogers sobre o poder dos especialistas, limitando-


se as oferecer as condições favoráveis para o crescimento, aliado a sua
confiança nas capacidades auto-reguladoras dos indivíduos é um dos
aspectos mais expressivos da posição rogeriana.

 Na psicologia esta radicalidade, faz com que abandone da construção de


teorias de personalidade, desenvolvimento ou psicopatológicas. Na Educação
reverte no chamado de que os professores abandonem o intento de ensinar
para tornarem-se facilitadores do processo de aprendizagem. Isto representou
um contraponto às tendências autoritárias concebidas no boom da psicometria.
Algumas críticas
 3 temas problemáticos, inter-relacionados: concepção de homem
que dota de potencialidades que requerem algum tipo de ajuda
para desenvolverem ou atualizarem; a idéia de uma relação
indivíduo ambiente que precisaria ser levada em conta e o tipo de
vocação institucional das práticas de aconselhamento.

 Pressuposto das potencialidades humanas e sua correlação com


formas de intervenção disciplinar têm forte enraizamento na
psicometria e sustentaram a instituição do Aconselhamento
Psicológico associado à orientação vocacional.

 A lógica das potencialidades serve ideologicamente aos propósitos


de instalação de uma ciência psicológica que aspira a previsão, ao
controle e a manipulação dos fenômenos humanos.
Algumas críticas
 A potencialidade postula um conjunto de características, atributos e
interesses e habilidades intrínsecas do indivíduo que por sua
estabilidade e padronização pode ser objetivado e correlacionado à
conduta atual e futura de um indivíduo. Essa objetivação dá suporte
e justifica a intervenção autoritária do conselheiro.

 Noção de potencialidade migra para a teoria centrada no cliente sob


a forma de tendência atualizante.Nesse caso não é o destino que
deve ser encaminhado ou controlado no rumo da boa socialização,
mas da atualização ou realização de uma tendência natural dos
organismos vivos à maior integração e complexidade.

 De cunho biologicista, esta noção rogeriana pressupõe a existência


de um ambiente psicossocial favorável ao crescimento e
desenvolvimento naturais.
Algumas críticas
 Potencialidades humanas encenam o tema da oposição indivíduo-
sociedade. Em ambas abordagens (Traço e Fator e ACP) a uma
reconciliação entre indivíduo e sociedade.

 Indivíduo procura ajuda por se sentir desadaptado ou


desconfortável atribuindo esta responsabilidade a si mesmo ou ao
ambiente.

 O indivíduo apto a receber aconselhamento é aquele que não


apresenta problemas de instabilidade emocional e cujo ambiente
pode dar suporte a sua adaptação.Rogers discutindo os limites da
consulta psicológica, localiza estes limites nas condições de vida e
nos recursos e desejos do cliente.
Algumas críticas
 Esse modo de enfocar os limites do o aconselhamento psicológico que
Rogers compartilha nos anos 40 com a teoria traço e fator, separa o
campo da normalidade psíquica daquele das patologias. Esta prática fica
limitada aos indivíduos normais,deixando as patologias para a
psicanálise.

 Desemprego ou ambiente familiar hostil só aparecem à Psicologia na


medida que aparecem num indivíduo que devido às suas inabilidades,
precisa de ajuda para enfrentá-los. Não se trata de intervir ou
compreender as raízes societárias do desemprego ou da hostilidade
familiar, mas de intervir localmente no ambiente ou deslocar o indivíduo
de seus ambiente, visando a mudança do indivíduo.

 Intervenção recai sobre o individuo – prática se torna conformista ao


modelo da sociedade.
Aconselhamento psicológico –
prática ligada a instituições
 Estudantes e empregados das indústrias foram a clientela privilegiada do
aconselhamento psicológico. No livro: Aconselhamento e psicoterapia,
Rogers destaca as clínicas de orientação pedagógica, a consulta
psicológica a estudantes, os serviços de higiene mental para adultos, etc –
Estes espaços mostram a vocação institucional do Aconselhamento
psicológico diversa da clínica praticada em consultórios.

 Inserção em instituições educacionais, clínicas de orientação pedagógica,


setores de industrias apoiou-se numa transposição modelo clínico de
consultório dando corpo a uma prática que pode ser chamada de psicologia
em instituições mais do que psicologia institucional.

 Aconselhamento – recorte da abordagem do individuo contra o pano de


fundo de instituições sociais e da própria sociedade, como todos orgânicos
e harmônicos nos quais o indivíduo emerge como portador de sintomas
e/ou capacidades pessoais.
Aconselhamento psicológico –
prática ligada a instituições
 Década 60 – crítica – ênfase nas relações institucionais. Rogers, no entanto, se
mantém fiel às suas concepções sobre o lugar das relações interpessoais e do poder
pessoal nas instituições, salientando o indivíduo nas instituições.

 Universidades norte-americanas- campo de experimentação do aconselhamento


psicológico, acostumadas a existência de centros de atendimento psicopedagógico
destinado a estudantes.

 Rogers atuou nesses centros e na formação de psicólogos. Sua atuação na esfera


universitária aconteceu entre 1940 a 1963 – período de consolidação de suas teorias
e práticas de aconselhamento psicológico e psicoterapia alojadas na designação
psicoterapia centrada no cliente que privilegia o setting dual e os grupos de encontro
com 8 a 12 pessoas.

 Afastamento de Rogers das Universidades coincide com expansão de seus


interesses em direção aos experimentos com grandes grupos e grupos o
transculturais, bem como o campo da educação. Esta fase é chamada de
Abordagem Centrada na Pessoa.
Aconselhamento Psicológico -
Brasil
 No Brasil: 1970 funcionavam 3 cursos de psicologia na cidade de
São Paulo: São Bento, Sedes Sapientiae e USP. Esses cursos,
entre eles o Instituto de Psicologia da USP instituíram as clínicas-
escola que visavam oferecer estágio supervisionado aos
estudantes ao mesmo tempo que davam corpo a um tipo de
extensão universitária.

 IPUSP – desde o inicio existia o serviço de aconselhamento


psicológico orientado pela teoria rogeriana ao lado de outros
serviços como a clínica psicológica e o serviço de orientação
profissional.

 Com a proliferação de cursos de psicologia no Brasil e às clínicas-


escola – tendência foi associar o aconselhamento psicológico à
psicoterapia rogeriana.
A divisão entre aconselhamento
e psicoterapia
 Ruth Scheeffer (1976) – diferenciação entre Aconselhamento psicológico e
psicoterapia – Aconselhamento psicológico aparece como assistência à maximização
dos recursos pessoais e na realização de “opções” e a psicoterapia como eliminação
de psicopatologias e reestruturação da personalidade.

 Ênfase na peritagem – distribuição da clientela de acordo com suas reais


necessidades. Psicodianóstico.

 Do lado do aconselhamento – clientes menos perturbados, com problemas


específicos, menos comprometidos em sua estrutura de personalidade. Do outro
lado a psicoterapia – clientes mais perturbados, portadores de psicopatologias, mais
comprometidos em sua estrutura de personalidade.

 Aconselhamento psicológico caracterizado como prática educativa, preventiva, de


apoio situacional, centralizado nos aspectos saudáveis, nas potencialidades e nas
dimensões conscientes e mais “superficiais” requerendo tempo abreviado.

 Psicoterapia – tratamento de problemas emocionais e patologias, de caráter


remediativo ou reconstrutivo, focalizando o inconsciente e as dimensões mais
profundas do indivíduo, demandando tempo prolongado.
A divisão entre aconselhamento e
psicoterapia: contribuições de
Rogers
 Rogers - mérito de realçar a natureza do encontro pessoal e
intersubjetivo como tendo prioridade sob as metodologias
psicodiagnósticas, as técnicas psicoterápicas e a formação
instrumental nas relações de ajuda. Isto permite enfocar a atenção,
o respeito e a compreensão pela experiência do outro como
fundamento da assistência psicológica.

 Deste angulo, acolher a insatisfação profissional ou a depressão


que um cliente abre em seu sofrimento, é mais importante do que
saber se ele é um caso para aconselhamento ou psicoterapia.

 A distinção entre psicoterapia e Aconselhamento psicológico –


conveniência profissional – muitas clínicas- escola – partem da
obrigatoriedade de procedimentos de psicodianóstico e triagem
para depois encaminharem para tratamento.
Diagnóstico, orientação,
aconselhamento e psicoterapia
 Oswaldo de Barro Santos - distinção entre diagnostico, orientação,
Aconselhamento psicológico e psicoterapia. Para ele, as técnicas
de psicodianóstico tiveram apogeu entre aos 20 e 60, devido aos
estudos dos testes psicológicos. A sofisticação dos dispositivos
psicodianóstico não foram acompanhados na mesma medida pelos
modos de intervir, tratar ou prevenir o que psicodianóstico
detectava.

 Clínica psicológica vai substituindo pouco a pouco o diagnóstico por


via dos testes pelo diagnóstico por via de entrevistas e observações
clínicas - chamado diagnóstico dinâmico – Toda teorização sobre
entrevista psicológica como situação de intervenção e investigação.

 Investigação diagnóstica dinâmica foi continua sendo decisiva para


a aceitação ou recusa de um cliente em psicoterapia.
Diagnóstico, orientação,
aconselhamento e psicoterapia
 Rogers, em “Aconselhamento e Psicoterapia” expõe um conjunto de
circunstâncias em que uma psicoterapia direta se torna impossível:

 Fatores constituintes da situação do indivíduo são tão hostis que ele não
pode enfrentar mesmo com a modificação das atitudes e compreensão.
Adaptação é improvável a não ser que o meio se altere.
 Indivíduo é inacessível à consulta psicológica.
 Tratamento eficaz pelo ambiente é mais simples e mais eficiente.
 Indivíduo demasiado idoso ou jovem ou demasiado instável.

 Em Rogers já se insinua a prevalência da condição de vida e da


posição existencial como decisiva para adesão à consulta psicológica. Por
outro lado, a qualidade do encontro tem maior implicação na eficácia da
ajuda.
Diagnóstico, orientação,
aconselhamento e psicoterapia
 Livro de Oswaldo Barros (1982) – definições de orientação,
aconselhamento e psicoterapia.

 Orientar: facilitar o conhecimento e análise de caminhos ou direções


para a conduta, com base em referenciais sociais e pessoais.
 Aconselhar: processo de indicar ou prescrever caminhos, direções e
procedimentos ou de criar condições para que a pessoa faça, ela
mesma, o julgamento de alternativas e formule opções.
 Psicoterapia- tratamento de perturbações da personalidade ou da
conduta através de metidos e técnicas psicológicas.

A referência no caso da orientação ou aconselhamento é o próprio


indivíduo e seu ambiente ou do conselheiro e seus valores; na
psicoterapia são os métodos e técnicas.
O Aconselhamento psicológico -
Instituto de psicologia da USP
 Na classificação das práticas psicológicas, o Aconselhamento
psicológico do SAP já reproduziu a divisão entre Aconselhamento
psicológico e psicoterapia. Dos anos 70 até final de 80 e inicio de 90, a
clientela era de pessoas cujas queixas eram leves e as condições de
vida menos precárias. Pessoas que não tinham graves transtornos
emocionais e que buscavam conhecer-se melhor.

 Atribuía-se a clínica psicológica por Rogers proposta as características


que tentavam distinguir o Aconselhamento psicológico da psicoterapia:
tempo abreviado, inserção em instituição educacional, clientela “sem
comprometimentos na estrutura de personalidade”, atendimento
focalizado na escolha ou crises situacionais.

 Oposição entre psicoterapia profunda identificada com a psicanálise, e


uma psicoterapia superficial identificada com ACP, faz parte ainda das
representações em circulação do instituto de psicologia da USP.
Aconselhamento como prática de
fronteira
 Transformações o do projeto do SAP , fim de 80 e início de 90 –
ressignificação do campo do aconselhamento psicológico – discussão das
fronteiras e reivindicação a uma identidade não aprisionada aos esteriótipos
agregados ao Aconselhamento psicológico e ACP.

 Aconselhamento – região onde algo pode aparecer, delinear-se sem que de


antemão de saiba o que. Caráter de abertura para a singularidade,
diversidade e pluralidade das demandas da clientela – Apelo ao estudo
interdisciplinar.

 Aconselhamento psicológico como pratica de fronteira – modo de


perspectivar o trabalho a partir de uma posição instável, que procura
articular o instituído e o instituinte;o conhecido e o desconhecido; os saberes
psicológicos e do de outras áreas, os saberes populares e o senso comum.

 Nessa perspectiva tomam corpo as práticas de atendimento e de ensino que


tem como proposta a criação de condições favoráveis a uma aprendizagem
significativa. Especialista como facilitador.
Aconselhamento como prática
de fronteira
• Aconselhamento psicológico como região de fronteira – região
entre o instituído e instituinte, conhecimento e desconhecido,
saberes psicológicos e saberes de outras áreas; nossas próprias
convicções e aquelas que são trazidas pela clientela.

• Nessa região de fronteira, tomam corpo um conjunto de práticas


clínico-psicológicas que tem como horizonte a emergência de
aprendizagem significativa.

• Deslocamento do modelo de consultório – criação de modos de


atendimento abertos a pluralidade e singularidade das demandas.
Aconselhamento como prática de
fronteira e invenções
 O Aconselhamento psicológico é concebido como o campo
de invenções de práticas que, na singularidade das
situações, propiciem a expressão do vivido de indivíduos e
grupos e sua elaboração compreensiva.

 Facilitador – é guiado pela confiança na autodeterminação e


auto-regulação de indivíduos e grupos, procurando constituir
a facilitação como uma ambiência na qual a apropriação de
percepções, idéias, sentimentos, mudanças, escolhas é
possível e desejável.

 Tanto no contexto da ajuda psicológica como do ensino:


Oferecimento de um tempo e espaço nos quais a elaboração
da experiência do cliente e dos alunos é testemunhada e
legitimada por meio da escuta e do diálogo.
O plantão psicológico
 Plantão psicológico – invenção dos primeiros adeptos da
psicoterapia centrada no cliente em São Paulo – acolhida
psicoterapêutica à margem dos dispositivos psicodiagnósticos e
burocrático-administrativos dos serviços de psicologia.

 Maior exposição do serviço aos pedidos da clientela tem como


contrapartida a flexibilidade nos modos de responder.
O plantão psicológico
 Plantão: escuta qualificada no momento que o outro busca ajuda. Não
se configura como triagem – é um espaço propício de elaboração da
experiência do cliente no que diz respeito a seu sofrimento. Permite
que o outro clarifique a natureza de seu sofrimento. O tipo de
elaboração e o grau que serão alcançados na primeira entrevista são o
critério norteador dos desdobramento possíveis.

 Escuta e diálogo associam cliente e conselheiro na consideração


atenta, respeitosa daquilo que é vital para aquele que procura auxílio.
Interlocução é o trabalho por meio do qual o cliente pode esclarecer
sua demanda e o conselheiro situar-se diante dela. Plantão – exposição
à plasticidade dos encontros.

 Entrevistas de plantão mobilizam conhecimentos e as experiências dos


estagiários nas diferentes sub- áreas, oferecendo-se como
oportunidade de conexão das mesmas em resposta às demandas das
clientela.
O plantão psicológico
 Plantão requer disponibilidade constante para
reinvenção. Ex sala de espera.

 Busca de um estilo próprio, ganho de autonomia e


atenção com os problemas de saúde pública são
incentivados nos alunos.

 Experimentação para os estagiários de um estilo próprio


ou do empoderamento de um saber-fazer profissional
acontece nessa região de fronteira em tensão com
matrizes identitárias calcadas na figura do perito,
expert,especialista.
O plantão psicológico

 Intento é empreender um deslocamento em relação á


hegemonia dos saberes científicos no trato com o sofrimento
psíquico, considerando que as práticas populares também
sedimentam modos de sentir de pensar esses acontecimentos
e a eles destinam formas de cuidado.

 A construção de modos de cuidar dá-se num espaço de


intimidade que abre feições da cidade e jeitos de habitá-la.
Cada cliente é mensageiro – apresenta a trama de relações
nas quais sua existência ganha sentido.
O plantão psicológico: a
valorização da experiência
 Cada entrevista de plantão não esta comprometida com
idéia de continuidade. Cliente se torna co-responsável
pelos prolongamentos que seu pedido de ajuda produz.

 Aconselhamento psicológico: investe na superação da


especialização para conferir autoridade à experiência.

 Importância para a experiência do não planejado.

 Fundamental a existência de espaços coletivos onde a


experiência dos alunos possa ser elaborada.
Fim