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FATORES CONTINGENCIAIS QUE INFLUENCIAM AS ESTRUTURAS ORGANIZACIONAIS DA INDÚSTRIA FARMACEUTICA

FATORES CONTINGENCIAIS QUE INFLUENCIAM AS ESTRUTURAS ORGANIZACIONAIS DA INDÚSTRIA FARMACEUTICA

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There is great variability in the structures of organizations in the pharmaceutical sector. The diversity of structures shows a possible influence of factors contingenciais. This article explores, based on the theory of contingency structural, factors contingenciais exercising strong influence on the pharmaceutical companies in the industry. It assumes that there is not a model "great" or "ideal" of structure for the organization, but a model that fits in the context of organizations.
There is great variability in the structures of organizations in the pharmaceutical sector. The diversity of structures shows a possible influence of factors contingenciais. This article explores, based on the theory of contingency structural, factors contingenciais exercising strong influence on the pharmaceutical companies in the industry. It assumes that there is not a model "great" or "ideal" of structure for the organization, but a model that fits in the context of organizations.

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FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS MESTRADO EXECUTIVO EM GESTÃO EMPRESARIAL Disciplina: Pensamento Organizacional Prof°: Marcelo Milano Falcão Vieira

, Ph.D.

FATORES CONTINGENCIAIS QUE INFLUENCIAM AS ESTRUTURAS ORGANIZACIONAIS DA INDÚSTRIA FARMACEUTICA.

Por: Rodolfo Maciel Dourado

Resumo Existe uma grande variabilidade nas estruturas das organizações do setor farmacêutico. A diversidade das estruturas evidencia uma possível influência de fatores contingenciais. O presente artigo explora, com base na teoria da contingência estrutural, fatores contingenciais que exercem forte influência sobre as empresas do setor farmacêutico. Pressupõe que não existe um modelo “ótimo” ou “ideal” de estrutura para a organização e sim um modelo que se adapta ao contexto das organizações. Palavras-chaves: teoria da contingência estrutural, indústria farmacêutica e fatores contingenciais.

Abstract There is great variability in the structures of organizations in the pharmaceutical sector. The diversity of structures shows a possible influence of factors contingenciais. This article explores, based on the theory of contingency structural, factors contingenciais exercising strong influence on the pharmaceutical companies in the industry. It assumes that there is not a model "great" or "ideal" of structure for the organization, but a model that fits in the context of organizations. Key-word: theory of contingency structural, the pharmaceutical industry and contingeciais factors.

Maio de 2008

1. INTRODUÇÃO Observa-se uma grande variabilidade nas estruturas das organizações do setor farmacêutico. Essa diversidade nas estruturas organizacionais evidencia uma possível influência de fatores contingenciais. O presente artigo explora, com base na teoria da contingência estrutural, fatores contingenciais que influenciam o setor farmacêutico. Pressupõe que não existe um modelo “ótimo” ou “ideal” de estrutura para a organização e sim um modelo que se adapta ao contexto das organizações. O presente estudo possui duas partes: revisão bibliográfica e estudo empírico. A primeira parte apresenta a teoria da contingência estrutural. Em seguida o panorama e características do setor farmacêutico sob a óptica da teoria da contingência estrutural. 2. Teoria da Contingência Estrutural A teoria da contingência parte do pressuposto que não existe um modelo organizacional que possa ser efetivo em todas as organizações. A melhor forma ou modelo dependerá de alguns fatores contingenciais, tais como estratégia, tamanho, incerteza da tarefa e tecnologia, que por sua vez refletem a influência do ambiente numa dada organização (DONALDSON, 1999). A proposição básica sustentada pela teoria da contingência estrutural é que “não há uma estrutura organizacional única que seja altamente efetiva para todas as organizações. A otimização da estrutura variará de acordo com determinados fatores, tais como a estratégia da organização ou seu tamanho. Assim, a organização ótima é contingente a esses fatores, que são denominados fatores contingenciais (Donaldson, 1999). Os defensores da teoria da contingência põem em destaque a idéia de que, o que os gestores fazem, na prática, depende do conjunto de circunstâncias que caracterizam cada situação. Põem em relevo a relação entre a forma como a organização toma as suas decisões e processa a atividade e as características da situação. A teoria da contingência estrutural adota a hipótese central que as tarefas de baixa incerteza são executadas com mais eficácia por meio de uma hierarquia centralizada resultando em rapidez, simplificando as tarefas e permitindo uma coordenação estrita mais barata. Quando a incerteza da tarefa é aumentada, por meio de inovação ou outro fator similar, a hierarquia necessita perder um pouco do controle e ser coberta por estruturas comunicativas e participativas resultando em complexidade estrutural e elevando os custos, sendo recompensado pelos benefícios da inovação.

Com o tamanho dilatado da organização, a estrutura simples, compacta e centralizada pode ser substituída por uma burocracia caracterizada por grande especialização e por uma hierarquia exagerada. Essa burocracia permite a descentralização pelo fato dos funcionários serem mais controlados pela formalização (fôrma). A burocratização traz desvantagens por falta de flexibilidade e de controle, mas, podem ser compensados pelo aumento da previsibilidade, baixos salários médios e aumento do nível de informação. As organizações centralizadas e formalizadas são caracterizadas pela alta eficiência, porém baixos índices de inovação. Quanto mais codificado o conhecimento utilizado na organização e quanto menos exceções encontradas nas operações, mais o processo decisório da organização pode ser centralizado. Nas organizações descentralizadas e menos formalizadas são caracterizadas por possuir menos eficiência, porém apresentam altos índices de inovação Na Teoria da Contingência as condições de ambiente é que causam transformações no interior das organizações, ou a influência sobre a organização é ditada não pelo ambiente, mas apenas pelo que interessa diretamente à organização, isto é, a tecnologia existente no ambiente. Entende que situações diferentes exigem práticas diferenciadas, indicando o uso das teorias tradicionais, comportamentais e de sistemas separadamente ou em conjunto, para solucionar problemas das empresas. A grande contribuição dessa perspectiva é a relativização de como as organizações devem se organizar para lidar com as incertezas do ambiente. (DONALDSON, 1999) A Teoria das Contingências tem contribuído de forma intensa na administração, notadamente na identificação das variáveis com forte efeito no projeto geral das organizações, tais como: tecnologia, tamanho e natureza do ambiente. Possibilitando prognósticos das diferentes estruturas e funcionalidades das organizações causadas pelas disparidades dessas variáveis. 3. Indústria Farmacêutica Nacional O mercado farmacêutico é composto por diversos atores, envolvendo indústrias farmacêuticas, faculdades de medicina, drogarias e centros de biologia em geral voltados para área da saúde. É a transformação de matéria-prima em resultados de pesquisas e, mais tarde acompanhado de um sistema comercial de distribuição, passando pelo médico, farmacêutico, e depois para o consumidor final, através dos pontos de vendas drogarias.

De acordo com os dados da Febrafarma (Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica), a indústria farmacêutica é composta de 370 laboratórios sendo 296 de capital nacional e 74 de capital estrangeiro. Empregam diretamente 48 mil pessoas e geram mais de 250 mil empregos indiretos. Ocupando a 11ª posição no ranking do mercado farmacêutico mundial (varejo farmacêutico), a Indústria Farmacêutica nacional foi destaque. Segundo IBGE, a indústria de produtos farmacêuticos no Brasil ocupou a primeira posição no ranking dos setores de média alta intensidade tecnológica. Por outro lado, nem todos no Brasil têm acesso a medicamentos. Segundo dados da Febrafarma, um terço da população brasileira não tem acesso qualquer tipo de medicamentos. É uma parcela que está fora do alcance da indústria farmacêutica e que constitui uma barreira à expansão do número de consumidores. 3.1 Peculiaridades do setor farmacêutico nacional No varejo farmacêutico nacional, a legislação vigente permite a existência de três classes de medicamentos submetidas a normas específicas, conforme apresentado a seguir. Medicamento de referência: é, ou foi, um medicamento inovador registrado no órgão federal responsável pela vigilância sanitária e comercializado no país, cuja eficácia, segurança e qualidade foram comprovadas cientificamente pelo órgão federal competente, por ocasião do registro. Pode ter patente ainda válida ou já expirada. Medicamento similar: é aquele que contém o mesmo ou os mesmos princípios ativos, apresenta a mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica do medicamento de referência, registrado no órgão federal responsável pela vigilância sanitária. Pode diferir somente em características relativas a tamanho e forma do produto, prazo de validade, embalagem, rotulagem, excipientes e veículos, devendo sempre ser identificado por nome comercial ou marca. Não é considerado intercambiável com o medicamento de referência. Medicamento genérico: é um medicamento similar a um produto de referência, que pretende ser intercambiável com este. Normalmente, é produzido e lançado no mercado após a expiração ou renúncia da proteção patentária ou de outros direitos de exclusividade do medicamento de referência. A condição de intercambiabilidade é assegurada através da obrigatoriedade da execução de testes de bioequivalência, ou biodisponibilidade relativa, efetuado em entidades certificadas pelo órgão federal responsável pela vigilância sanitária.

4. Panorama do Setor Farmacêutico Mundial A indústria farmacêutica tem se destacado como uma das mais inovadoras entre os setores produtivos, com empresas multinacionais de grande porte capazes de estimular e incorporar aos seus produtos os principais avanços de ponta, ocorridos nas ciências biomédicas, biológicas e químicas. A contrapartida verifica-se nos resultados econômicofinanceiros dessas empresas, que as situam entre as mais rentáveis em escala global. A indústria farmacêutica mundial é composta por mais de 10 mil empresas. Os Estados Unidos (EUA) são, ao mesmo tempo, o maior produtor e o maior consumidor desse mercado. As maiores multinacionais exportadoras estão sediadas na Suíça, Alemanha, Grã-Bretanha e Suécia, Bélgica, Dinamarca, Irlanda e França. Por outro lado, países do Leste Europeu, Coréia, Austrália, Itália, Finlândia, Noruega e Japão são substanciais importadores. Pode ser considerado um setor oligopolista, uma vez que as oito maiores empresas contribuem com cerca de 40% do faturamento mundial em um processo de concentração crescente. As indústrias de pesquisa e desenvolvimento investem aproximadamente 15% de suas vendas em P&D de novos medicamentos. Os retornos provenientes dessa atividade de alto risco têm sua apropriabilidade assegurada através do instrumento da patente, cuja utilização é amplamente difundida na indústria farmacêutica. Até a década de 1990, havia países que não reconheciam patentes, o que permitia que empresas locais copiassem produtos, mesmo com patente vigente, criando o segmento dos medicamentos similares. Ao final da década de 1990, sobretudo por causa da pressão exercida pelos países centrais, a maioria dos países, entre eles o Brasil, aderiu ao Acordo de Propriedade Intelectual (Trips). A partir de então, os medicamentos similares restringem-se a cópias de produtos com patente vencida. Essa posição conquistada tem sido defendida de forma agressiva, por meio da criação ou manutenção de barreiras de entrada, principalmente pelo uso dos direitos de patente, do processo de reestruturação empresarial, mediante fusões e aquisições, e do crescente rigor, referendado pelos órgãos regulatórios nacionais ou supranacionais, nas exigências sanitárias, na qualidade das instalações e na confiabilidade dos produtos.

5. Estrutura das organizações do setor farmacêutico e seus diferentes recortes. A orientação para o mercado tem reflexos significativos no desenho organizacional dos competidores. Observa-se, normalmente, uma organização através de unidades de negócios diretamente relacionadas à lógica de competição de cada segmento no mercado.

É possível observar três segmentos, que parecem caracterizar recortes com estruturas diferentes e, conseqüentemente, com lógicas de competição também distintas. A seguir será empreendido um esforço para caracterizar os segmentos de prescrição médica e de OTC1 com base em suas conformações estruturais. No segmento de prescrição médica, a receita médica é o fator determinante da venda. Assim, o alvo da atividade de marketing é a classe médica. Nesse segmento, os custos dessa atividade são extremamente relevantes. Quanto à estrutura de competição desse segmento, pode-se afirmar que o poder de barganha do comprador final é muito reduzido, em função da assimetria de informações entre este e a indústria, mas, principalmente, por causa do poder do médico de influenciar sua decisão de compra. Já no segmento de medicamentos de venda livre, conhecidos mundialmente como OTC, a lógica de competição é similar à de produtos de varejo. As ações de marketing são direcionadas tanto ao médico quanto ao consumidor final, uma vez que tais produtos podem ser adquiridos sem a necessidade de prescrição médica. Busca-se uma diferenciação enfatizando aspectos como marca e performance. O segmento de genérico tem uma lógica de competição própria. Apesar de o segmento estar em crescimento, parece razoável afirmar que a intensidade da rivalidade entre os concorrentes se acentua, visto que inexistem possibilidades de diferenciação. A lógica da concorrência é via preço e desconto, o que obriga as empresas do segmento a trabalharem com margens apertadas. A impossibilidade de diferenciação conduz, normalmente, a estratégias genéricas de liderança em custo, reforçando a necessidade de buscar economias de escala, o que acaba sendo uma nova barreira de entrada. 5.1 A influência do ambiente nas estruturas organizacionais do setor farmacêutico. A indústria farmacêutica se apresenta como uma das mais intensivas em tecnologia e baseadas em ciência, entre todas as indústrias. A crescente busca de conhecimento dos mecanismos de patologias a nível molecular e com o grande avanço em pesquisas com recursos biotecnológicos contribuem para acelerar qualitativamente a trajetória tecnológica do setor. Considerados como fatores contingenciais, a recente interseção de frentes do conhecimento tecnológico, como engenharia genética, genômica, química combinatória, terapia gênica, projeto racional de drogas e terapia celular, deram origem ao que é
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 OTC ­  mercado de produtos insets de prescrição médica e são vendidos de acordo com a procura espontânea ou em função de promoções.

amplamente difundido hoje como biotecnologia. O desenvolvimento dessa nova “frente”, que parece alterar a trajetória tecnológica da indústria farmacêutica, vem impondo um desafio crescente de aprendizado às empresas do setor. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a concorrência entre os grandes laboratórios multinacionais intensificou-se na década de 1990. Os custos crescentes de pesquisa, desenvolvimento e inovação de novos medicamentos, o avanço dos medicamentos genéricos nos principais mercados mundiais e a ampliação dos mecanismos públicos e privados de regulação da indústria farmacêutica, destinados a reduzir os seus custos com a aquisição de medicamentos, tem impulsionado a competitividade do segmento. O acirramento da concorrência mundial determinou novas estratégias de crescimento dos grandes laboratórios multinacionais, o que afetou o volume e a localização dos investimentos em expansão, assim como as decisões sobre operações de fusões e aquisições. Essas operações, em especial, foram utilizadas para a manutenção ou para a ampliação da posição competitiva dos grandes laboratórios multinacionais na indústria farmacêutica global. As tendências recentes do investimento e das reestruturações societárias na indústria farmacêutica global têm efeito direto na estrutura e na dinâmica da indústria nacional, uma vez que as empresas estrangeiras têm posição dominante no mercado doméstico. É interessante observar que há uma tendência das grandes farmacêuticas para adquirirem empresas de biotecnologia e/ou de pesquisa e desenvolvimento (P&D) de novos produtos. É o caso, por exemplo, da Applied Molecular Evolution 2 adquirida pela Lilly. Outro fato relevante foi a primeira fusão entre duas grandes empresas japonesas, Fujisawa e Yamanouchi, que deu origem à Astellas Pharma. 5.2 Fusões e aquisições na Indústria farmacêutica e o impacto nas Estruturas Organizacionais. O movimento de fusões e aquisições na indústria farmacêutica continua ocorrendo. Para exemplificar, pode-se citar o caso da fusão do grupo francês Sanofi-Synthélabo com a Aventis Pharma em 2004, que resultou na ocasião, no surgimento do terceiro maior laboratório farmacêutico do mundo e primeiro na Europa, o Sanofi-Aventis. Com a fusão, as estruturas organizacionais da Sanofi-Aventis foram afetadas resultando em uma empresa mecanicista com grande detenção de burocracia. Influenciado pelo um ambiente de incerteza por meio da fusão, a hierarquia da Sanofi-Aventis necessitou perder um pouco do controle e ser coberta por estruturas comunicativas e participativas
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Applied Molecular Evolution – empresa especializada em biomedicamentos, com base em anticorpos, citocinas, hormônios e enzimas.

resultando na complexidade estrutural e elevação os custos, sendo recompensada pelos benefícios da inovação. Com o tamanho dilatado da organização pelo fato da fusão, a estrutura simples, compacta e centralizada foi substituída por uma burocracia caracterizada por grande especialização e por uma hierarquia exagerada. Essa burocracia tem permitido a descentralização pelo fato dos funcionários serem mais controlados pela formalização (fôrma). A burocratização tem trazido desvantagens para a Sanofi-Aventis por falta de flexibilidade e de controle que podem ser compensados pelo aumento da previsibilidade, baixos salários médios e aumento do nível de informação. 6. Conseqüências do Ambiente nas Organizações As grandes líderes do setor têm concentrado, em seus países de origem, as etapas iniciais do processo produtivo, que demandam maior esforço tecnológico, e distribuem em outros países unidades de manufatura e comércio dos medicamentos. Vale ressaltar que a indústria farmacêutica tem pressionado as empresas de controle nacional, que começaram a responder com um movimento semelhante. Em 2005, a Aché, a maior empresa nacional do setor, adquiriu outro laboratório nacional, Biosintética, tornando-se líder de mercado. No mesmo ano, o laboratório farmacêutico nacional Biolab anunciou a compra de 80% da Sintefina, empresa farmoquímica também de capital nacional, e o laboratório nacional Libbs adquiriu as operações da multinacional australiana Mayne Pharma do Brasil, importante fabricante de medicamentos oncológicos. No caso das empresas brasileiras, algumas já estão em busca de oportunidades de investimento em biotecnologia. Outras deram um passo mais à frente e já criaram suas próprias “unidades de bionegócio”. Surgem algumas promissoras empresas start-ups de biotecnologia, muitas delas spin-off de universidades e de institutos de pesquisa com reconhecida competência científica e tecnológica. Na esfera pública, instituições de saúde com renomada reputação já iniciaram a construção de suas próprias estruturas de pesquisa e desenvolvimento e plantas industriais para a produção de biofármacos no país. O processo de concentração que ocorre a nível global tem impacto sobre a indústria farmacêutica brasileira, uma vez que o mercado nacional ainda é dominado pelas subsidiárias das multinacionais. Plantas industriais foram fechadas no país por causa do reposicionamento logístico das multinacionais. Por outro lado, as empresas de controle nacional também passam por um processo de concentração. Movidas pela pressão causada pelo novo ambiente regulatório e em busca de complementaridade em seus

portfólios e de sinergias operacionais, as empresas nacionais têm se consolidado. Como exemplo, vale ressaltar a aquisição da Biosintética pelo Laboratório Aché, que o tornou líder de mercado. Outras empresas nacionais têm manifestado publicamente a intenção de se associarem. Caso essa tendência se concretize, no médio prazo, o país contará com empresas nacionais com porte suficiente para atuarem com mais propriedade nesse mercado.

7. Conclusão Os estudos citados, no presente trabalho, comprovam que a teoria da contingência estrutural pode ser observada em diversas áreas de estudo de gestão empresarial. Uma contingência representa uma circunstância do ambiente externo à qual a organização precisa se adaptar para garantir sua continuidade e atingir seus objetivos, ou seja, uma contingência é algo que não pode ser influenciado pela organização, porém é capaz de influenciar a organização. A efetividade nas estruturas organizacionais está intimamente ligada à contínua observação e manutenção a certos fatores contingenciais que impactam no sistema. A estrutura organizacional dos competidores desse setor reflete a importância relativa das diversas funções empresariais. É preciso acompanhar o mercado sempre a fim de buscar parâmetros e informações que não só identifiquem como funcionam as estruturas, mas também buscar informações sobre tecnologias adotadas e ferramentas disponíveis para a área.

REFERÊNCIAS

DONALDSON, Lex. Teoria da contingência estrutural. In: CLEGG, Stewart, HARDY, Cynthia, NORD, Walter. (Orgs.) Handbook de estudos organizacionais. Volume 1. São Paulo Atlas, 1999. Organizadores da Edição Brasileira: CALDAS, Miguel, Fachin, Roberto, FISCHER, Tânia. Capítulo 3, págs.105-133. BERTERO: Carlos Osmar. Nota técnica: teoria da contingência estrutural. In: CLEGG, Stewart, HARDY, Cynthia, NORD, Walter. (Orgs.) Handbook de estudos organizacionais. Volume 1. São Paulo Atlas, 1999. Organizadores da Edição Brasileira: CALDAS, Miguel, Fachin, Roberto, FISCHER, Tânia. Capítulo 3, págs. 134-136. MISOCZKY, Maria Ceci. Da abordagem dos sistemas abertos à complexidade:algumas reflexões sobre seus limites para compreender processos de interação social. Cadernos EBAPE.BR, v.1, n.1, 2003 (www.ebape.fgv.br/cadernosebape).

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