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O Papel da Lógica no Direito

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O Papel da Lógica no Direito Ou LÓGICA JURÍDICA teorias elaboradas por Chaim Perelman, no qual dita as principais ideias a respeito

da Lógica e sua relação com o Direito. Numa tentativa de definição ampla que possa abranger seus elementos fundamentais, podemos dizer que a Lógica jurídica tem por objeto o estudo dos princípios e regras relativos às operações intelectuais efetuadas pelo jurista, na elaboração, interpretação, aplicação e estudo do Direito. Essa definição contém claramente três elementos básicos, que devem ser analisados separadamente: a)estudo de princípios e regras; b)relativos às operações intelectuais efetuadas pelo jurista; c)na elaboração, interpretação, aplicação e estudo do Direito. 01. ESTUDO DOS PRINCÍPIOS E REGRAS Ao dizer que a Lógica jurídica estuda "princípios" e "regras", relativos às operações intelectuais efetuadas pelo jurista, estamos indicando que nossa definição inclui a LógicaCiência e a Lógica-Arte ou se quisermos, a Lógica Teórica e a Lógica Prática. Qual a diferença entre "princípios" e "regras"? Ou, então, qual a diferença, precisa, entre princípios lógicos e regras lógicas? Resposta: A Lógica, como "ciência", estuda os princípios. E A Lógica, enquanto "arte", se ocupa de regras. O que é um Princípio? Em sentido estrito, "princípio" é a proposição teórica geral que enuncia uma relação constante entre objetos. São princípios lógicos, por exemplo: “O princípio da tríplice identidade: dois termos idênticos a um mesmo terceiro são idênticos entre si (Se A=B, Se A= C, então B=C)”. “O princípio da subalternação das proposições: se a subalternante é verdadeira a subalternada é também verdadeira.

Perelman não trabalha com o conceito de verdade. a lei posta pelo legislador. isso se dá em função de sua intenção de conferir autonomia ao raciocínio jurídico em relação à lógica formal. Perelman foca seu trabalho na busca do entendimento do raciocínio jurídico perfeito e na identificação de suas particularidades específicas. quis sejam: não se está pensando que seja possível definir a priori o que seja a justiça feita pelo juiz. configurando-se em manual prático para o estudo de lógica e da argumentação jurídica. não se está pensando em conceituar uma verdade judicial. a) como se raciocina juridicamente? b) qual a peculiaridade do raciocínio jurídico? c) quais as características desse raciocínio? d) de onde o juiz extrai subsídios para a construção da decisão justa? e) Até onde leva a argumentação das partes em um processo? f) qual a influência que a argumentação e a persuasão possuem para definir as estruturas jurídicas? O intuito de tais questionamentos é dar fundamento a reflexão a respeito do julgamento e do ato jurídico decisório. Para esse autor. lecionou na universidade de Bruxelas disciplinas como Lógica. 2005.414) O pensamento de Perelman volta-se mais para a prática do direito e menos para a estrutura lógica formal do pensamento. (BITTAR. mecanicista. a aplicação do raciocínio jurídico pelo juiz é matéria complexa. isto é. como adverte o Eduardo C Bittar “No entanto. com vista a entender a real influência desses argumentos sobre as decisões judiciais. . Seus estudos tinham o intuito de responder a questionamentos do tipo. Moral e Filosofia.” "Regra" ou "regra lógica" no caso presente é a proposição prática geral que indica o modo de realizar corretamente uma operação do pensamento. tornou-se o maior expoente dos estudos de retórica moderna. Exemplo: O silogismo deve ter três termos. eqüitativo. Perelman tinha como objetivo claro declarar sua discordância ao positivismo jurídico que colocava o raciocínio jurídico como um raciocínio exato. O que Perelman queria era definir uma lógica específica que não se utilize somente do raciocínio dedutivo. uma vez que a atividade jurisprudencial do magistrado e exercida mediante a provocação das partes e a existência de um caso concreto a ser analisado. devem-se tomar alguns cuidados ao estudar a obra de Perelman. ou algo semelhante. tem um recurso lingüístico vago o que pode dar margem a várias interpretações. Nesse sentido. nascido em Varsóvia emigrou para Bélgica e lá construiu sua carreira. Quando Perelman se refere ao raciocínio jurídico está falando do ato fundamentado e expresso nas decisões do juiz que engloba também os demais profissionais que atuam com ele dentro do processo como advogados. A definição deve convir exatamente ao definido. ALMEIDA. como devem ser feitas nossas operações intelectuais. Os estudos realizados por Chaïm Perelman sobre a nova retórica.Os "princípios lógicos" podem ser chamados "leis lógicas". As regras lógicas dizem o que "deve ser". p. ou seja. promotor etc. O estudo da obra de Chaïm Perelman deverá ser cercado de cuidados com vista a não se ter uma conclusão equivocada. visto que a lógica judiciária não se resume a uma mera dedução de conclusões extraídas dos textos da lei. a lógica e a argumentação são de fundamental importância para a formação acadêmica dos juristas contemporâneos. inserida pelos positivistas nas ciências humanas e jurídicas. aceitável. mas no juízo do magistrado como iter racional para alcance de um resultado socialmente institucionalizado”. mas sim. A divisão deve ser feita com um único fundamento. Sua obra intitulada “Lógica Jurídica: nova retórica” tornou-se um clássico. por meio de qual o juiz expressaria a vontade da lei. mas que se utilize também de outras formas de raciocínio como o indutivo. os princípios lógicos (ou leis lógicas) dizem o que "é". muitas vezes. As Concepções Filosóficas de Chaïm Perelman sobre a Lógica Jurídica Chaïm Perelman (1912-1984). substitui esse termo por termos mais apropriados como razoável.

a razoabilidade. (ALEXY. recebe informações que posteriormente vão ser condensadas no processo final de julgamento. políticos dos quais surgem as decisões que regulam cada caso concreto em particular. 2005. 6 As Concepções Filosóficas de Robert Alexy sobre a Lógica Jurídica Robert Alexy nasceu no dia 9 de setembro de 1945.admissível. Para o autor é por intermédio do resgate da lógica aristotélica aliada a influências ciceronianas. na perspectiva perelmaniana. 36) O tema central da teoria de Alexy repousa na seguinte pergunta: é possível uma fundamentação racional das decisões jurídicas? Há a possibilidade de determinar critérios que possam determinar que um discurso prático ou jurídico seja racional? Alexy demonstra em sua obra que tais critérios podem ser formulados de forma prática mediante a observância de regras práticas a serem seguidas. ou seja. Em sua obra Uma Teoria da Argumentação Jurídica: a teoria do discurso racional como teoria da fundamentação jurídica. que haverá de nascer uma semente adequada ao tratamento e a análise dos problemas jurídicos contemporâneos. Com esse princípio fundamental é que Perelman visa a afirmar que a lógica jurídica difere das demais formas de lógica. derivados de uma tradição cartesiana e leibniziana. e a aceitabilidade das decisões judiciais. a lógica aristotélica judiciária é um recurso que é utilizado por Perelman para reinventar as dimensões do sistema jurídico em seu funcionamento dinâmico na prática. ALMEIDA 2005. p. não é rígida nem abstrata dos fatos que analisa. assim. Todo o raciocínio jurídico e traçado em meio a fatos concretos do dia-a-dia sejam fatos sociais. Baier e outros. p. A proposta da nova retórica é de reformular o pensamento jurídico contemporâneo. Todo orador só pode afirmar aquilo que ele próprio crê. eles não têm pretensão de exclusividade. Regras básicas . tem de estar preparado para aplicar F a todo outro objeto que seja semelhante a A em todos os aspectos importantes 4. sim. Habermas. 1970. 3. elocução. negligenciaram a própria lógica aristotélica. A lógica perelmaniana não obedece a esquemas rígidos de formação. dedução. Trata-se de uma lógica material. em Oldenburg – Alemanha. O trabalho desenvolvido por Perelman tem foco sobre o raciocínio jurídico que é o raciocínio decisório. Hare. seu significado real só se desenvolve através de um processo tanto de complementação quanto de limitação recíproca e eles precisam de princípios subordinados e valorações particulares com conteúdo material independente para sua realização concreta”. Alexy dá sua contribuição para a lógica jurídica de forma determinante e com o intuito de formular sua teoria parte primeiramente de uma argumentação prática geral para depois levar esse conhecimento para o campo do Direito. prática com o firme propósito de produzir efeitos diante de um auditório. e formular sua própria teoria da argumentação jurídica. Para Perelman os estudos lógicos contemporâneos modernos. Estudou Direito e Filosofia em Götting. Nenhum orador pode se contradizer 2. Com isso. por ser uma lógica dialética ou argumentativa. propondo ao jurista não pensar nos fatos exclusivamente com os ditames da lei.” (PERELMAN.A validade do primeiro grupo de regras é condição prévia de toda comunicação lingüística: 1. a eqüidade. a justiça. pensar nos fatos como situações passíveis de valoração que se revelam por intermédio do discurso e da prática judiciária. o jurista partiu para a análise de várias teorias da argumentação propostas por jusfilósofos como Stevenson. como ensina o próprio autor: “o juiz não é a „boca da lei‟. le champ de l’argumentation. Sendo assim não é dedutiva. recebeu seu PhD em 1976 com a dissertação Uma Teoria da Argumentação Jurídica e alcançou sua habilitação em 1984 com a teoria dos Direitos Fundamentais. o que propõe em sua teoria é adotar estrutura dos argumentos de forma analítica e descritiva. com os documentos.. o poder de dizer que o direito está no poder do juiz... aplicador neutro e desideologizado das das normas jurídicas como se quis no pensamento derivado da Revolução Francesa. P.416). Diferentes oradores não podem usar a mesma expressão com diferentes significados Regras da razão . O juiz quando entra em contato com os argumentos. Alexy analisa os Princípios Gerais de Direito sua importância dentro do ordenamento jurídico e sua aplicação para fundamentar decisões jurídicas. A utilização da lógica aristotélica não formal. demonstrando. termos mais apropriados para expressar o raciocínio jurídico. Todo falante que aplique um predicado F a um objeto A. desvinculando-o do pensamento positivista. ou seja. com as provas orais. em que o autor busca embasamento teórico para fundar sua teoria. mas. ou seja. Alexy não pretende apenas formular uma teoria da argumentação que identifique os bons e os maus argumentos. A lógica jurídica consiste em uma lógica argumentativa e por meio do discurso se constrói o saber jurídico. Em busca de embasamento teórico. como ensina o autor: “Os princípios permitem exceções e podem entrar em conflito ou contradição. Toulmim. 140 apud BITTAR. É pacifico o entendimento de que o operador do Direito através de seus argumentos influencia a tomada de decisão do juiz. A influência de Aristóteles na obra de Chaïm Perelman e notória. é jurista e filósofo. quer o autor demonstrar que o juiz não é simplesmente o porta voz da lei. que é a decisão.

pode participar do discurso 3. Recaséns Siches defendia que.Não é possível haver um discurso prático sem afirmações. Todos podem introduzir qualquer afirmação no discurso 5. Nos seus estudos de pós-graduação. foi discípulo de renomados mestres. que a única regra que se poderia formular. de critérios de valorização. que eram os maiores expoentes do pensamento jurídico da época. de uma vez por todas. que pressupõe uma regra para a satisfação dos interesses de outras pessoas. apresentou suas idéias em livro. 3. entre 1953 e 1954. Rudolf Stanmmler. As regras de fundamentação 1. A pessoa que afirma uma proposição normativa. está obrigado a fundamentar isto. a referência à pluralidade de diferentes formas de interpretação. se isto lhe é pedido. fosse literal. o da LÓGICA DO RAZOÁVEL. Quem introduz uma afirmação que não sirva como argumento a uma manifestação anterior tem.é possível passar para um discurso de análise da linguagem. Durante o tempo em que foi professor da “Graduate Faculty” da “New School for Social Research”. em Nova York. Todos podem transformar uma afirmação num problema 4. é possível passar para um discurso de teoria do discurso. por eqüidade. Felix Kaufmann e Fritz Schrgirer em Viena. assim. Para qualquer falante e em qualquer momento. 2. Segundo a intenção de emprego desse método. Quem pode falar. Decorre daí. e. que as decisões judiciais cheguem a absurdos e incoerências em suas formulações. subjetivo-objetivo. Para qualquer falante e em qualquer momento. Todo falante deve. As regras morais que servem de base às concepções morais do falante devem passar por uma análise históricocrítica. deve poder aceitar as conseqüências dessa regra também no caso hipotético em que ela se encontre na situação daquelas pessoas. fez os seus estudos universitários no período compreendido entre 1918 a 1925. poderia o intérprete deixar de lado. a Filosofia do Direito não tinha condições de escolher um método ou uma tábua de prioridades entre os vários métodos de interpretação. consuetudinário. 1. como fator determinante para o alcance do objetivo dos juízos de dever e de valor. definida como uma razão impregnada de pontos de vista estimativos. Recaséns Siches. É preciso aceitar os limites de possibilidade de realização dos dados de fato Regras de transição . Todos podem expressar suas opiniões. com universal validade. de fundamentar porque introduziu essa afirmação. Toda regra pode ser ensinada de forma aberta e geral 4. Hans Kelsen. Para qualquer falante e em qualquer momento . no período de 1949 a 1954. defendendo o emprego de um só método. quando lhe é solicitado.a regra não pôde ser explicada racionalmente desde sua origem nem há novas razões que a justifiquem agora. etc. então retornando às cátedras da Universidade Nacional Autônoma do México. fundamentar o que afirma. Quem apresentou um argumento só é obrigado a apresentar outros no caso de surgirem argumentos contrários 4. a lógica do humano e o caráter criador da função judicial. É uma das mais influentes obras da Filosofia do Direito surgida nos últimos tempos. As conseqüências de cada regra para a satisfação dos interesses de cada um devem poder ser aceitas por todos 3. desenvolveu algumas idéias sobre a interpretação do Direito. Quem ataca uma afirmação que não é objeto da discussão deve dar uma razão para isso 3. 2. além de tudo. Quem pretende tratar uma pessoa A de maneira diferente da adotada para uma pessoa B. bem como de outras universidades norte-americanas. O intuito do trabalho de Alexy é dar coerência lógica ao discurso jurídico. seus desejos e suas necessidades Regras sobre a carga da argumentação 1. evitando. traz consigo os ensinamentos colhidos da experiência própria e também do próximo através da história. a não ser quando puder dar razões que justifiquem a recusa a uma fundamentação 2. analógico. como único. a dupla dimensão circunstancial de todo Direito positivo. A obra trata-se do desenvolvimento racional do discurso jurídico a partir da observância de regras e formas lógicas. de pautas axiológicas. como Giorgio Del Vechio. 7 As Concepções Filosóficas de Luíz Recaséns Siches sobre a Lógica Jurídica Luís Recaséns Siches nasceu na Espanha em 1903. 2. . assim como a Ciência Jurídica. era a de que o juiz sempre deveria interpretar a lei de modo e segundo o método que o levasse à solução mais justa dentre todas as possíveis. acima citadas.No discurso prático surgem problemas que obrigam a recorrer a outros tipos de discurso. Não passará por essa prova se: a regra moral perdeu a sua justificação . e da escola de Direito da “New York University”. é possível passar para um discurso teórico. histórico. Rudolf Smend e Hermann Heller em Berlim. Isso dá lugar a mais três regras: 1. 5. influenciado diretamente com o pensamento jurídico anglo-saxão. em Roma.

com/watch?v=FkVZRiFrFdo http://www. na aplicação da lei. especialmente a sentença. de caráter neutro e explicativo. principalmente os magistrados. sem considerar valores e aspectos particulares de cada caso. segurança. de que se serviram os juristas no século XIX. dignidade da pessoa humana. bem-estar geral e paz. Não se trata. abandonando definitivamente o simples silogismo e partindo para a discussão dialética das questões jurídicas. critérios axiológicos.com/watch?v=2eNBZRte5Bo BREVES CONSIDERAÇÕES: . com embasamento na lógica do humano. constituindo um dos aspectos que.O disposto no art. possibilidade de prever as conseqüências da aplicação da norma e de sopesar entre vários interesses contrapostos. liberdades fundamentais do homem. quando invade o campo hermenêutico. legitimidade dos meios empregados para atingir fins justos etc. é essa também fruto de estimativa. dos métodos tradicionais de interpretação para justificar a sua tomada de decisão. aplicando a norma de forma a amoldá-la a situações apresentadas e obtendo. dos políticos e jurídicos. Fica claro. portanto. deverá o juiz atender aos fins sociais a que ela se dirige e as exigências do bem comum. seja sempre criadora. da razão. por alimentar-se de um amplo complexo de valorações particulares sobre o caso concreto. Os operadores do Direito. ao legislador cabe emitir mandamentos. A esse particular. a lógica formal não esgota a totalidade do “logos”. quando se fala que o juiz procura uma justificativa para o que pressentiu intuitivamente. distingue a lógica do razoável da lógica matemática. contudo. porque. pois o juiz para chegar à intuição sobre a justiça do caso concreto. 5º da LICC prescreve que.Defendia ele que essa atitude não se consubstanciaria em desrespeito à lei. equilíbrio. ou seja. das novas teorias em matéria de hermenêutica do Direito. exige do operador do direito que analise os fatos com uma visão estrita de cada caso. trata-se de que o julgador se valha. é apenas um setor dela. a lógica do razoável procura entender os sentidos os vínculos entre as significações dos problemas humanos. Essa característica valorativa é totalmente estranha à lógica formal ou a qualquer teoria da inferência. não se admitindo o positivismo obcecado nem o jusnaturalismo exagerado. O pensamento jurídico atual passa a se opor a lógica formal e a utilizar-se da dialética e da lógica do razoável. proibições. embora mantendo-se dentro da observância do Direito formalmente válido. devem preocupar-se com a razoabilidade das decisões e argumentações jurídicas. ao intuir a solução mais justa aplicável ao caso concreto. permissões. sim.youtube. os juristas perceberam que não se podia interpretar o Direito através de equações lógicas. O direito como fato gerado no ceio da sociedade e que está em constante evolução. mais precisamente após a Segunda Guerra Mundial. bastando oferecer uma justificação objetivamente válida. assim como realiza operações de valoração e estabelece finalidades ou propósitos. assim. http://www. porquanto. Para Siches. que possuem natureza completamente diversa da lógica do racional. Existem outros setores que pertencem igualmente à lógica. No intuito de concluir. então. o referido autor formula as seguintes observações: primeiramente entende que a intuição do juiz acha-se embasada na lógica do razoável e que. ordem. Siches salientou que a Lógica do Razoável está sempre impregnada por valorações. ao contrário do que ocorre com a lógica da inferência. Essas teorias compartilham e têm em comum a rejeição a lógica formal aristotélica como único instrumento de raciocínio jurídico. mas não lhe compete o pronunciamento sobre matéria estranha à legislação. Recaséns Siches explica ainda que a estimativa jurídica informa ao intérprete sobre quais são os valores cujo cumprimento deve ou não ser perseguido pelo Direito. a “lógica do razoável”. definitivamente.youtube. tais como justiça. referente apenas à função jurisdicional. No século XX. Quando o legislador ordena um método de interpretação. No que tange à atividade do magistrado. Para o citado autor. Pois “a intuição é um complexo integral e unitário que engloba os dois aspectos: „fatos‟ e „Direito‟. não separa sua opinião a respeito dos fatos das dimensões jurídicas desses mesmos fatos. o maior grau de êxito em sua aplicação. e. esses ensaios científicos colocam-se no mesmo plano das opiniões de qualquer teórico e não têm força de mando. muito menos do uso alternativo do Direito. de Direito Alternativo. Mas há outros que podem ser englobados no conceito que tradicionalmente se denomina prudência: sensatez. que é a lógica dos problemas humanos de conduta prática. isso não significa que deva recorrer àquelas pseudo-motivações lógico-dedutivas. Isso faz com que a função do juiz. 8 Considerações finais O que se entende contemporaneamente por teoria da argumentação jurídica e lógica jurídica é que elas têm origem nas teorias acima estudadas. mas. que Luís Recaséns Siches é o dinamizador na ciência jurídica latino-americana. segundo seu pensamento. visando com isso a fundamentar suas ações e a solidificar a evolução da lógica jurídica.

em um período critico ( a Idade Media).que seriam debatidas e comprovadas através de diálogos em praça publica – (“agorá”).Na abordagem deste tema. Destarte. matéria. `A medida que o homem primitivo foi aperfeiçoando seu modo de convivência social. Daí observamos o nascimento da lógica. essência. entre tantos outros. do raciocínio lógico e o que o diferencia dos outros animais. LÓGICA E INTERPRETAÇÃO: O “ PENSAR” JURIDICO A influência dos conceitos e noções da filosofia abundam no direito positivo. Em que pese os filósofos pré-Socráticos terem dado extrema contribuição para o desenvolvimento do raciocínio jurídico. somente com o uso da forca não era mais possível dirimir todas as questões que incomodavam a sociedade da época. onde a busca da “verdade” estaria comprimida em premissas. têm uma estirpe filosófica irrefutável. e vislumbrou que o uso da inteligência. acidente. encontrando soluções racionais. da ética da metafísica.da Hermenêutica e seu desenrolar pela Historia. consideramos Sócrates ( 469-399 a. que fundou o criticismo filosófico e trouxe notáveis contribuições aos temas da lógica. tornando-se sabedor de que. interpretar os problemas. Termos como elemento.destacamos Immanuel Kant (1724-1804).de maneira sintética. fazendo um “meio-termo “ entre a doutrina da Igreja e a Filosofia Platônica. E ninguém . todos os dogmas clericais.jurídico mundial. passando por Tomas de Aquino (1225-1274). Dentre os grandes filósofos que surgiram após o período socrático. substância. forma. com alguns dos grandes expoentes do mundo filosófico. temos o inicio do pensamento filosófico . encontramos uma gama muito vasta de informações.C). muito complexa para podermos delimitar em um breve ensaio. Introduziu a dialética. soube da necessidade de utilizar essa forma de argumentação. que enfrentou . facilita muito o aprendizado dos institutos jurídicos sem necessidade de recorrer-se a expedientes mnemônicos. o que lhe fez pensar.como principal expoente filosófico -jurídico do inicio da Historia do pensamento jurídico. e a compreensão exata deste sentido filosófico transplantado para o ordenamento jurídico.

legislador ou estudioso do direito – usa habitualmente a Lógica em suas sentenças. creditamos destacada importância aos estudos de hermenêutica filosófica geral. quando o interpretar e compreender textos deixa de ser apenas uma atividade científica. A Lógica jurídica não se contentaria em apenas ser um transplante da regras de lógica formal para o Direito. entre estas avultam a Lógica e a Hermenêutica. Assume contornos que superam a lógica da demonstração formal (do raciocínio analítico Aristotélico) alcançando a lógica da argumentação (do raciocínio dialético Aristotélico) que utiliza os instrumentos da dialética para convencer o juiz da pertinência das teses. Em que pese a importância do conhecimento historiográfico. Não só com estudo histórico das doutrinas filosóficas de ontem pode a Filosofia do Direito contribuir para as discussões do fenômeno jurídico . O jurista – seja ele juiz. não se esgota a filosofia jurídica apenas com este ângulo de visão. . recursos. Há aqueles que defendam a autonomia da "Lógica Jurídica" divorciada da tradicional lógica formal. Mesmo inconscientemente fazemos deduções.Todos utilizamos tais ferramentas da lógica no trato diário com os problemas de direito. A lógica jurídica cuidaria de estudar os raciocínios próprios ao mundo do direito. elaboramos proposições as mais diversas. como uma disciplina autônoma. induções. raciocinamos. para ganhar contornos de uma experiência humana diante do mundo . Os métodos de interpretação da tradição juspositivista são postos em questionamento. justificações ou estudos.nega que o direito positivo utiliza estas noções filosóficas que adquiriram foros de universalidade nas ciências jurídicas . se bem que nem sempre o faça de forma plenamente consciente . promotor. interpretação e aplicação do Direito . Para ANDRÉ FRANCO MONTORO a Lógica Jurídica estuda os princípios e regras que auxiliam o jurista nas suas operações intelectuais de elaboração. Nas claras palavras do mestre: "A Lógica Jurídica é um instrumento necessário ao estudo em todos os campos do Direito”. consultor. pareceres. Há outros instrumentos valiosos que podem ser ofertados pela disciplina filosófica. petições. A Hermenêutica Jurídica tem ganhado novos contornos desde o século passado quando os estudiosos perceberam as insuficiências das tradicionais ferramentas de interpretação. advogado. Neste particular. fundamentada exclusivamente em bases metodológicas.

p. Movimento dialético. CONCLUSÃO: A função primordial do Operador do Direito é: “fazer a justiça”. daí surgem as diversas interpretações sobre um mesmo assunto. a argumentação e um processo . em seu amplo sentido. como um conjunto de normas escritas. vaivém do texto às suas conseqüências. não como um retorno puro e simples ao ponto inicial. pertencem à teoria do conhecimento e à sociologia do saber. Há uma atualização do sentido textual ao momento histórico do intérprete. permite diversas interpretações sobre um mesmo tema. voltando ao intérprete e deste ao texto até o processo decisório. pressupostos que. segundo Perelman (1976.682). e sim como um retorno a uma nova compreensão do texto normativo . moralidade. Infelizmente num ensaio desta natureza não nos permitimos aprofundar nestas contribuições da hermenêutica filosófica a interpretação do fenômeno do direito. A idéia de circularidade é tomada em oposição à idéia de linearidade.. bem comum. Este seria o "círculo hermenêutico". fins sociais. tais como: boa-fe. INOCÊNCIO MÁRTIRES COELHO ". Destarte.. de resto.que se encontra sempre voltada para o sentido que a lei escrita denota. vemos que o Direito. abrindo espaço para a dialética forense. pois a interpretação se modifica no caminhar dos tempos. sempre demandando elevada atenção onde a norma posta oferece lacunas em sua literalidade.. que foram elaboradas pelo legislador visando adequar-se a cada momento histórico. assim para o Prof. sentido este que influi e contribui na sua própria compreensão. A moderna hermenêutica jurídica tem sido sensível a estes ensinamentos filosóficos.O processo interpretativo tem sido caracterizado como uma circularidade que vai do sujeito cognoscente e sua pré-compreensão do texto. e realizar a prestação jurisdicional buscando a equidade. armado de um certo condicionamento prévio acerca do sentido do próprio texto. sendo que o sujeito cognoscente tem a sua analise subjetiva sobre o objeto a ser conhecido. aplicando esses pressupostos da hermenêutica filosófica ao ensino do direito. Porem e salutar ressaltar que o método interpretativo . mas ressalta com clareza solar que a Hermenêutica filosófica tem contribuído com enormes préstimos à dogmática. Assim encontramos expressões abertas em nosso ordenamento jurídico. etc.

os axiomas são enunciados e as conseqüentes regras de dedução admitidas. . 3.Bittar. para que enfim o seja. Curso de Filosofia do Direito. práticos e sociais. evoluindo para a promessa do venha – a – ser.B. ainda mais. está contida em um texto jurídico. sempre partindo de premissas absolutas e incontestáveis. pois as premissas apresentadas nem sempre são absolutas e incontestáveis. opinião não compartilhada por conceituados doutrinadores do direito. pois a fundamentação participa do processo de legitimação do próprio processo de sedimentação de um discurso. portanto . de modo que todo ato de sentido deve conter um respaldo jurídico. de modo a equacionar axiologia e tecnologia no uso dos conceitos jurídicos. enfim. pois em um sistema formal. A idéia do dever. que se aplica e interpreta para a resolução de conflitos. A não – arbitrariedade da argumentação decorre de elementos vários decorrentes da interna disposição de um sistema discursivo ou de outros elementos externos. “ a plausibilidade argumentativa sustenta premissas e embasa proposições jurídicas. a jurídica se faz diferente da lógica material ou moral. o ato interpretativo e útil `a medida que concentra em si uma tensão constante entre a axiologia do sujeito da interpretação e a ideologia social vigente. todo arbítrio interpretativo de sentido. deve – se afirmar que devemos utilizar ologos do razoável. Essa afirmação consiste em dizer que a conduta humana encontra – se cristalizada em uma norma jurídica. como conjunto de praticas textuais. destacamos quatro critérios em torno da interpretação e de sua compreensão ( C.496): 1. sustenta-se. a coerência entre meios e fins e o cerne para o entendimento de um instituto jurídico. a juridicidade vive da interação de sentido que pulsa no interior das próprias praticas de sentido que alberga. 4. a juridicidade.Nesta seara.racional.ser . cria-se. 2. e re-cria-se.Os procedimentos decisórios e o raciocínio jurídico não obedecem a esquematismos pré-concebidos ou a qualquer tipo de predeterminação de seus conteúdos. `a medida que vive em dialética com outras praticas de sentido.p.” No âmbito da lógica. Esse método puro e simples não é admitido no Direito. e esta excluído. na aplicação do Direito.

O reducionismo provocado por esse tipo de raciocínio compromete a aceitação da entrada e saída de valores do universo das práticas jurídicas.se que o sentido da norma jurídica . “ A lógica jurídica não pode ser resumida à lógica formal. até que o poder emane sua opinião. ou seja. definindo o que é essa norma. Nesse contexto. e nas próprias incertezas que decorrem.A atividade decisória é uma atividade de sentido. 504). o que prejudica sobremodo a formação de uma consciência mais aproximada da realidade entre prática e teoria jurídica. se faz mister a elaboração de um conteúdo discursivo. nas brilhantes linhas percorridas por C. uma fundamentação decisória. o razoável. Destaca. originariamente encontra-se em aberto. Bittar (p.B. Ora. que parte de textos compilados a outros textos reunidos no curso de um procedimento (judicial ou administrativo). Em suma. o prudencial. o ponderável o meio. na qual o julgador operador da letra jurídica estará vinculado ao proferir seu juízo de opinião. Apostar na virtude prudencial.” . é apostar na capacidade humana de criar soluções satisfatoriamente justas para lides e conflitos decorrentes da inter – ação social.termo são partes constitutivas das práticas jurídicas sobre o justo.

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