A execução de alimentos e as alterações do processo de execução do Código de Processo Civil

por Ronan Medeiros Martins
RESUMO: Com as recentes mudanças ocorridas no Código de Processo Civil, buscou-se uma maior efetividade na prestação jurisdicional. Assim, o sistema de satisfação do direito sofreu modificações significativas. Os títulos judiciais, não mais necessitam de ação autônoma e os títulos extrajudiciais têm um procedimento mais célere e efetivo. À obrigação alimentar, através de uma análise teleológica, vê-se que as mudanças ocorridas são perfeitamente aplicáveis. Em relação ao rito da coerção pessoal, não houve alteração. Dessa forma, a obrigação alimentar fundada em título executivo judicial pode ser satisfeita por tal rito, contrariamente os alimentos fixados por meio de títulos executivos extrajudiciais, que deverá, necessariamente, buscar-se sua efetivação através do procedimento expropriatório. PALAVRAS-CHAVE: 1. Cumprimento de sentença. 2. Lei 11.382/06. 3. Alimentos. 4. Prisão. INTRODUÇÃO A legislação processual civil brasileira sofreu várias modificações com o decorrer dos anos, buscando-se com tais mudanças, uma melhor prestação da tutela jurisdicional. Recentemente, têm-se as alterações do Código de Processo Civil, no que tange ao procedimento para a efetivação do direito previamente declarado. Tendo em vista tais mudanças no procedimento de execução, surgiram dúvidas no que se refere à possibilidade de se executar a obrigação alimentar, por meio da nova sistemática vigente, e não mais na modalidade pretérita. Como não houve expressa revogação dos artigos referentes a tal execução, a nova Lei deu ensejo a interpretações diversas. Parte da doutrina e jurisprudência optou por uma interpretação gramatical e firmou entendimento de que as alterações do Código de Processo Civil, no que tange à execução, não são aplicáveis à execução da obrigação alimentar. Enquanto que, em viés contrário, encontra-se o entendimento de que tais mudanças são perfeitamente aplicáveis ao recebimento dos alimentos. O presente trabalho, utilizando-se do método dedutivo, e com exploração bibliográfica e jurisprudencial, buscará o aclaramento de tais questões, e respostas às dúvidas existentes. 1 OBRIGAÇÃO ALIMENTAR Não há um conceito legal no Direito brasileiro do que seja a obrigação alimentar. Entretanto, a doutrina considera os alimentos como sendo as prestações para satisfazer as necessidades vitais de quem não pode provê-las por si. Nessa esteira, pode-se afirmar que os alimentos, englobam, não somente comida, mas também habitação, vestuário, educação, lazer, etc. Dessa forma o direito de receber alimentos está diretamente ao viver dignamente e ao princípio da dignidade da pessoa humana. Nesse sentido tem-se que: A obrigação alimentar caracteriza a família moderna. É uma manifestação de solidariedade econômica que existe em vida entre os membros de um mesmo grupo, substituindo a solidariedade política de outrora. É um dever mútuo e recíproco entre descendentes e ascendentes e entre irmãos, em virtude do qual os que tem recursos devem fornecer alimentos (WALD, 2002, p. 41)

Dessa forma: O termo alimentos pode ser entendido, em sua conotação vulgar, como tudo aquilo necessário para sua subsistência. Acrescentamos a essa noção o conceito de obrigação que tem uma pessoa de fornecer esses alimentos a outra e chegaremos facilmente à noção jurídica. No entanto, no Direito, a compreensão do termo é mais ampla, pois a palavra, além de abranger os alimentos propriamente ditos, deve referir-se também à satisfação de outras necessidades essenciais da vida em sociedade (VENOSA, 2003, p. 371) Por isso: Alimentos são, pois as prestações devidas, feitas para que quem as recebe possa subsistir, isto é, manter sua existência, realizar o direito à vida, tanto física (sustento do corpo) como intelectual e moral (cultivo e educação do espírito, do ser racional) Nesse sentido, constituem alimentos uma modalidade de assistência imposta por lei, de ministrar os recursos necessários à subsistência, à conservação da vida, tanto física como moral e social do indivíduo.(CAHALI, 1999, p. 16) A obrigação alimentar surge em decorrência do dever de assistência entre parentes (art. 1694, CC2), ou decorrente de ato ilícito (art. 948, II, CC3). A ação para impor a outrem o dever de prestar alimentos provenientes do dever de assistência parental é regulado pela Lei 5.478 de 1968, conhecida como Lei de Alimentos. Tal normativa prevê o rito especial para a imposição de tal obrigação, em que há uma maior celeridade na prestação jurisdicional, tendo em vista que tal rito é mais condensado em relação ao procedimento comum ordinário. Nesse procedimento, o juiz ao despachar a inicial, designa audiência de conciliação, instrução e julgamento. Em tal audiência, tentada a conciliação, e a mesma resultando infrutífera, passa-se à fase probatória. Logo em seguida, o juiz prolata a sentença. Já no caso em que a obrigação é decorrente de ato ilícito, a via adequada para a reclamação de tal direito, será o procedimento comum, previsto no Código de Processo Civil. Em tal rito, há o despacho inicial com a ordem de citação, e o prazo para a defesa é de quinze dias. Após, entra-se na fase probatória, e logo depois das alegações finais, há o julgamento. 2 ALIMENTOS E O CUMPRIMENTO DE SENTENÇA Nos últimos anos, o Código de Processo Civil vem sofrendo várias atualizações, entre elas tem-se a que modificou significantemente o processo de execução. A Lei 11.232/05 trouxe em seu bojo, modificações no que diz respeito à execução de sentença que impõe uma obrigação pecuniária. Atualmente, não há mais, em relação à execução de obrigação pecuniária fixada por sentença, o processo de execução como processo autônomo. O processo de execução deixou de existir, nesse caso, passa-se agora ao chamado cumprimento de sentença, isto é, a execução da sentença é só mais uma fase do processo de conhecimento. A Lei 11.232/05 não se referiu expressamente acerca da execução de alimentos. O legislador quedou-se silente em relação à revogação ou não do artigo 732, do Código de Processo Civil. Pela antiga sistemática aplicava-se o art. 732, CPC, que diz que a execução de alimentos far-se-á observando o Capítulo IV, do Livro II, do CPC. Tal Capítulo, atualmente trata da Execução por quantia certa contra devedor solvente. Pela nova sistemática, implantada no que diz respeito à Execução, não há mais, para os títulos judiciais, um processo autônomo para a busca da satisfação do direito, tal procedimento autônomo, diz respeito tão somente aos títulos executivos

extrajudiciais, logo a obrigação alimentar fundada em decisão judicial, não poderá ser feita como previsto no artigo 732, CPC. Outrossim, em um análise teleológica da Lei 11.232/2005, tem-se que a “mens legis” foi de dar maior efetividade ao cumprimento da decisão condenatória com trânsito em julgado. Pois: O elemento teleológico ou racional busca o sentido maior da norma, o seu alcance, sua finalidade, seu objetivo prático dentro do ordenamento e para a sociedade. Constitui a razão de ser da lei, a ratio legis. Se uma lei, por exemplo, foi editada como o sentido de diminuir ou evitar a inflação monetária, para restringir o consumo, nesse sentido deve ser interpretada. Busca-se o sentido social para o qual a lei foi editada (VENOSA, 2004, p. 199). Assim, não há dúvidas que a aplicação do cumprimento de sentença será observada no que se refere aos alimentos, tendo em vista a não existência de processo autônomo de execução baseada em título judicial. Nesse sentido entende-se que: Não houve expressa revogação e nem qualquer alteração no Capítulo V do Titulo II do Livro II, do CPC que trata "Da Execução de Prestação Alimentícia". Também não há nenhuma referência à obrigação alimentar nas novas regras de cumprimento de sentença, inseridas nos Capítulos IX e X do Título VIII do Livro I: "Do Processo de Conhecimento" (CPC, arts. 475-A a 475-R). Em face disso, boa parte da doutrina sustenta que à execução de alimentos não tem aplicação a nova lei. Um punhado de justificativas impõe que se reconheça como inadequada esta postura. A cobrança de quantia certa fundada em sentença não mais desafia processo de execução específico. O credor só necessita ajuizar execução autônoma quando dispuser apenas de um título executivo extrajudicial. (DIAS, 2007) Porém, tem-se entendimento que a Lei 11.232/2005 não há de ser aplicada à satisfação da obrigação alimentar. Tal ensinamento diz que: Como a Lei n. 11.232/2005 não alterou o art. 732 do CPC, continua prevalecendo nas ações de alimentos o primitivo sistema dual, em que acertamento e execução forçada reclamam o sucessivo manejo de duas ações separadas e autônomas: uma para condenar o devedor a prestar alimentos e outra para forçá-lo a cumprir a condenação (THEODORO, 2006, p. 368). Entretanto, tal entendimento não é o que vem se consolidando doutrina e jurisprudencialmente. Conforme se extrai de decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: Família. Processual Civil. Alimentos. Execução. Proposição pelo rito do art. 732 do cpc. Incidência das alterações introduzidas pela lei 11.232/05, aplicável à espécie. Procedimento sob a forma de cumprimento de sentença (art. 475, I), alterações vigentes à época da propositura da execução. Agravo desprovido. (RIO GRANDE DO SUL. TJ, 2007, on line) Outrossim, “o legislador da Lei n. 11.232/05 esqueceu-se da execução alimentícia. A meu ver, porém, não se pode pensar que essa espécie executiva não receba os influxos da nova sistemática da execução de sentença” (CÂMARA, 2006, p. 165).

caso o credor não opte pelo rito da coerção pessoal. . não é mais necessário que haja a primeira e segunda praça ou leilão para que seja oportunizado ao exeqüente a adjudicação do bem. pode ainda na petição que postula o cumprimento de sentença. O devedor intimado da sentença. será expedido o mandado de penhora e avaliação e em sendo positiva a diligência do oficial de justiça. p. Pela exegese do artigo. apresentar impugnação. O credor. O executado poderá. diferentemente do que ocorria. Logo. seja ela pessoalmente ou na pessoa de seu advogado. diferentemente da fundada em título executivo judicial. após o trânsito em julgado da sentença. Atualmente. a adjudicação pressupunha a existência de hasta negativa. conforme art. Entretanto.Pois bem. tal faculdade será dada ao credor logo após a penhora do bem do executado. vê-se que é desnecessária a intimação do devedor. a não ser depois de cumprida a penhora. haja vista que em relação a tais títulos não há um prévio procedimento judicial de declaração do direito. Em não havendo o pagamento iniciar-se-á a fase de cumprimento da sentença. surge ao credor a oportunidade de adjudicação do bem. aqueles títulos com eficácia executiva elencados no art. sob pena de ser acrescido ao quantum da condenação. será o mesmo alienado por iniciativa particular. ou as prestações vencidas não derem ensejo a tal prisão. que deverivre do pagamento de quantia superior caso tenha-se a incidencia o 3 EXECUÇÃO DE ALIMENTOS COM BASE EM TÍTULO EXTRAJUDICIAL As mudanças ocorridas no Código de Processo Civil. porque. necessitando do requerimento da parte credora. o devedor tem o prazo de 15 (quinze) dias para efetuar o pagamento voluntariamente. que a princípio não suspende a execução. necessário a instauração de um processo de execução e não de mera fase do processo de conhecimento. o executado será intimado de tal penhora para que apresente defesa no prazo de 15 (quinze) dias. A indicação do credor facilita num primeiro momento a efetivação da penhora. 475-J. através de petição no autos em que houve o processo de conhecimento. não se travará aquela freqüente polêmica entre devedor e credo na escolha dos bens a serem penhorados (GRECO. também atingiram a execução fundada em título extrajudicial. o devedor deverá efetuar o pagamento sob pena de ser aplicada multa e se procederem aos atos expropriatórios necessários ao pagamento da quantia devida. 105) Após. isto é. Tal execução. do CPC6. para efetuar o pagamento sob pena da incidência da multa. tem-se que ao ser fixada por sentença a obrigação alimentar. em não havendo a adjudicação do bem. não sendo o devedor citado. não me parece que o juiz deva necessariamente aceitar a indicação do credor. Revista do Advogado. e em não havendo o pagamento e. 1Somente. Iniciada a fase de cumprimento de sentença. Não havendo o pagamento voluntário pelo vencido no processo de conhecimento. deverá efetuar o pagamento da quantia atualizada monetariamente. que não se dá de ofício. necessitando do requerimento da parte credora. cio. automático o acréscimo de 10% (dez por cento) sobre a quantia fixada. no prazo referido. multa de 10% (dez por cento). para se ver livre do pagamento de quantia superior caso tenha-se a incidência da multa de 10% (dez por cento). e tendo esta transitado em julgado. indicar bens à penhora. já que a alienação judicial preferia à adjudicação dos bens penhorados. nem intimado da execução. mas o juiz não é obrigado a aceitar tais bens. ou seja. o Superior Tribunal de Justiça expôs sobre a desnecessidade de intimação do devedor para o cumprimento do julgado4. 1No antigo regime. dar-se-á de forma autônoma. analisando-se as alterações surgidas tem-se que segundo o art. do CPC. quando não houver requerimento de adjudicação ou de alienação particular é que se procederá ao ato expropriatório por meio da hasta. Em recente julgamento. 685 – A5. 585.

CPC. Para tanto. sendo tal garantia requisito sem o qual não poderá haver a suspensão da execução. havendo o pagamento. Não é suficiente. Sendo deferido tal pleito e ocorrendo a mora do executado em relação a qualquer das parcelas. (BUENO. que aduz que os embargos não terão efeito suspensivo. ou seja. também. No prazo de 3 (três) dias deverá haver o pagamento. parcelas essas. que alterou dispositivos no Código de Processo Civil. o executado não mais poderá ofertar embargos. sob pena de sofrer os atos executivos. pode oferecer embargos. Atualmente. quando houver o receio de grave dano de difícil reparação ao executado. Entretanto. na execução de títulos extrajudiciais o devedor era citado para em 24 (vinte e quatro) horas pagar o valor devido. requerer o parcelamento da dívida. 475-M reservam para a “impugnação” que se volta. caução ou depósito. procederá à intimação do devedor para que indique bens passíveis de penhora e o local onde se encontram. é necessário que a execução esteja devidamente garantida através de penhora. serão diminuídos à metade. poder-se-á atribuir efeito suspensivo. CPC. mesmo que haja a rejeição de tal pedido. ao questionamento dos atos executivos praticados com base em títulos judiciais. o devedor não é mais citado para pagar em 24 (vinte e quatro horas) ou nomear bens à penhora. Em havendo tal petitório. o oficial de justiça deverá proceder à penhora dos bens e avaliá-los de imediato. A atribuição de efeito suspensivo para os casos de embargos à execução – a medida de que se vale o executado para voltar-se à execução de títulos extrajudiciais – depende.382/2006 e o art. 2007. em não quitando a dívida. com fulcro no artigo 745-A. 11. A Lei n. de ofício ou a requerimento do credor. por definição. depósito ou caução suficientes”. Porém. de a execução estar “garantida por penhora. ou nomear bens à penhora. o Juiz a qualquer tempo. Não há mais para o executado a oportunidade de oferecer bens à penhora em alternativa ao pagamento. atualmente o réu do processo de execução é citado para em 3 (três) dias pagar a quantia devida e. Conforme o parágrafo primeiro de tal artigo.382/06. que serão atualizadas monetariamente. O executado. é necessário que haja um prévio depósito de 30% (trinta por cento) do valor devido e o restante poderá ser divido em até 6 (seis) vezes. p. Outrossim. não há necessidade que a execução esteja garantida. O executado poderá oferecer defesa que se dará através de embargos. contudo. os honorários previamente fixados no despacho inicial do juiz. Tal intimação dar-se-á na pessoa do advogado. caução ou depósito. afirma-se que: Para fins do dispositivo em análise. Assim a execução não será paralisada em razão da oferta de embargos. mesmo não havendo mais tal oportunidade de nomeação de bens para penhora em opção ao pagamento.Anteriormente à Lei 11. que o executado-embargante comprove a ocorrência de fumus boni iuris e periculum in mora. as prestações vincendas serão consideradas vencidas e acrescer-se-á multa de 10% (dez) por cento sobre o restante devido. ou no caso de não haver procurador. não é requisito para a propositura dos embargos que haja prévia penhora. para haver a possibilidade de suspensão da execução em razão da oferta de embargos. Com a entrada em vigor de tal Lei. de tal forma era o despacho inicial do processo. a intimação será feita pessoalmente. não basta a ocorrência daqueles dois pressupostos. ex vi do artigo 652. 272) É possível ao executado. Mudança significativa ocorreu com a inserção do art. diferentemente do que ocorria. no prazo de 15 (quinze) dias contatos da juntada do mandado de citação. 739 – A7. para atribuição de efeitos suspensivo aos embargos à execução. . Em comentário à possibilidade de suspensão da execução.

p. cite-se o executado para em 3 (três) dias efetuar o pagamento das prestações. Se não pagar. Pois: a prisão civil não deve representar forma de coação para o pagamento da totalidade das parcelas em atraso. é a que se refere às prestações recentes. a débito atual. as parcelas pretéritas. atento à necessidade de tornar mais célere o recebimento de tal prestação. CPC. já não mais desfrutam do caráter alimentar. aquela dívida terá perdido o caráter alimentar. vê-se que não houve interferência em tal procedimento. independente de as prestações devidas serem recentes ou mais remotas. Em regra geral o despacho inicial do juiz tem a seguinte forma: Nos termos do art. provar que fez o pagamento ou justificar a impossibilidade de fazê-lo. O art. no valor de R$ 1. Assim. perderam o caráter alimentar. ser-lhe-á decretada a prisão pelo prazo de 60 (sessenta) dias8. provisionais ou a sentença que fixa alimentos definitivos.575. seja pelo pronto pagamento ou pelo parcelamento. em atraso. ou seja. dá ensejo à prisão civil do executado. dessa forma sua execução será pelo rito do cumprimento de sentença.00 ( um mil quinhentos e setenta e cinco reais). poderá haver a adjudicação do bem ou alienação. O devedor de alimentos. Entendeu-se que tendo em vista o caráter de subsistência dos alimentos. Em relação à execução dos alimentos. o rito a ser seguido será a atual execução de título extrajudicial. deixando o credor que o débito se acumule por um prolongado tempo. a decretação da prisão deve fundar-se na necessidade de socorro urgente e de subsistência imediata do alimentado. Posteriormente. referindo-se assim. passando a ser simples ressarcimento das despesas feitas anteriormente. nem se escusar. em não havendo o pagamento. foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988. possibilitou. será citado para pagar em 3 (três) dias a quantia devida e poderá oferecer embargos. com a penhora do bem. pois. assim. A jurisprudência e a doutrina. com incidência de multa e penhora. visto que as alterações dizem respeito à execução em que há a expropriação de bens do devedor para a satisfação da dívida. O executado é citado para em três dias pagar. pois trata-se de garantir a sobrevivência de outrem. que se fundar em título extrajudicial. a prisão civil do devedor. a prisão civil do devedor de alimentos continua totalmente plausível e possível. 4 EXECUÇÃO PELO RITO DA COAÇÃO PESSOAL A decisão que fixa alimentos provisórios. 733 do Código de Processo Civil. assim o devedor de alimentos deve prestá-los com regularidade. 2002. . O legislador. pelo punitivo ou coercitivo contra o devedor relapso (CAHALI. 733. havendo crédito. após a penhora o bem é vendido ou adjudicado pelo credor para a satisfação do débito. conforme já exposto. consolidaram que a execução de alimentos que dá a possibilidade de prisão civil do devedor. esvaindo-se pelo que o fundamento jurídico e teleológico da prisão civil. seja por iniciativa particular ou por hasta. as três últimas parcelas anteriores ao ajuizamento da ação.1022) Em relação às mudanças ocorridas no Código de Processo Civil. tendo sido expressamente autorizada a prisão civil do devedor de alimentos9. Os alimentos são necessários mês a mês. anteriores às três últimas.Não tendo sido a dívida quitada. que pode ser postulado pelas vias próprias. por isso que os débitos em atraso. não há como trocar o caráter compulsivo da medida. provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo.

2007) Entretanto. Esse ato interpretativo não reduz o campo da norma. se manejada sob o rigor da lei. pode . conforme autoriza a Lei 11. eventual afirmativa em relação a tal possibilidade. em que pese.Surge a discussão se os alimentos decorrentes do divórcio ou separação feitos pela via administrativa. 1998. do CPC. direito fundamental previsto na Constituição Federal. E realmente não parece intentar a recente norma afrontar tais princípios e direitos já concretizados em nossas leis. ou seja. com o auxílio de elementos lógicos e de fatores jurídicosociais. Descabimento. cerceará uma ferramenta eficiente na busca de uma resolução que envolve alimentos e que há muito vem sendo utilizada com sucesso. se assim for. Dívida de alimentos representada por titulo executivo extrajudicial. na realidade. É necessário que o intérprete se faça valer de tal interpretação: (. haja vista estar-se diante de um título executivo extrajudicial. não se contêm. apresenta uma resposta negativa à possibilidade de execução da escritura pública de alimentos. Prisão civil. Ora o artigo 733 fala sobre decisão judicial. Desta forma. p. determina-lhe tão-somente os limites ou as fronteiras exatas. o que contraria a previsão do artigo. 733. possibilitando a aplicação razoável e justa da norma de modo que corresponda à sua conexão de sentido (DINIZ. porque suas palavras abrangem hipóteses que nelas. o débito alimentar é quitado na iminência ou na efetivação da prisão do devedor.441/07. correndo tal execução pelo procedimento de expropriação de bens. ou seja.. Seria realmente um retrocesso do sistema não permitir a execução nos moldes do artigo 733 do Código de Processo Civil.) limitando a incidência do comando normativo. deve-se fazer uma interpretação restritiva de tal artigo. provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. entende-se que não é possível a prisão do devedor de alimentos fundando em título executivo extrajudicial." Sob interpretação literal. implicitamente se aborda o direito à vida. Nesse sentido: Agravo de instrumento. em 3 (três) dias. Execução de alimentos baseada em titulo extrajudicial. há de se atentar que em matéria famélica a tutela deve ser diferenciada e aí porque já existir mecanismos que permitem a proteção e a execução especial. doutrinas e jurisprudência.. pois. o mencionado dispositivo. Aduz-se que: O artigo 733 é claro: "Na execução de sentença ou de decisão. necessário um processo judicial e. impedindo que produza efeitos injustos ou danosos. efetuar o pagamento. como supracitado. 430) Logo. Entretanto. Ao se tratar de alimentos. além de latente prejuízo ao credor de alimentos. que fixa os alimentos provisionais. tendo em vista que se trata de direito à liberdade. Sim. seria dada a possibilidade de executar-se tais prestações pelo rito da coerção pessoal previsto no art. tem-se que não é possível haver na execução de um título extrajudicial o ensejo à prisão civil do devedor de alimentos. o juiz mandará citar o devedor para. não parece ser o melhor entendimento a ser aplicado neste momento em que uma novel legislação. porque na maioria dos casos. ter-se-á malfadado benefício ao devedor (DOMINGUES.

embasar execução por quantia certa contra devedor solvente (art. 732 do CPC), mas não execução com ameaça de prisão civil, na forma prevista no art. 733 do CPC. Recurso desprovido, por maioria. (RIO GRANDE DO SUL. TJ, 2007, on line) Assim, tem-se que na execução da obrigação alimentar fundada em título executivo judicial é possível a utilização do rito da coerção pessoal. Rito este, que tem a característica de maior efetividade e celeridade, pois o devedor para se ver livre da prisão deverá efetuar o pagamento da quantia executada. E, conforme entendimento sumulado do STJ10, o devedor de alimentos para se ver livre da prisão, deverá efetuar o pagamento das três últimas parcelas em atraso anteriores ao ingresso da ação e também as que se venceram durante o curso do processo. CONCLUSÃO Almejando-se a uma maior efetividade da prestação jurisdicional, o legislador alterou diversos dispositivos do Código de Processo Civil pátrio. Entre estas alterações destaca-se a que modificou significantemente o processo de execução. Para a satisfação de obrigação pecuniária, constituída em sentença, não há mais necessidade de instauração de processo autônomo de execução, mister simplesmente petição protocolizada nos autos em que correu o processo de conhecimento para se iniciar a fase de cumprimento de sentença. Quanto aos títulos executivos extrajudiciais, houve mudanças que alteraram o procedimento, entretanto, ainda é necessário o ingresso de ação autônoma, haja vista que para tais títulos não houve um prévio processo de conhecimento. Em relação à obrigação alimentar, surgiram diversas interpretações acerca da aplicabilidade ou não de tais modificações. Em que pese a não revogação expressa do artigo 732, CPC, chega-se à conclusão que as alterações do Código de Processo Civil são perfeitamente aplicáveis ao recebimento da obrigação de prestar alimentos. Através de uma interpretação teleológica, vê-se que não há justificativa plausível para que o credor de alimentos não seja beneficiado com o novo procedimento. O escopo das reformas foi justamente possibilitar àqueles que buscam o judiciário, uma forma mais rápida de satisfação do direito previamente declarado em processo de conhecimento. Assim, adotando-se o método de interpretação filológico ou gramatical, o credor da obrigação alimentar será prejudicado, pois utilizar-se-ia para tais títulos, o modelo bifásico em detrimento do objetivo do legislador e dos princípios de maior efetividade da justiça e duração razoável do processo. Outrossim, as prestações alimentícias em atraso, podem ser executadas através do rito da coerção pessoal, com fulcro no artigo 733, CPC. A possibilidade de decreto prisional limita-se às prestações vencidas e em atraso há menos de três meses, conforme construção doutrinária e jurisprudencial. REFERÊNCIAS ALVES, Jones Figueiredo. Código civil comentado (Coordenação Ricardo Fiúza). 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. BRUSCHI, Gilberto Gomes. A execução civil e o cumprimento de sentença. São Paulo: Método, 2006. BUENO, Cássio Scarpinella. A nova etapa da reforma do código de processo civil. São Paulo: Saraiva, 2007. 3 v. _____. A nova etapa da reforma do código de processo civil. São Paulo: Saraiva, 2007. 1v. CAHALI, Yussef Said. Dos alimentos. 3. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1999.

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Paulo: Saraiva, 2004. MONTORO, André Falcão. Introdução à ciência do direito. 25. ed. São Paulo: RT, 2000. NEGRÃO, Theotônio. Código de processo civil e legislação processual em vigor. 36. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. _____. Código civil e legislação em vigor. 23. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. NERY JUNIOR, Nelson e NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de processo civil comentado e legislação extravagante. 9. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006. _____. Leis civis comentadas. São Paulo: RT, 2006. NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Et al. Reformas do CPC. São Paulo: Editora Revistas dos Tribunais, 2006. PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de direito civil: direito de família. Rio de Janeiro: Forense, 2004. RIO GRANDE DO SUL. TJ. Agravo de Instrumento. N.º 70017452103, 8ª câmara cível, relator: Des. Luiz Ari Azambuja Ramos, j. em 23/11/2006. Disponível em <http://www.tj.rs.gov.br/site_php/jprud2/ementa.php>. Acesso em 21 set. 2007 _____. Agravo de Instrumento. Nº 70021274345, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Ricardo Raupp Ruschel, j em 24/10/2007. Disponível em <http://www.tj.rs.gov.br/site_php/jprud2/ementa.php>. Acesso em 21 set. 2007. RIZZARDO, Arnaldo. Direito de família. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2004. SANTOS, Moacyr Amaral. Primeiras linhas de direito processual civil. 21. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. 3 v. THEODORO JR., Humberto. As novas reformas do código de processo civil. Rio de Janeiro: Forense, 2007. VENOSA, Silvio de Salvo. Introdução ao estudo do direito: primeiras linhas. São Paulo: Atlas, 2004. _____. Direito civil: direito de família. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2003. WALD, Arnoldo. O novo direito de família. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. WAMBIER, Luiz Rodrigues; WAMBIER, Tereza Arruda Alvim, GARCIA, José Miguel. Breves Comentários à nova sistemática processual. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2006. NOTAS DE RODAPÉ
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Graduado em Direito. Mestrando em Ciência da Educação. Pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil. Professor Universitário.

Cabe ao vencido cumprir espontaneamente a obrigação. § 3o Havendo mais de um pretendente. não é necessário que a parte vencida. 685-A. § 2o Idêntico direito pode ser exercido pelo credor com garantia real. seja intimada para cumpri-la. assegurando preferência aos sócios. No caso de homicídio. II . É lícito ao exeqüente.o crédito decorrente de foro e laudêmio. § 1o Se o valor do crédito for inferior ao dos bens. Desnecessária a intimação pessoal do devedor. 3. os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social. anticrese e caução. 948. procedida por exeqüente alheio à sociedade. Podem os parentes. II . sem excluir outras reparações: I – . ARTIGO 475-J. a indenização consiste. 5 Art. N. pelos credores concorrentes que hajam penhorado o mesmo bem. requerer lhe sejam adjudicados os bens penhorados.232/2005. § 5o Decididas eventuais questões. TERMO INICIAL. 1. a execução prosseguirá pelo saldo remanescente.a letra de câmbio. o juiz mandará lavrar o auto de adjudicação. proceder-se-á entre eles à licitação. nessa ordem.a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor. CUMPRIMENTO DA SENTENÇA. 2. a fim de que tenha início o prazo recursal.os contratos garantidos por hipoteca.. esta será intimada. inclusive para atender às necessidades de sua educação.959 – RS (2007/0119225-2)]. o adjudicante depositará de imediato a diferença. 585. pelos meios ordinários. descendente ou ascendente. em igualdade de oferta.na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto os devia. 4 LEI 11.2 Art. § 4o No caso de penhora de quota. DESNECESSIDADE. pessoalmente ou por seu advogado. São títulos executivos extrajudiciais: I . a duplicata. terá preferência o cônjuge. bem como os de seguro de vida. pelo cônjuge.694. a debênture e o cheque. levando-se em conta a duração provável da vida da vítima. Transitada em julgado a sentença condenatória. CPC. ficando esta à disposição do executado. 6 Art. o documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas. penhor. INTIMAÇÃO DA PARTE VENCIDA. pelos descendentes ou ascendentes do executado. IV . . A intimação da sentença que condena ao pagamento de quantia certa consuma-se mediante publicação. III . MULTA. 954. em quinze dias. sob pena de ver sua dívida automaticamente acrescida de 10%. [RESP. a nota promissória. se superior.. oferecendo preço não inferior ao da avaliação. 3 Art. o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público. pela Defensoria Pública ou pelos advogados dos transatores. 1.

O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo. e desde que a execução já esteja garantida por penhora. 26 de setembro de 2008 . STJ . § 5o Quando o excesso de execução for fundamento dos embargos. quando o respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao embargante. § 2o A decisão relativa aos efeitos dos embargos poderá. emolumentos ou honorários forem aprovados por decisão judicial. 7 Art. cessando as circunstâncias que a motivaram. a lei atribuir força executiva. documentalmente comprovado. o prosseguimento da execução manifestamente possa causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação. de perito. tais como taxas e despesas de condomínio. apresentando memória do cálculo. § 1o O juiz poderá. § 3o Quando o efeito suspensivo atribuído aos embargos disser respeito apenas a parte do objeto da execução. bem como de encargos acessórios. Revista Jus Vigilantibus. VII .o crédito. Artigo 5º. essa prosseguirá quanto à parte restante. a requerimento da parte. em decisão fundamentada. ou de tradutor.V . sob pena de rejeição liminar dos embargos ou de não conhecimento desse fundamento.a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União. do Distrito Federal. atribuir efeito suspensivo aos embargos quando. ser modificada ou revogada a qualquer tempo.o crédito de serventuário de justiça. quando as custas. depósito ou caução suficientes.todos os demais títulos a que. 8 Exemplo extraído de processo em curso em Vara de Família. 739-A. inciso LXVII. dos Territórios e dos Municípios. por disposição expressa. o embargante deverá declarar na petição inicial o valor que entende correto. § 4o A concessão de efeito suspensivo aos embargos oferecidos por um dos executados não suspenderá a execução contra os que não embargaram. VI . decorrente de aluguel de imóvel. a requerimento do embargante. sendo relevantes seus fundamentos. de intérprete. VIII . dos Estados. Os embargos do executado não terão efeito suspensivo. Sexta-feira. 9 10 Súmula 309. correspondente aos créditos inscritos na forma da lei. § 6o A concessão de efeito suspensivo não impedirá a efetivação dos atos de penhora e de avaliação dos bens.

. A QUEM COUBER POR DISTRIBUIÇÃO LEGAL . 733 simples mas ao mesmo tempo fundamentada.Modelo de Execução de Alimentos art. 733 com fundamento Como eu sei o quanto é difícil achar petição de execução pelo art. segue: ___________________________________________________________________ EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DE UMA DAS VARAS DE FAMÍLIA DA COMARCA DE CIDADE/ESTADO..

DJ 04. a qual fixou alimentos na base de 01% de seu salário. em 3 (três) dias. conforme certidão de nascimento em anexo. residente e domiciliada à Rua ENDEREÇO. DOS FATOS O aqui credor é fruto do relacionamento havido entre sua mãe e representante. § 3º .05. e que está sendo cerceado em virtude do inadimplemento daquele que deveria ser um dos primeiros a oferecer auxílio. os alimentos que prestava aos menores desde DATA QUE ELE COMEÇOU A PAGAR. na Lei nº 5. A despeito da conjuntura acima exposta e da premente necessidade dos exeqüentes.O cumprimento da pena não exime o devedor do pagamento das prestações vencidas e vincendas. § 1º . na forma explicitada pelo artigo 733.Alterada .Na execução de sentença ou de decisão. NOME DA MÃE. Rompidos os laços afetivos outrora existentes com a mãe do exeqüente.22/03/2006 . estado civil. autos nº 106. certo. respeitosamente. LXVII. no afã de obter a pensão alimentícia que lhe é devida por direito. no artigo 733 do Código de Processo Civil e demais dispositivos aplicáveis à espécie. provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo.Prisão Civil . profissão. da Constituição Federal. pelos fatos e fundamentos que passam a expor: I. II. residente e domiciliada à Rua ENDEREÇO vêm. nacionalidade. em definitivo. por meio dos procuradores infra-assinados (instrumento de mandato incluso). em virtude de sentença arbitrada.NOME DO MENOR. 733 . requerer EXECUÇÃO DE ALIMENTOS (rito 733 CPC) em face de NOME DO PAI. à presença de Vossa Excelência. e o executado. a duro esforço. exclusivamente por sua mãe.00.2005 . III. o juiz decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses. exigível. porém a dívida já perpassa meses de total inadimplemento.Paga a prestação alimentícia. do Código de Processo Civil.000000-0 que tramita na 1ª Vara de Família desta Comarca.2006) Em Processo de Execução de Alimentos não se discute mérito. estado civil. neste ato representado por sua mãe. com fulcro no artigo 5º.DJ 19. efetuar o pagamento. o executado pouco prestou assistência aos menores. ajuizando a presente execução. nem se escusar. comparece perante este respeitável juízo. interrompendo. executa-se a sentença (título executivo judicial) em favor daqueles que tem um direito líquido. o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de prisão. menor impúbere. cujas despesas são arcadas. que fixa os alimentos provisionais.27/04/2005 . o juiz mandará citar o devedor para.04.Se o devedor não pagar. profissão.DO PEDIDO . (STJ Súmula nº 309 . COLOCAR QUANDO ELE PAROU DE PAGAR. apenas. Dispõe o seguinte a súmula nº 309 do Superior Tribunal de Justiça acerca dos alimentos: Débito Alimentar .Prestações Anteriores ao Ajuizamento da Execução e no Curso do Processo O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo. nacionalidade. DO FUNDAMENTO O estatuto adjetivo pátrio proporciona meios hábeis para se promover a execução dos alimentos fixados em sentença judicial. in verbis: Art.478/68. § 2º .

nos termos do art. pague a quantia equivalente aos três meses imediatamente anteriores à propositura da ação. à presença de Vossa Excelência. prove que o fez ou justifique a impossibilidade de fazê-lo. c) a intimação do Ministério Público para atuar no feito.00 (um real). §1º. inciso I. vem o exeqüente. 246 do mesmo diploma legal. 30 de Julho de 2008 . DIA de MÊS de ANO NOME DO ALUNO Acadêmica de Direito NOME DO ADVOGADO OAB/RN sob nº 661-A Anexar Planilha de débito alimentar atualizada Acórdão nº 70023210321 de Tribunal de Justiça do RS. CIDADE/ESTADO. sob pena de prisão. Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos. do CPC. Nesses Termos. no endereço constante do preâmbulo desta.00 (um real). para fins de alçada. requerer o seguinte:a) os benefícios da justiça gratuita por não ter condições de arcar com as despesas do processo sem prejuízo do próprio sustento ou da família na forma da lei 1060/50. 733. Sétima Câmara Cível. Espera Deferimento. em três (3) dias. para que. Dá-se à causa o valor de R$ 01. do Código de Processo Civil sob pena de nulidade do processo conforme dispõe o art. conforme planilha em anexo. nos termos do artigo 82. b) a citação do executado. o equivalente à R$ 01.Ex Positis.

Recurso desprovido. 2. Relator: Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves. Julgado em 30/07/2008) . Tratando-se de execução de alimentos na modalidade do art. Sétima Câmara Cível. Tribunal de Justiça do RS. PROCEDIMENTO DO ART. É cabível a intimação do executado via nota de expediente. Revela-se desnecessária nova citação ou mesmo a intimação pessoal do devedor para pagar. é imprescindível a citação pessoal do réu para pagar ou justificar a impossibilidade. pois para isso ele já havia sido regularmente citado. (Agravo de Instrumento Nº 70023210321.EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. INTIMAÇÃO PARA PAGAMENTO. 733 do CPC. quando está claro que ele deliberadamente vem se ocultando com o propósito de obstaculizar o cumprimento da obrigação. INTIMAÇÃO VIA NOTA DE EXPEDIENTE. 733 DO CPC. 1. 3. para que pague o valor sob pena de prisão.

2 Coação Pessoal. 1.232/2005. 2.º 11.º 11. 3 PRINCIPAIS ENTRAVES AOS MEIOS EXECUTÓRIOS DA OBRIGAÇÃO DE ALIMENTOS.1 Sugestões de Medidas Assecuratórias à Solvibilidade do Devedor.1 O Princípio Constitucional da Celeridade.232/2005 e sua provável aplicação ao rito da execução das prestações alimentícias Antenor Costa Silva Júnior* São Luis/MA . FINAIS.º 11. 2 A EXECUÇÃO DE ALIMENTOS E A LEI N.A EXECUÇÃO DE ALIMENTOS E A APLICABILIDADE DA LEI N.3 Expropriação. 3. 2. 1.2010 SUMÁRIO: INTRODUÇÃO. 1 MEIOS EXECUTÓRIOS DA OBRIGAÇÃO ALIMENTAR.º 11. REFERÊNCIAS _________________ .1 Descontos em Folha de Pagamento.3 Breve Estudo acerca dos Dispositivos Controversos da Lei n.232/2005.232/2005 EM SUA SISTEMÁTICA: As alterações advindas com a Lei n.2 Teses Contrárias e Favoráveis à Aplicabilidade da Lei nas Execuções do Encargo Alimentar. CONSIDERAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS. 1. 2.

º 11. Apresenta-se estudo teórico sobre as diversas modalidades de execução de alimentos. através de medidas assecuratórias da solvibilidade do devedor.º 11.232/2005. to the argument of the literal interpretation of the law. Applicability . Analisa-se a produção doutrinária nacional quanto à aplicabilidade ou não da referida Lei à execução de alimentos. are applicable to the rite of the food execution. foreseen in article 732 of the Code of Civil Process.º 11.232/2005. the spite of praiseworthy agreements. previsto no artigo 732 do Código de Processo Civil.º 11. mainly in the food actions its approached. Word key: Food execution.232/2005. Refutam-se as teses contrárias a não aplicabilidade do dispositivo legal.UNDB RESUMO Demonstra-se que as alterações trazidas pela Lei n. Aplicabilidade. Listam-se possíveis soluções à efetividade da tutela executiva de alimentos. suas peculiaridades. Its analyzed national doctrinal production how much the applicability or not of the related Law to the food execution. bem como se foram ou não alteradas pela mencionada Lei. through assuring measures that guarantee the payment for the debtor. The importance of begins it constitutional of the agility. ABSTRACT Its demonstrated that the alterations brought for the Law n. Theoretical study on the diverse modalities of food execution is presented. as well as if they had been or not modified for the mentioned Law. Law n. mormente nas ações de alimentos. Aborda-se a importância do princípio constitucional da celeridade. Palavras-chave: Execução de alimentos.*Acadêmico do 10º período do Curso de Direito . The contrary thesis to not the applicability of the legal device are refuted. ao argumento da interpretação literal da lei.The main impediments to the food executory are described. Lei n. Descrevemse os principais entraves aos meios executórios dos alimentos. a despeito de louváveis entendimentos. são aplicáveis ao rito da execução de alimentos.232/2005. demonstrating the damages the one that the food creditors will be submit. . Possible solutions to the effectiveness of the executive food guardianship are listed. demonstrando os prejuízos a que os credores de alimentos estarão sujeitos.

à execução das prestações alimentícias e.232/2005. mas cuida-se tão somente de mera fase incidental do processo de conhecimento. conseqüentemente traz o que é melhor ao jurisdicionado é o posicionamento divergente. a necessidade de tornar mais célere referida tutela executiva justificam a escolha do tema sobre o qual se pretende construir esse trabalho monográfico. fato que trouxe dúvidas acerca da aplicabilidade das normas atinentes ao cumprimento da sentença aos encargos de natureza alimentícia. no que toca aos títulos executivos judiciais. no que toca aos alimentos.º 11. Deste modo. distante da aplicação das novas regras dos artigos 475-I e seguintes –. em atenção ao que dispõe o artigo 732 do Código de Processo Civil. se apresentarão também entendimentos contrários à tese pretendida. não mais prescinde do arcaico processo de execução. Com a recente reformulação do Código de Processo Civil que alterou substancialmente o processo de execução. não houve modificação da execução de alimentos. o qual remete tal procedimento ao rito previsto no Capítulo IV do Título II do Livro II do Código de Processo Civil – portanto. a defesa de que a cobrança de condenação imposta judicialmente. além da efetiva aplicação da citada Lei. reconhecidamente direito fundamental? Conquanto existam aqueles que acreditam ainda permanecer o velho procedimento de execução. seriam capazes de impor maior celeridade à prestação da tutela executiva de alimentos.INTRODUÇÃO A omissão do legislador quanto à aplicabilidade do instituto do cumprimento da sentença. respeitáveis vozes têm se manifestado no sentido de que a nova espécie de execução é perfeitamente aplicável ao caso em espécie. ante a omissão legislativa? Que outros meios. propõe-se como hipótese provisória. E justamente porque o que oxigena o direito e. Instalada a controvérsia acerca de qual procedimento deve ser adotado pelo alimentante. por importantes e imprescindíveis à matéria. seriam as alterações advindas com referida Lei aplicáveis ao rito da execução das prestações alimentícias. trazido pela Lei n. .

O arsenal teórico encontrado sobre a matéria será apresentado. 151).º 11. não se podendo valer das vantagens do novo sistema de execução de sentença (e outros provimentos judiciais). Nesse sentido. que não se trata apenas de interesse privado do alimentante. eis que a falta de modificação do texto legal não deve ser interpretada como intenção de afastar o procedimento mais célere e eficaz logo da obrigação alimentar. para refutar a interpretação meramente literal da lei. . ter-se-ia de concluir que o credor de alimentos ficou prejudicado. a priori. Com efeito.Partir-se-á do princípio de que a exclusão dos alimentos ao procedimento advindo da Lei n. p. inclusive mais céleres. qual o procedimento a ser adotado pelos litigantes em cada caso concreto.232/2005 trará.232/2005. cujo bem tutelado é justamente a vida. ao afirmar que: Ao se considerar que nada foi modificado em relação à execução de prestação alimentícia. que doutrina e jurisprudência devem se alinhar no sentido da aplicabilidade da referida lei. como o que possibilita a aplicação de multa como forma de agilizar o adimplemento do devedor do crédito alimentar. louvável entendimento de Câmara (2006. antes de tudo. reconhecendo-se assim a imprescindibilidade e importância dos debates sobre a matéria. ficando este desprovido dos novos meios. razões com respaldo jurídico serão apresentadas para justificar a aplicação do novel instituto. Portanto. vez que se refere à matéria de ordem pública. de garantia de solvibilidade do devedor. cuja interpretação será à luz dos novos dispositivos do referido Diploma Processual relativos ao cumprimento da sentença (artigos 475-I a 475-R). que exclui do credor seus benefícios. uma releitura dos artigos 732 a 735 do Código de Processo Civil será feita. bem como. malefícios ao alimentante. Vislumbra-se. Analisar-se-ão também as peculiaridades e características da Lei n. Consultas a fontes legais e jurisprudenciais serão feitas e avaliadas.º 11. a ação de alimentos busca preservar o direto à vida. Por certo.

Nesse sentido. bem como se foram ou não alterados pela Lei também se ocupará este trabalho. dos principais entraves às diversas espécies de execução de alimentos e as sugestões encontradas com o fito de impor mais efetividade à tutela executória. através de todos os meios possíveis. Desse modo é que a tutela executiva. sobe pena de se por em risco a própria sobrevivência do alimentante. 1 MEIOS EXECUTÓRIOS DA OBRIGAÇÃO ALIMENTAR Inserido entre as garantias da pessoa humana. É certo que este trabalho não silenciará os contrários à aplicabilidade da referida Lei ao procedimento em apreço. 450) ressalta que: A imposição do dever alimentar busca preservar o direito à vida. Cahali (2002. Os alimentos não dizem respeito apenas com o interesse privado do alimentante.Ainda. daquele que não é capaz de. que tratará. per si. p. constante preocupação em proporcionar a imediata e integral satisfação do direito pleiteado. passou a ser considerada como direito fundamental – seguindo a tendência irreversível da constitucionalização do Direito Civil – havendo. as particularidades das prestações a ele relativas. Há de se garantir. assegurado constitucionalmente (CF 5º). por isso se trata de obrigação regulada por norma cogente de ordem pública. reporta-se ao assunto ao sustentar que: Considerando a relevância do crédito por alimentos. p. ou seja. 967). a solvibilidade do devedor. no mais. como corolário do direito à vida e do princípio da dignidade da pessoa humana. Há interesse geral no seu adimplemento. do estudo dos demais meios executórios dos alimentos. mormente no que toca aos alimentos. mas constitutir-se-á em mais uma posição favorável a tal mister. o direito aos alimentos não pode prescindir de eficiente execução. por parte de seus especialistas. observa Humberto Theodoro Junior terem sido acrescentadas ao procedimento comum algumas medidas tendentes a tornar efetiva a execução de maneira . Dias (2006. promover o sustento.

de que constarão os nomes do credor. . militar.º 5. bem como empregado sujeito à legislação do trabalho. (Vade Mecum. 1336). § 1º . 457).Para assegurar o pagamento da pensão alimentícia. Parágrafo único. 2[2] Art. 2007. p. 435). p.1 Desconto em Folha de Pagamento 1[1] Art. o juiz poderá determinar que a pensão consista no usufruto de determinados bens do cônjuge devedor. 2007. 112). 1983. o juiz decretar-lhe-á prisão pelo prazo de 01 (um) a três meses. 733. A execução de sentença. Quando o devedor for funcionário público. disposta no artigo 475-Q do CPC5[5]. (Vade Mecum. serão apresentados os meios executórios previstos tão somente no Código de Processo Civil e na Lei de Alimentos. possuem a finalidade de impedir o inadimplemento. quanto a esta parte. 21 . denominada lei de alimentos. que. 734. 2007. 4[4] Art. como a constituição de usufruto. Por esta razão estabeleceu-se um rito próprio para a ação de execução de alimentos. p. atendendo ademais a certos requisitos da obrigação alimentícia. A seguir. 457). que condena ao pagamento de prestação alimentícia. 2007. (Vade Mecum. § 1º. 733. 734 do CPC1[1]). p. quanto no Código de Processo Civil. A comunicação será feita à empresa ou ao empregador por ofícios. nem se escusar. 1. malgrado não tenham relação direta com os meios executórios. 3[3] Art. farse-á conforme o disposto no Capítulo IV deste Título. prevista no artigo 21. afastando a necessidade de executar a sentença. 732 do CPC3[3]). §1º. Podem ser citadas as chamadas medidas assecuratórias. cuja renda assegure o pagamento do valor mensal da pensão.mais célere. 475-Q. do devedor.Se o cônjuge credor preferir. Sem embargos do exposto. § 1º do CPC2[2]) e a expropriação (art. o juiz mandará descontar em folha de pagamento a importância da prestação alimentícia. verifica-se uma flexibilidade de meios executórios previstos pelo legislador para o exato cumprimento da dívida alimentar (LIMA.. Quando a indenização por ato ilícito incluir prestação de alimentos. diretor ou gerente de empresa. p. tendo por meios executórios: o desconto em folha de pagamento (art. o juiz. da Lei de Divórcio4[4] e a garantia através de renda temporária. . Se o devedor não pagar. (Vade Mecum.478/1968. 457). a importância da prestação e o tempo de sua duração. o juiz poderá determinar a constituição de garantia real ou fidejussória. 5[5] Art. p. 2007. poderá ordenar ao devedor constituição de capital.. a coerção pessoal (art. contido tanto na Lei n. (Vade Mecum. 732.

Ressalva-se. Previsto no artigo 734 do CPC6[6] e artigo 16 da Lei de Alimentos 7[7]. diante do adimplemento regular do débito. 16. 7[7] Art. injustificadamente. bastando a simples deliberação do magistrado. afastando-se discussões acerca da defasagem dos valores da pensão. porém. . precedendo. (Vade Mecum. um caso especial de arresto. em razão da simplicidade e da eficiência no procedimento. devendo ser aplicado o presente meio apenas nos casos de omissão quanto à forma do pagamento. Dita modalidade. p. porque essa medida tem como fim conservar em mão de terceiro a soma suficiente para pagamento do que é devido ao credor impedindo que se subtraia à solução da dívida. mediante ofício. a regra é que permaneça tal como pactuado. ou ainda. que em havendo outra forma de convenção entre as partes e. se restar demonstrado o não cumprimento da obrigação. 6[6] Cf. 2007. inclusive à expropriação e a coerção pessoal. sob pena de. assegura o proporcional e automático reajuste do encargo. a modalidade em comento é das mais utilizadas. fica garantido o reajuste dos alimentos no mesmo percentual dos ganhos do devedor. alterar-se cláusula livremente acordada pelas partes. 433) assevera que: O critério mais seguro e equilibrado para a definição do encargo é o da vinculação aos rendimentos do alimentante. p. n. 969) vai além ao afirmar que: A doutrina identifica aqui. Na execução da sentença ou do acordo nas ações de alimentos será observado o disposto no artigo 734 e seu parágrafo único do Código de Processo Civil. Cahali (2002. Dias (2006. Dessa maneira. além de guardar relação com a capacidade econômica do alimentante.Com nítido caráter prioritário. 1. Impende ainda esclarecer que não obsta à sua determinação o fato de nada haver sido pactuado a respeito no acordo ou mesmo fixado em sentença. dispensada anuência do alimentante. o desconto ou consignação em folha de pagamento cuida-se de maneira fácil e rápida de cumprimento de decisões interlocutórias ou sentenças. 1229). p.

a fim de se evitar o inadimplemento. 10[10] Art.º 5. (Vade Mecum. . 1229). 22. Possibilidade legal. inclusive do Imposto de Renda.Detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano. darão todas as informações necessárias à instrução dos processos previstos nesta lei e à execução do que for decidido ou acordado em juízo. civis ou militares. da já mencionada lei. antes de se saber se haverá a fase posterior executória ou não. p. constituindo-se crime contra a Administração da Justiça.Em todo caso. requisitar informações necessárias ao fiel cumprimento do encargo. que poderá. Apenas em alguns casos é que o débito pode ser amortizado em parcelas a serem descontadas em folha de pagamento. 2007.478/19688[8]. Restará igualmente configurado delito penal.º 11. 2007. No mesmo sentido é a recusa ou demora em dar fiel cumprimento ao encargo. p. até como forma de cumprimento “forçado”. tal procedimento ainda é adotado por ocasião da sentença. caso for. 1229). cabe anotar que a Lei n. deixando de executar a ordem de desconto em folha de pagamento. Desconto em folha de pagamento. (Vade Mecum. sem prejuízo da pena acessória de suspensão do emprego de 30 (trinta) a 90 (noventa) dias. sem prejuízo da pena acessória de suspensão do emprego por um período de trinta a noventa dias. ou procrastina a executar ordem de descontos em folhas de pagamento. 22. possível é a 8[8] Art. expedida pelo juiz competente. Nesse sentido. 1229).232/2005 em nada alterou a modalidade executória do desconto em folha de pagamento. de qualquer modo. As repartições públicas. inteligência do artigo 20 da Lei n. Inexistência de bens passíveis de penhora. parágrafo único 10[10]. Constitui crime conta a administração da Justiça deixar o empregador ou funcionário público de prestar ao juízo competente as informações necessárias à instrução de processo ou execução de sentença ou acordo que fixe pensão alimentícia: Pena . cabe ao alimentado o ônus de identificar a fonte pagadora do requerido e informá-la em juízo.. mesmo porque. p. Parágrafo único. Nas mesmas penas incide quem. confira-se o seguinte julgado: ALIMENTOS VENCIDOS. 2007. (Vade Mecum. conforme prudência e bom senso do juiz. tipificado no artigo 22. ou se recusa. ajuda o devedor a eximir-se ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada. cuja pena é de detenção de 06 (seis) meses a 01 (um) ano. . 9[9] Art. 20. Não possuindo o devedor bens passíveis de constrição. Por fim. ocasião em que não há que se falar em modificação do procedimento pela Lei em referência. fixada ou majorada.. em geral. O empregador ou funcionário que deixar de prestar ao juízo competente as informações requeridas incorrerá em delito previsto no artigo 22 da referida Lei9[9].

733 e 735 do Código de Processo Civil. 831): 11[11] Aprovado no Brasil pelo Decreto Legislativo 27. . operando-se a execução nos moldes do que dispõe o 732 do CPC..não haverá prisão civil por dívida. Ninguém deve ser detido por dívidas. p. não for possível a satisfação do débito. até que a dívida seja integralmente solvida. a presente medida é plenamente justificável e tem salutar significação. 14[14] Cf.. o que também restou expresso na Constituição Federal de 198813[13]. 2007. 2006. 5º.92 e promulgado pelo Decreto 678 de 06. poderá o credor requerer a execução da sentença na forma dos artigos 732. No entanto. 12[12] Art. 2. (Vade Mecum.penhora de parte de seus proventos para garantir o pagamento da dívida de alimentos. o Código de Processo Civil14[14] e a Lei de Alimentos15[15] também versam sobre a matéria. também conhecido como a Convenção Americana de Direito Humanos. Sérgio Chaves – Data do Julgamento 03/10/2001). 13[13] Art. resta garantido o adimplemento da obrigação alimentar.. a possibilidade da prisão por dívida alimentar. Assim também é o entendimento de Pereira (1977 apud RIZZARDO. de 25. A prisão civil é medida de exceção porquanto no direito pátrio a regra é a liberdade. 7. 7. 10).2 Coação Pessoal O Pacto de São José da Costa Rica11[11].. salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel. solvendo a pendência. 15[15] Art.11.09. p. pela natureza do bem a ser tutelado. 2007. p. n. ainda assim. Por outro lado. 1. 7. § único). já trazia em seu artigo 712[12]. LXVII . e o alimentante não fica privado do seu próprio sustento (CPC 723.92. (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul – Agravo de Instrumento 70002857712 – Órgão Julgador: 7ª Câmara Cível – Relator Des. sendo pacífico o entendimento sobre a possibilidade de utilização dessa modalidade de meio executório. Este princípio não limita os mandados de autoridade judiciária competente expedidos em virtude de inadimplemento de obrigação alimentar. 1229). Se. 18. (Vade Mecum. Com isso.

de alguma forma. sendo cabível apenas modalidade executória da expropriação. a jurisprudência aponta os seguintes fatos como hábeis e eficazes para retratar momentânea falta de recursos do obrigado: o desemprego total. se manter. deve oferecer o pouco que tem ao alimentando. a repentina aparição de moléstia. tutela interesses sociais e individuais de indescritível essencialidade. decidir pela acolhida da justificativa. de direito das obrigações. decisão que desafia agravo de instrumento. no prazo de três dias. ainda mais nos casos de alimentos arbitrados por força de filiação. p. e a pendência de paralela demanda exoneratória da obrigação alimentar. como o desemprego e a doença do executado para justificar a impossibilidade de quitação dos alimentos. Portanto. a despeito de regularmente citado não paga ou não justifica o débito. Cuida-se de rito próprio. ou mantendo-se inerte. ou por afastá-la. a ser assim analisada pelo juiz. Nesse sentido manifesta-se Madaleno (2008): Toda a extensa gama de articulações. se este consegue. cabe ao alimentante apenas o argumento fundamentado da impossibilidade temporária. será decretada a prisão do executado. e decretar a prisão civil do devedor alimentar. 182): Na rica casuística de hipóteses. nem do mínimo dispõe. mas sim. no qual o devedor. descabe decreto de prisão.A prisão por alimentos não se refere a uma dívida comum. Assim. Se há suposta ilegalidade no decreto pode o devedor valer-se de habeas corpus. impõe-se prova convincente desses fatos. Restando comprovada séria impossibilidade temporária. advertindo: “A simples alegação de desemprego não é bastante para eximir o devedor do pagamento das prestações acordadas”. a despedida de um dos empregos que mantinham o devedor. que em regra. oportunos são os exemplos de Assis (2004. importa em passar pela obrigatória instrução processual. em escala altíssima no tocante às conveniências dos devedores. No entanto. uma vez que o entendimento é que. No que toca as escusas plausíveis a serem ofertadas pelo devedor. obviamente. É a própria sobrevivência-valor. haja vista as mazelas econômicas gerais. pois a jurisprudência do STJ endureceu. . rejeitada a justificativa. ficando à mercê da relevância dos fatos e da sensibilidade do juiz.

envolvendo situação complexa e dependente de produção de provas. 1. excesso de prazo estabelecido para prisão.]. sob alegação de falta de meios suficientes para fazê-lo. não se permite. fixa o interregno de um a três meses17[17]. há pequena divergência entre a Lei de Alimentos. discussão a respeito da justiça ou da inadequação dos alimentos arbitrados. que..694. sendo insuscetível de agasalho no âmbito do writ [. omissão de prazo para defesa e outros. A impossibilidade de cumprir a obrigação alimentar assumida ou fixada em sentença. se foram atendidos. concernentes às necessidades do alimentando e à possibilidade da pessoa que os deve prestar [. 16[16] Art. pois se trata de controvérsia que não cabe ser deslindada na via estreita do remédio constitucional. O juiz. por vontade própria. . deixa de pagar a prestação alimentar. pela necessidade de se cogitarem elementos probatórios. nesta sede. Nesse sentido. Há. Sobre o assunto. sem motivo justo e. tais como: inexistência de fundamentação da decisão. Tendo em vista que a prisão é providência executiva. advoga Cahali (2002. o procedimento executório deve ser promovido pelo meio menos gravoso ao réu. 1229). p.]. para instrução da causa ou na execução da sentença ou do acordo. 19. devendo ser versado em pedido apartado de revisão ou redução. ao âmbito restrito do writ. os pressupostos do art. no intuito de harmonizar as normas discrepantes. portanto.. p. poderá tomar todas as providências necessárias para seu esclarecimento ou para o cumprimento do julgado ou do acordo. inadequado ao exame de prova complexa. a solução encontrada pelos juízes foi não exceder a sessenta dias. p. consubstanciada na liberalidade do alimentante. iliquidez da dívida. que estabelece tempo de custódia de sessenta dias16[16] e o Código de Processo Civil. os requisitos da prisão são: a inescusabilidade do devedor.. 17[17] Cf. (CPC 620). que deixa de cumprir o acordado.Deve-se asseverar que tal remédio constitucional. Quanto ao prazo da prisão. §1º do Novo Código Civil). n. na sua fixação. plácida a opinião de Dias (2006. nesses casos. extinção da dívida por causa superveniente à defesa. a voluntariedade do inadimplemento. somente deve ser usado quando configurado error in procedendo. que por sua vez. 2. limites à cognoscibilidade do writ. 400 do CC (art.. 2007. Por sua vez. (Vade Mecum. 485): Apesar do notável esforço da doutrina. é matéria de mérito. 1070): O problema do quantum fixado refoge. inclusive a decretação de prisão do devedor até 60 (sessenta) dias.

inadmissível. a qual não se aplicará se possível o desconto em folha. os contrários a aplicação da prisão como forma de coação. máxime aquela concernente à pena de prisão.. O mesmo não se pode falar quanto aos alimentos arbitrados por força de ação de responsabilidade ex delito. Frise-se que pouco importa tratar-se de alimentos provisórios. a única forma de coagir o devedor que demonstra não possuir consciência de sua obrigação alimentar. assim. é cabível apenas no caso dos alimentos previstos nos artigo 231. Inadmissibilidade na espécie.] a prisão civil por dívida. p. realizado o pagamento. Porém. podem ocorrer outras prisões se. Entrementes. a despeito da mesma dívida. que não tem natureza de sanção. afirmam que tal medida traz sérias conseqüências. a pensão . não é aconselhável sua utilização.78). cabe a prisão por inadimplemento.. como meio coercitivo para o adimplemento da obrigação alimentar. Assim. Execução. p. apenas não podendo o devedor ser preso novamente pelo mesmo débito já executado anteriormente e pelo qual já fora preso. Possibilidade de desconto em folha. 828) assevera que: [. pelo distanciamento entre pais e filhos. Tratando-se de funcionário público. (FACHIN. em qualquer caso. forma de coerção. do CC. 2005. Funcionário Público. que constituem relação de direito de família. forem denegadas novas prestações. 791) é enfático ao afirmar que: [. provisionais ou definitivos.. o efeito dissocializador do afastamento do grupo familiar e outros. sua finalidade estará cumprida. III e 396 e ss. Rizzardo (2006. A presente modalidade executória é considerada por muitos. tais como: o agravamento da ruptura do afeto familiar. Por esta razão é que a modalidade de prisão é medida extremada e. Pedido de prisão do alimentante. mas sim caráter de meio indireto de execução. o fato da dignidade de toda a família ser atingida juntamente com a do devedor.] deve-se proceder a esta modalidade de execução (desconto em folha de pagamento) antes de se procurarem as outras vias.. p. em havendo a possibilidade de execução através de desconto em folha. por exemplo. segundo reitera jurisprudência: “Alimentos. a sua cominação determinada por falta de pagamento de prestação alimentícia decorrente de ação de responsabilidade ex delito.Ao efetuar o pagamento da dívida revoga-se a prisão. Cahali (2002.

quais sejam: as três ultimas prestações vencidas. enquanto que para aqueles que não os detém é possível esta hipótese. é opção do credor o requerimento pelo procedimento da prisão ou por aquele que resulta na constrição de bens. 2006. é sua comparação com o meio executório da expropriação. 421). p. contrariando a função peculiar dos alimentos. não cabe a aplicação da coação pessoal a alimentos atrasados ou acumulados durante vários meses ou anos. num primeiro momento. desde logo. se o devedor. Seria nítido constrangimento ilegal. . Esse também é o posicionamento dos tribunais pátrios: 18[18] Art. Diferente. sendo pertinente à espécie à modalidade da expropriação. (Vade Mecum. cuja urgência impõe medidas duras e rápidas para o pronto fornecimento. deixar de pagá-las ou de consigná-las.alimentícia a que está obrigado a prestar pode ser executada mediante desconto em folha de pagamento. consubstanciada no artigo 732 do CPC. constituindo comportamento discriminatório entendimento segundo o qual para o devedor que possui bens não há possibilidade da coação pessoal. Supracitado autor (RIZZARDO. é claro. De fato. tem se entendido que a coação tem por objeto. enquanto durar a obrigação. retardando a prestação alimentícia. p. 834) ressalva que: O entendimento favoreceria delongas e malabarismos forenses. porém. com o princípio da igualdade. com o próprio caráter urgente que se reveste a obrigação alimentar e. Justifica-se tal entendimento como argumento de que não pode o devedor ser prejudicado pela displicência do credor na formulação de seu pedido. única e exclusivamente dívida nova. independentemente de declaração expressa do autor. Quando a obrigação consistir em prestações periódicas. nada impede que o autor após a prisão ou justificativa requeira o prosseguimento da execução através da modalidade expropriação. não sendo caso de decretar-lhe. a sua prisão”. 2007. No mais. Tal entendimento colide. além. 290. considerar-se-ão elas incluídas no pedido. Portanto. das parcelas que se forem vencendo ao longo do processo (artigo 290 CPC18[18]). no curso do processo. a sentença as incluirá na condenação. num segundo. em regra. Outrossim. pois somente estariam preservados aqueles que fossem aquinhoados de significativo patrimônio. caso ainda persista o inadimplemento.

478/1968 garante ao credor de alimentos a possibilidade de expropriação de aluguéis e de outros rendimentos. porém e. o devedor apenas ao pagamento do débito novo. aí. porque se cuida. 1722).. O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três parcelas anteriores à citação e as que se vencerem no curso do processo (Vade Mecum. 2007.º 53068 da mesma Corte. 1.232/2005 em nada alterou o procedimento em apreço.. Referido termo causava embaraços ao procedimento e incentivava o inadimplemento. devendo o alimentando valer-se do procedimento aqui mencionado para forçar manus militari. O que se discute.[. é o porquê de tal fixação jurisprudencial ser em número de três e quais as desvantagens trazidas por tal entendimento ao credor.3 EXPROPRIAÇÃO A Lei n. muitas das vezes. após o julgamento do habeas corpus n.º 5. através do cumprimento de sentença. datado 22/03/2006. cuja leitura.] a prisão civil decorrente do inadimplemento da prestação alimentícia tem por encargo fundamental forçar o devedor a sustentar o necessitado. enquanto o Código de Processo Civil segue com o procedimento da execução de alimentos. o devedor. 12. a prisão é ilegal. cumpre anotar que Lei n.º 11. através do meio executório da expropriação.736-0. será analisado em momento oportuno. 19[19] Súmula 309. eis que. p. (Habeas Corpus n. . Por outro lado. tendo em vista que suas modificações referem-se tão somente ao débito antigo. É o que prescreve a súmula 309 do STJ19[19]. Tribunal de Justiça Paraná). ou melhor. fugia da citação. configurado. de cobrança de credito patrimonial que perdeu sua função. passou a ser de que o prazo que autoriza a prisão é o de três meses anteriores ao ajuizamento da ação e não o da citação. órgão julgador 4º Câmara Cível. leia-se dos três últimos meses antes do protocolamento da demanda. como já dito. para eximir-se da prisão. com o claro intuito de desconstituir débito novo. se o alimentado sobreviveu sem o pagamento das prestações. previsto em capítulo próprio.

previsto no artigo 732 do CPC20[20].os 11. contudo. não mais depende de processo autônomo. as Leis n. novo prazo de 15 dias. 3. p. ao invés de embargos.382/2006 modificaram a cobrança de condenação imposta judicialmente. neste caso. o devedor. desprovida. bem como o procedimento. a requerimento do credor.232/05: a sentença condenatória. tal efeito quando relevantes o fundamento da impugnação e o prosseguimento da execução mostrar-se suscetível de causar ao executado grave dano de difícil reparação. É o que se chama de sincretismo processual. como era previsto no procedimento anterior. como agora é denominada a execução de títulos judiciais. com seus respectivos dispositivos. é o modificado pela Lei n.Como já dito. 20[20] Cf. Permanecendo inadimplente. Deste modo.232/2005. de efeito suspensivo. expedir. que desafia ato citatório. o juiz poderá. a priori. em sede de execução de alimentos. o cumprimento de sentença. da qual o devedor será intimado. Pode ser permitido. que não mais carece de processo de execução. Cuida-se a impugnação de mera fase procedimental. Abre-se então. adota-se.232/2005 e 11. em regra. desde logo mandado de penhora e avaliação. procedimento. 132) ao afirmar que: Os artigos 475-I a 475-R consistem na alteração mais significativa da reforma decorrente da Lei 11. em regra. n. tratando-se tão somente de mera fase incidental do processo de conhecimento. Assim. unificação procedimental entre a ação condenatória e a ação de execução. Pertinente o ensinamento de Wambier (2006. . Cuidando-se de execução de alimentos fundada em título executivo judicial.º 11. havendo um débito de parcelas em número superior a três. o procedimento. como conseqüência das modificações. tal qual se demonstrará em momento oportuno. sob pena de multa de 10%. a execução do excedente por quantia certa. Recentemente. para que este ofereça impugnação. antes executada necessariamente em outro processo – de execução – passa a ser executada no mesmo processo. Houve assim. será intimado para efetuar o pagamento do débito no prazo de 15 dias.

os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal. 685 do CPC21[21]). 2007. Il . Uma vez cumpridas essas providências. p. Além disso. (Vade Mecum. 647.º 11. A posteriori. Após a avaliação. por oportuno. na falta de 21[21] Art. que bastem à execução. 2007. III . 449) . observado o disposto no § 3º deste artigo. 650. 649.382/2006. (Vade Mecum. os frutos e rendimentos dos bens inalienáveis. 475-R. haja vista que as alterações referentes ao cumprimento da sentença nada dispõem sobre o procedimento subseqüente à avaliação e penhora (e para qual não haja impugnação). protege o alimentado na medida em que exclui de possível penhora. efetuada agora. que o parágrafo segundo24[24] do artigo 649 do CPC. p. terão início os atos executórios. 448) 23[23] Art. A expropriação consiste: I . 2007. o juiz dará início aos atos de expropriação de bens. . ou transferi-la para outros bens mais valiosos. soldos.no usufruto de bem móvel ou imóvel. pensões. poderá mandar o juiz.na alienação por iniciativa particular.os vencimentos.na adjudicação em favor do exeqüente ou das pessoas indicadas no § 2º do art. se o valor dos penhorados for inferior ao referido crédito. a requerimento do interessado e ouvida a parte contrária: I . Destaca-se. IV . 685-A desta Lei. também alterado pela referida lei. 449) 25[25] IV . 685. excluiu a aplicação da impenhorabilidade prevista no inciso IV25[25] do mesmo dispositivo no caso de penhora que objetive garantir pagamento de prestação alimentícia. 448) 26[26]Art. à falta de outros bens. alterado pela Lei n. Parágrafo único. as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e sua família. remunerações. (Vade Mecum. proventos de aposentadoria. poderá ser reduzida ou ampliada a penhora (art. Podem ser penhorados. por oficial de justiça. salvo se destinados à satisfação de prestação alimentícia.reduzir a penhora aos bens suficientes. devendo ser observado o disposto no artigo 475 – R23[23] do CPC.A execução então prosseguirá. as normas que regem o processo de execução de título extrajudicial. subsídios. 2007. § 2º O disposto no inciso IV do caput deste artigo não se aplica no caso de penhora para pagamento de prestação alimentícia. o artigo 65026[26] do mesmo diploma legal. p. no que couber. II . pecúlios e montepios. (Vade Mecum. 435/436) 24[24] Art..ampliar a penhora. 2007. A expropriação consistirá nos atos previstos no artigo 64722[22]do CPC. 2007. Aplicam-se subsidiariamente ao cumprimento da sentença. 452/453) 22[22] Art. Após a avaliação. (Vade Mecum. p. (Vade Mecum. p. salários. ou transferi-la para outros.. se o valor dos penhorados for consideravelmente superior ao crédito do exeqüente e acessórios. p.na alienação em hasta pública.

semelhantemente ao que ocorre com os títulos executivos extrajudiciais. Lenza (2005. o direito à celeridade ou à razoável duração do processo veio firmar entendimento de que não basta a mera obtenção da tutela jurisdicional. 2007. levando em conta a morosidade da alienação em hasta pública. reger-se-á nos moldes do artigo 647 e seguintes do CPC. acima de tudo. 10) . . Não realizada a adjudicação dos bens penhorados. Por outro lado. Pode-se ainda.. o que reforça o entendimento de que a natureza do bem tutelado é de extrema urgência. ser célere.º 11. 685 – C do CPC27[27]). 5º. 685-C. serem os bens alienados por iniciativa do credor ou por intermédio de corretor credenciado (art. de modo que seu detalhamento não faz parte do objetivo deste trabalho monográfico. destaca-se por conveniente que. No mais. 453) 28[28] Art.outros bens. p. o exeqüente poderá requerer sejam eles alienados por sua própria iniciativa ou por intermédio de corretor credenciado perante a autoridade judiciária. os frutos e rendimentos de bens inalienáveis destinados à prestação alimentícia. p. em não havendo adjudicação. são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Vade Mecum. dês que por preço não inferior ao da avaliação. Para que seja eficaz.. 2007. (Vade Mecum. em quaisquer de suas modalidades. Note-se que.232/2005 2. a expropriação. o provimento deve. no âmbito judicial e administrativo.1 DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA CELERIDADE. quer quando o executado é credor ou devedor. 513) é enfático ao afirmar que: 27[27] Art. 2 A EXECUÇÃO DE ALIMENTOS E A LEI N. as alterações deram ao credor a possibilidade de adjudicação do bem. p.A todos. tal como pugnado. LXXVIII . o legislador buscou meios para garantir o direito aos alimentos. Erigido à categoria de princípio constitucional28[28].

. justa e eficaz.. §4º.. [.] o tempo constitui um dos grandes óbices à efetividade da tutela jurisdicional. protegido que está pelo manto do art. utilidade. (Vade Mecum. uma vez que o processo é espécie de instrumento que viabiliza o exercício dos demais direitos e. inclusive.. pois para o desenvolvimento da atividade cognitiva do julgador é necessária a prática de vários atos. IV .. 30) . Processo efetivo é a obtenção. de natureza ordinatória e instrutória. e no 29[29] Art. Importa revelar que antes de introduzido pela Emenda Constitucional n.º 45. como tal. ao final do processo. o princípio da celeridade já vinha previsto. é insuscetível de modificação. no artigo 8º. 2007. . o que pode gerar risco de inutilidade ou ineficácia. Cuida-se de garantia fundamental essencial.[. 1. a demora causada pela duração do processo e sistemática dos procedimentos pode gerar total inutilidade ou ineficácia do provimento requerido.] em algumas situações. § 4º . O simples fato do direito ficar sobrestado por todo o tempo do desenvolvimento do processo já induz prejuízo ao titular. em especial no processo de conhecimento.. ter prejudicada a efetividade de sua tutela ao tempo do recebimento da prestação. p. que tenha. 60. inciso IV da Constituição Federal de 198829[29]...Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: . em prazo razoável. visto que muitas vezes a satisfação necessita ser imediata. de uma decisão de igual razoabilidade.os direitos e garantias individuais. como direito fundamental. 60. contudo. sob pena de perecimento do próprio direito reclamado. Isso impede a imediata concessão do provimento requerido. o que vai de encontro a um das missões do processo que é a eliminação de conflitos. que pode.

indiscutível é a importância. independente e imparcial. 35) observa que estes devem ser: [. para garantia da celeridade de sua tramitação. p. .. do contraditório e da ampla defesa (art. III .. 1. mesmo quando tal violação seja cometida por pessoas que estejam atuando no exercício de suas funções oficiais. (Vade Mecum. 32[32] Art. p. Outrossim. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. os litígios submetidos à apreciação do Poder Judiciário. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. 1º. 10) 35[35] Art. de modo que sua aplicabilidade tem repercussão direta sobre outros princípios constitucionais. 5º. 07) . 5º. na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela. Toda pessoa terá o direito de ser ouvida. p. ambos da Convenção Americana sobre Direitos Humanos30[30] (Pacto de São José da Costa Rica). (Vade Mecum. 2007. 10) 33[33] Art. 45/2004. Assim. (Vade Mecum. Artigo 25 – Proteção judicial 1. 1º A República Federativa do Brasil. LV . XXXV . 5º. LV34[34]). acordo este.. LIV 32[32]). perante os juízes ou tribunais competentes. LIV . com os meios e recursos a ela inerentes. (Vade Mecum. 2007. p. Quanto aos meios que garantem a celeridade da tramitação do processo. 31[31] Cf. em favor dos jurisdicionados. aderido pelo Brasil31[31].artigo 25... 5º. Toda pessoa tem direito a um recurso simples e rápido ou a qualquer outro recurso efetivo.] inquestionavelmente oferecidos pelas leis processuais. constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: . 5º. como já dito. derivando de ordem expressa da Emenda n. pela lei ou pela presente Convenção. portanto. 2007. trabalhista.a dignidade da pessoa humana. 11. como o do devido processo legal (art.. 2007. p. n. p. da dignidade da pessoa humana (art.Garantias judiciais 1.ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. da inafastabilidade de jurisdição (art. de fazer com que a legislação processual ofereça soluções hábeis à desburocratização e simplificação do processo. 5º. e outros.a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. 08) 34[34] Art. por um juiz ou Tribunal competente. Grinover (2005. ou na determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil. III35[35]). Paulo & Alexandrino (2007. 187) acrescentam que: 30[30] Artigo 8º . em processo judicial ou administrativo. de modo que a reforma infraconstitucional fica umbilicalmente ligada à constitucional. fiscal ou de qualquer outra natureza.. XXXV33[33]). em prazo razoável.. de ver julgados.. com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável. estabelecido anteriormente por lei. que a proteja contra atos que violem seus direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição..aos litigantes. Trata-se.

deve o direito aperfeiçoar-se na busca do exato ponto de equilíbrio em que a celeridade processual não prejudique o fundamental direito de poder exaurir os meios de defesa previstos pela lei. encontrando sua origem no próprio direito natural.º 11. 5º da Constituição Federal. Trata-se da sobrevivência. e comprometendo a paz social. pela EC nº 45/2004. tão abaladas pelo influxo do tempo. . ademais. mostram-se sobremaneira sensíveis as vindicações judiciais que precisam responder às angústias pessoais. forçoso é admitir que houve sim uma alteração natural do procedimento da execução de alimentos. esta tantas vezes creditada apenas na esperança de uma eficiente tutela jurisdicional. com resultado tardio. por tratar-se de direito assegurado constitucionalmente. deve ser imposta a todos e justamente em razão de seu caráter possui aplicabilidade imediata. e de inconsistentes defesas. a falta de modificação de um texto legal não pode ser interpretada com o intuito de afastar o procedimento mais célere e eficaz daquelas obrigações. realça.A inserção. Madaleno (2008) destaca que: Especialmente na esfera do direito de família. Como já dito. Com efeito. 5º da Carta da República. são mecanismos que acabam conspirando contra a democrática ordem jurídica. no rol do art. cujo bem protegido é a própria vida. para a credibilidade e confiança no direito e na justiça. Procurando sempre conciliar a rápida prestação jurisdicional com a segurança da mais irrestrita defesa. Em nada contribui. De qualquer forma. fato que transcende as simples justificativas morais ou sentimentais. cuja tendência é significativa em todos os ramos do Direito.232/2005 à execução de alimentos. levando-se em consideração que a finalidade das recentes reformas do Código de Processo Civil é a celeridade. um processo moroso. portanto. O dispositivo possui claro objetivo de imprimir maior celeridade ao processo de execução e jamais pode ser renegado àqueles que mais precisam dessa rapidez. Assim. Esse é um dos motivos pelo qual se defende a aplicabilidade da Lei n. do princípio da celeridade processual. vazio de propósitos ou já de todo ineficiente por sua demora. A celeridade. a natureza não exaustiva dos direitos e garantias fundamentais constitucionais. o direito a alimentos é questão de sobremaneira importância. Do ponto de vista dos alimentos. Tal situação não pode ficar a mercê das delongas do Judiciário. aspecto explicitado no § 2º do art. o excessivo tempo de demora de um processo. assim como indevidas dilações provocadas pelo uso excessivo de desmesurados atalhos. tal princípio ainda é mais relevante.

De igual modo não houve nenhuma referência à obrigação alimentar nos novos acréscimos trazidos pela legislação. ainda permaneceria o velho procedimento de execução autônomo.. o que. então. há a tese da não aplicabilidade dos atos relativos ao cumprimento da sentença à execução de alimentos. Mesmo porque. sendo questionado se a simplificação dos atos de cumprimento de sentença alcança os encargos de natureza alimentícia. uma controvérsia acerca de qual procedimento deve ser adotado pelo alimentante que. algumas decisões que admitem execução permanecerão sob os mesmos moldes. Corroborando com o entendimento. levaria a conclusão que. mesmo diante das mudanças apresentadas. [. é. Tal controvérsia é reconhecida por Dias (2008) ao afirmar que: O silêncio do legislador no que diz com a execução dos alimentos tem semeado discórdia em sede doutrinária. (Artigos 475 – A a 475 – R do CPC) Estabeleceu-se.232/2005 não alterou nenhum dos dispositivos do Código de Processo Civil referente à execução de alimentos. almeja obter o bem da vida. munido de título executivo judicial. em que o acertamento e execução forçada reclamam o sucessivo manejo de duas ações separadas e autônomas. Nessa 36[36] Cf. Liderada por Theodoro Júnior (2007. mister destacar a Execução de Alimentos Provisionais. n. por si só. contrário ao sincrético em vigor.º 11. 3. Beilner (2008) aduz que: Oportuno destacar que. em relação aos alimentos. pois. instituídos pelos atuais 475-I a 475-R.2 TESES CONTRÁRIAS E FAVORÁVEIS A APLICABILIDADE DA LEI À EXECUÇÃO DO ENCARGO ALIMENTAR.. o artigo 732 do CPC36[36] faz expressa remissão ao capítulo que trata da execução por quantia certa contra devedor solvente. o dos títulos extrajudiciais (Livro II) e não o do cumprimento da sentença.] O procedimento executivo. . Nesse sentido. senão veja-se: Como a lei n. Por um lado. 11232/2005 não alterou o artigo 732 do Código de Processo Civil. referida linha acredita na literalidade da lei. Já se mencionou que o legislador desencadeador da reforma trazida pela Lei n. 416). Uma para condenar o devedor a prestar alimento e outra para forçá-lo a cumprir a condenação.2. aplicável agora somente aos títulos executivos extrajudiciais. p. dentre os dispositivos que tratam da matéria. continua prevalecendo nas ações de alimentos o primitivo sistema dual.

352). afirmam que deve prevalecer a remissão prevista no artigo 732 do CPC37[37]. ainda que apenas em ônus sucumbenciais. após a condenação e conseqüente inadimplência. a qual. aplicando-se a qualquer procedimento. o procedimento executivo atende ao disposto no caput do artigo 732. A priori. por óbvio. Irrelevante que a sentença tenha sido proferida em processo que seguiu rito sumário ou especial. na verdade é uma aparência ambígua de cumprimento de uma decisão interlocutória. antes da decisão terminativa de mérito não é dado ao Requerente da prestação alimentícia executar as parcelas vencidas mediante a nova sistemática do cumprimento de sentença. muito embora. modernos processualistas e especialistas de Direito de Família defendem ferozmente a aplicação das alterações aos encargos de natureza alimentar. um título executivo judicial. cujo inconformismo enseja a interposição de agravo. teria o credor. Pouco importa também que se trate de sentença declaratória. 3. Só para argumentar. 475 – I. Em contrapartida. que considera como válido o procedimento disposto no Capítulo IV do Título II do Livro II do Código de Processo Civil. muito embora a demanda demonstre tratar-se de “cumprimento” de sentença. os dispositivos referentes ao cumprimento da sentença têm natureza de norma geral. que trata agora somente dos títulos executivos extrajudiciais. eis que levou em consideração o caráter específico do rito de alimentos. Rebatendo ao argumento de que não há a incidência da lei. n. CPC. por disposição especial do Código de Processo Civil. o cumprimento será feito de acordo com o estatuído no caput do art. oportuno é o ensinamento global de Donizetti (2007. vale lembrar que a natureza da decisão que permite a “execução” dos alimentos provisionais é de cunho interlocutório. Havendo condenação. ou seja. . Acreditam referidos autores que a omissão legislativa foi proposital. Não obstante integrar o procedimento ordinário. desta forma. o ônus de estabelecer novo processo.modalidade de execução. Dito de outro modo. no que toca aos alimentos provisórios ou provisionais. constitutiva ou de natureza cautelar. se exclui da nova hipótese engendrada pelo legislador. posição à qual se filia a autora deste trabalho. destaca-se o entendimento de Dias (2008): 37[37] Cf. p. porém sem tergiversar. Saliente-se que. com novo pedido de citação para que o devedor efetue o pagamento em três dias. na maioria das vezes tem o credor de alimentos uma sentença. Sendo assim.

incide a multa de 10%. Ou seja. Ainda que o valor do encargo venha a ser diminuído ou afastado. os embargos prejudicam o alimentante. (Vade Mecum. Basta lembrar que se trata de obrigação pré-constituída e que os alimentos são irrepetíveis. Diferente é a impugnação. observa-se que a interpretação literal da lei traz. que não disporia mais de meios impugnativos ao pedido do autor. Quem melhor explica é Dias (2008) ao lembrar que: Há um fundamento que põe por terra qualquer justificativa de emprestar sobrevida à execução por quantia certa de título executivo judicial relativo a alimentos. já há o sobrestamento do feito. chegar-se-ia à esdrúxula conclusão de que o devedor de alimentos não dispõe de meio impugnativo. não se pode retirar o caráter condenatório dos alimentos fixados em sede liminar. com o mero oferecimento e recebimento destes. devendo o impugnante convencer o juiz da efetiva possibilidade de êxito na sua defesa. pois não tem como fazer uso dos embargos à execução. Ainda que tivessem sobrevida. A impugnação não terá efeito suspensivo. 732 do CPC. O capítulo II do Título III do Livro II do CPC que se intitulava: “Dos Embargos à execução fundada em sentença”. 475J). eis que com seu efeito suspensivo. antes de tudo. ou melhor. 38[38] Art. Esse meio impugnativo só pode ser oposto na execução contra Fazenda Pública. malefícios ao próprio devedor. novo meio de defesa através da qual só há possibilidade de efeito suspensivo se atendido o requisito previsto no artigo 475 – M do CPC38[38]. decorrente da própria lei. Não admitir a incidência da multa pelo fato de os alimentos não serem definitivos só estimularia o inadimplemento e a eternização da demanda. não existem mais no estatuto processual pátrio embargos à execução de títulos judicial. Ainda que a lei faça referência à “condenação” (CPC. p. Num segundo momento. 434) . agora se denomina: “Dos Embargos à Execução contra a Fazenda Pública”. tal não livra o devedor da obrigação de proceder ao pagamento das parcelas que se venceram neste ínterim. quaisquer que sejam os fundamentos alegados. A vingar o entendimento que empresta interpretação literal ao art.Sobre alimentos provisórios ou provisionais. 2007. ou seja. Trata-se agora de questão ope judicis e não mais ope legis. podendo o juiz atribuir-lhe tal efeito desde que relevantes seus fundamentos e o prosseguimento da execução seja manifestamente suscetível de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação. já se opera a suspensão da execução. que exista risco de dano manifesto. 475-M. o que evita a suspensão da execução por questões infundadas. O pagamento precisa ser feito mesmo que os alimentos não sejam definitivos.

inciso II. 163) ao afirmar que: O importante é deixar claro que o novo modelo da execução das sentenças (e outras decisões condenatórias) do direito processual civil brasileiro tem repercussão. excluem-se do credor benefícios que só a Lei garante. não podendo valerse das vantagens do novo sistema de execução de sentença (e outros provimentos judiciais).. até porque prevêem procedimento mais célere do que o previsto para execução de título extrajudicial. Assim.232. anteriormente só obtida nas obrigações de fazer. 433) . Ao se negar ao credor a possibilidade do arbitramento de multa de 10% (dez por cento). não seria possível realizar a execução no lugar onde estiverem os bens a serem penhorados. obrigando o credor a proceder à instauração de novo processo. tendo por objetivo imprimir maior celeridade ao processo. o montante da condenação será acrescido de multa no percentual de 10% e.. Caso o devedor. por óbvio. condenado ao pagamento de quantia certa ou já fixada em liquidação. e deixar de fora logo aquela hipótese em que a necessidade inerente ao crédito alimentar impõe ainda mais a busca pela aceleração dos meios de entrega da prestação jurisdicional executiva. como título executivo. entre muitas outras vantagens que a Lei n. 475-J. também sobre a execução de prestação alimentícia.] o credor de alimentos ficou prejudicado. 151) é convincente ao concluir que: [.] em se tratando de obrigação alimentar constante de título judicial o mais razoável é que se apliquem as normas sobre o cumprimento de sentença. Acerca do assunto. com a ausência dos novos regulamentos extrai-se do credor a possibilidade de prestação imediata da tutela. 475 – I e seguintes.. que demanda. como forma de agilizar o adimplemento do débito.. desta lei. retira-lhe umas das formas de coação do devedor ao pagamento. a requerimento do credor e o observado o disposto no artigo 614. por exemplo. de não fazer e de dar coisa. p. não restam dúvidas de que o procedimento mais célere e mais vantajoso trazido pela Lei n. p. mais tempo. Afora isso. Câmara (2006.] o demandado continuaria a poder nomear bens à penhora. expedir-se-á mandado de penhora e avaliação.º 11. ao refutar a aplicação da Lei. à decisão que condena ao pagamento de prestação alimentícia aplicam-se as normas gerais sobre o cumprimento de sentença prevista nos arts.232/05 trouxe para o credor que tem. (Vade Mecum. [. 629): [. 2007. Assim. Assim.º 11. A multa prevista no artigo 475 – J do CPC39[39] é um clássico exemplo.Por outro lado.. pronunciamento judicial condenatório. Nesse sentido também é o entendimento de Donizetti (2007. Não haveria qualquer sentido em se modificar todo o sistema de execução de decisões judiciais. p. não efetue no prazo de 15 dias..05 deve ser deferido aos credores de 39[39] Art. p. relevante é o ensinamento de Câmara (2006.

que decorrido o prazo. comparecerá em juízo. 2. sob pena de multa de 10%. Pelo texto da lei. outros. que já cumpriram suas obrigações com muita dificuldade um aumento de dez por cento sobre o valor do débito dificilmente assustará (afinal. parece que o devedor já incorreria em mora apenas configurando-se sua inadimplência no prazo de 15 dias.232/2005 Admitindo-as como aplicáveis à obrigação de alimentos. os economistas poderosos certamente são capazes de pagar o que devem e. portanto. Contudo. dificilmente.º 11. no prazo previsto. como Câmara (2006) e Wambier (2007) acreditam que o requerido deve ser regularmente intimado. o fato de se submeterem a uma multa de dez por cento não os inibirá na busca por procrastinar a satisfação do crédito. correndo o prazo automaticamente após a condenação.232/2005. 116) afirma que: Para os mais necessitados economicamente. A dúvida inicial é quanto obrigatoriedade da intimação do devedor para cumprimento da sentença. quem já não tem como pagar o principal. no que toca ao rito.alimentos de modo que. o credor solicitasse o cumprimento do mandado de penhora e avaliação para que houvesse deliberação nesse sentido. Pois bem. qualquer entendimento contrário jamais pode ser aplicado no caso concreto. há de se tecer breves comentários sobre as alterações advindas com a Lei n. p. Câmara (2006. Novas controvérsias surgem quando da aplicação do procedimento sincrético. certamente não terá como pagar o valor acrescido de multa).3 BREVE ESTUDO ACERCA DOS DISPOSITIVOS CONTROVERSOS DA LEI N.º 11. a exemplo de Gusmão (2005) entendem que ao executado não carece intimação. para saldar o débito apenas por receio de ser-lhe aplicada multa. Bastaria. Enquanto alguns. tem se entendido que o devedor. No extremo oposto. . contados da intimação da sentença.

. ainda.] Há de se levar consideração. Em primeiro lugar. parte da doutrina acredita ser imprescindível a intimação do réu. 240 do CPC em afirmar que. 475-J. Enquanto Câmara (2006. Só a partir de então é que passará a viger o prazo de quinze dias para o cumprimento da sentença e conseqüentemente o prazo para incidência da multa. pois.. Os autores discordam. pelo correio. o juiz mandará arquivar os autos (CPC. sob pena de multa. opinião na qual se filia a autora deste trabalho. seguindo-se o princípio do impulso oficial. uma violação à garantia constitucional do processo justo. qualquer dúvida em sustentar a necessidade de intimação pessoal do executado para que pague o valor da dívida. Por oportuno. até porque. Não tenho. Ora. somente mediante solicitação do credor é que o juiz irá determinar a intimação do devedor para proceder ao pagamento em quinze dias. quanto à iniciativa da intimação. para efetuar o pagamento. A intimação deve ser ao devedor e não ao seu procurador. porém. se não há expressa disposição em contrário no art. A providência não deve ser tomada de ofício.. Dias (2008) aduz haver a necessidade de requerimento do credor. sob pena de incidência da multa. 2008).114). § 5º). senão veja-se: Penso que o termo a quo desse prazo quinzenal é a intimação pessoal do devedor para cumprir a sentença. decorrente do devido processo legal. Não pode. É de bom alvitre lembrar que a multa possui como finalidade o estímulo do adimplemento. é expresso o art. Basta pensar nos casos em que o advogado não comunica à parte o momento inicial da sentença. não sendo requerida a execução no prazo de seis meses. Não pode ser mesmo de outro modo. p. a nosso ver. o prazo de quinze dias ali referido tem de correr da intimação.]. pelo magistrado. (DIAS. pois.Assim. 115) afirma que deverá ser de ofício. uma vez que poderia acontecer de a multa incidir sem que a parte sequer soubesse que já iniciara o prazo para o pagamento. sob pena de incidir a multa referida no art. ser aceita a idéia da fluência automática do prazo. [. Argumenta a sobredita autora que: Apesar da boa intenção do legislador de emprestar celeridade ao cumprimento da sentença condenatória para o pagamento de quantia em dinheiro. o fato de que a fluência deste prazo de forma automática implicaria. salvo disposição em contrário os prazos para as partes correm da intimação. p. 475-J (ou em qualquer outro lugar). O advogado é intimado para a prática dos atos que exigem capacidade . 475 – J do CPC. art. [. por ser uma opinião data vênia contrária à lei. traslada-se entendimento de Câmara (2006. não devendo ser exigida sem prévia intimação..

não realizando o pagamento da dívida. 2008). esta é que deve ser intimada. de que não haverá intimação para pagamento do débito. A apelação será recebida em seu efeito devolutivo e suspensivo. em maior proporção. III – o levantamento de depósito em dinheiro e a prática de atos que importem alienação de propriedade ou dos quais possa resultar grave dano ao executado dependem de caução suficiente e idônea. 40[40] Art. tem o credor a faculdade de executá-la provisoriamente. No mesmo sentido ocorre na hipótese de rejeitada a impugnação oferecida. Seria uma dupla condenação. arbitrada de plano pelo juiz e prestada nos próprios autos. 2007. (Vade Mecum. A parte deve ser intimada pessoalmente para os atos que dizem com o cumprimento da obrigação objeto do litígio. Nesses casos. inadmissível em nosso ordenamento. A execução provisória da sentença far-se-á. no entanto. normalmente. 435) . observadas as seguintes normas: I – corre por iniciativa. nos termos do artigo 475 – O do CPC41[41]. tendo em vista que os autos são remetidos ao órgão ad quem. II . por arbitramento. restituindo-se as partes ao estado anterior e liquidados eventuais prejuízos nos mesmos autos. caso não haja o adimplemento voluntário. p. II – fica sem efeito. devendo ser expedido mandado de penhora e avaliação. do mesmo modo que a definitiva. ressalte-se. sobrevindo acórdão que modifique ou anule a sentença objeto da execução. 2007. De qualquer forma. mas tão somente intimação da própria sentença. Por outro lado. recebida só no efeito devolutivo. se a sentença for reformada. desta feita em procedimento próprio. 520. a teor do artigo 520. II. a reparar os danos que o executado haja sofrido. já há uma sanção. que não comporta qualquer outra espécie de penalidade. p. Será. no que couber. (Vade Mecum. a partir da qual a multa incide. sujeitas a recurso não dotados de efeito suspensivo. Como o cumprimento da sentença condenatória é ato da parte. que se obriga. 475-O. É claro que aqueles que defendem o posicionamento contrário. casos em que o devedor poderá ser submetido a prisão..postulatória. do CPC40[40].. Como corolário lógico do entendimento acima exposto. quando interposta de sentença que: . conta e responsabilidade do exeqüente. (DIAS. Insta destacar ainda que a multa não deve ser aplicada na modalidade da coação pessoal. repise-se que a multa tornar-se-á exigível a partir da intimação do devedor para o pagamento do débito. ressalte-se que nas sentenças definitivas. o dies a quo da incidência da multa e de 15 dias contados a partir do trânsito em julgado da sentença ou do recebimento do recurso sem efeito suspensivo.condenar à prestação de alimentos. incide a multa. 439) 41[41] Art.

Assim. contados do vencimento da prestação para executar o decisum provisoriamente. a partir da data em que se vencerem (Vade Mecum. Importa destacar ainda que.Ressalte-se que. o alimentante se depara com sérias dificuldades para satisfação de seus direitos. nos casos de execução provisória. instigam o pensador jurídico a seguir na busca contínua de novas soluções capazes de conferir efetiva execução. independente da condição jurídica do sujeito favorecido (se incapaz ou não). 206. Ressalva-se. Em dois anos. previsto no artigo 206. de ofício. o alimentante tem o prazo de 02 anos. se esta não for suspensa por efeito de recurso interposto. é claro. o juiz deve decretar. Adverte ainda Geraige Neto (2001. 2007. do Código Civil42[42]. sob pena de perecimento de seu direito. a prescrição. as hipóteses de suspensão. estimulam a inadimplência. Prescreve: .. se exeqüível a sentença proferida nos autos da ação de alimentos. impedimento ou interrupção do prazo prescricional.. §2º. estes corriqueiros entraves aliados aos ressentimentos que remanescem nas relações familiares. p. §2º. a despeito de ser uma faculdade. Madaleno (1999) relata que: Maculado por vícios que dificultam e até impedem o normal desenrolar do processo de execução de alimentos. e por seu turno.º 11. a pretensão para haver prestações alimentares. 414) . ter cautela quanto ao prazo prescricional dos alimentos. a partir da Lei n. 3 PRINCIPAIS ENTRAVES AOS MEIOS EXECUTÓRIOS DA OBRIGAÇÃO DE ALIMENTOS Conquanto exista uma variedade de meios executórios previstos em lei. deve o credor. nas quais não há que se falar em decurso de tempo. p. 751) que: 42[42] Art. dispostos nos artigos 197 e seguintes do Código Civil.280/2006. ou seja. A justificativa é que tal pretensão não pode ficar resguardada ad infinitum. Não é razoável que o devedor fique a mercê dos longos anos em que os autos ficariam paralisados em razão de variados recursos.

Nesse sentido. antes constituído por bens de raiz. o executado se utiliza de diversas vias para eximirse da obrigação. SENTENÇA QUE JULGOU PROCEDENTES OS . já há precedentes julgando inadmissível a alienação a terceiros de bem de alimentante.. p. que substituíram o lastro patrimonial. Outro freqüente meio de escusa é o repasse de bens do executado para terceiros ou para o patrimônio de empresa. o inadimplente de boa-fé. Veja-se: EMBARGOS DE TERCEIRO. Sobre o tema.15): Há todo tipo de alimentante: o responsável. o sagaz. quando a transação possuir nítida natureza de fraude. FRAUDE À EXECUÇÃO RECONHECIDA POR DECISÃO PROFERIDA POR ESTA CORTE. simulação de insolvência. Com vistas à interrupção do desconto em folha de pagamento é usual a saída do emprego estável e. o executado inicia novo negócio. ficando sem o valor que lhe é descontado mês a mês e omitindo reais valores que percebe. o falacioso e o devedor renitente.. com as exceções do débito de alimentos e do depositário infiel. ocultação da real situação financeira.. dentre outros. o falido. p. Em prol do devedor e detrimento do credor e em nome da dignidade mínima é protegida a moradia. simulando possível insolvência patrimonial. o mentiroso.] o processo executivo está muito aquém do seu objetivo. Como se tem observado. depósitos de valores inferiores. o perverso. Assis (2004. o indiferente. o malandro. 18) acrescenta outro exemplo. nada sobrando para garantir as dívidas judiciais. pertinente o ensinamento de Serejo (2001.[. PENHORA DE AUTOMÓVEL. tais como: saída do emprego estável. prefere se acobertar sob a justificativa de que está desempregado a pagar a pensão alimentícia. o inadimplente de má-fé. pois encontra-se maculado de vícios que dificultam e até impedem seu verdadeiro desenvolvimento. que serão a seguir apresentados.] os depósitos anônimos. promovidos em paraísos fiscais. e estes entraves do processo estimulam a inadimplência e instigam os pensadores jurídicos para a busca de outras soluções capazes de conferir a efetividade executiva. ALIENAÇÃO DO BEM REALIZADA APÓS A CITAÇÃO VÁLIDA NO PROCESSO DE EXECUÇÃO.. qual seja: [. vista pelo olhar do credor exeqüente. Desses tipos destaco o perverso para esclarecer que é aquele que deixa o emprego só para não pagar a pensão. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. com a indenização a que tem direito.

DIREITO DE FAMÍLIA . ainda que de boa-fé. Data de Julgamento: 29. após a citação válida no processo de execução de alimentos. tratando-se de execução de alimentos. cuja declaração de ineficácia da alienação se estende a terceiros. competindo a estes buscar o ressarcimento perante aquele que indevidamente alienou o veículo. Apelação Cível 70019064054. Nesses casos.2006). Unânime. situação na qual não há como se auferir ao certo os ganhos do alimentante. DESCONSTITUINDO A PENHORA QUE RECAÍA SOBRE O BEM.Nos termos do art. Recurso provido. não é razoável exigir que o credor percorra longo calvário dos cartórios de registro de imóveis em busca de bens do devedor.2007.INDEFERIMENTO DE REQUISIÇÃO DE OFÍCIO À RECEITA FEDERAL . A alienação ou oneração de bens realizada quando em trâmite ação contra o devedor capaz de reduzi-lo à insolvência constitui pressuposto do reconhecimento de fraude à execução’. Deram provimento.AÇÃO DE EXECUÇÃO DE ALIMENTOS . Ademais.08. sendo inequívoco que o devedor. Órgão Julgador: Sétima Câmara Cível. autônomo. colecionam-se os seguintes julgados: AGRAVO. Busca-se com tal medida dimensionar o patrimônio possível de ser alcançado eficazmente por uma execução. Tal pesquisa não lograria detectar a existência de depósitos e aplicações financeiras.EMBARGOS. FRAUDE À EXECUÇÃO CONSTATADA NOS AUTOS. estão os órgãos públicos. 20 da Lei nº 5. Relator: Desembargador Luiz Felipe Brasil Santos. o que torna desnecessário a exeqüente comprovar ter esgotado . CABIMENTO. (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Na espécie. (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. obrigados a prestar informações necessárias à instrução dos processos relativos a alimentos. a ocultação da real posição financeira é comum nos casos em que o devedor é profissional liberal. vendeu o único bem que possuía para saldar o débito alimentar. mediante manejo de ação própria.POSSIBILIDADE.04. 1 . Órgão Julgador: Sétima Câmara Cível. Data da Publicação: 07. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS.09. Data da Publicação: 05. incluída a Receita Federal.2007) Por outro lado. Agravo de Instrumento 70014050751. Requisitar à Receita Federal cópia da declaração de bens do alimentante não importa quebra de seu sigilo fiscal. VENDA DO ÚNICO BEM PERTENCENTE AO DEVEDOR. resta ao exeqüente pugnar pelo envio de ofício à Receita Federal requisitando cópia da declaração de rendimentos do requerido.478/68. EXPEDIÇÃO DE OFÍCIO Á RECEITA FEDERAL.2006. Data do Julgamento: 29.03. Relator: Desembargador Ricardo Raupp Ruschel. impõe-se reconhecer a fraude à execução. Acerca do assunto.

É mais freqüente na modalidade de coação pessoal. deverão ser passíveis de análise pelo magistrado que. No mais. é usado pelos devedores de alimentos com o fito de eximir-se da prisão. todas as escusas. Agravo de Instrumento 1. (Vade Mecum. multa essa que reverterá em proveito do credor..08. pedido de revogação de prisão que. como já dito. nas mais das vezes. uma vez que se perde auxílio no combate ao inadimplemento. Nos casos previstos no artigo anterior. Art.frauda a execução. muitas vezes após a expedição do mandado de prisão. a delimitação jurisprudencial das parcelas alimentares passíveis de execução por meio da coação pessoal. Segue-se a posteriori. (Tribunal de Justiça de Minas Gerais. mais favoráveis à subsistência do alimentante. plausíveis ou não. sem prejuízo de outras sanções de natureza processual ou material. em montante não superior a 20% (vinte por cento) do valor atualizado do débito em execução. 2007. ou melhor. através do qual este efetua pagamento de parte do débito. Órgão Julgador: Oitava Câmara Cível..0027. o prevalecimento deste em detrimento daquele apesar de todos os argumentos já expostos em favor dos alimentandos. Outrossim. Outro meio.2007). 446) . tem se verificado.062433-0/001. exigível na própria execução. Por seu turno. Relator: Desembargador Edgard Penna Amorim.todos os meios para localizar o devedor ou bens de sua propriedade.2007.05. 3. . na prática. independente de qualquer posicionamento. 601. em conformidade com os artigos 600 e 601 do CPC43[43]. realizada. o devedor incidirá em multa fixada pelo juiz. Data de Julgamento: 14. é deferido.Recurso provido. Considera-se atentatório à dignidade da Justiça o ato do executado que: I . p. 43[43] Art. pode-se punir o devedor que oculta seu real patrimônio com a aplicação de multa por ato atentatório à dignidade da Justiça. no caso concreto.06. em número de três. aparentando dificuldade de saldar a dívida.1 Sugestões de Medidas Assecuratórias à Solvibilidade do Devedor No conflito entre o direito à tutela executiva do alimentando e o direito à ampla defesa do executado. também significa entrave ao alimentante. não menos indigno. deverá tomar as medidas que achar cabíveis. 600. 2 . Data da Publicação: 02.

Segundo Sarmento (2000. busca a moderação dos interesses através do caso in concreto.. 10) ... ou ainda.] (a) mostrar-se apta a garantira a sobrevivência do interesse contraposto. § 2º da Constituição Federal de 198844[44]. tem permitido encontrar largo espaço de insidiosa disputa judicial. é “[. Outrossim. que. só tende a enfraquecer o exeqüente que precisa de alimentos para sobreviver. p. 531) afirma que a proporcionalidade numa primeira aproximação.Madaleno (1999) esclarece que: No confronto dos benefícios e dos prejuízos que podem advir da adequação de dois princípios constitucionais basilares [. 96) a aplicação de tal teoria só se justifica quando: [... .. 5º. Tavares (2003.]. § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados.. Acredita-se.. 5º.]”. p. deve ser atribuído peso relativo aos interesses constitucionais. a imposição de que os atos estatais não sejam desprovidos de um mínimo de sustentabilidade [. Em qualquer uma das modalidades executivas da pensão de alimentos o tempo e o acatamento de diversificado leque defensivo. p. ou dos tratados internacionais que a República Federativa do Brasil seja parte.] a exigência de racionalidade.. 44[44] Art. Cuida-se da lógica do razoável.. a preocupação do magistrado com o balizamento da proporcionalidade dos meios [. 2003. em atenção ao referido entendimento. 532).. desenvolveu-se a teoria da ponderação de interesses. e (c) o benefício logrado com a restrição a um interesse compensar o grau de sacrifício imposto ao interesse antagônico. p. (Vade Mecum.]. Há também o entendimento de que o princípio da proporcionalidade é um princípio constitucional não escrito (derivado do Estado Democrático de Direito). porém que um de seus fundamentos jurídicos pode ser encontrado no art. Frise-se que o Direito brasileiro não contempla o princípio da proporcionalidade com previsão expressa. devendo o resultado variar de acordo com as peculiaridades de cada caso. (b) não houver solução menos gravosa.. Em favor do direito de ambos os litigantes. pautada pelo princípio da proporcionalidade. 2007. que se trata de um instrumento da interpretação jurídica (TAVARES.

a agilidade e a sumarização do rito. p. por exemplo. especialmente quando a execução viola a olhos vistos os seus direitos.] não existirá efetividade processual se a preocupação com a prestação jurisdicional for dirigida apenas para os interesses da parte ativa da demanda. translada-se o alerta de Oliveira Neto (2000. 57). deve-se levar em consideração o princípio da dignidade da pessoa humana. 162) sustenta que: [. na maioria dos casos. Porém. eis que a ele deve interessar em certas condições. Nesse sentido. Madaleno (2004. Senão veja-se: [. há que se avaliar a necessidade do exeqüente em contrapartida às justificativas do alimentante inadimplente.De toda sorte. p. como. entre outras.” Desta forma. tendo em vista a hipossuficiência do alimentando. e que também o agente passivo do litígio está protegido pelo manto da efetividade. “[.. desejando ver aplicada a mais pronta e menos traumática prestação jurisdicional. Conquanto pareça óbvio. levando em consideração que. .. há supremacia do direito à vida do alimentando em detrimento do direito à ampla defesa do alimentante serão especificadas. num primeiro momento.. observando-se assim o confronto entre os direitos da ampla defesa versus tutela executiva e os direitos à vida versus à liberdade. as seguintes medidas tendentes a garantir a solvibilidade do devedor: prisão civil por período de inadimplência variável.] no âmbito da execução dos alimentos o juiz deve ter em linha de dimensão processual o objetivo de extrair da demanda a maior efetividade possível ao direito fundamental à tutela executiva. a satisfação do alimentante não se deve olvidar que o executado também merece guarida. p. o direito à vida e/ou à tutela executiva tiver importância superior. Assim. superando qualquer obstáculo porventura imposto ao meio executivo. 103).. que segundo Sarmento (2000. pois a única restrição aceitável seria a que ferisse outro direito fundamental e que fosse de maior valor. devendo ser observados seus demais direitos constitucionais. esquecendo que a postulação tem duas vias. a esse direito deve ser conferida a relevância que vindica... se após a ponderação dos interesses.] confere unidade teleológica a todos os demais princípios e regras que compõe o ordenamento jurídico constitucional e infraconstitucional. o do devido processo legal.

Data do Julgamento: 08/04/1997. Rito do art. restrinja. artigo 733). No que toca à primeira sugestão. estaria em desvantagem em relação à liberdade do alimentante. artigo 722). de modo que. Prisão civil. (GUERRA.º 11. em face de sua feição tipicamente indenizatória (CPC. 2003.desconsideração inversa da personalidade jurídica e a efetiva aplicação da Lei n. Tendência da jurisprudência no sentido de admitir que somente as últimas três prestações vencidas teriam o caráter estritamente alimentar. Assim.1997). 733 do CPC. e só ajuíza a execução quando ultrapassa a dívida a mais de um ano. Aqueles que defendem o rito determinado pela quantidade de parcelas justificam tal restrição pela perda do caráter alimentar das parcelas pretéritas. ao devedor de alimentos que quitar as três últimas parcelas antecedentes ao ajuizamento do pedido executório é incabível a decretação de sua prisão. Concessão do writ ex-officio dentro desses limites. [.] Alimentando que deixa acumular por largo espaço de tempo a cobrança das prestações alimentícias a que tem direito. já se disse que. seguindo a teoria da ponderação. Relator: Ministro Maurício Corrêa. 4. por tratar-se de questão excepcional. porém sem o constrangimento da decretação da prisão civil. justificandose. e nela havendo plausibilidade jurídica de boa consistência doutrinária e jurisprudencial. Súmula 309/STJ. si et in quantum.. Data da Publicação: 06.se a sanção maior apenas à inexistência do pagamento das últimas três prestações de alimentos já vencidas. HC 74663 / RJ. p. PENSÃO ALIMENTÍCIA: INADIMPLÊNCIA. Execução de Alimentos. Nesse sentindo variados são os julgados. conforme entendimento jurisprudencial. a prudência indica aguardar-se seja o agravo primeiramente julgado. Desconformidade. Civil e Processual Civil. (Supremo Tribunal Federal. 175). o que. ficando nesta hipótese sujeito o alimentante à prisão civil (CPC. 5. Habeas Corpus. senão veja-se: HABEAS CORPUS. faz presumir que a verba mensal de alimentos não se tornara tão indispensável para a manutenção do que dela depende. EFEITO SUSPENSIVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO: NÃO-CABIMENTO.232/2005 à execução de alimentos. Órgão Julgador: Segunda Turma. As prestações mais velhas anteriores a três meses estariam a ensejar a cobrança por meio de execução. até que o respectivo Tribunal sobre esse tema se pronuncie. Inclusão de débito tributário no . não poderia a prisão abrigar referido débito. o direito à vida e à subsistência do alimentante seria revertido em direito patrimonial. 3.06. Se pende de julgamento perante o Tribunal a quo agravo de instrumento em que essa tese é colocada. PRISÃO CIVIL: DECRETAÇÃO. 6..

valor da execução pelo art. 2008) traz outros questionamentos: “[. . 2. O habeas corpus não é via adequada para o exame aprofundado de provas. dominando a interpretação que unicamente as três últimas prestações vencidas mantêm o caráter alimentar. . Rizzardo (2006. 733 do CPC. é se tal entendimento não teria o condão de trazer malefícios ao credor de alimentos.É inapropriada a adoção do rito do art. 3. para que a custódia se restrinja às três últimas prestações. Órgão Julgador: Terceira Turma. [. Relatora: Ministra Nancy Andrighi... 1. Recurso conhecido e provido. porém.12. (Superior Tribunal de Justiça. p. Relator: Ministro Carlos Alberto Menezes Direito. Data da Publicação: 17. 733 do CPC para execução que verse sobre débito alimentar mais antigo que as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução..] na verdade [. Data da Publicação: 23. Inadmissibilidade. Prisão civil.É entendimento pacífico e sumulado no STJ o de que o débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo. Pensão alimentícia.] esta orientação que se tornou praxe nas varas de família. HC 63483 / SP. Qual o critério utilizado para fixar-se em três o número de parcelas executáveis pelo rito da coação pessoal? Como se analisa se o alimentante sobreviveu ao débito velho sem se verificar sob que condições isso foi possível? Barbosa Moreira (apud STOLZE. Súmula 309/STJ. Data do Julgamento: 05/10/2006. e impondo a inconveniência de constantes ações de alimentos. . Proporciona-se o crescimento da irresponsabilidade do devedor. Três últimas prestações. ..É ilegal a ordem de prisão com fundamento no art. Ordem concedida. favorecendo a inadimplência. A prisão civil de devedor de alimentos. Dívida pretérita. sendo que as anteriores adquirem a feição indenizatória. apenas.] vem desprestigiar o instituto dos alimentos.. (Superior Tribunal de Justiça. Data do Julgamento: 09/11/1999. em parte. O que se questiona.. por que apenas para as últimas três? Onde estaria o fundamento constitucional ou legal desta diretriz? Por que o cabalístico três?” No que toca ao assunto. conforme vem decidindo a 3ª Turma. mas. Órgão Julgador: Terceira Turma.] afinal. RHC 9106 / SP. em desconsideração do direito à vida.2006) Recurso de habeas corpus.1999). quanto às três últimas pensões não pagas. não cabe em relação a débitos antigos. 842) é enfático ao afirmar que: [...10. 733 do CPC se há a inclusão de débito tributário no valor que se pretende executar.

O fundamento. Por outro lado. 2007). é que a dívida anterior a tal período perde sua natureza alimentar. durante a demanda. num futuro próximo. as dificuldades na constituição de advogados e outras hão de ser averiguadas. a dispor de feição indenizatória. Madaleno (2004.. Stolze (2008) defende a mitigação da Súmula ao sustentar que: O número de parcelas. Razões como a ignorância do alimentando.. Noutra esteira. negligência – é estranho à caracterização da verba alimentar. 11.232/05 já tenha lhe imprimido mais rapidez. (DIAS. necessariamente há de ser por parte do devedor. as escusas do devedor. passando.] decisões que prefixam o uso da prisão no limite de três prestações tem encorajado e instigado a inadimplência total e até parcial dos alimentos. muito embora a Lei n. e segundo os elementos probatórios trazido pelas partes e por seus procuradores.. Aliás. O que não se . em cada caso concreto. e não do inverso.De qualquer forma. fica a mercê do rito da expropriação. in concreto.] a jurisprudência consolidou-se no sentido de admitir o rito do apensamento somente com referencia a três prestações alimentícias vencidas à data da propositura da demanda. credor de débito “antigo” (superior a 3 meses). Refutando a teoria de que o débito velho perderia seu caráter alimentar e consequentemente o poder de execução via coação. p.. 36) aduz que as “[.] não se pode condicionar a imposição da medida extremada à inocorrência de culpa por parte do credor.. portanto. se culpa há de se investigar.. com a necessária intervenção do Ministério Público. deverá ser aferido pelo juiz. sob pena de se prejudicar a sobrevivência do alimentante que. O conceito de culpa – como sinônimo de desleixo. Veja-se: [. pelo que se mostra inexplicável que. de todo insubsistente. Não há qualquer fundamento legal que preveja tal questão. ainda prevaleça essa fixação. ainda mais quando se observam os argumentos manifestados pela doutrina especializada. coleciona-se o entendimento de Beber (2008): [.” Não há razão plausível para o entendimento jurisprudencial. o que se busca defender é a observância às peculiaridades do caso concreto. ainda menos célere. no sentido de que sua injustificada inércia fez diversa a natureza do crédito. em um passe de mágica.

[. A preteridade do débito não desnatura seu caráter alimentar. não deve ser beneficiado em face da demora em ser preso ou localizado. ao ser interpretado o enunciado jurisprudencial como regra absoluta. não é argumento para favorecer o devedor. por serem antigas. p. antes de mais nada.] estar-se-ia criando um instrumento de estímulo a benefício do inadimplente que. Do contrário. mesmo que débito seja superior a três meses. Prestações pretéritas de largo período e nunca satisfeitas. bem como os motivos do credor na demora do ajuizamento da execução. se a prisão coercitiva se mostra necessária ou não. em certos casos.. que deveria.afigura razoável é o apego ao teto das três últimas prestações. Para Beber (2008): [..] somente depois desta percuciente análise é que se poderá cogitar da urgência ou não do pedido. translada-se entendimento preconizado por Cahali (2002. de alguma forma. porque completamente destituído de fundamento jurídico. sobreviveram e continuarão sobrevivendo. Destarte. e sua não satisfação na época oportuna repercute no padrão de subsistência do alimentando. Isto. degradando-o.. levar em conta as justificativas do devedor. de modo que é legítima a prisão do devedor se não justificado o débito. necessário considerar que. (CAHALI.. autorizando a prisão do devedor. antes de afastar a possibilidade de coação. ação exoneratória ou revisional. não pode o devedor ser beneficiado de sua relapsia em não promover.. põe-se a salvo da execução fundada no art. 2002. contudo. 733”.. “[. Deve-se. fixando em três o número de parcelas a serem pagas. observar a regularidade de seu compromisso. eis que. não havendo qualquer motivo que justifique o inadimplemento. se o paciente não demonstra interesse em pagá-las. em momento oportuno. privilegiando sua má-fé. No que esse refere à perda da natureza alimentar das dívidas. 1025): O sentido de preteridade do débito alimentar simplesmente não pode derrotar a imprescindibilidade do pronto pagamento [. . pois é inocultável que os alimentandos.. ainda que miseravelmente. p.].] mostra descaso e abandono. transformar-se-á em vítima o abusado devedor.. Por esta razão. 1025). logrando transformá-las em prestações pretéritas e vultosas. Acerca do assunto. é aceitável o entendimento de que se recomenda certa cautela na fixação do rito baseado no número de parcelas em atraso. nem apresentando qualquer justificação.

Por outro lado. 50. que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações seja estendidos aos bens dos particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.É preciso deixar claro que. mas se entende. 136) afirma que: Quando um devedor de alimentos usa a via societária como escudo para cometer fraudulenta insolvência alimentar e transfere seus bens pessoais para uma empresa ou simula a sua retirada desta mesma sociedade mercantil. sem a intrincada necessidade de demonstrar a 45[45] Art. Assim. por força de transferência. a requerimento da parte. p. sendo forte a tendência da doutrina moderna em preservar o direito do alimentando à sobrevivência. está com estes gestos contratuais de lícita aparência causando imenso prejuízo ao seu dependente alimentar. com este trabalho monográfico. Em defesa da tese. caracterizado pelo desvio de finalidade. Madaleno (2004. O artigo 50 do Código do Civil45[45] garante aos credores de determinada pessoa jurídica a possibilidade de receberem o que lhes é devido através da busca pelo patrimônio dos sócios ou administradores. além dos entraves à execução de alimentos descritos anteriormente. observou-se também que doutrina e jurisprudência tem se alinhado no sentido da aplicabilidade desta para auxílio do credor de alimentos. ou pela confusão patrimonial. com relação à desconsideração inversa da personalidade. espécie de mitigação em prol dos alimentandos. . 172). não se tem pretensão de por fim ao entendimento preconizado no STJ. Em caso de abuso da personalidade jurídica. da sociedade e não do credor. Explica-se. ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. que haja uma reinterpretação do enunciado. como corolário lógico do direito à vida e da dignidade da pessoa humana. de modo que haja interpretação de acordo com o caso concreto. Com efeito. A reação judicial nestes casos há de ser a da episódica suspensão de vigência daquele nefasto jurídico. No que toca à execução de alimentos. Diz-se inverso porque a responsabilidade ocorre de maneira oposta. de modo que o que se pretende é que a dívida atinja os bens que agora são. há que fazer uma reavaliação quanto à aplicação sumária do entendimento preconizado pela súmula 309 do STJ. desconsiderando a pessoa jurídica utilizada para fraudar o credor de alimentos. há o que comumente se chama de uso fraudulento da via societária. Tal modalidade dá-se quando o devedor de alimentos transfere seus bens para a pessoa jurídica da qual é sócio. 2007. a doutrina acredita haver a possibilidade da ocorrência do inverso. pode o juiz decidir. simulando uma situação de insolvência. ao lado de toda a doutrina já exposta. (Vade Mecum. p.

Recurso provido. a teoria da despersonalização da pessoa jurídica. surgidos para driblar encargos tributários. chamado de princípio da disregard. motivo pelo qual tem aplicação.08. o uso da teoria da despersonalização da pessoa jurídica. praticando ato abusivo para eximir-se da obrigação alimentar que lhe é imposta. INCIDÊNCIA DA DISREGARD DOCTRINE. percebendo os seus integrantes singelos valores a título de pro labore. ou de acionar. (TRIBUNAL DE Justiça do Rio Grande do Sul. há que se ter cautela quando de sua aplicabilidade. 10. Essas possibilidades investigatórias não se confrontam com os princípios constitucionais da privacidade e da intimidade do alimentante. p. pois se sobreleva o direito à vida do alimentando. Agravo de instrumento n. RS. Relator: Sérgio Fernando de Vasconcelos Chaves. Entretanto. é possível resgatar o bem envolvido. com cautelas. 7ª Câmara Cível. para satisfação do referido crédito. tal como adverte Beber (2008): É preciso. perscrutar a origem do ato tido por abusivo e fraudulento. Esses mecanismos de despatrimonialização. Deste modo. que se avolumou nos últimos dez anos e não tendo o devedor bens no seu nome.05). com fôlego e recursos que o dependente alimentar não possui. por via da simulação. vem cada vez mais espaço. apurando-se quem efetivamente agiu. evitando-se decisões eivadas de nulidade. Considerando que se trata de crédito alimentar. com respaldo na teoria ora mencionada. como toda medida restritiva de direitos. passaram a ser utilizados pelos devedores de alimentos. Dias (2006. escudando-se o devedor no manto da pessoa jurídica para manter-se inadimplente. empresas e sócios. DÍVIDA ALIMENTAR QUE SE AVOLUMOU PELA LONGA INADIMPLÊNCIA. 435) sustenta que: Novas possibilidades de constituição de sociedades dão ensejo a que pessoas dos sócios restem totalmente invisíveis. no caso. ou seja. que permite desvendar entes societários para descobrir a real participação de determinado sócio. sempre que o devedor de alimentos se utilizar deste artifício. DEVEDOR EMPRESÁRIO QUE NÃO POSSUI BENS EM SEU NOME. na justiça. 70012013504. Corroborando com o entendimento. Por essa razão. evidencia-se o abuso de direito.nulidade do ato jurídico de aparente validade. não obstante possua empresa rentável. ou seja. na tentativa de dificultar a aferição dos seus reais rendimentos. agora em nome da sociedade. a . pois. todo o patrimônio figura como sendo da pessoa jurídica. Esse vem sendo o entendimento dos tribunais pátrios: EXECUÇÃO DE ALIMENTOS.

nos próprios autos. 733 do CPC. entendimento nesse sentido preconizado pelos juízes das Varas de Família e Sucessões do interior do Estado de São Paulo. Enunciado 22: O artigo 732 do CPC foi implicitamente revogado pela lei 11. 11. Comprovada a segunda hipótese. Se a execução de alimentos foi proposta já na vigência da lei nova. Veja-se: Enunciado 21: Aplicam-se as disposições da Lei 11. Enunciado 23: A multa prevista no art. 2. além de possibilitar ao alimentante rapidez no cumprimento da efetividade de sua tutela executória.232/2005 às execuções de alimentos que não se processam pelo rito do artigo 733 do CPC.232/2005 à execução de alimentos é seguramente. evidentemente esta tem incidência. inclusive. EXECUÇÃO DE DIFERENÇAS. a aplicabilidade da Lei nº. INCIDÊNCIA DAS DISPOSIÇÕES DA LEI Nº 11. Como o pedido de cumprimento de sentença não contempla a forma procedimental de cobrança posta no art.pessoa jurídica ou se foi ela (sociedade) utilizada como mero instrumento pelo sócio devedor da obrigação alimentar. Enunciado 29: Cumprida a prisão civil na ação de execução processada pelo rito do artigo 733 do CPC. Agravo de . 1. como pedido de cumprimento de sentença. pois traz outros meios de coercibilidade do devedor. 475 – J não se aplica às execuções de alimentos pelo rito do art. devendo ser observada a lei nova. 733 do CPC. 3. Já há. uma das mais importantes garantias de solvibilidade do devedor.232/2005. cabe à credora de alimentos promover ação de execução de alimentos autônoma formulando tal pretensão. o feito prosseguirá pelo rito da Lei 11. por todas as razões já expostas anteriormente. 475-J e seguintes do CPC.232/2005. Este também tem sido o posicionamento recente dos tribunais pátrios: AÇÃO DE ALIMENTOS. havendo nexo entre o ato praticado e o prejuízo ocasionado. (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. reclamar o cumprimento de sentença consoante previsão dos art. Recurso provido em parte. impõe-se prestigiar a realidade em detrimento da aparência. Por fim.232/05 visando a cobrança dos débitos alimentares vencidos até a data em que o executado foi colocado em liberdade. em especial pelo artigo 475-I. devendo a execução dos alimentos ser processada nos mesmos autos da ação de alimentos. É viável. desconsiderando a personalidade da pessoa jurídica para não reconhecer os efeitos daquele abuso contra os interesses do credor alimentar.

PRAZO INTERROMPIDO. (Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Órgão Julgador: Sétima Câmara Cível. Relator: Desembargador Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves. AGRAVO DE INSTRUMENTO .ARGUIÇÃO DE PRELIMINAR CABIMENTO DE EMBARGOS DECLARATÓRIOS CONTRA QUALQUER DECISÃO JUDICIAL . Agravo de Instrumento 1.8ª Câmara Civil .0024. Data do Julgamento: 28/08/2007. ''A decisão interlocutória pode ser esclarecida ou completada na via dos embargos de declaração.410558-3/005. Data da Publicação: 27/11/2007).04.232/05 que acrescentou o artº 475-J ao Código de Processo Civil aplica-se à execução de alimentos" (AI70019020379 .RGS).Instrumento Nº 70020584850. ''A lei nº 11. Relator: Desembargador Alvim Soares.159. MIN.317 STJ . que devem ser recebidos em todos os seus efeitos'' (RE.AÇÃO DE ALIMENTOS EXECUÇÃO DE SENTENÇA .DIFERENÇA DOS VALORES JÁ QUITADOS COM A VERBA ALIMENTÍCIA FIXADA NO DECISUM .) .REL. Data da Publicação: 08/11/2007. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. Data do Julgamento: 21/11/2007. Órgão Julgador: Sétima Câmara Cível.

como o da dignidade da pessoa humana e o direito à vida. Mas não se pode falar em aplicabilidade do referido diploma legal sem antes abordar os procedimentos previstos aos credores de alimentos. tudo em atenção ao que dispõe os artigos 475 – J e seguintes do Código de Processo Civil. 5. E é com base neste . 11. embora medida de exceção. pautada muitas vezes em falsas justificativas de abusados devedores. seja por trazer novas possibilidades de garantia do débito. ainda se constitui instrumento eficaz contra inadimplência. 11.CONSIDERAÇÕES FINAIS Entendendo que as reformas advindas com a Lei nº. Demonstrado o rito da expropriação. quando interposta defesa do executado por meios de embargos. já que garante a continuidade do feito principal. o que permite. suas bases legais e peculiaridades. este estudo defende sua aplicabilidade nas execuções de alimentos. seja por impor maior celeridade ao rito. referida Lei também transformou em exceção a regra anterior de suspensividade do processo. Questão de relevante discussão diz respeito à prisão civil do devedor de alimentos. a Lei nº. é preocupação constante dos processualistas e especialistas da área da família. consequentemente. por acreditá-las essenciais à sobrevivência do alimentante.232/2005 surgiram com o nítido intuito de garantir maior celeridade e.232/2005 se apresenta como medida altamente eficaz. Combater a ineficácia da tutela executiva de alimentos.478/1968). foram enfocadas as modificações substanciais desse procedimento. como a multa de 10%. assentadas que estão em princípios e garantias constitucionais. a execução imediata dos alimentos. dispostos no Código de Processo Civil e na Lei de alimentos (Lei nº. via de regra. donde se conclui que tal instituto. E porque muito se discute sobre a tendência irreversível de constitucionalização do Direito Civil não pôde prescindir esse estudo de trazer o entendimento de constitucionalistas sobre o princípio da celeridade. E para tal finalidade. que tem por base a constrição de bens do devedor. Resultado de inúmeras reformas iniciadas há mais de uma década. efetividade às tutelas executórias. Também restou comprovado que as reformas processuais em nada modificaram o rito em comento.

ainda mais aos credores de alimentos. Traçando um comparativo entre os diversos meios executórios e a forma como são utilizados.princípio e nas conseqüências que sua ausência traz. inclusive quanto aos argumentos utilizados para a implementação ou não do novo diploma. Medidas como a saída do emprego estável. Ficou claro que. mas além de possibilitar meios que garantam a efetividade da tutela. fez-se um estudo sobre os principais entraves à execução de alimentos. o que faz cair por terra a argumentação contrária à aplicabilidade sob o argumento de que a omissão legislativa foi proposital. será. cujo bem tutelado é de suma importância. por ser medida coercitiva.232/2005 à execução de alimentos. razão pela qual se defende que todas as escusas deverão ser passíveis de análise pelo . que pela forte influência doutrinária em torno do tema. a simulação de insolvência e a ocultação da real situação financeira são alguns dos meios utilizados pelo devedor para desobrigar-se do ônus alimentar. há a necessidade de intimação do devedor para o pagamento da multa de 10%. cuja importância é questão de sobrevivência. Teses a favor e contra a aplicabilidade da legislação foram enfocadas na construção de base teórica desta pesquisa. Vê-se que a adoção do procedimento da lei já é uma realidade em muitos lugares e. O direito constitucional da ampla defesa serve de escudo para a prática de abusos por parte do devedor que. Já se considerando aplicável o dispositivo legal à espécie. fez-se necessário um breve apanhado sobre algumas controvérsias em torno da lei. A falta de modificação de um texto legal jamais pode ser interpretada com o intuito de afastar o procedimento mais célere dessa espécie de obrigações. num futuro próximo. onde se conclui que há uma série de vícios que dificultam o desenrolar da fase executória. ao contrário do pensamento que afirma correr automaticamente o prazo somente com a intimação da sentença. é que se conclui por incontroversa a aplicabilidade da Lei nº. uma constante. auxilia na luta pelo fim das inúmeras divergências doutrinárias relacionadas ao rito de alimentos. ainda mais porque o devedor renitente sempre encontra novos meios de eximir-se da obrigação. O que demonstrou que ainda interessa para muitos o apego excessivo ao formalismo e à literalidade da lei. utilizando-se deste princípio omite sua real situação. A aplicabilidade deste instituto por certo não acabará com diversos entraves à execução de alimentos. 11.

é que a fixação generalizada em três parcelas de débito para utilização do rito da coação pessoal do devedor. uma das expressões do direito fundamental ao processo devido. ed. preconizada pela súmula 309 do STJ é maléfica ao credor. 11. deverá tomar as medidas que entender mais favoráveis à subsistência do alimentante.232/2005 .até porque lhes interessa o tradicional apego ao formalismo -.232/05). buscando um equilíbrio entre o direito à ampla defesa do executado e o direito à vida do alimentando. Por último e. Prisão civil por dívida. AZEVEDO. traz. É evidente que os dispositivos que tratam da obrigação alimentar exigem. 11. O resultado. Curitiba: Juruá. Carreira & CABRAL. E. in concreto. levando em consideração que este trabalho busca meios de garantia da efetividade da tutela executiva de alimentos. quer através de uma nova análise.magistrado que. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2004. quer através da efetiva aplicabilidade da Lei nº. 6. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS ALVIM.232/2005. Cumprimento da sentença. Por certo este trabalho não emudecerá os refratários à tese da aplicação da Lei nº. 2000. Comentários à nova execução da sentença e outras alterações introduzidas no Código de Processo Civil (Lei 11. mas constituir-se-á em mais uma voz contrária a tal entendimento. Tal entendimento significa cuidar da efetividade do direito à tutela executiva. sobretudo. elencam-se possíveis soluções ao entraves estabelecidos. Luciana Gontijo Carreira Alvim. Álvaro Villaça. em geral. pois além de retirar-lhe a celeridade do rito. ASSIS. J. desprestigia o instituto dos alimentos e incentiva a inadimplência. por sua própria natureza.ed. entre outros. uma interpretação sistemática e sociológica de todos os dispositivos atinentes à matéria. 2. no caso concreto. . prejuízos aos alimentandos. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2006. este trabalho monográfico conclui que o apego à literalidade das normas. Da execução de alimentos e prisão do devedor. Araken de. os menos favorecidos. da Súmula 309 do STJ. Ao final e ao cabo. 2.

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