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APOSTILA ASSISTÊNCIA A PACIENTES GRAVES- UTI

Elaboração:

Enfermeira Lívia Raíssa Carvalho Bezerra

Graduação: Bacharelado em Enfermagem

Especialização: Enfermagem do Trabalho

Contatos: (86) 8803-6916/9488 -5997

E-mail: livinharaissa@hotmail.com

Abril de 2015

GOVERNO DO ESTADO DO PAUÍ

SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA

UNIDADE DE EDUCAÇÃO TÉCNICA PROFISSIONAL

REDE ESCOLA TÉCNICA ABERTA DO BRASIL - EDUCAÇÃO A DISTANCIA

CURSO TÉCNICO DE NÍVEL MÉDIO EM ENFERMAGEM - SUBSEQUENTE

DISCIPLINA: ASSISTÊNCIA A PACIENTES GRAVES 47 horas

PROFESSOR CONTEUDISTA: Lívia Raíssa Carvalho Bezerra

PROFESSOR TUTOR:

APOSTILA ASSISTÊNCIA A PACIENTES GRAVES- UTI

Abril de 2015

Caro estudante,

Seja Bem vindo! A partir de agora iniciaremos a disciplina Assistência a Pacientes Graves do curso Técnico de Enfermagem, na modalidade à distância, que tem por objetivo proporcionar o desenvolvimento de suas capacidades para atender os pacientes com alto índice de gravidade e que necessitam de vigilância intensiva e monitoração das funções vitais por 24 horas ao dia. A assistência ao paciente grave é realizada criteriosamente por uma equipe multidisciplinar composta por profissionais especialistas na área Médicos intensivista e assistente, equipe de enfermagem, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, farmacêuticos e fonoaudiólogos, formando um time que atua integrado, aliando tratamento humanizado ao apoio físico e psicológico.

Estudar é fundamental, não basta apenas ler, será preciso ler, reler e ainda pesquisar, buscar bibliografias, conhecer outras fontes de conhecimentos

e experiências para, finalmente, praticar. No seu dia a dia, pense e exercite os novos conhecimentos da sua realidade. Lembre-se de que sua realidade é seu principal desafio. E em caso de dúvida, não hesite em conversar comigo e com

o seu tutor, estaremos a sua disposição para debatê-las e responde-las. Então, vamos aos estudos. Desejo a vocês uma boa leitura!

ASSUNTO: ENFERMAGEM INTENSIVISTA

As ideias sobre promoção da saúde foram introduzidas no Brasil em meados dos anos de 1980, quando em debate a Reforma Sanitária. Além disso, influenciou também alguns movimentos como a VIII Conferência Nacional de Saúde; a Constituição de 1988; e a criação do Sistema Único de Saúde. A ideia de promoção envolve o fortalecimento da capacidade individual e coletiva para lidar com a multiplicidade dos condicionantes da saúde. Portanto, promover saúde vai além da ausência de doença; deve ser entendido como uma estratégia transversal, multi e interdisciplinar. Diante desta concepção, não pode se limitar a questões relativas à prevenção, tratamento e cura de doenças. Abrange todas as ações direcionadas ao cuidado em si, independente do ambiente onde este cuidado é realizado.

1 Unidade de Terapia Intensiva (UTI)

O trabalho em Unidade de Tratamento Intensivo (U.T.I) é complexo e intenso, devendo a equipe de enfermagem estar preparado para a qualquer momento, atender pacientes com alterações hemodinâmicas importantes, as quais requerem conhecimento específico e grande habilidade para tomar decisões e implementá-las em tempo hábil. Desta forma, pode-se supor que o Técnico de enfermagem desempenha importante papel no âmbito da Unidade de Terapia Intensiva. O Cuidado Intensivo dispensado a pacientes críticos torna-se mais eficaz quando desenvolvido em unidades específicas, que propiciam recursos e facilidades para a sua progressiva recuperação. Desta forma, o enfermeiro de U.T.I precisa estar capacitado a exercer atividades de maior complexidade, para as quais é necessária a auto confiança respaldada no conhecimento científico para que este possa conduzir o atendimento do paciente com segurança. Para tal, o treinamento deste profissional é imprescindível para o alcance do resultado esperado. Diante disso, unidade de

Tratamento Intensivo (UTI), constitui-se de um conjunto de elementos funcionalmente agrupados, destinado ao atendimento de pacientes graves ou de risco que exijam assistência médica e de enfermagem ininterruptas, além de equipamento e recursos humanos especializados.

2

Intensivos

Desenvolvimento

Histórico

da

Prática

Assistencial

em

Cuidados

As unidades de terapia intensiva (UTIs) surgiram como resposta ao problema do tratamento dos pacientes graves, tornando-se áreas hospitalares destinadas àqueles em estado crítico, que necessitavam de cuidados altamente complexos e controles estritos (embora haja uma grande variedade de doenças, o mecanismo de morte está limitado, quase sempre, a um número relativamente pequeno de fenômenos fisiológicos, passíveis de serem influenciados se mantidas as funções básicas da vida). As primeiras UTIs começaram a surgir na metade do século XX em hospitais norte-americanos – as chamada “salas de recuperação”, para onde eram encaminhados os pacientes em pós-operatório de grandes cirurgias. A Unidade de Terapia Intensiva [UTI] nasceu de uma necessidade logística durante a guerra da Criméia, a qual Florence Nightingale cuidou de mais de 2 mil pessoas e, por meio da implantação de cuidados relativos à higiene hospitalar, reduziu a taxa de infecção hospitalar de 42,7 para 2,2%. Florence selecionava os pacientes mais graves e os mantinham próximos ao “posto de enfermagem”, colocando-os numa situação que favorecesse o cuidado imediato e a observação constante. Ainda com relação à história da UTI, verifica-se que ela se funde com a evolução dos avanços tecnológicos, destacando-se o ano de 1923, quando Walter Dandy montou uma unidade neurocirúrgica no Hospital de John Hopkins, que era especificamente destinada a pacientes em pós-operatório. Na década de 40, em Boston, surgiu uma unidade que centralizava os cuidados para pacientes com queimaduras extensas. De 1947 a 1952, após uma epidemia de poliomielite, foram criadas, na Dinamarca, Suíça e França, as primeiras unidades de assistência intensiva. E,

a partir da II Guerra Mundial e da Guerra da Coréia, os conflitos armados e as experiências com pacientes vitimas de trauma e ferimentos graves levaram à criação das “unidades de choque”. Nessa década de 50, apareceram as primeiras salas de recuperação pós-anestésicas e novas drogas terapêuticas como o éter e os antibióticos, progressivamente surgiram também às unidades coronarianas. No Brasil, mais precisamente na cidade de São Paulo, as UTIs

começaram a ser organizadas e implantadas no final da década de 1960. Em 1968 já existiam alguns locais para o atendimento ao paciente grave e instável. Em 1971, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, foi implantada uma UTI com 12 leitos (a primeira em hospital particular) em área física planejada e funcional, caracterizada predominantemente pela atitude particular da equipe de trabalho: o aproveitamento das facilidades técnicas em um contexto em que

o relacionamento humano oferecia segurança e um efetivo apoio emocional.

O serviço de enfermagem nas unidades de tratamento intensivo foi

marcado por esforços iniciais para promover eficiência, por meio de escolhas e

seleção de algumas práticas seguras na assistência ao paciente grave. Houve sempre a preocupação de expandir os papéis de enfermagem, e a busca de um corpo de conhecimentos específicos tornou-se a meta principal dos enfermeiros de UTI.

3 Como Garantir a Segurança do Paciente na UTI

A essência da enfermagem em cuidados intensivos não está no

ambiente ou nos equipamentos especiais, mas no processo de tomada de decisão, baseada na compreensão das condições fisiológicas e psicológicas do paciente, com ênfase em uma assistência segura. Atualmente, a expressão “segurança do paciente” é muito utilizada, porém, definida com pouca clareza. Pode ser definida como o ato de evitar, prevenir e melhorar os resultados adversos ou as lesões originadas no processo de atendimento médico- hospitalar. A assistência à saúde isenta de riscos e falhas ao paciente é um objetivo

a ser atingido pelos profissionais da saúde e um compromisso da formação

profissional. Com a equipe de enfermagem não é diferente, pois erros podem acontecer exigindo do enfermeiro condutas imediatas, visando a sua correção, situação que inevitavelmente, gera estresse ocupacional. Estratégias simples e efetivas podem prevenir e reduzir riscos e danos nestes serviços, por meio do seguimento de protocolos específicos, associadas às barreiras de segurança nos sistemas e à educação permanente. Busca-se instituir a segurança nas organizações de saúde enquanto processo cultural, promovendo maior consciência dos profissionais quanto à cultura de segurança, compromisso ético no gerenciamento de risco com consequente aquisição de segurança para si e para a clientela atendida, suprindo a lacuna existente no aspecto da segurança do paciente. No âmbito da assistência de enfermagem, os erros mais frequentes a ela relacionados ocorrem na administração de medicamentos; na transferência de paciente e na troca de informações; no trabalho em equipe e comunicação; na incidência de quedas e de úlceras por pressão; nas falhas nos processos de identificação do paciente, na incidência de infecção relacionada aos cuidados de saúde, entre outros. Desse modo, compreender a relação entre riscos, características dos cuidados à saúde e aporte da rede hospitalar pode fornecer à enfermagem elementos importantes para a melhoria da assistência. Embora os riscos relacionados aos cuidados de enfermagem venham sendo abordados amplamente na literatura, torna-se importante conhecer como eles são percebidos e avaliados pelos profissionais implicados na assistência direta ao paciente.

4 A Humanização e o Suporte Emocional: equipe, familiares e pacientes

A necessidade de internar um familiar em uma Unidade de Tratamento

Intensivo (UTI) tanto pode provocar sentimentos de esperança, alívio, conforto,

como de temor e insegurança, dentre outros.

A admissão de um paciente na UTI comumente requer uma rápida

intervenção, já que o paciente apresenta alto risco de instabilidade de um ou mais sistemas fisiológicos, com possíveis riscos à saúde, cuja vida pode

encontrar-se no limite com a morte. Em decorrência da premência de um fazer tecnológico imediato, muitas vezes, torna-se difícil um contato inicial com os familiares, o que contribui para o entendimento da UTI como um local em que predomina a frieza e a atuação desumana e distante. Um dos aspectos fundamentais frente à necessidade de internação em

UTI é o significado desta situação para o paciente, para seus familiares e para a própria equipe cuidadora, já que, na maioria das vezes, representa um momento de grande ansiedade tanto para o próprio paciente como para seus familiares.

A família, inicialmente e de modo frequente, encontra-se fragilizada e

angustiada frente à possibilidade da morte, dificultando ainda mais o enfrentamento desta situação pela enfermagem. Por isso, é necessário que a equipe fique atenta aos acontecimentos à sua volta, ao que está ocorrendo com os familiares de pacientes internados na UTI, a suas diferentes manifestações, pois não é possível planejar, implementar e avaliar as ações de enfermagem que contemplem a humanização de sua relação com estas famílias sem ser um observador hábil. Ao tomarmos decisões, como enfermeiras, observamos, desenvolvemos interpretações acerca do significado da informação, executamos, coordenamos os cuidados de enfermagem e avaliamos a qualidade da assistência prestada

ao paciente e sua família, exigindo não só habilidade da equipe de enfermagem, mas a integração da equipe multidisciplinar, a fim de prestarmos um cuidado eficaz.

É necessário manter uma atitude humanizada, dispensando atenção ao

paciente, amigos e familiares, criando um ambiente em que as relações interpessoais tornam-se possíveis. Precisamos estar numa posição de questionar nossas ações e a dos outros, aprender a tolerar, aceitar e enfrentar ansiedades, desenvolver a capacidade de lidar com receios, medos, perdas,

com frustrações que podem emergir da relação construída entre a equipe, com os pacientes e com os familiares.

5 Papel da Enfermagem na Relação Enfermeiro-Paciente

Nas instituições de saúde e, principalmente, nos hospitais, o serviço de enfermagem representa papel fundamental no processo assistencial em qualquer unidade. Em se tratando de pacientes em estado crítico em unidades de terapia intensiva (UTIs) essa assistência é tida como complexa e especial. A importância do trabalho em equipe de enfermagem e de saúde na UTI é imprescindível para a efetiva qualidade da assistência ao paciente e seus familiares. Os trabalhadores enfrentam cotidianamente as diversas dificuldades relacionadas à complexidade técnica da assistência a ser prestada, às exigências e cobranças dos pacientes, familiares, muitas vezes dos médicos, da instituição, dentre outros. Na maioria das instituições de saúde, o enfermeiro frequentemente assume as atividades de gerenciamento e supervisão das atividades e a grande parcela dos cuidados diretos ao paciente é realizado por técnicos de enfermagem. São esses técnicos que executam as atividades consideradas mais pesadas, cansativas e indispensáveis à assistência dos pacientes como higiene, alimentação, terapêutica medicamentosa, realização de curativos, entre outras atividades consideradas essencialmente manuais. Os técnicos e auxiliares de enfermagem, de nível médio, executam o trabalho menos complexo, com mais tempo junto aos enfermos. Além de conviver mais tempo com os enfermos, os técnicos e auxiliares os acompanham mais de perto, anotam suas reações ao tratamento, cumprindo a estratégia de vigiar a vida e a morte dos internados, que é, em si, a atribuição de todos no hospital. As ações técnico-assistenciais por si só, não são suficientes para atender às necessidades dos pacientes internados e, nesse sentido, Florence Nightingale, enfatiza que administrar medicações e fazer curativos não são suficientes para garantir a sobrevivência dos pacientes. Na equipe de enfermagem, os auxiliares e técnicos realizam atividades de menor complexidade na assistência ao paciente e o enfermeiro tem entre suas atribuições planejar, organizar, executar e avaliar a assistência prestada aos pacientes internados, e executa ainda cuidados diretos a pacientes graves

com risco de vida, ou de maior complexidade técnica, que exijam

conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas.

A visita diária aos pacientes é uma atividade de rotina da equipe de

enfermagem e subsidia o processo de identificação dos cuidados básicos,

principalmente para alimentação, mobilidade e higiene corporal. Esta atividade

é executada tanto pelo pessoal técnico quanto pelas enfermeiras. Cuidar

significa tomar conta, um ato de vida, e representa uma variedade de

atividades que visam manter e sustentar a vida. Esse cuidar é um ato

individual, quando prestado a si mesmo, e um ato de reciprocidade quando

prestado a outras pessoas que, temporária ou definitivamente, têm

necessidade de recebê-lo para manter seu estado vital.

REFERÊNCIAS

HUDAK, C.M; GALLO, B.M. Cuidados Intensivos de Enfermagem: Uma abordagem holística. RJ. Guanabara Koogan, 1997.

MEZZOMO, A. A. Fundamentos da humanização hospitais: uma visão multiprofissional. São Paulo: Local, 2003.

SMELTZER, S.C.; BARE, B.G. Brunner & Suddarth: tratado de enfermagem medico-cirúrgica. 12ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014

SOUZA, S.A.J. et .al. Assistência de Enfermagem na UTI: Uma Abordagem Holística. Revista Eletrônica de Enfermagem do Centro de Estudo de Enfermagem e Nutrição [serial online], v.1, n.1, 2010.

VIANA, R.A.P.; WHITAKER, I.Y. Enfermagem em Terapia Intensiva: Práticas e Vivências. Artmed, 2011.