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INSTITUTO FEDERAL DE

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PARAÍBA

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DISCIPLINA DIAGRAMADOR
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Literatura Brasileira III RAONI XAVIER
Metodologia do Ensino de Literatura DEMETRIUS GOMES
Morfossintaxe RAONI XAVIER
Orientação de Estágio Supervisionado
Semântica da Língua Portuguesa RAFAEL LEAL
Seminário Interdisciplinar IV

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Semântica da Língua Portuguesa AULA 8

Joseli Maria da Silva


Neilson Alves de Medeiros
Magdiel Medeiros Aragao Neto

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARAÍBA

Operadores argumentativos

1 OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM

„„ Ampliar o conhecimento sobre a Semântica Argumentativa;


„„ Conhecer e aplicar os mecanismos existentes na
gramática de uma língua que nos permitem fazer
enunciados com certa força argumentativa;
„„ Reconhecer a presença de operadores
argumentativos na língua em uso.
Operadores argumentativos

2 COMEÇANDO A HISTÓRIA

Nas aulas 1 e 2, anteriores, conversamos, respectivamente, sobre o que seria o


objeto de estudo da Semântica e sobre as relações de ambiguidade, com suas
características específicas. Nesta aula que então começamos, vamos tratar
dos operadores argumentativos. Você já ouviu falar sobre esse assunto?
Teoricamente, talvez não. É possível, entretanto, que você os tenha utilizado, sem
nem perceber que o estava fazendo. Vamos verificar essa possibilidade? Imagine
que você, em algum momento, disse algo como: “A festa foi maravilhosa. Até a
síndica do prédio estava lá, e saiu tarde...”. Pense conosco: você não concorda
que esse enunciado sugere algo como: 1) não se esperava que a festa fosse
boa a ponto de atrair alguém inesperado?; 2) não se esperava que a síndica do
prédio comparecesse à festa?; 3) não se esperava que a síndica do prédio saísse
tarde? Como será que essas reflexões ou provocações surgiram? Mais uma vez,
pense conosco e agora fazendo outro exercício: retire a palavra “até”. Sem ela,
será que o efeito seria o mesmo? Acreditamos que não. Essa palavra faz uma
diferença marcante em enunciados dessa natureza, o que nos faz concluir que
a festa foi tão boa que até a síndica do prédio, pessoa que ninguém esperava
comparecer, estava presente e (até) saiu tarde.

É a esse tipo de fenômeno linguístico, realizado na simulação ilustrativa que


registramos anteriormente pela preposição até, que identificamos como operador
argumentativo, que vamos nos dedicar nesta aula. Não se trata de apenas dizer
algo, avaliar algo, mas dizer em que “grau” nossa avaliação, nosso argumento
deve ser considerado. Ao utilizarmos, no exemplo acima, a forma “até”, estamos
dizendo quão maravilhosa foi a festa; tão boa que conseguiu atrair a síndica do
prédio para seu encanto.

Vamos, então, construir mais uma parte de nossa formação, agora tratando
desses elementos que, embora não atentemos, estão sempre presentes em
nossas falas, em nosso discurso.

3 TECENDO CONHECIMENTO

É importante registrar que o termo “operadores argumentativos” foi cunhado


por Oswald Ducrot (estudioso da Semântica Argumentativa ou Semântica da
Enunciação). Antes de entrarmos no nosso conteúdo, observamos que serão
necessárias algumas palavras que servirão para esclarecer o que vem pela frente.
É certo que, já nas aulas anteriores, nos referimos à Linguística Argumentativa
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AULA 8

ou Semântica da Enunciação, mas agora perguntamos: de que trata o termo


argumentação? Começar por esse questionamento nos encoraja a solicitar-
lhe, prezado aluno, um pouco mais de paciência para complementarmos nossos
estudos e leituras, uma vez que, sempre que relemos o que produzimos, acabamos
sentindo falta de informações que julgamos importantes. Para atender a essa
necessidade – de completar nossas reflexões sobre o que vem a ser argumentação
–, dentre muitos estudiosos da matéria, damos preferência à linguista Ingedore
Koch, a qual será nosso suporte para também falarmos, entre outros temas, um
pouco sobre as concepções de linguagem.

Segundo Koch (2003), muitas são as formas como se tem concebido a linguagem
humana. Podemos resumi-las, entretanto, em três principais:

a) Como representação (“espelho”) do mundo e do pensamento;


b) Como instrumento (“ferramenta”);
c) Como forma (“lugar”) de ação.

A mais antiga dessas concepções é, sem dúvida, a primeira, que continua tendo
seus defensores na atualidade. Segundo essa concepção, o homem representa para
si o mundo através da linguagem e, assim sendo, a função da língua é representar
(igual a refletir) seu pensamento e seu conhecimento de mundo; a segunda
considera a língua como um código através do qual um emissor comunica a um
receptor determinadas mensagens. Nesse caso, a principal função da linguagem
é a transmissão de informações; a terceira, finalmente, é aquela que encara a
linguagem como atividade, como forma de ação interindividual finalisticamente
orientada: lugar de interação que possibilita aos membros de uma sociedade a
prática dos mais diversos tipos de atos, que vão exigir do semelhante reações
ou comportamentos, levando ao estabelecimento de vínculos e compromissos
interiormente inexistentes.

Sabendo dessas particularidades, como será que produzimos enunciados? Que


instrumentos outros da língua estão à nossa disposição para promovermos a
interação dialógica tão cara aos relacionamentos humanos, seja do ponto de
vista familiar (social), profissional, cultural?

3.1 Os operadores argumentativos

Conforme nos adianta Koch (2003), quando interagimos através da linguagem,


sempre temos um objetivo a ser alcançado, fins a serem atingidos. Há relações que
desejamos estabelecer, certos efeitos que pretendemos causar, comportamentos
que desejamos serem desencadeados, quer dizer, pretendemos atuar sobre o(s)
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Operadores argumentativos

outro(s) de determinada maneira, para que possamos obter reações verbais ou


não verbais do interlocutor.

É por isso que se pode dizer que o uso da linguagem é essencialmente


argumentativo, como afirmam os teóricos. Pretendemos orientar os anunciados
que produzimos no sentido de determinadas conclusões (com exclusão de outras),
e assim acabamos por sempre tentar mostrar, em nossos enunciados, efetiva
forma argumentativa. E isso fazemos por meio de vários mecanismos, os quais
se encontram na gramática da nossa língua portuguesa, à nossa disposição,
para serem usados nas mais diversas ocasiões. Entre esses mecanismos, estão os
operadores argumentativos e os modalizadores. Sobre esses últimos, podemos
já adiantar que têm a função – em sentido amplo – de determinar o modo como
se diz algo.

Costumam-se denominar tais mecanismos de marcas linguísticas da enunciação ou


da argumentação, esta tomada aqui em sentido amplo. E sobre o funcionamento
do mecanismo operador argumentativo, Ducrot utiliza duas noções básicas: a
de ESCALA ARGUMENTATIVA e a de CLASSE ARGUMENTATIVA. Esta é construída
de um conjunto de enunciados que podem igualmente servir de argumento
para (apontam para) uma mesma conclusão (a que por convenção se denomina
r). Exemplo:

Classe argumentativa

Argumentação 1- Tem boa formação em Economia.


Argumentação 2- Tem experiência no cargo.
Argumentação 3- Não se envolve em negociatas.
“No exemplo acima, todos os argumentos têm o mesmo peso, para levar
o interlocutor a concluir R.”

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AULA 8

3.1.1 Escala argumentativa

Quando dois ou mais enunciados de uma classe se apresentam em gradação


de força crescente no sentido de uma mesma conclusão, tem-se uma escala
argumentativa, por exemplo:

A apresentação foi coroada de sucesso. (R)

Argumentação 1 - Estiveram presentes personalidades do mundo


artístico.
Argumentação 2 - Estiveram presentes pessoas influentes nos meios
políticos.
Argumentação 3 - Esteve presente o presidente da república (este
argumento é o mais forte).

Costuma-se representar graficamente a escala argumentativa de forma a se


produzir um efeito de gradação, buscando-se demonstrar que a avaliação cresce,
evolui, chegando ao ápice de seu valor.

Obs.: Se a mesma conclusão for negada, invertem-se os elementos da escala:

A apresentação não teve sucesso. (R)

Argumentação 1 - Não estiveram presentes personalidades do mundo


artístico.
Argumentação 2 - Não estiveram presentes pessoas influentes nos
meios políticos.
Argumentação 3 - Não esteve presente o presidente da república (este
argumento é o mais forte).

Após essa exemplificação, vejamos agora os principais tipos de operadores.

3.2 Tipos de operadores argumentativos

1) Operadores que assinalam o argumento mais forte de uma escala orientada


no sentido de determinada conclusão: até, mesmo, até mesmo, inclusive.

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Operadores argumentativos

No exemplo (2), diríamos normalmente:


A apresentação foi coroada de sucesso. Estiveram presentes
personalidades do mundo artístico, estiveram presentes pessoas
influentes nos meios políticos, e até (mesmo, até mesmo, inclusive) o
presidente da república.
No caso da escala em sentido negativo, o argumento mais forte viria introduzido
por “nem mesmo”.
O presidente não compareceu, nem pessoas influentes nos meios
políticos e nem mesmo personalidades do mundo artístico.
Vamos agora medir “a força argumentativa” do operador mesmo, no seguinte
trecho de um texto de Bertrand Russell:

“O homem teme o pensamento como nada mais sobre a terra, mais que
a ruína, e mesmo mais que a morte”.

O homem teme o pensamento como nada mais sobre a terra. (R)


Argumentação 1- Mais que a morte. (a mais forte)
Mesmo
Argumentação 2- Mais que a ruína.

2) Operadores que introduzem dado argumento, deixando subentendida a


existência de uma escala com outros argumentos mais fortes. São expressões
como: ao menos, pelo menos, no mínimo. Veja o exemplo a seguir:

O rapaz era dotado de grandes ambições. Pensava em ser no mínimo


(pelo menos, ao menos) prefeito da cidade onde nascera.

3) Operadores que somam argumentos a favor de uma mesma conclusão


(isto é, argumentos que fazem parte de uma mesma classe argumentativa):
e, também, ainda nem (= não), não só, mas também, tanto como, além
de, além disso, a par de entre outros. Podemos ver esse tipo de operador
em construções do tipo destacado no exemplo a seguir:

O rapaz não só tinha grandes ambições mas também sabia lutar para
as realizar.

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AULA 8

4) Existe mais um operador, que também introduz um argumento adicional


a um conjunto de argumentos já anunciados, mas o faz de maneira sutil.
Na verdade, é por meio desse operador que se introduz um argumento
decisivo com o qual se dá o momento decisivo, o “golpe final”. Estamos
falando do operador aliás. Veja como ficaria o texto se o tivéssemos utilizado:

João é o melhor candidato. Além de ter boa formação em Economia,


tem experiência no cargo e não se envolve em negociatas. Aliás, é o
único candidato que tem bons antecedentes.

5) Operadores que introduzem uma conclusão relativa a argumentos


apresentados em enunciados anteriores: portanto, logo, por conseguinte,
pois, em decorrência, consequentemente etc.:

O custo de vida continua subindo vertiginosamente; as condições de


saúde do povo brasileiro são péssimas e a educação vai de mal a pior,
portanto (logo, por conseguinte) não se pode dizer que o Brasil esteja
prestes a se integrar no primeiro mundo.

6) Operadores que introduzem argumentos alternativos que levam a


conclusões diferentes ou opostas: ou, ou então, quer...quer, seja...seja:

Vamos juntos participar da passeata. Ou você prefere se omitir e ficar


aguardando?

7) Operadores que estabelecem relações de comparação entre elementos


com vistas a uma dada conclusão: mas que, menos que, tão...como.

a) Vamos convocar a Lúcia para redigir o contrato.


b) A Márcia é tão competente quanto a Lúcia.

Nota-se que, apesar de se tratar gramaticalmente de um comparativo de igualdade,


argumentativamente o enunciado é favorável à Márcia e desfavorável à Lúcia.

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Operadores argumentativos

8) Operadores que introduzem uma justificativa ou explicação relativa ao


enunciado anterior: porque, que, já que, pois etc.

“Não fiques triste que este mundo é todo teu, tu és muito mais bonita
que a camélia que morreu.” (Jardineira – Orlando Silva / Disponível em:
http://letras.mus.br/. Acesso em: 11 out. 2014).

9) Há também operadores que contrapõem argumentos orientados para


conclusões contrárias: mas (contudo, porém, todavia, no entanto), embora
(ainda que, posto que, apesar de que), entre outros.

10) Alguns operadores precisam de maiores explanações no seu esquema


que usa(funcionalmente), vejamos a seguir.
O esquema de funcionamento do mas (“o operador argumentativo por excelência”
conforme diz Ducrot) e de seus similares é o seguinte: o locutor introduz em
seu discurso um argumento possível para uma conclusão R: logo em seguida,
opõe-lhe um argumento decisivo para conclusão contrária não-R. Ducrot, infere
Koch, ilustra esse esquema argumentativo recorrendo à metáfora da balança:
o locutor coloca no prato A um argumento (ou um conjunto
de argumentos) com o qual não se engaja, isto é, que pode
ser atribuído ao interlocutor, a terceiros, a um determinado
grupo social ou ao saber comum de determinada cultura;
a seguir, coloca no prato B um argumento (ou conjunto de
argumentos) contrário, ao qual adere, fazendo a balança
inclinar-se nessa direção (ou seja, “entrechocaram-se no
discurso” “vozes que falam de perspectivas, de pontos de
vista diferentes – é o fenômeno da polifonia”). (KOCK, 2003,
p. 36/37).

Argumento possível. a) para conclusão R, b) Argumento decisivo a favor


de não-R.

a) A equipe de casa merecia ganhar.


b) A equipe de casa não jogou mal.

MAS

a) A equipe de casa não merecia ganhar.


b) O adversário foi melhor.

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AULA 8

Vejamos outro exemplo com embora, que tem a mesma carga semântica
que o mas:

Embora o candidato tivesse se esforçado para causar boa impressão,


sua timidez e insegurança fizeram com que não fosse selecionado.

C) O candidato poderia ter sido selecionado R.


C1) O candidato esforçou-se para causar boa impressão. P.
C2) O candidato não foi selecionado -R.
C3) O candidato demonstrou insegurança, timidez.

Do ponto de vista semântico, os operadores do grupo do mas e os do grupo do


embora têm funcionamento semelhante: eles opõem argumentos enunciados
de perspectivas diferentes que orientam, portanto, para conclusão contrária. A
diferença entre os dois grupos diz respeito à estratégia argumentativa utilizada
pelo locutor: no caso do mas, ele emprega (segundo E. Guimarães, citado por
Koch, 2003, p. 36) a “estratégia do suspense”, isto é, faz com que venha à mente
do interlocutor a conclusão R, para depois introduzir o argumento (ou conjunto
de argumentos) que irá levar à conclusão R: ao empregar o embora, o locutor
utiliza a estratégia de antecipação, ou seja, anuncia de antemão que o argumento
introduzido por embora vai ser anulado, “não vale”.

11) Há operadores que têm por função introduzir no enunciado conteúdos


pressupostos: já, ainda, agora etc.

Paulo mora no Rio.

Este enunciado não encerra nenhum pressuposto. Porém, esse mesmo


enunciado passa a ser um pressuposto, ativado em enunciados como os
que seguem:

Paulo ainda mora no Rio. (o ainda é o responsável pela pressuposição


de que Paulo não saiu do Rio, ele mora lá.)

Paulo já não mora no Rio. (o já é o responsável pela pressuposição de


que Paulo saiu do Rio, ele não mora lá.)

E aí o que concluímos sobre o que vem a ser um pressuposto: aquilo que supomos
antecipadamente.
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Operadores argumentativos

Exercitando

Agora que você já leu e pesquisou sobre esse assunto, explique, em poucas linhas:

1) O funcionamento dos operadores argumentativos e para que servem.


2) O funcionamento dos operadores que contrapõem argumentos orientados
para conclusão contrária, especificamente, o embora e o mas.
Depois responda:

3) Que noções básicas Ducrot utiliza para apresentar o funcionamento dos


operadores em geral?

4 APROFUNDANDO SEU CONHECIMENTO

Além dos livros que são referências, você deve ler:

Na perspectiva da autora, Maria Helena Duarte


Marques, a Semântica trata de questões relativas
ao significado que interessam a estudiosos que
atentam para formas linguísticas como sendo
sinais sonoros portadores de sentido. Para ela,
o significado da língua desempenha papel
nuclear na linguagem humana.
Figura 1

O autor Gennaro Chierchia, neste livro, expõe


os objetivos fundamentais da gramática
gerativa e constrói uma semântica que se
articula com a sintaxe e se mantém atenta
para os estudos cognitivistas e a inteligência
artificial. Dialogando com essas orientações,
trata de temas “semânticos” clássicos, como
a modificação adjetiva e adverbial, o aspecto
do verbo, a interpretação das sentenças
Figura 2
subordinadas, as pressuposições e a relação
entre significado e uso.

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AULA 8

Dos autores Rodolfo Ilari e João Wanderley


Geraldi, este livro parte dos fatos da língua
para analisar frases e expressões do ponto de
vista de sua significação, dentro de correções
sintáticas.

Figura 3

5 TROCANDO EM MIÚDOS

Caro colega, procuramos, nesta aula, num primeiro momento, tecer algumas
considerações sobre as percepções que se tem da língua(gem), visto que toda
a nossa atenção estará voltada aos fenômenos da linguagem, em seguida
começamos a comentar sobre o conteúdo em si, o qual irá gerar nossa discussão.
Escolhemos os operadores argumentativos, que na verdade são os mais utilizados
nas nossas produções faladas ou escritas. Vale salientar o cuidado que se deve
ter no emprego desses marcadores, pois necessariamente orientam o que “em
verdade” queremos dizer.

Partimos da ideia de que, quando nos manifestamos linguisticamente, seja na


forma oral, escrita ou gestual, e ainda imagética, fazemos valer nosso ponto de
vista, ou pelo menos tentamos. Nós argumentamos. Para isso, mesmo sem saber
ou pararmos para pensar, utilizamos concepções de linguagem. Para conversarmos
sobre esse item, utilizamos como referência básica, entre outros autores, Koch
(2003), de cujos ensinamentos extraímos três conceitos de argumentação: a)
como representação do mundo e do pensamento, ou seja, nós falamos a partir
do que pensamos, e nosso pensamento é construído pela ideia conceitual que
fazemos das “coisas do mundo” – como se representássemos o que pensamos,
não sendo necessário considerarmos, entretanto, o que o outro pensa, já que
essa representação seria quase que padronizada, uniforme, sem quaisquer
possibilidades de erro de interpretação; b) como instrumento, o que, nessa
perspectiva, diz que a linguagem não relaciona os envolvidos com o processo
comunicativo: a língua é um instrumento, um artefato à disposição do falante,
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Operadores argumentativos

do usuário em qualquer circunstância. Com essa abordagem, provavelmente


não teríamos problemas de comunicação, pois bastaria que buscássemos, em
qualquer gramática ou dicionário, o que queríamos dizer e isso já nos garantiria
uma construção enunciativa totalmente eficaz, garantidora do sucesso na
comunicação (será que os analfabetos poderiam se apoderar desse recurso?).
E c) a linguagem será vista como forma ou lugar de ação comunicativa. Nesse
aspecto, os falantes deverão considerar todas as condições de produção, entre
elas, o nível social, cultural, linguístico do interlocutor, o lugar de onde se fala
(se em posição de superioridade ou de subordinação, lugar de quem pede, de
quem manda, de quem negocia, de quem discorda, de quem estimula etc.).

Dentro dessa última perspectiva, localizamos alguns recursos semânticos


que funcionam com propriedade quando os identificamos e os aplicamos
adequadamente. São os operadores argumentativos. Em nossa aula, vimos como
esses elementos podem facilitar a compreensão do que queremos dizer por
parte do outro, do nosso alocutário, ou interlocutor. Em nossas discussões, vimos
que esses operadores traduzem, de certa forma, nossas intenções e permitem
selecionar situações específicas do enunciado. Assim, se quero valorar, ou seja,
atribuir um valor ao argumento, posso fazer uso de termos como não só...mas
também, inclusive, até, pelo menos, entre outros.

São as possibilidades semântico-discursivas que a língua nos oferece para, cada


vez mais, termos o controle sobre nossas palavras e ficarmos atentos aos efeitos
que produzimos sobre o outro, ou que tentamos produzir, além daqueles aos
quais também estamos expostos.

6 AUTOAVALIANDO

Após a leitura desta aula:

a) Que visão passei a ter sobre a argumentação?


b) Sou capaz de analisar os enunciados, identificando os operadores
argumentativos?
c) De que maneira os estudos sobre argumentação podem me auxiliar
na qualidade de professor de Língua Portuguesa?

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AULA 8

REFERÊNCIAS

KOCH, Ingedore Inter-ação pela linguagem. São Paulo: Ed. Contexto: 2003.

HURFORD, James R.; HEASLEY, Brendan. Curso de Semântica. Canoas-RS: Ed.


da ULBRA, 2014.

CANÇADO, Márcia. Manual de semântica: noções básicas e exercícios. Belo


Horizonte: Editora UFMG, 2008.

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