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Myrian Veras Baptista v

PLANEJAMENTO SOCIAL
intenciona lid ade e i n s t r u m e n t a ç ã o j
2- edição

TM

PDF Editor
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P L A N E J A M E N T O SOCIAL ^
intencionalidade c instrumentação

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PDF Editor
Myrian Veras Baptista

P L A N E J A M E N T O SO C IA L
intencionalidade e instrumentação

TM

PDF Editor 2 0 0 7

VERAS EDITORA - CPIHTS


São Paulo - I .isboa
Myrian Veras Baptista

PLANEJA MENTO SOCIAL


intencionalidade e instrumentação

TM

PDF Editor VERAS EDITORA - CPIHTS


Sã o Paulo - Lisboa
2007
Sumário

Apresentação V

PARTE I
A racionalidad e d o p l an ej am en t o 13
O planejamento como processo político 17
Equacion a m e n t o
Decisã o 21
Operacionalizaçã o 23

Ação TM 24

PA RTF. II
O p l a n e j a m e n t o c o m o p rocess o tccnico-p olític o 27
C o n s t r u ç ã o / r e c o n s t r u ç ã o d o o b j e t o : sobr e o qu e p lanej a r 31
Estud o d e situaçã o 39

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L e v a n t a m e n t o d c hipótese s preliminare s 45
Construção de referenciais teórico-práticos 45
Colet a d c d ad os , 50
O r g a n i z a ç ã o e anális e 64
kientilicaçS o d e prioridade s d c intervençã o 73
De fi n i çã o d e obj etivo s e es t a b e l e ci m en t o s d c meta s 79
An áli s e d c a lt e rn at i v a s d e i n t e r v e n ç ã o 87
Planificação 97
\
Implementação 203
Implantação e execução [05
Controle JQ0
Avaliação 113
Re com a da do p roces so 12 j
Bibliografia 123
Apresentação
ANEXOS
Anexo I - Matriz dc relação entre variáveis 131
Anexo II - Roteiro dc análise de plano 133
Anexo III - Roteiro de projeto 137
Anexo IV- Roteiro dc análise de projeto 147
O interesse pela publicação deste livro, qu e trata dos proce-
Anexo V - Proposta de conteúdo dc análise setorial 153
di men to s para o pl an ej amen t o , suas opções, suas técnicas e instru
men t o s , resultou da crescente i mpo rt ân ci a atribuída ao ato dc
planejar co m o prática dc trabalho e da insistência dc professores c
profissionais para qu e eu retomasse um antigo livro qu e publiquei
na década dc 70 l .
Ness e s e n t i d o , esta publicação é , T
d cMf at o , u m a r e t o m a d a da
sistematização dos p ro ced i m en t o s para planejar realizada po r mim
naquela ocasião, i n c o r p o ra n d o discussões mais atuais. Essa siste-
matização aborda a natureza complexa do processo dc p lan ej amen to
c a descrição dos procedimentos utilizada usualmente nos trabalhos
de pla n ejament o na área social.

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A primeira parte estabelece o referencial qu e norteia a aborda- ge m do
planejamento inicialmente com o processo lógico, ofere- cend o algumas
informações consideradas relevantes. Em seguida, trata do planejament o enquant
o processo político, que necessaria-

1 Baplisui, Myrian Veras. Platujanicnto: introdução À inctsdihjia do planejamento social.


Smí Paulo: Moraes , 1977 .
1 0

mente tem de equacionar as questões ligadas às relações de poder que


impregnam todo processo de tomada de decisões.
A segunda parle é dedicada à descrição e à análise dos proce-
dimentos do planejamento, a partir das aproximações sucessivas
necessárias ao seu processamento. São aí analisados: a reconstrução
dinâmica do obj eto , o estud o /d iagnó stico , a tomada de decisões
referentes a prioridades, objetivos e alternativas de ação, a elaboração
de planos, programas e projetos e, finalmente, a execução propria-
mente dita, ou seja, a implementação, a implantação, o controle, a
avaliação e a retomada do processo.
Um maior ap r o f u nd a me n to dos temas abordados poderá ser PARTE I
conseguido através da consulta à bibliografia encontrada em todo
o trabalho.

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A racionalidade do planejamento

So>nos rodos planejadores c talvez seja mais importante


raciocinar como uni planejador que produzir planos
acabados.
). Fricdmann

O term o "planejamento" , na perspectiva lógico-racional, refere-se ao


processo permanent e e metódic o de abordage m racional e científica de
questões que se colocam no mund o social.
E n q u a n t o p r o c e s s o p e r m a n e n t e , s u pT
õ eMação c o n t í n u a s o b r e u m
conjunt o dinâmico d e situações e m u m determinad o moment o histórico.
Com o processo melódico de abordage m racional e científica, supõe uma
seqüência dc atos decisórios, ordenado s em momento s definidos e baseados
em conhecimentos teóricos, científicos e técnicos.
Nessa perspectiva, o p la n e j a me n t o refere-se, ao mes m o

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t e mp o , à seleção das atividades necessárias para atender questões
d eter mi n ad as e à o timização de seu i nte r -rel ac io na me n to , levan-
do cm co nt a os co n d i cio n a n t e s imp o sto s a cada caso (recurso s,
prazos c o utro s); diz respeito, tamb é m, à decisão sobre os camin-
hos a serem p erco rrido s pela ação e às providências necessárias
à sua ad o ção , ao a c o m p a n h a m e n t o da execução, ao c o n t ro l e, à
avaliação e à red efinição da ação.
14 Mnfra s YMICAS B AP T IS T A
I' . LÍ O - I A M E N T O S O C F A I . 15

V
A d imensão dc r a c i o n a l i d a d e do p la nej a me n to está fincada dade dos que a abordam , de definir co m clareza os objetivos, ile explicitar
cm uma l o g i c i d a d c qu e no rteia n a t u r a l m e n t e as ações das minuciosamente os mecanismos qu e possibilitariam
pessoas, levando -as a planejar, me s m o sem se ap erceb erem dc .1 mu d a n ça.
qu e o estão f a z e n d o . D e c o r r e do uso da int el i gê nc ia nu m É com esse sentido que, com o assinala Tragtenberg (1967) ,
processo dc racionalização dialética da ação. Assim,, Carlos Matus • > p l a n e j a m e n t o e n q u a n t o i n s t r u me n t o de decisão aparece ligado
(npud H u e r t a , 19 9 6 :1 4 ) nos diz qu e " o p l a n e j a me n t o não é .i m o d e r n i d a d e : à revo lução e c o n ô mi c o - s o c i a l , às m u d a n ç a s
mais que a tentativa de viabilizar a i n te nç ão que o h o me m tem ideológicas c dc estrutura dc p o d er . No e n t a n t o , co m o bem
dc go vernar a si p r ó p r io c ao fut ur o : de imp o r às circunstâncias .'.ponta Emerso n Elias Merhy (npud Gallo, 1 9 9 5 : 1 1 7 ) , a ampli-
a força da razão h u m a n a " . Neste e n f o q u e , o p l a n e j a m e n t o é a tude de seus espaços de aplicação vai exigir um a c o m p r e e n s ã o
ferra menta para pensar c agir d entr o de uma sistemática analítica precisa da relação entre a co nstit uição desse c a mp o de saber
p róp ria, e s t u d a n d o as situações, p r eve nd o seus limites e suas l e c n o l ó g i c o , qu e é o p l a n e j a m e n t o , e a nat u reza do espaço
possibilidades, p r o p o n d o se objetivos, d efi ni nd o - se estratégias. Já lo mad o co m o o b j e t o de intervenção, de forma a permitir aprccn-
no início do s t e m p o s , o h o m e m r efletia s o b r e as q ue stõ e s que o iier as " po ssib ilid ad es de op erar i n s t r u m e n t a l m e n t e so br e a
desafiavam, estudava as d iferentes alternativas para so lucio ná -las realid ad e das práticas sociais na p r o d u ç ã o de d e t e r m i n a d o s
e o rganizava sua ação de maneir a lógica. E n q u a n t o assim fazia, resultados (... )".
estava efetivand o uma prática dc planeja- Enquant o processo racional, o planejamento se organiza por operações
complexas e interligadas, que , conform e Ferreira

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mento . Da observação dessa prática, de sua análise e sistemati zação
: 1965), são as seguintes:
racional, do domíni o dc alguns princípios que regem os processo s naturais , e
TM
a) d e refle xã o — q u e d i z r e s p e i t o ao c o n h e c i m e n t o d e
da incorporaçã o do s conhecimento s desenvolvidos cm diferentes áreas do
pensamento, resultou o acervo de conhecimentos e de práticas de planejamento, d ad o s , à análise e es t u d o de alternativas, à sup eração e recons-
tal com o encontramos hoje. trução de co nceito s e técnicas de diversas disciplinas relacionadas
Essa sistematização foi algo que surgiu do interesse e do co m a exp licação e q uantificação dos fatos sociais, e o utro s;
b) de decisão - que se refere à escolha de alternativas, à
e m p e n h o dos d e t e n to r es do pod e r dc decisões cm larga escala, determinaçã o de meios, à definição de prazos, etc.;
os quais tinham em vista sc instr u mentalizare m para o no rtea - c) de ação - relacionada à execução das decisões. K o foco
in e nto das ações nas situações com que trabalhavam. Desafiados central do p l a n e j a m e n t o . O r i e n t a - s e po r m o m e n t o s qu e a
pela co mp lexid ad e cada vez maior dos p rob lemas que tin ha m a n t e c e d e m e c subsidiada pelas escolhas efetivadas na o p eração
qu e e n fr e n t a r , foram p e r ceb e nd o que mud a nç as efetivas não .interior, quant o aos necessários processos de organização;
era m c o n s e g u i d a s a p ar tir de mer as r e p a r aç õ e s e a r r a n j o s d) dc retomada da reflexão operação de crítica dos processos
institucionais, 1-oi ficando cada vez mais clara a necessidade de e dos efeitos da ação planejada, com vistas ao e mb asa me nto do
se co nh ecer cm p r o f u n d i d a d e a p rob lemática e a intcncio nali - p lanejamento de ações posteriores.
16 M U I A N - VKRAJ S BAPTISTA

Estas operações se inter-relacionam em uni processa dinâmico


e co ntínuo , que pode ser assim representado:

DECISÃ O

R E F L E X Ã O AÇÃ O

R E T OM A D A D A REFLEXÃ O
O planejamento
como processo político
A análise desse processo leva-nos a identificar, nessa dimensão
de racionalidade, a dimensão político-decisória que dá suporte ctico-
Existe a necessidade de estra tégias porque existem confrontos
político à sua ação técnico-administrativa. e existem maneiras diferentes de enfrentá-los.
F. Jvwier Uribe Rivera

A dimensão política do planejamento decorre do fato de que ele é


um processo contínuo de tomadas de decisões, inscritas
nas relações de poder, o que caracteriza ou envolve uma função
política. TM
No entanto, tradicionalmente, ao sc tratar de planejamento,
a ênfase era dada aos seus aspectos técnico -opcrativos, desco-
nhecend o , no seu processamento, as tensões c pressões embutidas
nas relações dos diferentes sujeitos políticos em presença. Hoje,

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tem-se a clareza de que, para que o planejado se efetive na direção
desejada, é fundamental que, além do co n te úd o tradicional de
leitura da realidade para o planejamento da ação, sejam aliados à
apreensão das condições objetivas o co nhecimento c a captura das
condições subjetivas do ambiente em que ela ocorre: o jogo de
vontades políticas dos diferentes grupos envolvidos, a correlação
de forças, a articulação desses grupos» as alianças ou as incompatibili-
18 M V R Í AÜ V X K AS B A P T I S TA
19
I'L A . V K I A M E X T O S U C I A I .

V
dadcs existentes entre os diversos segmentos 2 . Esse conhecimento irá
cepção) e o element o político (o u de decisão) no processo de planejamento . Via
possibilitar, alem da visualização de propostas com índices mais altos de
de regra, é funçã o específica do técnico o cquacionament o c a opcracionalização
viabilidade, a percepção e o manejo das dificuldades c das potencialidades para
das opções assumidas pelo centr o decisório, embor a caiba a ele també m assumir
estabelecimento de parcerias, de acordos, de compromissos, de responsabilidades
decisões e implementa r ações.
compartilhadas.
A r e p r e s en t aç ã o dessas atividades e de sua s eq ü ên ci a é
Esta ap reensão levou a assumir a i mpo rt ân ci a do caráter
esqu emati zada a seguir:
político do p l a n ej a m e n t o e a necessidade de op erá -lo de um a
perspectiva estratégica*, que trabalhe sobre esse contexto de relações DECISÃO
ap r een d en d o sua complexidade, enfatizando os ganhos do processo.
l. QUAC I O N A M E N T O 0 1 'B R A C I O X A L l ZAÇÀ O
Desta forma, o do mí nio e a orientação do fluxo dos acon teci men tos
s e p a u t a m po r u m n ov o s e n t i d o d e c o m p e t ê n c i a : além d a AÇAO
competênci a t c ó r i c o -p r á t i c a e tccnico-opcrativa, há que ser
desenvolvida uma competência ético-política 4 .
Lozan o e Martin (1968 ) afirmam nã o ser fácil estabelecer a inter K Qt< AC: IO NA M F. N T O
relação necessária entre o element o técnico (ou de con -
C o r r e s p o n d e ao co nj u n t o de informações significativas, para í
t o m a d a de decisões, en cami nh ad as pelT
osM
técnicos de p l a n ej a m e n t o
• ' Caleiros (1997:43-65 ) vem formuland o um paradigma qu e denomin a "mctodulogi a cia
articulaçâoMoii da "correlação de forças*, que trabalha as forcas que condicionam incursos c saberes que aos centros decisórios.
definem problemas* ou melhor, são forças e saberes que articulam problemas e recursos, sà o saberes e Lo z an o e Mart in ( 1 9 6 8 ) , referindo -se ao exercício dessa
poderes, conhecimentos c estratégias qu e precisam ser levados em conta.
? A estratégia, na perspectiva aqui adotada, ultrapassa o sentido qu e llie é originalmente atribuído, de atividade, co men t a m que a função essencial do planej amento, com o
tbrma de implementarão de uma política (Motta, 1991 )> ou de arte na utilização adequada de recursos i n s t r u m e n t o t écn i co , é a u m e n t a r a cap aci d ad e e m e l h o r a r a
- físicos,. financeiros e humano s - tend o em vista
evitar problemas e potencializar possibilidades. Mia se ideniilica com o definição de um qualidade do processo de ado ção de decisões, o ferecendo d ados
conjunt o de meio s e d e torças, b u s c a n d o realiza r i n t e n c i o n a l i d a de s mai s gl ob ai s, q u e

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r es p on d am a interesses e objetivos sociais, econô mi cos e poliiicos de d et ermin ad as básicos da situação c necessidades, elementos de juízo para apreciar
torças sociais (Souza, 19S*é:l7). Para tanto, desenvolve caminh os mais criativos para
um a ação assentada em propostas xcais e factíveis, qu e p rocu ram lirar o máx i mo das as situações e dados para aferição das tendências e projeções futuras.
condições postas em uma d et ermin ad a c on j u n t u ra . No en t ant o, deve-se ter presente que esta função não é exercida
4 A d i m e n s ã o ética d o p l a n e j a m e n t o d e c o r r e d o fat o d o m e s m o favo recer o

d esen volvi ment o de uma tecnologia que , se, por um lado, possibilita soluções cientificas pelo planejador de maneira distanciada de suas opções no contexto
para os problemas de unta sociedade em permanente mudança, por ou t r o lado, viabiliza das relações sociais, uma vez que, diante de um mesmo problema e de
a centralização do poder e o a u m e n t o de sua ctkScia controlad ora. Envolve, ainda,
op çõ es sobre alternativas de intervenção propositada em situações presentes, visando à um a m e s m a d e m a n d a , as pessoas têm d i f e r e n t e s fo rma s de
mudan ça da situação futura de determinad os grup os sociais, os quais nem s emp re têm en cami n h amen t o de apreensão do real. Isso está relacionado à visão
acesso a essas decisões ou nelas influenciam.
dc m u n d o de cada pessoa e à fonte onde busca seus fundamentos no
20 MYRIJWC VKR.VS BAPTISTA
r I A NE JAMKNTOSOCIAL 21

v
contexto das grandes correntes teórico-mctodológicas. Decorrem dessas fontes DKCISÀ O
distintas orientações teórico-práticas, qu e incidem, principalmente, em seus
procedimentos e na delimitação do sen objeto de conhecimento c de ação. Corresponde às diferentes escolhas necessárias no decorrer do
Se sua perspectiva da realidade se faz a partir dc um â ng ulo proccsso. O nível dc envolvimento do planejador nessa atividade é variável, de
c o n s e r v a d o r, o p lanej ad o r vai percebê-la e n q u a n t o fato social acordo co m o seu posicionamento ante as questões que trabalha, suas opções
objetivo, to ma nd o o dado co mo o limite da reflexão. Essa angulaçào
ideo-políticas e as particularidades de cada caso.
co ncede auto no mia ao fato social, accirando, co m o elemento último
O privilegiamento da dimensão político-dccisória é base das novas
do horizo nte analítico, a positividade da forma pela qual as relações
reflexões que sc fazem sobre o planejamento. Essas reflexões evidenciam, de
sociais sc p õem; ou seja, aceitando o real que se coloca imedia-
partida, a necessidade do técnico ter presente, ao realizar seu trabalho, as idéias e
tamente aos sentidos co m o dado de falo, nào discutindo a realidade
posta por essa objetividade, fazendo com que a apreensão do real o sistema de valores subjacentes às decisões norteadoras do planejamento c, ao

se resuma nas q uestõ es colocadas no cotidiano, nas relações de mesmo tempo, procurar compreender a realidade trabalhada em seu contexto de
consciência e de coerção cultural, nào interessando o processo qu e tensões e pressões de interesses diversos, com o base de sustentação da decisão.
está em sua gênese. Nessa perspectiva nào é levado em consideração Evidenciam, ainda, a necessidade dc uma análise crítica do significa-
qu e a estrutura das classes sociais naquele m o m e n t o histórico é do e das decorrências das novas propostas para aqueles que estejam
d etermi nad a pelas relações cconômico -sociais que são estabelecidas
TM
sob seu raio de inlluência.
no j o go de forças cm presença na sociedade*. As resultantes dessas análises determinam a importância da participação
Por outro lado, sc sua perspectiva da realidade objetiva alterações, de segmentos da população, como sujeito político, no processo decisório. Para
procura inscrever e reconstruir as situações emergentes em um circuito maior no tanto, o planejador passa a preocupar-se
qual busca as determinações que conformam a estrutura
conjuntural da questão analisada. Para isso, assume um posicionamento
co m a vinculaçã o de seu trab a l h o ao proccsso dc o rganizaçã o e de

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político qu e lhe permite romper com os paradigmas explicativos
mobilização da população ligada à problemática tratada, situando- a ao
tradicionais e lhe possibilita tematizar as relações mais proiiindas da
mesm o temp o 11a universalidade do real.
sociedade, no interior das quais os processos se desenrolam. Trata-se
de entender o ser social em sua gencricidade (na qual o político está E i mp o r t a n t e enfatizar que, e n q u a n t o no p l a n e j a m e n t o
presente) - o que se faz na relação particularidade/universalidade. tradicional perdia-se a referência concreta ao sujeito - a população
entrava co m o "usuária", " d e ma n d a n t e " , "clientela", mas nunca
co m o ser histórico no p lanej amento agora p rop o sto a pop ulação
sfc um a característico do mod o de relação da sociedade burguesa qu e <» real nà o se dc imediatament e à
consciência, qu e se tenh a apenas . 1 percepção imediata da aparênci a do real, a evidencia dc um a
é personagem central do processo. Para Matus (apitdTesta in Rivera,
essóneia qu e está velada. 1 9 8 9 : 7 9 ) , o p l a n e j a m e n t o nã o é p rivi le gio da força social
22 TYRAFTTNVHKAS BAPTISTA P I \Nr.; AM I :.N'r o SOCIAI . 23

V
dominante, representa uma tentativa de acumulação das forças políticas que na formulação coletiva de estratégias de mudança c controle popular
constituem a sociedade6 . • obre a autoridade, tend o co mo referencia uma perspectiva norteada
Portanto, estas forças de pressão — os grupos organizados e os pelo processo histórico, as correlações de forças e as táticas possíveis 9 ,
movimentos populares - são elementos importantes no jogo do poder, por a curto e médio prazo.
propiciarem condições tanto de conquista quanto dc aprofundament o de Esse é um movimento no sentido da socialização da política
espaços nas políticas sociais, o que torna evidente a importância e a i da incorporação p ermanente de novos sujeitos, co m a criação de
oportunidade da açào do profissional de planejamento junto a esses grupos 7 . ises para multiplicação dos mecanismos de participação direta no
Kssa ação constrói-se, freqüente- mente, problematizando as questões que se 'processo decisório, na qual indivíduos e grupos ganham auto no mia
colocam com o desafio em seu dia-a-dia e criando condições para a crítica da e representatividade, desligados da tutela do Estado. A ampliação
política exis- tente para seu cnfrentamcnio. Constrói-se também através dc desses sujeitos coletivos de base e sua unificação nas lutas mais gerais
apoio11 (respeitada sua auto no mia e diversidade) 10 p o de m vir a ser v
igoroso instru mento de pressão e dc controle sobre as instituições,
itnerrend o a tendência clássica à burocratização e ao conservado
" Testa ( I9 S9 ) euiisklcr.i qu e esta visão do p lanejament o tira-lhe o caráter de único
i n s t r u m e n t o da cons olidação do sistema para recuperá-lo c o m o ferrament a eficaz na ris mo das decisões.
t r a n s f o r m a d o : na medida em qu e qualquer dos diferentes atores sociais JHKIC rcali/.ar
o p lan ej ament o, este se converte em um processo dialético entre o plano do govern o
e os planos tias torças de pressão da sociedade.
7 "Is t o não significa que não se tenha presente que .t formação e o fu n ci on amen t o de

alguns desses g ru p o s resultem, basicamente» de interesses individuais e corporativos . C)PE RACIONAI IZA(,:AC)
Nã o significa t amb é m qu e se acredite qu e o con j un t o aleatório dos interesses individuais
e corpora ti v<» desses grup o s acabaria resultando no equilíbrio racional no s entid o do
interesse público superior, à mod a da "mão invisível* estudada po r Adam Smith na
TM
A opcracionaHzação relaciona-se ao de talhamento das atividades
econ omi a. Significa que se considera a participação, qu e deve ser tomad a à semelhança
de out ro s mecanismos da democracia, conto valor estratégico p er man en t e, que v.ii necessárias à efetivação das decisões tomadas, cabendo aos técnicos
possibilitar a apropriação social da politica'". (Baptista, 1 9 8 7 :1 0 5 -1 0 6 ) sua consubstanciação cm planos, programas e projetos, e, na ocasião
x Neste apoio há qu e se cuidar co m o risco tio 'b asis mo', co m a "idéia de qu e nada é

legíti mo sem delegação expressa das 'bases', o que gera, por vezes, alguns equí vocos oportuna, em sistematização das medidas para sua implementação.
com graves conseqüências: - considerar a sabedoria p opu lar c om o nata. C om o se a
consciênc i a imediata da realidade e de suas soluçòcs a tornasse capa z dc impulsio n ar e encaminhar
suas lutas; • considerar também que os problemas podem encontrar soluções

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co m a sua transferencia para as v bascs\ que , po r sen*irem aos interessados diretos, saberão encontrar as
rlá que se ter presente qu e esta participação pod e assumir diferentes formas, não apenas a positiva: o
respostas mais adequadas. K-ssa ótica parte tio suposto de uma harmonia de interesses desses grupos , de
"não " é um a participação. Quand o a população assume a direção ile um moviment o político, a
que existe um bem que é comu m a todo s (os confliros, os antagonismos estão em nível das classes), nã o
levando em couta qu e a busca da satisfação de interesses privados suscita, frequentemente, confiitos de negação é també m um a maneira de pressão para superar uma situação.
v ' 0 pont o de partida desta construçã o é o imediat o (as questõe s merament e
interesses^ mesm o interno s aos grupos , qu e pode m chega r a violento s antagonismos . A iransfcrencia
da autoridade pública ou institucional para as 'bases' pode , nesse sentido, torna r insolúveis esses tipos de «.omunitárias e corporativas) para atingir o mediato, as questões politicas mais gerais.
conflitos. Pode. ainda, favorecer a criação ou o fortalecimento de grupos herméticos, fechados ao diálogo •> Para indicar esse salio, Gramscs cunha o conceito de catarse - processo pelo qual
e à aliança, com dificuldade de articulação co m o conjunt o da sociedade, dificultando o aproveitament um a cLssc supera seus interesses econô mi co-corp orat i vos e se eleva a uma di mensão
o tias oportunidades políticas". (Baptista, 1987:106 ) universal, s u p er an d o dialettcameutc sua mera particularidade individual ou grupai e
Mtuando-se ao nível do sujeito consciente da história." (Baptista, 1 9 8 7 :1 0 7 )
24 M Y K r A iL V K R A S li AI' TI S I' A

AÇÃO

A instancia da ação rcfcre-se às providencias que transformarão


em realidade o que foi planej ado. Ao operá-la, cabe ao técnico o
a c o m p a n h a m e n t o da imp lan t ação, o cont ro le c a avaliação qu e
r e a l i m e n t a r ã o o ciclo de p l a n e j a m e n t o , de a c o r d o co m as
perspectivas da política definida.

PARTE 11

TM

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V

O planejamento como processo


tccnico-político

Visto que o Jtiii da ação humana, distintamente dos produtos


finais da fabricação,, nunca pode ser prevista de maneira
confiávelos meios utilizados para alcançar os objetivos
políticos são muitofreqüentemente de maior relevância para
n mundo futuro do que os objetivos pretendidos.
Hannah Arcndt

O planejamento se realiza a partir de um processo de apro-


ximaçõesj que tem como centro de interesse a situação delimitada
c o m o o b j e t o de intervenção. Essas aprox T
imM
ações consubstancia m
o método e ocorrem em todos os tipos c níveis de planejamento. Ainda que
submetidas ao movimento mais amplo da sociedade, o seu conteúdo
específico irá depender da estrutura e das circuns- tâncias particulares de
cada situação.
O desencadeamento desse processo particular de planeja- mento se faz

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a partir do reconhecimento da necessidade de uma ação sistemática perante
questões ligadas a pressões ou estímulos determinados por situações que, cm
um moment o histórico, colocam desafios por respostas mais complexas qu e
aquelas construídas no imediato da prática. Hssas questões estào, via de
regra, aliadas a circunstancias do aqui/agora que surgem principal- mente cm
função de:
28 MV RI AN V KIT A S B A P T I S TA I' I \NKJAMEXVOSOC:]AT. 29

• necessidade de utilizar recursos escassos para a te n d er mente, em diferentes aproximações, uma vez que elas interagem de maneira
grandes problemas; dinâmica.
• necessidade de aplicar recursos excedentes ou de utilizar Este estudo procura fazer uma análise simplificada do processo
eq u ip a me n to ocioso; i >m vistas a uma apresentação didática, d and o forma organizada a
• disponibilidade dc recursos de agências de financiamento; um material co mplexo.
• transferência do poder decisório para novas lideranças; O quadro 1, apresentado a seguir, mostra uma síntese dessa dinâmica.
• necessidade de fu nd a me ntar novos programas.
Quadr o I : síntes e d.x dinâmic a d o process o d c planejament o
Ainda que o planejamento, com o um processo contínuo e dinâmico,
rowL-ssci Racional Fases Metodológicas D o c u m en t a ç ã o
possa ser resultado desses estímulos, a tendência natural c levar à elaboração dc
d ecorren t e (Rc)co'.ttrus'to do ob jet oProposta preliminar
planos, programas ou projetos ocasionais, de prazo limitado, se não forem
acompanhados pela adoção consciente
Kstudo dc simaçi o Kstabclccimento Diagnósticos
da ação planejada como política permanente de intervenção. Portanto, Reliexao dc prioridades
a decisão de planejar, como observa I-afcr (1970), c uma decisão política que Propostas alternativas Ivsmdos de viabilidade
pressupõe alocação de recursos para sua realização. An t ep roj et os

Assumida a decisão de planejar, o movimento de reflexão- decisão- Kscolha dc prioridade Planos


Decisão Kscoilia dc alternativas Programas
ação-reflexào que o caracteriza vai realizando concomitante- mente as Definição dc objetivos e metas Projetos
seguintes aproximações: I iiiplcmçiitação Roteiros
Implantação Rotinas
• co n s tr ução /r e co ns tr uç ão do objeto; Ação
Uxceução TM N o ri n a s / M a mi a: s
• estudo dc situação; Controle Relatórios

• definição de objetivos para a ação; Retorn o da Avaliação Relatórios avaliativos Novo s


rsMlcvào Retomada d o processo planos, programas e projetos
• formulação e escolha de alternativas;
• mo ntage m de planos, programas e / o u projetos;
• implementação;

• implantação;

PDF Editor
• controle da execução;
• avaliação do processo e da ação executada;
• retomada do processo em um novo patamar.
Emb ora essas aproximações se apresentem neste trabalho em
sua sequencia lógica, contínua e dinâmica, na prática, esse processo
nem sempre se mostra nitidamente ordenado. Muitas vezes, meto-
d o lo gicame nte, o planejador desenvolve atividades, simultanca-
Construção/reconstrução do objeto:
sobre o que planejar

A miúdo, a simples colocação dc um problema é muito


mais essencial que a sua solução, tjtte pode ser apenas uma
questão de habilidade matemática ou experimental. Fazer
novas perguntas, suscitar novas possibilidades, ver velhos
problemas sob um novo ângulo são coisas que exigem itua-
jf in a cão criadora e possibilitam verdadeiros a d ian ta m e ti tos
tia ciência.
Albert Einstein

TM
C) o b j e t o do planej amen t o da int er venção profissional c o
segmento da realidade que lhe é posto como desafio, é o aspecto
<ieterminado de uma realidade total sobre o qual ira formular um
co nj unto de reflexões e de proposições para intervenção. Sua cons-
trução e reconstrução permanente ocorrem a partir da localização
da questão central a ser trabalhada c das ideias básicas que nortearão

PDF Editor
o proccsso.
Na medida cm que a realidade social c dinâmica e, também,
que o processo para apreendê-la sc faz por sucessivas aproximações,
não existe um m o m e n t o no qual se possa dizer que sc tenha
perfeitamente delineado e delimitado o objeto da intervenção: cie vai
se construindo e reconstruindo permanentemente no decorrer de toda
ação planejada, em função dc suas relações com o contexto que o
produziu, sendo modificado e modificando-0 permanentemente.
32
MY4UAN VKRAS BAPTISTA RI \XI-J AM EXTO SOC:AI. 33

Nesse p r o c e s so de c o n s t r u ç ã o , t e n d o po r o b j e t i v o a Essa polaridade, de certa forma, coloca muitas vezes o profissional


explicitação e a superação dinâmica do objeto, o planejador vai perante o que parece ser um falso dilema : atender
ap ree nd e nd o suas diferentes dimensões e detectando espaços de .1 demand a tal com o cia sc coloca, o que , para ele, significaria voíocar-se
intervenção que irão per mitir uma ação mais efetiva sobre a do lad o do empregador ; ou desenvolver trabalhos
problemática c, a partir de sua problematização, sobre as questões
: n sinto nia com os reclamos da p o p u l a ç ã o d e m a n d a t a r i a dos
qu e o d eterminam. São referências para esse mo vimento: a área dc
erviços, de costas para a instituição, o que caracterizaria seu
interesse (de demanda), suas determinações c a dinâmica dc sua
p o si cio na me nto do lado da p o p u l a ç ã o u s u á r i a . Este é um falso
conjuntura; o âmbito da reconstrução, seus limites e possibilidades;
dilema na medida cm que apo nta para a negação pura e simples
a visão de mund o c os estereótipos das pessoas que ocupam posições
da co ntr ad i ção inerente à prática profissional, d i c o t o m i z a n d o -
no sistema de relações sociais ligados à área de interesse; c o conhe-
.i. Co m essa posição, o profissional estará simplificando o enfren- iament o
cimento acumulado e cm processo sobre a questão.
de algo que é complexo. Na dinâmica contraditória da
Na prática, a (rc)construção do objeto da ação profissional é
.u ca social em qu e opera - que tem, por um lado, as exigências
um p ro ce s so qu e envolve o p er a cio n al izaç ao das d e m a n d a s
institucionais, das pressões dos usuários c das decisões profissionais. da o rd e m institucional e, por o utro , os r e q u e r i me n t o s daqueles
Uma vez que intervenção c o planejamento da ação do profissional qne sofrem as conseqüências das relações sociais hegemônicas
sc realizam primordialmente nas instituições, c a demanda institucional o dilema não está em optar por qual dos lados atend er, se se
decide por um ou o u tro , mas em ter a capacidade de atend er as

PDF Editor
o ponto de partida e o ponto de referencia para essa construção e para
o planejamento da intervenção. Isso não implica a redução da decisão d e ma nd a s que lhe são colocadas, sup erando as co ntradições. N ã o
c da açào aos limites institucionais, mas o reconhecimento dc que essa s e trat a d e a c e i t a r o u n e g a r m e c a nTi cM
a m e n t e as d e m a n d a s
d e ma nd a pode potencializar a abertura dc novos espaços para institucionais nem dc assumi r ou "forma r trincheira " junt o com a
enfrentamento concreto da questão a ser trabalhada. população. Qualquer dessas respostas optativas poderão levar a uma ação
Ao iniciar seu trabalho, o profissional, freqüentemente, se distanciada do real. Trata-sc de rc-cstrutura r
vê diante de uma polaridade: o seu empregador , qu e o solicita essa demanda , mediando interesses diversos, numa determinada
com uma d emand a específica, originada nas políticas e estratégias direção ético-politica, o que significa re-construi r o objet o da
institucionais, no sentido dc uma açào sobre uma situação defi- intervenção.
nida co m o p rob lemática; e as pessoas, para as quais a q uestão c A a c u i d a d e tio p ro fi s s io n al da p rática, qu e tem qu e
uma parte de sua vida e que vêm buscar o recurso disponibilizado enfrentar essa situação, vai lhe mostrar que nem sempre o obj eto
para enfrentá -la, as quais, na sua maioria, não têm acesso ao é rigid ame nte i mp o sto nem os meios são inteiramente limitados
recurso ne m à decisão sobre as medidas para e n f r e n t a m e n t o da e, p rinc ip a l me n te, que os fins podem ser recolocados. Imp õ e -
q uestão e sobre os critérios de incl usão /excl usão para u s u fr u t o se, p o r t a n t o , que reelabore a d e ma nd a , o o b j eto , de mod o a
d aq uele recurso. desenvolver um trabalho que venha a valorizar princípios que
M MVRHVK VEKAS BAPTISTA I" I \ N I . ; A U K N T O S O E TA I 3r»

V
procurem superar a exclusão social, a discriminação c o não aten - dimento li u ma, instrumentadores c orientadores de suas percepções e da elaboração
aos direitos sociais11 . de suas respostas.
Essa reelaboração se faz cm um movimento que tem como Deve ter presente também que esse planejamento se realiza
po nto dc partida e ponto de referencia a demanda do empregador, . m uma realidade complexa12 , em um determinado moment o histórico, cm
que passa a ser operada cm uma interação intersubjetiva com as uma organização específica, na qual as práticas, o
demandas dos diferentes agentes - usuários dos serviços, técnicos, .m anjo dos acontecimentos são produtos do imaginário instituintc
dirigentes, etc. Nessa interação, novos elementos vão se configu- que, atém da capacidade de representação, tem também a capacidade
rando, em diferentes momentos, p o nd o em relevo novas dimensões dc invenção e mudança. Deste modo, a rc-elaboração da demanda
do objeto, tendo por base um conhecimento cada vez mais amplo lera como referências preliminares as características dessa organi-
e aprofundado da questão. zação e a conjuntura histórica na qual a demanda ocorreu. A com-
A posição do planejador ante essas demandas deve ser de preensão ingênua do significado dessas questões pode levar à
d e s o c i i l t a m e n t o / d e s m i t i f i c a ç ã o / d c c o d i f i c a ç ã o , de mo d o a defasagem entre a intencionalidade do agente e o conteúdo objetivo
apreender, implícita nelas, suas dimensões mais concretas. Se dc sua ação, o que vai , 1 car prejuízo nos resultados efetivos de
pretend e elaborar essas demandas, r eco nstruindo o o b j eto de Mia intervenção.
sua ação, precisa compreendê-las, entend end o também as múlti- O processo reconstrutivo do objeto se assenta, portanto, sobre
plas formas como elas são percebidas e vivenciadas (representa- percepção de que as questões tratadas na prática se colocam em

PDF Editor
ções) pelos seus agentes, desmitiiicando as ideologias que lhe níveis d iferentes de apreensão e de intervenção - do campo das
serviram dc gênese. Deste mo d o , o respaldo de novas propostas microinterações ao das relações sociaisTmM ais amplas - e q u e a
é a s s e n t a d o no c o n h e c i m e n t o dos s uj eito s e n vo l vid o s na ação dc seu âmbito interventivo não significa o abandono ou
d emanda e de ssuas circunstâncias. desqualificação da questão colocada pela instituição, mas a sua superação.
Para isso, o profissional precisa, de partida, se preparar para a A demand a institucional imediata, via dc regra, se refere
interlocução com esses sujeitos, conhecer suas representações, seus
sistemas e valores, suas noções e práticas, os quais são, de certa nível mais baixo das necessidades c do planejamento da ação
M)brc as mesmas. As respostas restritas a essa demanda dificilmente

11 "li importante assinalar que se, jn>r um lado, a instituição lem o mon opó li o do
objeto e dos recursos institucionais, se é cia que define o significado objetivo do papel 1 l\*sa complexidade ê ainda maior se tivermos cm conta, conforme aponta Matus (r/i
do profissional e a expectativa que exiue com r e l a t o a ele [e, ainda, se c o usuário dos I lerias, 1995), que cada silnação condiciona o ator a a ação e que a ação e a situação
serviçose recursos irwiiiiitionjis que legitimaesse serviço e a aplicação desses recursos}, - informam uma totalidade complexa com o ator, sendo a situação distinta para cada
por outro lado, é o modo particular, subjetivo, como o profissional elabora o sua .ilor. A fornia como estes se relacionam permite entender a maneira pela qual cada ator deliiK e
situação na instituição [e constrói suas relações com o usuái io|, estabelecendo a ordem delimita a situação, ou seja, como lé e explica a realidade cm função dc .soa intencionalidade. A
de relevâncias para enfrenta mento das situações, que vai dar o sentido ao seu trabalho." ação de cada ator deve levar em conta não apenas a situação em
(Baptista, 1995:113) . .IU-?.!, mas outras situações simultâneas, e as diferentes açòcs dos diferentes atores.
36 M V RI <\»VV E RAS B A f VISi'A I'! \Nl:rAMENTO SOCI.M 37

V
configurarão ação efetiva, uma vez que não produzirão grandes modificações 1 .uior das suas percepções c da sua elaboração de respostas. Esta
e tenderão à manutenção da situação nos níveis mesmos cm que cia sc intervenção (que é uma intervenção técnico-social) tem um sentido
apresenta. Só sc pode falar em ação profissional efetiva quando diferenças '.i- resposta que um sujeito coletivo (uma categoria profissional)
substanciais são alcançadas, não apenas no nível dos indivíduos com os quais engendra diante dos desafios, das situações que lhe são postas no
se trabalha diretamente, mas também nos outros níveis das relações sociais 1 xercício dc suas funções, definidas historicamente na divisão social
e de sua expressão em face do segmento relacionado à situação tomada como do trabalho.
problemática. Deve-se ter presente, no entanto, que este nível dc demanda No espaço que sc situa no nível da rede institucional e da
corresponde a necessidades que precisam ser atendidas e que devem ser rede de apoio in fo r ma l, dos grupos c dos segmentos da sociedade
tomadas com o referencias para a abordagem dos demais níveis. envolvidos com a questão central de preocupação, a ação pode
O espaço ao alcance da ação profissional no cotidiano da instituição .idquirir uma agilidade tal que permita ao profissional ter diferentes
configura um nível privilegiado cm que o profissional pode e deve exercer interlocutores, seja nos grupos populares, seja nos meios acadêmicos,
influencia e produ/ir mudanças. Nesse espaço, movimentam-se os demais •eja no âmbito político-govcrnaivieiual e/o u das instituições que estão
agentes institucionais, os usuários, suas famílias e colaterais, etc. O uso desse implementando programas na área de interesse.
espaço tem limites - pessoais, conjunturais, institucionais {função, No nível das relações estruturais da sociedade, evidente mente, nem
responsabilidade, âmbito) - determinando as mudanças/transformações que o sempre o assistente social pode ultrapassar os limites loUxados pelo âmbito
profissional tem condições de realizar". C) trabalho nesse nível exige o de sua intervenção, mas pode dcsocultá-

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conhecimento da visão dc inundo c dos estereótipos das pessoas que ocupam los. Nas palavras do Dr. José Pinheiro Cortez, em palestra proferida
posição no sistema dc relações sociais ligado à área de interesse. No caso cm o u t u b r o de 1990, "conviver com a rT e aM
l idade não significa ser
dos "habitantes das estruturas", tem-se que enfrentar seu x • mivente com ela". Entre outras coisas, um ponto a ser refletido é que a
mudança social, efetivamente revolucionária, ainda que se situe no âmbit o
politico, realiza-se não apenas em termos da mudança das estruturas sociais
constituídas - onde sc exercem as
pensamento real, conhecer suas representações sociais, seu sistema relações de força, os conflitos de filiação e de interesses como também não
de valores, suas noções e ações relativas a objetos e práticas, na medida em dispensa um investimento no sentido das práticas cotidianas, dos
que estas representações lém caráter tanto estabilizador do quadro da vida microacontecimcntos, capazes dc questionar o conhecimento constituído,
dos indivíduos, quanto instrumentado!* e orien- interrogando-o sistematicamente pela prática c pela teoria.
Em síntese, a reconstrução do objeto profissional efetua um tríplice
1' O iij<> exclui a necessidade de .^<>cs ifogdiatrtt, de estabelecimento<fc rot inas - movimento: de crítica, de construção de algo "novo" c de nova síntese no
qu e , m es m o estas, c o m e m referências . 1 cons ci ência e são s empre acos de
plano do conheciment o c da ação em um
i n t en ci on ali d ad e que aUrcm espaço paiv. forcas, tcndciickis, objetividades e explicitam
,is objecivaçôcs.
3 8 M Y K U N V K R AS B AT T IS TA
1
V
mo vi mento que vai do particular para o universal e retorna ao
particular cm o utro patamar, d esen hand o um m o vi men to qu e
traduz a relação ação /conheci mento .
Ao re elaborar o seu ob j eto , o planejador constrói um
co nhecimento : o próprio processo de desocultamento das relações
que determinam a estrutura das situações é um exercício dc re-
elaboração dinâmica dos conhecimentos acumulados e cm processo
Estudo dc situação
acerca do objeto. E fundamental nessa construção a apreensão que
o profissional fez do real imediato sobre o qual trabalha. O próximo
item, que trata do estudo dc situação, vai se deter nos procedimentos
para esta apreensão.
O estudo de situação consiste na caracterização (descrição
interpretativa), na compreensão e na explicação dc uma determinada
situação to ma d a co m o p ro b le m a para o p l a n e j a me n t o e na
determinação da natureza c da magnitude de suas limitações c
possibilidades. Com o mo me n to do processo de planejamento, é
caracterizado pela investigação e pela reflexão, com fins operativos
sentid o pr ogr amát i co : "sua finalidade éTd M
e finir lima situação co m
vistas à intervenção, não simplesmente dar respostas dc caráter
leórico" (Junqueira, 1971).
No cotidiano da vida profissional, que se dá cm uma realidade
dinâmica, o estud o dc situação configur a um conjunt o de informações,
constantemente alimentadas e processadas, as quais s;- con s titue m cm

PDF Editor
subsídio s permanentes1 '1 não apenas para decisões referentes às situações
enfrentadas, mas também para ampliar a capacidade argumentativa da equipe
cm sua interlocução com as diferentes instancias dc poder abrangidas por
sua ação.

11 Subsídios esles tjnc lhe permitem loc.ilizar, cuinprecnder, explicar e prever vendcnci.is

li- lima siui.iyão com o um tod o c de c.itfa um de seus aspectos; c acu mu lai elementos
dc juízo qtic p ermit am esboçar hipóteses alternativas viáveis dc intervenção.
•10 Myrt?.M VERAS BAPTISTA I'l ANIiJAMKNTO- SÓCIA I.
41

V
Parte-sc, p o r t an t o , de um esboço, dc um a i magem ainda Desse modo , o planejamento que pret ende promover condições que
bastante caótica do objeto1-"1 que vai sendo progressivamente substituída conduzam a mudanças significativas, não apenas na singularidade do seu objeto,
por apreensões, ao mesmo t empo, cada vez mais precisas c cada vez mas na particularidade da situação da qual é parte c na universalidade das relações
mais complexas. O processo dc reflexão sobre a realidade, deste modo , sociais, deve necessariamente procurar superar os limites do enfoque situacional
vai incorporando novos elementos, alcançando novas descobertas. É adotando uma visão nã o reducionista ( Testa, 1989), no sentido dc entender que a
com o sc a realidade fosse sc t o rnand o mais rica, mais complexa, mais situação específica, objeto de planejamento, não pode ser tratada de maneira
viva: retendo muito do que havia no começo e recriando no decorrer •.solada de seu contexto social e que as propostas que digam respeito a
do percurso. Nessa perspectiva, o estudo dc situação se faz por estruturas parciais só podem adquirir condições de abrir caminhos
aproximações sucessivas ao objeto: a progressão c feita cm patamares, para mud an ças mais amplas desde que co n t emp lem implicação e
abrindo, a cada passo, novos horizontes. articulação com propostas que visem a mudanças na sociedade.
Hssas aproximações têm co m o referencia a i n t e n c i o n a l i d a d e Nesse sentido , paiitando-sc po r Mattelart (1968 ) c sua equipe , ma s
c o n s t i t u i n t e cm relaçào à ação que deverá subsidiar. Kssa inten- ampliand o o âmbit o de exigência , pode m ser considerados com o objetivos do
cionalidade, que é o verdadeiro mo to r da co nst ru ção do o bj et o ,
estudo de situação:
i n t ro d u z um viés p a r t i cu l a r , con creti zado nas cat ego ri as o r gan i -
•> a configuração do marco de situações ou dc antecedentes, acompanhad a
z a d o r a s da informação qu e se vai processar (Testa, 1 9 98 ), qu e faz
dc análise compreensiv a e explicativa dc suas determinações;
co m que alguns aspectos sejam dest acados cm t er mo s dc sua
• a iden tificaçã o sistemática e c o n t í n u a de áreas críticas e de
importância para a análise do real e para a co nst ru ção de uma pro- TM

PDF Editor
necessidades, a que se pod e acrescentar, ainda, de o p o r t u n i d a d e s c
posta programática d et ermi nad a.
de ameaças;
Quand o a intencionalidade 6 a mudança, é importante ter presente que,
para que ela ocorra, c necessário conhecer com o sc engendram e com o sc • a d et ermi nação de elementos qu e permitam justificar a ação

estruturam as diferentes instâncias de pode r - porque é aí que se encontra seu eixo. sobre o o bj et o ;
• o estabelecimento de prioridades;
Portanto, a análise procurará perceber com o se conforma o poder na situação
estudada, quais as
mudanças necessárias, quais as possíveis e quais as estratégias adequadas

para consegui-las. Ao tratar da questão do poder,'l est a (1989 ) lembra • a análise dos in s t ru men tos c técnicas que pod e m ser ope-
que o poder sobre um determinado setor não c necessariamente uni rados na ação;
poder que sc encontra no setor, o que exige o planejamento de uma • a indicação de alternativas de intervenção.
ação na qual mud aras relações de poder d en t r o do setor tem t amb ém Arman d Mattelart e equipe acrescem ainda, com o condição de
a intenção de mudar essas relações fora do setor. objetividade e qualidade do estudo de situação, que sua realização se opere po r
equipes multidisciplinares, um a vez que geralmente os problemas dc que trata
Esta imagem c estas apreensões csiào imp regnad as da vis.ii) de m u n d o do grup o não são exclusivos de um a única área disciplinar.
profissional qu e efetua .1 prática c de sua intencionalidade., a qual, muitas vezes, se
mostra coiitradii órLi c até mes m o antagónica.
42 43
M | R F W V K R AS KAPV I S T A
I*!ANI T.VMF.NTOSOí.lAl.

V
E mb o r a accirando a afirmação de que "o co nhecimento e a Desta maneira, considerando o planejamento um processo que se realiza
co mpreensão de uma realidade, ( . . . ) ganha cm precisão na medida em uma realidade em movimento , o estud o dc situação deverá ser considerado
cm que o númer o das variáveis dc análise se amplia" (Baptista, sob a perspectiva dc um conjunt o dinâmico dc informações, constantement e
1971), a consideração dc que o estudo dc situação na área social alimentad o durant e D processo. Esse conjunt o de informações deverá se
pode assumir abrangência quase ilimitada (o que viria a onerar o constituir em insumos permanente s para o planejament o da ação: para
custo da pesquisa e ampliar os prazos dc sua realização) leva o localizar, compreender, controlar e prever tendências da situação com o um tod
planejador a delimitar os aspectos a serem analisados, considerando o e dc cada um dc seus aspectos; para fornecer elementos de juízo qu e
prioritariamente aqueles tidos como básicos para a co mp reensão permitam, esboçar hipóteses alternativas
da problemática c para a sua ação 16 . Dentre esses aspectos prioritá- viáveis dc intervenção.
rios, nào deve ser descuidado o co nhecimento das relações de poder A percepção do estudo dc situação co mo um processo em
e das diferenciações ideológicas 1 7 , e mb u t i d a s no processo que mo vi mento permite conceber suas diferentes aproximações, nas
co nfo r ma a questão focada. quais o p la nej ad o r tem o p o r t u n i d a d e de c o n fr o n t a r , co m os
Essa delimitação dos aspectos a serem analisados c, ainda, a diferentes dados da realidade que co mp õ e m os novos patamares
estratégia adotada para realizá-la irão depender de diferentes fatores, dc apreensão, suas idéias, seus valores e os co nhecimento s que vai
dentre os quais: adquirindo, assumindo co nseq üente mente, em cada mo me n t o do
a) a competência do órgão executor e / o u planejador e / o u proccsso, novas posições em relação ao seu objeto.
financiador do planejamento; Desse m o d o , o e s t u d o de situaç ão consiste na reflexão, na
b) o volume c a qualidade dos recursos disponibilizados, os
TM
co mp reensão , na explicação e na expressão de juízos ante os dados
prazos previstos, etc. dc realidade apreendidos, cm relação ao seu co nj unt o e a determi-
c) a matriz teórica que norteará a análise 1 ". nados aspectos especiais.
O estudo dc situação sc configura tendo por base as seguintes
"A grande <Iilicul4l.uk desta lasc é deliu ir o que conh ecer 0 ate que detalhe, pois irâo aproximações:
sc trota dc pesquisa p u ram en t e csj>cculativj. O processo precisa con t in u ar, o fim do
planejament o e intervir, c do conheciment o tia roo lutado à intervenção há muit o que
fazei. " { LAMPARU!.1.1 , s / d . )

PDF Editor
17 lvin relação a essa qu est ão, Matus , em entrevista con ced ida a Franco I luertas ( 1 9 9 6 ) , • levantamento de hipóteses preliminares;
cunh a o con cei t o de cálculo interativo, co m o Sentido dc perceb er diferenças c atribuir
• construção de referenciais teórico -prátieos;
corret amen t e a cada participante do processo as diferentes explicações, verificando sua
consistência. Considera que sc se ignora a explicação do out ro , ou se sc lhe .".tiibui a • coleta dc dados;
i1o*sa, não se cons egu e ser um bo m estrategista: ns decisões do out r o vão se pautar na
sua interpretação da situação c o lance mais eficaz qu e sc possa fazer vai d ep end e r não
• organização e análise: d c s criç ão / i nterp ret ação /co mp r ce n -
apenas ilo que nó s façamos, mas do que o out r o fizer são/cxplicação dos dados obtidos;
' * Michel Lòwy (1985 ) no s ensina qu e observar a realidade significa ver "e m perspectiva", perceber
algumas coisas e não outras, o qu e deriva dc um pont o dc observação localizado no context o histórico c • identificação de prioridades de intervenção;
social e a partir de um estilo de pensamento: visão ideológica ou utópica. • definição dc objetivos e estabelecimentos de metas;
• análise de alternativas dc intervenção.
44 MV*I.\N VER A S IÍAI-VISTA. I• I AS"I:J A M E K T O S O C I A I . 4S

V
1 ,FARANTA.MENTO DR HIPÓTESES PREL1M1NARES

V
ri5
v> >
o Quand o s e decid e um a intervençã o planejad a e m um a
cL Í-» Y £ I—1 determinad a realidade , sã o adotado s deliberadament e certo s
"0 V.
•U. ir/s; V»
w -O V
~ ú 2
r C i- 'n n •cxíz A, pressuposto s (aind a qu e muita s vezes dc maneir a " v r ''cita)
</I " \rt
--3 £ \ rS • — acerca das causas das questõe s qu e apresent a c dc seu desen - volvimento . O estud
j
s
RT
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g- 8 I- irz
o ~E/*-. ~ v. tt> cz O o d e situação , portanto , te m início n a formulaçã o dessas hipótese s basicas, qu
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I

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CO .2 y for t
ri ~~Õ e norteia m a coleta de
w /Sf t<
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«v, .2^ U 3 O ' ~ r- informaçõe s e o seu processamento .
C
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" ^IT ^v: <•5
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cL rt 3 r? CL. -J
O~ Hssas h i p ó t es e s p r e l i m i n a r e s de c o m p r e e n s ã o e de explica-
.5 I Cu
. S o >n
çã o da s i t u a ç ã o e as de p o s s i b i l i d a d e s de i n t er v e n ç ã o são , fre-
O q ü e n t e m e n t e , l evan t ad as a p art i r de um ref er en ci a l j á e x i s t en t e ,
*T3
cí r e l a c i o n a d o à s i tu ação a b o r d a d a , aind a qu e ao s enso c o m u m a
73 res p ei t o da real i d ad e c às i n f o r m a ç õ e s relativas ao â m b i t o , ao
V> • — nível e ;N es t ra t é gi a i n t e r v e n t i v a da i n s t i t u i ç ão p r o m o t o r a do
O
6 C O o O
O 'rs c
•-^ .rs planejamento .
in
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Cl, g- Esses e l e m e n t o s irão p e r m i t i r um a análise s o b r e os f ato res
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*3 . " 5 p r o b l e m á t i c a ( r e l a c i o n a d o s a o s i n dT
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íduos q u e o vivcnciam, à
u=: •"c*: cs i~- rs C
c: rs y d-
d rs c o O .v situaçã o específica vivenciada , à infra-estrutur a instituciona l existente ) e sobr e a s
cs T3
75 "O conjuntura s sóci o histórica s qu e o s determinam .
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T! 5. ÍÍ
46 MrfctA>N V E R AS HAPTISTA I' L A N F . J A M E J C T O SOC1AI. 47

\
n o r ma t i v o s 1 9 ass u mid o s pela equipe planejadora, pela insti- gestados por diferentes matrizes teóricas, proporciona um saber
tuição c pela 'açào envolvida no processo. eclético, norteado muitas vezes por intencionalidades conflitantes.
Para que haja uma ação efetiva sobre uma situação, é Nesse sentido, o desafio posto para a apropriação desse complexo
preciso co nhece -la co m o um a totalidade qu e tem d iferentes de saberes será o de, a partir de uma crítica teórica, reconstruí-lo,
d imensões e se relaciona com totalidades maiores. Uma mesma superando seus limites e estabelecendo uma nova coerência que
q uestão apresenta dimensões políticas, filosóficas, sociológicas, tenha por eixo a matriz teórica assumida pela equipe planejadora.
ecológicas, demográficas, institucionais, ctc. Isso significa que o Isso significa que, mesmo que não esteja explicitada, '.iá sempre uma
seu conhecimento exige uma abordagem dc ordem rransdisciplinar 20 teoria orientando o recorte que o profissional faz da realidade e o
o que d ema nd ar á diferentes tipos dc c o n h e c i m e n t o s e de mod o co m o este delineia sua açào. É essa teoria
pesquisas, que nào sc limitam ao específico da ação profissional. •:uc lhe possibilita formular seu esquema de análise trazendo lhe referencias,
Portanto, para a configuração do objeto é essencial que seja realizado supostos, concepções amplas, fornecendo lhe a chave explicativa que lhe vai
um rastreamento do saber acumulado, e em processo, sobre o mesmo através permitir apreender a realidade e instru- mentalizar o seu diálogo com cia.
de levantamento dos conhecimentos teóricos, das generalizações e das leis Se esta teoria for de cariz transformador, via de regra, há que se
científicas desenvolvidos em relação aos diferentes fenômenos sociais, estabelecer uma relação dialética - de negação e superação - entre a teoria
culturais, psicológicos, social c o conhecimento científico que se quer apropriar, tendo em vista
;* ''.'cos, econômicos, etc., que o influenciam ou motivam. Através desses superar a parcialidade c, por vezes, a nhistoricidade desses
conhecimentos. E uma retomada do saber construído naquilo que

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estudos podem-se detectar ponderações extremamente relevantes do ponto
de vista prático para o planejamento e, ainda, identificar princípios e ele significa de ampliação do conhecime T nt oMde sociedade, ou da açào,
conceitos referentes no objeto e categorizar necessidades e aspirações com dando-lhe uma dimensão de totalidade e uma dimensão histórica.
ele relacionadas. Desse modo, fica evidente que a perspectiva da mudança que
Cab e l e mb r ar , no e n t a n t o , que a ap ro p riação desses irá nortear o planejamento exigirá um tipo dc conhecimento que,
conhecimentos nào pode ser mecânica, uma vez que os mesmos q u e b ra n d o a visão manipuladora, instrumental e imediata da
tem a abrangência e o limite da teoria social que os gerou: o
estabelecimento de uni quadro que agrupa conhecimentos diversos, objetividade que se pòe necessariamente nas relações sociais, dê
conta, simultaneamente, do real sensível e das contradições nele
|,J Nesse proccsso sào considerados com o padrões c valores normativos aqueles que inerentes. Nesse sentido, as categorias centrais que norteiam essa
estejam associados a fundamentos lilosólicos e éticos; enquanto .s.io considerados padròcs
e valores instrumentais aqueles de ordem pragmática qu e condicionam ou sugerem as apreensão são as da totalidade e da historicidade e, naturalmente,
modalidades da t»s'ão. da co ntrad ição , p orq ue esses co nh eci me nto s sen do parciais têm
; ' O con h eci ment o iransdisciplinar é aquele qu e lan^a mão de conh eciment os das

diferentes disciplinas c. não sendo propriedade de nenhuma delas, as supera criando uma co n trad ição intrínseca ao permitirem a apreensão dc parte
um c o n h e c i m en t o novo, tendo com o referência uma t eoria social que ilumina do real e, ao mesmo te mp o , ocultarem as relações essenciais
(tnodiliçando) os conhecimentos construídos a partir dc outras perspectivas, d and o-
lhes uma nova dimensão. que o d e t er mi n a m.
1 M AS RI AMENT O SOCIAI.
M Í H I A K VJ-RAS BAPTISTA
4 8
1

colocados, não existindo, portanto, sem um quadro de referencia.


Os conhecimentos que compõem o referencial do planeja-
Quanto maior a distância entre os conceitos e os fatos empíricos,
mento devem sc apoiar em base empírica, dc forma a permitir a
maior a importância de que sua formulação seja acompanhada de
dedução dos elementos significativos para a análise do contexto
uma cxplicitaçàocm termos operacionais. Portanto, operacionalizar
social em foco e a detecção de pressupostos que levem à apreensão
conceitos significa compatibilizá-los a um marco de referencia, tendo
do fenô meno e das experiências correlacionadas com a hipótese
em vista sua posterior utilização prática.
principal, de forma a compreender e reelaborar a demanda c subsi-
Para o planejamento, a importância da operacionalização dos
diar opções relacionadas à ação.
conceitos está no fato de propiciar:
Há que se ter presente a proposta dc Boaventura Souza
• um marco de referencia para a ação;
Santos ( 1 9 8 9 : 2 6 - 3 1 ) , q u a n d o trata da d e sd o g ma ti zaç ão da
• a coleta c o registro de dados empíricos;
ciência, de que devemos co mp r eend er a ciência co mo prática
• maior precisão à descrição e à interpretação de dados;
social de co nheci me nto , como tarefa que vai se cu mp r i nd o em
• maior facilidade dc comunicação entre especialistas, entre
diálogo com o mu nd o c que é afinal fund ad o nas vicissitudes,
.» equipe planejadora c a população, c entre estas e a instituição,
nas opressões e nas lutas que o co mp õ e m. Boaventura aponta
co m o princípio para essa apreensão a idéia de que o objetivo possibilitando a interpretação do s conceitos expressos sem ambigüidades.
geral da ciência está fora dela: é democratizar e apro fundar a Para a operacionalização dos conceitos que configurarão
sabedoria prática, o hábito de decidir bem. o objeto do planejamento, parte-se de uma observação ampliada
da q u e s t ã o em f o c o e do es t u d o da li ter atura a ela relacionada.
Esses estudos deverão ser organizados com a simplicidade e TM
Esta observação e este estud o permitirão detectar os diferentes
a clareza suficientes para a sua verificação quando confrontados
com dados concretos dos fenómenos sociais. Para tanto, há que sc elementos que identificam a questão, o mod o com o cies se estruturam c
fazer uma operacionali/.ação dos conceitos trabalhados, que sua dinâmica.
A construção de um sistema de indicadores sc faz pela
fornecerá as bases para a construção de um sistema de indicadores
decomposição desses elementos identificados como relevantes para
para aferição dos fenômenos ligados à situação.
A operacionalização dos conceitos procura estabelecer uma
o co nceit o em aspecto s observáv eis empiricamente, quantificáveis

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relação entre os componentes da situação não diretamente
e escalonáveis quanto à sua força relativa no contexto da questão.
observáveis com elementos passíveis de observação direta. Consiste
A pesquisa empírica desses indicadores permite a mensuração dc
na identificação de um conjunto de elementos que representam
dados concretos de realidade, isto é, o alcance dos índices dos indicadores. F r
esses componentes e de indicadores que permitam sua observação
e q ü e n t e m e n t e , esses índices são medidas relativas que configuram a incidência
empírica, a coleta e o registro dc dados, buscando sua utilização no
dc uma determinada ocorrência ante um universo dado. Nesse sentido, o
planejamento. Por serem construções do pensamento realizadas
índice informa em que proporção aquele indicador incide na realidade
com base cm conhecimentos adquiridos sobre a q uestão , os
observada.
conceitos adquirem significados dentro do esquema em que são
5 0
MVJU.A N VERA S BAPTIST A
1 1'; A X K I A M K N T O S O C I . M 51

V
C) co nj u n t o dos índices é que irá fornecer a dimensão quan-
As fontes de informações são diversas: observação direta, documento s
titativa do fato pesquisado. No en tan to, para a análise desses dados
oficiais, artigos de jornal e de revista, depoimentos, reuniões co m usuários,
há que co n f ro n t á -l o s co m p a r â m e t r o s : padrões indicativos das
reuniões co m técnicos e especialistas, pesquisas dc campo, pesquisas dc dados
possibilidades de variação de proporcionalidade incrísccas a cada
secundários, etc.
aspecto es t u d ad o c de seus significados. Hsses p arâ m et ro s sào
A coleta de dados, cm geral, inicia-se por um a aproximação preliminar
ob tido s através da acumu lação e da universalização dc informações
exploratória que busca levantar informações qu e irão compor um primeiro quadr o
sobre o c o m p o r t a m e n t o dos indicadores cm diferences espaços
de situação geral. O planejador deverá, primeiramente, inventariaras informações
geográficos e conj untu ras históricas. disponíveis e programar investigações e pesquisas dos aspectos que parecerem
Na med id a em qu e os p arâ me t ro s derivam da n at u re za obscuros ou qu e necessitem de maior aprofundament o para embasarem as
específica de cada aspecto analisado c dc suas possibilidades concretas primeiras tomadas de decisão.
perante as particularidades da situação, eles devem ser ad equ ado s à lússc es tu do preliminar apóia-sc basicamente em material já
co n j u n t u ra da realidade estudada. existente (estatísticas, estudos, planos, relatórios, mapas), no exame
lísses parâmetros irão determinar: crítico desses dados secundários, na observ ação assistcmática direta,
• o mí n i mo estimado, abaixo do qual a situação configura em entrevistas com au t ori d ad es , técnicos c líderes locais e em
um "es tad o de crise"; contatos com a população interessada ou envolvida, na área ou no
• a media de c o m p o r t a m e n t o do indicador: os índices situa- setor em foco. Hssas informações t o ma m por referencia o co nt exto
dos entre o mí n i m o e a média vão co nfi gu rar um " es t ad o de a m p l o , aind a q u e a in terven çã o previst a na maioria das vezes esteja
necessidade"; confin ad a a um campo restrito.
TM
• o máximo alcançável cm função dos recursos: p ro po r - A análise dos dados obtidos nessa aproximação deverá permitir
cionalidade considerada satisfatória na conj u n tu ra. a co nst atação de fatos e de tendências da questão e de suas cir-
cunstâncias, bem co m o identificar áreas que d ema n d e m pesquisas
mais ap ro fu nd ad as, que permitam detectar a natureza e a magnitude
COLETA DK DADOS

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da s q uestõe s m ai s relevantes.
M a n t en d o com o foco central a situação o b j et o do plane- No en t an t o , da mes m a man eira qu e nã o c possível um
c o n h e c i m e n t o co mp l et o de todas as variáveis qu e interferem em
j ament o e com o apoio as hipóteses levantadas em relação à situação
um a situação, no p l an ej amen t o voltado para a área social não c
e as referencias teórico-práticas construídas, deverão ser coletados
e c o n o m i c a m en t e viável, nem tecnicamente desejável, a realização
dados em quantidade e cm qualidade compatíveis com o nível de
prévia de estudos exaustivos de todos os aspectos relevantes da
a p r o f u n d a m e n t o esperado do es tu do c com a estratégia prevista
q u es t ão abo rdada. A coleta dc dados para a ação planejada deverá
para a execução da ação.
se processar cie maneira acumulativa, d u rant e tod o o proccsso,
52 R I ASEJ A M KN TO SOCTAI.
53
MVÇIX*"VERA S BAPTIST A

constituindo um co nj unto dinâmico dc informações. Desta forma, " d éfi ci ts" po r grup o s sociais; d e t e r m i n a r a imp o r t â n c i a dos
a preocupação com a coleta dc dados não se esgota em um deter- diferentes fatores nesses "déficits" - econô mico s, sociais, culturais,
mi n ad o m o m e n t o do p la nej a me n to , mas é p e r m a n e n t e m e n t e demográficos (tamanho da família, migrações, etc.); determinar as
realimentada por observações, infor mações procedentes de novos necessidades futuras - estimativas de volume da população previsível
estudos e pesquisas c / o u avaliações da ação desencadeada. em relação ao problema, fluxos, etc.; e realizar "uma verificação dc
Seja qual for o momento da coleta, os dados buscados deverão valores, atitudes, co mp o rta mento s c aspirações da população com
preferencialmente referir-se aos seguintes aspectos: relação àquela situação" (Junq ueira, 1971).
• dados de situação; As informações obtidas através dessas abordagens são dc caráter
• dados da instituição demandatária da ação; imediato ou mediato . São imediatas as informaçõe s específicas, qu e sc
• dados das políticas públicas, da legislação e do eq uip amento referem à problemática particular cm foco e mediatas as informações
jurídico c da rede de apoio existente; relacionadas às estruturas mais amplas, nas quais a situação em estudo sc
• dados dc prática (interna c externa). insere21 . Nesse processo, o que sc procura é apreender a situação cm sua
totalidade, relacionando dialeticamcntc o imediato ao mediato. Para tanto, as
Dados de situação informações devem sofrer uma crítica que permita o conhecimento da realidade
concreta da situação, que, segundo Florestan Fernandes (1967:XX), "depende,
de mod o direto ou indireto, da precisão com que as instâncias empíricas
O objetivo do estudo dos dados de situação <3 obter uma compreensã o
forem obtidas, expurgadas, verificadas c
mais aprofundada da questão objet o da ação c estabelecer a natureza geral da
problemática. Para tanto, procura traçar sua história c detectar suas coligidas n o processo d e observ açã oT".M
A questão imediata deve ser problematizada, decodificada,
determinações.
de forma a explicitar suas determinações conjunturais c estruturais:
Os dados de situação a serem levantados referem-se à realidade,
para que haja uma ação efetiva sobre uma situação, é preciso
identificada como a questão objeto do planejamento: sua conformação, os
conhecê-la co m o uma totalidade que tem diferentes dimensões e
fatores de ordem social, econômica c cultural sc relaciona com totalidades maiores. Essas determinações nem
que a compõem , seus problemas e suas possibilidades. O estudo

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dev e c onter , assim, elem ento s que permitam tipifica r as situaç ões ,
sempre são claras: é necessário um esforço para situar os aconteci-
identificar os desvios, localizar sinais de transtorno ou crise c situar
mentos e extrair os sentidos possíveis dessas relações, configurando com
os ele me nto s mais relevantes para c o mp r e e n d er sua estrut ura
maior precisão o âmbito da intervenção.
dinâmica e suas determinações históricas.
Sc sc ticar no nível da questão tal com o é posta no imediato
Procura também apreender a dimensão subjetiva da questão: com o
dc sua apreensão, corre-se o risco de não entendê-la em sua essência.
ela é percebida pelas pessoas que a vivenciam, pela sociedade c pelos
profissionais que trabalham com ela. Busca localizar os grupo s sociais mais Po r exemplo: renda per capita, concciiiíAção ÍJU dispersão geográlica, movimentos migratórios, lipo
::

afetados através do estabelecimento dos predominante de atividade econômica, demanda/ofcri a de tralulhu.


54 55
Mjrkí.^i í V KR AS BAPTIST A I' L A X K J A M H X L O SOI:!AI.

V
Por aproximações sucessivas o profissional apreende o real e suas setores. Alguns autores têm elaborado, em suas áreas específicas,
determinações e o reconstrói. A empina, ao mesmo tempo que manuais, guias, roteiros e esquemas 2 *, que pod e m orientar os
revela presenças, ou ausências, e aponta problemas, esco nde a técnicos em sua tarefa de coleta de dados.
questão central que está no fato dc que essa realidade é historica-
mente determinada. Muitas vezes, essa reconstrução leva a trabalhar Dados da instituição demandatária da ação
com categorias que não estavam no horizonte da investigação ao
se desencadear o estudo da problemática: sai-se do particular para Tend o em vista qu e a questã o qu e se coloc a par a planejament o
o universal, para que se possa ter uma leitura mais concreta do ocorr e em um a realidade complexa , em um determinad o moment o
particular. histórico , e m um a organizaçã o específica, o estudo de situação terá
Esses estudo s o fer ecem elemento s para a localização e necessariamente com o preocupação as características da organização na qual
correlação dos fatores conjunturais relevantes da situação na qual a demanda ocorre.
se imbrica a questão objeto do planejamento c, ainda,, para apreensão Isso significa que a co mp reensão c a r e-co ns mição da situa-
de suas determinações histórico-estritturais. Essas aproximações irão ção o b j et o do p lanej a m en to têm por referência o c o n h e c i m e n t o
permitir qualificar e quantificai' a questão em estudo e formular da i n s t i t u i ç ã o d e m a n d a t á r i a da ação, suas fin al id ad e s (sua
juízos sobre a mesma. missão), seus valores, sua área de ação (região, mu nicípio , etc.),
Tã o imp or tante q uanto apreender o sentido do aconte- seu setor (social, eco nô mi co , etc.), seu nível de co mp etência
cimento é perceber o co njunto de forças "favoráveis" ou "desfavo- ( m u n i c i p a l , r e g i o n a l , e t c . ) , s u a fT
u nM
ç ã o (real, manif est a e
ráveis" que sobre ele incidem e sua dinâmica 22 , as contradições, os p o tencial), seus objetivos, diretrizes, estratégias c expectativas,
mo v i me n to s , que o geraram; relacionar a co nj untu ra com os sua e st r ut ura o rganizacio nal e administrativa (o r g a n o g r a m a ,
elementos mais permanentes, mais estruturais da realidade, levando es tat u to s, r e g u l a m e n t o s , descrição de cargos, política geral,
cm conta suas dimensões locais, regionais, nacionais e internacionais. política salarial). São, tamb é m, referência para essa re co nstrução
Naturalmente, dada a variedade de situações que o planeja- as restriçõ es imp o stas pelos recursos h u m a n o s e financeiro s
ment o enfrenta, o conteúd o desses levantamentos é bastante
variável. A experiência vem d emo nstr ando que nesse processo é

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mais produtivo que a concentração da atenção se faça por questões
em lugar de por setores, uma vez que as questões reais cruzam Dentre os estudos, podemo s citar. UNICH F - Fund o das Nações Unidas para a
Infância: Gisia metodológico para ii análise dc situação de crianças cm circunstâncias
especialmente dijiceis. Bogotá, 1990 (Série Metodoló gica n° ó) e Lineamentos para
aplicação da jjnifl wctodoló/jica para a análise He situação de srtnttças em circunstâncias
c.<pcctalmente dijlccis. Bogotá, 1990 (Série Metodológica n® N); Herbert de S O UZ A :
11 A relação <lc forças é dinâmica, sofre mudanças permanentes, para apreender seu movimento, <i'.on:o se Jaz análise dc canjuntura. V o z e s / I h ase. Coleção Fazer; C. WAR1E: F.sttidiis de
ccloeam-sc algumas questões: esses segmentos de classe esláo 01s5.1niz-.1dos? Como? Quais as ia ('omnnidad. Washin gt on , 1963 ; IVJATFF.L.ART et oi.: La virienda y los servi cios
posições assumidas por essas organizações? Quais s<U> as suas propostas? Com o elas sc comunitários rnrales: una mcto/tvhjiia de projjramncióu. Santiago do Chile, 196SjSão
opciacio:i.ilizam? Paulo (F.stado), Dtajjnâstica do PD DL Sã o Bailio, s / d .
56 M VRF A* ; V E R A S BAP T IST A I'L.. \NEJAMEXT O JOOIAI . 57

1
disponíveis, os conhecimento s científicos e tecnológicos existentes oti cm Dados das políticas públicas, da legislação, do equipamento
desenvolvimento na área dc interesse c as possibilidades de maior ou meno jurídico c da rede dc apoio existente
r acesso às informaçõe s pertinentes.
Nesse estud o, parte-se do princípio de que a demand a Um requisito essencial para o p lanejamento, to mad o sob
institucional é originada nas suas políticas 24 , estratégias, diretrizes 25 a perspectiva da totalidade, se assenta no princípio da inter-
e prioridades. A demanda posta acontece porque existe uma i elação entre as diversas áreas de definição e operação de políticas
problemática que desafia a ação institucional e tal problemática e os d i fe r e n t e s ca mp o s de i n t e r v e n ç ã o . Nesse s e n t i d o , o
está inscrita no âmbito das questões amplas do quadro conjuntural, eníYentamento e a superação de uma d eter mi nad a situação
e determinada (tal como a instituição) pelo modo de ser das relações passam pela identificação das políticas públicas, das políticas
h i st ó ri cas d a so ci e d ad e. específicas à área de intervenção, da legislação pertinente, do
Por outro lado, tem-se claro que as normas institucionais eq uip ame nto jurídico e do eq uip ame nto social. Passam tamb ém
são construídas e operadas pelos sujeitos, portanto, nem sempre pelo c o n h e c i m e n t o dos p ro j e to s em a n d a m e n t o e de sua
assimiladas e assumidas da mesma forma - elas po de m ser capacidade de atendimento cm relação à população demandatária
aprofundadas ou subvertidas: relações independentes das formais dos serviços.
podem ser estabelecidas, trabalhos alternativos podem emergir Na coleta de dados, levam-se em conta as instituições e
dentro da instituição e, por sua competência, constituir grupos de programas responsáveis pelos serviços relacionados à questão
referencia que a ultrapassem. estudada, os recursos desses programas (sua organização, quan-
Nesse sentido, é fundamental analisar a dinâmica interna e a tidad e, cu s t o ) , suas atividades ( q u an t i dT
a dM
e , eficácia) e a relação
estrutura das relações da instituição na qual se opera o projeto. A entre uma c outra (eficiência, produtividade), seus pontos fortes
análise da equipe seus valores, suas características - irá permitir e pontos fracos. K também importante a descrição do fluxo (e das normas
identificar situações que podem tanto potencializar, quanto limitar que o regem) e dos usuários nas instituições em cada tipo específico de
o alcance de seus resultados.
ação.
Também, para esse enfrentamento e essa superação, há que

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.sc ter presente as relações existentes entre as instituições ou complexos
institucionais, governamentais e rtão-governamentais,
As propostas dc políticas ti.is instituições "... isão ião apenas procedimentos descritivos do modo que atuam lia área e que estejam situados no contexto no qual a ação
de funcionamento .1.) organização, elas MO também o fundamento dc tuna produção xleolôgica: nJo
podemos dissociar os proíedimeníos,,*» dispositivos c o discirno desses dispositis-os, da maneira planejada incidirá26. O conhecimento dessas relações irá permitir apreender
como funciona, como são vividos pelos imluiduos. Os dispositivos operacionais c a ideologia. estão o sistema dc complementaridade dos serviços
indissoluvelmente lig.idos: eles tem como ivr.çio imcrioiizar cei ias condmas e, ao mesmo tempo» os
princípios que os legitima". Max Pages rr •»/. O puder dm orjjohisnfíit-.c n duutiitaçâo daí
>»)tíih:nci>nn!s Wm* ns individuas. Sík> Paulo: Atlas, 1987. p. US,
•''Diretrizes: princípios nomvnivos que asseguram a unidade da açüo ante os aspectos dfreisiticados Kntrc as instituições existem múltiplas lormas de relacionamento: troca de informações, recursos,
do trabalho. dinheiro, pessoal, população atendida, etc.
58 M JP X N W VKR A S BAPT IST A 1'L.AXKJAMKXT O SUCIAI .

nos diferentes campos, suas formas de organização c a existência ou a Criança e do Adolescente, de Assistência Social, etc.) 29 . Esse
possibilidade dc implementação dc um sistema dc "aten- dimento cm rede". acendimento cm rede, via dc regra, tem presente o caráter nacional
Hm termos gerais, poder-se-ia dizer que o "atendimento em v integral da questão sobre a qual incide, o que significa uma busca
rede" sc constitui pela articulação dc um conjunto amplo c dinâmico dc integração crítica às políticas, às metas, às estratégias e aos
de organizações diversas, em torno de interesses comuns, que pro gramas estabelecidos nos diferentes níveis do sistema dc
realizam ações complementares cm um processo unitário e coerente atendimento do país.
de decisões, estratégias c esforços. Essas ações cm parceria, realizadas A apreensão das políticas publicas, da legislação, do equipa- mento
por " u n i d ad e s oper acio nais i n d e p e n d e n t e s 'credenciadas* c jurídico e da rede de atendimento existentes apóia-se em uma avaliação de
interd ep end entes com relação aos processos operacionais que sua efetividade, de sua consistência e legitimidade cm relação às condições
co mp artilham" (Gonçalves, 1991:4), traduzem sc "cm vínculos gerais e demandas da sociedade. Procura verificar sua compatibilidade tanto
horizontais, de interdependência c co mplementar idade" (Carvalho com o contexto histórico, cultural e político no qual têm dc operar, quanto
c Guará, 1995:10), interconcciando agentes, serviços» produtos c com a missão ético-r: "' ca da sociedade de assegurar a elevação progressiva
os diversos tipos de organizações 27 . Essa perspectiva ultrapassa a dos níveis de vida da população.
noção, presente no senso comum e na burocracia do Estado, "de Dessa forma, a montagem dc um instrumental de coleta de dados
cadeia dc serviços similares, s ub o r d inad o s, em geral, a uma relacionados às f; ,r' :cas, à legislação c ao sistema dc atendi- mento deve ter
organização que exerce a gestão de forma centralizada c hierárquica" presente que as deliberações c as ações que interfe-
(Carvalho e Guará, op.cit.\\i))n. TM
As estratégias e os esforços da ação em rede - concebidos e
projetados em coerência com os ditames legais constituídos - Podemos citar com o exemplo o d ocu m en t o preparado pelos especialistas reunidos
pelo Fórum Nacional Permanente dc Organizações Não-C«ovcrnamentais de Defesa
assentam se cm instâncias estabelecidas pela legislação pertinente da Criança e do Adolescente (Volpi, 1997:43-44}, que recomenda que a articulação
(ECA, LOAS) para controle e flexibilização dos processos, tendo cm rede do s serviços c programas destinados a infância c ã juventude deve caracterizar-
na liderança os diferentes Conselhos Paritários (de Direitos da se pela:
a. atuação privilegiada do Conselho de Direitos, enquanto espaço de elaboração e

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delibe r açã o sobre a politic a de direitos;
b. existência de um a coordenação no âmbito governamental que articule ações, otimize
recursos, priorize a área de intervenção e evire o paralelismo c a superposição de açòcs;
; ; F.dward IÍ..V. e Tapia, S.G., citados por Cury (1998:79), acentuam a característica
c. existência de um núcleo de planejamento, mon i t oramen t o e avaliação que concentre
dc horizontalidade dc redes qu and o as conceituam: "A.s redes s3o uma forma de informações de interesse comum, análises e projeções que subsidiem a definição e o
organização onde si o rompidas as hierarquias c se promovem relações horizontais. r e ord en am en t o p erman en t e das atribuições de c,uta programa m emb r o da redej
Sua atividade e existência dependem da iniciativa de cada uma de suas partes ou nódulos d. unificação dos procedimentos e explicitação dos critérios de acesso aos serviços,
c não de uma instância central c única". assegurando o t ratamen t o indiscriminaiório c transparente aos usuários;
; x "Hntendida desta fornia, uir.a rede nada mais e do que o resultado de um processo
f. socialização de equip ament os e tecnologia para uso comum e ampliação do impacto
de desconcentração de meio» dc ação de uma organização por meio dc unidades dos serviços;
operacionais (...) i:. pressuposto que haja uniformidade de procedimentos operacionais
g. integração ojxrracional dos órgãos do Judiciário, Ministério Público, Dcfcnsoria e
ao longo da rede formada pela desconcentração operacional." (Gonçalves, 1991:4 )
Segurança Pública.
60 PI . W I Í L A M I Í N T U M K : I . \ I . 61
M V I Í M N VI U Í A S BAPT I ST A

rcm cm uma determinada questão situam-se em campos c níveis Amigos de Bairro). Essas redes produzem serviços assistenciais de caráter
tào diversos quanto diversos são os elementos que compõem sua mutualista (serviços ambulatoriais, creches, abrigos); desenvolvem mutirões
estrutura, nào se restringindo a um campo específico nem à atenção para moradia, manutenção de equipamentos, limpeza urbana; organizam
setorialmente limitada*0. Pelo contrário, projetam-se sobre cada clubes de mães, festas comunitárias, cooperativas; e implementam serviços
um dos fatores que configuram a estrutura do problema, abarcando, de desenvolvimento de cidadania, melhoria ambiental e da qualidade dc
equacionando, não apenas suas expressões mais evidentes, mas vida.
também seus fatores geradores. As redes setoriais públicas (Carvalho e Guará, op. cit.: 1 <H-
Na perspectiva de formular um referencial analítico para o que se 25 ) estruturam-se a partir do espaço público em função de necessidades tidas
poderia considerar uma rede de redes, Carvalho e Guará (op. r/t.:13-28) como direitos dos indivíduos. Prestam serviços específicos e especializados,
localizam os diferentes espaços e âmbitos nos quais elas se configuram: consagrados pelas políticas , '1 1 "cas setoriais educação, saúde, habitação,
As redes sociais espontâneas (Carvalho e Guará, op. cit:. 15) etc.
sào tecidas no espaço local, a partir de conexões informais u dc vínculos As redes setoriais privadas (Carvalho e Guará, op. cit:. 1<S )
mais ou menos fortes" (l;a!eiros, afi.cit,), tendo por base as relações >ão redes que, por serem de caráter privado, seguem as leis do mercado,
primárias, interpessoais e espontâneas. Incluem a família"0, os amigos*2, oferecendo seus serviços mediante pagamento. Embora acessíveis a unia
vizinhança, o trabalho, a rua, o quarteirão, a comunidade, a Igreja. parcela rest rita da população, estas redes costumam estender-se, via
Sua açào se faz através de relações de reciprocidade, circulação de convénio, aos trabalhadores do mercado formal
As redes sociais movimcntalistas**{Carvalho e Guará, op.

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informações e prestação de serviços imediatos.
cit:. 16-18) conformam-se como movimento social de denúncia e
As redes de serviços sociocomunitários (Carvalho e Guará, op. Ê/7. : 1 5 -
1 6 ) tem como protagonistas históricos os agentes filantrópicos e as
TeM
de vigilância e luta reivindicatória por m l hores condições de vida
organizações comunitárias (a Igreja, a Sociedade e pela afirmação de direitos. Constituem-se a partir da articulação
de grupos sociais de naturezas e funções diversas, ligados através de
Ks.sc atendimento oui rede inclui também os programas desenvolvidos na área dc relações interpessoais. Estas redes oxigenam todas as demais, assumindo o
papel de instituintes dc novas demandas de justiça.
educação, saúde» trabalho, esportes, lazer, ccc. São componentes necessários para a O levantamento e a análise desse sistema de redes deverão
ari icutação desses programas as açòes decoiTcnic.s das políticas sociais básicas - educação,
snfuk\ assistência social - e dos programas especializados campos clássicos dc atividades
permitir o estabelecimento da capacidade real e potencial do sistema para
na .'u ca, constituídos por uma agregação simultânea dc ações próprias do poder executivo enfrentamento da questão focalizada; deverão também possibilitar a
C do poder judiciário.
! 1 l-iii seu estud o sobre familia e rede social, Both (1976 ) assinala que os parentes
quantificação e a qualificação dos recursos disponibi- lizados e a
oferecem talvez o mais importante sentido de identidade e dc pertencer a algo juntos. identificação das deficiências do sistema em termos de
Fornece também ajuda e serviços mútuos, por vezes criando um substancial montan te
dc ajuda financeira.
! S Carvalho e Guar á (op (it.:)6i informam qu e esle conceito foi construído e desenvolvido por Ana
! i ISoih (1976 ) cita estudos que afirmam que a feição essencial da amizade e que ela é voluntária e

está baseada em interesses compartilhados e no consenso em comparação com o parentesco, no qual Maria Do imo, em "Movimentos sociais e conselhos populares, iles.ilios da institucionalidadc
os negócios e a obrigação são os catalisadores. democrática". (Caxambu, 1990, miineo;
62
M Y R S ^ I VXRA S BAI*TI$T A I L \ N K J A M E N T O S OC IAI .
63

V
pessoal técnico ou leigo, dc recursos orçamentários, dc legislação propostas que vêem sendo operadas, buscando localizar não apenas os
dc referência, de organização institucional, ctc. fatores de eficiência c eficácia daquelas ações, mas também aqueles que.
Esse estudo deverá ser complementado com a identificação podem ser considerados prejudiciais ao alcance dos objetivos propostos. As
e com a qualificação dos recursos (humanos, financeiros, insti- questões que norteiam essa aproximação podem ser assim expressas: quais as
tucionais c logísticos), colocados à disposição do atendimento da barreiras que impedem a resolução da questão? Quais os avanços já
questão através do planejamento em curso, c a localização de quais
conseguidos para superá-las? Quais as potencialidades para avançar cada
recursos po d em/p r ecisam ser mobilizados para co mp le me n t ar/
vez mais?
garantir a operação da ação que será proposta.
Na análise da prática interna, a atenção se concentra no
Os dados brutos, recolhidos a partir das informações obtidas,
próprio sistema da instituição executora do planejamento, na sua
precisam ser trabalhados, organizados e sistematizados, a fim de oferecerem
capacidade dc atendimento, na correspondência entre seus níveis
maiores subsídios para a análise. Essa organização sc realiza através de
de decisão e suas atribuições, em sua divisão operativa, erc. O estudo
técnicas dc agrupamento de variáveis, de tabulação, de representações
procura realizar uma análise crítica da experiência desenvolvida,
gráficas (tais como quadros, mapas, etc.) e outras34.
das modalidades, das estratégias de procedimento c dos benefícios
decorrentes, cm seus aspectos quantitativos e qualitativos, e em
Dados dc prática (interna c externa)
seus fundamento s tcórico-práticos.
A prática externa é estudada através do levantamento e da
Por ocasião do levantamento de dados, o técnico deverá inventariar

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análise dos procedimentos, das habilidades, da tecnologia, do instrumental,
os recursos humanos, econômicos, institucionais, ctc., disponíveis ou cm
etc., desenvolvidos cm diferentes instituições, no
potencial, existentes na própria entidade ou fora TM
at en di men t o de questões do tipo focaliza d o pelo planejament o ou
«.leia; ao mesmo tempo, deverá estudar a ação reguladora e normativa do
de problemas afins. Esses dados podem ser obtidos por consulta a fontes
governo c sua eficiência, a concentração e a dispersão do equipamento
existente {por área geográfica, por grupos dc população, por categorias bibliográficas ou documentais, ou por observação direta e pesquisa de
socioeconómicas diferenciadas, etc.), sua Capacidade c campo.
sua suficiência, etc.; deverá, ainda, levar em conta as restrições à Essas instituições não se localizam necessariamente na mesma
utilização de pessoal ou equipamentos dc determinado tipo. área geográfica do planejamento nem atendem a mesma população;
A análise de dados da intervenção que vem sendo realizada, tanto na podendo até mesmo estar localizadas cm outros países ou cm regiões cujas
instituição quanto tora dela, para enfrentamento da situação em estudo c de condições socioeconómicas e culturais sejam muito diferentes. Assim, o uso
situações afins, objetiva detectar o enfoque dos trabalhos que estão sendo dos conhecimentos obtidos através desse levantamento deverá, naturalmente,
efetuados» perante o problema e as sofrer adequações para sua aplicação na realidade objeto do planejamento e,
em situações particulares, passar por um período dc experimentação
•l4 Hssas cécnieas, bem tom o aquelas dc coleta dc dados, podem ser escudadas cm profundidade na controlada antes de ter seu uso generalizado.
bibliografia referente à pesquisa social.
04 MJRRTIWC VUUA S BAPT IST A 65
I'! ANISrAHUNTO SÓCIA!

l
ORGANIZAÇÃO E ANÁLISE exposta, por exemplo; verifica o problema dc forma monitorável, a
lini dc que se possa acompanhar sua evolução; verifica a possível
A recolha do material, ainda que bem feita, não exime o eficácia dc seu enf ren tamento .
p lan ej ado r de ter qu e realizar uma análise exaustiva dos fatos, A aproximação descritiva evidencia os componentes relevantes
organizá -los c reorganizá -los, descreve-los, fazer interpretações, da situação sob duas perspectivas:
d cs t ri n ch ar os discursos, os dados, os processos, os aconteci- a) a partir da constatação das correlações existentes entre os
men t o s históricos. múltiplos aspectos dc um a serie de fatos (corte transversal da
Essa o rgan i zação e análise sc realizam em um mo v i m e n t o realidade);
no qual o p l anej ad or visa a novas formas dc ap ro xi mação do b) a partir do levantamento histórico da situação, que procura,
o b j et o , co n s t ru i n d o diferentes mo men t o s de síntese - não com o no t empo, as origens c o desenvolvimento dc determinados fenó-
espaço de certezas, mas de novas indagações, com o busca dc menos (corte longitudinal da realidade).
novas respostas. Essa aproximação pode ser feita através da simples exposi- ção dos
Nesse processo, a reflexão vai caminhando, articulada com dados e de suas correlações ou, ainda, do uso de técnicas estatísticas dc análise. É
elementos qu e emergem do real, sem deixar nada de fora - o aqui, nessa aproximação que sc faz uso do tratament o matemático dos dados para
o agora, o antes, o daqui a pouco , em um movimento que articula medir e correlacionar as informações. O dimensionament o das variáveis é
a descrição, a interpretação, a compreensão e a explicação dos dados feito a partir da análise qualitativa obtida pela observação, po r tomadas
de realidade.

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de
d e p o i m en t o s c da nu meração e descrição dos aspectos externos via
Descrição q u e s t ã o q u e p o d e m , ou n ão , ser co n sT
t a tM
ado s por instru mento s
dc medida.
A descrição é a exposição circunstanciada da base factual relacionada ao Na descrição dc dados dc realidade, as informações são operadas tendo
problema imediato. Ao faze-la, obtém-se elementos por base os índices dos indicadores determinados pelos referenciais tomados
para a busca da precisão do seu significado e o torna verificável pela com o apoio para o planejamento.
enumeração rigorosa dos fatos que o evidenciam - mostra que ele C o n s i d e r a n d o que na área social não existem situações
existe, quais os seus contornos e as suas especificidades. Para tanto, o estáticas, o fato de o es t u d o sc realizar em um d e t e r m i n ad o
problema objeto do planejamento tem de ser definido e deli- mitado, superando m o m e n t o histórico, ã luz de elementos informativos do presente e
suas possíveis ambigüidades. ilo passado, não exclui a necessidade de pesquisa da evolução da
Para Matus Huertas, 1996), essa descrição do problema situação. Essa pesquisa visa discernir seu co mp o rt a m en t o futuro, o
reúne em um único significado (para o planejador que o analisa) as lluxo e a seqüência das mudanças, e as possibilidades de intervenção
diferentes interpretações possíveis para o objeto; determina o que nas tendências verificadas. Esse estudo projetivo dc dados c feito a
deve ser explicado (problematiza) - quais as causas da situação partir do pressuposto de que a constância na dinâmica das variáveis
66 MVRJA N VI-.U. A S B A P T I S T A 1* I S N K J AM F C . VI O S O C I A I . 67

V
estudadas permite estabelecer a provável dinâmica dessas mesmas variáveis É o conhecimento rigoroso da empiria que vai estabelecer a qualidade
no futuro a ser planejado. da "matéria prima" sobre a qual o planejador vai sc debruçar para fazer suas
Através da projeção de dados c examinada a maneira como a análises e estudos projetivos, identificar tendências e pontos críticos.
situação evolui historicamente c quais os fatores dinâmicos que
influenciaram essa evolução; quais as taxas dc crescimento obtidas e Interpretação
os esforços realizados para consegui-las ou, conforme o caso, para
sustá-las. Procura-se identificar as tendências futuras prováveis, as A segunda aproximação, que pode ser chamada dc interpre-
possibilidades de variação ou dc persistência de determinados fatores, tação, refcrc-se à busca dos significados das situações encontradas.
as possibilidades de desenvolvimento da situação, suas potencialidades A co nstrução desses significados apóia-sc nos c o n h e c i me n t o s
c o grau de intervenção necessário para desencadeá-las. acumulados, c em desenvolvimento, pelas ciências e no saber prático
A projeção sc faz a partir do conhecimento dc uma série relacionados à questão e também nos valores c modelos 35 normativos
histórica dc relação entr e variáveis (po r exemp lo : t e mp o X que orientam o julgamento de q uand o uma situação pode ser
população; instrução X tempo X renda), para tanto, podem ser considerada satisfatória ou não, ante alguns parâmetros, c qual seu
utilizadas técnicas que permitam identificar tendências e elaborar grau de necessidade ou dc crise.
diagnósticos projetivos, considerando a continuidade da situação c Hncontramoscm Carlos Matus {npud Huertas, 1996:32) um alerta sobr
o ritmo dc evolução da realidade até então detectada. Segundo e a assimetria do s caminho s da interpretação ,

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Perro ux ( 1 9 6 7 : 2 4 ) , "as pr ojeçõ es dc variáveis especificadas d eterminado s não apenas pelas diferenT te sMleituras verdadeiras dos
co nsistem em extr apo lar uma série, a partir da inte rp o lação diferentes problemas, mas também , e principalmente, pelas diferentes leituras
significativa, o que quer dizer, prolongar (corrigindo), durante um verdadeiras dos mesmos problemas. Conhecer os modos como os faros são
período futuro, uma taxa de crescimento de uma variável observada interpretados pelos outros e a relação dessa interpretação com o jogo social é o
durante um período transcorrido". desafio. Seu cnfrcntamciuo
A primeira aproximação dos dados pode ser gráfica, a partir da é essencial para que sc possa, por um lado, apreender o mod o de
localização de pontos em um gráfico de coordenadas: essa localização

irá evidenciar uma dispersão maior ou menor de pontos, que é chamada ser e de agir dos diversos atores que sc movimentam na realidade
"nuvem de pontos", cuja tendência sc expressa no traçado de uma com a qual se trabalha c, por outro, se preparar para lidar com eles
linha qu e indica, de maneira apro ximad a, as perspectivas de c com suas diferenças.
continuidade daquela relação. Para calcular a taxa espontânea de Kssa preparação deve levar à identificação de crenças e valores,
crescimento da relação entre variáveis através do ajuste da "nuvem de não apenas dos pesquisadores e analistas, mas também dos demais
pontos", Dossel (1973:99) recomenda a utilização do processo dos
mínimos quadrados, que permite o ajuste da equação da reta ou da Model o considerado com o o equivalente esquemático dc um fenômen o complexo: tem um nível de
generalidade que permite MIA aplicação a situações distintas, quand o sc tr.ua dc áreas semelhantes.
parábola, representativas tia relação cm estudo.
68 MYKU.N VivRÃs BAPTISTA P L A N K I A M K N V O S UC IAI . 69
i

s egmento s envolvidos no processo, seus c onh ecimento s c seus Co mp i rensã o/Expli cação dos dados dc rea li d a dc
métodos dc interpretação. Deve levar também ao conhecimento
dos aspectos que estejam proporcionando desgaste e / o u tensão a E m b o r a a r e c o n s t r u çã o do o bj et o se faça a partir do
esses sujeitos e das condições de seu enfrentamento. c o n h e c i m e n t o inicial até agora ap res en t ad o - de descrição e
O que vai determinar a qualidade de uma análise interpretativa interpretação > se o enf rent ament o da problemática se limitar a
crítica do material obtido na coleta de dados é a explicitação da esses níveis, corre-se o risco de não abarcá-lo em sua essência. E
p ersp ecti va teórica assumi da c o c o n h e c i m e n t o das teorias preciso ir além da apreensão imediata dos dados e desvelar a estrut ura
i n t e r m é d i a s qu e p e r m i t a m o a p r o f u n d a m e n t o de as p ect o s imanente do obj eto em estudo, seus significados, suas tendências e
fundamentais do problema e sua interpretação situá-la na conj untura sócio-histórica que a gestou.
Essa relação da teoria com as evidências c muito difícil de ser Nesse sentido, para tuna análise rigorosa dos dados na ótica de seu
feita. A questão sc coloca na forma de perceber as evidências do significado no contexto das relações de sociedade, toma-sc como perspectiva
real (aqueles dados, fatos, acontecimentos) e , . ' 'ematizá-las^. investigativa o estruturalismo genético, derivado da teoria marxiana, na vertente
Nesta aproximação, o planejador analisa os dados obtidos a goldmaniana;g, que conjuga a dimensão analítica das determinações externas,
p a r t i r d e u m q u a d r o d e r e f e r ê n c i a , m o n t a d o ã lu z do s sócio históricas (explicação)» com a dimensão analítica da estrutura interna
conhecimentos teóricos e tia prática. Kssc quadro permite constituir significativa (compreensão).
indicadores e parâmetros, que consubstanciam "uma tipologia que Para alcançar esta compreensão e esta explicação, o planejador parte da
possa situar o fenô meno estudado de acordo com um modelo preliminar de que o conhecimento dessas estruturas
explicativo teórico-prático, construído com base nos fenômenos significativas não se coloca imediatamente à c on sciência: sua apreensão
típicos" (Fuleiros, 1971:22). Essa tipologia fornece ao planejador
TM
c resultado de uma reflexão crítica obstinada sobre as relações que
as condições necessárias para identificar a tipicidade dos elementos constituem o objeto e as suas circunstancias. A medida que o significado do
observáveis daquela situação específica, a sua aproximação ou o todo for se evidenciando, irão se delineando os traços da estrutura
seu af as t am en t o dos p ad rõ es def inido s com o desejáveis e a
identificação do seu "estado de necessidade" ou "de crise" 3 ". " Kssa escolha não é arbitrária, ela parte do \up osi o dc tpie esta sistematização tio
me tud o dialético, originariamente realizada por l.iio.cn Goldmann para embasamento
de seus estudo s sobre a sociologi a da cultura, compõe uma metodologia geral para o estudo das

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relações tios homens na sociedade, configurando assim uma vertente mclodológica fecunda para a
apreensão do objeto do planejamento quando este se
"Os métodos tcóiicos dc interpretação nào são incompatíveis, nem mutuamente refere a questões postas n.i\ relações de sociedade. A proposta metodológica de Lucien Goldmann foi
exclusivos (...) são, ao contrário, mutuamente interdependentes c complementares." estudada, principalmente* a partir de seus livros:
! Fernandes, 1967: XXI) • 1x Dtsii ÇaeJjf. Paris: Gallimard, 1959;
Prob lemat izar, ou seja, estabelecer um "diálogo com as evidencias*1 , exige uma • i'i-uf utse s-míuIoíjíc dii ivj»hm. Fáris: Gallimard. 1964;

postura teórica e apreensão do real: sem empiri.i, .vem análise de d ocument os , sem • Dia li ti ca e cihitiat humanas, Trad. João Arsénio Nunes. Lisboa: Presença, 1972;
observação da realidade, não se consegue problematizai . K através tia problematização, • (.'Mudai H u m a n a s € Viforofia. Trad. l.upe Cot riu G aran d e c José Aiiluir (iianotti.
inspirada na unidade teórico-prática, tpic as evidencias gan h am c o n t e ú d o e se São Paulo: DIIT.L, 19X0, 8. ed.;
transformam em concret o p ens ad o. • D:a!i:iia c cithura. Trad. Luiz Fernando Cardoso. Rio de Janeiro: Paz e Terra,
F.xprcssão utilizada pôr R. B. Dosset 1.1973:11113,.. 1979. 1 . ed.
70 M v u u .v V K R A S BAUT I S T A 1 *1. AN 'JIJ AM KNT O S UC I AI . 71

V
parcial da situação em loco; c a elucidação da gênese da situação e da maior E importante considerar que a realidade parcial, objeto do
parte dos problemas que a constitui só ocorrerá quando esta ior inserida na planejamento, é conformada por elementos que interagem.e que o
estrutura maior. É nesse sentido que se assume como categoria central de estudo dc aspectos isolados pode apresentar uma realidade distorcida
análise a totalidade concreta™, o que implica ter sempre presente a formação se não houver preocupação concomitante com suas inter relações c
econômico-soe ia! da realidade escudada, que é o lugar social onde os atores com suas vinculações com a realidade mais ampla 11 . Os dados sobre o
produzem os fotos e são, por sua vez, produzidos e reproduzidos como objeto irão se concretizando, se revelando significativos, à medida
atores. que forem sendo integrados cm conjuntos mais abrangentes. Sua
Dessa perspectiva, entende-se que não é possível apreender a especificidade irá se estabelecendo tanto pelo ripo de articulação dc
estrutura e a dinâmica essencial da questão em estudo sem compreender a seus elementos componentes, quanto pelas relações que eles mantém
articulação entre as suas partes e sem perceber o seu lugar em estruturas mais com as estruturas que os englobam. Para tanto, há que se realizar vim
amplas, ou seja, sem levar em conca os acontecimentos históricos externos, estudo da conexão existente entre os principais elementos que
porque esta é a trama que constitui a base sobre a qual se tecem essas compõem a situação, tendo claro que não serão encontradas relações
trajetórias. Essa história externa tem dc aparecer, para, inclusive, permitir a simples, uma vez que o proccsso dc inter-rclaçào é contraditório: um
avaliação dos acontecimentos internos. Nesse sentido, a operação de mesmo elemento pode ser considerado desencadeante (causa) de
apreensão da realidade se faz num permanente movimento que vai das determinadas situações e, ao mesmo tempo, desencadeado (efeito),
categorias explicativas relacionadas às determinações provenientes da exercendo influencia de diferentes graus sobre a situação, em uma

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totalidade social, às categorias compreensivas que buscam apreender c relação complexa: na determinação das relações entre esses elementos
interpretar a parcialidade da questão foco do planejamento. o planejador depara-se, via de regra, com uma multiplicidade de
Isso indica que uma análise mais profunda deve ter um caráter relações, cada qual exercendo diferentes grT
auM
s de influência sobre a
compreensivo dos elementos que constroem o objeto c sua trajetória, no que situação focalizada. O estudo dessa relação pode ser realizado com a
diz respeito às relações internas que vão se constituindo, e um utilização de métodos matemáticos, se seus indicadores estiverem associados
caráter explicativo, em relação às estruturas que as constituíram. a valores numéricos'13.

A situação objeto do planejamento é, então, tomada como uma Deve sc ressaltar que -essas variáveis, no campo social, precisam ser vistas em sua
situação dc resultantes dc questões que tê m origem cm problemáticas mais amplas, externas ao
realidade parcial, imbricada em um contexto maior dc estruturas sistema cm estudo c às possibilidades dc intervenção do planejador;
dinâmicas, de níveis diferentes, tendo cada uma delas uma significação A análise matemática Tem por finalidade definir de foi nu q.iamilicãvel os tipos de reS.-.ção o. is
tentes entre as variáveis, que podem ser identificados na seguinte varino : - relação dc c.uisa/efeito
particular, e delas recebendo, em escalas diversas de importância, as (determinismo), quando a ocorrência de x >r condição suficiente para a
determinações que constituem a sua própria génese. •.'.-escuda d c - relação produtor/produto, sc .v for condid o necessária, mas não suficiente, p.ir.i .i
ocorrência de v; relação dc correlação, quando .v e v variam simultaneamente, isto é, cn.manto
variável .v se modifica, a variável y também soíro modificações, na mesma intensidade, embora essas
ocorrências não estejam vinculadas entre si., cm termos de necessidade ou dc .suficiência. A
H'; O que inclui a liistoricid.uk c ;i contradítoriedade: o Halo c as p»rtcs/ o singular, o particular c o abordagem deste assunto teve por base o capítulo "C.avisa- 3'-iê:to, Produtor-Produto e Correlação".
universal/;) teoria e a prática/ o cotidiano e a história. (AekotV, 1 #67:88-93 )
72 M R TU A S~ V I: K A > B ,A r r R s TA

Assim, não será suficiente estudar a estrutura interna do objeto. K


necessário conhece-lo genericamente, em seu processo de formação e
direcionamento, apreendendo as condições que vão se conformando e as
relações que vão sc transformando. Os novos conhecimentos que daí possam
emergir deverão ser relacionados às contradições internas das situações e às
conjunturas nas quais elas se desenvolvem.
Identificação dc prioridades dc
Nesse processo, a reflexão vai caminh ando, articulada com
elementos que se colocam 110 real, procurando não deixar nada dc
intervenção
fora: o agora, o antes, o qu e está emergindo, o que virá depois.
Cada situação tem seu passado e seu futuro, e a dialética p res en t e/ Os problemas dc falta dc recursos, dc destou tinntda d cs, dc
p a s s a d o / f u t u r o da análise é resultado da indagação sobre a empiria inflação, dc manipulação dc informações, afetam qualquer
qu e vem se constituindo no próprio processo de sua construção: o jj estão, mas o que está em jogo, o pressuposto das decisões, ê o
poder, e para garantir uma cena direção nos orqanismos c
passado nào é apenas passado, mas, principalmente, a gênese do
preciso jogar nessa aventura.
presente; e o futuro é mais que uma projeção, é o curso possível de Rilciros, Memorial, p. 26
uma utopia. Nà o são todos os passados que interessam, há passados
que são determinantes, constitutivos, que estão presentes na força
do obj eto estudado. Para estes, o estudo sc coloca na busca da
O p l a n e j a d o r qu e p r e t e n d e criar c o n d i çõ e s para um a
intervenção q u e co n d u z a a mu d an ç a s siT gnM
gênese dos elementos postos no presente e da utopia que os informa.
ificativas - n ã o apenas
Nesse sentido, é importante ter claro o momento conjuntural que está
na singularidade do seu objeto, mas na particularidade da situação e na
sendo vi venci ado, o papel jogado pelo Kstado cm relação à questão
universalidade das relações sociais - deve necessariamente procurar superar os
estudada e suas posições expressas pelas políticas sociais
por ele definidas43 . limites do enfoque situacional para identificar
prioridades de intervenção, adot ando uma visão que não reduza a

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açã o à imediaticidadc .
As diferentes aproximações para a análise da situação, já
apontadas, irão confi gurando os diversos espaços do problema que
precisam dc intervenção. Se, por um lado, a descrição e a inter-
pretação do s dados permitem apreender as prioridades relacionadas
ao o b j eto , por o u t r o lado, a dialética expl i cação / co mp reen s ão
Por exemplo, F.stado Mínimo sendo owuiindo pelo governo leva ao reordenamento
das iiisiimiyões, a cria»,'.10 dc mecanismos tle parcerias com outras insiAueias da sociedade possibilita identificar os pontos da problemática sobre os quais se
;a filantropia empresarial, por exemplo}, de descentralização, dc criação de sistemas
deve e se pod e atuar para que a ação seja não apenas eficaz cm
(tipo Sistema Unificado de Saúde -, de municipalizarão, etc.
74 MYXÍAK- VHRAS BAPTISTA IM. ANKJAMJINT O S UC I AI . 75

relação à problemática imediata, mas também efetiva em relação à questão mais Influem na determinação de relevância:
ampla na qual a problemática está inserida. • o grau de crise representado pela variável;
C o m o , geral mente, na área social, há desproporção entre os • o seu impacto sobre as outras variáveis;
recursos disponíveis e o co n j u n t o dc prioridades a serem atendidas, • a vantagem estratégica de sua manipulação;
evidencia-se ao planejador o desafio que c hierarquizar essas priorida- • o grau de interesse geral (a d emand a social);
des, identificando aquelas "que permitam a transformação do estado • os padrões c valores que norteiam o p l an ej amen to.
dc necessidade cm planos, com seus objetivos, t endo em vista as A análise dc relevância de determinados aspectos da realidade social pode
limitações da situação econòmieo -íinanceira" (Dossct, 1973:99). ser realizada a partir da montagem da matriz de relação entre variáveis'1'1, na qual
Para que a identificação das prioridades de intervenção sc as linhas horizontais representariam a sua dimensão causal, e as colunas, sua
faça de maneira racional c obj etiva, p ode m ser utilizados dois importância com o efeito. A maior dificuldade nessa representação gráfica é a
critérios básicos: de relevância e de viabilidade. ponderação de dados, por natureza subjetivos, da realidade trabalhada.

Critérios de relevância Critérios dc viabilidade

A problemática social é de tal maneira complexa, que muitos elementos O pl anej ado r tem diferentes graus dc influencia sobre as
q u es t õ e s co n s i d e r ad a s p ri o ri t ári as para o e n f r e n t a m e n t o da

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poderão compor o rol de fatores relevantes cm uma determinada situação. Na
aplicação do critério dc relevância, o planejador deverá, na medida do possível, problemática o b j et o do pl anej amento . I lá p rioridades sobre as quais
TM
tornar objetivos os conceito s subjetivos , um a vez qu e a s informaçõe s sã o o planejador apresenta controle co mpl eto e outras que estão fora
freqüentemente incompletas ou defeituosas c, por sua natureza, dificilmente de sua governabilidade - que pertencem a outros espaços com os
objeiiváveis (cm termos de expressão numérica da ocorrência). Isto, para quais interage.
possibilitar que a análise estabeleça elementos Hm termos de viabilidade, a primeira consideração sc volta para
ponderáveis da relevância de um aspecto sobre outro em uma dada aquelas prioridades que se encontram no espaço ao alcance
situação social. da açào profissional no cotidiano da instituição. Esse espaço
O critério de relevância é aplicado tend o cm perspectiva configura um contexto privilegiado para o p l anej amento , no qual
perceber o quão significativo será o impacto da ação - realizada o profissional pode e deve assumir decisões em um d et ermi n ad o
sobre um d etermin ado aspecto da questão - sobre a problemática nível c p ro du zi r mudanças, t anto no seu dia-a dia q u an t o nos
em seu conj unt o. Procura detectar a importância estratégica de processos e políticas institucionais. Nesse espaço, movi mentam-se
cada variável em relação ao problema, localizando causas deter- us usuários, suas famílias e colaterais, os demais agentes institucio
minantes, interação mútua de fatores, suas conseqüências e os
processos emergentes. " Ver anexo 1.
76 M V M A X " V LI RAS I? A :• T I ST A I1 1.ANL-.JA.VIK.V! C» s o e : AL. 77

nais, ctc. O uso desse espaço tem limites, pessoais, conjunturais, apenas no âmbito da mudança das estruturas sociais constituídas -
institucionais, determinando as mudanças que o profissional tem condições onde se exercem as relações de força, os conflitos de filiação e dc
de realizar. interesses como também não pode dispensar um investimento
Para o estudo da viabilidade das prioridades, inscritas no espaço ao no sentido das práticas cotidianas (mudanças de mentalidade), dos
alcance da açào profissional, há que sc ter claro c como referência os microacontecimentos, capazes dc questionar o co n he ci me n to
seguintes aspectos: constituído, interrogando-o sistematicamente e rcconstruindo -o. Í-
• o âmbito institucional, suas funções c responsabilidades; ; evidente que nem sempre o técnico pode ultrapassar os limites
• as possibilidades concretas dc intervenção em termos colocados à sua intervenção nesse nível, mas pode desocultá-los 4 \
financeiros, dc pessoal, de conhecimentos acumulados, de técnicas Estas abordagens exigem o conhecimento da visão dc mund o
e de prazos; e dos estereótipos das pessoas que ocupam posição no sistema de relações
• a coerência com a política definida em outros níveis; sociais ligados à arca de interesse: tem-se que enfrentar seu pensamento
• a compatibilidade com a situação social, econômica e real, conhecer suas representações, seu sistema de valores, suas noções e
política vigente; práticas, considerando que essas repre sentações instrumentalizam e
• a oportunidade política para agir sobre a causa identificada; orientam suas percepções e o con- teúdo de suas respostas.
• o índice dc possibilidade dc aceitação, por parte da Para o estudo da viabilidade de intervenção sobre uma
população usuária. prioridade, há que ser feita uma análise indutiva/dedutiva do

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No espaço que se situa no nível da rede institucional e da co mp o r t a men t o das variáveis que co m p õ e m a situação em decor-
rede dc apoio informal, dos grupos e dos segmentos da sociedade
TM
rência das alterações que se pretende induzir: até que ponto a
envolvidos com a questão central de preocupação, a ação pode situação é sensível a mudanças? Sob que fatores externos e/o u internos?
adquirir uma agilidade tal que lhe permita ter diferentes interlo- Quais as direções que poderá tomar? Analisar, como pondera Bucklcy
cutores, seja nos grupos populares, seja nos meios acadêmicos, seja (1971), "não somente as causas que atuam sobre
no âmbito político - governamental e /o u das instituições que estão os fenômenos e as possíveis integrações mútuas dos fatores» mas
implementando programas na área de interesse. A viabilidade do
planejamento de uma açào nesre nível vai depender tanto do grau também as possíveis conseqüências e, principalmente, os processos
de legitimidade adquirido pela instituição - e pelo profissional que totais emergentes como função das possíveis realimentações positivas ou
a representa - para as articulações necessárias, quanto da opor- negativas, medidas pelas decisões seletivas (escolhas) dos indivíduos direta
tunidade política dessa articulação. ou indiretamente envolvidos".
No nível das relações dc sociedade, a ação sobre as prioridades
se la/, pela utilização dos meios dc comunicação de massa. Nesse
nível deve ser refletido que a mudança social efetiva mente Dr. lese Pinheiro Coiccz, cm jijtlesir.i }iroièrid.i cm uuiubro dc 1990, dó sentido ;i css.i
transformadora, ainda que se situe no âmbito político, ocorre não citirmnção: "conviver com um.i dieta realidade não significa ser conivente com eh" .
MKJRI.V X V R R A S I Í A'.'TL ST A

V
Os fatores acima assinalados permitirão definir c delimitar o
objeto do planejamento sob a perspectiva de viabilidade institu-
cional, política, administrativa e técnica. Além dessa perspectiva, o
objeto deve ser escolhido tendo em vista o critério de importância
da problemática no âmbito de responsabilidade da instituição
planejadora, de interesse ou necessidade do usuário e / o u do
interesse da equipe planejadora. Definição de objetivos
e estabelecimentos de metas

Os objetivos expressam a intencionalidade da açào planejada,


direcionada para algo ainda não alcançado. A definição de objetivos antecipa
os resultados esperados, fornecendo o eixo analítico para a escolha de
alternativas. Ao propor objetivos, o planejador nega a realidade posta - o
problema objeto do planejamento - e afirma a possibilidade de alcance de
outra, desejável e possível, dadas .is condições objetivas da situação
analisada, em uma dialética de
adequação entre ideal/real, intenção/res T
ultM
ado. Essa dinâmica exige
que se tenha clareza nos p ropó sito s e que se estabeleça um
questionamento permanente da intencionalidade da ação, no sentido de
mantê-la nao só viável, mas relevante, legítima e com probabilidade de êxito
ante os fatores sociais do espaço em que opera.
lísse tipo de ação vem em oposição àquela em que as decisões são t

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omada s ao sabo r das necessidades emergentes, quando as atividades são
informadas e decididas em razão do desenvolvimento natural de uma
situação, sem uma consciência clara de sua importância no espaço mais
amplo, no qual se insere'16.

; Naturalmente , em dccorréncia das características dinâmicas do processo, os objetivos sã o passíveis

dc solVer relormulaçòcs ao decorrer d» planejament o e de ma execução, à medida qu e surjam


novos elemento s de realidade e de acordo
. om as características assumidas pela ação.
80 MVRTA+< VSRA* UACTISTA 1*3. AN líIAMI:NT11 MICI M

V
Tcsra (aptid Rivera, 1989) analisa que a definição de objetivos a ext ensão do que será realizado e os p ad rões qu e p er mi t i rão
no pl an ej amento pode ser i n fo rmad o por diversos propósitos: sua avaliação 4 7 .
crescimento/produção, mudança ou legitimação. Assinala que No contexto das tomadas de decisão durante o processo do planejamento,
esses propósitos se referem a âmbitos distintos de realidade e as no moment o de definição dos objetivos demarca-se o estado de coisas que se

categorias qu e os norteiam não são met od o lo gi camen t e equi- pretende atingir com a ação planejada, nesse sentido, a sua delimitação e

valentes, o que dá origem, cm cada um deles, a um viés particular clareza são fundamentais para o projeto. Essa definição se faz luz do
conhecimento acumulado nas aproximaçõe s anteriores, relacionadas à situação
de abo rd agem, com complexidades diferentes:
e suas tendências, seus valores, implicações e possibilidades.
O propósito de crescimento origina o planejamento administrativo: dimensiona São e q u a c i o n a d o s t a m b é m o s interesses exp res sos o u
os recursos, quantifica os objetivos e relaciona uns com os outros, implícitos do p od er decisório, as funções, competências e campos
mediante procedimentos que se aproxi- mam de uma forma de avaliação. de t r ab al h o da o rgan i zaç ão , sua estratégia de ação, a legislação
Por relacionar variáveis "objetivas", as categorias básicas com que qu e info rma suas ações, as políticas definidas em níveis local,
trabalha são aquelas que se referem aos aspectos imediatos da questão regional e / o u nacional. Ainda nesse âmbi to, os obj etivos c as
enfrentada. metas devem ser estabelecidos em coerência co m as políticas" 1*,
O propósito de mudança origina o p l an ej am en t o est rat égico e diretrizes 1 "'' e obj etivos dos demais níveis decisórios aos quais a
seu âmb i t o de realidade são as forças sociais em presença: açào planej ada se subordina*".
implica a i nt erp ret ação social da qu es t ão (o que significa Es t a p r o b l e m á t i c a t o r n a - s e p a r t i c u l a r m e n t e i m p o r t a n t e
TM
mu d an ç a de p arad i gma) , procura en t en d e r os processos q u and o as decisões para a ação dependem de diferentes níveis e
sociais e a qu es t ão tratada co m o inserida nesse processo. quando entre estes inexiste coerência de opiniões. De acordo com Bucklcy
Sua catcgoria-chavc é o pod er e suas decorrências. {1971), "em qualquer sociedade existem normas, valores, alternativas
conflitantes e uma vasta área de ambigüidades e COmpor-
O propósito dc legitimação origina o planejamento ideológico e seu âmbit o de
realidade são as forças sociais em relação à
totalidad e social. Ne ssa mod alid ad e de p lanejament o o q u e

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Haycs {1972:4 - IS) trata das dimensões tios indicadores de alcance do s objetivos
sc pretende c legitimar a proposta, o que significa com- c o m o sciulo: - dos resultados esperados» in cluin d o du ração e ext ens ão; de cicitos
colaterais; - de área de atividade c .'uca de influencia; - de p e rí od o de t e mp o ; - de
preender o ideário da sociedade em relação à questão tratada cust o para o b t e n ç ã o de resultados.
e construir suas propostas a partir desse conh eci ment o. '* Politica, considerada como um padrão de decisões, que tem por base princípios de ação para
situações recorrentes: proporciona orientação uniforme na tomada de decisões, estabelecendo os seus
limitei.
Xo processo do planejamento, a açào é concebida c exe- cutada em
Diretrizes, compreendidas com o um Conjunto orgânico dc princípios normativos, sjue regulam e
função de inrencionalidades expressas. Á explicitação do s objetivos deverá orientam a ação e o desempenho dc funções.
" O valor unitário do conjunt o exige que qualquer objetivo estabelecido como
indicar precisamente o qu e o planejament o pretend e alcançar, evidenciando pri<jritário seja adotado com reconhecimento de seu significado no conju nt o do sistema
os tipos de dados que indicarão e não com o resultado de reflexões de aspectos isolados." (l.oz.ino e Ferrer, 1968)
S2 IM VRI A** V KRÃS BAR*T IST A r I. AN K J AM U X Y O SOCIAI . 8 3

V
tamentos coletivos não institucionalizados". Kssa constatação torna evidente a que definam a dimensão de seus resultados (em termos de volume
necessidade dc definições claras e legítimas de objetivos, que ordenem de e extensão) cm um te mp o determinad o. O co nj u n t o dos .objetivos
fato uma açào conjunta51 . específicos deve se constituir em um to d o coerente e viável: não
Os objetivos podem ser subdivididos cm jjcrais> específicos e devem ser considerados fins em si mesmo s, mas partes de uma
operacionais. Enq ua n to os objetivos gerais e específicos se referem t o t a l i d a d e - o que significa que o alcance de apenas alguns objetivos
aos fins a serem alcançados, os objetivos operacionais relacionam- específicos não garante o alcance dos objetivos gerais.
se aos meios dc que se lança mão para alcançá-los 52 . Tant o uns Os objetivos operacionais determinam as ações pelas quais os objetivos
com o outros deverão ser explicitados cm termos que permitam sua gerais c específicos serão alcançados. Traduzem se por metas relativas à
concretização em metas quantificáveis e/o u verificáveis. eficiência e à economia da ação: metas técnicas, administrativas e/o u de
Os objetivos jjemis expressam os valores principais c a equipamentos.
intencionalidade da organização. Indicam a natureza do con- junto dos Segu nd o Lamparclli (s.d.:15), "por mais simples que sejam
resultados pretendidos pelo planejamento qu e está sendo desenvolvido 5 ' . os objetivos do planejamento c os objetivos gerais definidos, eles
Os objetivos específicos expressam uma decomposição do objetivo deverão ser trabalhados para se co mp o r em metas parciais e em
geral, que aponta resultados a serem alcançados em áreas determinadas. etapas de encami nha ment o ". Nessa perspectiva, os objetivos devem
Representam a previsão das características desejáveis de resultados da açào ser organizados de forma hierarquizada, de acordo com o grau de
sobre aspectos determinados da situação objeto do planejamento. Devem ser
prioridade de cada problema, com a estratégia da organização, com
explicitados cm metas concretas
suas responsabilidades e limitações, e as metas, realistas e factíveis,
estabelecidas em o r d e m seqüencial, p oTr M
etapas, em q u e estejam
1 Kssa última colocação ressalta outr o problema comumeut e encontrad o na definição de objetivos: co ntid o s os elementos t e mp o , espaço e volume da coisa a ser
sua legitimidade. Algumas vezes a intencionalidade explicitada por que m detê m o poder decisório não alcançada. Ainda, os objetivos e as metas tem valor quantitativo, mas podem
corresponde ãs intenções rc.iis da organização e sim pretende m apresentar nina imagem agr.ui.ivel
da mesma. O planejador necessita e devem, também, exprimir valores qualitativos, no sentid o da obtençã o de
conhecer a intenção real (ainda qu e implícita) para não correr o risco dc dirigir seus
melhor qualidade na verificação dos
resultados da ação planejada.
trabalho s p o r c a m i n h o s inviáveis. U m a m a n ei r a prática d e te st a r a legitimidad e dc u m a

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intenção é saber quais outras propostas a organização estaria disposta a sacrificar para Além da qualificação quanto à sua natureza, os objetivos e as
atingi-la.
r - Um a t en d ên ci a que sc cem em p l a n e j a m e n t o é a da cqtt alização do s obj eti vos metas podem ser classificados segundo o tempo presumido para o seu alcance:
fins aos ob j et i v o s mei os e o risco de m ax i mi z ar os es forços de alcan çar os mei os
e m d e t r i m e n t o do s fi n s . Objetivos de forijjo prazo: quando o seu alcance é definido em termos
r ~ Se sc está em um a instituição é importante ressaltar qual o seu objetivo geral (se é
relativamente distantes (n o planejamento governamental, o longo
que existe explicitado i. As instituições governamentais são criadas para res p ond er a
d eterminad os desafios. ,i d et ermin ad os problemas qu e a sociedade está se colocan d o. prazo é o que ultrapassa um período de governo). Os objetivos de
Ivntão, pode-se tomar o obj eti vo institucional com o objetivo geral do p lan ej ament o - longo prazo são, em geral, os alvos finais do
este, via de regra, não se afasta muito do que sc p reten de, o afast ament o vai se dar
mu i t o mais nas cspccirkaçòcs, nas op erau ou ali zaçõ es.
8 4 M VÇI A"S- V K KAS B A I' T I S T A
fl.AKIH AMliNTO SUCIAI.

empreendimento. Devem possibilitar uma compreensão clara dos mento decorrente, menor dependência ao poder formal e menor
futuros impactos das decisões atuais c uma maior cons- ciência da possibilidade de "manipulação" (Rivera, 1989:37).
mudança esperada, a fim dc permitir a ordenação dos esforços no Há, portanto, em determinados casos, a necessidade de um preparo
sentido de consegui-la. paralelo dc opinião pública para análise de formulações iniciais de objetivos,
Objetivos de curto prazo: podem ser traduzidos em metas que as quais deverão ser apresentadas de forma tão acessível quanto possível,
sejam alcançadas no exercício de uma administração. Têm, incluindo comentários justificadores, que procurem motivar a população
com o vantagem, as recompensas resultantes dc uma ação visada para participar de sua definição e, posteriormente, assumi-los com
de efeitos mediatos. interesse e entusiasmo. Para tanto, deve ser apresentado algo atingível, com
Objetivos imediatos: referem-se a alvos estabelecidos para curtís- prazos determinados, com resultados intermediários que permitam o controle
simo prazo. Geralmente visam estabelecer alvos padrões e a avaliação do desempenho da ação em seu decorrer.
para atividades do co tidiano , de mo d o a permitir que Ainda, durante o processo de planejamento, deve haver um esforço
objetivos de maior alcance sejam atingidos. Para que isso de informação contínua a todos que dele participem, seja como técnicos, seja
aconteça, há que se buscar coerência e integração interna como integrantes da população que recebe a influência das decisões, do
entre os objetivos de diferentes prazos. andamento da ação em função dos ob je t i vos cs tabclcc i d os.
Michacl Jucius e Schlender (1968 ) indicam cinco princípios
Devem ser considerados, ainda, na definição de objetivos, alguns
aplicáveis na definição dos objetivos paT
raM
garantir sua efetividade:
problemas e dificuldades que possam vir a ocorrer: o risco do centro

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decisório dar-lhe apenas apoio verbal ou de sua definição ser Aceitabilidade-, um objetivo deve ser aceitável para as pessoas, cujas ações
demasiadamente superficial e/011 não refletir seu interesse real; de se acham envolvidas na sua execução;
impaciência quanto às respostas da programação e de pressões no sentido Exequibilidade: um objetivo tem de ser exeqüível dentro de um
de perseguir resultados mais imediatos; falhas de revisão 011 de atualização tempo razoável;
dos objetivos em função das mudanças, flutuações
e tendências socioeconómicas, no decorrer da ação.
Por ocasião da formulação dos objetivos, cm uma perspectiva Motivação-, deve ter qualidades que motivem a população a desejá-
de planejamento aberto, deverá haver uma instância de "partici- lo e a esforçar-se para alcançá-lo;
pação" dos responsáveis pela execução c dos usuários no processo Simplicidade: deve ser simples e claramente estabelecido;
de formulação das decisões. Kssa participação poderá ocorrer de Comunicação: deve ser comunicado a todos que se acham ligados
diferentes maneiras - como consulta direta 011 por sondagem de à sua consecução.
opiniões - c possuir diferentes níveis de influência. A idéia é que,
quanto mais aceitável for o objetivo e quanto mais participada for
a tomada dc decisão, maior a probabilidade de êxito do planeja-
V

Análise de alternativas de intervenção

Na co nstrução dc propostas para o e n fr e n t a m e n t o das


questões tomadas como prioritárias, visando ao alcance dos objetivos
definidos, diferentes caminhos podem ser percorridos c sua escolha
e o resultado dc um processo seletivo que busca alcançar uma
combinação ótima dc recursos, que aumente a eficiência e a eficácia
da açào, ao menor custo social e econômico.
Nessa escolha, são priorizados pro blemas e formas dc
TM
en fr en t a m en t o definidos co m o important e s nos estu dos realizados,
em d e t r i m e n t o de o utro s problemas c de o utras formas de
cnfientámcnto considerados secundários nesses estudos. Por isso,
esse mo me n to pode ser conflitivo e a ideia é enfrentar esse conflito
tornando consciente e intencional a escolha.
A formulação e a escolha dc alternativas são realizadas a partir

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dc um processo complexo que leva cm conta a dinâmica histórica
em que o objeto está imbricado, equacionando os recursos, as
facilidades e as dificuldades, a expectativa da populaçào-alvo, os
hábitos culturais das pessoas, as características psicológicas, sociais
e políticas dos grupos. Nesse processo, cabe ao planejador analisar
cada uma das propostas, ponderando suas respectivas vantagens e
desvantagens.
M^RÍA+ Í VKXA S 15 AFTJST A
111. A N K J A M K X T O S O C l AI. 89

\
hstc c um mo mento em que se procuram caminhos criativos O p ensamento em grupo é uma boa maneira para levantar
que permitam tirar o máximo das condições estabelecidas, potencia* um maior e mais variado nú mero dc hipóteses de alternativas
lixando os recursos disponíveis, sejam eles físicos, financeiros ou de intervenção, através do exercício da tempestade dc idéias, dc
humanos. Supõe a utilização simultânea de elementos técnicos c discussão dc aspectos, de recorrência a pessoas afins com o
políticos e o equacionamcnto da ação nas diferentes instâncias que p ro b le ma t r a t a d o . Q u a n t o mais h e t e r o g ê n e o for o grup o
co mpõ em o objeto: política, tcenico-administrativa e técnico- participante no levantamento de alternativas preliminares -
ope racional. q uanto ao tipo de profissionais e / o u q ua n to ao grupo social a
Na análise de alternativas dc intervenção deve-se, ainda, considerar que pertencem - , maior a probabilidade dc abordagens diferen-
que a situação específica, objeto de planejamento, não pode ser tratada dc ciadas em vista de resultados co muns.
maneira isolada dc seu contexto social c que as propostas que digam Uma vez levantado um número razoável de alternativas, cias
respeito aos elementos que compõem suas estruturas parciais só adquirem deverão ser classificadas e tríadas para, afinal, comporem um conjunto dc
condição para abrir caminhos para mudanças mais amplas na medida em propostas concretas, que deverão ser examinadas aprofundadamente para
que tenham implicação e articulação com propostas que objetivem instrumentalizar a tomada dc decisões quanto à escolha dc alguns
transformações nas relações dc sociedade. caminhos em detrimento dc outros.
Isso exige, para além da capacidade dc julgamento objetivo, Uma primeira classificação das alternativas pode sc referir a
sua natureza, nesse sentido, tem-se:

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a capacidade dc j ulgamento subjetivo, de enfrenta mento de
incertezas c riscos, dc criação de alternativas que não sc limitem ao Alternativas dc consolidação', que propõem ações de fortalecimento
conhecido e experimentado: c preciso ter presente que "planejar é de programas existentes, o que enT voM
lve redução de medidas
mudar \ muito embora a existência dc conseqüências intagíveis e a inovadoras. Os principais indicadores deste tipo dc alternativas são
natureza complexa das mais tangíveis tornem esse processo mais as propostas dc integração dc programas c dc grupos dc trabalhos c
difícil. Ifxige também que essa negação do "já feito" seja uma as idéias dc redução de flutuação das decisões c
das ações, de modernização da tecnologia, etc.;
negação dialética: que não se volte apenas para o que sc tem de Alternativas dc inovação: que propõem ampliação ou renovação da
mudar, mas que esteja alerta para o que tem dc ser mantido. ação através da adoção dc novos caminhos, da participação de
Para essa escolha, é importante levantar c tornar explícito o maior novos grupos, etc. Hm geral, são propostas responsáveis por
número de vias dc ações alternativas, como respostas- tentativas ao avanços no tempo, que produzem impactos não apenas no
problema focalizado. .Sua concepção depende do uso da imaginação. Isso objeto dado, mas ultrapassam o momento e a imcdiáticidadc
faz com que este seja o momento mais autentico do processo dc das tarefas atribuídas ao grupo de trabalho c/o u «\ organização.
planejamento como exercício criador c não apenas como sistematizador de As análises realizadas por Matus (fl/wd Huertas, 1996) ao traçar do
ideias já reconhecidas. planejamento estratégico situacional apontam a existência dc
90 M R R } T\ X" V K U A S B A L»T IS T A P t , AN 1= I A M H N T I I SLK". I AL. 9 1

V
alternativas que atuam sobre os fluxos, outras sobre as acumulações ocorridas valor relativo dc cada alternativa, tendo por base os resultados esperados por
na prática e outras sobre as regras do jogo social. Alanis pondera que, se as sua aplicação.
questões prioritárias sc concentram nos fluxos que estào sob o controle do O estudo das alternativas realiza-se basicamente a partir dc
planejador, ou sobre as acumulações (ou seja, sobre a capacidade necessária q uatro critérios correlacionados dc análise:
para o cquacionamento da questão), o enfrentamento dos problemas torna-se a) das conseqüências sociais da ação;
mais fácil. Os problemas muito difíceis se dão quando a concentração das b) da economia da ação;
questões prioritárias está localizada preferencialmente nas regras do jogo c) das operações;
social"'. Quando a relação do problema cm foco for muito direta e estreita d) do rend imento político.
com as regras sociais, o planejador tem necessariamente que formular
a) Análise das conseqüências sociais da ação
alternativas voltadas para a reforma ou revolução dessas regras.
Matus (o/J.aV.:8()) analisa que, tomando como ponto de partida a O estudo de alternativas resulta na ampliação da previsibili-
situação inicial e como referência a situação a que se deseja chegar dade: normalmente, toda açào provoca seqüências causais ilimitadas
(intencionalidade da ação/objetivos), vamos encontrar diversas situações c o ho me m pode apenas prever e controlar as suas conseqüências
intermediárias: uma rede dc trajetórias possíveis que produzem fatos mais imediatas511 . Nesse sentido, o exame sistemático dos efeitos de
(políticos, econômicos, sociais) em uma situação. Alguns desses fatos ocorrências prepara a equipe planejadora para o enfrenta me nto do
acumulam-se como condicionantes da capacidade de produção dos fatos que pode ser previsto e para a aceitação do imprevisível e das conse-

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seguintes. Essas acumulações articulam-se desenvolvendo uma capacidade de qüências improváveis dc parte das decisões.
produzir novos fatos, acumular força ou poder, ampliar a produção Mannhci m ( 1 9 6 2 ) chama de raT ioMde previsão a extensão da
econômica, de valores, etc. cadeia causal de uma atividade que pode ser prevista mais ou menos
Nesse sentido, a análise deve se debruçar sobre redes de precisamente numa determinada situação c de raio de açào a extensão das
trajetórias, agrupando as alternativas passíveis de serem combinadas em uma seqüências causais provocadas diretamente pela atividade do profissional c
única proposta de trabalho, que contenha ramas variedades que permanecem relativamente sob sen controle. Quanto maior o grau de
controle técnico e institucional dc uma determinada
de intervenção quantas sejam necessárias para estabelecer mudanças prática, maior o seu raio tanto de ação quanto de previsão.
nos diferentes níveis cm que se situaram as prioridades localizadas. Nesse processo, considera-se, então, que qualquer ação gera impactos
Um co nj unto de condições de aceitação deve ser elaborado tant o positivos quant o negativos: nenhum a alter- nativa de resposta às
para análise de cada proposta alternativa e as decisões deverão ser questões apontadas com o prioridades deixa de ter seu custo/prejuíz o na sua
tomadas com previsão dos resultados possíveis, determinando o relação com outros problemas ou co m outro s sujeitos.

Arcndt : os resultados d. u a<;òcs do s homen s estão para além do controle do s more s 1.1994, p. 14).
' • Com o exemplo , podem-s c cito? as regias da dcM^ualdadc, qu e beneficiam uns em detriment o dc outros:
que m 0 beneficiado ;is defende . po r isso é dillcil reforma r ou revolucionar o jog o político, econômic o
ou social.
92 M V R| AN-X RAS A
li 15 f r 1STA
1'I ANKI AAlKNTOSOCIAI. 9 3
l

V
Assim, um critério central para a triagem de propostas deve i ação/manutenção do projeto e quais as possibilidades de obtenção
ser a abrangência previsível cm relação às situações que se pretende dos recursos humanos - financeiros, técnicos e materiais necessários. A
modificar com o desencadeamento da intervenção. A esse critério, análise da economia da açào requer, ainda, que o planejador disponha
deve ser acoplada a previsão das restrições c dos impactos que se de informações, indicadores e medidas que lhe permitam identificar
farão sentir a partir da operação da alternativa adotada, do grau de sob que condições um conjunto dc alternativas pode ser considerado
risco das conseqüências das decisões sobre as demais, da oportuni- mais eficaz, ao menor custo, que outro e, também, detectar em que
dade da açào c de sua importância estratégica. Esta análise das grau a proposta que está sendo estudada possi- bilitará o alcance do
possibilidades dc alteração do equilíbrio provocada pela intervenção máximo benefício ao menor custo cconõmico- social, em relação às
nos diferentes aspectos da situação permite detectar os riscos da demais alternativas possíveis. A cconomicidade vi;', proposta deve ser
açào e o que se pode prever para reduzi-los, de modo a diminuirás avaliada, também, pela sua capacidade dc estimular outras atividades
possibilidades de falha ou dc insucesso. que favorecerão o alcance dos objetivos,
A análise das conseqüências da ação se faz através do estudo sem custo adicional dc operação.
do valor relativo de cada conjunto de alternativas, em face das Considera que a exequibilidade da proposta depende do
conseqüências previstas, não apenas em termos de determinados acesso a recursos técnicos e materiais para sua execução. Depende
objetivos específicos ou operacionais, mas, principalmente, em rambém da possibilidade de mobilização de pessoal, na quantidade
rehçào aos objetivos gerais e à própria razão dc ser de sua execução. e de qualidade exigidas para a realização do proposto e da possibi-
Procura definir qual o conjunto que oferece maior segurança quanto lidade dc obtenções dc recursos institucionais de apoio, necessários
ao alcance dos resultados previstos e oportunidade de mudança a sua efetivação (leis, convênios, etc.).
global da situação visada, no sentido desejado pelo planejamento,
TM
Para t a n t o , deve ser leito um le va ntamento minucioso e
com o menor risco. detalhado de todos os recursos que permitirão a execução da alternativa.
Para cada atividade prevista, devem ser explicitados os serviços, <>s
b) Análise da economia da ação recursos humanos, administrativos, materiais e finan- ceiros necessários.
Est a análise se asse nta no real e no factí vel - no sentido de

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garantir uma adequada direção futura -, ou seja, compatibiliza c) Análise das operações
recursos, valores c oportunidades do contexto externo com os recursos e
potenciais internos, no planejamento da açào. lista análise deverá demonstrar o grau dc relação, direta ou indireta,
Refere-se principalmente à viabilidade financeira das alterna- entre as atividades e os instrumentos propostos na alternativa e a
tivas: compara os custos das inversões com os resultados previstos viabilização dos objetivos. Deverá demonstrar, também, a coerência (ou
em curto, médio e longo prazos, tendo em vista detectar se os não) que existe entre a dimensão do problema e a dimensão do projeto.
recursos financeiros serão suficientes para cobrir os custos de implan-
9 4 Mv k i A KWV I-: R A s B A r r I s T A I : \ NU I . \ M K N I'<) S O C I A L 95
j

V
É o estudo da viabilidade técnica das alternativas propostas. das, uma vez que considera que os resultados variarão de acordo
Rcferc-sc à eficiência interna e externa da açào. Verifica a existência cólti as circunstâncias em que ocorreram as ações, o estudo das
de conhecimentos acumulados, dc técnicas c de instrumental conseqüências políticas da ação, para a organização decisória, para
ad eq uad o s ao tipo de açào p retendid a; estuda as rotinas, a a equipe executora e, finalmente, para a população que sofrerá os
flexibilidade da alternativa, seu potencial de complementaridade seus resultados.
com outros programas, sua força inovadora c, ainda, a viabilidade Considera, como alerta Pagés e outros (1987:98), que as propostas
dc mo nta ge m de um sistema dc controle c avaliação. Nessa alternativas não sc referem apenas a procedimentos de natureza técnica
perspectiva, além do desempenho lógico da ação planejada avalia a relativos ao modo de enfrentamento da questão objeto do planejamento,
atualidade da proposta técnica. mas são também produto de uma intencionalidade político-ideológica, não
Analisa o conjunto dc conhecimentos, instrumentos e meios podendo ser dissociadas da maneira como incidem nas relações dc
operacionais que corresponde à complexidade e às dimensões da sociedade c como são vividas pelos indivíduos: interiorizando condutas e,
problemática e aos objetivos definidos para o seu enfrentamento. Para ao mesmo tempo, os princípios que as legitima.
tanto, verifica a existência da indispensável coerência e compatibilidade Ser politicamente aceitável e sensível às aspirações da população
entre os meios e os instrumentos e seus respectivos campos de aplicação, significa que a proposta deve apresentar uma proba- bilidade acima da
detectando as limitações c as possibilidades operacionais nos diferentes média de ser aprovada pelos centros decisórios c pela população que será
níveis. alcançada pelos efeitos da ação planejada.

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Parte da perspectiva da complementaridade das ações inter c intra- Para tanto, os técnicos deverão ter levado cm conta a diversidade de
institiicional e da necessidade de mecanismos de superação das interesses dos diferentes grupos da pTo Mpulação; deverão estar
divergências. Nesse sentido, a proposta deve oferecer condições para, no cientes das flutuações políticas, das pressões exercidas por diferentes
momento de sua execução, ser adaptada em função de variáveis não grupos para conseguir determinados tipos dc soluções; do estado
previstas ou das negociações realizadas. Ao mesmo tempo, deverá de espírito da população em relação ao problema focado e aos
possibilitar a troca permanente de informações com problemas afins. Sem esses cuidados e sem o cquacionamento das
os demais programas e um funcionamento que seja, tanto quanto
possível, integrado e integrante. dificuldades decorrentes, poderá haver o risco de obstruções e, até
mesmo, de engavetamento do trabalho.
d) Análise do rendimento político Portanto, há que se analisar a legalidade c legitimidade política das
alternativas pensadas e perceber nelas os aspectos que têm potencialidade
li o es t ud o da viabilidade política da alternativa: da para aglutinar alianças e parcerias e os que provocam conflitos, rupturas
possibilidade de sanção de quem vai tomar a decisão, de aceitação e/o u confrontos.
de q uem vai executá-la c de quem vai ser beneficiado pelo
planejamento. Esta análise inclui, ainda, a oportunidade das medi-
V

Planificação

A planificação, no processo dc planejamento, c realizada no


momento em que, após a tomada dc um conjunto dc decisões, definidas em
facc de uma realidade determinada, inicia-se o trabalho de sistematização
das atividades e dos procedimentos necessários para o alcance dos
resultados previstos. Essas decisões sào explicitadas, sistematizadas,
interpretadas e detalhadas em
documentos que representam graus decrescentes de níveis de
decisão: planos, programas c projetos.
TM
Hste mo mento do processo inclui também um trabalho de
negociação das propostas nele contidas. Via de regra, é preparado
um d o cu mento preliminar, que sofre análise, objeções, cortes,
acréscimos e, finalmente, recebe a sanção dos centros decisórios
quando, entào, é transformado em documento funil.

PDF Editor
Para o bom andamento dessas negociações e a obtenção de
um maior grau dc sanção ãs propostas feitas, a equipe planejadora
precisará, muitas vezes, desenvolver um trabalho paralelo de
envolvimento dos responsáveis pelas decisões durante o processo,
Envolvi mento esse que os motivo a uma participação, ainda que
indireta, na criação e montagem dos detalhes da proposta, através
de consultas, relatórios, reuniões, etc.
MV XIIVÀR
1
VI.KAS BAPTISTA
1'i.ANEIAMHXTU is O CIAI.

V
Os documentos decorrentes dessa elaboração sc caracterizam como Plano
plano, programa ou projeto, não apenas em razão do nível decisório a que
se relacionam, mas também dc seu âmbito, grau dc agregação dc variáveis O plano delineia as decisões de caráter geral do sistema, suas
c detalhamento. grandes linhas políticas, suas estratégias, suas diretrizes c precisa
Em geral, quando o documento se refere a propostas relacio- nadas à responsabilidades. Deve ser formulado dc forma clara e simples, a
estrutura organizacional por inteiro, consubstancia um plano; quando se* iim dc nortear os demais níveis da proposta. É tomado como um
marco de referência para estudos setoriais c/o u regionais, com vistas
dedica a um setor, a uma área ou a uma região, caracteriza-se como um
à elaboração dc programas e projetos específicos, dentro de uma
programa; c, quando sc detém no deta- lhamento de alternativas singulares
perspectiva de coerência interna da organização c externa cm relação
de intervenção, é propriamente um projeto. O que significa que, quanto
ao contexto no qual ela se insere. No plano são sistematizados e
maior o âmbito e menor o detalhe referido, mais o documento se
compatibilizados objetivos c metas, procurando otimizar o uso dos
caracteriza como um plano; quanto menor o âmbito e maior o grau de
recursos da organização planejadora 56 .
detalhamento, mais ele terá características de projeto.
Tomand o como ponto de partida Lozano (1968), são apontados em
Friedman n (1960 ) assinala que tanto o plano como o pro- seguida os componentes estruturais de um plano:
jjrama ou o projeto têm tres dimensões essenciais para sua orga- • a síntese dos fatos e necessidades que o motivam e da
nização segundo a ordem necessária para sua efetivação, com importância da problemática para a instituição c para os grupos
previsão dc correspondências, interdependências c subordinação sociais que se beneficiarão do planejamento, fundamentando nela
(fluxograma): a formulação dos objetivos amplos da organização planejadora;

Tempo: isto c, cobre um período de tempo limitado. K montado • a formulação explícita da politicaTdM c prioridades e as razões
no mo mento presente, tendo em vista uma realização futura, para a escolha, destacando aspectos de viabilidade institucional, política,

o que vem exigir a elaboração do quadro da situação futura administrativa e técnica;

pretendida e dos prazos para o seu alcance. Nesta dimensão, • o quadro ordenado, por itens, das mudanças a operar,
.is atividades devem ser organizadas em cronogramas, segundo quanto à expansão de diferentes níveis e modalidades dc açào da
organização, à estrutura e no conteúdo dos setores e dos níveis de

PDF Editor
rend iment o pre vistos ;
as datas previstas para sua realização, determinando prazos
• o quadro cronológico das metas ou resultados a atingir ao
para cada etapa da ação;
termino do período ou das etapas previstas;
Espaço: a ação planejadora se realiza cm áreas delimitadas espa-
• os tipos e a magnitude dos recursos humanos, físicos e
cialmente;
instrumentais indispensáveis, acompanhados, sempre que possível,
Volume, o planejamento visa a resultados concretos mensuráveis em
de cronograma dos momentos de disponibilidade;
termos de volume, e sua realização deve contar, também, com
recursos físicos c materiais concretos. '• Nu anexo II encontra sc um exemplo tlc roteiro dc análise dc plano.
100 M R J U A Í Í L V : - : : < A S K, \ M I S T A I11 AN-niAMiiVTO xoc::.u. 101

V
• o volume e a composição das inversões e gastos para rodo • a formulação de objetivos gerais e específicos em seu nível
o período e para cada iase; e a explicitação dc sua coerência com as r .''^cas, diretrizes e
• a e s p e c i f i ca ç ão das fo n te s c / o u m o d a l i d a d e s de objetivos da organização e dc sua relação com os demais programas
financiamento; dc mesmo nível;
• a previsão de mudanças legais, institucionais c admi- • a estratégia e a dinâmica de trabalho a serem adotadas para
nistrativas indispensáveis para sua viabilidade; a realização do programa;
• a atribuição das responsabilidades de execução, de controle • as atividades e os projetos que comporão o programa, suas
e de avaliação dos resultados. Na medida em que o âmbito do
interligações, incluindo a apresentação sumária de seus objetivos e
plano abrange as execuções nos níveis de programa e projeto, o
de suas ações;
controle c a avaliação da execução estão condicionados a um sistema • os recursos humanos, fisicos e materiais a serem mobilizados
dc organização que permita o acompanhamento dos diferentes
para sua realização;
níveis da ação.
• a explicitação das medidas administrativas necessárias para

Programa sua implantação e manutenção.

Projeto
C) programa "c o documento* que detalha, por setor, a política,

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diretrizes, metas e medidas instrumentais. H ,1 setorização do plano",
O projeto c o documento que sistematiza e estabelece o
(Bernardes Pinto, 1969:10). K, basicamente» um desdobramento do
traçado prévio da operação de um co nj u T
nt oMde ações. H a unidade
plano: os objetivos setoriais do plano irão constituir os objetivos gerais
do programa. Permite projeções mais detalhadas a base de coeficientes elementar do processo sistemático de racionalização de decisões.
c dc informações mais específicas com relação aos diferentes níveis, Constitui-se da proposição de produção de algum bem ou serviço,
modalidades e especificações de alcance setorial ou regional. com emprego de técnicas determinadas, com o objetivo de obter
O programa estabelece o quadro de referencia do projeto, resultados definidos em um determinado período de tempo e de
no entanto, u é algo mais que um punhado de projetos, pois pressupõe, acordo com um determinado limite de recursos.
também, vinculação entre os projetos componentes" (ILPHS, 195:23). Co m o planificação da ação, o projeto pressupõe a indicação
Sào elementos básicos do programa: dos meios necessários à sua realização e â adequação desses meios
• a síntese de informações sobre a situação a ser modificada aos resultados perseguidos. H o instrumental nrais próximo da
com a programação; execução, devendo detalhar as atividades a serem desenvolvidas,
• a formulação explícita das funções efetivamente consignadas estabelecer prazos, especificar recursos humanos e materiais e
aos órgãos e/o u serviços ligados ao programa, com responsa- estruturar receitas e custos.
bilidades em sua execução; Podem ser elaboradas diferentes modalidades dc projetos,
de acordo com o aspecto da ação sobre o qual incide a planificação:
102 MYRIAX VKUAS BAPTIST A
I
V
seja o campo dc atividade (educacional, econômico, etc.), seja a
espcciíicidadc LV>processo utilizado (administrativo, dc capacitação,
de pesquisa, etc.), seja pelo tipo dc produto esperado (de creche,
de curso, de artesanato, etc.).
A elaboração de projetos, em geral, acompanha um roteiro
predeterminado, o qual, freqüentemente, c definido dc acordo com as
necessidades c exigências próprias do órgão dc execução e/o u financiador
Implementação
F7 .

São qualidades esperáveis em um projeto:


• simplicidade e clareza na redação;
• disposição gráfica adequada;
• clareza e precisão nas ilustrações; Implementar significa tomar providências concretas para a realização
dc algo planejado. A rase de implementação pode ser considerada como a
• objetividade e exatidão nas informações, na terminologia e
nas especificações técnicas; busca, formalização e incorporação dc recursos humanos, físicos, financeiros
e institucionais que viabilizem o projeto, bem como a instrumentalização
• suficiência e precisão: como guia para a ação, o projeto
juridico-administrativa do planejamento.
requer descrição adequada de cada operação;
Mo tt a (1 9 9 1 ) argumenta que p roj eto s bem d efinidos
• abrangência, ou seja, o projeto deve se referir dc forma
precisam ser t a m b é m ad eq u ad os em TteM rmos de implementação
exaustiva a todos os aspectos da estrutura da questão a que se destina;
administrativa e técnica para fazer frente às mudanças organiza-
• ser compatível e coerente em suas relações entre as partes e
cionais exigidas pelo planejamento e ao desafio de oferecer respostas ã
em suas relações com os outros níveis da programação;
dinâmica das mudanças conjunturais.
• ter relação visível entre as operações previstas e o alcance Nesta fase, o planejador sc preocupa em preparar a instituição,
dos resultados desejados, expressos nos objetivos; a equipe e a população interessada para a realização da intervenção
• apresentar limitação temporal e espacial.

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planejada . De p endend o da situação e do tipo dc planejamento cm curso,
poderá ser uma (ase que requer longo tempo e perseverança por parte do
técnico.
As áreas dc atuação na implementação do planejado são,
basicamente, a politica, a administrativa e a de provimento de reclu- sos
(financeiros, humanos e materiais}.
A implementação dos recursos financeiros sc refere às dotações
No anexo III cncoiura-sc um exemplo de roteiro dc projeto e, no anexo IV, um
exemplo dc roteiro de análise dc projeto. orçamentárias c extra-orçamentárias destinadas à execução do
104 MVKJ.-AV-VÜHAS HArriSTA

V
planejado. Devo ter como referência o período cm que o recurso e
necessário» os quantitativos orçamentários por unidades de tempo cm que
foi dividida a execução do trabalho e as fontes de recursos
- órgãos ou entidades da administ ração direta ou indireta do Estado»
ou q ualq uer outra or ganização que participe com recursos
financeiros para a execução do trabalho.
Implantação c execução
E considerada como implementação de recursos humanos a
viabilização dc alocação para o projeto de pessoas qualificadas profissional
e/o u administrativamente que se incumbirão da execução do planejado,
dentro dos limites de açào dc cada uma, segundo suas respectivas
responsabilidades.
liste é o mo mento do processo no qual a idéia antecipada 110
São rarefas da fase de implementação:
pensamento e explicitada na planificação transforma-se em ação
• a especificação de normas e padrões de intervenção;
efetiva: a implantação é a operação, nos espaços e nos prazos deter-
• a obtenção de decisões políticas favoráveis ao pleno curso
minados, das ações previstas no planejamento. E nesta fase que sc
ilo planejado, incluindo o convencimento de um grande número
dá a instalação e o início de funcionamento do empreendimento.
de pequenos centros de decisão existentes nos níveis e espaços em
1-^ssa ação introduz novos serviços c novas maneiras de agir:

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que se movimenta a açào;
quando o planejado é inovador, a simples reação de adaptação se
• a preparação da opinião pública e conquista da adesão dc TM
torna insuficiente para garantir a sobrev iv ência de grande parte
outros órgãos à ação prevista;
das propostas. Via de regra, nas propostas que pretendem mudanças
• a o b t e n ç ã o de recursos o r ça me nt ário s específicos,
substanciais na ação, é a modificação de padrões organizacionais
destinados às operações básicas do planejado: celebração dc
estabelecidos que vai possibilitar um rcarranjo estratégico nas áreas
convênios ou contratos, liberação de verbas orçamentárias, obtenção
de empréstimos, etc., de forma a assegurar administrativamente o funcionais com a valorização da descentralização, da desburocra-

financiamento do planejado no momento adequado; tização, da não-segmentação c da horizontali/ação das decisões. A


• a obtenção de leis, relõrmas fiscais ou monetárias, instruções abordagem unidiscipliitar configura-se como insuficiente, exigindo
de serviço ou decretos, revisão de legislação e outros instrumentos transdisciplinaridade na açào na busca de recompor a totalidade da
necessários à execução do planejado; questão focada. Nesse sentido, é enfatizado o trabalho em equipe, no qual
• a efetivação de experiências prévias, testes, etc. todas as tarefas semelhantes e interdependentes possam ser realizadas por
• o estabelecimento da estrutura técnico-administrativá que todos e/o u por cada um.
viabilize a realização do planejado. Em muitos casos, a implantação ocorre em instituições onde já
estão cm funcionamento serviços cujos padrões não correspondem
106 M Y Ç I . Í S R - V E R A S BAI - I I S T A ,'T A N I 1 : AML S RU S O C I A I . 1 07

V
ao desejável, sob o ponto de vista da nova proposta. Deve haver, participação consciente do usuário e, ainda, das pessoas
então, a preocupação de não interro mper bruscamente essas indiretamente ligadas ao trabalho ou interessadas nomesmo.
atividades: as novas medidas devem ser incorporadas gradualmente, E outros projetos que sejam necessários para cada caso em
aperfeiçoando e renovando o que já existe. K comum, nesses casos, particular, tendo cm vista prever oportunidades e problemas que possam
que o pessoal de base resista às modificações. Essa resistência pode surgir na fase de execução e antecipar suas respostas.
ser diminuída por um trabalho inicial de interpretação e de troca A organização técnico-administrativa da açào planejada
de opiniões, que venha resultar na compreensão e assimilação das pressupõe uma montagem que pode abranger diferentes níveis e
novas propostas e das novas medidas. setores, a partir da linha mestra da política de ação que deve servir
A implantação e, posteriormente, a execução irão depender, para de base a todos os níveis de decisão. Essa hierarquia das decisões,
melhor qualidade de desempenho, dc uma planificação que traduza segundo Minnich e Nelson (1971), deve preencher os seguintes
propostas concretas e, ainda, da formulação de projetos de apoio ao plano requisitos:
básico, quais sejam: a) estrutura organizacional, com delegação de funções,
Projeto de montagem administrativa c de capacitação do setor autoridade e responsabilidades, acuradamente definida e claramente
operacional: destinado a sistematizar a organização da unidade exposta;
executora do planejamento, estabelecer os procedimentos b) normas dc conduta adequadas, que possam ser postas em
prática sem dificuldades;

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administrativos, determinar as tarefas e responsabilidades, prever
trabalhos auxiliares e de sustentação, etc. Esse projeto deve c) sistema de informações rápido e eficiente, que lorncça a
determinar o ritmo preliminar de funcionamento do corrente informativa necessária à tomad aTdM
e decisões;
empreendimento, que permita realizar os ajustamentos, as correções d) sistema de avaliação e controle que permita a adequação
c as revisões, até que a ação planejada possa ser realizada em sua de medidas de ação, de acordo com os desvios importantes na ação
capacidade total; e nos resultados planejados.
Projeto dc seleção e treinamento de pessoal: de acordo com as Após a implantação, gradualmente a execução vai se estabe-
finalidades do trabalho e com a tecnologia por ele exigidas, lecendo, suas rotinas de trabalho vão se concretizando e os
sào feitas a previsão das modalidades de recrutamento, seleção resultados da ação planejada se evidenciando.
e capacitação tio pessoal. Ainda que sc trate de pessoal técnico Nesta fase, todos os trabalhos e seus efeitos deverão ser

especializado, o elemento engajado deve ser suplementado acompanhados pelos técnicos, buscando-se seu controle, sua avaliação e,
principalmente, sua revisão, através de mecanismos específicos.
com o interpretação da organização, de seus objetivos c com
a informação de suas regras e regulamentos;
Projeto de obtenção da participação do usuário-, previsão de canais dc
comunicação que ofereçam condições alternativas de
V

Controle

Um planejamento, o controle é instrumento de apoio e


racionalização da execução, no sentido de assegurar a observância
no p ro gra mad o , prevenindo desvios. O controle pode ser defi-
nido co mo a fase em que se processam o aco mp a n ha me n to siste
mático, a mensuração e o registro das atividades executadas»
dos recursos utilizados, do temp o dispendido cm cada fase, dos
resultados alcançados. Nesse aco mp a n ha me n to , a ação progra-
mad a é mens ur ad a em l e r m o s de seu T
prM
ocesso, de seus meios e
dc seu produto.
Objetiva, portanto:
• a verificação da correspondência do realizado com o
planejado, em termos dc meios e dc produto;
• a identificação e a correção de desvios e bloqueios na

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execução, em relação ao estabelecido no planejamento;
• o fornecimento de subsídios para avaliação e revisão da ação.
Para assegurar um controle efetivo na execução do planejado,
devem ser estabelecidas (sempre que possível, por ocasião da
montagem dos planos, programas ou projetos) definições opera-
cionais dos objetivos e das metas propostas, com explicitação das
unidades de medida c dos critérios que nortearão a observação ea
Al Y^klAír VI- RAS BAiníSTA 111
Pí.ANI A v-Í: STII SOCIAJ:

mensuração. Há também que sc ter a preocupação dc montar um sistema dc • manuais de operação;


informações que permita identificar os bloqueios e os desvios à • gráficos do desenvolvimento da ação;
opcracionalização do projeto. • relatórios;
Dc uma maneira geral, é controlada a correspondência entre • cronogramas;
o programado e o realizado cm termos dc desempenho técnico • fluxogramas;
(métodos e técnicas utilizados, instrumental, rentabilidade da ação) • orçamento-programa.
c dc desempenho administrativo {prazos, rotinas, fluxos,, aplicação
de recursos, uso de equipamentos, produtos, ctc.). Para tanto, são
elaborados relatórios, boletins estatísticos, gráficos, registros e
outros, os quais tem como referencial os fluxos, cronogramas,
orçamentos, ctc., constantes do documento que detalha a execução.
A ação do controle é efetivada em um processo contínuo e dinâmico
de aco mp anhamento da execução da ação programada e, também,
em mo mento s definidos de verificação (mensal, semanal, anual, ao
final dc determinada etapa, ctc.), os quais variam de acordo com a
natureza do controlado e com o objetivo específico daquele
controle.
A dinâmica do controle pode ser assim sintetizada: TM
• estabelecimento das unidades de medida c d.is especificações;
• estabelecimento de padrões (critérios que norteiam a análise
qualitativa do executado);
• aco mpanhamento da ação e coleta de informações sobre a
execução ;

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• comparação entre o executado c o programado;
• correção da execução e/o u revisão do projeto.
Para captar informações, há que se definir quais interessam e quais
instrumentos serão utilizados para alcançá-las, que poderão ser:
• o plano que dá base ao controle (o que, q uand o, onde,
quanto, como);
V

Avaliação

A avaliação está presente dialeticnmcnte em tod o o processo do


planejamento: quando sc inicia a ação planejada» inicia-se
concomitantemente sua avaliação, independentemente de sua formalização
cm documentos. Não é, portanto, o seu moment o final, mas aquele em que
o processo ascende a outro patamar, reconstruindo dinamicamente seu
objeto, objetivos e
procedimentos.
Essa avaliação, via de regra, tem poTrMb ase um p o n t o de vista
peculiar, que determina o modo de perceber c dc explicar as coisas
e o mundo da pessoa que avalia. E este ponto de vista que fornece
o referencial c os critérios sobre os quais sc apóiam esses juízos. Isso
significa que avaliar é tomar partido em relação à realidade analisada.
Portanto, cm seu processo, é fundamental ter explicitada a atitude, a

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posição crítica que irá nortear a percepção da situação. Pode ser o
mo me n t o de maior co nte úd o dialético do p lanejamento , na
medida em que nega para superar. Para tanto, será necessário
abandonar o enfoque fragmentário e pensar a proposta a partir de
premissas metodológicas da dialética que p o nham ênfase na
totalidade, no caráter histórico dos processos
sociais e no objetivo transformador e não meramente moderniza dor
desta proposta.
1 1 4 M V B I A Í * - V I = RÃ S B A P T I S T A i' i A N K J A M B N T O . s o u AI. 1 1S

V
Elementos fundamentais de dialética são facilmente reconhe- Considerando que a avaliação, no processo do planeja- mento ,
cíveis no mo mento da avaliação, no processo de planejamento: correspond e ao moment o em que as decisões, os procedimentos de
implementação e de implantação, o desem- penho e os resultados da açào
A dimensão da futuro: na avaliação, será feita, a partir do presente, uma
são colocados cm quest ão e exami- nados a partir de critérios
análise crítica do passado, tendo-se a perspectiva de uma
determinados, visando à formulação de juízos, para que esta sc efetive, é
intencionalidade social que não está explícita na prática imediata e
importante que se tenha condições de confrontar informações obtidas antes
tem dc ser apreendida através da busca de sua significação essencial;
c depois das operações do projeto.
A dimensão da historicidade: não pode ser esquecido que as
ü exercício da avaliação busca assegurar uma permanente
determinações da sociedade maior se impõem na conjuntura
adequação do planejado c do executado à intencionalidade do
e na açào que se realiza no trabalho localizado. Nesta dimen-
planejamento, considerando a dinâmica das variações e desafios
são nào se trata apenas dc recuperar o processo histórico,
permanentes postos na situação enfrentada. E na medida cm que
mas também de saber interpretá-lo e reconstruí-lo na parti-
permite detectar desvios, erros, bloqueios, os quais se interpõem a
cularidade da intervenção;
uma resposta significativa, que a avaliação desvela caminhos que sc
A dimensão da contradição: a avaliação é uma negação do planejado
abrem para a superação não apenas da ação, mas também do seu
e do realizado para sua superação. Quando se está avaliando,
planejamento. Desta maneira, subsidia as decisões relacionadas com
está se colocando cm questão a proposta, sua realização e

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o prossegui mento , retração, expansão e /o u reformulação do
seus resultados, liste "colocar em questão" não é simples-
empreendimento. TM
mente uma negação, mas também um caminho de superação
Xo planejamento de questões da área social, os problemas
da açào, apropriando-se dos aspectos que foram se mostrando
para a montage m de sistemas de avaliação encontram-se , principalmente:
frutíferos para o alcance das intencionalidadcs que a nortearam
• na precariedade dos processos científicos e metodológicos
e modificando aqueles que se mostraram inadequados, ou de mensuraçào de dados sociais, principalmente os de natureza
que foram sendo superados no decorrer do processo:
nenhuma solução permanece indefinidamente boa, surgem qualitativa;
situações novas, alteram-sc condições, desdobram-sc novas
• na ausência de um referencial de estudos que permita
alternativas;
determinar os efeitos de medidas macrossociais, em todas as dimen-
A dimensão do enfrentamento da reifica frio: a ação planejada, objeto do
sões do sistema;
planejamento, ocorre no cotidiano, diante das questões imediatas, e o
• na dificuldade para estabelecer a natureza estatística de
que vai determinar o desempenho é o controle que o planejador e o
relação entre indicadores, principalmente q uand o o processo
executor do planejado Venham sobre as variáveis da objetividade
envolve muitas espécies de mudanças, algumas a curto, outras a
posta pela sociedade. médio ou a longo prazo, as quais estão naturalmente relacionadas;
MJRRF.TN VERA S IÍ.MTIST A ri.A N I . :.\ M KXI O SOC I Al.

V
• na preocupação por resultados imediatos, enquanto na área • o confronto com os parâmetros e metas c a análise dos
social, muitas vezes, são mais significativos os resultados de longo desvios. Análise da eficiência, eficácia e efetividade interna da
prazo e menos tangíveis. intervenção, e externa, em relação à conjuntura da situação;
No processo da avaliação, deve-se ter cm vista também que as • as s u g e s t õ e s para r c a l i m e n t a ç ã o do p ro c e s so de
mudanças nas situações trabalhadas sofrem a açào não apenas da indução planejamento.
decorrente da utilização dos instrumentos mobilizados para realizá-las, mas Os critérios mais usuais em avaliação são os relacionados com
também das forças internas às organizações e das determinações a eficiência, a eficácia e a efetividade da açào. Uma ação programada
relacionadas às conjunturas históricas nas quais o processo que está sendo tem compromissos nesses três níveis dc abordagens: uma intervenção
avaliado sc insere. Deste modo, a análise dos efeitos, das mudanças que sc propõe realizar mudanças efetivas no contexto geral tem
induzidas, deve ter em conca essas determinações, que podem ler sobre que desenvolver formas de ação competentes, eficientes, eficazes c
essa realidade um efeito essencial5*. efetivas, ante as diferentes dimensões da problemática cm foco.
As adversidades e benefícios não previstos, provocados por essas
determinações, podem enviesar o curso do processo, modificando seus A valiação ria eficiência
resultados, tanto em termos da eficiência da ação, quanto de sua eficácia
para o alcance dos objetivos e da efetividade da resposta idealizada. A avaliação da eficiência incide diretamente sobre a ação
Um documento específico de avaliação deve conter os seguintes desenvolvida. Tem por objetivo reestruturar a açào para obter, ao menor
itens:

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custo e ao menor esforço, melhores resultados. Deve ser
• a descrição do projeto, com a especificação dos resultados necessariamente crítica, estabelecendo j uízos dc valor sobre o
previstos, dos procedimentos para alcançá-los e dos mecanismos
TM
desempenho e os resultados que o mesmo propicia.
dc registro; Um primeiro passo ê a decisão de que dados poderão ser
• a explicitação dos parâmetros predeterminados e das metas úteis para a análise dos resultados da ação, que funcionem direta
o u i n d i r e t a m e n t e co m o i n d i c a d o r e s , qu e c o n f i r m e m o u
contradigam os resultados obtidos pelo controle.
definidas em termos de espaço, volume e tempo; Sào critérios de eficiência aqueles relacionados com o
• a descrição dos dados dc antes, durante e depois da rendimento técnico c administrativo da ação: a otimização dos
intervenção; recursos disponibilizados, os padrões de qualidade dos resultados,
a capacidade dc atender à demanda, etc. Além das análises de dados
v Um mecanismo que permite m.iior qmli<ladc n.i análise das mudanças induzidas,
quantitativos, avalia-se a qualidade dos serviços e verifica-se o efeito
em eoiur.i posição às mudanças miu rou , é o estudo rctruspeclivo c projetivo do s dados dinâmico dc cada açào sobre o conjunto dc ações do projeto: isso
histórico», detectando ,i diferença «U: ritir.o c de direção dns projeções anteriores c
posccriores .1 intervenção, confirmando ou n.io as hipóteses dc trahaUio e de suas obriga a desenvolver técnicas analíticas que permitam avançar até a
conseqüências. apreensão das ações intra-insticucionais c inter institucionais.
118 MYFT T -*»: V K R A S BATJISTA
I'| . \ S r | AMKVTl » SOC1AJ ,

V
Esta avaliação crítica da execução da ação planejada é tão internas à ação, estar relacionadas à organização onde a ação opera ou, ainda,
mais importante q uanto maior for o nú mero dc participantes na sociedade.
intervenção: as interpretações sobre o processo e os resultados das
Nesta modalidade dc avaliação, mais i mp o rtante do que
ações podem ser bastante diferentes e constituírem-se cm vicses na
contar com melhores técnicas de medida é o aperfeiçoamento dos
execução. A correção desses desvios pode ser feita reto mand o o
procedimentos para análise dos efeitos da açào sobre o processo no
planejado e o ocorrido, analisando suas cocrcncias, to ma nd o como
qual intervêm, ou seja, a conexão entre açào e produto. Desta forma,
base as evidencias percebidas, compatibilizando as atividades que
a avaliação dc eficácia em geral vai exigir uma pesquisa própria
sc realizam separadamente, mas que tem objetivos comuns: a revisão
(p rincip almente q ua nd o as mudanças no sentido do objetivo
das ações realizadas se funde com a preparação de novas ações,
almejado não sc (azem sentir imediatamente, mas de forma mediata
novas políticas, novos planos.
ou de longo prazo), ou o estabelecimento de um instrumental de
controle que, alem de acompanhar o desemp enho e o rend imento
Avaliação da eficácia
do trabalho propriamente dito, incida sobre as mudanças ocorridas
na realidade sobra a qual se está trabalhando.
A eficácia é analisada a partir do estudo da adequação da açào
K importante opcracionalizar os aspectos fundamentais da proposição,
para o alcance dos objetivos c das metas previstos no planejamento c
de forma a permitir seu acompanhamento e a avaliação de seu alcance. Ksse
do grau em que os mesmos foram alcançados. Incide sobre a proposta
e, basicamente, sobre os objetivos (gerais c específicos) por ela instrumental pode, até mesmo, ter ligações com uma pesquisa experimental

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expressos, estabelecendo cm que medida os objetivos propostos foram que permita o controle dos resultados da
alcançados e quais as razões dos êxitos e dos fracassos. ação em termos das mudanças alcançad as, que possibilite atribuir esses
TM
Nesta análise são estudados não apenas os efeitos diretos, resultados àquela ação, com um índice maior de certeza.
resultantes da intervenção, mas também seus efeitos indiretos, sejam Um exemplo de uso da pesquisa experimental para avaliação
eles relacionados .1 intencionalidade da ação, sejam eles efeitos de eficácia de propostas é a localização de espaços de características
perversos, isto é, eleitos que, imediata ou med i ata mente, são ho mo gêneas, deixando um deles sem a ação ínterventiva, de forma
contraditórios cm relação ao intento da ação. a servir de referencial de controle, d emo nstrativo da possível
Nesse sentido, em uma avaliação, a compreensão desses evolução "natural" daquela realidade. A referência de controle, nesse
aspectos deve estar sempre presente, para que não se analise a caso, permite apreender com maior segurança as mudanças na realidade que
intervenção cm si, esquecendo suas determinações: c importante independem da nossa ação ínterventiva.
ressaltar que não é só a intervenção programada nem o cotidiano
previsto c conhecido que irão determinar o desenvolvimento e os Avaliação da efetividade
resultados da açào, existem eventos não previstos que influenciam
substancialmente os resultados de uma ação programada. Kssas A avaliação da efetividade diz respeito, mais propriamente,
determinações poderão estar em diferentes níveis: poderão ser ao estudo do impacto do planejado sobre a situação, ã adequação
120 M v KtVN-V K K AS 11 A r r i s TA

dos objetivos definidos para o atendimento da problemática objeto da


intervenção, ou melhor, ao estudo dos eleitos da ação sobre a questão
objeto do planejamento. Nesta perspectiva, o ponto de vista da avaliação é
o da totalidade e a questão é vista como uma totalidade parcial integrada
cm totalidades mais amplas.
Nesta abordagem, a experiência, a alternativa proposta, os
objetivos e a sua amplitude são objetos de uma negação dialética.
Retomada do processo
A avaliação da efetividade questiona a proposta, os objetivos e a
açào desenvolvida, não em termos de sua capacidade de execução,
mas em termos de sua capacidade de dar respostas adequadas ao
desafio posto pela realidade por inteiro (cobertura), no limite do
âmbito da intervenção da ação planejada. A retomada do processo é caracterizada pelo momento em

Nela se dá o confronto da proposta com o contexto total da que são delineadas novas políticas, novas estratégias para a ação c,
realidade objeto da intervenção: uma ação pode ter sido eficiente e portanto, reiniciado o processo do planejamento já em um novo
eficaz e, ao mes mo te mp o , não ser efetiva em termo s do patamar. Esta retomada é feita com base nas evidências percebidas
enfrentamento da questão colocada à organização planejadora: pode i partir do acompanhamento do progresso tia intervenção, da análise
e c5a avaliação dos resultados obtidos, aliados à compreensão e

PDF Editor
estar privilegiando, por exemplo, 1,0% da população demandatária
daquele tipo de ação (e excluindo 99%), o que significa uma resposta reformulação da capacidade real da organização para responder às
não efetiva perante o desafio posto em seus termos mais amplos. demandas e para processar os apoios qu e TreM
cebe.
Na realidade complexa na qual se efetivam as propostas dc No decorrer da execução, surge freqüentemente o desafio
planejamento, muitas vezes, para detectar a efetividade da interven- ção de rever os planos e as práticas, com vistas a atualizá-los com as
sobre determinada questão, tem-se o problema da superposição circunstâncias que emergem no seu decorrer e com as idéias que
de cobertura por diferentes organizações a certos grupos da são construídas no campo particular da açào em um processo
população, o que pode dificultar o acompanhamento eletivo desses dados, contínuo de desenvolvimento de estratégias.de enfrentamento.
caso não haja interlocução anterior e estabelecimento de parcerias que Nesse sentido, o balanço da situação da intervenção no
permitam avaliações torali/.antes. contexto é o primeiro passo da análise, em que são levados em
Geralmente, esta modalidade de avaliação sc apoia, além de cm consideração os riscos, as oportunidades, as vantagens competitivas.
dados extraídos da realidade pela própria organização, cm dados H preciso confrontar as informações da conjuntura com a avaliação
secundários disponíveis, como registros, recenseamentos, pesquisas, nos da intervenção - sua situação, sua capacidade, etc. para, então,
quais se podem obter informações adicionais de grande validade para a definir seus pontos fortes e pontos fracos: o que vai permitir a
análise do antes e do depois da intervenção. tomada de decisões sobre o.s desafios a serem enfrentados na
122 M V ^ I A H - VK H. \ S BA P T I S T A

retomada do processo e os caminhos para superação dos limites aos


objetivos a que a ação sc propõe5 ".
Ingor Ansoff {apud Motta, 1991) aponta que mudanças repentinos,
urgentes c desconhecidas podem ocorrer ameaçando o planejado, o que
exige uma flexibilidade na ação que lhe propor- cione, além de capacidade
para responder rapidamente às crises, capacidade para» em seguida,
retornar rapidamente ao seu curso e/ ou construir novas alternativas. Bibliografia
O estabelecimento de modificações operacionais do dia-a-
dia requer decisões que podem ser bastante complicadas. Mias se
apoiam na idéia da revisão como dimensão contínua e sistemática
do planejamento, como respostas dinâmicas às situações perma-
nentemente detectadas pelo controle e pela avaliação, que baseiam ACKOFF, Russel l.. Planejamento de pesquisa social. Trad- Leonidas
as decisões diárias e corrigem o curso das ações. Hssa característica Hengelberge Octanny S. Mota. São Paulo: Hcrdcr, 1967.
lhe permite tirar vantagem das o p o rt u n id ad e s que surgem,
AREN1T1", 1 lannah. Sobre a violência. Trad. André Duarte. Prefacio dc
potencializar seus pontos fortes e superar suas fraquezas.
Celso Lafer. Rio de Janeiro: Rclumc Dumará, 1994.
Nessa reconstrução deverá ser (re)estabclecida a teoria que
informa a direção pretendida, bem como novamente equacionadas as BAPTISTA, Myrian Veras. "A ação profissional no cotidiano", hi:
alternativas e a questão da demanda em termos de clientela potencial O mio e o múltiplo nas relações entre as áreas do saber. São
Paulo: Cortez, 1995. p. 110-121.
e da possibilidade que a ação tem para respondera ela, reformulando TM
os custos operacionais incluindo pessoal, manutenção da ação - e "A participação como valor e estratégia de açào do serviço social".
planejando o fluxo de caixa necessário para a nova perspectiva da ação. In: Serviço Social e Sociedade. São Paulo: Cortez, 1987, li. 25. p.
A retomada do processo é particularmente dinâmica em 83-109.
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O acionamento da retomada dinâmica do processo é que
permite ao planejador garantir a perspectiva dialética de reflexão c BARBIKR, llene. Pesquisa-ação na instituição educativa. Trad.
de permanente confronto com a realidade, por ocasião de novas Kstcla dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Zahar, I98f>.
tomadas de decisões. BHRCiKR, Peter L, e LUCKMANN, Thomas. A construção social da
realidade: tratado de sociologia do conhecimento A - ed. Trad.
1 No anexo V apresentamos un u piopost.i dc conteúdo ilc análise setorial. Floriano de Souza Fernandes. Petrópolis: Vozes, 1978.
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VOLPI, Mário (org.). O adolescente e o ato infracional. Sào Paulo:
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TM

PDF Editor
Anexo I
MATRIZ DE RUI.AÇÀO ENTRE VARIÁVEIS

variável 1 llOI1(lci'J.l"Íll
^^^kpciiilciuc
\ iriíVcl r . (>|toriuni- jj
in<tc|K'i-.iloiUi: sal.Wl» ni<irUklfli1o ÜAhiiayào IIjuIi*
ciiu<3i£um.il . impimanoa
,,C >XKr lnHHl CAUSi
salário

inorliidiiic

nível
cilucàcional
TM

npurwnul.uks
ilc ü/.cr
pondvrav*0«!•«
importânaci

PDF Editor
com» efeito

Mod o dc utilizar a matriz:


Tomand o a variável situada na linha horizontal como variável dc
causa, a ponderação dc seus efeitos sobre as demais variáveis situadas na coluna
deverá ser representada em uma graduação que variará dc 0 a 4 (0 = nenhum
efeito, 1 = pouco efeito, 2 = efeito regular, 3 = efeito forte, 4 = efeito
fortíssimo).
132 M J R F *Y VKRA S BAPTIST A

Preenchido o quadro, a somatória das linhas oferecerá a dimensão da


variável com o causa no contexto da situação c a somatória das colunas, sua
dimensão como efeito.
A pontuação objetiva de cada uma dessas relações pressupõe
um estudo anterior dc correlação de variáveis, do qual o nú mero

atribuído seria um resumo das conclusões alcançadas. Anexo II


ROTHNU> DI- ANÁUSF. DE PIANO

- Apresentação

Apreciação sobre:
• a redação;
• a disposição gráfica;
• a clave/a e precisão das ilustrações.
TM

- Estrutura

• O d o cu men t o inclui todas as partes integrantes do plano?


• Há equilíbrio , inter relação orgânica c coerência entre os

PDF Editor
diversos itens?

- Análise ele conteúdo

Qual a natureza do Plano? De Açào? De Invenções? Dc


Diretrizes?
1 3 4 M V K I V I - . R A S BAPT IS T A 1 35
I* I.ANI-: IAM RNTO SOl.IAI.

• Refere-sc a iodo o sistema ou a parte dele? Há equilíbrio • propicio u e l e me n t o s suficientes para f u n d a m e n t a r as


entre as diferentes partes do sistema? Hsta abordagem sc faz prioridades e as alternativas escolhidas?
integradamente ou justaposta?
• É aplicável no nível decisório do órgão? É viável política, Finalidades/Objetivos/Metas:
técnica e economicamente? Ou sua viabilidade depende de • estão definidos com precisão e clareza? Hstâo operacio-
fatores não controláveis?
nalizados ou são operacionalizáveis? As metas estão devida-
• Há coerência entre a dimensão do plano e a dimensão da mente quantificadas q uanto a espaço, tempo c volume?
situação a que ele se refere?
• há coerência intrínseca entre as finalidades da instituição,
sua área e nível de competência, os objetivos (gerais, especí-
ficos e operacionais) e as metas propostas? As metas e os
4 - Análise técnica
objetivos específicos são compatíveis, complementares ou
incompatíveis entre si?
Identificação do plano:
• os objetivos e as metas são exeqüíveis, utópicos ou insatisfa-
• inclui os elementos indispensáveis para identificá-lo com
tórios, em face do problema abordado e dos recursos e
relação à entidade e à equipe que o elaborou?
tempos disponibilizados para .i intervenção?
Justificativa:

PDF Editor
• a justificativa é esclarecedora quanto à necessidade de rea- Política de ação:
lização do plano?
TM dos objetivos e metas
• a política adotada propicia o alcance
• há suficiente fundamentação para as prioridades e alterna- do Plano? Possibilita o maior benefício (na solução da
tivas escolhidas? problemática), ao menor prazo, ao menor custo econômico
e social, para utilização dos recursos disponibilizados?
Diagnóstico:

• apresenta os principais elementos que compõem a questão? Estratégias:


• fornece dados que cubram suficientemente a problemática? • foram explicitadas? Foram suficientemente justificadas? São
• a análise se fundamentou em uma teoria? Qual? operacionais (técnica, económica e politicamente)?
• a análise contou com indicadores e parâmetros preestabe- • foram montadas dc modo a emprestar maior força, dinami-
lecidos? Quais? cidade e rentabilidade à ação?
• os diferentes elementos que co mpõem a questão foram • proporcionam meios para maior aceitação do Plano pelos
suficientemente analisados e correlacionados? Nessa análise, grupos nela envolvidos e facilitam a sanção dos órgãos que
foram utilizados indicadores significativos? deverão decidir por sua aplicação?
MYRIXÍÍ VKRA S BAPTIST A

5 - Análise do cquacionamento dos recursos

Financeiros:
• foram explicitadas as políticas de aplicação dc recursos finan-
ceiros por região e por área de atividade?
• foram indicados os prazos, as fontes c os mecanismos para a
utilização desses recursos?
Anexo III
• ha coerência na distribuição das verbas co m o diagnóstico
ROTEIR O DE PROJETO
realizado, com os objetivos, as metas e a política adotada?
• o Plano c coerente com o volume dos recursos?

Humanos : 1 - Identificação
• foi explicitada uma política de recursos h u m a n o s para a
viabilização do Plano? • Inclui os elementos essenciais para identificar o projeto c situa
• há uma adequada distribuição dos recursos hu manos, quanti- lo cm relação à entidade sancionadora e à equipe responsável.
tativa e qualitativamente necessários para pperacionalizá-lo? • Nom e (e sigla) da entidade executora do proj eto e do pro-
grama a que este se vincula.
Institucionais: • N o m e do proj eto : deve dar a id éia precisa da n at urez a do
• foram previstos os instrumentos legais, dc diferentes níveis e
TM
problema enfocado, deve ser coerente com o seu con teúd o
categorias, indispensáveis à operação do Plano? e apontar para os objetivos pretendidos.
• No m e do lécníco (ou dos me mb ro s da equipe técnica)
responsável pela elaboração c pela execução do projeto: espe
cificando qualificação e função no projeto.

PDF Editor
• D a t a d e elaboração do p ro j et o .

2 - Sumário da proposta

• Resumo claro e eficiente do projeto. Deve conter as infor-


mações-chave para uma apreciação preliminar da proposta
por aqueles que irão decidir sobre a sua realização.
k
138 M VH: AN" VliHA-S liAP T I JT A I'I . A NKJ AME NT O SÓCIA». 139

V
3 - Considerações gerais 5 - Objetivos e metas

• Natureza da instituição: finalidade, responsabilidade e • Definição dos objetivos gerais, específicos e operacionais do
recursos da entidade executora. Histórico da entidade, projeto e as metas pretendidas. Ksscs objetivos e essas metas
composição da diretoria; suporte legal e administrativo; deverão ser definidos com precisão c clareza, e sempre que
parcerias; trabalhos já realizados; resultados já conseguidos; possível de forma opcracionalizávcl. Devem ser exeqüíveis e
principais fontes de recursos. satisfatórios, em face do problema abordado e das condições

• Relação do projeto com os planos e programas da instituição. oferecidas para a intervenção.

Relação com os planos setoriais e regionais dos diferentes • As metas de eficiência e de eficácia devem ser identificadas
níveis de governo. em termos dc qualidade e dc quantidade. Explicitação obje
liva da área de abrangência (espaço geográfico), do setor de
intervenção, do volume dc resultados esperados (quantidade
4 - Justificativa (elementos) do efeito) e dos períodos (parcelas de tempo) previstos para
d i terent Cs resu ltados.

• A justificativa'deve ser esclarecedora quanto à necessidade • Na explicitação dos objetivos e metas deve haver preocupação

da realização do projeto. Deve iniciar explicitando os cm preservar sua coerência interna (compatibilidade e com-

PDF Editor
antecedentes do projeto, os critérios adotados para a escolha plementaridade entre eles) e sua coerência com a questão
de prioridades e para a seleção de alternativas. focada pelo projeto, co m a polítiT
caMda instituição e com os
seus efeitos (sociais, econômicos e/o u institucionais) sobre
• Análise do contexto: descrever a região c as características da
a situação.
população local, suas possibilidades e seus limites. As inicia-
tivas já desenvolvidas na região.
• Natureza do problema: apresentação dos principais aspec- ó D e t a l h a m e n t o d o p r o j e t o ( o qu e vai ser fei t o , c o m o

tos da questão, definição do(s) público(s)-alvo; definição será realizado )


do problema de maneira clara, dando ênfase a aspectos quan-
titativos e qualitativos, a implicações imediatas, mediatas e a longo 6.1 - Descrição da alternativa de intervenção escolhida: modelo
prazo e às medidas que já foram tomadas e/o u sugeridas em adotado, dimensionamento, localização
relação aos mesmos e seus resultados.
• Evidenciar a viabilidade da proposta enfatizando as parcerias 6.2 Descrição do processo: o que será feito e como
existentes e as parcerias possíveis. • Serviços previstos e capacidade de atendimento;
140 .MYXHVN- VKXA S BA.-ÍI,S T A P1. A XÍL1 A M H MT O SOCIA1. 141

• Procedimentos, seqüência lógica das ações, interdepen- • Dependência técnica, funcional e jurídica (organo-
dência, duração das atividades, dinâmica e conexões grama);
(cronogramas 60 e flux o gramas 61 }; • Sistema de capacitação do pessoal envolvido no projeto;
• Explicitação do método, das técnicas, dos instrumentos, • Sistemas dc funcionamento (rotinas);
do mo me nto , do local e da responsabilidade de cada • Sistemas de relacionamento com as demais instituições.
açào;
• Especificações (informações necessárias para a realização 6.3 3 - Requisitos Técnicos
da ação de acordo com o planejado): Disponibilidade dc elementos indispensáveis para a realização do
a) do pessoal; projeto, em termos de recursos humanos, materiais e
b) da metodologia: conteúdo c método; administrativo (institucionais).
c) das técnicas;
d) do equipamento. Hti manos:
• Tipos dc organização e de administração; Listagem do pessoal necessário, especificando funções, nível de
• Sistemas de co o r d enaç ã o (quem vai fazer o que, escolarização, nível salarial. As necessidades de pessoal devem
quando, onde?); ser resumidas em orçamento ordenado conforme as exigências
• Método de supervisão e de avaliação; técnico administrativas do projeto,
• Responsabilidades (diretas e indiretas); indicando qualificação, quantificação, salário, tempo de
trabalho. TM
• Mod o dc recrutamento e dc seleção (ficha profissio-
'" Cronograma c o representarão grãlica do Icmp o csf.ni.ulu para ;iexecução das uri:£15 pl.Micj.id.-s. grállca, com base nos requisitos para o cargo);
lV>dcm-se monta r cronograma s qu e abranjam unias as atividades c cronograma s espceflicos, para
um grup o orgânic o dc atividades. Descrição do cronograma:
• qualificação profissional c funcional dentro do projeto;
• indicação de número, tempo c vinculação (funcionário,
iiiii a c o lun a à e s q u e r d a , o n d e ê c o l o c a d o o n o m e ge n é r ic o da> at iv ida des ;

PDF Editor
um e spa ç o super i or onde são indicadas as referencias temporais para a distribuição contratado por tempo parcial, etc.);
das atividades; • definição de prazos, esclarecimento de número de horas
- uni e spaço centra! de sti na do às barras que irão indicar o início c o final das atividades.
Nesse m e sm o qua d r o pod e ser r egistrado o le m po gasto para as atividades previstas. de trabalho c do custo para o projeto;
P.uv. m e l h or diferenciação entre o e sti m a do e o realizado, c c onve ni ente colocar barras • programa de capacitação (cursos, estágios, etc.).
de cores diferentes, ideniilicadas na legenda do c r ono gr a m a .
r i u x og r a m a é a represe maçã o gráfica do m o vi m e nt o dos dilerenles e l e m e nt o s que
c o m p õ e m a ação planejada: pode -se figurar o l l u x od o s papeis nos di ferentes setores, o
lliixo tias pessoas nas diferentes atividades. No l l ux ogr a nu o espaço superior indica os
Materiais:
dil u entes m o m e nt o s do fluxo e .1 coluna à esquerda mdica os suj eitos ou os objet os • material de consumo;
que sc m o vi m e nt a m por esses espaços. A parte central do gráfico c reservada para a
indicaçüo de c om o se faz esse m o vi m e n t o
• material permanente;
142 M V F I.ÍÍT- V E R A S B A r VIST A Pl.AMr.r.\MI: .NTM -SDlMAl. 1 43

• descrição de instalações c equipamentos necessários à No orçamento, necessariamente, devem constar os custos


execução de cada tarefa; e as despesas de implementação, implantação e manuten-
• definição e especificação dos padrões de instalação e ção, os quais devem ser detalhados para que seja estimado
equipamentos; cada item, podendo ser resumidos e organizados como
• definição de prazos para utilização das instalações e orçamentos parciais: de investimentos, de manutenção
equipamentos (tamanho, características, distribuição no
(pessoal, material) facilitando a análise das despesas do
espaço, plantas, lay-out, previsão de ampliação).
projeto:
• indicar cada atividade por elemento de despesa (material
Administrativos:
de co nsumo , material permanente, pagamento de
• enumeração dos atos normativos necessários para a
execução das tarefas, destacando sua espécie (lei, pessoal, serviços de terceiros);
portaria, instrução de serviço) c os elementos essenciais • indicar insumos (correntes e de capital);
que esses atos devem conter; • indicar o parcelamento de entrada e de utilização dos
• explicitação dos órgãos ou entidades envolvidos na recursos (fluxo de caixa).
elaboração e/o u sanção das normas administrativas; As necessidades dc pessoal devem ser resumidas cm um
• elaboração de normas para atendimento, rotinas de orçamento ordenado, conforme as exigências técnicas e
funcionamento; administrativas do projeto, indicando a qualificação, a

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• organização do sistema de documentação: prever com quantificação, o salário, o tempo de trabalho. Deve per
antcccdêneia os documentos necessários dc organiza- mitir a visualização tio preço T
unM
itário. O orçamento de
ção, as formas de documentação, de arquivo, de fluxo, pessoal deve levar em conta o pagamento a ser feito em
visando a um sistema padronizado que garanta a comu- virtude das leis sociais: salário família, lerias, 13° salário,
nicação e que simplifique o processo de arquivamento
PIS, 1-CJTS, etc. Às vezes, a estimativa total desses custos
e consulta.
é apresentada através da aplicação de um percentual sobre
o montante total dos salários previstos. Se houver
6.4 Orçamento
necessidade de trabalhos em horas extras (noturnas ou
A previsão dos recursos monetários que serão necessários para
feriados), deve ser especificada a despesa adicional decorrente.
a efetivação do projeto constitui o orçamento. No orçamento
são previstas todas as despesas (gastos) e receitas (entradas dc C) cálculo das despesas ou custos de manutenção é realizado a
dinheiro) que deverão ocorrer nos diferentes momento s do partir da atribuição de preços aos vários recursos necessários,
projeto, sendo, também, determinados o volume e a estrutura devidamente quantificados, de acordo com estudo de mercado.
de inversões e gastos, e as fontes de financiamento interno e
externo.
144 VI-UA S B A P T I S T A I' I. A .N K J A MI • N T O S O CIAI . 1 45

l
6.5 - Fontes dc Recursos (dc investimento e de operação) criação de uma organização para dar-lhe suporte), discrimi-
• Indicação cia(s) entidade(s) financiadora(s) do projeto nando o caráter das medidas e stia periodicidade (se temporárias
c dc sua parcela dc responsabilidade; ou permanentes).
• Indicação do tipo dc dotação: capital próprio (orça-
mentário); crédito (fonte creditícia, condições, tipo de Tipos dc medidas de implementação:
credito, formas de pagamento, juros, etc.); convênio,
subvenção; dotação a fundo perdido; mensalidades; • Técnicas: treinamento de pessoal; estudos e pesquisas espe-
doações; etc.; ciais; distribuição de responsabilidades c dos esforços da ação
• Indicação do parcelamento das despesas c da utilização projetada entre os diferentes responsáveis pelo processo;
dos recursos (fluxo dc caixa).
• Administrativas: preparação e encaminhamento dc propostas
de reorganização operacional e/o u funcional, de criação dc
7 Sistema dc controle e dc avaliação cargos, de criação de órgãos, de forma a poder contar com
estruturas administrativas e com normas legais que viabili-
Descrição do sistema de controle e dc avaliação a ser adotado, zem a execução do projeto;
contendo indicação da equipe responsável, das metodologias, dos
indicadores, dos prazos, dos tipos de documentos dc suporte. • Legais: legislação especial para a execução do projeto - anexar
m o d e l o co m redação do d o c uTmMe n t o legal necessário
minutas de convênios, portarias, ordens internas, instruções
8 - Medidas dc implementação de serviço, ante-projeto de lei/decreto.

Implementar significa tomar providências concretas para a realização

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dc algo planejado. Kste item sc refere ao preparo c encaminhamento de
previsão das medidas de implementação necessárias para a realização
do projeto, especificando a natureza da medida, o padrão, o prazo dc
vigência e outras informações necessárias. Neste item devem ser
sumariadas as medidas administrativas necessárias ao funcionamento
do planejado (a necessidade, por exemplo, de um suporte legal para a
açào - leis, instruções, decretos de uma legislação especial para a
V

Anexo IV
Ron:[lio DE ANÁLISE DE PROJETO

1 - Análise da representação

Apre d ação sobre:


• a redação;
• a disposição gráfica;
• a clareza e a precisão das ilustrações, das referências, etc.

TM
2 - Análise do conteúdo

2.1 - Kstrutura
• O d o cu men to inclui todas as partes integrantes do
projeto?
• Há equilíbrio , inter-relação orgânica e coerência entre

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seus diferentes itens?

2.2 - Kscolha de prioridade c dc alternativa


• Trata-se de problema significativo? Por quê?
• É oportuna sua abordagem no mo men to proposto?
• A alternativa traz uma contribuição relevante para o
tratamento do problema abordado? Justifique.
MS Mjf.kt/RC VliRAS U Arns TA 149
FI.ajstüjav.ÍIVT;I SUCIA:.
V

• É uma alternativa criadora, inovadora? É co mu m, tradi- • Há coerência intrínseca entre as finalidades da institui-
cional: Quais as vantagens e as desvantagens que essa ção e os objetivos (gerais, específicos e operacionais) e
característica traz à alternativa? as medidas propostas pelo projeto?
• E viável (económica, técnica e politicamente)? Não • Os objetivos e as metas são exeqüíveis, utópicos, ambi
viável? De viabilidade condicionada a outras medidas ciosos, tímidos e/o u satisfatórios e realistas, em face
e/o u fatores? Quais? Essas medidas e/o u fatores são do problema abordado e das condições oferecidas para
controláveis? a intervenção?
• Há coerência entre a dimensão do problema e a dimen- • Os objetivos e as metas são compatíveis, incompatíveis
são do projeto? ou complementares entre si?
• O projeto cria condições estimuladoras para novas • As metas estão devidamente quantificadas em termos
atividades (efeitos multiplicadores colaterais)? Quais? de volume, tempo e espaço?
Justifique. • Foram analisados, e propostos como metas, os possíveis
• Que outros efeitos colaterais ou secundários poderiam efeitos secundários do projeto?
advir? Podem ser previstos efeitos que venham a reforçar
o interesse pelo projeto ou, então, desaconselhá-lo? 3.3 3 - Justificativa
Quais? • A justificativa é esclarecedora quanto á necessidade de
realização do projeto?
• Apresenta os principais aspecT
tosM
da questão? Fornece dados
que cobrem suficientemente a situação e/o u o problema?
3 - Análise técnica
• A análise do problema teve por base um modelo teórico?
Qual?
3.1 - Identificação do projeto
• As diversas variáveis da situação foram devidamente
• Inclui os elementos essenciais para identificá-lo e situá- analisadas e correlacionadas? Foram utilizados indica

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lo em relação à entidade sancionado ra e à equipe res-
d o re s s i gn i Ika ti vos ?
ponsável?
• Foram detectadas demandas e/o u necessidades sufi
• Seu título é coerente com o seu conteúdo?
cientes para justificar o projeto?
• Foi encontrada técnica adequada, econo micamente
3.2 - Finalidades, objetivos e metas
viável, para atender o problema?
• As finalidades» os objetivos e as metas estão definidos
• Foi evidenciada a capacidade financeira ou de endivi-
com precisão e clareza? Estão operacionalizados ou são damento da instituição para a realização do projeto?
oper acion al i z ave i s ? • Qu e outros aspectos deveriam ser abordados?
150 M Y UI ,C\ VI-: RA S I? A ? VI S TA P; ANPIAMI-.NTO .<((>Cl Al. 151

3.4 - Detalhamento do projeto Recursos humanos:


Operações: • Há correspondência entre o número, diversificação
profissional e disponibilidade de tempo do pessoal com
• O detalhamento deixou bem claro o conjunto dc ações,
as exigências para o alcance dos objetivos do projeto
sua seqüência e sua interdependência, para a execução
(excessivo, satisfatório, insuficiente)?
do projeto?
• O projeto é exeqüível no que se refere a recursos
• Há relação causa! visível cntic as operações previstas e
humanos?
o alcance dos resultados desejados, expressos nos
objetivos?
Recursos materiais:
• Há faciicidade nessas operações? Há lógica em sua • As instalações e equipamentos previstos correspondem
seqüência? às necessidades do projeto? São suficientes, excessivos,
• O método, as técnicas, os instrumentos, o mo ment o , insuficientes? Ksses recursos sào viáveis?
o local e a responsabilidade dc cada açào ficaram sufi-
ciente mente claros? Medidas de implementação:
• As diferentes especificações (q uanto ao pessoal, à • Foram previstos os instrumentos legais, administrativos
tecnologia, aos recursos materiais, etc.) sào as mais reco- e técnicos indispensáveis à execução do projeto?
mendáveis, ante os recursos disponíveis c os objetivos? • Foram equacionados os tramites para a sua obtenção?
• Os gráficos (cronogramas, fluxogramas, organogramas,
TM
diagramas, planilhas, etc.) estão corretos? Sào coerentes
com os procedimentos descritos?

Recu rsos ii nancciros:


• Há correspondência entre os recursos financeiros pre-

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vistos pelo projeto c a dimensão do problema (o projeto
é oneroso, razoável, insuficiente)?
• Houve indicação de fonte de recursos? K de parcela-
mento dc aplicação?
• A explicitação dos recursos financeiros oferece possibi-
lidade de cálculo de custo unitário de serviços?
• Há viabilidade na proposta financeira?
V

Anexo V
PROPOSTA nu CONTUÚDO DE ANÁLISE SETORIAL

1 - C a r a c t e r i z a ç ã o do s e t o r

a) definição do objeto do setor


b) fundamentação teórica
c) inter-rei ação com os demais setores

2 Identificação de necessidadesTeM
aspirações

a) caracterização da clientela do setor (evolução e projeção de


dados)
b) indicadores de necessidades do setor
c) necessidades e aspirações mais sentidas do setor

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d) quanti f icaçã o das necessidades e aspirações s egu n d o a
categoria da clientela (local de residência, atividade econó-
mica, etc.)

3 - Avaliação cia eficiência das atividades do setor

a) avaliação da política seguida pelo setor:


• caracterização da política do setor
134 tyv&rvx Vr.XAS li A:* J ISTA P I. A S" li J A M E N T O SOC : AL-

• avaliarão das políiicas c diretrizes, ante os resultados c) avaliação do atendimento


previstos • caracterização do atendimento existente (padrões)
• avaliação da coerência enire a política geral do setor c os • avaliação do atendimento proposto pela programação
objetivos inter mediários, os p ro gramas c as metas • avaliação do atendimento das aspirações e necessidades
específicas do setor:
• avaliação da coerência entre a política geral do setor e os • evolução recente
objetivos inter mediário s, os p ro gramas e as metas • projeção (considerando os planos» programas e projetos
específicas existentes)
• identificação dc áreas de atuação indefinidas c/o u confusas
" avaliação da instrumentalização da política adotada
• identificação da importância qualitativa c quantitativa da
• dimensionamento e adequação dos recursos financeiros
açào sobre a condição-problema
(aspectos qualitativos e quantitativos da sistemática de
• análise custo-bcncfício
mobilização c de aplicação)
• metodologia empregada (adequação da solução técnica
c da instrumentação em])regada - aspecto tecnológico;
4 - Análise da eficácia do setor
adequação da programação executiva proposta e adorada)
• instrumentos institucionais legais

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a) grau dc alcance dos objetivos e metas propostos pela
programação geral (aspectos de sucessos e fracassos)
b) quadro geral dos recursos atuais do setor TM
b) grau dc alcance dos objetivos e me ta s de atuação dos órgãos
• responsabilidade funcional (açàoexecutiva mediante pres-
do setor
tação dc sei viços e açào reguladora a partir de mecanismos c) adequação do campo e da escala na definição de objetivos c
dc controle e estímulos) metas
• identificação dos órgãos: competência legal» finalidades, d) adequação das estratégias para atingir os objetivos dc curto,
atividades, objetivos, metas, programas e projetos (nos médio e longo prazos
níveis federal, estadual c municipal); recursos disponíveis e) relação entre objetivos finais e intermediários» entre objetivos
e sua utilização (equipamento, pessoal e recursos finan- e metas
ceiros); capacidade e real utilização; perspectivas (modifi- f) identificação de focos de distorção (fatores político
cações na legislação, nos programas e projetos especiais e institucionais de base): no aparelho administrativo, na metodologia
nos respectivos graus de implantação) das soluções adotadas» na alocação de recursos financeiros c
• quadro da distribuição das responsabilidades e dos encar- humanos, etc.
gos assumidos g) identificação dos espaços de possibilidades dc avanços
TM

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TM

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TM

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