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TIPOS DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO

1.1 Conhecimento popular ou senso comum

É um conhecimento que existe desde a época dos homens das cavernas.


É um conhecimento passado de geração em geração, e que, de certa forma, deu
origem a todos os outros tipos de conhecimento. A grande maioria dos fatos do
nosso cotidiano atual tiveram origem no senso comum, e muitas vezes, por mero
acaso. (SANTOS, 2003).

A época certa de se semear e colher determinados tipos de cereais é um


exemplo de conhecimento muito antigo, que foi passado de geração em geração.
Muitos camponeses de nossos dias, mesmo iletrados e desprovidos de outros
conhecimentos, sabem o momento certo da semeadura, a época da colheita, a
necessidade da utilização de adubos e os tipos de solos adequados para
diferentes culturas (MARCONI e LAKATOS, 2008).
Apresenta quatro características básicas:
a) é assistemático: adquire-se ao acaso, à medida que as coisas e os fatos se
apresentam. Sua construção não segue um procedimento de rigor técnico;
b) é acrítico: não admite dúvidas acerca de sua superficialidade. Supõe que as
coisas são como parecem ser. Não examina a validade ou verdade deste
conhecer;
c) é impreciso: destina-se exclusivamente à sobrevivência biológica do homem
no seu meio físico, ignorando outros fatores mais profundos, interferentes e
determinantes em termos da cultura e do meio social, etc.;
d) é autocontraditório: a imprecisão do conhecimento vulgar torna-o quase
sempre contraditório, inconsistente, falho na essência de suas constatações
(BRAGA, 2008).

1.2 Conhecimento Religioso

O conhecimento religioso talvez seja tão antigo quanto o conhecimento


popular. Faz parte da característica humana buscar explicações para suas
dúvidas. Por exemplo, ter a noção de que a fumaça indica a presença de fogo
na mata admite uma explicação natural. Em outras palavras, se existe fumaça,
com certeza há algo queimando.
Entretanto, pode ter havido muitos casos em que o homem antigo deve
ter se perguntado sobre o porquê de determinado fenômeno (por exemplo, o que
é, e porque ocorre um eclipse lunar) e não tenha conseguido uma explicação
natural. Assim, surgia então uma explicação sobrenatural, um mito, que teria a
função de tranquilizar o homem, porque esse mito forneceria a explicação
necessária para a sua dúvida (SANTOS, 2003).

1.3 Conhecimento filosófico

O conhecimento filosófico é um conhecimento que tem a interrogação


como base. Esse conhecimento usa o questionamento e o pensamento como
base, ele é um conhecimento do dia a dia, mas ao contrário do conhecimento
vulgar ou empírico, o conhecimento filosófico se preocupa em questionar o
relacionamento do indivíduo com o meio em que está inserido.
Esse conhecimento é racional e não se baseia em experimentações, que
é o caso do conhecimento científico. O conhecimento filosófico não se preocupa
em verificar se as conclusões tiradas são válidas cientificamente. Esse
conhecimento está em busca de conclusões sobre a vida, o universo
ultrapassando o limite imposto pela ciência.

1.4 Conhecimento científico

É o conhecimento racional, sistemático, exato e verificável da realidade.


Sua origem está nos procedimentos de verificação baseados na metodologia
científica. Podemos então dizer que o Conhecimento Científico:
a) é racional: constitui-se de conceitos, juízos e raciocínios, não se valendo de
sensações, imagens ou modelos de conduta; permite que as ideias que o
constituem tenham a possibilidade de combinar-se de acordo com um conjunto
de regras lógicas, objetivando originar novas ideias; contém ideias organizadas
em sistemas.
b) é objetivo busca concordar com seu objeto; verifica-se as ideias (hipóteses)
são adequadas aos fatos.
c) atém-se aos fatos: tem nos fatos seu ponto de partida e de chegada; recolhe
os fatos tal qual são produzidos ou apresentados na natureza ou na sociedade,
de acordo com quadros conceituais ou esquemas de referência; utiliza-se de
dados empíricos.
d) transcende aos fatos: descarta fatos e produz outros, explicando-os; seleciona
os fatos que se consideram relevantes, controlando-os e, quando possível,
reproduzindo-os; não se satisfaz com a descrição das experiências, mas
sintetiza-as e compara-as com o que já é conhecido a respeito de outros fatos.
e) é analítico: - na abordagem de um fato, processo, situação ou fenômeno,
decompõe o todo em partes; o procedimento científico de análise leva à síntese.
f) requer exatidão e clareza.
g) é comunicável: sua linguagem deve poder ser entendida por todos os seres
humanos instruídos para tal; sua formulação deve permitir a outros
investigadores poderem verificar seus dados e hipóteses; deve-se considerar
como propriedade de toda a humanidade.
h) é verificável: é aceito como válido quando passa pela prova da experiência,
considerando-se as ciências factuais, ou da demonstração, em se tratando de
ciências formais; o teste das hipóteses é empírico (observacional ou
experimental); devem-se aprovar ou refutar as hipóteses científicas por meio da
prova ou da experiência.
i) Depende da investigação metódica: é planejado; fundamenta-se em
conhecimento anterior, especialmente em hipóteses já confirmadas, em leis e
princípios já constituídos; obedece a um método preestabelecido, que vem
determinar, no processo investigativo, a aplicação de normas e técnicas em
etapas definidas com clareza.
j) é explicativo: sua finalidade é explicar os fatos em termos de leis e as leis em
termos de princípios; além de buscar saber como são as coisas, procura
responder o porquê.
k) é aberto: desconhece barreiras limitadoras do conhecimento; reconhece que
a ciência não se constitui em um sistema dogmático e fechado, mas
controvertido e aberto; de certo modo, liga-se às circunstâncias de sua época,
conforme os instrumentos investigativos de que se dispõe e dos conhecimentos
que se acumularam.
l) é útil: buscando a verdade, cria ferramentas de observação e experimentação
capazes de conferir um entendimento adequado das coisas; permite uma
conexão entre ciência e tecnologia.

2. Exercícios

1) quando alguém afirma que a falta de água se dá pela vontade dos Deuses,
que tipo de conhecimento está sendo utilizado?
a) empírico
b) científico
c) senso comum
d) religioso
2) “é explicativo: sua finalidade é explicar os fatos em termos de leis e as leis em
termos de princípios; além de buscar saber como são as coisas, procura
responder o porquê”. Trata-se de uma característica do conhecimento:
a) vulgar
b) filosófico
c) investigativo
d) científico

3) Das características citadas abaixo, aquele que se refere ao conhecimento


religioso é:
a) requer exatidão e clareza.
b) é analítico: - na abordagem de um fato, processo, situação ou fenômeno,
decompõe o todo em partes; o procedimento científico de análise leva à síntese.
c) é objetivo busca concordar com seu objeto; verifica-se as ideias (hipóteses)
são adequadas aos fatos.
d) busca explicações para aquilo que vai além da compreensão humana

4) É uma característica do senso comum:


a) cria ferramentas de observação e experimentação capazes de conferir um
entendimento adequado das coisas.
b) permite uma conexão entre ciência e tecnologia.
c) depende da investigação metódica
d) é ensinado de geração para geração

5) O conhecimento filosófico pode ser definido como:


a) é o conhecimento racional, sistemático, exato e verificável da realidade.
b) usa o questionamento e o pensamento como base
c) é passado de geração para geração
d) acredita na existência de Deuses
3. Referências bibliográficas

MENDES, L. Faculdade Educacional de Arapoti – FATI. Métodos e Técnicas


de Pesquisa Disponível em:
http://www.faculdadearapoti.com.br/blogadm/wp-
content/uploads/2013/02/Material-1_MTP1.pdf >. Acesso em 07/04/2018.

SANTOS, C.J.G. Oficina de Pesquisa. Tipos de conhecimento. Disponível


em:
http://www.oficinadapesquisa.com.br/APOSTILAS/METODOL/_OF.TIPOS_
CONHECIMENTO.PDF . Acesso em 07/04/2018

BRAGA, V.F.L. Faculdade de direito de Campos. O CONHECIMENTO.


Disponível em: http://fdc.br/Arquivos/Artigos/14/OConhecimento.pdf.
Acesso em 07/04/2018