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NOVO LICEU

7 PASSOS PARA

ESCREVER UM

ARTIGO CIENTÍFICO

PROF. DR. THIAGO RODRIGUES PEREIRA


PROF. DR. THIAGO RODRIGUES PEREIRA

7 PASSOS PARA

ESCREVER UM

ARTIGO CIENTÍFICO

1ª Edição

Edição do Autor
Niterói
2018
C O N T E Ú D O

I n t r o d u ç ã o 03

1 º P a s s o - I n q u i e t a ç ã o I n i c i a l e E s c o l h a d o T e m a 06

10
2 º P a s s o - D e f i n i ç ã o d a S i t u a ç ã o P r o b l e m a

13
3 º P a s s o - C o n s t r u ç ã o d a H i p ó t e s e , O b j e t i v o s ,

V a r i á v e i s e J u s t i f i c a t i v a

4 º P a s s o - E s c o l h a d e u m M a r c o T e ó r i c o S e g u r o 20

5 º P a s s o - E s c o l h a e C o n s t r u ç ã o d o M é t o d o d e 23

A n á l i s e

27
6 º P a s s o - A n á l i s e F i n a l d a s L e i t u r a s e / o u A n á l i s e

d o s D a d o s C o l e t a d o s

30
7 º P a s s o - C o n c l u s ã o o u C o n s i d e r a ç õ e s F i n a i s

33
C o n s i d e r a ç õ e s F i n a i s

35
B i b l i o g r a f i a

36
I n f o r m a ç õ e s

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I N T R O D U Ç Ã O

Escrever um post, um artigo científico, uma monografia, uma dissertação de

mestrado e principalmente uma tese de doutorado, requer além de um

profundo conhecimento sobre um tema específico que irá ser explorado na

escrita, algumas regras básicas e essenciais, que denominamos de metodologia

da pesquisa.

A ciência nasce, com seus pressupostos, regras e métodos, tem sua fase

embrionária no Renascimento, alcançando na modernidade, na dicotomia

entre racionalismo e empirismos, os alicerces científicos que até os dias atuais

continuam vigendo.

Por óbvio que se pode escrever qualquer coisa que se queira, ignorando uma

metodologia da pesquisa científica, entretanto, o que estaremos a escrever será

um texto que não será considerado científico. Por exemplo, artigos e

reportagens escritas em jornais e revistas, normalmente não obedecem o rigor

científico. O mesmo se aplica à postagens na maioria dos sites, blogs  e redes

sociais. Sendo assim, pode o texto ser interessante, trazer a tona uma

importante discussão, etc., mas não poderá ser denominado de um texto

científico.
Todo aquele que deseja, portanto, adentrar na academia, se tornar um

professor, um pesquisador, um cientista, deverá conhecer bem o rigor

científico. Esse rigor não admite opiniões não embasadas, não muito bem

fundamentadas, os chamados “achismos”, onde o escritor apenas escreve o que

ele gostaria que fosse, e não o que realmente é, pelo menos não com base no

rigor científico. Uma metodologia da pesquisa bem empregada não admite

plágios, com ou sem dolo, violações éticas, ou qualquer outro elemento que

macule a idoneidade da pesquisa. A ciência não trabalha com verdades

absolutas, mas também, não admite suposições infundadas.

O presente texto é fruto de experiência mais de 12 anos como professor,

pesquisar e orientador de pesquisas de monografias, dissertações e teses. A

partir dessa experiência, os dilemas dúvidas e receios dos alunos e orientandos

puderam ser analisados e serviram como pontapé inicial para escrever esse

texto que não tem a ambição de esgotar o tema, pelo contrário, mas tão somente

servir como um norte, e a partir dele, que o pesquisador neófito possa

enveredar nesse difícil caminho da pesquisa científica, se aprimorando cada

dia mais e adquirindo mais e mais conhecimento sobre esse tema que é muito

vasto, sofisticado e essencial.


Não espere encontrar um manual com regras da ABNT ou algo do gênero na

presente obra. O intuito será o de apresentar os 7 passos básicos para que

qualquer um, em qualquer lugar do mundo, possa realmente fazer ciência. Com

isso, observando tais passos iniciais e básicos, o caminho da ciência está aberto,

mas tenha em mente que as discussões metodológicas são muito mais

complexas e sofisticadas do que o que está sendo mencionado aqui.

O objetivo é dar uma ideia inicial, para que o leitor, ávido por mais

conhecimento, possa vir a buscar aprimorar seus estudos e conhecimentos

sobre como fazer ciência.


1 º P A S S O

I N Q U I E T A Ç Ã O I N I C I A L E E S C O L H A D O T E M A

Toda e qualquer pesquisa científica começa com uma inquietação inicial do

pesquisador. Seja qualquer for o assunto, de filosofia, à biologia, passando por

direito, biologia, medicina, etc., será uma inquietação, um mal-estar em relação

aquele assunto específico que dará início à pesquisa.

Quando se fala em mal-estar, não se deve pensar em algo ruim em si, um mal

estar pode dizer respeito a um inconformismo em relação a não existência da

cura para uma doença, uma resposta a um dilema social, político, econômico,

etc. Mal-estar, portanto, é aquela vontade que existe dentro de cada

pesquisador que o motiva a pesquisar sobre um determinado assunto e que 

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não o fará descansar até que consiga encontrar as respostas às suas indagações

iniciais.

Um erro muito comum tanto do pesquisador neófito quanto do orientador é, o

primeiro, pedir que o orientador indique o que ele, pesquisador, deve

pesquisar. Já em relação ao orientador, de querer impor um tema específico

para que o orientando pesquise. Claro que o orientador não é obrigado a

orientar sobre qualquer tema. Ele tem total liberdade de não se sentir à

vontade de orientar um tema qualquer. Pode (e deve) dar algumas orientações

iniciais para auxiliar ao pesquisador neófito sobre o tema, mostrando o que ele

orientador pesquisa e orienta, para que o pesquisador neófito fique também a

vontade de continuar com esse orientador ou trocar e buscar outro que se

adeque melhor ao que ele se interessa por pesquisar.

Contudo, aquela chama inicial, aquela inquietação de querer buscar uma

resposta adequada, precisa estar dentro do pesquisador. Será essa inquietação

sobre um tema específico que permitirá que toda a pesquisa se desenvolva.

Sendo assim, a partir dessa inquietação, o pesquisador irá determinar o tema

que ele está em busca de pesquisar. É importante frisar que ainda não existe

um problema a ser pesquisado, pois este será o próximo passo da pesquisa. No

momento, a partir dessa inquietação, o pesquisador terá apenas um tema. 

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Contudo, esse tema ainda será muito grande para ser objeto de uma pesquisa

científica. Mas sem essa escolha pelo tema, não haveria uma futura situação

problema.

Portanto, um tema é algo geral, como uma pedra bruta, onde o pesquisador e

seu orientador deverão lapidá-la o máximo possível, aparando as arestas. Isso

se faz necessário pois, caso contrário, a pesquisa ficará tão grande, mas tão

grande, que o pesquisador não dará conta de tamanha empreitada.

Se tomarmos por exemplo uma análise sobre os chamados métodos alternativos

de resolução de conflitos, que são métodos e técnicas para dirimir conflitos

entre pessoas sem que seja necessário recorrer a um processo judicial.

Analisar tais métodos ainda é um tema muito vasto, sendo necessário ainda

especificar mais tal tema. Dentro da realidade brasileira, entretanto, ainda é

um tema vastíssimo. Poderia ser então uma análise de tais métodos após a

edição do Novo Código de Processo Civil de 2015.

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Ainda não se tem uma situação problema, mas sem dúvida

alguma, agora já se percebe um tema de pesquisa, um tema

mais enxuto, viável, factível, e não um projeto tão 

megalomaníaco que iria frustrar o pesquisador. Esse sentimento de frustração

viria em razão da enorme probabilidade de que esse pesquisador acabe por

desistir da pesquisa antes de conseguir concretiza-la, em razão do tamanho da

mesma.

Portanto, delinear o tema é essencial para o êxito da pesquisa.

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2 º P A S S O

D E F I N I Ç Ã O D A S I T U A Ç Ã O P R O B L E M A

Após conseguir delinear um tema factível para dar início à pesquisa científica,

o pesquisador deverá conseguir agora fazer o provável passo mais importante:

definir a situação problema.

Uma situação problema pode ser entendida como sendo aquela pergunta pela

qual o investigador irá buscar sua resposta. Na ciência, é comum o pesquisador

se deparar com uma questão não respondida, ou respondida de forma

insatisfatória ou com erro, e a partir disso, buscar a resposta correta (dentro

daquele padrão espaço-tempo em que se encontra).

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Não é uma obrigação, mas uma dica aos pesquisadores

neófitos: buscar definir a sua situação problema através de

uma pergunta. A iniciar a sua pesquisa através de uma 

pergunta, a elaboração da hipótese, que será o próximo passo, se mostrará

muito mais simples.

Podemos tomar por exemplo, utilizando o curso de Direito, um tema como “A

decisão do Supremo Tribunal Federal – STF em relação à autorização para

interrupção da gestação de fetos com anencefalia”. A situação problema seria,

por exemplo, “A decisão do STF ao autorizar a interrupção de gestação de fetos

anencéfalos viola o texto constitucional?”

Uma outra opção de situação problema para o tema mencionado poderia ser

também: “O STF usurpou a função legiferante do Congresso Nacional ao

autorizar a interrupção da gestação de fetos anencéfalos?”

Esses são possíveis situações problemas para serem respondidas a partir de um

tema já bem delineado.

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Se utilizarmos agora a filosofia como a grande área para a pesquisa,

poderíamos ter um exemplo de tema como Platão e a crença na vida após a

morte.

A situação problema poderia ser, por exemplo, “Qual o entendimento de Platão

sobre a possibilidade da prolongamento da consciência após a morte do corpo

físico”.  

E para exemplificar em área diferente das áreas sociais e humanas, podemos

optar pela a Medicina. Um tema poderia ser o aumento do uso de antibióticos

atualmente e bactérias mais resistentes. A situação problema poderia ser: “Qual

a relação entre o aumento do uso de antibióticos nas últimas décadas e o

aparecimento de superbactérias mais resistentes aos mesmos?”

Portanto, a situação problema é o momento central da pesquisa. Aquele

momento onde o investigador deverá pensar bem na hora de elaborar pois toda

a pesquisa irá girar em torno de responder a essa indagação, a essa pergunta.

Uma situação problema mal elaborada, poderá fazer ruir toda a pesquisa, pois

uma pergunta errada, irá fornecer uma resposta equivocada, ou pelo menos

uma resposta à um problema mal formulado. 

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3 º P A S S O

C O N S T R U Ç Ã O D A H I P Ó T E S E , O B J E T I V O S ,

V A R I Á V E I S E J U S T I F I C A T I V A

O passo seguinte à formulação da situação problema diz respeito da construção

de outros elementos metodológicos essenciais para a pesquisa científica.

Se temos uma situação problema que seria, a princípio, uma pergunta a ser

respondida, temos que elaborar uma resposta provisória para investigar se tal

resposta que pensamos está ou não correta.

O nome para essa resposta momentânea, e que apenas nas conclusões ou

considerações finais iremos aferir, se chama Hipótese.

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É uma Hipótese, pois ainda não se tem certeza se é a resposta que consegue

responder a indagação primeira: a situação problema.

Isso ocorre pois, hermeneuticamente, sempre que perguntamos, já possuímos

uma possível resposta em nossa mente, mesmo que ao final tal resposta não se

mostre correta. Isso ocorre pois, em termos hermenêuticos, não existe uma

neutralidade, pois somos fruto da nossa historicidade.

Sendo assim, temos o que Gadamer chamará de pré-compreensão, ou seja, uma

compreensão inicial sobre um tema qualquer. Não investigamos nem nada, mas

temos uma provável resposta já em nossa cabeça, fruto do que já vimos,

sentimos e vivemos.

A grande preocupação que precisa ter o pesquisador é não acreditar que sua

Hipótese, sua resposta momentânea, seja uma resposta já perfeita, pronta e

acabada. Se incorrer nesse erro, muito provavelmente sua pesquisa não dará

certo, mesmo que tenha boa-fé,  ela será uma fraude.

Portanto, por mais que seja impossível ser neutro, seja em uma pesquisa

científica e mesmo em nossas vidas, o rigor científico exige do pesquisador um

distanciamento mínimo, para não macular sua pesquisa. 

14 de 36
Tal distanciamento se mostra necessário pois, um dos paradigmas das ciências,

principalmente das ciências naturais, é a possibilidade de se refazer a

experiência científica, obtendo resultado idêntico, desde que mantidas as

condições a priori. Se o investigador colocar na pesquisa os seus sentimentos,

de forma consciente ou não, muito provavelmente, quando outro pesquisador

refizer a pesquisa ou o experimento, dificilmente encontrará a mesma resposta,

mostrando assim existir algum equívoco com a primeira, a segunda ou ambas

as pesquisas científicas.

Portanto, fazer ciência não é como escrever para um jornal, uma revista ou em

uma rede social. O pesquisador deve sempre se preocupar com os pressupostos

metodológicos científicos básicos se quiser realmente fazer ciência. Caso

contrário, seu escrito será qualquer outra coisa, mas não ciência. 

Um exemplo disso são os escritos em sagradas escrituras. Muitos deles não

podem ser comprovados cientificamente. Isso não invalidade sua importância

na sociedade, mas não pode ser considerado um texto científico.

Após elaborar a Hipótese, deverá o pesquisador elaborar os Objetivos, que são

normalmente classificados em Objetivo Geral e Objetivos Específicos. 

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O Objetivo Geral é justamente encontrar a resposta satisfatória para a situação

problema, ou em outras palavras, verificar se a Hipótese desenvolvida se

mostra correta e consegue responder ao questionamento da situação Problema.

Sendo assim, se eu tenho uma situação problema que pergunta, o Objetivo

Geral da pesquisa será a de aferir se a Hipótese se configurou ou não ao final da

pesquisa.

Já os Objetivos Específicos são aqueles elementos que compõe a pesquisa, e

mesmo não sendo o que há de mais importante na pesquisa, o seu cerne, são

elementos essenciais para que o Objetivo Geral possa ser concretizado.

Os Objetivos Específicos podem e devem ser usados para facilitar a pesquisa do

investigador. Facilita e muito a pesquisa quando o pesquisador utiliza os

Objetivos Específicos como os capítulos e subcapítulos que irá investigar em

sua pesquisa. Por exemplo, se a pesquisa versar sobre A Crise da Democracia

Brasileira, o Objetivo Geral pode ser encontrar o principal motivo pelo qual

parece haver um desencantamento com a democracia entre os brasileiros. Já os

objetivos específicos poderiam ser, por exemplo, analisar os conceitos iniciais e

atuais de democracia, perceber como o brasileiro entende o atual texto

constitucional, analisar a visão do brasileiro sobre o período do regime militar,

analisar como o pensamento de Jürgen Habermas em relação a democracia 

16 de 36
participativa poderia contribuir para a superação do desencantamento da

democracia no Brasil, etc.

Cada um dos Objetivos Específicos poderia ser um capítulo a ser explorado em

uma dissertação de mestrado ou até tese de doutorado. Se fosse uma pesquisa

menor, um artigo científico com até umas 25 laudas por exemplo, tais Objetivos

Específicos poderiam ser capítulos ou mesmo subcapítulos desse artigo.

Portanto, os Objetivos específicos podem e muito ajudar no

desenrolar da pesquisa, pois irão nortear o investigador,

evitando assim que ele pesquisa sobre assuntos que não 

tenham grande serventia para a pesquisa a ser realizada, e com isso, evitará

perda de tempo e esforço desnecessário.

Em relação à(s) Variável(eis), estas podem ser entendidas, conforme

entendimento de Lakatos e Marconi (2002, p. 29) como sendo aqueles elementos

que podem “interferir ou afetar o objeto em estudo devem ser não só levadas

em consideração, mas também devidamente controladas, para impedir

comprometimento ou risco de invalidar a pesquisa”.

17 de 36
Sendo assim, se estou fazendo uma pesquisa sobre educação básica no Brasil,

poderiam ser variáveis, por exemplo, o Índice de Desenvolvimento Humano

diferenciado nas regiões brasileiras, o acesso mais restrito às escolas no campo

do que nas maiores cidades, etc.

Nas pesquisas nas áreas das ciências naturais as variáveis se mostram ainda

mais facilmente. Se uma água ferve a 100ºC, para eu repetir essa experiência se

faz necessário verificar variáveis como qualidade da água, existência de vento,

controle do fogo que irá esquentar a água, etc. Portanto, tudo que possa de

alguma forma interferir no resultado da experiência, da pesquisa, deve ser

levado em consideração, sob pena de macular toda a pesquisa se tal variável

vier a influenciar de forma significativa na pesquisa.

Por fim, a Justificativa nada mais é do que a explicitação da relevância da

pesquisa, da sua importância não apenas para o pesquisador, mas

principalmente para comunidade científica e para a sociedade. Ciência não se

faz para si próprio, mas para buscar o bem para a sociedade. A ideia da ciência

será, como regra geral, a de melhorar as condições de vida doas seres humanos

de forma geral.

Assim, o pesquisador deverá demonstrar a comunidade científica e a sociedade,

porque ele acredita na relevância da sua pesquisa para o bem da humanidade. 

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O que relevante sua pesquisa pode legar aos seres humanos.

Sendo assim, a Justificativa nada mais é do que apresentar os motivos que

fazem a pesquisa relevante em um cenário internacional ou ao menos nacional

e o que isso poderá agregar ao desenvolvimento científico do país ou para

entender melhor e até propor soluções para um problema ou demanda social,

econômica, jurídica, política, filosófica, etc.

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4 º P A S S O

E S C O L H A D E U M M A R C O T E Ó R I C O S E G U R O

Na grande maioria das pesquisas, o investigador se apoia em pesquisas

realizadas anteriormente para auxiliá-lo em sua atual investigação. E claro,

procurar-se-á um pesquisador de renome, um pesquisador reconhecido por sua

expertise no meu científico para embasar a investigação.

Merece ser mencionado que existem algumas pesquisas que podem prescindir

de um marco teórico, como por exemplo algumas pesquisas empíricas, em

especial às quantitativas. Nas ciências da natureza ou biológicas, em razão do

seu caráter experimental, muitas vezes o marco teórico acaba por não ser de

grande serventia.

20 de 36
O Marco Teórico pode ser entendido como sendo aquela lente pela qual o

pesquisador coletará dados, fará suas leituras, analisará tudo sobre essa

pesquisa. Existiriam várias e diversas lentes para que ele usasse em sua

pesquisa, mas ele escolher essa(s) lentes(s), esse(s) marco(s) teórico(s) que

deverá acompanhar o pesquisador por toda a sua pesquisa.

Um erro muito comum do pesquisador neófito é, na Introdução da sua

pesquisa, explicitar que usará como Marco Teórico o pensador “A”, “B” ou “C”,

escrever um capítulo de sua pesquisa sobre o pensamento desse autor e esse

marco nunca mais aparecer na pesquisa. O que, apesar de corriqueiro, se

demonstra um erro gravíssimo em termos metodológicos.

Conforme mencionado, sendo a lente pela qual o pesquisador pensará sua

pesquisa, o Marco Teórico estará presente desde a Introdução, passando por

todos os capítulos da pesquisa, chegando até a conclusão ou considerações

finais. Sendo assim, não basta ao pesquisador escrever um capítulo bem escrito,

com os elementos essenciais do pensamento daquele pensador “A”, “B” OU “C”,

mas sim mostrar ao seu leitor que por toda a sua pesquisa, perceber-se-á que o

seu olhar sobre a situação problema e hipótese é permeada pelo pensamento

do Marco Teórico escolhido.

21 de 36
Além disso, na escolha do Marco Teórico, este não deve ser escolhido por

questões de amizade e gosto meramente pessoal, mas sim pela relevância do

autor e pela contribuição que seu pensamento dará a sua pesquisa. Seria como

para demonstrar que você não está sozinho na fundamentação científica da sua

pesquisa. O pesquisador mostra, portanto, que está “em boa companhia” ao

fundamentar daquela forma sua pesquisa. Portanto, não é simplesmente para

se usar um argumento de autoridade, mas sim para que o pesquisador não ande

sozinho, mas sim acompanhado ao longo de toda a sua pesquisa. Pode-se

afirmar que o Marco Teórico deve ser sempre o melhor amigo do pesquisador

ao longo de sua pesquisa.

Não errado o pesquisador usar mais de um Marco Teórico em sua pesquisa.

Contudo, deverá prestar muita atenção para não juntar pensadores cujo

entendimento sobre um determinado tema seria inconciliável. Portanto,

sempre que o pesquisador escolhe o(s) seu(eus) Marco(s) Teórico(s), deverá

explicitar, ao longo de sua pesquisa, o motivo pelo qual ele escolheu aquele

determinado marco teórico e em que contribuirá para o deslinde da pesquisa.

Sendo assim, sempre que o pesquisador deixar claro ao longo de sua pesquisa o

motivo da escolha daquele ou daqueles Marcos Teóricos, acaba por dirimir

qualquer dúvida ou controvérsia sobre tal ou tais escolhas e diminui o risco

que leitores e possíveis examinadores da sua pesquisa apontem erros nessa

escolha, tendo em vista que estará muito bem explicitado o motivo da escolha.

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5 º P A S S O

E S C O L H A E C O N S T R U Ç Ã O D O M É T O D O D E A N Á L I S E

Provavelmente esse seja o passo mais difícil ser dado, pois requer um

conhecimento maior em termos metodológicos.

Não se faz ciência, efetivamente falando, sem elaborar um método de análise,

um método de investigação. Quando se fala elaborar, não quer dizer criar, mas,

dentre os principais métodos, escolher um ou mais de um que melhor se

adequem aos objetivos da sua pesquisa, justificar tal escolha, e partir para

investigar e produzir cientificamente, escrever propriamente a pesquisa.

23 de 36
Na elaboração do método, a escolha entre aqueles métodos básicos científicos

normalmente ocorre primeiramente. Assim, deverá o investigador escolher

aquele método básico que melhor se adeque a sua pesquisa.

Podemos elencar os principais métodos:

          Indutivo;

          Dedutivo;

          Hipotético-dedutivo;

          Dialético;

          Sistêmico;

          Fenomenológico, e;

          Genealógico.

O pesquisador também deverá optar qual tipo de pesquisa fará em ralação a

abordagem da mesma. Sendo assim, deverá escolher se fará uma pesquisa

qualitativa ou quantitativa.

Deverá o pesquisador optar em relação a natureza de sua pesquisa, optando

assim se a mesma será mais básica ou se será aplicada.

O pesquisador também deverá optar sobre os objetivos de sua pesquisa. 

24 de 36
Com isso, deverá optar se irá objetivar uma pesquisa exploratória, descritiva ou

explicativa.

Por fim, o pesquisador deverá delinear sua pesquisa em relação aos

procedimentos para alcançar seus objetivos. Dentre vários, os procedimentos

mais utilizados em termos metodológicos são a pesquisa experimental, a

pesquisa documental, a pesquisa de campo, a pesquisa ex-post-facto, a pesquisa

levantamento, a pesquisa survey, a pesquisa de estudo de caso, a pesquisa

participante, a pesquisa ação e a pesquisa etnográfica.

Portanto, são várias as opções que o pesquisador deverá fazer no momento de

elaborar o seu projeto de pesquisa. Não se deve iniciar uma pesquisa científica

sem antes alinhavar todas essas questões, todas essas opções metodológicas a

priori. Quando uma pesquisa é iniciada sem antes o projeto de pesquisa estar

bem elaborado, o risco de a pesquisa não sair a contento, ou de se ter que

refazer várias questões são enormes, gerando grande desperdício de tempo e

dinheiro.

Portanto, a escolha do método e dos tipos de pesquisa que serão realizadas são

essenciais para o desenrolar da pesquisa. Contudo, para isso, se faz necessário,

por parte do pesquisador, esse conhecimento a priori, e com isso, elaborar o

melhor projeto de pesquisa possível.

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Ao longo da pesquisa, uma ou outra coisa pode e vai mudar.

Isso é mais do que natural. Nem sempre a pesquisa irá ocorrer

exatamente igual ao projetado. Mas se o número de mudanças

for muito grande, é sinônimo que o projeto foi mal feito e, muito

provavelmente, o pesquisador desperdiçou seu tempo e até dinheiro em

pesquisas que nada acrescentaram, e provavelmente nada acrescentarão na

busca por seus resultados.

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6 º P A S S O

A N Á L I S E F I N A L D A S L E I T U R A S E / O U A N Á L I S E

D O S D A D O S C O L E T A D O S

Após as inúmeras leituras realizadas na persecução dos objetivos da pesquisa,

sejam em livros, documentos, registros e afins e/ou o término da coleta dos

dados previstos no projeto de pesquisa, o investigador deverá realizar a

penúltima etapa da sua pesquisa.

Essa etapa é essencial pois o pesquisador irá rever as leituras e dados coletados

fazendo uma análise últimas dos mesmos, uma análise mais apurada, onde irá

se debruçar por mais tempo.

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Todos os livros, documentos e afins, além dos dados coletados, deverão ser

analisados à luz da metodologia prevista no projeto de pesquisa e do Marco

Teórico escolhido. Portanto, existem várias possibilidades de se analisar tais

obras lidas ou dados coletados, mas a escolha foi feita e deverá ser obedecida,

sob risco de ficar uma pesquisa grande demais, onde o pesquisador não

conseguirá chegar a resposta para seus objetivos previamente traçados.

Nesse momento da pesquisa, o investigador deverá tomar todo cuidado, para

que suas pré-compreensões não maculem sua pesquisa. Se por um lado a

neutralidade que o pensamento moderno acreditava existir e se possível ao

cientista se mostrou falaciosa, nem por isso poderá o pesquisador colocar todas

as suas vontades e desejos na pesquisa. A grande dificuldade será encontrar

essa imparcialidade e honestidade acadêmica.

Muitas vezes a hipótese prevista no projeto de pesquisa poderá não se

configurar na análise final e conclusões. E com isso, o pesquisador deve ter a

imparcialidade de apresentar tais resultados. Não é uma falha o erro do

pesquisador se sua hipótese não se configurar nos resultados finais.

Portanto, na analise final das leituras e/ou dados coletados, será o momento em

que o investigador irá verificar se sua hipótese foi ou não demonstrada e se os

objetivos geral e específicos traçados foram ou não alcançados. 

28 de 36
Assim, a honestidade intelectual será sempre necessária em

uma pesquisa cientifica, sob pena de toda a pesquisa ficar

maculada por uma manipulação dolosa para afirmar uma

 hipótese que não iria se configurar acertada, ou mesmo sem dolo, onde o

cientista, acreditando na pseudo ideia de neutralidade, esta tirando suas

conclusões eivadas de pensamento pessoal, de sentimentos seus, de pré-

compreensões suas, acreditando estar realmente imbuído da neutralidade.

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7 º P A S S O

C O N C L U S Ã O O U C O N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S

A Conclusão ou Considerações Finais é o ponto derradeiro da pesquisa, onde o

investigador irá apresentar o resultado da analise finais das obras que leu e/ou

dos dados coletados, procurando demonstrar se aquela hipótese inicial prevista

por ele em seu projeto de pesquisa se configurou acertada ou não.

Deverá então o pesquisador reapresentar sua situação problema e a hipótese

prevista a priori, fazendo uma ligação com tudo observado e coletado na

pesquisa e assim, se a resposta a situação problema estava de acordo com sua

hipótese ou não. 

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Se a resposta a sua hipótese for negativa, o investigador poderá ou não ter

encontrado a resposta correta a situação problema proposta. Muitas vezes o

pesquisador apenas não conseguiu comprovar sua hipótese, mas não encontrou

qualquer outra resposta. Por exemplo, um pesquisador que testa uma vacina

para uma determinada doença. Ele poderá chegar ao final da pesquisa e

verificar que aquela vacina, que era sua hipótese iniciai para a cura de uma

determinada doença, na prática não conseguiu alcançar a meta traçada e não

curou todos os indivíduos testas. Assim, o pesquisador deverá afirmar que a

vacina testada não apresentou os resultados esperados, mas não poderá afirmar

qual outra vacina resolveria o problema e curaria as pessoas daquela doença.

Por outro lado, muitas vezes o pesquisador poderá encontrar

uma resposta diferente aquela prevista em sua hipótese. 

Um pesquisador sobre ciência política, por exemplo, que faz uma pesquisa de

campo sobre determinada teoria política. Sua hipótese seria a de que tal teoria

política não mais encontrava eco no pensamento daquela sociedade. Contudo,

ao final dos dados coletados, verificou que ainda existiriam pessoas que

acreditavam naquela teoria política. Assim, apesar da hipótese não ter se

configurado, ele conseguiu encontrar uma outra resposta para sua situação

inicial.

31 de 36
Sendo assim, sempre irá depender do tipo e da metodologia da pesquisa

aplicada em casa caso.

E o mais importante sempre, será a honestidade intelectual, a boa-fé do

pesquisador.

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C O N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S

O objetivo precípuo do presente estudo não é o de esgotar o tema, muito pelo

contrário. O grande objetivo é justamente o de demonstrar a importância, a

relevância da metodologia da pesquisa para aquele que quiser realmente faze

ruma pesquisa científica.

Portanto, a presente obra é um “pontapé inicial” para aqueles que estão

iniciando nas pesquisas, ou mesmo um norte para aqueles que já possuem

alguma experiência, mas que, pela complexidade do tema, ainda possuem

algumas dúvidas importantes e que podem acabar por macular uma pesquisa.

O conhecimento científico não é maior nem melhor que os demais ramos dos

saberes humanos.

Entretanto, para se fazer ciência, alguns pressupostos se fazem necessários. Se

nos conhecimentos teológico ou senso comum não há tal necessidade, no

conhecimento científico a inobservância de tais pressupostos pode acarretar no

desperdício de tempo e dinheiro do pesquisador, sem falar no perigo de se

divulgar uma pesquisa eivada de equívocos metodológicos.

33 de 36
Aquele que não se interessar pelo tema, ou acha-lo demasiadamente complexo,

pode enveredar por outras searas menos rigorosas. Contudo, aquele que quer

seguir a carreira acadêmica, quer fazer efetivamente ciência, deverá conhecer

minimamente os tópicos que foram aqui mencionados ainda de forma

panorâmica.

Assim, o presente texto tem como objetivo geral mostrar a importância da

metodologia da pesquisa para se fazer ciência, e não servir como um manual.

Fazer ciência é muito mais do que seguir as regras da ABNT ou qualquer outra

de formatação. Metodologia não é um caminho, mas o único caminho para se

fazer ciência, não apenas no Brasil e nos países de língua portuguesa, mas em

todo o mundo.

Portanto, que o presente estudo sirva como incentivo para que o leitor possa

procurar sempre aprimorar seus conhecimentos.

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B I B L I O G R A F I A

MARCONI, M. LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução

de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisas, elaboração, análise e

interpretação de dados. - 5. ed. - São Paulo: Atlas, 2002.

GERHARDT, T. E. SILVEIRA, D. T. Métodos  de  pesquisa. Coordenado  pela

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VIEIRA, J. G. S. Metodologia de pesquisa científica na prática. Curitiba: Editora

Fael, 2010.

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I N F O R M A Ç Õ E S

"7 Passos para Escrever um Artigo Científico” foi elaborado por

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