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Anais do

I Seminário Nacional Crítica da Economia


Política e do Direito
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21 a 23 de Maio de 2018
Faculdade de Direito
Universidade Federal de Minas Gerais
~~~
Organização
Coordenação Geral:
Vitor Sartori, UFMG
Coordenação Executiva:
Bábara Duarte, UFMG
Helena Coelho, UFMG
Lucas Álvares, UFMG
Coordenação Acadêmica:
Alice Nogueira Monnerat, UFJF
Anna Paula Sales, UFJF
Elcemir Paço Cunha, UFJF
Comissão científica:
Deise Ferraz, UFMG
Elcemir Paço Cunha, UFJF
Vitor Sartori, UFMG
~~~
Programa de Pós-Graduação em Administração – UFJF
Programa de Pós-Graduação em Administração – UFMG
Programa de Pós-Graduação em Direito e Inovação – UFJF
Programa de Pós-Graduação em Direito – UFMG
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Realização:

https://tramarx.org/
I Seminário Crítica da Economia Política e do Direito
21 e 23 de Maio de 2018, Universidade Federal de Minas Gerais

Os perigos da sedução romântica ao marxismo

Lucas Parreira Álvares


Universidade Federal de Minas Gerais
lucasparreira1@gmail.com

Resumo: O presente trabalho tem por objetivo, dentro de seus limites, compreender a
relação existente entre o pensamento de Karl Marx e a tradição romântica. Para tanto,
utilizará dos debates do velho mouro sobre a situação das comunas rurais na Rússia e da
interpretação que o sociólogo brasileiro/francês Michael Lowy faz desses escritos de
Marx associando-os a uma espécie de “romantismo revolucionário”. No plano de fundo
desse objetivo central, o presente trabalho compreende também o desenvolvimento do
interesse de Marx tanto pela literatura sobre as comunas rurais russas quanto pelos
aspectos sociais daquele país.
Palavras Chave: Marxismo; Romantismo; Pré-Capitalismo; Via Russa

The dangers of romantic seduction to Marxism

Abstract: This work has as its objective, within its limits, to understand the relation
existing between the thought of Karl Marx and the romantic tradition. To do so, he will
use Marx's debates about the situation of rural communes in Russia and the interpretation
that the Brazilian/French sociologist Michael Lowy makes of these writings of Marx
associating them with a kind of "revolutionary romanticism." In the background of this
central objective, the present work also includes the development of Marx's interest in the
literature on Russian rural communes and also on the social aspects of that country.
Keywords: Marxism, Romantism, Pré-capitalism, Russian Road

1. A sedução romântica ao marxismo

A publicação da obra Lutas de classes na Rússia pela Editora Boitempo,


organizada por Michael Löwy, contém alguns dos textos mais importantes dos últimos
anos de vida de Marx1, a saber, os rascunhos elaborados para confecção de uma carta em
resposta a questionamentos da revolucionária russa Vera Ivanovna Zasulitch2. Adiante,
voltaremos nossa atenção tanto para a carta de Vera Zasulitch, quanto para os rascunhos
e a resposta de Marx. No momento, porém, analisaremos uma passagem da introdução de

1
A primeira publicação dos rascunhos e das cartas está na obra Dilemas do Socialismo: Marx, Engels e os
Populistas Russos, de 1982 sob organização de Rubem César Fernandes pela editora Paz e Terra.
Recentemente, foi publicada também na recém publicada Marx e a via Russa, de Teodor Shanin, que
contém, dentre outros textos, os rascunhos e cartas de Marx a Zasulitch.
2
“Podemos dividir a organização da obra Lutas de Classes na Rússia em três partes: a primeira com a
Literatura de Refugiados V, que reúne textos de Engels publicados em 1875 (...) A segunda parte da obra
podemos atribuir à Carta à redação da Otechestvenye Zapiski – relevante revista de São Petersburgo
alinhada aos populistas russos – de autoria de Karl Marx, com a intenção de ser enviada à redação da revista.
(...) A terceira parte de Lutas de Classe na Rússia diz respeito ao debate de Marx com a revolucionária Vera
Ivanovna Zasulitch, integrante do grupo revolucionário russo “Emancipação do Trabalho”. Na edição, o
texto que antecede a discussão entre os revolucionários é uma introdução produzida por David Riazanov2
com o título “Vera Zasulitch e Karl Marx” (ÁLVARES, 2015).

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I Seminário Crítica da Economia Política e do Direito
21 e 23 de Maio de 2018, Universidade Federal de Minas Gerais

As Serpentes de Marx: o desenvolvimento e o sentido de uma metáfora

Lucas Parreira Álvares


Universidade Federal de Minas Gerais
lucasparreira1@gmail.com

Resumo: O presente texto tem por objetivo investigar o desenvolvimento teórico de uma
metáfora no pensamento de Marx, a qual denominamos aqui por “metáfora da serpente”.
Parte-se do desenvolvimento dessa metáfora desde os textos de juventude de Marx até
seus escritos nos anos finais de sua vida. Por fim, propomos uma hipótese sobre o modo
pelo qual Marx utiliza tal metáfora.

Palavras chave: Metáforas de Marx; Estilo literário; Marx e a linguagem

The Serpents of Marx: the development and meaning of a metaphor


Abstract: This text seeks to investigate the theoretical development of a metaphor in
Marx's thought, which we refer to here as the "serpent metaphor". It starts from the
development of this metaphor from the texts of the young Marx to his writings in the final
years of his life. Finally, we propose a hypothesis about the way in which Marx uses this
metaphor.

Keywords: Marx's metaphors; Literary style; Marx and the language

1. Introdução: Personagens abstratos, realidade concreta

Ao ler um obra como o livro 1 de O Capital, o leitor não acostumado com o


estilo literário de Karl Marx certamente se surpreende ao perceber a quantidade de
referências que dão subsídio à explicação central, a saber: o processo de produção do
capital1. Da mitologia grega, Marx invoca personagens como Hércules, Sísifo, Medusa,
Perseu; da mitologia romana, Cupido e Júpiter; dos personagens bíblicos, Isaque, Jacó,
Abraão, Moisés e mesmo Jesus. As referências à literatura clássica não ficam atrás,
aparecendo personagens como: Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, Dom Quixote, de
Michel de Cervantes, Bill Sikes, de Charles Dickens, entre tantos outros. Não é estranho
que no período que antecedeu a publicação de O Capital, Marx tenha enviado uma carta
a Engels em 1865 dizendo, dentre outras coisas, sobre a dificuldade de mandar sua obra
para impressão devido a seu rigor no que se refere à exposição do texto final que iria a
público: “sejam quais forem as deficiências que possam ter, a vantagem de meus escritos
é que eles são um todo artístico, o que só se consegue com o meu método de não deixar
jamais que cheguem à impressão antes de estarem terminados” (MARX, 2010, p.88). Essa
preocupação com O Capital é melhor expressa se comparada às produções anteriores de
Marx a partir de suas investigações acerca da “anatomia da sociedade civil burguesa”
como Contribuição à crítica da economia política e mesmo os Grundrisse nas quais o

1
Esse texto em questão é uma espécie de embrião para um futuro texto a ser desenvolvido com maior
profundidade. Como não foi possível desenvolver nesse instante um texto mais profundo sobre essa
temática, acho necessário assumir toda a responsabilidade do texto. Para o propósito futuro de desenvolver
um texto mais aprofundado do que esse, agradeço as sugestões e críticas desenvolvidas tanto por Ivan
quanto por Vera Cotrim.

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