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Sermão de Santo António aos Peixes

GRUPO I
 Proposta de correcção do teste de avaliação.
1. Este Sermão é proferido em São Luís do Maranhão, a 13 de Junho de 1654, três dias antes de Padre
António Vieira embarcar ocultamente para Portugal.
1.1. Nesta época e nesse local existiam grandes lutas entre colonos, índios e jesuítas.
Após a restauração da independência de Portugal face à coroa espanhola (1640), Padre António Vieira
vem a Lisboa interceder junto do rei para que fossem criadas leis que garantissem um conjunto de
direitos básicos aos índios brasileiros, vítimas da exploração e da ganância por parte dos colonos brancos.
2. O conceito predicável deste Sermão é «Vos estis sal terrae», ou seja, «Vós sois o sal da terra».
3. O «sal» é uma metáfora constante ao longo de todo o Sermão.
3.1. O sal corresponde à mensagem evangélica e, por extensão, aos próprios pregadores que tinham
como missão difundir a palavra de Cristo.
3.2. O sal tem a função de impedir a corrupção (ou conservar o bem e preservar do mal, como
veremos no 2º capítulo).
4. Por um lado os responsáveis pelo estado de corrupção a que chegou a terra são os pregadores, visto que
não pregam a verdadeira doutrina; dizem uma coisa e fazem outra; pregam-se a si mesmos e não a Cristo.
Por outro lado, os ouvintes são igualmente culpados uma vez que não querem receber a verdadeira
doutrina; querem antes imitar o que os pregadores fazem e não o que eles dizem; preferem servir os seus
apetites em vez de servir a Cristo.
5. Vieira recorre a duas alternativas para solucionar o problema.
5.1. O sal que não salga deve ser lançado fora e pisado.
5.2. Quanto à terra que não se deixa salgar, o melhor será mudar de púlpito e pregar aos peixes.
5.3. Para a segunda alternativa, Vieira inspirou-se em Santo António.
5.4. Sim, considero coerente o paralelo estabelecido, uma vez que, em ambos os casos, a palavra
divina não estava a ser ouvida.
6. Identifique a figura de estilo presente em cada um dos excertos transcritos.
6.1. «Deixa as praças, vai-se às praias; deixa a terra, vai-se ao mar,» (l. 35 e 36)
 Paralelismo (ou antítese: praças / praias; terra / mar).
6.2. «Oh maravilhas do Altíssimo! Oh poderes do que criou o mar e a terra!» (l. 37)
 Apóstrofe (ou repetição anafórica).
6.3. «Que faria neste caso o ânimo generoso do grande António?» (l. 29 e 30)
 Interrogação retórica.