Você está na página 1de 54

TÉCNICAS DE DENTISTERIA

3º ANO

2016/2017

Guia de Estudo
Pré-clínico

Elaborado

Joana Garcês
Maria João Calheiros Lobo
Orlanda Torres

Editado e Revisto
Maria João calheiros Lobo
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
NOÇÕES BÁSICAS DE
ERGONOMIA

Perspectiva histórica:
Murrel (1949):” É o estudo do ser humano no seu ambiente de trabalho.”
McCormic (1981):”Trata de adequar as condições de trabalho às pessoas para melhorar a qualidade,
a segurança e a produtividade.”
Pheasant (1988): “Condicionar o local de trabalho ao sujeito e o produto ao consumidor.”

Ergonomia» Funcionalidade
A Ergonomia em MD centra o seu estudo na análise de factores, métodos e procedimentos para que
com o mínimo de esforço, possam os profissionais obter resultados de precisão

FACTORES DE TENSÃO EM MD
Atitudes para prevenir e tratar o medo
 Fomentar a capacidade do paciente lidar com o medo
 Modificar o ambiente dentário

Para aplicar esta estratégia é necessário ter em conta a idade do paciente.


No paciente adulto aliviaremos a ansiedade e controlamos a dor
Na criança, aliviaremos a ansiedade em primeiro lugar aos pais para de seguida nos podermos
dedicar com eficácia ao paciente real que é a criança.

Modificar o Ambiente Dentário


Níveis de contacto do paciente na clínica:
- Pessoal de recepção
- Ambiente físico
- Pessoal auxiliar da clínica
- Profissional

Pessoal de recepção
A comunicação clínica-paciente é uma das áreas de marketing interno mais importantes.
O telefone é a primeira porta da clínica e a recepção é único interlocutor entre o paciente e o MD
até que este é atendido.
As principais regras da recepção são: transmitir um sorriso com a voz, com esclarecimentos
uniformes e claros para reduzir os equívocos e portanto o temor.

12
Ambiente Físico
Recepção e sala de espera: Tem como função acolher, distrair e informar o paciente; é necessário
portanto ter cuidado na decoração e isolamento de ruídos.
Gabinete dentário: Deve estar escrupulosamente limpo e permitir que durante as consultas, esteja
exposto o mínimo de aparelhos e instrumentos.

Pessoal auxiliar de clínica


Pelo profissional deve mostrar uma atitude de absoluta confiança e respeito.
Pelo paciente, uma atitude de paciência, respeito e compreensão

Atitude do Clínico
- Explicar o procedimento antes de começar
- Oferecer informação específica durante o tratamento
- Avisar sobre a possibilidade de dor
- Dar certo controlo sobre os tratamentos (sinais de mãos)
- Proporcionar distracção e alívio da tensão
- Mostrar calma profissional perante o caso clínico

Fomentar a capacidade do paciente superar o medo


Em situações de ansiedade, o grau de controlo que um paciente tem ou julga ter, ajuda a diminuir o
medo
Para pacientes de medo moderado, o método “diga, mostre e faça”, serve para fomentar esse
controlo

FACTORES DE TENSÃO EM MD
Profissionais
- Características pessoais
Timidez, ansiedade, agressividade
- Factores externos
Económicos, familiares, sociais
- Relacionados com o trabalho
Ruído, temperatura, posição de trabalho inadequada

ERGONOMIA GLOBAL
DO
CONSULTÓRIO DENTÁRIO

FUNCIONALIDADE
É necessário haver um equilíbrio entre homem e ambiente que contemple tanto as medidas de
segurança, como as condições ambientais adequadas
13
ESPAÇO
É importante analisar e desenhar o espaço onde decorre a nossa actividade de maneira a satisfazer
as necessidades dos profissionais e dos pacientes

Divisão dos espaços


- Área clínica
Consultórios, Esterilização, Sala de Rx.
- Área não clínica
Entrada, Recepção, Sala de Espera, Lavabos, Serviços de Apoio

LUZ
É necessária uma fonte de luz artificial que compense as variações da intensidade e da qualidade da
luz natural uma vez que estas variam ao longo do dia e com as estações do ano

Tipos de Iluminação
Panorâmica – Luzes de tecto (luz branca)
Ergonómica – Candeeiro do equipamento
Específica – Luz da turbina, contra-ângulo.

COR
COLORIMETRIA
É aconselhável a utilização de cores quentes ou tons pastel como o creme e o salmão, pois
produzem uma sensação de calma.
Tons frios e suaves como o azul claro e verde água transmitem limpeza.
Cores intensas podem provocar respostas negativas de excitação e irritação que influenciam de
forma negativa a qualidade do trabalho

TEMPERATURA E HUMIDADE
Incidem directamente no rendimento do pessoal clínico e no manuseamento de certos materiais.
A temperatura deve variar entre os 18º e 22ºC
A humidade deve variar entre os 30% e 70%

RUÍDO
Ruído externo
Ruído interno
Ruído profissional

A distribuição das áreas de recepção, consultórios e sala de máquinas deve ser planeada de modo a
que estejam afastadas entre si e bem insonorizadas

14
SISTEMATIZAÇÃO DO TRABALHO
Classificação dos movimentos

Classe I – Movimentos unicamente com os dedos


Classe II – Movimentos dos dedos e punho
Classe III – Movimentos dos dedos, punho e cotovelo
Classe IV – Movimentos do braço até ao ombro
Classe V – Movimentos do braço e torção do dorso

Os estudos sobre fisiologia do trabalho estabeleceram que os movimentos se efectuam mais


facilmente e de forma mais segura se forem contínuos e em arco no plano horizontal, do que em
zig-zag e bruscos no plano vertical
Os movimentos devem ser de pouca amplitude e de rotação à volta do cotovelo (Classe I, II e III)

Princípios importantes na economia de movimentos


- Diminuir os movimentos do corpo
- Reduzir a extensão de movimentos
- Usar os movimentos que requeiram menos tempo
- Preparar previamente os instrumentos e materiais
- Colocar os instrumentos e materiais o mais próximo possível
- Planificar para o habitual, não para o infrequente

O minucioso trabalho de precisão que se efectua com pequenos movimentos de escassa amplitude,
requer uma segurança de acção e uma concentração que só a posição de sentado pode oferecer

15
Posição BHOP (Balance Human Operating Position)
Também conhecida como posição de máximo equilíbrio ou posição “O”

Baseia-se no princípio de que o indivíduo se relaciona com dois grandes eixos:


- Horizontal ou linha do solo
- Vertical, perpendicular ao primeiro

Posição BHOP
O indivíduo está correctamente sentado quando:
- Coluna vertebral perpendicular ao solo
- Pernas separadas de modo a formar um triângulo equilátero com vértices nas rótulas e cóccix
- Coxas estão paralelas ao chão
- Pernas paralelas ao eixo vertical
- Pés completamente apoiados no chão

Posição do Paciente
- Paciente em decúbito supino (deitado), com a coluna vertebral paralela ao solo
- Encosto da cabeça do paciente elevado de modo a que a sua boca esteja à altura dos cotovelos do
operador

Maxilar superior Maxilar inferior

16
As posições 2 e 3 não são aconselháveis porque podem levar ao desmaio do paciente.
A posição 5 será aconselhável no caso de quebra da tensão arterial.

À volta da boca do paciente, o campo de trabalho divide-se em áreas de actividade que se


descrevem como as posições horárias.
Face do paciente>>> centro do mostrador
Testa às 12h
Queixo às 6h

Áreas de Actividade
Área do operador – entre as 9h e as12h
Área da auxiliar – entre as 2h e as 4h

Zona de transferência
É onde se leva a cabo a troca de instrumentos entre o operador e auxiliar e vice-versa.
Deve situar-se à frente do queixo do paciente (6h), de modo a que o operador mantenha os olhos no
campo operatório

17
Zona estática
Encontra-se situada entre o operador e a auxiliar (entre as 12h e as 4h)
Esta área é reservada à colocação dos materiais e instrumentos.

Posição do Operador
- Sentado comodamente com as costas bem apoiadas
- Boca da paciente alinhada com o seu plano sagital
- A distância entre os olhos do operador e a boca do paciente não deve ser inferior a 35cm

Posição da Auxiliar
- Sentada comodamente com as costas bem apoiadas
- 10 a 15 cm mais elevada do que o operador
-Não deve flectir excessivamente o pescoço para se enquadrar com o campo operatório

18
Técnica a 4 mãos
Passagem de instrumentos
A auxiliar segura o instrumento com os dedos polegar, indicador e médio por uma das extremidades
e o operador pega-o pela extremidade oposta

Intercâmbio de instrumentos
1. O operador assinala que está pronto a trocar de instrumento
2. A auxiliar empunha fortemente com os dedos anelar e mínimo o instrumento acabado de
utilizar e coloca suavemente o instrumento seguinte na mão do operador na posição que vai
ser utilizado
3. O operador recebe o instrumento e dirigi-o para a zona de trabalho

Troca de instrumentos:

Passagem de materiais:
1. A auxiliar deve dispor com antecedência os materiais que exijam manipulação e ter tempo
disponível para os preparar antes que o operador os necessite.
2. Os materiais preparam-se imediatamente antes do uso.
3. Estes devem apresentar-se na zona de transferência o mais próximo possível da boca do
paciente.
4. A auxiliar pega no material com a mão direita deixando livre a esquerda para intercâmbio e
limpeza dos instrumentos usados na colocação do material

A ergonomia representa uma nova filosofia que vem rapidamente dominando a prática da MD
A equipa MD/AD seguindo esta filosofia, consegue aumentar a produtividade dos consultórios e
paralelamente o seu nível de bem-estar físico, psicológico e social

19
NOMENCLATURA E CLASSIFICAÇÃO DAS CAVIDADES

Nomenclatura – É um conjunto de termos particulares a uma arte ou ciência, através dos


quais indivíduos da mesma profissão são capazes de se entender mutuamente.

As cavidades preparadas num dente podem ser denominadas de acordo com:

 O Número de faces em que ocorre


Simples – quando atinge uma só face (fig.1);
Composta – quando atinge duas faces (fig.2);
Complexa – quando atinge três ou mais faces (fig.3).

 As faces do dente envolvidas, recebendo o nome das respectivas faces.


Cavidade preparada na face oclusal, chamada cavidade oclusal (fig.1);
Cavidade que se estende da face oclusal à face mesial, chamada de cavidade mésio-oclusal
(fig.2);
Cavidade que se estende às faces mesial, oclusal e distal, chamada cavidade mésio-ocluso-
distal (fig.3).

Observação: A denominação das faces do dente costuma ser abreviada com as letras iniciais de cada
uma. Exemplos:
O = Oclusal
MO = Mésio-oclusal
MOD = Mésio-ocluso-distal

Figura 1. Cavidade simples Figura 2. Cavidade composta Figura 3. Cavidade complexa,


oclusal (O) mésio-oclusal (MO) mésio-ocluso-distal (MOD)

As partes constituintes das cavidades são:


1. Paredes
2. Ângulos diedros
3. Ângulos triedros
4. Ângulo cavo-superficial.

20
1. Paredes

São os limites internos das cavidades. Podem ser:


 Circundantes – São as paredes laterais da cavidade. Recebem o nome da face do dente a
que correspondem ou da qual estão mais próximas (fig. 4 A e B);

 De Fundo – Corresponde ao assoalho da cavidade, é chamada:


Axial – quando é paralela ao eixo longitudinal do dente (fig.4 A)
Pulpar – quando é perpendicular ao eixo longitudinal do dente (fig.4 B)

Figura 4. Paredes circundantes (C); Parede de fundo axial (A), Parede de fundo pulpar (P).

2. Ângulos Diedros

São formados pela união de duas paredes de uma cavidade e denominados combinando-se os
respectivos nomes. Os ângulos diedros segundo Black, podem ser de:
1º grupo – formados pela junção das paredes circundantes (fig.5). Exemplos: gengivo-mesial;
vestíbulo-gengival, etc.
2º grupo – formados pela união de uma parede circundante com a parede de fundo da cavidade
(fig.6). Exemplos: línguo-pulpar, gengivo-axial, etc.
3º grupo – formados pela união das paredes de fundo da cavidade (fig.6). Exemplos: áxio-pulpar
(fig.5) e áxio-axial (fig.6).

3. Ângulos Triedros

São formados pelo encontro de três paredes (figs.5 e 6) e denominados pela combinação dos seus
respectivos nomes. Exemplos: vestíbulo-pulpo-axial, línguo-gengivo-axial, etc.

Observação: uma excepção às regras de nomenclatura dos ângulos diedros e triedros encontra-se
nas cavidades de classe III, onde a junção das paredes constituintes forma os ângulos diedros e
triedros incisais, não recebendo portanto a denominação das paredes que os formam (fig.6)

21
Figura 5. Ângulos diedros de 1º, 2º e 3º grupo e Ângulos triedros.

Figura 6. Ângulos diedro e triedro incisais que constituem excepção à regra de nomenclatura. Exemplo de ângulo
diedro de 3º grupo (áxio-axial).

4. Ângulo cavo-superficial

É o ângulo formado pela junção das paredes da cavidade com a superfície externa do dente (fig.7
A).
O termo cavo-superficial é usado especialmente quando se deseja indicar a forma que se deve dar a
este ângulo numa determinada porção da margem do esmalte ou do contorno da cavidade, como por
exemplo: “o ângulo cavo-superficial da caixa oclusal é biselado” (fig.7 B).
O ângulo cavo-superficial é também denominado margem, embora esse termo possa designar mais
precisamente a linha de união da superfície externa do dente com o material restaurador, colocado
na cavidade.

Figura 7. A – Ângulo cavo-superficial definido; B – Ângulo cavo-superficial biselado.

22
Black propôs dois tipos de classificação:

1. Baseadas nas áreas dos dentes que apresentam susceptibilidade à cárie, ou seja, regiões de
difícil higienização. Dividiu-as, conforme a localização anatómica, em dois grupos:
a) Cavidades de cicatrículas e fissuras;
b) Cavidades de superfícies lisas.

2. Artificial – Black reuniu as cavidades em classes que requerem a mesma técnica de


instrumentação e restauração.

Classe I – Cavidades preparadas em regiões de má coalescência de esmalte, cicatrículas e fissuras


(fig.8). Localização:
 Oclusal de pré-molares e molares
 2/3 oclusais da face vestibular dos molares
 Lingual dos incisivos superiores
 Ocasionalmente na face palatina dos molares superiores.

Figura 8. Cavidades de Classe I.

Classe II – Cavidades preparadas nas faces proximais dos pré-molares e molares (fig. 9).

Figura 9. Cavidades de Classe II.

23
Classe III – Cavidades preparadas nas faces proximais dos incisivos e caninos, sem remoção do
ângulo incisal.

Figura 10. Cavidades de Classe III.

Classe IV – Cavidades preparadas nas faces proximais dos incisivos e caninos, com remoção e
restauração do ângulo incisal.

Figura 11. Cavidades de Classe IV.

Classe V – Cavidades preparadas no terço gengival, não de cicatrículas, das faces vestibular e
lingual de todos os dentes.

Figura 12. Cavidades de Classe V.

24
Alguns autores como Howard e Simon, acrescentam cavidades de Classe VI à classificação
artificial de Black. Nessa classe estariam incluídas as cavidades preparadas nos bordos incisais e
nas pontas de cúspides (fig.13). Sockwell considera ainda como cavidades de Classe I aquelas
preparadas em cicatrículas e fissuras incipientes (“de ponto”), na face vestibular dos dentes
anteriores (fig.14).

Figura 13. Figura 14.

25
ISOLAMENTO DO CAMPO OPERATÓRIO
Os materiais restauradores requerem um campo isolado, seco, perfeitamente limpo para serem
inseridos ou condensados nas cavidades.
O isolamento das peças dentárias deverá ser preferencialmente um isolamento absoluto, no entanto,
na impossibilidade de o efectuar podemos substitui-lo por um isolamento relativo, desde que este
seja efectivo.

2. Isolamento Absoluto – Dique de Borracha


Vantagens:
 Retracção e protecção dos tecidos moles para promover acesso ao campo operatório;
 Melhor visibilidade;
 Campo limpo e livre de humidade;
 Protecção do paciente contra a aspiração ou deglutição de instrumentos, restos de material
restaurador ou outros elementos estranhos.

Dispositivos e Instrumentos:
a) Lençol de borracha – Feito em látex natural, apresentação comercial em espessuras e cores
variadas consoante a finalidade clínica.

Forma quadrangular Pré-formados (prontos a colocar na boca)

b) Perfurador de dique de borracha (de Ainsworth) – Perfura a borracha na zona dos dentes que
vão ser isolados.

Orifícios existentes na plataforma giratória do perfurador com diferentes calibres de acordo com os vários grupos de
dentes.
26
c) Porta-dique de borracha ou Arco – Prendem a borracha e mantêm-na em posição sob tensão.

Arco de Ostby Arco de Young

d) Grampos – Para manter o lençol de borracha em posição estável junto aos dentes.
Especialmente indicados para coroas clínicas baixas ou retracção gengival.
Em coroas clínicas altas, que ofereçam condições para a borracha se manter em posição os grampos
podem ser dispensados ou substituídos por amarras de fio dentário, ou ainda, fio de espuma de
borracha.

Encontram-se em grande variedade de tipos no mercado.

Retracção gengival Zonas posteriores, molares Fio dentário

e) Pinça porta-grampo (de Palmer) – Para transportar o grampo ao dente.

27
Preparação do lençol de borracha:

 O sucesso no isolamento dos dentes depende muito da maneira como são feitos os orifícios
na borracha.
 A dimensão dos dentes a serem incluídos no isolamento determina o diâmetro dos orifícios
que deverão ser perfurados (plataforma giratória do perfurador de Ainsworth).
 Em Dentisteria é sempre vantajoso incluir o maior número de dentes no campo a isolar, ao
contrário do que pode suceder quando se realizam tratamentos endodônticos. Regra geral, o
dique deve incluir no mínimo dois dentes a distal daquele que vai ser tratado (desde que o
caso o permita) e o remanescente para mesial até ao canino da hemiarcada oposta (Fig.1).
No caso de dentes anteriores, deve isolar-se uma extensão que vá desde pré-molar de uma
hemiarcada até pré-molar do lado oposto (Fig.2).

Fig.1 Fig.2

Posição do orifício no lençol de borracha


Em geral, a distância entre os orifícios deve ser igual à distância entre os eixos longitudinais dos
dentes e deve seguir a mesma disposição destes na arcada dentária, de forma a evitar
repuxamentos ou rasgões do lençol de borracha, e deste modo o comprometimento do
isolamento.

Métodos de perfuração da borracha

 Divisão em quadrantes – Toma-se um lençol de borracha e com uma caneta traçam-se duas
linhas perpendiculares dividindo a borracha nos quatro quadrantes. As perfurações são feitas
de acordo com a região a ser isolada, com o número, o tamanho e a distância entre os dentes.

28
Existem várias metodologias a seguir para executar a marcação dos dentes:

1. Mordida em cera – O paciente impressiona com a mordida uma placa de cera. Essa placa é
colocada em posição sobre a borracha conforme a arcada a ser isolada, em seguida as
perfurações serão orientadas pelas impressões dos dentes na lâmina de cera.

2. Marcação na boca – Marca-se com caneta e directamente na boca a posição dos dentes a
serem isolados.

3. Carimbo – Marca-se as posições-padrão dos dentes permanentes e decíduos directamente


na borracha.

Preparação dos dentes para receber o dique de borracha:


4. Toda a área dos pontos de contacto deve ser testada com fio dentário, a fim de verificar a
sua regularidade e penetrabilidade;
5. As cristas marginais e superfícies de contacto devem ser regularizadas adequadamente para
a recepção da borracha, procedimento realizado através de discos de polimento ou tiras de
lixa, de forma a evitar os rasgões;
6. Limpeza e polimento coronário;
7. Lubrificação dos lábios, por exemplo com vaselina.

Técnicas de colocação do dique de borracha:


1. Grampo → Borracha + Arco
2. Técnica de Ingraham: Grampo → Borracha → Arco
3. Borracha → Arco → Grampo
4. Grampo + Arco + Borracha, num só tempo. Técnica mais utilizada em Dentisteria pela
facilidade operacional.

29
Remoção do dique:

A etapa inicial consiste no estiramento da borracha do lado vestibular e o corte das porções
interdentais com uma tesoura. O grampo é removido, a seguir o arco e a borracha. Após a remoção
do conjunto, deve-se passar o fio dentário em todos os espaços interdentários a fim de remover
qualquer fragmento de borracha remanescente. Deve fazer-se uma massagem na gengiva com a
ponta dos dedos, para reactivar a circulação principalmente na área que recebeu o grampo.

8. Isolamento Relativo – Rolos de Algodão


a. Pode ser utilizado em restaurações provisórias ou em condições de total
impraticabilidade de isolamento absoluto.
b. São utilizados rolos de algodão ou gazes.
c. Na arcada superior são mantidos pela pressão da musculatura das bochechas e dos
lábios.
d. Implica uma maior colaboração por parte do paciente.

e. Na arcada inferior podem utilizar-se dispositivos auxiliares como:

Autómato de Eggler Grampo de Ivory Dispositivo plástico Rolo Plast

f. Para complementar o isolamento relativo usam-se aspiradores de saliva conectados à


aspiração cirúrgica do equipamento dentário de forma a eliminar a saliva acumulada, por
sucção.

30
CAVIDADES CLASSE I

Definição: Cavidades preparadas em regiões de má coalescência de esmalte, cicatrículas e


fissuras.

Localização:
g. Oclusal de pré-molares e molares
h. 2/3 oclusais da face vestibular dos molares
i. Lingual dos incisivos superiores
j. Ocasionalmente na face palatina dos molares superiores.

Preparo Cavitário:
1. Penetração com broca esférica 010 ou 012 na fossa principal da face oclusal, paralelamente
ao longo eixo do dente;
2. Execução de uma canaleta mésio-distal ao longo do sulco central,
3. Delimitação da forma de contorno com broca cilíndrica 012,
4. Convergência das paredes vestibular e lingual com broca tronco-cónica invertida 012.

Características da cavidade:
k. Abertura vestíbulo-lingual na região do sulco com ¼ da distância entre os vértices
das cúspides correspondentes.
l. Parede pulpar plana e perpendicular ao longo eixo do dente.
m. Paredes vestibular e lingual convergentes para oclusal (Fig.3).
n. Paredes mesial e distal paralelas ou expulsivas (Fig.4).
o. Ângulos diedros do segundo grupo ligeiramente arredondados.
p. Ângulo cavo-superficial nítido e sem bisel.

Fig.3 Fig.4

31
CAVIDADE CLASSE I COMPOSTA

Definição: Quando a cárie se estende pelo sulco palatino (molares superiores) ou vestibular
(molares inferiores) e se torna necessário estender a cavidade abrangendo essas faces.

Preparo Cavitário:
1. Caixa Oclusal tal como para a Classe I.
2. Preparo da caixa palatina ou vestibular com broca cilíndrica ou tronco-cónica 012.
3. Inicialmente estende-se com esta broca, a parede palatina ou vestibular da caixa oclusal na
região do sulco até à remoção completa dessa parede, com a mesma profundidade da caixa
oclusal.
4. Em seguida, a broca é colocada junto à parede palatina/vestibular no enfiamento do sulco e
forçada a penetrar no mesmo, de forma a que a parede axial seja paralela à superfície externa
do dente, formando com a parede pulpar um ângulo recto.
5. Termina-se pelo arredondamento do ângulo axio-pulpar.

Aspecto da caixa oclusal Rompimento da parede lingual Penetração a uma profundidade


correspondente ao diâmetro da broca

32
CAVIDADES CLASSE II

Definição: são aquelas que envolvem a face proximal dos dentes posteriores.

Preparo Cavitário:
1. Caixa Oclusal tal como para Classe I.
2. Englobar as áreas de cicatrículas e fissuras no preparo da caixa oclusal com broca
cilíndrica 012.
3. Desgaste complementar das cristas marginais por extensão da caixa oclusal até à zona
interproximal do dente.
4. Penetração na união da parede pulpar com o remanescente da crista marginal, a fim de
esboçar as caixas proximais, com a broca paralela à face interproximal do dente adjacente,
caso exista.

5. Confecciona-se um canal de penetração ou canaleta na direcção gengival.


6. Movimentar a broca no sentido vestibular e lingual com movimentos pendulares.

7. Execução das caixas proximais.

Características da cavidade:
 Paredes vestibular e lingual auto-retentivas ou convergentes para oclusal;
 Parede axial plana no sentido vestibulo-lingual e expulsiva no sentido gengivo-oclusal;
 Arredondamento do ângulo axio-pulpar;
 Incluir sulcos lingual e vestibular;
 Preparo em “cauda de andorinha”

33
AMÁLGAMA DENTÁRIO
A amálgama é o produto da mistura do mercúrio com uma liga ou um metal.
No início do séc. passado Black foi precursor na padronização e desenvolvimento para as ligas
de amálgama.
É ainda um material muito utilizado em dentes posteriores apesar da falta de estética e da
controvérsia que envolve o mercúrio.

Composição (média normas I.S.O.) :


 Prata 67%
 Estanho 25%
 Cobre 6% a 30%
 Zinco 1%

Por questões de segurança actualmente as ligas são comercializadas embaladas em cápsulas


juntamente com o mercúrio.

Manipulação:

1. Trituração (mecânica): As ligas são embaladas em cápsulas juntamente com o


mercúrio. Os amalgamadores (vibradores de amálgama) apresentam velocidades diferentes,
alta frequência e as cápsulas são protegidas para evitar perda de mercúrio no ambiente. A
mistura deve apresentar-se coesa brilhante e tépida.

2. Condensação: A liga é transportada com ajuda de um Porta-amálgama à parte mais


profunda da cavidade onde se inicia a condensação. Quanto maior o tempo entre a
trituração e a condensação menor a resistência do amalgama por ficar mercúrio retido.
Recomenda-se o preenchimento em excesso da cavidade.
Objectivos:
• Preenchimento da cavidade.
• Perfeita adaptação do amalgama às paredes e ângulos.
• Ausência de poros.
• Reduzir o conteúdo do mercúrio.

3. Escultura: Faz-se com instrumentos afiados sempre apoiados na estrutura do dente. Para
além de muita prática exige muita paciência. Exige o conhecimento dos detalhes
anatómicos. A escultura não deve apresentar sulcos profundos, pois enfraquecem a
restauração. Concluída a escultura superfície deve ser alisada levemente.

34
4. Brunimento: Efectua-se com um instrumento de grandes dimensões, geralmente em
forma de bola ou pêra. Brunir a superfície, exercendo bastante pressão, da restauração para o
dente.
Objectivos:
• Diminuir o conteúdo do mercúrio residual.
• Diminuir a porosidade da amálgama.
• Melhorar adaptação marginal.
• Superfície mais lisa para o polimento.
• Melhorar o selamento.

5. Acabamento e Polimento: Devem ser feitos no mínimo 24 horas após a restauração


após o término da cristalização do material. O polimento é feito com escovas e taças de
borracha com pós de abrasão decrescente como pedra-pomes e óxido de zinco ou pastas de
polimento existentes no mercado.

35
RESTAURAÇÃO DE CAVIDADES CLASSE II COM
AMÁLGAMA

MATRIZES
Dispositivos que substituem uma ou mais paredes ausentes numa cavidade, permitindo a
condensação do material e a reconstrução correcta do contorno anatómico do dente.

Requisitos:
• Promover o contorno anatómico das faces dentárias a serem restauradas;
• Apresentar superfície lisa;
• Possuir uma certa rigidez e estabilidade durante a inserção ou condensação do material;
• Serem de fácil aplicação e remoção;
• Serem compatíveis com o material restaurador.

Tipos:
Confecção
 Standard – Disponíveis no mercado, prontas para uso.
 Individuais – Feitas pelo operador de acordo com o caso clínico.
Material
 Metálicas – utilizadas apenas no sector posterior em restaurações de resina e amálgama.
 Acetato (poliéster) – utilizadas nos sectores anterior ou posterior mas apenas em
restaurações de resina composta.
Superfícies envolvidas
 Circunferenciais – envolvem todo o perímetro do dente.
 Seccionais – restringem-se à caixa proximal.

36
PORTA-MATRIZ UNIVERSAL
Dispositivos metálicos que prendem a fita matriz tornando-a circular e ajustável ao dente.
Compostos basicamente por dois parafusos presos numa haste. Existem em tamanho para adulto
ou para criança, e podem ser universais ou para o lado direito ou para o lado esquerdo.

Tipos:

a) Circular nº8 da Ivory c) Siqueland


b) Tofflemire

CUNHAS

Funções:
• Permitir a fixação da fita matriz
• Impedir a introdução de excesso de material na margem gengival e sulco gengival
• Promover um ligeiro afastamento dental, de modo a:
- Compensar a espessura da matriz
- Garantir uma relação de contacto interproximal com pressão adequada.
Tipos:
 Madeira – geralmente nogueira ou laranjeira. Macias, o que favorece a sua acomodação no
espaço interproximal, sem lesar o ligamento periodontal. Absorvem o sangramento e fluido
crevicular, podem ser utilizadas como um veículo para transportar fármacos (anestésicos ou
hemostáticos).

 Existem em várias formas (secção triangular ou trapezoidal) e tamanhos. Permitem a


individualização com facilidade.

Discos abrasivos Lâmina de bisturi

37
 Plástico – Plástico transparente não muito rígido, menos macio que as de madeira, por isso
podem gerar algum desconforto pós-operatório no paciente. Apresentam-se em formato
anatómico e tamanhos variados. Favorecem a transmissão de luz e por isso são preferidas às
de madeira para restaurações com materiais fotoactivados.

Cunhas transparentes

Colocação da cunha:

Atendendo à sua secção triangular ou trapezoidal, a cunha deve ser colocada de forma a que a
base do polígono fique sempre para gengival.
A cunha deve ser aplicada da maior ameia para a menor a fim de ficar bem adaptada à região
cervical, de acordo com o formato das ameias. De um modo geral as maiores ameias são as
vestibulares dos dentes anteriores e as linguais dos posteriores, excepto entre primeiro e
segundo molares superiores.

Restauração de Cavidade Classe II MOD

Material:

• Amálgama
• Fita matriz metálica 5mm largura
• Porta-matriz Tofflemire
• Cunhas de madeira laranja

38
Aplicação do Porta-matriz:
1. Brunir a fita com brunidor esférico grande antes de aplicá-la no porta-matriz;
2. Introduzir a fita na ranhura e apertá-la com o parafuso de fora (menor);
3. A ranhura do porta-matriz deve estar orientada para gengival;
4. Aplica-se o conjunto matriz/porta-matriz no dente, devendo a fita penetrar 0,5 mm no sulco
gengival e ultrapassar em oclusal 1 mm a crista marginal do dente vizinho.

Técnica Operatória:

a) Preparo MOD com matriz e cunhas de madeira posicionadas.


b) Brunimento da matriz com o dorso do escavador dentinário exercendo pressão contra o dente
adjacente.
c) Deposição da primeira porção de amálgama na caixa proximal.
d) Início da condensação na caixa proximal.
e) Material condensado até ao nível da parede pulpar.
f) Início da condensação na caixa oclusal.
g) Condensação de encontro às margens da cavidade.
h) Condensação realizada com excesso sobre as margens.
i) Remoção de excessos e esboço da crista marginal com sonda exploradora.
j) Escultura oclusal realizada com esculpidor de Hollenback.
l) Brunimento dos sulcos com brunidor chapéu-chinês.
m) Brunimento das vertentes das cúspides com brunidor esférico.

Vista oclusal da restauração após a escultura Aspecto final da restauração

Remoção do Porta-matriz:

9. Remover o porta-matriz (para oclusal);


10. A fita deve ser retirada com ligeiros movimentos vestíbulo-oclusais;
11. Retirar a cunha;
12. Verificar excessos e removê-los com espátula de Hollenback ou uma lâmina de bisturi n.º 12 ou
broca laminada em fio de faca.

39
INTRODUÇÃO AO USO DE RESINAS COMPOSTAS

Resinas Compostas:

 Matriz de resina
 Partículas de carga
 Agentes de união
 Sistema activador-inibidor

Classificação das Resinas Compostas


(Quanto ao tamanho das partículas de carga)
• Tradicionais ou Convencionais (8-12 µm)
• Partículas pequenas (1-5 µm)
• Microparticuladas (0,04-0,4 µm)
• Híbridas (1 µm)
• Nanoparticuladas

Tradicionais:
• Quartzo moído
• Rugosidade Superficial
• Tendência à descoloração

Microparticulados:
• Sílica coloidal
• Superfícies mais lisas

Partículas de Carga Pequena:


• Vidros com metais pesados (radiopacos)
• Propriedades físicas e mecânicas superiores
• Indicação em posteriores

Híbridos:
• Sílica coloidal + partículas de vidro moído
• Superfícies mais lisas que os de partículas pequenas, mantendo as propriedades mecânicas

Nanoparticulados:
• Nanopartículas de sílica (2-20 nm) + Agente de Ligação Silano + Matriz Resinosa (Bis-
GMA)
• Propriedades mecânicas das resinas compostas híbridas
• Propriedades estéticas das resinas compostas de micropartículas

40
COR
O dente natural é policromático.
A cor de um dente natural é determinada pela correlação do esmalte e dentina com a luz durante os
processos de refracção e reflexão da luz.
Vanini, 1996

Escolha da cor: Sob luz natural ou por meio de iluminação especial.

• Matiz – pode ser definida como o nome da cor, ou cor básica do objecto (azul, verde,
amarelo). Esta dimensão na escala VITA® representa as diferentes cores.

No caso dos dentes:

A Castanho
B Amarelo
C Cinza
D Vermelho

• Croma – Pode ser definido como o grau de saturação da matiz ou a intensidade da cor.
A1 - A2 - A3

• Valor – Brilho da cor determinando a luminosidade de uma cor.


• Fluorescência – Fenómeno que ocorre na dentina quando esta absorve a energia


luminosa e depois a difunde de volta para o espectro de luz visível.

41
• Opalescência – Fenómeno que ocorre no esmalte, que faz ressaltar os componentes de
onda curta do espectro de luz que o atinge, criando tonalidades azul claro – cinza que
se tornam visíveis no bordo incisal.

42
CAVIDADES CLASSE III

Definição (Segundo Black): Cavidades que se encontram localizadas nas faces proximais
dos dentes anteriores sem que haja envolvimento do ângulo incisal.

Causas:

• Lesões cariosas de origem na zona proximal – região de difícil higienização.

• Restaurações já existentes mas que se encontram com recidiva de cárie ou com cor alterada.

Preparo Cavitário:

1. Broca esférica 010 para aceder à cavidade por:


• Palatino – se o esmalte vestibular não se encontrar incluído na lesão
• Vestibular – se o esmalte vestibular se encontrar incluído na lesão

2. Com a mesma broca esférica ou com uma broca de pêra alargar a cavidade apenas aos limites que
sejam necessários para que a cárie seja limpa.

3. Biselar o ângulo cavo-superficial vestibular.

43
Bisel
Definição: Bordo de um corpo sólido cortado obliquamente, não terminando em aresta viva (in
Lello universal).
Função:
1. Evitar a diferença drástica de cor dente-restauração
2. Aumentar a adesão da resina devido ao aumento da área da cavidade
Extensão: Dependendo da extensão da cavidade e da classe de Black em questão pode variar entre
1 e 3 mm.
Técnica de execução: Com uma broca troncocónica ou de chama e com uma angulação de 30º
em relação à superfície do dente, efectuar o bisel com a broca perpendicular à aresta do ângulo
cavo-supervicial.

44
CAVIDADES CLASSE IV

Definição: Cavidades que envolvem a face proximal e o ângulo incisal dos dentes anteriores
(caninos e incisivos).

Causas:
• Processos de cárie que têm inicio na face interproximal mas que acabam por atingir o ângulo
incisal.

• Restaurações com recidivas de cárie, manchadas ou com cor diferente da cor natural do dente.

• Fracturas de dentes anteriores com perda de estrutura dentária.

Preparo Cavitário:
1. Em caso de cárie de restauração infiltrada por cárie ou de restauração inestética, remover toda a
cárie e/ou resina até a cavidade se encontrar limpa (broca esférica).
Em caso de fractura, todo o material dentário são deve ser conservado.
O acesso encontra-se facilitado devido ao bordo incisal estar sempre comprometido.

2. Efectuar o bisel.
Nestas restaurações o bisel é mais extenso pois maior área de dente se encontra envolvida
normalmente.

45
RESTAURAÇÃO DE CLASSE III E IV EM RESINA
COMPOSTA

Conceitos a ter em conta:


• Usaremos a técnica composta/estratificada
Resinas mais opacas – dentina
Resinas mais translúcidas – esmalte

• Dentes têm diferentes tonalidades e formas dependendo da idade e da raça do paciente


• Condicionalismos anatómicos

Procedimento operatório:

1. Remoção do tecido cariado ou abertura da cavidade, por palatino no terço médio palato/mesial,
com broca de pêra 012, ou esférica 012.

2. Isolamento do campo operatório.

3. Selecção da cor – escala VITA®

 A cor de dentina é escolhida junto da linha gengival


 A cor de esmalte acima do bordo incisal
Isto só é efectuado se trabalharmos um dente natural. Os dentes de Frasaco têm uma cor uniforme.

4. Coloca-se uma matriz de acetato na zona interproximal do dente a restaurar, 1 mm abaixo do


bordo gengival.

46
5. Usa-se uma cunha de madeira laranja ou branca e coloca-se entre a matriz e o dente.

6. Aplicação do ácido ortofosfórico a 37,5 % na área de adesão


O ácido é aplicado em dentes naturais em tempos diferentes para a dentina e para o esmalte
(15’+15’).

7. Colocação do adesivo, secar de forma indirecta e fotopolimerizar durante 20 seg.

8. Aplicação do compósito. Para acomodarmos a fita de acetato à forma anatómica do dente


colocamos o dedo indicador por palatino do dente em questão adaptando a matriz a face palatina
O compósito é aplicado com uma espátula de acção lateral e esculpido com a mesma ou com um kit
de esculpidores próprios.

 A primeira porção é a correspondente ao esmalte (menos opaco – menos partículas) refaz a


parede palatina e mesial/distal do dente – fotopolimerizar 40 seg.

 Nas classes III de acesso palatino é colocado apenas um compósito opaco pois o esmalte
vestibular não se encontra destruído.
 Colocar por incrementos o compósito correspondente à dentina (mais opaco) ocupando este
a área que a dentina ocupava antes.

 Tentar efectuar a escultura de acordo com o contorno da dentina para melhor efeito estético
– fotopolimerizar 40 seg.
 Colocamos a porção de compósito correspondente ao esmalte.
 A matriz é “apertada contra o dente” – fotopolimerizar 40 seg. (nesta posição)

 Remoção de cunha e matriz (se for em boca real a cunha é retirada apenas no fim para evitar
sangramento prematuro)

47
 Teste da oclusão – Papel de articular
 Verificar os excessos:

Palatino – desgaste palatino com broca de chama.

Vestibular – lamina 12 (cervical), ou broca troncocónica (incisal)

Interproximal – lixas interproximais

9. Polimento e acabamento

Discos de polimento Escovas de polimento Borrachas abrasivas

Acabamento e Polimento:
• Melhoram a forma anatómica
• Regularizam as margens
• Melhoram a adaptação
• Promovem superfície mais lisa, minimizando o acumulo de placa bacteriana.

48
CAVIDADE CLASSE V

Definição: Localizadas no 1/3 cervical da superfície vestibular ou lingual/palatina de todos os


dentes.
 Confinadas ao esmalte ou envolvendo esmalte/dentina
 Activas ou estacionárias
 Cavitadas ou sem cavitação
 Cariosas ou não cariosas

Lesão cariosa:

Lesão crónica com cavitação Lesão activa com cavitação Lesão activa sem cavitação

Lesão não cariosa:

Classificação
 Erosão
 Abrasão
 Atrição
 Abfracção

Erosão
 Perda patológica, crónica, localizada e indolor de tecido dentário duro submetido
quimicamente ao ataque ácido, sem o envolvimento de bactérias.
1. Extrínseca – Ácidos exógenos provenientes da dieta.
2. Intrínseca – Ácido gástrico endógeno (refluxo gástrico).
3. Idiopática – Acção de ácidos de origem desconhecida.
Características Clínicas:
 Defeito bilateral, côncavo, com base lisa e brilhante, em área livre de placa bacteriana.
Localização mais frequente:
 Superfícies linguais/palatinas dos dentes (Perimólises) – direccionamento do vómito
pela língua. Erosão intrínseca

49
 Superfícies vestibulares dos dentes superiores ‘’Scooped-out depressions’’ –
depressão bilateral. Erosão extrínseca

Abrasão
Perda de estrutura dentária resultante de um processo mecânico friccional anormal, independente da
oclusão, consequência de forças de fricção directas com um objecto externo ou substância abrasiva
que contacta repetidamente com os dentes, por ex. escovagem incorrecta, dentífrico abrasivo, etc.

Atrição
Processo de desgaste biomecânico entre dentes opostos da arcada dentária como consequência de
movimentos funcionais ou parafuncionais da mandíbula. São visíveis as facetas de desgaste.

Abfração
Perda de tecido duro consequência de cargas biomecânicas excessivas. Lesões causadas por forças
de tracção ou compressão devido ao aumento da carga oclusal, estática ou dinâmica, o que leva a
uma flexão das cúspides, fadiga e deformação da estrutura de dente resultante das forças excessivas
na zona cervical.

50
RESTAURAÇÃO CLASSE V EM RESINA COMPOSTA

Lesões Cariosas Classe V

Procedimentos Operatórios:
1. Profilaxia com pasta abrasiva não-fluoretada ou pedra-pomes com água.
2. Anestesia
3. Selecção das resinas e das cores
4. Isolamento do campo operatório
5. Preparo Cavitário – broca esférica multi-laminada
6. Condicionamento ácido total
7. Aplicação de adesivo
8. Fotopolimerizar
9. Inserção da resina
10. Fotopolimerizar
11. Acabamento e Polimento

Lesões Não – cariosas Classe V

Tratamento:
1. Identificação e correcção dos factores etiológicos
2. Restauração da lesão (táctica operatória)
Procedimentos Operatórios:
1. Profilaxia com pasta abrasiva não-fluoretada ou pedra-pomes com água.
2. Anestesia papilar para facilitar a colocação do isolamento absoluto
3. Selecção das resinas e das cores
4. Isolamento do campo operatório
5. Condicionamento ácido total
6. Aplicação de adesivo
7. Fotopolimerizar
8. Inserção da resina
9. Fotopolimerizar
10. Acabamento e Polimento

51
MECANISMOS DE RETENÇÃO ADICIONAL PARA
GRANDES RESTAURAÇÕES EM AMÁLGAMA

Grande Restauração – Restauração de classe I ou classe II que envolve a totalidade de


uma ou mais cúspides dos dentes posteriores. Também chamada de complexa.
Podendo estar ou não comprometida a vitalidade dentária

Conceito de Retenção (segundo Black): forma dada à cavidade tornando-a capaz de


reter o material restaurador.
Actualmente, com a introdução das técnicas adesivas torna-se dispensável a utilização de meios
de retenção adicional.

Como se faz a retenção com amálgama?


 Retenção mecânica numa fase inicial (principal mecanismo de retenção).
 Alguma retenção química a posteriori através da formação de óxidos metálicos.

Restaurações Complexas

Falta de cúspides
Falta de paredes

Retenções adicionais

Retenções Adicionais
 Pinos dentinários
 Poços ou amalgama “pins”
 Sulcos ou Canaletas

Pinos dentinários
 Rosqueáveis
 Colocados na dentina
 Colocados sob rotação após perfuração
 Devem ficar pelo menos a 2 mm da margem da restauração
 Devem ser angulados após colocação para aumentar retenção
 Normalmente colocados no chão cavitário

52
Recto

Angulado

Distância mínima à margem


2 mm

Poços ou amalgama “Pins”

 Cavidades circulares
 Broca cilíndrica ou tronco-cónica invertida
 Normalmente no chão cavitário
 1 a 2 mm de profundidade
 1 a 2 mm de diâmetro
 2 mm de distância da margem da restauração

Sulcos ou Canaletas
 Cavidades em forma de canal
 Broca cilíndrica
 1 a 2 mm de espessura
 1 a 2 de profundidade
 2 mm da margem da margem da cavidade
 No chão ou nas paredes axiais

53