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Reflexão da actividade de Complemento Curricular de Expressão Plástica para o 1º Ciclo –

Sandra Porto Ferreira -2010

A actividade de Complemento Curricular de Expressão Plástica para o 1º Ciclo


“ Eu diria que os educadores são como as velhas árvores. Possuem uma face, um nome, uma “estória” a ser contada.
Habitam um mundo em que o que vale é a relação que os liga aos alunos, sendo que cada aluno é uma “entidade” sui
generis, portador de um nome, também de uma “estória”, sofrendo tristezas e alimentando esperanças. E a educação é
algo para acontecer nesse espaço invisível e denso, que se estabelece a dois.
Espaço Atersanal…

As solicitações da sociedade actual implicam que todos aqueles que nela venham a
participar tenham de enfrentar novos desafios e se debatam com problemas que requerem
outros saberes, outras competências de ordem instrumental, cognitiva e relacional. O novo
saber implica que as pessoas saibam pensar por si mesmas e resolvam, a qualquer momento
e em qualquer situação, novos problemas; o que exige cada vez mais do indivíduo, no sentido
de ser participante activo e autónomo, aprendendo a aprender ao longo da sua vida.
A actividade de Complemento Curricular de Expressão Plástica para o 1º Ciclo, abre
novos horizontes aos alunos e ensina-os a conhecer alguns diversificados materiais, técnicas e
utensílios necessários à execução dos trabalhos. Nesta área os alunos têm a oportunidade de
desenvolver a destreza manual, a condenação visual/motora e a capacidade para a percepção
do espaço, do tempo e da forma. A oportunidade de espreitar pela frincha de uma janela
entreaberta, o caudal anímico da gralhada dos alunos, porque felizes, esquecendo-se de si
mesmas repotenciam as faculdades, derramando, soltas e em liberdade, o poder criativo da
actividade livre, e o meu intuito, de frequentar esta acção, foi o de avistar/ descobrir
novamente o sorriso destes alunos, com tantas mudanças que advém.
Para o século XXI desejamos uma educação aberta às realidades da sociedade, em
que o principal, objectivo seja uma educação para a vida, ligada às realidades da comunidade
em geral. Não queremos uma escola que passe apenas conteúdos. Queremos uma escola que
nos faça sonhar e que alimente os nossos sonhos, queremos uma escola que desenvolva
competências, possibilitando transformar esses nossos sonhos em realidades sólidas. Enfim,
uma escola em que, através da criatividade, da reflexão sistematizada, conduza ao
empreendorismo, à livre iniciativa e tomada de decisão, à cidadania responsável.
Parafraseando Edgar Morin nos Sete Saberes da Educação do Futuro consideramos que é
necessário evitar" as cegueiras do conhecimento" que impeçam a reflexão do que é saber,
como construir o saber, rever e actualizar processos diminuindo as entropias. É neste contexto
de mudanças e porque estamos empenhados em construir uma nova reforma de viver a
escola, abordo neste relatório num primeiro momento, especificamente, os pontos fracos e os
pontos fortes, assim como, as minhas expectativas em relação a esta acção, mais à frente, e
em consonância com os dados que me foram solicitados para esta reflexão, farei eu própria
uma avaliação da mesma.
Reflexão da actividade de Complemento Curricular de Expressão Plástica para o 1º Ciclo –
Sandra Porto Ferreira -2010

Certa vez um Homem abeirou-se do mestre e disse:


- Eu desejo aprender, pode ensinar-me?
- Não creio que saibas aprender – respondeu o mestre.
- Então ensine-me?
- E tu podes aprender a deixar-me ensinar?
Ao perceber que os seus os discípulos estranharam as suas palavras, disse o mestre:
- Todo o ensino só começa a acontecer quando se começa a aprender; mas a
aprendizagem só acontece quando se ensina alguma coisa a si mesmo.
MELLO, Anthony, (2002). Sabedoria de um minuto, Loyola – in Correio da
Educação, n-º 129. Ed. Asa

Nos tempos actuais, o trabalho que o professor tem a seu cargo tem vindo a tornar-se
cada vez mais complexo e exigente. O próprio Ministro da Educação da OCDE (1990, p. 109
cit. por Maya, 2000, p. 38) tem vindo a constatar que o professor deve saber responder «às
expectativas dos pais quanto aos resultados escolares, trabalhar para o objectivo social de um
alargamento do acesso ao ensino e empenhar-se numa participação mais democrática no seio
das escolas». A esta tarefa é claro juntam-se-lhe outras não menos importantes e difíceis que
requerem uma mudança de mentalidade por parte do professor, e consequentemente uma
renovação das sua práticas pedagógicas e até mesmo uma mudança na organização escolar,
tais como e entre outras: uma especial atenção a problemas como o multiculturalismo, a
igualdade de oportunidades, a integração de crianças de ensino especial nas escolas
regulares; uma sensibilização em relação aos problemas do meio ambiente e da poluição; uma
capacidade para responder positivamente às novas tecnologias da informação, adquirindo os
conhecimentos e adoptando os métodos que melhor contribuam para o seu sucesso, etc. É
através das criações oficinais que se encontra a interdisciplinaridade e a experiência numa só
forma de expressão do método experimental. O professor é um ser humano e não é mais do
que o educando, salvo as reservas da idade, experiências e conhecimentos científico ou
académicos. Um bom pedagogo é aquele que sabe ouvir e aprender ao lado do aluno, e que
não receia errar nem confessar que resvalou.

Na cidade ou na aldeia, a criança encontra material diversificado para o trabalho sem


recorrer a material imposto e sofisticado, sendo o professor a tentar com que ele descubra por
si mesmo as suas aptidões/competências para atingir os seus fins.

Qualquer aluno que entre para a escola, interessa que a este construa o seu próprio
conhecimento e faça de si um autoconhecimento empregando o que sabe, e comunicando
sabendo empregar as palavras na sua função contextual, é necessário que o aluno passe de
autodirigida à dinâmica solta, despida de preconceitos. O professor deve representar confiança
e segurança para eliminar as frustrações e o poder das crianças. A escola é uma oficina onde a
actividade criativa é possível, as relações humanas têm de se firmar no mesmo plano
horizontal. É através das criações oficinais que se encontra a interdisciplinaridade e a
Reflexão da actividade de Complemento Curricular de Expressão Plástica para o 1º Ciclo –
Sandra Porto Ferreira -2010
experiência numa só forma de expressão do método experimental. O professor é um ser
humano e não é mais do que o educando, salvo as reservas da idade, experiências e
conhecimentos científico ou académicos. Um bom pedagogo é aquele que sabe ouvir e
aprender ao lado do aluno, e que não receia errar nem confessar que resvalou. Esta reflexão
acima apresentada, foi um dos pontos mais relevantes que me fez reflectir, abrindo –me novos
horizontes, para que pudesse transpô-los para os meus alunos e ensina-los a conhecer alguns
diversificados materiais, técnicas e utensílios necessários à execução de posteriores dos
trabalhos. Levou me a fomentar a importância da relevância do como é o de articular um
projecto fazendo a interdisciplinaridade com outras Áreas Curriculares, mesmo sendo de outras
escolas não sendo a minha, o que na minha perspectiva perfaz um “caminho” promotor para o
desenvolvimento do aluno. Mais saliento que todo este “caminho” tem que se ir fazendo, não
podendo ser de um momento para o outro
Além de todos os aspectos não posso deixar de referir que um dos aspectos negativos,
é o facto de que nesta acção nos deixou transparecer que querem que o Complemento
Curricular de Expressão Plástica do 1-º Ciclo, faça uma interdisciplinaridade com outros Ciclos,
esta ainda que não existe. Correndo sim à volta de uma grande filosofia. Os alunos não se
lançam apenas com espírito científico fora da sala de aula, promovem uma incansável
actividade sem pretensões intelectuais. A avidez do aluno torna-se insatisfeito pelo desejo de
encontrar o que ninguém encontrou, criar o que ninguém criou, e isso sói é possível pelo
método experimental activo.

“As grandes caminhadas começam sempre por pequenos passos”


Provérbio Chinês

Por tudo isto, saliento que me fez tomar uma atitude de reflexão capaz de analisar as
minhas próprias práticas, de resolver problemas, de inventar/implementar estratégias. Mais
saliento que, talvez seja mais evidente é pensar que este processo me possibilitou a ser mais
consciente sobre a acção educativa face à minha prática docente e a minha contribuição para a
aprendizagem dos alunos.
Finalizo com grande satisfação e com mais experiência acerca das diversas
experiências vividas juntos dos alunos que me acompanharam ao longo destes anos.

Sandra Porto Ferreira, 2010


Reflexão da actividade de Complemento Curricular de Expressão Plástica para o 1º Ciclo –
Sandra Porto Ferreira -2010