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SUMÁRIO

1 TEORIAS DA APRENDIZAGEM ................................................................. 3

2 PRINCIPAIS TEORIAS: BEHAVIORISMO ................................................. 4

3 PRINCIPAIS TEORIAS: COGNITIVISMO................................................... 4

4 PRINCIPAIS TEORIAS: CONSTRUTIVISMO ............................................. 5

5 PRINCIPAIS TEORIAS: INTERACIONISMO .............................................. 5

6 TEORIA DE PIAGET: A APRENDIZAGEM HUMANA ................................ 6

6.1 O que é a teoria de Piaget.................................................................... 6

7 O QUE É ASSIMILAÇÃO E ACOMODAÇÃO? ........................................... 8

8 ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM HUMANA


SEGUNDO A TEORIA DE PIAGET ............................................................................ 9

9 TEORIA DE PIAGET E O DESENVOLVIMENTO DA MORAL ................. 13

9.1 Teoria de Piaget e as consequências na área pedagógica ................ 15

9.2 Psicologia da aprendizagem .............................................................. 16

9.3 O que a aprendizagem significativa tem a ver com o construtivismo?


22

10 COMO INCORPORAR NAS AULAS ..................................................... 24

11 ENTENDA TUDO SOBRE A TEORIA DE APRENDIZAGEM DE


VYGOTSKY............................................................................................................... 25

12 MEDIAÇÃO DA APRENDIZAGEM ........................................................ 27

12.1 Principais definições da Teoria de Aprendizagem de Vygotsky ...... 27

13 MEDIAÇÃO SEMIÓTICA ....................................................................... 29

14 O QUE É A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA? .................................. 32

15 O QUE É DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM E COMO CONTORNÁ-


LA? 34

16 TIPOS DE APRENDIZAGEM ................................................................ 38

17 A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS..................................... 38

1
18 O aprendizado na era digital .................................................................. 43

19 O CONSTRUTIVISMO NA ESCOLA ..................................................... 44

20 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................... 49

Prezado aluno!

A Rede Futura de Ensino, esclarece que o material virtual é semelhante ao da


sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno
se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta
, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse
aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta.
No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão
ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil.
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que
lhe convier para isso.
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser
seguida e prazos definidos para as atividades.

Bons estudos!

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1 TEORIAS DA APRENDIZAGEM

Para os seres humanos se desenvolverem é necessário aprender coisas novas


a todo o momento. Sejam habilidades motoras, idiomas ou cálculos matemáticos:
todos possuem seus próprios métodos para processar a informação, transformá-la em
conhecimento.
Investigar, analisar e sistematizar estes métodos é a tarefa da área da
psicologia denominada psicologia da educação. Esta área é a responsável por
pesquisar sobre as teorias da aprendizagem, que abordam o desenvolvimento
cognitivo humano por diferentes pontos de vista.

O que são teorias de aprendizagem

Teorias de aprendizagem são os estudos que procuram investigar, sistematizar


e propor soluções relacionadas ao campo do aprendizado humano.
Esta área de investigação remonta à Grécia Antiga. Neste período, o processo
pelo qual uma pessoa adquire conhecimento já era tema de investigação dos filósofos
gregos. Entretanto, a área de estudo ganhou destaque a partir do século XX, quando
o advento da psicologia.
O principal fator que diferencia uma teoria de outra é o ponto de vista sob o
qual cada uma trabalha. Existem as teorias que abordam a aprendizagem a partir do
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comportamento, outras a partir do aspecto humano ou, ainda, aquelas que
consideram apenas a capacidade cognitiva de cada um.
Como o campo da investigação do conhecimento humano é bastante vasto,
algumas teorias obtiveram destaque ao longo do século, servindo como base teórica
para os estudos nesta área.

2 PRINCIPAIS TEORIAS: BEHAVIORISMO

O behavorismo, ou teoria comportamental, foi desenvolvido nos Estados


Unidos da América John Watson (1878-1958) e na Rússia por Ivan Petrovich Pavlov
(1849-1936). Embora as bases desta teoria tenham sido desenvolvidas por estes
pesquisadores, foi Burrhus Frederic Skiiner (1904-1990) que a popularizou, através
de experimentos com ratos. Em seus experimentos, os ratos eram condicionados a
determinadas ações, com recompensas boas ou ruins pelos seus atos. Assim, se
moldava o comportamento destes a partir de um sistema de estímulo, resposta e
recompensa.
Nesta teoria, o comportamento deve ser estudado e sistematizado para que se
possa modificá-lo. De acordo com esta teoria, a maneira como o indivíduo aprende é
uma grandeza possível de ser mensurada tal e qual um fenômeno físico. Nesta teoria,
a aprendizagem, independente da pessoa, deverá seguir as seguintes etapas:
– Identificação do problema
– Questionamentos acerca dos problemas
– Hipóteses
– Escolha das hipóteses
– Verificação
– Generalização. O cérebro a utilizará ao identificar problemas futuros
semelhantes

3 PRINCIPAIS TEORIAS: COGNITIVISMO

Esta teoria defende que, a capacidade do aluno em aprender coisas novas


depende diretamente dos conhecimentos prévios que ele possui. Para estes teóricos,
é necessário investigar quais os saberes do aluno acerca do assunto que será
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ensinado. Depois, deve-se auxiliar o aluno para que ele consiga sistematizar e
organizar os novos conhecimentos, através de associações com o seu conhecimento
prévio.

4 PRINCIPAIS TEORIAS: CONSTRUTIVISMO

O construtivismo é uma abordagem psicológica desenvolvida a partir da teoria


da epistemologia genética, elaborada por Jean Piaget. Nesta teoria, o indivíduo
aprende a partir da interação entre ele e o meio em que ele vive. O professor é visto
como um mediador do conhecimento.
Jean Piaget desenvolveu sua teria a partir de várias outras existentes no
período, como a do cognitivismo. Para ele, o desenvolvimento da aprendizagem em
crianças ocorre pelas seguintes etapas:
– Sensório –motor (0 a 2 anos): as ações representam o mundo para a criança.
Chorar, chupar o dedo, morder.
– Pré-operatório (2 a 7 anos): a criança lida com imagens concretas
– Operações concretas (7 a 11 anos): a criança já é capaz de efetuar operações
lógicas.
– Operações formais (11 em diante) a criança já efetua operações lógicas com
mais de uma variável.

5 PRINCIPAIS TEORIAS: INTERACIONISMO

A teoria interacionista foi desenvolvida por Jean Vygotsky. Em sua abordagem,


o conhecimento é, antes de tudo, impulsionado pelo desenvolvimento da linguagem
no ser humano. Sua teoria também considera que a interação entre o indivíduo e o
meio em que ele está inserido são essenciais ao processo de aprendizagem e,
inclusive, entra em acordo com as etapas do desenvolvimento propostas por Jean
Piaget na teoria construtivista.
Entretanto, para Vygotsky, é o próprio movimento de aprender e buscar
conhecimento que irá gerar a aprendizagem efetiva. Este processo deve ocorrer de
fora para dentro, ou seja, do meio social para o indivíduo.

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Todas estas teorias exerceram (e ainda exercem) profundas influências na
maneira como organizamos os processos educacionais em todo o mundo. Ao longo
dos anos, cada teoria foi mais adequada para as necessidades de seu tempo, visto
que a escola e o mundo do trabalho também sofreram grandes mudanças.
A partir dos anos 90, o conceito de inteligências múltiplas, desenvolvido por
Howard Gardner, propunha que o ser humano era dotado de várias inteligências
diferentes e complementares entre si. Isto explicaria, por exemplo, porque algumas
pessoas apresentariam maior facilidade para aprender matemática e ciências exatas,
enquanto outros seriam mais rápidos para aprender esportes ou atividades artísticas,
como o desenho e a música.1

6 TEORIA DE PIAGET: A APRENDIZAGEM HUMANA

Os trabalhos produzidos pelo renomado pesquisador suíço servem como base


para explicar muitos elementos da aprendizagem humana.
Jean Piaget dedicou boa parte da sua vida a estudar como o conhecimento se
dá no indivíduo desde o seu nascimento.
Também como ele evolui ao longo dos anos e quais saberes são aprimorados
com o passar do tempo.
Conceitos como assimilação e acomodação, além de pensamentos mais
complexos, como os estágios do desenvolvimento humano e as diferentes fases do
amadurecimento da moral, são alguns pontos chave para entender as suas
contribuições.
Esse seria um bom resumo da teoria de Piaget, mas há muito mais a saber
sobre ela.

6.1 O que é a teoria de Piaget

Antes de mais nada, é importante fazer um breve resumo da Teoria de Piaget


para que você possa se situar e não fique perdido quando entrarmos em conceitos
mais complexos.

1 Extraído do link: www.resumoescolar.com.br


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O pesquisador suíço sempre acreditou que o principal objetivo da inteligência
é ajudar as pessoas em sua ambientação ao meio em que vivem.
As formas de adaptação têm a ver com atitudes próprias do ser humano, como
o surgimento de hábitos e reflexos.
De acordo com os seus conceitos, o desenvolvimento cognitivo do homem tem
a ver com o acompanhamento de respostas mais elaboradas ao ambiente.

Fonte: ufes.br

A partir daí o ser humano começa a criar insights, ter sacadas para entender e
se adaptar ao seu novo universo.
Ou seja, com o passar do tempo, com o conhecimento adquirido e com a
maturidade se instaurando, começam a surgir o que o autor chama de manifestações
diferenciadas – aquelas que fogem do senso comum, que são próprias e únicas do
indivíduo que as praticou.
Usando como método de pesquisa a observação e também o raciocínio lógico,
Piaget foi além e começou a estudar como o conhecimento se desenvolve, desde os
sinais mais primitivos até os mais sofisticados.
O autor defende que o crescimento intelectual acontece em partes que evoluem
pela equilibração, como chama o autor.

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Na prática, trata-se da busca da criança pelo equilíbrio entre o que ela descobre
em seu habitat e a sua própria capacidade cognitiva.
Assim, as estruturas mentais, os esquemas e o modo do jovem pensar servem
para que ele, desde pequeno, encare e se molde às dificuldades que aparecerem.

7 O QUE É ASSIMILAÇÃO E ACOMODAÇÃO?

Dois elementos chave para entender a aprendizagem humana em Piaget são


as definições de assimilação e acomodação.
As duas funcionam como ferramentas do conhecimento.
Em outras palavras, elas são engrenagens responsáveis por organizar, de
maneira progressiva, os saberes humanos.
Uma estratégia que o pesquisador utiliza para explicar processos complicados,
como a troca de informação que as pessoas fazem com o ambiente – o que pode ser
chamado de adaptação -, é se utilizar de termos próprios da biologia.
Como exemplo podemos citar a expressão invariantes funcionais.
Os mecanismos com essa alcunha, que ajudam a estabelecer a interação
adaptativa do homem e meio, nada mais são do que a assimilação e a adaptação.

Assimilação

Serve para designar um processo no qual uma criança adquire nova


informação, que até então não possuía.
Um brinquedo diferente ou um desenho animado recém apresentado são
experiências que ela tenta acrescentar ao seu cérebro.
Ou seja, uma criança está sempre disposta a aprender mais e armazenar
informações diferentes das que possui.
Um exemplo prático para você entender melhor é quando ela está aprendendo
a reconhecer as coisas.
Até o momento, acha que todos os objetos que existem são berços.
Podemos dizer que o pequeno tem em sua estrutura cognitiva um esquema de
berço.

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Quando é apresentado a essa criança outro objeto que ofereça alguma
semelhança, como uma mesa, ela a terá também como berço (grande, quatro pernas,
também usada como apoio para trocar sua fralda).
Aqui, há um claro caso de assimilação.
As proximidades entre o berço e a mesa fazem com que os dois sejam
facilmente confundíveis.
Isso ocorre por conta da proximidade dos estímulos e de não existir quase
nenhuma variedade de esquemas reunidos pela criança até o presente momento.

Acomodação

Berço e mesa só serão diferenciados a partir do processo de acomodação.


Para que isso aconteça, no entanto, será necessária a participação direta do
adulto.
Cabe a ele corrigir o seu filho quando apontar a mesa e falar berço.
A partir dessa intervenção, deixando claro que o objeto em questão é outro, a
criança vai acomodar essa informação e criar um novo esquema.
Agora, ela tem uma definição de berço e outra de mesa.
Na prática, a acomodação é determinada a partir do momento em que a criança
não consegue registrar uma nova informação, pois não existe uma estrutura cognitiva
que se pareça com a novidade descoberta.
Nessa situação, é preciso criar um novo esquema ou mudar algum que já exista
em seu repertório.
Com a acomodação, é possível tentar assimilar o estímulo uma vez mais e,
com a mudança na estrutura cognitiva, o novo conhecimento é prontamente
assimilado.

8 ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM HUMANA


SEGUNDO A TEORIA DE PIAGET

A assimilação e a acomodação são as principais responsáveis pelas alterações


do desenvolvimento cognitivo.

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Apesar desse processo se dar durante toda a infância, existem momentos em
que essa adaptação acontece de forma distinta.
Coincidentemente ou não, esses desequilíbrios se dão de forma diferente
conforme a idade em que os pequenos estão.
Por isso, Piaget dividiu o aprimoramento da aprendizagem em quatro estágios
da vida de uma criança.

Sensório-motor (0 aos 2 anos)

Período no qual a criança não tem nenhuma autonomia e onde ainda não são
traçados planos.
Ela está presa na atividade do agora. Sugar o peito da mãe, morder e soltar
brinquedos são suas principais ações.
O máximo que um bebê nessa idade consegue fazer é usar a chamada pré-
lógica, que é ordenar objetos do maior para o menor, colocar uns sobre os outros ou
ainda encaixar bases iguais em orifícios de mesmo desenho.
As primeiras noções do eu começam a ser construídas.
Aqui, já é possível diferenciar sua existência física a parte do universo que o
rodeia.
Um bebê de cinco meses brinca com um objeto que estiver à sua frente.
Agora, se a peça for escondida, ele já vai agir como se o utensílio nunca tivesse
sequer existido.
É diferente de uma criança de oito, nove meses, que já consegue notar que o
objeto sumiu e começa a brincar de esconde-esconde com ele.
Cada novo encontro representa uma felicidade imensa.
Importante dizer que alguns pontos foram mudando desde que a Teoria de
Piaget foi criada.
Muitas pessoas tendem a achar que os bebês de hoje são mais inteligentes
que os de alguns anos atrás.
Um dos motivos que levam a essa conclusão é o quarto dos pequenos.
Há alguns anos, acreditava-se que para uma criança absorver tudo que
aprendeu no dia, era preciso um cômodo escuro e extremamente silencioso.

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Com o passar do tempo, foi se notando que paredes pintadas em cores mais
quentes e músicas no ambiente podem ser muito mais estimulante para os bebês.

Fonte: granada.isepclinic.es

Pré-operatório (2 aos 7 anos)

O período sensório-motor vai ficando um pouco de lado e o imediatismo


começa a dar lugar à função simbólica, que é a necessidade do pequeno se adequar
ao meio em que vive.
O pré-operatório é marcado pelo início da linguagem oral, que é quando a
criança começa a externar em palavras aquilo que assimilou e acomodou no passado.
É uma fase em que o ego fala mais alto.
Tudo gira em torno do seu umbigo.
Se alguém pergunta qual é o bebê mais lindo do mundo, a resposta certamente
será: “eu”.
O animismo também é algo marcante.
Sentimentos pessoais são transmitidos para objetos inanimados e animais.
Você vai ouvir do seu filho: “cadeira boba, machucou o meu dedinho” ou
“cachorro mau, latiu forte para mim”.

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Até essa faixa etária, as crianças são incapazes de entender que trocar um
objeto de lugar ou a sua forma não vai alterá-lo para sempre.
O exemplo clássico disso é o da massinha de modelar.
Duas massas podem ser exatamente iguais, mas se você a achatar um pouco,
o pequeno vai jurar de pés juntos que essa é mais leve que aquela outra, que não foi
mexida.
Operações concretas (7 aos 12 anos)

A criança deixa um pouco de se achar o centro do universo e começa a


desenvolver um conhecimento que tem mais a ver com as outras pessoas mais
velhas.
Para usar outro exemplo que não o da massinha de modelar, ela consegue
compreender que dez peças de dominó colocadas cinco em cima e cinco embaixo é
igual a todas elas enfileiradas, exceto pela sua disposição.
Elas continuam sendo uma dezena de retângulos pontilhados.
Ou seja, além da ideia desses objetos concretos, agora é possível fazer
operações mentais com eles.
Por outro lado, a percepção em situações que não são palpáveis ainda está
confusa.
As primeiras noções de tolerância também são sentidas nessa fase.
Com o egocentrismo de lado, é possível ver que existem opiniões, emoções e
carências diferentes das suas.

Operações formais (12 anos em diante)

Etapa onde o desenvolvimento da inteligência dá o maior salto.


É quando o adolescente começa a realizar operações mentais com abstrações
e não somente com o concreto.
Os hormônios também começam a agir e não apenas no corpo as mudanças
passam a aparecer.
O comportamento também é afetado: sentimentos como revolta, incerteza e
idealismos como “eu vou mudar o mundo” são clichês, mas reais para eles.
Problemas matemáticos mais complexos também começam a ser resolvidos.

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Isso porque a lógica já está bastante aguçada.
Talvez a forma mais fácil de diferenciar a fase das operações concretas das
formais seja através de combinações aritméticas.
Um exemplo usado por Piaget é o número de sequências que se pode fazer
com os elementos ABCD.
Enquanto um adolescente no período formal vai procurar estabelecer a lógica
para elucidar o desafio – mudar primeiro a última letra, depois a penúltima -, o jovem
na fase concreta provavelmente vai estabelecer uma ordem aleatória, sem uma
metodologia sistêmica.
Embora o Modelo de Desenvolvimento de Aprendizagem de Piaget seja muito
completo e fiel à realidade, nunca é demais ressaltar que ele pode variar conforme a
idade e de criança para criança.
É como aquele aluno adiantado da turma, que mesmo sendo o mais novo da
galera, acompanha as lições tão bem quanto os outros.

9 TEORIA DE PIAGET E O DESENVOLVIMENTO DA MORAL

O desenvolvimento da aprendizagem, da cognição e da moral são muito bem


amarradas entre si, segundo a teoria de Piaget.
Para abrirmos essa última parte, é importante começar pontuando que o
pesquisador defende que crianças entre cinco e dez anos de idade tomam suas
decisões éticas a partir do que uma autoridade acredita que é certo.
As regras de professores e responsáveis não mudam e os pequenos as
seguem por receio de serem castigados.
Depois desse primeiro momento, os jovens passam a ter um poder de decisão
um pouco maior em relação ao que acreditam ser certo e errado.
O autor suíço divide esse período – da infância até o início da adolescência –
em três fases.
Conheça um pouquinho mais de cada uma delas.

Anomia

Etapa que vai até, mais ou menos, os cinco anos da criança.

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Nessa fase, normalmente não existe moral.
As normas de conduta são guiadas pelas vontades mais elementares.
A obediência de uma regra se dá pelo hábito e não pela distinção do que é
correto ou não.
Por exemplo, um bebê que está com a fralda suja, não vai parar de chorar até
que ela seja trocada.

Heteronomia

A fase seguinte, que costuma ir até os dez anos de idade, já identifica um outro
tipo de comportamento.
Aqui, o que é certo está correto e ponto final, não existe margem para
interpretação.
Do mesmo modo, o errado, por mais que seja por uma causa nobre, continua
sendo incorreto.
O fato de uma criança não fazer o dever de casa por cuidar do irmãozinho que
estava doente é tão grave quanto ele não realizar os temas por pura preguiça.

Autonomia

Depois dos dez anos, começa a última fase do desenvolvimento da moral.


A partir do início da adolescência, o respeito às normas de conduta é feito
através de acordos entre responsáveis e jovens.
Faltar aula nunca é bom, mas a ausência por motivo de saúde é bem diferente
de não responder à chamada para ir ao shopping, em uma matinê, ver a estreia de
um filme no cinema.
Cabe aos pais e aos educadores conduzir esse desenvolvimento moral das
crianças em todas as fases, até atingir sua autonomia.
É importante ressaltar também que, apesar dessas etapas mostrarem um
comportamento padrão, há sempre particularidades a serem tratadas com as
diferentes faixas etárias.

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9.1 Teoria de Piaget e as consequências na área pedagógica

Os ensinamentos da teoria de Piaget saíram dos livros e podem ser vistos na


prática, dentro das salas de aula.
Seu legado e sua contribuição na pedagogia são inestimáveis.
Talvez a principal delas seja a de respeitar as particularidades de cada fase do
desenvolvimento e estimular as atividades naturais dos alunos.
Um ensino mais desafiador, que envolva a reflexão e a descoberta de novos
conteúdos por parte dos alunos, assim ampliando seus esquemas mentais, também
é uma herança deixada pelo suíço.
Essa metodologia pode levar os estudantes a acionar seus aprendizados
cognitivos e, assim, desenvolver uma série de ações que vão desde a localização no
tempo e espaço, passando pela proposição e comprovação de hipóteses até a
justificativa por escolhas realizadas.
Elementos como interação social e linguagem também passaram a ter um
espaço vital dentro das salas de aula.
A troca de ideias e a cooperação por meio de trabalhos em grupo e debates
são enriquecedores para o ensino.
A teoria de Piaget sempre defendeu que o convívio coletivo favorece a
aprendizagem, pois as crianças podem comparar pontos de vista e ver que há
diferentes interpretações para situações iguais, dependendo da ótica de cada um.
Esse vai e vem de informações favorece o pensamento reverso, a
reciprocidade e a mutualidade no tratamento recíproco.
Em outras palavras, contribui para a passagem da heteronomia para a
autonomia.
A Teoria de Piaget, de mais de meio século, tem aplicações bastante práticas
até hoje.
Não por acaso, suas descobertas impactaram a educação mundial de forma
definitiva.
Sempre com o objetivo de auxiliar a criança a desenvolver suas capacidades
operativas de pensamento, as conclusões dos estudos do pesquisador fizeram com
que se entendesse mais a fundo a aprendizagem humana.
Um universo novo se abriu, onde ocupar espaço no HD da máquina e depois
deixar essas informações acumulando pó não fazia sentido.
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Era preciso, de fato, adquirir conhecimentos novos, que permitissem à criança
raciocinar por ela própria – e não uma cópia e cola automático, que não gera reflexão
- com pensamentos coerentes, críticos e criativos. 2

9.2 Psicologia da aprendizagem

O comportamento humano é apreendido, no meio social em que nos


encontramos, desta forma uma das questões centrais dos estudos da Psicologia é a
aprendizagem.
O homem é de todas as espécies animais, a mais evoluída, desta forma, seu
modo de ser evoluiu, ao longo da história de tal forma que os comportamentos
instintivos foram aos poucos sendo deixados para trás, hoje correspondendo apenas
aqueles necessários a sobrevivência de nossa espécie.
Dependemos da aprendizagem para sobreviver, pois, precisamos aprender a
comer, andar, falar, enfim, a ser homens. Esse processo se estende do momento em
que nascemos até nossa morte. Para estar no mundo, sobreviver, necessitamos
apreender.
Essa possibilidade, dada pela aprendizagem, faz com que seja possível, as
gerações tirar proveito de experiências anteriores a nossa, acrescentando a
contribuição de nosso tempo, promovendo o progresso.
Em nossa caminhada, aprendemos comportamentos úteis, e necessários a
nosso crescimento pessoal e profissional, porém nesse processo também
aprendemos comportamentos inúteis e prejudiciais, podemos dar como exemplo o
hábito de fumar ou beber.
A análise psicológica a respeito da aprendizagem se baseia em vários
conceitos, que levam em conta a forma como esse processo se dá, nos diferentes
sujeitos.
Para tanto se observa a maturação física, as descobertas, o erro, que nos
levam a apresentar um comportamento que anteriormente não existia a respeito de
determinado evento ou conteúdo.
Dessa forma:

2 Extraído do link: www.sbcoaching.com.br


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São muitas as questões consideradas importantes pelos teóricos da
aprendizagem. Qual o limite da aprendizagem? Qual participação do aprendiz no
processo? Qual a natureza da aprendizagem? Há ou não motivação subjacente ao
processo? As respostas a essas questões têm originado controvérsias entre os
estudiosos.
Existem diversas teorias sobre aprendizagem, mas podemos dividi-las em dois
grupos: as comportamentais e as cognitivas.
As teorias comportamentais defendem que a aprendizagem acontece com base
no comportamento dos indivíduos, desta forma devem ser levadas em conta questões
ambientais, que segundo esta proposta proporciona a aprendizagem. A aprendizagem
diante desta proposta se dá através de uma vinculação entre estimulo e resposta.
Segundo esta concepção, aprendemos hábitos, isto é, através da prática.
As teorias cognitivistas, defendem que a aprendizagem acontece através da
relação do sujeito com o meio que o circunda, levando a uma organização interna
como forma de interação com o mundo.
Defendem que aprendemos por uma associação entre ideias e nossa
experiência.
Aprofundando o conceito de cognição pode-se dizer que:
Cognição é o “processo através do qual o mundo de significados tem origem.
À medida que o ser se situa no mundo, estabelece relações de significação, isto é,
atribui significados à realidade em que se encontra. Esses significados não são
entidades estáticas, mas pontos de partida para a atribuição de outros significados.
Tem origem, então, a estrutura cognitiva (os primeiros significados), constituindo-se
nos ‘pontos básicos de ancoragem’ dos quais derivam outros significados”.
A denominação dos cognitivistas dada à aprendizagem se refere à integração
entre a organização das informações e o material, a estrutura cognitiva.
Dentro desta perspectiva existem duas formas de aprendizagem, sendo elas:
A aprendizagem mecânica – onde o processo de aprendizagem acontece
sem uma conexão com informações anteriores, este não se liga a conceitos
específicos. Podemos utilizar como exemplo quando memorizamos um conteúdo para
uma prova específica, sem relacioná-lo a outros conceitos.

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A aprendizagem significativa – esta se relaciona com outros conceitos
disponíveis na estrutura cognitiva, servindo de ponto de ancoragem para outros
conceitos que se seguirão.
Os pontos de ancoragem são de grande relevância para a aprendizagem
significativa.

Fonte: www.a12.com

Assim pode-se dizer que: Os pontos de ancoragem são formados com a


incorporação, à estrutura cognitiva de elementos (informações ou ideias) relevantes
para a aquisição de novos conhecimentos e com a organização destes, de forma a,
progressivamente, progressivamente, generalizarem-se, formando conceitos.
Partindo de conceitos simples é possível a criança diferenciar conceitos e
chegar até outros mais complexos, não só a criança, mas todo o indivíduo que está
inserido no processo de aprendizagem, seja de modo formal ou informal.
A partir das concepções acima descritas surgem várias teorias com o objetivo
de analisar, discutir e desenvolver formas de tornar a aprendizagem mais interessante
para os educandos.
Jerome Bruner, famoso psicólogo, desenvolveu um grande trabalho com
respeito a teoria cognitivista de aprendizagem, sendo considerado um o representante
máximo dessa corrente.

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Sua teoria enfatiza a importância da motivação, a respeito BARROS salienta:
[...] acredita que há dentro do indivíduo, desde o nascimento, forças poderosas que o
levam a aprendizagem, como a curiosidade, o desejo de adquirir competência e o
desejo de trabalhar cooperativamente com outras pessoas, que Bruner chama
reciprocidade.
Em sua teoria o psicólogo considera o valor do reforço como uma questão
transitória, por se apresentar como uma motivação externa, defende a necessidade
do feedback, que se caracteriza pelo retorno ao aprendiz a respeito de seu processo
de conhecimento.
Toda a aprendizagem, que se baseia na instrução do educando deve, segundo
o teórico dar meios para que este desenvolva a capacidade de autocorreção, ou seja,
o reforço deve criar meios para que com o próprio desenvolvimento o estudante sinta-
se capaz de avaliar seus próprios erros.
Dentro dessa proposta salienta a necessidade de despertar junto aos
educandos a investigação para que estes sejam capazes de ir adiante, motivados.
Destaca-se aqui, segundo BOCK, a estrutura da matéria: Para se dar conta do
primeiro aspecto (estrutura da matéria), Bruner propõe que os especialistas nas
disciplinas auxiliem a estruturar o conteúdo de ensino a partir dos conceitos mais
gerais e essenciais da matéria e, a partir daí, desenvolvam-no como uma espiral –
sempre dos conceitos mais gerais para os particulares, aumentando gradativamente
a complexidade das informações. Por exemplo, em Física é necessário começarmos
pela noção de energia, em Psicologia pela noção da vida psíquica e em história pelas
noções de Homem, Natureza e Cultura.
O método proposto por Bruner sugere que o ensino seja voltado para a
compreensão do educando, para tanto é fundamental que os professores conheçam
a realidade de seus aprendizes.
A motivação é um dos fatores mais importantes no processo de aprendizagem,
onde devem estar relacionadas as questões da necessidade, do ambiente e do objeto
a ser apreendido, na tarefa de compreender conceitos, o aprendiz deve ser instigado
a satisfazer sua necessidade, criando assim uma aprendizagem significativa.
No panorama contemporâneo, as teorias de Vygotsky e Piaget, se destacam
na relação de ensino-aprendizagem, por salientarem uma construção da

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aprendizagem centrada no desenvolvimento infantil e suas possibilidades, levando em
conta o meio que cerca a criança em seu desenvolvimento.
A psicolinguística argentina Emília Ferreiro, se embasou em Vygotsky e Piaget,
para formular sua teoria, suas contribuições são de grande importância para a
educação brasileira, pois contribuíram sobre maneira na revisão de educadores sobre
seus métodos de ensino relacionados a alfabetização infantil.
Suas investigações se basearam no processo de aquisição e elaboração de
conhecimentos pela criança, seu foco de concentração assim como o de Piaget, está
nos mecanismos cognitivos relacionados à leitura e a escrita.
Com base em seus estudos, fica clara papel da criança como um agente ativo
na aprendizagem, desta forma o foco que anteriormente se remetia à escola, volta à
atenção para o sujeito que conhece.
A psicolinguística salienta o caráter evolutivo da aprendizagem da escrita, para
que a criança consiga descobrir o caráter simbólico da escrita, é necessário oferecer
condições em que a escrita se torne objeto de seu pensamento.
Este aprendizado apresenta-se como fundamental no processo de
aprendizagem, bem como os aspectos relacionados a percepção e à motricidade.
Como forma de situação de aprendizagem, propõe a valorização das histórias
contadas pela criança e de suas tentativas de escrita, características que geram a
descoberta do uso social da linguagem, com isso o conhecimento espontâneo da
criança passa a fazer parte do ensino tornando-o mais significativo.
A escrita possui um caráter evolutivo, onde é possível observar:
[...] que os primeiros registros da sílaba são feitos com apenas uma letra, à qual
se agregarão outras, posteriormente, levou Ferreiro à interpretação de que estes são
fatos naturais do percurso, ou seja, são erros naturais e necessários à construção da
aprendizagem.
A construção do conhecimento se caracteriza como um processo evolutivo,
onde deve se levar em conta as capacidades da criança de apreender o objeto e
possibilitar esta interação de forma que seu mundo de significados seja respeitado e
levado em conta.
Nossa aprendizagem formal e informal se caracteriza por uma construção que
envolve o erro como possibilidade de caminhada rumo ao acerto.

20
Valorizar essa possibilidade no educando é uma forma de construir com ele
uma aprendizagem significativa, onde o sujeito de tal processo passa a ser levado em
conta, não como mero deposito de conhecimentos, mas como um agente ativo, que
possui uma história além da instituição, onde se exprime um conhecimento.
Cabe aos professores, olhar o ato de educar como possibilidade de construção
com o educando.
A desconsideração total pela formação integral do ser humano e a sua redução
a puro treino fortalecem a maneira autoritária de falar de cima para baixo. Nesse
caso, falar a, que na perspectiva democrática é um possível momento da com falar
com, nem sequer é ensaiado. A desconsideração total pela formação integral do ser
humano, a sua redução a puro treino fortalecem a maneira autoritária de falar de cima
para baixo a que falta, por isso mesmo, a intenção de sua democratização no falar
com.
Na construção de uma aprendizagem significativa, cabe ao educador levar em
conta a perspectiva do educando, como forma de qualificar o processo de ensino-
aprendizagem.3
A aprendizagem significativa se caracteriza pela interação entre novos
conhecimentos e o conhecimento prévio do aluno.
Sendo que nessa interação os novos conhecimentos adquirem significado para
o sujeito e os conhecimentos prévios adquirem novos significados ou maior
estabilidade cognitiva.
Duas dimensões do processo de aprendizagem, relativamente independentes,
são importantes na aprendizagem significativa:
(i) o modo como o conhecimento a ser aprendido é tornado disponível ao aluno
(por recepção ou por descoberta); e
(ii) o modo como os alunos incorporam essa informação nas suas estruturas
cognitivas já existentes (mecânica ou significativa).
A aprendizagem significativa só ocorre quando o novo material, que apresenta
uma estrutura lógica, interage com conceitos relevantes e inclusivos, claros e
disponíveis na estrutura cognitiva.

3 Extraído do link: www.gestaouniversitaria.com.br


21
Quando conceitos relevantes não existem na estrutura cognitiva do sujeito,
novas informações têm que ser aprendidas mecanicamente, não se relacionando a
nova informação com os conceitos já existentes.
A aprendizagem significativa proposta por Ausubel (1981) dá pouca atenção à
aprendizagem por descoberta priorizando a assimilação.
Isso significa que, na aprendizagem significativa o que o aluno já sabe é
fundamental.
Pois é por meio do que o aluno já sabe que ele estabelece relações com o
conhecimento novo apresentado.
Essas relações entre o conhecimento novo e o antigo é intermediado por
organizadores prévios.
Esses organizadores funcionam como uma ponte cognitiva e servem como
ancoradouro, na estrutura cognitiva, para o novo conhecimento.
Se conceitos relevantes não estiverem disponíveis na estrutura cognitiva de um
aluno, os organizadores prévios serviriam para ancorar as novas aprendizagens e
levar ao desenvolvimento de um subsumir que facilitasse a aprendizagem
subsequente.
A aprendizagem passa a ser encarada como um processo interno e pessoal.
Que implica o aluno na construção ativa do conhecimento e que progride no
tempo de acordo com os interesses e capacidades de cada um.

9.3 O que a aprendizagem significativa tem a ver com o construtivismo?

A aprendizagem significativa é um conceito subjacente às teorias


construtivistas de aprendizagem.
Os modelos pedagógicos construtivistas dão especial realce às construções
prévias dos alunos na medida em que filtram, escolhem, decodificam e reelaboram
informação que o indivíduo recebe do meio.
Por outras palavras, o conhecimento prévio ou as concepções pré-existentes
orientam os alunos na compreensão da nova informação apresentada pelos
professores ou pelos manuais.
Se as concepções prévias dos alunos se articulam com a versão científica,
ocorre apreensão conceitual.

22
Mas se entram em conflito com a versão científica, ocorre, então, mudança
conceitual.
Em uma ótica piagetiana, ensinar seria provocar desequilíbrio cognitivo no
aprendiz.

Fonte: escoladainteligencia.com.br

Para que, ele procurando o reequilíbrio se reestruturasse cognitivamente e


aprendesse (significativamente).
O mecanismo de aprender de uma pessoa está relacionado a sua capacidade
de reestruturar-se mentalmente.
E está relacionado a buscar um novo equilíbrio (novos esquemas de
assimilação para adaptar-se à nova situação). O ensino deve ativar este mecanismo.
Para Vygotsky, o único bom ensino é aquele que está à frente do
desenvolvimento cognitivo e o dirige.
Isso significa que, a única boa aprendizagem é aquela que está avançada em
relação ao desenvolvimento.
A interação social que leva à aprendizagem deve ocorrer dentro daquilo que
ele chama de zona de desenvolvimento proximal.
A zona de desenvolvimento proximal é distância entre o nível de
desenvolvimento cognitivo real do indivíduo, tal como poderia ser medido por sua
capacidade de resolver problemas sozinho e seu nível de desenvolvimento potencial,
23
tal como seria medido por sua capacidade de resolver problemas sob orientação ou
em colaboração com companheiros mais capazes.
Para facilitar a aprendizagem significativa é preciso dar atenção ao conteúdo e
à estrutura cognitiva, procurando “manipular” os dois.
É necessário fazer uma análise conceitual do conteúdo para identificar
conceitos, ideias, procedimentos básicos e concentrar neles o esforço instrucional.
É importante não sobrecarregar o aluno de informações desnecessárias,
dificultando a organização cognitiva.
É preciso buscar a melhor maneira de relacionar, explicitamente, os aspectos
mais importantes do conteúdo da matéria de ensino aos aspectos especificamente
relevantes de estrutura cognitiva do aprendiz.
É indispensável uma análise prévia daquilo que se vai ensinar.
Nem tudo que está nos programas e nos livros e outros materiais educativos
do currículo é importante.
Além disso, a ordem em que os principais conceitos e ideias da matéria de
ensino aparecem nos materiais educativos e nos programas muitas vezes não é a
mais adequada para facilitar a interação com o conhecimento prévio do aluno.
A análise crítica da matéria de ensino deve ser feita pensando no aprendiz.
De nada adianta o conteúdo ter boa organização lógica, cronológica ou
epistemológica, e não ser psicologicamente aprendível.
Materiais introdutórios apresentados antes do material de aprendizagem em si,
em um nível mais alto de abstração, generalidade e inclusividade, podem ajudar.
Sua principal função é a de servir de ponte entre o que o aprendiz já sabe e o
que ele deve saber a fim de que o novo material possa ser aprendido de maneira
significativa. Seriam uma espécie de “ancoradouro provisório”.

10 COMO INCORPORAR NAS AULAS

A teoria de Ausubel oferece, alguns princípios e estratégia que ele crê serem
facilitadores da aprendizagem significativa.
A estratégia do mapeamento conceitual trata-se de uma técnica que, como
sugere o próprio nome, enfatiza conceitos e relações entre conceitos à luz dos
princípios da diferenciação progressiva e reconciliação integrativa.

24
Os mapas conceituais podem ser usados como recurso didático, de avaliação
e de análise de currículo. Podem também servir como instrumento de metacognição,
de aprender a aprender.
No entanto, mapas conceituais e aprendizagem significativa não são
sinônimos. Dependendo de como são utilizados, mapas conceituais podem gerar
aprendizagem mecânica. Por exemplo, se existir um “mapa correto” que os alunos
devem reproduzir.4

11 ENTENDA TUDO SOBRE A TEORIA DE APRENDIZAGEM DE VYGOTSKY

A teoria de aprendizagem de Vygotsky — psicólogo bielorrusso que morreu há


mais de 80 anos — tem uma ênfase importante no papel das relações sociais no
desenvolvimento intelectual. Para ele, o homem é um ser que se forma em contato
com a sociedade.
“Na ausência do outro, o homem não se constrói homem”, diz. Sua
compreensão é a de que a formação se dá na relação entre o sujeito e a sociedade a
seu redor. Assim, o indivíduo modifica o ambiente e este o modifica de volta.
Dessa maneira, a interação que cada pessoa estabelece com um ambiente, a
experiência pessoalmente significativa, é muito importante para ela. Por isso, a teoria
de aprendizagem de Vygotsky ganhou o nome de socioconstrutivismo e tem como
temas centrais o desenvolvimento humano e a aprendizagem.
A partir desse entendimento, seu estudo tem peso nas possíveis rupturas do
processo de construção das ideias pedagógicas. Afinal, a base de seus estudos é a
psicologia evolutiva e a perspectiva usada para concebê-los é a da função social do
professor.
O contexto social é, então, determinante quando se fala em desenvolvimento
cognitivo e, assim, o profissional tem de responder aos desafios impostos
pela diversidade na sala de aula.
Quando o professor aplica esse conhecimento no processo ensino-
aprendizagem, ele pode acompanhar, no decorrer do desenvolvimento infantil, a
evolução da manifestação de pensamento e da expressão (verbal ou não) da criança.

4 Extraído do link: pontodidatica.com.br


25
Segundo o teórico, grande parte do desenvolvimento infantil ocorre pelas
interações com o ambiente, que determinam o que a criança internaliza. Quer saber
mais sobre o tema? Confira o texto a seguir!

Papel do professor na aprendizagem

Estudioso do processo de aprendizagem, Vygotsky defende que ela é


resultante da atividade de cada pessoa e da reflexão que ela consegue fazer a partir
daquilo. Ou seja, cada aluno é um agente ativo nesse processo.
Dessa forma, o papel do professor consiste em guiá-lo enquanto fornece as
ferramentas adequadas para que seu desenvolvimento cognitivo ocorra da forma mais
apropriada. Assim, a função do profissional é conduzir o indivíduo até a aquisição do
conhecimento.
Afinal, o primeiro contato da criança com novas atividades, habilidades ou
informações deve ter sempre a participação de um adulto. Depois que internaliza um
procedimento, ela se apropria dele e o torna voluntário. O papel do educador, então,
é ativo e determinante nesse processo.

Estruturas mentais

Para educar, o professor deve entender as estruturas mentais e seus


mecanismos. No contexto educacional, os conceitos da teoria de aprendizagem de
Vygotsky percebem a escola como o local onde a intervenção pedagógica é
intencional e é isso o que promove o processo de ensino-aprendizagem.
Para o estudioso, a aquisição do conhecimento ocorre por mediação,
convivência, partilha e assim por diante até que diversas estruturas sejam
internalizadas. Um de seus principais conceitos é a zona de desenvolvimento proximal
(ZDP), que destaca o papel do outro — em especial o do professor.
A ZDP, segundo seu criador, é a distância entre o desenvolvimento real de uma
criança e o que ela ainda tem o potencial de aprender. Esse potencial é demonstrado
pela capacidade de desenvolver uma competência com a ajuda de um adulto.

26
O profissional interfere de forma objetiva, intencional e direta na ZDP. O aluno
é aquele que aprende os valores, a linguagem e o conhecimento que seu grupo social
produz a partir da interação com o outro — no caso, o professor.
Segundo Vygotsky, o aprendizado não se subordina totalmente ao
desenvolvimento das estruturas intelectuais: um aspecto se alimenta do outro. Por
isso, o ensino deve se antecipar àquilo que a criança ainda não sabe e nem é capaz
de aprender sozinha. Para ele, na relação entre aprendizado e desenvolvimento, o
primeiro vem antes.

12 MEDIAÇÃO DA APRENDIZAGEM

Nesse cenário, um dos recursos mais úteis é o trabalho de pares. Afinal, a ZDP
é o caminho entre o que a criança consegue fazer sozinha e o que ela está perto de
conseguir fazer sozinha.
O professor deve ser capaz de identificar essas duas capacidades e, a partir
disso, determinar qual deve ser o percurso de cada aluno entre elas. Por isso, a
relação entre professor e estudante deve ser de cooperação, respeito e crescimento,
não de imposição.
A criança deve ser considerada ativa no processo de construção de
conhecimento. O educador é o suporte para que a aprendizagem seja satisfatória. O
educador deve, então, interferir na ZDP do estudante com metodologia.
Para Vygotsky, isso ocorre pela linguagem — pelo diálogo entre professor e
aluno. Esse conceito é essencial na adaptação na educação infantil e o papel do
professor é fazer com que a criança se sinta estimulada.

12.1 Principais definições da Teoria de Aprendizagem de Vygotsky

Segundo o estudioso, o desenvolvimento da linguagem implica o


desenvolvimento do pensamento, já que é pelas palavras que o pensamento ganha
existência.
Para ele, a linguagem tem duas funções básicas: intercâmbio social e
pensamento generalizante. O intercâmbio social é bem visível em bebês, por exemplo:

27
por meio de gestos, expressões e sons, eles demonstram sentimentos, desejos e
necessidades.
O pensamento generalizante ocorre quando se fala uma palavra: ao dizer, por
exemplo, frango, o pensamento classifica a palavra em “animais” e remete à imagem
dele.

Fonte: pedagogiaaopedaletra.com

Assim, as funções psicológicas superiores, ou seja, as ações e os pensamentos


inteligentes que só são encontrados no homem (como pensar, refletir, organizar,
categorizar, generalizar e outros), são construídas ao longo de sua história social. Os
pilares da teoria de aprendizagem de Vygotsky são:
 As funções psicológicas têm suporte biológico, pois são produtos da atividade
cerebral. O cérebro é um sistema aberto, com estruturas que são moldadas ao
longo da história do homem e de seu desenvolvimento individual;
 O funcionamento psicológico tem como base as relações sociais dentro de um
contexto histórico;
 A cultura é parte essencial do processo de construção da natureza humana;
 A relação entre o homem e o mundo é mediada por sistemas simbólicos, que
auxiliam a atividade humana.

28
Conceitos de aprendizagem

As observações de Vygotsky foram obtidas a partir de um estudo com primatas.


Ao avaliar os animais, o teórico percebeu que existe uma inteligência prática em ação,
já que eles conseguem atingir um nível em que podem resolver problemas ao seu
redor com o uso de instrumentos.
A partir disso, ele formulou alguns conceitos.

Linguagem e pensamento

A fase da resolução de problemas no entorno foi chamada pelo psicólogo de


“linguagem pré-intelectual”. Paralelamente, o estudioso percebeu que os primatas
usam expressões faciais, gritos e urros para se comunicar — algo que chamou de
“pensamento pré-verbal”.
Quando analisou crianças, ele notou que elas passam por um processo
semelhante. Depois, por volta dos dois anos de idade, a linguagem pré-intelectual e o
pensamento pré-verbal se unem e dão origem à linguagem intelectual e ao
pensamento verbal.
Nesse momento, seu vocabulário ganha mais consistência, ela passa a
questionar o que lhe intriga e sua linguagem e seu pensamento passam a ser
internalizados. Isso ocorre em três momentos:
 Fala social (ou exterior): a comunicação engloba elementos do entorno e tem
como finalidade apenas a comunicação com adultos;
 Fala egocêntrica: a prioridade não é ser ouvida pelo adulto, mas ela ainda não
saber expressar sua fala apenas para si;
 Fala interior: quando atinge a potencialidade da reflexão.

13 MEDIAÇÃO SEMIÓTICA

A mediação é um conceito central da teoria de aprendizagem de Vygotsky e


representa a intervenção de um elemento intermediário em uma relação. Os
mediadores podem ser instrumentos ou signos.

29
Instrumentos são objetos criados pelo homem para facilitar sua vida e signos
são fatores psicológicos que auxiliam nos processos internos. A significação
pressupõe a criação e o uso de signos por meio dos quais é possível construir novas
conexões cerebrais.
Com isso, a partir dos processos mentais elementares ocorre o
desenvolvimento mental superior, que usa a mediação semiótica. Tanto os
instrumentos quanto os signos ajudam o homem a agir no mundo.
Assim, quando o indivíduo cria uma lista de supermercado, por exemplo, ele
está usando signos. Afinal, trata-se de um suporte psicológico que pode auxiliá-lo,
mais tarde, a fazer as compras no mercado.
De acordo com o teórico, quando nasce, a criança interage com o ambiente de
forma típica e peculiar. A forma mais elementar de relação do homem com o ambiente
tem uma ligação direta de estímulo-resposta. É por isso, por exemplo, que se retira a
mão rapidamente ao ter contato com uma superfície quente.
O processo de educação ocorre, então, por meio da mediação semiótica. Ela,
por sua vez, atua na construção de processos mentais superiores.
Essa construção é prolongada e complexa, pois passa por uma série de
transformações qualitativas em que um estágio é precondição para o próximo (que é
uma ampliação ou uma inovação de um antecedente).

Internalização

Para o estudioso, o ambiente tem papel fundamental no desenvolvimento


intelectual da criança. Ou seja, o desenvolvimento ocorre de fora para dentro. Assim,
a internalização, que permite absorver o conhecimento vindo do contexto, é
fundamental.
As influências sociais, então, em vez de biológicas, são a base da teoria de
aprendizagem de Vygotsky. A internalização está diretamente relacionada à repetição:
a criança se apropria da fala do outro e a torna sua.
Isso ocorre no processo de socialização, já que, quando se relaciona com o
adulto, a criança reconstrói as formas culturais, o pensamento, as significações e os
usos das palavras.

30
Em resumo, todos os dias, em todos os lugares, a criança observa o que as
pessoas dizem, como o dizem, o que fazem e por que o fazem. Ela, então, internaliza
tudo isso e o transforma em sua propriedade. Para isso, ela recria, dentro de si, as
conversações e demais interações observadas.
Esse processo é essencial para o crescimento do funcionalismo psicológico
humano. Afinal, ele compreende uma atividade externa que deve ser mudada para
tornar-se uma atividade interna: assim, ela começa como interpessoal e se torna
intrapessoal.
Dessa forma, quando uma criança está na cozinha, por exemplo, e a mãe lhe
diz apenas para não mexer no fogo, ela perde a chance de lhe ensinar algo. Se, ao
contrário, disser que, se mexer no fogo ela pode se machucar, a criança pode
internalizar esse aprendizado e usá-lo em outras circunstâncias.
Assim, os adultos podem ajudar a ampliar o conhecimento da criança e facilitar
sua aprendizagem por meio das interações que têm com ela. Dessa forma, sempre
que há algum tipo de troca, há aprendizagem, já que o homem não é um ser passivo.

Zonas de desenvolvimento

Como na teoria de aprendizagem de Vygotsky, o desenvolvimento da criança


está diretamente relacionado à sua socialização, ele categorizou esse processo em
três níveis.
1. Zona de desenvolvimento real: refere-se às etapas já alcançadas pela criança
e que permitem que ela solucione problemas de forma independente.
2. Zona de desenvolvimento potencial: é a capacidade que a criança tem de
desempenhar tarefas desde que seja ajudada por adultos ou companheiros
mais capazes.
3. Zona de desenvolvimento proximal: é a distância entre as zonas de
desenvolvimento real e potencial. Ou seja, é o caminho a ser percorrido até o
amadurecimento e a consolidação de funções.
Isso significa que, antes mesmo de frequentar a escola, a criança desenvolve
seu potencial a partir das trocas estabelecidas e adquire conhecimento.

31
Quando vai para o ambiente escolar, ela se familiariza com esse mundo e sai
da zona de desenvolvimento real para, com auxílio do professor, atingir seu
desenvolvimento potencial.
A noção de desenvolvimento remete a um contínuo de evolução. Assim, é como
se o indivíduo caminhasse ao longo do ciclo vital. Essa evolução nem sempre é linear
e ocorre nos aspectos afetivo, cognitivo, social e motor. O processo inclui tanto a
maturação biológica quanto as interações com o meio.
A cultura ao redor do indivíduo é uma das principais influências nesse processo.
Pela interação social, cada pessoa aprende, se desenvolve, cria formas de agir no
mundo e amplia os meios de atuar no complexo contexto que a cerca.

14 O QUE É A APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA?

Para conhecer a natureza da aprendizagem significativa é preciso compreender


que a teoria de Ausubel é uma teoria destinada a uma aplicação direta. David não
procurava simplesmente descrever os diferentes tipos de aprendizagem; ele estava
interessado em provocar uma mudança na instrução. Como mencionamos antes, é
difícil que uma aprendizagem literal ou superficial modifique as representações do
sujeito, o que faz com que nos questionemos se podemos falar, nestes casos, de uma
aprendizagem real. Precisamente nasce daqui a necessidade de entender o que é a
aprendizagem significativa.
A aprendizagem significativa é uma aprendizagem relacional. Está relacionada
com os conhecimentos prévios e experiências vividas. Supõe uma modificação ou
uma maneira de complementar nossos esquemas ou representações da realidade,
conseguindo desta forma uma aprendizagem profunda. Não são simplesmente dados
memorizados, mas sim um marco conceitual sobre como vemos e interpretamos a
realidade que nos rodeia.
Um aspecto chave deste tipo de aprendizagem é a relação cíclica existente
entre nosso marco conceitual ou esquemas e a percepção da realidade material. Nós
observamos a realidade material e, graças a nossos conhecimentos e esquemas
prévios (marco conceitual), construímos uma representação da mesma. Ao construir
uma representação da realidade, esta se incorpora em nosso marco conceitual,
mudando ou complementando nosso conhecimento e esquemas. Desta maneira, as

32
representações adicionadas influenciarão a criação de novas representações, criando
assim um ciclo “representação – novo marco conceitual – representação”.

Implicações na instrução

Esta teoria tem fortes implicações na hora de mudar os métodos de instrução.


Se dermos uma olhada superficial na educação atual, nos daremos conta de diversos
erros. O sistema é feito para favorecer uma aprendizagem de memorização ou literal,
fazendo com que os alunos aprendam dados, fórmulas ou nomes sem nenhum
significado.
Além disso, graças ao sistema atual de avaliação baseado em provas, a
aprendizagem superficial é favorecida. Isso ocorre porque, para passar nas provas,
não é necessário ter uma aprendizagem significativa, e sim tirar uma boa nota. A
aprendizagem de memorização dará melhores resultados com um esforço menor.
Agora, isso faz com que aqueles que procuram entender a matéria se sintam
desanimados ou não entendam por que têm resultados piores.
David Ausubel propôs os seguintes princípios que o ensino deveria seguir para
conseguir uma aprendizagem significativa em seus alunos:
 Ter em conta os conhecimentos prévios. A aprendizagem significativa é
relacional, sua profundidade está na conexão entre os novos conteúdos e os
conhecimentos prévios.
 Proporcionar atividades que consigam despertar o interesse do aluno. Quanto
maior o interesse do estudante, mais disposto ele estará a incorporar o novo
conhecimento em seu marco conceitual.
 Criar um clima harmônico onde o aluno sinta confiança no professor. É
essencial que o estudante veja no professor uma figura de segurança para que
este não seja um obstáculo na aprendizagem.
 Proporcionar atividades que permitam ao aluno opinar, trocar ideias e debater.
O conhecimento precisa ser construído pelos próprios alunos, são eles os que,
através de seu marco conceitual, devem interpretar a realidade material.
 Explicar por meio de exemplos. Os exemplos ajudam a entender a
complexidade da realidade e a conseguir uma aprendizagem contextualizada.

33
 Guiar o processo cognitivo de aprendizagem. Por ser um processo onde os
alunos são livres na hora de construir o conhecimento, eles podem cometer
erros. É função do docente supervisionar o processo e agir como guia durante
o mesmo.
 Criar uma aprendizagem situada no ambiente sociocultural. Toda educação
ocorre em um contexto social e cultura; é importante que os alunos entendam
que o conhecimento é de caráter construído e interpretativo. Entender o porquê
das diferentes interpretações ajudará a construir uma aprendizagem
significativa.
Podemos intuir facilmente que a aposta em um modelo que priorize a
aprendizagem significativa requer recursos. A dificuldade é muito maior do que a outra
maneira de aprender que mencionamos neste artigo (aprendizagem literal ou
superficial), que é muito mais comum nas escolas atuais. Porém, a verdadeira
pergunta é: qual modelo queremos?5

15 O QUE É DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM E COMO CONTORNÁ-LA?

O que é dificuldade de aprendizagem?

A dificuldade de aprendizagem está relacionada aos problemas que não


decorrem de causas educativas, ou seja, aquelas instâncias em que, mesmo após
uma mudança na abordagem educacional do professor, o aluno continua
apresentando os mesmos sintomas.
Isso aponta para a necessidade de uma investigação mais aprofundada, que
determinará quais são as causas da dificuldade em questão.

O que causa dificuldades de aprendizagem?


As principais dificuldades de aprendizagem são associadas a algum
comprometimento no funcionamento de certas áreas do cérebro. Porém, é arriscado
falar somente em uma causa biológica. Frequentemente, alunos que apresentam
sintomas relativos a problemas de atenção, ansiedade ou agitação desenvolvem

5 Extraído do link: amenteemaravilhosa.com.br


34
esses problemas por causa de algum conflito pessoal ou familiar — e não por razões
de ordem fisiológica.

Fonte: www.sosergipe.com.br

Quais são as principais dificuldades de aprendizagem?

Alguns exemplos de dificuldades de aprendizagem mais conhecidos são:


 Dislexia: Os alunos que enfrentam esse distúrbio apresentam, tipicamente,
uma dificuldade de leitura. É muito comum, apresentando mais de 2 milhões
de casos relatados por ano no Brasil.
 Disgrafia: Os alunos que enfrentam esse distúrbio apresentam dificuldade na
escrita. Isso inclui, principalmente, erros de ortografia, como trocar, omitir,
acrescentar ou inverter letras.
 Discalculia: Os alunos que enfrentam esse distúrbio são afetados,
principalmente, em sua relação com a matemática. Portanto, os sinais
envolvem dificuldade em organizar, classificar e realizar operações com
números.
 Dislalia: Os alunos que enfrentam esse distúrbio demonstram dificuldades na
fala. Eles podem ter alterações da formação normal dos órgãos fonadores,
dificultando a produção de certos sons da língua.

35
 Disortografia: Os alunos que enfrentam esse distúrbio geralmente também
são afetados pela dislexia. Ainda que se relacione à linguagem escrita, a
disortografia é mais ampla do que a disgrafia. Pode envolver desde a falta de
vontade de escrever até a dificuldade em concatenar orações.
 Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): Os alunos que
enfrentam esse distúrbio apresentam baixa concentração, inquietude e
impulsividade. Foi constatado que uma das causas do TDAH é genética e que
há implicações neurológicas. O TDAH já é reconhecido pela Organização
Mundial de Saúde (OMS) como um transtorno legítimo.

Como identificar e avaliar as dificuldades de aprendizagem?


Para a identificação de alguma possível dificuldade de aprendizagem, o papel
do professor é fundamental. Afinal, ele tem contato diário e próximo com o aluno, além
de ter fácil acesso aos grupos que o cercam — família, amigos e outros professores.
A rotina da escola - realização de tarefas em grupo, simulados e outras atividades -
também é muito propícia para identificar queixas dos alunos que podem apontar (ou
não) para casos de dificuldade de aprendizagem.
Porém, antes de lançar qualquer possibilidade de diagnóstico, é preciso que o
aluno passe uma avaliação especializada com profissionais da área de saúde.
Esta é uma medida indispensável, pois a realização de avaliações superficiais
tem causado um aumento no número de crianças e adolescentes que
são desnecessariamente submetidos a tratamentos medicamentosos.
A avaliação pode ser conduzida por uma equipe multidisciplinar, para garantir
uma visão mais holística do aluno. Essa equipe deve incluir médicos, especialmente
neurologistas, além de psiquiatras, psicólogos, psicopedagogos e até mesmo
fonoaudiólogos. Cada um dos profissionais terá uma perspectiva a agregar na
avaliação, evitando a miopia de atribuir o problema a uma causa única.

Qual o papel da escola diante da dificuldade de aprendizagem dos


alunos?

Em primeiro lugar, a escola deve compreender que os alunos com dificuldade


de aprendizagem não são incapazes de aprender. É papel da escola, portanto,

36
quebrar certos rótulos e paradigmas de que um aluno com dificuldade de
aprendizagem é “deficiente” ou “fraco”.
Também é seu papel promover maior integração do aluno com o restante da
comunidade escolar. Vale a pena reforçar que, se a integração não ocorre, o próprio
isolamento pode dar margem a uma queda no desempenho do aluno; não por causa
das dificuldades em si, mas devido à desmotivação e frustração com a vida escolar.
Finalmente, também é papel da escola, por meio da figura do professor, adaptar
a metodologia de ensino para ajudar o aluno. Não estamos falando apenas de adotar
práticas ou instrumentos para contornar as dificuldades de aprendizagem. Na
realidade, é necessário buscar a dinamicidade e inovação na sala de aula, integrando
atividades lúdicas por meio do processo de gamificação e adotando ferramentas
tecnológicas de apoio ao ensino. O objetivo é estimular o aluno, de uma forma
despretensiosa, a desafiar sua concepção sobre as próprias limitações.

Quais modalidades de atendimento são essenciais para alunos com


dificuldade de aprendizagem?

O aluno que apresenta alguma dificuldade de aprendizagem se beneficiará de


um acompanhamento regular com a mesma equipe responsável pelo seu diagnóstico.
Os tipos de serviço que devem ser disponibilizados ao aluno vão variar de
acordo com a dificuldade apresentada. De maneira geral, os principais serviços que
trarão ao aluno uma melhoria na qualidade de sua vida escolar, bem como em seu
desempenho, são:
 Consultas com neurologista e psiquiatra, para realização de exames;
 Sessões de terapia com psicólogo;
 Sessões de aconselhamento com pedagogo ou psicopedagogo;
 Sessões de fonoaudiologia, especificamente no caso da dislalia;
 Realização de atividades educativas extraclasse com professores de
Português ou Matemática, conforme a dificuldade de aprendizagem.
Também é essencial que os profissionais tenham alguma forma de
comunicação, já que todos eles vão influenciar o avanço e melhoria do aluno. É
importante que o pedagogo tenha ciência das atividades que estão sendo
desenvolvidas pelos professores e o psicólogo saiba dos procedimentos realizados

37
pelo psiquiatra, e assim por diante. A própria família do aluno é mais indicada para
assumir este papel, realizando o elo entre a equipe que realiza o acompanhamento
multidisciplinar.6

16 TIPOS DE APRENDIZAGEM

O conceito de sete tipos de aprendizagem tornou-se muito conhecido nos


últimos anos e vem orientando o trabalho pedagógico de inúmeros psicólogos,
pedagogos, professores e gestores educacionais. Saiba por que tem aumentado o
interesse por esse assunto e como ele pode auxiliar no processo educacional em
todos os seus níveis.

17 A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Os tipos de aprendizagem estão diretamente relacionados à Teoria das


Inteligências Múltiplas, desenvolvida entre os anos de 1980 e 1990 pelo professor de
psicologia e neurologia da Universidade de Harvard, o norte-americano, Howard
Gardner.
A teoria de Gardner surgiu em um momento em que o padrão mais aceito para
se avaliar a inteligência eram os testes de QI (quociente de inteligência),
desenvolvidos pelo psicólogo francês Alfred Binet no início do século XX. Estes testes
pautavam-se na capacidade lógico-matemática, mas durante muito tempo foi utilizado
para aferir o desempenho escolar de crianças.
A teoria de Gardner não atribui valores para uma ou outra inteligência, como
vem ocorrendo na educação e no mercado de trabalho no último século, onde as
inteligências lógico-matemática e linguística são as de maior importância e, portanto,
mais valorizadas socialmente. Mas sim, na ideia de que a inteligência se manifesta de
múltiplas formas. Para isso, valeu-se da observação e pesquisa de inúmeras
personalidades geniais das mais variadas áreas do conhecimento e dos esportes.

Quem foi mais inteligente: Einstein ou Pelé?

6 Extraído do link: www.somospar.com.br


38
A proposta de Gardner trouxe muitas mudanças, inclusive no âmbito da
educação, pois apresentou um novo conceito de inteligência. Para Gardner, a
genialidade humana é bem mais específica do que generalista e isso explica porque
poucos gênios destacam-se em todas as áreas.
Apesar de ser influenciado por Piaget, Gardner difere principalmente no
aspecto de faixas de desenvolvimento. Onde Piaget agrupa todas as crianças de uma
mesma idade com o mesmo desenvolvimento, Gardner reconhece que podem existir
determinadas áreas em que uma criança pode se desenvolver mais do que as outras
da mesma idade, variando conforme tendências biológicas, vinculadas a estímulos
culturais e experiências capazes de estimular e potencializar uma ou mais
inteligências.
Então na pergunta: “Quem foi mais inteligente, Einstein ou Pelé? ” Gardner lhe
responderia que não pode haver comparação entre estas duas genialidades pois elas
se encontram em âmbitos de atuação completamente diferentes.
Einstein era um gênio matemático e seu potencial estava plenamente
desenvolvido na área da inteligência lógico-matemática, e Pelé é um gênio do esporte,
tem sua inteligência desenvolvida na área corporal-sinestésico. Muito provavelmente
Einstein não teria o mesmo desempenho de Pelé no futebol, e nem Pelé o mesmo
desempenho de Einstein na Física.

Para cada indivíduo, um tipo de aprendizagem

A teoria desenvolvida por Gardner divide a inteligência em sete áreas de


habilidades diferentes e, segundo o autor, todos os indivíduos ditos normais possuem
habilidades que estão ligadas a tudo que os rodeia: a língua, a cultura, a ideologia, a
religião, os valores, etc. Diferindo no nível da habilidade e na combinação e afirma
que todos têm potenciais, mas alguns são mais desenvolvidos.
Um ponto muito importante na teoria de Gardner é a influência da cultura. Ele
diz que a criança aprimorará as inteligências que demostrarem ser mais eficazes e
que sejam mais valorizadas pela sociedade. Sendo assim, uma cultura que valoriza
mais a linguística terá um grande número de indivíduos que atingirão um alto nível
nesta área e é neste ponto que a educação se mostra de extrema importância.

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As inteligências teorizadas por Gardner inicialmente eram sete, porém,
posteriormente, foram acrescentadas mais duas, totalizando nove inteligências, que
são:
1 – Lógico-Matemática
Capacidade de discernir padrões lógicos ou numéricos e lidar com longas
cadeias de raciocínio, encontrados em matemáticos, físicos e demais pessoas que
lidam com o raciocínio lógico;

Fonte: canaldoensino.com.br

2 – Linguística
Esta inteligência está ligada à capacidade de usar as palavras oralmente ou
verbalmente, sensibilidade aos sons, funções das palavras, uso da linguagem e à
transmissão de ideias. Facilidade para aprender idiomas e se expressar através da
escrita. Encontrada em escritores, oradores e pessoas ligadas à comunicação;

3 - Espacial
Percepção visual e espacial do mundo, com facilidade para localizar objetos no
espaço, discriminação visual, reconhecimento, projeção e imagens mentais,
presentes em arquitetos e navegadores, por exemplo;

4 – Corporal-Sinestésica
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Capacidade de coordenação corporal, precisão de movimentos, controle dos
movimentos do próprio corpo. Necessidade de contato. Habilidades físicas
específicas, como: equilíbrio, destreza, força, flexibilidade e velocidade, presentes em
atletas, dançarinos e também em mecânicos e construtores;

5 – Interpessoal
Capacidade de interagir de forma efetiva com outras pessoas, perceber e fazer
distinção no humor, intenção, motivação e sentimento dos outros e responder
apropriadamente. Compreensão;

6 - Intrapessoal
Capacidade de entender a si mesmo, autoconhecimento, seus desejos e seus
sonhos, incluir pensamentos e sentimentos. É o correlativo da inteligência
interpessoal;

7 – Musical
Habilidade para produzir e apreciar ritmos, tom, timbre e tocar instrumentos.
Apreciação das formas de expressividade musical e composição, encontradas nos
músicos e regentes;
Em 1995, Gardner acrescentou à lista as inteligências natural e existencial e
sugeriu o agrupamento da interpessoal e da intrapessoal numa só.

8 – Natural
Se refere à habilidade de reconhecer objetos na natureza, de distinguir plantas,
animais e rochas. Para o entendimento da mesma e desenvolvimento de habilidades
biológicas;

9 – Existencial
Capacidades filosóficas. Refletir sobre a existência da vida. Pessoas reflexivas,
existenciais e filosóficas;

Disciplinas e avaliação

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Da forma como Gardner apresenta a sua teoria, fica muito evidente que, em
grande parte das escolas atuais, encontramos uma grade curricular que prioriza as
áreas da inteligências lógico-matemática e linguística. Como os alunos possuem suas
individualidades cognitivas, o ideal é que a educação procure atender ao potencial de
cada um, garantindo o seu pleno desenvolvimento.
Neste contexto, a avaliação deve ser coerente e fazer jus à inteligência
avaliada, e ser tratada como um meio e não um fim. Além de ser mais um recurso
para se obter informações que beneficiem o processo pedagógico de ensino-
aprendizagem e jamais um acidente para a autoestima do aluno.7

Desenvolvimento de equipes: por que inovar na forma de ensinar?

Durante muito tempo acreditou-se, dentro das organizações, que o treinamento


– ferramenta fundamental para o desenvolvimento de equipes – era a melhor maneira
de “profissionalização” dos funcionários.
Ele representava uma forma de capacitação técnica, que estava direcionado
para algo específico e que possuía uma aplicabilidade imediata do conhecimento
“aprendido”. Ele era utilizado como uma espécie de “adestramento”.
Este modelo de treinamento vigorou (e ainda vigora para alguns), sendo bem-
sucedido enquanto as empresas careciam de técnicas para terem maior eficiência,
agilidade e qualidade em seus processos empresariais, uma vez que as mesmas
identificavam seus produtos como algo que possuíam um valor em si mesmo, tangível.
Mas, na contemporaneidade, as coisas não são bem assim. Hoje, estamos em
busca de um mais além. De algo que nos cative emocionalmente. Neste novo cenário,
esta forma de “aprendizagem” se mostra insuficiente, parcial e restrita.
Novas formas de aprendizagem com foco no desenvolvimento de equipes
Com o surgimento das novas tecnologias, apareceram também as novas
necessidades de desempenho, que requerem a transformação da aprendizagem em
diferencial competitivo.
Para tanto, é imprescindível a inovação e aprendizagem constantes. Mas não
dá para falar em inovação sem primeiro repensar o modelo mental de aprendizagem
vigente. Esse modelo, tal como a academia, ainda está limitado, restrito.

7 Extraído do link: canaldoensino.com.br


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Quando pensamos em aprender algo dentro de uma organização, ou mesmo
fora dela, logo nos vem à mente a imagem de um Emissor, que é o detentor do
conhecimento e que transmite uma informação, geralmente textual, e um Receptor,
ouvinte e geralmente passivo, depositário do conhecimento.
Este formato de transmissão de conceitos não privilegia a interação, a troca de
saberes, o compartilhamento de ideias e de experiências e, claro, não propicia o
espaço para a criação e construção. A informação já está pronta e é simplesmente
repassada, sem diálogo.
Para inovar é preciso descontruir este modelo “mecanicista” e criar um
ambiente favorável ao aprendizado, ao conhecimento, ao desenvolvimento. Isso exige
mudança de mentalidade e de comportamento.
O processo de aprendizado e desenvolvimento de equipes e pessoas dentro
das organizações vai muito além do simples treinamento e do fato de se colocar
pessoas em uma sala de aula, ou em uma sala de treinamento.

18 O APRENDIZADO NA ERA DIGITAL

Na era Digital, da arquitetura informativa, o conhecimento advém dos diferentes


espaços e mídias. Ele provém das redes, das imagens, dos vídeos, dos bancos de
dados e é construído por meio da relação, da análise, da interação e do diálogo entre
os diversos atores envolvidos, por meio dos trabalhos em grupo ou dos dispositivos
de conexão.
Estamos em uma era cada vez mais multimídia, onde a forma de transmissão
de informações e de conhecimentos é instantânea, compartilhada e está ao alcance
de todos.
Se quero saber sobre determinado assunto, pesquiso na internet. Ela fornece
uma gama de informações, textos, artigos, vídeos, imagens.
A vida em rede nos oferece inúmeras outras possibilidades de interação. E é
este o ponto de dissociação entre as novas formas de aprendizagem e aquele velho
modelo de treinamento, baseado unicamente na exposição textual.
Hoje, para serem bem-sucedidas, as empresas precisarão rever suas maneiras
de ensinar, revigorar seus processos de aprendizagem, de modo a torná-los mais
flexíveis, dinâmicos e interativos.

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A forma de ensino que não dialoga com os atores envolvidos está ultrapassada.
Afinal, somos a geração do Google, do Facebook, do Instagram, do Youtube, a
geração da praticidade, do instantâneo.

A única certeza é a mudança

O diálogo, a interação, a flexibilidade e o dinamismo são as condições para a


aprendizagem e o desenvolvimento na era da conectividade.
Logo, os antigos treinamentos devem ser substituídos por processos contínuos
e mais interativos, que levem em conta a pluralidade das formas de se “obter” e
produzir conhecimento, e que sejam capazes de dotar a organização de competências
necessárias à superação dos desafios e obstáculos da atualidade, e não somente
atender as questões pontuais.8

19 O CONSTRUTIVISMO NA ESCOLA

O Construtivismo não é um método de ensino, mas uma teoria a respeito da


aprendizagem. Quem utilizou e tornou conhecida esta expressão foi a psicóloga
Emília Ferreiro, nascida na Argentina em 1936. Partindo da teoria do seu mestre, o
biólogo Jean Piaget, que investiu anos de estudo em compreender como o indivíduo
adquiri conhecimento, Ferreiro pesquisou o processo mental pelo qual as crianças
aprendem a ler e a escrever, atribuindo à sua teoria o nome de Construtivismo.
A partir da década de 80, no Brasil, o Construtivismo começou a ser estudado
e utilizado para embasar o trabalho pedagógico em sala de aula, mudando a forma de
alfabetizar e redefinindo as relações dentro do espaço educativo.
No Construtivismo considera-se um sujeito que conhece e o conhecimento se
constrói pela ação desse sujeito, onde o ambiente tem um papel importante na
construção de ocorrências de aprendizagem dentro das quais o educando vai produzir
seu saber, respeitando a sua individualidade dentro do contexto coletivo em que está
inserido, através das interações sociais.

8 Extraído do link: desempenho.guru


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No Construtivismo a importância do que se faz é igual ao como e porque fazer,
buscando delinear os diversos estágios por que passam os indivíduos na ação de
aquisição dos conhecimentos, de como se desenvolve a inteligência humana e de
como o indivíduo se torna autônomo.

Fonte: blog.abaratadizqtem.com.br

O Construtivismo parte do pressuposto que nada está pronto e concluído, e o


conhecimento não é algo estático, destacando o papel ativo e protagonista da criança
em seu processo de aprendizagem, onde os conhecimentos são construídos pelos
alunos, mediante aos estímulos, desafios, desenvolvimento do raciocínio, à
experimentação, à pesquisa e ao trabalho coletivo.
As atividades diretamente ligadas à aquisição da lecto-escrita são baseadas no
estudo de textos pertinentes à infância, onde há o incentivo na produção da escrita,
por levantamento de hipóteses e levando em consideração os conhecimentos prévios
do aluno.9

TEORIAS HUMANISTAS Carl Rogers (1902-1987)

9 Extraído do link: isacolli.com


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Rogers segue uma abordagem humanista, muito diferenciada das anteriores,
pois seu objetivo não é o controle do comportamento, o desenvolvimento cognitivo ou
a formulação de um bom currículo e sim o crescimento pessoal do aluno. Esta
abordagem considera o aluno como pessoa e o ensino deve facilitar a sua auto
realização, visando à aprendizagem "pela pessoa inteira", que transcende e engloba
as aprendizagens afetiva, cognitiva e psicomotora. Para Rogers, só uma mudança
muito grande na direção básica da educação, pode atender às necessidades da
cultura de hoje. O ponto final de nosso sistema educacional, de acordo com Rogers,
deve ser o desenvolvimento de pessoas "plenamente atuantes".
O objetivo educacional deve ser a facilitação da aprendizagem. Por esse ponto
de vista, o único homem educado é o homem que aprendeu a aprender; o homem que
aprendeu a adaptar-se e mudou, que percebe que nenhum conhecimento é seguro e
que só o processo de buscar conhecimento dá alguma base para segurança. Para
que o professor seja um facilitador, segundo Rogers, ele precisa ser uma pessoa
verdadeira, autêntica, genuína, despojando-se do tradicional "papel", "máscara", ou
"fachada" de ser "o professor" e tornar-se uma pessoa real com seus alunos.
Uma segunda atitude que deve existir na relação entre o facilitador e o aprendiz
é a que nasce de duradoura confiança e aceitação. E a aceitação do outro como uma
pessoa separada, como sendo digna por seu próprio direito e como merecedora de
plena oportunidade de buscar, experimentar e descobrir aquilo que é engrandecedor
do eu. E, finalmente, em qualquer relação que deva ocorrer aprendizagem, precisa
haver comunicação entre as pessoas envolvidas. Comunicação por natureza, só é
possível em um clima caracterizado, por compreensão empática. Os estudantes
precisam ser compreendidos, não avaliados, não julgados, não ensinados. Facilitação
exige compreensão e aceitação empática.
Para Rogers, a aprendizagem significante envolve a pessoa inteira do aprendiz
(sentimentos, assim como intelecto) e é mais duradoura e penetrante. Além disso,
aprender a ser aprendiz, isto é, ser independente, criativo e autoconfiante é mais
facilitado quando a autocrítica e a auto avaliação são básicas e a avaliação por outros
tem importância secundária.

George Kelly (1905-1967)

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Kelly elaborou uma teoria formal, com um postulado e onze corolários, que ele
chama de Psicologia dos Construtos Pessoais. Seu postulado fundamental diz que os
processos de uma pessoa são psicologicamente canalizados pelas maneiras nas
quais ela antecipa eventos.
Para Kelly, a construção da realidade é subjetiva, pessoal, ativa, criativa,
racional e emocional. Segundo filósofos de ciência contemporâneos estes são
adjetivos que se aplicam também a teorias científicas. A metáfora do homem-cientista
utilizada por Kelly propõe que o homem pode ser visto como um cientista engajado
em um processo de observação, interpretação, predição e controle. A filosofia kellyana
é dita alternativista construtivista, isto é, as pessoas, assim como os cientistas, criam
modelos pessoais que não representam o mundo tal como ele é, mas são realidades
construídas que não são baseadas em verdades absolutas.
Segundo este autor, o fato de uma pessoa mudar seus construtos depende da
sua permeabilidade, do êxito das predições geradas pelos construtos, e a extensão
da mudança dependerá da natureza das relações entre os construtos e o repertório
do indivíduo. O corolário da organização ("cada pessoa caracteristicamente
desenvolve, para sua conveniência em antecipar eventos, um sistema de construção
abrangendo relações hierárquicas entre construtos") coloca o desenvolvimento
conceitual como um processo evolutivo que envolve a diferenciação progressiva de
estruturas conceituais em subestruturas organizadas de modo independente e a
integração hierárquica dessas subestruturas em níveis de progressiva abstração. Uma
implicação do corolário da fragmentação de Kelly é que o alternativismo construtivista
permite que as pessoas testem suas novas hipóteses sem ter de descartar as velhas
hipóteses ou construtos. Como os construtos são hipóteses, podem-se manter
construtos que são incompatíveis. Seu corolário da individualidade ("pessoas diferem
uma das outras na sua construção de eventos") pode ajudar a explicar as construções
científicas dos alunos. Estes, mesmo antes de estudar a ciência na escola, são
cientistas, isto é, têm suas teorias pessoais e realizam experiências e esta é a base a
partir da qual eles constroem o conhecimento formal. De um ponto de vista kellyano,
o professor precisa reconhecer que essas teorias são viáveis em seus contextos e
que algumas podem estar firmemente inseridas em um sistema de relações com
outras teorias. Uma tarefa do professor, segundo o construtivismo de Kelly, consiste
em apresentar aos estudantes, situações através das quais seus construtos pessoais

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possam ser articulados, estendidos ou desafiados pelos construtos formais da visão
científica. Adotar o ponto de vista kellyano não significa que os alunos deveriam ser
deixados a si mesmos para que construam suas visões do mundo sem que lhes sejam
apresentadas as teorias científicas (e relativamente melhores).
Entretanto, o essencial é que tal conhecimento formal seja apresentado como
hipotético e passível de reconstrução e avaliação por parte do aluno.10

10 Extraído do link: files.pibid-unibr-sao-vicente.webnode.com


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20 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

______. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos


superiores. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

Bessa, V. (2008). Teoria da Aprendizagem. Curitiba: IESDE, Brasil S.A.

BOCK, Ana Mercê Bahia. Psicologia: uma introdução ao estudo de psicologia. 13º ed.
São Paulo: Saraiva. 2008.

FOULIN, Jean-Noël. Psicologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. 2000.

Henicka, G. S. (2012). Comportamentalismo, cognitivismo e humanismo: análise da


aplicação em escolas. Cuiába: Universidade Federal de Mato Grosso.

ILLERIS, K. (Org.). Teorias Contemporâneas da Aprendizagem. Porto Alegre: Penso,


2013.

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MOREIRA, M.A. Aprendizagem significativa: um conceito subjacente. Aprendizagem


Significativa em Revista, v.1(3), p. 25-46, 2011.

MOREIRA, M. A.; OSTERMANN, F. Teorias construtivistas. Porto Alegre: UFRGS,


1999. (Textos de apoio ao professor de Física).

Ogasawara, J. (2009). O conceito de aprendizagem de Skinner e Vigotsky: um diálogo


possível. Salvador: Universidade do Estado da Bahia.

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