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QUESTÕES DE REALISMO E NATURALISMO.

Prof. Marco Antonio Mendonça

01) Acerca de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, não se pode afirmar:
a) O protagonista e narrador do romance é uma personagem que vive de aparências, sempre rondando a periferia do
poder.
b) Por meio da construção da personagem Brás Cubas acontece uma inversão da trajetória típica dos heróis do mundo burguês.
c) A irreverência e desrespeito a tudo e a todos que se observam na técnica de narrar são uma representação da desfaçatez da classe dominante.
d) No enredo desenha9se uma relação de favor entre proprietários e seus dependentes, imitando claramente o tipo de relacionamento de classe que
estruturava a sociedade brasileira do período em que se passa a história.
e) Aborda a complexidade dos indivíduos, retratada com idealização romântica, como se observa na análise que
Brás Cubas faz dos sentimentos que Marcela alimentava por ele.

02)— Não entra a polícia! Não deixa entrar! Aguenta! Aguenta!


— Não entra! Não entra! repercutiu a multidão em coro.
E todo o cortiço ferveu que nem uma panela ao fogo.
— Aguenta! Aguenta!
Aluísio Azevedo, O cortiço, 1890, parte X.
O fragmento acima mostra a resistência dos moradores de um cortiço à entrada de policiais no local. O romance de Aluísio Azevedo
a) representa as transformações urbanas do Rio de Janeiro no período posterior à abolição da escravidão e o difícil convívio entre ex-escravos,
imigrantes e poder público.
b) defende a monarquia recém-derrubada e demonstra a dificuldade da República brasileira de manter a tranquilidade e a harmonia social após as
lutas pela consolidação do novo regime.
c) denuncia a falta de policiamento na então capital brasileira e atribui os problemas sociais existentes ao desprezo da elite paulista cafeicultora em
relação ao Rio de Janeiro.
d) valoriza as lutas sociais que se travavam nos morros e na periferia da então capital federal e as considera um exemplo para os demais setores
explorados da população brasileira.
e) apresenta a imigração como a principal origem dos males sociais por que o país passava, pois os novos empregados assalariados tiraram o trabalho
dos escravos e os marginalizaram.

03) Leia o capítulo 119 do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, abaixo transcrito, intitulado “Não faça isso, querida!”, e assinale o que for
correto sobre ele e sobre o romance.
“A leitora, que é minha amiga e abriu este livro com o fim de descansar da cavatina de ontem para a valsa de hoje, quer fechá-lo às pressas, ao ver
que beiramos um abismo. Não faça isso, querida; eu mudo de rumo.”
Vocabulário
Cavatina: certo tipo de ária ou canção de ópera.

01) Nesse capítulo, o narrador do romance lança mão do recurso da metanarrativa, uma estratégia que consiste em pôr em discussão, no texto, sua
própria construção. Nesse caso, Bento Santiago, o narrador, ao acreditar que pode estar deixando a “leitora” tensa com o teor de suas memórias,
afirma que mudará o rumo da narrativa para que ela não desista da leitura.
02) A intrusão metalinguística, ou o recurso da metanarrativa, tão comumente encontrado na prosa de ficção de Machado de Assis, consiste em uma
das principais características do estilo (movimento) de época a que pertence o romance. Isso porque, ao interromper a sequência narrativa para tecer
comentários acerca das personagens e dos fatos
narrados, o narrador garante o efeito de verdade – outro valor perseguido no Romantismo. Trata-se de um recurso que aponta para a neutralidade do
narrador.
04) No capítulo transcrito, o narrador nos fornece índices da classe social a que pertence sua provável leitora. Trata-se de uma figura feminina que, se
lê romances nos intervalos das festas que frequenta, certamente pertence à burguesia. Por isso, como sugere o romance, não apresenta necessidade
(de) ou interesse em ocupar o tempo com questões práticas relacionadas a trabalho, sustento familiar ou outros afazeres dessa ordem.
08) O “abismo” referido pelo narrador, no capítulo destacado, faz referência a certo interesse seu por Sancha, mulher de Escobar e melhor amiga de
Capitu. Trata-se de uma das brechas do romance que permite ao leitor relativizar o discurso de Bento Santiago a serviço de provar para seu leitor que
fora traído por Capitu e Escobar. Se ele é capaz de revelar suas próprias falhas, também é verdadeiro ao acusar a esposa e o amigo de seminário.
16) No romance, o narrador deixa explícitos sua paixão por Sancha e seu envolvimento com ela. No entanto, prefere acusar Capitu de traição para
acobertar sua própria infidelidade, mais de uma vez confessada à “leitora”, por meio da estratégia da intrusão metalingüística.

04) “A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe
saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...
As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias
para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a tinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da
viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.”
O trecho acima, do romance Dom Casmurro de Machado de Assis, autoriza o narrador a caracterizar os olhos da personagem, do ponto de vista
metafórico, como
a) olhos de viúva oblíqua e dissimulada, apaixonados pelo nadador da manhã.
b) olhos de ressaca, pela força que arrasta para dentro.
c) olhos de bacante fria, pela irrecusável sensualidade e sedução que provocam.
d) olhos de primavera, pela cor que emanam e doçura que exalam.
e) olhos oceânicos, pelo fluido misterioso e enérgico que envolvem.

05) No romance Dom Casmurro, o narrador declara:


“O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência”.
Entre as duas pontas, desenvolve- se o enredo da obra. Assim, indique abaixo a alternativa cujo conteúdo não condiz com o enredo machadiano.
a) A história envolve três personagens, Bentinho, Capitu e Escobar, e três projetos, todos cortados quando pareciam atingir a realização.
b) O enredo revela um romance da dúvida, da solidão e da incomunicabilidade, na busca do conhecimento da verdade interior de cada personagem.
c) A narrativa estrutura-se ao redor do sentimento de ciúme, numa linha de ascensão de construção de felicidade e de dispersão, com a felicidade
destruída.
d) A narrativa se marca por digressões que chamam a atenção para a inevitabilidade do que vai narrar, como o que ocorre na analogia da vida com a
ópera e em que o narrador afirma “cantei um duo terníssimo, depois um trio, depois um quattuor...”
e) O enredo envolve um triângulo amoroso após o casamento e todas as ações levam a crer na existência clara de um adultério.

06) Considere as assertivas sobre Dom Casmurro, de Machado de Assis.


I. O romance faz parte de chamada literatura realista machadiana.
II. O adultério de Capitu tem sido colocado em dúvida também em função da construção do texto, que permite a possibilidade de outra leitura.
III. Publicado em 1900, o romance se filia a uma temática comum à época: o adultério feminino.
IV. O fato de ser narrado em terceira pessoa permite que Bentinho crie a dúvida quanto à exatidão de suas lembranças.
V. A duplicidade, encontrada na leitura dessa obra, é uma constante na obra machadiana.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) Somente as assertivas I, II e III são verdadeiras.
b) Somente as assertivas I e V são verdadeiras.
c) Somente a assertiva IV é falsa.
d) Somente as assertivas II e V são falsas.
e) Somente a assertiva IV é falsa.

07) Leia o trecho abaixo da obra Dom Casmurro, de Machado de Assis. Em seguida considere as assertivas.
Capítulo II- A denúncia
(...)
“ --Mas, Sr. José Dias, tenho visto os pequenos brincando, e nunca vi nada que faça desconfiar. Basta a idade; Bentinho mal tem quinze anos. Capitu
fez quatorze a semana passada; são dois criançolas. Não se esqueça que foram criados juntos, desde aquela grande enchente, há dez anos, em que a
família Pádua perdeu tanta coisa; daí vieram as nossas relações. Pois eu hei de crer?. . . Mano Cosme, você que acha?
Tio Cosme respondeu com um "Ora!" que, traduzido em vulgar, queria dizer: "São imaginações do José Dias os pequenos divertem-se, eu divirto-
me; onde está o gamão?"
--Sim, creio que o senhor está enganado.
--Pode ser, minha senhora. Oxalá tenham razão; mas creia que não falei senão depois de muito examinar...
--Em todo caso, vai sendo tempo, interrompeu minha mãe; vou tratar de metê-lo no seminário quanto antes”.
I. Esse trecho deixa clara a situação de José Dias na narrativa, pois foi ele quem atrapalhou todo o namoro de Bentinho e Capitu.
II. Segundo o texto, a família de Capitu, como era pobre, incentivava o namoro dos jovens como uma possibilidade de ascensão social.
III. Depois do dia lembrado no capítulo 2, Bentinho foi para o seminário, sem questionar.
IV. Tio Cosme é caracterizado como alguém interessado pelos acontecimentos que o rodeiam.
V. A ideia da ida de Bentinho para o seminário surgiu nesse momento.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) Somente as assertivas I, II e III são verdadeiras.
b) Somente as assertivas I e V são verdadeiras.
c) Todas as assertivas são falsas.
d) Somente as assertivas II e V são falsas.
e) Somente a assertiva V é falsa.

08) A construção do personagem Amaro, protagonista de Bom Crioulo, de Adolfo Caminha, pode ser curiosamente associada, segundo alguns
estudiosos, à imagem da própria Marinha, tal qual ela foi representada na obra: o poder da força, o preço da proteção e o carrasco final. A partir
dessa informação, assinale a alternativa que completa
adequadamente a seguinte sentença: “Bom-crioulo vai dirigir o destino de Aleixo, após se apaixonar por esse grumete, afinal, no primeiro encontro,
no primeiro olhar,...”
a) “o pequeno, uma criança de quinze anos, abalava toda a sua alma, dominando-a, escravizando-a logo, naquele mesmo instante como a força
magnética de um imã.. (p.21)
b) “Viu passarem, como em sonho, as mil e uma promessa de Bom-crioulo: o quartinho da Rua da Misericórdia no Rio de Janeiro, os teatros, os
passeios.... (p.30)
c) “Começava a sentir no próprio sangue impulsos nunca experimentados, uma como vontade ingênita de ceder aos caprichos do negro, de
abandonar-se-lhe para o que ele quisesse,..... (p.30)
d) .... metera-se na cabeça uma extravagância: conquistar Aleixo, o bonitinho, tomá-lo para si, tê-lo como amantezinho do seu coração avelhentado e
gasto,.... (p.44)

09) Os fatos que compõem o enredo do romance Bom Crioulo, de Adolfo Caminha, passam-se em dois espaços: no mar, a bordo de uma corveta, e na
Rua da Misericórdia, localizada nos subúrbios do Rio de Janeiro, nos fins do século XIX.
Em conformidade com a pretensão de uma obra naturalista, os dois lugares são descritos em seus aspectos mais
a) degradantes.
b) exóticos.
c) incultos.
d) primitivos.

10) Adolfo Caminha foi um autor que soube valer-se dos sinais de pontuação para imprimir sentido aos textos. O trecho a seguir, extraído de Bom-
Crioulo, reporta aos pensamentos do personagem Aleixo e comprova a habilidade do autor nesse quesito de pontuação:
“De resto, o negro não lhe fazia muita falta: estimava-o é verdade, mas aquilo não era sangria desatada que não acabasse nunca... Essa idéia
penetrou-o como uma lembrança feliz, como um fluido esquisito que lhe inoculassem no sangue. . Podia encontrar algum homem de posição, de
dinheiro: já agora estava acostumado àquilo.... O próprio Bom-Crioulo dissera que não se reparavam essas cousas no Rio de Janeiro. Sim, que podia
ele esperar de Bom-Crioulo? Nada e, no entanto, estava sacrificando a saúde, o corpo, a mocidade... Ora, não valia a pena!” (p. 43).
Em todas as alternativas, analisou-se corretamente o recurso da pontuação empregada nesse excerto do romance, EXCETO em
a) A primeira aparição das reticências ajuda a expressar os sentimentos desse personagem em relação a Bom-Crioulo. O segundo emprego das
reticências reforça a referência à relação dos dois personagens, e se mostra um convite à cooperação do leitor.
b) O uso das aspas ofusca o sentido dado ao pronome àquilo, minimizando a referência ao relacionamento de Aleixo com Bom-Crioulo. Sem se referir
abertamente, o narrador fecha, dessa forma, um espaço a ser preenchido durante a leitura.
c) Após uma enumeração, ocorre a terceira aparição das reticências. Elas determinam uma suspensão da ideia, expressando as muitas outras coisas
que Aleixo julgava estar sacrificando naquela relação com o Bom Crioulo.
d) O uso da exclamação, na última frase, ajuda não só a traduzir o estado de cansaço de Aleixo em sua relação com Amaro, mas também uma tomada
de firmeza do personagem, que, nesse momento, já começava a se desvencilhar de Bom-Crioulo.

11) Assinale a alternativa correta quanto a algumas características de Machado de Assis.


a) A linguagem correta, as frases curtas, o negativismo e a exaltação da natureza.
b) A técnica de capítulos curtos, a análise da sociedade, a crítica aos valores românticos e o nacionalismo.
c) A análise psicológica das personagens, o egoísmo, o pessimismo, o negativismo e a linguagem correta e clássica.
d) O nacionalismo, a análise psicológica das personagens, a linguagem clássica e a conversa com o leitor.
e) A conversa com o leitor, o pessimismo, a crítica aos valores românticos e o homem e seu meio físico.

12) Observe o capítulo abaixo, de Dom Casmurro, de Machado de Assis:


CAPÍTULO XL / UMA ÉGUA
“Ficando só, refleti algum tempo, e tive uma fantasia. Já conheceis as minhas fantasias. Contei-vos a da visita imperial; disse-vos a desta casa de
Engenho Novo, reproduzindo a de Mata-cavalos... A imaginação foi a companheira de toda a minha existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez
tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo. Creio haver lido em Tácito que as éguas iberas
concebiam pelo vento, se não foi nele, foi noutro autor antigo, que entendeu guardar essa crendice nos seus livros.
Neste particular, a minha imaginação era uma grande égua ibera; a menor brisa lhe dava um potro, que saía logo cavalo de Alexandre; mas
deixemos metáforas atrevidas e impróprias dos meus quinze anos. Digamos o caso simplesmente. A fantasia daquela hora foi confessar a minha mãe
os meus amores para lhe dizer que não tinha vocação eclesiástica. A conversa sobre vocação tornava-me agora toda inteira. E, ao passo que me
assustava, abria-me uma porta de saída. "Sim, é isto, pensei; vou dizer a mamãe que não tenho vocação, e confesso o nosso namoro; se ela duvidar,
conto-lhe o que se passou outro dia. O penteado e o resto..."(Fonte: ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. São Paulo: Ática, 1987, p.86.)
Todas as afirmativas que seguem estão associadas ao trecho selecionado de Dom Casmurro, EXCETO:
a) A referência a uma suposta fixação de Bentinho no que chama de “fantasias” pode sinalizar para o caráter duvidoso de suas percepções e
julgamentos. Além disso, o relato em primeira pessoa confere tom de parcialidade à narrativa, problematizando as certezas sobre o que se passou.
b) Capitu e Bentinho passam por algumas dificuldades para alcançarem o objetivo de tirá-lo do seminário. Pode-se dizer que é no conjunto das
atitudes e reflexões de cada um sobre a possível realização desse intento que se vão desenhando, ao leitor, os perfis morais e psicológicos dos
protagonistas e que, de certa maneira, vão repercutir no que eles serão quando adultos, formando um casal.
c) Nesse capítulo, o narrador toma uma atitude séria e de fortes consequências para a sua história com Capitu. A intenção de contar à mãe sobre seu
envolvimento com a moça e de abandonar a vida eclesiástica representa um movimento na direção da sua independência e de sua maturação como
pessoa, o que passa a acontecer depois de ele realizar o que planejou nesse capítulo.
d) Bentinho se refere à ousada iniciativa de contar tudo à mãe como uma “fantasia” porque pressupõe a dificuldade de realizá-la. O capítulo posterior
ao citado mostra que ele até tentou uma conversa tímida com a mãe, mas, vendo a
preocupação que ela tinha por ele e temendo feri-la, desiste de contar de seu amor por Capitu, preferindo dizer “Eu só gosto de mamãe”.
e) Junto com a descrição da vida dos personagens, o texto de Machado de Assis oferece um retrato complexo da sociedade brasileira do século XIX,
mostrando, por exemplo, as tensões da passagem da Monarquia para a República. A referência, na passagem citada, à fantasia da “visita imperial”
mostra isso, já que, no afã de se livrar do seminário, Bentinho, capítulos antes, chega a fantasiar uma improvável conversa do Imperador com sua
mãe, na qual o monarca lhe pediria para liberar o jovem da obrigação de ser padre, ao que ela obedeceria. Essa fantasia mostra que, mesmo
fragilizado, o Imperador era popular e influente junto a certos setores da sociedade nos últimos anos de seu reinado.
13) Leia o capítulo 123, “Olhos de ressaca”, a seguir destacado, retirado de Dom Casmurro, de Machado de Assis, e assinale o que for correto sobre o
capítulo e sobre o romance ao qual ele pertence.
“Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos
homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la
dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe
saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...
As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias
para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da
viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.”
01) O capítulo destacado flagra um momento importante da dúvida de Bentinho, narrador e protagonista do romance, acerca da infidelidade de
Capitu. Como acontece em outros momentos da história, essa dúvida é motivada mais por meio de impressões subjetivas do que por meio de fatos
concretos.
02) O título do capítulo citado faz referência a uma característica que o narrador, em momento anterior (capítulo 32), havia reconhecido em Capitu,
que é a de atrair para ela, como as ondas do mar em dia de ressaca, a afeição de Bentinho. Nesse momento anterior, Bentinho, apaixonado, é quem é
atraído pelos “olhos de ressaca” da amada; no texto transcrito, o cadáver de Escobar, segundo a visão de Bentinho, é que é fitado fixamente por
Capitu.
04) O fragmento transcrito, assim como outras informações do romance, indica claramente que Capitu traiu Bentinho. Chegamos a essa conclusão
porque o narrador se mostra isento e imparcial ao avaliar o comportamento de Capitu, orientado por um realismo que exclui subjetividade, emoção,
ressentimento.
08) Entre os motivos que levam Bento Santiago a suspeitar da traição de Capitu está a semelhança física entre Ezequiel e Escobar. Contudo, o amor
por Ezequiel é forte, ao ponto de a morte dele, na Europa, provocar muito sofrimento em Bento Santiago.
16) No trecho transcrito, é possível reconhecer um dos principais argumentos que põe em dúvida a tese da traição defendida pelo narrador. Sendo
um narrador em primeira pessoa (o titular do discurso), ele conduz as informações de acordo com seus interesses. Assim, ele interpreta as reações de
Capitu como sinais claros de infidelidade e não de amizade. Mas o leitor atento não se convence disso e percebe tratar-se
de uma reação motivada pelo ciúme.

14) Para responder à questão, leia o texto:


A borboleta preta
“No dia seguinte, como eu estivesse a preparar-me para descer, entrou no meu quarto uma borboleta, tão negra como a outra, e muito maior do
que ela. Lembrou-me o caso da véspera e ri-me; entrei logo a pensar na filha de Dona Eusébia, no susto que tivera, e na dignidade que, apesar dele,
soube conservar. A borboleta, depois de esvoaçar muito em torno de mim, pousou-me na testa. Sacudia, ela foi pousar na vidraça; e, porque eu a
sacudisse de novo, saiu dali e veio parar em cima de um velho retrato de meu pai. Era negra como a noite. O gesto brando com que, uma vez posta,
começou a mover as asas, tinha um certo ar escarninho, que me aborreceu muito. Dei de ombros, saí do quarto; mas tornando lá, minutos depois, e
achando-a ainda no mesmo lugar, senti um repelão dos nervos, lancei mão de uma toalha, bati-lhe e ela caiu.
Não caiu morta; ainda torcia o corpo e movia as farpinhas da cabeça. Apiedei-me; tomei-a na palma da mão e fui depô-la no peitoril da janela. Era
tarde; a infeliz expirou dentro de alguns segundos. Fiquei um pouco aborrecido, incomodado.
– Também por que diabo não era ela azul? disse comigo.
E esta reflexão, – uma das mais profundas que se tem feito, desde a invenção das borboletas,– me consolou do malefício, e me reconciliou comigo
mesmo”. (Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas.)

Pela leitura do texto, deduz-se que a essência de sua mensagem é:


a) Há insetos que prejudicam o raciocínio humano, tirando a pessoa de sua concentração, atrapalhando sua pesquisa, incomodando os mais idosos.
Assim, o Homem não tem outra alternativa a não ser livrar-se, mesmo contra sua vontade, desses seres irracionais.
b) Sempre que o ser humano se sente inseguro, inferiorizado em sua capacidade de entender, em risco de perder, de alguma forma, o seu poder, ele
perde a capacidade de raciocínio e age instintiva e violentamente. Como não é possível fazer o tempo voltar, procura justificar-se, imputando ao
outro pseudos defeitos, deixando entrever que o Homem jamais deixará de ser discriminatório.
c) O narrador lembrou-se do susto, no dia anterior, da filha de Dona Eusébia devido ao surgimento inesperado de uma incômoda borboleta preta.
Mesmo não sendo o mesmo inseto, o narrador matou-o, pois o bichinho o incomodava. Nota-se que a cor preta foi fundamental para seu ato, pois
afirma que, se a borboleta fosse azul não a teria matado.
d) A cor preta numa borboleta é assustadora, tanto que assustou uma jovem amiga do narrador. Associa-se a isso, o fato de incomodar as pessoas
com seu esvoaçar. Como essa borboleta do texto ainda possuía um ar superior, o narrador matou-a, mostrando-lhe quem era o mais forte. Se ela
fosse azul, seria mais delicada e o narrador a teria poupado.
e) Homens e animais se igualam quando se sentem ameaçados em seu espaço, em seu domínio, em seu poder, agindo de forma irracional, vencendo
o mais forte. Mesmo que, posteriormente, descubram-se qualidades no vencido, prevalece o instinto, fator igualitário entre todos animais, racionais
ou não.

Textos para os exercícios de 15 a 18


Texto A
“No momento em que eu terminava o meu movimento de rotação, concluía Lobo Neves o seu movimento de translação. Morria com o pé na escada
ministerial. Correu, ao menos durante algumas semanas, que ele ia ser ministro; e que pois o boato me encheu de muita irritação e inveja, não é
impossível que a notícia da morte me deixasse alguma tranqüilidade, alívio, e um ou dois minutos de prazer. Prazer é muito, mas é verdade; juro aos
séculos que é a pura verdade.
Fui ao enterro. Na sala mortuária achei Virgília, ao pé do féretro a soluçar. Quando levantou a cabeça, vi que chorava deveras. Ao sair o enterro,
abraçou-se ao caixão, aflita; vieram tirá-la e levá-la para dentro. Digo-vos que as lágrimas eram verdadeiras. Eu fui ao cemitério; e, para dizer tudo,
não tinha muita vontade de falar; levava uma pedra na garganta ou na consciência. No cemitério, principalmente quando deixei cair a pá de cal sobre
o caixão, no fundo da cova, o baque surdo da cal deu-me um estremecimento passageiro, é certo, mas desagradável; e depois a tarde tinha o peso e a
cor do chumbo; o cemitério, as roupas pretas...”

Texto B
“Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos.
Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria
arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não
admira-lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas.
As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a
amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a tinha também.
Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a
vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.”

15) Quanto à trama narrativa que envolve os dois trechos, podemos afirmar que:
a) as lágrimas de Virgília e de Capitu são provocadas pelo mesmo motivo familiar.
b) Virgília e Capitu se encontram em idêntica condição de viuvez.
c) os dois trechos são mórbidos porque o desespero de Capitu é igual ao de Virgília.
d) os narradores têm a mesma relação conjugal em ambas as narrativas.
e) o choro de Virgília causa certeza, o de Capitu, uma suspeita.

16) No confronto ainda dos dois trechos, podemos afirmar que a criação da atmosfera emotiva diante do morto é:
a) mais dramática no trecho A e a narrativa é mais diluída.
b) menos intensa no trecho B onde a narrativa é mais densa.
c) igual em ambos os trechos, visto que as emoções humanas são iguais.
d) moderada no trecho A e intensificada no trecho B.
e) igualmente insignificante porque o autor dos trechos é o mesmo.

17) O narrador do trecho B é:


a) Dom Casmurro e se marca pelo ponto de vista de terceira pessoa.
b) Brás Cubas e se caracteriza pela onisciência.
c) o mesmo do trecho A e controla a impressão do leitor sobre o todo da obra.
d) Bentinho e se marca pelo ponto de vista de primeira pessoa.
e) Machado de Assis e delineia seu mundo com a pena da galhofa e a tinta da melancolia.

18)A referência aos olhos de Capitu, “grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã”, permite
afirmar que eram:
a) olhos de primavera.
b) olhos de espanto.
c) olhos de desespero.
d) olhos de contemplação.
e) olhos de ressaca.

19) As afirmações abaixo referem-se à obra Dom Casmurro. Apenas uma delas é incorreta. Assinale-a:
a) Quanto ao foco narrativo, o “eu” do narrador se identifica com a personagem central do romance, transformando-se numa espécie de diário
íntimo da personagem Bentinho.
b) Bentinho constitui a personagem que primordialmente realiza a função emotiva ou expressiva, pois o foco narrativo vem de Bentinho e dele
derivam os sentimentos, as idéias e as sensações com relação às personagens que com ele entram diretamente em contato: Capitu, Dona Glória, José
Dias, Escobar, Ezequiel.
c) Machado de Assis, deslocando o foco narrativo para o narrador/protagonista, adota uma atitude que, aparentemente, retira do autor do romance
a responsabilidade pelo que está sendo relatado. Ele como que se isenta da culpa do que ali vai sendo narrado, pois é a personagem Bentinho quem
fala diretamente ao leitor.
d) A ação é essencialmente psicológica e limita-se ao processo da conquista realizada por Capitu e à conseqüente queda e destruição interior de
Bentinho.
e) A ação desenvolve-se em torno das tentativas de uma explicação do adultério cometido por Capitu, e esta dúvida é dirimida ao leitor no final do
romance.

20) Identifique o trecho em que o narrador de Dom Casmurro introduz o romance e considera seu sentido profundo.
a) “Horas inteiras eu fico a pintar o retrato dessa mão angélica, com as cores que tiro da imaginação, e vejo-a assim, ainda tomando conta de mim,
dando-me banhos e me vestindo. A minha memória ainda guarda detalhes bem vivos que o tempo não conseguiu destruir.”
b) “O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o
que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente. É o que vais entender, lendo.”
c) “Faz dois anos que Madalena morreu, dois anos difíceis. E quando os amigos deixaram de vir discutir política, isto se tornou insuportável. Foi aí que
me surgiu a idéia esquisita de, com o auxílio de pessoas mais entendidas que eu, compor esta história.”
d) “Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que não sou
propriamente um autor defunto, mas um defunto autor; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.”
e) “Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo algibebe em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui
chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado.”

21) Os enredos dos romances Dom Casmurro e Senhora, do ponto de vista do leitor, remetem a:
a) ratificação do papel submisso da mulher no século XIX, através das protagonistas.
b) crítica da escravidão.
c) uma visão da mulher que, conscientemente, quer ser agente do seu destino - é o caso de Capitu, em Dom Casmurro, e
Aurélia, em Senhora.
d) supervalorização do sentimento amoroso das protagonistas.
e) construção de caricaturas femininas do século XIX, por isso Capitu, em Dom Casmurro, e Aurélia, em Senhora, aparecem transformadas e
deformadas.

22) Assinale as afirmativas corretas a propósito do Naturalismo


a) O ser é retratado como produto do meio.
b) O escritor evita julgar ações e personagens de um ponto de vista ético e moral, pois seu intuito é expor e analisar cientificamente a realidade.
c) É um tipo de Realismo que tenta explicar romanticamente a conduta e o modo de ser das personagens.
d) No Brasil, o romance naturalista exalta o homem metafísico, em oposição ao homem animal, cujas ações e intenções o escritor condena.
e) Tem como características, entre outras, o determinismo biológico, a tematização do patológico e a aplicação do método experimental.

23) Uma característica, já presente em romances de José de Alencar, encontra em Machado de Assis o ponto mais alto da narrativa brasileira no
século XIX. Trata-se:
a) do traço regionalista, que estende e procura completar a visão das terras do Brasil;
b) do aprofundamento da análise psicológica das personagens, notadamente das femininas;
c) da preocupação com o homem do sertão brasileiro, cuja vida é tema de romances e contos;
d) da vertente indigenista, preocupada em ampliar o conhecimento das coisas brasileiras;
e) da identificação das situações criadas entre as personagens, na trama narrativa..

24) Identifique quais dos comentários abaixo dizem respeito à época naturalista e assinale a alternativa correta.
I – A fuga das impressões vulgares, a concentração nas visões interiores constituem, entre outros, traços típicos do Naturalismo, responsável pelo
isolamento da sociedade, pelo ideal da torre de marfim;
II - O naturalista observa o homem por meio do método cientifico, impessoal e objetivamente, como um caso a ser analisado.
III. A visão da vida no Naturalismo e mais determinista, mais mecanicista: o homem aparece como maquina guiada pela ação das leis físicas,
químicas, pela hereditariedade e meio físico e social.
IV. Para os naturalistas, a natureza era a fonte de inspiração, lugar de refugio puro, não contaminado pela sociedade. Relacionada com esse culto, a
idéia do "bom selvagem", do homem simples e bom em estado de natureza (recuperado de Rousseau) dominou toda a época.
a) Apenas o item IV esta correto.
b) II e III estão corretos.
c) Apenas o item I esta correto.
d) I e IV estão corretos.
e) III e IV estão corretos.

25) Assinale o texto que, pela linguagem e pelas idéias, pode ser considerado como representante da corrente naturalista.
a) "... essa noite estava de veia para a coisa; estava inspirada; divina! Nunca dançara com tanta graça e tamanha lubricidade! Também cantou. E
cada verso que vinha de sua boca [...] era um arrulhar choroso de pomba no cio. E [...], bêbado de volúpia, enroscava-se todo ao violão; e o violão e
ele gemiam com o mesmo gosto, grunhindo, ganindo, miando, com todas as vozes de bichos sensuais, num desespero de luxuria que penetrava ate ao
tutano com línguas finíssimas de cobra."
b) "Na planície avermelhada dos juazeiros, alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e
famintos, [...] Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da caatinga rala."
c) "Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado,
confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia."
d) "Do seu rosto irradiava singela expressão de encantadora ingenuidade, realçava pela meiguice do olhar sereno [...] Ao erguer a cabeça para tirar o
braço de sob o lençol, descera um nada a camisinha de crivo que vestia, deixando nu um colo de fascinadora alvura, em que ressaltava um ou outro
sinal de nascença."
e) "Hércules-Quasímodo, reflete o aspecto a fealdade típica dos fracos. A pé, quando parado, recosta-se invariavelmente ao primeiro umbral ou
parede que encontra; a cavalo, se sofreia o animal para trocar duas palavras com o um conhecido, cai logo sobre um dos estribos. descansando sobre
a espenda da sela”
26) Com base na leitura de Dom Casmurro, e considerando a importância de Machado de Assis para a literatura brasileira, identifique as alternativas
como VERDADEIRAS ou FALSAS.
( ) Escrito quando o Realismo era a estética dominante, Dom Casmurro é antes um “romance filosófico” que um “romance social”.
( ) Ao contrário de diversas heroínas românticas, punidas com a morte por comportamentos inadequados para os padrões de sua época, a principal
personagem feminina de Dom Casmurro não morre no final da narrativa.
( ) Ainda que acreditasse não ser pai de Ezequiel, Bento Santiago não deixou que isso interferisse na relação pai-filho, e sempre quis ter o rapaz muito
perto de si.
( ) Assim como em Esaú e Jacó, a presença do Imperador e as referências à vida política brasileira são constantes em Dom Casmurro e interferem nos
acontecimentos narrados.
A seqüência correta é:
a) V, F, F, F. d) V, V, V, F.
b) F, F, F, V. e) F, V, F, F.
c) F, V, F, V.

27) O trecho abaixo é parte do último capítulo de Dom Casmurro, de Machado de Assis:
“O resto é saber se a Capitu da Praia da Glória já estava dentro da de Mata-cavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso
incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, vers. I: ‘Não tenhas ciúmes de tua mulher
para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti’. Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da
Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca.”
Invocando aqui a memória e o testemunho do leitor de sua história, o narrador arremata a narrativa
a) lembrando que os ciúmes de Bentinho por Capitu poderiam perfeitamente ser injustificáveis.
b) concluindo que a única explicação para a traição de Capitu é a força caprichosa de circunstâncias acidentais.
c) citando uma passagem da Bíblia, à luz da qual acaba admitindo a possibilidade da inocência de Capitu.
d) pretendendo que a personalidade de Capitu tenha se desenvolvido de modo a cumprir uma natural inclinação.
e) se mostra reticente quanto à convicção de que fora traído, sugerindo que continuará ponderando os fatos.

28) Em O Cortiço, Aluísio Azevedo reafirma a ideologia do Naturalismo e cumpre à risca alguns princípios cientificistas vigentes na segunda metade do
século XIX. Dentre as afirmativas abaixo, assinale aquela que NÃO corresponde às propostas da escola naturalista:
a) Em O Cortiço, Aluísio Azevedo exprime um conceito naturalista da vida e, ao idealizar seus personagens, integra-os a elementos de uma natureza
convencional.
b) O narrador de O Cortiço acentua o lado instintivo do ser humano através de um processo de zoomorfização, identificando seus personagens a
diferentes animais, sobretudo a insetos e vermes, quando os descreve em seu vaivém pelo cortiço.
c) Ao enfatizar as atitudes inescrupulosas de João Romão para com os habitantes do cortiço, em especial para com a negra Bertoleza, o autor
confirma as preocupações sociais do Naturalismo em sua inclinação reformadora.
d) Os personagens de O Cortiço constituem-se, em sua maioria, dos operários das pedreiras, das lavadeiras e de outros miseráveis que ali vivem de
forma degradante, o que evidencia a preferência do escritor naturalista pelas camadas mais baixas da sociedade.
e) O caráter determinista da obra tem como símbolo a personagem Pombinha, que, se antes era “pura” e de boa conduta moral, acaba prostituindo-
se por força daquele meio sórdido e animalesco.

INSTRUÇÃO: Leia trecho de Dom Casmurro, de Machado de Assis, para responder às questões de 29 a 31.
A DENÚNCIA
“Ia a entrar na sala de visitas, quando ouvi proferir o meu nome e escondi-me atrás da porta. A casa era a da Rua de Matacavalos.
O mês novembro, o ano é que é um tanto remoto, mas eu não hei de trocar as datas à minha vida só para agradar as pessoas que não amam
histórias velhas; o ano era de 1857.
– D. Glória, a senhora persiste na idéia de meter o nosso Bentinho no seminário? É mais que tempo, e já agora pode haver uma dificuldade.
– Que dificuldade?
– Uma grande dificuldade.
Minha mãe quis saber o que era. José Dias, depois de alguns instantes de concentração, veio ver se havia alguém no corredor; não deu por mim,
voltou e, abafando a voz, disse que a dificuldade estava na casa ao pé, a gente do Pádua.
– A gente do Pádua?
– Há algum tempo estou para lhe dizer isto, mas não me atrevia. Não me parece bonito que o nosso Bentinho ande metido nos cantos com a filha
do Tartaruga, e esta é a dificuldade, porque se eles pegam de namoro, a senhora terá muito que lutar para separá-los.
– Não acho. Metidos nos cantos?
– É um modo de falar. Em segredinhos, sempre juntos. Bentinho quase que não sai de lá. A pequena é uma desmiolada; o pai faz que não vê;
tomara ele que as coisas andassem de tal maneira, que... Compreendo o seu gesto, a senhora não crê em tais cálculos, parece-lhe que todos têm a
alma cândida...
– Mas, Sr. José Dias, tenho visto os pequenos brincando, e nunca vi nada que faça desconfiar. Basta a idade: Bentinho mal tem quinze anos. Capitu
fez quatorze à semana passada; são dois criançolas. Não se esqueça que foram criados juntos, desde aquela grande enchente, há dez anos, em que a
família do Pádua perdeu tanta coisa; daí vieram as nossas relações. Pois eu hei de crer?...
Mano Cosme, você que acha?
Tio Cosme respondeu com um “Ora!” que, traduzido em vulgar, queria dizer. “São imaginações de José Dias; os pequenos divertem-se, eu divirto-
me; onde está o gamão?”
– Sim, creio que o senhor está enganado.
– Pode ser, minha senhora. Oxalá tenham razão; mas creia que não falei senão depois de muito examinar...
..............................................................................................................................................................................................
José Dias desculpava-se: “Se soubesse, não tinha falado, mas falei pela veneração, pela estima, pelo afeto, para cumprir um dever amargo, um
dever amaríssimo...”

29) Em relação às opiniões da personagem machadiana José Dias, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Namoro com Bentinho representa oportunidade de ascensão social para a gente do Pádua.
( ) Descuido do Tartaruga na vigilância da filha era intencional, puro cálculo.
( ) Projeto de fazer Bentinho padre pode ser dificultado por eventual namoro com Capitu.
( ) Dona Glória acreditava na capacidade do Pádua fazer cálculos, planejar um futuro melhor para Capitu.
Assinale a seqüência correta.
a) V, V, F, V
b) V, F, V, F
c) F, V, F, V
d) F, V, V, F
e) V, V, V, F

30)Em Compreendo o seu gesto, a senhora não crê em tais cálculos, parece-lhe que todos têm a alma cândida, José Dias indica que
a) conhece a brandura com que, via de regra, Dona Glória julga as pessoas.
b) entende que Dona Glória está interessada em esquecer a antiga promessa.
c) considera Dona Glória calculista, capaz de decidir o momento certo de enviar Bentinho ao seminário.
d) concorda com Dona Glória acerca da provável inocência do pai de Capitu.
e) está certíssimo de que todos, a exemplo de Dona Glória, têm a alma cândida.

31) Com base no texto de Machado de Assis, assinale a afirmativa correta.


a) Tio Cosme acoberta o namoro de Bentinho com Capitu e por isso desdenha a opinião de José Dias.
b) Por reconhecer que sua suspeita não tem fundamento, José Dias acaba pedindo desculpas.
c) Bentinho sabe que reconhecer que se enganou é, para José Dias, um dever amargo, um dever amaríssimo...
d) Bentinho é narrador participante dos eventos que compõem o enredo de Dom Casmurro.
e) Há indicativos de que entre o narrador e Bentinho haja uma distância temporal curtíssima.

32) Uma ampla galeria de tipos humanos desfila pelas páginas de O Cortiço (Aluísio de Azevedo, 1890): lavadeiras, operários, prostitutas, mascates,
todos representantes de uma população marginal, que vive num ambiente degradado e corruptor. Na verdade, a moradia coletiva parece determinar
o comportamento dos que ali vivem, como é o caso, entre outros, de Pombinha, menina pura que, pressionada pelo meio, acaba por se prostituir. Em
relação a O Cortiço, assinale a afirmativa correta.
a) O meio se personaliza e apresenta o dom de a tudo dominar, sobrepondo-se às especificidades individuais a força avassaladora do conjunto.
b) A influência decisiva do temperamento e do meio ambiente no comportamento humano limita o autor e impede que João Romão e Rita Baiana
sejam personagens bem construídas.
c) O autor ao tratar das personagens preocupa-se em individualizá-las uma por uma, para realçar-lhes as diferenças e evitar que se diluam numa
espécie de massa indistinta de seres.
d) A caracterização das personagens por vezes é feita com elementos referentes ao mundo animal, procedimento que aproxima o Naturalismo de
Azevedo do Romantismo de Alencar, quando este enaltecia aspectos paradisíacos da natureza brasileira.
e) As idéias explícitas acerca dos mecanismos da vida social, como o casamento, recebem tratamento análogo ao encontrável nas principais obras
românticas.

33) A partir da metade do século XVIII, na Europa, uma conjugação de eventos redimensionou a cúpula do poder social. A burguesia, contraposta à
nobreza e clero ora decadentes, se firmou e a ciência passou a explicar racionalmente a realidade. Essa alteração na fisionomia econômico-filosófica
do velho continente, com reflexos nas nações periféricas, veio acompanhada de um natural realinhamento das artes. A literatura, sem abrir mão de
proporcionar prazer estético e cumprindo seu papel de revelar a relação entre o homem e sua circunstância histórica, adequou-se e espelhou a nova
realidade que trazia, entre outros marcos, a supracitada alternância de classes no poder. Qual fato histórico ocorreu no Brasil durante a época do
Realismo?
a) Chegada da expedição colonizadora de Martim Afonso de Sousa
b) Conjuração Mineira e condenação de Tiradentes
c) Proclamação da República
d) Vinda de D. João VI e da família real
e) Abdicação de D. Pedro I

34) Sobre a obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, considere as seguintes afirmativas:
1. Logo no início do romance, Bentinho afirma: “Meu fim evidente era atar as duas pontas da vida”. Demonstra assim que, chegando ao final da vida,
finalmente compreendeu tudo e pode então relatar com segurança que os acontecimentos que a definiram sucederam-se daquela maneira e pelas
razões apontadas.
2. Ao dar a conhecer sua vida desde a infância, o narrador Bentinho procura mostrar como na personalidade de Capitu menina já estavam as
qualidades de dissimulação que ele viria a criticar mais tarde.
3. Capitu é uma das personagens mais famosas da literatura brasileira. No entanto, pode-se argumentar que esse
“sucesso” se dá, ele próprio, de forma “oblíqua e dissimulada”, já que ela nos é apresentada apenas através das palavras de um narrador que lhe é, a
princípio, hostil.
4. Tratando basicamente da vida de Bento Santiago, Dom Casmurro pode ser visto como uma exceção na obra de
Machado, que vinha de largos painéis da sociedade carioca em seus primeiros romances (Ressurreição, por exemplo) e seguiria dali em diante para
sagas familiares mais amplas (das famílias Cubas e Aires), dentro dos quadros do Realismo que vigorava na literatura de então.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente a afirmativa 3 é verdadeira.
b) Somente a afirmativa 4 é verdadeira.
c) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.
e) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras.

35) Vários autores afirmam que a diferença entre Realismo e Naturalismo é muito sutil. Um dos trechos a seguir é claramente naturalista. Assinale a
alternativa em que ele aparece.
a) "Desesperado, deixou o cravo, pegou do papel escrito e rasgou-o. Nesse momento, a moça, embebida no olhar do marido, começou a cantarolar à
toa, inconscientemente, uma cousa nunca antes cantada nem sabida..."
b) "Enfim chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos."
c) "Entretanto, das portas surgiam cabeças congestionadas de sono; ouviam-se amplos bocejos, fortes como o marulhar das ondas; pigarreava-se
grosso por toda a parte; começavam as xícaras a tilintar; o cheiro do café aquecia, suplantando todos os outros [...]"
d) "Foi por esse tempo que eu me reconciliei outra vez com o Cotrim, sem chegar a saber a causa do dissentimento. Reconciliação oportuna, porque a
solidão pesava-me, e a vida era para mim a pior das fadigas, que é a fadiga sem trabalho."
e) "E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo, cansativo;
mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio
da vida."

36) Na obra-prima que é o romance O cortiço:


a) Podemos surpreender as características básicas da prosa romântica: narrativa passional, tipos humanos idealizados, disputa entre o interesse
material e os sentimentos mais nobres.
b) As personagens são apresentadas sob o ponto de vista psicológico, desnudando-se ante os olhos do leitor graças à delicada sutileza com que o
autor as analisa e expressa.
c) O leitor é transportado ao doloroso universo dos miseráveis e oprimidos migrantes que, tangidos pela seca, abrigam-se em acomodações coletivas,
à espera de uma oportunidade.
d) Vemos renascer, na década de 30 do nosso século, uma prosa viril, de cunho regionalista, atenta às nossas mazelas sociais e capaz de objetivar em
estilo seco parte de nossa dura realidade.
e) Consagra-se entre nós a prosa naturalista, marcada pela associação direta entre meio e personagens e pelo estilo agressivo que está a serviço das
teses deterministas da época.

37) É correto afirmar sobre Machado de Assis:


I. Foi sobretudo pela imaginação de suas narrativas, mais do que pelo estilo ou senso de realismo, que se notabilizou como nosso maior ficcionista do
século XIX.
II. Seus primeiros romances consagraram-no como um grande prosador realista, mas a partir de Memórias póstumas de Brás Cubas sua obra tomou o
rumo inesperado da ficção fantástica.
III. Seus contos, sobretudo a partir de Papéis avulsos, são obras-primas de análise psicológica, alegorização social e interpretação das fraquezas
humanas.
Assinale a alternativa correta.
a) Apenas a afirmação II é verdadeira.
b) Apenas a afirmação III é verdadeira.
c) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras.
d) Apenas as afirmações II e III são verdadeiras.
e) As afirmações I, II e III são verdadeiras.

38) Por suas características, não se encaixa na prosa machadiana o trecho que aparece na alternativa:
a) "Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento."
b) "A leitora, que é minha amiga e abriu este livro com o fim de descansar da cavatina de ontem para a valsa de hoje, quer fechá-lo às pressas, ao ver
que beiramos um abismo. Não faça isso, querida; eu mudo de rumo."
c) "[...] Não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser. Obra de finado. Escrevia-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e
não é difícil antever o que poderá sair desse conúbio."
d) "Não sou criança, nem idiota; vivo só e vejo de longe; mas vejo. Não pode imaginar. Os gênios fazem aqui dois sexos como se fosse uma escola
mista. Os rapazes tímidos, ingênuos, sem sangue, são brandamente impelidos para o sexo da fraqueza; são dominados, festejados, pervertidos como
meninas ao desamparo."
e) "O pior é que era coxa. Uns olhos tão lúcidos, uma boca tão fresca, uma compostura tão senhoril; e coxa! Esse contraste faria suspeitar que a
natureza é às vezes um imenso escárnio. Por que bonita, se coxa? por que coxa, se bonita?"

39) O romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, é considerado um divisor de águas — e não apenas em relação à obra do
escritor, mas à história da literatura brasileira, já que naquela obra o autor:
a) Abandona de vez a análise psicológica e a ironia, dando ênfase à trama realista calcada na descrição dos fatos.
b) Introduz entre nós os princípios da escola naturalista, sobretudo os que representam o determinismo científico.
c) Passa a idealizar valores morais e éticos até então relativizados, criando agora personagens fortes e íntegras.
d) Abandona o romantismo de fundo nacionalista e passa à análise das expressões particulares de culturas regionais.
e) Renova a forma mesma do gênero romance, dando-lhe uma elasticidade na qual ironia e análise objetiva se fundem.

40) O Humanitismo, filosofia criada por Quincas Borba, é revelador:


a) Do posicionamento crítico de Machado de Assis aos muitos “ismos” surgidos no século XIX: darwinismo, positivismo, evolucionismo.
b) Da admiração de Machado de Assis pelos muitos “ismos” surgidos no início do século XX: futurismo, impressionismo, dadaísmo.
c) Da capacidade de Machado de Assis em antever os muitos “ismos” que surgiriam no século XIX: darwinismo, positivismo, evolucionismo.
d) Da preocupação didática de Machado de Assis com a transmissão de conhecimentos filosóficos consolidados na época.
e) Da competência de Machado de Assis em antecipar a estética surrealista surgida no século XX.

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