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A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NA EDUCAÇÃO DE SEUS FILHOS COM


DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

INTRODUÇÃO

Este estudo com o título “A importância da família na educação de seus filhos


com dificuldades de aprendizagem”, insere-se numa temática muito falada, mas
ainda com grandes ressalvas. É fundamental que os pais se integrem na vida
escolar ativa dos seus educandos, de forma a conseguirem dar todo o apoio que
eles necessitam no seu crescimento escolar. A escola é um local onde os pais
confiam a educação dos seus filhos e encontram nela um tipo de apoio para as suas
vidas, sendo mesmo um elemento indispensável para os pais e encarregados de
educação.

Questões essas que família e escola têm despertado o interesse dos


pesquisadores (Bost et al. 2004; Ferreira & Marturano, 2002), principalmente no que
se refere às implicações para o desenvolvimento social e cognitivo do aluno e suas
relações com o sucesso escolar. Pesquisas sobre o envolvimento paterno dos anos
1950 e 1960, consistentemente, mostravam que o pai possuía uma participação
muito restrita no desenvolvimento da criança. Entre 1960 e 1976, apenas 3% dos
estudos sobre o desenvolvimento infantil, incluíram o pai (Dessen & Lewis, 1998).
Essas pesquisas enfatizavam que o papel paterno era o de brincar com os filhos e
que os impactos mais importantes do envolvimento do pai no desenvolvimento dos
filhos incluíam a promoção do desenvolvimento social das meninas e a formação de
identidade sexual dos meninos (Lamb, 1997; Guille, 2004). A partir de 1970, com a
revolução feminista, a porcentagem de mulheres que exercem atividades
remuneradas vem progressivamente aumentando. Apesar desse aumento crescente
da mulher no mercado de trabalho ter favorecido economicamente à família, essa
equidade econômica está gerando transformações nos papéis atribuídos ao gênero,
tanto no ambiente profissional quanto no ambiente familiar (Engle & Breaux, 1998;
Brandth & Kvande, 2002; Rodrigues, Assmar &Jablonski, 2002).

Tem-se a partir daí, que a família, ao assumir uma prole, dá origem ao


processo através do qual o elemento mais novo do grupo irá se transformar num 'eu'
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distinto dos outros significativos de sua vida (Biasoli-Alves, 1995), ao mesmo tempo
em que assimila e transforma os padrões, valores e normas do grupo social em que
ela está inserida.

Se, de outro lado, coloca-se a ênfase no ponto de vista psicológico, ter-se-á a


família definida pelas relações intergeracionais e de intimidade (Petzold,1996).
Estudá-la, pois, sob esse enfoque, significa vê-la como o espaço em que se constitui
a personalidade e focalizar sobre tudo a qualidade dos vínculos, as necessidades de
pertença e de liberdade, a estrutura de equilíbrio que se estabelece ao longo do
tempo entre os elementos que a compõem.

Para propiciar um bom rendimento escolar, e trazer melhoras na


aprendizagem é necessário haver estímulos que possam trazer ao aluno maior
atenção na sala de aula, podendo ser criados jogos, palestras, dinâmicas que
garantam a atenção do mesmo.

Diante disto, observa-se a importância de programas de qualidade adequados


a necessidade de cada aluno e também a necessidade e obrigatoriedade de discutir
essa temática e colocá-la em prática, abordando a importância do psicopedagogo
diante da instituição escolar. Apesar da busca constante de uma educação de
qualidade, nos dias atuais percebe - se que os profissionais da educação procuram
se qualificar com o objetivo de oferecer melhor ensino, obtendo maior aprendizagem
por meio de novas estratégias, grandes inovações, novas metodologias, meio
tecnológico que possibilita o profissional a ser mais dinâmico e tornar as aulas
atraentes, possibilitando maior concentração e participação dos alunos.

Mesmo com tantos meios, têm sido em vão todo esforço e dedicação de
muitos educadores, tendo em vista grande porcentagem de educandos que
apresentam dificuldades na aprendizagem. Nota-se que o acompanhamento da
família vem sendo cobrado cada dia mais pelos educadores pois, por meio desse
acompanhamento pode haver melhoria no rendimento escolar de alunos que
possuem dificuldades de aprendizagem.
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CAPITULO I

1 - O PSICOPEDAGOGO E A FAMÍLIA

Estar atento ao que a família pensa, seus anseios, seus objetivos e


expectativas com relação ao desenvolvimento do filho são de grande importância
para o psicopedagogo chegar a um diagnóstico.

Vale lembrar o que diz Bossa (1994, p. 74), sobre o diagnóstico: o diagnóstico
é um processo contínuo, onde a intervenção do psicopedagogo inicia, segundo
vimos afirmando, numa atitude investigadora, até a intervenção. É preciso observar
que esta atitude investigadora, de fato, prossegue durante todo o trabalho, na
própria intervenção, com o objetivo de observação ou acompanhamento da evolução
do sujeito.

Às vezes, quando o fracasso escolar não está associado a causas


emocionais, culturais e econômicas, a família tem grande participação nesse
fracasso. Percebe-se nos problemas, lentidão de raciocínio, falta de atenção, e
desinteresse. Esses aspectos precisam ser trabalhados para se obter melhor
rendimento intelectual.

1.1 As dificuldades na aprendizagem

As dificuldades de aprendizagem têm servido de base para educadores


encaminharem várias crianças para o acompanhamento com uma itinerante sem ao
menos ter certeza que esses estudantes têm realmente dificuldade de
aprendizagem. Os profissionais da educação devem ser capacitados para identificar
as dificuldades de aprendizagem, tendo também como dever pedir encaminhamento
para a o diagnostico e tratamento específico (OSTI, 2009).

A psicopedagogia, por contar com a contribuição de várias áreas do


conhecimento, Psicologia, Sociologia, Antropologia, e outros, assume o papel de
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desmistificadora do fracasso escolar, entendendo o erro apresentado pelo indivíduo


no processo de construção do seu conhecimento (Piaget, 1973), e as interações
(Vygotsky, 2004), como fator importante no desenvolvimento das habilidades
cognitivas. Apresenta assim, uma perspectiva diferenciada daquelas que há muito
permeia a mente de muitos professores.

O psicopedagogo assume papel relevante na abordagem e solução dos


problemas de aprendizagem. Não procura culpado e não age com indulgência. De
acordo com Bossa (2000, p. 14), “é comum, na literatura, os professores serem
acusados de se isentarem de culpa e responsabilizar o aluno ou sua família pelos
problemas de aprendizagem”, mas há um processo a ser visto, às vezes, os
métodos de ensino tem que ser mudados, o afeto, o amor, atenção, isto tudo influi
muito nessa questão. Nesse caso, o psicopedagogo procura avaliar a situação da
forma mais eficiente e proveitosa. Em sua avaliação, no encontro inicial com o
aprendem-te e seus familiares, que é um recurso importantíssimo, utiliza a “escuta
psicopedagógico”, que o auxiliará a captar através do jogo, do silêncio, dos que
possam explicar a causa de não aprender.

Segundo Fernandes (1990 p. 117), a […] intervenção psicopedagógico não se


dirige ao sintoma, mas o poder para mobilizar a modalidade de aprendizagem, o
sintoma cristaliza a modalidade de aprendizagem em um determinado momento, e é
a partir daí que vai transformando o processo ensino aprendizagem.

Portanto, a psicopedagogia não lida diretamente com o problema, lida com o


que causa o problema, ou seja, com as pessoas envolvidas. Estes envolvidos são os
familiares e os professores levando em conta aspectos sociais, culturas, econômicos
e psicológicos.

Dessa forma pode se perceber que a evolução escolar vem se estendendo ao


longo dos anos, mas nem por isso deixar de haver dificuldades. Por isso, os
educadores, devem estar atentos aos problemas negativos que ocorrem frente ao
ensino, e consequentemente aos problemas futuros que isso possa vir causar. E
juntamente com a família e o psicopedagogo esses problemas podem ser
minimizados ou até evitados com um bom acompanhamento e uma boa atenção que
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devem ser voltados a esses alunos. A educação vem sofrendo avanços a cada ano,
e é ela a responsável por grande parte da formação do ser humano.

Enfocando os aspectos sociais, os autores Gomes (1993), Grünspun e


Grünspun [s.d.], Casas (1998), se referem às transformações sociais ocorridas
dentro da instituição familiar, e explicam que poucos são os casos em que os pais
compartilham a responsabilidade sobre a vida escolar de seus filhos.

Mesmo assim, gestores e professores das unidades escolares alimentam,


ainda, a ilusão de uma maior participação dos pais na escola, que seria resultado de
uma ação formativa da escola em relação à família. Dessa forma, a pouca
participação da família na Instituição Escolar, tem sido a principal causa da
dificuldade na aprendizagem do aluno.

1.2 Um pouco de história: uma abordagem psicológica

A psicologia psicanalítica, ou metapsicologia, como Freud (1976) a chamava,


é a construção teórica empreendida para descrever e explicar o funcionamento
psíquico implícito nas formações do inconsciente, cuja análise mostrava de modo
sistemático o desdobramento da vida mental em dois conjuntos organizados de
pensamentos, independentes um do outro, embora referentes à mesma questão.
Tendo percebido de imediato que a chave para a compreensão das formações do
inconsciente residia em compreender, ou interpretar, seu sentido, a construção da
teoria freudiana organiza-se em torno de três questões fundamentais: como um
produto psíquico, 1) adquire sentido, 2) que sentido é esse e 3) como, e em que
condições, pode ter acesso à consciência. A resposta a essas questões constitui seu
modelo do aparelho psíquico, elaborado incessantemente ao longo de toda a obra.
De maneira geral, pode-se dizer que ele conjuga uma teoria da representação, uma
teoria do pensamento e uma teoria da linguagem.

Em Freud (1976), a tradicional dicotomia entre o lado material, ou do


conteúdo ideativo, tradicionalmente identificado como a faceta psicológica e
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subjetiva do fenômeno mental, e o lado formal, ou do pensar, também por tradição


identificada com a faceta lógica e objetiva, vão assumir a forma da dicotomia entre
representação (Vorstellung) e pensamento (Gedanke). Os processos perceptivos
fornecem o conteúdo representacional dos processos mentais, e a experiência do
sujeito, relativa a esse conteúdo, fornece seu processamento, os chamados
'processos de pensamento.

Dessa forma, o pensamento, para Freud (1976), é a contraparte psíquica da


ação, uma vez que ele corresponde a deslocamentos de energia mental que visam a
descarga motora da excitação. Essa ação pode ser imediata ou reflexa, no caso de
ser dirigida pelo processo primário, ou incorporar a atividade do sujeito em seu meio,
quando é regida pelo processo secundário.

É evidente que sempre podemos nos reportar a certos eventos "traumáticos"


para justificar vários problemas: uma escola inadequada, a separação dos pais, o
nascimento de um irmãozinho, uma doença na família. É certo também que toda
criança portadora de alguma deficiência ou disfunção seja inata ou lesiona, tem mais
probabilidades de apresentar dificuldades para aprender. Contudo, o que a
cotidianidade da clínica psicopedagógico põe em evidência é a existência de sujeitos
que não aproveitam suas possibilidades cognitivas a despeito de gozarem de
condições aparentemente favoráveis, enquanto outros, pelo contrário, o fazem, a
despeito de todas as adversidades. Nas palavras de Cypel, (1987), neurologista
infantil: "Entretanto, encontramos crianças com bom desempenho escolar e com
várias falhas no exame neurológico; ao mesmo tempo, crianças com este exame
normal e com mau desempenho escolar".

Nesse quadro de incertezas, onde fica difícil estabelecer relações diretas de


causa e efeito, podemos nos reportar à teoria psicogenética e dizer, parafraseando
Piaget (1973), que os "erros" reiterativos cometidos por essas crianças que chegam
à consulta são o efeito de uma legalidade própria da inteligência, isto é, são
inerentes, e mesmo necessários, ao processo de construção do conhecimento.
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1.3 A Psicopedagogia e a ludicidade

Conforme Bossa (2007), a psicopedagogia surgiu da necessidade de uma


compreensão mais eficiente acerca do processo de aprendizagem, tornando-se,
portanto, uma área de estudo caracterizada pela aplicação da psicologia à
pedagogia, com o intuito de prevenir, diagnosticar e corrigir dificuldades de
aprendizagem humana em suas condições normais ou patológicas. Além de
analisar, e estudar a influencia do meio familiar, da escola e do meio social na
formação e desenvolvimento do aprendizado humano, ou seja, estuda e analisa
como se dá a construção do conhecimento de uma pessoa.

Desse modo, a psicopedagogia é considerada a área do conhecimento


estuda especificamente as questões relevantes ao ensino-aprendizagem. Estando,
portanto, estreitamente vinculada ao lúdico, como fonte de conhecimento. O
psicopedagogo, profissional especializado nesta área recorre a técnicas e
estratégias características que viabilizam uma intervenção psicopedagógico eficiente
a fim de solucionar problemas de aprendizado.

Considerando, sobretudo, que o processo de aprendizagem de uma criança


envolve diversos eixos de estruturação, a saber: afetividade, social, cognitivo,
cultural, entre outros. Ainda conforme Bossa (2007) cabe ressaltar que o objeto da
psicologia vai além do aluno e professor de forma isolada, pois considera todo o
processo que envolve ensino e aprendizagem.

Assim como suas dificuldades, a interação ou relação de ambas as partes,


requer uma análise minuciosa tanto pelo pedagogo quanto pelo próprio professor,
que no caso trabalham em conjunto. O autor ainda afirma uma das mais eficientes
formas de atuação da psicopedagógico, consiste em fazer uso do lúdico seja para
diagnosticar ou tratar determinadas alterações. Sendo, portanto, a ludicidade um rico
elemento para investigação clínica, uma vez que ao brincar o sujeito expressa-se
livremente, construindo um espaço entre o real e o imaginário, onde desenvolve
suas potencialidades, vivenciam valores e conceitos, além de conteúdos.

Assim, pode-se inferir que para essa área de estudo do conhecimento, o uso
de jogos ou brincadeiras educativos devem estabelecer uma prática pedagógica
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bem elaborada, para que possam realmente ativar o potencial da criança e, assim
diagnosticar frustrações, desejos e prazeres em Porto (2007), analisa a
psicopedagogia no âmbito institucional, cuja atuação preventiva está voltada
especialmente para a instituição educacional. Relata ainda a psicopedagogia
institucional ocupa-se das áreas relacionadas ao planejamento educacional e ao
assessoramento pedagógico, colaborando, portanto, com planos educacionais e
sanitários, e, sobretudo, no auxilio ao resgate da aprendizagem na instituição.

Costa, (2012) diz que o trabalho que o psicopedagogo realiza é de caráter


preventivo, clínico, terapêutico ou de treinamento, na escola, ele orienta os
professores, realiza diagnósticos, facilita o processo de aprendizagem e trabalha nas
diversas relações humanas que existem nesse espaço. Nesta perspectiva, o
educador sente-se mais seguro e apoiado para exercer um trabalho de qualidade,
tendo em visto que o mesmo deve fazer sua parte. Definir os objetivos a ser
alcançado, planejar suas aulas utilizando uma metodologia adequada e que envolva
a seleção de jogos, brincadeiras e brinquedos corretos e pertinentes ao contexto, na
tentativa de aproveitar ao máximo os conhecimentos do aluno.

Em suma, a psicopedagogia busca responder problemáticas derivadas do


processo do conhecimento, tentando solucionar ou amenizar problemas
relacionados à aprendizagem e, portanto, ao fracasso escolar. E, é nesta
perspectiva que defende e aponta o uso de atividades lúdicas para obter
diagnósticos com aspectos que podem ser omitidos em situações formais. Isto é, em
seu trabalho o psicopedagogo busca um diagnostico que realmente possibilite a
compreensão do funcionamento dos processos cognitivos, assim como, afetivo e
social da criança.

Para os autores, uma das formas de prevenção nas propostas de trabalho da


educação é preparar teoricamente o corpo docente para a prática dos jogos e
atividades lúdicas, realizando, principalmente, um aprofundamento sobre a
importância do ato de brincar para o desenvolvimento infantil. Os fatores
experienciais potencializam suas condições intelectivas, propostas pedagógicas que
privilegiam atividades lúdicas e estimulantes possibilitarão aprendizagens cada vez
mais complexas e mais eficientes.
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Roman e Steyer (2001) referem que os conflitos emocionais interferem muito


no rendimento da criança. Cabe a escola, na figura da professora, fazer a “escuta”
adequada destas manifestações, considerando o estado geral da criança em seu dia
a dia, o contexto familiar em que está inserida e os eventuais problemas familiares
que possam estar vivenciando, desde o nascimento de um irmão, a morte de um
familiar, uma situação de desemprego, separação dos pais, entre outros problemas.

O fracasso escolar perturba profundamente a criança, pois sofre a pressão da


família, dos professores, dos colegas, prenunciando seu insucesso na vida escolar.
A criança deixa o professor sem saber como trabalhar com ela. Ela não aprende,
mas não apresenta qualquer incapacidade particular. A recusa em aprender é um ato
agressivo diante de seu fracasso e frustração. Ao entrar na escola, a criança
perturba-se devido à dificuldade que encontra na transição da família e do
aprendizado informal, para o convívio com estranhos e o aprendizado formal.

Com o estudo, pudemos perceber que a escola tem muito ainda o que fazer
para ajudar seus alunos. Alguns exemplos são métodos inadequados de ensino,
falta de percepção, por parte da escola, do nível de maturidade da criança,
professores que não dominam determinados assuntos, superlotação das classes,
dificultando a atenção do professor para todos os alunos.

Os planos de prevenção nas escolas, com toda a equipe escolar,


principalmente com professores e batalhar para que o professor possa ensinar com
prazer para que o aluno também possa aprender com prazer são atitudes básicas
com que as escolas deveriam preocupar-se. Muitas dificuldades de aprendizagem
são decorrentes de metodologia inadequada, professores desmotivados e
incompreensivos, brigas e discussões entre colegas, entre outras. Volto a enfatizar
que a escola deve ser a segunda casa do indivíduo, um lugar onde ele possa se
sentir bem e entre amigos, contar com a professora sempre que precisar ou sempre
que tiver um problema familiar. (outra causa de dificuldades de aprendizagem) e
manter contato com os outros membros da equipe escolar, como coordenação
pedagógica, por exemplo. Se o aluno sente-se a vontade para conversar com a
professora e lhe pedir opiniões ou mesmo ajuda é sinal de que as coisas andam
bem na relação professor X aluno.
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A escola é um dos agentes responsáveis pela integração da criança na


sociedade, além da família. É um componente capaz de contribuir para o bom
desenvolvimento de uma socialização adequada da criança, através de atividades
em grupo, de forma que capacite o relacionamento e participação ativa das mesmas,
caracterizando em cada criança o sentimento de sentir-se um ser social. Se a
criança não se envolve com o grupo ou este não a envolve, começa haver um baixo
nível de participação e envolvimento nas atividades e, consequentemente, o
isolamento que interferirá no desempenho escolar. O comportamento retraído de
uma criança no ambiente escolar pode ser interferência do ambiente familiar.

A tarefa da escola e relevante no resgate da autoimagem distorcida da


criança, por ter uma concepção socialmente transmissora de educação e de cultura,
que transcende as habilidades educacionais familiares, além da responsabilidade e
competência em desvendar para a criança o significado e o sentido do aprender. As
escolas devem buscar formas de prevenção nas propostas de trabalho, preparar os
professores para entenderem seus alunos, diferenciar um a um, respeitar o ritmo de
cada um.

A escola e a família compartilham funções sociais, políticas e educacionais,


na medida em que contribuem e influenciam a formação do cidadão (Rego, 2003). A
integração entre escola e família tem despertado, recentemente, o interesse dos
pesquisadores (Davies, Marques & Silva, 1997; Marques, 2002; Oliveira & cols.,
2002), principalmente no que se refere às implicações deste envolvimento para o
desenvolvimento social e cognitivo e o sucesso escolar do aluno.

No ambiente familiar, a criança aprende a administrar e resolver os conflitos, a


controlar as emoções, a expressar os diferentes sentimentos que constituem as
relações interpessoais, a lidar com as diversidades e adversidades da vida (Wagner
Ribeiro, Arteche & Bornholdt, 1999). Essas habilidades sociais e sua forma de
expressão, inicialmente desenvolvidas no âmbito familiar, têm repercussões em
outros ambientes com os quais a criança, o adolescente ou mesmo o adulto
interagem, acionando aspectos salutares ou provocando problemas e alterando a
saúde mental e física dos indivíduos (Del Prette & Del Prette, 2001).
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CAPITULO II

2- RELACIONAMENTOS PAI E FILHO E O DESENVOLVIMENTO INFANTIL

A maioria dos estudos aponta que a criança que vive com a privação paterna
(em decorrência do divórcio ou decorrente de interações infreqüentes entre pai e
filho mesmo morando na mesma casa), pode ter problemas no desenvolvimento,
podendo ser considerado um fator de risco (Black & cols., 1999; Marshall & cols.,
2001).

No entanto, não é só a ausência da figura paterna que acarreta problemas


comportamentais nos filhos, pois características do comportamento paterno
influenciam negativamente o comportamento do filho. Frosch e Mangelsdorf (2001)
realizaram um estudo com 78 pais e mães americanos e seus filhos de
aproximadamente três anos de idade, de classes socioeconômicas variadas, para
verificar se o comportamento do pai e da mãe influenciava nos problemas de
comportamento dos filhos.

Foram utilizadas as seguintes medidas de comparação: identificação de


problemas de comportamento da criança, observação da professora quanto aos
problemas de comportamento em sala de aula e observação dos comportamentos
de interação paterna e materna com os filhos. Os resultados mostraram que as
crianças com maior índice de problemas de comportamento, tanto na escola quanto
no ambiente familiar, tinham o pai com comportamento mais hostil e intruso. Frosch
e Mangelsdorf (2001)

Os problemas comportamentais apresentados na pré-escola, decorrentes da


ausência paterna, podem acarretar em uma variedade de resultados negativos na
idade escolar e na adolescência, incluindo baixo rendimento acadêmico, aumento de
ausência nas aulas, aumento do risco de envolvimento com drogas, pouco
relacionamento com os pares, depressão, ansiedade, labilidade emocional e a
internalização de comportamentos problemas. Quando não corrigidos esses
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problemas continuarão exercendo uma influência negativa na fase adulta (Black,


Dubowitz & Star, 1999; Frosch & Mangelsdorf, 2001).

2.1 Ambiente familiar e os problemas de comportamento

Os problemas externos tendem a ser mais estáveis que os internos e têm


curso e prognóstico menos favoráveis, particularmente os componentes de
agressividade, impulsividade e tendências anti-sociais, que representam as formas
mais comuns e persistentes de desajustamento na meninice e são precursores de
distúrbio de conduta na adolescência (Esser, Schmidt & Woerner, 1990; Fergusson,
Lynskey & Horwood, 1996; Hinshaw, 1992; Institute of Medicine, 1994). Associados a
ajustamento social pobre, têm conseqüências crônicas e graves não apenas para as
crianças que os manifestam, mas também para os pais, irmãos, professores e a
sociedade em geral.

Essas crianças estão em risco de rejeição pelos companheiros, conflitos com


a família e com os professores, fracasso escolar, dificuldades ocupacionais, além do
risco mais sério para comportamentos socialmente desviantes (Olson Bates, Sandy
& Lanthier, 2000). Comportamentos internalizaram com componentes antissociais
freqüentemente se desenvolvem em contextos de adversidade ambiental.
Investigações para elucidar a origem e o curso de desenvolvimento dos problemas
têm convergido para uma concepção multifatorial e transacional, em que as
manifestações externalizantes refletem processos de trocas contínuas entre
características da criança nas interações sociais e características dos cuidadores e
seu contexto social/ecológico (Olson & cols., 2000).

Nessas trocas, o ambiente familiar apresenta práticas de socialização


violentas, exposição a modelos adultos agressivos, falta de afeto materno e conflitos
entre os pais (Blanz, Schmidt, & Günther, 1991; Dodge, Pettit & Bates, 1994;
Ramsey, Shinn, Walker & O.Neill, 1989; Shaw e Emery, 1988; Vuchinich, Bank &
Patterson, 1992). Tais práticas, por sua vez, estão freqüentemente associadas a um
contexto social adverso, marcado por dificuldade econômica e estressores
psicossociais incidindo sobre a família (McLoyd, 1998).
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No entanto o que se observa é que, muitas crianças são levadas para um


encaminhamento psicopedagógico sem que se tenham fundamentos conceituais do
que são os problemas de aprendizagem (dificuldade-sintoma) e as suas
diferenciações (sintoma-reativo e sintoma-intrínseco) (FERNÁNDEZ, 1991).

Muitas vezes o problema de aprendizagem da criança surge devido à forma


de como elas são ensinadas, onde muitas vezes elas não encontram estímulo
nenhum para aprender, muito menos para frequentar um ambiente escolar. Com isso
elas passam a ter dificuldades nas relações interpessoais tanto entre ela e o
professor ou entre ela e o colega de sala.

Apesar de a família ser apontada como uma das variáveis responsáveis pelo
fracasso escolar do aluno (Carvalho, 2000), a sua contribuição para o
desenvolvimento e aprendizagem humana é inegável. Um dos seus papéis
principais é a socialização da criança, isto é, sua inclusão no mundo cultural
mediante o ensino da língua materna, dos símbolos e regras de convivência em
grupo, englobando a educação geral e parte da formal, em colaboração com a
escola. Neste contexto, os recursos psicológicos, sociais, econômicos e culturais
dos pais são aspectos essenciais para a promoção do desenvolvimento humano
(Christenson & Anderson, 2002; Marques, 2002).

A escola também tem sua parcela de contribuição no desenvolvimento do


indivíduo, mais especificamente na aquisição do saber culturalmente organizado e
em suas áreas distintas de conhecimento. Segundo Ananias (2000), a escola deve
resgatar, além das disciplinas científicas, as noções de ação política e busca da
cidadania e da construção de um mundo mais equitativo.

Neste contexto, a escola deve visar não apenas a apreensão de conteúdo,


mas ir além, buscando a formação de um cidadão inserido, crítico e agente de
transformação, já que é um espaço privilegiado para o desenvolvimento das idéias,
ideais, crenças e valores. Para López (1999/2002), a família não tem condições de
educar sem a colaboração da escola.
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Lampreia (1999) destaca que uma atividade como a cópia, no ambiente


escolar, tem objetivo programado e é avaliada como uma competência que permite a
estruturação da aprendizagem, na área de letramento.

Já, no âmbito familiar, a mãe considera tal atividade apenas como mais uma
tarefa doméstica de supervisão e cuidados dispensados aos filhos. Neste caso, o
objetivo da cópia passa a ser a obtenção de um desempenho sem erro por parte do
filho, devendo ser executada com um maior grau de precisão e economia de tempo.

Quando a família e a escola mantêm boas relações, as condições para um


melhor aprendizado e desenvolvimento da criança podem ser maximizadas. Assim,
pais e professores devem ser estimulados a discutirem e buscarem estratégias
conjuntas e específicas ao seu papel, que resultem em novas opções e condições
de ajuda mútua (Leite & Tassoni, 2002). A escola deve reconhecer a importância da
colaboração dos pais na história e no projeto escolar dos alunos e auxiliar as
famílias a exercerem o seu papel na educação, na evolução e no sucesso
profissional dos filhos e, concomitantemente, na transformação da sociedade.

2.2 Déficit de atenção ou apenas um momento difícil

São sinais indicativos de que algo não vai bem no aprender ou no ensinar.
São comportamentos, atitudes, modalidades de lidar com os objetos de
conhecimento e de se posicionar nas situações de aprendizagem que não
favorecem a alegria de aprender, a autoria de pensamento, o sucesso acadêmico.

Os problemas de aprendizagem podem ser classificados em sintoma, inibição


cognitiva e reativa. Nos dois primeiros casos, as origens e causas encontram-se
ligadas à estrutura individual e familiar do indivíduo que “fracassa” em aprender. No
último, relacionam-se ao contexto socioeducativo. Ou seja, a questões didáticas,
metodológicas, avaliativas, relacionais.

É importante salientar que nos problemas de aprendizagem reativos o


fracasso escolar pode demandar redimensionamento que englobe desde órgãos
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superiores responsáveis pela educação no país até as salas de aula. Já nos


problemas em que os fatores desencadeantes são externos ao contexto escolar,
geralmente há necessidade de uma avaliação especializada para buscar
intervenções adequadas. Comprometimento na interpretação de texto, disgrafia
(deficiência na habilidade de escrever, em termos de caligrafia e também de
coerência), dislexia, discalculia (dificuldade no aprendizado dos números), dispersão
em sala de aula e nos momentos de realizar atividades e avaliações escolares.
Modalidades de aprendizagem que não favorecem a assimilação e a acomodação
dos conhecimentos de modo satisfatório, entre outros sinais, podem ser
manifestações de problemas de aprendizagem.

O estudo de situações, a ajuda e o apoio de outros profissionais –


orientadores educacionais, coordenadores pedagógicos, psicólogos,
psicopedagogos – são sempre muito positivos. Surgem novos olhares, tanto em
relação à leitura dos problemas quanto às possibilidades interventivas. Não
necessariamente. Muitos de nós conhecemos crianças e adolescentes filhos de
lares muito complicados e problemáticos que aprendem bem e são alunos de
destaque. Conflitos familiares vão gerar problemas de aprendizagem quando a
inteligência – aqui entendida como a capacidade de elaborar situações por meio da
lógica, do pensamento, da cognição –, encontra-se aprisionada pela dimensão
afetiva. Nas obras 'A inteligência aprisionada' e 'Os idiomas do aprendem-te', de
Alicia Fernández, a autora explicita muito bem essas situações.

Entretanto, normalmente, em famílias muito conflituosas, crianças e


adolescentes podem sofrer de depressão, apresentar transtornos variados, mostrar-
se agressivos, hiperativos, ansiosos, desatentos, agitados e, assim, apresentar
conflitos na escola. Isso, porém, não significa que tenham algum problema ou
dificuldade de aprendizagem, mesmo que os sintomas apresentados perturbem seu
desempenho e rendimento escolar. Como mencionei, é preciso ter cuidado com
concepções calcadas estritamente em determinismos genéticos ou ambientais. Um
problema orgânico por si só, assim como o contexto ambiental por si mesmo, não
responde isoladamente às causas dos problemas de aprendizagem.

Um aluno ou aluna com comprometimentos orgânicos, em alguns casos,


pode apresentar alguma limitação. No entanto, ainda assim, pode construir belas
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aprendizagens se lhe forem dadas condições afetivas, técnicas, didáticas e


metodológicas que considerem suas necessidades e potencialidades. Minha
experiência tem mostrado que crianças e adolescentes diagnosticados com déficit
de atenção são pessoas que têm sofrido sérios conflitos subjetivos e familiares.
Conflitos sintomatizados em desatenção.

Entendendo os sintomas (no caso, a desatenção) como um modo de dizer


algo, falar de algo, uma linguagem que o sujeito usa para comunicar alguma coisa,
um pedido de socorro, é fundamental que os profissionais da educação e da saúde
se perguntem sobre eles. Quais as possíveis causas que levariam uma criança a se
dispersar constantemente? Em que momentos e situações esse sintoma ocorre com
maior frequência e intensidade? O que é atenção? O que é atender? Ser atendido?
Quais as concepções teóricas ao levantar hipóteses acerca do diagnóstico de TDAH
[transtorno do déficit de atenção com hiperatividade]?Sobre a prescrição de
medicamentos, é alarmante o crescimento do número de crianças, adolescentes e
adultos que os usam.

E uma das grandes preocupações que tenho é com o fato de, na maioria das
vezes, não serem buscadas as verdadeiras causas que geraram e mantêm os
sintomas. De muitas vezes não ser incluída nos diagnósticos e nas intervenções a
visão analítica e sistêmica das situações. Enfim, de não se abrir espaços de
pensamento acerca dos motivos pelos quais uma criança, por exemplo, está
desatenta, dispersa. “No mundo da lua”, como costumam falar muitos professores e
pais. No Distrito Federal, por exemplo, cursos variados estão disponíveis na rede
pública de ensino. São também programados momentos semanais de formação
continuada nas escolas em que os professores atuam. Eles lecionam em um turno e
no outro realizam diferentes atividades. Entre elas, as mencionadas. Exemplo que
deveria ser seguido por todas as unidades da Federação. Entretanto, na formação
continuada deveriam ser incluídos espaços objetivos e subjetivos que permitam
trabalhar questões psicopedagógicos essenciais para a qualificação do fazer
pedagógico. O caráter subjetivo da aprendizagem, muitas vezes esquecido, é tão
importante quanto à didática, os métodos, as técnicas.

2.3 Os professores da educação básica têm condições de diagnosticar problemas de


aprendizagem
26

Entretanto, é preciso diferenciar problemas de aprendizagem de dificuldades


de aprendizagem. Qualquer estudante pode atravessar, em algum momento da vida
escolar, alguma dificuldade no aprender. Pode demorar um pouquinho mais para
assimilar um conteúdo, para dar sentido ao que lhe é ensinado, por uma ou outra
razão, sem, contudo, configurar um sintoma ou fracasso do professor.

Um problema de aprendizagem pode ser considerado como tal quando


descartadas causas socioeducativas. Ou seja, quando os sinais persistem, apesar
das intervenções educacionais. Nessas situações, muitas vezes, como foi
assinalado anteriormente, há necessidade de investigação e leitura especializada.
Ressalto, entretanto, a importância de cautela por parte dos educadores ao
“diagnosticar”. É preciso cuidado com a tendência de atribuir a causas organicistas
os problemas e dificuldades de aprendizagem apresentados pelos alunos. Considero
muito válido o trabalho coletivo da escola.

Professores atentos, sensíveis, amorosos, estudiosos, éticos, que amam


ensinar e aprender têm condições de perceber comportamentos e sinais indicativos
de problemas de aprendizagem. Muitas vezes, é na escola que a criança apresenta
algum sintoma alusivo a conflitos de naturezas diversas.

Em se tratando de problemas de aprendizagem reativos, ou seja, em que as


causas são de ordem socioeducativa – falhas ou inadequações no modo de ensinar
e intervir –, docentes e demais profissionais da educação e da saúde que atuam nas
escolas deveriam ser formados para identificá-los e resolvê-los. No entanto, quando
há hipóteses de causas individuais e familiares, o diagnóstico carece de olhares
clínicos. Contudo, os professores são importantíssimos no processo interventivo,
independentemente do problema. Seu olhar, sua postura, sua afetividade fazem toda
a diferença.

Com isso, o profissional Psicopedagogo tem ganhado espaço e feito à


diferença, pois a escola tem facilitado a participação da família no planejamento
escolar e no processo educacional.

Segundo o estudo, a participação da família nas instituições educacionais,


ainda deixa um pouco a desejar, não atendendo as expectativas dos profissionais,
27

deixando com que o educando permaneça com dificuldades por parte da família.
Ficando claro que falta de acompanhamento dos pais ainda é um dos motivos pelos
quais despertou curiosidade em muitos educadores em pesquisar quais os reais
problemas que têm levado os alunos a demonstrarem dificuldades na sua
aprendizagem.

A família e a escola emergem como duas instituições fundamentais para


desencadear os processos evolutivos das pessoas, atuando como propulsores ou
inibidores do seu crescimento físico, intelectual e social. A escola constitui - se um
contexto no qual as crianças investem seu tempo envolve-se em atividades
diferenciadas ligadas às tarefas formais (pesquisa, leitura dirigida, por ex.) e aos
espaços informais de aprendizagem (hora do recreio, excursões, atividades de
lazer).

Neste ambiente, o atendimento às necessidades cognitivas, psicológicas,


sociais e culturais da criança é realizado de uma maneira mais estruturada e
pedagógica que no ambiente de casa. A família não é, portanto, o único contexto em
que a criança tem oportunidade de experiência e ampliar o seu repertório como
sujeito de aprendizagem e desenvolvimento (Cezar-Ferreira, 2004; Formiga, 2004;
Marques, 2001, 2002; Rego, 2003; Szymanski, 2001).

A instituição escolar tem um caráter preventivo no sentido de excluir ou


mesmo minimizar problemas escolares que ocorrem em decorrência da falta de
estrutura familiar, onde as mesmas não tiveram um bom acompanhamento, se
tornando mais difícil ensinar os filhos dentro de casa.

Com a finalidade de procurar melhoras, criar competências e habilidades para


solução dos problemas ocorridos com crianças com baixo rendimento escola, é
importante refletir sobre o papel da escola. Devido isso, o psicopedagogo vem
adquirindo e desenvolvendo conhecimentos sobre a díade família-escola e ganha
atualmente espaço nas instituições de ensino.

CAPITULO III
28

3 - A ESCOLA E A FAMÍLIA

Os sujeitos que se prontificaram a participar desta pesquisa colaboraram para


que o pesquisador obtivesse respostas claras, concisas e objetivas favorecendo a
compreensão dos resultados de uma maneira geral, partindo de perguntas
norteadoras a respeito da Importância da Família na Educação de seus filhos com
dificuldades de Aprendizagem Escolar sob a ótica da Psicopedagogia.

A escola onde fiz a minha entrevista é Escola Municipal Menino Feliz. CNPJ:
02.194.897/ooo1-67 a Diretora se chama Laura da Fonseca Queiroz, os alunos que
frequenta a instituição são 90 alunos e sua criação foi no ano de 25/09/1979. Foi
uma entrevista produtiva, a participação desta entrevista foi com cinco professores,
onde logo abaixo será tratado de SUJEITO nº 1, 2, 3, 4, e 5.

A escola deve ser um ambiente onde as crianças possam sentir-se bem,


amadas e sempre alegres. A metodologia da escola deve ser adequada, envolvendo
seus alunos. E no momento em que surgir algum problema com algum aluno é
importante que haja uma mobilização por parte da escola, a fim de que solucionem a
possível dificuldade. A escola deve esforçar-se para a aprendizagem ser significativa
para o aluno. Com isso todos têm a ganhar, a escola, a família e principalmente a
criança.

A relação escola família é uma via de mão dupla, pois o que está em jogo é a
formação dos sujeitos, ou seja, os filhos dos pais que são os mais interessados no
processo de formação dos mesmos.

A Família é o primeiro e o mais marcante espaço de realização,


desenvolvimento e consolidação da personalidade humana, onde o
indivíduo se afirma como pessoa, o habitat natural de convivência solidária
e desinteressada entre diferentes gerações, o veículo mais estável de
transmissão e aprofundamento de princípios éticos, sociais, espirituais,
cívicos e educacionais, o elo entre a consistência da tradição e as
exigências da modernidade. (FÉLIX PEREIRA, 2008 p.45)
29

É possível pensar numa integração dos pais com a escola, pois a mesma sem
a ajuda da família corre o risco de não conseguir sozinha estabelecer meios para
que os alunos sejam autônomos em relação ao hábito de estudar, seja em casa ou,
no ambiente escolar. Nesse sentido, fica claro que a função da família e a função da
escola se complementam na construção de um ser humano mais participativo e mais
consciente.

A instituição escolar propicia uma interação com a família no sentido de


esclarecer sobre as influências paterno-maternas no processo de aprendizagem das
crianças. Também incentiva os professores a engajarem se na coletividade dos
acontecimentos escolares, fazendo com que aos poucos eles tomem consciência do
seu papel social que vai além de ensinar, mas de comprometer se enquanto cidadão
pertencente ao contexto escolar.

3.1 Ambiente familiar e os problemas de comportamento

O depoimento da DIRETORA da escola pesquisada relata que tenta sempre


estimular os professores e pais da escola, pois devemos respeita os alunos que são
recebidos na escola, pois o tratamento deve ser valorizado enquanto parte
integrante da escola fazer com que eles se sintam acolhidos e tenham orgulho de
participar da escola. Mostrar a eles o simples fato de que o futuro depende deles e
os progressos também.

A Diretora é, antes de mais, um Educador. Somos o professor que


acompanha, apoia e coordena os processos de aprendizagem, de orientação, de
maturação dos alunos e de orientação à comunicação entre os docentes, alunos,
Pais/encarregados de educação e restantes agentes da ação educativa.

A família é o primeiro suporte vital que temos nos primeiros anos de vida, é
nela que temos que nos apoiar e consequentemente teremos que apoiar, pois cada
elemento da família (seja ela grande ou pequena) necessita do nosso apoio, da
nossa companhia, do nosso carinho, da nossa sabedoria, da nossa alegria, das
nossas palavras de conforto, resumindo, é na família que está todo o equilíbrio que o
30

ser humano necessita à boa integração na sociedade e fundamentalmente à sua


sobrevivência.

A escola não deve ser só um lugar de aprendizagem, mas também um campo


de ação no qual haverá continuidade da vida afetiva que deverá existir a 100% em
casa. É na escola que se deve conscientizar a respeito dos problemas do planeta:
destruição do meio ambiente, desvalorização de grupos menos favorecidos
economicamente, etc. Na escola deve-se falar sobre amizade, sobre a importância
do grupo social, sobre questões afetivas e respeito ao próximo.

É de extrema importância o estudo da relação família/escola, onde o


educador/professor se esmera em considerar o educando, não perdendo de vista a
globalidade da pessoa, percebendo que, o jovem, quando ingressa na rede escolar,
não deixa de ser filho, irmão, amigo, etc.

A necessidade de se construir uma relação entre escola e família, deve ser


para planear, estabelecer compromissos e acordos mínimos para que o educando
/filho tenha uma educação com qualidade tanto em casa quanto na escola. De
acordo com DIRETORA “a Relação entre a Escola e a Família tem vindo a ser alvo
de todo um conjunto de atenções: através de notícias nos meios de comunicação,
de discursos de políticos, da divulgação de projetos de investigação e de nova
legislação”.

3.2 O Papel da Escola Frente às Dificuldades de Aprendizagem de Seus Alunos

Este estudo foi realizado em uma Escola Estadual de Tempo Integral, no


Ensino Fundamental de Primeiro ao Quinto Ano, que se situa na cidade de Formoso,
Estado de Goiás. Onde família e escola constituem se dois polos diferentes, porém
fundamentais para a formação humana e social dos sujeitos. A família é a primeira
mediadora entre o homem e a cultura, o mundo que o rodeia, segundo Dessen e
Polônia (2007), é nela que se constituem as primeiras relações afetivas sociais e
cognitivas, as quais são influenciadas pelas condições materiais históricas e
culturais daquele grupo familiar. Foram cinco educadoras participantes da pesquisa,
todas com mais de dez anos de experiência.
31

Em relação à primeira questão, que trata sobre a não participação dos pais
contribui para as dificuldades do aluno na aprendizagem. O SUJEITO nº 1 deixou
bem claro que a família que não participa do processo de ensino aprendizagem, a
criança torna-se insegura vendo que ninguém se interessa por ela, e assim torna-se
difícil descobrir quais são as dificuldades, quais são seus conhecimentos, e
também porque nesse processo o professor passa a conhecer melhor a criança.
Segundo o SUJEITO nº 2, fala que a presença dos pais na vida escolar dos seus
filhos favorece bastante seu desenvolvimento escolar, com isso as crianças se
sentem importantes, sentindo-se importantes, despertará a curiosidade em aprender
cada vez mais. Portanto é importante que os pais acompanhem a vida escolar dos
seus filhos.

De acordo com o SUJEITO nº 1 e SUJEITO nº 5 por mais preparados que


estejam escola e professor, jamais supre a ausência da família. Os profissionais da
educação quando vêm mantendo maior contato e dialogando com os pais, torna-se
mais fácil descobrir a necessidade de encaminhar a criança aos profissionais:
Otorrinolaringologistas, Psicólogos, Neurologistas, Oftalmologistas, Psicopedagogos
e Fonoaudiólogos. Confirma o SUJEITO nº 3.

O relato dos SUJEITOS, expressa à disposição da escola em oferecer aos


pais um espaço para melhor compreender a formação dos seus filhos e
consequentemente poder ajuda-los da melhor maneira possível. Também manifesta
a angústia de iniciar um processo de preparação desses pais quando não tem o
retorno dos mesmos, pois os pais participantes eram poucos em comparação a
quantidade de famílias que possuíam seus filhos matriculados na instituição.

3.3 A visão do professor frente ao aluno com dificuldade de aprendizagem

Em questão de número quatro o SUJEITO nº 4 considerou que infelizmente a


participação dos pais na escola, não tem atendido as expectativas dos educadores,
pois, são presenciados casos em que os pais não preocupam com a aprendizagem
do filho, não comparecendo à escola quando solicitados. O mesmo também diz que
o fator social e cultural influencia na dificuldade da aprendizagem do aluno, quando
32

não permite que a criança tenha as condições básicas para se desenvolver da


mesma forma esperada como de qualquer outra criança da mesma idade. Dando
sequência a mesma questão, o SUJEITO nº 1 relatou que infelizmente a cultura é
passada também pela família, e aqueles que não têm o nível social mais favorecido
apresentam desestímulo em buscar conhecimentos independentemente.

O SUJEITO nº 3, respondendo a questão seis, confirmou que o trabalho do


Psicopedagogo mostra a diferença, pois o profissional tem a competência e o
conhecimento que muito contribui para amenizar ou até solucionar as dificuldades
de aprendizagem dos educando. Respondendo a questão sete, o mesmo sujeito
entendeu que não é possível planejar e executar o processo de educação escolar
sem participação da família, pois não se pode separar o aluno do meio familiar para
educá-lo integralmente. Por isso, a educação só será de qualidade e completa
quando a família participar ativamente do processo educativo dos filhos, sendo
parceiros da escola.

No que diz respeito à valorização do saber de um lado os SUJEITOS diz que


os pais parecem não compreender o que a escola ensina, por outro lado os
professores também não expressam o que desejam dos pais. E esse avanço na
relação depende de um ato comunicativo avançado, sem preconceitos formados
uma relação não de igualdade, pois cada instituição possui sua função específica,
mas de parceria no sentido de somar ao processo de aprendizagem dos alunos,
visto ser este o foco tanto da família quanto da escola.

3.4 O Contexto familiar e escolar no desenvolvimento da aprendizagem

Assim concluindo, o SUJEITO nº 2 e o SUJEITO nº 4 citaram que os tipos de


projetos criados e executados junto à família para sanar as dificuldades de
aprendizagem são: “Resgatando os valores da família”; “O dia da família na escola”
e o projeto Cantinho da leitura com o objetivo de ajudar mais no desempenho
escolar do educando.
33

O objetivo do psicopedagogo é o de conduzir a criança ou adolescente, o


adulto à Instituição, a reinserir-se, reciclar-se numa escolaridade normal e saudável,
de acordo com as possibilidades e interesses dela.

Com a finalidade de sanar as dificuldades de aprendizagem, a coordenação


pedagógica tem criado e executado vários projetos que envolvem a participação da
família junto ao aluno com dificuldade de aprendizagem. Por isso é tão importante à
visão psicopedagógico.

Os projetos desenvolvidos busca oferecer uma educação completa ao aluno,


através da participação ativa dos pais, e da necessidade em mostrar aos pais que a
educação deve ser um processo onde eles têm que ocupar o seu lugar, num
processo onde o seu espaço e envolvimento.

A escola oferece no início de cada ano letivo uma palestra para apresentar
aos pais a Escola de seus filhos e deles mesmos, e posteriormente organiza e
convidá-los a participar das oficinas de emoções que surge durante o ano letivo. Na
escola as oficinas acontecem a cada trinta dias, uma vez por mês.

Já o SUJEITO nº 3 e o SUJEITO nº 5 diz que os pais são os primeiros


educadores da criança, quanto a isso não restam dúvidas, e ao longo da sua
escolaridade, continuam a serem os principais responsáveis pela educação e bem-
estar.

Os professores são parceiros insubstituíveis na assunção dessa


responsabilidade. Como parceiros, devem unir esforços, partilhar objetivos e
reconhecer a existência de um mesmo bem comum para os alunos, logo
encarar os pais como rivais é algo que impede a união de esforços e a
partilha e objetivos, tendo graves prejuízos para o aluno (MARQUES 2001,
p.12).

A vivência na escola de uma cultura participativa entre pais/encarregados de


educação e professores depende, em grande parte, da relação que estes
protagonistas desencadeiam e que se torna determinante para o eficaz
desenvolvimento do aluno.
34

A importância da participação dos pais na vida escolar dos filhos tem


apresentado um papel importante no desempenho escolar. O diálogo entre a família
e a escola, tende a colaborar para um equilíbrio no desempenho escolar. O
envolvimento dos pais com a escola deve favorecer a reflexão de diferentes aspetos
pedagógicos e psicológicos dos seus filhos, com vista a melhorar, de modo efetivo, o
seu desempenho escolar.

A importância da participação ativa da família com a escola tem sido alvo de


diversos estudos, tendo em conta fatores como o comportamento dos alunos em
sala de aula e os problemas de adaptação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Criar um espaço em que avance as relações é sempre um desafio, pois, a


não participação vem sempre acompanhada de desculpas como: falta de tempo, de
poder aquisitivo e etc. Tudo isso faz com que o relacionamento entre família e
escola, deixe a instituição ser um fracasso.

Infelizmente, ao analisar a entrevista faz se necessário refletir, sobretudo


como aproveitamento de um avanço sobre a construção de uma participação ativa
de pais na escola. Durante a pesquisa surgiram questionamentos que foram
esclarecidos devido ao foco da pesquisa escola/família: O que de fato faz com que
as famílias sejam participativas da vida escolar dos filhos.

Incentivar a comunidade à participação e mostrar a sua importância também.


Neste contexto em que a democracia, participação é tida como ferramenta para a
35

implementação de uma gestão democrática. Gestão essa que se inicia no interior da


escola, nas relações, nas divisões de responsabilidade.

Esta escola alvo do estudo tenta criar estratégias para lidar com adversidade,
criando interesse e expetativas nos alunos, motivação, respeitando as diferentes
capacidades de aprendizagem de cada um. Isto acontece ao nível das várias aulas
que acontecem fora do horário escolar, em que os professores também eles fora do
seu horário escolar, predispõem-se em dar aulas extras a todos os alunos motivados
e empenhados em aprender e consolidar toda a matéria que foi dada em aulas
anteriores, e aperfeiçoar o método de estudo em todas as disciplinas. Tudo isto, com
a finalidade de ajudar os alunos a adquirirem interesse e proveito de tudo o que se
passa no meio escolar, respeitando as suas diferentes capacidades de
aprendizagem.

É notório que o envolvimento da família no processo educacional da criança


melhora a imagem da escola e o seu vínculo com a comunidade. Tal envolvimento
significa uma educação de sucesso apoiada no binômio escola-família, já que não
se aprende só na escola. Nesta, aprende-se a aprender, mas para aprender o
indivíduo deverá ser estimulado por um meio ambiente favorável, sendo que é na
família que os alunos adquirem os modelos de comportamentos que exteriorizam na
sala de aula.

Outra característica importante destacado pelos autores foi que além da


escola, a família pode exercer um papel importante no incentivo a leitura do
educando, já que tal exercício pode acontecer muito antes da criança saber codificar
e decodificar os signos. Ao ler “o mundo” através das histórias infantis, a criança
pode ir construindo sua identidade e desenvolvendo seu gosto pela leitura; um
hábito importante, e que não precisa ser feito somente pela escola.

Pois se entende que não basta conseguir que a criança somente passe de
ano, é preciso que ela consiga se interagir com o mundo na finalidade de alcançar
seus objetivos de vida. Para que isto aconteça, compete aos professores
estabelecerem com os alunos uma relação afetiva sólida, buscando soluções para
36

seus problemas a fim de conseguirem adquirir uma aprendizagem qualitativa tanto


por meio de seus pais como na escola.

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38

ANEXO

QUESTÕES PARA A PESQUISA.

1. Na sua opinião a não participação dos pais, contribui para as dificuldades do


aluno na aprendizagem?

2. É necessário e importante que os pais procurem ajuda de um profissional sempre


que a dificuldade de aprendizagem parecer relevante, prejudicando a vida do
educando?

3. É necessário trazer, o mais rápido possível, a família não participante, para dentro
da escola?

4. Nestes últimos anos, como está a participação da família na escola. Tem atendido
a expectativa do profissional?
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5. O fator cultural e social das famílias, também contribui na dificuldade de


aprendizagem do aprendente?

6. Nessa Instituição, o trabalho do Psicopedagogo tem ganhado espaço e mostrado


a diferença quanto às dificuldades de aprendizagem?

7. Será possível planejar e executar o processo de educação escolar independente


da questão familiar?

8. Que tipo de projetos têm sido criados e executados junto à família para sanar as
dificuldades de aprendizagem?