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60 XII ANUÁRIO BRASILEIRO DE DIREITO INTERNACIONAL

DIREITO INTERNACIONAL HUMANITÁRIO

INTERNATIONAL HUMANITARIAN LAW

Karla Laryssa De Castro Pereira1

RESUMO

O presente trabalho pretende apresentar o Direito Internacional Humanitário, um


ramo do Direito Internacional Público, sua história, em seu exercício nas guerras e
conflitos armados, por intermédio de uma abordagem histórica, e sua atuação nas
Organizações Internacionais e incumbências elaboradas pela Organização das Nações
Unidas na tentativa e manutenção da paz, do mesmo modo que a atuação do Comitê
Internacional da Cruz Vermelha a partir de sua criação, e as atividades focada na
proteção da pessoa humana em guerras e conflitos armados, como a Missão de
Estabilização das Nações Unidas no Haiti – MINUSTAH, que possui o objetivo de
harmonizar e construir o cenário do país haitiano.

Palavras-chave: Direito Internacional Humanitário – Comitê Internacional da Cruz


Vermelha – Conflito Armado – Brasil – Haiti.

RESUMEN

El presente trabajo tiene como objetivo presentar el derecho internacional


humanitario, una rama del derecho internacional público, su historia, en su ejercicio en
las guerras y los conflictos armados, a través de un enfoque histórico, y su rendimiento
en las organizaciones y las tareas internacionales elaborados por las Naciones Unidas en
la prueba y mantenimiento de la paz, al igual que la labor del Comité Internacional de la
Cruz Roja desde sus inicios, y las actividades se centró en la protección del individuo en
las guerras y los conflictos armados, como la Misión de Estabilización de las Naciones
Unidas en Haití - la MINUSTAH, que tiene el objetivo de armonizar y construir el
ajuste de país de Haití.

Palabras-chave: El Derecho Internacional Humanitario - Comité Internacional de la


Cruz Roja - Los Conflictos Armados - Brasil - Haití.

INTRODUÇÃO

1
*Karla Laryssa de Castro Pereira é estudante no curso de Direito na UCB- Universidade
Católica de Brasília é aluna da pós-graduação em Docência em Educação Superior na Faculdade União
Araruama de Ensino - UNILAGOS.

Anuário Brasileiro de Direito Internacional, ISSN 1980-9484, vol.2, n.23, jul. de 2017.
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O Direito Internacional Humanitário, também é denominado como “Direito de


Guerra” ou “Direito dos Conflitos Armados”, misturam-se com a gênese do próprio
Direito Internacional moderno, uma vez que os vínculos entre Estados eram de caráter
essencialmente militar. DIH é a união de normas que visa a segurança da pessoa
humana, os civis e não-combatentes das hostilidades e restringir os meios e métodos dos
conflitos armados.
Com o desenvolvimento do referido direito e uma codificação cada vez maior do
direito internacional por meio dos tratados, a segurança mundial da humanidade
também passa por avanços e se fraciona para melhor englobar os seus propósitos. Sua
ramificação se dá em três ramos cruciais: O Direito Internacional dos Direitos
Humanos, o Direito Internacional dos Refugiados e o Direito Humanitário
Internacional.
A evolução do Direito Internacional Humanitário, confirma que esse progresso
implicou na expansão das esferas protegidas pelo referido direito e, a partir dele,
também há sua institucionalização, com formação de órgãos, como a Corte Penal
Internacional e a Corte Internacional de Justiça.
Destarte que as assistências humanitárias não governamentais são essenciais
para o referido direito de modo que prestam socorro para vítimas o qual seu Estado
encontra-se em um conflito armado ou em catástrofes naturais, conforme o caso o qual
ocorreu no Haiti em 2010, havendo uma humanização e aplicação do DIH.
O Estado haitiano encara atualmente atribulações sociais, econômicas e políticas
de modo em que aflige toda a civilização, consequentemente coloca o país em uma
conjuntura de evidencia no âmbito internacional. Por um vasto período a ONU tem
empenhado em solucionar essas adversidades preservando uma intervenção no referido
Estado, a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti, determinada pela a
Resolução do Conselho de Segurança da ONU 1542, extinguir com a hostilidade,
impedir sua recorrência e por descontruir o Haiti. O presente trabalho visa ponderar a
problemática da pertinência humanitária como foco no caso haitiano e no esforço da
ONU em reestruturar o Haiti.
No ano de 2010, ocorreu uma catástrofe natural no Haiti, um terremoto o qual
desestruturou o pais. O Estado haitiano é notado pela sua desigualdade, o qual para sair
desta calamidade necessita da ajuda internacional.
Desse intento decorre o seguinte questionamento: As intervenções humanitárias
realizadas pelo Brasil para manutenção e estabilização da paz no Haiti contribuíram
para a resolução dos conflitos internos no país?
O presente trabalho foi realizado por meio de revisão bibliográfica, estudos de
casos e fatos históricos relacionada ao direito nos conflitos armados, garantindo a
proteção da pessoa humana.

1. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO DIREITO INTERNACIONAL


HUMANITÁRIO

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O Direito Internacional Humanitário é o conjunto de normas que surgiu para


proteger os civis e não-combatentes, dos horrores e da desumanidade do conflito
armado, para a minimização da dor causada com a guerra e as incessantes batalhas
propagadas no âmbito internacional (CICCO FILHO, 2015). As intervenções
humanitárias são fundamentais para destacar a proteção do ser humano. Para Cançado
Trindade, o DIH, Direitos Humanos e o Direito Internacional dos Refugiados essas
vertentes visam a proteção da pessoa humana em tempos de paz do mesmo modo que
no período de guerra, em seu território de origem ou distinto.
O Comitê Internacional da Cruz da Vermelho, traz a descrição dos conflitos
armados:
Os conflitos armados internacionais são aqueles em que enfrentam as altas
partes contratantes, que são os Estados. Um conflito armado internacional
ocorre quando um ou mais Estados recorrem à força armada contra outro
Estado, sem importar a intensidade do confronto. As normas internacionais
de Direito Humanitário Internacional podem ser aplicadas mesmo na
ausência de hostilidades abertas (CICV, 2016).

A história do Direito Internacional pode ser traçada a partir de dois


conceitos fundamentais: a paz e a guerra, sendo um muitas vezes definido em função do
outro (JUBILUT, 2007, p.139). Destaca-se que o Direito Internacional Humanitário
corresponde ao “direito da guerra”. Consoante conceito elaborado pelo Comitê
Internacional da Cruz Vermelha – CICV, o Direito Internacional Humanitário se define
como:
As regras internacionais, de origem convencional ou costumeira, que são
esteticamente destinas a regulamentar problemas humanitários decorrentes
diretamente dos conflitos armados, internacionais ou não-internacionais, e
que restringem, por razões humanitárias, o direito das partes no conflito de
empregar os métodos e meios de guerra de sua escolha ou que protegem as
pessoas e bens afetados, ou que podem ser afetados pelo conflito (GASSER,
H-P. 1993. p.4).

As guerras se fizeram presentes na história da humanidade. O Direito


Internacional Humanitário se constituiu em momentos de conflitos armados
internacionais, protegendo as vítimas e bens afetados pela guerra. Ademais, procedeu a
delimitação da soberania do Estado e de seus chefes na gestão das hostilidades e o
reconhecimento da proteção à dignidade humana. Seu desenvolvimento e evolução
implicou na ampliação das categorias protegidas pelo referido direito; a criação de
entidades, como a Corte Penal Internacional e a Corte Internacional de Justiça.

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DIH progrediu à medida que as formas de combate se tornaram mais abstrusas e


as pessoas mais afetadas. No século XIX, os Estados comprometidos em um
determinado conflito ocasionalmente implementavam acordos para proteger as vítimas
das guerras, tais tratados eram apenas válidos em relação ao conflito que pontualmente
o qual foi negociado (ICRC, 2004).
A trajetória do Direito Internacional Humanitário, está associada à Henry
Dunant, cidadão suíço que aos seus 31 anos de vida, em uma jornada que se iniciou na
chegada a Solferino (uma cidade do Norte da Itália), no dia 24 de junho de 1859. Nesse
mesmo dia houve um combate entre as forças armadas Austríaca e Francesa. Deixando-
o horrorizado com a ausência de serviços médicos inapropriados que assegurassem o
tratamento das vítimas.
Quando Dunant, voltou a Genebra em 1862 e publica em seu livro, “Uma
Recordação de Solferino”, o seu testemunho, que se tornou peça essencial nas
indagações dos direitos humanos ao longo do conflito armados dando o início ao Direito
Internacional Humanitário (GDDC, 2015).

Com isso, Dunant buscou a conscientização humana sugerindo duas


ações para amenizar futuras situações do mesmo tipo: a criação de
uma sociedade de socorro privada, que atuaria em conflitos de forma
incondicional; e assinatura de um tratado para permitir essa atuação
(GUERRA,2011, p.35)

Ao tratar do Direito Internacional Humanitário é importante referir o Direito de


Genebra e o Direito de Haia de 1954. Conforme a entidade internacional avançava na
codificação do Direito dos conflitos armados, percebeu-se que houve a necessidade de
delimitar regras de direito aos procedimentos de batalha.
O Direito Humanitário obteve particularidades essenciais no momento em que
começou a conter normas a qual visava a segurança no âmbito internacional de feridos e
doentes na guerra. Destarte que em 1886, em Genebra, originou-se preliminarmente as
normas para a proteção das vítimas nos conflitos armados, uma vez que simboliza o
surgimento do Direito Internacional Humanitário (SWINARSKI, 1996).
O Direito de Genebra foi formado pelas quatro Convenções de Genebra de 1949
e pelos dois Protocolos Adicionais de 1977, sendo incumbido pela codificação do
regimento de proteção a humanidade em caso de guerra, tanto os membros das forças
armadas fora do conflito armado quanto os não-combatentes. A Convenção refere-se a
segurança dos indivíduos quando os Estados utilizam da força como fonte de resolução

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de litígios. Uma vez que o Direito de Haia estabeleceu regras de direito sobre o conflito
armado, é o direito que regulamenta a atuação das operações dos combatentes, direitos e
deveres dos militares envolvidos na conduta de execuções militares e determina os
meios de ferir o adversário (BIERRENBACH, 2011).
O Direito de Haia consta suas regras estabelecidas em suas Convenções de 1899,
mas de natureza igual em algumas normas do Protocolo I adicional às Convenções de
Genebra de agosto de 1949. É o direito baseado essencialmente na Convenção sobre as
leis e os costumes da guerra. Os textos da Convenção de Haia foram emendados na II
Conferência de Paz de Haia, totalizando 13 Convenções referente a leis e costumes dos
conflitos armados (BIERRENBACH, 2011).

Em 1906, a Convenção de 1986 foi ampliada e complementada para


adaptar-se às novas regras das Convenção de Haia de 1889. Depois da
Primeira Guerra Mundial, pareceu necessário ampliar, maus uma vez,
o âmbito do direito humanitário e, em 1929, foi acrescentado à nova
versão da Convenção, referente aos feridos e aos doentes, um novo
tratado para regulamentar juridicamente o estatuto dos prisioneiros de
guerra (SWINARSKI, 1996, p. 19).

As Convenções de Genebra são um agrupamento de tratados o qual delimitam as


normas internacionais referentes ao regulamento do Direito Internacional Humanitário.
Os referidos tratados definem os direitos e deveres dos civís e não-combatentes em
período de guerra (BIERRENBACH, 2011).
As 4 Convenções de Genebra foram revisadas e inovadas tornando os textos
uniformes, quais sejam: A I Convenção de Genebra protege os feridos e doentes das
Forças Armadas em campanha; A II Convenção de Genebra protege os feridos, doentes
e náufragos das Forças Armadas no mar; A III Convenção de Genebra protege os
prisioneiros de guerra; A IV Convenção de Genebra tutela a população civil
(BIERRENBACH, 2011).
Em 1977, foram facultados dois Protocolos adicionais as referidas convenções:
O Protocolo I, que reforça a proteção das vítimas de conflitos armados internacionais e
aplica a definição dos mesmos às guerras de libertação nacional; e o Protocolo II, que
reforça a proteção das pessoas afetadas por conflitos armados internos, completando
assim o 3 comum às quatro Convenções de Genebra (BIERRENBACH, 2011).
O principal órgão patrono desse direito é o Comitê Internacional de Ajuda aos
Feridos que se converteu para o conhecido Comitê Internacional da Cruz Vermelha –

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CICV, o qual surgiu em 1862, a partir de Henry Dunant que, com sua solidariedade,
sacrifício e a entrega a atividade humanitarista, priorizou o cuidado para com as vítimas
das guerras; com o apoio do governo helvético (BIERRENBACH, 2011). Segundo
Monica Teresa,

Na segunda metade do século XIX acontece o que pode se chamar “fato


gerador” do moderno Direito Internacional Humanitário: de nascimento da
CICV. Através da iniciativa de determinados cidadãos e do governo suíços,
catorze delegados de países europeus presentes a uma Conferência
Internacional realizada em Genebra resolveram adotar um corpo de normas
que vincularia os Estados em situações de conflito. (SOUSA, Mônica Tereza,
2007, p.52)

Também há de se notar que segundo informações da Cruz Vermelha, Henry


Dunant teve a intenção de “apaziguar todas as formas de sofrimento humano sem
distinção de nacionalidade, raça, religião, de condição social ou de associação política”
(CROCE ROSSA ITALIANA, 2015).
A Cruz Vermelha amplia essa determinação a cada ação que, de qualquer
aspecto recrute a elevação de seu mecanismo. Sua performance na América do Sul,
América Central e no México tem ponderado comprometimento à supremacia nativa na
ratificação de tratados e convenções internacionais, do mesmo modo que os
fundamentos principiantes subestimados da demasiada impunidade nas ocorrências
tidos como crimes de guerra (CICCO FILHO, 2015).

2. DIREITO HUMANITÁRIO E DIREITO DOS REFUGIADOS

A circunstância jurídica dos refugiados no direito internacional, é um tema com


um vasto interesse na atualidade. Os refugiados são cidadãos forçados a e saírem de seu
pais para outro, devido as circunstancias de hostilidades intensas. Assim, são obrigados
a retirar-se deixando seus bens em virtude do cenário conflituoso, devido a questões,
políticas, econômicas, religiosas entre outros.
O direito a proteção aos refugiados adquiriu uma grande visibilidade no quadro
internacional nos últimos anos, devido à influência dos direitos humanos.
Por intermédio, do desfecho da catástrofe humanitária, a Segunda Guerra
Mundial, deu-se a necessidade da internacionalização dos direitos humanos,
conquistando relevância na ordem internacional através da Declaração dos Direitos
Humanos de 1948 e a ONU, efetivando a universalização dos direitos fundamentais de
proteger a dignidade humana (JUBILUT, 2007).

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Esses direitos essenciais, são aqueles em que todo ser humano é assegurado a
dignidade humana, por intermédio da construção histórica. Para Kant, o “homem, e
duma maneira geral, todo o ser racional, existe como fim em si mesmo”, pois todos os
seres humanos possuem a mesma essência, sendo todos iguais independente de sua
nacionalidade e sua origem cultural.
Amparar os refugiados não se caracteriza apenas como um ato de caridade, mas
uma virtude construída há décadas através de um conceito humanitário. Logo, existem
especificidades pertencente aos direitos do refugiado, sendo somente caracterizada
quando houver violação dos direitos humanos, guerras ou conflitos armados e em um
cenário gerador de refugiados, como ocorre nos Estados que não possuem grande
expressão no âmbito internacional. Assim é dada a concessão de asilo para os
refugiados (JUBILUT, 2007). Consoante Carlos Augusto Fernandes,

O asilo é uma realidade resultante da liberdade do homem e da necessidade


de protege-lo contra o arbítrio e a violência: nasce da revolta, da vingança ou
do crime: é o companheiro da infelicidade, da expiação e da piedade, coevo
do primeiro agregado humano (FERNANDES, 1961, p. 1).

A Declaração Universal dos Direitos do Homem, prevê a respeito do direito de


asilo, assegurando o direito de todo aquele indivíduo que se encontra perseguido em seu
Estado a rogar proteção em outro Estado, portanto não designa a incumbência de um
Estado conceder asilo.
O Brasil é visto com um dos países que mais oferecem asilo, possuído até abril
do presente ano aproximadamente 8.8mil refugiados, de mais 70 nacionalidades
distintas, conforme o balanço do Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE).
O acordo inaugural internacional para tratar das questões essenciais na vida do
refugiado, reconhecendo a emergência de contribuir internacionalmente para solucionar
a dificuldade do refúgio foi a Convenção de 1951 relativa ao Estatuto dos Refugiados.
A Carta Magna de 1988 e o Estatuto dos Refugiados – Lei n°. 9.474 de 22 de
julho de 1997 visa a segurança no âmbito nacional do refugiado. Destarte que o
primeiro Estado na América do Sul que obteve lei especifica em relação aos refugiados
foi o Brasil, demostrando assim seu cuidado em o tema.

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2.1 Diferença entre o Direito Humanitário, o Direito à Guerra e o Direito de Guerra

A intervenção humanitária não é apenas caracterizada pela responsabilidade de


resguardar os Direitos Humanos, todavia visa regular os vínculos dos envolvidos na
presença de guerra por considerações humanitárias (SWINARSKI, 1996).
Destarte, que a aflição e agressividade caudados pelo conflito armado se fez
presente e segue com a história da humanidade, o qual proporcionou a evolução das
normas que definem critérios mínimos no decorrer da guerra (GUERRA, 2011).
O jus as bellum (direito à guerra) consiste no direito de fazer a guerra quando
esta parecer justa, e que, para Santo Agostinho, é aquela que obedece a um
designo divino e também aquela eu vinga injurias ou força a restituição do
que fora devidamente tomado (GUERRA, 2011, p.31).

Jus ad bellum, é uma expressão latina a que se refere ao direito à guerra, o


direito de se envolver ou produzir uma guerra, quando configurar justa causa. Em
contrapartida jus in bello refere-se ao direito da guerra, ao estabelecimento de combater
uma guerra de forma justa, tal direito sendo aplicável na guerra. (REZEK, 2014).
O Direito Internacional Humanitário progrediu em um período em que a
aplicação da força era permitido nas relações internacionais, uma vez que não havia
censura para travar guerras, período este, que os Estados possuíam o direito de fazer
guerra, jus ad bellum. Destarte, o estabelecimento de normas de conduta para os
Estados acatar em uma guerra, não incumbia do Direito Internacional, a lei que impede
guerras, ou o jus in bello. Atualmente, o jus ad bellum fez-se jus contra bellum, pois a
utilização da violência é vetada pelo Direito Internacional (CARTA DA ONU).
Não há previsão na Carta da ONU referente a utilização da violência em uma
intervenção humanitária, o qual o Conselho de Segurança dispõe previamente tal
autorização. Mesmo censuradas as guerras continuam existindo. O Direito Internacional
reconhece o dever de superar tal pratica no cenário internacional, assegurando a
humanidade. Sendo imparcial mantendo os sofrentes sob proteção equivalente.
Tão somente é permitido o uso da força no momento em que os parâmetros do
ad bellum forem executados. Deste modo, a legitima defesa contra o ataque é vista no
âmbito internacional coma causa justa. Consoante Michael Walzer, a guerra sem
evidente ameaça pode ser fundamentada moralmente, caracterizando a justa causa.
Sendo tais exceções a intervenção para revogar os efeitos de uma previa intervenção; a
intervenção precipitada nos casos em que o ataque ameaçar a soberania do Estado e a
integridade do território; na hipótese de caráter representativo, a prestação de assistência

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a movimentos de um grupo de uma entidade maior, especialmente uma entidade


política, do mesmo modo que qualquer organização, união ou aliança militar; e a
intervenção em uma conjuntura em que há violações dos direitos humanos.

2.2 A aplicação do Direito Internacional Humanitário na atualidade

Os motivos o qual originam os conflitos armados na modernidade não são


contrários da antiguidade, são amparados pelos motivos políticos, econômicos,
religiosos, culturais e étnicos. Aumentando sua frequência, e gerando consequências
imediatas, a aflição humana, o dano para os combatentes e não-combatentes,
principalmente para os residentes naquele território em combate.
Após inúmeras guerras, surge a ideia de nova ordem jurídica universal, estando
ligada a política entre os países, uma vez que ocorreu uma proposta de Constituição
Mundial.
A propalada “nova ordem” pereceu prematuramente, tanto por força dos
saltos históricos do início do século XXI – ataques terroristas globalizados;
novas guerras por motivos antigos (disputas por ampliação de poderio
econômico); como também pela recém-revelada instabilidade do regime
neoliberal, presente nos efeitos da crise econômica norte-americana. A era
das certezas foi efêmera – a ordem em construção após a dissolução da União
Soviética, o fim do regime dito socialista, colaborou para que mais
rapidamente fossem diluídas. (TEIXEIRA, 2013, p.29)

Destarte, que a consciência internacional traz os direitos ligados aos direitos


humanos, como o princípio da dignidade da pessoa humana entre outros e na busca pela
manutenção da paz. Ressalta-se que o Estado é incumbido de representar os interesses
do indivíduo no cenário internacional. A vista disso é manifesta a importância dos
organismos internacionais, posteriormente a DUDH sendo estabelecido as normas
universais. Consoante Noberto Bobbio,

Somente depois da Declaração Universal é que podemos ter a


certeza histórica de que a humanidade – toda a humanidade –
partilha alhuns valores comuns; e podemos finalmente crer na
universalidade dos valores, no único sentido em que tal crença é
historicamente legitima, ou seja, no sentido em que universal
significa não algo dado objetivamente, mas algo subjetivamente
acolhido pelo universo dos homens (p.18)

Nesse sentido, observamos a análise da composição de uma nova ordem


internacional, visando a transposição da sociedade, uma vez que no século XXI,
deveram ser encaradas alguns aspectos para a reorganização da sociedade tais como os

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conflitos armados, terrorismo e as catástrofes naturais. Ressalta-se que no último século


o DI progrediu no objetivo da realização de textos de direitos humanos, nos
desenvolvimentos de organizações internacionais para debater determinados assuntos
específicos, como a exemplo a OMS – Organização Mundial da Saúde, OIT-
Organização Internacional do Trabalho, OMC – Organização Mundial do Comercio,
entre outras; não obstante para adquirir a eficácia completa, é necessário fragmentar da
predominante visão do Direito Internacional (TEIXEIRA, 2013).

3. A PARTICIPAÇÃO DO BRASIL NA INTERVENÇÃO HUMANITÁRIA NO


HAITI
Ao tratarmos de intervenção, cogitamos também o emprego da força militar. Há
doutrinadores o qual alegam a intervenção de outro Estado em conteúdos domésticos
uma intervenção, uma vez que para Eric Heinz a intervenção humanitária é distinta da
ajuda humanitária, manifesta como:

the use of military force by a state or group f states in the jurisdiction of


another state, without its permission, for the primary purpose of halting or
averting egregious abuse of people within that state that is being perpetrated
or facilitated by the de facto authorities of that state (HEINZE, 2009, p.7).2

Percebe-se que há um fundamento integro para países afligidos com uma


divergência interna para a intervenção humanitária, uma vez que há transgressões aos
direitos sociais, econômicos e políticos. Heinz afirma que:
In the context of humanitarian intervention, the relevant societal need is
morally defined, but must be accompanied by a sense of legal obligation if
states and international actors are to behave with a reasonable amount of
predictability when contemplating the use of force for humanitarian purposes
(HEINZ, 2009, p.59). 3

Para o referido autor é impensável tratar de uma intervenção humanitária sem


referir a ONU, uma vez que vincula o direito com os princípios morais, concretizando
atos por intermédio das operações de manutenção de paz.

2
Tradução Livre: O uso da força militar por um estado ou grupo de estados na jurisdição de
outro estado, sem a sua permissão, com o objetivo primário de parar ou evitar abusos flagrantes de
pessoas dentro desse estado que estão sendo perpetrados ou facilitados pelas autoridades de fato de esse
estado.
3
Tradução Livre: No contexto da intervenção humanitária, a necessidade societária relevante é
moralmente definida, mas deve ser acompanhada de um senso de obrigação legal se estados e atores
internacionais se comportarem com razoável previsibilidade ao contemplar o uso da força para fins
humanitários.

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Ao desfecho de 2003 a 2004, o Brasil tomou a decisão de participar da nova


missão às Nações Unidas no Haiti, havendo uma aliança com o Departamento de
Operações de Manutenção da Paz – DPKO, o qual o país reintegraria o comando militar
da operação de paz. Em nenhum momento o Brasil enfrentou uma oportunidade como o
desafio proposto pela Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti –
MINUSTAH (HAMANN. 2015).
A MINUSTAH foi criada em 1 junho de 2004 pelo Conselho de Segurança da
resolução 1542. A missão da ONU conseguiu uma Força Provisória Multinacional -
MIF autorizada pelo Conselho de Segurança em fevereiro de 2004 depois que o
presidente Bertrand Aristide partiu para o exílio no Haiti no rescaldo de um conflito
armado que se espalhou por várias cidades em todo o país (PEÑA GHISLENI, 2011).
Por intermédio da referida resolução do Conselho de Segurança, a ONU
possibilitou o envio da MINUSTAH, em abril de 2004 para assegurar uma esfera
estável e segura evitando a reincidência do conflito, por meio do restabelecimento e a
preservação da proteção a população e a preservação do estado de direito,
essencialmente através da assistência da Policia Nacional haitiana e do amparo dos
direitos humanos.
O devastador terremoto de 12 de janeiro de 2010, que resultou em mais de
220.000 mortes (conforme dados do governo haitiano), incluindo 96 soldados da ONU,
e deixando um grande número de vítimas o qual necessitavam da ajuda humanitária, foi
um duro golpe para a economia já abalada do país em sua infraestrutura. O Conselho de
Segurança, pela resolução 1908, de 19 de janeiro de 2010, endossou a recomendação do
Secretário-Geral para aumentar os níveis de forças globais da MINUSTAH para apoiar
os esforços imediatos de recuperação, reconstrução e estabilidade no país (ONU, 2015).
No momento do terremoto, a Missão da ONU aumentou sua capacidade
devido ao tamanho da devastação no Haiti e ao efeito que essa catástrofe
teve, não apenas na capacidade do governo de responder a ela, mas também
em todas as instituições que foram gravemente afetadas. Um terço dos
funcionários públicos morreu e houve uma pressão enorme sobre alguns
serviços, como o de saúde”, explicou a chefe da Missão da ONU para a
Estabilização no Haiti (MINUSTAH), Sandra Honoré (ONU, 2016).

Após a consumação das eleições presidenciais em 2011, a MINUSTAH tem se


empenhado com a finalidade de realizar o seu mandato original: tornar um ambiente
seguro e estável; promover o processo político; fortalecer as instituições do Governo e

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do Estado de Direito do Haiti, bem como promover e proteger os direitos humanos


(ONU, 2015).

3.1 A Missão De Estabilização Das Nações Unidas No Haiti – MINUSTAH

Tendo em vista a situação turbulenta que originou a MINUSTAH, o Governo


interino estabelecido após a saída de Jean- Bertrand Aristide recebeu intenso apoio, de
forma que a operação consolidasse o processo constitucional e político necessários à
estabilização democrática haitiana.
Nessa perspectiva, a MINUSTAH exigindo esforços da comunidade
internacional apela à Organização dos Estados Americanos - OEA, a Comunidade do
Caribe - CARICOM e instituições financeiras internacionais, com intuito de coordenar e
cooperar com o Governo de Transição, bem como facilitar a oferta na assistência
humanitária e acesso de trabalhadores humanitários para haitianos necessitados
(SECURITY COUNCIL, 2004).
Assim, o Capítulo VII da Carta das Nações Unidas, estabelece seguimentos e
objetivos a MINUSTAH, cuja previsão encontra-se no parágrafo 7º da Resolução
1542/2004, vejamos:
Nesse quesito, a operação é responsável por:
(a) Auxiliar o GT nas tarefas de monitoramento, restruturação e reforma da
PHN;
(b) Auxiliar o GT e, em especial a PHN, na condução de programas de
Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) para todos os grupos
armados;
(c) Auxiliar o GT e a PHN ao controle de armas, no estabelecimento de
medidas de segurança pública, no restabelecimento de um sistema prisional e
na proteção de civis sob ameaça de violência física;
(d) Contribui para a restauração e a manutenção da lei, da ordem e da
segurança pública no país;
(e) Proteger instalações e equipamentos da ONU;
(f) Garantir a segurança e a liberdade de movimento do pessoal da ONU
em território haitiano. (CORBELLINI, 2009, p.104 e 105).

O enfoque da Missão era, sobretudo, promover a segurança e o processo


político, uma vez que as violações de direitos humanos é consequência da instabilidade
política e da debilidade do setor de segurança do país. Assim, devido a constante
instabilidade política que perpetuava o governo transitório, coube a Juan Gabriel Valdés
– primeiro Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas no Haiti- a
tarefa de melhorar o diálogo entre diversos partidos políticos do país e grupos
paramilitares que os ocupavam (CORBELLINI, 2009).

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72 XII ANUÁRIO BRASILEIRO DE DIREITO INTERNACIONAL

Desta feita, logo após a realização das eleições em 2006, a prioridade sopesada
passou a ser a questão da segurança, o que logrou na contenção da violência
generalizada e garantia da manutenção da segurança alcançada. As operações foram
guiadas por Edmond Mulet – segundo Representante Especial do Secretário-Geral das
Nações Unidas no Haiti- que assumiu esse posto desde maio de 2006 a agosto 2007, e
atuou com vistas à criação e fortalecimento das institution building e da ordem jurídica
(CORBELLINI, 2009).
Destarte, a composição inicial do denominado Core Group, grupo de países
criado quando estabelecido a Força Interina Multinacional, operaram na Missão de
Estabilização das Nações Unidas do Haiti atuando fundamentalmente no sentido da
“manutenção de um ambiente seguro e estável no Haiti, além de realizar trabalhos no
sentido de melhorar as condições de comunicação e infraestrutura, saúde pública e
construção civil do país, tudo por meio de seus contingentes militares”. Depois, com a
autorização da MINUSTAH, o Brasil e a Argentina juntaram-se ao grupo de países que
lideraram a missão (CORBELLINI, 2009, p.122).
É evidente que a participação Brasileira já nos trabalhos preparatórios da
declaração universal dos direitos humanos, mostrava-se em defesa à adoção de garantias
eficazes quanto ao direito tutelado. Deste modo, o país procurou, na organização das
Nações Unidas, exercer coletivamente a sua política externa, o que levou o país a
contribuir com as missões de paz (ARTIAGA, 2012).
Logo no início da Resolução 1529 de 2004, que institui a Força Multinacional
provisória, houve apoio brasileiro em prol da intervenção humanitária, contudo o país
não aceitou participar efetivamente da operação alegando que o Capitulo VII Carta das
Nações Unidas, o qual fundamentava a missão, contraria a tradição da política externa
brasileira, uma vez que existe a imposição da paz e o governo brasileiro declarava-se
contra ao uso da força militar na operação humanitária.
Entretanto, em detrimento da validade da Resolução 1542 - que faz referência ao
Capitulo VII da Carta das Nações Unidas somente no parágrafo 7º, o que indicaria que
apenas esse parágrafo é baseado neste Capitulo, e não toda a Resolução -, o Ministério
das Relações Exteriores em 2004 manifestou sobre a participação brasileira que
ocorreria em decorrência do entendimento da manutenção e estabilização da paz, como
podemos observar:

Anuário Brasileiro de Direito Internacional, ISSN 1980-9484, vol.2, n.23, jul. de 2017.
Direito Internacional Humanitário 73

A preocupação com a paz e a injustiça social reflete-se no compromisso do


governo Lula com os esforços das nações unidas no Haiti. Nossa principal
motivação ao assumir a liderança das forças de estabilização (MINUSTAH)
foi a de evitar que o Haiti, a primeira republica negra do mundo, caísse no
abandono, em um círculo vicioso de instabilidade e conflito. Trata-se de uma
operação de estabilização diferente das anteriores, que no nosso
entendimento, de assentar-se sobre o tripé: a promoção da estabilização; o
diálogo entre as diversas facções políticas; e a capacitação institucional,
social e econômica do país. Não haverá reconciliação e paz no Haiti se não
adotamos essa perspectiva integrada (ARTIAGA, 2012, p.85).

Nesse sentido, a decisão brasileira de participar e liderar a Operação de


Manutenção da paz no Haiti é interpretado tendo em vista a generalização do contexto
geral da política internacional pós-década de 90. Todavia, muito se critica tal operação,
pois, de fato tornou-se claro o uso das forças militares para a imposição da
MINUSTAH, que apesar do comando brasileiro insistir que não era uma tropa de
ocupação.
O mandato da MINUSTAH, já era a quinta missão da ONU nos últimos dez
anos (entre 1994 e 2001, houve outras quatro intervenções não bem sucedidas) e ficou
claramente definido como de Capítulo VII, o Conselho de Segurança das Nações
Unidas já havia se posicionado através da Resolução 1296 (2000), no sentido de
enfatizar a relevância da proteção de civis como elemento central de mandatos de
missões multidimensionais, concedendo ao Componente Militar, detentor do monopólio
do uso da força no terreno, o uso da força em autodefesa e em defesa do mandato, o que
facultava o emprego de meios, técnicas e táticas ofensivas para a implementação dos
objetivos da missão (HAMANN, 2015).
Destarte, uma intervenção humanitária nesses moldes certamente requerer uma
revisão da diplomacia brasileira, visto que, é norma de Direito Interno no país o respeito
ao Direito Internacional; a não intervenção nos assuntos internos dos Estados e a defesa
da solução pacífica de controvérsias.
Obviamente esse posicionamento teve relação com a intenção brasileira de um
assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, que desde a sua criação, o
Brasil reivindicava assento permanente. Contudo, ainda que tenha participado muitas
vezes como membro não-permanente, a partir do seu retorno aos organismos
multilaterais, ao longo da década de 1990, o país passou a compreender sobre a
necessidade da presença no Conselho. Consequentemente, o Brasil intensificou a sua
participação nas missões (ARTIAGA, 2012).

Anuário Brasileiro de Direito Internacional, ISSN 1980-9484, vol.2, n.23, jul. de 2017.
74 XII ANUÁRIO BRASILEIRO DE DIREITO INTERNACIONAL

Percebe-se uma nova postura internacional brasileira, salientada por sua


acelerada e intensa aproximação política e econômica com a América Latina, nas quais
era prioridade para o governo Brasileiro. Igualmente, a Constituição Federal de 1988,
em seu artigo 4°, prevê: “buscará a integração econômica, política, social, cultural dos
povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino americana de
nações”.
Portanto, a liderança do Brasil na MINUSTAH parecia uma oportunidade de
“grande visibilidade política em uma região de grande prioridade de política externa
brasileira, que poderia alavancar, ou pelo menos, legitimar, de certa forma, a desejada
liderança brasileira na América do Sul” (DINIZ, 2005, p.100).
Em todo o histórico da participação brasileira em operações de paz da ONU, é
novidade para o Brasil o desafio proposto pela MINUSTAH, o de preparar-se
adequadamente para atuar com um batalhão de infantaria em uma intervenção
humanitária a ser conduzida sob os ditames de um mandato de Capítulo VII da Carta da
ONU.
Todavia, como resposta ao empenho da intervenção, a vigência da MINUSTAH
demonstrou de maneira eficaz a queda da violência, a qual favoreceu no fortalecimento
das instituições nacionais, além de garantir um ambiente seguro e estável (HAMANN,
2015).
O auge da MINUSTAH foi em 2010, onde obteve cerca de 8.940 militares,
4.391 policiais e mais de 1.500 civis. O orçamento da MINUSTAH – estimado em US$
576.619.000 para 2013 a 2014 – permitiu que a missão tivesse a principal repercussão
internacional no país. Mesmo os críticos mais duros acreditam que a MINUSTAH
contribuiu para a redução geral de vários tipos de violência e desordem no Haiti desde
2004. A MINUSTAH também ajudou a equipar a PNH e parece estar no caminho para
alcançar a meta do governo de 15 mil policiais até 2016 (HAMANN, 2015).

3.2 Ações humanitárias para o Haiti

Desde seu estabelecimento, a Missão de Estabilização das Nações Unidas foi


bem-sucedida em alguns de seus objetivos, porém não conseguiu fazer frente a certas
dificuldades. Em vista ao panorama da intervenção humanitária no Haiti, havia a
previsão de continuidade com operações de manutenção da paz das Nações Unidas,

Anuário Brasileiro de Direito Internacional, ISSN 1980-9484, vol.2, n.23, jul. de 2017.
Direito Internacional Humanitário 75

prestando zelar pela paz e segurança internacionais e também servir como ferramenta
para a proteção dos direitos humanos (FAGANELLO, 2013).
Neste ponto, a comunidade internacional, Security Council (2004) fundamenta e
analisa a inserção dos direitos humanos como parte integrante das peacekeeping
operations da ONU:
that peace and security, development and human rights are the pillars of the
United Nations system and the foundations for collective security and well-
being. We recognize that development, peace and security and human rights
are interlinked and mutually reinforcing.4

Nesse sentido, impende destacar que os direitos humanos integram, hoje, o core
business das operações de manutenção da paz multidimensionais, tendo sua previsão
expressa nos mandatos do Security Council Resolução 1542, atestando a implementação
no decorrer da MINUSTAH sobre: a proteção de civis; a promoção e proteção dos
direitos humanos, em especial de mulheres e crianças; o monitoramento da situação dos
direitos humanos no país; bem como a investigação de violações desses direitos, entre
outras (FAGANELLO, 2013).
O papel da MINUSTAH em conduzir bons ofícios, em apoio ao Governo
Transitório, designou, naquele momento, uma comissão de 12 membros de diversos
setores da sociedade e de grupos políticos, a fim de promover o diálogo nacional e a
reconciliação, além de a curto prazo a realização de eleições livres e justas, com a
criação do Código de Conduta Ética, que apesar de não ser vinculante, apontava para o
comprometimento de seus signatários (CORBELLINI, 2009).
Assim, logo que eleito em 2006 o presidente René Préval convocou a sociedade
haitiana para participar de debates sobre a realidade do país, de forma a traçar
estratégias para o crescimento do Haiti e para a redução dos níveis de pobreza. De modo
geral, a cena politica se manteve estável desde as eleições presidenciais.
(CORBELLINI, 2009).
Com o restabelecimento de um ambiente seguro, a MINUSTAH programou
projetos de reconstrução do setor de segurança intensificando o papel de prevenção de
crimes praticados por grupos armados.
Aprovada a Resolução 1702 de 2006 pelo Conselho de Segurança, requisitou-se
aos Estados-membros o fornecimento de policiais civis para o treinamento da Policia

4
que a paz e a segurança, o desenvolvimento e os direitos humanos são os pilares
do sistema das Nações Unidas e os alicerces da segurança colectiva e bem-estar. Nós
reconhecemos que o desenvolvimento, a paz e a segurança e os direitos humanos estão
interligados e se reforçam mutuamente

Anuário Brasileiro de Direito Internacional, ISSN 1980-9484, vol.2, n.23, jul. de 2017.
76 XII ANUÁRIO BRASILEIRO DE DIREITO INTERNACIONAL

Nacional Haitiana - PNH, apresentando o Plano de Reforma da Policia Nacional


Haitiana, estratégia, com base em experiências nacionais e internacionais:
(1) Aumentar sua capacidade por meio do provimento de recursos técnicos e
materiais;
(2) Determinar padrões a serem aplicados aos policiais utilizando-se de ações
disciplinares e/ou de treinamento quando tais padrões não forem alcançados;
(3) Dar início a um mecanismo de planejamento do desenvolvimento para
PNH, com apoio da MINUSTAH e de parceiros internacionais;
(4) Desenvolver planos de treinamento de policiais e capacitar a PNH a
promover esse treinamento;
(5) Desenvolver capacidade administrativa e de gerenciamento para o
desenvolvimento da PNH;
(6) Estabelecer um programa institucional que possibilite o alcance das
habilidades, capacidades e padrões desejados; (CORBELLINI, 2009).

Segundo Faganello, após anos de desdobramento da MINUSTAH, “muito


embora uma operação de manutenção da paz seja indispensável para prover a
estabilidade e a segurança – condições básicas para que o governo do país se organize e
passe a apresentar resultados –, sua permanência não pode prolongar-se
indefinidamente”. A autora explica que, quando não há resultados palpáveis na melhoria
de vida, inicia-se um processo de desgaste que pode levar a população a questionar a
presença da intervenção humanitária (FAGANELLO, 2013, p.278).
São notórios os avanços obtidos com a MINUSTAH, o Departamento de
Operações de Manutenção da Paz que considerava como uma das Missões mais exitosas
e hábeis em resolver problemas e avançar um processo político sob a proteção
proporcionada por um ambiente estável e seguro, porém o terremoto de 2010 devastou o
país.
deixando cerca de 158 mil pessoas mortas e milhões de deslocados,
aproximadamente 25% da PNH foram considerados não operacionais, mais
de 80 edificações foram destruídas e centenas de oficiais e técnicos do
judiciário foram mortos ou ficaram machucados. Dos cerca de US$ 10
bilhões solicitados logo depois do terremoto, menos de 10% chegou a ser
efetivamente gasto nos quatro anos subsequentes (HAMANN, 2015, p.12).

De fato, o terremoto ocasionou grandes mudanças no plano estratégico do Haiti


que estava se reestruturando economicamente e passou a abordar enfaticamente técnicas
e táticas para contornar a situação. “O Brasil rapidamente enviou um segundo batalhão
de infantaria para apoiar a coordenação da ajuda humanitária emergencial e,
simultaneamente, restabelecer a estabilidade e a segurança em Porto Príncipe”.
(HAMANN, 2015, p.19).

Anuário Brasileiro de Direito Internacional, ISSN 1980-9484, vol.2, n.23, jul. de 2017.
Direito Internacional Humanitário 77

Hoje, a operação iniciada há 12 anos está em reta final, uma vez que a
MINUSTAH será concluída em outubro de 2016. Desta forma, o Conselho de
Segurança em atenção à manutenção da paz não pulseou a total retirada do efetivo
militar, mas a sua redução até o seu último dia. Porquanto, a capacitação das instituições
haitianas foram fundamentais para que a redução e a eventual retirada da missão
ocorresse sem maiores sobressaltos e perda dos esforços conquistados, além do Brasil
propor manter-se firme no compromisso com a estabilidade, com a segurança e com o
desenvolvimento do Haiti.
A ONU já elaborou já algumas opções para o que deverá ocorrer depois de 2016.
Uma delas poderá envolver o fim do mandato de manutenção da paz e a designação de
um Enviado Especial da ONU. Já em segundo plano, com o término do mandato de
manutenção da paz, a ONU pretende criar uma missão política para apoiar
especificamente a PNH, que agora já tem capacidade de lidar com as necessidades
nacionais de segurança (HAMANN, 2015).

3.3 Os impactos sociais, políticos e econômicos frente à crise de 2004

O contexto de crise social, política e econômica, culminado ao período de


insurgência evidente à ditadura dos anos entre 1957 e 1986, foram essencialmente
determinantes na desestruturação do Haiti. Os Longos anos de violência provocaram
não somente danos materiais, mas a desintegração das instituições e a polarização das
forças sociais (CORBELLINI, 2009).
Neste caso, a sociedade internacional diante da incapacidade do Estado de
garantir a proteção das pessoas, fica responsável de resguardar esse direito pela cena da
intervenção humanitária. De tal modo, constrói-se uma percepção acerca da necessidade
de intervir militarmente para se proteger os direitos humanos (ARTIAGA, 2012).
Sendo assim, a intervenção humanitária tem caráter coercitivo, ainda que a
finalidade se prolongue em prevenir ou cessar as violações de direitos humanos. Como
bem definido a seguir:
é uma ação coercitiva, com uso da força armada em determinado Estado, sem
seu consentimento, com ou sem autorização do Conselho de Segurança da
ONU, com finalidade de prevenir ou cessar as violações massivas de direitos
humanos ou de Direito Internacional Humanitário (BATISTA, 2011, p.34).

A comunidade internacional passaria a violar os pilares da teoria geral do


Estado, como exemplo o princípio de não intervenção nos assuntos internos, em face da

Anuário Brasileiro de Direito Internacional, ISSN 1980-9484, vol.2, n.23, jul. de 2017.
78 XII ANUÁRIO BRASILEIRO DE DIREITO INTERNACIONAL

supremacia da proteção dos direitos humanos e segurança internacional, direitos esses


indissociáveis. Com essa perspectiva, a década de 90 representou um período de
profundo debate acerca da Proteção Internacional dos Direitos Humanos, de maneira
que o programa de desenvolvimento das Nações Unidas - UNDP apresentou em 1994
no relatório anual as novas dimensões da segurança humana (ARTIAGA, 2012).
Noutro ponto, os resquícios condicionantes internos e externos constantes no
final do século passado e o início do século atual ajudam a compreender o quadro do
Haiti, no qual encontrados presentes os aspectos relevantes supracitados para a
configuração da intervenção humanitária, além da desintegração do Estado, momento
em que segundo a Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas certamente
incitou a adoção de todas as medidas possíveis, o que gerou quatro intervenções
humanitárias autorizadas pelo Conselho de Segurança.
A primeira delas foi a Missão das Nações Unidas no Haiti, que iniciou suas
operações em setembro de 1993 e permaneceu no país até junho de 1996, ocorreu
devido a deposição do Presidente e Golpe de Estado perpetrado por setores do exército
em 1991, tinha como finalidade recolocar Jean-Bertrand Aristide, legitimamente eleito,
no poder. Porém, como não contava com a cooperação das autoridades militares
haitianas, a operação não logrou êxito. Sendo Aristide reconduzido à presidência pela
força Multinacional de paz (CORBELLINI, 2009).
Por conseguinte, em julho de 1996 a Organizações das Nações Unidas enviou a
segunda operação de paz ao Estado, conhecida como a Missão de Suporte das Nações
Unidas no Haiti -UNSMIH, com o objetivo de auxiliar a Organização em seus esforços
para promover a reconciliação nacional e a reabilitação econômica do país.
Contudo, diante da corrupção e violência policial, houve a iminente
restruturação do regime tirano, substituindo a UNSMIH pela Missão de Transição das
Nações Unidas no Haiti - UNTMIH, a qual auxiliava na profissionalização desses
policiais. Assim, com o mesmo objetivo e a fim de prolongar a durabilidade da
operação UNTMIH, foi criada a Missão de Policia Civil das Nações Unidas do HAITI
(MIPONUH), que permaneceu em território haitiano de dezembro de 1997 a março de
2000. (CORBELLINI, 2009).
Todavia, a presença de muitos militares estrangeiros contribuiu para o círculo
conflituoso, principalmente pelo fato de existirem grupos armados contra o regime, o

Anuário Brasileiro de Direito Internacional, ISSN 1980-9484, vol.2, n.23, jul. de 2017.
Direito Internacional Humanitário 79

que desmobilizou ainda mais o povo. Assim, o país que politicamente encontrava-se
instável, ensejava uma possibilidade de guerra civil. Os países vizinhos, preocupados
com a preterição dos direitos sociais e sobre uma possível guerra, buscaram junto à
Comunidade do Caribe - CARICOM um meio de diálogo entre o governo e a oposição.
(CORBELLINI, 2009).
Neste ponto, o ápice da crise política em 2004 sucedeu no ressurgimento de
bandos armados que buscavam derrubar o governo local, o que devido a opressão
acabou acontecendo, Aristide renunciou em fevereiro de 2004. Dessa forma a
intervenção humanitária autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas -
CSNU se fez necessária à medida que a fraqueza estatal e seus resultados mais
pungentes eram catastróficos.
Consequentemente a Organização das Nações Unidas criou, por meio da
resolução 1542 de 2004, a Missão de estabilização das Nações Unidas no Haiti -
MINUSTAH, com fundamento no Capitulo VII da Carta das Nações Unidas, a situação
representava uma ameaça à paz e à segurança internacional.
Noting the existence of challenges to the political, social and economic
stability of Haiti and determining that the situation in Haiti continues to
constitute a threat to international peace and security in the region,
1.Decides to establish the United Nations Stabilization Mission in Haiti
(MINUSTAH), the stabilization force called for in resolution 1529 (2004),
for an initial period of six months, with the intention to renew for further
periods; and requests that authority be transferred from the MIF to
MINUSTAH on 1 June 2004; (SECURITY COUNCIL, 2004).5

Frente à deterioração política e o quadro de violência generalizada,


primordialmente os eixos basilares enunciados que compõem a resolução 1542/2004
são: segurança, processo político e direitos humanos. Nesse bojo, percebe-se que as
Nações Unidas com o objetivo de garantir a proteção dos direitos humanos, busca na
intervenção humanitária o reconhecimento da supremacia da manutenção da paz em
detrimento do princípio da soberania. De modo que existe previsão para o uso da força
visando a proteção dos direitos humanos mediante autorização do Conselho de
Segurança (Security Council).

5
Notando a existência dos desafios para a estabilidade política, social e econômica
do Haiti e determinar que a situação no Haiti continua a constituir uma ameaça à paz e
segurança internacionais na região,
1.Decide estabelecer a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH),
a força de estabilização exige a Resolução 1529 (2004), por um período inicial de seis meses,
com a intenção de renovar por mais períodos; e solicita que a autoridade ser transferidos a
partir da MIF para a MINUSTAH em 1 de Junho de 2004; (CONSELHO DE SEGURANÇA,
2004).

Anuário Brasileiro de Direito Internacional, ISSN 1980-9484, vol.2, n.23, jul. de 2017.
80 XII ANUÁRIO BRASILEIRO DE DIREITO INTERNACIONAL

A carta das Nações Unidas, conhecida também como carta de São Francisco,
augura evitar que as gerações futuras presenciem a guerra. Nesse sentindo, Corbellini
(2009), corrobora com a percepção de que “a manutenção da paz e da segurança
internacional constituem o primado da ONU, estando suas formas de perpetuação
descritas na Carta, através do que se entende por um sistema de segurança coletiva”.
Trata-se dos artigos 39, segundo o qual cabe ao Conselho de Segurança
determinar a existência de ameaças à paz ou rupturas da paz, ou de atos de
agressão, bem como as medidas que devem ser tomadas frente a essas
situações; 43, que determina que todos os membros da ONU coloquem à
disposição do Conselho de Segurança forças armadas, assistência e recursos
necessários para a manutenção da paz e da segurança internacionais; e 45 que
obriga os Estados-membros da Organização a colocarem seus contingentes
nacionais da força aérea à disposição para ações internacionais onde o uso da
força se faz necessário. (CORBELLINI, 2009, p.61).

Por fim, o autor faz referência aos artigos 23 e 24 da carta, onde consta a
implementação do Conselho de Segurança - que é composto por quinze Estados-
membros da ONU- e a responsabilização deste pela manutenção da paz e a segurança
internacional.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Direito Internacional Humanitário, consiste no fato de proteger os não-
combatentes dos conflitos armados assim como os civis em tempos de guerra, para
reduzir o sofrimento provocado pelo conflito armado. As intervenções humanitárias são
cruciais para evidenciar a proteção do ser humano.
É de extrema importância mencionar no surgimento do DIH, o cidadão suíço que
através de sua indignação e seus registros de uma jornada, o qual se prontificou a ajudar
os envolvidos no conflito armado, devido à ausência da aplicação dos direitos humanos
durante as hostilidades.
Destarte, que a evolução de Direito Internacional Humanitário se dá a evolução
de seu principal órgão patrono o Comitê Internacional da Cruz vermelha. Sua atividade
em benefício das partes que estão envolvidas em guerra, e a referencias de suas
incumbências legais estão previstas nos tratados, assim como nas Convenções de
Genebras, nos Protocolos adicionais e na Convenção de Haia.
É indispensável tratar de DIH faz menção ao Direito dos Refugiados, de modo
que a problemática dos refugiados é um dos temas com um vasto interesse no cenário

Anuário Brasileiro de Direito Internacional, ISSN 1980-9484, vol.2, n.23, jul. de 2017.
Direito Internacional Humanitário 81

internacional, devido as circunstâncias a qual conduzem um refugiado a migrar,


inúmeras dessas circunstâncias envolvem o descumprimento dos direitos humanos.
A progressão do referido direito, assegura os avanços da segurança mundial da
humanidade, de modo que são essenciais as ajudas não governamentais, assim
concedem socorro para os desamparados, vítimas de catástrofes naturais ou de guerra
declarada em seu país, como ocorreu no Haiti no ano de 2010 e permanece até os dias
atuais.
O cenário do Estado haitiano é um reflexo do período de conflitos políticos,
econômicos, étnicos e culturais, o qual tem durado desde sua independência, há mais de
200 anos. De modo que as tais intervenções humanitárias são fundamentais para
tentativa de restabelecimento da ordem e da paz do país.
Conforme a análise do caso, diante da inépcia do Estado para assegurar o
amparo da população, a comunidade internacional se responsabiliza em proteger esse
direito devido ao cenário da intervenção humanitária. Assim, é concebida uma
percepção visando a necessidade de uma interferência militar com o objetivo de
proteger os direitos humanos.
Apesar dos dilemas humanos que Haiti enfrenta, também passa por situações
adversas como problemas naturais. No início do ano de 2010 ocorreu um terremoto o
qual abalou todo o país, desfazendo da progressão que a MINUSTAH havia alçando.
Esse desastre, expôs diversos defeitos na operação de manutenção de paz, a qual não
existia, como um projeto emergência visando prestar socorro a possíveis indivíduos
atingidos pela catástrofe natural, destarte que o Estado haitiano é impactado todos os
anos com calamidades naturais. Assim é essencial a correção dos problemas
encontrados, para que a intenção da comunidade internacional e a ONU de preservar a
segurança e a paz internacional sejam cumpridas.

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