Você está na página 1de 2

Aula 1 – História e seus significados

Escola Metódica – Historiador francês Fustel de Coulanges – Positivista – defende


o progresso humano, a impessoalidade na pesquisa, a adoção de um número grande de
documentos históricos e de documentos oficiais e ênfase nos acontecimentos políticos,
guerras e heróis.

Escola dos Annales ou nova escola – contra a idéia de progresso humano, ênfase na
documentação involuntária e na análise do momento histórico estudado, atenção às
circunstâncias sociais e econômicas que perduraram no momento histórico estudado.
Esta frase define o que a introdução da apostila nos propõe, isto é, o homem só é o que é
quando em relação com o mundo e, portanto, com os outros homens. Pois a natureza do
homem é a relação que este tem com os outros homens.

O homem é um animal político – Aristóteles

História – um homem sem conhecimento da suas relações com o mundo e com os


outros homens é um homem sem história, já que é a história que registra e permite que o
homem conheça aquilo do qual ele participa atualmente, mas não vivenciou.

O registro e o documento são as condições de possibilidade da história – segundo a


apostila, a nossa própria condição de homem depende dos registros e documentos que
fazemos durante nossa vida.

Heródoto – por volta de 480 a. C. até 420 a. C. - conhecido como Pai da história

Heródoto viajou por vários territórios e fez relatos sobre o que via nestes lugares. O que
testemunhava se tornava o que denominamos hoje de registro ou documento histórico
em suas mãos. Evidentemente que a metodologia neste momento não era tão rigorosa,
mas Heródoto ao explicar como conseguia cada relato (este eu ouvi dizer por outrem
que foi lá, aquilo eu próprio testemunhei, isso é diferente daquilo que ocorre naquela
outra região) principiou a metodologia de pesquisa histórica. Diferenciando o que é
mais confiável e o que é menos confiável. Isso é de extrema importância para o
historiador.

Para fazer história, segundo Heródoto, é necessário juízo, capacidade de pesquisar e


os olhos (entendido aqui como sendo nossos sentidos). Basta uma observação sobre
os fatos de que se estuda e suas relações com as outras coisas, mais a capacidade de
ouvir, testemunhar ou ver os documentos relacionados com estes fatos pesquisados e,
por fim, a capacidade de duvidar e criticar o que lhe foi apresentado.

É interessante notar sua capacidade crítica nos relatos que o seu próprio povo contava
(como na história de Hércules). Ele estabelece assim a necessidade de se analisar os
registros antes de confiar neles.

A imparcialidade na pesquisa, é possível?

A apostila, baseada numa concepção de história, defende que não. E isso é uma grande
discussão, pois se refere aos seguintes problemas.
Geralmente se propõe que o pesquisador seja imparcial e, para isso, exige-se que o
pesquisador não tenha nenhuma relação com o fato ou seus documentos. O grande
problema disso é: primeiro, o pesquisador geralmente escolherá pesquisar aquilo que é
do seu interesse e, portanto, aquilo que de alguma maneira tem alguma relação afetiva;
segundo, como não transmitir seus afetos para o objeto ao qual se dedica - muita das
vezes dedica sua própria vida? Como garantir que não transmitiu seus afetos para dentro
de sua pesquisa?

Do mito à razão

Heródoto funda a história porque muda a sua relação com os relatos do passado

. Os relatos dos indivíduos são investigados


. Passa-se a analisar documentos e registros históricos
. Muda-se a relação com o passado – o passado deixa de ser recriado no momento
presente como faziam os poetas e passa-se a ser olhado dentro de uma perspectiva
temporal.
. Não garante a verdade de seu relato nas divindades de sua cultura – é garantido
pela razoabilidade do relato e pela investigação.

Contexto histórico de Heródoto – Heródoto fundamentou a história num momento


onde surgia a filosofia, que era um conhecimento que visava, como a história, destituir
as crenças nos mitos e restituir a adesão aos conhecimentos racionais. O momento era
de criação de um estado democrático na Grécia, dentro de suas cidades-estados – a
Polis. Um momento de guerras e de aumento das relações comerciais com outros povos.
Isso, talvez, tenha causado uma abertura para a melhor compreensão de si mesmos.