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Professora Kelly Mendes

Objetivos:
Analisar o Arcadismo como escola literária e suas características;
Identificar o contexto histórico do arcadismo
Conhecer os autores e principais obras árcades.
Olha Marília, as flautas dos pastores,
Que bem que soam, como são cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha: não sentes
Os Zéfiros brincar por entre as flores?

Vê como ali, beijando-se, os Amores


Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes
As vagas borboletas de mil cores!

Naquele arbusto o rouxinol suspira;


Ora nas folhas a abelhinha pára.
Ora nos ares sussurrando, gira.

Que alegre campo! Que manhã tão clara!


Mas ah! Tudo o que vês, se eu não te vira,
Mais tristeza que a morte me causara.
O prazer da vida campestre Bocage
Arcadismo - origens
Marco inicial: Fundação da Arcádia Lusitana - 1756
Origem: Arcádia – Peloponeso- região de vida simples, bucólica,
pastores que cuidavam de ovelhas e cultivavam poesia.

Fim do Barroco – ideal Rousseau -


“O homem é naturalmente bom.”
Principais características do texto árcade
Temas
 Amor
 Virtudes
 Sabedoria
 Invocação de musas inspiradoras
 Influencia ideológica do iluminismo
 Vida simples
 Contato com a natureza
 Educação moral e intelectual
 Volta aos clássicos
Principais características do texto árcade
Linguagem e estilo
 Vocabulário simples
 Ordem direta das palavras
 Uso moderado de figuras de estilo
 Combate ais exageros verbais do Barroco
 Linguagem natural, clara, direta e objetivo
 Períodos curtos
 Pseudônimos pastoris
 Gosto pela estética clássica
 Equilíbrio entre a razão e a imaginação
Elementos comuns da poesia árcade
Mansão sobre o monte

Aguardo o dia de emoção sem par


No qual terei um belíssimo lar
Entre colinas e vales formosos
Donde se avista a cidade eterna

Terei uma casa no alto do monte


Com flores lindas por todo o jardim
Aves cantando nas copas frondosas
Rejubilando na vida sem fim

Manhãs bem claras sem nuvens escuras,


O sol radiante, está sempre a brilhar
Animaizinhos, sem susto ou temores,
Entre crianças, a correr e a brincar
Contexto histórico

Iluminismo: valores e verdades sob a luz da ciência e da razão


Fusão entre fé e razão – recuperação de valores greco-latinos
Surgimento das arcádias- grupos de poetas que se reuniam para estudar
antiguidade clássicas
Características

Equilíbrio
Bucolismo - contato com a natureza traria sabedoria e espiritualidade
Convencionalismo – frases feitas, clichês, lugares comuns
Carpe diem – aproveite o dia, curta o momento
Frases latinas Linguagem
árcade

Inutilia truncat – livre do supérfluo;


Carpe diem – aproveite o dia, bem
Aurea mediocritas – o dourado é medíocre, a riqueza não
é tudo
Fugere urbem – fuga da cidade
Locu amoenos - lugar ameno, tranquilo
FINGIMENTO POÉTICO
POETAS ÁRCADES
Manoel Maria Barbosa du Bocage
O melhor da poesia portuguesa

Mais importante poeta árcade português


Aventureiro e arruaceiro - .
Pseudônimo:
Elmano Sadino
Manoel Rio Sado
POETAS ÁRCADES
Manoel Maria Barbosa du Bocage
o melhor da poesia portuguesa

Produção
Lírica – amorosa ou de sofrimento - pastores, pastoras, ideais
arcadistas
Satírica – direta para pessoas da época, absolutismo
Poesia erótica -muito censurada – linguagem obscena.
Bocage - Lírico Quem se vê maltratado, e combatido
Pelas cruéis angústias da indigência
Quem sofre de inimigos a violência,
Quem geme de tiranos oprimido:

Quem não pode ultrajado, e perseguido


Achar nos Céus, ou nos mortais clemência,
Quem chora finalmente a dura ausência
De um bem, que para sempre está perdido:

Folgará de viver, quando não passa


Nem um momento em paz, quando a amargura
O coração lhe arranca e despedaça?

Ah! Só deve agradar-lhe a sepultura


Que a vida para os tristes é desgraça,
A morte para os tristes é ventura.
Das terras a pior tu és, ó Goa,
Bocage - Satírico Das terras a pior tu és, ó Goa,
Tu pareces mais ermo que cidade,
Mas alojas em ti maior vaidade
Que Londres, que Paris ou que Lisboa.

A chusma de teus íncolas pregoa


Que excede o Grão Senhor na qualidade;
Tudo quer senhoria; o próprio frade
Alega, para tê-la, o jus da c'roa!

De timbres prenhe estás; mas oiro e prata


Em cruzes, com que dantes te benzias,
Foge a teus infanções de bolsa chata.

Oh que feliz e esplêndida serias,


Se algum fusco Merlim, que faz bagata,
Te alborcasse a pardaus as senhorias!
Arcadismo no Brasil

Setecentismo
Neoclassicismo
Escola Mineira
Arcadismo no Brasil
Concentrado o chamado Grupo Mineiro;
Notabilizou-se pela atuação literária e política;
Ideias nacionalistas dos iluministas – sonho de
liberdade dos brasileiros;
Contexto mundial: independência dos Estados
Unidos e Revolução Francesa;
Jovens burgueses de MG que estudavam em
Coimbra.
Marco inicial no Brasil

Publicação de Obras em 1768 de


Cláudio Manoel da Costa.
Principais autores líricos
 Cláudio Manoel da Costa
 Pseudônimo – Glauceste Satúrnio
 Cultivo de sonetos perfeito – forma e linguagem;
• Reflexões morais
• Contradições da vida
• Bucólica, pastoril, natureza como refúgio
• Sofrimento amoroso

 Poema épico: Vila Rica


• Exaltação aos bandeirantes, história de Ouro
Preto e sua fundação.
Nise? Nise? onde estás? Aonde espera
Achar te uma alma, que por ti suspira,
Se quanto a vista se dilata, e gira,
Tanto mais de encontrar te desespera!

Ah se ao menos teu nome ouvir pudera


Entre esta aura suave, que respira!
Nise, cuido, que diz; mas é mentira.
Nise, cuidei que ouvia; e tal não era.

Grutas, troncos, penhascos da espessura,


e o meu bem, se a minha alma em vós se esconde,
Mostrai, mostrai me a sua formosura.

Nem ao menos o eco me responde!


Ah como é certa a minha desventura!
Nise? Nise? onde estás? aonde? aonde?
Nise? Nise? Onde estás? – Cláudio Manoel da Costa
Principais autores líricos
 Tomás Antônio Gonzaga
 Pseudônimo – Dirceu
 Nasceu em Portugal, passou a infância no Brasil,
volta a Portugal para estudar;
 Ao formar-se, volta ao Brasil e escreve Tratado de
direito Natural para Marques de Pombal;
 Foi preso no RJ sob acusação de participar da
Inconfidência Mineira;
 Preso escreve uma série de poemas líricos
dedicados à Maria Doroteia Joaquina de Freitas –
a Marília.
Principais autores líricos
Marília de Dirceu
 Poemas reunidos em três liras
 I – bucolismo, vida campestre, carpe diem,
pinta com palavras a natureza e Marilia –
divisor de água: prisão do poeta.
 II Iniciação amorosa, o namoro, a felicidade,
sonhos de uma família.
 III- reflexão sobre a justiça dos homens,
caminhos do destino e a eterna consolação do
amor por Marília. Vive sua Atual realidade.
Principais autores líricos
Marília de Dirceu

 Monólogo: clama por Marília, vocativos;


 Centro do poema? Dirceu
Marília é o pretexto:
Marília de Dirceu ou Dirceu de Marília?
 Contradições:
- Poeta- ora pastor, ora burguês, Marília ora
loira, ora morena.
Verás em cima da espaçosa mesa
altos volumes de enredados feitos;
ver-me-ás folhear os grandes livros
e decidir os pleitos.

Enquanto resolver os meus consultos,


tu me farás gostosa companhia,
lendo os fastos da sábia, mestra História
e os cantos da poesia.

Lerás em alta voz, a imagem bela;


eu, vendo que lhe dás o justo apreço,
gostoso tornarei a ler de novo
o cansado processo.

Se encontrares louvada uma beleza,


Marília, não lhe invejes a ventura,
que tens quem leve à mais remota idade
a tua formosura.
Principais autores épicos
 Basílio da Gama

 Pseudônimo: Termindo Sipílio


 Precursor romântico;

 Obras:
 O Uraguai – exaltação ao Marques de Pombal
 Quitúbia – poema heroico que exalta chefe africano
por ter ajudado na guerra contra os holandeses.
O Uraguai
 exaltar a política do Marquês de Pombal contra os jesuítas. Utilizando a Guerra Guaranítica
como tema histórico, Basílio da Gama coloca a culpa do massacre indígena nos jesuítas.
 Personagens:
- Gomes Freire: governador do RJ e chefe das tropas portuguesas – herói;
- Catâneo – chefe das tropas espanholas
- Cacambo – chefe indígena – herói
- Pe Lourenço Balda – vilão, administrador dos Sete Povos da Missões; jesuíta
- Lindoia – esposa de Cacambo.
 Enredo:
- Batalha de Caaibaté, em 1756, em que morreram 1700 dos 1500 índios que dela participaram.
 Estrutura do poema – modelo camoniano:
- Introdução: cenário da batalha sangrenta;
- Invocação e proposição – à Musa, honrar o herói;
- Dedicatória: à Francisco Xavier, irmão de Marques de Pombal;
- Narração: enredo, morte de Lindoia;
- Epílogo: parte final

Lindóia (1882), de José Maria de Medeiros


Vila Rica – Cláudio Manoel d Costa - épico
10 cantos em verso decassílabos não padronizados, embora pareça muito com modelo camoniano;
Estrutura:
- Proposição: fundação da capital de MG,
- Invocação: pátrio Ribeirão do Carmo;
- Dedicatória: Conde de Bobadela;
- Narrativa: aprsenta Brasil Colônia, descobrimento das minas, elemento indígenas. Fatos heroicos;
Poema de múltiplas faces:
- Épico – feitos heroicos do bandeirantes;
- Lírico – episódio amorosos envolvendo índios e o branco colonizador;
- Rapsódia – narrativa que envolve a mistura do folclore e cultura – lendas e narrativas populares
de um povo
Caramuru – Santa Rita Durão - épico
Modelo camoniano
- Organizado em 10 cantos
- Estrofes de oito versos
- Versos decassílabos
- Rima: abababacc
 Enredo
Colonização da Bahia.
Personagens
- Diogo Álvares Correia
- Paraguaçu
- Moema
Caramuru – Santa Rita Durão - épico
 Estrutura interna:
- Proposição – feitos do Filho do Trovão
- Invocação: Busca em Deus o auxílio na composição, cristianismo.
- Dedicatória: ao rei de Portugal D. José I.
- Narração: Naufrágio em que apenas Diogo sobrevive e sete companheiros;
Primeiro contato com os índios Tupinambás, Chamada de o Filho do Trovão;
casamento com Paraguaçu, partida para Portugal, morte de Moema.
- Epílogo: Diogo e Catarina, recebem honras da colônia lusitana.
Caramuru – Santa Rita Durão - épico
 Estrutura interna:
- Proposição – feitos do Filho do Trovão
- Invocação: Busca em Deus o auxílio na composição, cristianismo.
- Dedicatória: ao rei de Portugal D. José I.
- Narração: Naufrágio em que apenas Diogo sobrevive e sete companheiros;
Primeiro contato com os índios Tupinambás, Chamada de o Filho do Trovão;
casamento com Paraguaçu, partida para Portugal, morte de Moema.
- Epílogo: Diogo e Catarina, recebem honras da colônia lusitana.
"Moema" - Victor Meirelles
Pintor brasileiro (1832-1903)
Principal autor satírico
Tomás Antônio Gonzaga
Cartas Chilenas

 Pseudônimo: Critilo
 Mas de 150 anos de mistério
 São 13 cartas escritas
Simbologia daspor
CartasCritilo
Chilenas
 Versos decassílabos
Emitente Critilo Tomás Antônio Gonzaga
 Revelam os atosDoroteu
Destinatário corrupstos, nepotismo, abusos
Cláudio Manoel d Costa
de poder, errosSantiago,
Ambiente administrativos
Chile doVilagoverno.
Rica, MG
 Linguagem
Alvo da Crítica satírica
Minésioe( governador)
agressiva; Luís Cunha Meneses
(governador)
“O lobo e o cordeiro comerão juntos, e o leão comerá
grama, como o boi.
Ninguém fará nem mal nem destruição em todo o meu
santo monte", diz o Senhor.” Isaias 65: 25.

Obrigada e bons estudos!


Professora Kelly Mendes