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Diversidade de Fanerógamos

Prof.ª Roberta Andressa Pereira

2016
Copyright © UNIASSELVI 2016

Elaboração:
Prof.ª Roberta Andressa Pereira

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

574
P436dr Pereira; Roberta Andressa
Diversidade de fanerógamos/ Roberta Andressa Pereira:
UNIASSELVI, 2016.

238 p. : il.

ISBN 978-85-7830-977-0

1. Biologia.
I. Centro Universitário Leonardo da Vinci
Apresentação
Caro acadêmico,

Você já parou para pensar sobre qual a planta que dá origem ao café,
uma das bebidas mais populares em todo o mundo? Ou mesmo o vinho, já
conhecido da humanidade desde a antiguidade? Conhece como é e qual a
parte da planta usada pela indústria têxtil para produzir o tão famoso fio
de algodão? Ou sabia que a cana-de-açúcar, além de muito utilizada pela
culinária por conta do açúcar, é utilizada para fabricação de bioetanol,
combustível produzido e exportado pelo Brasil? As plantas estão ao nosso
redor e participam do nosso dia a dia. Vão muito além das refeições em
forma de salada ou sobremesas saudáveis. Conhecê-las é fundamental!

É neste mundo que você está convidado a entrar, no mundo da


Botânica! A Botânica é o ramo da ciência que tem como objeto de estudo as
plantas, e tenta descobrir e explicar como estes organismos são constituídos
e funcionam, como estão organizados e de que maneira interagem, afetam e
são comprometidos pelo meio que ocupam.

O presente caderno de estudos tem como proposta oferecer um


primeiro contato de você, acadêmico, com os conceitos e princípios da
Morfologia Vegetal, de forma a apresentar um material básico e de apoio com
as principais informações sobre o tema. Além disso, serve como uma forma
inicial de contato e diálogo entre professor e aluno. Entender a morfologia
das plantas é de suma importância para que você possa compreender os
processos fisiológicos das mesmas e suas relações filogenéticas.

Assim, o objetivo principal deste material é servir como um guia


para você orientar seus estudos, e deverá, sempre, ser complementado com
leituras adicionais em bibliografias específicas, muitas delas apresentadas no
final de cada unidade.

Espero que você possa ter uma noção de como funciona e é estruturado
o corpo de uma planta. Assim como, da grandeza da diversidade de
organismos fotossintetizantes e sua importância no meio ambiente, ajudando
na preservação do equilíbrio dos ecossistemas, muitos deles comprometidos
pela ação do homem.

Prof.ª Roberta Andressa Pereira

III
NOTA

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há
novidades em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é


o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.
 
Bons estudos!

IV
V
VI
Sumário
UNIDADE 1 – E AÍ? COMO É UMA PLANTA?................................................................................. 1

TÓPICO 1 – MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS................................. 3


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 3
2 RAIZ......................................................................................................................................................... 4
2.1 DESENVOLVIMENTO INICIAL DA RAIZ.................................................................................. 4
2.2 CLASSIFICAÇÃO DAS RAÍZES.................................................................................................... 6
2.2.1 Quanto à origem...................................................................................................................... 6
2.2.2 Quanto à morfologia............................................................................................................... 6
2.2.3 Tipos especiais de raízes......................................................................................................... 7
2.3 NÓDULOS RADICULARES........................................................................................................... 14
3 CAULE...................................................................................................................................................... 15
3.1 TIPOS DE RAMIFICAÇÃO E CRESCIMENTO........................................................................... 16
3.2 CLASSIFICAÇÃO DOS CAULES.................................................................................................. 17
3.3 FORMAS DE VIDA DE PLANTAS VASCULARES (DE ACORDO COM GIULIETTI
ET AL., 1994, P. 17-24; SOUZA ET AL., 2013, P. 71-79.)........................................................ 21
4 FOLHA..................................................................................................................................................... 25
4.1 PARTES DE UMA FOLHA COMPLETA...................................................................................... 25
4.2 CLASSIFICAÇÃO DAS FOLHAS.................................................................................................. 26
4.3 FILOTAXIA........................................................................................................................................ 33
4.4 MODIFICAÇÕES FOLIARES......................................................................................................... 34
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 36
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 38

TÓPICO 2 – MORFOLOGIA EXTERNA DA FLOR E INFLORESCÊNCIAS.............................. 41


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 41
2 FLOR......................................................................................................................................................... 41
2.1 CLASSIFICAÇÕES GERAIS............................................................................................................ 42
2.2 PERIANTO........................................................................................................................................ 45
2.2.1 Cálice (representado pela letra K)......................................................................................... 46
2.2.2 Corola (representado pela letra C)........................................................................................ 46
2.3 ANDROCEU (representado pela letra A)...................................................................................... 47
2.3.1 Algumas classificações............................................................................................................ 47
2.4 GINECEU (representado pela letra G).......................................................................................... 49
2.4.1 Algumas classificações............................................................................................................ 50
2.4.2 Fórmula e diagrama floral...................................................................................................... 53
3 INFLORESCÊNCIAS............................................................................................................................ 54
3.1 TIPOS DE INFLORESCÊNCIAS RACEMOSAS OU INDEFINIDAS....................................... 54
3.2 TIPOS DE INFLORESCÊNCIAS CIMOSAS OU DEFINIDAS................................................... 56
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 57
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 59

VII
TÓPICO 3 – MORFOLOGIA DOS FRUTOS...................................................................................... 63
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 63
2 FRUTOS SIMPLES................................................................................................................................ 65
3 FRUTOS AGREGADOS E MÚLTIPLOS.......................................................................................... 68
LEITURA COMPLEMENTAR................................................................................................................ 70
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 72
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 73

UNIDADE 2 – PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA.......................................................... 77

TÓPICO 1 – A CÉLULA VEGETAL....................................................................................................... 79


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 79
2 CÉLULA VEGETAL............................................................................................................................... 80
2.1 PECULIARIDADES DA CÉLULA VEGETAL............................................................................. 82
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 88
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 90

TÓPICO 2 – TECIDOS VEGETAIS....................................................................................................... 93


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 93
2 TECIDOS MERISTEMÁTICOS......................................................................................................... 93
2.1 MERISTEMAS APICAIS OU PRIMÁRIOS.................................................................................. 93
2.2 MERISTEMAS LATERAIS OU SECUNDÁRIOS............................................................. 95
3 TECIDOS PERMANENTES................................................................................................................ 97
3.1 TECIDO DE REVESTIMENTO....................................................................................................... 97
3.2 TECIDO DE PREENCHIMENTO.................................................................................................102
3.3 TECIDOS DE SUSTENTAÇÃO.....................................................................................................105
3.4 TECIDOS DE CONDUÇÃO..........................................................................................................107
3.5 TECIDOS DE SECREÇÃO E CÉLULAS SECRETORAS...........................................................113
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................117
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................120

TÓPICO 3 – OS ÓRGÃOS VEGETAIS.............................................................................................. 123


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 123
2 RAIZ....................................................................................................................................................... 123
3 CAULE.................................................................................................................................................... 129
4 FOLHA................................................................................................................................................... 134
LEITURA COMPLEMENTAR.............................................................................................................. 138
RESUMO DO TÓPICO 3...................................................................................................................... 142
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 144

UNIDADE 3 – A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES


COM SEMENTES........................................................................................................ 147

TÓPICO 1 – AVANTE! VAMOS CONQUISTAR O AMBIENTE TERRESTRE!........................ 149


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 149
2 A CONQUISTA DO AMBIENTE TERRESTRE............................................................................. 150
LEITURA COMPLEMENTAR.............................................................................................................. 154
RESUMO DO TÓPICO 1...................................................................................................................... 157
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 159

VIII
TÓPICO 2 – PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES: AS GIMNOSPERMAS E AS
ANGIOSPERMAS........................................................................................................... 161
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 161
2 AS GIMNOSPERMAS........................................................................................................................ 161
2.1 CARACTERIZAÇÃO GERAL DAS GIMNOSPERMAS........................................................... 162
2.2 OS REPRESENTANTES DAS GIMNOSPERMAS..................................................................... 163
2.3 REPRODUÇÃO NAS GIMNOSPERMAS................................................................................... 165
3 AS ANGIOSPERMAS......................................................................................................................... 167
3.1 CARACTERIZAÇÃO GERAL DAS ANGIOSPERMAS............................................................ 168
3.2 REPRODUÇÃO DAS ANGIOSPERMAS.................................................................................... 169
3.2.1 A flor........................................................................................................................................ 170
LEITURA COMPLEMENTAR.............................................................................................................. 179
RESUMO DO TÓPICO 2...................................................................................................................... 182
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 186

TÓPICO 3 – BOTÂNICA ECONÔMICA........................................................................................... 189


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 189
2 ALGUMAS ESPÉCIES DE INTERESSE ECONÔMICO.............................................................. 191
LEITURA COMPLEMENTAR.............................................................................................................. 213
RESUMO DO TÓPICO 3...................................................................................................................... 216
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 217

TÓPICO 4 – METODOLOGIAS PARA O ENSINO DE BOTÂNICA.......................................... 219


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 219
2 PROPOSTAS PARA AS AULAS....................................................................................................... 220
RESUMO DO TÓPICO 4...................................................................................................................... 231
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 232
REFERÊNCIAS........................................................................................................................................ 233

IX
X
UNIDADE 1

E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir desta unidade, você será capaz de:

• saber dividir os órgãos das plantas em vegetativos e reprodutivos;

• identificar as partes da raiz, do caule, da folha, das flores, inflorescências e


frutos;

• reconhecer os diferentes tipos de raiz, caule, folha e flores, inflorescências


e frutos.

PLANO DE ESTUDOS
Esta primeira unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um
deles você encontrará atividades que reforçarão o seu aprendizado.

TÓPICO 1 – MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

TÓPICO 2 – MORFOLOGIA EXTERNA DA FLOR E INFLORESCÊNCIAS

TÓPICO 3 – MORFOLOGIA DOS FRUTOS

1
2
UNIDADE 1
TÓPICO 1

MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

1 INTRODUÇÃO
Todos dizem que o Brasil é um dos países com maior diversidade vegetal
do mundo, resultado de uma grande variedade de cores, formatos e tamanhos
das nossas plantas. Mas você saberia dizer de que partes são formadas as plantas?
Ou ainda, saberia identificar cada uma destas partes?

Frequentemente o conhecimento popular identifica algumas partes das


plantas de forma incorreta. Por exemplo, você sabia que a parte alaranjada da
cenoura, que usamos na culinária, é uma raiz? E a batata-doce também? E que a
batata-inglesa é um caule? E que a parte comestível da cebola trata-se, na verdade,
de folhas modificadas?

Conheceremos a partir de agora outras curiosidades através do estudo


da morfologia externa das plantas. Esta área da Botânica, também chamada
de Organografia Vegetal, se dedica ao estudo da morfologia externa, ou seja,
da forma e da estrutura, dos órgãos das plantas, classificando e nomeando as
estruturas vegetais e suas variações. Estar familiarizado com seus conceitos é
condição primordial para estabelecer uma compreensão global da planta e sua
interação com o ambiente que habita, e, posteriormente, conseguir dividir as
plantas em pequenos grupos e reconhecê-los.

TUROS
ESTUDOS FU

Neste primeiro tópico abordaremos o estudo da morfologia externa dos órgãos


vegetativos das plantas vasculares terrestres, como a raiz, o caule e as folhas. Vamos lá?

3
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

2 RAIZ
De uma maneira geral, podemos afirmar que a raiz é o órgão vegetativo
que apresenta como função principal a fixação da planta ao substrato e a absorção
de água e nutrientes. Por conta disso, normalmente é subterrânea e aclorofilada,
ou seja, não apresenta o pigmento clorofila, que confere cor verde aos órgãos
vegetais. Apresenta, ainda, geotropismo e hidrotropismo positivos, isto é, seu
crescimento se dá em direção à terra e à água, respectivamente. Além disso, pode
ser um órgão de reserva, como nas cenouras (Daucus carota – Família Apiaceae) e
nabos (Brassica napus – Família Brassicaceae), ou ter função de respiração, como
observado em algumas plantas de mangue, como no mangue-branco (Laguncularia
racemosa – Família Combretaceae).

Em algas e musgos, a estrutura que apresenta funções similares não é


vascularizada, como nas outras plantas. Diante desta característica, recebem o
nome de rizoides.

As raízes não apresentam folhas, gemas laterais e apicais, nós e entrenós,


diferenciando-se dos caules.

2.1 DESENVOLVIMENTO INICIAL DA RAIZ


A semente das plantas fanerógamas contém uma planta em miniatura,
um esporófito jovem, o embrião. Ele tem uma raiz embrionária, denominada
radícula, um eixo caulinar embrionário, chamado hipocótilo – epicótilo e uma ou
duas folhas embrionárias, os cotilédones.

É difícil estabelecer o limite entre a radícula e o hipocótilo (porção caulinar


situada abaixo do(s) cotilédone(s)). Por essa razão, fala-se em eixo hipocótilo-
radicular.

Ao germinar a semente, a radícula se distende por divisões e alongamentos


celulares formando uma raiz primária. Veja o esquema a seguir (Figura 1).

4
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

FIGURA 1 – FEIJÃO (Phaseolus vulgaris – FAMÍLIA FABACEAE)

A. Semente aberta longitudinalmente e em vista lateral. O embrião do feijão tem uma


plúmula acima dos cotilédones, consistindo em um eixo curto (epicótilo), um par de folhas
e um meristema apical. Seus cotilédones contêm nutrientes armazenados. B. Estágio
de desenvolvimento. Observe que durante a germinação, seus cotilédones são levados
para acima do solo pelo alongamento do hipocótilo. FONTE: Raven et al. (2007), p. 524.

Na porção inicial da raiz primária em crescimento distinguem-se três


regiões ou zonas (Figura 2).

FIGURA 2 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DAS PARTES CONSTITUINTES DA RAIZ

FONTE: Adaptado de: <http://www.mundoeducacao.com.br/upload/conteudo_


legenda/1d596d1403d8985f0f6743ef7d30b517.jpg>. Acesso em: 10 jan. 2016.

5
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

• Coifa: estrutura em forma de capa que reveste o ápice radicular, onde estão
localizados os tecidos meristemáticos. Esses tecidos apresentam células ainda
não diferenciadas e em constante divisão celular. Pode secretar mucilagens
que auxiliam na proteção e penetração do órgão no substrato. É formada por
uma região central denominada caliptrogênio.

• Zona de alongamento ou de distensão: onde ocorre a distensão (observamos


os tecidos meristemáticos) e início da diferenciação dos tecidos primários
da raiz. Esta região é protegida pela coifa. Danos causados a esta região por
microrganismos, ou mesmo pelo atrito com o substrato, poderiam danificar a
estrutura radicular e, consequentemente, o desenvolvimento da planta.

• Zona pilífera ou de absorção: nesta região os tecidos estão totalmente


diferenciados. Pode-se observar a presença de pelos radiculares, que são
projeções epidérmicas. Estes pelos aumentam a superfície de contato do
órgão com o substrato, aumentando, por conseguinte, a absorção de água e
nutrientes. Entretanto, essa absorção pode ocorrer em outras partes da planta
também.

• Zona de ramificação ou suberosa: é a porção mais antiga e longa da raiz. Esta


região é caracterizada por apresentar espessamento e formação de raízes
laterais.

2.2 CLASSIFICAÇÃO DAS RAÍZES


As raízes podem ser classificadas de acordo com a sua origem ou
morfologia.

2.2.1 Quanto à origem


• Axial: raízes originadas a partir do desenvolvimento da radícula do embrião.
• Adventícia: são assim chamadas as raízes que derivam de qualquer outro
órgão, principalmente do caule, e não da radícula do embrião. A raiz que se
origina da radícula logo atrofia e não se desenvolve.

2.2.2 Quanto à morfologia


• Sistema pivotante: observado na grande maioria das gimnospermas (como as
coníferas) e angiospermas (plantas que dão flores e frutos). Neste sistema é
possível observar uma raiz principal e suas raízes laterais, portanto, na sua
grande maioria são formados a partir de raízes axiais (Figura 3A).

6
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

• Sistema fasciculado: nas monocotiledôneas, as raízes primárias têm vida


curta. Assim, o sistema radicular deste grupo vegetal é composto por raízes
adventícias e suas raízes laterais. Assim, nenhuma raiz é mais proeminente
que as outras (Figura 3B).

FIGURA 3 – SISTEMAS RADICULARES

A B

A. Plântula de feijão (Phaseolus vulgaris – Família Fabaceae), indicando a raiz axial


pivotante (setas finas) e raízes laterais (setas largas). B. Plântula de milho (Zea mays
– Família Poaceae). Nesta espécie e nas demais monocotiledôneas todas as raízes são
adventícias, formando um sistema fasciculado. FONTE: Souza et al. (2013), p. 18-19.

2.2.3 Tipos especiais de raízes


Podemos classificar as diversas formas de raízes encontradas nas plantas.
Vejamos as principais.

a) Raízes Subterrâneas:

- Tuberosas (Figura 4): são raízes axiais ou fasciculadas que se apresentam


intumescidas pelo armazenamento de substâncias de reserva. Muitas delas
são utilizadas na alimentação humana. Como exemplo, temos as tuberosas
pivotantes, como rabanete (Raphanus sativus – Família Brassicaceae), cenoura
(Daucus carota – Família Apiaceae) (Figura 4A), beterraba (Beta vulgaris – Família
Amaranthaceae) (Figura 4B); fasciculadas tuberosas: mandioca (Manihot sp.-
Família Euphorbiaceae), batata-doce (Ipomoea batatas – Família Convolvulaceae)
(Figura 4C).

7
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

FIGURA 4 – RAÍZES TUBEROSAS

A B C

A. Cenoura (Daucus carota – Família Apiaceae). B. Beterraba (Beta vulgaris – Família


Amaranthaceae). C. Batata-doce (Ipomoea batatas – Família Convolvulaceae). FONTE:
Disponível em:
A. <http://www.supermemo.com.br/2012/01/beneficios-da-cenoura/>.
B. <http://frutasdouradas.dyndns.org:360/FrutasDouradas/Imagens/beterraba2.jpg>.
C. <http://www.lideragronomia.com.br/2012/08/batata-doce.html>. Acessos em: 10 jan. 2016.

a) Raízes Aéreas

Não se desenvolvem subterraneamente, mas expostas ao ar. São


geralmente adventícias.

- Suportes: são aquelas que aumentam o sistema de fixação de algumas plantas.


Formam-se a partir de galhos e caules e penetram no solo. Ex.: milho (Zea mays–
Família Poaceae) (Figura 5A), mangue-vermelho (Rhizophora mangle – Família
Rhizophoraceae) (Figura 5B).

FIGURA 5 – RAÍZES ESCORAS

A B

A. Milho (Zea mays – Família Poaceae). B. Mangue-vermelho (Rhizophora mangle – Família


Rhizophoraceae). FONTE: A. Souza et al. (2013), p. 21.
B. Disponível em: <http://manguedasabiaguaba.blogspot.com.br/>. Acesso em: 10 jan. 2016.

8
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

- Tabulares: são uma variação das raízes suporte. Os ramos radiculares


encontram-se ligados ao caule, como verdadeiras tábuas. São características
de árvores grandes de florestas tropicais e têm como função aumentar a
estabilidade da planta. Ex.: Raízes de figueira (Ficus sp.- Família Moraceae)
(Figura 6A).

- Escora (Figura 6B-C): São raízes que aparecem em certas espécies de figueiras
(Ficus benjamim, por exemplo). Elas descem de ramos caulinares laterais,
alcançam o solo, ramificam-se e começam a absorver água. Por se tratarem
de eudicotiledôneas, elas crescem em espessura e com o tempo tornam-se tão
espessas que passam a substituir o caule em sua função, pois elas, além de
fixarem a ponta no solo e absorverem a água, conduzem essa água até a copa
e sustentam a copa. Quando já há muitas raízes bem desenvolvidas, o caule
pode desaparecer, ficando a copa totalmente escorada em raízes. Figueiras
milenares na Índia se expandem radialmente alcançando centenas de metros
além de seu ponto de origem.

- Estrangulares (Figura 6D): são uma variação das raízes escora. São raízes de
vegetais não parasitas, que vivem sobre outros e que os envolvem, crescendo
em direção ao solo, armando uma rede que vai se espessando, impedindo
então o crescimento em espessura da planta hospedeira, que, muitas vezes,
acaba morrendo. As plantas que apresentam este tipo de raiz são comumente
chamadas de mata-pau. Embora essas raízes costumam ser chamadas de “raízes
estrangulantes”, o termo não é adequado, pois as raízes não estrangulam
(processo ativo), mas simplesmente impedem o crescimento em espessura
do caule da planta hospedeira (processo passivo). Se a hospedeira for uma
palmeira, por exemplo, ambas podem conviver por muitos anos.

FIGURA 6 – FIGUEIRAS (Ficus sp. – FAMÍLIA MORACEAE)

A B

9
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

C D

A. Raiz tabular. B-C. Raízes escoras. D. Raiz estranguladora. FONTE: Disponível em:
A. <https://arvoresdesaopaulo.files.wordpress.com/2014/07/figueira-do-parque-celso-
daniel-em-santo-andrc3a9-antes.jpg>. B. <http://arvoresdesaopaulo.files.wordpress.
com/2009/04/troncos-da-figueira-das-lagrimas-ricardo-cardim.jpg?w=500&h=374>.
C. <http://arvoresdesaopaulo.files.wordpress.com/2010/03/figueira-no-ibirapuera-foto-de-
ricardo-cardim-direitos-reservados.jpg>. D. <http://www.panoramio.com/photo/21305391>.
Acessos em: 10 jan. 2016.

- Sugadoras (Figura 7): caracterizam plantas parasitas. Essas raízes são também
chamadas de haustórios e penetram no hospedeiro, através de uma estrutura
chamada apressório, até atingirem os tecidos vasculares (responsáveis pela
condução de água e fotoassimilados). As plantas parasitadas são classificadas
em:

• holoparasitas, quando penetram o tecido vascular responsável pelo


transporte de fotoassimilados. Este tecido é chamado floema. Exemplo:
cipó-chumbo (Cuscuta racemosa – Família Convolvulaceae) (Figura 7A-B),
planta quase completamente aclorofilada, heterótrofa. Geralmente a planta
hospedeira se exaure e morre em pouco tempo.

• hemiparasitas, quando penetram o tecido vascular responsável pela


condução de água e sais minerais. Este tecido é denominado xilema.
Exemplo: erva-de-passarinho (Struthanthus sp. – Família Loranthaceae)
(Figura 7C-D) , planta autótrofa e com folhas verdes. Como as hemiparasitas
são autótrofas, hospedeiro e parasita podem conviver por muitos anos, pois
a hospedeira só deve retirar mais água do solo do que necessita.

10
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

FIGURA 7 – RAÍZES SUGADORAS

A B

C D

A-B. Holoparasitas. C-D. Hemiparasita. A,C. Vista geral. B. Detalhe. D. Detalhe dos
apressórios. FONTE: Disponível em:
A. <http://www.blogdovestibular.com/2015/07/questao-tipos-de-raizes.html>.
B. <http://herbologiamistica.blogspot.com.br/2010/07/cipo-chumbo.html>.
C. <http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Morfofisiologia_vegetal/morfovegetal2.php>.
D. <http://ramonlamar.blogspot.com.br/2014_04_01_archive.html>. Acessos em: 10 jan. 2016.

ATENCAO

A água e sais minerais transportados pelo xilema constituem a seiva bruta,


enquanto os produtos fotoassimilados, ou seja, os compostos orgânicos produzidos durante
a fotossíntese, são chamados seiva elaborada, e transportados pelo floema.

- Respiratórias: tipo de raiz presente em muitas plantas subaquáticas; são


esponjosas porque são ricas em aerênquima (tecido com grandes espaços
intercelulares cheios de ar) com função de suprimento de oxigênio para os
órgãos submersos. Ex.: Ludwigia sp. – Família Onagraceae.

- Pneumatóforos: podem ser consideradas um tipo de raízes respiratórias, mas


diferem estruturalmente por serem raízes que apresentam, além do tecido
aerenquimático (mencionado anteriormente), tecidos condutores de seiva bruta

11
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

e elaborada. Crescem (por geotropismo negativo, ou seja, no sentido contrário


ao centro da Terra) verticalmente para fora do solo encharcado onde vive a
planta. As raízes, assim como os outros órgãos das plantas, necessitam de
oxigênio para a respiração. Por esta razão, a maioria das plantas não pode viver
em solos com drenagem inadequada. Para solucionar esse problema, algumas
árvores que crescem em habitats brejosos, como, por exemplo, o mangue-preto
(Avicennia sp. – Família Acanthaceae) (Figura 8A) e o mangue-branco ou siriúba
(Laguncularia racemosa - Família Combretaceae), apresentam porções de suas
raízes crescendo para cima da superfície do banhado. Essas raízes servem,
portanto, não apenas para fixar a planta ao substrato, mas também para a
aeração do sistema radicular.

- Grampiformes (Figura 8B-C): são raízes curtas, semelhantes a grampos, que


surgem do caule e têm por função fixar certas trepadeiras em diferentes
superfícies, tais como paredes, e servem também de suporte para o caule
escandente. Ex.: hera-japonesa (Parthenocissus tricuspidata – Família Vitaceae)
(Figura 8B).

FIGURA 8 – PNEUMATÓFOROS E RAÍZES GRAMPIFORMES

A B C

A. Pneumatóforos em Avicennia sp. – Família Acanthaceae. B-C. Raízes grampiformes. B. Hera-


japonesa (Parthenocissus tricuspidata – Família Vitaceae). C. Detalhe. FONTE: A. Disponível
em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d2/Avicennia_resinifera_
Coromandel_2005_a.jpg>. Acesso em: 10 jan. 2016. B. Souza et al. (2013), p. 33. C. Disponível em:
<http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2009/08/raiz-grampiforme.jpg>. Acesso em: 10
jan. 2016.

- Cinturas: são adaptações peculiares das plantas epífitas (plantas que vivem sobre
outras plantas). Estas raízes crescem enroladas ao tronco da planta suporte ou
de outro substrato qualquer, como rochas. Ex.: raízes de muitas orquídeas e
bromélias (Figura 9).

12
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

FIGURA 9 – RAÍZES CINTURA

A B

FONTE: Disponível em:


A. <http://www.microplanta.com/articulos/wp-content/uploads/2011/07/vanda1.jpg>.
B. <http://www.lusorquideas.com/-blogue/category/dendrobium>. Acessos em: 10 jan. 2016.

c) Raízes Aquáticas

As plantas aquáticas desenvolvem raízes especiais, ricas em tecido


aerenquimático (ou seja, tecido que armazena ar entre suas células), que serve
para armazenar e conduzir o ar, além de auxiliar na flutuação. Ex.: alface-d’água
(Pistia stratiotes – Família Araceae) (Figura 10A), aguapé (Eichhornia crassipes –
Família Pontederiaceae) (Figura 10B).

FIGURA 10 – REPRESENTAÇÕES ESQUEMÁTICAS DE RAÍZES AQUÁTICAS

A. Alface-d’água (Pistia stratiotes – Família Araceae). B. Aguapé (Eichhornia


crassipes – Família Pontederiaceae). Fonte: A.<http://amorpeloverde.
atspace.com/raiz.htm>. B.<http://www.geocities.ws/investigandoaciencia/
raizes>.htm. Acessos em: 10 jan. 2016.

13
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

2.3 NÓDULOS RADICULARES


Aparecem nas raízes de muitas plantas pertencentes à família Fabaceae
(família das leguminosas como o feijão, grão-de-bico, amendoim, soja, ervilha,
lentilha), como decorrência da infecção por bactérias (Rhizobium) fixadoras de
nitrogênio atmosférico (Figura 11). Essas bactérias penetram as raízes através dos
seus pelos radiculares, passando até as células mais internas, onde se multiplicam
e estimulam tais células a também se dividirem, resultando no nódulo.

As bactérias atuam no processo de fixação do nitrogênio. Alteram N2


(gás) disponível no solo para NH4+ (nitrato), que é a forma em que o vegetal
consegue utilizar o nitrogênio.

Trata-se, então, de uma associação simbiótica de grande importância


adaptativa para as plantas que a apresentam, pois lhe permite obter nitrogênio
(via atividade bacteriana) em solos pobres neste nutriente essencial.

FIGURA 11 – NÓDULOS RADICULARES EM SOJA (Glycine max–


FAMÍLIA FABACEAE)

FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/


ABAAAgEkUAJ/anatomia-raiz>. Acesso em: 10 jan. 2016.

TUROS
ESTUDOS FU

Tudo tranquilo até aqui? Então vamos seguir viagem pelo corpo da planta. A
seguir, conheceremos os diversos tipos de caules!

14
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

3 CAULE
De forma geral, podemos dizer que o caule é a parte do corpo da planta
que une as raízes às folhas, sendo, portanto, mais complexo do que o sistema
radicular. Ele pode apresentar folhas, gemas laterais e apicais, onde encontramos
tecidos meristemáticos primários (responsáveis pelo crescimento em longitudinal
da planta), e nós e entrenós (Figura 12).

FIGURA 12 – CAULE

Gema
apical
Gema
lateral

Caule


Entrenó

Nó A B C

A. Características de um caule. B. Detalhe de gemas axilares (entre as folhas e o caule) e terminal


(no ápice do ramo) da sibipiruna (Poincianella pluviosa – Família Fabaceae). C. Detalhe da gema
reprodutiva da falsa-erva-cidreira (Lippia alba – Família Verbenaceae). FONTE: A. Disponível em:
<http://pt.slideshare.net/valimjulia/caule-32374987>. Acesso em: 10 jan. 2016. B-C. Souza et al.
(2013), p. 45.

O nó é o local em que uma ou mais folhas aparecem. As gemas axilares (ou


laterais) também se formam na região do nó, daí esta região ser também chamada
região das ramificações. O espaço entre dois nós consecutivos denomina-se
entrenó (ou internó). A gema localizada no ápice do órgão é denominada gema
apical ou terminal, e promove o crescimento em comprimento da planta.

O caule comumente apresenta fototropismo positivo (crescimento


em direção à luz) e geotropismo negativo, e pode ser clorofilado ou acumular
substâncias nutritivas, como ocorre na batata-inglesa (Solanum tuberosum –
Família Solanaceae), gengibre (Zingiber officinale – Família Zingiberaceae) e cará
ou inhame (Dioscorea sp. – Família Dioscoreaceae).

As duas funções principais são:

• suporte – serve como suporte mecânico para as folhas e estruturas reprodutoras,


o qual as coloca em posição favorável aos agentes polinizadores e dispersores e
para obter a quantidade adequada de luz solar;
• condução – o caule transporta pelo floema os produtos fotoassimilados
produzidos pelas folhas (e caules fotossintetizantes) para as áreas que não
realizam a fotossíntese. Ao mesmo tempo, o caule transporta água e sais minerais
ascendentemente das raízes para as folhas, pelo xilema (tipo de tecido vascular).
15
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

3.1 TIPOS DE RAMIFICAÇÃO E CRESCIMENTO


a) Sistema monopodial (Figura 13A-B): neste sistema, o crescimento do caule se
dá pela atividade de uma única gema apical, que permanece por toda a vida
do vegetal. Plantas com este crescimento podem não desenvolver qualquer
ramificação lateral, como no mamoeiro (Carica papaya – Família Caricaceae).
Nas palmeiras (plantas da Família Arecaceae) (Figura 13A), a ramificação lateral
geralmente se limita à produção de inflorescências na época da reprodução. É
importante salientar que mesmo em plantas com muitos ramos laterais pode-se
encontrar um sistema monopodial. É o que observamos na grande maioria das
coníferas (pinheiros) (Figura 13B); o eixo principal é facilmente reconhecido,
pois só ele cresce verticalmente, enquanto os ramos laterais têm crescimento
oblíquo e bem mais vagaroso.

b) Sistema simpodial (Figura 13C-D): neste sistema, várias gemas participam


continuamente da formação de cada eixo. Isso pode acontecer porque a gema
apical cessa sua atividade ou porque o eixo principal perde sua superioridade
sobre os ramos laterais. Como resultado, temos a formação arredondada das
copas da maioria das árvores.

FIGURA 13 – TIPOS DE RAMIFICAÇÃO E CRESCIMENTO

A B C

A-B. Sistema monopodial. A. Palmeira-jussara (Euterpe edulis – Família Arecaceae) B. Araucária


(Araucaria sp. – Família Araucariaceae. C-D. Sistema simpodial.
FONTE: Disponível em: A. <http://www.floriculturacampineira.com.br/floricultura_produto-
zoom.asp?id_imagem=5422>. B. <http://www.sitiovitoriaregia.com.br/img/Araucaria.jpg>. C.
<http://www.bemviver.org/imagens/Arvore.jpg>. D. <http://jornalnovidades.com.br/?p=7756>.
Acessos em: 10 jan. 2016.

16
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

3.2 CLASSIFICAÇÃO DOS CAULES


a) Caules aéreos

- Tronco (Figura 13B-D): bem desenvolvido, muito robusto, lenhoso (caule que
produz madeira) e ramificado; característico da maioria das árvores e arbustos
de eudicotiledôneas e gimnospermas. Ex.: araucária, cedro (Cedrela fissilis –
Família Meliaceae), limoeiro (Citrus limonum – Família Rutaceae).

- Estipe: caule geralmente cilíndrico, não ramificado, com uma coroa de folhas
apenas no ápice. Ex.: palmeiras (Figura 13A).

- Haste (Figura 14): caule delicado, não lenhoso, ereto, da maioria das ervas. Ex.:
couve (Brassica oleracea – Família Brassicaceae) (Figura 14A), hortelã (Mentha
sp. – Família Lamiaceae) (Figura 14B), girassol (Helianthus annuus – Família
Asteraceae) (Figura 14C).

- Colmo (Figura 14D-E): caules divididos em gomos, com nós e entrenós bem
nítidos. Há colmos cheios, como a cana-de-açúcar (Saccharum officinarum – Família
Poaceae) (Figura 14D) e milho, e ocos, como o bambu (Bambusa spp. – Família
Poaceae) (Figura 14E).

FIGURA 14 – TIPOS DE CAULES

A B C

D E

A-C. Caules do tipo haste. A. Couve (Brassica oleracea – Família Brassicaceae). B. Hortelã (Mentha
sp. – Família Lamiaceae). C. Girassol (Helianthus annuus – Família Asteraceae). D-E. Caules do
tipo colmo. D. cana-de-açúcar (Saccharum officinarum – Família Poaceae). E. bambu (Bambusa
sp. Família Poaceae). FONTE: Disponível em: A. <http://plantas-medicinais.me/wp-content/
uploads/2010/08/mall.jpg>. B.<http://2.bp.blogspot.com/_qqwONhF5NzE/TMwugBiplVI/
AAAAAAAABYY/3kbwLCi5R00/s1600/hortela.gif>. C.<http://www.redeto.com.br/images/
noticia/20131025134918_girassol_flor_simbolo_do_estado_lenna_borges.jpg?KeepThis=true>. D.
<http://www.sistemafaep.org.br/cana-da-acucar-amargo-prejuizo.html>.E. <http://reciclaedecora.
com/wp-content/uploads/bambu.jpg>. Acessos em: 10 jan. 2016.
17
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

- Volúvel (Figura 15A): caule que cresce enrolando-se a um suporte. Pode ser
dextrorso, quando o caule se enrola no sentido horário, como se observa no
guaco (Mikania glomerata – Família Asteraceae), ou sinistrorsos, quando ocorre
no sentido anti-horário, como no cará-do-ar (Dioscorea bulbifera).

- Sarmentoso ou caule prostrado ou rastejante (Figura 15B): através de suas


raízes, estes caules ficam presos ao solo em um ponto. Encontrando um
suporte alguns podem subir, enrolando-se neles, ou formando gavinhas que
se enrolam. Ex.: chuchu (Sechium vulgare – Família Cucurbitaceae), aboboreira
(Cucurbita pepo – Família Cucurbitaceae).

- Estolho (Figura 15C-D): este tipo de caule também rasteja junto à superfície do solo,
tem entrenós bem alongados e em cada nó apresenta gemas e raízes, podendo se
fixar novamente nesse ponto. Ex.: morango (Fragaria sp. – Família Rosaceae).

- Cladódio: este tipo de caule modificado tem como função principal realizar
fotossíntese e/ou reservar água. Geralmente, está presente em plantas afilas
(isto é, sem folhas) ou com folhas reduzidas, comumente transformadas em
espinhos. Ex.: cactos (Família Cactaceae) (Figura 15E), carqueja (Baccharis sp. –
Família Asteraceae).

FIGURA 15 – TIPOS DE CAULES

Estolão

A B C

D E

A. Caule volúvel em Ipomea sp. crescendo sobre outra planta. B. Caule rastejante da aboboreira
(Cucurbita pepo – Família Cucurbitaceae). C-D. Estolho no morangueiro. E. Cladódio em
cactos. FONTE: Disponível em: A. <http://1.bp.blogspot.com/_8flEUDwr_So/TJNFOq8NEdI/
AAAAAAAAAGw/0-jhWGFpAe0/s1600/Campainha+(Ipomea+cairica,+%5BL.%5D+Sweet)+preto1.
jpg>.B. <http://www.henriettesherbal.com/files/images/photos/c/cu/d04_2301_cucurbita-.jpg>
C. <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/caule/imagens/caule64.jpg>.
D. <http://2.bp.blogspot.com/_1c0wmap1eQc/R1SexPVnBrI/AAAAAAAAACE/9z_2XfuxL5Y/s1600-
R/L.jpg. E. http://www.f-lohmueller.de/cactus/Dendrocereus/Dendrocereus012.htm>. Acessos
em: 10 jan. 2016.

18
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

b) Caules subterrâneos

- Rizomas (Figura 16A-B): tem crescimento horizontal, raízes adventícias e ramos


aéreos, e são aclorofilados. Exemplos: íris (Iris sp. – Família Iridaceae), espada-
de-são-jorge (Sanseviera sp. – Família Ruscaceae), lírio-do-brejo (Hedychium
sp. – Família Zingiberaceae), biri (Canna sp. – Família Cannaceae), bananeira
(Musa sp. – Família Poaceae).

- Tubérculo (Figura 16C): quando armazenam substâncias de reserva, com


crescimento limitado. Ex.: batata-inglesa.

- Cormo (Figura 16D): sistema caulinar espessado e comprimido verticalmente,


geralmente envolvido por catafilos (folhas modificadas) secos. Um cormo
difere do tubérculo por ter a base do seu caule larga e não o ápice. Difere do
bulbo por ter mais tecido caulinar e menos catafilos. Ex.: palma-de-santa-rita
ou gladíolo (Gladiolus sp. – Família Iridaceae).

- Bulbos: são caules subterrâneos com entrenós bastante reduzidos, formando


um “disco” basal, de onde surgem muitas folhas modificadas (os catafilos)
que acumulam reservas. Enquanto no cormo as reservas estão no próprio
eixo caulinar, no bulbo estão nos catafilos. Ex.: cebola (Allium cepa – Família
Alliaceae) (Figura 16D), alho (Allium sativus), tulipa (Tulipa sp. – Familia
Liliaceae), lírios (Lilium sp. – Família Liliaceae).

FIGURA 16 – TIPOS DE CAULES SUBTERRÂNEOS

A B Tubérculo Raíz C

Talo Talo
Colo Colo

Catáfilo interno Catáfilo externo


Catáfilo externo

D Prato Prato E
Raiz Raiz

A-B. Caules do tipo rizoma. C. Esquema evidenciando o caule do tipo tubérculo em batata-
inglesa. D. Cormo. E. Bulbo da cebola (Allium cepa – Família Alliaceae).
FONTE: Disponível em: A. <http://www.jardimdeflores.com.br/JARDINAGEM/JPEGS/
A47rizoma2.jpg>. B. <http://www.aulete.com.br/rizoma>.C. <http://www.colegiovascodagama.
pt/ciencias3c/onze/biologiaunidade6repassex.html>.D.<http://1.bp.blogspot.com/_jf5pZSfZAh4/
TShAyerIKMI/AAAAAAAAOok/kbtxbIWA2X0/s1600/santa4.JPG>. E. <http://www.ceasaminas.
com.br/agroqualidade/Cebola/cebmorfologia.jpg>. Acessos em: 10 jan. 2016.

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UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

a) Caules aquáticos

São caules adaptados à vida aquática. A elódea (Elodea sp. – Família


Hydrocharitaceae), por exemplo, apresenta caule do tipo haste, apesar de ser
aquático.

NOTA

Você já ouviu falar sobre modificações caulinares?


São modificações que ocorrem nos caules para que estes possam assumir outras funções,
além das já descritas, como fixar a planta a algum suporte, proteção, ou ainda, assumir o
papel de órgão fotossintetizador. Vamos conhecer mais sobre estas modificações?
As gavinhas (Figura 17) são estruturas que se enrolam em suportes e sustentam caules
escandescentes. Ex.: uva (Vitis vinifera – Família Vitaceae), maracujá-doce (Passiflora edulis –
Família Passifloraceae).

FIGURA 17 – GAVINHAS

A B

A. Abóbora (Cucurbita pepo – Família Cucurbitaceae). B. Chuchu (Sechium edule –


Família Cucurbitaceae).
FONTE: Disponível em: A. <http://floresjardinsdomundo.blogspot.com.br/2011/06/
flores-e-suas-definicoes-gardenia.html>. B. <http://pic80.picturetrail.com/VOL2050/
10580583/22239115/368517796.jpg>. Acessos em: 10 jan. 2016.

Já os espinhos são ramos caulinares curtos, pontiagudos, com função de defesa,


principalmente proteção contra predação. São facilmente observados na laranjeira e no
limoeiro (Citrus spp. – Família Rutaceae).

Mas atenção! Não confunda espinhos caulinares com acúleos. Acúleos são simples formações
epidérmicas, sem vascularização e geralmente sem posição definida no caule. A rosa (Rosa
sp. – Família Rosaceae) (Figura 18A) apresenta acúleos, que são facilmente retirados quando
sob leve pressão. Você já tentou arrancá-los? Entretanto, você não conseguirá fazer o mesmo
com os espinhos do limoeiro, justamente porque são espinhos verdadeiros, e não apenas
uma projeção do tecido mais externo do órgão. Existem também espinhos foliares, que são
folhas modificadas, como nas cactáceas (Figura 18B).

20
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

FIGURA 18 – A DIFERENÇA DE ESPINHOS E ACÚLEOS

A B

A. Acúleos em rosa (Rosa sp. – Família Rosaceae). B. Folhas modificadas em


espinhos em cactos (Cactus sp. – Família Cactaceae).
FONTE: Disponível em: A. <http://4.bp.blogspot.com/_pGLAh1T5rTc/S7BpQNchX9I/
AAAAAAAABEk/gRkU-lpTFjs/s1600/aculeo.jpg>.
B. <http://flores.culturamix.com/informacoes/tudo-sobre-os-cactos>. Acessos em:
10 jan. 2016.

3.3 FORMAS DE VIDA DE PLANTAS VASCULARES (DE


ACORDO COM GIULIETTI ET AL., 1994, P. 17-24; SOUZA
ET AL., 2013, P. 71-79.)
a) De acordo com o tipo de caule

De acordo com o tipo de caule, podemos dividir as plantas em ervas


(Figura 19A), arbustos (Figura 19B) e árvores (Figura 19C).

Assim, uma erva é uma planta com caule não lenhoso (ou seja, não produz
madeira) e, geralmente, não vivendo muito mais de um ano.

- Arbustos e árvores são plantas lenhosas, com caule e ramos, que vivem
vários anos, tornando-se mais espessados a cada estação, à medida que o
câmbio vascular adiciona novas camadas de xilema e floema (veremos com
mais detalhe adiante, quando conversarmos sobre anatomia das plantas).
Enquanto o arbusto não tem um tronco principal, mas vários eixos principais
que aparecem do nível do solo, uma árvore tem sempre um tronco com ramos
apenas na parte superior. Há, contudo, muitas formas intermediárias entre
estes três tipos principais de hábito de vida, como, por exemplo:

- Subarbusto: planta geralmente pequena, com base levemente lenhosa e resto


herbáceo, pouco ramoso, geralmente vivendo vários anos.

- Arvoreta: uma árvore de baixo porte, ou com tronco principal muito curto.

21
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

FIGURA 19 – FORMAS DE VIDA DE ACORDO COM O TIPO DE CAULE

A B C

A. Erva (maria-sem-vergonha, Impatiens sp. – Família Balsaminaceae). B. Arbusto (murta,


Eugenia mattosii – Família Myrtaceae). C. Árvore (ipê-amarelo, Tabebuia sp. – Família
Bignoniaceae).
FONTE: Disponível em: A. <http://dorasantoro.blogspot.com.br/2012/04/maria-sem-
vergonha.html>. B. Souza et al. (2013, p. 74). C. Disponível em: <http://www.viveiroipe.com.
br/?mudas=ipe-amarelo>. Acessos em: 10 jan. 2016.

b) De acordo com a forma de nutrição

De acordo com a forma de nutrição, encontramos plantas:

- Heterotróficas: podem ser:

• Parasitas: parasitam plantas vivas, retirando a seiva elaborada da planta


parasitada. Como exemplo, temos o cipó-chumbo, já mostrado na Figura 7(A-
B), um exemplar da família Balanophoraceae (Figura 20).

FIGURA 20 – PLANTA PARASITA DA FAMÍLIA BALANOPHORACEAE

FONTE: Disponível em: <http://lh6.ggpht.com/_5ylFlh9vpZE/


SpFAgIT4hnI/AAAAAAAAAHI/PJyJXrtzUgA/DSCI8661.JPG>.
Acesso em: 10 jan. 2016.

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TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

• Hemiparasitas ou semiautotróficas. Assim como as holoparasitas, as


hemiparasitas também parasitam plantas vivas, mas, ao contrário, retiram
apenas a seiva bruta. Ex.: ervas-de-passarinho (Figura 7C-D).

• Saprófitas: nutrem-se de matéria orgânica morta. Ex.: Burmanniaceae, algumas


Orchidaceae.

- Autotróficas: podem ser:

• Hidrófitas errantes – vivem sobre a superfície da água, não fixas no substrato.


Como exemplo, podemos citar o aguapé (Eichhornia sp. – Família Pontederiaceae)
e a alface-d’água (Pistia stratiotes – Família Araceae) (Figura 21A).

• Plantas que se autossustentam (não se apoiam sobre outras):

- Fanerófitas: plantas lenhosas ou herbáceas perenes, com mais de 50 cm de


altura, cujos ramos não morrem periodicamente. Ex.: a grande maioria das
árvores, como as figueiras (Figura 21B).
- Caméfitas: plantas lenhosas ou herbáceas perenes, com menos de 50 cm de
altura. Quando mais altas, seus ramos morrem periodicamente. Ex.: muitas
ervas e subarbustos dos campos, cerrados e brejos temporários, plantas com
estolhos ou ramos prostrados etc. (Figura 21C).
- Criptófitas: plantas perenes, herbáceas, com a parte principal do sistema
caulinar reduzida a bulbo, cormo, xilopódio ou rizoma, assim apresentando
suas gemas abaixo da superfície do solo. São subdivididas em geófitas
(gemas em solo seco) (Figura 21D), as hidrófitas fixas (gemas sob a água)
(Figura 21E) e as helófitas (gemas em solo encharcado) (Figura 21F).
- Hemicriptófitas: plantas perenes, herbáceas, com redução periódica do sistema
caulinar a um órgão com as gemas no nível da superfície do solo, podendo
ser um rizoma ou xilopódio, por exemplo. Podemos citar o morangueiro
(Figura 21G).
- Terófitas: plantas anuais; completam todo seu ciclo de vida dentro de um
ano, morrendo após a frutificação e passando a estação desfavorável sob a
forma de semente. Um exemplo bem conhecido é o milho (Figura 21H).

FIGURA 21 – ALGUMAS FORMAS DE VIDA

A B

23
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

C D E

Morangueiro

F Raiz Estolho G H

A. Hidrófitas errantes. B. Fanerófita. C. Caméfita. D. Criptófita, geófita. E. Criptófita, hidrófita fixa.


F. Criptófita helófita. G. Hemicriptófitas. H. Terófita. FONTE: Disponível em:
A. <http://www.plantasquecuram.com.br/ervas/alface-da-agua.html#.VpVPx_krLIU>.
B. <https://py3cvsclaudio.wordpress.com/2012/06/25/aquecimento-global/figueira/>.
C. <http://s193.photobucket.com/user/sdas7/media/DeuterocohniaX1flowersw-
DSCF9006_zpsf4d938c2.jpg.html>.D. <http://ruralpecuaria.com.br/tecnologia-e-manejo/
hortifruti/cobertura-morta-no-manejo-de-plantas-daninhas-em-cebola.html>. E. <http://
bambupublicidade.com.br/wp-content/uploads/2013/09/imagem.php_1.jpeg>.
F. <http://www.wikiwand.com/it/Echinodorus>.G. <http://ptbr.protistaeplantae.wikia.com/wiki/
Mecanismos_assexuados_de_reprodu%C3%A7%C3%A3o_vegetal?file=Estolhos_j.jpg>.
H. <http://www.belagricola.com.br/noticias/24/03/2015/brasil-tera-leve-aumento-na-2-colheita-
de-milho-em>. Acessos em: 10 jan. 2016.

• Plantas que crescem sobre ou apoiadas em outras:

- Lianas: são plantas que germinam no solo e escalam um suporte, mas


mantêm sempre o contato com o solo, como a abóbora e o chuchu (Figura
17).
- Hemiepífitas ou pseudolianas: são plantas que germinam sobre outras
plantas e depois estabelecem raízes no solo (como as figueiras mata-pau,
observadas na Figura 6D, ou muitas espécies de Philodendron – Família
Araceae); ou plantas que germinam no solo, escalam um suporte e
posteriormente desconectam sua ligação com o solo (algumas espécies das
famílias Araceae e Piperaceae).
- Epífitas: plantas que germinam e enraízam sobre outras plantas vivas ou
mortas, ou eventualmente sobre outros suportes, como cercas, postes, etc.
As plantas que crescem sobre rochas são denominadas rupícolas. Dentre as
epífitas, temos muitas espécies de bromélias, orquídeas e cactos.

24
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

4 FOLHA
É o órgão vegetativo das plantas, geralmente com formato laminar,
cuja principal função é a fotossíntese, uma vez que é nelas que encontramos o
pigmento clorofila em maior quantidade.

A folha é uma expansão lateral do caule e tem origem nos primórdios


foliares, que tiveram sua formação a partir da gema durante a fase de seu
crescimento. No processo de desenvolvimento do primórdio foliar ocorre
diferenciação dos tecidos, que geralmente se organizam em uma estrutura laminar.
É um órgão muito bem adaptado à captação de luz e absorção de gás carbônico.
Diante disso, além de realizar a fotossíntese, as folhas estão diretamente ligadas
aos processos de respiração, transpiração e gutação ou sudação.

Quanto à duração, as folhas podem ser persistentes, como os pinheiros


(vegetais perenifólios) ou caducas, como na grande maioria das árvores (vegetais
caducifólios).

4.1 PARTES DE UMA FOLHA COMPLETA


As folhas apresentam uma enorme variedade de tamanho e forma. Por
isso, elas frequentemente servem de ajuda na identificação de plantas e por
esta razão é importante a criação de termos precisos para descrever seus vários
caracteres, como forma do limbo, ápice, base, margem etc.

As folhas das gimnospermas e angiospermas podem apresentar diferenças


entre si, entretanto, uma folha apresenta basicamente as seguintes partes (Figura
22):

• Limbo ou lâmina foliar: porção comumente laminar e verde, na qual são


encontrados os tecidos assimiladores (que participam do processo de
fotossíntese) e as nervuras (formadas pelos tecidos que transportam as seivas).
• Pecíolo: apresenta forma de pequena haste, sustenta o limbo e o prende ao caule
(se não houver bainha). As folhas que o possuem são chamadas pecioladas,
enquanto que as que não o apresentam são chamadas sésseis.
• Bainha: muito frequente em monocotiledôneas. É a parte basal que abraça total
ou parcialmente o caule. As folhas que as apresentam são conhecidas como
invaginantes.

25
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

FIGURA 22 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE FOLHA COMPLETA

Folha peciolada

Folíolo
Pecíolo

Nervuras ramificadas
Folha séssil

Ráquis
ou
Raque
Nervuras ramificadas
DICOTILEDÔNEAS

Folha invaginante

Bainha

Nervuras paralelas Pecíolo

A Pulvino B
MONOCOTILEDÔNEA

A. Folha simples de dicotiledônea e monocotiledônea. B. Folha composta pinada.


FONTE: Disponível em: A. <http://bonsaijuizdefora.blogspot.com.br/2011/11/
fisiologia-vegetal.html>. B. <http://slideplayer.com.br/slide/47695/>. Acessos em:
10 jan. 2016.

4.2 CLASSIFICAÇÃO DAS FOLHAS


a) Quanto à composição

• Simples (Figura 22A, 23A): quando o limbo é indiviso, ou seja, não está dividido
em partes. Ex.: folha de laranjeira, parreira etc.
• Composta (Figura 22B, 23B-H): quando o limbo é dividido em porções
laminares, chamadas de folíolos. Os folíolos podem, também, se subdividir,
formando os foliólulos, como vemos nas folhas bipinadas. Nas folhas tripinadas,
os foliólulos voltam a se subdividir.

As folhas compostas recebem várias denominações de acordo com o


número e disposição dos folíolos. As mais comuns estão listadas a seguir:

- Pinada (Figura 23B-C): com folíolos dispostos oposta ou alternadamente ao


longo de um eixo comum, a raque. Pode ser Paripinada (Figura 23B): pinada,
com um par de folíolos terminais ou Imparipinada (Figura 23C): pinada, com
um folíolo terminal.

26
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

- Bipinada (Figura 23D): com duas ordens de folíolos, cada uma pinada.
- Tripinada (Figura 23E): com três ordens de folíolos, cada uma pinada.
- Palmada ou digitada (Figura 23F): com mais de três folíolos partindo de um
ponto comum.
- Bifoliolada (Figura 23G): com dois folíolos partindo de um ponto comum.
- Trifoliolada (Figura 23H): com três folíolos partindo de um ponto comum.

FIGURA 23 – FOLHAS

A B C D

E F G H

A. Folha simples. B-H. Folhas compostas. B. Pinada, paripinada. C. Pinada, imparipinada. D.


bipinada. E. Tripinada. F. Digitada. G. Bifoliolada. H. Trifoliolada. FONTE: Souza & Lorenzi (2012),
p. 83, 281, 285, 302, 280, 496, 295, 400, respectivamente.

b) Quanto à forma do limbo:

O formato do limbo ou lâmina foliar é uma característica muito importante,


utilizada, por exemplo, para distinguir espécies e famílias botânicas. Conheça a
seguir as principais formas:

• Linear (Figura 24A): forma alongada e apresenta uma só nervura. Há ainda


uma forma especial de folhas lineares chamada acicular, onde a folha apresenta
forma de agulha;
• Falciforme (Figura 24B): em forma de foice;

27
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

• Cordiforme (Figura 24C): em forma de coração;


• Hastiforme (Figura 24D): triangular com dois lobos basais;
• Lanceolada (Figura 24E): o aspecto lembra uma lança. A folha é mais longa que
larga e estreita-se em direção ao ápice;
• Oblanceolada (Figura 24F): a folha tem a forma lanceolada, mas invertida, isto
é, a parte mais larga é a apical;
• Reniforme (Figura 24G): em forma de um rim;
• Deltoide (Figura 24H): em forma de delta ou triângulo. O ápice da folha
corresponde ao ápice do triângulo;
• Espatulada (Figura 24I): folha larga próxima ao ápice e com uma base
longamente atenuada. Há uma variação chamada oboval (Figura 24K), mas a
base não é tão atenuada quanto em folhas espatuladas;
• Oval (Figura 24J): a folha tem a forma oval, com a parte mais larga voltada para
a base;
• Runcinada (Figura 24L): oblanceolada com margens partidas ou laceradas, e o
ápice mostra-se mais desenvolvido;
• Sagitiforme (Figura 24M): lembra uma seta, triangular-oval com dois lobos
basais retos ou ligeiramente encurvados;
• Orbicular (Figura 24N): a folha tem forma circular;
• Oblonga (Figura 24O): a folha é mais longa que larga e com bordos quase
paralelos na maior parte de sua extensão;
• Elíptica (Figura 24P): a folha tem um formato elíptico;
• Romboidal (Figura 24Q): a folha tem forma de um losango ou rombo.

FIGURA 24 – CLASSIFICAÇÃO DAS FOLHAS QUANTO À FORMA DO LIMBO

FONTE: Giulietti et al. (1994, s/n)

28
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

c) Quanto à margem do limbo:

Pode-se classificar as folhas e folíolos de acordo com o tipo de margem


que apresentam. Seguem os tipos mais comuns:

• Lisa ou inteira (Figura 25A): como o nome sugere, a margem é lisa, não
apresentando reentrâncias;
• Repanda (Figura 25B): margem levemente sinuosa;
• Crenada (Figura 25C): margem dividida em pequenos lobos obtusos e
arredondados (dentes arredondados);
• Denteada (Figura 25D): também chamada dentada. Esta margem apresenta
lobos comumente agudos que se colocam em ângulo reto em relação ao meio
do limbo. Há uma variedade denominada denticulada, mas esta diferencia-se
da primeira por apresentar lobos muito menores. Importante: não confundir
com a serreada, onde os lobos são voltados para o ápice foliar;
• Serreada (Figura 25E): ou serrada. Apresenta lobos agudos a ascendentes, ou
seja, direcionados para o ápice;
• Erosa (Figura 25F): é constituída por lobos, ou “dentes”, distribuídos de forma
irregular ao longo de toda margem, passando a impressão de terem sido roídas
ou desgastadas;
• Crespa (Figura 25G): margem excessivamente irregular e ondulada;
• Sinuada (Figura 25H): margem sinuosa.

FIGURA 25 – CLASSIFICAÇÃO DAS FOLHAS QUANTO À MARGEM DO LIMBO

A B C D E F G H

A. Lisa ou inteira. B. Repanda. C. Crenada. D. Denteada. E. Serreada. F. Erosa. G. Crespa. H.


Sinuada. FONTE: Gonçalves & Lorenzi (2007), p. 37.

d) Quanto à base do limbo:

• Aguda (Figura 26A): quando os bordos na inserção com o pecíolo formam um


ângulo agudo;
• Cuneada (Figura 26B): as margens juntam-se em um ângulo de 45º com a
nervura central;

29
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

• Obtusa (Figura 26C): quando os bordos na inserção do pecíolo formam um


ângulo obtuso;
• Arredondada (Figura 26D): a base apresenta-se como um semicírculo;
• Truncada (Figura 26E): quando os bordos na inserção com o pecíolo parecem
ter sido cortados;
• Decorrente (Figura 26F): quando a base se estende além do ponto de inserção
no caule, tornando-o alado;
• Atenuada (Figura 26G): quando os bordos na inserção com o pecíolo afinam-se
gradativamente;
• Assimétrica (Figura 26H): também chamada oblíqua. Apresenta base
assimétrica;
• Subcordada (Figura 26I): folha basicamente cordada, mas que apresenta lobos
posteriores menos proeminentes que uma folha cordada típica;
• Cordada (Figura 26J): quando os bordos na inserção com o pecíolo recurvam-
se dando à base a forma de um coração;
• Sagitada (Figura 26K): quando os bordos na inserção com o pecíolo dão à folha
uma forma de seta;
• Hastada (Figura 26L): folha com lobos orientados perpendicularmente ao seu
eixo principal. Assemelha-se à folha sagitada, mas se diferencia por apresentar
lobos perpendiculares, não paralelos ao eixo do órgão.

FIGURA 26 – CLASSIFICAÇÃO DAS FOLHAS QUANTO À BASE

A B C

D E F

G H I

J K L

A. Aguda. B. Cuneada. C. Obtusa. D. Arredondada. E. Truncada. F.


Decorrente. G. Atenuada. H. Assimétrica. I. Subcordada. J. Cordada.
K. Sagitada. L. Hastada. FONTE: Gonçalves & Lorenzi (2007), p. 34.

30
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

e) Quanto ao ápice do limbo:

Da mesma forma que vimos anteriormente os diferentes tipos de base,


encontramos também uma diversidade grande de ápices foliares. Conheça os
principais (Figura 27):

• Acuminado: quando os bordos da lâmina formam no ápice uma ponta aguda


e comprida;
• Agudo: quando os bordos da lâmina formam no ápice um ângulo agudo;
• Obtuso: quando os bordos da lâmina formam no ápice um ângulo obtuso;
• Truncado: quando o ápice parece ter sido cortado; por terminar abruptamente;
• Emarginado: quando os bordos da lâmina formam, gradualmente no ápice,
uma reentrância;
• Obcordado: quando os bordos da lâmina formam no ápice uma pequena
reentrância, parecendo um coração invertido;
• Cuspidata: ou cuspidada. Forma curta de ápice acuminado;
• Mucronata: ápice que apresenta-se extremamente abrupto, mas continuado
por uma porção pontiaguda, rígida, quase sempre representada pela nervura
central. Este tipo de ápice também é chamado aristado.

FIGURA 27 – CLASSIFICAÇÃO DAS FOLHAS QUANTO O ÁPICE DO LIMBO

acuminata emarginada

aguda obcordada

obtusa cuspidata

truncada mucronata

FONTE: Disponível em: <http://farmacobotanica.xpg.uol.com.br/aula3p2.


html>. Acesso em: 10 jan. 2016.

f) Disposição das nervuras

As folhas podem ser classificadas de acordo com o tipo de venação (ou


nervação), ou seja, quanto à disposição de suas nervuras:

• Pinada ou peninérvea: quando existe uma única nervura primária servindo de


origem para as nervuras de ordens superiores. Há aqui três tipos principais:

- craspedódroma (Figura 28A): quando as nervuras secundárias terminam na


margem;
- camptódroma (Figura 28B): as nervuras secundárias não terminam na margem;
- hifódroma ou uninérvea (Figura 28C): quando só existe a nervura primária,
estando as outras ausentes;

31
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

• Actinódroma ou palmatinérvea (Figura 28D): quando três ou mais nervuras


primárias divergem radialmente de um ponto único;
• Acródroma ou curvinérvea (Figura 28E): quando duas ou mais nervuras
primárias ou secundárias muito desenvolvidas formam arcos convergentes no
ápice da folha. Os arcos são recurvados na base;
• Campilódroma (Figura 28F): quando muitas nervuras primárias ou suas
ramificações se originam de um ponto comum e formam arcos muito recurvados
antes de se convergirem em direção ao ápice da folha;
• Paralelódroma ou paralelinérvea (Figura 28G): quando duas ou mais nervuras
primárias originadas uma ao lado da outra na base da folha correm paralelas
até o ápice, onde convergem.

FIGURA 28 – CLASSIFICAÇÃO DAS FOLHAS DE ACORDO COM A NERVAÇÃO

A B C D E F G

A. Pinada: craspedódroma. B. Pinada: camptódroma. C. Pinada: uninérvea. D. Actinódroma


ou Palmatinérvea. E. Acródromo ou curvinérvea. F. Campilódroma. G. Paralelódrama ou
paralelinérvea. FONTE: Gonçalves & Lorenzi (2007), p. 38, modificado.

g) Presença de tricomas:

Segundo Souza et al., (2013, p. 112), “os tricomas são projeções da epiderme
e podem estar presentes em qualquer parte do vegetal, assumindo diferentes
funções, que incluem desde a proteção contra o excesso de radiação solar até o
auxílio na dispersão das sementes”.

De forma geral, dividimos as folhas em glabras, quando os tricomas não


estão presentes, e pilosas, quando possuem tricomas. Neste caso também existem
denominações específicas no que se refere à forma, distribuição, frequência e tipo
de tricomas (veremos estes detalhes quando estudarmos a anatomia das folhas).

h) Cor

As folhas são classificadas em uniforme (Figura 29A), quando apresentam


uma só cor, geralmente verde; ou variegada ou maculada (Figura 29B), quando as
vemos com vários tons de verde, ou ainda com manchas irregulares de outra cor.

32
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

FIGURA 29 – CLASSIFICAÇÃO DAS FOLHAS QUANTO A COR

A B

(A) Uniforme e (B) Variegada. FONTE: Disponível em: A. <http://www.40forever.


com.br/folhas-de-chocolate/>. B. <https://www.flickr.com/photos/32378995@
N08/3044424196>. Acessos em: 10 jan. 2016.

4.3 FILOTAXIA
Filotaxia é o arranjo ou disposição das folhas no caule. A forma como as
folhas estão dispostas é muito importante para a planta, porque pode evitar o
sombreamento da folha situada logo abaixo.

Os tipos básicos de filotaxia são:

• Esparsa (Figura 30A): quando não há um padrão de inserção das folhas no


caule;
• Alterna (Figura 30B): quando há apenas uma única folha por nó. Por conta
disto, as folhas (ou folíolos) mostram-se em níveis diferentes no caule;
• Oposta (Figura 30C): quando há duas folhas por nó, ou seja, duas folhas se
inserem no caule ao mesmo nível, mas em oposição, isto é, pecíolo contra
pecíolo. Quando o par de folhas superior coloca-se em situação cruzada em
relação ao inferior, temos a filotaxia oposta-cruzada (Figura 30D).
• Verticilada (Figura 30E): três ou mais folhas dispõem-se no mesmo nó.

FIGURA 30 – ESQUEMAS REPRESENTANDO AS DIVERSAS FORMAS DE FILOTAXIAS

A B C D E

A. Esparsa. B. Alterna. C. Oposta. D. Oposta cruzada. E. Verticilada. FONTE:


Disponível em: <http://botanicavirtual.udl.es/fulla/filotax.htm>. Acesso em: 10
jan. 2016.

33
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

4.4 MODIFICAÇÕES FOLIARES


Muitas espécies de vegetais possuem folhas modificadas para realizar
funções especiais ou para assegurar a sobrevivência em condições excepcionais,
recebendo denominações distintas. A seguir estão listados os principais exemplos:

• Cotilédones (Figura 31): são folhas embrionárias com função de nutrição


(reserva), encontradas nas sementes.

• Folhas carnívoras (ou insetívoras): mostram diversas adaptações para a captura


de insetos e outros organismos. Pode apresentar folhas em forma de urna,
como em Nepenthes sp. (Família Nepenthaceae) (Figura 31A); folhas dotadas
de cerdas ou tentáculos secretores, como em Drosera sp. e Dioneae sp., ambas
pertencentes à Família Droseraceae (Figura 31B-C).

• Brácteas (proteção e atração): as folhas podem estar transformadas em estruturas


vistosas ou atrativas, que auxiliam a polinização. Ex.: bico-de-papagaio (Figura
31D), antúrio (Figura 31E), margarida etc.

• Gavinhas (fixação): tem por função a fixação da planta em um suporte. Ex.:


ervilha (Pisum sativum – Família Fabaceae). Mas tenha cuidado para não
confundir com as gavinhas caulinares, já mostradas na Figura 17.

• Escamas e catafilos: são folhas, geralmente incolores e carnosas, que cobrem os


bulbos e que protegem as gemas axilares de muitas plantas. Ex.: cebola (Allium
cepa) (Figura 16E).

• Espinhos: é uma estrutura geralmente lignificada, que apresenta tecido vascular


e que corresponde à folha ou porção desta. Ocorrem espinhos na margem das
folhas do Ilex aquifolium. Em muitas cactáceas (Figura 18B), as folhas podem
estar transformadas em espinhos, para reduzir a transpiração.

34
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

FIGURA 31 – MODIFICAÇÕES FOLIARES

A B C

Flores

Brácteas

D E

A-C. Plantas carnívoras. A. Nepenthes (Família Nepenthaceae). B. Dionaea e C. Drosera


(Família Droseraceae). D-E. Folhas modificadas em brácteas. D. Bico-de-papagaio (Euphorbia sp.
– Família Euphorbiaceae). E. Antúrio (Anthurium sp. – Família Araceae).
FONTE: Disponível em: A. <http://farm4.static.flickr.com/3661/3320181982_d8646db71e.jpg>. B.
<http://3.bp.blogspot.com/_INLEQFN9P4M/TKzhQJGsT8I/AAAAAAAAAPQ/8rTOAh6L2eY/s1600/
intermedia.jpg>. C. <http://www.sempretops.com/wp-content/uploads/Plantas-Carnivoras-
Fotos-e-Curiosidades-FOTO-1.jpg>. D. <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/folha/
imagens/folha-58.jpg>. E. <http://www.tocadoverde.com.br/anturio-vermelho.html>. Acessos
em: 10 jan. 2016.

35
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico você viu que:

• Organografia vegetal é o campo da Botânica que se dedica ao estudo da


morfologia externa, ou seja, da forma e da estrutura dos órgãos das plantas,
classificando e nomeando as estruturas vegetais e suas variações.

• Algumas funções das raízes: fixação, sustentação, absorção de água e sais


minerais, condução da seiva ao caule, reserva nutritiva (em algumas), respiração
(aeração).

• As raízes axiais têm origem na radícula do embrião, e as adventícias originam-


se de outros órgãos, principalmente do caule.

• Na região inicial da raiz observamos a coifa, zona de distensão, zona pilífera e


zona de ramificação.

• As raízes podem ser subterrâneas, aéreas ou aquáticas.

• As raízes podem ser classificadas de forma especial de acordo com sua função e
estrutura, como as raízes tuberosas, suporte, tabulares, escora, estrangulantes,
sugadoras, respiratória, pneumatóforos, grampiformes, cintura, contrácteis.

• O caule pode apresentar folhas, gemas laterais e apicais, onde existem


meristemas primários, e nós e entrenós.

• Os dois tipos principais de ramificação e crescimento são monopodial e


simpodial.

• Os caules podem ser classificados em aéreos (tronco, tronco suculento, haste,


estipe, colmo, volúvel, sarmentoso, estolho, cladódio) e subterrâneos (rizomas,
tubérculo, cormo, bulbo, xilopódio). Podemos encontrar também caules
aquáticos.

• Existem algumas modificações caulinares, como as gavinhas e espinhos.

• Os caules podem ser classificados, também, de acordo com o modo de vida e


nutrição.

• As folhas exercem algumas funções, como a fotossíntese, respiração,


transpiração e gutação ou sudação.

• Uma folha apresenta, basicamente, limbo, pecíolo e bainha.

36
• As folhas podem ser classificadas quanto à inserção no caule, à composição,
à forma do limbo, à margem do limbo, à base do limbo, ao ápice do limbo, à
disposição das nervuras, à presença de tricomas, de acordo com a consistência
e com a cor.

• Existem algumas modificações foliares, como cotilédones, folhas coletoras,


folhas carnívoras, gavinhas, catafilos, espinhos e brácteas.

• Filotaxia é o arranjo ou disposição das folhas no caule. Ela pode ser: oposta,
oposta-cruzada, verticilada e alterna.

37
AUTOATIVIDADE

1 Assinale com X nos quadrados correspondentes ao(s) tipo(s) de caule(s) das


plantas listadas. Mas atenção! Uma planta pode desenvolver mais de um
tipo de caule!
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Tronco
Haste
Estipe
Colmo
Sarmentoso
Volúvel
Estolho
Cladódio
Rizoma
Tubérculo
Bulbo
Cormo

Plantas:
1 - Cactos 4 - Gengibre 7 - Goiabeira 10 - Palmito
2 - Palma-de-santa-rita 5 - Chuchu 8 - Batata-inglesa 11 - Bambu
3 - Morango 6 - Alho 9 - Agrião 12 - Feijão-de-vara

2 Relacione as colunas de acordo com as formas de vida das plantas:

(1) Vitória-régia ( ) Liana


(2) Milho ( ) Hidrófita fixa
(3) Junco ( ) Fanerófita
(4) Carqueja ( ) Hidrófita errante
(5) Gengibre ( ) Caméfita
(6) Ipê-amarelo ( ) Geófita
(7) Aguapé ( ) Hemicriptófita
(8) Morango ( ) Terófita
(9) Uva ( ) Epífita
(10) Orquídea ( ) Helófita

3 Diga que tipo de raízes compõe o sistema radicular das plantas listadas a
seguir:

a) cenoura:
b) palmeira-juçara:
c) cipó-chumbo:
d) hera:
e) aipim:

38
4 Cite um tipo de planta que apresenta o seguinte tipo de raiz:

a) cintura:
b) respiratória:
c) tabular:
d) aquática:

5 Diga se as características a seguir são de raiz (R) ou de caule (C):

( ) Possui gemas apical e axilares


( ) Geralmente tem fototropismo positivo
( ) Apresenta coifa para proteção do meristema
( ) Geralmente tem geotropismo positivo
( ) Não apresenta folhas
( ) Tem nós e entrenós

6 Analise as características a seguir e diga como se chama a folha que a


apresenta:

a) possui pelos ou tricomas –


b) composta por número ímpar de folíolos –
c) tem nervuras primárias paralelas entre si –
d) especializada para captura de insetos –
e) tem forma de rim –
f) tem manchas coloridas irregulares –

7 Brácteas e catafilos são folhas modificadas. Assinale a alternativa que indica,


respectivamente, a sua função e um exemplo de planta que os apresenta:

a) ( ) Proteção de gemas subterrâneas e armazenamento de substâncias;


antúrio e gengibre;
b) ( ) Armazenamento de substâncias e atração de polinizadores; banana e
copo-de-leite;
c) ( ) Atração de polinizadores e armazenamento de substâncias; copo-de-
leite e cebola;
d) ( ) Fotossíntese e proteção de gemas subterrâneas; gengibre e primavera;
e) ( ) Fotossíntese e transpiração; espírito-santo e cebola.

39
40
UNIDADE 1
TÓPICO 2

MORFOLOGIA EXTERNA DA FLOR E INFLORESCÊNCIAS

1 INTRODUÇÃO
Este tópico abordará a estrutura dos órgãos reprodutivos do grupo
de plantas vasculares terrestres mais derivado. Vamos descobrir como estão
estruturadas as flores, suas funções e inflorescências e os frutos, órgãos que
ajudam na dispersão dos indivíduos. Vamos lá?

2 FLOR
A flor aparece nas gimnospermas com aspecto rudimentar e são chamadas
de estróbilos ou cones, tornando-se mais especializadas nas angiospermas,
o grupo mais derivado (evoluído) das plantas. Ela é um conjunto de folhas
modificadas que constitui o aparelho reprodutivo desse grupo vegetal.

De forma geral, uma flor é composta das seguintes estruturas:

• Verticilos de Proteção (que somados formam o Perianto):

- Sépalas – geralmente verdes ou não muito vistosas, cuja função é a proteção


das demais partes da flor no botão floral. O conjunto de sépalas constitui o
Cálice, representado muitas vezes pela letra K.
- Pétalas – geralmente coloridas e muito vistosas, cuja função é a atração
de agentes polinizadores. O conjunto de pétalas é chamado de Corola, e é
representado pela letra C.

• Verticilos de Reprodução:

- Estames – seu conjunto é nomeado Androceu. São folhas férteis masculinas,


formadas por uma haste, o filete, e uma parte intumescida, a antera, onde são
produzidos e alocados os grãos-de-pólen.
- Carpelos – seu conjunto é chamado Gineceu. Correspondem às folhas férteis
femininas, ou seja, o órgão reprodutor feminino, composto pelo estigma (que
recebe o grão-de-pólen), um tubo denominado estilete e o ovário, onde são
encontrados os óvulos. E veja que interessante: se a flor for fecundada, ou seja,
se o grão-de-pólen chegar até o estigma do carpelo, o ovário se transformará
em um fruto e o óvulo fecundado em uma semente. Veremos mais detalhes
quando estudarmos Frutos e Reprodução em Angiospermas.
41
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

• Receptáculo – segundo Gonçalves & Lorenzi (2007, p. 356), é a porção apical


usualmente alargada do pedicelo em algumas plantas, onde estão inseridos os
verticilos florais.

Pedúnculo ou pedicelo – é o eixo que sustenta a flor.

FIGURA 32 – COMPOSIÇÃO BÁSICA DE UMA FLOR

Estame 
Estigma
Antera
Tépalas

Filete

Estilete Corola

Ovário

Óvulo Cálice
Pistilo
(ou gineceu) Receptáculo

Pedicelo

Observação: quando as sépalas e pétalas forem iguais, elas são denominadas de


tépalas. FONTE: Mariah, Santos & Bittencurt-Jr. (2006, p. 358).

2.1 CLASSIFICAÇÕES GERAIS


As principais formas de classificação das flores estão listadas a seguir.
Vamos conferir?

a) Quanto à presença do pedicelo ou pedúnculo:

Se a flor presentar esta estrutura, ela é denominada flor pedunculada,


caso contrário é chamada flor séssil.

b) Quanto à disposição do receptáculo:

• Cíclica (Figura 33A): todos os verticilos formam círculos concêntricos.


Facilmente observada em flores mais derivadas (evoluídas) dentro do reino
vegetal. Nestas flores, o gineceu ocupa a porção central, rodeado pelo androceu,
que por sua vez apresenta-se mais interno que as pétalas, que são cercadas
pelas sépalas. Ex: rosa, maracujá, azaléa (Rhododendro sp. – Família Ericaceae),
maçã (Malus sp. – Família Rosaceae).
• Hemicíclica: cálice e corola formam círculos concêntricos e o gineceu e o
androceu um espiral. O número de estames e carpelos não é constante. Ex:
fruta-do-conde (Annona squamosa – Família Annonaceae).
42
TÓPICO 2 | MORFOLOGIA EXTERNA DA FLOR E INFLORESCÊNCIAS

• Acíclica: tanto cálice, corola, gineceu e androceu distribuem-se de forma


espiralada e não têm número definido de elementos. Ex: baguaçu (Magnolia
ovata) e todas as magnólias (Magnolia sp. – Família Magnoliaceae).

c) Flor quanto à simetria:

• Radial ou actinomorfa (Figura 33A): disposição igual de todas peças, com


diversos planos de simetria, ou seja, você consegue traçar vários planos de
corte e sempre obtém duas metades iguais.
• Bilateral ou zigomorfa (Figura 33B): apresenta um único plano de simetria, ou
seja, você só consegue traçar um único plano de corte para obter duas metades
iguais.
• Irregular: não apresenta nenhum plano de simetria. Observado com menos
frequência.

FIGURA 33 – FLORES QUANTO A SIMETRIA

A B

(A) Actinomorfa (Ludwigia sp – Família Onagraceae.) e (B) Zigomorfa (orquídea


– Orchidaceae). FONTE: Disponível em: A. <http://images.summitpost.org/
original/921411.jpg>. B. <http://flores.culturamix.com/dicas/dicas-para-melhorar-o-
cultivo-de-orquideas>. Acessos em: 10 jan. 2016.

d) Quanto aos órgãos de reprodução:

• Bissexuada, monóclina, hermafrodita – a flor apresenta tanto androceu quanto


gineceu, como observado nas Figuras 33 e 34A.
• Unissexuada ou díclina – cada flor apresenta apenas a parte feminina ou
masculina, como ocorre no mamão. Ex: mamão (Figura 34B), abóbora, pepino.
Quando encontramos flores díclinas femininas e masculinas em um mesmo
indivíduo, o chamamos de monoico. Da mesma forma, quando o vegetal
produz apenas um tipo ou outro de flor díclina, o chamamos de dioico. Há
casos raros onde encontramos flores monóclinas e díclinas em uma mesma
planta. Estas são denominadas poligâmicas.

43
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

E
IMPORTANT

As flores que só possuem o androceu, ou seja, as flores díclinas masculinas, são


também denominadas de flores estaminadas, enquanto que as flores que só apresentam o
gineceu, ou seja, as flores díclinas femininas, são chamadas de flores carpeladas ou pistiladas.
Atualmente, Cocucci & Mariath (1995, p. 59) sugeriram uma nova terminologia. Veja:
- Flores hermafroditas: flores androginospóricas;
- Flores unissexuadas femininas: ginospóricas;
- Flores unissexuadas masculinas: androspóricas.

FIGURA 34 – FLORES QUANTO À PRESENÇA DOS VERTICILOS E REPRODUÇÃO

Carpelo
 Carpelo
Estame

Pétala
Pétala

Sépala
Sépala
Receptáculo floral
Pedúnculo floral
Receptáculo floral
A Pedúnculo floral B
Monóclina ou hermafrodita Diclina feminina


Estame

Pétala

Sépala

Receptáculo floral
Pedúnculo floral
C
Diclina masculina

A. Flor monóclina (androginospórica). B-C. Flores díclinas. B. Díclina feminina (ginospórica). C.


Díclina masculina (androspórica). FONTE: Disponível em: <http://blogdaprofadriela.blogspot.
com.br/2013_08_01_archive.html>. Acesso em: 10 jan. 2016.

44
TÓPICO 2 | MORFOLOGIA EXTERNA DA FLOR E INFLORESCÊNCIAS

2.2 PERIANTO
a) Quanto ao perianto (cálice e corola):

• Aperiantada nua ou aclamídea: sem perianto. Ex.: amora (Morus sp.- Família
Moraceae) (Fig. 35A).
• Monoperiantada ou monoclamídea: apresenta apenas ou cálice ou corola
(Figura 35B).
• Diperiantada ou diclamídea: diz-se da flor que apresenta cálice e corola (Figura
35C).

FIGURA 35 – FLORES QUANTO AO TIPO DE PERIANTO

A B C

(A) Aclamídea, (B) Monoclamídea e (C) Diclamídea.


FONTE: Disponível em: A. <http://www.bio.tamu.edu/courses/biol301/mor_alb_f.jpg>.
B. <http://lh3.ggpht.com/_ofF5B1eh_dM/StYVqZEfPuI/AAAAAAAAF6c/sl9cnjbPE2o/araliaceae.
jpg>.C. <http://www.magiazen.com.br/wp-content/uploads/2009/06/lirio_rosa-300x225.jpg>.
Acessos em: 10 jan. 2016.

E
IMPORTANT

Alguns pesquisadores usam o termo perigônio para definir plantas que


apresentam apenas um dos verticilos protetores (ou seja, cálice ou corola) ou apresenta os
dois, mas estes se apresentam de forma igual (flor diclamídea homoclamídea).

b) Quanto aos verticilos protetores:

• Heteroclamídea: com cálice e corola distintos, como se observa na Figura 33A.


• Homoclamídea: com cálice e corola semelhantes (tépalas). Ex.: lírio (Figura
35B).

45
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

2.2.1 Cálice (representado pela letra K)


a) Quanto ao número de sépalas:

• Monossépalo ou monômero: com uma única sépala;


• Dissépala ou dímero: com duas sépalas;
• Trissépalo ou trímero: com três sépalas;
• Tetrassépalo ou tetrâmero: com quatro sépalas;
• Pentassépalo ou pentâmero: com cinco sépalas;
• Polissépalo ou polímero: mais de cinco sépalas.

b) Quanto à união das sépalas:

• Dialissépalo (corissépalo) (Figura 36A): sépalas não concrescidas, livres entre


si;
• Gamossépalo (sinssépalo) (Figura 36B): sépalas concrescidas parcialmente ou
totalmente. Pode ser, ainda, inteiro, lobado, fendido e denteado.

c) Quanto à duração:

• Caduco: se desprende antes da antese (abertura da flor);


• Decíduo: se desprende logo depois da antese;
• Persistente: permanece na flor antes e depois da abertura, podendo ser:

- Marcescente: permanece, mas seca.


- Acrescente: cálice permanece e cresce junto com o fruto, como vemos no tomate.

2.2.2 Corola (representado pela letra C)


a) quanto ao número de pétalas:

• Monopétala ou monômera: com uma única pétala;


• Dipétala ou dímera: duas pétalas;
• Tripétala ou trímera: três pétalas;
• Tetrapétala ou tetrâmero: quatro pétalas;
• Pentapétala ou pentâmera: cinco pétalas;
• Polipétala ou polímera: com muitas pétalas.

b) Quanto à união das peças:

• Dialipétala ou arquiclamídea (coripétala) (Figura 36C): as pétalas não estão


unidas entre si, Ex.: roseira;
• Gamopétala ou metaclamídea (simpétalas) (Figura 36D): as pétalas estão
unidas umas às outras. Ex.: azaleia.

46
TÓPICO 2 | MORFOLOGIA EXTERNA DA FLOR E INFLORESCÊNCIAS

FIGURA 36 – EXEMPLOS DE CÁLICES E COROLAS

A B

C D

A. Cálice dialissépalo da alamanda-amarela (Allamanda cathartica –


Família Apocynaceae). B. Cálice gamossépalo do fumo (Nicotiana
tabacum – Família Solanaceae). C. Corola dialipétala do amor-perfeito
(Viola sp. – Família Violaceae). D. Corola gamopétala da berinjela (Solanum
melongena – Família Solanaceae). FONTE: Souza et al. (2013), p. 142.

2.3 ANDROCEU (REPRESENTADO PELA LETRA A)


O conjunto de estames é denominado androceu e representa a parte
masculina da flor. Os estames são formados pela antera, onde são produzidos os
grãos-de-pólen, e pelo filete, que é a haste que sustenta e eleva a antera (Figura
32). Em casos menos frequentes, o filete pode estar ausente. Neste caso o estame
é denominado séssil.

Classicamente o estame é interpretado como um androsporófilo


(=microsporófilo) que porta os androsporângios (=microsporângios ou sacos
polínicos).

2.3.1 Algumas classificações


a) Quanto ao número de estames numa flor:

O número de estames por flor é variável. Existem flores com um só estame,


e flores com mais de cem estames. Quando encontramos de um até 12 estames, a
flor apresenta androceu definido (Figura 37A,C), enquanto que, se houver mais
de 12, o chamamos de indefinido (Figura 37B).

b) Quanto ao número de estames “versus” número de peças nos verticilos


protetores:

47
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

• Oligostêmone: número de estames menor que o número de pétalas;


• Isostêmone: número de estames igual ao número de pétalas;
• Diplostêmone: número de estames é o dobro do número de pétalas;
• Polistêmone: número de estames maior que o número de pétalas.

c) Quanto à união dos estames:

• Gamostêmone (Figura 37A): os estames apresentam-se unidos entre si. Podem


estar unidos pelas anteras ou pelos filetes.
• Dialistêmone (Figura 37B-C): estames livres entre si. Estes estames podem ser
regulares (quando todos apresentam aproximadamente o mesmo tamanho,
como no maracujá; ou irregulares, quando os estames apresentam tamanhos
diferentes, como no ipê-amarelo (Figura 37C)).

FIGURA 37 – ANDROCEU

A B C

A. Androceu definido, regular e gamostêmone de tomate (Solanum lycopersicum –


Família Solanaceae). B. Androceu indefinido, regular e dialistêmone de flamboyanzinho
(Caesalpinia pulcherrima – Família Fabaceae). C. Androceu definido, irregular e dialistêmone
de ipê-amarelo. FONTE: Disponível em: A. <http://farmacobotanica.xpg.uol.com.br/
Lycopersicon%20esculentum.JPG>. B. <http://farmacobotanica.xpg.uol.com.br/Caesalpinia_
pulcherrima.JPG>. C. <https://timblindim.files.wordpress.com/2008/07/estames_
tabebuias_1x.jpg>. Acessos em: 10 jan. 2016.

a) Quanto à união dos estames com as pétalas:

• Livres: os estames estão presos apenas ao receptáculo, sendo livres desde a


base.
• Epipétalos: os estames estão presos às pétalas.

b) Quanto à fixação da antera ao filete:

• Antera apicefixa (Figura 38A): o filete une-se à antera pelo ápice (mais raro).
• Antera dorsifixa (Figura 38B): o filete une-se à antera pelo dorso.
• Antera basifixa (Figura 38C): o filete une-se à antera pela base.

48
TÓPICO 2 | MORFOLOGIA EXTERNA DA FLOR E INFLORESCÊNCIAS

c) Quanto à abertura da antera para liberação dos grãos-de-pólen:

• Poricida (Figura 38D): a liberação do grão-de-pólen se dá através de poros no


ápice da antera. Ex.: quaresmeira, azaleia.
• Longitudinal (Figura 38E): a liberação do grão-de-pólen se dá através da
deiscência da teca por uma fenda longitudinal. Ex.: lírio-amarelo.
• Valvar (Figura 38F) (mais rara): a liberação do grão-de-pólen se dá através de
uma ou duas valvas em cada teca. Ex.: espécies da família Lauraceae, como a
canela e o abacate (Persea americana).

FIGURA 38 – ANTERAS

A B C

D E
C F

A-C. Anteras quanto à sua posição em relação ao filete. A. Apicefixa, B.


Dorsifixa. C. Basifixa. D-F. Abertura da antera. A. Poricida. B. Longitudinal. C.
Valvar. Fonte: Vidal & Vidal, 2005, p. 29.

2.4 GINECEU (REPRESENTADO PELA LETRA G)


É o conjunto de carpelos. Os carpelos são órgãos reprodutores femininos
que formam um ou mais pistilos.

Morfologicamente, o gineceu compreende as seguintes partes: ovário,


estilete e estigma (Figura 32). O ovário é a porção basal, dilatada que contém
um ou mais óvulos localizados dentro de cavidades chamadas lóculo. O estilete
é uma porção geralmente alongada e cilíndrica que une o ovário ao estigma. O
estigma é a porção mais superior que recebe os grãos-de-pólen, tendo geralmente
uma superfície pilosa ou rugosa. Quando o carpelo apresenta todas as partes
mencionadas é chamado de completo. Se lhe faltar o estigma (como no abacateiro)
ou o estilete (como no mamoeiro) é denominado incompleto.

49
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

2.4.1 Algumas classificações


a) Quanto ao número de carpelos:

• Unicarpelar: apresenta apenas um único carpelo;


• Multicarpelar: composto por dois ou mais carpelos. Temos:

- Bicarpelar: com dois carpelos;


- Tricarpelar: com três carpelos;
- Tetracarpelar: com quatro carpelos;
- Pentacarpelar: com cinco carpelos.

b) Quanto à união dos carpelos do gineceu multicarpelar:

• Dialicarpelar ou apocárpico (Figura 39A): todos os carpelos encontram-se


separados. Ex.: magnólia.
• Gamocarpelar ou sincárpico (Figura 39B): todos os carpelos são concrescidos.
Ex.: mamão, maracujá.

FIGURA 39 – TIPOS DE GINECEU

A B C D

A. Três carpelos dialicarpelares, cada um com um estigma, um estilete e um ovário. B-D.


Gineceu tricarpelar gamocarpelar. B. Gineceu com três estigmas, três estiletes e um ovário.
C. Gineceu com três estigmas, um estilete (ramificado na extremidade) e um ovário. D.
Gineceu com três estigmas, um estilete e um ovário. FONTE: Judd et al. (2009), p. 66.

c) Quanto aos tipos de estigma:

• Séssil: estigma diretamente afixado sobre o ovário.


• Viscoso: com substância gelatinosa que prende o grão-de-pólen.
• Bilobado: apresentando dois lóbulos.
• Globoso: em forma de globo.
• Bífido: quando amadurece, se divide, assemelhando-se a duas folhas pequenas.
• Plumuloso: em forma de pluma.

50
TÓPICO 2 | MORFOLOGIA EXTERNA DA FLOR E INFLORESCÊNCIAS

d) Quanto à sua posição do estilete no ovário:

• Terminal: afixado no ápice do ovário.


• Lateral: afixado na lateral do ovário.
• Basal ou ginobásico: afixado na base do ovário.

e) Quanto ao número de lóculos no ovário:

E
IMPORTANT

Não se esqueça de que lóculo é a cavidade onde estão alocados os óvulos,


dentro do ovário.

• Unilocular: ovário que apresenta apenas um lóculo. Todo gineceu dialicarpelar


é sempre unilocular. Entretanto, há casos de gineceu com mais de um carpelo,
mas com um único lóculo.
• Bilocular, trilocular, tetralocular, pentalocular: ovário que apresenta dois, três,
quatro e cinco lóculos, respectivamente.
• Plurilocular: ovário que apresenta muitos lóculos.

f) Quanto à localização do ovário e dos verticilos protetores:

• Súpero ou livre (Figura 40A): quando o ovário está situado acima da inserção
de cálice e corola, como ocorre no lírio, por exemplo.
• Ínfero ou aderente (Figura 40C): quando o ovário está situado abaixo da
inserção dos verticilos protetores.

g) Quanto à posição do ovário (está relacionada à decorrência ou não do hipanto


na flor):

• Hipógina (Figura 40A): com ovário súpero, cálice e corola afixados abaixo do
ovário, sem hipanto.
• Perígina (Figura 40B): a parede do ovário está livre, porém ocorre hipanto. Ex.:
rosa.
• Epígina (Figura 40C): a parede do ovário ínfero está soldada à parede do
hipanto. Ex.: pepino.

51
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

E
IMPORTANT

Mas o que é Hipanto?


Pode-se dizer que hipanto é uma estrutura, em forma de taça, que envolve o ovário. Ele pode
ter origem receptacular, quando o receptáculo o origina, ou apendicular, quando ocorre uma
fusão de sépalas, pétalas e estames.

FIGURA 40 – POSIÇÃO DO OVÁRIO

A B C

A. Flor hipógina. B. Flor perígina. C. Flor epígena.


FONTE: Disponível em: modificado de <http://www.plantasyhongos.es/glosario/
semiinfero.htm>. Acesso em: 10 jan. 2016.

h) Quanto à maneira como estão afixados os óvulos na placenta do ovário


(placentação):

• Marginal (Figura 41A): quando a placenta se localiza ao longo da margem do


carpelo de um ovário unilocular.
• Parietal (Figura 41B): se os óvulos estão presos à parede do ovário ou às suas
expansões.
• Axial (Figura 41C): quando os carpelos se unem formando um gineceu
bimultilocular, as placentas se arranjam na porção central.
• Central (Figura 41D): quando a placenta forma uma coluna na região central
de um ovário unilocular.
• Apical (Figura 41E): quando o óvulo se situa na região apical do ovário.
• Basal (Figura 41F): quando o óvulo se situa na região basal do ovário.

FIGURA 41 – PLACENTAÇÃO

A B C D E F

A. Marginal. B. Parietal. C. Axilar. D. Central. E. Apical. F. Basal. FONTE: Disponível em:


<http://patriciasilvasaenz.mex.tl/gallery_129593.html>. Acesso em: 10 jan. 2016.

52
TÓPICO 2 | MORFOLOGIA EXTERNA DA FLOR E INFLORESCÊNCIAS

i) Quanto ao número de óvulos:

Quando o ovário apresenta um único óvulo, podemos chamá-lo de


unisseminado. Ovários com dois, três, quatro, cinco óvulos são chamados
bisseminado, trisseminado, tetrasseminado e pentasseminado, respectivamente.
Quando há muitos óvulos, podemos denominá-lo de polisseminado.

2.4.2. Fórmula e diagrama floral


A organização morfológica da flor pode ser esquematizada por meio da
fórmula floral e do diagrama floral.

A fórmula floral é representada pelos seguintes símbolos:

* = simetria actinomorfa;

 = simetria bilateral (Zigomorfa);


K = Cálice;
C = Corola;
T = Tépalas (para casos onde K=C)
A= Androceu;
G = Gineceu;
< > ou [ ]= peças diferentes unidas;
( ) = partes iguais unidas;
Com um traço em cima do número de carpelos = ovário ínfero;
Com um traço embaixo do número de carpelos ­= ovário súpero;
HA – HR = corresponde ao hipanto apendicular e receptacular,
respectivamente.

Vejamos alguns exemplos:

A fórmula floral da família Orchidaceae é:

 T5+1, [A1ou2, G(3)] n


Isso quer dizer que esta flor apresenta simetria bilateral; suas sépalas
e pétalas são iguais, portanto chamadas de tépalas (a flor é diclamídea
homoclamídea), apresentando cinco tépalas semelhantes e uma bem diferente
das demais, dialitépala; androceu formado por um ou dois estames; os estames
estão conectados ao gineceu (flor epipétala); gineceu formado por três carpelos,
gamocarpelares, ovário súpero e muitos óvulos (pode-se usar o símbolo n ou ∞).

Veja agora a fórmula floral do malvavisco (Malvaviscus sp. – Família


Malvaceae):

* K(5) C5 An G5 n

53
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

Esta flor apresenta simetria radial; possui sépalas e pétalas diferentes


entre si, portanto é uma flor diclamídea heteroclamídea; cálice formado por cinco
sépalas unidas (gamossépalas); corola formada por cinco pétalas livres entre si
(dialipétala); androceu com muitos estames livres (dialistêmones); gineceu com
cinco carpelos, dialicarpelar; ovário súpero e muitos óvulos.

Já os diagramas florais são representações esquemáticas de flores


representando os verticilos florais vistos de cima. Veja os exemplos:

FIGURA 42 – DIAGRAMAS FLORAIS

Sépala
Antera
Óvulo
Pétala
A B C

A. Hypoxis decumbens (falsa-tiririca). Flor homoclamídea trímera. B. Crotalaria


zanzibarica (xiquexique). Flor heteroclamídea pentâmera dialipétala. C. Nicotiana
tabacum (fumo). Flor heteroclamídea pentâmera gamopétala. Fonte: Vidal & Vidal,
2005, p.45.

3 INFLORESCÊNCIAS
As flores podem estar organizadas nos ramos de forma isolada ou
agrupada. Este último caso chamamos de inflorescência.

De acordo com a sua localização, podem ser denominadas axilares


(quando se originam de uma gema axilar) ou terminais (quando se originam de
uma gema apical).

Existe uma grande diversidade de inflorescências. Basicamente são


divididas em dois grupos, as inflorescências racemosas ou indefinidas, quando há
um eixo principal definido, com crescimento indeterminado e com flores que se
abrem da periferia para o centro, ou da base da inflorescência para o ápice; e as
inflorescências cimosas ou definidas, quando ocorre ao contrário do descrito acima.

3.1 TIPOS DE INFLORESCÊNCIAS RACEMOSAS OU


INDEFINIDAS
• Cacho ou racemo (Figura 43A): eixo simples alongado portando flores laterais
pediceladas subtendidas por brácteas. Exemplos: jaborandi (Pilocarpus
pennatifolius – Família Rutaceae), boca-de-leão (Antirrhinum majus – Família
Plantaginaceae).

54
TÓPICO 2 | MORFOLOGIA EXTERNA DA FLOR E INFLORESCÊNCIAS

• Panícula ou cacho-composto (Figura 43B): é um cacho duplo, ou seja, um racemo


ramificado. Exemplos: manga (Mangifera indica – Família Anacardiaceae), falso-
flamboyant (Caesalpinia pulcherrima – Família Fabaceae).
• Corimbo (Figura 43C): semelhante ao um cacho, mas neste tipo de inflorescência
as flores têm pedicelos muito desiguais e ficam quase todas num mesmo plano.
Exemplo: Iberis sp. – Família Brassicaceae).
• Espiga (Figura 43D): semelhante a um cacho, mas suas flores são sésseis (sem
pedúnculo ou pedicelo). Exemplo: copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica –
Família Araceae). Existe uma variação chamada Espádice, onde o eixo central
apresenta-se muito mais espessado e há uma bráctea envolvendo toda a
inflorescência. Embora muitas pessoas acreditem que o milho seja uma espiga,
ele é na verdade uma espádice!
• Capítulo (Figura 43E): assemelha-se a uma espiga, mas aqui as flores sésseis
dispõem-se apenas na porção dilatada do eixo da inflorescência. Essa
inflorescência apresenta dois tipos de flores, as mais externas, chamadas
liguladas, são coloridas e mais vistosas; e as mais internas são denominadas
tubulosas. Ocorrem tipicamente nas espécies da família Asteraceae, como a
margarida e o girassol.
• Umbela (Figura 43F): inflorescência com várias flores pediceladas inseridas
praticamente num mesmo nível, como no gerânio (Pelargonium sp. – Família
Geraniaceae).

FIGURA 43 – TIPOS DE INFLORESCÊNCIAS RACEMOSAS OU INDEFINIDAS

A B C D E F

A. Cacho ou racemo. B. Panícula ou cacho-composto. C. Corimbo. D. Espiga. E. Capítulo F.


Umbela. FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/Pelosiro/2-morfologia-externa-de-
plantas-vasculares>. Acesso em: 10 jan. 2016.

• Sicônio: segundo Souza (2009, p. 166), “é considerada uma variedade de


capítulo, cujo eixo é dilatado e fechado, permanecendo apenas uma abertura
apical”. As flores ficam, portanto, contidas no eixo da inflorescência, como
ocorre em espécies de figos e figueiras (Ficus sp. – Família Moraceae) (Figura
44A).
• Ciátio: ocorre, por exemplo, na coroa-de-cristo (Euphorbia milii – Família
Euphorbiaceae) (Figura 44B), pois é a inflorescência característica deste gênero.
De acordo com Souza (2009, p. 166), nela ocorre uma única flor feminina, central,
aclamídea, com ovário tricarpelar, e é rodeada por flores androspóricas. Este
conjunto de flores ginospóricas e androspóricas é circundado por brácteas
vermelhas, que são facilmente confundidas com uma flor.

55
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

FIGURA 44 – SICÔNIO E CIÁTIO

A B

A. Sicônio de uma figueira (Ficus sp. – Família Moraceae). Lembre-se, estas flores se
transformarão em frutos. B. Flor da coroa-de-cristo (Euphorbia milii – Família Euphorbiaceae).
FONTE: Disponível em: A. <http://plantas-e-pessoas.blogspot.com.br/2009/07/polinizacao-
em-ficus-carica-moraceae.html>. B. <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/52/
Wasp_on_Euphorbia_milii_flower_09752.jpg>. Acessos em: 10 jan. 2016.

3.2 TIPOS DE INFLORESCÊNCIAS CIMOSAS OU DEFINIDAS


• Cimeira ou monocásios: após a formação da flor terminal do eixo, apenas uma
gema lateral se desenvolve em flor, e assim por diante. Podemos distinguir
dois tipos: escorpioide (Figura 45A) e helicoide (Figura 45B).
• Dicásio (Figura 45C): o ápice do eixo principal se transforma em uma flor,
cessando logo o desenvolvimento deste meristema. Em seguida, as duas gemas
axilares prosseguem o crescimento da inflorescência e se transformam cada
uma em uma flor. O processo pode acontecer repetitivamente.

FIGURA 45 – ESQUEMA EVIDENCIANDO OS TIPOS DE INFLORESCÊNCIAS


CIMOSAS, OU TAMBÉM CHAMADAS DEFINIDAS

A B C

A. Monocásio escorpioide. B. Monocásio helicoide. C. Dicásio. FONTE: Disponível


em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgPNsAG/inflorescencias>. Acesso em:
10 jan. 2016.

56
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você viu que:

• Uma flor, geralmente, apresenta verticilos protetores, o perianto, com cálice


(sépalas) e corola (pétalas); verticilos reprodutivos, com androceu (estames) e
gineceu (carpelos); receptáculo e pedúnculo (ou pedicelo).

• Podem ser classificadas quanto à presença do pedúnculo (séssil ou pedunculada),


à disposição do receptáculo (cíclica, hemicíclica e acíclica), à simetria (radial,
bilateral ou irregular), aos órgãos de reprodução (androginospóricas,
androspóricas ou ginospóricas), podendo ser monóclinas ou díclinas.

• O perianto pode ser classificado quanto à presença do cálice e da corola


(aclamídea, monoclamídea ou diclamídea). Quando os dois verticilos protetores
estão presentes (diclamídea), estes podem ser semelhantes (homoclamídea),
ou não (heteroclamídea).

• O cálice pode ser classificado quanto ao número de sépalas, à união das sépalas
(dialissépalo ou gamossépalo), à duração (caduco, decíduo ou persistente).

• A corola pode ser classificada quanto ao número de pétalas e sua união


(gamopétala ou dialipétala).

• O androceu é o conjunto dos estames.

• Os estames são formados pela antera, onde ficam alojados os grãos-de-pólen e


filete.

• Os estames podem ser classificados de acordo com o número de estames em


relação ao número de pétalas (oligostêmone, isostêmone, diplostêmone ou
polistêmone), quanto à união entre si (gamostêmone ou dialistêmone) ou a
união com as pétalas (livres ou epipétalos).

• Os estames podem, ainda, ser classificados quanto à fixação da antera ao filete


(apicefixa, dorsifixa ou basifixa), quanto à abertura da antera para liberação
dos grãos-de-pólen (poricida, longitudinal ou valvar).

• Gineceu é o conjunto de carpelos, e é formado basicamente pelo estigma, estilete


e ovário, onde estão alocados os óvulos, dentro de cavidades denominadas
lóculos.

57
• O gineceu pode ser classificado de acordo com o número de carpelos, lóculos
e óvulos; quanto à união (dialicarpelar ou dialicarpelar), quanto à ausência
do estigma (séssil) ou sua presença (tipos), quanto à sua posição do estilete no
ovário (terminal, lateral ou ginobásico), quanto à posição do ovário (súpero ou
ínfero), quanto à placentação.

• A organização morfológica da flor pode ser esquematizada por meio da


fórmula floral e do diagrama floral.

• As flores podem estar organizadas nos ramos de forma isolada ou agrupada


(inflorescência).

• As inflorescências podem ser denominadas axilares ou terminais.

• As inflorescências podem ser racemosas ou cimosas.

• Exemplos de inflorescências racemosas: cacho, panícula, corimbo, espiga,


espádice, capítulo, umbela, sicônio, ciátio.

• Exemplos de inflorescências cimosas: cimeira, dicásio.

58
AUTOATIVIDADE

1 Complete a seguinte sentença, de acordo com o conteúdo estudado:

A porção basal dos carpelos é o ________, que pode ter uma ou mais cavidades
denominadas ____________, onde estão alojados um ou mais ___________, que,
depois de fecundados e desenvolvidos, originam as ___________. Podemos
afirmar ainda que o fruto é o resultado do desenvolvimento do __________.

2 A figura ao lado é uma representação da A


flor do abrunheiro (Prunus spinosa – Família
Rosaceae), cuja fórmula floral é *K5 C5 A20
G1. Diante disso, pode-se afirmar que ela: B C
D
a) é ( ) gamostêmone ( ) dialistêmone.
b) é ( ) gamopétala ( ) dialipétala. E
c) é ( ) heteroclamídea ( ) homoclamídea. F
G
d) é ( ) gamossépala ( ) dialissépala.
H
e) tem ovário ( ) súpero ( ) ínfero.
f) tem simetria ( ) actinomorfa ( ) zigomorfa. FONTE: Hickey & King (1997, p. 83).
g) tem os estames ( ) livre ( ) epipétalos.
h) é ( ) aclamídea ( ) monoclamídea ( ) diclamídea.
i) é ( ) oligostêmone ( ) isostêmone ( ) polistêmone.
j) Pinte de rosa/vermelho o carpelo.
k) Pinte de azul um estame.
l) Indique o nome de suas estruturas:

A- D- G-
B- E- H-
C- F- I-

3 Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas:

A flor tem ______________(1) quando cálice e corola não são distintos entre si,
sendo dita _______________(2) e suas peças são chamadas de ___________(3).
a) (1) perigônio, (2) homoclamídea, (3) tépalas.
b) (1) perianto, (2) heteroclamídea, (3) pétalas.
c) (1) perigônio, (2) diclamídea, (3) tépalas.
d) (1) perianto, (2) arquiclamídea, (3) sépalas.
e) (1) perigônio, (2) homoclamídea, (3) pétalas e sépalas.

4 A flor em que o cálice tem quatro peças livres e que se desprendem logo
após a ântese é:

59
a) ( ) polissépalo, corissépalo e caduco.
b) ( ) tetrassépalo, dialissépalo e decíduo.
c) ( ) tetrassépalo, gamossépalo e persistente.
d) ( ) tetrâmero, dialissépalo e caduco.
e) ( ) tetrâmero, sinsépalo e decíduo.

5 Observe a figura:

h i
g
f

c
b

FONTE: Glimn-Lacy & Kaufman (1984, p. 30).

Relacione as estruturas apontadas na imagem com os termos relacionados a


seguir:

( ) Pedúnculo ( ) Brácteas (neste caso, pseudocálice)


( ) Anteras ( ) Filamento comum (neste caso, andróforo)
( ) Estigma ( ) Pétala
( ) Sépala ( ) Estilete
( ) Filete

6 Quando apenas o cálice e a corola formam círculos concêntricos sobre o


receptáculo floral, a flor é chamada de:

a) ( ) homocíclica.
b) ( ) acíclica.
c) ( ) cíclica.
d) ( ) hemicíclica.
e) ( ) heterocíclica.

60
7 Uma flor que apresenta cálice e corola é chamada de:

a) ( ) diclamídea.
b) ( ) monóclina.
c) ( ) díclina.
d) ( ) dicíclica.
e) ( ) aclamídea.

8 Uma corola com cinco peças concrescidas e de simetria radial é:

a) ( ) pentâmera, gamopétala e zigomorfa.


b) ( ) pentâmera, dialipétala e zigomorfa.
c) ( ) pentapétala, gamopétala e actinomorfa.
d) ( ) pentâmera, gamopétala e actinomorfa.
e) ( ) pentapétala, dialipétala e actinomorfa.

61
62
UNIDADE 1
TÓPICO 3

MORFOLOGIA DOS FRUTOS

1 INTRODUÇÃO
Como já sabemos, se uma flor for polinizada, seu ovário passará por muitas
transformações e se desenvolverá em um fruto e seus óvulos, se fecundados,
nas sementes. Assim, podemos afirmar que o fruto, no sentido morfológico e
estrutural, é o ovário amadurecido de uma flor. Sua função principal é auxiliar
na proteção e dispersão das sementes. O fruto é uma estrutura exclusiva das
angiospermas e uma característica muito importante!

De forma geral, após a polinização da flor, o fruto começa a ser formado.


Ele se desenvolve a partir do ovário, pois é a parede do ovário (carpelo) que
se transforma na parede do fruto, denominado pericarpo. Didaticamente,
distinguimos três camadas que formam o pericarpo: o exocarpo ou epicarpo
(que corresponde à epiderme externa do carpelo), mesocarpo e endocarpo (que
corresponde à epiderme interna do carpelo) (Figura 46).

Quando o fruto está maduro, as demais peças florais, como o cálice, a


corola, os estames, podem ou não continuar presentes, e o pedicelo comumente
se espessa para sustentar o fruto.

FIGURA 46 – ESTRUTURAS QUE FORMAM O PERICARPO DO FRUTO

Epicarpo

Mesocarpo Pericarpo

Endocarpo

FONTE: Disponível em: <http://blogdoenem.com.br/estrutura-frutos-biologia-enem/>.


Acesso em: 10 jan. 2016.

63
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

Não podemos esquecer que, uma vez que ocorre a polinização, o óvulo
pode ser fecundado e transformado em semente.

Alguns frutos, como o abacaxi (Ananas comosus – Família Bromeliaceae) e


a banana (Musa sp. Família Musaceae) formam-se sem fecundação prévia. Estes
frutos são chamados de partenocárpicos. Por isso não encontramos sementes
dentro deles.

A grande heterogeneidade de flores está diretamente relacionada à


ampla diversidade de frutos existentes. Não apenas as estruturas conhecidas
vulgarmente como “frutas”, como as maçãs, laranjas, melancias, uvas e tantas
outras, mas também as conhecidas como “legumes” (berinjela, pimentão, jiló,
vagens, favas, pepinos, tomates), e os muitos “cereais”, como o arroz, trigo, milho,
centeio, são todos frutos, de acordo com os conhecimentos botânicos.

Os frutos podem ser basicamente agrupados em frutos secos (pericarpo


não carnoso) (Figura 47A) e carnosos (pericarpo suculento) (Figura 47B-C).
Podem ser ainda deiscentes (quando se abrem na maturidade para expor suas
sementes) (Figura 47A-B) ou indeiscentes (quando não se abrem na maturidade)
(Figura 47C).

FIGURA 47 – EXEMPLOS DE FRUTOS

A B C

A-B. Frutos deiscentes. A. Fruto seco da ave-do-paraíso (Strelitzia reginae – Família


Strelitziaceae) FONTE: Souza et al. (2013), p. 196 (2013), p. 196.. B. Fruto carnoso do
melãozinho-de-são-caetano (Momordica charantia – Família Cucurbitaceae) Disponível em:<
http://4.bp.blogspot.com/-qARo2yi67kc/VKQVsSiys4I/AAAAAAAAEZQ/6s9B5gTYwoM/s1600/
PRAIA%2BGRANDE%2B002.jpg> Acesso em: 28 jun. 2018 C. Fruto carnoso indeiscente da
acerola (Malpighia emarginata – Família Malpighiaceae) Disponível em: <https://http2.mlstatic.
com/mudas-de-acerola-doce-produzindo-ou-2-mts-so-para-retirar-D_NQ_NP_409121-
MLB20723558668_052016-F.jpg> Acesso em: 28 jun. 2018

64
TÓPICO 3 | MORFOLOGIA DOS FRUTOS

TUROS
ESTUDOS FU

Vamos conhecer os principais tipos de frutos e como eles estão organizados?

2 FRUTOS SIMPLES
São os frutos derivados de um único ovário (súpero ou ínfero) de uma
flor. Podem ser secos ou carnosos, uni ou multicarpelares (mas neste caso
gamocarpelares), deiscentes ou indeiscentes. Ex.: pêssego (Prunus sp. - Família
Rosaceae), tomate (Lycopersicum sp. - Família Solanaceae). Abaixo estão listados
os principais tipos de frutos simples.

• Frutos secos e deiscentes:

a) Folículo – derivado de um ovário unicarpelar. Abre-se na maturidade por


apenas uma fenda (ao longo da sutura ventral do carpelo). Ex.: Magnólia e o
chichá (Sterculia striata - Família Malvaceae) (Figura 48A).

b) Legume – também é derivado de um ovário unicarpelar, mas abre-se na


maturidade por duas fendas. Fruto característico da maioria das espécies da
família Fabaceae, como feijão (Phaseolus), ervilha (Pisum), soja (Glycine), leucena
(Figura 48B).

c) Síliqua - fruto derivado de ovário bicarpelar, que se abre por duas valvas
laterais, deixando um eixo central (replum) onde ficam fixadas as sementes.
Exemplo: espécies da família Brassicaceae, como o agrião (Nasturtium sp.) e a
mostarda (Brassica sp.) (Figura 48C).

d) Cápsula – fruto originado a partir de um gineceu gamocarpelar, com dois a


muitos carpelos, abrindo:
- por poros no ápice (cápsula poricida), como na papoula (Papaver sp. – Família
Papaveraceae);
- por uma fenda localizada ao longo da sutura ou linha de união dos carpelos
(cápsula septícida), como em papo-de-peru (Aristolochia sp. – Família
Aristolochiaceae) e o algodão (Figura 48D);
- por uma fenda transversal, liberando uma pequena tampa (cápsula pixidiária
ou pixídio), como no jequitibá (Cariniana sp.) (Figura 48E) e sapucaia (Lecythis
pisonis), ambos pertencentes à família Lecythidaceae;
- por uma fenda localizada na porção mediana dos carpelos (cápsula loculicida),
como no lírio-amarelo;
- pela linha de união dos carpelos, deixando parte dos septos presos no centro do
receptáculo (cápsula septífraga), como observado no cedro-rosa (Cedrela fissilis
– Família Meliaceae).

65
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

e) Esquizocarpo – derivado de um gineceu gamocarpelar. Entretanto, na


maturidade os carpelos separam-se inteiramente uns dos outros, formando
frutículos livres (denominados mericarpos), como observado na mamona
(Ricinus communis – Família Euphorbiaceae) (Figura 48F).

FIGURA 48 – FRUTOS SECOS DEISCENTES

A B C

D E F

A. Folículo. B. Legume. C. Síliqua. D-E. Cápsulas. F. Esquizocarpo. FONTE: Disponível em: A.


<http://naturezadivina.org.br/textos/chicha-do-cerrado/>. B-C: Vinícius et al. (2013), p. 202. D.
<https://br.pinterest.com/pin/108367934754821317/>. E. <http://www.ufrgs.br/fitoecologia/
florars/open_sp.php?img=12355> F. <http://portalterapiaespiritualista.net/banho-de-mamona/>.
Acesso em: 26 jul. 2018.

• Frutos secos e indeiscentes:

a) Lomento – fruto originado de ovário unicarpelar. Este fruto não se abre na


maturidade, mas fragmenta-se (totalmente) transversalmente em segmentos
unisseminados. Ex: carrapicho-beiço-de-boi, pega-pega (ambas do gênero
Desmodium – Família Fabaceae), zórnia (Zornia sp. – Família Fabaceae) (Figura
49A).

b) Craspédio – derivado de ovário unicarpelar. Semelhante ao lomento, pois


também fragmenta-se transversalmente em segmentos. Entretanto, após a
queda destes, permanece presa ao receptáculo uma armação formada pela
nervura e sutura do carpelo. Ex: sensitiva (Mimosa sp. – Família Fabaceae)
(Figura 49B).

66
TÓPICO 3 | MORFOLOGIA DOS FRUTOS

c) Sâmara – apresenta uma ou mais expansões laterais em forma de asa. Exemplos:


tipuana (Tipuana), araribá (Centrolobium) e bico-de-pato (Machaerium nyctitans)
(Figura 49C), pertencentes à família Fabaceae.

d) Aquênio – fruto oriundo de um gineceu uni ou bicarpelar, mas unilocular,


contendo apenas uma semente ligada por um ponto à parede do fruto. Como
exemplo podemos citar o girassol (Helianthus) e demais espécies da Família
Asteraceae, o trigo-sarraceno (Fagopyrum sp. – Família Polygonaceae) (Figura
49D).

e) Cariópse (ou Grão) – fruto típico das espécies da família Poaceae, como o milho
(Zea) (Figura 49E), arroz (Oriza), trigo (Triticum). Semelhante ao aquênio, mas
neste caso, a única semente fica presa totalmente à parede do fruto.

f) Noz - contendo uma só semente, totalmente livre da parede do fruto. Ex: avelã
(Corylus avellana – Família Betulaceae), noz (Juglans regia – Família Juglandaceae)
(Figura 49F), carvalho (Quercus – Família Fagaceae).

FIGURA 49 – FRUTOS SECOS INDEISCENTES

A B C

D E F

A. Lomento. B. Craspédio. C. Sâmara. D. Aquênio. E. Cariopse. F. Noz. FONTE: Disponível


em: A. <http://www.conabio.gob.mx/malezasdemexico/fabaceae/desmodium-subsessile/
fichas/pagina1.htm> B. <http://www.ufrgs.br/fitoecologia/florars/open_sp.php?img=3808> C.
<https://www.tudosobreplantas.com.br/asp/plantas/ficha.asp?id_planta=369062> D.
<https://www.istockphoto.com/br/foto/sementes-de-girassol-gm505937354-83769109>
E. <http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/tecnologia_de_alimentos/arvore/
CONT000fid57plx02wyiv80z4s47384pdxjo.html> F. <https://www.bancodasaude.com/info-
saude/nozes/> .Acesso em: 26 jul. 2018

67
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

• Frutos carnosos e indeiscentes:

Há basicamente dois tipos de frutos carnosos indeiscentes: as bagas e as


drupas. O que as diferencia é a quantidade de sementes. As bagas contêm várias
sementes, enquanto as drupas apresentam uma única semente, muitas vezes
transformada em caroço. Veja alguns exemplos na Figura 50.

FIGURA 50 – EXEMPLOS DE FRUTOS CARNOSOS DO TIPO BAGA E DRUPA

FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/RebecaVale/v5-angiospermas-flor-


fruto-e-semente>. Acesso em: 10 jan. 2016.

3 FRUTOS AGREGADOS E MÚLTIPLOS


Frutos agregados e frutos múltiplos representam, na verdade, conjuntos
de frutos simples, que poderão, então, ser identificados de acordo com suas
características específicas. Vejamos:

a) Frutos agregados: são derivados de muitos ovários de uma única flor (gineceu
multicarpelar dialicarpelar), mais ou menos concrescidos. No morango
(Fragaria vesca – Família Rosaceae) (Figura 51A), na fruta-do-conde (Annona
squamosa - Família Annonaceae) (Figura 51B) e na framboesa ou amora-silvestre
(Rubus - Família Rosaceae) (Figura 51C), muitos ovários amadurecidos de uma
flor estão todos unidos a um receptáculo carnoso comum, comestível.

68
TÓPICO 3 | MORFOLOGIA DOS FRUTOS

b) Frutos múltiplos ou compostos: consistem em ovários amadurecidos de muitas


flores de uma inflorescência que concrescem, formando uma infrutescência.
Como exemplos podem ser citados o figo (Ficus – Família Moraceae) (Figura
51D) e a amora (Morus nigra – Família Moraceae) (Figura 51E).

FIGURA 51 – FRUTOS AGREGADOS E MÚLTIPLOS

A B C

D E

A-C. Frutos agregados. A. Morango (Fragaria vesca – Família Rosaceae). B. Fruta-do-conde


(Annona squamosa - Família Annonaceae). C. Amora-silvestre (Rubus - Família Rosaceae). D-E.
Frutos múltiplos. D. Figo (Ficus – Família Moraceae). E. Amora (Morus nigra – Família Moraceae).
FONTE: Disponível em: A. Vinícius et al. (2013), p. 198-199. B. <http://freguesias.dnoticias.pt/
jornadas-tecnicas-da-anona/> C. BLACKBERRY BUSH. Fotografia. Britannica ImageQuest,
Encyclopædia Britannica, 25 Mai 2016. <quest.eb.com/search/138_1038279/1/138_1038279/cite>
D. <https://hortie.com.br/products/figo>. E. Morus nigra. Fotografia. Britannica ImageQuest,
Encyclopædia Britannica, 25 Mai 2016. <quest.eb.com/search/118_833345/1/118_833345/cite>
Acesso em: 26 jul. 2018.

E
IMPORTANT

Todos os tecidos que não fazem parte do carpelo e que venham a compor
um fruto são referidos como partes acessórias do fruto. Assim, a maior parte de alguns
frutos carnosos, como a maçã (Malus) e a pera (Pyrus), ambas as espécies pertencentes à
Família Rosaceae, é acessória, porque é originada do hipanto espessado (lembrem-se de
que nas flores destas espécies o ovário é ínfero). No caju (Anacardium occidentale - família
Anacardiaceae), o fruto verdadeiro (derivado do ovário fecundado) é uma drupa coriácea (a
parte que vulgarmente chamamos de “semente” do caju, contendo a castanha) e a porção
carnosa comestível é o pedúnculo da flor que se desenvolveu como parte acessória, após
fecundação.

69
UNIDADE 1 | E AÍ? COMO É UMA PLANTA?

LEITURA COMPLEMENTAR

TUROS
ESTUDOS FU

Lembram da inflorescência do tipo sicônio da figueira, que vimos anteriormente?


Vamos conhecer um pouco mais sobre este tipo de inflorescência? O texto a seguir explica
sobre a estrutura deste tipo de conjunto de flores e como a polinização é feita.

Polinização em Ficus carica (Moraceae)

As plantas do gênero  Ficus  (Moraceae) servem-se de um sistema


particularmente engenhoso e complexo de polinização que envolve uma simbiose
com pequenas vespas sem ferrão da família Agaonidae. Em Portugal existe uma
única espécie de Ficus, a F. carica, a vulgar figueira.

As plantas selvagens de F. carica do Mediterrâneo Oriental, conhecidas


por ‘caprifigos’, são monoicas (têm flores androspóricas e ginospóricas) e
polinizadas por uma única espécie de vespa, a  Blastophaga psenes. Grande
parte do interior do sicônio (tipo de inflorescência, ou seja, o figo imaturo)
destas plantas está revestido por flores  ginospóricas  de estilete curto; as
flores androspóricas concentram-se na vizinhança do ostíolo, um pequeno poro
situado na extremidade distal do figo imaturo.

Os machos da  B. psenes  são ápteros, ou seja, desprovidos de asa, e


nunca abandonam o sicônio. Emergem dos carpelos das flores ginospóricas dos
‘caprifigos’ no início da primavera (abril), fecundam as fêmeas ainda imaturas
retidas no interior das flores e morrem pouco depois sem ver a luz do dia. As
vespas fêmeas, já fecundadas, ao abandonarem o figo são “carregadas” de pólen
pelas flores androspóricas. Uma vez no exterior, embora só consigam parasitar
flores de estiletes curtos, tanto podem visitar e polinizar caprifigos como figueiras-
domésticas. As figueiras-selvagens produzem figos em três épocas do ano,
consequentemente, a B. psenes tem três gerações anuais. As fêmeas de B. psenes
de uma dada época de figos polinizam e põem ovos nos figos da época seguinte.

A domesticação da F. carica logo no início do Holocênico resultou em dois


grupos de plantas seguindo dois modelos distintos de biologia da reprodução.
As plantas selvagens de F. carica, como referi, produzem flores androspóricas e
ginospóricas e reproduzem-se sexuadamente. As inflorescências das figueiras-
domésticas (os sicônios), pelo contrário, são unissexuais e, hoje em dia,
maioritariamente partenocárpicas (os frutos formam-se a partir de flores não
polinizadas).  As variedades não partenocárpicas, os figos-de-esmirna (Ficus
carica var. smyrniaca), são pouco cultivados, entre outras razões porque precisam
de caprifigos da vizinhança para fornecerem pólen e polinizadores.

70
TÓPICO 1 | MORFOLOGIA EXTERNA DOS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

As flores ginospóricas  das figueiras-domésticas têm  estiletes longos.


Por conseguinte, potencialmente, todas elas poderão evoluir para fruto porque
o ovipositor da  B. psenes é demasiado curto para atingir o ovário de flores de
estiletes longos a partir do estigma. Os sicônios dos caprifigos não são edíveis,
ou seja, comestíveis, porque a maioria das flores ginospóricas é parasitada pela B.
psenes; i.e. “produzem” mais vespas do que frutos.

Como mencionado, as variedades comerciais de figueira-doméstica


possuem apenas flores partenocárpicas, não necessitando, por isso, de ser
polinizadas. O mesmo acontece com as figueiras-domésticas assilvestradas que
encontramos um pouco por todo o país. Esta é uma importante prova de que a F.
carica não é indígena de Portugal.

FONTE: Disponível em: <http://plantas-e-pessoas.blogspot.com.br/2009/07/polinizacao-em-


ficus-carica-moraceae.html>. Acesso em: 10 jan. 2016.

E
IMPORTANT

O figo é uma infrutescência constituída por numerosos frutos, pois cada flor
do sicônio dá origem a um pequeno fruto, e um tecido carnudo esbranquiçado de origem
caulinar.

71
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você viu que:

• O fruto é o ovário desenvolvido e as sementes são os óvulos fecundados.

• O fruto é formado pelo pericarpo, onde se distingue o exocarpo ou epicarpo,


mesocarpo e endocarpo.

• Há frutos que se formam sem fecundação prévia, e constituem os frutos


partenocárpicos.

• Os frutos podem ser agrupados em secos ou carnosos, e deiscentes ou


indeiscentes.

• Exemplos de frutos secos e deiscentes: folículo, legume, síliqua, esquizocarpo,


cápsulas (poricida, pixidiária, septícida, loculicida, septífraga).

• Exemplos de frutos secos e indeiscentes: lomento, craspédio, aquênio, cariopse,


sâmara, noz.

• Há basicamente dois tipos de frutos carnosos indeiscentes: as bagas e as drupas.

• Frutos agregados são derivados de muitos ovários de uma única flor (gineceu
multicarpelar dialicarpelar), mais ou menos concrescidos.

• Frutos múltiplos consistem em ovários amadurecidos de muitas flores de uma


inflorescência que concrescem, formando uma infrutescência.

• Há casos de partes acessórias das flores que ajudam a formar os frutos.

72
AUTOATIVIDADE

1 Procure em literaturas específicas e na internet, e indique os tipos de frutos:

a) abacaxi:
b) azeitona:
c) pepino:
d) garapuvu:
e) ipê:
f) algodão:
g) noz:
h) araribá:
i) papoula:
j) salsa:
k) pitáia:
l) framboesa:
m) canafístula:
n) coco-da-bahia:
o) milho:
p) dente-de-leão:
q) banana:
r) carambola:
s) chichá:
t) avelã:
u) guaraná:
v) feijão:
w) cevada:
x) goiaba:
y) amora:
z) pêssego:

ATIVIDADE PRÁTICA

Flores: muito além da beleza

As flores sempre se destacaram muito no ensino de Botânica. Muitas


são vistosas, cheirosas, outras são pequenas ou pouco visíveis aos nossos olhos.

As flores são órgãos reprodutivos e pertencem a um grupo bastante


diverso, chamado de Angiosperma. Surgiram há milhões de anos e causaram
uma verdadeira revolução no ambiente terrestre.

O termo Angiosperma significa, em termos gerais, semente escondida


(do grego Ageion, vaso, urna, envoltório; e sperma, semente). São assim
denominadas porque suas sementes ficam protegidas dentro do fruto, que na
verdade é o ovário desenvolvido da flor.

73
Uma flor “perfeita” apresenta estruturas de proteção, e outras ligadas
diretamente à reprodução. Entre as estruturas de proteção, temos o cálice e a
corola, que são os conjuntos de sépalas e pétalas, respectivamente. Os verticilos
de reprodução são o gineceu e o androceu. O primeiro é formado pelo ovário,
estilete e estigma, enquanto que o androceu é formado por filete e antera, que
está associada à produção do grão-de-pólen e à sua liberação.

É importante lembrar que existe uma infinidade de tipos de flores. Há


aquelas que não possuem sépalas e/ou pétalas, outras que são ginospóricas ou
androspóricas, com planos de simetria diversos, com número variado de peças
nos verticilos, entre outras possibilidades.

Objetivos

 Identificar os quatro verticilos florais e suas peças;


 Reconhecer a função de cada verticilo;
 Analisar diversas flores reconhecendo sua estrutura própria e suas
características evolutivas.

Materiais

 Flores diversas;
 Estereomicroscópio ou alguma lupa de aumento;
 Lâmina;
 Pinça.

Metodologia

1 Escolha uma flor e procure identificar todas as suas partes. Se necessário,


utilize o estereomicroscópio ou uma lupa de aumento. Observe as sépalas,
pétalas, carpelos e estames.

2 Após observação, anote todas as informações na ficha abaixo:

Classificação da flor:
Nome popular: _____________________________________________
Nome científico: ____________________________________________
Família botânica: ___________________________________________

1. Generalidades da flor:

1.1. Quanto à presença do pedicelo ou pedúnculo: ( ) pedunculada ( ) séssil


1.2. Quanto à disposição do receptáculo: ( ) cíclica ( ) hemicíclica ( ) acíclica
1.3. Flor quanto à simetria: ( ) actinomorfa ( ) zigomorfa ( ) irregular
1.4. Quanto ao perianto: ( ) aclamídea ( ) monoclamídea ( ) diclamídea
1.5. Se for diclamídea, é ( ) heteroclamídea ( ) homoclamídea
1.6. Quanto aos órgãos de reprodução: ( ) androginospóricas ( ) ginospóricas
( ) androspóricas

74
2 Cálice (K)

2.1. Quanto ao número de sépalas: _____


2.2. Quanto à união das sépalas: ( ) dialissépalo ( ) gamossépalo
2.3. Quanto à duração: ( ) caduco ( ) decíduo ( ) persistente

3 Corola (C)

3.1. Quanto ao número de pétalas: _____


3.2. Quanto à união das peças: ( ) dialipétala ( ) gamopétala

4 Androceu (A)

4.1. Número de estames: ( ) indefinido ( ) definido, ______


4.2. Nº estames vs. nº de peças nos verticilos protetores: ( ) oligostêmone
( ) isostêmone ( ) diplostêmone ( ) polistêmone
4.3. Estames quanto à união: ( ) dialistêmone ( ) gamostêmone
4.4. Estames quanto à união com as pétalas: ( ) livres ( ) epipétalos
4.5. Estames quanto à fixação da antera ao filete: ( ) apicefixa ( ) dorsifixa
( ) basifixa
4.6. Quanto à deiscência da antera: ( ) poricida ( ) longitudinal ( ) valvar

5 Gineceu (G)

5.1. Gineceu quanto ao número de carpelos: _____


5.2. Quanto à união dos carpelos: ( ) dialicarpelar ( ) gamocarpelar
5.3. Estilete quanto à sua posição no ovário: ( ) terminal ( ) lateral
( ) ginobásico
5.4. Quanto ao número de lóculos no ovário: ___
5.5. Localização do ovário: ( ) súpero ( ) ínfero
5.6. Quanto à posição do ovário: ( ) hipógina ( ) perígina ( ) epígina
5.7. Número de óvulos: _______

Fórmula floral: _______________________________________________

Segue um exemplo:

Classificação da flor
Nome popular: Ipê-amarelo
Nome científico: Handroanthus chrysotrichus (Mart. ex DC.) Mattos
Família botânica: Bignoniaceae
5.1. Generalidades da flor:
5.1.1. Quanto à presença do pedicelo ou pedúnculo: ( x ) pedunculada
( ) séssil
5.1.2. Quanto à disposição do receptáculo: ( x ) cíclica ( ) hemicíclica
( ) acíclica
5.1.3. Flor quanto à simetria: ( ) actinomorfa ( x ) zigomorfa ( ) irregular

75
5.1.4. Quanto ao perianto: ( ) aclamídea ( ) monoclamídea ( x ) diclamídea
5.1.5. Se for diclamídea, é ( x ) heteroclamídea ( ) homoclamídea
5.1.6. Quanto aos órgãos de reprodução: ( x ) androginospóricas
( ) ginospóricas ( ) androspóricas
5.2. Cálice (K)
5.2.1. Quanto ao número de sépalas: 5
5.2.2. Quanto à união das sépalas: ( ) dialissépalo ( x ) gamossépalo
5.2.3. Quanto à duração: ( ) caduco ( x ) decíduo ( ) persistente
5.3. Corola (C)
5.3.1. Quanto ao número de pétalas: 5
5.3.2. Quanto à união das peças: ( ) dialipétala ( x ) gamopétala
5.4. Androceu (A)
5.4.1. Número de estames: ( ) indefinido ( x ) definido, 4 (sendo dois maiores
e dois dois menores)
5.4.2. Nº estames vs. nº de peças nos verticilos protetores: ( x ) oligostêmone
( ) isostêmone ( ) diplostêmone ( ) polistêmone
5.4.3. Estames quanto à união: ( x ) dialistêmone ( ) gamostêmone
5.4.4. Estames quanto à união com as pétalas: ( x ) livres ( ) epipétalos
5.4.5. Estames quanto à fixação da antera ao filete: ( ) apicefixa ( x ) dorsifixa
( ) basifixa
5.4.6. Quanto à deiscência da antera: ( ) poricida ( x ) longitudinal ( ) valvar
5.5. Gineceu (G)
5.5.1. Gineceu quanto ao número de carpelos: 2 (bicarpelar)
5.5.2. Quanto à união dos carpelos: ( ) dialicarpelar ( x ) gamocarpelar
5.5.3. Estilete quanto à sua posição no ovário: ( x ) terminal ( ) lateral
( ) ginobásico
5.5.4. Quanto ao número de lóculos no ovário: 2 (bilocular)
5.5.5. Localização do ovário: ( x ) súpero ( ) ínfero
5.5.6. Quanto à posição do ovário: ( x ) hipógina ( ) perígina ( ) epígina
5.5.7. Número de óvulos: n (muitos)

Fórmula floral: x K(5) C(5) A2+2 G(2) n

Conclusões e considerações finais

Discuta com seus colegas os resultados das observações. As flores são


semelhantes? O que há de parecido? E de diferente? Qual a função de cada
uma das partes observadas?

76
UNIDADE 2

PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir desta unidade você será capaz de:

• conhecer a estrutura microscópica desses órgãos quanto aos principais


tecidos componentes;

• conhecer a estrutura e a função dos principais tecidos vegetais (tecidos


meristemáticos, de revestimentos, de preenchimento, de sustentação e de
condução);

• identificar as partes da raiz, do caule e da folha e conhecer a estrutura inter-


na microscópica desses órgãos quanto aos principais tecidos componentes.

PLANO DE ESTUDOS
Esta segunda unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um
deles você encontrará atividades que reforçarão o seu aprendizado.

TÓPICO 1 – A CÉLULA VEGETAL

TÓPICO 2 – OS TECIDOS VEGETAIS

TÓPICO 3 – OS ÓRGÃOS VEGETATIVOS

77
78
UNIDADE 2
TÓPICO 1

A CÉLULA VEGETAL

1 INTRODUÇÃO
De uma forma geral, podemos afirmar que Anatomia Vegetal é o ramo
da Botânica que estuda a estrutura interna dos organismos vegetais, ou seja, a
forma e o arranjo das células, dos tecidos e dos órgãos das plantas, e como estes
se organizam.

A Anatomia Vegetal é muito importante porque proporciona a base de


conhecimentos sobre o corpo vegetal, e pode ser utilizada como ferramenta,
por exemplo, para estudos sistemáticos, fisiológicos, ecológicos, econômicos e
também para outras áreas, tanto da Botânica quanto de outras ciências. Muitas
vezes, a anatomia da planta reflete a situação ambiental local, e esta situação pode
descrever um bioindicador.

O processo evolutivo das plantas foi marcado profundamente por uma


crescente especialização das células, fator que determinou o aparecimento de
tecidos com características morfológicas e fisiológicas altamente distintas. Nos
vegetais, existem diferentes tipos de tecidos e células que se caracterizam por
funções específicas.

TUROS
ESTUDOS FU

Neste primeiro tópico abordaremos o estudo das características peculiares à


célula vegetal. Vamos lá?

79
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

2 CÉLULA VEGETAL
No século XVII, o físico inglês Robert Hooke, ao observar um pedaço
de cortiça sobre um equipamento, notou que ela era formada por pequenos
compartimentos fechados. Isso o lembrou das celas dos mosteiros, dependências
onde os monges ficavam enclausurados. Por conta dessa semelhança, chamou
aquela estrutura observada de célula.

E
IMPORTANT

A invenção do microscópio e a descoberta da célula

A invenção do microscópio pode ser considerada o marco inicial da Biologia Celular. Foram
os holandeses Hans Janssen e Zacharias Janssen, fabricantes de óculos, que inventaram o
microscópio no final do século XVI. As observações realizadas por eles demonstraram que
a montagem de duas lentes em um cilindro possuía a capacidade de aumentar o tamanho
das imagens, permitindo, dessa forma, que objetos pequenos, invisíveis a olho nu, fossem
observados de forma detalhada.

Entretanto, Hans e Zacharias Janssen não utilizaram sua invenção para fins científicos. Foi o
também holandês Antonie von Leeuwenhoek, que viveu entre os anos de 1632 e 1723 na
cidade holandesa de Delft, quem primeiro registrou suas observações utilizando microscópios.
Utilizando um microscópio de fabricação própria, Leeuwenhoek foi o primeiro a observar e
descrever as fibras musculares, espermatozoides e bactérias. Leeuwenhoek relatou todas as
suas experiências para Robert Hook, membro da Royal Society of London.

Como falava somente Dutch (holandês), Robert Hooke traduziu os seus trabalhos, que
posteriormente foram publicados pela entidade. Acerca de suas observações com o
microscópio, Leeuwenhoek descreveu originalmente a seguinte frase: “Não há prazer maior,
quando meu olhar encontra milhares de criaturas vivas em apenas uma gota de água”.

Entretanto, a “descoberta” da célula é atribuída a Robert Hooke. Em 1665 Hooke publicou seu
livro intitulado Micrographie, contendo observações microscópicas e telescópicas e algumas
observações originais em Biologia.

Buscando compreender por quais razões a cortiça era tão leve, Hooke estudou fatias finíssimas
deste material. Foi então que, utilizando seu microscópio composto, Hooke observou que
a baixa densidade deste material era devida à existência de pequenos compartimentos, até
então vazios. A estes pequenos compartimentos Hooke deu o nome de “cell”, que em inglês
significa cavidade ou cela. Na verdade, estes compartimentos não estavam vazios, mas por
se tratar de um tecido vegetal morto, o que Hooke observara não era a célula completa em
si, mas sim compartimentos delimitados pela parede celular.

Um grande número de pesquisadores passou a estudar as diversas partes dos vegetais e


posteriormente dos animais. Assim, não demorou muito tempo para que o citoplasma, uma
substância de aspecto gelatinoso, fosse descoberto. Robert Brown, botânico escocês que
viveu de 1773 a 1858, constatou em 1833 que a maior parte das células apresentava em
seu interior uma estrutura de forma esférica, a qual chamou núcleo. Nesta mesma época,
observações e descobertas revelaram ainda a existência da membrana plasmática e da
parede celular presente nas células vegetais.

FONTE: Disponível em: <http://www.portaleducacao.com.br/biologia/artigos/28169/a-


invencao-do-microscopio-e-a-descoberta-da-celula>. Acesso em: 18 fev. 2016.

80
TÓPICO 1 | A CÉLULA VEGETAL

Assim, pode-se afirmar que a célula é a unidade estrutural e funcional


que compõe todos os seres vivos (KRAUS et al., 2006). Células semelhantes, ou
seja, com a mesma origem, formato e função associados, formam os tecidos. O
conjunto de tecidos forma os órgãos; e o conjunto e o bom funcionamento dos
órgãos formam o corpo do vegetal.

Assim, estudar as células nos permite entender estruturas ainda maiores,


como os tecidos, os órgãos e o corpo vegetal.

NOTA

ZIGOTO > EMBRIÃO > TECIDOS > ÓRGÃOS > VEGETAL

Assim como observamos em células animais, as células vegetais vivas


também possuem ultraestruturas e organelas essenciais muito comuns aos seres
eucariontes. Possuem, também, ultraestruturas que são encontradas somente
nas células vegetais, ou seja, que são peculiares a elas. Essas características
peculiares são:

- parede celular, constituída principalmente de celulose;


- plastos, ou também chamados de plastídios;
- vacúolos;
- substâncias ergásticas.

A grande maioria das células vegetais é viva quando desempenha suas


funções, porém outras só funcionam após a morte, desintegrando suas partes
vivas.

Determinadas células vegetais desenvolvem capacidades químicas


especiais quando, por exemplo, realizam a fotossíntese, sendo que outras
produzem e secretam materiais altamente impermeáveis à água.

81
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

2.1 PECULIARIDADES DA CÉLULA VEGETAL


FIGURA 52 – CÉLULA VEGETAL

FONTE: Disponível em <http://1.bp.blogspot.com/_zj1DYXbB6Fo/S8jhbByesBI/


AAAAAAAAAAs/F0--5wKYRYg/s1600/celula_vegetal.jpg>. Acesso em: 11 fev. 2016.

As células vegetais são muito semelhantes às células animais, como


observamos na Figura 52, mas apresentam algumas peculiaridades. Vejamos
essas características:

a) Parede celular

A parede celular é a característica mais marcante dos vegetais. Ela ocorre


envolvendo a membrana plasmática e aparece externa a esta. Pode ser delgada
ou muito espessa e rígida.

A primeira parede a se formar é denominada parede celular primária. Ela


geralmente é fina e frágil, e é comum a todas as células vegetais. É constituída por
celulose (componente mais abundante), hemicelulose, glicoproteínas, pectinas
ácidas e pectinas neutras. A celulose é um polissacarídeo formado a partir de
ligações entre moléculas de glicose. E é agrupada em microfibrilas. Nesta parede,
as microfibrilas de celulose são depositadas aleatoriamente sobre a membrana
plasmática.

82
TÓPICO 1 | A CÉLULA VEGETAL

FIGURA 53 – ESTRUTURA DETALHADA DA PAREDE CELULAR


Fibras de Celulose

Microfiblilas

Microfibrilas

Cadeias de
Celulose

FONTE: Disponível em: <http://www.lookfordiagnosis.com/mesh_info.php?term


=Microfibrilas&lang=3>. Acesso em: 11 fev. 2016.

É possível observar que moléculas de glicose se unem e formam cadeias


de celulose. Essas cadeias de celulose são agrupadas e formam as microfibrilas.
Essas microfibrilas de celulose são depositadas de forma aleatória sobre a
membrana plasmática.

Em alguns poucos tipos celulares podemos encontrar, além da parede


celular primária, a parede celular secundária, parede muito mais resistente.
Quando aparece, fica localizada entre a parede celular primária e a membrana
plasmática. A parede secundária é composta por celulose, hemicelulose e lignina,
e pode ser formada por até quatro camadas, denominadas S1, S2, S3 e verrucosa
(simbolizada pela letra W). Diferentemente da parede celular primária, na parede
secundária as microfibrilas de celulose são depositadas organizadamente sobre a
membrana plasmática.

FIGURA 54 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE UMA


CÉLULA VEGETAL

FONTE: Carvalho et al. (2009, p. 2191)

83
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

Na figura anterior podemos observar a lamela média (LM); parede celular


primária (P); camada S1 da parede celular secundária (S1); camada S2 da parede
celular secundária (S2); camada S3 da parede celular secundária (S3); camada
verrucosa da parede celular secundária (W). Note que neste esquema os autores
representaram as microfibrilas de celulose desorganizadas na parede primária e
de forma organizada nas camadas da parede celular secundária.

As células se mantêm unidas graças à presença da lamela média, ou


também chamada lamela mediana. Para entender melhor o que é e para que serve
a lamela média, podemos fazer uma analogia: imaginemos uma parede feita com
tijolinhos à vista. Cada tijolo daquele é uma célula e o cimento que há entre os
tijolos, a lamela média.

b) Plastos ou plastídios

Os plastos são organelas envolvidas por duas membranas lipoproteicas e,


internamente, possuem uma matriz aquosa denominada estroma. Neste estroma
há um sistema de membranas, originadas de invaginações da membrana interna,
denominado tilacoides.

Os plastos possuem formas e tamanhos variados e são classificados de


acordo com a ausência ou tipo de pigmentos, caso estejam presentes. Os principais
tipos de plastos são:

• cloroplastos: são plastos pigmentados, contêm clorofila a e b e pigmentos


acessórios. Por causa desses tipos de pigmentos, os órgãos que possuem
células com cloroplastos são verdes. Este plasto está intimamente associado ao
processo da fotossíntese. São mais frequentes, numerosos e diferenciados nas
folhas.

• cromoplastos: apesar de serem pigmentados, estes plastos são


fotossinteticamente inativos. Eles têm a capacidade de sintetizar e armazenar
pigmentos, como os carotenoides (pigmento de coloração amarela, vermelha,
laranja). São encontrados em pétalas e partes coloridas de frutas, raízes, folhas
e estão relacionados ao amadurecimento de frutos e envelhecimento de folhas
(surgem cromoplastos da transformação dos cloroplastos (pela perda da
clorofila)).

• leucoplastos: estes plastos não possuem pigmentos. Eles armazenam várias


substâncias, como o amido (amiloplastos), proteínas (proteinoplastos), lipídios
(elaioplastos). São comuns em órgãos não expostos à luz, como raízes e caules
subterrâneos, mas também em frutos e sementes.

84
TÓPICO 1 | A CÉLULA VEGETAL

FIGURA 55 – A. CLOROPLASTOS. B. CROMOPLASTOS. C. LEUCOPLASTOS (AMILOPLASTOS)

A B C

FONTE: Disponível em: A. <http://senhoradolago.blogs.sapo.pt/arquivo/TLB%20-%20


croloplastos.jpg>. B. <https://sites.google.com/site/semillerobiolocosepm/celula-unidad-
de-vida?tmpl=%2Fsystem%2Fapp%2Ftemplates%2Fprint%2F&showPrintDialog=1> C. <http://
ninosantamaria.esy.es/slideshow_6.html?12> Acesso em: 26 jul. 2018

DICAS

Os plastos podem passar de um tipo para o outro, em resposta às condições


do ambiente ou à necessidade da célula. Por exemplo, você já deixou uma batatinha inglesa
esquecida na fruteira? O que aconteceu? A batatinha inglesa é um tubérculo (caule) rico em
amido armazenado nos leucoplastos do tipo amiloplasto. Quando expostas à radiação solar
por muito tempo, estes leucoplastos transformam-se em cloroplastos e a batatinha começa
a ficar verde, pela presença dos cloroplastos.

c) Vacúolos

Esta organela é delimitada por uma membrana denominada tonoplasto.


Internamente encontra-se o suco vacuolar ou suco celular. Em células
meristemáticas ocorrem muitos vacúolos pequenos, enquanto que em células
diferenciadas (já adultas) um só vacúolo pode ocupar cerca de 90% do espaço
interno. Podemos encontrar nos vacúolos muitas substâncias, por exemplo,
açúcares, proteínas, lipídios, alcaloides, taninos, resinas, cristais de oxalato de
cálcio, ácidos orgânicos, pigmentos como a antocianina (corando nos tons de
vermelho-alaranjado ao vermelho vivo, roxo e azul).

85
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

FIGURA 56 – ELÉTRON-MICROGRAFIA DE UMA CÉLULA DA FOLHA DE MILHO (ZEA MAYS)


Parede celular
Membrana
plasmática
Envoltório
nuclear
Núcleo
Núcléolo
Mitocôndria
Grão de
Vacúolo amido
Cloroplasto

FONTE: Raven et al. (2007, p. 42)

Observe o tamanho do vacúolo comparando com o tamanho das outras


organelas.

d) Substâncias ergásticas

São produtos do metabolismo celular. Muitas destas substâncias são


materiais de reserva e/ou produtos descartados do metabolismo. Podemos
encontrá-las na parede celular, nos vacúolos, ou associadas a outros componentes
protoplasmáticos. Entre as mais conhecidas destacam-se: celulose, amido, corpos
de proteína, lipídios, matéria mineral em forma de cristais (oxalato de cálcio,
carbonato de cálcio, sílica), substâncias fenólicas, resinas, gomas.

Os cristais podem ser de carbonato de cálcio, como nos cistólitos presentes


nas folhas de Ficus, ou de oxalato de cálcio. Estes últimos podem ter forma de
agulhas, chamados de ráfides e presentes, por exemplo, nas bainhas foliares da
pupunha (Bactris gasipaes – família Arecaceae) (Fig. 5 A-B); de estrelas, chamados
de drusas e presentes no caule da planta-alumínio (Pilea sp. – família Urticaceae)
(Fig. 5 A, C); de prisma (são também chamados de prismáticos).

E
IMPORTANT

As células que contêm substâncias ergásticas, muitas vezes, são diferentes morfo
e fisiologicamente das demais. Quando uma célula difere da maioria pelo seu tamanho,
formato ou conteúdo, denomina-se idioblastos.

86
TÓPICO 1 | A CÉLULA VEGETAL

FIGURA 57 – A. REPRESENTAÇÕES DE IDIOBLASTOS CONTENDO CRISTAL PRISMÁTICO,


DRUSA (CRISTAL COM FORMATO DE ESTRELA) E RÁFIDE (CRISTAL COM FORMATO DE
AGULHA). B. IDIOBLASTOS COM RÁFIDES NO CAULE DE PUPUNHA (BACTRIS GASIPAES).
C. IDIOBLASTOS COM DRUSA NO CAULE DE PILEA

A B C

FONTE: A. Rodrigues et al. (2010, p. 94). B. Adaptado de (Medeiros & Lima, 2009, p. 28): <http://
revistas.ung.br/index.php/saude/article/view/212/510> C. Adaptado de (Medeiros & Lima, 2009, p.
28): <http://revistas.ung.br/index.php/saude/article/view/212/510>. Acesso em: 26 jul. 2018

87
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você viu que:

• Anatomia Vegetal é o ramo da Botânica que estuda a estrutura interna dos


organismos vegetais, ou seja, a forma e o arranjo das células, dos tecidos e dos
órgãos das plantas, e como estes se organizam.

• A Anatomia Vegetal proporciona a base de conhecimentos sobre o corpo


vegetal, e pode refletir a situação ambiental local onde a planta está.

• O processo evolutivo das plantas foi marcado profundamente por uma


crescente especialização das células, fator que determinou o aparecimento de
tecidos com características morfológicas e fisiológicas altamente distintas.

• Nos vegetais, existem diferentes tipos de tecidos e células que se caracterizam


por funções específicas.

• A célula foi descoberta pelo físico inglês Robert Hooke, no século XVII, ao
observar um pedaço de cortiça.

• A célula é a unidade estrutural e funcional que compõe todos os seres vivos.

• Células semelhantes, ou seja, com a mesmos origem, formato e função


associados, formam os tecidos.

• O conjunto de tecidos formam os órgãos.

• O conjunto e o bom funcionamento dos órgãos formam o corpo do vegetal.

• São características peculiares às células vegetais: parede celular, plastos


(também chamados de pastídeos), vacúolos e substâncias ergásticas.

• A parede celular envolve a membrana plasmática, e aparece externa à esta.

• A primeira parede a se formar é denominada parede celular primária. Ela


geralmente é fina e frágil, e é comum a todas as células vegetais. É constituída
por celulose (componente mais abundante), hemicelulose, glicoproteínas,
pectinas ácidas e pectinas neutras. Nesta parede, as microfibrilas de celulose
são depositadas aleatoriamente sobre a membrana plasmática.

• A parede celular secundária, quando aparece, fica localizada entre a parede


celular primária e a membrana plasmática. A parede secundária é composta
por celulose, hemicelulose e lignina, e pode ser formada por até quatro

88
camadas, denominadas S1, S2, S3 e verrucosa (simbolizada pela letra W). Nesta
parede, as microfibrilas de celulose estão depositadas organizadamente sobre
a membrana plasmática.

• As células se mantêm unidas graças à presença da lamela média, também


chamada lamela mediana.

• Os plastos são organelas envolvidas por duas membranas lipoproteicas.

• Os plastos possuem formas e tamanhos variados e são classificados de acordo


com a ausência ou tipo de pigmentos, caso esteja presente.

• Os principais tipos de plastos são: cloroplastos, cromoplastos, leucoplastos.

• O vacúolo é delimitado por uma membrana denominada tonoplasto.


Internamente encontra-se o suco vacuolar ou suco celular.

• Os vacúolos podem muitas substâncias, por exemplo, açúcares, proteínas,


lipídios, alcaloides, taninos, resinas, cristais de oxalato de cálcio, ácidos
orgânicos, pigmentos.

• As substâncias ergásticas são produtos do metabolismo celular. Muitas


destas substâncias são materiais de reserva e/ou produtos descartados do
metabolismo.

• As substâncias ergásticas podem ser encontradas na parede celular, nos


vacúolos, ou associadas a outros componentes protoplasmáticos.

• São exemplos de substâncias ergásticas: celulose, amido, corpos de proteína,


lipídios, matéria mineral em forma de cristais (oxalato de cálcio, carbonato de
cálcio, sílica), substâncias fenólicas, resinas, gomas.

89
AUTOATIVIDADE

1 A célula vegetal apresenta características peculiares. Uma delas é a presença


de parede celular. A respeito da parede celular, quando a parede celular
secundária se forma, ela aparece:

a) ( ) externamente à parede primária;


b) ( ) internamente à parede primária.
c) ( ) entre a lamela média e a parede primária;
d) ( ) externamente à lamela média;
e) ( ) internamente à lamela média.
2 O esquema ao lado indica algumas células vegetais e suas paredes. Diga o
nome de cada camada indicada com as letras:

A ___________________
B ___________________
C ___________________
D ___________________
E ___________________

FONTE: Raven et al. (2007, p. 61)

3 Observando apenas o esquema ANTERIOR, como poderíamos distinguir


parede primária da secundária?

4 O interior (lume) de duas células vizinhas é separado por até 11 camadas


(considere as duas células, e conte a partir da membrana plasmática). Quais
são estas camadas?

5 Indique nos parênteses um número correto, de acordo com a lista abaixo:

1) drusas 2) ráfides 3) grãos de amido 4) clorofila


5) carotenoides 6) idioblastos 7) cistólitos 8) antocianinas

( ) ocorrem em cromoplastos
( ) são formados de carbonato de cálcio
( ) podem ter drusas no seu interior
( ) ocorrem nos leucoplastos
( ) cristais em forma de agulha

90
( ) podem conter cristais
( ) cristais em forma de estrela
( ) se coram com lugol
( ) ocorrem nos cloroplastos
( ) são formados de oxalato de cálcio

91
92
UNIDADE 2 TÓPICO 2

TECIDOS VEGETAIS

1 INTRODUÇÃO
Os tecidos são conjuntos de células com a mesma origem e organização e
que realizam determinada função.

Podem ser embrionários (ou meristemáticos) ou permanentes (tecido


de revestimento, sustentação, preenchimento e condução, também chamado de
vascular).

Vejamos em detalhes cada um destes tecidos.

2 TECIDOS MERISTEMÁTICOS
São tecidos permanentemente jovens que retêm a potencialidade para
divisões após o término da embriogênese. Suas células permanecem não
diferenciadas e contêm elementos essenciais para edificação da estrutura das
células diferenciadas, ou seja, os meristemas são destinados à formação de todos
os demais tecidos.

Os meristemas podem ser classificados quanto à posição (apicais ou


laterais) e quanto à origem (primários ou secundários, sendo que os primários
correspondem aos apicais e os secundários, aos laterais). Os meristemas apicais
estão localizados, como o nome sugere, no ápice da raiz e do caule e são responsáveis
pelo crescimento primário (crescimento apical) do vegetal. Os meristemas laterais
estão relacionados ao crescimento secundário (crescimento em espessura).

2.1. MERISTEMAS APICAIS OU PRIMÁRIOS


As plantas mantêm a capacidade de adicionar novos incrementos ao seu
corpo graças à presença do meristema apical ou promeristema. Nessa região
meristemática, as células encontram-se em constante divisão celular. Essas
divisões podem ser anticlinais e/ou periclinais.

93
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

FIGURA 58 – DIVISÕES CELULARES ANTICLINAIS E PERICLINAIS

Divisões
anticlinais

Divisões
periclinais

FONTE: Raven et al. (2007, p. 567)

A função dos meristemas primários está na promoção do crescimento


em comprimento – longitudinal – da raiz e do caule. O meristema primário é
constituído por:

- Protoderme: tecido meristemático responsável pela formação da epiderme, que


é o tecido primário de revestimento;
- Meristema Fundamental: promove a formação de todos os tecidos de
preenchimento e sustentação;
- Procâmbio: responsável pela formação do cilindro central, onde encontramos
o floema e o xilema, tecidos vasculares que transportam os produtos
fotoassimilados, e a água e sais minerais, respectivamente.

FIGURA 59 – ÁPICES. A. RADICULAR. B. CAULINAR

Meristema
fundamental Procâmbio

Meristema apical
Protoderme
Primórdio foliar

Procâmbio
Protoderme
Caliptrogênio Gema axilar

Coifa Meristema
A fundamental B

FONTE: Esau (1997)

No ápice da raiz podemos encontrar uma coifa, que é uma capa protetora.
Esta coifa apresenta uma própria região meristemática, chamada caliptrogênio.

94
TÓPICO 2 | TECIDOS VEGETAIS

Nos caules, além destes meristemas primários, encontramos também os


primórdios foliares, que formarão as folhas, e as gemas axilares ou laterais, que
darão origem aos ramos.

Os tecidos provenientes do meristema primário constituem a estrutura


primária das plantas. Nas gimnospermas e dicotiledôneas, são as primeiras
estruturas a serem formadas, sendo que na grande maioria das monocotiledôneas
é a única.

2.2. MERISTEMAS LATERAIS OU SECUNDÁRIOS


A origem dos meristemas secundários se dá através de tecidos adultos
que readquirem suas características embrionárias e passam a originar novas
estruturas. Podem ter também uma origem primária. São responsáveis pelo
crescimento secundário, ou seja, pelo crescimento em espessura. Ocorrem nas
raízes e caules de algumas plantas, ou seja, estão presentes, por exemplo, nas
gimnospermas e angiospermas dicotiledôneas.

Há dois tipos de meristemas secundários: o felogênio (também conhecido


como câmbio da casca) e o câmbio vascular.

a) Felogênio

Nas raízes, o felogênio tem origem em camadas do cilindro central (ou


seja, da porção mais interna em forma de cilindro), enquanto que nos caules ele
se origina em camadas subepidérmicas.

As células do felogênio entram em divisão e formam para o interior


do corpo vegetal a feloderme e, para a periferia, o súber (também conhecido
por felema). O conjunto formado pelas células do súber, felogênio e feloderme
forma a periderme. A periderme é o tecido de revestimento secundário. É ela
que irá substituir a epiderme, se esta não acompanhar o crescimento secundário
e vir a se romper.

ATENCAO

SÚBER + FELOGÊNIO + FELODERME = PERIDERME

95
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

FIGURA 60 – A. INSTALAÇÃO DO FELOGÊNIO EM UM CAULE. B. FELOGÊNIO JÁ


INSTALADO E EM ATIVIDADE

Iniciação da Epiderme
atividade do Parede
felogênio anticlinal Felogênio

Súber

Feloderme

Córtex
A B

FONTE: Disponível em: <http://www.algosobre.com.br/images/stories/biologia/


meristema_felogenio.gif>. Acesso em: 11 fev. 2016.

b) Câmbio vascular

Na região do cilindro central, tanto da raiz como do caule, ocorre o


desenvolvimento do câmbio vascular, cuja função é dar origem ao crescimento
em espessura do próprio cilindro central.

As células cambiais estão em constante divisão e formam internamente a


si tecido vascular do tipo xilema, e externamente a si, floema. Por terem origem
neste meristema secundário, estes tecidos vasculares são ditos secundários (xilema
secundário e floema secundário). Temos que ter cuidado para não confundir
o xilema e floema primários com estes mencionados aqui. Xilema e floema
primários, como vimos anteriormente, são originados a partir do procâmbio.

FIGURA 61 – SECÇÃO TRANSVERSAL DO CAULE DE MANJERICÃO


(OCIMUM SP. – FAMÍLIA LAMIACEAE)

Floema primário
Floema secundário
Câmbio
fascicular

Câmbio
interfascicular

Xilema secundário
Xilema primário

FONTE: A autora

96
TÓPICO 2 | TECIDOS VEGETAIS

ATENCAO

Lembre-se de que tanto o floema primário (ou protofloema e metafloema) e o


xilema primário (ou protoxilema e metaxilema) são formados por um meristema primário, o
procâmbio.
O floema e o xilema são tecidos condutores de seiva: a seiva elaborada (produtos
fotoassimilados) é conduzida pelo floema e a seiva bruta (água e sais minerais), pelo xilema.

3 TECIDOS PERMANENTES
Vamos conhecer agora os tecidos permanentes.

3.1 TECIDO DE REVESTIMENTO


São tecidos que possuem a função de revestir e proteger o corpo do vegetal
contra os agentes do meio, como, por exemplo, choques mecânicos e dessecação
(desidratação), evitando a perda excessiva de água. Impedem também a invasão
de organismos causadores de patologias. Também regulam a troca de substâncias
entre eles e o meio que os cerca, contribuindo para que o vegetal se adapte às
condições de vida no meio terrestre.

Essas e outras funções são exercidas por dois tipos de tecidos: a epiderme,
que é um tecido primário, e a periderme, um tecido secundário.

a) Epiderme

A formação da epiderme se dá a partir do meristema primário,


denominado protoderme. Suas células podem variar em forma, tamanho e arranjo,
mas comumente são vivas, intimamente unidas e sem espaços intercelulares.
Geralmente é unisseriada, ou seja, com uma única camada, mas há casos onde
encontramos mais de uma camada formando-a, como acontece, por exemplo, nas
raízes de algumas orquídeas e certas aráceas.

DICAS

A epiderme multisseriada das raízes das orquídeas e algumas espécies da família


Araceae recebe o nome de velame.

97
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

Este tecido é constituído por células comuns e por algumas células


especializadas, como tricomas, pelos radiculares, estômatos, entre outras.

A epiderme é encontrada em todos os órgãos vegetativos das plantas


(raízes, caules, folhas) e também revestindo as flores, sementes e os frutos.

Comumente, as paredes celulares dos órgãos aéreos são revestidas por uma
camada lipídica, podendo ser uma cera ou uma cutícula (Figura 62). A espessura
dessa camada pode variar de planta para planta, dependendo do ambiente em
que ela esteja. Plantas de ambiente xérico (seco) tendem a possuir uma cutícula
muito mais espessa do que plantas de ambiente úmido. A ornamentação das
ceras epidérmicas pode ser usada como ferramenta para taxonomia.

FIGURA 62 – SECÇÃO TRANSVERSAL DO CAULE DE Bacopa Monnierioides


(FAMÍLIA PLANTAGINACEAE)

FONTE: Alquini et al. (2006, p. 105)

Note que a seta evidencia a epiderme com cutícula.

• Estômatos (Figura 63)

São estruturas que existem tanto nas folhas como nos caules jovens e
também nas flores. São formadas por duas células epidérmicas especializadas,
chamadas de células-guarda, que delimitam uma fenda, o poro estomático (ou
ostíolo). Geralmente, as células-guarda apresentam formato reniforme, com
exceção de certas monocotiledôneas, que apresentam formato de halteres; e são
as únicas células epidérmicas que contêm cloroplastos.

As células que circundam as células-guarda são denominadas células


anexas ou subsidiárias. Mas atenção! Somente são consideradas células anexas
aquelas que circundam o estômato e que são claramente diferentes das demais
células epidérmicas. O número de células anexas pode variar de acordo com a
espécie.

98
TÓPICO 2 | TECIDOS VEGETAIS

FIGURA 63 – COMPLEXO ESTOMÁTICO EM DICOTILEDÔNEA. A. ESQUEMA. B. COMPLEXOS


ESTOMÁTICOS FORMADOS POR DUAS CÉLULAS-GUARDAS E QUATRO CÉLULAS ANEXAS EM
TRADESCANTIA PALLIDA (FAMÍLIA COMMELINACEAE)

Células-guarda
ostíolo

Células anexas

núcleo Cloroplastos A B

FONTE: A. Ferri (1984, p.37). B. Disponível em: <http://www.ibilce.unesp.br/Home/


Departamentos/ZoologiaeBotanica/AnatomiaVegetal/morfologiavegetal/tradescantia-estomato.
jpg>. Acesso em: 11 fev. 2016.

A função principal dos estômatos é tornar possível a troca de gases entre


a parte interna da planta com o ambiente externo, ou seja, com o ar atmosférico
e também com a transpiração da planta (saída de água sob a forma de vapor).
O processo se dá quando o vapor d’água e os gases (CO2) passam pelo ostíolo,
que tem sua abertura diminuída ou aumentada, regulada pelas células-guarda,
devido ao acúmulo ou à perda de água. Há uma distensão das células-guarda
quando estiverem cheias de água. Como consequência, o lado interno, que é mais
grosso (menos flexível), é repuxado, fazendo com que o ostíolo se abra. Todo o
processo no sentido inverso acontece quando as células-guarda perdem água.

Tricomas e pelos radiculares (Figura 64)

São apêndices epidérmicos e podem ter estrutura e funções variadas.


Podem ser unicelulares ou multicelulares, ramificados ou não. É muito frequente
encontrarmos tricomas em todos os órgãos vegetais.

Podemos classificar os tricomas em não glandulares (ou também chamados


tectores) (Figura 64-A) e glandulares (Figura 64-B). Os tricomas glandulares estão
envolvidos com o armazenamento e excreção de várias substâncias secretadas
pela planta, como óleos, néctar, sais, resinas, mucilagens e água. A extremidade
destes tricomas é formada por uma “cabeça” unicelular ou multicelular. Os não
glandulares têm capacidade de absorver água e sais minerais da atmosfera.

Os pelos radiculares (Figura 64-C), associados à função de absorção de


água e nutrientes, são projeções epidérmicas da raiz, aumentando a área de
contato destas raízes com o substrato.

99
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

FIGURA 64 – A-B. TRICOMAS. A. NÃO GLANDULAR. B. GLANDULAR. C. PELO RADICULAR

Pr
Ep
Ex

Pc

A B C

FONTE: A-B. Disponível em <http://www.anatomiavegetal.ibilce.unesp.br/cursos/


morfologiavegetal/imagens-aula/epiderme/leonotis-tricomas.jpg>. Acesso em: 11 fev. 2016.
C. Appezzato-da-Glória & Hayashi (2006, p. 275)

• Acúleos (Figura 65)

Geralmente, esses apêndices epidérmicos são confundidos com espinhos


(não destacáveis), pois são projeções epidérmicas pontiagudas endurecidas por
lignina, resistentes e que servem à defesa. São encontrados, por exemplo, na rosa
(Rosa sp. - família Rosaceae).

FIGURA 65 – ACÚLEOS EM ROSEIRA (Rosa sp. - FAMÍLIA ROSACEAE)

A B C

FONTE: A-B. Disponível em: <http://www.uff.br/horto/apostilacaule.htm>. B. Disponível


em: <http://www.naturezabrasileira.com.br/fotos/watermark/wm_IMG17556.jpg>.
Acessos em: 18 fev. 2016.

Na figura podemos identificar: A. Visão geral. B. Detalhe do acúleo. C. O


acúleo, diferentemente do espinho, pode ser retirado com facilidade por se tratar
apenas de uma projeção epidérmica.

100
TÓPICO 2 | TECIDOS VEGETAIS

• Hidatódios

Os hidatódios são estruturas secretoras e excretoras, muitas vezes foliares,


cuja função é eliminar soluções aquosas muito diluídas (eliminação da água pela
planta na forma líquida).

Por serem epidérmicas, geralmente apresentam um poro, tecido


subepidérmico frouxo, que fica em contato direto com terminações vasculares
do xilema de uma nervura. Sua localização acontece nos bordos das folhas. Um
fenômeno muito interessante realizado pelos hidatódios é a gutação (Figura 66)
ou sudação, por isso, possuem semelhanças com os estômatos e são, muitas vezes,
chamados de estômatos aquíferos.

As plantas que perdem água através de hidatódios frequentemente estão


em ambiente com solo encharcado.

FIGURA 66 – GUTAÇÃO

A B

A. Vista geral do processo em uma folha. B. Detalhe esquemático de um hidatódio. FONTE:


Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/3466774/>. Acesso em: 11 fev. 2016.

b) Periderme

Nos vegetais que possuem crescimento secundário, ou seja, crescimento


em espessura, a epiderme pode não acompanhar tal crescimento e vir a se romper.
Entretanto, a planta não pode ficar sem um tecido de revestimento para lhe
proteger. Se isso vir a acontecer, um tecido de revestimento secundário, chamado
periderme, irá se formar antes do rompimento da epiderme e a substituirá (veja
novamente a Figura 60).

101
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

NOTA

A periderme é formada a partir da atividade do felogênio, e é constituída pelo


próprio felogênio e suas camadas derivadas, o súber e a feloderme.

3.2 TECIDO DE PREENCHIMENTO


O tecido de preenchimento é denominado parênquima ou tecido
fundamental. Este tecido age na assimilação e reserva de substâncias. É o tecido
mais frequente nos vegetais, pois é encontrado em todos os órgãos da planta e
suas células fazem parte até mesmo da composição de outros tecidos (como os de
condução).

O tecido parenquimático é constituído por células vivas com grandes


vacúolos, pouco especializadas, geralmente isodiamétricas, ocasionalmente
alongadas e poliédricas, envoltas por uma parede celular primária delgada
e flexível, o que capacita a célula a ter divisões mitóticas contínuas. Todo esse
potencial de divisão confere ao tecido o potencial de atividades regenerativas
teciduais, cicatrização de partes lesionadas, formação de raízes e caules adventícios
e união de enxertos. Assim, pode-se afirmar que o parênquima é potencialmente
meristemático.

O tecido parenquimático possui funções importantes, tais como a de


promover a fotossíntese, a respiração, o armazenamento de substâncias de
reserva, secreção, excreção, flutuação, entre outras. Muitas vezes, apresentam
meatos, lacunas e câmaras de ar, que são os espaços intercelulares.

DICAS

Meatos: espaços menores do que as células que o circundam.


Lacunas: espaços mais ou menos iguais ao do tamanho das células.
Câmaras: espaços maiores do que as células.

102
TÓPICO 2 | TECIDOS VEGETAIS

Os principais tipos de parênquima são:

a) Parênquima fundamental

Alguns autores o chamam também de parênquima de preenchimento. De


acordo com Scatena & Scremin-Dias (2006, p. 111), “ele está presente na região
mais central dos caules e das raízes adventícias, na região cortical de caules, raízes
e pecíolos e nas nervuras proeminentes da folha. Suas células podem ter vários
formatos e conter substâncias e plastos”.

FIGURA 67 – SECÇÕES TRANSVERSAIS EVIDENCIANDO AS REGIÕES CORTICAL E


MEDULAR, PREENCHIDAS POR PARÊNQUIMA. A. RAIZ. B. CAULE

Co
Co

A B

FONTE: A. Disponível em: <http://www.ujaen.es/investiga/atlas/raizmaiz/raizmaiz


4xpmedular.htm>. B. Disponível em: <http://www.ibilce.unesp.br/Home/Departa
mentos/ZoologiaeBotanica/AnatomiaVegetal/morfologiavegetal/crescentia-caule-
2ario-1.jpg>. Acesso em: 11 fev. 2016.

b) Parênquima clorofiliano

As células deste parênquima são vivas e localizadas próximas à superfície


dos órgãos formados por tecidos onde as células são ricas em cloroplastos
(principalmente folhas e caules jovens). Na parte interna dos cloroplastos
encontramos a clorofila, um pigmento verde cuja função é absorver a luz
necessária para realização da fotossíntese.

Nas folhas há basicamente dois tipos de parênquima: parênquima


clorofiliano paliçádico e o parênquima clorofiliano esponjoso (Figura 68).

- Parênquima clorofiliano paliçádico: encontrado logo após a epiderme superior,


e em algumas poucas folhas, logo após a epiderme inferior também. Suas
células são alongadas, justapostas e dispostas em formato de uma paliçada,
por isso recebe esse nome.

103
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

- Parênquima clorofiliano esponjoso: também chamado por alguns autores


de parênquima lacunoso. Está localizado entre o parênquima paliçádico
e a epiderme inferior da folha. Nas folhas que apresentam duas porções de
parênquima paliçádico, o parênquima esponjoso encontra-se entre elas. Suas
células são geralmente isodiamétricas ou irregulares, deixando entre si espaços
intercelulares grandes, cuja função é permitir a circulação de ar na folha.

FIGURA 68 – PARÊNQUIMA CLOROFILIANO. A. ESQUEMA. B. SECÇÃO TRANSVERSAL DA


FOLHA DE CICA (Cycas revoluta – FAMÍLIA CYCADACEAE

EP
PP

PE

A B
PS

Legenda: Ep – epiderme; Es – estômato; PE – parênquima esponjoso; PP – parênquima


paliçádico. FONTE: A. Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/MkMLT2P8sFw/Tl1sxtebqQI/
AAAAAAAAAhI/2r1hoAfhJtw/s1600/515.png>. B. Disponível em: <http://www.ibilce.unesp.br/
Home/Departamentos/ZoologiaeBotanica/AnatomiaVegetal/morfologiavegetal/cycas3.jpg>.
Acesso em: 18 fev. 2016.

c) Parênquima de reserva

Encontrado em raízes, caules, frutos e sementes, cujo papel é armazenar


diversas substâncias, como amido, gorduras, açúcares. As reservas estão em
plastos ou dissolvidas no suco vacuolar.

De acordo com o material armazenado, podemos distinguir alguns tipos


de parênquima de reserva. Os mais comuns são:

- Parênquima amilífero (Figura 69-A): neste tecido encontramos plastos que


armazenam amido (leucoplastos do tipo amiloplastos). Muito abundante em
órgãos subterrâneos, como raízes tuberosas (mandioca) e tubérculos (batatinha-
inglesa).

- Parênquima aerífero ou aerênquima (Figura 69-B): nesse tipo de parênquima


há espaços intercelulares muito bem desenvolvidos, que serão usados para
ventilação dos órgãos, bem como para flutuação de plantas aquáticas, como o
aguapé.

- Parênquima aquífero ou hidrênquima (Figura 69-C): esse tipo de parênquima


se caracteriza por ocupar espaços intercelulares com mucilagem, que vão
acumular muita água. São encontrados em plantas xerofíticas, isto é, plantas
que vivem em regiões secas (cactos e barrigudas), em especial nas suculentas
ou em algumas plantas epífitas (orquídeas).
104
TÓPICO 2 | TECIDOS VEGETAIS

FIGURA 69 – SECÇÕES TRANSVERSAIS DE VÁRIOS ÓRGÃOS MOSTRANDO


PARÊNQUIMAS DE RESERVA

Célula do
parênquima
amilífero

ha

Grãos de amido A

B et C

A. Tubérculo Solanum tuberosum (família Solanaceae), mostrando parênquima


amilífero. B. Caule de Myriophyllum aquaticum (família Haloragaceae), evidenciando
a presença de aerênquima. C. Secção transversal da folha de Aechema capixabae
(família Bromeliaceae), mostrando hidrênquima (ha). FONTE: A. Disponível em:
<http://candreel.wix.com/anatomianaescola#!visualizacao-de-graos-de-amido-2/
cbvc>. B. Disponível em: <http://www.ibilce.unesp.br/Home/Departamentos/
ZoologiaeBotanica/AnatomiaVegetal/morfologiavegetal/myriophyllum-caule.jpg>.
Acesso em: 11 fev. 2016. C. Aoyama & Sajo (2003, p. 466)

3.3 TECIDOS DE SUSTENTAÇÃO


A estrutura do corpo das plantas é formada por uma espécie de esqueleto
cuja função é sustentá-la. Esses tecidos, que podem ser tanto vivos como mortos,
dão consistência às plantas e são chamados de tecidos mecânicos.

Existem dois tipos de tecidos de sustentação: o colênquima e o


esclerênquima.

a) Colênquima (Figura 70)

Este tecido apresenta células vivas com paredes celulares primárias


irregularmente espessadas e formato variável (curtas, longas ou isodiamétricas).
É encontrado em raízes e nos caules novos e herbáceos, nos pecíolos das folhas
e também nos pedúnculos das flores e inflorescências. Confere plasticidade e
flexibilidade aos órgãos, justamente porque é mais frequente em órgãos sujeitos
a movimentos constantes.
105
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

O colênquima pode ser classificado de acordo com o tipo de espessamento


da sua parede celular observada em secção transversal. Os mais comuns são o
angular (Figura 70-A), anelar (Figura 70-B) e lamelar (Figura 70-C).

FIGURA 70 – COLÊNQUIMA
PCL

A COL B C

A. ANGULAR. B. ANELAR. C. LAMELAR. FONTE: Disponível em: A. <https://escolaeducacao.


com.br/tecidos-de-preenchimento-e-sustentacao-vegetal-parenquima-colenquima-e-
esclerenquima/colenquima-angular-espessamento-da-parede-corado-em-azul/> B. <http://
www2.dracena.unesp.br/graduacao/arquivos/morfol_plan_forrag/4aula4Capitulo_19_09_11.
pdf> C. <https://mmegias.webs.uvigo.es/02-english/1-vegetal/v-imagenes-grandes/
colenquima_laminar.php>. Acesso em: 26 jul. 2018

b) Esclerênquima (Figura 71)

Este tecido apresenta células mortas na maturidade, paredes celulares


secundárias contendo depósitos regulares de lignina, ou seja, apresenta-se
bastante espessada. Localiza-se em regiões velhas das plantas, anexo aos tecidos
condutores e nas folhas junto às nervuras, solidificando as partes adultas da
planta. Entre as funções exercidas por esse tipo de tecido está a resistência, pois é
um tecido altamente consistente e inflexível.

O esclerênquima é composto por dois tipos de células: as esclereídes


(Figura 71-A) e as fibras (Figura 71- C).

- Esclereídes: são encontradas isoladas ou agrupadas de maneira esparsa, têm


formatos variados. Podem ainda ser classificadas de acordo com sua morfologia.
Como exemplos de esclereídes podemos citar as células pétreas (também
chamadas braquiesclereíde) (Figura 71-A) e as astroesclereídes (Figura 71-B).

- Fibras: são células bastante alongadas (fusiformes), com diâmetro reduzido,


extremidades afiladas e ricas em lignina. Podem ser encontradas em todos
os órgãos das plantas formando grupos (que chamamos de cordões), como
observamos na Figura 71-C, ou de forma isolada.

106
TÓPICO 2 | TECIDOS VEGETAIS

FIGURA 71 – ESCLERÊNQUIMA

Canal da
Pontoação

A B C

FONTE: A-B: Rodrigues et al. (2010, p. 62,64). C: A autora

Na figura: A-B. Esclereídes. A. Células-pétreas. B. Astroesclereídes. C.


Fibras vistas em escapo floral.

3.4 TECIDOS DE CONDUÇÃO


São os tecidos que conduzem as seivas bruta (água e sais minerais) e
elaborada (produtos fotoassimilados diluídos em água) pela planta. Podem ser de
dois tipos: xilema (transporta seiva bruta) e floema (transporta seiva elaborada).
Vamos conhecer um pouco mais sobre esses tecidos complexos e tão importantes?

a) XILEMA

Alguns autores também o chamam de lenho. É o tecido condutor da seiva


bruta (água e sais minerais retirados do solo pelas raízes). É o tecido condutor mais
abundante nas plantas, principalmente naquelas que conseguem desenvolver um
crescimento secundário. Nas espécies arbóreas, ou seja, nas espécies de árvores,
além da função de transporte da seiva, este tecido participa da sustentação da
planta.

O xilema pode ser formado pelos seguintes tipos celulares:

- células parenquimáticas;
- células esclerenquimáticas (principalmente fibras);
- elementos traqueais: podem ser de dois tipos: as traqueídes, que ocorrem
nas gimnospermas e angiospermas muito primitivas, e os elementos de vaso,
ocorrem na grande maioria das angiospermas.

107
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

ATENCAO

Veja que os tecidos parenquimático e esclerenquimático ajudam a compor o


tecido xilemático.

As traqueídes são células longas com as extremidades afiladas. São


imperfuradas, isto é, suas extremidades não apresentam nenhum tipo de abertura
(placa de perfuração nas paredes terminais).

Os elementos de vaso são células perfuradas, ou seja, possuem placa de


perfuração. As placas de perfurações geralmente ocorrem nas paredes terminais
dos elementos e são responsáveis pela comunicação e pela passagem da água
entre as células. As placas de perfuração podem ser simples, ou apresentar algum
tipo de bloqueio.

Assim, vemos que nas plantas mais primitivas ocorrem elementos


traqueais do tipo traqueídes (células muito longas e com o diâmetro reduzido),
enquanto que nas plantas mais derivadas (evoluídas), os elementos traqueais são
elementos de vaso (células menores e com o diâmetro maior). Quanto menor for
o tamanho e o diâmetro maior destes elementos de vaso, mais derivada é a planta.

108
TÓPICO 2 | TECIDOS VEGETAIS

FIGURA 72 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE ELEMENTOS DE


VASO E EVOLUÇÃO DOS ELEMENTOS DE VASO

Elementos de vaso
Fibras

Traqueídes

A-D: Fibras. E-G: Traqueídes. H-L: Elementos de vaso. FONTE:


Rodrigues et al. (2010, p. 74)

Nos elementos de vaso, a parede secundária pode depositar-se de


maneira graduada. Esse depósito pode começar de maneira anelar, passando
para helicoidal, escalariforme e, por último, o pontoado (quando a parede já está
bem formada).

109
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

FIGURA 73 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DOS TIPOS DE


ESPESSAMENTO DOS ELEMENTOS DE VASO

Anelar Helicoidal Escalariforme Pontoado


(anéis) (espiral) (em forma de escada)

FONTE: Raven et al. (2007, p. 390)

Na figura: elementos com espessamento anelar e helicoidal pertencem


ao protoxilema, e elementos com espessamento helicoidal mais próximo,
escalariformes e pontoado, pertencem ao metaxilema.

Para melhor entendimento, costumamos dividir o xilema em primário e


secundário.

• Xilema primário

O xilema primário é aquele que aparece nas regiões em crescimento


primário da planta e pode permanecer mesmo quando já ocorre crescimento
secundário, porém, muitas vezes, sem função. Podemos dividi-lo em protoxilema
e metaxilema.

O protoxilema é o primeiro a ser formado a partir do procâmbio. Ocorre


em regiões do vegetal que ainda não completaram seu crescimento e diferenciação
(regiões muito jovens). Muitas vezes, pode estar obliterado (não mais funcional)
em regiões mais desenvolvidas devido a pressões contínuas de crescimento. Nas

110
TÓPICO 2 | TECIDOS VEGETAIS

monocotiledôneas podem ser formadas lacunas de protoxilema no espaço onde


um elemento traqueal do protoxilema se colapsou e tornou-se não mais funcional.
Nesse espaço, delimitado pelas células parenquimáticas que circundavam o
elemento traqueal, podem ser vistos restos de espessamento anelar da parede
secundária.

As células do metaxilema atingem a maturidade após a completa distensão


dos tecidos. É mais complexo do que o protoxilema. Em plantas sem crescimento
secundário, o metaxilema permanece funcional durante toda a vida da planta.

FIGURA 74 – XILEMA PRIMÁRIO COM PROTOXILEMA (PX) E METAXILEMA (MX). SECÇÃO


TRANSVERSAL E LONGITUDINAL

MX

MX
PX

PROTOXILEMA METAXILEMA

FONTE: Esemann-Quadros (2004)

• Xilema secundário

Ocorre em gimnospermas e angiospermas dicotiledôneas. Tem sua


origem a partir do câmbio vascular e está organizado em dois sistemas distintos,
o sistema axial, orientado verticalmente no caule e raiz, paralelo ao eixo do órgão,
e o sistema radial, orientado horizontalmente no caule e raiz, perpendicular ao
eixo do órgão formado basicamente por células parenquimáticas (parênquima
radial) que forma os raios parenquimáticos. O início dos raios estabelece o limite
entre xilema primário e secundário.

111
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

FIGURA 75 – SECÇÃO TRANSVERSAL DO CAULE DO SABUGUEIRO


(SAMBUCUS SP - FAMÍLIA ADOXACEAE) EM CRESCIMENTO SECUNDÁRIO.

PE

MX PX
FS XS

XP

Legenda: FS – floema secundário; MX – metaxilema; PE – periderme; PX –


protoxilema; XP – xilema primário; XS – xilema secundário; a seta indica fibras
do floema primário. FONTE: Sajo & Castro (2006, p. 299)

b) FLOEMA

É um tecido complexo, mas suas células principais não sofrem lignificação.


É formado por um sistema contínuo, que conduzirá a seiva elaborada (compostos
orgânicos formados na folha pelo processo da fotossíntese), que parte geralmente
das folhas para todas as outras partes da planta.

Assim como o xilema, ele também é constituído por três elementos:

- células parenquimáticas: existem as comuns e as especializadas, denominadas


albuminosas (nas gimnospermas) e companheiras (nas angiospermas). Esse
parênquima especializado tem como função auxiliar a condução da seiva e
dar suporte aos elementos crivados, uma vez que este tipo celular perde seu
conteúdo celular;
- células esclerenquimáticas (principalmente fibras);
- elementos crivados: células que conduzem a seiva elaborada e que, quando
adultas, geralmente são desprovidas de núcleo. Nas gimnospermas estão
presentes as células crivadas, enquanto que nas angiospermas observamos a
presença dos elementos de tubo crivado.

112
TÓPICO 2 | TECIDOS VEGETAIS

FIGURA 76 – TIPOS CELULARES DO FLOEMA DO CAULE DE ABÓBORA (Cucurbita


maxima – FAMÍLIA CUCURBITACEAE)
Elementos de tubo Elementos de tubo
crivado imaturos crivado maduros

A B
Células companheiras Célula companheira

C
Placa Célula
crivada companheira

A-B. Secções transversais. C. Secção longitudinal. FONTE: Raven et al. (2007, p. 540)

As setas indicam corpos de proteína.

Floema primário

Assim como o xilema primário, o floema primário tem origem no


procâmbio. Ele forma primeiramente o protofloema e só depois o metafloema.
O protofloema apresenta células parenquimáticas, podem se diferenciar em
fibras e células crivadas. Não ocorrem tubos crivados e células companheiras.
O metafloema pode apresentar tubos crivados, células crivadas, células
parenquimáticas e esclerenquimáticas.

Floema secundário (veja Figura 75)

É o conjunto de células derivadas externas diferenciadas do câmbio


vascular. O câmbio forma floema secundário em menor quantidade do que o xilema
secundário. O floema secundário também apresenta um sistema axial e um radial.

3.5 TECIDOS DE SECREÇÃO E CÉLULAS SECRETORAS


São estruturas envolvidas na excreção e secreção de substâncias.
Entretanto, nem sempre se pode reconhecer a excreção da secreção nos vegetais.

Entendemos por excreção todo aquele material produzido e que não mais
será aproveitado no processo metabólico do vegetal. Já a secreção se refere a todo
aquele material resultante do processo metabólico e que ainda pode ser aproveitado.

113
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

Sabemos que os vegetais acumulam o material de secreção e excreção,


entretanto, nem sempre é possível fazer a distinção entre um e outro processo.
Essas substâncias podem ou não ser lançadas no exterior.

Quando as substâncias secretoras são lançadas fora do organismo são


ditas estruturas secretoras externas. Podem ser:

- Tricomas secretores ou glandulares (Figura 77): são projeções epidérmicas que


produzem secreções diferentes, de acordo com as plantas em que se encontram.
Apresentam uma porção apical (uni ou pluricelular) e um pedúnculo. Há
alguns tipos especiais de tricomas glandulares: (a) coléter, que produz uma
substância pegajosa que cobre a gema, deve estar relacionado à proteção e está
presente, por exemplo, no café (Coffea arábica – família Rubiaceae); (b) glândulas
de sais, que estão associadas à remoção de excesso de sais das plantas e inibir
herbívoros, e portanto, presentes em plantas de ambiente salino; (c) glândulas
digestivas, que secretam enzimas que digerem as “presas”, comuns em plantas
insetívoras.

FIGURA 77 – TRICOMA GLANDULAR

FONTE: Esau (1974, p. 126)

- Emergências secretoras (Figura 78): têm origem epidérmica e subepidérmica.


Estão relacionadas à secreção e eliminação de substâncias na superfície do
órgão, auxiliando no processo de dispersão do fruto.

114
TÓPICO 2 | TECIDOS VEGETAIS

FIGURA 78 – EMERGÊNCIA SECRETORA EM FRUTO DE ESPORA-DE-GALO


(Pisonia aculeata – FAMÍLIA NYCTAGINACEAE)

FONTE: Disponível em <http://www.botany.hawaii.edu/faculty/carr/images/


pis_bru_fr.jpg>. Acesso em: 11 fev. 2016.

- Nectários (Figura 79): secretam néctar. Podem ser: florais, quando ocorrem nas
flores (ovário, estame, sépala, pétala, receptáculo) ou em inflorescências; ou
extraflorais, podem ocorrer, por exemplo, nas folhas.

FIGURA 79 – NECTÁRIOS

A C

A-B: EXTRAFLORAIS. C: FLORAIS. FONTE: Disponível em: A. <http://upload.wikimedia.


org/wikipedia/commons/8/8d/Prunus-laurocerasus-extrafloral-nectaries.jpg>. B.
<https://photos.smugmug.com/Ants/Taxonomic-List-of-Ant-Genera/Ectatomma/i-
3QGt8Ts/1/5d2246f9/S/tuberculatum11-S.jpg>. C. <http://petbioufgd.ning.com/photo/
detalhe-do-nectario-de?context=popular>. Acesso em: 26 jul. 2018

115
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

- Hidatódios (veja Figura 66): aqui encontramos estruturas que excretam água
na forma líquida. Esse processo é denominado de sudação ou gutação.

Quando são lançadas para o interior, denominam-se estruturas secretoras


internas e podem ser:

- Células secretoras (veja Figura 57): são os já mencionados idioblastos. Podem


secretar substâncias como taninos, mucilagens, cristais, óleos essenciais, resinas
e outras.

- Canais ou cavidades secretoras (Figura 80): são originados da dissolução de


células ou pela separação das células. As cavidades, localizadas no tecido,
apresentam células desintegradas ao redor do lume. Os canais percorrem
o tecido ou órgão em certa extensão, e as células ao redor apresentam-se
organizadas, limitando o lume.

FIGURA 80 – SECÇÃO TRANSVERSAL DE FOLHA DE GRUMIXAMA


(Eugenia brasiliensis – FAMÍLIA MYRTACEAE) EVIDENCIANDO CAVIDADES
SECRETORAS EM UMA FOLHA

FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/img/revistas/rbfar/


v17n3/17f14.jpg>. Acesso em: 18 fev. 2016.

- Lactíferos: são ductos ramificados com um grande vacúolo central, revestido


por um citoplasma plurinucleado. O vacúolo contém uma substância leitosa, o
látex. Sua função ainda não é muito clara, mas pode estar associada à proteção
do vegetal em situação de ferimentos.

116
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você viu que:

• Os tecidos são conjuntos de células com a mesma origem e organização, e que


realizam determinada função.

• Podemos dividir os tecidos em: embrionários (ou meristemáticos) ou


permanentes (tecido de revestimento, sustentação, preenchimento e condução,
também chamado de vascular).

• Os tecidos meristemáticos são tecidos permanentemente jovens que retêm a


potencialidade para divisões após o término da embriogênese.

• Os meristemas podem ser classificados quanto à posição (apicais ou laterais)


e quanto à origem (primários ou secundários, sendo que os primários
correspondem aos apicais e os secundários, os laterais).

• Os meristemas apicais estão localizados, como o nome sugere, no ápice da raiz


e do caule e são responsáveis pelo crescimento primário (crescimento apical)
do vegetal.

• Existem três meristemas primários: protoderme (dará origem à epiderme);


meristema fundamental (dará origem ao parênquima, colênquima e
esclerênquima) e o procâmbio (dará origem ao xilema e floema primários).

• Os meristemas laterais estão relacionados ao crescimento secundário


(crescimento em espessura).

• Há dois meristemas secundários: câmbio vascular (dá origem ao xilema e


floema secundários) e o felogênio (origina o súber e a feloderme).

• Os tecidos permanentes são especializados em diferentes funções, como


revestimento, sustentação, preenchimento, vascularização da planta.

• O tecido de revestimento primário é denominado epiderme.

• A epiderme está presente em todos os órgãos vegetais e, em geral, é unisseriada,


aclorofilada e não apresenta espaços intercelulares.

• A epiderme pode apresentar células especializadas como estômatos, tricomas,


células buliformes etc.

117
• Estômatos são formados por duas células-guardas, clorofiladas, que delimitam
uma abertura (o ostíolo, que vai permitir as trocas gasosas na respiração e
também na fotossíntese). As células que o circundam são chamadas anexas.

• Nas plantas que apresentarem crescimento secundário, a epiderme é substituída


pela periderme (formada pela associação do súber, felogênio e feloderme).

• O parênquima pode apenas preencher espaços ou ser especializado, como por


exemplo, aerênquima (armazena ar entre as células), hidrênquima (armazena
água dentro das células), amilífero (reserva amido), clorofiliano (apresenta
muitos cloroplastos).

• Existem dois tecidos de sustentação: colênquima (apresenta apenas parede


primária) e esclerênquima (apresenta, também, parede secundária).

• Colênquima confere maior flexibilidade aos órgãos vegetais, enquanto que o


esclerênquima confere maior rigidez.

• Existem dois tipos de tecidos vasculares: xilema e floema, que transportam


seivas bruta e elaborada, respectivamente.

• Os tecidos vasculares formados durante o crescimento primário (formados a


partir do procâmbio) são chamados xilema e floema primários; enquanto que,
os tecidos formados durante o crescimento secundário (formados a partir do
câmbio vascular) são chamados xilema e floema secundários.

• Xilema primário é dividido didaticamente em protoxilema e metaxilema.

• O xilema pode ser formado pelos seguintes tipos celulares: células


parenquimáticas, células esclerenquimáticas (principalmente fibras) e
elementos traqueais.

• Gimnospermas e angiospermas muito primitivas apresentam traqueídes e as


demais angiospermas apresentam elementos de vaso, como seus elementos
traqueais, respectivamente.

• Floema primário é dividido didaticamente em protofloema e metafloema.

• O floema é constituído por três elementos: células parenquimáticas, células


esclerenquimáticas (principalmente fibras) e os elementos crivados.

• No floema, as células parenquimáticas são divididas em comuns e


especializadas (denominadas albuminosas nas gimnospermas, e companheiras
nas angiospermas).

118
• Há dois tipos de elementos crivados: células crivadas, presentes em
gimnospermas; e elementos de tubo crivado, presentes em angiospermas.

• As estruturas secretoras podem ser externas (quando lançam para fora as


substâncias) e internas (quando lançam dentro do organismo as substâncias).

• São exemplos de secretoras externas: tricomas secretores ou glandulares,


emergências, nectários, hidatódios.

• São exemplos de estruturas secretoras internas: células secretoras, canais ou


cavidades secretoras, lactíferos.

119
AUTOATIVIDADE

1 O floema é formado por três tipos celulares. São eles:

a) ( ) elementos de tubo crivado, parênquima e fibras.


b) ( ) elementos de tubo crivado, célula companheira e esclerênquima.
c) ( ) células crivadas, células albuminosas e célula companheira.
d) ( ) elementos crivados, células parenquimáticas e fibras.
e) ( ) elementos crivados, fibras e células esclerenquimáticas.

2 O xilema é formado por três tipos celulares. São eles:

a) ( ) elementos de vaso, células parenquimáticas especializadas e traqueídes.


b) ( ) elementos traqueais, células parenquimáticas e fibras.
c) ( ) elementos de vaso, células parenquimáticas e fibras.
d) ( ) traqueídes, elementos de vaso e fibras.
e) ( ) esclerênquima, parênquima e elementos de vaso.

3 Ao se diferenciar, as células do(a) X origina Y. X e Y são, respectivamente:

a) ( ) Epiderme, Protoderme.
b) ( ) Epiderme, Endoderme.
c) ( ) Protoderme, Epiderme.
d) ( ) Exoderme, Hipoderme.
e) ( ) Protoderme, Endoderme.

4 Relacione as colunas indicando o tipo de parênquima, conforme sua descrição:

(1) aquífero
(2) aerênquima
(3) de preenchimento
(4) de reserva
(5) clorofiliano

( ) Observamos nos cotilédones do feijão e fruto da banana.


( ) É frequente em plantas suculentas e de ambiente xérico.
( ) Ocorre em caules jovens, pecíolo e principalmente no mesofilo das folhas.
( ) É o principal tecido encontrado no córtex e medula dos caules e raízes.
( ) Com espaços intercelulares grandes, interconectados e cheios de ar.
( ) Pode ser formado pela lise celular ou por espaços esquizógenos.
( ) Células com um grande vacúolo contendo água envolvido por fina camada
de citoplasma.
( ) Células isodiamétricas e meatos pequenos.
( ) Células cilíndricas, vacúolo grande, muitos cloroplastos e meatos.
( ) Comum em plantas aquáticas.

120
5 Assinale MP para as alternativas referentes a meristemas primários, MS
para meristemas secundários, TP para tecidos primários e TS para tecidos
secundários:

( ) xilema primário
( ) procâmbio
( ) meristema fundamental
( ) feloderme
( ) felogênio
( ) xilema secundário
( ) floema secundário
( ) parênquima cortical
( ) súber
( ) câmbio vascular
( ) protoderme
( ) epiderme

6 São exemplos de células epidérmicas especializadas, EXCETO:

a) ( ) tricomas glandulares e tectores.


b) ( ) células albuminosas.
c) ( ) células buliformes.
d) ( ) células-guarda.
e) ( ) células subsidiárias.

7 Sobre os meristemas, eles podem ser classificados em primários e secundários.


Quem eles são?

8 Complete a tabela:

Meristema primário Tecido primário que origina

9 O que forma o câmbio vascular e o felogênio?

121
122
UNIDADE 2 TÓPICO 3

OS ÓRGÃOS VEGETAIS

1 INTRODUÇÃO
A partir de agora você conhecerá a estrutura anatômica básica dos órgãos
vegetativos, como a raiz, o caule e as folhas.

2 RAIZ
De modo geral, a estrutura primária apresenta (de fora para dentro) três
regiões:

FIGURA 81 – ESTRUTURA PRIMÁRIA DE UMA RAIZ

Epiderme
(sistema dérmico)

Córtex
(sistema de preenchimento)

Cilindro vascular
(sistema vascular)
Pr
Ep
Ex

Pc
En
Xp P
Fp

FONTE: Adaptado de Appezzato-da-Glória & Hayashi (2006, p. 275)

123
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

E
IMPORTANT

Resumo do desenvolvimento da raiz

UNI

Em algumas orquidáceas, aráceas e outras monocotiledôneas, a epiderme pode


ser multisseriada, sendo denominada velame. Tem como função fornecer proteção mecânica
e térmica ao córtex e reduzir a perda de água.

FIGURA 82 – VELAME EM RAÍZES

Cilindro
Velame central
Córtex

Velame
A

B C

A. Visão macroscópica do ápice radicular. B. Visão geral. C. Detalhe. FONTE:


A. Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/_1XWnk18N0IE/S1xUZrNP0NI/
AAAAAAAAGzY/4bgXFKg09xw/s1600/Velames.jpg>. B. Disponível em: <http://www.
anatomiavegetal.ib.ufu.br/exercicios-html/FIGURAS/epi%202.png>. C. Disponível
em: <http://www.ibilce.unesp.br/Home/Departamentos/ZoologiaeBotanica/
AnatomiaVegetal/morfologiavegetal/dendrobium2.jpg>. Acessos em: 11 fev. 2016.

124
TÓPICO 3 | OS ÓRGÃOS VEGETAIS

A região compreendida entre a epiderme e o cilindro central é denominada


córtex. Comumente ele é constituído por células parenquimáticas, e, portanto,
é denominado de córtex parenquimático ou parênquima cortical. Se a camada
mais externa do córtex for diferenciada das demais, ela pode receber o nome de
exoderme ou hipoderme, embora não haja nenhuma relação com a epiderme. A
camada mais interna do córtex é conhecida como endoderme (Figura 83).

FIGURA 83 – SECÇÃO TRANSVERSAL DE RAIZ DE JUNCO-DA-PRAIA


(ANDROTRICHUM TRIGYNUM – FAMÍLIA CYPERACEAE)

Córtex com
aerênquima

Endoderme

Cilindro
central

FONTE: A autora

Note que, neste caso, o córtex apresenta aerênquima (parênquima com


reserva de ar).

O primeiro estágio da diferenciação da endoderme é a presença da lamela


de suberina. Em seguida, podemos observar nas células a presença de estrias
de Caspary (Figura 85-A). Elas circundam as células, como anéis, e têm grande
importância no processo de absorção de água pelo vegetal.

Em plantas que não possuem crescimento secundário, as paredes das


células da endoderme podem espessar-se. Esse espessamento pode ser uniforme,
ou seja, pode ocorrer em todas as paredes da célula, ou pode estar ausente na
parede periclinal externa. O primeiro tipo de espessamento é conhecido como
espessamento em O (Figura 84-C), e o segundo, espessamento em U (Figura 84-B).

125
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

FIGURA 84 – ENDODERME
banda de Caspary parede transversal Endoderme

En

Endoderme

A B C
parede radial

A. COM ESTRIAS DE CASPARY. B. COM ESPESSAMENTO EM U. C. COM ESPESSAMENTO EM O.


FONTE: A. Disponível em: <http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Morfofisiologia_vegetal/
morfovegetal24.php>. Acesso em: 11 fev. 2016. B. Appezzato-da-Glória & Hayashi (2006, p.277).
C. Vailati et al. (2008)

NOTA

A água penetra na raiz por duas vias: simplástica e apoplástica (Figura 85).
Na via simplástica, a água é absorvida e passa por dentro da célula, sofrendo a seletividade da
membrana plasmática até chegar à endoderme e elementos vasculares.
Na via apoplástica, a água absorvida passa entre as paredes celulares e vai em direção
ao cilindro central sem ser selecionada pela membrana plasmática. Contudo, ao atingir a
endoderme ela é bloqueada pelas estrias de Caspary e obrigada a passar por dentro das
células. Ou seja, tanto numa via quanto na outra, a água passa pela seletividade da membrana
plasmática, graças à presença das estrias de Caspary.

FIGURA 85 – ROTAS DE ABSORÇÃO DE ÁGUA

FONTE: Disponível em: <http://www.acervoescolar.com.br/biologia/botanica/


imagens/alimentacao-das-plantas.jpg>. Acesso em: 11 fev. 2016.

126
TÓPICO 3 | OS ÓRGÃOS VEGETAIS

Na posição mais interna da raiz encontramos o cilindro central. Ele é


constituído de células não vasculares, como o periciclo (camada mais externa do
cilindro central) e às vezes parênquima (por estar na parte mais central, denomina-
se parênquima medular ou medula), e tecido vascular primário (xilema e floema)
(Figura 86).

FIGURA 86 – SECÇÃO TRANSVERSAL DA RAIZ DE ALFACE-D’ÁGUA (Pistia


stratiotes – FAMÍLIA ARACEAE)

FONTE: Souza (2003, p. 96)

Note que sempre após a endoderme (camada mais interna do córtex)


encontramos o periciclo (camada mais externa do cilindro central).

O periciclo é muito importante, pois ele origina as raízes laterais, e


em plantas que crescem em espessura ele forma parte do câmbio vascular e o
felogênio.

Na raiz, xilema e floema primários apresentam maturação centrípeta


de suas células, isto é, encontramos o metaxilema na região mais central e
o protoxilema perifericamente a ele, próximo ao periciclo. Assim, dizemos
que na raiz o xilema primário é exarco (protoxilema externo). Entre os polos
de protoxilema encontram-se os elementos do floema. Isto é, xilema e floema
apresentam-se em cordões intercalados (Figura 86).

As raízes podem ser classificadas de acordo com o número de polos de


protoxilema. Quando há dois polos recebe o nome de diarca; três polos, triarca;
quatro polos, tetrarca; cinco polos, pentarca; seis ou mais, poliarca. Geralmente,
plantas monocotiledôneas são poliarcas, enquanto que dicotiledôneas e
gimnospermas possuem poucos polos de protoxilema.

Em raízes adventícias, o centro do cilindro central é ocupado por


parênquima (Figura 86), e essa região central é denominada medula. Em raízes

127
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

axiais há apenas grandes elementos do metaxilema ocupando a porção mais


central da raiz. Assim, muito comumente, monocotiledôneas possuem medula no
centro de suas raízes e dicotiledôneas somente metaxilema (nas raízes principais).

Algumas plantas apresentam acréscimos de tecidos secundários no seu


organismo, caracterizando um crescimento secundário, ou em espessura. Este
crescimento resulta da atividade do câmbio vascular e do felogênio, ambos
meristemas laterais ou secundários.

O câmbio vascular é originado, em parte, pelo procâmbio que não


se diferenciou em xilema ou em floema primários e, em parte, pelo periciclo
localizado em frente aos polos de protoxilema. Inicialmente, o câmbio originado
do procâmbio inicia sua atividade, formando xilema e floema secundários.
Posteriormente, o câmbio de origem pericíclica inicia a sua atividade formando
raios largos (Figura 87).

FIGURA 87 – ESQUEMAS DE SECÇÕES TRANSVERSAIS DE RAIZ

FONTE: Ferri (1984, p. 71)

Na figura, você pode observar: A. Estrutura primária. B. Transição


da estrutura primária para a secundária. C. Estrutura secundária. Note que a
epiderme ainda está presente.

Para acomodar todo esse acréscimo de tecidos, a região periférica da raiz


também sofre transformações. A epiderme pode não acompanhar o crescimento
secundário e vir a se romper. Antes de isso vir a acontecer, o periciclo forma o
felogênio, que, por sua vez, forma a periderme (súber + felogênio + feloderme)
que substituirá a epiderme. Com o crescimento contínuo e a atividade dos
meristemas laterais, os tecidos que ficavam externos ao periciclo, como córtex e
epiderme, são eliminados (Figura 87).

Em raízes que não crescem em espessura, como nas espécies de


monocotiledôneas, o córtex e a epiderme podem permanecer.

128
TÓPICO 3 | OS ÓRGÃOS VEGETAIS

3 CAULE
De maneira geral, ao observarmos um caule com estrutura primária em
secção transversal, podemos identificar (de fora para dentro) quatro regiões
(Figura 88).

FIGURA 88 – SECÇÃO TRANSVERSAL DE CAULE COM ESTRUTURA PRIMÁRIA


DE COLÉUS (Solenostemon scutellarioides - FAMÍLIA LAMIACEAE)

Medula
Epiderme

Córtex
Cilindro
vascular

FONTE: Disponível em: <http://www.ibilce.unesp.br/Home/Departamentos/


ZoologiaeBotanica/AnatomiaVegetal/morfologiavegetal/coleus1.jpg>. Acesso
em: 11 fev. 2016.

Veja que o cilindro vascular é a região onde estão localizados os tecidos


vasculares (xilema e floema).

E
IMPORTANT

Resumo do desenvolvimento do caule

129
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

A epiderme do caule geralmente é unisseriada (Figuras 88 e 89) e pode


estar recoberta por uma cutícula. Em caules jovens ou que não crescem em
espessura, podemos também observar estômatos e tricomas de vários tipos.

No córtex, a camada mais externa (se for diferenciada das demais) é


denominada de exoderme ou hipoderme, assim como vimos na raiz. Pode
haver um parênquima homogêneo e fotossintetizante, ou um colênquima
ou esclerênquima (em cordões ou em uma faixa contínua de células), células
secretoras de látex, mucilagem, idioblastos com taninos ou cristais. Alguns
caules são verdadeiros órgãos de reserva, principalmente amido. Se o amido
estiver presente na endoderme, ela recebe a denominação bainha amilífera. O
limite interno do córtex é feito pela endoderme, que pode apresentar estrias de
Caspary, assim como vimos nas raízes. Quando a endoderme não apresenta
nenhuma característica especial (amido ou espessamento), a delimitação entre
o córtex e o cilindro central é difícil. Mesmo assim, há sempre uma camada
com características químicas e fisiológicas da endoderme (que pode não estar
associada à especialização morfológica).

No cilindro central, também chamado estele, encontramos o periciclo


(camada mais periférica), os tecidos vasculares (xilema e floema) e a medula.
O periciclo pode ser unisseriado ou multisseriado (Figura 89), geralmente
é parenquimático e pouco diferenciado. Possui alta capacidade de divisão
celular, sendo responsável pela origem das raízes adventícias e por parte do
câmbio vascular.

FIGURA 89 – SECÇÃO TRANSVERSAL DO CAULE DE PAPO-DE-PERU (Aristolochia


sp. FAMÍLIA ARISTOLOCHIACEAE)

Epiderme
Córtex

Periciclo

X Medula
fistulosa

FONTE: Sajo & Catro (2006, p. 293)

130
TÓPICO 3 | OS ÓRGÃOS VEGETAIS

Observe o periciclo multisseriado e esclerenquimático.

Os tecidos vasculares primários são originados do procâmbio. Observe na


Figura 89 a distribuição de xilema e floema. Eles estão organizados de maneira
associada. Essa associação de xilema e floema é chamada de feixe vascular. Nas
dicotiledôneas, os feixes vasculares estão organizados ao redor do parênquima
medular e separados entre si por parênquima. Essa disposição da estele é
denominada Eustele (Figura 89). Já nas monocotiledôneas, os feixes vasculares
encontram-se dispersos de maneira aleatória no parênquima. A estele então
recebe o nome de Atactostele (Figura 90).

FIGURA 90 – SECÇÃO TRANSVERSAL DO RIZOMA DE JUNCO-DA-PRAIA


(Androtrichum trigynum – FAMÍLIA CYPERACEAE)

Córtex

Endoderme

Feixes
vasculares

FONTE: A autora

Observe a estele do tipo atactostele, onde os feixes vasculares estão


distribuídos aleatoriamente.

Os feixes vasculares podem ser classificados, de acordo com a posição


do xilema e floema, em: colaterais (quando há uma única porção de xilema e de
floema e estes estão lado a lado como nas Figuras 88 e 91-A), bicolaterais (quando
há uma porção de xilema entre duas porções de floema) (Figura 91-B), anficrivais
(quando o floema circunda todo o xilema (Figura 91-C) e anfivasais (quando o
xilema envolve todo o floema) (Figuras 89 e 91-D).

131
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

FIGURA 91 – TIPOS DE FEIXES VASCULARES

F
X
X
F F

A F B C D

A. COLATERAL. B. BICOLATERAL. C. ANFICRIVAL. D. ANFIVASAL. FONTE: Disponível em: <http://


pt.slideshare.net/rpvianna/caule>. Acesso em: 18 fev. 2016.

Ao contrário do que estudamos nas raízes, os caules possuem xilema


endarco. Isto quer dizer que xilema primário tem maturação centrífuga, ou seja,
do centro para a periferia, estando o protoxilema voltado para o interior do caule
e o metaxilema para a periferia (veja Figura 89).

Após o crescimento primário ser concluído, as gimnospermas e a grande


maioria das dicotiledôneas desenvolvem o crescimento em espessura (secundário)
em consequência da instalação dos meristemas laterais ou secundários, câmbio
vascular e felogênio.

O câmbio vascular apresenta duas origens: uma parte é desenvolvida


a partir do procâmbio e a outra parte a partir do periciclo, recebendo as
denominações câmbio fascicular (ocorre dentro dos feixes, entre xilema e floema)
e câmbio interfascicular (ocorre entre os feixes vasculares), respectivamente
(Figura 92). Desta maneira, os câmbios (fascicular e interfascicular) se unem, e
constituem o câmbio vascular, cuja forma lembra um cilindro contínuo, entre
o xilema e o floema primários. Quando está em atividade, o câmbio vascular
produz para a periferia do órgão floema secundário e para o interior do órgão,
xilema secundário. Com a produção desses tecidos secundários, o xilema
primário é empurrado cada vez mais para o centro do órgão, enquanto que o
floema primário é empurrado para a periferia.

132
TÓPICO 3 | OS ÓRGÃOS VEGETAIS

FIGURA 92 – SECÇÕES TRANSVERSAIS DE CAULE DE DICOTILEDÔNEA EVIDENCIANDO


CÂMBIO INTERFASCICULAR E FASCICULAR

F
F F1

F2
CF
CF
CI CF CI
X

X2
X
Cl
A

X1
B

A. REPRESENTAÇÃO. B. CAULE DE MANJERICÃO (OCIMUM CAMPECHIANUM – FAMÍLIA


LAMIACEAE). Legenda: CF – câmbio fascicular; CI – câmbio interfascicular; F – floema;
F1 – floema primário; F2 – floema secundário; X – xilema; X1 – xilema primário; X2 – xilema
secundário. FONTE: A. Ferri (1984, p.111). B. A autora.

A epiderme não acompanha por muito tempo o crescimento secundário


e pode romper. Ela é, então, substituída pela periderme, que é formada através
da atividade do felogênio, assim como vimos nas raízes. Entretanto, nos caules,
o felogênio é originado nas camadas subepidérmicas, ou seja, na camada logo
abaixo da epiderme.

Poucas monocotiledôneas possuem crescimento secundário, e este ocorre


de maneira diferente do qual estudamos em gimnospermas e dicotiledôneas. Esse
espessamento se dá em consequência da atividade do meristema de espessamento
secundário (MES), originado, geralmente, a partir do periciclo. O MES forma para
a periferia do caule parênquima cortical e para o interior, novos feixes vasculares.
Nestas plantas, se a epiderme não acompanhar o crescimento em espessura e se
romper, é substituída não pela periderme, e sim por um súber estratificado. A
camada logo abaixo da epiderme entra em divisão celular e forma apenas um
súber que apresenta muitas camadas celulares (Figura 93).

133
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

FIGURA 93 – CRESCIMENTO SECUNDÁRIO EM MONOCOTILEDÔNEA

MS

MS

A-B: veja que a região do córtex e da medula é separada pelo meristema de


espessamento secundário (MES), que forma novos feixes vasculares para o
interior do órgão e novas células do parênquima para a sua periferia. C. Detalhe
do súber estratificado-se sendo formado. Quando a epiderme se romper, ele
fará o revestimento do órgão. FONTE: Disponível em: <http://pt.slideshare.net/
rpvianna/caule>. Acesso em: 18 fev. 2016.

4 FOLHA
As folhas são apêndices caulinares. Têm origem exógena, ou seja, elas se
formam a partir de camadas superficiais do meristema apical. Por ser um órgão
rico em cloroplastos, é considerado o sítio principal da fotossíntese e respiração.

De modo geral, uma folha apresenta (Figura 94):

FIGURA 94 – COMPOSIÇÃO DE UMA FOLHA

FONTE: Disponível em <http://www.faqs.org/photo-dict/photofiles/


list/4386/5832grape_leaf.jpg>. Acesso em: 11 fev. 2016.

134
TÓPICO 3 | OS ÓRGÃOS VEGETAIS

Além das folhas fotossintetizantes, outros tipos podem ser considerados:

- Cotilédones – primeiras folhas formadas no embrião, com função de reserva;


- Hipsófilos – são brácteas com função de proteção, muitas vezes coloridas
(função junto à polinização, estrutura de atração de agentes polinizadores);
- Catafilos – são brácteas ou escamas com função de reserva e proteção.

De modo geral, observa-se anatomicamente:

FIGURA 95 – SECÇÃO TRANSVERSAL REGIÃO DA NERVURA MEDIADA DA


FOLHA DE COLÉUS (Solenostemon scutellarioides - FAMÍLIA LAMIACEAE)

FONTE: Disponível em: <http://www.ibilce.unesp.br/Home/Departamentos/


ZoologiaeBotanica/AnatomiaVegetal/morfologiavegetal/solenostemon1.
jpg>. Acesso em: 11 fev. 2016.

ATENCAO

Pelo fato de a maioria das folhas apresentarem forma achatada, podemos


observar duas superfícies: a face de cima (superior), conhecida como face adaxial; e a face
debaixo (inferior), denominada face abaxial.

Por apresentar uma íntima associação entre caule e folha, há muita


semelhança do tecido vascular do pecíolo e do caule.

A folha possui, comumente, uma epiderme unisseriada, podendo


algumas espécies apresentar epiderme multisseriada (multiestratificada). Por ser
um órgão aéreo, geralmente as células epidérmicas da folha são revestidas por
uma cutícula. Suas células são justapostas, formando um tecido compacto (sem
espaços intercelulares).

135
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

Na epiderme encontramos estômatos. Nas dicotiledôneas, eles encontram-


se espalhados na superfície, enquanto que em certas monocotiledôneas podem
estar organizados em fileiras paralelas. Outra diferença entre os dois grupos
diz respeito ao formato das células-guarda. Nas dicotiledôneas elas apresentam
formato reniforme (formato de rim) e nas monocotiledôneas referidas, formato
de halteres (como aqueles alteres de academia) (Figura 96). Eles podem estar
presentes somente na face abaxial (folha hipoestomática), ou somente na face
adaxial (folha epistomática), ou ainda nas duas faces (folha anfiestomática).

FIGURA 96 – SECÇÕES PARADÉRMICAS (VISTA FRONTAL) EVIDENCIANDO ESTÔMATOS

A B C D

E F

A-B,E: Dicotiledôneas. C-D,F: Monocotiledôneas. FONTE: A. Ferri (1984, p. 36). B. Alquini


et al. (2006, p. 101). C,E-F. Esau (1997, p. 51). D. A autora

Outras células especializadas podem ocorrer na epiderme da folha, como:


tricomas tectores (ou não glandulares) e glandulares, glândulas de sal e células de
sílica, entre outras, conforme vimos anteriormente.

A região compreendida entre as duas epidermes (da face adaxial e da


face abaxial) é denominada mesofilo. Geralmente é caracterizado por apresentar
clorênquima (parênquima clorofiliano). Em muitas plantas distinguem-se
dois tipos de clorênquima: o paliçádico e o esponjoso (também conhecido por
lacunoso).

136
TÓPICO 3 | OS ÓRGÃOS VEGETAIS

DICAS

Se for preciso, volte ao Tópico 2, onde estudamos os tecidos, e retome os


estudos do parênquima clorofiliano.

Podemos classificar a folha de acordo com a constituição do mesofilo:


dorsiventral (ou isobilateral) (Figura 97), quando o parênquima paliçádico está
localizado próximo à face adaxial e o parênquima esponjoso está voltado para
a face abaxial; isolateral (ou isobilateral), quando o parênquima paliçádico
ocorre próximo a ambas as faces; e homogêneo (ou unifacial), quando apresenta
parênquima clorofiliano uniforme, constituído de um único tipo celular, muito
comum em monocotiledôneas.

FIGURA 97 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE UMA FOLHA ISOLATERAL

FONTE: Ferri (1984, p. 93)

As nervuras que observamos nas folhas são feixes vasculares que estão
distribuídos paralelamente à sua superfície. Essa distribuição é chamada de
padrões de nervação ou de venação, e caracterizam grupos. Nas monocotiledôneas
as nervuras são paralelas, enquanto que nas demais angiospermas há uma
nervura principal na lâmina foliar, geralmente na região longitudinal mediana,
e ramificações de menor calibre que partem dessa nervura. Os feixes vasculares
são normalmente colaterais, compostos por xilema e floema primários. Em folhas
com feixes colaterais, o xilema encontra-se voltado para a face adaxial, e o floema,
voltado para a face adaxial.

137
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

LEITURA COMPLEMENTAR

Os tecidos vegetais têm três dimensões

GREGÓRIO CECCANTINI

A pergunta central que se faz de início é: – Será que o ensino da Anatomia


Vegetal está sendo bem-sucedido? Ao final de qualquer curso de anatomia
corrigem-se as provas, aprovam-se os alunos, mas não se pode ter certeza de que
o conteúdo foi bem aprendido, já que o contato entre mestres e alunos após as
avaliações é raro.

E as habilidades dos alunos foram devidamente lapidadas? Que habilidades


em um curso de morfologia vegetal devem ser aprimoradas? Podem-se citar
muitas, mas uma em especial me parece fundamental, e essa, aparentemente, não
tem sido muito bem explorada: a compreensão tridimensional das estruturas.
Essa habilidade é essencial, pois será usada adiante em outras disciplinas das
Ciências Biológicas, nas atividades de docência ou pesquisa do futuro licenciado
ou bacharel. Percebo que, em alguns cursos de Anatomia Vegetal, a ênfase tem sido
a memorização de nomes de estruturas, em detrimento da compreensão espacial
das mesmas, o que frustra os alunos e pouco contribui para seu conhecimento – é
um aumento de gordura (que pode ser perdido depois), quando seria mais útil um
aumento no esqueleto. Assim, os objetivos deste texto são o de destacar algumas
dificuldades no ensino de Anatomia Vegetal, propor alternativas e compartilhar
experiências de um dos projetos desenvolvidos.

Na década de 80, o Dr. Douglas Zago (professor de histologia e embriologia


animal no ICB-USP) dizia, em suas aulas, que “o histólogo, por definição, é um
cientista infeliz, pois tenta entender em duas dimensões um mundo que tem
três”. Apesar de avanços tecnológicos recentes, como a microscopia confocal e
os programas de computador para reconstrução tridimensional, eles ainda não
são amplamente difundidos nos laboratórios e, em geral, estão distantes da sala
de aula. Assim, a afirmação acima ainda é bastante verdadeira. Por esse motivo,
no ensino de histologia animal e anatomia vegetal a integração tridimensional
é tão importante e complicada. Para que ela ocorra de forma adequada, deve-se
exercitar a capacidade de abstração, tendo como base imagens bidimensionais,
como desenhos de cortes ou fotomicrografias.

De forma a suprir essa dificuldade inerente às ciências histológicas, as


representações gráficas didáticas têm evoluído muito. Se observarmos os principais
livros de Botânica e Anatomia Vegetal nas últimas décadas, verificamos que o
número de esquemas tridimensionais aumentou, bem como sua complexidade,
o que vem facilitando muito a compreensão das estruturas por parte dos alunos.

Apesar disso, muitas das respostas apresentadas em provas e trabalhos


demonstram que a compreensão das estruturas espacialmente deixa, ainda,

138
TÓPICO 3 | OS ÓRGÃOS VEGETAIS

a desejar. Um exemplo desse problema é a quantia de vezes que os alunos


descrevem as células como sendo “círculos” e “retângulos”, em lugar de esferas
ou cilindros e prismas.

Por isso, métodos e recursos que auxiliem nessa tarefa são sempre bem-
vindos.

Um recurso, que muito pode ajudar, é o uso de modelos didáticos


tridimensionais. Diversas empresas comercializam, no Brasil e no exterior, modelos
feitos de diversos tipos e materiais (resina, gesso, polímeros), mas esses costumam ser
caros, de disponibilidade e diversidade limitadas e, frequentemente, contêm erros.
Considerando essas limitações, uma alternativa interessante é o uso dos modelos
didáticos como parte do método de ensino. Se a compra de modelos sofisticados
não está ao alcance de todas as escolas, a confecção de modelos com certeza está,
pois envolve apenas determinação e criatividade, duas faculdades importantes para
o cientista-professor de ciências biológicas. Com o desenvolvimento de modelos,
estimula-se o aluno a refletir sobre as estruturas de forma a se aprofundar na
sua compreensão tridimensional. A construção de modelos pelos alunos, usando
materiais simples (cartolina, acetato, isopor), como massas plásticas (massa de
modelar, massa de vidraceiro, porcelana fria), gesso ou materiais reciclados (PET
plástico bolha, embalagens) é muito empregada no Ensino Fundamental e Médio,
mas, lamentavelmente, pouco aplicada no Ensino Superior.

No Brasil, uma entusiasta pioneira no uso da construção de modelos para


o ensino de Anatomia Vegetal foi a Dra. Marilene Braga (UFMG). Também na
UFMG, a convivência enriquecedora desta com a Dra. Rosymary Isaias, resultou
em inovadora investida no ensino de Botânica para deficientes visuais. Por
entusiasmo em relação ao trabalho da primeira, fabriquei alguns modelos em
1997 e implantei a construção de modelos tridimensionais como parte do método
de ensino e avaliação de Botânica Estrutural na Universidade Federal do Paraná,
como o que segue anexo, com bastante sucesso. Houve retorno em motivação dos
alunos, em resultados das avaliações, bem como pela constituição de uma coleção
de modelos de ótima qualidade.

Vale a pena destacar que os modelos também podem auxiliar a


sanar deficiências nos recursos didáticos, cada vez mais frequentes na
Universidade brasileira. Podem complementar os laminários deficientes ou
suprir a indisponibilidade de equipamentos, como micrótomos de deslize
ou microscópios eletrônicos de varredura. O modelo aqui apresentado, por
exemplo, foi brilhantemente desenhado por Luciana Gussella, com o uso de
lâminas histológicas de madeira de jatobá (Hymenaea courbaril L.), que não estão
disponíveis em boa parte das coleções didáticas que visitei, e se estão, não em
número suficiente.

Um problema que vem prejudicando o ensino é o envelhecimento ou a


má qualidade dos microscópios. Em muitas escolas a observação não é em nada

139
UNIDADE 2 | PLANTA TAMBÉM TEM SUA ANATOMIA

favorecida pelos aparelhos, que vêm diminuindo em número e em qualidade. Em


alguns locais o número de microscópios, já insuficiente para trabalhos em duplas,
não permite a observação de estruturas muito pequenas, como pontoações
areoladas que variam de 1-10 μm, áreas crivadas ou estrias de Caspary, já difíceis
de compreender com boas condições de microscopia.

Para concluir, quero manifestar meu entusiasmo com relação ao uso de


modelos didáticos tridimensionais, tanto como recurso didático, como enquanto
método de avaliação e construção de habilidades estruturadoras. É impressionante
como, agregando um aspecto lúdico e criativo, podemos transformar uma aula
de anatomia vegetal numa atividade divertida e agradável para todos. É difícil
explicar as razões pelas quais fomos treinados para rejeitar a criação e a diversão
no ensino, mas há boas teses acadêmicas relacionando isso ao fracasso escolar, à
repressão e à evasão dos cursos.

Boa parte do que fazemos em nossa atividade profissional de biólogo nos


parece divertida (atividades de laboratório, trabalhos de campo). Por outro lado,
alguns dos atributos mais importantes para o profissional biólogo (pesquisador
ou professor no Brasil) são improviso e criatividade para suplantar as limitações
materiais. Por esses motivos, conclamo os colegas professores a usarem o modelo
aqui apresentado, e verificar como é possível agregar uma faceta lúdica numa
aula de anatomia do xilema secundário, que pode nos remeter aos tempos em
que brincávamos com o “Recorte & Brinque” das embalagens de cereais ou com
a “Revista Recreio”. De bônus, os alunos ainda levam seu modelo para casa,
difundem aquele objeto curioso entre seus familiares e não têm a desculpa de
não ter tido livro para estudar, por exemplo, os três planos de organização da
madeira.

CUBO DE MADEIRA - Instruções:

- cole a folha em uma cartolina, usando cola em bastão;


- recorte 88 peças nas linhas tracejadas e dobre nas linhas inteiras;
- colorir com lápis de cor cada tipo de tecido da madeira e preenchendo os balões
de texto com o nome dos tecidos;
- marque as letras no verso das peças para saber o lado certo de colar;
- monte colando as peças, unindo as aletas com as partes de letras iguais.

140
TÓPICO 3 | OS ÓRGÃOS VEGETAIS

FONTE: Ceccantini, G. 2006. Os tecidos vegetais têm três dimensões. Revista Brasileira de
Botânica 29:335-337. Acesso em: 26 jul. 2018

141
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você viu que:

• Raízes em estrutura primária apresentam epiderme, córtex e cilindro central


(apenas raízes adventícias possuem medula na região mais central).

• A camada mais interna do córtex é denominada de endoderme.

• O cilindro central é formado por células não vasculares (periciclo) e vasculares


(xilema e floema), e às vezes por parênquima (parênquima medular).

• O periciclo pode originar raízes laterais e parte do câmbio vascular e felogênio.

• Na raiz, xilema e floema primários apresentam maturação centrípeta de suas


células. Por isso são chamados exarcos.

• Nas raízes, floema e xilema primários aparecem distribuídos em cordões


intercalados.

• Caules em estrutura primária apresentam epiderme, córtex e cilindro central e


medula.

• As raízes e caules podem apresentar crescimento secundário graças à atividade


do câmbio vascular e do felogênio.

• Nas raízes, xilema e floema apresentam-se em cordões intercalados, e o xilema


é exarco.

• Nos caules, xilema e floema apresentam-se associados formando feixes


vasculares. O xilema é dito endarco.

• Caules sempre apresentam medula, ocupando a porção mais central.

• O cilindro vascular dos caules é também chamado de estele.

• A estele pode ser: atactostele (quando os feixes vasculares aparecem dispersos


no parênquima medular) e eustele (quando os feixes vasculares aparecem
organizados ao redor da medula).

• Nos caules, xilema e floema primários apresentam-se associados, formando


feixes vasculares.

142
• Os feixes vasculares podem ser classificados, de acordo com a posição do xilema
e floema. Ex.: colaterais, bicolaterais, anficrivais, anfivasais.

• As folhas são apêndices caulinares, ou seja, há uma íntima associação entre


folha e caule.

• Estruturalmente as folhas são formadas pela epiderme adaxial e abaxial e


mesofilo, onde encontramos feixes vasculares.

• Na epiderme das folhas podemos observar muitos estômatos e tricomas, por


exemplo.

• A região compreendida entre as duas epidermes é denominada mesofilo.

• Há dois tipos de clorênquima: o paliçádico e o esponjoso (também conhecido


por lacunoso).

• Podemos classificar a folha de acordo com a constituição do mesofilo:


dorsiventral (ou isobilateral), isolateral (ou isobilateral) e homogêneo (ou
unifacial).

143
AUTOATIVIDADE

1 Observe a imagem a seguir.


Ela representa uma secção ( ) transversal/ ( ) longitudinal de um(a) ( ) raiz/
( )caule em estrutura ( ) primária/ ( ) secundária. Indique na figura:

a) câmbio vascular
b) xilema primário
c) floema primário
d) xilema secundário
e) floema secundário
f) raio do xilema
g) raio do floema
h) periderme
i) córtex
j) medula
k) limite da camada de crescimento

FONTE: Disponível em: <http://www.gettyima


ges.es/detail/foto/cross-section-of-a-two-year
-old-basswood-or-linden-fotograf%C3%ADade
-stock/145094152>. Acesso em: 18 fev. 2016.

2 Correlacione as colunas:

(A) Atactostele
(B) Eustele

144
( ) Presente, geralmente, em monocotiledôneas.
( ) Presente, geralmente, em dicotiledôneas.
( ) Feixes vasculares separados por parênquima e dispostos ao redor da
medula.
( ) Feixes dispersos no parênquima.

3 O caule da maioria das monocotiledôneas não apresenta crescimento


secundário, mas algumas poucas espécies desenvolvem caules espessos.
Isto é possível em consequência da presença de qual estrutura? E o que esta
estrutura forma para o centro do órgão e para a periferia?

4 Indique as estruturas deste caule de monocotiledônea em crescimento


secundário.

2
4

5
FONTE: A autora

145
146
UNIDADE 3

A DIVERSIDADE E INTIMIDADE
DAS PLANTAS VASCULARES COM
SEMENTES

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir desta unidade você será capaz de:

• conhecer a história evolutiva das plantas vasculares;


• reconhecer as principais características das plantas vasculares com semen-
tes;
• caracterizar os grupos de representantes de gimnospermas;
• analisar o ciclo reprodutivo das plantas superiores (gimnospermas e
angiospermas);
• trabalhar a botânica como pesquisa aplicada, abordando a utilização de
plantas como geradora de recursos;
• identificar as espécies vegetais de importância econômica;
• conhecer as características da produção de plantas e produtos de origem
vegetal;
• analisar as características da comercialização de plantas e produtos de
origem vegetal;
• valorizar o empreendedorismo na área botânica, garantindo, sobretudo, a
sustentabilidade ambiental no uso das plantas.

PLANO DE ESTUDOS
Esta terceira unidade está dividida em três tópicos. No final de cada um deles
você encontrará atividades que reforçarão o seu aprendizado.

TÓPICO 1 – AVANTE! VAMOS CONQUISTAR O AMBIENTE TERRESTRE!

TÓPICO 2 – PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES: AS GIMNOSPER-


MAS E AS ANGIOSPERMAS

TÓPICO 3 – BOTÂNICA ECONÔMICA

147
148
UNIDADE 3
TÓPICO 1

AVANTE! VAMOS CONQUISTAR O AMBIENTE TERRESTRE!

1 INTRODUÇÃO
Acredita-se que os indivíduos que deram origem a todas as plantas
terrestres evoluíram em um ambiente aquático. Por este motivo, transições
profundas na organização corpórea das plantas ocorreram quando alguns grupos
invadiram o ambiente terrestre, durante a era paleozoica, há 400 milhões de anos.
Tais modificações, produtos da ação lenta da seleção natural sobre a variabilidade
genética, deram origem a toda diversidade morfológica. Além disso, a conquista
terrestre pelos vegetais modificou profundamente aspectos geomorfológicos e
geoquímicos do nosso planeta, afetando também a evolução de todos os outros
grupos sobre a Terra, inclusive a nossa espécie!

Neste contexto, existiram vários problemas a serem solucionados pelas


plantas, dentre os quais podemos destacar: (1) a redução da perda de água por
evaporação; (2) a realização de trocas gasosas; (3) absorção de água e nutrientes;
(4) condução de água, sais e outras substâncias através da planta; (5) dependência
da água para reprodução.

Vejamos um pouco desta história!

TUROS
ESTUDOS FU

Neste primeiro tópico abordaremos a história da conquista do ambiente terrestre


pelas plantas. Que tal descobrir um pouco mais sobre essa história cheia de emoções? Vamos
lá?

149
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

2 A CONQUISTA DO AMBIENTE TERRESTRE


A estrutura corpórea do provável ancestral de todas as formas terrestres
deveria ser um talo relativamente indiferenciado, mesmo que fosse uma
alga verde pluricelular. No ambiente aquático, com exceção das estruturas
reprodutoras e eventuais estruturas de fixação no substrato, o restante do corpo
da planta é relativamente igual na maioria dos grupos. Os processos fisiológicos
são geralmente realizados em um mesmo tecido genérico, sem que necessite
especialização de órgãos. Algas não desenvolvem caules, raízes ou folhas
propriamente ditas.

É importante lembrar que existem fatores limitantes para o crescimento


da planta, como, por exemplo, a concentração de CO2 e a luminosidade. Estes
recursos são bastante abundantes em um ambiente terrestre e podem ter sido as
“recompensas” evolutivas para os grupos capazes de sobreviver fora da água.

Na transição para o ambiente terrestre, alguns problemas precisaram


ser contornados. Durante milhões de anos, os tecidos vegetais cresceram
inteiramente submersos, realizando trocas gasosas e de nutrientes por todas
as partes do vegetal. A invasão do ambiente terrestre só seria possível com a
impermeabilização pelo menos parcial dos talos emersos. E isso foi possível,
impregnando com substâncias lipídicas (especialmente ceras) a superfície das
primeiras plantas terrestres. Entretanto, essa impregnação criou um problema
inicial: restringiu seriamente as trocas gasosas. Tal problema foi resolvido com o
desenvolvimento dos estômatos, que são conjuntos celulares capazes de controlar
a abertura ou o fechamento de um poro, permitindo o controle das trocas gasosas.

Outro problema estava na sustentação da estrutura corpórea. Fora da


água, a força da gravidade não é mais parcialmente anulada pelo empuxo, que
reduz o peso aparente de estruturas submersas. A presença de uma parede de
celulose nas células vegetais ajudou, mas não foi o suficiente. A maior parte das
plantas terrestres precisou desenvolver tecidos específicos, impregnados de
substâncias rígidas. A lignina surgiu como a principal molécula capaz de realizar
esta impregnação.

As primeiras plantas terrestres consistiam de talos ramificados, conhecidos


por telomas, e provavelmente estariam parcialmente submersos em um substrato
enlameado. Esse talo era uma estrutura indiferenciada, que em algumas ocasiões
desenvolvia estruturas reprodutivas nos ápices.

A partir daí as plantas enfrentaram de forma decisiva o caráter ambíguo


do ambiente terrestre em relação aos recursos mínimos para a manutenção da
vida vegetal. A luz e o CO2 deveriam ser obtidos diretamente do meio aéreo,
onde são abundantes. Já a água e os outros nutrientes minerais são normalmente
encontrados em solução sob a superfície da terra. Assim, da mesma forma que
os ramos fotossintéticos devem crescer em direção à luz, órgãos absortivos

150
TÓPICO 1 | AVANTE! VAMOS CONQUISTAR O AMBIENTE TERRESTRE!

precisariam crescer para dentro da terra. Tal aspecto foi fundamental para
a especialização das plantas terrestres e permitiu a ampla diversificação de
estruturas.

Em algum momento da evolução, as plantas tornaram-se compostas


por dois compartimentos integrados, mas com processos fisiológicos e padrões
de crescimento distintos. Por um lado, o sistema axial aéreo ou mesmo
parcialmente subterrâneo portava ramos que elevavam-se em direção ao ar e à
luz, ocasionalmente portando também estruturas de reprodução sexuada. Por
outro lado, um eixo (ou conjunto de eixos) do sistema absortivo/fixador crescia
de forma sempre subterrânea, normalmente em direção ao centro de gravidade
da Terra (crescimento geotrópico positivo). É possível que o tal órgão fosse
inicialmente um rizóforo, bastante similar ao eixo aéreo, mas com crescimento
subterrâneo portando raízes (ou rizoides). Isso quer dizer que o sistema axial
único dividiu-se em dois sistemas bastante definidos: o sistema absortivo/fixador
desenvolveu-se em raízes, enquanto o sistema axial (tanto os ramos horizontais
quanto os eretos) originou o caule.

Os ramos aéreos precisaram desenvolver tecidos de sustentação cada vez


mais fortes, de forma a permitir o crescimento em direção à luz. E quanto mais longe
do solo os ramos podiam crescer, mais eficiente deveria ser a impermeabilização,
a sustentação e também maior deveria ser a eficiência do controle realizado pelos
estômatos. Por outro lado, os ramos subterrâneos deveriam crescer em busca de
mais água e minerais. Em consequência do problema de atrito do ápice radicular
com o solo, desenvolveu-se uma capa, chamada coifa, para protegê-lo.

A questão terra/ar fez com que os ramos axiais (aéreos) e os ramos


absortivos/fixadores (subterrâneos) crescessem em direções opostas, apesar da
necessidade de integração de ambos os sistemas. As partes absortivas dependiam
do produto da fotossíntese, enquanto as partes axiais precisavam da água e dos
sais absorvidos pelos ramos subterrâneos. Surge, então, o problema da integração
destes dois sistemas diferenciados. O processo de difusão de solutos e solventes
célula a célula era pouco eficiente, e para isso as plantas desenvolveram tecidos
capazes de realizar este transporte com mais eficiência. Surgiram xilema e floema,
tecidos capazes de conduzir, respectivamente, água e solutos e os produtos
fotoassimilados. Na verdade, sabemos que os tecidos condutores já existiam
antes da total diferenciação entre o sistema axial e o absortivo/fixador, e isto deve
ter sido uma pré-adaptação importante para a diferenciação intensa em períodos
subsequentes.

O sistema axial sofreu uma grande modificação. O teloma era um


conjunto de eixos que se ramificava expansivamente, sem que houvesse um eixo
principal. A partir deste ponto, alguns grupos passaram a permitir que uma das
ramificações crescesse mais que a outra, formando um eixo principal mais robusto
e com crescimento indeterminado (sobrecrescimento). Deste ramo principal
surgiam regularmente ramos laterais. Estes ramos laterais tinham crescimento

151
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

mais limitado (crescimento determinado). Assim, enquanto o ramo principal


elevava cada vez mais a planta em direção à luz, os ramos laterais (bem menores)
posicionavam-se lateralmente, buscando capturar a maior luminosidade possível.

Uma maneira de otimizar a captura de luz é organizar os ramos laterais


de forma que não façam sombra uns sobre os outros. Isso foi resolvido fazendo os
ramos laterais crescerem de forma planar, isto é, todas as ramificações deveriam
ocorrer lateralmente (planificação). Outra forma de maximizar a captura de luz
é achatando o ramo dorsiventralmente. A forma achatada maximiza a razão
superfície/volume, aumentando a eficiência da fotossíntese. Os caules laterais
podem aumentar sua eficiência fotossintética de duas formas: a primeira é ele
próprio se tornar achatado. A segunda forma é produzindo expansões laterais
de tecido fotossintético (o que veio a ser chamado de folhas ou megafilos). Em
alguns grupos, estas expansões de tecidos tornaram-se fundidas, produzindo uma
ampla estrutura membranoide sustentada por uma rede de ramos vascularizados.
A esta etapa na formação dos megafilos damos o nome de coalescimento. O
coalescimento culmina com a formação de uma membrana única unindo todos
os ramos planificados. No megafilo completo, os ramos tornaram-se as nervuras
e a membrana tornou-se o limbo.

Acredita-se que as pressões evolutivas para que as plantas desenvolvessem


megafilos ocorreram há cerca de 350 milhões de anos, no final do período
Devoniano. Neste período, os níveis atmosféricos de CO2 baixaram cerca de 90%,
demandando sistemas fotossintéticos mais eficientes.

Já os microfilos, folhas existentes em alguns grupos como licopódios


e selaginelas, podem ter surgido como uma extrema redução do ramo
determinado, produzindo uma folha com apenas uma nervura. Outra teoria
afirma que os microfilos tenham surgido de uma projeção avascular de tecido,
que posteriormente tornou-se vascularizada.

Resolvidos os principais problemas para a colonização da Terra, certamente


as linhagens de sucesso começaram a competir entre si pelo espaço no novo
nicho. Neste ponto, as plantas vasculares, que inicialmente não eram maiores que
5 cm, foram se tornando cada vez mais altas, na competição por luz. Um grande
passo na conquista do ambiente terrestre foi o desenvolvimento de um tecido
capaz de prover sustentação e condução para as plantas progressivamente mais
altas. Chamamos tal crescimento de crescimento secundário ou lenhoso. O hábito
arbóreo pode ter evoluído em diferentes grupos independentemente, mas teve
um grande impacto nos ecossistemas terrestres. O desenvolvimento das grandes
florestas há cerca de 300 milhões de anos mudou irreversivelmente a geografia do
nosso planeta, criando um conjunto bastante expressivo de novos habitats.

Um último aspecto que demandou modificação com a conquista do


ambiente terrestre foi relativo à reprodução. Sabemos que os grupos mais antigos
de plantas vasculares apresentam gametas (ou pelo menos o gameta masculino)
livres, que movimentam-se na água por meio de um ou mais flagelos. Tal método

152
TÓPICO 1 | AVANTE! VAMOS CONQUISTAR O AMBIENTE TERRESTRE!

de locomoção só é eficiente em ambiente aquático. Uma tendência evolutiva na


conquista do ambiente terrestre foi a retenção máxima de gametas, a ponto de
impedir que qualquer um tenha vida livre. Tal aspecto, juntamente com o uso de
vetores para a polinização, aumentou o grau de independência do meio aquático,
permitindo gradativamente a colonização de ambientes inóspitos, incluindo
regiões rochosas e desérticas.

Sabemos que folhas e flores originaram-se de estruturas caulinares


fortemente modificadas. Estruturas caulinares evoluíram dos antigos telomas.
Em relação às raízes, ainda há dúvidas se estas evoluíram direto do teloma ou
se surgiram de estruturas caulinares primitivas. Independente disto, todos estes
fatos suportam que toda a diversidade demonstrada pelas plantas originou-se
de modificações sequenciais de mesmo eixo original. Isso demonstra que todos
os órgãos das plantas terrestres (ou pelo menos todos os órgãos vegetativos) são
homólogos sequenciais e devem compartilhar os mesmos sistemas principais de
tecidos e também de processos morfogênicos.

FONTE: Adaptado do texto “Questões iniciais: a conquista do ambiente terrestre”, de Gonçalves


& Lorenzi (2007, p. 15-20).

153
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

LEITURA COMPLEMENTAR

O Jardim Botânico e guerra mundial da biopirataria

Laurentino Gomes

Em janeiro de 1809, uma tropa brasileira apoiada pelos ingleses partiu


de Belém do Pará e, em poucos dias, ocupou a Guiana Francesa praticamente
sem resistência. A invasão do território francês, decidida pelo príncipe regente D.
João logo ao chegar ao Rio de Janeiro, alguns meses antes, tinha dois objetivos.
O primeiro era retaliar o imperador Napoleão Bonaparte que em novembro de
1807 tomara Lisboa e obrigara a família real portuguesa a fugir para o Brasil.
O segundo, roubar dos franceses os preciosos tesouros botânicos cultivados no
viveiro de Caiena, a capital da Guiana.

Um desses tesouros era a carambola. Originária da Indonésia e do Ceilão,


essa espécie asiática fora transplantada para a América por biopiratas franceses
entre os séculos 16 e 17. Na Guiana, era guardada como um segredo de Estado.
A primeira muda foi plantada no Brasil no Jardim Botânico do Rio de Janeiro
em 1811, embora seu cultivo só tenha se propagado mesmo seis anos mais tarde,
a partir de Pernambuco. Além da carambola, as tropas invasoras portuguesas
trouxeram para o Rio de Janeiro diversas outras espécies, incluindo a cana de
Caiena que, adaptada às terras férteis da zona da mata nordestina, passaria a
ser chamada de cana caiana, tema de uma famosa canção do compositor Alceu
Valença.

  O saque do viveiro francês na Guiana foi parte do primeiro esforço


organizado de melhorar o desempenho da agricultura brasileira com a introdução
de novas espécies de interesse econômico. Até 1808, ano da chegada da corte ao
Rio de Janeiro, o Brasil era o grande fornecedor de produtos primários para a
metrópole portuguesa. A lista incluía madeira, açúcar, tabaco, algodão, carne de
charque, couro de boi curtido e cachaça - item importante no tráfico de escravos
com a África. Mas era uma produção rudimentar, atrasada, sem planejamento
estratégico, resultado de três séculos de tentativas, erros e acertos no processo
de colonização do Brasil. Com a chegada da corte, tudo isso mudou. A criação
do Jardim Botânico no Rio de Janeiro é parte desse esforço de modernizar a
agricultura brasileira.

 Nos três séculos anteriores, portugueses, espanhóis, ingleses e holandeses


travaram uma guerra global pelo controle das especiarias, como eram chamadas
no período colonial as plantas de interesse econômico. Incluíam frutas, flores,
grãos e sementes usados como remédios, temperos e cosméticos, além da madeira
destinada à indústria de corantes de tecidos e fabricação de navios. Algumas eram
tão valiosas no mercado europeu como seriam mais tarde o ouro, o diamante e
o petróleo. Seu preço comandava a economia internacional e fazia a fortuna de
aventureiros e a glória de reis e rainhas.

154
TÓPICO 1 | AVANTE! VAMOS CONQUISTAR O AMBIENTE TERRESTRE!

  “Espécies que forneciam tinta ou açúcar, remédios ou carvão, fibras,


alimentos, frutas, raízes, flores ou bebidas, eram buscadas pelos mares”, registrou
a escritora Rosa Nepomuceno, autora de um livro sobre o Jardim Botânico do
Rio de Janeiro. “Funcionavam como reserva de capital, produtos que poderiam
garantir a saúde financeira de um reino”. Por essa razão, o cultivo dessas espécies
fora de seus habitats era antiga obsessão dos europeus.

  Na era colonial, o Jardim do Éden das especiarias estava situado num


vasto cinturão vagamente conhecido como “As Índias”. Compreendia, além do
próprio subcontinente indiano, o Ceilão, a Malásia, as Filipinas, a Indonésia,
e, principalmente, as Ilhas Molucas, paraíso de espécies como o cravo, a noz-
moscada e a canela. Até o século 14, o comércio das especiarias era monopólio
dos árabes, que as revendiam aos mercadores de Veneza, de onde chegavam ao
restante da Europa. A descoberta do caminho das Índias pelos mares, contornando
o Cabo da Boa Esperança, mudou esse cenário. Com o poderio de seus canhões e
a engenhosidade de suas caravelas, em pouco tempo os portugueses se tornaram
os novos senhores desse lucrativo negócio. Mas seus domínios seriam disputados
a ferro e fogo pelas demais potências europeias nos séculos seguintes.

 Em 1499, ao retornar a Lisboa ao final de sua primeira incursão à Índia,


Vasco da Gama transportava uma carga sessenta vezes mais valiosa que o custo
da sua expedição. A viagem do britânico Francis Drake entre 1577 e 1580, com
escala nas Ilhas Molucas, rendeu aos seus investidores um lucro de 4.700%. Em
1603, quando os ingleses estabeleceram sua primeira colônia na Ilha de Run, nas
vizinhanças da Nova Guiné, um fardo de 4,5 quilos de noz moscada era comprado
na Ásia por meio centavo de libra esterlina e revendido na Inglaterra por um
preço 32.000 vezes maior.

A perspectiva de lucros tão exorbitantes passou a orientar as ações dos


colonizadores. Ao ocupar a cidade de Goa, na Índia, no começo do século 16, os
portugueses tomaram, de imediato, quatro providências. A primeira foi construir
uma fortaleza para defender seu novo território. Em seguida, ergueram uma igreja
e uma escola. Por fim, criaram um jardim botânico medicinal, onde os padres
jesuítas iniciaram um rigoroso processo de experimentos com plantas indianas
para identificar quais tinham poderes curativos para determinadas doenças.
A tradução dessas pesquisas do português para outras línguas europeias é
considerada a pedra fundamental da moderna farmacologia, segundo o jornalista
e historiador britânico Martin Page.

 Ao chegar ao Brasil, em 1808, D. João criou a Real Junta do Comércio,


Agricultura, Fábricas e Navegações, que tinha entre suas tarefas incentivar e
premiar quem transplantasse para o Brasil plantas de interesse econômico.
Um dos premiados foi Luís de Abreu Vieira de Paiva, oficial da Armada Real
Portuguesa. Em 1809, Vieira de Paiva naufragou perto das Ilhas Maurício, no
Oceano Índico, pertencentes à França. Ali, o botânico e ex-missionário Pierre
Poivre tinha criado o Jardim de la Pamplemousse, destinado a aclimatar espécies

155
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

da Ásia e das Américas. Poivre foi um grande biopirata, responsável, entre outras
façanhas, pelo roubo na Ásia de mudas de pimenta-do-reino que, mais tarde,
seriam cultivadas na América. Por isso, em sua homenagem, pimenta passou a
se chamar poivre em francês. Salvo do naufrágio, Vieira de Paiva convenceu os
franceses a libertar duzentos portugueses mantidos prisioneiros nas ilhas e ainda
trouxe para o Brasil vinte caixas de plantas para o novo horto do Rio de Janeiro.
A carga incluía mudas de cânfora, cravo-da-índia, canela, noz-moscada, manga,
lichia, cajá, abacate, acácias, nogueiras, abricós, frutas-pão e a famosa palmeira
imperial que D. João teria plantado no Jardim Botânico em 1813.

 O Brasil já era um laboratório privilegiado na disputa pelas especiarias


muito antes da chegada da corte portuguesa. Enquanto estimulava a pirataria de
plantas de outras regiões, Lisboa promovia a exploração das novas especiarias
brasileiras. O primeiro alvo de cobiça – e intensa disputa com os franceses – foi
a própria madeira que daria nome ao novo território, o Pau Brasil, usado como
matéria-prima na tintura de tecidos. Em seguida, veio o ciclo da cana-de-açúcar,
outra espécie de altíssimo valor econômico. Também foram estudadas e cultivadas
as diversas variedades de pimenta da Amazônia, o guaraná, o urucum (substituto
do açafrão), a castanha do Pará e uma infinidade de frutos e raízes usados na
indústria de tintas e remédios. Mais tarde, duas descobertas iriam valorizar ainda
mais os produtos da floresta brasileira: o cacau, matéria-prima do chocolate, e
o cautchu, também conhecido como borracha, que haveria de revolucionar os
meios de transportes junto com a invenção do automóvel.

FONTE: Disponível em: <http://laurentinogomes.com.br/trabalho.php?id=2160>. Acesso em: 10


mar. 2016.

156
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico, você viu que:

• Acredita-se que os indivíduos que deram origem a todas as plantas terrestres


evoluíram em um ambiente aquático e apresentavam, com exceção apenas
de estruturas reprodutoras e de fixação no substrato, um corpo relativemnte
indiferenciado. Os processos fisiológicos eram realizados neste mesmo tecido
genérico.

• Transições profundas na organização corpórea das plantas ocorreram quando


alguns grupos invadiram o ambiente terrestre, durante a era paleozoica, há 400
milhões de anos atrás.

• Existiram fatores limitantes para o crescimento da planta, como a concentração


de CO2 e a luminosidade no ambiente terrestre. Diante destes fatores, os
ramos fotossintéticos devem crescer em direção à luz e os órgãos absortivos
precisariam crescer para dentro da terra.

• Além disso, outros problemas precisaram ser solucionados pelas plantas, dentre
os quais podemos destacar: (1) a redução da perda de água por evaporação; (2)
a realização de trocas gasosas; (3) absorção de água e nutrientes; (4) condução
de água, sais e outras substâncias através da planta; (5) dependência da água
para reprodução.

• Desenvolveu-se então, por exemplo, (1) a impermeabilização, pelo menos


parcial, dos talos emersos através da impregnação com substâncias lipídicas
(especialmente ceras) e o desenvolvimento de estômatos, permitindo o
controle das trocas gasosas; (2) o desenvolvimento de uma parede celulósica,
que reveste todas as células vegetais, e de tecidos específicos impregnados de
substâncias rígidas, como a lignina.

• Resolvidos os principais problemas para a colonização da terra, certamente


as linhagens de sucesso começaram a competir entre si pelo espaço no novo
nicho. Por este motivo, as plantas foram se tornando cada vez mais altas, na
competição por luz.

• Assim, os tecidos tornaram-se cada vez mais especializados, o que acarretou


no surgimento de órgãos, como os de fixação, suporte, e suas ramificações e os
órgãos de assimilação.

• Para resolver problemas no processo de difusão de solutos, surgiram tecidos


do xilema e floema.

157
• A conquista terrestre pelos vegetais modificou profundamente aspectos
geomorfológicos e geoquímicos do nosso planeta, afetando também a evolução
de todos os outros grupos sobre a Terra.

• Essas modificações, produtos da ação lenta da seleção natural sobre a


variabilidade genética, deram origem a toda diversidade morfológica.

158
AUTOATIVIDADE

1 Com a passagem do meio aquático para o terrestre, as plantas tiveram que


solucionar alguns problemas. Mencione, pelo menos, três destes problemas.

2 O grande sucesso das gimnospermas e das angiospermas pode estar


relacionado a algumas importantes adaptações ao ambiente terrestre. Sendo
assim, qual dessas adaptações permitiu a classificação das fanerógamas em
gimnospermas e angiospermas? Por quê?

3 A invasão do ambiente terrestre só foi possível com a impermeabilização


dos talos emersos, impregnando-os com substâncias lipídicas. Entretanto,
essa impregnação restringiu as trocas gasosas. Como este problema foi
resolvido?

4 Qual a justificativa para o aparecimento da coifa, uma capa protetora no


ápice das raízes?

5 Em relação à reprodução, quais as adaptações adquiridas pelas plantas que


colonizaram o ambiente terrestre?

159
160
UNIDADE 3
TÓPICO 2

PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES:


AS GIMNOSPERMAS E AS ANGIOSPERMAS

1 INTRODUÇÃO
Neste tópico você irá conhecer as principais diferenças entre as plantas
vasculares que apresentam sementes: as gimnospermas e as angiospermas.
Aprenderá, também, a reconhecer e a descrever de forma correta as diferenças
entre as plantas destes dois grupos. Você estudará, por exemplo, a caracterização
geral de cada grupo, a forma de reprodução, sua posição taxonômica e evolutiva,
assim como alguns exemplos e utilizações importantes de plantas desses grupos.

2 AS GIMNOSPERMAS
Vamos encontrar aqui as plantas que compreendem os pinheiros, ciprestes,
sequoias (Figura 98), por exemplo. O nome gimnosperma, que significa semente
nua, aponta para uma das características mais marcantes deste grupo, ou seja,
que seus óvulos e sementes não estão contidos no interior de frutos. Eles ficam
expostos na superfície das estruturas reprodutivas (RAVEN et al., 2007, p. 428).

O aparecimento das sementes é um grande ganho no plano evolutivo, um


avanço em relação às características apresentadas pelas pteridófitas (samambaias,
licopódios e selaginelas), dando condições a essas plantas de viver fora da água.
A semente contém também uma estrutura completa (organismo) e pronta para
ser disseminada no meio ambiente, sobreviver e se adaptar a ele.

161
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

FIGURA 98 – EXEMPLARES DE GIMNOSPERMAS

A B C

A. Espécie brasileira conhecida por pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia). B. Sequoia


(Sequoia). C. Detalhe da folha do ginco (Ginkgo biloba). FONTE: Disponível em: A: <http://
www.sitiovitoriaregia.com.br/Araucaria.html>; B: <http://serendipita.org/static/sequoia.jpg>;
C: <http://beneficiosdasplantas.com.br/ginkgo-biloba/>. Acessos em: 12 mar. 2016.

2.1 CARACTERIZAÇÃO GERAL DAS GIMNOSPERMAS


As gimnospermas, na sua grande maioria, são árvores lenhosas, mas
podem ser observadas espécies arbustivas ou lianas. Alguns de seus representantes
conservam as folhas verdes e vivas mesmo durante o período de inverno e outros
perdem suas folhas durante a estação fria (floresta decídua).

Pertencem a um dos grandes biomas terrestres – a taiga ou florestas


de coníferas, típicas de regiões temperadas, mas ocorrem também em climas
tropicais, só que em pequeno número. Na região sul do Brasil encontramos um
representante muito importante deste grupo, a Araucaria angustifolia (Figura 98-
A), conhecido popularmente por pinheiro-do-paraná.

Neste grupo a estrutura do esporófito é o vegetal verde, altamente


complexo e duradouro. O gametófito é bastante reduzido e totalmente dependente
do esporófito. Esses vegetais formam sementes, porém não formam frutos para
as protegerem.

Além do pinheiro-do-paraná, podemos citar como exemplos de


gimnospermas o pinus (Pinus) (Figura 98-A), sequoias gigantes (Sequoia) (Figura
98-B), cipreste (Cupressus), tuia (Thuja), cedro-do-líbano (Cedrus). Esses vegetais
são lenhosos e podem ter representantes arbustivos ou arbóreos com raízes com
um eixo principal que penetra no solo e com ramificações secundárias menores
(raízes axiais pivotantes). Seus caules são do tipo tronco e as folhas em formato
de agulha (folhas aciculares). Algumas plantas são resiníferas, ou seja, produzem
resinas. Essa resina é eliminada quando o vegetal sofre qualquer ferimento e
que ajuda no processo de cicatrização. Além disso, serve também para proteção
contra infecções de fungos ou bactérias.

162
PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES: AS GIMNOSPERMAS E AS ANGIOSPERMAS

2.2 OS REPRESENTANTES DAS GIMNOSPERMAS


O grupo das gimnospermas compreende quatro filos: Cycadophyta
(Figura 99-A), Ginkgophyta (Figura 99-B), Coniferophyta (Figura 99-C) e
Gnetophyta (Figura 99-D).

FIGURA 99 – EXEMPLARES DOS QUATRO FILOS DE GIMNOSPERMAS

A B

C D

A. Espécime de Cycas (Filo Cycadophyta). B. Ginkgo biloba e suas folhas características,


com a forma de leque, semelhante às da avenca (Filo Ginkgophyta). C. Espécime de
Cupressus (Filo Coniferophyta). D. Espécime de Welwiitschia (Filo Gnetophyta).FONTE:
Disponível em:
A. <http://hibiscopaisagismo.files.wordpress.com/2010/07/cicas-21.jpg>;
B. <http://www.ucmp.berkeley.edu/seedplants/ginkgoales/notchedleaves.jpg>;
C. <http://www.plantplaces.com/photos/CupressusMacrocarpaDonardGold3.JPG>
D. <http://www.biolib.cz/IMG/GAL/18226.jpg>. Acesso em: 12 mar. 2016.

a) Filo Cycadophyta

São plantas semelhantes a palmeiras (Figura 99-A) e encontradas


principalmente em regiões tropicais e subtropicais. Compreendem
aproximadamente 140 espécies distribuídas em 11 gêneros (RAVEN et al.,
2007, p. 446).

163
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

Grande parte das cicadófitas é formada por árvores altas (aproximadamente


18 m), com tronco bem desenvolvido e recoberto pela base das folhas que já
caíram. As folhas estão distribuídas de maneira bem característica, como uma
coroa no ápice do caule.

b) Filo Ginkgophyta

Há apenas uma espécie viva deste filo, o Ginkgo biloba (Figuras 98-C e 99-
B), que se conhece apenas sob condições de cultivo. Estas plantas são facilmente
reconhecidas pelas suas folhas em forma de leque. Podem ultrapassar 30 metros
de altura. Uma característica que difere a Ginkgo de muitas outras gimnospermas
é o fato de ser decídua, ou seja, suas folhas caem em determinada época do ano.

c) Filo Coniferophyta

Filo de gimnospermas mais numeroso, mais disperso e ecologicamente


mais importante, com cerca de 70 gêneros e 630 espécies (RAVEN et al., 2007,
p. 432). As coníferas incluem os populares pinus (Figura 98-A), sequoias (Figura
98-B), ciprestes (Figura 99-C), pinheiros e abetos. Este grupo possui uma grande
importância comercial. As florestas de pinheiros são recursos naturais muito
importantes em vastas regiões temperadas do Norte do planeta.

E
IMPORTANT

A planta vascular de maior porte é uma sequoia, cuja espécie é Sequoia


sempervirens, nativa dos Estados Unidos. Estas árvores podem atingir até 117 metros de altura
e 11 metros de diâmetro.

d) Filo Gnetophyta

Segundo Raven et al. (2007, p. 449), este filo compreende 70 espécies


distribuídas em três gêneros pouco comuns: Gnetum, Ephedra e Welwiitschia
(Figura 99-D). Estes três gêneros são as plantas vivas com as relações de afinidade
mais estreitas com as angiospermas (grupo que veremos a seguir).

Os representantes de Gnetum estão presentes em todas as regiões úmidas


tropicais e consistem em árvores e trepadeiras com folhas grandes, secas e
levemente endurecidas.

As espécies de Ephedra são arbustos com folhas pequenas e escamiformes,


o que as assemelha superficialmente às cavalinhas (uma espécie de pteridófita,
pertencente ao gênero Equisetum), e habitam regiões desérticas e ambientes áridos.

164
PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES: AS GIMNOSPERMAS E AS ANGIOSPERMAS

Encontramos Welwiitschia no Continente Africano. São plantas muito


estranhas, com a maior parte do corpo localizadas abaixo da superfície arenosa.
A parte que fica exposta é constituída de apenas um par de folhas em forma de
fita, que se fendem longitudinalmente com o tempo.

2.3 REPRODUÇÃO NAS GIMNOSPERMAS


No processo de reprodução de uma gimnosperma (Figura 100), como você
pode observar na ilustração a seguir, o vegetal é diploide e representa o esporófito
e a fase dominante do ciclo alternante. Quando atinge a maturidade sexual, o
esporófito produz estruturas reprodutivas denominadas estróbilos, também
denominada cones (por isso, a denominação de floresta de coníferas). São plantas
dioicas, ou seja, existem plantas com estruturas masculinas (microstróbilos) e
outras com estruturas femininas (megastróbilo) – as famosas pinhas.

FIGURA 100 – CICLO DE VIDA DE UMA GIMNOSPERMA (PINHEIRO)

FONTE: Amaral & Silva-Filho (2010, p. 25)

Os estróbilos (Figura 101) são ramos modificados e possuem folhas


alteradas, muito próximas umas das outras, formando uma estrutura cerrada,
compacta. O estróbilo masculino possui um eixo em torno do qual estarão
inseridas as folhas férteis, que formam estruturas denominadas microsporângios
– os sacos polínicos. Através da meiose, no interior dos sacos polínicos, originam-

165
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

se os esporos haploides, denominados micrósporos. Estes transformam-se


em grãos-de-pólen após sucessivas divisões mitóticas. Quando maduros, os
microsporângios se abrem, liberando os grãos-de-pólen que são carregados
pelo vento (fenômeno denominado de anemofilia – dispersão pelo vento) até os
estróbilos femininos, fecundando-os.

E
IMPORTANT

Observe que a água não é mais requerida como meio de transporte dos
gametófitos masculinos até as oosferas.

FIGURA 101 – ESTRÓBILOS MASCULINO E FEMININO DE UMA ESPÉCIE DE


PINUS

FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/_NupbWI2XxeA/


RdZnlezluSI/AAAAAAAAAB4/ieiPe1gE2bw/s400/PINUS_1.jpg>. Acesso em:
12 mar. 2016.

166
PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES: AS GIMNOSPERMAS E AS ANGIOSPERMAS

Os estróbilos femininos possuem um eixo no qual se inserem as folhas


carpelares férteis produtoras de óvulos. Denominam-se megasporângios as
estruturas formadas nas folhas férteis dos estróbilos femininos, dentro das
quais existem células que originam esporos haploides após sofrerem meiose.
São chamados de megásporos pelo simples fato de serem muito grandes em
relação aos esporos masculinos. Através de sucessivas mitoses, há a formação do
gametófito feminino haploide. Um tegumento (parede protetora), constituído por
tecidos haploides da folha, envolve o gametófito feminino, constituindo o óvulo.
O tegumento não se fecha completamente, ficando uma abertura denominada
micrópila, local por onde os grãos-de-pólen vão penetrar.

Após a polinização, ou seja, após o grão-de-pólen ser transferido até um


gametófito feminino no interior do óvulo pela ação do vento, ocorre a fecundação.
Neste momento, o gametófito masculino endospórico produz uma expansão
tubular para fora, denominada tubo polínico. Os gametas masculinos (células
espermáticas) são também formados junto ao tubo. O tubo polínico transporta o
gameta masculino até a oosfera. Ao se unir com a oosfera (gameta feminino), um
desses gametas vai formar o zigoto (célula-ovo). O zigoto, resultante da fecundação
após sucessivas divisões mitóticas, forma o embrião no interior do óvulo.

O embrião contém os primórdios de raiz, caule e cotilédones que são folhas


modificadas em grande número. O gametófito feminino acumula grandes reservas
(substâncias nutritivas), transformando-se no que chamamos de endosperma
primário, que possui a função de alimentar o embrião (uma gimnosperma em
formação). Os tegumentos do óvulo ficam extremamente espessos, formando uma
casca que servirá de proteção para o embrião e o endosperma. É dessa maneira
que o óvulo fecundado irá se transformar em semente, que é o conjunto formado
pelo embrião, endosperma e a casca. As gimnospermas não mais dependem da
água para o processo reprodutivo (fecundação), como as briófitas e as pteridófitas
necessitam, o que representa um fator muito importante e um ganho evolutivo.
Outro ponto relevante é que as gimnospermas não produzem frutos.

3 AS ANGIOSPERMAS
Vamos estudar agora as angiospermas, que constituem o mais abundante
grupo vegetal encontrado na superfície do nosso planeta Terra. Com cerca de 240
mil espécies, o grupo apresenta exemplares conhecidos, como a grama (Figura
102-A), a laranjeira (Figura 102-B), o tomateiro (Figura 102-C), o abacateiro (Figura
102-D), o bambu (Figura 102-E), por exemplo. Quase todas essas espécies são de
vida livre, porém existem as espécies parasitas e saprofíticas.

167
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

FIGURA 102 – REPRESENTANTES DE ANGIOSPERMAS

A B

C D E

FONTE: Disponível em: A: <http://mercurio-cromo.zip.net/images/grama.JPG>.


B: <http://www.remedio-caseiro.com/beneficios-e-propriedades-da-flor-de-laranjeira/>.
C: <http://www.agrocim.com.br/imgs/imgfixa/agricultura/hortifruti/tomatoe.jpg>.
D: <http://www.jardineiro.net/plantas/abacate-persea-americana.html>.
E: <http://pt.best-wallpaper.net/Green-fresh-bamboo_1920x1200.html>. Acesso em: 12 mar.
2016.

Esses vegetais possuem como característica exclusiva o fruto que envolve


a semente, consideradas por esse motivo como plantas frutíferas. Esse é um dos
pontos que as diferenciam das gimnospermas. Essas plantas predominam, de
forma geral, tanto em regiões tropicais como em regiões temperadas, ou seja, são
encontradas nos mais diferentes habitats na biosfera.

3.1 CARACTERIZAÇÃO GERAL DAS ANGIOSPERMAS


Entre todos os grupos vegetais apresentados, as angiospermas (Figura
102) são os vegetais mais adaptados ao habitat terrestre.

Segundo Margulis & Schwartz (2001, p. 410), “as plantas florescentes,


ou angiospermas, são as superestrelas da diversidade e abundância”. Vivem
em lugares extremamente variados, que vão desde os mais úmidos até os mais
desérticos. Esses vegetais podem ser ervas rasteiras, arbustos ou árvores de
pequeno, médio e grande porte. “Mais de 230.000 espécies de angiospermas
estão agrupadas em cerca de 350 famílias. Se tivéssemos mais exploradores,

168
PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES: AS GIMNOSPERMAS E AS ANGIOSPERMAS

provavelmente estaria próximo de um milhão” (MARGULIS & SCHWARTZ,


2001, p. 410). Algumas poucas espécies vivem em água doce, sendo raras as
espécies de ambientes marinhos.

Em relação aos processos nutritivos, são na grande maioria classificadas


como autótrofas fotossintetizantes, com algumas exceções, como, por exemplo,
as espécies holoparasitas (como o cipó-chumbo – Figura 7), que não possuem
clorofila e, por isso, não fazem fotossíntese. Vivem uma relação de parasitismo
(desarmônica), ou seja, retiram a seiva elaborada de um vegetal hospedeiro.
No grupo de plantas autotróficas, há também uma forma de relação especial, o
epifitismo, ou seja, determinadas espécies vivem apoiadas (ramos) sobre outros
vegetais, para obter maior contato com a luz do ambiente. Como exemplo dessa
relação, temos algumas espécies de bromélias e orquídeas (Figura 9).

3.2 REPRODUÇÃO DAS ANGIOSPERMAS


O ciclo de vida das angiospermas apresenta alternância de gerações pouco
visível e meiose intermediária, conhecida como espórica. O esporófito é a planta
completa (organismo diploide – 2n), ou seja, está organizada em raiz, caule,
folha, flor (quando atingir a maturidade sexual, as angiospermas produzem essas
estruturas reprodutivas, que são ramos e folhas que sofrem modificações e que
correspondem aos estróbilos das gimnospermas), frutos e sementes. Vale lembrar
que as angiospermas são os únicos vegetais que formam frutos.

DICAS

Se você julgar necessário, volte à Unidade 1 e reveja a morfologia das plantas.

Extremamente reduzidos e dependentes do esporófito, os gametófitos


crescem no interior da flor. O gametófito feminino é, na realidade, o saco
embrionário no qual está o óvulo. No formato de arquegônio, possui apenas
uma única oosfera – gameta feminino. No interior do tubo polínico (gametófito
masculino), formam-se dois núcleos espermáticos (gametas masculinos). É
importante lembrar que não há dependência de água por parte das angiospermas
para o processo da fecundação.

Para Margulis e Schwartz (2001), a forma de classificação pela presença de


folhas embrionárias, bem como aquelas que possuem uma ou duas dessas folhas
embrionárias, respectivamente monocotiledôneas (uma folha embrionária) e
dicotiledôneas (duas folhas embrionárias), é ainda válida. Uma folha embrionária

169
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

também é denominada de cotilédone. As monocotiledôneas são facilmente


distinguidas das dicotiledôneas por uma série de características, entre elas:
organização da flor, estrutura da raiz, tipo de nervura da folha, número de
cotilédones.

FIGURA 103 – COTILÉDONES EM MONOCOTILEDÔNEA (EM CIMA) E


DICOTILEDÔNEA (EMBAIXO)

FONTE: Disponível em: <http://www.rc.unesp.br/biosferas/Art0078.html>. Acesso


em: 12 mar. 2016.

3.2.1 A flor
O órgão de reprodução das angiospermas é a flor. Dentro do processo
evolutivo, a flor é um conjunto de folhas modificadas e especializadas, que
funciona como órgão de reprodução. Em uma flor completa (Figura 32) podemos
encontrar o pedicelo ou pedúnculo floral, o receptáculo e as peças florais (cálice,
corola, androceu e gineceu).

E
IMPORTANT

O cálice corresponde às sépalas, geralmente verdes; a corola corresponde às


pétalas, são delicadas e coloridas, constituindo a parte mais vistosa e a mais atraente da
flor; estames formam o androceu (parte masculina) e carpelos formam o gineceu (parte
feminina).
O pedúnculo é um eixo que fixa a flor ao caule e o receptáculo sustenta os verticilos.
Quando os elementos pertencentes ao cálice são idênticos aos da corola, isto é, quanto à
forma e à cor, são denominados de tépalas, como nas tulipas, lírios e orquídeas.

170
PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES: AS GIMNOSPERMAS E AS ANGIOSPERMAS

a) Aparelho reprodutivo masculino da flor – o Androceu

O androceu é constituído por folhas férteis denominadas estames.


Representa o aparelho reprodutor masculino da flor. O estame é formado por
três partes: antera, filete e conectivo (Figura 104). O filete é o eixo que fixa o
estame ao receptáculo e sustenta, na outra extremidade, a antera. Já a antera é
a parte fértil e dilatada do estame. Nesta estrutura acontece a meiose, na qual
há a elaboração dos grãos-de-pólen. Na sua parte interna formam-se os sacos
polínicos (os microsporângios).

FIGURA 104 – ESTAME (ANDROCEU)

sacos polínicos grão de pólen (gametófito masculino jovem)


Antera
célula vegetativa
Conectivo

célula reprodutora
Filete A
intina
Antera antena cada micrósporo exina
origina um grão
de pólen

Filete

C
célula-mãe primeira divisão segunda divisão micrósporos
B do micrósporo da meiose da meiose
Estames

A. Representação esquemática. B. Estames do lírio. C. Formação do gametófito masculino,


atualmente denominado de andrófito ou grão-de-pólen.FONTE: Disponível em:
A. <http://www.biomania.com.br/bio/images/materias/atera.gif>;
B. <http://cleidecf00.blogspot.com.br/>; C. <http://slideplayer.com.br/slide/3253444/>. Acesso
em: 12 mar. 2016.

Cada célula do saco polínico sofre meiose e dá origem a células haploides,


denominadas micrósporos (Figura 104). Essas células se dividem por mitose e dão
origem a duas células haploides, envoltas por uma estrutura de parede resistente.
Essas estruturas são denominadas de grão-de-pólen (Figura 105), que representa
o gametófito masculino das angiospermas. O grão-de-pólen é formado por
uma membrana mais externa denominada exina e uma membrana mais interna
chamada de intina.

171
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

FIGURA 105 – GRÃOS-DE-PÓLEN

A B

A. Grãos-de-pólen vistos em microscópio eletrônico de varredura. B. Grão-de-pólen,


com os núcleos vegetativo e germinativo, observado em microscópio eletrônico de
transmissão. FONTE: Disponível em:
A. <http://fotos.sapo.pt/Fz7zJNczYGoNlhfORHCZ/>.
B. <http://curlygirl.no.sapo.pt/imagens/graopolen.jpg>. Acesso em: 12 mar. 2016.

Em seguida, ocorre em uma das células do grão-de-pólen outra divisão por


mitose, originando duas células espermáticas, que são, na realidade, os gametas
masculinos. O grão-de-pólen, após germinar, forma o tubo polínico. Ali também
encontramos um citoplasma, com dois núcleos, o vegetativo e outro germinativo
(chamado de espermático ou gametas masculinos) (Figura 106).

FIGURA 106 – FORMAÇÃO DO TUBO POLÍNICO

Parede do
grão de pólen

Célula geradora (n)

Núcleo da célula
vegetativa (n)

grano de polen
gametas
masculinas
Núcleos
espermáticos (n) núcleo de
Núcleos tubo polínico
Tubo espermáticos (n)
polínico tubo polínico
Núcleo da célula
vegetativa (n)
A B

FONTE: Adaptado de: A.<http://3.bp.blogspot.com/_HoaPhQ9Vmy0/TNUbF_


r0eNI/AAAAAAAAFVw/47Haeja7yoE/s1600/9169.jpg>. B. <http://www.botanica.
cnba.uba.ar/Trabprac/Tp4/imag/Tubopol.jpg>. Acesso em: 12 mar. 2016.

172
PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES: AS GIMNOSPERMAS E AS ANGIOSPERMAS

b) Aparelho reprodutivo feminino – o Gineceu

Considerado a parte feminina da flor, o gineceu é formado por folhas


férteis chamadas carpelos ou pistilos (Figura 107). O carpelo possui a base
dilatada, que é o ovário, no qual existem um ou mais óvulos que formam os
gametófitos femininos.

FIGURA 107– CARPELO (GINECEU)

estigma
estigma

estilo
ovário
estilete
óvulo

ovário

A B C

A. Representação esquemática de um carpelo. B. Carpelo do limão-tahiti (Citrus limon).


C. Carpelo do lírio (Lilium pumilum). FONTE: Disponível em: A: <http://fresno.pntic.mec.
es/msap0005/1eso/T10-plantas/tema_10.htm>; B-C: Souza et al. (2013, p. 158).

O óvulo é o local onde se forma o gameta feminino, a oosfera. Apresenta


duas estruturas protetoras (tegumentos protetores), a primina e a secundina.
Esses tegumentos não se fecham, ficando entre eles uma pequena abertura, a qual
recebe o nome de micrópila (Figura 108-A).

FIGURA 108 – FORMAÇÃO DO ÓVULO DENTRO DO OVÁRIO


Micrópila Primina
secundina Nucela

A B C D E
Célula-mãe dos Quatro Oito Sete
megásporos megásporos megásporos núcleos células

FONTE: Disponível em: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/flor/imagens/


flor-79-m.jpg>. Acesso em: 12 mar. 2016.

173
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

Na parte interna dos tegumentos temos o megaesporângio, uma unidade


celular volumosa denominada célula-mãe do megásporo (Figura 108-A). Nessa
célula única ocorre uma divisão meiótica, formando quatro megásporos (Figura
108-B), dos quais três são muito pequenos e se degeneram logo no primeiro
momento, sobrando o quarto, que é um megásporo viável (fértil) (Figura 108-C).
Em seguida, o núcleo do megásporo sofre três divisões mitóticas consecutivas,
formando oito células que organizam o saco embrionário (Figura 108-D), ou seja, o
gametófito feminino. No saco embrionário existe uma célula denominada oosfera
– o gameta feminino. A oosfera é rodeada por outras duas células denominadas
sinérgides (Figura 109).

Pela posição da micróplia do óvulo, localizamos a oosfera. Esta célula


ocupa uma posição mediana, muito próxima à micrópila. Na posição oposta à
oosfera temos três outras células, chamadas antípodas (Figura 108-E, 109). Na
área central do saco embrionário encontramos um citoplasma constituído de dois
núcleos, denominados núcleos polares (Figuras 108-E, 109).

Denomina-se nucela a parede do megasporângio que serve de proteção e


revestimento do saco embrionário (Figura 109).

FIGURA 109 – DETALHE DO SACO EMBRIONÁRIO E LOCALIZAÇÃO DA


OOSFERA, SINÉRGIDES E ANTÍPODAS

FONTE: Adaptado de Ferri (1988, p. 107)

O ápice do pistilo fica com sua extremidade livre que, partindo do ovário,
forma uma estrutura denominada estigma (Figura 107). O estigma apresenta,
de forma geral, uma superfície dilatada, que secreta uma substância viscosa,
que prende os grãos-de-pólen. A porção tubular intermediária entre o ovário e
o estigma é chamada de estilete (Figura 107). É no seu interior que acontece a
germinação e o crescimento do tubo polínico do grão-de-pólen.

174
PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES: AS GIMNOSPERMAS E AS ANGIOSPERMAS

Dependendo o tipo da flor, o carpelo pode ser constituído por um ou mais


carpelos.

c) Polinização e Fecundação

Nas angiospermas, o processo de transporte dos grãos-de-pólen, que


vai da antera do androceu até o estigma do gineceu, é chamado de polinização
(Figura 110). A polinização inicia-se com a liberação dos grãos-de-pólen presentes
na antera, seguindo a transferência dos grãos da antera até o estigma da flor.

De uma forma geral, na grande maioria das espécies, a polinização é


denominada de polinização cruzada, ou seja, uma flor recebe os grãos-de-pólen
de outra flor. Nesse processo, os grãos-de-pólen são levados de uma flor a outra
por agentes polinizadores, como, por exemplo, o vento (fala-se de anemofilia),
pássaros (ornitofilia), água (hidrofilia), insetos (entomofilia), morcegos
(quiropterofilia), homem (antropofilia) etc.

Posterior à transferência, o grão-de-pólen atinge o estigma.

FIGURA 110 – PROCESSO DE POLINIZAÇÃO, DA LIBERAÇÃO DOS GRÃOS-DE-


PÓLEN À SUA CHEGADA AO ESTIGMA

Grão de pólen
Polinizador

Chegada dos grãos de pólen Liberação dos grãos


no estigma e desenvolvimento de pólen da antera
no tubo polínico

FONTE: Disponível em: <http://www.ib.usp.br/beelife/poliniz.jpg>. Acesso em: 12


mar. 2016.

175
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

Ao cair no estigma (de uma flor de sua espécie), o grão-de-pólen entra em


processo de fecundação.

De início, a partir do grão-de-pólen há a formação do tubo polínico. O


tubo polínico cresce e penetra ao longo do estilete, em direção ao ovário, indo até
à micrópila do óvulo. A seguir, ocorrem divisões mitóticas no núcleo germinativo
(que está no tubo polínico), formando dois núcleos espermáticos (também
denominados gaméticos).

Ao penetrar no óvulo através da micrópila, uma das células espermáticas


irá fecundar a oosfera, dando origem a um zigoto diploide que, ao se desenvolver,
forma o embrião. A segunda célula espermática funde-se com os dois núcleos
polares do saco embrionário e forma uma célula triploide (3n – célula com três
conjuntos de cromossomos) (Figura 111).

FIGURA 111 – FECUNDAÇÃO: CHEGADA DO GRÃO-DE-PÓLEN E


DESENVOLVIMENTO DO TUBO POLÍNICO
Célula
generativa Grão de pólen
Célula
vegetativa
Estigma
Tubo
polínico

Estilete

Células
espermáticas

Ovário Núcleo
do tubo
Primórdio
seminal Oosfera

FONTE: Adaptado de: <http://www.ugr.es/~mcasares/Im%E1genes/


fecundaci%F3n.jpg>. Acesso em: 12 mar. 2016.

Após passar por sucessivas divisões mitóticas, essa célula triploide produz
um tecido denominado endosperma ou xenófito. A função do endosperma
primário é a de absorver nutrientes da planta e armazená-los, para, mais tarde,
servir de alimento para o embrião que se forma quando o zigoto (célula 2n) sofre
divisões mitóticas. O embrião é constituído pela radícula, que dará origem à raiz,
e pelo caulículo – estrutura que origina o caule e as folhas e, por último, um
ou dois cotilédones (como já estudamos, é uma folha especial, com a função de
absorver os nutrientes armazenados no endosperma, para depois transferi-los
para o embrião).

176
PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES: AS GIMNOSPERMAS E AS ANGIOSPERMAS

A formação da semente (Figura 112) se dá através do desenvolvimento do


óvulo, após a sua fecundação. O processo para a formação da semente se dá quando
o embrião, bem como os nutrientes armazenados no endosperma e também nos
cotilédones, fica envolvido por uma casca altamente resistente, originada a partir
dos envoltórios do óvulo. As reservas presentes na semente servirão de alimento
que nutrem a planta durante o seu processo de desenvolvimento, até que haja a
formação das raízes e folhas que possa permitir à planta realizar a fotossíntese.

FIGURA 112 – SEMENTE DE DICOTILEDÔNEA: DOIS COTILÉDONES


Tegumento ou casca

Cotilédone

Radícula

Caulículo

Folha primária

FONTE: Disponível em: <http://www.sobiologia.com.br/figuras/Reinos4/


semente.jpg>. Acesso em: 12 mar. 2016.

Com a fecundação, geralmente ocorre a queda das pétalas, sépalas


e também dos estames. Outras células do saco embrionário (cinco células –
antípodas e sinérgides) degeneram-se durante o processo da fecundação ou até
mesmo antes.

Podemos concluir, então, que durante o processo da fecundação há,


na verdade, uma dupla fecundação, pois ocorre a fecundação de uma célula
espermática com a oosfera, originando um zigoto (2n, futuro embrião) e a fusão
de outra célula espermática com os dois núcleos polares (3n, originando o
endosperma).

O fruto nada mais é que o ovário amadurecido da flor. Esse processo se


dá durante a formação da semente, pois ocorre a liberação de hormônios que
induzem o desenvolvimento da parede do ovário, resultando na formação do fruto.
Geralmente, o fruto pode conter, em seu interior, uma ou várias sementes. Além da
função de proteger a semente, ele contribui para a sua dispersão no ambiente.

O fruto é constituído basicamente por três paredes: epicarpo, mesocarpo


e endocarpo (Figura 46). Denomina-se pericarpo o conjunto dessas três paredes.

177
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

Muitas vezes, o pericarpo acumula substâncias de reserva, sendo


denominado fruto carnoso (Figura 50). Quando não há acúmulo de substâncias
de reserva, denomina-se fruto seco (Figuras 48, 49). Outra denominação é quanto
à liberação das sementes. Quando os frutos abrem para liberação de sementes, são
chamados de deiscentes (Figura 47A-B), e quando não há liberação de sementes,
são chamados de frutos indeiscentes (Figura 47-C).

E
IMPORTANT

Para maiores informações sobre a morfologia dos frutos, volte e consulte o


Tópico 3 da Unidade 1 deste livro.

178
PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES: AS GIMNOSPERMAS E AS ANGIOSPERMAS

LEITURA COMPLEMENTAR

SOBREVIVÊNCIA E SEDUÇÃO
Regina Prado

As flores não são mero capricho da natureza. A cor, o perfume e a


forma das onze-horas, por exemplo, fazem parte de uma estratégia de sedução,
indispensável para sua reprodução. Modificadas ao longo de milhões de anos,
as flores fazem tudo para agradar, principalmente aos insetos, o mais numeroso
grupo de animais que existe na Terra. De carona nas asas ou em outras partes
dos corpos desses bichinhos, o pólen de grande número de vegetais consegue
atingir outras flores, mais distantes, e assim garantir a geração de herdeiros fortes
e saudáveis. Alguns desses truques são tão fascinantes que seduzem até mesmo
pássaros e morcegos, que acabam se tornando também involuntários personagens
dessa verdadeira epopeia da sobrevivência.

   Assim como os demais seres vivos, as plantas também surgiram na


água, na forma de rudimentares espécies unicelulares, como os fitoplânctos e
as algas. Quando deixaram o berço aquático, porém, precisaram desenvolver
inimagináveis artifícios para que suas raízes se alastrassem pelo meio terrestre
e garantissem sua sobrevivência. Para absorver e administrar a água, importante
para suprir as novas exigências da vida na terra, tecidos impermeabilizantes
apareceram ao longo da evolução e células diferenciaram-se para servir como
verdadeiros diques naturais, impedindo que a transpiração devolvesse a preciosa
água ao ambiente.

Mas os truques não poderiam parar por aí. Primeiro, porque a conquista
de novos campos implicava mandar as sementes para longe da planta-mãe. Há
450 milhões de anos, surgiram na terra firme as Gimnospermas, com estratégias
para reproduzirem-se e espalhar seus filhos aproveitando os recursos do meio
ambiente. Com suas sementes descobertas (gimno, em grego, quer dizer nua,
sperma, semente), o vento e as águas faziam às vezes de cupido, carregando o
pólen, célula sexual masculina, para encontrar-se com a oosfera, a célula feminina.
Dependendo das condições do tempo, estes vegetais precisavam produzir uma
enorme quantidade de pólen, para garantir que um número suficiente sobrevivesse
aos perigos da viagem. Ainda assim, a possibilidade de que a pequena semente
nascida do encontro germinasse longe da planta-mãe, espalhando as gerações,
era limitada.

O passo seguinte na evolução vegetal deu origem a um ramo que


aprimorou a história da reprodução. As Angiospermas (do grego, angio, urna,
sperma, semente), surgidas há quase 150 milhões de anos, estrearam uma novidade
mais eficiente: a flor. A partir daí, a reprodução destas plantas dispensou vento e
água, para aproveitar o trabalho de animais prestativos, como abelhas, borboletas
ou belos beija-flores, recrutados por meio de artimanhas sofisticadas. Quando
o pólen trazido por eles chega até à parte feminina da flor, germina, crescendo

179
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

através da haste feminina, até encontrar o óvulo. Grávida, a flor incha e se


transforma no fruto, a tal urna que dá nome ao grupo vegetal, cujas sementes,
mais uma vez, serão transportadas por outros animais, pássaros, quase sempre.

Essa ideia de aproveitar os bichos na reprodução foi trilhada lado a


lado com a evolução dos polinizadores. Essa sofisticação, é claro, não poderia
ocorrer de forma independente. “A evolução dos vegetais é paralela à dos insetos,
que, fora o vento, são o melhor instrumento para alastrar o pólen das plantas”,
diz Nanuza Luiza de Menezes, a agitada chefe do departamento de Botânica
da Universidade de São Paulo. Nanuza é amiga, assessora e fã confessa do
paisagista Burle Marx, cuja foto ela usa para enfeitar sua sala. Nanuza gosta de
dar exemplos para explicar o que está falando. A orquídea Ophris speculum, diz
ela, adquiriu ao longo de sua evolução uma pétala que é a cópia fiel das costas
da fêmea da vespa Campsoscolia ciliata. Quando o macho desta espécie sobrevoa
a flor, “pensa” enxergar a fêmea e aterrissa na corola. Assim que pousa, a Ophris,
para manter a sedução e ainda obrigar o macho a vasculhar o seu interior, onde
se contaminará com o pólen, usa seu perfume como armadilha fatal: ele possui
substâncias, ditas feromônios, que identificam a fêmea. O macho, enganado pela
falsa amante, efetivamente copula com a flor. Tal sedução maquiavélica custou a
esta orquídea a alcunha de parasita, já que faz com que a vespa desperdice seu
esperma numa planta. Esse é um exemplo extremo de especialização que pode,
no entanto, condenar esse vegetal à extinção. Sua convivência tão íntima com a
vespa une o destino das duas espécies, o que em termos de evolução representa
um risco. A vespa sobreviveria muito bem sem a orquídea ladra de esperma, mas
a vulnerável planta poderá sumir da face da Terra sem seu polinizador exclusivo.

A história dos vegetais não excluiu também alguns retrocessos. É o caso


das gramíneas, como o trigo, o arroz e o milho, que exerceram importantes papéis
no desenvolvimento da civilização. Os fósseis destas angiospermas mostram que
seus ancestrais foram, um dia, polinizados por insetos. No entanto, ao longo
das transformações, elas voltaram um degrau atrás e resgataram a polinização
das antigas gimnospermas, usando o vento para dispersar as sementes. Por esta
razão, as flores das gramíneas não têm muitos atributos, já que não dependem
mais dos insetos; são brancas, pequenas e sem perfume. Um retorno muito bem-
sucedido.

As parcerias necessárias para uma polinização eficiente determinaram


a sobrevivência também daquelas plantas que melhor equilibraram seus ritmos
com os de seus aliados animais. Uma flor pequena e alva, por exemplo, não
chama atenção sob a luz do Sol, mas pode ter resolvido a falta de charme de
outro modo. É o caso da dama-da-noite. Desprezada na luz do dia, ela exala seu
perfume intenso, estrategicamente, assim que o Sol se põe. Dessa maneira, atrai
as mariposas, insetos de atividade noturna, que percebem muito bem onde estão
as açucaradas flores. Como são degustadoras exclusivas do néctar da dama-da-
noite, sabem também que acharão farto alimento e são fiéis visitantes.

180
PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES: AS GIMNOSPERMAS E AS ANGIOSPERMAS

A variabilidade genética, outro grande trunfo para a adaptação a novos


ambientes, também foi assegurada ao longo da evolução pela diferença na
maturação das partes sexuais das flores. As plantas geralmente apresentam flores
andróginas, isto é, com órgãos masculinos e femininos, mas a atividade desses
órgãos muitas vezes não coincide. Dessa forma, um inseto captura pólen de uma
flor em período masculino e em seguida o deposita em flores cuja parte feminina
esteja em plena maturação. Este vaivém genético faz com que as possibilidades de
adaptação se multipliquem. “O único obstáculo até agora para a evolução tem sido
mesmo o homem que, usando pesticidas, pode estar interferindo na relação entre
os insetos e a polinização dos vegetais”, acredita Antônio Salatino, pesquisador
da bioquímica das plantas do departamento de Botânica da Universidade de São
Paulo. Salatino aproveita também suas horas vagas para comprovar as teorias
sobre a atração que as cores das flores exercem sobre os insetos. “Quando jogo
tênis, a bola amarela serve para brincar com as abelhas. Elas voam atrás da flor no
jogo, querendo pousar nela”, diverte-se. Brincadeiras à parte, Salatino acha que
o desequilíbrio promovido pelo homem na relação entre as plantas e os animais
pode, no futuro, afetar até a produtividade, porque a extinção de determinados
polinizadores diminuirá a quantidade de frutos viabilizados. E a domesticação
de alguns vegetais tem diminuído as variedades genéticas das espécies,
tornando-as vulneráveis quanto à adaptação a novas situações ambientais,
climáticas inclusive. Por esta razão, em laboratórios de todo o mundo, cientistas
estão mapeando os genes vegetais, tentando realocar genes dos ancestrais, que
definiam características perdidas ao longo da domesticação. O que é motivo de
comemoração para o professor Salatino. “Os homens dependem dos frutos, os
vegetais dependem dos insetos, então o sucesso da evolução das plantas, em
última instância, garantiu a sobrevivência de muitas espécies. Inclusive a nossa.”

FONTE: Disponível em: <http://super.abril.com.br/ciencia/sobrevivencia-e-seducao>. Acesso


em: 13 mar. 2016.

181
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você viu que:

• O nome gimnosperma significa semente nua, e aponta para uma das


características mais marcantes deste grupo, ou seja, que seus óvulos e sementes
não estão contidos no interior de frutos, eles ficam expostos na superfície das
estruturas reprodutivas.

• As gimnospermas podem ser árvores lenhosas, arbustos ou lianas.

• As gimnospermas compreendem quatro filos: Cycadophyta, Ginkgophyta,


Coniferophyta e Gnetophyta.

• Pertencem a um dos grandes biomas terrestres – a taiga ou florestas de coníferas


típicas de regiões temperadas.

• Ocorrem também em climas tropicais, só que em pequeno número. Aqui no


Brasil, a representante das gimnospermas é a Araucaria angustifolia, conhecida
popularmente por pinheiro-do-paraná.

• Nessas plantas, a metagênese não fica muito clara, pois a estrutura do esporófito
é o vegetal verde.

• O gametófito é bastante reduzido e totalmente dependente do esporófito.

• Esses vegetais formam sementes, porém não formam frutos.

• Os caules são do tipo tronco e as folhas são, geralmente, aciculares, ou seja, em


formato de agulha.

• No processo de reprodução de uma gimnosperma, o vegetal é diploide e


representa o esporófito do ciclo alternante.

• Na maturidade sexual, o esporófito produz estruturas reprodutivas


denominadas estróbilos.

• São plantas dioicas, ou seja, possuem sexos separados, produzindo


microstróbilos (masculinos) e megastróbilos (femininos).

• O estróbilo masculino possui um eixo em torno do qual estarão inseridas as


folhas férteis, que formam estruturas denominadas microsporângios – os sacos
polínicos.

182
• Através da meiose, no interior dos sacos polínicos, originam os esporos
haploides, os micrósporos, que se transformam em grãos-de-pólen.

• Quando maduros, os microsporângios abrem-se liberando os grãos-de-pólen,


que são carregados pelo vento até os estróbilos femininos, fecundando-os.

• O megasporângio é uma estrutura formada nas folhas férteis dos estróbilos


femininos, dentro das quais existem células que originam esporos haploides,
após sofrerem meiose.

• São chamados de megásporos pelo simples fato de serem muito grandes em


relação aos esporos masculinos.

• O tegumento é constituído por tecidos haploides da folha e envolve o gametófito


feminino, constituindo o óvulo.

• A micrópila é uma abertura formada pelo não fechamento do tegumento, local


pelo qual os grãos-de-pólen vão penetrar.

• A fecundação dá-se através do transporte dos grãos-de-pólen pela ação do


vento.

• Os grãos-de-pólen penetram na micrópila e ocorre germinação na câmara


polínica, originando o tubo polínico (gametófito masculino).

• Unindo-se com a oosfera, um desses gametas vai formar o zigoto (célula-ovo).

• O zigoto, após sucessivas divisões mitóticas, forma o embrião no interior do


óvulo.

• O embrião contém os primórdios de raiz, caule e cotilédones, que são folhas


modificadas em grande número.

• O gametófito feminino acumula grandes reservas (substâncias nutritivas),


transformando-se no que chamamos de endosperma primário, que possui a
função de alimentar o embrião (uma gimnosperma em formação).

• Os tegumentos do óvulo ficam extremamente espessos, formando uma casca


que servirá de proteção para o embrião e o endosperma.

• É dessa maneira que o óvulo fecundado irá se transformar em semente, que é


o conjunto formado pelo embrião, endosperma e a casca.

• As gimnospermas não mais dependem da água para o processo reprodutivo


(fecundação), como as briófitas e as pteridófitas necessitam.

183
• As angiospermas possuem como característica exclusiva o fruto que envolve a
semente.

• Essas plantas são encontradas nos mais diferentes habitats na biosfera.

• São, na grande maioria, autótrofas fotossintetizantes, com algumas exceções,


como, por exemplo, as espécies holoparasitas.

• De acordo com a presença de folhas embrionárias, podem ser classificadas


em monocotiledôneas e dicotiledôneas. Uma folha embrionária também é
denominada de cotilédone.

• O órgão de reprodução das angiospermas é a flor.

• Uma flor completa apresenta pedicelo ou pedúnculo floral, receptáculo e peças


florais.

• O cálice corresponde às sépalas e a corola corresponde às pétalas.

• O androceu é formado pelos estames e os carpelos formam o gineceu.

• O estame é formado por três partes: antera, filete e conectivo.

• Nos grãos-de-pólen formam-se os sacos polínicos (os microsporângios).

• Nas células do grão-de-pólen ocorrem divisões, originando duas células


espermáticas (os gametas masculinos).

• O grão-de-pólen, após germinar, forma o tubo polínico, onde há dois núcleos,


o vegetativo e o germinativo (chamado de reprodutor).

• O gineceu é formado por um ou mais carpelos ou pistilos.

• O carpelo possui o estigma, estilete e ovário, no qual existem um ou mais


óvulos.

• No interior do óvulo ocorrem divisões celulares e há a formação do saco


embrionário (o gametófito feminino), onde encontramos a oosfera (o gameta
feminino), as sinérgides e as antípodas.

• Na área central do saco embrionário encontramos um citoplasma, constituído


de dois núcleos, denominados núcleos polares.

• A polinização inicia-se com a liberação dos grãos-de-pólen presentes na antera,


seguindo a transferência dos grãos da antera até o estigma da flor.

184
• Ao atingir o estigma, o grão-de-pólen entra em processo de fecundação, há a
formação do tubo polínico que cresce e penetra ao longo do estilete, em direção
ao ovário.

• Ao penetrar no óvulo, ocorre uma dupla fecundação, uma célula espermática


fecunda a oosfera, originando um zigoto, e há fusão de outra célula espermática
com os dois núcleos polares.

• O fruto é o ovário amadurecido da flor, enquanto que a semente é o óvulo


fecundado.

• O fruto é constituído por três paredes: epicarpo, mesocarpo e endocarpo, e o


conjunto destas paredes chama-se pericarpo.

185
AUTOATIVIDADE

1 Na região do Planalto catarinense ocorre ainda, em grande quantidade, a


presença da vegetação de araucária, que fornece um excelente alimento.

Pergunta-se:
a) Qual órgão desta planta é comestível?
b) A que grupo estas plantas pertencem? E o que as faz ser enquadradas neste
grupo?

2 Um estudante fez as seguintes afirmações com relação ao pinheiro-do-paraná:


 
I. Pertence ao grupo das gimnospermas, plantas que produzem sementes nuas.
II. O fruto, conhecido como pinhão, é comestível.
III. As flores encontram-se reunidas em inflorescências compactas.

São corretas as afirmações:


a) ( ) 1 e 2
b) ( ) 2 e 3
c) ( ) 1 e 3

3 Observe a representação abaixo:

FONTE: Disponível em: <http://www.dombosco.com.br/curso/estudemais/


biologia/imagens/gimnos_02.jpg>. Acesso em: 13 mar. 2016.

186
Com base na imagem, explique, em poucas palavras, o ciclo reprodutivo das
gimnospermas.

4 Atualmente são conhecidas quase 350.000 espécies de plantas, das quais


cerca de 250.000 são angiospermas. Isso indica o sucesso adaptativo desse
grupo. Mencione três fatores que favoreceram esse sucesso.

5 Considerando as fases gametofítica e esporofítica que ocorrem no ciclo de


vida das angiospermas, qual delas estaremos observando ao olharmos para
uma goiabeira adulta, em seu estágio vegetativo? Qual seria a outra fase?

6 Em seu trabalho, um aluno fez a seguinte afirmação: “O grão-de-pólen não


é o gameta masculino da planta”. Comente essa afirmação.

7 Nomeie as estruturas:
a)

b)

187
188
UNIDADE 3
TÓPICO 3

BOTÂNICA ECONÔMICA

1 INTRODUÇÃO
O homem começou a cultivar plantas, como cevada, lentilha, trigo, ervilha,
por volta de 10 mil anos, na Ásia. Ao cultivar e cuidar dessas culturas, os antigos
agricultores mudaram as características das plantas, de modo que elas foram se
tornando cada vez mais nutritivas e fáceis de coletar.

A agricultura espalhou-se a partir deste centro para a Europa e outros


continentes, como a África. Entretanto, a agricultura pode ter se originado
independentemente em um ou mais centros. Muitas plantas cultivadas
foram primeiramente domesticadas na África, como, por exemplo, cará,
quiabo, café, algodão. Alguns destes também poderiam ter sido domesticados
independentemente no Novo Mundo e talvez na Ásia. Na Ásia desenvolveu-se
uma agricultura fundada em alimentos básicos, como o arroz e a soja, e os cítricos,
a manga, o inhame, a banana e outras culturas.

Desde os primeiros tempos, os animais domésticos foram um componente


significante na agricultura do Velho Mundo. Os rebanhos de animais de pastoreio
foram destrutivos ecologicamente para muitas regiões semiáridas do Velho
Mundo, principalmente quando eles aumentaram em número. Entretanto, também
foram importantes fontes de alimento. Quando esses animais herbívoros foram
introduzidos na América Latina, em seguida às viagens de Colombo, mostraram-
se imensamente destrutivos em muitos habitats, incluindo as florestas tropicais.

No Novo Mundo, a agricultura se desenvolveu de maneira independente.


Acredita-se que ela teve início há aproximadamente 10 mil anos no México, com o
plantio de abóboras e milho. Acredita-se, também, que a agricultura peruana seja
tão antiga quanto a mexicana.

Os navegadores e “descobridores” encontraram uma riqueza de novas


culturas para levar ao Velho Mundo. Entre essas culturas podemos citar o milho
e algumas espécies de algodão (como sugerimos acima), feijão comum e feijão-
de-lima, tomate, tabaco, pimenta, batata, batata-doce, mandioca, abóbora,
abacate, cacau.

189
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

Outros produtos não madeireiros também chamaram a atenção,


especialmente as especiarias e ervas aromáticas, que podem ser derivadas de
raízes, cascas, sementes, frutos. Entre esses produtos, temos a canela, a pimenta-
do-reino, o cravo, a menta, o endro, o estragão.

Nesse contexto, a população humana vem crescendo muito rapidamente.


Éramos 500 milhões no século XVII. No início do século XXI já passávamos a
marca dos seis bilhões de habitantes, e boa parte vive em absoluta pobreza. Como
resultado do crescimento populacional e da pobreza, e porque relativamente
pouco tem sido feito para desenvolver as práticas agrícolas utilizadas nas regiões
tropicais, os trópicos vêm sendo devastados ecologicamente.

Em nosso país, há séculos a exploração dos ecossistemas faz parte de


nossa atividade econômica. Infelizmente, essa atividade não foi realizada de
forma consciente e sustentável, o que levou à destruição da maior parte de
alguns de nossos biomas, entre eles o Cerrado e a Mata Atlântica. Essas áreas
enfrentam problemas diversos. Entre eles, os sociais e os ambientais merecem
destaque. Os problemas ambientais vão desde a extração de essências medicinais
e ornamentais de plantas e animais nativos da floresta, passando pela extração
ilegal de diferentes tipos de árvores para a indústria madeireira, até o avanço da
agricultura e pecuária, que têm como principais consequências o desmatamento
em massa de áreas de floresta nativa, a introdução de espécies exóticas e o
esgotamento e poluição de solos e mananciais, além da urbanização. Entre os
sociais estão a baixa renda per capita de famílias, desemprego, total ou parcial
dependência da floresta para a sobrevivência, falta de políticas educacionais e de
saúde para a região, entre outros.

Atualmente houve uma mudança de consciência a respeito da exploração


das áreas florestais, embora essa mudança seja lenta e gradual.

Nesse capítulo apresentaremos algumas espécies de interesse econômico,


seja por apresentarem características de plantas laticíferas, ceríferas, oleíferas,
medicinais, aromáticas, condimentares, tóxicas, têxteis, madeireiras, corticeiras,
fibrosas, tintoriais, ornamentais ou comestíveis. Vamos a elas?

ATENCAO

Você conhece alguma cidade, um bairro ou rua com nome de algum vegetal?
Procure nomes de cidades, ruas, avenidas e bairros que tenham sua origem em nomes de
plantas.

190
TÓPICO 3 | BOTÂNICA ECONÔMICA

2 ALGUMAS ESPÉCIES DE INTERESSE ECONÔMICO


a) Equisetum giganteum (Família Equisetaceae) – cavalinha (Figura 113)

Características gerais: subarbusto ereto, perene, rizomatoso, com haste


de cor verde, fistulosa (ou seja, oca) e monopodial, com numerosos ramos
que partem dos nós dos verticilos, de textura áspera ao tato pela presença de
silício em sua epiderme, de 80-160 cm de altura. As folhas são verticiladas e
reduzidas a pecíolos soldados que formam uma bainha membranácea. A haste
fértil tem no ápice uma espiga oblonga e escura que contém grande quantidade
de esporos. Multiplica-se tanto por rizomas como por esporos. É nativo de
áreas pantanosas de quase todo o Brasil, sendo frequentemente cultivado
com fins ornamentais em lagos decorativos e áreas brejosas, mas por ser
agressivo e persistente, deve ser contido para evitar que escape e se transforme
numa planta daninha. É considerado tóxico ao gado, devido à presença de
grande quantidade de sílica em seus tecidos (até 13%), o que causa diarreias
sanguinolentas, aborto e fraqueza nos animais. Já os cavalos não são afetados.
Outras espécies americanas – Equisetum martii e E. hyemale e a espécie europeia
E. arvensis – têm características e usos semelhantes.

Usos: esta espécie é amplamente utilizada na medicina caseira de longa


data em toda a América do Sul, inclusive no Brasil, especialmente nas regiões
Sul e Sudeste, sendo praticamente desconhecida do Nordeste. As hastes estéreis
são usadas na forma de chá como adstringentes, diuréticas e estípticas, sendo
empregadas também para o tratamento da gonorreia, diarreias e infecções dos
rins e bexiga e, na forma de tintura em uso interno e externo, para estimular
a consolidação de fraturas ósseas. As hastes férteis não são utilizadas. Para
uso como diurético, e tratamento das afecções dos rins e da bexiga, contra
hemorragias nasais, anemia, para calcificação de fraturas, bem como para
eliminar o ácido úrico, a literatura etnofarmacológica recomenda o uso do chá
preparado por fervura, de uma colher das de sopa de pedacinhos de duas hastes
picadas em água suficiente para dar uma xícara das médias, para ser bebido
na dose de uma xícara das médias duas vezes ao dia. Na composição química
dessa espécie e das outras citadas tem sido registrada a presença dos alcaloides
piridínicos, nicotina e palustrina, dos flavonoides glicosilados da apigenina,
quercetina e do campferol, e de derivados dos ácidos clorogênico, cafeico e
tartárico. Também se constatou a presença de tiaminase, uma enzima que
acelera a destruição da tiamina, também chamada de vitamina B1 ou aneurina.
O amplo emprego dessa planta nas práticas caseiras da medicina popular e na
indústria de fitoterápicos é motivo suficiente para sua escolha como tema de
estudos químicos, farmacológicos e clínicos, inclusive teses, visando completar
sua validação como medicamento eficaz e seguro.

FONTE: Compilado de Lorenzi & Matos (2008, p. 33-34)

191
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

FIGURA 113 – CAVALINHA (Equisetum giganteum – FAMÍLIA EQUISETACEAE)

A B

A. Vista geral. B. Detalhe da estrutura de reprodução.


FONTE: Disponível em: A. <http://fkims.org/client/tool_species/species_
info?plantId=114>. B. <https://www.pinterest.co.uk/pin/468937379922735263/>. Acesso
em: 26 jul. 2018

A Cavalinha é uma espécie de pteridófita muito utilizada na medicina popular.

b) Allium sativum (Família Alliaceae) – alho (Figura 114)

Características gerais: erva bulbosa, pequena, de cheiro forte e


característico, perene, com bulbo formado de 8-12 bulbilhos (dentes). Folhas
lineares e longas. Flores brancas ou avermelhadas, dispostas em umbela. O fruto
é uma cápsula loculicida com uma a duas sementes em cada lóculo. Originária
provavelmente da Europa, é largamente cultivada em todo o mundo para uso
como condimento de alimentos, desde a mais remota antiguidade. Outras
espécies do mesmo gênero, como o alho-da-terra (Allium schoenoprasum),
cebolinha-de-cheiro (Allium fistulosum) e o alho-porro ou alho-poró (Allium
porrum) são também utilizadas, porém em menor escala.

Usos: o alho vem sendo usado na medicina tradicional desde a mais


remota antiguidade, para evitar ou curar numerosos males, desde perturbações
do aparelho digestório, verminoses e parasitoses intestinais, edema, gripe,
trombose, arteriosclerose, até infecções da pele e das mucosas na forma de
macerado, chá, xarope e tintura ou mesmo por ingestão dos dentes recentemente
cortados. O óleo essencial obtido do bulbo (0,1 a 0,2%) contém cerca de 53
constituintes voláteis instáveis, quase todos derivados orgânicos do enxofre,
principalmente ajoeno, alicina e aliina, que se degradam mais lentamente em
meio ácido, o que explica o melhor efeito do alho quando associado a sucos de
frutas ácidas, como o limão e outras. Numerosas pesquisas farmacológicas têm
mostrado a existência no alho de propriedades antitrombótica, antifúngica,
antibacteriana, antioxidante, hipotensora, hepatoprotetora, cardioprotetora,
hipoglicemiante, antitumoral, particularmente em casos de câncer de cólon;

192
TÓPICO 3 | BOTÂNICA ECONÔMICA

também tem registrado atividade analgésica nos casos de neuralgias e


antiviral, contra herpes simples tipo 1 e 2; alguns estudos têm mostrado
também propriedade hipolipemiante no controle dos níveis de colesterol e
triglicérides, assim como na inibição da agregação plaquetária, mostrando uma
provável proteção contra a trombose coronariana ou devida a arteriosclerose.
A administração diária de doses entre 600 e 900 mg de pó de alho, ou de 4 a 6 g
de alho fresco, durante cerca de 61 dias, reduz em 15% o nível de triglicérides
no sangue e em 21% o de colesterol de pessoas com níveis altos.

FONTE: Compilado de Lorenzi & Matos (2008, p. 44-45)

FIGURA 114 – ALHO (Allium sativum – FAMÍLIA ALLIACEAE)

A B

A. Vista geral. B. Detalhes. 1-2. Hábito geral da planta. 3. Detalhe do bulbo e dos
bulbilhos. 4. Detalhe da inflorescência. FONTE: Disponível em:
A. <http://www.tudosobreplantas.com.br/img/plantas/tudosobreplantas_18_
VG.jpg>. B. <http://www.prota4u.info/plantphotos/Allium%20sativum%201.gif>.
Acesso em 13 mar. 2016.

c) Schinus terebinthifolia (Família Anacardiaceae) – aroeira (Figura 115)

Características gerais: árvore com 5-10 m de altura, perenifólia, dioica,


de copa larga e tronco com 30-60 cm de diâmetro, revestido de casca grossa.
Folhas compostas imparipinadas, com 3 a 10 pares de folíolos aromáticos,
medindo de 3 a 5 cm de comprimento por 2 a 3 de largura. Flores masculinas e
femininas muito pequenas, dispostas em panículas. Fruto do tipo drupa, com
cerca de 5 cm de diâmetro, aromático e adocicado, brilhante e de cor vermelha,
conferindo às plantas, na época da frutificação, um aspecto festivo. Ocorre ao
longo da Mata Atlântica desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul.
Pode ser cultivada a partir de sementes ou por estaquia.

193
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

Usos: fornece madeira para murões, lenha e carvão. É amplamente


cultivada na arborização de ruas e praças. A literatura etnobotânica cita o uso
das cascas, com base na tradição popular, na forma de cozimento, especialmente
pelas mulheres, durante vários dias, em banhos de assento após o parto como
anti-inflamatório e cicatrizante, ou como medicação caseira para o tratamento
de doenças do sistema urinário e do aparelho respiratório, bem como nos
casos de hemoptise e hemorragia uterina. As folhas e frutos são adicionados
à água de lavagem de feridas e úlceras, embora a eficácia e a segurança do
uso destas preparações não tenham sido, ainda, comprovadas cientificamente.
Os resultados de sua análise fitoquímica registram a presença de alto teor
de tanino, biflavonoides e ácidos triterpênicos nas cascas e de até 5% de óleo
essencial formado por mono e sequiterpenos nos frutos e nas folhas. Em todas
as partes da planta foi identificada a presença de pequena quantidade de alquil-
fenóis, substâncias causadoras de dermatite alérgica em pessoas sensíveis. Os
resultados dos ensaios farmacológicos registraram a existência nesta planta
de propriedades anti-inflamatória, cicatrizante e antimicrobiana para fungos
e bactérias, incluindo nesta ação Monilia, Staphylococcus e Pseudomonas. Um
ensaio clínico feito com extrato aquoso das cascas na concentração de 10%
aplicado na forma de compressas intravaginais em 100 mulheres portadoras
de cervicite e cervicovaginites promoveu 100% de cura num período de uma
a três semanas de tratamento. Com base no uso tradicional desta planta e nos
resultados de estudos químicos, farmacológicos e clínicos, as preparações
feitas com suas cascas podem ser usadas no tratamento de ferimentos na pele,
ou, especialmente, nas mucosas em geral, infectados ou não, nos casos de
cervicite (ferida no colo do útero) e de hemorroidas inflamadas, bem como nas
inflamações das gengivas e da garganta na forma de gargarejos, bochechos e
compressas feitas com o cozimento; um litro do cozimento pode ser preparado
com 100 g da entrecasca limpa e seca, quebrada em pequenos pedaços ou dos
frutos cozinhados de duas vezes, cada vez com ½ litro d’água; esta preparação
pode ser bebida em doses de 30 ml duas vezes ao dia para combater a azia e
gastrite. O amplo emprego desta planta na medicina popular é motivo suficiente
para sua escolha como tema de estudos farmacológicos e clínicos visando sua
validação como medicamento eficaz e seguro. O uso das preparações de aroeira
deve ser revestido de cautela, por causa da possibilidade do aparecimento de
fenômenos alérgicos na pele e nas mucosas. Caso isto aconteça, suspenda o
tratamento e procure o médico o mais cedo possível. As mesmas propriedades
são encontradas também em outra Anacardiaceae – a aroeira-do-sertão
(Myracrodruom urundeuva), que pode, assim, ser usada da mesma maneira, para
as mesmas indicações em sua região de ocorrência mais para o interior do país,
enquanto a espécie descrita é mais acessível às populações do litoral.

FONTE: Compilado de Lorenzi & Matos, 2008, p. 63-64.

194
TÓPICO 3 | BOTÂNICA ECONÔMICA

FIGURA 115 – AROEIRA (Schinus terebinthifolia – FAMÍLIA ANACARDIACEAE)

A B

A. Visão geral. B. Detalhe.


FONTE: Disponível em: <http://u.saude.gov.br/images/pdf/2014/novembro/25/
Vers--o-cp-Schinus-terebinthifolius.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2016.

d) Apium graveolens (Família Apiaceae) – aipo (Figura 116)

Características gerais: herbácea bienal, ereta, aromática, de hastes


estriadas e verde claras, de 30-60 cm de altura, nativa do sul da Europa e
amplamente cultivada no Sul e Sudeste do Brasil. Folhas compostas pinadas,
com 3-5 folíolos irregulares, de margens serreadas, com pecíolos achatados
de cor verde muito viva. Flores pequenas, brancas, dispostas em umbelas
terminais. Existem basicamente duas variedades, sendo uma de raiz comum
(var. dulce) e outra com raiz tuberosa bem desenvolvida (var. rapaceum) – a mais
cultivada entre nós.

Usos: a planta é amplamente cultivada em todo o mundo, principalmente


para produção de suas raízes tuberosas – muito apreciadas na culinária de
vários países há séculos, no preparo de sopas, molhos e caldos ou mesmo para
consumo cozida como batata. As hastes e folhas são também consumidas tanto
cozidas como cruas. O óleo das sementes tem uso na culinária e na medicina.
Todas as partes desta planta são também largamente utilizadas na medicina
tradicional em todo o mundo e, desde tempos remotos tem sido considerado
remédio útil contra flatulência e reumatismo. É considerada uma planta
aromática, amarga e tônica, e reduz a pressão sanguínea, alivia a indigestão,
estimula a atividade uterina e tem efeitos diuréticos e anti-inflamatórios.
Também é atribuído a ela efeito sedativo e afrodisíaco. É realmente comprovada
sua atividade na eliminação de gases decorrentes de problemas digestivos
e suas sementes podem também apresentar efeitos sedativos. É considerada
depurativa, excitante, expectorante, febrífuga e antiescorbútica, além de
combater cálculos renais. Contra colite crônica e anemia (deficiência de ferro) é
indicada uma xícara de chá por decocção de suas folhas três vezes ao dia.

FONTE: Compilado de Lorenzi & Matos (2008, p. 72)

195
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

FIGURA 116 – AIPO (Apium graveolens – FAMÍLIA APIACEAE)

A B

A. Visão geral. B. Detalhe.


FONTE: Disponível em: A.<http://www.homeopathyandmore.com/med_images/APIUM_
GRAVEOLENS.jpg>; B. <https://keyserver.lucidcentral.org/weeds/data/media/Html/apium_
graveolens.htm>. Acesso em: 26 jul. 2018.

e) Pimpinella anisum (Família Apiaceae) – anis (Figura 117)

Características gerais: herbácea bienal, ereta, aromática, de hastes


estriadas e verde claras, de 30-60 cm de altura, nativa do sul da Europa e
amplamente cultivada no Sul e Sudeste do Brasil. Folhas compostas pinadas,
com 3-5 folíolos irregulares, de margens serreadas, com pecíolos achatados
de cor verde muito viva. Flores pequenas, brancas, dispostas em umbelas
terminais. Existem basicamente duas variedades, sendo uma de raiz comum
(var. dulce) e outra com raiz tuberosa bem desenvolvida (var. rapaceum) – a mais
cultivada entre nós.

Usos: a planta é amplamente cultivada em todo o mundo, principalmente


para produção de suas raízes tuberosas – muito apreciadas na culinária de
vários países há séculos, no preparo de sopas, molhos e caldos ou mesmo para
consumo cozida como batata. As hastes e folhas são também consumidas tanto
cozidas como cruas. O óleo das sementes tem uso na culinária e na medicina.
Todas as partes desta planta são também largamente utilizadas na medicina
tradicional em todo o mundo e, desde tempos remotos tem sido considerado
remédio útil contra flatulência e reumatismo. É considerada uma planta
aromática, amarga e tônica, e reduz a pressão sanguínea, alivia a indigestão,
estimula a atividade uterina e tem efeitos diuréticos e anti-inflamatórios.
Também é atribuído a ela efeito sedativo e afrodisíaco. É realmente comprovada
sua atividade na eliminação de gases decorrentes de problemas digestivos
e suas sementes podem também apresentar efeitos sedativos. É considerada
depurativa, excitante, expectorante, febrífuga e antiescorbútica, além de
combater cálculos renais. Contra colite crônica e anemia (deficiência de ferro) é
indicada uma xícara de chá por decocção de suas folhas três vezes ao dia.

FONTE: Compilado de Lorenzi & Matos (2008, p. 72)

196
TÓPICO 3 | BOTÂNICA ECONÔMICA

FIGURA 117 – ANIS (Pimpinella ansium – FAMÍLIA APIACEAE)

A B

A. Visão geral. B. Detalhe do fruto.


FONTE: Disponível em: A. <http://www.awl.ch/heilpflanzen/pimpinella_anisum/anis.jpg>;
B. <http://www.cocinatipo.com/wp-content/uploads/2013/04/anis-en-
estrella-e1365773867793.jpg>. Acesso em: 12 mar. 2016.

f) Nerium oleander (Família Apocynaceae) - espirradeira (Figura 118)

Características gerais: arbusto ou arvoreta de 2-4 metros de altura, com


folhas lactescentes, longas e estreitas, acuminadas e de borda lisa, de 6-14 cm
de comprimento. Flores simples ou dobradas, odoríferas, de coloração variada
conforme a variedade de cultivo, reunidas em panículas terminais. Os frutos
são cápsulas deiscentes e alongadas como vagens. É originária do Mediterrâneo,
muito cultivada para fins ornamentais em países tropicais e subtropicais.

Usos: as folhas desta planta foram utilizadas no passado nas formas


de infuso, tintura e pó, para tratar a insuficiência cardíaca, mas hoje seu uso
se restringe ao preparo do chá usado, perigosamente, com a finalidade de
provocar aborto ou, em uso externo, para tratar escabiose e, mais raramente,
para acelerar a maturação de abscessos e tumores por meio de compressas
locais com a folha machucada. Seu emprego como abortivo tem provocado
inúmeros acidentes tóxicos, alguns deles fatais, mãe e feto morrem juntos. A
análise fitoquímica desta planta mostrou que as folhas, cascas do caule, raízes,
sementes e flores contêm vários glicosídeos cardioativos, sendo o principal
deles a oleandrina, considerada seu princípio ativo, bem como flavonoides e
outros compostos comuns a diversas plantas, sem atividade apreciável, como
o ácido betulínico e outros de estrutura triterpenoide livre ou combinado com
o ácido cumárico, dos quais o cis e o trans-carenino têm atividade citotóxica.
Uma galactana extraída das folhas mostrou apreciável atividade antitumoral,
o que pode ser útil para a futura exploração desta propriedade. As sementes
fornecem 21% de óleo fixo não aproveitável por falta de produção e do oneroso
processo de detoxificação. Ensaios farmacológicos em órgãos isolados de
animais de laboratório, usando o extrato das folhas, detectaram atividade
espasmolítica, depressora do sistema nervoso central, depressora do coração

197
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

em alta concentração e estimulante em baixa. Em outro experimento verificou-


se, em ratas grávidas, que o extrato aquoso das folhas provoca a expulsão ou a
reabsorção do feto no prazo de 24 horas.

FONTE: Compilado de Lorenzi & Matos (2008, p. 89)

FIGURA 118 – ESPIRRADEIRA (Nerium oleander – FAMÍLIA APOCYNACEAE)

A B

A. Visão geral. B. Detalhe.


FONTE: Disponível em: A. <http://www.onlineplantguide.com/Image%20
Library/N/5664.jpg>;
B. <http://fichas.infojardin.com/foto-arbusto/nerium-oleander-flores.jpg>. Acesso em:
12 mar. 2016.

g) Ilex paraguariensis (Família Aquifoliaceae) – erva-mate (Figura 119)

Características gerais: árvore de até 20 m de altura, dotada de copa


densa e muito ramificada. Folhas de cor verde escura, simples, alternas,
oblongas ou obovadas, curto-pecioladas, com margens crenadas ou serreadas,
de 6-20 cm de comprimento. Flores unissexuais, brancas, em fascículos axilares,
tendo, frequentemente, as masculinas e femininas na mesma inflorescência.
Fruto do tipo baga, avermelhado, globoso, de polpa carnosa, com cinco a oito
sementes. Esta espécie é nativa do sul da América do Sul (Paraguai, Argentina,
Uruguai, Chile e no Brasil desde o Mato Grosso do Sul até o Rio Grande do
Sul), principalmente em regiões altas. Ocorre nas mesmas regiões a espécie Ilex
brevicuspis, também citada com usos um tanto semelhantes.

Usos: as folhas são usadas para fins medicinais, e principalmente,


alimentício acessório, na forma de chá, mesmo antes da descoberta da América.
A sua exploração representa hoje importante atividade econômica na região
norte de Santa Catarina, onde grande parte da produção de folhas ainda é de
origem extrativista, porém já vem sendo cultivada em média escala, tanto nesta
região como em outras dos três estados sulinos. No Sul do Brasil, no Uruguai,

198
TÓPICO 3 | BOTÂNICA ECONÔMICA

Argentina e Paraguai é consumida sob a forma de uma bebida típica, muito


amarga, tomada muito quente e sem adoçantes e em recipientes especiais, o
chimarrão, mas no restante do país é usado na forma de chá, ou como bebida
refrescante gelada e, às vezes, adicionada de algumas gotas de limão que têm
emprego como estimulante. Externamente, é usado sob a forma de cataplasma,
no tratamento caseiro de úlceras e feridas. O chá é preparado por infusão,
colocando-se água fervente sobre uma colher das de chá das folhas trituradas
(2 g) em uma xícara das médias e deixando-se por cinco a 10 minutos. Para se
conseguir um chá com melhor aroma e sabor, as folhas devem, primeiramente,
ser secas a 100ºC e, em seguida, rapidamente lavadas com o mínimo de água
fria e deixadas em recipiente fechado durante três a quatro dias. Seu uso reduz
a fadiga, melhora o apetite e ajuda a digestão. Sua análise fitoquímica mostrou
que o aroma característico das folhas deve-se a uma mistura complexa de
cerca de 20 substâncias voláteis e registra como seus principais constituintes
fixos os alcaloides cafeína, teobromina e teofilina, taninos e alguns compostos
orgânicos derivados do ácido clorogênico, bem como flavonoides e várias
saponinas triterpenoides derivadas dos ácidos ursólico e oleanólico. O teor de
cafeína é maior nas folhas novas, aonde alcança até 2,2%, valor este semelhante
ao do café e do chá-preto. Nos ensaios farmacológicos aplicados ao extrato
aquoso das folhas, com vista à elucidação científica das suas propriedades,
foram observados efeito vasodilatador sobre preparações vasculares isoladas,
atividade antioxidante, ação estimulante sobre o sistema nervoso central. O
sabor adstringente do chimarrão e do chá de mate é conferido pelas substâncias
tânicas, enquanto que a cafeína é a substância responsável pela ação estimulante
destas bebidas. Seu uso como medicação caseira contra fadiga muscular e
mental é aprovado internacionalmente.

FONTE: Compilado de Lorenzi & Matos (2008, p. 90-91)

FIGURA 119 – ERVA-MATE (Ilex paraguariensis - FAMÍLIA AQUIFOLIACEAE)

A B

A. Visão geral de um plantio. B. Detalhe da flor e frutos.


FONTE: Disponível em: A. <http://mlb-s2-p.mlstatic.com/erva-mate-ilex-paraguariensis-cha-
1000-sementes-para-mudas-739501-MLB20368156997_082015-O.jpg>; B. <https://pt.wikipedia.
org/wiki/Erva-mate>. Acesso em: 12 mar. 2016.

199
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

h) Cocos nucifera (Família Arecaeae) – coco-da-baía (Figura 120)

Características gerais: palmeira muito comum na costa atlântica do


Brasil, com até 30 m de altura por 20-40 cm de diâmetro, geralmente muito
menos, coroada por um penacho de grandes folhas pinadas que medem 2-5
m de comprimento. A inflorescência, formada por um conjunto ramificado,
contém numerosas flores pequenas, estando as masculinas na parte superior e
as femininas nas ramificações inferiores, protegida por uma espata em forma
de canoa virada. Seu fruto, o coco, é uma grande drupa ovoide ou elipsoide,
atingindo às vezes 30 cm de diâmetro, com cinco camadas distintas, por fora do
epicarpo liso, fino e impermeável à água, seguida do mesocarpo fibroso com
2-4 cm de espessura, chamado “bucha” ou “capemba”, no dizer vulgar. Depois
vem o endocarpo muito resistente e duro, com cerca de 5 mm de espessura, de
cor parda. Mais internamente está uma camada fina, pardacenta, denominada
de “tegumento” aderido à amêndoa oca com 1-3 cm de espessura, de cor
branca, carnosa e de sabor agradável; é o “miolo” do coco que guarda em seu
interior 100 a 250 ml da água de coco, um líquido aquoso, claro, levemente ou
adocicado no fruto verde e um pouco ácido no coco maduro. A amêndoa verde,
muito saborosa, quando madura e separada do coco, é comercializada com o
nome de “copra”. É originária da costa oriental da América do Sul incluindo
a costa norte e nordeste do Brasil, conforme comprova um estudo filogenético
recentemente utilizado nos EUA. Existem numerosos cultivares.

Usos: o endocarpo é usado na fabricação artesanal de artefatos


decorativos e o mesocarpo fibroso serve de matéria-prima muito explorada
industrialmente; enquanto as suas folhas entram na confecção de telhados e
cercas de palha no meio rural. Por seu conteúdo de 34,5% de óleo acompanhados
de 46,9% de água, 3,4% de proteínas, 1,4% de carboidratos e 1% de sais, a copra
é utilizada principalmente para obtenção do óleo-de-coco. Por trituração com
um pouco de água fornece o leite-de-coco que, por suas propriedades, pode
substituir com vantagem o leite comum nas receitas culinárias, especialmente
na alimentação de pessoas com intolerância à lactose, embora tenha um maior
teor de gordura. Recentemente preparado e administrado por via oral, e
provavelmente tópica como líquido de higiene, mostra atividade anti-helmíntica
contra oxiúros, propriedade essa inexistente no leite do tipo comercial. No
meio rural, o leite de coco é usado artesanalmente para a preparação caseira
do óleo de coco, por cuidadoso aquecimento até eliminação da água. O óleo de
coco é constituído por uma mistura de mono e triglicerídeos do ácido láurico
como principal componente e quantidade bem menores dos ácidos caproico,
caprílico, cáprico, merístico, palmítico, esteárico, araquídico, oleico e linoleico.
Os monoglicerídeos dos ácidos cáprico e láurico são dotados de atividade
antimicrobiana e antiviral e conferem ao óleo a capacidade de agir contra o
Helicobacter pylori, o que permite seu uso como medicação auxiliar no tratamento
da úlcera gástrica e, também, contra o vírus do herpes genital. Apesar da sua
composição com ácidos saturados, não contribui para elevar o teor do colesterol
no sangue e nos tecidos, ao contrário do que ocorre com os ácidos trans, que

200
TÓPICO 3 | BOTÂNICA ECONÔMICA

são hiperlipemiantes. O óleo industrial ou o preparado artesanalmente a partir


do leite de coco, por eliminação da água quente, é utilizado no preparo de
frituras e de sabão de coco e, no meio rural, é usado como cosmético para o
cabelo, para amaciar a pele, e também, na dose de uma a duas colheres das de
sopa duas a três vezes ao dia, como medicação energética e no tratamento da
prisão de ventre. Do coco ainda verde é obtida a conhecida água de coco verde,
apreciada como bebida refrescante, reidratante, atóxica, tida como diurética
e recomendada para o uso habitual de pessoas doentes ou convalescentes,
nas doses de um copo quatro vezes ao dia ou mais. Em sua composição estão
presentes 50-55 g por litro de açúcares redutores (glucose, levulose), além de
outras substâncias que lhe conferem viscosidade e grande poder nutriente que,
por ser estéril, permite seu uso mesmo por via intravenosa para reposição do
volume sanguíneo, bem como aminoácidos com teor semelhante ao do leite
comum, porém com maior porcentagem de argenina, alanina, cistina e serina,
o que permite o seu uso como suplemento alimentar nos casos de deficiência
nutricional e, por sua composição rica em potássio, embora pobre em sódio, é
usada como reidratante de atletas pós-jogos e nos casos de desidratação por
diarreia. A água de coco vem sendo utilizada, também, através de processo
patenteado como meio de conservação do sêmen de animais domésticos e do
homem, no processo de inseminação artificial, substituindo, vantajosamente,
outros meios muito mais caros.

FONTE: Compilado de Lorenzi & Matos (2008, p. 97-98)

FIGURA 120 – COCO-DA-BAÍA (Cocos nucifera – FAMÍLIA ARECACEAE)

A B

A. Visão geral. B. Detalhe do fruto.


FONTE: Disponível em: A. <http://www.potomitan.info/photo/cocos_nucifera2.jpg>;
B. <http://3.bp.blogspot.com/_ct9iUTPKyUM/TPQmyXH_YbI/AAAAAAAAIyA/9iN-Jp0oT4E/
s1600/Cocos_nucifera14.jpg>. Acesso em: 12 mar. 2016.

201
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

i) Aloe vera (Família Asphodelaceae) – aloe, babosa (Figura 121)

Características gerais: planta herbácea, suculenta, de até 1 m de altura,


de origem provavelmente africana. Tem folhas grossas, carnosas e suculentas,
dispostas em rosetas e presas a um caule muito curto, que quando cortadas
deixam escoar um suco viscoso, amarelado e muito amargo. Além de cultivada
para fins medicinais e cosméticos, cresce em forma subespontânea em toda a
região Nordeste. Prefere solo arenoso e não exige muita água. Multiplica-se bem
por separação dos brotos laterais. Outras espécies desse gênero são igualmente
cultivadas e utilizadas no Brasil para os mesmos fins, das quais as duas mais
importantes são Aloe arborescens e A. ferox, cujas fotos são apresentadas adiante.

Usos: esta é uma das plantas de uso tradicional mais antigo que se
conhece, inclusive pelos judeus, que costumavam envolver os mortos em
lençol embebido no sumo de babosa, para retardar a putrefação, e extrato
de mirra para encobrir o cheiro da morte, como ocorreu com Jesus Cristo ao
ser retirado da cruz. Na medicina popular ocidental seu uso mais comum é
feito pelas mulheres para o trato dos cabelos. A análise fitoquímica de suas
folhas revelou a presença de compostos de natureza antraquinônica, as aloínas
e uma mucilagem constituída de um polissacarídeo de natureza complexa, o
aloeferon, semelhante a arabibogalactana. O sumo mucilaginoso de suas folhas
possui atividade fortemente cicatrizante que é devida ao polissacarídeo e uma
boa ação antimicrobiana sobre bactérias e fungos, resultante do complexo
fitoterápico formado pelo aloeferon e as antraquinonas. É indicada como
cicatrizante nos casos: de queimaduras e ferimentos superficiais da pele, pela
aplicação local do sumo fresco, diretamente ou cortando-se uma folha, depois
de bem limpa, de modo a deixar o gel exposto para servir como um delicado
pincel; no caso de hemorroidas inflamadas, são usados pedaços, cortados de
maneira apropriada, como supositórios. Estes pedaços podem ser facilmente
preparados com auxílio de um aplicador vaginal ou de uma seringa descartável
cortada; nas contusões, entorses e dores reumáticas: emprega-se a alcoolatura
preparada pela mistura de pequenos pedaços das folhas (50 g) com meio litro
de uma mistura de álcool e água e passada através de um pano. Esta mistura
pode ser aplicada na forma de compressas e massagens nas partes doloridas.
Os compostos antraquinônicos são tóxicos quando ingeridos em dose alta.
Assim, lambedores, xaropes e outros remédios preparados com esta planta
podem causar grave crise de nefrite aguda quando tomados em doses mais
altas que as recomendadas, provocando, especialmente em crianças, intensa
retenção de água no corpo, que pode ser fatal. Além do uso tradicional descrito,
a mucilagem obtida das folhas coradas e deixadas escoar por um a dois dias
encontra duas aplicações: é aproveitada pela indústria de cosméticos ou é posta
a secar ao Sol ou ao fogo até perda quase total da água, a fim de formar a resina
(aloés) que é a forma mais usada pela indústria farmacêutica de fitoterápicos, e
apresenta propriedade laxante.

FONTE: Compilado de Lorenzi & Matos (2008, p. 105-106)

202
TÓPICO 3 | BOTÂNICA ECONÔMICA

FIGURA 121 – BABOSA (Aloe vera – FAMÍLIA ASPHODELACEAE)

A B

A. Vista geral. B. Detalhe da folha suculenta.


FONTE: Disponível em: A. <http://ateliedashortas.com.br/wp-content/uploads/2016/02/
labimg_870_babosas.jpg>; B.<http://beneficiosdababosa.net/beneficios-da-babosa-seja-bem-
vindo>. Acesso em: 12 mar. 2016.

j) Baccharis trimera (Família Asteraceae) - carqueja (Figura 122)

Características gerais: subarbusto perene, ereto, muito ramificado na


base, de caules e ramos verdes com expansões trialadas, de 50-80 cm de altura,
nativo do Sul e Sudeste do Brasil, principalmente nos campos de altitude. Folhas
dispostas ao longo de caules e ramos como expansões aladas. Inflorescências do
tipo capítulo, dispostas ao longo dos ramos, de cor esbranquiçada. Com estes
mesmos nomes populares e com características e propriedades similares são
conhecidas as espécies nativas do Sul do Brasil Baccharis articulata e B. uncinella.

Usos: essa planta é amplamente utilizada no Brasil na medicina caseira,


hábito este herdado de nossos indígenas que há séculos já faziam uso da mesma
para o tratamento de várias doenças. O primeiro registro do seu uso no país
data de 1931, informando o emprego da infusão de suas folhas e ramos para o
tratamento da esterilidade feminina e da impotência masculina e atribuindo-a
propriedades tônicas, febrífugas e estomáquicas. A partir dessa época, o seu
uso aumentou, sendo empregado principalmente para problemas hepáticos
(remove obstruções da vesícula e fígado) e contra disfunções estomacais
(fortalece a digestão) e intestinais (vermífugo). Algumas publicações populares
a recomendam ainda para o tratamento de úlcera, diabetes, malária, anginas,
anemia, diarreias, garganta inflamada, vermes intestinais, etc. É recomendada
para afecções estomacais, intestinais e hepáticas, na forma de infusão, preparado
adicionando-se água fervente a uma xícara (chá) contendo uma colher (sopa)
de suas hastes e folhas picadas, na dose de uma xícara (chá) três vezes ao dia,
30 minutos antes das refeições. As diferentes propriedades atribuídas a esta
planta na medicina tradicional vêm sendo estudadas por cientistas e algumas
já foram validadas como consequência dos resultados positivos obtidos. As
propriedades hepatoprotetoras, amplamente consagradas no uso popular,
foram validadas num estudo farmacológico com animais em 1986 usando extrato

203
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

aquoso cru desta planta. As propriedades digestiva, antiúlcera e antiácida


foram validadas num estudo com ratos, mostrando que esta planta reduziu a
secreção gástrica e teve um efeito analgésico. Mais recentemente, seus efeitos
analgésico, antiúlcera e anti-inflamatório foram mais uma vez comprovados
com outro estudo. Um estudo clínico conduzido em 1967 mostrou a habilidade
do extrato desta planta na redução dos níveis de açúcar no sangue, validando
assim seu efeito hipoglicêmico.

FONTE: Compilado de Lorenzi & Matos (2008, p. 122-123)

FIGURA 122 – CARQUEJA (Baccharis trimera - FAMÍLIA ASTERACEAE)

A B

A. Visão geral. B. Detalhe das flores e folhas.


FONTE: Disponível em: A. <http://websmed.portoalegre.rs.gov.br/escolas/
montecristo/09cienc10/C14/MelissaeDanielle/carqueja.jpg>; B. <https://naturaetchimia.
wordpress.com/projetos/>. Acesso em: 12 mar. 2016.

k) Bidens pilosa (Família Asteraceae) – picão (Figura 123)

Características gerais: herbácea ereta, anual, ramificada, com odor


característico, de 50-130 cm de altura, nativa de toda a América tropical. Folhas
compostas pinadas, com folíolos de formato, tamanho e em números variados.
Flores reunidas em capítulos terminais. Os frutos são aquênios de cor preta, com
ganchos aderentes numa das extremidades. Multiplica-se apenas por sementes.
Existem mais duas espécies deste gênero com os mesmos nomes populares e
com características e propriedades similares: Bidens alba e B. subalternans.

Usos: é uma planta que cresce espontaneamente em lavouras


agrícolas de todo o Brasil, onde é considerada uma séria planta daninha. Esta
planta possui uma longa história de uso na medicina caseira entre os povos
indígenas da Amazônia. Virtualmente todas as suas partes são empregadas,
principalmente contra angina, diabetes, disenteria, aftosa, hepatite, laringite,
verminose e hidropisia. Sua infusão é também empregada por indígenas
como diurética, emenagoga, antidisentérica e para o tratamento da icterícia.

204
TÓPICO 3 | BOTÂNICA ECONÔMICA

Na medicina tradicional brasileira é considerada diurética e emoliente, sendo


utilizada principalmente contra febres, blenorragia, leucorreia, diabetes,
icterícia, problemas do fígado e infecções urinárias e vaginais. Essa planta
tem sido objeto de muitos estudos farmacológicos nos últimos anos, os quais
validaram algumas das propriedades a ela atribuídas pela medicina tradicional.
Sua atividade antibacteriana contra bactérias Gram-positivas foi demonstrada
por um estudo de 1997. Outro estudo conduzido em Taiwan documentou
sua atividade hepatoprotetora, indicando que é capaz de proteger injúrias
causadas por várias hepatotoxinas. O mesmo grupo de cientistas demonstrou
uma significativa atividade anti-inflamatória desta planta num outro estudo
farmacológico com ratos. Estudos com o fitoquímico fenil-heparina isolado
desta planta demonstraram que possui propriedades antibiótica e citotóxica
através de fotossensibilização. Num estudo farmacológico publicado em
1996, cientistas demonstraram que o extrato desta planta inibe a síntese da
substância prostaglandina, que é parte de um processo metabólico ligado a
dor de cabeça e doenças inflamatórias. Cientistas suíços isolaram desta planta
várias substâncias com propriedades anti-inflamatória e antimicrobiana, que
fez concluírem sobre a possibilidade do seu uso na medicina tradicional para
o tratamento de ferimentos contra inflamações, bem como contra a infecção de
bactérias do trato gastrointestinal. Análises fitoquímicas realizadas nos últimos
anos têm mostrado a composição ativa desta planta.

FONTE: Compilado de Lorenzi & Matos (2008, p. 124-125)

FIGURA 123 – PICÃO (Bidens pilosa – FAMÍLIA ASTERACEAE)

A B

A. Visão geral. B. Detalhe dos frutos.


FONTE: Disponível em: <http://www.westafricanplants.senckenberg.de/root/index.
php?page_id=78&id=197>. Acesso em 12 mar. 2016.

205
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

l) Chamomilla recutita (Família Asteraceae) – camomila (Figura 124)

Características gerais: planta herbácea, anual, aromática, de até um


metro de altura. Flores reunidas em capítulos, agrupados em corimbos, com as
flores centrais amarelas e as marginais de corola ligulada branca. Fruto do tipo
aquênio, cilíndrico. É nativa dos campos da Europa e aclimatada em algumas
regiões da Ásia e nos países latino-americanos, inclusive na região Sul do
Brasil. É amplamente cultivada em quase todo o mundo, inclusive nos estados
do Sul e Sudeste do Brasil. A parte usada para fins terapêuticos é constituída
dos capítulos florais secos ao ar e conservados ao abrigo da luz.

Usos: é uma das plantas de uso mais antigo pela medicina tradicional
europeia, hoje incluída como oficial nas farmacopeias de quase todos os países.
Sua ação emenagoga foi descoberta empiricamente por Dioscorides na Grécia
antiga e comprovada cientificamente 2000 anos mais tarde. É usada tanto na
medicina científica como na popular na forma de infusão, como tônico amargo,
digestivo, sedativo, para facilitar e eliminação de gases, combater cólicas e
estimular o apetite, agindo também por via tópica pela aplicação de compressas
do infuso ainda quente sobre o abdômen no tratamento de cólicas de crianças. O
cozimento dos capítulos, misturado ou não com água oxigenada, é usado para
clarear os cabelos. Sua análise fitoquímica mostra a presença de um óleo essencial
azul que contém, principalmente, camazuleno e camaviolino, responsáveis
pela cor azul do óleo, a-bisabolol. Entre seus constituintes fixos destacam-se
polissacarídeos com propriedades imunoestimulantes e os éteres bicíclicos, que,
sob condições experimentais, mostraram atividade espasmolítica semelhante à
da papaverina, flavonoides de ação bacteriostática e tricomonicidas, além de
apigenina que apresenta propriedades ansiolítica e sedativa. A infusão aquosa
das flores ou o próprio óleo essencial são empregados ainda em pomadas
e cremes, e em preparações farmacêuticas de uso externo utilizadas para
promover a cicatrização da pele, no alívio da inflamação das gengivas e como
antivirótico no tratamento da herpes. Industrialmente a camomila é usada para
extração da essência que tem largo emprego como aromatizante na composição
de sabonetes, perfumes, xampus e loções, bem como para conferir odor e sabor
agradáveis a uma grande variedade de alimentos e bebidas.

FONTE: Compilado de Lorenzi & Matos (2008, p. 127-128)

206
TÓPICO 3 | BOTÂNICA ECONÔMICA

FIGURA 124 – CAMOMILA (Chamomilla recutita – FAMÍLIA ASTERACEAE)

A B

A. Visão geral. B. Detalhe da inflorescência.


FONTE: Disponível em: A. <http://lh6.ggpht.com/_hTt7ulSkLpI/R5sCAZTdXWI/
AAAAAAAADNE/20liA7Fjafw/chamomilla_recutita_3.jp>. B. <http://www.bgflora.net/
families/asteraceae/chamomilla/chamomilla_recutita/chamomilla_recutita_1.jpg>. Acesso
em: 13 mar. 2016.

m) Bixa orellana (Família Bixaceae) - urucum (Figura 125)

Características gerais: arbusto grande ou árvore pequena, com 3-5


m de altura, de tronco revestido por casca parda e copa bem desenvolvida.
Folhas simples, glabras, medindo 8-11 cm de comprimento. Flores levemente
róseas, dispostas em panículas terminais muito vistosas. Fruto do tipo cápsula,
ovoide, com dois ou três carpelos (divisões), coberto de espinhos flexíveis, de
cor vermelha, esverdeada, amarelada ou parda, com 3-5 cm de comprimento,
contendo muitas sementes pretas cobertas por um arilo ceroso de cor vermelha
e odor característico. Os frutos encontram-se em cachos com até 17 unidades.
Originária da América tropical, incluindo a Amazônia brasileira, é cultivada
com finalidade doméstica ou industrial, principalmente no Peru e em menor
escala no Brasil, Paraguai e Bolívia.

Usos: desde os tempos mais remotos os indígenas do Brasil usam o


pigmento do urucum para pintar a pele, supostamente como ornamento, ou
como proteção contra insetos e queimaduras por exposição ao Sol. Também
amplamente usado como corante de alimentos (o colorau) na cozinha
nordestina. Na primeira expedição ao Brasil em 1500, em carta encaminhada
à Coroa Portuguesa, já eram feitas referências à pintura feita com o urucum
pelos indígenas da costa da Bahia, indicando este fato que já era cultivada
nessa época, uma vez que não ocorre no estado nativo naquela região. As
sementes são referidas na literatura etnofarmacológica como medicação
estomáquica, tonificante do aparelho gastrointestinal, antidiarreica, antifebril,
bem como para o tratamento caseiro das palpitações do coração, crise de
asma, coqueluche e gripe. Empregado em medicina popular, na forma de chá
ou maceradas em água fria, ou ainda como xaropes nos casos de faringite e
bronquite. A massa semissólida obtida das sementes é usada, externamente,

207
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

para tratamento de queimaduras, especialmente para evitar a formação de


bolhas e internamente como afrodisíaca, enquanto o cozimento das folhas é
bebido para atenuar os enjoos da gravidez. Estas propriedades, no entanto,
ainda não foram confirmadas cientificamente. O extrato concentrado obtido
das sementes do urucum é utilizado pela indústria de enlatados de carne,
margarina e cosméticos, em substituição aos corantes sintéticos. Seu emprego
como corante estende-se também ao melhoramento da cor na preparação do
vinagre, avicultura para intensificar a coloração amarela da gema dos ovos
e, ainda, na cera vermelha para assoalhos. A atividade vitamínica A deste
extrato é da ordem de 1.000 a 2.000 unidades internacionais por grama, que
pode ser considerada pequena, se comparada ao dendê, ao buriti, a batata-doce
vermelha, ou mesmo a cenoura.

FONTE: Compilado de Lorenzi & Matos (2008, p. 180-181)

FIGURA 125 – URUCUM (Bixa orellana – FAMÍLIA BIXACEAE)

A B

A. Flores e frutos. B. Detalhe do fruto aberto. FONTE: Disponível em:


<http://modosdeolhar.blogspot.com.br/2013/10/urucum.html>. Acesso em: 12 mar. 2016.

n) Ocotea odorifera (Família Lauraceae) – canela-sassafrás (Figura 126)

Características gerais: árvore perenifólia, de 8-20 m de altura, aromática,


de copa globosa e densa, com tronco tortuoso e canelado de 40-70 cm de
diâmetro, nativa da Bahia até o Rio Grande do Sul na Mata Atlântica e nos
campos de altitude do Sudeste e do Planalto Meridional (mata de pinhais). Folhas
brilhantes, coriáceas, de 7-14 cm de comprimento. Inflorescências paniculadas
terminais, formadas por flores pequenas, hermafroditas, perfumadas, de cor
branco-amarelada. Os frutos são drupas elípticas lisas, de cerca de 2,5 cm de
comprimento, com uma fina polpa carnosa que por sua vez é envolvida até
quase o meio do receptáculo carnoso, contendo uma única semente de igual
formato. Todas as partes desta planta apresentam odor forte de óleo essencial
quando amassadas.

208
TÓPICO 3 | BOTÂNICA ECONÔMICA

Usos: fornece madeira de ótima qualidade para mobiliário e construção


civil, bem como para construção artesanal de tonéis para aguardentes,
conferindo à bebida seu aroma e sabor agradáveis. Todas as partes desta planta,
inclusive a madeira, são empregadas para extração do óleo essencial mediante
destilação. Entre os seus principais componentes está o safrol, amplamente
utilizado em perfumaria, medicina e como combustível de naves espaciais. O
teor de safrol no óleo essencial é variável para cada região, podendo chegar
a 1% quando destilado de plantas que crescem no Planalto Catarinense. Em
algumas regiões o safrol é parcialmente substituído pelo metil-eugenol. O óleo é
muito empregado no preparo de medicamentos com propriedades sudoríficas,
antirreumáticas, antissifilíticas, diuréticas e como repelente de mosquitos. Este
óleo é o substituto natural do óleo sassafrás norte-americano, extraído da espécie
Sassafras albidum e do óleo de pau-rosa extraído da espécie amazônica Aniba
rosaeodora. Nas práticas caseiras da medicina tradicional, suas flores e casca
são muito empregadas para o tratamento de várias moléstias, principalmente
como sudorífica, depurativa do sangue, diurética e antirreumática, embora não
existam estudos que comprovem a eficácia e a segurança destes tratamentos.
Na composição do óleo essencial destaca-se o safrol com um teor de 84%.

FONTE: Compilado de Lorenzi & Matos (2008, p. 340-341)

FIGURA 126 – CANELA-SASSAFRÁS (Ocotea odorifera – FAMÍLIA LAURACEAE)

A B

A. Visão geral. B. Detalhe.


FONTE: Disponível em: A. <http://4.bp.blogspot.com/_CFBJfdtx7PI/ScbxrrjZpAI/
AAAAAAAAesQ/UZEd7L3Y0I8/s400/047.JPG>. B. <http://www6.ufrgs.br/fitoecologia/florars/
imagens/886ac0217d5f0a8753ffe5129da5235d70d.JPG>. Acesso em: 12 mar. 2016.

209
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

o) Coffea arabica (Família Rubiaceae) - café (Figura 127)

Características gerais: arvoreta ou arbusto grande, perene, com até 4 m


de altura, ramificado desde a base, dotado de copa densa e alongada. Folhas
simples, opostas, totalmente glabras, de superfície brilhante, de 8-12 cm de
comprimento. Flores axilares, brancas e suavemente perfumadas. Fruto do
tipo baga, vermelho ou amarelo quando maduro, medindo 10 a 15 mm, com
duas sementes plano-convexas. Originário da Abissínia e de outras partes da
África e cultivado nos países tropicais da Ásia e da América, particularmente
no Brasil e na Colômbia.

Usos: o café é usado principalmente como bebida estimulante preparada


na forma de infuso feito com suas sementes tostadas e moídas de amplo uso
em todo o mundo. A literatura etnofarmacológica registra o uso do cozimento
das folhas em água com sal para limpar o sangue, prática comum no Haiti. O
chá obtido por infusão das sementes cruas é tido como hipoglicemiante, na
dose de uma xícara por dia ou mais no caso de continuar aparecendo açúcar
na urina. À mesma preparação é atribuída uma ação curativa sobre afecções
nos olhos, por meio de banhos ou compressas locais com o infuso feito com
o café tostado, do modo habitual, diluído com igual parte de água. A análise
fitoquímica dos grãos de café registra a cafeína com o seu princípio ativo, que
é encontrado também nas outras partes da planta com exceção das raízes,
acompanhada de teofilina e teobromina, hemicelulose e outros carboidratos,
ácido clorogênico e trigonelina, que é o ácido-metil-nicotínico; ácidos graxos,
esteróis, fenóis, ácidos fenólicos, proteínas e taninos também são encontrados;
a torrefação dos grãos verdes modifica a composição química do grão, fazendo
aparecer substâncias resultantes da combustão da hemicelulose que dão a cor
e o odor característico do café torrado. As folhas contêm, além destes mesmos
componentes, os ácidos benzoico, cinâmico e ascórbico, quercetina e outros
flavonoides. Observações clínicas têm verificado que o processo de preparação
da bebida tem influência sobre os níveis de gordura no sangue, favorecendo
seu aumento quando o pó é fervido com água e não filtrado. Experiências com
voluntários mostraram que o consumo moderado (cinco xícaras por dia) do café
filtrado pode exercer um efeito protetor contra a arteriosclerose, aumentando
o HDL e reduzindo os efeitos do LDL. Essa observação pode estar relacionada
com o efeito hipoglicemiante, causado pela administração a ratos, por via oral,
de uma fração esterólica obtida das sementes verdes. Em pequenas proporções
o café estimula o raciocínio, diminui a sonolência e a fadiga , mas em grandes
quantidades pode causar o aparecimento de palpitação, insônia, tremor e
vertigem. Um cozimento mais forte é usado nos casos de envenenamento por
alcaloides, provavelmente devido à presença do ácido tânico. O café, preparado
com 8 gramas do pó em 750 ml de água, dá para seis xícaras médias que
contêm, cada uma, cerca de 85 mg de cafeína. Como a ação do café depende
principalmente da cafeína, que atua como estimulante do sistema nervoso
central, rins, músculos e coração, para obtenção do efeito broncodilatador é
suficiente tomar uma xícara e meia por dia; um efeito estimulante das secreções

210
TÓPICO 3 | BOTÂNICA ECONÔMICA

do estômago favorável à digestão é conseguido com o uso de três xícaras; o


aparecimento de tensão nervosa e ansiedade pode ocorrer com a dose de cinco
xícaras; acima destas doses aparecem os sintomas de intoxicação pela cafeína
que pode ser fatal com a ingestão de dez ou mais xícaras. O café pode ser
usado terapeuticamente nos casos de hipotonia e sonolência ou de resfriado
e enxaqueca associado a analgésicos. Mulheres grávidas ou que estejam
aumentando devem evitar o uso do café.

FONTE: Compilado de Lorenzi & Matos (2008, p. 457-458)

FIGURA 127 – CAFÉ (Coffea arabica – FAMÍLIA RUBIACEAE)

A B

A. Visão geral. B. Detalhe do fruto.


FONTE: Disponível em: A. <https://www.tudosobreplantas.com.br/asp/plantas/ficha.asp?id_
planta=371053>. B. <http://www.henriettesherbal.com/files/images/photos/c/co/pi2000-04-
01_coffea-arabica.jpg>. Acesso em: 26 jul. 2018.

Como pudemos observar pelas breves descrições, a madeira não é o único


produto florestal de interesse econômico. As plantas arbóreas nativas do território
brasileiro estão intimamente ligadas à história e ao desenvolvimento econômico
e social de nosso país. Relembrando a história do Brasil, algumas espécies foram
de grande importância na vida econômica, caracterizaram até uma época ou um
ciclo, como, por exemplo, o pau-brasil, a seringueira, a carnaúba, a araucária, o
cacau, o babaçu, o mogno. Dessa maneira, é relativamente recente a procura de
madeira no mercado internacional.

Uma relação antiga e muito importante entre as plantas e a nossa história


é com o próprio nome do país: “Brasil”, que foi emprestado da árvore Caesalpinia
echinata Lam., popularmente conhecida como “pau-brasil”. Muitas cidades
também emprestaram seus nomes de árvores nativas que eram importantes ou
frequentes em suas regiões geográficas. Como exemplo, citamos Angicos (em
Pernambuco), Castanhal (no Pará), Cedro (em São Paulo), Imbuia (em Santa
Catarina), Juazeiro (na Bahia).

211
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

DICAS

Uma dica muito legal de leitura é o livro “A ferro e fogo”, de Warren Dean, publicado
em 1996 pela Companhia das Letras. Neste livro, Dean conta a história e a devastação da Mata
Atlântica brasileira. Nele, há muitos relatos de espécies nativas madeiráveis e não madeiráveis
amplamente utilizadas desde a chegada dos portugueses.

Apesar da importância histórica, apenas recentemente houve uma


retomada de interesse nos produtos florestais não madeireiros. Assim, atualmente
estes produtos têm grande representação no mercado mundial de produtos
florestais.

DICAS

Agora é sua vez! Procure exemplos de produtos florestais não madeireiros


comercializados na sua região.

212
TÓPICO 3 | BOTÂNICA ECONÔMICA

LEITURA COMPLEMENTAR

AS FLORESTAS E A OBTENÇÃO DE PRODUTOS NÃO MADEIREIROS

José Otávio Brito

Uma análise histórica nos mostrará que, tradicionalmente, a madeira


nem sempre foi o principal produto a justificar nosso interesse pelas florestas,
sendo seu domínio no mercado internacional relativamente recente. Em que pese
tal fato, existem produtos florestais não madeireiros, que ainda são altamente
importantes, possuindo expressiva representação no mercado mundial de
produtos florestais.

O termo Produtos Florestais Não Madeireiros – PFNMs – é relativamente


novo e, apesar da natural integração existente entre eles e a madeira e os demais
serviços e benefícios oferecidos pelas florestas, é aconselhável e necessária a
separação dos seus diferentes potenciais.

Em primeiro lugar, a tendência observada é a de se incluir como PFNMs


somente os produtos de origem biológica, tendo sido considerado racional não
incluir o solo, o subsolo e a água como recurso florestal. Há ainda a tendência de
não se incluir as atividades turísticas, de lazer, de caça, de pesca etc, que devem
ser identificadas como serviços. Da mesma forma, as influências das florestas
na proteção de recursos hídricos, na conservação ambiental a na proteção
da biodiversidade, devem ser consideradas como benefícios das florestas.
Evidentemente, a madeira é excluída da lista dos PFNMs, em todas as suas
formas e dimensões, quando sobre ela existir interesse de uso, motivado pelas
características que lhe são oferecidas pelas suas características fibrosas e dos
seus constituintes fundamentais, lignina, celulose e hemiceluloses. Isso é válido,
independentemente dos produtos terem suas origens junto a florestas nativas ou
plantadas. Há que se considerar, no entanto, a necessidade de serem respeitados
todos os conceitos e atendidas todas as necessidades relacionadas às questões
ambientais e sociais de cada região e de cada ecossistema.

Apesar da importância histórica, só recentemente houve uma retomada


de interesse da ciência e da sociedade contemporânea, na direção dos PFNMs,
havendo três razões básicas principais para que isto não tenha ocorrido há mais
tempo. A primeira razão diz respeito ao fato de que tais produtos sempre estiveram
fortemente atrelados às populações rurais e/ou mercados das comunidades locais
e, por conta disto, os mesmos não têm sido computados nas estatísticas oficiais de
produção. A segunda, refere-se ao fato de que há uma tendência, em geral, de se
definir os produtos oriundos das comunidades rurais como produtos agrícolas,
sendo que, muitas vezes aí estão relacionados produtos florestais, incluindo-se os
PFNMs. Assim, a origem florestal dos produtos e a nossa dependência em relação

213
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

às florestas não são reconhecidos. Finalmente, a moderna atividade florestal tem


favorecido a produção madeireira e o estabelecimento de empresas de grande
porte e, em tal situação, os produtos não madeireiros são tratados incidentalmente.

A amplitude de PFNMs é bastante grande, da mesma forma que é enorme


o potencial para a inclusão de novos produtos, sobretudo em se considerando a
biodiversidade das florestas tropicais. Muitos possuem importância primária para
aplicações domésticas e nas economias locais. Outros, porém, elevam-se à categoria
de produtos com grande importância comercial junto ao mercado internacional,
seja na sua forma original ou sob diferentes estágios de processamento.

Ao menos 150 PFNMs são referenciados no mercado internacional, a


maioria deles é comercializada em pequenas quantidades, mas alguns produtos
podem alcançar níveis elevados, como são os casos da terebintina e do breu obtidos
da resina de Pinus, os óleos essenciais de eucalipto, a borracha natural, as nozes,
o mel, a raiz de ginseng etc. Tem sido observado, de uma forma geral, que os
produtos que se apresentam em grandes quantidades no mercado internacional
estão vinculados a algum tipo de prática agrícola/silvicultural. Outros produtos
que também podem ser ainda citados, além de resinas e óleos, são: corantes
vegetais, taninos, plantas medicinais, resinas, látex, ceras, alimentos etc.

Concluindo, deve-se ter em conta que o sucesso na exploração dos produtos


somente será garantida se forem muito bem conhecidas suas disponibilidades e
seus potenciais de sustentabilidade. Além disso, há que se ter uma boa informação
sobre o mercado consumidor. Devem ainda ser estimuladas ações que induzam
ao processamento parcial ou total dos produtos próximo às fontes dos recursos
florestais, o que poderá aumentar as receitas dos produtores em termos de
comercialização. Necessária também se faz a prospecção de novos nichos de
mercado que os produtos podem preencher. A identificação da escala apropriada
para processamento dos recursos e os níveis de qualidade requeridos para os
produtos e de especialização dos empreendimentos é outro aspecto importante
a ser levado em conta. Em geral, na escala doméstica, o processamento limita-
se à secagem e à embalagem dos produtos. Na escala comunitária as operações
podem incluir o processamento de produtos medicinais, óleos vegetais,
sabões, corantes e taninos. Em centros mais complexos podem ser incluídos
os processamentos da goma-resina de Pinus, ceras e óleos vegetais. Todas as
atividades devem ser iniciadas em escala piloto, no sentido de serem testados
o processo, as qualidades do produto e as preferências do mercado. A definição
por sistemas que apresentem flexibilidade para o processamento de diferentes
produtos poderá reduzir os custos individuais dos produtos. Antes de qualquer
ação no sentido do planejamento de atividades de exploração dos produtos, faz-
se indispensável o total conhecimento das regras e regulamentos e os padrões de
qualidade sob os quais as matérias-primas e os produtos a serem obtidos estão
sujeitos. É importante ainda o estabelecimento de meios para o monitoramento
da qualidade do produto. É fundamental ainda o acompanhamento das novas
pesquisas sobre processamentos das matérias-primas e aplicações dos produtos,

214
TÓPICO 3 | BOTÂNICA ECONÔMICA

além da atenção quanto à possibilidade do surgimento de produtos substitutos


alternativos concorrentes. O estabelecimento de redes de informações e esforços
conjugados, em nível regional e nacional, para a manutenção de centros de
pesquisa para estudos sobre a obtenção e qualidade das matérias-primas e de
processamento e qualidade dos produtos finais são também complementos
indispensáveis.

FONTE: Disponível em: <http://www.ipef.br/tecprodutos/naomadeireiros.asp.> Acesso em: 10


jan. 2016.

215
RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico, você viu que:

• Desde muito cedo, o homem começou a cultivar plantas.

• Ao cultivar e cuidar dessas culturas, os antigos agricultores mudaram as


características das plantas, de modo que elas foram se tornando cada vez mais
nutritivas e fáceis de coletar.

• A agricultura espalhou-se para todo o planeta.

• Desde os primeiros tempos, os animais domésticos foram um componente


significante na agricultura.

• No Novo Mundo, a agricultura se desenvolveu de maneira independente.

• Os rebanhos de animais de pastoreio foram destrutivos ecologicamente para


muitas regiões. Entretanto, também foram importantes fontes de alimento.

• Nesse contexto, a população humana vem crescendo muito rapidamente.

• Como resultado do crescimento populacional e da pobreza, e porque


relativamente pouco tem sido feito para desenvolver as práticas agrícolas
utilizadas nas regiões tropicais, os trópicos vêm sendo devastados
ecologicamente.

• Em nosso país, há séculos a exploração dos ecossistemas faz parte de nossa


atividade econômica e gera alguns problemas.

• Os problemas ambientais vão desde a extração de essências medicinais e


ornamentais de plantas e animais nativos da floresta, passando pela extração
ilegal de diferentes tipos de árvores para a indústria madeireira até o avanço da
agricultura e pecuária, que têm como principais consequências o desmatamento
em massa de áreas de floresta nativa, a introdução de espécies exóticas e o
esgotamento e poluição de solos e mananciais, além da urbanização.

• Nesse capítulo vimos algumas espécies de interesse econômico, seja por


apresentarem características de plantas laticíferas, ceríferas, oleíferas,
medicinais, aromáticas, condimentares, tóxicas, têxteis, madeireiras, corticeiras,
fibrosas, tintoriais, ornamentais ou comestíveis.

216
AUTOATIVIDADE

1 Procure na internet imagens que ilustrem as plantas que trabalhamos neste


capítulo.

2 Para agregar valor ao produto, alguns produtores fazem algum tipo de


preparação nos vegetais, seja embalando-os, cortando em fatias, picando,
descascando. Liste alguns destes produtos que você encontra no mercado
de sua região.

217
218
UNIDADE 3
TÓPICO 4

METODOLOGIAS PARA O ENSINO DE BOTÂNICA

1 INTRODUÇÃO
A partir do momento em que você entra numa sala de aula como
professor, surgem algumas perguntas, tais como: como apresentarei os conteúdos
programados? Darei uma aula expositiva ou prática? O que mais motivaria meus
alunos? Que recursos precisarei para desenvolver esta aula? Será que irei atingir
os objetivos propostos?

Organizar o ensino de Ciências, ou Biologia, em especial o de Botânica,


não é tarefa fácil, uma vez que os conteúdos são muitos e o tempo
reservado a esta área da Biologia é pequeno, temos ainda o fator da
biodiversidade vegetal e a capacidade do professor em organizar
suas aulas. Sendo assim, nota-se a importância de nos utilizarmos da
metodologia de ensino como ferramenta pedagógica que leve a pensar
em novas e variadas formas de ensino. Como o tempo não permite
à maioria dos professores um planejamento que possibilite organizar
todas as suas aulas, este relato pretende mostrar algumas alternativas
de ensino viáveis para ensinar e aprender Botânica como sugestões
possíveis e não meras receitas de como fazer educação (GÜLLICH,
2006, p. 695).

Segundo Hofstein & Lunneta (1982 apud KRASILCHIK 2008, p. 85), as


principais funções das aulas práticas, reconhecidas na literatura sobre o ensino de
ciências, são:

- despertar e manter o interesse dos alunos;


- envolver os estudantes em investigações científicas;
- desenvolver a capacidade de resolver problemas;
- compreender conceitos básicos;
- desenvolver habilidades.

Este Caderno de Estudos trata de assuntos bastante específicos de Biologia,


o que reduz a chance de integração com outras disciplinas. Uma possibilidade,
por exemplo, é combinar com os professores de Física algum tipo de apoio quanto
ao espectro das radiações eletromagnéticas e os comprimentos de ondas da luz
vermelha. Pode-se, ainda, realizar pesquisas na Internet em integração com a
disciplina de Informática, ou Inglês (se acessar sites americanos ou britânicos). A
utilização de recursos da Internet numa proposta de educação interativa mostra
que a rede mundial de computadores, como recurso didático, tem modificado os
conceitos de tempo e espaço das coisas, bem como o espaço “sala de aula”.
219
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

2 PROPOSTAS PARA AS AULAS


A escolha da modalidade didática dependerá do conteúdo e dos objetivos
selecionados, da classe a que se destina, do tempo e dos recursos disponíveis,
assim como dos valores e convicções do professor (KRASILCHIK, 2008, p.77).

Apresentaremos a seguir algumas maneiras de ensinar-aprender,


principalmente através de práticas de observação da morfologia, anatomia
e fisiologia de plantas, mostrando que é possível romper com as aulas mais
tradicionais. A maioria das atividades é fácil de ser realizada; algumas, porém,
necessitam recursos laboratoriais e certa disponibilidade de tempo.

QUADRO 1 – METODOLOGIAS DE ENSINO

Tipificação da
Descrição da forma utilizada
metodologia empregada

Trabalho desenvolvido em escolas, para plantar


espécies arbóreas e herbáceas para estudo. Após o
jardim implantado, este serve de local para aulas de
Jardim didático identificação – taxonomia. Ao plantarmos as espécies
adquirimos razão para cuidar e compreender a
importância de cada indivíduo, seja ele vegetal ou
animal do planeta.

Atividade com grupos de alunos a fim de conhecer


Passeios nos jardins jardins botânicos para identificação de espécies
vegetais.

Aulas de visitação a florestas e parques locais a


fim de apresentar aos estudantes sua flora local e/
ou regional. O contato direto dos alunos com as
plantas serve para aproximar o homem da natureza
e desperta para a sensibilização frente a problemas
Aula prática a campo
ambientais, num enfoque em que é preciso conhecer e
identificar o indivíduo vegetal para que o aluno possa
querer preservar. Começar o ensino de Botânica por
espécies nativas do local/regional torna o aluno capaz
no contexto da realidade em que vive.

220
TÓPICO 4 | METODOLOGIAS PARA O ENSINO DE BOTÂNICA

Estudo de materiais botânicos do tipo caule, folhas,


flores e de coleções botânicas; uso de microscópios,
para observar estruturas, como tecidos, tricomas,
estômatos, cloroplastos... O Laboratório formal de
Aula prática em
Ciências facilita a alfabetização científica do aluno,
laboratório
uma vez que o objetivo do ensino da ciência botânica
não se trata de formar pequenos botânicos, mas sim
fazer nossos alunos enxergar o mundo com os olhos
da Ciência.

Visitação a herbários institucionais, a fim de


mostrar aos estudantes as formas de organização
Visita ao herbário e armazenamento de espécies no herbário. Além
disso, mostra-se a importância das coleções para
preservação de bancos de dados.

Esta atividade existe para que as escolas possam


montar herbários que facilitem o ensino de Botânica,
Montagem de herbário mediante a coleta e armazenamento de espécies na
escolar escola, pois muitas escolas não têm acesso a florestas,
matas para mostrar a flora aos seus alunos, então o
herbário torna-se sumário.

Estudo, montagem e aplicação de atividades


pedagógicas elaboradas por professores, em
conjunto. Aulas diferentes ao ar livre em laboratórios
naturais, na forma de oficinas, fazem com que o
aluno perceba tanto a capacidade do professor de
envolvê-los como fazem com que eles se conectem a
Oficinas de
uma nova forma de organizar o ensino, apropriada
aprendizagem
e em número variado, com jogos e outras formas de
organização que podem realmente fazer a diferença
no âmbito pedagógico. Podem-se aproveitar as
oficinas de aprendizagem para ensinar processos
de coleta de material botânico ou para a montagem
de herbário.

Coleta de material botânico a campo e estudo na sala


de aula, tais como: folhas, caules, raízes. Nem sempre
o professor precisa do laboratório para mostrar
estruturas, a sala de aula pode vir bem a calhar, mas
Material botânico e
temos de solicitar que os alunos tragam materiais.
prática em sala de aula
Outro aspecto relevante neste caso é que as coletas de
material nem sempre precisam de professor. Desde
que bem orientados, os alunos podem fazê-las com
muita propriedade.

221
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

Planejamento, plantio, cuidados e identificação


Organização de Jardim de vegetais na escola. Quando os próprios alunos
Botânico na escola plantam espécies, eles conseguem perceber porque
é importante preservar o ambiente natural.

Livretos produzidos sobre as relações entre plantas


e pessoas, usos na alimentação, medicina alternativa,
entre outros temas. Pode-se dar uma temática aos
Cartilhas-histórias de alunos, após um passeio de observação e pronto. Em
planta e gente grupos podem organizar cartilhas, livros que contem
uma história em quadrinhos que pode ser desenhada
e pintada em grupos e depois publicada, inclusive
servindo de fonte para outras séries e níveis.

FONTE: Güllich (2006, p. 696-697)

FIGURA 128 – PREPARAÇÃO DE LÂMINAS HISTOLÓGICAS

Preparação de lâminas
histológicas.

Para a realização de secções histológicas,


primeiro você deve saber quais são os tipos de
orientação que podem ser utilizados.
Em órgãos cilíndricos, como raízes e caules, os Folhas de muitas espécies são finas e
seguintes tipos de secções podem ser feitas: muito delicadas, o que dificulta seccioná-las.
Para tornar esse processo mais fácil, você
pode utilizar um pedaço pequeno de isopor,
usando-o como suporte.
Transversal Radial longitudinal

Tangencial longitudinal Paradérmica

Se o órgão for achatado, como uma folha ou


pétala, três tipos de secções são possíveis.

Transversal

Após seccionar o material, coloque-o na placa


Paradérmica de petri ou vidro-relógio, selecione os melhores
cortes (os mais finos) e, com auxílio de um pincel,
acomode-os numa lâmina.
Pingue 1 ou 2 gotas de água (ou corante ou algum
Longitudinal tipo de reagente) e cubra com uma lamínula,
cuidando para não aparecer bolhas de ar.

Para a realização das secções, passe


delicadamente a lâmina de barbear no
sentido mostrado nas figuras acima, de
acordo com o tipo de orientação que
desejar. Deslize a lâmina de barbear, Sua lâmina está pronta. Agora é só observar
evitando "serriar" o material, conforme no microscópio óptico e identificar as estruturas.
segue a figura a seguir.

FONTE: Petterson et al. (2008)


222
TÓPICO 4 | METODOLOGIAS PARA O ENSINO DE BOTÂNICA

a) Observação do efeito do pH

O objetivo desta prática é observar o efeito do pH sobre a coloração de


pétalas de flores. Para isto, você precisará de pétalas de flores, gral com pistilo,
funil de vidro, algodão ou papel filtro, três tubos de ensaio, solução de ácido e
solução de hidróxido de sódio.

Primeiramente, macere as pétalas em água e filtre com funil e algodão (ou


papel filtro). Coloque o extrato obtido em três diferentes tubos de ensaio. Num
deles acrescente lentamente um ácido e, no outro, hidróxido de sódio. O terceiro
tubo funcionará como controle. Peça para os alunos observarem as alterações da
coloração, decorrentes da mudança de pH e registrarem os resultados.
FONTE: adaptado de: <http://www.cesnors.ufsm.br/professores/adrisalamoni/Apostila%20
DE%20Fisiologia%20Vegetal%20T-P_Florestal.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2016.

b) Morfologia externa e interna de raízes

Coloque grãos de milho, ou de feijão, para germinar sobre algodão, papel


absorvente ou mesmo areia previamente embebidos em água. Oriente os alunos
a acompanhar e anotar as mudanças das sementes durante a germinação. A raiz
é o primeiro órgão a surgir. Peça aos alunos que a observem com uma lupa,
localizando (se possível) a coifa e a zona pilífera.

Se tiver condições de realizar observações microscópicas, espere que as


raízes atinjam alguns centímetros de comprimento e seccione-as transversalmente,
acerca de três centímetros da extremidade. Para obter secções finas, coloque a
raiz entre dois pedaços de isopor e faça as secções utilizando lâminas de barbear
(novas). Quanto mais finos os cortes, melhor será a qualidade da preparação e mais
fácil será a observação. Com um pincel macio e molhado, apanhe cuidadosamente
as secções e as coloque entre lâmina e lamínula com uma gota de água. Observe
ao microscópio, inicialmente em menor aumento, para ter uma visão geral.
Sugira aos estudantes que façam esboços, esquemas ou desenhos da secção de
raiz observada, antes de passar para um aumento maior. Peça aos estudantes que
identifiquem os principais tecidos.

FONTE: Amabis & Martho (2001, p. 101-102)

223
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

UNI

A epiderme é o tecido que reveste o órgão, portanto está localizado mais


externamente. Em seguida encontra-se o tecido de preenchimento, o tecido parenquimático,
numa região que denominamos de córtex (está entre a epiderme e o cilindro central). Não
esqueça que a camada mais interna do córtex é conhecida como endoderme, e ela pode
se apresentar de maneira característica (se precisar, volte e reveja a Unidade 2). Na região
mais central da raiz encontramos o cilindro central. Ele é constituído do periciclo, dos tecidos
vasculares (xilema e floema primários) e de medula, caso seja uma monocotiledônea (aqui,
sugerido o milho).

c) Identificando a zona de crescimento de raízes

Coloque grãos de milho, ou de feijão, para germinar sobre algodão ou


papel absorvente previamente umedecido. Espere até que as raízes atinjam cerca
de três centímetros de comprimento. Enxugue uma raiz com cuidado e meça-a
com uma régua. Marque divisões regulares na raiz (a cada 1 ou 2 mm, por
exemplo) desde a extremidade, com tinta nanquim ou com uma caneta usada para
escrever em transparências. Após a secagem da tinta, retorne as sementes para a
superfície úmida, onde elas devem permanecer para que as raízes continuem a
crescer. Oriente os alunos a observar com cautela o espaçamento entre as marcas
das raízes, nos dias seguintes à marcação.
FONTE: Amabis & Martho (2001, p. 102)

E
IMPORTANT

A região em que ocorreu o maior distanciamento entre as marcas de tinta


corresponde à zona de alongamento (ou de elongação) da raiz

d) Observando caules e folhas

Se possível, saia com os seus alunos para coletar ramos de plantas, e


peça a eles que identifiquem a gema apical do caule e as gemas axilares, estas
últimas localizadas acima dos pontos de inserção das folhas (axilas foliares). Se
for o caso, utilize as extremidades dos caules para obter secções transversais para
observação ao microscópio.

Oriente os alunos a identificar as partes das folhas: limbo, pecíolo, bainha


e estípulas. Mas lembre-se! Não são todas as folhas que possuem todas as partes

224
TÓPICO 4 | METODOLOGIAS PARA O ENSINO DE BOTÂNICA

acima citadas. Você pode aproveitar o material coletado e fazer secções transversais
de folhas para observação em microscópio. Neste caso, chame a atenção para o
parênquima clorofiliano da folha, com suas células ricas em cloroplastos.

Com o auxílio de uma pinça de ponta fina é possível destacar pedaços


de epiderme abaxial (inferior) de folhas para a observação de estômatos ao
microscópio. Dobre uma folha de modo a quebrá-la e destaque um pedaço de
epiderme com a pinça, colocando-o entre lâmina e lamínula com água. Observe
no microscópio e localize os estômatos. Observe a distribuição dos estômatos, a
forma das células estomáticas e comuns da epiderme.

FONTE: Adaptado de Amabis & Martho (2001, p. 102)

e) Classificação de folhas

Sugira aos alunos classificar algumas folhas de acordo com as características


mencionadas no Tópico 2.

Sugestão:
Folha de (nome vulgar): Ingá
Nome científico: Inga marginata
Família: Fabaceae
Características
1. Quanto à constituição (completa/incompleta): incompleta, falta bainha
Folha incompleta do tipo: peciolada
2. Estípulas (presentes/ausentes): presentes, porém caducas
3. Quanto à composição (simples/geminada/composta): composta
Folha composta do tipo: paripinada
4. Quanto ao limbo:
Forma: elíptica
Bordo: inteiramente livre
Base: obtusa
Ápice: acuminada
Consistência: herbácea
Superfície: pilosa
Nervação: peninérvia ou camtódroma
Cor: uniforme
5. Quanto ao pecíolo: presente
6. Quanto à filotaxia: alternada
7. Modificações foliares (presentes/ausentes): presentes
Tipos: ráquis alada, presença de nectários extraflorais

f) Recuperação da turgescência em ramos murchos

Precisaremos três ramos de Picão (Bidens pilosa) ou qualquer outra planta;


três béqueres enumerados de 1 a 3 e 750 ml de água. Primeiro, coloque 250 ml
de água no béquer 1 e insira neste um dos ramos. Em seguida, corte a base do

225
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

segundo ramo e coloque-o no béquer 2, contendo a mesma quantidade de água.


No terceiro béquer, insira o ramo e corte sua base dentro dos 250 ml de água. Dê
ao experimento um intervalo de uma hora.

Uma boa dica é aproveitar o momento para explicar sobre relações hídricas:
perda de água das plantas por transpiração, gutação, estômatos, recuperação de
turgescência etc.

Após o tempo estabelecido, peça aos seus alunos que esquematizem os


resultados e elaborem hipóteses sobre o que ocorreu em cada um dos três ramos.
FONTE: Disponível em: <http://www.educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/fisiologia-
vegetal-recuperacao-turgescencia-ramos-.htm>. Acesso em: 12 mar. 2016.

E
IMPORTANT

Você vai observar que os ramos recuperam, aos poucos, a turgescência, sendo
que o de número 3 se recupera mais rápido, seguido do 2 e 1.

g) Plasmólise e efeito de substâncias tóxicas sobre a permeabilidade das


membranas celulares

Quando se coloca uma célula vegetal numa solução, ela ganha ou perde
água, conforme seu potencial hídrico seja menor ou maior do que o potencial hídrico
da solução externa. Se o potencial hídrico da célula for maior (positivamente) do
que o da solução externa, a célula perderá água e o protoplasma, com o vacúolo,
vai se retraindo até separar-se da parede celular. Esse fenômeno é denominado
plasmólise e o inverso, desplasmólise. Ambos só ocorrem porque o protoplasma
é envolvido por uma membrana celular dotada de permeabilidade diferencial
(seletiva).

Essa permeabilidade mantém as duas fases – solução externa e solução


interna – separadas. A membrana celular deixa a água passar livremente, mas
impede, em maior ou menor grau, a passagem de solutos, e isso faz com que
as fases externa e interna se conservem individualizadas. É certo que o vacúolo
possui sua própria membrana também com características semipermeáveis, mas
em série com a membrana celular, e, assim, o protoplasma e o vacúolo funcionam
como um todo, em suas relações hídricas. Se as membranas plasmáticas, cuja
integridade física é essencial para a manutenção da permeabilidade, forem
danificadas por agentes químicos ou físicos, os solutos terão livre trânsito
e se distribuirão no meio aquoso (externo e interno) por difusão. As células e
organelas perderão, portanto, a capacidade de reter solutos contra o gradiente de

226
TÓPICO 4 | METODOLOGIAS PARA O ENSINO DE BOTÂNICA

concentração (potencial eletroquímico). A parede celular das células vegetais, por


outro lado, não oferece restrição à passagem de água e solutos (exceto moléculas
muito grandes). Como os microporos e microcapilares de sua estrutura estão
cheios de água, moléculas gasosas não a atravessam. No tecido que perde água
por evaporação (transpiração), as paredes celulares estarão sempre hidratadas,
já que o fluxo de água se dá do vacúolo para a parede celular. As células perdem
água, tendendo à retração, sem que o protoplasma se separe da parede celular.
Grandes tensões desenvolvem-se, assim, nas células, podendo levar à ruptura e
desorganização da estrutura protoplasmática e, consequentemente, à morte.

Vamos observar os processos de plasmólise e desplasmólise em células


de tecido foliar e verificar o efeito do álcool etílico sobre a permeabilidade das
membranas celulares.

Separe uma solução de sacarose a 0,25 M, álcool etílico, microscópio,


lâminas e lamínulas de vidro, lâmina de barbear, tiras de papel filtro, bastão de
vidro, pinça de ponta fina, folha de Tradescantia (conhecida popularmente por
zebrina) ou de outra espécie.

Com o auxílio de uma lâmina de barbear e uma pinça, remova alguns


fragmentos da epiderme inferior de uma folha de zebrina (de preferência sobre
a nervura principal) ou de outra folha conveniente. Coloque-os entre lâmina e
lamínula com uma gota de água destilada e observe ao microscópio. Seque a
água com papel-filtro e coloque a solução de sacarose 0,25 M. Observe como o
protoplasma se desloca da parede celular em consequência de sua diminuição
de volume, fenômeno que se chama plasmólise. Substitua a solução de açúcar
por água destilada. Se não houver mudança alguma, repita o procedimento
com células plasmolisadas recentemente. Depois de provocar plasmólise num
fragmento de epiderme de zebrina, segundo a técnica usada anteriormente,
trate-o com uma ou duas gotas de álcool. Observe o que acontece com o pigmento
vermelho do vacúolo.

Peça para seus alunos registrarem os resultados, concluindo por que o


pigmento não saiu das células quando houve plasmólise, e por que saiu quando
as células plasmolisadas foram tratadas com álcool.

FONTE: Disponível em: <http://www.cesnors.ufsm.br/professores/adrisalamoni/Apostila%20


DE%20Fisiologia%20Vegetal%20T-P_Florestal.pdf>. Acesso em: 13 mar. 2016.

h) Efeito da luz no crescimento de gemas de batata inglesa (Solanum tuberosum)

O objetivo desta prática é observar o efeito da luz no crescimento de gemas


a partir de tubérculos, no caso, o caule da batatinha inglesa.

Corte um tubérculo de batata em duas metades, com aproximadamente


o mesmo número de gemas e plante cada uma das metades em vasos com areia
úmida. Um dos vasos será mantido em luz natural e o outro permanecerá no
escuro. Após 21 dias, observe o aspecto das brotações.
227
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

Peça para seus alunos desenharem uma planta de cada tratamento,


registrarem os resultados e concluírem se o que foi observado é de origem
genética ou é efeito da luz.
FONTE: Disponível em: <http://www.cesnors.ufsm.br/professores/adrisalamoni/Apostila%20
DE%20Fisiologia%20Vegetal%20T-P_Florestal.pdf>. Acesso em: 13 mar. 2016.

i) Estudo dos processos de gutação e sudação em plantas

Separe algumas plantas jovens de milho, plantadas em vaso e bastante


irrigadas e cúpulas de vidro (ou béquer grande) (uma cúpula para cada planta).

Peça para que os alunos coloquem as cúpulas, cuidadosamente, sobre


as plantas. Aguardem por, no mínimo, uma hora. As gotículas nos bordos das
folhas das plantas – eliminação de água no estado líquido - refletem a sudação: a
transpiração foi cessada em razão do ambiente úmido e da presença da cúpula.
Tais fatores fizeram com que a água e sais minerais fossem liberados nos bordos
das folhas, pelos hidatódios.

Peça para seus alunos registrarem os resultados e concluírem o que vêm a


ser a gutação e a sudação, e em que condições atmosféricas esses fenômenos são
mais frequentes: durante o dia ou durante a noite.
FONTE: Disponível em: <http://www.educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/fisiologia-
vegetal-gutacao-sudacao.htm>. Acesso em: 13 mar. 2016.

j) Separação dos pigmentos de folhas

As folhas contêm dois tipos de clorofila (a e b) de cor verde, além de


carotenos e outros pigmentos de cor amarela. Esses pigmentos podem ser
separados por meio de um processo chamado cromatografia, facilmente realizado
em papel filtro ou mesmo em um bastão de giz branco.

Os pigmentos são extraídos macerando-se folhas (as de espinafre ou de


hera são muito boas para isso) em um pilão, com uma pequena quantidade de
álcool ou acetona. Filtre em seguida o macerado em um funil com um pouco de
algodão, ou em filtro de papel para café, para remover os detritos de folhas. Prepare
uma mistura de 92% de éter e 8% de acetona e coloque-a em um recipiente de
boca larga, de modo a formar apenas uma fina camada no fundo. Encoste a ponta
mais larga do bastão de giz na solução que contém os pigmentos, permitindo que
uma pequena quantidade seja absorvida pelo giz (até embeber cerca de 0,5 cm).
Em seguida, coloque o giz, com a extremidade mais larga voltada para baixo, em
pé no recipiente que contém, no fundo, a mistura de éter e acetona.
FONTE: Amabis & Martho (2001, p. 102-103)

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TÓPICO 4 | METODOLOGIAS PARA O ENSINO DE BOTÂNICA

ATENCAO

Lembre sempre aos alunos sobre os cuidados necessários para a manipulação


de álcool e, principalmente, de acetona e éter. Esses líquidos são voláteis, altamente
inflamáveis e seus vapores não devem ser inspirados. Trabalhe somente em ambientes bem
ventilados e não acenda fogo.

Se optar por trabalhar com papel-filtro, corte uma tira de cerca de 10 cm


de comprimento por 5 cm de largura e pingue uma das gotas do extrato de folha
a cerca de 1 cm da extremidade do papel. Corte uma garrafa de plástico incolor
(dessas pet usadas para água ou refrigerante) da mesma altura do comprimento
do papel. Coloque a mistura de éter e acetona na garrafa até uma altura de 0,5
cm. Faça um cilindro com papel e prenda-o com um clipe. Introduza o papel
na garrafa até que sua extremidade, perto da qual está a gota de pigmentos,
mergulhe na mistura de éter e acetona. Cubra a garrafa com um filme plástico.

À medida que a mistura de éter e acetona é absorvida e sobe pelo giz


ou pelo papel, ela arrasta os pigmentos. Estes se deslocam com velocidades
diferentes, de modo que logo podem ser notadas quatro faixas coloridas. A faixa
superior corresponde ao caroteno, que se desloca com maior velocidade. Mais
abaixo situa-se a faixa correspondente a pigmentos quimicamente semelhantes
ao caroteno. Mais abaixo ainda há duas faixas, que correspondem à clorofila a
(mais acima) e à clorofila b (mais abaixo).

k) Observando o gravitropismo (ou geotropismo)

Umedeça algodão e coloque em quatro caixas de plástico transparente


retangulares, do tipo usado para guardar CDs. Sobre o algodão de cada caixa
coloque quatro grãos de milho, um de cada lado da caixa, com as pontas voltadas
para o centro. A quantidade de algodão deve ser suficiente para que as sementes
permaneçam fixas quando a caixa for fechada e apoiada sobre um dos lados.
Feche as caixas e embrulhe-as em papel alumínio, para evitar a interferência da
luz sobre o crescimento das raízes. Ponha as caixas “em pé” sobre um dos lados.
Mantenha-as nessa posição até que as raízes atinjam cerca de três centímetros, e
os caules, cerca de um centímetro (isso deve ocorrer em três ou quatro dias). Note
que, independentemente da posição original dos grãos, as raízes crescem sempre
para baixo, e os caules, sempre para cima. Gire duas das caixas 90º, apoiando-as
agora sobre o lado adjacente; mantenha as outras caixas na posição original. Um
ou dois dias depois, observe a curvatura dos caules e raízes.

FONTE: Amabis & Martho (2001, p. 103)

229
UNIDADE 3 | A DIVERSIDADE E INTIMIDADE DAS PLANTAS VASCULARES COM SEMENTES

l) Observação do parênquima amilífero

Corte pedaços de batatinha inglesa, goiaba, banana e pera. Pingue uma


gota de lugol (solução à base de iodo) sobre cada material. Peça para os alunos
observarem o que aconteceu, registrarem os resultados e concluírem por que
surgiu uma coloração diferente (mais escura). Se você tiver um microscópio
disponível, faça finas secções destes vegetais, coloque-as entre lâmina e lamínula
com uma gota de lugol e observe, primeiro, em menor aumento e depois passe
para um aumento maior. Esquematize.

m) Observação de idioblastos com cristais em forma de ráfides

Faça finas secções tangenciais longitudinais no caule de maria-sem-


vergonha (Impatiens sp.). Coloque o material seccionado entre lâmina e lamínula
com um pouco de água e observe no microscópio. Tente achar idioblastos com
cristais em forma de ráfides (agulhas).

n) Observando os vasos transportadores da seiva

Colete um exemplar de maria-sem-vergonha (Impatiens sp.), corte a raiz e


mergulhe a extremidade do caule em um pequeno jarro ou garrafa transparente
onde previamente foi colocada uma solução de anilina ou azul de metileno. O
caule deve ser cortado sob a água para evitar que o ar penetre nos vasos lenhosos
(células do xilema).

Coloque o experimento em ambiente iluminado e ventilado, e espere a


subida da seiva pelos vasos lenhosos. O corante delimita os vasos condutores da
seiva bruta, que se tornam bem visíveis.

Para observar os vasos lenhosos e liberianos (do xilema e do floema,


respectivamente), corte o caule e elimine a raiz de um tomateiro (Lycopersicon
esculentum) ou de uma aboboreira (Cucurbita pepo). Use uma lupa para observar
o corte do talo próximo à raiz. A seguir, faça finíssimas secções transversais no
caule, coloque os fragmentos sobre uma lâmina, pingue uma gota d’água e cubra
com lamínula. Observe ao microscópio e esquematize.

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RESUMO DO TÓPICO 4

Neste tópico você viu que:

• O professor, em algum momento de sua vida profissional, questiona-se sobre


como trabalhar seu conteúdo programado em sala de aula.

• Organizar o ensino de Ciência ou Biologia, em especial o de Botânica, parece


uma atividade um pouco complexa para alguns professores, pois falta tempo e
sobra conteúdo.

• A utilização de determinadas metodologias de ensino como ferramenta


pedagógica é importante, pois sugere novas e variadas formas de ensino.

• Temos como principais funções das aulas práticas o despertar e a manutenção


do interesse dos alunos; envolver os estudantes em investigações científicas;
desenvolver a capacidade de resolver problemas; compreender conceitos
básicos e desenvolver habilidades.

• Os professores de Ciências e Biologia devem tentar integrar ao máximo seus


conteúdos com outras disciplinas.

• A escolha da modalidade didática dependerá do conteúdo programado, dos


objetivos deste conteúdo, do ano e da turma a que se destina, do tempo e dos
recursos que a escola disponibiliza.

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AUTOATIVIDADE

Agora é a sua vez!

1 Sugira atividades práticas sobre os temas abordados neste livro. Procure


textos e/ou vídeos que possam introduzir o assunto ou ajudar nas explicações
dos resultados. Lembre-se de propor atividades diferenciadas e dinâmicas!

232
REFERÊNCIAS
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ANOTAÇÕES

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