Você está na página 1de 50

UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DA SAÚDE


DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA

DA FORMAÇÃO À PRÁTICA DO PROFISSIONAL PSICÓLOGO CLÍNICO: UM


ESTUDO A PARTIR DA VISÃO DOS PROFISSIONAIS PSICÓLOGOS CLÍNICOS
FORMADOS NO ISCISA, 2014

JOAQUIM RAÚL GANGA

LUANDA, 2019
DA FORMAÇÃO À PRÁTICA DO PROFISSIONAL PSICÓLOGO CLÍNICO: Um
estudo a partir da visão dos profissionais Psicólogos Clínicos formados no ISCISA, 2014.

Joaquim Raúl Ganga

Trabalho de Fim do Curso de Licenciatura apresentado ao


Instituto Superior de Ciências da Saúde da Universidade
Agostinho Neto para a obtenção do título de Licenciado em
Psicologia Clínica.

Orientadora: Laurinda Magalhães Carlos


Sebastião Máquina Mendes (PhD).

Luanda, 2019
Autorizo exclusivamente para fins académicos e científicos, a reprodução total ou parcial deste
trabalho, desde que seja citada a fonte.

Assinatura:
Luanda, aos _____ / _____/ ________

FICHA CATALOGRÁFICA

Ganga, Joaquim

DA FORMAÇÃO À PRÁTICA DO PROFISSIONAL PSICÓLOGO


CLÍNICO: um estudo a partir da visão dos profissionais Psicólogos Clínicos
formados no ISCISA, 2014 – Luanda. J. Ganga, 2019.

48p.

Trabalho de fim do curso - Licenciado em Psicologia Clínica - Instituto


Superior de Ciências da Saúde da Universidade Agostinho Neto.

Palavras-chave: I. Formação, II. Prática Profissional, III. Psicologia.


TERMO DE APROVAÇÃO

Joaquim Raúl Ganga

Da Formação à Prática do Profissional Psicólogo Clínico: um estudo a partir da visão dos


profissionais Psicólogos Clínicos formados no ISCISA, 2014.

Trabalho de Fim do Curso de Licenciatura apresentado ao


Instituto Superior de Ciências da Saúde da Universidade
Agostinho Neto para a obtenção do título de Licenciado em
Psicologia Clínica.

Aprovado em: 27 / 02 / 2019

BANCA EXAMINADORA

Manuel Simão (PhD)

Julgamento __________________________ Assinatura _________________________

Msc. Guilherme Zacarias

Julgamento __________________________ Assinatura _________________________

Laurinda Magalhães Carlos Sebastião Máquina Mendes (PhD)

Julgamento __________________________ Assinatura _________________________


Aos meus Pais, Laurinda Faria e Raul Nganga,
minha Esposa Jacira António, meus filhos
Lauriane António Ganga e Raúl António
Ganga (Láurio), irmãos Teresa Ganga (Zinha),
Madalena Raúl Ganga (Madó), Madalena
Faria Ganga (Cátia), Serafim Ganga,
Francisco Ganga, Faustina Faria, todos
Familiares e Amigos.
AGRADECIMENTOS

Desde pequeno aprendi que em tudo dai graças a Deus, por este motivo agradecemos a
Deus todo-poderoso, criador do Ceu e da Terra, pela dádiva da vida, pela família, por ter
acompanhado a nossa vida académica e pela capacidade de reflexão e compreensão.

A minha família, por ser meu apoio, porque sem ela nada seria possível. Especialmente
meus pais, Raúl Nganga e Laurinda Faria, meus filhos Lauriane e Láureo, minha esposa Jacira
António, irmãos (Zinha, Madó, Catia, Serafim, Francisco, e Faustina), pelo encorajamento e
apoio.

Aos meus colegas que serviram de suporte nos momentos difíceis e complicados da
nossa formação, meu muito obrigado, sobretudo pelos estudos em conferência durante as
madrugadas (Vigília Académica), onde cada um procurava explicar o que entendeu durante as
aulas.

Aos brilhantes Docentes do ISCISA, pelo apoio e paciência demostrado no percurso das
aulas, sobretudo a Digníssima Prof. Dra. Laurinda Magalhães Carlos Sebastião Máquina
Mendes (minha Orientadora), pelo apoio e ensinamento empenhado na elaboração deste estudo,
porque todos os encontros foram repletos de aprendizado que levarei para vida toda.

Outro meu muito obrigado é estendido aos colegas finalistas do Curso de Psicologia
Clinica, ano de 2014 do ISCISA, que aceitaram participar e de forma direita fazeram parte deste
estudo, contribuindo com as suas opiniões.
EPIGRAFE

“Escolha uma ideia. Faça dessa ideia a sua vida. Pense nela, sonhe com ela, viva pensando
nela. Deixe cérebro, músculos, nervos, todas as partes do seu corpo serem preenchidas com
essa ideia. Esse é o caminho para o sucesso”.

Swami Vivekananda
RESUMO
Ganga, J. Da Formação à Prática do Profissional Psicólogo Clínico: Um estudo a partir da visão dos
profissionais Psicólogos Clínicos formados no ISCISA, 2014. //Licenciatura// Instituto Superior de
Ciências da Saúde da Universidade Agostinho Neto, Luanda, 2019.

Para Psicologia e outras áreas, a formação pode ser considerada como elemento chave para consolidação
da profissão, onde factores ligado a qualidade e capacidade do corpo Docente em passar os
conhecimentos, juntamente o Ambiente Universitário, Empenho do formando e Grelha Curricular são
considerados elementos chaves para qualificação da formação e posteriormente a profissionalização.
Neste intuito, o presente trabalho pretende compreender as dificuldades dos formados em Psicologia
Clínica no ano 2014 no ISCISA, em trabalharem na sua área de conhecimento ou estarem no
desemprego, sobretudo a identificação dos aspectos positivos em sua formação, as principais lacunas,
aspectos importantes para a actuação que não foram contempladas pela formação e descrição dos
factores que levam os formados na área de Psicologia Clínica enveredarem para outras áreas. Fizeram
parte da pesquisa 11 formados em Psicóloga Clínica. Trata-se de um estudo descritivo com abordagem
qualitativa, porque esta permite compreender o Universo dos significados, das motivações, aspirações,
crenças, valores e actividades correspondentes ao espaço mas profundo das reações, dos processos e dos
fenómenos, que podem ser apreendidos através do cotidiano, da vivência e da explicação do senso
comum das pessoas que vivenciam determinadas situações. Os dados foram obtidos através do
questionário devidamente estruturado, composto por 6 perguntas, as mesmas foram analisadas e
apoiadas na teoria de análise de Bardin. Os resultados indicaram quando analisado a Formação à Prática
do Profissional Psicólogo Clínico, a partir da visão destes formados, a sua formação é qualificada como
boa, apesar da sua grelha Curricular não estar adequada as necessidades actuais e por terem pouco tempo
de prática no Estágio Curricular com uma carga horaria inferior a 120h no total, enquanto o estabelecido
pela estrutura do Curso de Licenciatura em Psicologia Clínica é 240h. Os entrevistados consideraram
que a sua formação não foi suficiente para o que fazem hoje no campo profissional. Avaliam o Estágio
Curricular como uma disciplina ou actividade indispensável à prática profissional de um Psicólogo
Clínico, para eles a formação não deixou de abordar alguns aspectos indispensáveis para prática diária
de um Psicólogo Clínico, sugerem a criação de um consultório de Psicologia para facilitar o primeiro
contacto da profissionalização do estudante. Conclui-se que vários são os que ainda se encontram a
trabalhar fora da sua área do conhecimento, com exceção de dois formados, todos trabalham como
professores e não como Psicólogos Clínicos, durante o estudo não verificamos nenhum desempregado,
eles trabalhavam em outras áreas profissionais, devido a falta de oportunidade para trabalharem na sua
área e após a sua formação receberam propostas para trabalhar como professor.

Palavras-chaves: I. Formação, II. Prática Profissional, III. Psicologia.


ABSTRACT

Ganga, J. From the Training to the Practice of the Professional Clinical Psychologist: A study from the
perspective of professionals Clinical Psychologists trained at ISCISA, 2014. // Licenciatura // Higher
Institute of Health Sciences of Agostinho Neto University, Luanda, 2019.

For Psychology and other areas, training can be considered as a key element for the consolidation of the
profession, where factors linked to the quality and capacity of the teaching staff in passing the
knowledge, together the University Environment, Trainee Engagement and Curriculum Grid are
considered key elements for qualification of the training and later the professionalization. In this sense,
the present work intends to understand the difficulties of those trained in Clinical Psychology in ISCISA
in 2014, to work in their area of knowledge or to be unemployed, especially the identification of positive
aspects in their training, the main gaps, the performance that were not contemplated by the training and
description of the factors that lead the graduates in the area of Clinical Psychology to move to other
areas. They were part of the research 11 graduated in Clinical Psychologist. It is a descriptive study with
a qualitative approach, because it allows us to understand the Universe of meanings, motivations,
aspirations, beliefs, values and activities corresponding to the deepest space of reactions, processes and
phenomena, which can be apprehended through everyday life, of the experience and the explanation of
the common sense of the people who experience certain situations. The data were obtained through the
questionnaire De Resende (2014), duly structured, composed of 6 questions, which were analyzed and
supported in the analysis theory of Bardin. The results indicated when analyzing the Professional
Practitioner Psychologist Training, from the perspective of those trained, their training qualifies as good,
although their curriculum grid is not adequate to the current needs and because they have little time of
practice in the Curricular Internship with a workload of less than 120 hours in total, while the structure
of the Licentiate Course in Clinical Psychology is 240 hours. The interviewees considered that their
training was not sufficient for what they do today in the professional field. Evaluate the Curricular
Internship as a discipline or activity indispensable to the professional practice of a Clinical Psychologist,
for them the training did not fail to address some aspects indispensable for daily practice of a Clinical
Psychologist, suggest the creation of a Psychology office to facilitate the first contact the
professionalization of the student. It is concluded that several are still working outside their field of
knowledge, except for two trained, all work as teachers and not as Clinical Psychologist, during the
study did not check any unemployed, they worked in other professional areas , due to lack of opportunity
to work in their area and after their training received proposals to work as a teacher.

Key words: I. Training, II. Professional Practice, III. Psychology.


LISTA DE TABELAS

Tabelas Descrição Páginas

Tabela 4.1 Categoria 1 - Avaliação da formação…………………………… 30

Tabela 4.2 Categoria 2 - Adequação da Grelha Curricular as necessidades


da Sociedade actual……………………………………………... 32

Tabela 4.3 Categoria 3 - Avaliação da Suficiência da Formação…………… 33

Tabela 4.4 Categoria 4 - Avaliação das Disciplinas ou Actividades


indispensáveis á prática profissional de um Psicólogo Clínico….. 35

Tabela 4.5 Categoria 5 - A formação deixou de abordar alguns aspectos


necessário a prática de um psicólogo………………………....... 36

Tabela 4.6 Categoria 6 - Sugestão visando adequação do Curso de


Psicologia Clínica à prática profissional………………………... 37
SUMÁRIO

DEDICATÓRIA
AGRADECIMENTOS
EPÍGRAFE
RESUMO
ABSTRACT
LISTA DE TABELAS
INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 14

CAPÍTULO I - PROBLEMA ................................................................................................ 16

1.1 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA ........................................................ 16

1.2 JUSTIFICAÇÃO DO TEMA ............................................................................................. 16

1.2.1 Breve Historial Sobre a Instituição (ISCISA) ................................................................. 16

1.3 OBJECTIVOS .................................................................................................................... 18

1.3.1 OBJECTIVO GERAL ..................................................................................................... 18

1.3.2 OBJECTIVOS ESPECÍFICOS ....................................................................................... 18

CAPÍTULO II - ENQUADRAMENTO TEÓRICO ........................................................... 19

2.1 VIDA UNIVERSITÁRIA .................................................................................................. 19

2.2 INTEGRAÇÃO ACADÉMICA ......................................................................................... 20

2.2.1 Desempenho académico .................................................................................................. 20

2.2.2 Condições de saúde Física e Psicológica (Somatopsíquica) ........................................... 21

2.2.3 Ambiente Universitário ................................................................................................... 21

2.3 FORMAÇÃO PROFISSIONAL ........................................................................................ 22

2.3.1 Perfil e Competências de formação ................................................................................. 22

2.3.2 Instituições de Afectação ................................................................................................. 23

2.3.3 Estrutura e Duração do Ciclo de Formação ..................................................................... 24

2.3.4 Formação ......................................................................................................................... 24


2.3.5 Formação Profissional em Psicologia ............................................................................. 25

2.3.6 Surgimento da Psicologia em Angola ............................................................................. 26

2.3.7 A profissionalização da Psicologia em Angola ............................................................... 26

CAPITULO III - METODOLOGIA .................................................................................... 28

3.1. TIPO DE ESTUDO ........................................................................................................... 28

3.2 LOCAL DE ESTUDO ........................................................................................................ 28

3.3 POPULAÇÃO DE ESTUDO ............................................................................................. 28

3.4 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO ............................................................................................ 28

3.5 VARIÁVEIS SOCIODEMOGRÁFICAS .......................................................................... 28

3.6 PROCEDIMENTOS........................................................................................................... 29

3.7 INSTRUMENTOS E TÉCNICAS PARA RECOLHA DE DADOS ................................. 29

CAPÍTULO IV – RESULTADOS E DISCUÇÕES ............................................................ 30

CONCLUSÕES....................................................................................................................... 39

RECOMENDAÇÕES............................................................................................................. 40

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 41

ANEXOS ................................................................................................................................. 43

APÊNDICES ........................................................................................................................... 50
14

INTRODUÇÃO

A Psicologia como Ciência é uma área do saber que se encontra em franco


desenvolvimento, pelo facto da mesma ser emancipada a Ciência na segunda metade do século
XIX, propriamente em 1867 com a criação do primeiro laboratório de Psicologia Experimental
do mundo pelo Wilhelm Wundt na cidade de Leipzig. Em forma de continuidade, Watson deu
um grande contributo ao aperfeiçoar as condições de experimentação ao ponto de poder prever
e controlar a conduta do ser humano em 1879, a partir deste momento a Psicologia passou então
a ser chamada como Ciência do comportamento ou saúde mental independente, com a mesma
velocidade se distanciava da filosofia, mas para o desenvolvimento da referida ciência valeu os
esforços e contributos de muitos outros filósofos estudiosos antigos como Descartes,
Malbrache, Leibniz e Locke que se encarregaram de desenvolver os estudos sobre os processos
psíquicos que ocorriam na mente humana (MALVEZZI, 2010).

A Psicologia é a Ciência que estuda o caracter, o temperamento, a vontade, a


inteligência, as suas causas e meios, a natureza e suas manifestações. Para o exercício da mesma
os Psicólogos devem estar inscritos na Ordem dos Psicólogos. A criação de Ordem serve para
orientar e criar procedimentos legais de regência de determinadas profissões, países como
Portugal e Brasil que exercem uma grande influência em Angola devido os factores históricos,
linguísticos e laços culturais, tiveram a emancipação das suas Ordem dos Psicólogos no
intervalo de 1962 à 2008, a Ordem dos Psicólogos brasileiro foi possível através da aprovação
da lei nº 4.119/62, que regulamentou a profissão de Psicólogo (CARVALHO & SAMPAIO,
1997), enquanto a realidade Portuguesa, foi possível com a aprovação da lei 57/2008, de 4 de
Setembro na qual a aprovava os seus estatutos que serviram como referência na regulamentação
da profissão. Segundo Ribeiro e Leal (1996) antes desta data muitos formados em Portugal já
exerciam a actividade de Psicólogo Clínico de forma legal, com base no decreto-lei 241/94 de
22 de Setembro que institucionalizava a sua profissionalização. A profissionalização da
Psicologia em Angola ainda se encontra em curso, aguardando a legalização da Ordem dos
Psicólogos, condicionando assim o bom desenvolvimento da profissionalização da Psicologia
em Angola, mas conforme a realidade portuguesa, em Angola já existe muitos Psicólogos
trabalhando nestas funções dentro das diferentes unidades hospitalares (FRANCISCO, 2015).
Depois de formado se espera que o mesmo esteja preparado técnica e teoricamente para exercer
a função pelo qual se formou com zelo e profissionalismo (FIGUEREDO & CORDEIRO,
2013). Muitos são os formados nas diversas áreas da Psicologia, que acabam trabalhando em
15

outras áreas profissionais após a conclusão da sua formação académica, de forma vaga alguns
se limitam em justificar com a falta de oportunidades no mercado de trabalho face ao provável
número elevado de formados em diferentes áreas da Psicologia e mergulhados no mundo do
desemprego, enquanto outros justificam com o facto de terem recebido outras oportunidades
aliciantes em áreas profissionais diferentes da Psicologia Clínica (FRANCISCO, 2015). Com a
elaboração deste trabalho se pretende saber e entender de que maneira os Ex-estudantes de
Psicologia do Instituto Superior de Ciências da Saúde (ISCISA) formados em 2014, avaliam a
sua formação e identificam as principais lacunas encontradas no percurso da sua formação, de
modo a compreender na vertente destes os aspectos que seriam importantes ser apreendido no
percurso da sua formação e que infelizmente na altura não os foi oferecido, como também
entender o nível de empregabilidade dos mesmos e os factores que estejam na base.
16

CAPÍTULO I - PROBLEMA

1.1 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA


O que leva muitos formados em Psicologia Clínica trabalharem em outras áreas e outros
no desemprego?

1.2 JUSTIFICAÇÃO DO TEMA

Depois de concluída a formação, os formados esperam ser inseridos no mercado de


trabalho, exercendo a função pela qual se formou durante um determinado tempo
(FIGUEREDO & CORDEIRO, 2013). Caso este, que nem sempre acontece segundo Francisco,
(2015), porque cerca de 54% dos Psicólogos que fizeram parte do seu estudo realizado em
Angola, no período de Janeiro a Agosto de 2012 não trabalhavam na sua área de formação,
alguns se encontravam desempregados ou simplesmente afastados da função de Psicólogo.
Como finalista do Curso de Psicologia Clínica do ISCISA, estamos preocupados com esta
problemática e os factores que possam estar na base deste elevado afastamento do papel
profissional de um Psicólogo. Deste modo achamos pertinente fazer uma análise a volta da
formação e da prática profissional segundo a perspetiva dos formados no Curso de Psicologia
Clínica do ISCISA, 2014.

1.2.1 Breve Historial Sobre a Instituição (ISCISA)

O ISCISA é uma instituição de ensino superior que faz parte do grupo de unidades
orgânicas que compõe a Universidade Agostinho Neto (UAN), anteriormente o ISCISA era
denominado Instituto Superior de Enfermagem (ISE), segundo a página de informação
institucional da UAN (UAN, 2010).

ISE foi criado ao abrigo do Decreto número 5 do Conselho de Ministros da República


Popular de Angola, e publicado no Diário da República I, Série n.º 5, em 20 de Janeiro de 1990,
Insere-se no Subsistema de Ensino Superior de Educação e Ensino da República de Angola, no
período de 1989 a 2001 coube ao Ministério da Saúde (MINSA), a responsabilidade de garantir
os recursos humanos, materiais e financeiros indispensáveis ao normal funcionamento dos
programas de formação da instituição (UAN, 2010). Segundo a mesma fonte, desde Setembro
de 2001 a UAN passou a responsabilizar-se pela gestão administrativa e académico – científica
17

deste Instituto; sendo ministrado no ISE na altura apenas o curso de Licenciatura em


Enfermagem, mas em 2009 aos acordos de redimensionamento do subsistema de ensino
superior, o ISE evoluiu para Instituto Superior de Ciências da Saúde (ISCISA) à luz do Decreto
7/09 de 12 de Maio do Conselho de Ministros, facilitando assim a aceitação e inclusão de outros
cursos, de modo que no ano lectivo 2011 arrancou o curso de Farmácia e foram incorporados
os cursos de Psicologia Clínica e Escolar que funcionavam na extinta faculdade de letras e
Ciências Sociais.
18

1.3 OBJECTIVOS

1.3.1 OBJECTIVO GERAL


Compreender as dificuldades dos formados em Psicologia Clínica (2014) no ISCISA,
em trabalharem na sua área de conhecimento, ou estarem no desemprego.

1.3.2 OBJECTIVOS ESPECÍFICOS

- Identificar os aspectos positivos em sua formação;


- Identificar quais as principais lacunas da formação;
- Identificar aspectos importantes para a actuação não contemplados pela formação;
- Descrever os factores que levam os formados na área de Psicologia Clínica enveredarem
para outras áreas, ou mesmo estarem no desemprego.
19

CAPÍTULO II - ENQUADRAMENTO TEÓRICO

2.1 VIDA UNIVERSITÁRIA


A vida universitária tem início no momento em que o formando ou estudante matricula-
se e inicia as aulas numa determinada Universidade, Faculdade ou Instituto Superior e termina
com a conclusão da formação que por norma pode levar 4 ou 5 anos, e dependendo dos seus
objectivos e motivações pessoais os estudantes podem sair motivados com vontade de dar o seu
contributo, com a intenção de tentar mudar o mundo, ou também podem sair frustrados,
decepcionados com as dificuldades e barreiras encontradas no percurso da sua formação
(VENDRAMINI et al., 2004).

Segundo o mesmo autor, as dificuldades durante o percurso da formação começam


desde a incompatibilidade da escolha do referido curso que como consequência pode originar
o fraco desempenho e até uma provável reprovação, de um modo geral as experiências
universitárias acabam criando marcas que o estudante levará para vida toda, porque se as
experiências forem boas os formados acabam por se destacar na referida área de formação,
acabando por incentivar outros colegas na concretização das mesmas metas, por outro lado caso
o formado acarretar decepções no percurso da sua formação o mesmo acaba desenvolvendo
frustração ou insatisfação académica.

Para Universia (2013), para que o formando adquira satisfacção académica ou sucesso
é necessário que o mesmo leve em conta alguns pontos como ir as aulas de modo a fazer
apontamento e possíveis avaliações, se envolver com outros colegas de modo a conhecer outras
pessoas e aprender com a experiencia delas, fazer amizade com colegas de classe superior para
ter ajuda de quem já falou sobre os temas que esteja estudando, solicite apontamento deles,
mantenha contacto com os seus familiar, ser cuidadoso, saber priorizar as tarefas e aprender
mais sobre ele próprio e sua formação.

Para Vendramini et al., (2004), O modo que os estudantes vivenciam a sua formação é
dependente de várias dimensões, dentre as quais se encontra à Formação académica anterior,
Relacionamento interpessoal, Envolvimento com atividades universitárias, Escolha do curso,
Desempenho acadêmico, Habilidade para estudo, Condições externas, Condições de saúde
física e psicológica, Ambiente universitário e porque estando numa universidade é conveniente
que os estudantes lidem da melhor forma uns com os outros, criando grupos de suporte de modo
a passarem as dificuldades universitárias juntas e criando assim investimentos de caracter
20

interpessoal desde os estudantes, docentes até os administrativo da referida instituição


desenvolvendo amizade, cooperação e integração académica.

2.2 INTEGRAÇÃO ACADÉMICA

Os estudantes e docentes que constituem as turmas de aula das Universidades são


provenientes de várias sociedades de onde trazem hábitos, costumes e culturas diferentes umas
das outras, por este motivo é necessário que os estudantes passem por este processo de
cultivarem o hábito de socialização e integração (VENDRAMINI et al., 2004).

Para Dos Santos, et al., (2013), a integração refere-se ao grau em que o estudante
compartilha atitudes, normas e valores com os colegas, o Curso pretendido, o corpo Docente e
outros funcionários da instituição, ressalvando que a maior probabilidade de insucesso aumenta
quando o processo de integração não ocorre, especialmente no primeiro ano do curso em que
ocorre a adaptação, pois o sucesso nessa etapa inicial é um elemento forte na persistência e
qualidade do percurso acadêmico desses formandos de nível superior.

Vendramini et al., (2004), afirmam que o ensino superior é um nível que exige mais
empenho, tempo, vontade e dedicação se comparado com outros anteriores, é necessário que os
estudantes desenvolvam hábitos de fazer parte das actividades universitárias de caracter não
obrigatório onde se destacam a troca de experiência académica, desportiva, actividades sociais
adquirida e partilhada durante o percurso da formação, criando assim um determinado nível de
comprometimento com a universidade, entre os estudantes e sua vida académica.

2.2.1 Desempenho académico


O sucesso, ou desempenho acadêmico ultrapassa a limitada noção de rendimento
escolar, porque ela está diretamente relacionada com o envolvimento do aluno à instituição,
bem como a decisão de nela permanecer ou de desistir, porque a satisfação pode mudar ao longo
de sua trajetória devido a experiência educacional vivenciada ou pelas próprias características
do indivíduo, de modo que a satisfação se mostra associada à integração ao ensino superior por
interferir no envolvimento do estudante com a instituição, com o curso e na sua decisão de
permanência (DOS SANTOS et al., 2013).
21

O desempenho académico depende de vários factores e cofactores, que podem ser desde
as condições de luminosidade, ventilação e de uma forma geral acomodação na sala de aula e
metodologia ou habilidade da parte dos Docentes, ao passarem os conhecimentos aos estudantes
durante as aulas, as metas pessoais estabelecidas pelos estudantes também acabam
influenciando muito nos resultados adquiridos nas avaliações feitas no percurso da formação,
de modo que se tiver bons resultados nas avaliações o mesmo estudante poderá passar de classe,
conquistando assim o prestígio e valorização por parte dos seus colegas e docentes, enquanto
se o resultado não for como esperado, o mesmo chega a desenvolver stress elevadas, perigando
assim a sua saúde (VENDRAMINI et al., 2004).

2.2.2 Condições de saúde Física e Psicológica (Somatopsíquica)

Segundo Da Cunha, M.; Almeida, (1992), o Stress é um estado de tensão e resistência


apresentada por uma pessoa quando submetida a uma determinada força ou factor externo,
também conhecidos como estressores, acaba sendo uma necessidade fundamental do organismo
para sua adaptação, mas por outro lado também acaba sendo uma das barreiras na manifestação
do verdadeiro nível de conhecimento e aprendizado por parte dos estudantes.

Para que o estudante consiga ter um bom desempenho e aproveitamento académico e


posteriormente profissional é indispensável que o mesmo tenha boa saúde física e mental de
modo a poder ter um bom estado de concentração que possibilite uma boa disposição para o
aprendizado (VENDRAMINI et al., 2004).

2.2.3 Ambiente Universitário

De acordo com Vendramini et al., (2004), é um conjunto de elementos que devem


contribuir para o bom desempenho da parte dos estudantes e sobre tudo a relação entre os
estudantes, Docentes e todos outros funcionários de sectores que funcionam dentro da referida
instituição universitária onde devem ser destacadas os Recursos Humanos e materiais,
estruturais, oportunidades, normas internas, comunidade académica, grelha curricular, serviços
gerais e complementares, programas e eventos da instituição, bem como a adaptação e
compromisso do aluno com a sua formação.
22

2.3 FORMAÇÃO PROFISSIONAL


2.3.1 Perfil e Competências de formação
Segundo o Curriculum de formação em Psicologia Clínica do ISCISA 2016, o Psicólogo deve
apresentar o seguinte Perfil e Competências de formação para que exerça a função conforme o esperado:

a) Perfil Profissional
O licenciado em Psicologia Clínica deverá:

 Ter sempre presente que a complexidade da experiência psicológica é tal que a constante
actualização, reciclagem e estudo devem acompanhá-lo ao longo da sua carreia.
 Ter presente que dispondo desta aptidão técnica tem uma responsabilidade social acrescida e
uma deontologia própria que deverá por em prática de forma a dignificar e a corresponder com
aquilo que dele se espera.
 Aprofundar o autoconhecimento e desenvolver características da sua personalidade que lhe
permitam desempenhar com eficácia a sua profissão, nomeadamente a Empatia, a Emotividade,
a Tranquilidade e a serenidade que a mesma implica.
 Caso trabalhe na área da saúde, ser sensível à solicitação e pedidos de ajuda que, directa ou
indirectamente, sejam demandados. Neste caso deverá actuar como um profissional qualificado
na relação de ajuda, podendo inspirar-se em códigos universitários (como o juramento
hipocrático) ou regionais no quadro ético da profissão.
 Ter sempre o discernimento para não deixar que eventuais problemáticas pessoais interfiram
negativamente com os utentes a que dá resposta, devendo, nessa eventualidade e enquanto se
justificar, abster-se do exercício da mesma.
 Zelar pela sua profissão recebendo com justeza honorária relativos à sua actividade.

b) Competências
Conhecer:

 Bases do desenvolvimento humano, considerando os níveis fisiológicos e psicológico.


 Neuroanatomia, Neurofisiologia e Psicofisiologia.
 Principais correntes e escolas de Psicologia, com destaque para a Psicanálise, Behaviorismo,
Teoria Sistémica, Teorias Humanistas, Teorias Cognitivas.
 Lógica e Epistemologia da Ciência.
 Noções de Psicofarmacologia e fundamentos das prescrições psiquiátricas.
 Vários âmbitos da Psicologia, como Psicologia Social, Psicologia Cognitiva, Psicologia do
Desenvolvimento.
 E saber definir constructos como Inteligência, Personalidade, Criatividade.
23

 E saber Metodologia, plastificação e execução de trabalhos científicos.


 E saber utilizar Estatística Descritiva e Indutiva e aplicá-las à investigação em Psicologia.
 Formas de avaliação psicológica a nível Cognitivo e da Personalidade, incluindo os
instrumentos (testes, questionários, guiões de entrevistas) e técnicas relacionadas (entrevista,
observação).
 Bases de diagnóstico prognóstico da Psicopatologia em função dos principais manuais de
classificação (DSM IV TR e ICD 11).
 Construir, selecionar, aplicar instrumentos de avaliação das funções e propriedades da
personalidade em várias fases de desenvolvimento.
 Conduzir entrevistas clínicas e elaborar anamneses.
 Bases éticas e deontológico da Psicologia conforme tendência das principais associações e
federações internacionais.
 E saber por em prática características indicadas para a relação psicológica e a forma como
alcança-las.

2.3.2 Instituições de Afectação


Segundo a mesma fonte, os licenciados em Psicologia poderão exercer a sua actividade
em instituições como as seguintes:

 Instituições de Saúde Mental (Hospital Psiquiátrico).


 Instituições de Saúde Geral (Hospitais Gerais, Maternidades, Centros de Reabilitação
Clínica).
 Centros Educativos (Creches).
 Centros Geriátricos (Lares).
 Serviços de Apoio Psicológico.
 Consultório de Psicologia.
 Estabelecimento de Ensino Superior.
 Estabelecimentos de Ensino Básico e Médico (Contexto de lecionação e/ou apoio
psicológico).
 Instituições de Segurança Social.
 Instituições de promoção da qualidade de vida.
 Serviços Prisionais e de Reinserção Social.
24

2.3.3 Estrutura e Duração do Ciclo de Formação


A estrutura do Curso de Licenciatura em Psicologia (Área Clínica) assenta em: 44 Cadeiras
teórico-práticas entre 1º e o 8º Semestres, 1 Estágio, 1 Seminário de Estágio, 1 Seminário de Trabalho
de Fim de Curso e 1 Trabalho de Fim de Curso. Todas as cadeiras são semestrais e com uma carga
horária de 60h. Os Seminários são anuais. A cada 15 horas de lecionação corresponde a uma Unidade
de Crédito (UC). Exceptuam-se as UC atribuídas ao Trabalho de Fim de Curso pois, não havendo
lecionação directa, considera-se um trabalho individual do aluno de 10 horas semanais ao longo de 30
semanas (300 horas de trabalho individual), Idem.

 Cada Semestre, do 1º ao 6º, tem uma carga de 420h cada (840 total).
 O 7º, 8º Semestres têm uma carga de 540h de contacto e 300h de trabalho individual (Estas não são
contabilizadas no total de horas ministradas na licenciatura).
 O Estágio é anual e realizado durante o 7º e 8º semestres, com uma carga horária de 120h por
semestre (240 total).
 O Seminário de Estágio é anual e realizado no 7º e 8º semestres, com uma carga horária de 60h por
Semestre (120h total).
 O Seminário de Trabalho de Fim de Curso é anual e realizado durante o 7º e 8º semestres, com carga
horária de 30h por Semestre (60h total).
 Ao Trabalho de Fim de Curso a realizar no 7º e 8º semestres são atribuídos 10 UC por Semestre (20
total), correspondentes à sua conclusão e cálculo de 300h de trabalho individual do aluno (10h por
Semana).
 Apresenta as seguintes áreas científicas: Psicologia (PSIC), Ciências Sociais (CS), Biologia (BIO),
Estatística (EST), Metodologia (MET) e Línguas (LING).
 Assim o Curso de Licenciatura em Psicologia desenvolve-se ao longo de 8 Semestres e possui uma
carga horária total de 3360h correspondentes a 224 Unidades de Crédito.

2.3.4 Formação
Para que tenhamos pessoas qualificadas em suas áreas profissionais é necessário que
antes de exercer a actividade profissional se tenha uma formação, orientação ou capacitação da
área em que se pretende trabalhar de modo a saber ou aperfeiçoar as suas capacidades como
também as suas limitações de exercer as futuras actividades com maior índice de
profissionalismo durante a prática, porque ao longo da vida por meio de formação e educação
as pessoas acabam alterando a sua personalidade e forma de encarar a vida profissional
mediante as necessidades e exigências existente na realização das suas actividades
(LOURENÇO, 2015).
25

Segundo o mesmo autor, a formação profissional pode ser de tipo Inicial ou Continuo,
onde a formação profissional inicial é direcionada as pessoas que tenham pouca ou nenhuma
experiencia e conhecimento profissional da referida área de trabalho, necessitando assim de
bases e conhecimentos para realização da referida actividade profissional, enquanto a formação
profissional contínua é aplicada à pessoas que já têm alguma experiência profissional e buscam
estas formações de modo a ampliar a sua grelha de conhecimento, aperfeiçoando sua forma de
intervenção, e deste modo, acaba ampliando suas oportunidade no que tange o crescimento das
oportunidades profissionais, do mesmo jeito que ocorrem também as reconversões
profissionais.

2.3.5 Formação Profissional em Psicologia

Em 1919 a Psicologia surgiu devidamente institucionalizada como profissão mediante


a Primeira Guerra Mundial, criando assim as primeiras oportunidades profissionais em grande
escala para os Psicólogos e posteriormente mediante a Segunda Guerra Mundial, onde os
Psicólogos exerciam as suas práticas nas áreas como seleção de pessoas e avaliação das suas
habilidades, aplicação de testes psicológicos e desenvolvimento da Psicologia aplicada à
Engenharia (DE FREITAS, 2001).

Depois deste momento o debate da formação girava em torno da articulação da formação


básica e da formação profissional, bem como as especialidades de actuações, dando lugar ao
crescente número de Psicólogos que se formavam a cada ano e a iminente saturação do mercado
de trabalho, (RUDÁ, COUTINHO e FILHO, 2015).

Para De Freitas (2001), a formação Profissional em Psicologia deve estar directamente


ligado aos múltiplos factores sociais, culturais, históricos e vivência actual da própria
sociedade, por este motivo ela tem que ser dinâmica e procurar o máximo possível desenvolver
estudos locais e capacitação mediante as necessidades apresentadas no momento, porque os
diferentes Institutos de ensino superior e profissional têm sido convidados a colaborar na
resolução destes grandes desafios que vem surgindo e desenvolvendo com o passar do tempo.
26

2.3.6 Surgimento da Psicologia em Angola

Os primeiros passos da Psicologia em Angola teve inicio após a independência de


Angola no ano de 1975, com o retorno ao país de primeiros quadros angolanos formados em
Psicologia, maioritariamente provenientes da República Democrática do Congo (RDC) e como
área de formação profissional a Psicologia do Trabalho e Escolar (FRANCISCO, 2015),
posteriormente foi se consolidando em 1980 a partir da criação do Instituto Superior de Ciência
da Educação (ISCED) no Lubango, província da Huila, onde o tinham como opção do curso de
Licenciatura em Ciências da Educação para os futuros professores da referida área, em 1985 o
ISCED de Lubango apresentou para o mercado o primeiro grupo de estudantes formados na
opção de Psicologia e a partir daquele momento a psicologia passou a ganhar espaço no país,
os referidos formados passaram a partilhar os conhecimentos aprendidos durante o período de
formação com os seus colegas do Instituto, seus familiares em casa e posteriormente com os
seus alunos.

Segundo o mesmo autor, no ano de 1986 em Luanda foi inaugurado o ISCED de Luanda
como núcleo do existente no Lubango tendo assim um grande número de candidatos para
referida opção, na primeira turma dos formandos deste curso no ISCED de Lubango se
encontravam algumas das grandes figuras que hoje se tornaram referência e pilares da
Psicologia em Angola, juntamente com outros que não faziam parte deste grupo, mas que do
mesmo jeito também têm se destacado de forma peculiar no processo de oficialização da
profissionalização da Psicologia em Angola.

2.3.7 A profissionalização da Psicologia em Angola


Reconhecendo que os primeiros passos de uma profissão passa por uma formação que
pode ser formal ou informal (FIGUEREDO & CORDEIRO, 2013), em Angola os primeiros
cursos de Psicologia surgiram no ano de 2000 com o aparecimento das Instituições privadas,
porque antes desta data existia no país apenas a Universidade Agostinho Neto. Cujo nome é
fruto de homenagem ao primeiro presidente da Republica de Angola e consequentemente
primeiro reitor angolano da Universidade de Angola (FRANCISCO, 2015).

Segundo o mesmo autor, somente em 1995 é que foi fundada a Associação Angolana
de Psicologia, desde o referido momento estava então lançada outro passo para a
profissionalização da Psicologia em Angola, e em 1999 surge a Universidade Católica que foi
27

a primeira Universidade privada em Angola que dentro das suas grelhas de cursos se
incorporavam também a psicologia e um ano depois outras Universidades foram surgindo no
país, como o caso da Universidade Jean Piaget de Angola que sua linha de formação psicológica
era mas focada a área clínica e o Instituto Superior Privado de Angola (ISPRA) actualmente
denominado por Universidade Privada de Angola (UPRA) que apresentava os cursos de
Psicologia de uma forma mas genérica.

Segundo Francisco (2013), a Universidade pública UAN como era de se esperar não
ficou de trás de todo este crescimento no mundo da Psicologia, de modo que a partir de 2002 e
2003 passou a lecionar os cursos de Psicologia na extinta Faculdade de Letra e Ciências Sociais,
a partir deste momento as balizas relacionadas a psicologia acabaram por ser separadas de modo
que alguns Docentes do ISCED acabaram por ser transferidos para a Faculdade de Ciências
Sociais onde são lecionados os cursos de Psicologia do Trabalho e Criminal e posteriormente
de lá alguns também foram para o antigo Instituto Superior de Enfermagem que na base do
Decreto 7/09 de 12 de Maio do Conselho de Ministros ganhou o nome de Instituto Superior de
Ciências da saúde (ISCISA), onde são ministrados os cursos de Psicologia Clínica e Psicologia
Escolar.

Em 2010 a Psicologia em Angola dá outro grande passo para profissionalização da


mesma com a criação da Ordem dos Psicólogos de Angola e pelo que tudo indica infelizmente
até ao momento a referida Ordem ainda não foi reconhecida legalmente pelo órgão competente
no país, mas diligências continuam sendo tomadas para o efeito e os formados dando o seu
máximo e mostrando o seu saber com a criação e desenvolvimento de soluções para muitos
casos clínicos de diferentes áreas como a Saúde, Organizacional, Aprendizagem e Criminal, de
modo a perpetuarem a sua existência, conforme ocorreu em Portugal (CARVALHO &
SAMPAIO, 1997).

Também é possível notar a presença dos Psicólogos nas unidades hospitalares,


programas de intervenções sociais, cadeias, quando ocorrem catástrofes naturais e sobretudo
quando ocorrem situações criminosas que acabam chocando a sociedade, os Psicólogos são
chamados para ajudar a entender o ocorrido e criar soluções para os referidos fenómenos
comportamentais ou sociais (RIBEIRO & LEAL, 1996).
28

CAPITULO III - METODOLOGIA

3.1 TIPO DE ESTUDO


Trata-se de um estudo descritivo com abordagem qualitativa.

3.2 LOCAL DE ESTUDO


A pesquisa foi realizada em dois locais principais devido a disponibilidade dos
participantes, o primeiro foi o local de trabalho dos referidos formados por ser local de fácil
acesso, outro foi a residência de alguns dos participantes que assim preferiram, por se
encontrarem de pausa no momento que efectuávamos a colheita de dados.

3.3 POPULAÇÃO DE ESTUDO


A população em estudo foi constituída pelos formados no Curso de Psicologia Clínica
do ISCISA, (2014), onde tivemos uma amostra de 11 formados.

3.4 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO


Fizeram parte deste estudo somente os formados em 2014 no curso de Psicologia Clínica
do Instituto Superior de Ciências da Saúde, que aceitaram participar na referida investigação.

3.5 VARIÁVEIS SOCIODEMOGRÁFICAS

- Idade
- Sexo
- Estado Civil
- Ano de ingresso
- Ocupação actual
- Nível académico.
29

3.6 PROCEDIMENTOS

Foi solicitada uma autorização aos ex-estudantes do ISCISA que finalizaram em 2014
o Curso de Psicologia Clínica, para participar no presente estudo, onde foi mantido em sigilo a
identificação e todos outros dados pessoais dos participantes.

3.7 INSTRUMENTOS E TÉCNICAS PARA RECOLHA DE DADOS

Para elaboração desta pesquisa foi utilizado um questionário de entrevista adaptado do


De Resende (2014), devidamente estruturado, composto por 6 perguntas abertas orientadoras.
Que por intermédio delas procurou-se saber provável avaliação que os formados em Psicologia
Clínica, ano de 2014 no ISCISA fazem do seu percurso, entender na prespectiva destes
formados quanto a grelha curricular, se a mesma está adequada as necessidades da sociedade
actual, se a sua formação académica foi suficiente para exercer a função de Psicólogo Clínico
ou no que fazem hoje no campo profissional, saber se existe alguma disciplina ou atividade que
eles avaliam como indispensável à prática profissional de um Psicólogo Clínico, suas opiniões
de pontos que a formação deixou de abordar e que hoje verificam necessário para prática diária
de um Psicólogo Clínica e sugestão dos mesmos para melhor adequação do curso de Psicologia
Clínica à prática profissional.

As entrevistas tiveram duração média de 45 minutos, com a permissão dos


entrevistados, algumas das entrevistas foram gravadas e a seguir transcritas, de modo a
complementar algumas informações, foram feitas ligações via telefónica que também foram
gravadas e posteriormente transcritas de forma integral. Em todos os casos, se procurou manter
um cenário propício à realização das referidas entrevistas, sem interferências externas.
30

CAPÍTULO IV – RESULTADOS E DISCUÇÕES

Os dados qualitativos foram realizadas por meio da análise temática, que consiste em
descobrir os núcleos de sentido que compõem uma comunicação cuja presença dê algum
sentido para o objectivo analítico estudado e guiado pela análise do conteúdo de Bardin (2006)
Citado por Mendes (2017).

A partir destes dados, foram criadas as Categorias de análise nestas mesmas dimensões.
As subcategorias foram delimitadas a partir das respostas dadas pelos formados, como pode ser
visto nas tabelas abaixo. Quando questionados de como avaliam a sua formação.

Tabela 4.1 – Apresentação da Categoria 1 e Subcategorias de Analise.


Categorização 1 Subcategoria Unidade de texto referenciais
Boa “Classifico a formação como boa”. F2
(7 Referências)
“Razoável, apesar das dificuldades
Razoável apresentadas (…) falta de distribuição de
(3 Referências) apontamentos, deste modo fica difícil”. F4

AVALIAÇÃO DA “Avalio a minha formação no ISCISA como


FORMAÇÃO Debilitada Debilitada, pois o curso de Psicologia é
(1 Referência) actualmente mais teórico que prático e está
mais focada na Psicologia enquanto Ciência
e não como profissão, portanto presumo
reformular o Curso”. F1

Professores excelentes tenho que reconhecer que existem muitos


(5 Referências) professore excelentes”. F6

Novas aprendizagens “…tive a oportunidade de aprender e reter


(2 Referências) vários conhecimentos”. F5
31

A tabela acima apresenta, a partir de 18 unidades de texto, a avaliação da formação


descritas pelos formados. Verificou-se portanto que há uma boa percepção em relação a sua
formação, na qual referiram ter sido boa (7 referência), professores excelentes (5 referência),
razoável (3 referência), novas aprendizagens (2 referência) e debilitada (1 referência).

Para Vendramini et al., (2004), a capacidade dos Docentes ao passarem os


conhecimentos e capacidades profissionais aos formandos, faz com que os mesmos depois da
formação apresentem as mesmas qualidades e capacidades profissionais. Apesar dos estudos de
Universia (2013), apontar a necessidade dos estudantes participarem nas aulas e reterem o
máximo de conhecimentos para o sucesso, isto pode ser comprometido quando alguns Docentes
se isentam de partilhar apontamento.

Os estudos de Rudá, Coutinho e Filhos (2015), dizem que já é tempo de se criar mais
debates sobre a formação em Psicologia como ciência e dela como profissão e posteriormente
usarem sua formação, como própria profissão para viver, conforme ocorrem em outras áreas do
saber.
32

A tabela a seguir, apresenta os resultados da Categoria 2, Adequação da Grelha


Curricular do curso de Psicologia Clínica as necessidades da Sociedade actual.

Tabela 4.2 – Apresentação da categoria 2 e subcategorias de análise.


Categorização 2 Subcategoria Unidade de texto referenciais

“acredito que não, apesar de publicado no


Diário da República (…) continua
Não adequada
contextualizada a realidade antiga.” F1
(7 Referências)

GRELHA “Sim, felizmente a grelha curricular está


Sim está adequada
CURRICULAR actualizada, o que falta é maior empenho…” F4
(3 Referências)

“Limitada para uma realidade… é momento dos


Psicólogos e Catedráticos em Africa pararem e
procurarem criar bases suficientemente e fortes
para a existência da Psicologia Africana, que
Limitada
estejam directamente ligadas a verdadeira
(1 Referência)
realidade Africana.” F7

Segundo a tabela acima referenciada a partir de 11 unidades de texto que os formados


acham em relação a grelha curricular do curso de Psicologia Clínica do ISCISA, se está
adequada as necessidades da sociedade actual. Constatou-se no entanto que não, na qual
referenciaram acredito que não (7 referências), sim está adequada (3 referências) e limitada (1
referência).

Segundo De Freitas (2001), a formação em Psicologia deve estar directamente ligada


aos factores sociais, culturais, históricos e vivência actual da própria sociedade, procurando o
máximo possível desenvolver estudos locais e capacitação mediante as necessidades
apresentadas, porque os diferentes Institutos de ensino Médio, Superior e Profissional devem
ser convidados a colaborar na resolução destes grandes desafios que surgem com o tempo.
33

A tabela a seguir, apresenta os resultados da Categoria 3, Será que á formação foi


suficiente para o que faz hoje no campo profissional.

Tabela 4.3 - Apresentação da categoria 3 e subcategorias de análise.


Categorização 3 Subcategoria Unidade de texto referenciais

Não foi suficiente “Não foi suficiente, considero como básico


(7 Referências) (…) por ser mais teórico que prático”. F1

“Sim foi suficiente, hoje já tenho uma


visão diferente no que se refere a um
profissional, porque na altura do estágio
Sim, foi suficiente sentimos quão é importante existir muitos
(3 Referências) Psicólogos nas instituições hospitalar
devido a carência afectiva dos pacientes e
ao tempo de internamento em que muitos
SUFICIÊNCIA DA são submetidos”… F2
FORMAÇÃO

“A formação nunca é suficiente na sua


totalidade, tem de haver também o nosso
Nunca é suficiente empenho, porque o estudante não tem que
(1 Referência) se limitar pela formação do Orientador ou
do Professor, o estudante também tem que
investigar (…) porque se assim fosse
estaríamos muito limitados”… F4

A tabela acima apresenta, a partir de 11 unidades de texto a percepção dos formados


quando questionados se a sua formação foi suficiente para exercer a profissão de Psicologio
Clínico, ou para o que faz hoje. Na qual referiram não foi suficiente (7 referências), sim foi
suficiente (3 referências) e nunca é suficiente (1 referência).
34

De acordo com o Curriculum de formação em Psicologia Clínica do ISCISA, para que


exerça a função com competência e determinação conforme o esperado, o Formado deve ter
sempre em conta que a complexidade da experiência psicológica é tal que a constante
actualização, reciclagem e estudo devem acompanhá-lo ao longo da sua carreira, aprofundar o
autoconhecimento e desenvolver características da sua personalidade que lhe permitam
desempenhar com eficácia a sua profissão, (DE PSICOLOGIA, 2016).
35

A tabela a seguir apresenta os resultados da Categoria 4, Disciplina ou actividade que


avaliam como indispensável à prática profissional de um Psicólogo Clínico.

Tabela 4.4 - Apresentação da categoria 4 e subcategorias de análise.


Categorização 4 Subcategoria Unidade de texto referenciais

“O Estágio Curricular é a cadeira


Estágio Curricular chave para que o profissional esteja
(7 Referências) dentro da sua vida, é nesta fase em
que o individuo terá conhecimento
prático …” F2

“Sim, Psicodiagnóstico, esta


cadeira é muito importante porque é

DISCIPLINAS OU nela onde se detalha os

ACTIVIDADES conhecimentos da anamnese, que


Psicodiagnóstico
INDISPENSÁVEIS facilita com que o técnico consiga
(3 Referências)
extrair o essencial, atendendo a
inquietação que levou o paciente ao
Consultório psicológico” F3

“Existe sim, algumas disciplinas


como a Psicofarmacologia (…) na
Psicofarmacologia minha ótica estes são indispensáveis
(1 Referência) para o desenvolvimento da função
de um Psicólogo Clínico”. F4

Segundo a tabela acima referenciada a partir de 11 unidades de texto, se existe alguma


disciplina ou actividade que avaliam como indispensáveis à prática profissional de um
Psicólogo Clínico, Constatou-se no entanto que sim, na qual referenciaram o Estágio Curricular
(7 referências), Psicodiagnóstico (3 referências) e Psicofarmacologia (1 referências).

Para Dos Santos e Da Nóbrega (2017), o Estágio Curricular de Psicologia é um dos


momentos mais aguardados pelos formandos, porque durante os Estágios ocorrem os primeiros
contactos da profissionalização, por se tratar do momento em que os conhecimentos Teóricos
são convertidos em Práticos dando assim a possibilidade de concretizar as metas traçadas no
36

início da formação, apesar de nos primeiros dias se constatar dificuldades com a vaga nas
Unidades hospitalares, supervisões e dificuldade na resolução dos problemas apresentados
pelos pacientes, chegando a fazer com que os estudantes sintam-se profissionalmente
despreparados.

A tabela a seguir apresenta os resultados da Categoria 5 – Será que a formação deixou


de abordar alguns aspecto que verificas como necessário para prática diária de um Psicólogo.

Tabela 4.5 - Apresentação da categoria 5 e subcategorias de análise.


Categorização 5 Subcategoria Unidade de texto referenciais

Não deixou de
“Não, o essencial já foi passado
abordar
no momento das aulas” F6
(5 Referências)

“Sim, deixou de abordar assuntos


Deixou de abordar
relacionados a profissionalização
A FORMAÇÃO DEIXOU DE
(3 Referências)
da Psicologia em Angola” F7
ABORDAR ALGUNS ASPECTOS
NECESSÁRIO A PRÁTICA DE
UM PSICÓLOGO
“…deve ser contextualizado de
acordo a nossa demanda e não
Contextualização
limitada a estudar questões de
(3 Referências)
outras culturas e povos”. F1

Segundo a tabela acima referenciada a partir de 11 unidades de texto, quando


questionados, se a formação deixou de abordar alguns aspectos que hoje verificam como
necessário para prática diaria de um Psicólogo Clínico, Constatou-se o seguinte, não deixou de
abordar (5 referências), deixou de abordar (3 referências) e não contextualizada (3 referências).

A formação académica e profissional não deve estar limitada a um curso técnico


profissional ou nos quatro anos da Licenciatura, ela deve ser contínua, sobretudo com
seminários, Workshop, leitura de revistas científicas, troca de saberes e reflexões, interações
com as instituições de formação de modo a efectivar-se as constantes actualizações académicas
e profissionais, (MARTINS, 2009).
37

A tabela a seguir apresenta os resultados da Categoria 6 – Sugestão para melhor


adequação do curso de Psicologia Clínica à prática profissional.

Tabela 4.6 - Apresentação da categoria 6 e subcategorias de análise.


Categorização 6 Subcategoria Unidade de texto referenciais

“… a falta de laboratório no ISCISA é


um grande problema para o nível de
Ter um Consultório conhecimento que os estudantes
(7 Referências) adquirem, acredito que (…) o ISCISA
tem que ter um consultório de
Psicologia para facilitar o primeiro
contacto da profissionalização de
alguns estudantes”. F7
SUGESTÃO VISANDO
ADEQUAÇÃO DO CURSO
Aumentar o tempo de “… o Estágio Curricular seria de 6
DE PSICOLOGIA CLÍNICA
Estágio meses ou 1 ano”. F2
À PRÁTICA
(2 Referências)
PROFISSIONAL
Actualização da Grade Curricular,
incluindo a prática, (…) inserção da
Actualização
disciplina Empreendedorismo e
(1 Referência)
Marketing aplicada a Psicologia…” F1

“…adequar a formação de Psicologia

Adequar a formação hoje de acordo as necessidades

(1 Referência) actuais… F3

Segundo a tabela acima referenciada a partir de 11 unidades de texto, quando


questionados, se teria alguma sugestão visando a melhor adequação do Curso de Psicólogo
Clínico à prática profissional, Constatou-se o seguinte, ter um consultório (7 referências),
Aumentar o tempo de Estágio (2 referências), actualização (1 referências), adequar a formação
(1 referências).
38

Em algumas Instituições de Formação de países como Brasil, existem vários tipos de


laboratório de Psicologia Experimental, que estão directamente ligados ao ensino de Análise
do Comportamento, de modo que é recomendável o uso destes laboratórios como recurso
didático, porque os formandos neste ambiente têm facilidade de compreensão, apropriação de
leis e conceitos, porque aprender ciência vai alem dos aspectos teóricos, para o efeito deve
acarrectar seus experimentos (LOPES, MIRANDA e DO NASCIMENTO, 2008).
39

CONCLUSÕES

Tendo em conta a problemática e os objectivos deste trabalho, conclui-se o seguinte:

A formação no Instituto Superior de Ciências da Saúde é classificada como boa, devido


a excelente qualidade e capacidade dos Docentes, onde um dos aspectos positivo consiste na
possibilidade dos formados terem aprendido e reterem vários conhecimentos, apesar da
formação estar mais focada a Psicologia como ciência e não como profissão, que é importante
para a actuação no mercado de trabalho, mas infelizmente a formação não contempla.

Quanto a Grelha Curricular do Curso, maior parte dos formados que fizeram parte do
estudo, acreditam que não está adequada as necessidades da sociedade actual, apesar de ser
publicada no Diário da República, ela apresenta algumas lacunas, por não abordar vários
problemas sociais ligados a nossa realidade durante a formação, porque o esperado é que a
formação Profissional em Psicologia deve estar directamente ligada aos factores sociais,
culturais, históricos e vivências actuais da própria sociedade.

Os participantes, consideraram que a sua formação não foi suficiente para o que fazem
hoje no campo profissional onde é claro que o Estágio deve ser anual, com uma carga horária
de 120h por semestre totalizando 240h para o aperfeiçoamento do nível de conhecimento
prático.
Quanto ao nível de Empregabilidade dos referidos formandos, foi possível constatar
que grande parte dos participantes deste estudo, não trabalham como Psicólogos Clínico, apesar
de serem licenciados em Psicologia Clínica. Grande parte dos entrevistados trabalham como
professores, somente um trabalha como Psicólogo Clínico.

Quando questionados sobre o motivo que os faz trabalhar em áreas diferentes da


Psicologia Clínica, os mesmos afirmaram ter recebido boa proposta por parte da sua entidade
empregadora, enquanto outros afirmaram que trabalham no actual Serviço por ser o que surgiu,
mas os participantes mostraram interesse em trabalhar como Psicólogo Clínico, caso surja esta
oportunidade. Sendo assim, a falta de oportunidade é tido como um dos principais motivos que
faz com que muitos dos formados em Psicologia Clínica trabalhem em outras áreas de
conhecimento.
40

RECOMENDAÇÕES

Mediante os resultados apresentados é recomendável o seguinte:

 Os órgãos de direito do ISCISA e UAN, devem criar as condições mínimas adequadas para
prestação de um ensino de qualidade (Laboratório de ensino e pesquisa, consultório), de
maneira a facilitar passagem de conhecimentos de algumas disciplinas Teórico-prática e
Prática, pelo facto do consultório servir de base no aprendizado, mais próxima da futura
realidade Profissional.

 O tempo do Estágio Prático se alargue o mínimo de 6 meses ou simplesmente se


supervisione o cumprimento do estabelecido pela Instituição, como recomenda o processo
de Estrutura e Duração do Ciclo de Formação no Instituto Superior de Ciências da Saúde,
que são 240h a ser ministradas com a prática, no período de 2 Semestres, onde cada
Semestre tem a duração de 120h.

 É necessário que o corpo Docente juntamente com os Formandos, devem procurar manter
uma boa relação, de modo a facilitar passagem de conhecimento e criação de bases
suficientes para melhor desempenho profissional.
41

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA

BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70. 2006.


CARVALHO, M. T. D. M.; SAMPAIO, J. D. R. Psicologia Ciência e Profissão. Minas Gerais,
1997.

DA CUNHA, M. S. R.; ALMEIDA, C. O conceito de stress: uma reflexão crítica. Trabalho apresentado
no VIII congresso brasileiro de medicina psicossomática, São Paulo. (1992).

DE FREITAS, M. H. Formação do Psicólogo: Desafios e Perspectivas. Temas em Psicologi


da SBP, 2001. p. 29-43.

DE PSICOLOGIA, R. D. C. Curriculum de Formação em Psicologia. Instituto Superior de


Ciências da Saúde. Luanda, p. 1-3. 2016.

DE RESENDE, L. B. Da formação à prática do profissional psicólogo: Um estudo a partir


da visão dos profissionais. Juiz de Fora, 2014.

DOS SANTOS, A. A. A. et al. Integração ao Ensino Superior e Satisfação Acadêmica em


Universitários. PSICOLOGIA: CIÊNCIA E PROFISSÃO, 2013. p. 780-793.

DOS SANTOS, A. C.; DANÓBREGA, D. O. Dores e Delícias em ser Estagiária: o Estágio


na Formação em Psicologia. Psicologia: Ciência e Profissão, Brasília, v. 37, p. 515-528, Junho
2017. ISSN 2.

FIGUEREDO, P.; CORDEIRO, M. Formação Profissional: Políticas e Práticas. Atas do XX


Colóquio da Secção Portuguesa da AFIRSE. Lisboa: Instituto de Educação. 2013. p. 24.

FRANCISCO, J. M. S. D. Psicologia: Formação e Exercício Profissional em Angola.


Salvador. 2013.

FRANCISCO, J. M. S. D. Psicologia: Formação e exercicio profissional em Angola. Luanda-


Angola: Casa das Ideias/WhereAngola, 2015.

LOPES, M. G.; MIRANDA, R. L.; DONASCIMENTO, S. S. Discutindo o uso do


Laboratório de Análise do Comportamento no ensino Psicologico. Revista Brasileira de
Terapia Comportamental e Congnitiva, Belo Horizonte, v. X. 2008. p. 67-79. ISSN 1.

LOURENÇO, T. M. D. S. P. A Importância da Formação Profissional enquanto


Investimento em Capital Humano. Coimbra-Portugal. 2015.
42

MALVEZZI, S. A profissionalização dos psicólogos: uma históris de promoção humana.


In: Bastos, A. B. & Godim, (Org). O trabalho do psicólogo no Brasil. Porto Alegre: Artmed,
2010.

MARTINS, F. P. ENSINO DE CIÊNCIAS: DESAFIOS À FORMAÇÃO DE


PROFESSORES. Depto. de Educação, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, UFRN. Lagoa
Nova, 2009. p. 914, (902-970).

MENDES, L. Programa de Intervenção sobre Métodos de Estudo no Ensino Superior


Angolano (PIME-ESA). Tese de Doutoramento. Universidade de Aveiro. Aveiro, 2017. p. 155
- 161.

MINAYO, M. C. O desafio do conhecimento: Pesquisa qualificativa em Saúde. 8. Ed.São


Paulo: ucitec, 2004. p. 264.

RIBEIRO, J. P.; LEAL, I. P. Análise Psicológica. XIV. ed. Porto, v. 4, 1996.

RUDÁ, ; COUTINHO, ; FILHO, D. A. Formação em Psicologia no Brasil: o período do


currículo mínimo (1962-2004). Belo Horizonte, 29 Outubro 2015. p. 59-85.

UAN. Universidade Agostinho Neto, 2010. Disponivel em: <http://www.uan.co.ao>. Acesso


em: 2 Outubro 2018.

UNIVERSIA. Universia Net, 2013. Disponivel em: <http://noticias.universia.com.br/vida-


universitaria/noticia/2013/10/14/1056132/10-dicas-ter-uma-vida-universitaria-
satisfatoria.html>. Acesso em: 29 Novembro 2018.

VENDRAMINI, C. M. M. et al. Construção e validação de uma escala sobre avaliação da


vida acadêmica (EAVA). Estudos de Psicologia. Universidade Metropolitana de Santos. 2004.
p. 259-268.
43

ANEXOS
44
45
46

2 PERFIL E COMPETÊNCIAS DE FORMAÇÃO


Segundo o Curriculum de formação em Psicologia Clínica do ISCISA 2016, o Psicólogo deve
apresentar o seguinte Perfil e Competências de formação para que exerça a função conforme o esperado:

Perfil Profissional
O licenciado em Psicologia Clínica deverá:

A. Ter sempre presente que a complexidade da experiência psicológica é tal que a constante
actualização, reciclagem e estudo devem acompanhá-lo ao longo da sua carreia.
B. Ter presente que dispondo desta aptidão técnica tem uma responsabilidade social acrescida e
uma deontologia própria que deverá por em prática de forma a dignificar e a corresponder com
aquilo que dele se espera.
C. Aprofundar o autoconhecimento e desenvolver características da sua personalidade que lhe
permitam desempenhar com eficácia a sua profissão, nomeadamente a Empatia, a Emotividade,
a Tranquilidade e a serenidade que a mesma implica.
D. Caso trabalhe na área da saúde, ser sensível à solicitação e pedidos de ajuda que, directa ou
indirectamente, sejam demandados. Neste caso deverá actuar como um profissional qualificado
na relação de ajuda, podendo inspirar-se em códigos universitários (como o juramento
hipocrático) ou regionais no quadro ético da profissão.
E. Ter sempre o discernimento para não deixar que eventuais problemáticas pessoais interfiram
negativamente com os utentes a que dá resposta, devendo, nessa eventualidade e enquanto se
justificar, abster-se do exercício da mesma.
F. Zelar pela sua profissão recebendo com justeza honorária relativos à sua actividade.

Competências
Conhecer:

A. Bases do desenvolvimento humano, considerando os níveis fisiológicos e psicológico.


B. Neuroanatomia, Neurofisiologia e Psicofisiologia.
C. Principais correntes e escolas de Psicologia, com destaque para a Psicanálise, Behaviorismo,
Teoria Sistémica, Teorias Humanistas, Teorias Cognitivas.
D. Lógica e Epistemologia da Ciência.
E. Noções de Psicofarmacologia e fundamentos das prescrições psiquiátricas.
F. Vários âmbitos da Psicologia, como Psicologia Social, Psicologia Cognitiva, Psicologia do
Desenvolvimento.
G. E saber definir constructos como Inteligência, Personalidade, Criatividade.
H. E saber Metodologia, plastificação e execução de trabalhos científicos.
47

I. E saber utilizar Estatística Descritiva e Indutiva e aplicá-las à investigação em Psicologia.


J. Formas de avaliação psicológica a nível Cognitivo e da Personalidade, incluindo os
instrumentos (testes, questionários, guiões de entrevistas) e técnicas relacionadas (entrevista,
observação).
K. Bases de diagnóstico prognóstico da Psicopatologia em função dos principais manuais de
classificação (DSM IV TR e ICD 11).
L. Construir, selecionar, aplicar instrumentos de avaliação das funções e propriedades da
personalidade em várias fases de desenvolvimento.
M. Conduzir entrevistas clínicas e elaborar anamneses.
N. Bases éticas e deontológico da Psicologia conforme tendência das principais associações e
federações internacionais.
O. E saber por em prática características indicadas para a relação psicológica e a forma como
alcança-las.

3 Instituições de Afectação
Segundo a mesma fonte, os licenciados em Psicologia poderão exercer a sua actividade
em instituições como as seguintes:

A. Instituições de Saúde Mental (Hospital Psiquiátrico).


B. Instituições de Saúde Geral (Hospitais Gerais, Maternidades, Centros de Reabilitação
Clínica).
C. Centros Educativos (Creches).
D. Centros Geriátricos (Lares).
E. Serviços de Apoio Psicológico.
F. Consultório de Psicologia.
G. Estabelecimento de Ensino Superior.
H. Estabelecimentos de Ensino Básico e Médico (Contexto de lecionação e/ou apoio
psicológico).
I. Instituições de Segurança Social.
J. Instituições de promoção da qualidade de vida.
K. Serviços Prisionais e de Reinserção Social.
48

4 Estrutura e Duração do Ciclo de Formação


A estrutura do Curso de Licenciatura em Psicologia (Área Clínica) assenta em: 44 Cadeiras
teórico-práticas entre 1º e o 8º Semestres, 1 Estágio, 1 Seminário de Estágio, 1 Seminário de Trabalho
de Fim de Curso e 1 Trabalho de Fim de Curso. Todas as cadeiras são semestrais e com uma carga
horária de 60h. Os Seminários são anuais. A cada 15 horas de lecionação corresponde a uma Unidade
de Crédito (UC). Exceptuam-se as UC atribuídas ao Trabalho de Fim de Curso pois, não havendo
lecionação directa, considera-se um trabalho individual do aluno de 10 horas semanais ao longo de 30
semanas (300 horas de trabalho individual), Idem.

- Cada Semestre, do 1º ao 6º, tem uma carga de 420h cada (840 total).
- O 7º, 8º Semestres têm uma carga de 540h de contacto e 300h de trabalho individual (Estas não são
contabilizadas no total de horas ministradas na licenciatura).
- O Estágio é anual e realizado durante o 7º e 8º semestres, com uma carga horária de 120h por
semestre (240 total).
- O Seminário de Estágio é anual e realizado no 7º e 8º semestres, com uma carga horária de 60h por
Semestre (120h total).
- O Seminário de Trabalho de Fim de Curso é anual e realizado durante o 7º e 8º semestres, com carga
horária de 30h por Semestre (60h total).
- Ao Trabalho de Fim de Curso a realizar no 7º e 8º semestres são atribuídos 10 UC por Semestre (20
total), correspondentes à sua conclusão e cálculo de 300h de trabalho individual do aluno (10h por
Semana).
- Apresenta as seguintes áreas científicas: Psicologia (PSIC), Ciências Sociais (CS), Biologia (BIO),
Estatística (EST), Metodologia (MET) e Línguas (LING).
- Assim o Curso de Licenciatura em Psicologia desenvolve-se ao longo de 8 Semestres e possui uma
carga horária total de 3360h correspondentes a 224 Unidades de Crédito.

Quadro 1 – Estrutura do Ciclo de Formação

Ciclo Número Número de Seminário Duração do Nº de Disciplinas Trabalho Estágio Carga UC


de Anos Semestre semestre Cadeira de Fim horária (15h)
lectivo de Curso total

Licenciatura 4 8 2 15 Semanas 44 2820h TP 300h P 240 h P 3360 244


h

UC – Unidade de Crédito

T – Modo Teórico TP – Modo Teórico-Prático P – Modo Prático


49

ROTEIRO DE ENTREVISTA (DE RESENDE, 2014)

I - Dados Sócio-demográficos

Idade:___anos
Sexo: ( ) masculino ( ) feminino
Ano de ingresso e conclusão da graduação
Estado Civil: ( ) solteiro ( ) casado ( ) outro
Qual sua ocupação actual?
Há quanto tempo trabalha nesta área (cargo)?

II – Questões relativas à formação

1. Como foi sua trajetória acadêmica? (Caso os participantes não respondam se tiveram
contato anteriormente com esta área será realizada pergunta complementar: - Você teve
algum contato anteriormente com a área em que trabalha actualmente?)

2. Como você avalia a sua formação?

3. Existe alguma disciplina ou atividade (competência) que você avalia como indispensável à
sua prática profissional actual? Fale a respeito disto.

4. Em sua opinião, a graduação deixou de abordar algum aspecto que hoje é importante em
sua prática diária? Fale a respeito disto.

5. Você teria alguma sugestão visando a melhor adequação do curso de graduação à prática
profissional?

6. Você gostaria de complementar alguma questão? Algo que tenha deixado de falar.
50

UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO


INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE PSICOLOGIA

APÊNDICE A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

Joaquim Raúl Ganga, Estudante Finalista do Instituto Superior de Ciências da Saúde


(ISCISA) Unidade Orgânica da Universidade Agostinho Neto (UAN). O presente Estudo sobre
a formação à prática do profissional Psicólogo: Um estudo a partir da visão dos profissionais
formados no Curso de Psicologia Clínica do ISCISA em 2014, para preparação do trabalho de
Monografia para aquisição do título de Licenciado em Psicologia Clínica.

Pedimos a vossa compreensão e colaboração no preenchimento deste questionário. Os


dados que o Senhor (a) fornecer serão usados somente para estudo e garantimos a total
confidencialidade. Por esta comunicamos que a sua participação é voluntária sem nenhuma
remuneração.

Assinatura do(a) participante Assinatura do pesquisador

__________________________________ ___________________________________

Luanda, ____ de ______________ de 2018

Contactos: (+244) 912 318 436 / 926 910 294 ou pelo email: joaquimganga2012@gmail.com.
51

UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO


INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE PSICOLOGIA

APÊNDICE B - QUESTIONÁRIO ADAPTADO DO ESTUDO DE RESENDE, (2014).

DADOS PESSOAIS

- Idade: _____ anos.


- Sexo: ______________________
- Estado Civil: ________________
- Ano de Ingresso: _____________
- Nível académico actual: ___________________________________________________________
- Ocupação actual? _________________________________________________________________
- Área de trabalho e função: ___________________________________________________

1. Como você avalia a sua formação? Justifica.

2. Você acha que a grelha curricular do Curso de Psicologia Clínica do ISCISA está adequada
as necessidades da sociedade actual? Justifica.

3. Acha que a sua formação foi suficiente para o que você faz hoje no campo profissional?
Argumente.

4. Existe alguma disciplina ou atividade que você avalia como indispensável à prática
profissional de um Psicólogo Clínico? Fale a respeito disto.

5. Em sua opinião, a formação deixou de abordar algum aspecto que hoje verificas como
necessário para prática diária de um Psicólogo Clínica? Fale a respeito disto.

6. Você teria alguma sugestão visando a melhor adequação do curso de Psicologia Clínica à
prática profissional?

Gostarias de complementar alguma questão? Algo que tenha deixado de falar.