Você está na página 1de 1

HIPERTROFIA. É o aumento quantitativo dos constituintes e das funções celulares, resultando em METAPLASIA.

METAPLASIA. Metaplasia é a mudança de um tipo de tecido adulto (epitelial ou mesenquimal) NOMENCLATURA. CLASSIFICAÇÃO DAS NEOPLASIAS. Na prática as neoplasias
aumento volumétrico das células e dos órgãos atingidos. Para que ocorra hipertrofia, o fornecimento de O2 e em outro da mesma linhagem. Na metaplasia, um tipo de epitélio se transforma em outro tipo são chamadas de tumores. O termo "tumor" é mais abrangente, pois significa qualquer lesão
de nutrientes deve ser maior para suprir o aumento das exigências das células. Além disso, as células epitelial; um epitélio, porém, não se modifica para um tecido mesenquimal. Em termos genéticos, a expansiva ou intumescimento localizado, podendo ser causado por vários outros
devem ter suas organelas e sistemas enzimáticos íntegros; por isso mesmo, células lesadas (degeneradas) não metaplasia resulta da inativação de alguns genes (cuja expressão condiciona a diferencição do tecido que processos patológicos (inflamações, hematomas etc.). Os tumores podem ser classificados
podem se hipertrofiar. Órgãos ou tecidos cuja atividade depende de estimulação nervosa só podem sofre metaplasia) e desrepressão de outros (que vão condicionar o novo tipo de diferenciação). Os tipos mais de acordo com vários critérios: l) pelo comportamento clínico (benignos ou malignos); 2) pelo
hipertrofiar se a inervação estiver preservada. O miocárdio desnervado, por exemplo, não se hipertrofia ou se frequentes de metaplasia são: l) transformação de epitélio estratificado pavimentoso não-queratinizado aspecto microscópico (critério histornorfológico); 3) pela origem da neoplasiajcritério
hipertrofia pouco. Hipertrofia é sempre uma forma de adaptação das células e dos órgãos frente a maior em epitélio queratinizado. É o que ocorre no epitélio da boca ou do esôfago em consequência de irritação histogenético). O critério mais usado para se dar nome a um tumor é o histomorfológico,
exigência de trabalho, podendo ser fisiológica ou patológica. A hipertrofia fisiologica ocorre em certos prolongada; 2) epitélio pseudo-estratificado em epitélip estratificado pavimentoso queratinizado ou não. O no qual a neoplasia é identificada pelo tecido ou célula que está proliferando. Nesse sentido,
órgãos e em determinadas fases da vida como fenómenos programados, como por exemplo a hirpertrofia da exemplo clássico é o da metaplasia brônquica secundária a agressão persistente, cujo protótipo é o tabagismo; algumas regras são importantes: l ) o sufixo –oma é empregado na denominação de qualquer
musculatura uterina durante a gravidez. As hipertrofias patológicas não são programadas e aparecem em 3) epitélio mucossecretor em epitélio estratificado pavimentoso com ou sem queratinização. Aparece tipicamente neoplasia, benigna ou maligna 2) a palavra carcinoma indica tumor maligno que reproduz epitélio
consequência de estímulos variados. As mais frequentes são: l ) hipertrofia do miocárdio. 2) hipertrofia da no epitélio endocervical (mucíparo), que se transforma em epitélio escamoso do tipo ectocervical; 4) epitélio de revestimento; 3) o termo sarcoma se refere a uma neoplasia maligna mesenquimal; 4) a
musculatura esquelética. 3) hipertrofia da musculatura lisa da parede de órgãos ocos, na região a montante de um glandular seroso em epitélio mucíparo, como acontece na metaplasia intestinal da mucosa palavra blastoma pode ser usada como sinónimo de neoplasia e, quando empregada como sufixo,
obstáculo. 4) hipertrofia de neurônios. 5) hipertrofia de hepatócitos. Tecidoseórgãoshipertróficostornam-seaumentados de gástrica; 5) metaplasia de tecido conjuntivo para tecido cartilaginoso ou ósseo; 6) tecido cartilaginoso em indica que o tumor reproduz estruturas com características embrionárias (nefroblastoma,
volume e de peso por causa do aumento volumétrico de suas células. a arquitetura básica do órgão se mantém tecido ósseo. Em todos esses casos, o tecido metaplásico é mais resistente às agressões. Por isso mesmo a neuroblastoma etc.). Na forma mais usual de denominar um tumor, toma-se o nome da célula, do
inalterada, mas aumenta o fluxo de sangue e de linfa. A capacidade de hipertrofia é diferente de acordo com o metaplasia é também um processo adaptativo que surge em resposta a várias agressões. Em princípio, a tecido ou do órgão reproduzido e acrescentam-se os sufixos -orna ou -sarcoma: lipoma (tumor
tipo celular. Para cada célula há uma dose crítica acima da qual o estímulo para hipertrofia deixa de metaplasia é o resultado de irritações persistentes que acabam levando ao surgimento de um tecido benigno que reproduz lipócitos); hemangioma (tumor que reproduz vasos sanguíneos);
provocar uma reação adaptatíva para produzir processos regressivos. Em alguns casos e após atingir certa mais resistente. Os exemplos mais conhecidos são: 1) agressões mecânicas repetidas,comoas provocadas condrossarcoma (tumor maligno que forma cartilagem); hepatohlastoma (tumor maligno que
intensidade, o estímulo que leva a hipertrofia provoca também aumento do material genético, podendo haver por próteses dentárias rnal ajustadas no epitélio dagengiva ou dabochecha; 2) irritação por calor prolongado, comoa reproduz hepatócitos com características embrionárias). Além desses elementos básicos, o nome
poliploidia (nas células perenes) ou multiplicação celular (em células lábeis ou estáveis). A hipertrofia é causada no epitélio oral e do esôfago por alimemos quentes, ou a provocada no lábio pela haste de de um tumor pode conter outros termos para indicar certas propriedades da lesão:
também um processo reversível; cessado o estímulo, a célula volta ao aspecto normal. Assim, certo tempo cachimbo: 3) irritação química persistente, cujo exemplo clássic é a ação do fumo sopre a mucosa respiratória; 4) carcinoma epidermóide (o epitélio neoplásico tem diferenciação semelhante à da
após o parto, o útero readquire suas dimensões normais. Todavia, se o estímulo persistir ou aumentar além da inflamações crônicas, como no colo uterino ou nas mucosas brônquica e gástrica. Um tipo particular de metaplasia é a epiderme); adenocarcinoma cirroso (o estroma do tumor é muito desenvolvido e duro, dando
capacidade adaptativa do organismo, dois eventos podem acontecer: a) multiplicação celular (hiperplasia), se a célula leucoplasia. Este é um termo de significado predominantemente línico e usado para indicar lesões que se consistência muito firme à lesão). Quanto ao comportamento e evolução, os tumores são
tem capacidade reprodutiva; B) degenerações variadas e até morte celular. apresentam como placas ou manchas brancacentas localizadas em mucosas (colo uterino, oral. esofágica divididos em duas grandes categorias: benignos e malignos. Os tumores benignos
etc.). A leucoplasia corresponde à metaplasia de um epitélio escamoso não-queratinizado em geralmente não são letais nem causam sérios transtornos para o hospedeiro: por isso,
queratinizadocontendováriascamadasdequeratina. podem evoluír durante muito tempo e não colocam em risco a vida de seu portador. Os
malignos, ao contrário, em geral têm crescimento rápido e muitos provocam perturbações
homeostáticas graves que acabam levando o paciente à morte.
HIPERPLASIA. Consiste no aumento do número de células de um órgão ou de parte dele. Decorre, DISPLASIA. Apalavradisplasia éempregada paradenominarcondições patológicasàs vezes muitodiferentes, e,por NEOPIASIAS BENIGNAS. Apesar de em geral não representarem grande problema para
portanto, do aumento da taxa de reprodução celular sem acréscimo correspondente das perdas. Por essa razão, a isso mesmo, é um termo confuso.displasia é uma condição adquirida caracterizada por alterações do crescimento e da seus portadores, os tumores benignos têm grande interesse prático por sua frequência e pelas
hiperplasia só acontece em órgãos , que contêm células lábeis ou estáveis. Como há maior número de células, o órgão diferenciação celular. Os exemplos mais conhecidos são as displasias epiteliais. nas quais ocorrem, em graus variados, consequências que podem gerar. As atipias celulares e arquiteturais são discretas," ou seja, O tumor
ficaaumentadodevolumeedepeso. Para haver hiperplasia são necessárias as mesmas condições para a hipertrofia, aumento do crescimento celular (hiperplasia), distúrbios da maturação das células e atipias celulares e arquiteturais. Não reproduz bem o tecido que lhe deu origem. Como a taxa de divisão celular é pequena (baixo índice
como suprimento sanguíneo suficiente, integridade morfofuncional das células e inervação adequada. Assim raro as displasias estão associadas a ou se or i gi nam em tecidos metaplásicos. As mais mitótico), em geral o tumor tem crescimento lento. Nos tumores benignos, as células crescem unidas
como na hipertrofia, a hiperplasia é desencadeada por um agente que estimula funções específicas da célula. Nesse importantes na prática são as displasias demucosas,comoadocolouterino,adosbrônquioseagástri ca,poismuitasvezes entre si, não infiltram os tecidos vizinhos e formam uma massa geralmeente esférica. Esse
sentido, a hiperplasia também é uma forma adaptativa das células a uma sobrecarga de trabalho. Por isso precedemostumoresqueseformamnesseslocais. Todavia,nemsempreumadisplasia progrideparaocâncer,jáquepode crescimento é dito expansivo e provoca compressão das estruturas adjacentes, que podem sofrer
mesmo, muitas vezes um órgão ou estrutura apresenta concomitantemente hipertrofia e hiperplasia, pois a estacionar ou até mesmo regredir. Além de atipias importantes, as células displásicas podem apresentar alterações hipotrofía. Com frequência forma-se uma cápsula, fibrosa em torno do tumor, que é constituída pela
mesma causa pode desencadear os doisprocessos. A capacidade de proliferação hiperplásica tem limites. As significativasdoconteúdodeDNA.Nocolo uterino, por exemplo, sabe-se que há poliploidia e até mesmo aneuploidia. compressão do estroma adjacente. Por isso a neoplasia fica mais ou menos bem delimitada e
células hiperplásicas não se multiplicam indefinidamente e, embora formem uma população nova Tudoissodemonstraqueasdisplasiassãoprocessos complexosequesuas célulasexibemalgumasdascaracterísticas das pode ser completamente removida por cirurgia. Em geral, os tumores benignos não recidivam
crescendo no localestimulado, conservam os mecanismos de controle da divisão celular. Além disso, a hiperplasia células malignas. Ao lado das condições descritas, o termo displasia é empregado também para indicar após ressecção cirúrgica. O crescimento lento do tumor permite o desenvolvimento
é um processo reversível, no sentido de que se a causa é eliminada a população celular volta ao nível normal. outros processos patológicos cuja posição patogenética é variada e pouco conhecida. É o caso de adequado de vasos sanguíneos, assegurando boa nutrição das células. Desse modo, degenerações,
Essas propriedades são fundamentais para diferenciar a hiperplasia de uma neoplasia; nesta, o crescimento certos defeitos malformativos (como a displasia renal) ou de doenças proliferativas acompanhadas de necroses e hemorragias são pouco comuns. Por essa razão e pelo fato de não infiltrar ou destruir os
celular é autônomo e independe da ação de um agente estimulador. A hiperplasia pode ser dividida também desordens arquiteturais, como a displasia óssea. tecidos vizinhos, o tumor benigno não leva a ulceração. Além disso, não compromete a
em fisiológica ou patológica. Os principais tipos da primeira são as hiperplasias compensadoras e as NEOPLASIAS. Uma das características principais das neoplasias é justamente a proliferação nutrição do hospedeiro. células de tumores benignos não se disseminam espontaneamente,
secundárias a estimulação hormonal, como a que ocorre no útero durante a gravidez ou a da mama na celular descontrolada. A reprodução é atividade fundamental das células, e, em geal existe correlação mas podem ser levadas a distância. Por traumatismos ou por grande aumento da pressão
puberdade ou na lactação. Exemplo clássico de hiperplasia compensadora é a que acontece no rim inversa, de grau razoável, entre diferenciação e multiplicação celular. Quanto mais avançado ou complexo é intracavitária, cistadenomas papilíferos do ovário podem se romper e liberar células ou papilas
após nefrectomia ou lesões graves do outro rim. Nesse caso, o rim apresenta hiperplasia e hipertrofia de suas o estado de diferenciação, menor é a taxa de reprodução. Assim se entende que as neoplasias, emgeral,ocorre na cavidade peritoneal. Pelos movimentos das alças intestinais, essas células podem se espalhar e
células e sofre aumento de seu peso e volume. Ao lado dessas, a hipertrofia compensadora pode ser paralelamente ao aumento do crescimento, perda da diferenciação celular. Algumas vezes a desrepressão da implantar na superfície da serosa, onde formam colónias tumorais secundárias. Além disso,
estudada também do ponto de vista experimental, através de procedimentos simples como a hepatectomia parcial proliferação atinge também outros genes, resultando em diferenciação anômala. Como resultado de tudo isso, as certos tumores histologicamente nos podem ser fatais. Nessa situação encontram-se
em animais. Nesse modelo, algumas horas após a remoção de parte do fígado as células restantes entram em células neoplásicas perdem progressivamente as características de diferenciação e se tornam atípicas. adenomas secretores de substâncias importantes para a homeostase que quando em excesso,
divisão e por volta de duas semanas a população celular normal é restaurada. Na hiperplasia compensadora pode-se dizer que, nas neoplasias, o metabolismo celular é desviado da diferenciação para a proliferação. A podem causar a morte. É o caso de tumores pancreáticos secretores de insulina que podem levar
geralmente coexiste hipertrofia celular. A hiperplasia compensadora é também uma forma de regeneração, que proliferação celular em condições normais é atividade complexa e depende da atuação coordenada dos produtos a hipoglicemia grave. Outro exemplo de tumor biologicamente maligno é o de neoplasias
normalmente se faz dentro dos padrões e dos limites arquiteturais do órgão atingido. Algumas vezes, porém, de vários genes, os quais controlam o processo em resposta a estímulos internos e externos. A célula localizadas em sedes vitais, como a cavidade craniana. Mesmo com crescimento lento, sendo
surgem alterações no número e no arranjo das células neoformadas. resultando em hiperplasia patológica. Esse neoplásica sofre alteração intrínseca nos seus mecanismos regulatórios da multiplicação, adquire autonomia circunscritos e desprovidos de capacidade invasora, certos gliomas situadas profundamente
fenómeno é bem conhecido na regeneração hiperplásica dos hepatócitos que ocorre na cirrose hepática. Os de crescimento e se torna independente dos controles externos. As atividades celulares que se manifestam no encéfalo são de difícil acesso cirúrgico e não podem ser totalmente ressecados; quando atingem certo
exemplos mais conhecidos de hiperplasia patológica são as secundárias a hiperestimulação hormonal. Quando continuamente, sem regulação, são chamadas constitutivas; para a célula tumoral, proliferação é volume podem interromper a circulação do liquor, comprimir e deslocar estruturas nervosas vitais e,
existe hiperfunção da hipófise, por exemplo, todas as glândulas-alvo dos hormônios produzidos em excesso atividade constitutiva. as neoplasias podem ser entendidas como proliferações anormais de células que finalmente, levar o paciente à morte. Por tudo isso, essas neoplasias não podem ser classificadas
entram em hiperplasia. Certos casos de síndrome de Cushing, em particular, são causados por adenomas ou têm crescimento autônomo e tendem q perder sua diferenciação. Quando ocorre em órgãos como benignas ou malignas apenas por seus aspectos morfoló gicos; componentes da biologia
hiperplasias funcionantes da adenoipófise. Na mulher, aumento de estrógenos resulta em hiperplasia da sólidos, o maior número de células resultantes forma um tumor. da lesão, seu componente clínico e formas de evolução são também muitas vezes
mama ou do endométrio, que tem grande interesse prático por aumentar o risco de desenvolvimento de câncer nesses indispensáveis para se rotular um tumor como benigno ou maligno.
órgãos. Também pertencem a essa categoria as hiperplasias inflamatórias. Nas inflamações ocorrem normalmente
regeneração das células epiteliais eventualmente destruídas e neoformação conjuntivo-vascular para reparar as
perdas; em geral, há reprodução celular somente na quantidade necessária para recuperar a estrutura dos tecidos lesados.
Em algumas inflamações crônicas, contudo, a produção de células é exagerada e ocorre hiperplasia do epitélio ou
do conjuntivo. Esse tipo é encontrado em algumas inflamações da pele ou mucosas, as quais podem
resultar em lesões papilomatosas ou poliposas. Por se acompanharem de aumento da reprodução celular,
muitas hiperplasias patológicas são consideradas lesões potencialmente neoplásicas, já que nelas o risco de
surgir um tumor é maior do que nos tecidos normais.

NEOPLASIAS MALIGNAS. ASPECTOS MORFOLÓGICOS. Os tumores podem ser As neoplasias não possuem inervação. A dor sentida pelos pacientes cancerosos é ATROFIA. é uma forma de resposta adaptativa da célula a novas condições
císticos ou sólidos. Estes se apresentam macroscopicamente sob quatro tipos. No tipo devida à infiltração ou compressão de terminações nervosas existentes nos tecidos impostas pelo organismo. Ela consiste na redução do tamanho celular
nodular, o tumor forma uma.massa expansiva que tende a ser esférica. Este tipo é visto vizinhos. Embora as células neoplásicas tendam a apresentar a mesma constituição resultante da perda de proteínas e outros materiais celulares (assim como de
caracteristicamente nos tumores benignos e nos malignos originados em órgãos compactos básica das células normais de origem, pode haver diferenças importantes. Nas organelas), a redução das células se reflete também na redução do tecido ou
(fígado, rins, pulmões). O tipo vegetante é encontrado em tumores benignos ou malignos neoplasias benignas, as células são bem diferenciadas e podem ser indistinguíveis das órgão afetado. A função da atrofia é reduzir a demanda energética da célula,
que crescem em superfície (pele ou mucosas). Forma-se uma massa de crescimento células normais correspondentes. As atipias celulares e arquiteturais são discretas, ou isto é particularmente útil em casos de isquemia ou privação de nutrientes por
exofítico, que pode assumir vários tipos: poliposo, zapilomatoso ou em couve-flor. As seja, o tumor reproduz bem o tecido que lhe deu origem. As células crescem unidas exemplo. As alterações atróficas podem causar lesão e morte celular, assim
neoplasias vegetantes tendem a ulcerar-se precocemente. O tipo infiltrativo é entre si e não infiltram os tecidos vizinhos; seu crescimento, portanto, é do tipo como podem também ativar o programa de suicídio celular (apoptose),
praticamente exclusivo dos tumores malignos. Embora em todos os cânceres haja expansivo e provoca compressão das estruturas adjacentes. Com frequência, forma-se contudo, é importante ressaltar que uma célula atrófica não está morta,
infiltração dos tecidos vizinhos, o tipo infiltrativo é assim chamado para ressaltar o uma cápsula fibrosa em torno do tumor. Por tudo isso, a neoplasia fica mais ou menos apesar de ter funcionalidade reduzida. Este é um fenômeno que pode ocorrer
aspecto macroscópico predominante da lesão. Nele ocorre infiltração maciça da região bem delimitada e pode ser completamente removida cirurgicamente. O crescimento de forma fisiológica — como ocorre durante o desenvolvimento embrionário,
acometida, mas sem formar nódulos ou vegetações. Por isso, o órgão se torna espessado lento do tumor permite a formação de vasos sanguíneos, assegurando boa nutrição das no qual algumas estruturas sofrem involução — ou de forma patológica —
mas fica menos deformado do que nas outras formas. Quando se origina em órgãos ocos e células; desse modo, degenerações e necrose são pouco comuns. Já as células das causada por exemplo por uma lesão em determinado nervo motor, o que
especialmente quando é do tipo anular (que compromete toda a circunferência do órgão), neoplasias malignas têm propriedades bioquímicas, morfológicas e funcionais levará à atrofia do músculo invervado por ele.
provoca estenose. uma variedade do tipo infiltrativo é o câncer cirroso, no qual há diferentes. Como nelas a taxa de multiplicação é elevada (alto índice mitótico), seu Mecanismos Celulares de Atrofia. A atrofia nas células é mediada pelos
produção de grande quantidade de estroma conjuntivo, como acontece no câncer da crescimento é usualmente rápido; o mesmo não acontece com o estroma e os vasos sistemas proteolíticos: hidrolases lisossômicas e principalmente a via da
mama. O tumor ulcerado é aquele que sofre ulceração precoce; é quase exclusivo de sanguíneos, que se desenvolvem mais lentamente, resultando muitas vezes em ubiquitina e proteossoma, no qual as proteínas a serem degradadas são
"neoplasias malignas. A lesão cresce infiltrando os tecidos adjacentes e ulcera-se no degenerações, necroses, hemorragias e ulcerações. Em geral, as células cancerosas são conjugadas à ubiquitina e levadas ao complexo preteossoma, onde são
centro, formando uma cratera que geralmente tem bordas endurecidas, elevadas e mais volumosas que as normais, sobretudo pelo aumento do núcleo (aumento da relação lisadas. A ubiquitinação é ativada por hormônios como os glicocorticóides e o
irregulares. Em muitos casos, especialmente nos tumores malignos, observam-se núcleo/citoplasma). Além disso, a cromatina é irregular e mais compacta hormônio tireoidiano (T3 e T4), e tembém pelo fator de necrose tumoral (TGF)
combinações desses tipos, como por exemplo neoplasia ulcerovegetante etc. Todo tumor (hipercrornasia nuclear), podendo haver células bi ou multi-nucleadas. As figuras de A formação de vacúolos autofágicos é um fenômeno inerente à atrofia, sendo
é formado por dois componentes básicos: as células neoplásicas propriamente ditas mitose são frequentes, não só as típicas como as atípicas (mitoses tri ou multipolares); conseqüência da digestão de organela pelos lisossômos. O conhecimento
(parênquima tumoral) e o estroma conjuntivo-vascular. No início, só existem as células anomalias cromossômicas também são comuns, sobretudo aumento do número de deste fenômeno é importante pois dele podem surgir patologias de acúmulo
neoplásicas; à medida que a lesão cresce, surge o componente estromático. Tumores com até cromossomos (picos modais próximos de tri e tetraploidia). Muito comum é a maior intralisossomal de materiais resistentes à digestão, como por exemplo o
1-2 mm não possuem vasos; a partir desse tamanho, formam-se vasos sanguíneos próprios. quantidade de células por unidade de área (hipercelularidade). O citoplasma também acúmulo de grânulos de lipofuscina (pigmento originário do metabolismo de
se altera, havendo geralmente variações pronunciadas no volume forma das células fosfolipídio).
(pleomorfismo celular). Em razão da perda da diferenciação celular, as células Causas patológicas de atrofia. Atrofia por desuso.
malignas apresentam atipias variadas, desde discretas até muito intensas; neste caso, Este tipo de atrofia acomete principalmente ossos e músculos, e decorre de
tornam-se monstruosas e perdem seus aspectos morfológicos específicos, a ponto de sua pouca utilização ou total inutilização. Astronautas que passam muito
não se saber se são epiteliais ou conjuntivas. Essa atipia acentuada e perda completa tempo no espaço (ambiente de baixa gravidade) desenvolvem aumento da
das características morfológicas de uma célula é chamada anaplasia. Por causa das absorção óssea, visto que os ossos estão sendo privados de esforços
atipias de grau variado na população tumoral, há também atipias arquiteturais ou cotidianos como os da caminhada. Quando há uma lesão suficientemente
histológicas, pois as células não se organizam segundo a orientação própria do tecido grande em um nervo motor levando a paralisia, os músculos inervados por
normal. As células cancerosas apresentam alterações importantes na membrana esta estrutura ficam imobilizados e sofrem atrofia. Inicialmente há perda de
plasmática, que as tornam menos aderentes entre si e facilitam seu deslocamento da miofibrilas e de material celular, e em estágios mais avançados há redução
colónia neoplásica. Com isso, elas podem se movimentar, infiltrar os tecidos da população de células musculares. O mesmo ocorre na imobilização de
adjacentes, penetrar em vasos sanguíneos e linfáticos e, a partir deles, ser levadas para membros fraturados, quando a imobilização é muito longa é necessário um
locais distantes. Também devido ao crescimento infiltrativo, os limites do câncer com trabalho de fisioterapia para recuperação dos músculos e ossos afetados.
as estruturas adjacentes são pouco definjrjos e, como consequência, a remoção completa Atrofia por Isquemia ou Privação de Nutrientes. Quando há oclusão
do tumor muitas vezes é difícil. Em muitos casos, em torno da lesão principal existem parcial de uma artéria, os tecidos irrigados por ela sofrem atrofia. De maneira
ilhotas ou cordões de células neoplásicas que proliferam e podem dar origem a novos semelhante, uma alimentação pobre em nutrientes básicos (lipídios,
tumores. Por tudo isscïï o cirurgião normalmente procura retirar certa quantidade dos carboidratos e proteínas) é responsável pelo consumo de componentes
tecidos aparentemente normais (margem de segurança) para garantir que todo o tumor estruturais da célula para a geração de energia.
seja removido. Mesmo assim, o câncer tem tendência à recidiva local. Durante certo Atrofia pelo Corte de Estímulos Endócrinos. Algumas estruturas do
tempo na evolução inicial dos carcinomas, as células neoplásicas ficam restritas à organismo têm seu funcionamento regulado por hormônios, como é o caso
camada epitelial e limitadas pela membrana basal. Como nao há invasao do estroma das glândulas endócrinas reguladas pela hipófise. Caso os níveis séricos
subjacente, fala-se em carcinoma in situ. Os exemplos mais conhecidos sao os do colo desses hormônios caiam, as glândulas terão sua demanda funcional
uterino, da pele e da mama reduzida, e conseqüentemente sofrerão atrofia.
Atrofia por Compressão. Tecidos comprimidos mecanicamente desenvolvem
atrofia. Provavelmente isto seja resultado do fenômeno isquêmico resultante
da compressão.